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/

l

DIREITO

REVISTA MENSAL

ASWO

1892

SETEMBRO A DEZEMBRO

59°

Volume

RIO DE JANEIRO

Typ. Monteuegro, rua Nova do Ouvidor, n. 14

189%

— 176 -

por constar do respectivo termo e da acta

apenas

propostos

postas dadas conformo o disposto no art. ii79 do mesmo Regula-

mento. Affirmando os peritos que procederão ao corpo do delicio

o completo restabeleci-

mento

quo «.Io

jurados ;

não terem sido

n.

os quesitos 120, e as res-

conforme o disposto no art. 371 do Reg

precisos

apenas

trinta dias

do paciente, a pona a impor ao

para

reo

é a

do

multa de 5 a '20

'/.

do valor do objecto roubado

27 § 4' do Código Penal

Pareceres

de

advogados — Legitimação

por

por

art. 356, e náo a

,.

do art . 309 § l - do Cod. Penal. Como preceitua o art . 363 do mesmo

Cod.

a

cício do suas faculdades sensitivas e intellecmaes.

Ponal, no caso de roubo, â pona corporal deve-se addicionar

do

Irresponsabilidade criminal do indiTÍduo privado do Jivre exer-

Intelligencia do

art.

subsequente

matrimonio

Nullidade de testamento. Instituição do conjugo como universal

herdeiro, tendo o tentador, bra/ileiro naturalistido, mai viva no

J)l

""

101

estrangeiro. inventario

Competência

do juizo

para

proceder

ao respectiyo

Acto* do poder legislativo e executivo.—Decisões do Governo. 107 a

101

172

Sociedades anonymas

173

l )<'*ombnrgador

171

Desembargador

-Código Civil

Coelho Cintra Luiz António Barbosa de Almeida

17-t

174

Errata

Por

iiii;.',:mo

rHisso

na

distribuição

das

matérias,

sahiu

no Noticia

n rio <li- |i;ir".

<!!iíj

do

ultimo

volumo

um

artigo

sob

o

titulo

Tob>am

tt«rr,'tn, |IIT(I'M<VII|M í\ O Noticiário é só consagrado

a curiós

sinnrniihn^ de decisões irilorossantes, proferidas por juizes e tribunaos, d;i síirio Ihimo <l;ir n dit.s ;i inli1;1,!"!. csi;nl(ist dos quaes riao possamos ou não entendamos nocos- I>:i jn'r-;pii-:rci;i ilns loitoros fiamos a correcção dos erros typOgraphiOQB, inevitáveis âm todas M composições da imprensa, maxime em trabalhos toi-hijicn';, in,'n> !;i;rilo o cuidado das revisões. Por isso, não daremos mai* erratas, salvo caso muito especial.— M. S.

Bens

DOUTRINA

dotaes

das

princezas

d.

d. Leopoldina (1)

MINISTÉRIO

DO INTERIOR

Isabel e

(Expediente

do dia 17 de Dezembro de 1891)

Dirigiu-se ás congregações das Faculdades de Direito, tillu iaes e livres, e a alguns advogados a seguinte consulta:

—Ucvigorando o disposto na Lei n. 166 de 29 de Setembro

ktle

•ue, por occasião do consorcio das ex-princezas dd. Isabel

• Lcopoldina, se applicasse a quantia de 3oo:ooo$ á ac-

,i|ni içíio de prédios destinados á habitação das mesmas

1^40,

determinou a de n.

1217 de 7 de Julho de 1864

IMUI -c?,as e de seos

Nessa

esposos.

conformidade forão celebrados os contratos ma-

*ii iinoniae s constantes dos impressos juntos , e nos quaes, nlrui de outras clausulas, se estipulou que o património das

ordem

iumav.as passaria aos seos descendentes, segundo a

|i

recessão estabelecida na Ord . lív. 4°tit. 100, uos ter-

las citadas Leis de 1840 e 1864, devendo todos os bens iln património ser considerados como próprios nacionaes •i i princezas fallecessem sem descendência, ou quando

Adquiridos os prédios, conhecidos sob a denominação de 1'ii.iries «. Isabel » e «Leopoldina», forão as princezas Itniniuivlasna respectiva posse e habitação ;e oparlamento, pelas Leis n s. 1904 e igoS de 17 de Outubro de 1870, pro- Vlilcm-jou sobre a fundação e demarcação de património Min UMrãs a que alludem Os contratos matrimoniaes. A' vista de taes disposições de lei, dos contratos que se

i

'

viesse a extinguir-se, depois de sua

morte.

governo, sobre os bens

l»- a,i princti/as bru/iloiras, outras sobre q regimen dotal, quer no

HM MI. - i\il , (píe r n o publico , que r n o internaciona l privado , forão tão

||) l'1"'nc.ciisião d'esta questão,

isignundo aqui os

proposta

pelo

nii-iricnlo estudadas e desenvolvidas quo pareceu-nos lazer serviço

'• 'i

i.ii '•niiMili.udos. E' o que explica a transcripçao com a qual abrimos

parecoros dos illustre» professores e advo-

1 \\oDireito.—Aí.

S'.

178 —

firmarão em sua conformidade e dos demais actos subse- quentes realisados, pergunta-se :

Os bens patrimoniaes das ex-princezas dd. Isabel e Leo- poldina reverterão á Nação em consequência da abolição iIa monarchia e consequente extincção não só da dynastia im perial, como também dos privilégios que do regimen monar- chico tiverão sua razão de ser ; ou a reversão desses bens somente pode ter logar, dados os casos previstos no art. 7* da Lei de 29 de Setembro de 1840 e clausula 2oa do contraio de n de Outubro de 1864 ?

PARECE R DA. FACULDAD E DE S. PAUL O

23 de Janeiro de 189-2.

Tenho a honra de remetter a v. ex., junta por copia, a acta da sessão do dia i 5 do corrente mez, em que foi ap-

provado pela congregação dos lentes desta Faculdade o parecer formulado por uma commissão de três de seos membros, respondendo á consulta transmittida por v. ex. em Aviso de 17 de Dezembro ultimo sobre os dotes das cx- princezas dd. Isabel e Leopoldina.—Illm. e exm. ar. dr. José Hygino Duarte Pereira, muito digno ministro de es- tado dos negócios do interior.—O director, B. de Ramalho.

Faculdade de Direito. —S. Paulo,

Acta da 24" sessão em T5 de Janeiro.—Aos i5 dias do ròez de Janeiro de 1892, ás 2 horas da tarde, sob a presi- dência do conselheiro director dr. Barão de Rumalho, re- uniu-se a congregação dos lentes desta faculdade, presen- tes osdrs. Joaquim de Almeida Leite Moraes, João Pereira Monteiro, Vicente Matnede de Freitas, Brazilio Augusto Machado de Oliveira, Brazilio Rodrigues dos Santos, Fre- derico José Cardoso de Araújo Abraiiches, João Mendes de Almeida Júnior, Wladisláo Hcrculano de Freitas, António Amancio Pereira de Carvalho, desembargador Aureliano de Souza e Oliveira Coutmho, António Januário Pinto Ferraz, Jesuíno Ubaldo Cardoso de Mello, Manuel Clc- mentino de Oliveira Escorei, Ernesto Moura, Augusto Miranda, Alfredo Moreira de Barros e Oliveira Lima, Ma- nuel Pedro Villaboim e José Machado de Oliveira. Deixa-A rão de comparecer os drs. Joaquim José Vieira de Carvalho e Augusto Cezar de Miranda Azevedo, sem causa participa- da. Gontinuão ausentes, o conselheiro Carlos Leoncio de Carvalho, em commissão do Governo Federal, o dr. Amc-

— 179 —

i n o Braziliense de Almeida Mello, que ainda não se apre- «eniou, o dr. António Dino da Costa Bueno, em serviço iln jury, o dr. Pedro Augusto Carneiro L^ssa, no gozo de lliviuM anterior e o dr. José Luiz de Almeida Nogueira, foin assento no Congresso Nacional como deputado por «itc listado.

