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O mais importante fivro jamais escrito sobre o feminino | ' Py ae este ) | | livre foi o.nanuat oficial 4 da Inquisi¢av para a caga as i H| bruxas. Levou a tortura : | ed morte mic de 100 mil } | NY] inalheres sob v pretexto, if | J ei:.re outros, de copularem d | com odeménio. Esse genocifio} ‘foi perpetrado iva época em que se formavam as nacdes modernas 5 Tornou doceis e submissos os % compos das mulheres da ‘Era Industrial, que se iniciava. Escrito em 1484 pelos ingniisidores Heinrich Kramer e James Sprenger Introdugdo fristoriea: Rose Marie Muraro . Preficio: Dr. Carlos Byington 134 Ks9na ome Rosa vos Tenras Mm alleus We “6. Meare Tscrito om 1484 pelos sao BY 5 Heinvich Rramer ¢ Hanes woo ee rl oe Heinrich Kramer im James Sprenger © Miartelo , DAS Peiticeivas Mealleus Mtaleficarum Introdugio hist6rica: ROSE MARIE MURARO Prefaécio: CARLOS BYINGTON Tradugio de PAULO FROES 6 EDIGAO & Ss Towcs: Copidesque: Clara Recht Diament Revisio: Rosani Santos Rosa Moreira Renata Neto Fabiano Antonio Coutinho de Lacerda (Capa: Eduardo Barreto EDITORA ROSA DOS TEMPOS LTDA. Rua Argentina, 171 — 20921 — Rio de Janeiro, RJ Tel.: (021) $80-3668 ‘que se reserva a propriedade literdria desta traduefo Distribuigdo exclusiva da DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVICOS DE IMPRENSA S.A. Tmpresso no Brasil pelo Sistema Cameron da Divisio Gratic da DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVICOS DE IMPRENSA S.A. ‘Rua Argentina 171 — 20921 Rio de Janeiro, RJ — Tel.: 580-3668, ISBN 85-85363-08-8 PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL Caixa Postal 23.052 — Rio de Janeiro, RJ — 20922 1991 Impresso no Brasil Breve Introdugdo Historica ROSE MARIE MURARO Para compreendermos a importancia do Malus € preciso ter- ‘mos uma vis4o ao menos minima da histéria da mulher no interior da histéria humana em geral. Segundo a maioria dos antropélogos, o ser humano habita este planeta ha mais de dois milhdes de anos. Mais de trés quartos deste tempo a nossa espécie passou nas culturas de coleta ¢ caga aos peque- nos animais. Nessas sociedades no havia necessidade de forga fisica para a sobrevivencia, e nelas as mulheres possuiam um lugar central. Em nosso tempo ainda existem remanescentes dessas culturas, tais como os grupos mahoris (Indonésia), pigmeus e bosquimanos (Africa Central). Estes s8o 0s grupos mais primitivos que existem e ainda so- brevivem da coleta dos frutos da terra e da pequena cara ou pesca. Nesses grupos, a mulher ainda ¢ considerada um ser sagrado, porque pode dar a vida e, portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos ani- ‘mais. Nesses grupos, o principio masculino € 0 feminino governam 0 mundo juntos. Havia divisto de trabalho entre os sexos, mas nfo ha- via desigualdade. A vida corria mansa e paradisiaca. Nas sociedades de cava aos grandes animais, que sucedem a essas mais primitivas, em que a forga fisica € essencial, € que se inicia a su- premacia masculina. Mas nem nas sociedades de coleta nem nas de ca- ‘6a se conhecia fungdo masculina na procriagdo. Também nas sociedades de caca a mulher era considerada um ser sagrado, que possuia o privi- légio dado pelos deuses de reproduzir a espécie. Os homens se sentiam marginalizados nesse proceso ¢ invejavam as mulheres. Essa primiti- va “‘inveja do utero” dos homens € a antepassada da moderna “inveja do pénis’” que sentem as mulheres nas culturas patriarcais mais recentes. A inveja do titero dava origem a dois ritos universalmente encon- trados nas sociedades de caca pelos antropdlogos e observados em partes r 7 Ss