íoi lida, approvada e assignada a acta

iU antecedente. Determinando o conselheiro director que

|tnr niim secretario fosse exposto o expediente, e informada

ii congregação de haver expirado o prazo de quatro mezes

juti ,1 as inscripcoes do concurso ao logar de lente substituto

Aberta

a sessão,

ti i ipiarta secção, sem que se tivesse apresentado candidato .-nu, assim como de não ter sido cumprido o art.92 dos Kitaiutos em vigor, na parte que determina que seja reno- \a em cada um dos últimos oito dias do prazo a publica-

. do edital, foi por ella resolvido, na forma

do art . 107

mesmos Estatutos, que por mais quatro mezes conti- nuassem abertas as inscripcoes do concurso ao referido ir de lente substituto. Em seguida, declarando o con- Mlheiro director que, tendo sido a congregação especial- mente convocada paru discutir e votar o parecer sobre a .ulta transmittida pelo Ministério do Interior sobre os

, iloics das ex-princezas dd. Isabel e Leopoldina, punh a em. iis^ão o parecer, que é do teor seguinte :—<x A com- ini .são dos lentes da Faculdade de Direito de S. Paulo MU as perguntas do Governo Federal, que vêm assim formuladas:—Os bens patrimoniaes das princezas dd.

I/.abei e Leopoldina

ila abolição da monarchia e consequente extincção não só M.i dynastia imperial, como também dos privilégios que «Io regimen monarchico tirarão sua razão de ser,ou a re- versão desses bens somente pode ter logar dados os casos .-istos no art. 7° da Lei de 29 de Setembro de 1840 e da 11 Hl-;ula 2oado contrato de 11 de Outubro de 1864?—tendo .minado acuradamente as citadas leis e os contratos

de vir dar seo

ocer sobre tão importante assumpto, para que se res-

reverterão á nac^o em consequência

nnic-nupciaes das princezas, tem

a honra

pinga

• "iiMgnou a quantia de 96:000$ para a dotação da princeza

casamento ; a de

i o:.)oo$ para a acquisicão de prédios que lhe offere-

en-

e

ival c outros objectos de seo serviço. Além destas quan-

o

que for mais acertado.

de

Setembro

de

se

realizasse

o

a

A

Lei de 29

quando

1840 nos arts. 1%

seo

de

100:000$

para

3° e

lH:l,

Ci

'«MU decente habitação ;

o

ii.»s ainda decretou,

nos

arts. 5° e 6°, a fundação de um.

180 —

património em terrenos pertencentes á nação com clausula

aos referidos prédios e de ÍLSMIII

segundo a ordem de succr sfcj

ioo,vigorada para (.'.'.to

de serem

passar a seos descendentes

effeito. estabelecida

incorporados

na

Ord.

liv. 4°

tit.

Desta arte creou a lei um vinculo a favor da prince/a,

sendo,

dentes com a exclusão

porém, a successão,

delle limitada a seos descm

por

ter

posto

um termo á successão, foi consequente declarando que, no

delia sem descendentes, seriao consi-

derados esses bens como próprios nacionaes, porque n

va-

cantes. No direito pátrio, a maior extensão que se tem dado ao direito de propriedade é a faculdade que se deu ao pro- prietário de vincular os seos bens, fazendo-os inalienáveis

a favor de certas pessoas de uma família; e este poder CHI;Í

inherente á soberania da nação e

Legislativo. De conformidade com o direito, a citada Lei separou uma parte dos bens nacionaes e os transferiu á princeza d. Isabel e seos descendentes, reservando so- mente a expectativade futurei successão, no caso do art. 7°,

dos collateraes ; e

caso de fállecimento

nação é a heráeira universal

de

todas

as

heranças

é

exercido pelo

Poder

que diz assim: — Todos os bens a que se refere o artigo antecedente (os patrimoniaes da princeza) serão conside-

rados como próprios nacionaes, quando não haja ou se acabe a successão. O verbo posto no futuro prova que, no presente a mesma lei não considera nacionaes os bens vin- culados, a não ser no caso previsto, mas sim como pro- prius da princeza e de seos descendentes; e assim tem sido sempre entendida a citada Lei, apparecendo no contrato antenupcial da princeza como bens próprios, levados a seo casal c conservando-se na posse delles com animo de se- nhora, e possuidora, sem contradiccão alguma. Pelo que levamos dito, no regímen da monarchia era livre de duvida

o direito da princeza ; e si o mesmo direito corre depois da

Constituição da Republica é o que passamos a considerar. Parece que a razão de duvidar do direito da princeza con- siste em ter sido constituído o património a favor da prin- cc/.a por contemplação, ao ser cila nesse tempo a herdeira prcsumptiva da coroa e fazer parte da família imperial, e terem dcsapparccido as causas e os motivos da constitui- ção desse património depois da extincção da monarchia no Brazil c da proclamação da Republica, que não reconhece privilégios pcssoaes. A mudança da forma do governo de

uma nação altera as relações políticas do cidadão, mas não

181 —

o direito privado, que permanecem as mesmas. Gom- int o o património da princeza fosse decretado por mo- mos políticos, isto é, o esplendor do throno, todavia por t - i -.ido levado a effeito e ter ella entrado na posse e admi- Blmração dos bens patrimoniaes, como seos próprios, ficarão fNHCs bens sujeitos ao direito privado, desapparecendo os Votivos de sua acquisíção, porque a nação os transferiu á |u mceza, consentindo que ella os sujeitasse a seo domínio COIMO pessoa privada.

era eminentemente poli-

IUMT c não podião ser creados em favor de alguém sem miiofí/.acão do Poder Legislativo; mas os bens su- l'ii" . a um morgado concedido ficavão no domínio do iln rito privado e seos administradores gozando das ga- iiinuas desse direito, segundo as leis geraes e as especiaes m esta instituição. Esta instituição era manifestamente

A

instituição

dos

morgados

Contraria á constituição

política

do

Estado,

promulgada

drpois da independência

do

Brazil, porém

continuou a

•itili .istir emquanto não foi abolida pela Lei de 6 de Outu- l'fn de 1835 ; e essa mesma Lei respeitou os direitos dos administradores de morgados que a esse tempo cxistião, dr. rolaudo que não tivesse logar a successão legiiima sinão depois de extinctos os últimos administradores dos bens vin-

» ul.uios.

re-

Mraão á nação dos bens patrimoniaes das princezas só-

nirnte pode ter logarsi realizar-se a única hypothese prevista

no

Ramalfio.

art. 7° da Lei de 29 de Setembro de 1840 ; e que assim

Tolo

que,

a commissão ó

de

parecer: — que

a

-iionda ao Governo

Federal.—Barão de

/>/•. Vicente Mamede de Freitas.Alfredo Moreira de

/•' f-roít

outros fundamentos,

mu-

•l .n. i da forma do governo de uma nação não possa alte-

e Oliveira Lima».

l V-dindo a palavra-, o dr.

parecer,

João Monteiro diãse que votava

mas por

que

a

B|lu conclusão do

m[.i

exposição escrevera e passava a ler:

« Não penso, com a

illusirada commissão,

i n as relações do

\a

das

revoluções

direito privado até então em vigor.

políticas

está

precisamente

ur.io : destruir, do que encontroUj tudo quanto contraria-

lh<- os intuitos. Ter como subsistente uma relação de di- inio privado cuja natureza, forma e fim, não podem de

(tlodo algum compatibiiisar-se

iças, c palpável contradicção, é antinomia insusten-

as novas instituições

com

IllVCl.

i\o

dos dotes

de que

se

trata está

preci-

— 182 —

samente neste caso. Si duvida houvesse»

matal-a-hião ;i

exacta asserção feita no parecer que — o património dax f)fifi.rf'ns foi decretado por motivos políticos, isto é, n giplendor do throno—e a clausula XX do tratado de 11 de

< hitubro de 1864, que mandou para seo

ordem de successão estabelecida na Ord. liv. 4° tit. 100.

O dote provia ao esplendor do throno ; foiconstituido so-

mente cm contemplação ás pessoas das princezas, exclusi- vamente por serem princezas, filhas do Imperador, em cujo throno poderião sentar-se; a revolução de i5 de No- vembro acabou com o throno, banindo a família imperial ; lopo , fico u o contrat o se m razã o d e ser , ist o é", se m ob - jecto ou destino. A Ord. citada é odioso vestígio da velha c obsoleta fidalguia portugueza : tendo sua geucso, como aitcstão os cscriptores citados por Lobão, do direito divino; a instituição dos morgados desappareceu lógica e necessariamente só por effeito da proclamação da Repu- blica.

Nem era essencial á completa organisacão democrática

effeito vigorar a ,

brazileira

a lettra

do art.

72 § 2° da Constituição Fe-

deral.

Mas, pela mesma forca por que as revoluções podem al- terar as relações do direito privado, está implicitamente contida no poder^dellas a forca ou' faculdade de conceder direitos, mantendo, por livre vontade própria, esta, ou aqnclla ou todas as relações que encontrar creadas. K< i o que, generosamente fez a Republica brazileira, dc- rhirando , n a proclamaçã o d e 1 5 d e Novembro, reconhece r <* if.-<itar Iodos os compromissos naeionaes contrahidos dt&* nmtc o regimen anterior, os tratados subsistentes com att fnif. 'H'"ifiti estrangeiras, a divida publica externa e interna,

eon-

tr&ktdae. ( )i ;i, os tratados de 11 de Outubro e de i de Dezembro

ilr iMij , juntos por copia, por serem compromissos nacio-

09 contratos vigentes e mais obrigações

legalmente

II.K-

cotttrahidos no regimen anterior, estão vigorando por

acto

di> j;,(vcrno proclamador da republica, acto queo Go-

vn MD posterior constitucional não revog-ou, nem mais

|KK|.- honestamente revogar, porque o Governo de i5d e

Novniibro concretizava então todos os poderes naeionaes, c ii.MI i|ii,uli-:i a dignidade da Republica voltar atrazda pa- lavi.i sokmne dada no dia de sua creação. Parecendo-mc t]ii<- n assumpto só pelo lado político é que pode ser enca- rado c estudado, pois não se trata de uma relação pura- mente do direito privado, sujeita ás regras abstractas de

— 183 —

piiisprudencia commum, penso que só pelas razões de 1111-11* voto posso subscrever o parecer cuja conclusão

(ItlitptO ».

< ) dr- Brazilio dos Santos, pedindo a palavra, disse ] ue n 10 podia subscrever o parecer nem por sua conclusão, IHMII por seos fundamentos; tomara, pois, a liberdade de

i"i

mular as razoes de sua discordância, cujas lettras pedia

i

cos collegas a bondade de ouvirem e ao conselheiro di-

n-i

tor de remetter ao sr. ministro do interior :

•i Km absoluto desaccordo com o venerando mestre e "-. doutos collegas que emittirão parecer sobre o objecto

l i consulta feita pelo Governo Federal, com referencia

!•'•; bens patrimoniaes das ex-princezas dd. Isabel e Lec-

succintamen-

i< as razões justificativas do meo voto; e o faço por es-

< i ipto,

j"i|d'ma,

cumpre-me, data vénia, expender

Sittenta

a

relevância do

assumpto.

Não é no vá a questão de direi to contida na alludida cônsul-*

i

i. Largamente debatida na França, a propósito do apanágio

•l

i família Orleans.foiella resolvida pela assembléa nacional

'ii i t 790 e 1791, pela convenção em 1792. de novo sujeita

i . camarás francezas em 1814, i8a5 c 1837, variandosem-

i i e as respectivas decisões ao influxo dos differentes regi-

nionH políticos daquella nação nas épocas mencionadas ;

' m nosso paiz, consequentemente á mudança institucional ir i 5 de Novembro de 1889, resoltreu-a o Governo provi- <TÍO pelo Decr. n. io5o de i 890, que mandou incorporar 10 domínio do Estado as terras dadas em dote á ex-prin- ctxa d. Isabel. Assim, com ousem razão, é facto que a questão tem sido considerada como sendo de ordem consti- tucional e dependente das instituiçõespoliticasem vigor. Em plnno diíTerente, porém, collocou-se a iilustrc commissão (Insta faculdade pretendendo circuinscrevel-a ao domínio do direito privado, e accidentalmente apenas tratando da- tjiicllc preliminar importantíssimo, sob o fundamento de que—« tendo a ex-princessa imperial entrado na posse e ndministração dos bens patrimoniaes, como seos próprios, licaram esses bens sujeitos ao direito privado, desappare- i rndo os motivos de sua acquisíção, porque a nação os inmsferiu á princeza, consentindo que ella os sujeitasse ao •.(m domínio, como pessoa privada.

asserto adduz a commissão : 1°, a for-

ma verbal de que essa Lei de 29 de Setembro de 1840, com irlcrencia aos bens patrimoniaes, dispôz que — «serão considerados como próprios naeionaes quando não haja ou -.o acabe a successão» (da princeza); 2°, «terem apparecidoos

Km abono de tal

-

184 —

ditos bens no contrato ante-nupcial da princeza como bens próprios, levados ao seo casal, conservando-se ella na posse delles, com animo de senhora e possuidora, sem con- tradiccão alguma». Sem prejulgar da mui controvertida questão si a instituição do apanágio confere ao apanagista plena propriedade ou simples usofructo dos respectivos bens, basta para infirmar o primeiro argumento da com inissão que se attenda que, na expressão litteral da Lei de 1840,0 emprego do verbo no futuro tem como razão sufficiente a necessidade da construcção grammatical da phrase, visto que a acção recahe sobre um facto futuro ;

bem como a que aquella forma verbal por incluir, de futuro

e hypotheticamente, os bens incluídos na classe dos nacio-

naes, não autoriza a consequência que, no presente, tacs

bens são havidos como próprios da princeza ; para isso, fora mister suppôr que a nação só tem no seo património

a espécie

prios nacionaes ;

de

bens

conhecida

sob a denominação

de

pró-

o que é falsissimo.

A verdadeira intelligencia da lei é que, não se achando

os bens, ao serem vinculados, na classe dos próprios nacionaes, pois erão terras devolutas, pertencentes a diversa cathegoria, dispôz o legislador que fossem ellas incluídas

naquella classe si occorresse a hypothese de fallecer a prin- ceza sem descedencia ou de vir esta a extinguisse depois de sua morte. E' pois puramente arbitraria a conclusão do primeiro dos argumentos supra mencionados. Quanto ao segundo argumento, é visto que demonstrada

a improcedência do primeiro, de si mesmo annulla-sc, porquanto, nem a menção dos ditos bens no contrato antc-nupcial, como próprios da princeza, nem a posse que porventura esta haja sobre elles exercido, podem-lhe con- ferir mais direitos do que os resultantes da lei, a menos que SUpponha-se uma inadmissível prescripção adquisitiva. De resto, temos sobre o assumpto leis expressas poste- riores á de 1849, que a nosso ver derimem qualquer duvida que pudesse prevalecer. As Leis ns. 1904 e igoS de 1870, providenciando sobre a constituição do património em terras para as ex-princezas, nas antigas províncias de Ser- gipe, Espirito-Santo e Paraná, assim exprimem-se no art. i': — « Este património, do qual fará parte o prédio comprado para habitação de Suas Altezas, será considerado como próprio nacional, com o destino que lhe é dado c nos termos do mesmo contrato matrimonial. » As palavras

— cora o destino que lhe é dado—convencem que, mo liíi -

cando a Lei de 1840, o legislador considerou como próprios

185 —

lucionaes os bens vinculados, mesmo antes do implemento

por esta ultima lei, de reversão de taes

hcns ;í nação, e emquanto elles permanecessem sujeitos

i .in r, antes que se realisasse o caso

•l.i . tindicão resolutoria estabelecida

H-

ir,o e goso

das princezas e seos

descendentes.

l)o exposto é forçoso concluir-se, em contrario ao pare-

• n , que os bens vinculados jamais perderão a sua quali-

dade de nacionaes, sujeitando-seao domínio das ex-prince-

miN, como pessoas

a questão

privadas.

li estabelecida por essa forma a preliminar, si

fiiithl a na consulta

'ttuih-ional ou do direito privado, facílima torna-se a res- bceiiva solução. O património, constituído em apanágio, mrgado, em favor das princczas brasileiras dd. Isabel

• Leupoldina, foi decretado, como reconhece o parecer da (ommissão, por motivos políticos, isto é, o esplendor do ilii.uio ; procede, como não é licito desconhecer, do Estado

«f. n ido como pessoa

'»•" i.ile para um íim político; refere-se à jerarchia uas prin- c seos descendentes como partes integrantes da dy- n-i 11,i imperial, não como pessoas privadas, e assume o ter de privilegio, justificado sob o regimen monarchi-

publica, no interesse da collectividade

é do domínio do direito publico con-

ut. p.iralto interesse do

Estado.

'•n ia, pois,

incurial sujeitar similhantc instituição

ao

ilnininio

i

no interesse social, que a justifica, e no caracter publico das

l - 'ias a quem affecta ; nada tem que ver com as relações

•li- .hrcito entre pessoas privadas. Nem pode invalidar dediirções theoricas o facto verdadeiramente anómalo •l' h.iver sido incluída no quadro do direito civil privado .t Instituição feudal dos morgados, pois não é de longa

í que a relação do direito de propriedade individual •u de ser considerada como dependente do poder so- no ; sendo aliás certo que os morgados não se rela- llnnnrun tão intimamente, como os apanágios dos princi- I" , 10 interesse dynastico ; bem como que os bens sobre

do direito privado, já expurgado de privilégios

a

Carta constitucional de

1824.

• ies desde

' .pMção do direito político, ella tem a sua razão de ser

i nvahião erão do domínio privado.

N.u)

pode,

portanto,

restar

duvida sobre a feição emi-

.ucnte política da questão relativa aos bens patrimo- »las cx-princezas brazileiras. Perante os princípios do itn' mi constitucional, que é o domínio próprio da questão, •' tu inliiiavel que, abolida a mouarchia e extincta a dynas- H i imperial, com aquella desapparecerão todos os direitos,

— 186

privilégios e regalias que lhe são inherentes, e com cstu

de existir os respectivos titulares de taes direito-,,

privilégios e regalias. Perante e contra as novas institiiic<><".

políticas, é quasi inútil dízel-o, não ha direitos adquiridos. Comprehende-se que os herdeiros de um anterior proprir tario fiquem sujeitos ás consequências da alienação fciiu por este, ou da sua negligencia em reivindicar a proprie- dade ; os direitos dos herdeiros não têm outro fundamento sinão a vontade expressa ou tácita do autor da herança. O mesmo, porém, não se pode dizer das gerações successivus

Mesmo admittindo-se que uma delia',

pudesse alienar sua liberdade em proveito de uma famili;i,

a geração vindoura poderia sempre reivindicaro exercício

de sua vontade. A soberania c inalienável, e tal é a ra/,;lo

por que contra ella a ninguém é licito invocar direitos ou privilégios que a tolhão no seo exercício. E' por isso ainda que, assim como o monarcha deposto não pode pretender

a posse dos bens da coroa, a dotação da lista civil e demais regalias, também perdem os principes de sua família todo

o direito a.os alimentos, aos dous e apanágios, inherentd á jerarchia de que se acha vão investidos.

A convenção nacional, ao decretar em 1792 a extinccão do apanágio e das rendas vitalícias da família de Orleans, justificou a sua deliberação com este motivo tão simples

porque, com a. abolição da realeza, dei-

xarão de existir príncipes francezes. Era circumstancias per- feitamente idênticas, com igual procedência e justificativa, declarou o Governo provisório do Brazil, em 1890, que os bens patrimoniacs da princeza imperial revertião ao domí-

Estado, porque, desde i 5 de Novembro de 1889, ju

não ha principes brasileiro?. Simples cidadãos, iguaes a to- dos perante a lei seria absurdo que ainda hoje pudessem ellea gozar de privilégios incompatíveis com a igualdade re- publicana, e de regalias inherentes á posição que perderão.

A nação que procedesse de-modo contrario alienaria aMM

liberdade política, constituindo-se tributaria de quantas

djnastias lograssem

popular. Voltando aporá ao terreno em que a illustre commissáo desta faculdade circumscreveu a questão, vejamos si aso lução proposta é a que melhor obedece aos princípios do direito privado. A commissáo, considerando a questão ape- nas sob o ponto de vista do disposto d# Lei de 1840, quani<» á reversão dos beiis patrimoniaes das princezas á nação, deixou de parte os princípios jurídicos relativos á caduci-

deixarão

que formão o povo.

quão decisivo:—

nio do

usurpar

successlvamente a soberani t

-

187 —

tliulc dos

falso presupposto de que, investidas as ex-princezas na posse e administração dos bens patrimouiaes» desappare- cOriio os motivos de sua acquisicao, como si a posse, que é mero facto, pudesse, de per si, mudar a natureza das re- 1.u;oes de direito e supprimir as consequências jurídicas

que delias decorrão. Si assim não fora veria que, tratando-

(ob causam vel

contratos,

e em particular

das doações, pelo

ne

de

uma

doação para fim determinado

iiif> modo), cumpriria inquerir si a cessação da causa (na hy- pnthesc, a dignidade e o decoro dos principes brazileiros) importava ou não, ipsofacto, a caducidade da mesma doa-

i Ç1"10

Quanto á doutrina não ha que duvidar : ella de longa

data acha-se acolhida pela jurisprudência dos povos

l LlIlOS .

Mesmo antes de ser expressa em texto legal (art. 1761 do

(índigo Civil italiano), já o eminente Portugal, de LJona- (niobiis regiis, a tinha formulado na seguinte regra : Do~ it-itio oh ça"sam non operatnr effectum, cansa non seeitta. Posteriormente o illustre Toullier, referindo-seá cessação

ila

il> sen Droit Civil f rançais, vol. 6°: —I I parait qu'il faut iT.ibord distingucr entre lês contrats de bienfaisance et lês

causa n os contratos em geral, assim se exprimi u no n. 171

»

"iitrats interesses.

Lês prémiers devicnnent

caducs lors-

t

MC Ia cause vient à cesser, même

depuis lê contrat

La

niiation faite en consideration d^un mariage annulé, de-

vu-nt Ciiorgi, caduque. Teoria

nos mesmos termos adopta a doutrina; e que ella não re-

pugna ao direito pátrio, _deprehende-se do disposto na Ord.

liv.

• HVjto de não poder ser revogada, tão somente a doação

puta e simplesmente feita sem alguma condição ou causa

plissada, presente e futura. Ora, tratando-se, quanto aos l- ns patrimoniaes das ex-princezas, de uma verdadeira du.icão modal, feita para fim determinado (o esplendor do ilimim), parece que, cessando a causa do contrato, torna-se

•l.udos. Stiblata ca'tsa, toWtur effeetus. A lógica é irre-

• n . ivt:í, tanto mais quando serve de interprete ao direito e

í> lil-crdade. Si Paulo, 15 de Janeiro de 1892.—Brasilio dos Santos. De accordo com os motivos, Heretdano de Freitas. IVdindo a palavra o dr. Alfredo Lima, disse que, não i i io os oradores que o precederão apresentado mais do

delle

obligasioni, vol.

3° n. 441, quasi

.i*tit. 63 pr., que reputa perfeita e acabada, para o

H. i ntduca ,

revertend o a o patrimóni o d o

Estad o o s ben s

188 —

que justificativas dos seos votos individuaes e não suici-

meinl'i.1

do parecer, achava-se desobrigado, como

de sustentar o parecer

ommissao,

de-ta. tanto

m.n-.

quanto não tmha a pretenção de

fazer mudar

seos doutos collegas.

Accrescentou que

de

opini.K.

do estuJ

,

íiequeíezd a matéria não chegou a outra conclu,

que convictameate subscreveu; en-

dia, entretanto, que nos fundamentos do mesmo parecer :via-se fazer uma modificação no sentido de salientar-sc que, sendo o direito da princesa d. Leopoldina idêntico

o a do parecer,

a pnnceza d. Isabel, e regendo-se pelos mesmos prin- e pelas mesmas leis e idênticos contratos, era esta

zao po_r que a conclusão abrangia

a ambas. Sem

ificaçao lhe parecia que não havia nexo lógico entre a

são e os fundamentos do parecer, que , confessava, i somente depois de impresso, o que, desde já declarava, mportava de modo algum censura ao seo illustrado •eiator, cuja competência é proverbial. Pedmdo a palavra, o dr. Brazillo Machado impugnou razoes apresentadas, declarando que no começo da parte expositiva do parecer, como ainda na conclusão, as

reíerencias feitas excluião de toda a duvida aã commissao.

fundamentou a se-

o pensamento

O dr. Villaboim, pedindo a palavra,

guinte proposta :-Q u e se adiasse a votação do parecer

trabalho apresentado

maio-

ria de cutida votos. e votada, esta proposta foi rejeitada por

que

fosse impresso

o

d. Braziho dos Santos e distribuído pelos lentes,

O dr. Amancio de Carvalho, pedindo a palavra, declarou

de Miranda, lainen-

ie, com o seo collega o dr. Augusto

que

por forca do disposto no art. 436 dos estatutos

não pudessem votar.

Não havendo mais quem pedisse a palavra, declarou o leiro director que ia pôr a votos a concluso do

um livre fazer a declaração do.s

Procedendo-se á votação da referida conclusão do pare-

er,

ficando

a

cada

fundamentos do seo voto.

cer,

votarão

os drs. Alfredo Lima/Aureliano Coutinho,

cries, Vicente Mamede e o conselheiro director, nela ao e pelos fundamentos ; os drs. Viilaboim, Esco- ei, João Mendes Júnior, Brazitio Machado, pela conclusão declaração alguma quanto aos fundamentos : o Jr. Moraes, pela conclusão, declarando, entretanto, mir :onhecia a Faculdade de Direito como órgão consul-

189 —

n vi) da administração ; os drs. José Machado, Ernesto rã, Jesuino Cardoso, Pinto Ferraz e João Monteiro, In conclusão, porém pelos fundamentos adduzidos na •In-liiração do dr. João Monteiro ; os drs. Herculano de Tiritas e Brazilio dos Santos, contra a conclusão e contra MM fundamentos, na conformidade da declaração por ambos

MhNÍ|',nada. Em consequência declarou o conselheiro direc- tor que, por quinze votos contra dous, a congregação da IficuUUide approvou a conclusão do parecer.

congregação enviar ao Governo

por

ultimo

resolveu

a

»i'iitia desta acta para servir de resposta

á consulta.

Nada

mais

havendo sobre

que deliberar, levantou-se a

rvflo. Para constar lavrei esta acta, que será assignada l«rlos membros da congregação em sessão immediata. Eu,

B. de Rama-*

//t(J.—Leite Moraes. Vieira de Carvalho.— João Mon* iMrn.—* Vicente Mamede.B. Machado, —Brasilio dos 'iwttns.— Abranehes.João Mendes Júnior.— W. Htrcu* i\in.n de Freitas.Amancio de Carcalho.*^Aureliano de 'Viw.Tii Oliveira Coittinho.Pinto Ferraz.-Ernesto Mou- '•.(. M. Villaooim — Dr. Manoel Clementino de Olicetra Kwnrc.L—Alfredo Lima.—/. M. Oliveira.—Gonterido,

André Dias de Aguiar, secretario, a escrevi.

t de Aguiar.

PARECER DA FACULDADE DO RECIFE

faculdade de Direito do Recife. N. 8—18 de Fevereiro

'

'

'

l '!• '

' i ministr o —Em cumpriment o do aviso do ministéri o a

• curgo,

expedido a esta

directoria a

17

de

Dezembro

l mo proximamente findo, tenho a honra

V",IK:S exemplares do parecer impresso da commissão

i i--,ula por esta directoria para emittir sua opinião sobre

>\ ' -.iã o do s ben s patrimoniae s da s ex-prínceza s dd , isa -

lentes

i i lacuklade, tendo a seo favor onze votos e contra oito,

das duas

e j.uM,, ,i, correios e telegraphos.—O director, dr. José Izi~

ínstruccão

RI

Fraternidade.—Ao sr. ministro da

de

remetter*

I" •• l .copoldina .

l

i.- parecer foi approvado

pela congregação

dos

i nulo] me melhor vereis

t In s,

MI

le

nas

da cópia inclusa das actas

o

quaes se discutiu e votou

referido parecer.

-

\!<trtins Júnior.

190 —

Cópia.—2a sessão extraordinária em

4

de Fevereiro

1892. Presidência do Sr. Dr. Martins Júnior.

Aos 4

Fevereir o <Je 1892, á2 12 hora s do dia , presente s os srs .

drs. João Vieira, Augusto Vaz, Portella Júnior, Cirne. João Elysio, Adelino Filho, Oliveira Fonseca, José Dini/., Soriano. Gonçalves Ferreira, Eugênio de Barros, Gomn Parente, Clodoaldode Souza, Laurindo, Sophronio, Pon- tual, Simões Barbosa e Gomes Pereira, faltando com caus; justificada os srs. drs. Seabra, Barros Guimarães, Jom- Vicente e Epitacio, e sem participação os srs. drs. Milet. Clovis, Carneiro.da Cunha, Phaelante e Netto Campello, foi aberta a sessão. Foi lida e approvada a acta da sessão precedente. O sr. director, dr. Martins Júnior, declarou que o fim da presente .Cessão era a discussão do parecer da commis-

são, emittiJo sobre a questão dos bens patriinoniaes das ex-princezits dd. Isabel e Leopoldina, para deliberar-se sobre a resposta que deve ser dada pela faculdade á consul- ta que lhe foi feita pelo sr. ministro do interior. Estando imprenso e distribuído pelos srs. lentes o parecer, foi dis- pensa ia anu leitura e posto immediatamente em discussão. Usarão da palavra os srs. drs. Laurindo, Adelino e o director, os quaes declararão votar contra o parecer por entenderem que a questão porelle tratada devia ser estu- dada não só á luz do direito civil, como perante os princí- pios do direito publico» levando-se em conta os interesses

da.situ.icão política creada no Brazil pela revolução de de Novembrode 1889.

Pediu a palavrão sr. dr. Cirne, mas, estando adeantada

a hora, o sr. dr. Adelino Filho requereu o adiamento da

discursa", emendo posto a votos esse requerimento, foi approvado contra os votos dos srs. drs. Cirne, Portella Júnior e Snphronio. O sn dr. director designou o dia de amanha, ás 11 horas, para, em congregação, continuar a discussão,* Nada mais havendo a tratar, foi levantada a sessão, itn que lavro a presente acta.

Eu, Ji ao felesphoro da Silva Fragoso, sub-secretario da faculdade, a escrevi.—Martins Júnior.—Dr. João Vieira.

A . Ci,i'n°.—João Elysio.—Dr. Augusto Carlos Vás dt>

Oliiwit a.— Dr. Manoel Portella Júnior. —Dr. Adelino Filho.—J Soriano de Sousa.Gonçalves Ferreira.— Dr. MUrt. — Dr. Clodoaldo de Sousa.José Dinis Bar- reto. - J. Ji)-ítfuim de Oliveira Fonseca.Cloois Beoilac- qua. - Et.(j?nio de Barros.—Dr. G. Parente.— Dr. «S'o-

p/ironio É. da Pás Portella.—Dr. Adolpho Simões Bar-

i5

Janior.

191 —

A. Carneiro

Leão.—António

Gomes

Terceira sessão extraordinária em 5 de Fevereiro de iH()2—Presidência do sr. dr. Martins Júnior.—Aos 5 de l rvereiro de 1890, ás 11 horas da manhã, presentes os i ;. drs. João Vieira, Augusto Vaz, Portella Júnior, Orne, .Violino Filho, João Elysio, Gomes Parente, Soriano, í.-mcalves Ferreira, Clovis, Eugênio de Barros, Clodoaldo

Simões

i-- Souza, José Diniz, Milet, Oliveira

da

Fonseca,

U irbosa, Laurindo, Pereira Júnior e Sophronio Portella, i iliando por motivo justificado os srs. drs. Seabra, Barros

(iuimarães, José Vicente e Epitacio Pessoa, e sem particí- ji,u;áo os srs. drs. Carneiro da Cunha, Phaelante e Netio ('.umpello, foi aberta a sessão. Lida, foi approvada a acta •U snssão precedente. O sr. director dr. Martins Júnior •loclarou que continuava a discussão adiada em sessão de Untuem sobre o parecer emittido acerca dos bens patrimo- niais das ex-princezasdd. Isabel e Leopoldina. Usarão da palavra os srs. drs. Pereira Júnior, Cirne, Augusto Vaz, IIHÍO Vieira, Oliveira Fonseca e o director, e, depois de liiitf.i discussão, foi approvado o parecer adeante trans- • ripio, pelos votos dos srs. drs. Laurindo, Gonçalves Fer- u-ira, Eugênio de Barros, Milet, José Diniz, Clodoaldo de 'vin/.u, Oliveira Fonseca, Cirne, Portella Júnior, Augusto V«/, e Soriano (i \, e contra os dos srs. drs. Sophro- nio Portella, Pereira Júnior, Clovis, Gomes Parente, João IJy-ào, Adelino Filho, João Vieira e Martins Júnior

de votar o sr. dr. Simões Barbosa.

(S votos), abstendo-se

i K srs. drs. João Vieira e Pereira Júnior apresentarão por rut ilpto os motivos dos seos votos para serem inseridos na luvstínte acta, e abaixo vão transcriptos depois do parecer.

O parecer approvado é do theôr seguinte :
A

commissao nomeada para emittir seo parecer sobre a

uMisulta feita a esta faculdade pelo exm. sr. ministro do inicrior acerca dos bens patrimoniaes das ex-prineezas •t l Isabel e Leopoldina, vem em desempenho de tão hon- i incumbência apresentar-vos sua opinião e os motivos a fnndameatão, submettendo-os á vossa criteriosa e

larecida apreciação. .'tinindo o enunciado da dita consulta, embora consubs- liim'i;ulo em um só quesito, verifica-se que comprehende i»llii nina questão complexa e que como tal pode ser estu-

iU'lii

por mais de uma face.

— 192 —

Trata-se de um património constituído pela nação com.»

dote para as ex-pnncezas,

destas,

art.

por

occasião

era

e de accordo com o que lhes

112 da Constituição do Império.

dos casamento*

garantido

pelo

Vê-se, portanto, que a nação, pelo órgão de seos

repre-

como pes-

soal moral uis~â-ois das ex-princezas, entrando com esi.-is em relações jurídicas, que, embora varias em suas moda- lidades, tendião todas a um só e único fim.

sentantes legaes, figurou por mais de uma vez

• E1 assim

que :

i.' Pelo citado art. 112 da Constituição do Império, tomou a nação o compromisso de dotar as ex-princezas; quando estas houvessem de casar ; 2," Pelas Leis n. 166 de 29 de Setembro de 1840 r

n. 1217 de 7 de Julho de 1864, foi objectivado aquellc

compromisso, indivíduando-se o dote e determinando-seo modo, condições e clausulas, pelas quaes se deverião rea-

lizar os contractos fôrão autorizados ;

3.° Pelos contratos ante-nupciaes de 11 de Outubro de 1864 e i de Novembro do mesmo anno, fôrão executadas

ante-nupciaes, que

pelas citadas leis

Leis, sendo em ditos contratos estipulados os

dotes por ellas determinados, ficando, por consequência, a

sua irrevogabilidade dependente apenas da realização dos casamentos, que effectivamente tiverão logar.

Assim, vê-se que, tendo havido primitivamente uma sim- ples pollicitação sem objecto determinado, esta tornou-se posteriormente de cousa e quantia certa,e finalmente trans* formou-se em um contrato, do qual decorre para a nação

aquellas

cumprir as

prestações nelle exaradas. Ainda ha mais. De accordo com a clausula 6a do con- trato matrimonial da ex-priuceza d. Leopoldina e clau- sula S' do da ex-princeza d. Isabel, foi entregue a cada um dos consortes a quantia de trezentoscontos de réis para a compra e acquisicao de prédios em que rezidissem, e estes por sua vez, e como simples particulares, comprarão a ter- ceiros os palacetes Isabel e Leopoldina. Assim adquirirão os cônjuges o domínio de taes prédios, que ficarão fazendo parte de seos patrimónios j e, como era natural, fizerão nelles as bemfeitoriase melhoramentos que entenderãodever fazer. Nesta conformidade, c fácil de comprehender que, tra- tando-se de actos c factos da vida civil, embora tivessem elles uma origem que se prendia ao regimen político

(pessoa moral)

a

obrigação de realizar ou

— 193 -

itíío em vigor, devem os effeitos desses actos ou factos regulados só e exclusivamente pela lei civil. )ra, estudados todos esses íàctos em face de nossa

.larão civil, não podem haver duas opiniões acerca dos « nos das ex-princezas sobre os bens que constituirão

•H dotes e que para esse fim fôrão por ellas adquiridos e

l H:facto, o dote é um contrato que, como tal, produz

n ritos e obrigações entre o dotador e o dotado. l'Xsc contrato rege-se por leis eepeciaes, cuja única obje- iUiu;uo é a conservação dos bens na família e a segurança

n futuro dos

K' mesmo um contrato anti-econotnico e privilegiado ni/.&o do fim para que foi instituído, e por essa razão se pode deixar de terem vista esse mesmo fim, toda

i-/, t|uc se houver de interpretal-o ou executal-o. lú os antigos dizião: Dotium causa semper et ubique ,i'''i()uaest. L. í. D. Soluto matrimonio.

l » próprio Troplong, que aliás era inimigo declarado instituto jurídico, todavia confessa 'que a causa do

"•• <> '/uai procura alimentos á família e lhe assegurao <•• ' •', tem direitos privilegiados incontestáveis.

re-

• n

!, «i

filhos.

«III

M M

'.i poiso

dote é

um

contrato privilegiado, donde

iii:> para o dotador a obrigação de entregar o objecto

-l n c que recahe, logo que for effectuado o casamento, a

•lo ser que se haja estipulado prazo

íiui vez entregue, somente pela dissolução da sociedade

iiijii(.;al extinguern-se os direitos

vi-ndo então ser, em regra, restituído á mulher ou a seos •rilfiros, quer tenha sido elle instituído pela própria mu- »•!, quer pelos pães, quer por extranhos ; si, finalmente, MH r<;j»ra só deixa de ter logar quando a reversão do dote :r sido estipulada pelo dotador no contrato ante- ial, especificando-se os casos em que deve ter logar a 1,1 reversão , é manifest o qu e for a do s caso s d e re - 'i expressamente estipulada, o dote é um contrato •C.avcl, e os bens que o constituem jamais poderão i ao domínio do dotador. lendo sido estipulado nos contratos inatrimoniaes princezas, como únicos casos de reversão, o mor- n, cUtts sem descendência, ou extinguir-se esta depois •t morte, é obvio que, não se tendo realizado nenhu- n-i duas hypotheses, não podem os bens que consti- .'.cos dotes voltar ao domínio da nação. verdade que, na hypotheae de que se trata, dá ?e o

para a entrega; si'

sobre

elle,

do

marido

' MUI

VOL.

59

_

13

194 —

caso de dote constituído por extranho, que c conskln.nlo

corao mera liberdade, a qual, como tal, fica subordimuil

uus princípios geracs de direito que regem as do;:

Mus também não é menos verdade que não se real i/ . hypothese nenhum dos casos em que, conforme o dimto(

podem

que pela natureza especial da dotadcra ( a nação, p i

de qualquer

E' pois evidenteque, de conformidadecom o noss, i reito civil, os bens patrimoniaes dus ex-princezas só podi- rao ser considerados próprios naciouaes, quando e.rtin guir-se a sua descendência.

ser revogadas

as doações ; accrescentando nitriu

realização

jurídica ) é desses casos.

mesmo impossível a

A questão, porem, que motivou a consulta é a segui1

—Tendo sido abolidos pela revolução de i5 de Novembro

195 —

'in. ett dar e formam negotiis,non, adfactaprceterita

i . < i"-'\n.í ; nisi nomínatim et prceteritote/npore^ et adkuc ptinttrntibus negotíis. L. 7. Cod. de leg.

l u-s princípios, cuja efficacia ó universalmente reco-

relativamente aos direitos adquiridos em virtude

dl nina lei anterior, são ainda mais rigorosos, quando se

direitos adquiridos em virtude de contratos.

Oní, na presente hypothese, trata-se de direitos para

i UM existência concorrerão simultaneamente a vontade

.1" l<-;',islador e a convenção das partes. Logo, a simples f Vontade do legislador não será bastante para aniqui-

ftlld ida

luta

de

lul-os,

l)emais, quando mesmo a nação não tivesse intervindo

i num parte nos contratos matrimoniaes das ex-princezas

(i|u.niilo o dote é constituído por terceira pessoa, encerra

visto como ella por si só não lhes deu a existência.

de 1^89 todos os privilégios que se prendião ao regiiMnn

MM

i dous contratos: um entre a mulher e o dotador,

monarchico, ficou, ou não, ipso facto abolido o direito ii.i*t

ttiitio entre a mulher e o marido; Mourlon, JRepet. E'crit,,

ex-princezas sobre seos patrimónios, visto como este-

i

i. 5 n,)( nem por isso poderia hoje procurar revogar

meute lhe fôrão concedidos para a manutenção da A?/)/-/*

.htos contratos ; visto corno é sempre a

lei em vigor,

sentação e decoro social, compatíveis com a elevada

posi-

MO

momento da celebração do casamento, a única que deve

ção que occupaoão na monarckia ? Tendo já sido demonstrado que, por nosso direito civil,

só podem aquelles bens patrimoniaes reverter á nação pel;i

pode-se redu-

cxtincçao da descendência das ex-princczas,

irnul;ii a revogabilidade das convenções matrimoniaes e o

i uiM|>t imcnto

Dalloz,

M vm que, pelas leis em vigor no tempo dos casamentos

das

condições expressas ou tácitas.

vb.

t

i »

l.oix n. 2-4.5 ; Merlin,

Séparat. de eorpt : e

zir a questão aos seguintes termos :•—A mudança do regi-

u

•l i . v-princezas, erão irrevogáveis em todas as suas partes

men político importa alteração oa modificação da legiafi» cão civil ?

n

miratoa matrimoniaes. K' verdade que as Leis ns. 166 e 1217, que autorizarão

Essa mudança terá também a forca de libertar a

í.

.liioH contractos, constituem

o que os juristas denominão

de compromissos tomados por cila em contratos no-,

«|iM'i

individuaes», em opposicão ás «leis geraes e especiaes»,

qu;tes figurou corao pessoa jurídica, quaesquer que tcnh:io sido os motivos que a isso a tenhão levado ?

E si esses contractos já tiverem sido executados e con-

stituírem outros tantos factos consumniados, poderá a mu- dança de íorma de governo ter a Torça de retrotrahir ate*

destruir os factos consurnmadofi e restabelecer o statu (jnn ante contracttim?

A resposta pela negativa a ties questões ijnpõe-se intui-

tivamente. Pode se affirmar que , em regra, um pai/, não muda dr legislação civil somente porque mudou o seo regimen po- lítico. Quando mesmo, porém, tal mudança venha a ter logur, não poderá cila jamais reierir-se aos factos consumiria io , sob um regimen anterior, nem destruir direitos adquiri- dos sob o mesmo regimen, Leyes et eonstitt&ttones fatttri*

• <» ,|ne os romanos denominavão^rsona^s constitutione*

MH nr inata privilegia.

Mi. , além de que os direitos das ex-princezas não se uriKÍii>'(> simplesmente das ditas leis, e sim principalmente »!«»•. i oiiiratos matrimoniaes feitos em virtude delias, não

' bmlrihlo portanto ser destruídos por lei posterior, accresce l« u dispositivo dessas leis, relativo aos dotes e patrimónios l".i Hlas creados, uma vez executado, torna-se um facto

. DII ommado , qu e nenhum a outr a le i posterior , aind a qu e vo^ue expressamente, poderá nullificar. l -n fco leis que já produzirão todo o seo effeito, que era «MI. Mi/.ir os contractos dotaes, e que, portanto, apenas

• •> n MI cm nossa legislação como simples testimunhos

IN

!'•• . onhccendo-se a verdade do que fica exposto, tem-se l» . i.-n. hdo atacar os direitos das ex-princczas sobre os seoa

ioi i, os

dos

factos a que se referem.

— 196 -

bens patrimoniaes, com a paradoxal allegacao de que n<ln ha direitos adquiridos contra o direito dos povos, ou a fe- licidade e interesses públicos. Uma tal allegação, porém, a não constituir uma plirunc vazia de sentido, importa simplesmente o arvorar-se cm principio jurídico a retroactividade das leis, visto como, devendo ser todas ellas inspiradas directa ou indirectamm te na utilidade publica, a consequência seria o aniquil.i mento de todos os direitos adquiridos em virtude de Icii anteriores, por não poderem taes direitos vigorar contr» mesmo interesse publico, que dictou as leis novas. Entretanto, ninguém em boa fé poderá desconhecer o perigo que resulta da adopção de uma tal theoria, qur

felizmente

sciencia do direito.

em tempo algum poude penetrar no campo da

Si ha direitos adquiridos contra o interesse publico, si os direitos da collectividade exigem a cessação destes direitos individuaes, por não poderem co-existir com elle, ahi csi.i o remédio legal da desapropriação com indemnisação pre- via para tudo conciliar. O contrario será o cahos e a anarchia sociaes erigidos em principio de ordem publica, e, o que é mais, a negação da propriedade e do regimen democrático, por fazer dcs-

apparecer

são consectarios, absorvida pelo Estado.

a

iniciativa

individual, com os direitos que lhe

Será um socialismo suí generis, que crêa uma nova dy-

namica social

mais absurda do que a da republica ideal de Platão e u pregada por Muncer, quando fundou a seita dos anabaptis-

tas.

perigosa e desorganizadora, e mesmo

mais

Em vista, poís, do que fica expendido, pensa a commis- são que, em face do nosso direito civil e dos mais amplos princípios de direito publico e privado, universalmente acceitos entre os povos cultos, a reversão dos bens patrimo- niaes das ex-princezas para o domínio da nação só pode ter

logar, quando se realizarem os casos previstos no art. 7" da Lei de 29 de Setembro de 1840 e a clausula 20* do con- trato de i i de Outubro de 1864.—Recife, 27 de Janeiro dr 1892.--Dr. Augusto Carlos Vás de Oliveira.-*br, Mannri- do Nascimento Machado Portella Júnior.—Dr. Henri^/nr A. de A. Milet.—Dr. José Joaquim de Oliveira Fonseca

—Dr. Adolpho

Tacto da Costa Cirne, relator.

VOTO

DO SR.

197 —

DR.

JOÃO VIEIRA

Voto contra o parecer, porque ; i», a questão não pode tn icsolvída exclusivamente pelos princípios geraes do di- ftlio civil, ou pelas disposições positivas do nosso direito |inv;ido ; mas, concomítantecnente pelos princípios geraes ilo ilircito publico, que inevitavelmente modificão aquelles ; i", c si uma solução uailateral é insuficiente, ella só pode lir lo^iir petos princípios reguladores de um e outro direi- lo no mesmo tempo ; 3°, sendo certo que si o direito civil é •l»|i|icavel ao caso, não será o direito commuin privado ifopri imente, mas esse jus singulare, concretizado nas f-1. i- contratos invocados, tanto que até revigorou a dispo- ll^iio revogada da Ord. liv. 4° tit. 100 ; e por isso, 4°, em tfmu-lusão, a mudança de regimen político aboliu esse di- i'it«» em si, fazendo desappareccras razoes em que elle se Iniuliva e todas as consequências que até á revolução elle Dr. João Vieira.

VOTO DO SR. DR.

PEREIRA JÚNIOR

A questão da legitimidade dos bens patrimoniaes dasex-

IH nu ezas dd. Izabel e Leopoldina não pode

• .illoi-nda no campo dos princípios do direito publico,

•(n mio

fotupctencia. Gomo uma resultante da soberania nacional,

» fn \-fto governativa

rum as prescripçoes daquella sciencia que estabelece as ba- nr |.;UM a organizaçã o política da sociedade . De conformi -

•l !•!<• com a vontade soberana do povo, desde que a monar- fliin <f preferida, como forma de governo, muito natural e surgem os privilégios e relações espcciaes que

. ,;ío inherentes, respeitados em todo o período da sua dum», fio. Os direitos de que se originão por força de sua

111 i.-m-ia , aind a mesm o produzind o effeito s civi s o u inte -

*• - -. regulados pelo direito civil, justificão-se somente

(Iniutr dos princípios de ordem política que lhes derão ori-

Uma vez, porém,

(rinro s caracterizão essencialmente.

deixar de ser

por-

a

forma de governo do Estado é

varia ; mas,

de sua exclusiva

se objectiva de accordo

•t.

n nula a causa

donde emanarão, eliminada a forma

do

,

i no monarchicp, único sustentáculo desses privilégios,

hiio poilcm elles subsistir e desapparecêrão ao influxo su- l'i • «no ila soberania, que os repelle in limine. Com a mo- n n lii;i deixarão para sempre de existir todos os vínculos HiiLiioes, de qualquer espécie, que delia exclusivamente

— 198

emana vio; e seria absurdo legar á Republica compromisnon

incompatíveis com os princípios cardeaese característico!!a

meo espirito, eminentcnirmr

csia

forma de

governo. Ao

iU inocratico, repugna a legitimidade dos bens patrimoniaei das ex-princezas, e, em face dos princípios do direito pu Miro, reputo extinctos os contratos que os estipulam) Competindo ao Poder Legislativo da nação brazileira ii<vi

desejo

que o faç", consultando os sentimentos philantropicos do povo brazileiro, assegurar o futuro dos membros da famí- lia do ex-Impcrante ; porém nunca considerar como din-iins adquiridos privilégios e relações cujo fundamento desappa rcceu. K' o mco parecer, redigido em congregação.— l'.i culdadc »ie Direito do Recife, 5 de Fevereiro de 1892. - António Gomes Pereira Júnior.

Nada mais havendo a tratar, o sr. dr. director encerrou u sessão ás 2 horas da tarde. E para constar, eu João Tcl<", phoro da Silva Fragoso sub-secretario da faculdade, l.i-

rrei esta acta.—Está conforme— O sub-secretario, João 7>«

lespkoro da Silva Fragoso.

dir o assumpto, poderá este órgão da soberania,

e

PARECER DA

FACULDADE

LIVRE DO

(FACULDADE

CARMO)

RIO DE JANEIRO

Faculdade Livre de Direito.—Rio de Janeiro, 5 de I-V- Tcreiro de 1892. lllm. e exm. sr.—Em resposta ao ofíicio de v. ex. de 7 de De/embro de 1891, consultando esta Faculdade a respeito ilo varias questões que se prendem aos bens dotaes das c\s

a

v

no

pela Faculdade e approvado em reunião de conf.n-

de 3 do corrente mez, e bem assim o voto em s

ex. o parecer formulado pela

commissão

lo do um dos lentes, que o justificou por

escripto,

sobre

dd.

tilo importante assumpto. A M. ex. o sr. Ministro do interior.—O director da facul- dade, ,lnsê Joaquim do Carmo.

1'AUKCKU

HA

COMMISSÃO

DA

FACULDADE LIVRE

DE

DIRIHTo

A

KKsiTtTO DOS BENS DOTAES DAS EX-PRINCEZAS,

EM

m-

I-OSI A

N.u)

Ã

CONSULTA

DO

SR.

MINISTRO

BO

INTERIOR

pode

hoje

ter logar a reversão dos bens patriim»

niaes das ex-princezas dd. Isabel e Leopoldina, conícri«lo:i

— 100 —

'• r

ins pela Lei de 29 de Setembro de 1840, a que se re- feri' a Lei n. 1217 de 7 de Setembro de 1864, que, com

llginnas alterações, revigorou a primeira.

leis citadas não cogitarão do caso da

Império, nos casos

n! i\o art.

i M da Constituição

do

Evidentemente

as

vão da instituição monarchica.

Bem ao

contrario :

nu|'|in/«crão subsistente essa in-stituição; porquanto, dis- IHM in sobre o caso do fallecimenio de príncipes (princesas), inundo n&o haja ou se extinjiuíi a descendência legal dos

n mós príncipes. K', portanto, claro que taes disposições cactos jurídicos ÉDnscqueutes não podem ser invocados para solução da

M ío proposta, isto é, para reger um facto jurídico de lei não cogitou, nem era possível cogitar ao tempo da

mi.i confecção, c especialmente ao tempo em que se confec- n ? Constituição do Império, que é a fonte dessas leis. Não poderia deixar de ser considerado absurdo o facto

confeccionadores de uma consiituição,

ora '<ccorrido pelos

imi

t)ue o representante da instituição monarchica, o Chefe

•In

lotado,

recebeu

o

titulo de « defensor

perpetuo do

Isabel

e

Hr.i/.il i.

A espécie que serve de base á consulta não foi cogitada |uíU Constituição e leis consequentes: temos esta these por i u 111 cientement e demonstrada .

ab&urdo e illogico invocar, para reger a

ou

ex-princezas,

civil para garantia de

K',

portanto,

rde da consulta, disposições que não cogitão delia,

feito por parte das

HM lhor, que a repellem.

Invocar,

como se tem

it* fiaras

de direito commum ou

Leopoldina, tenho a honra de ir-

• nlmnis

e

ou

seos

direitos adquiridos daqucllas

desccudentes, em virtude de convenções

•'-Ichradas entre o ex-Imperador e os príncipes consortes» MI Contratos ante-nnpciaes e contratos de compra de idos com recursos fornecidos pelo Thesouro Nacional,

. dotes

de suppostos

 

.

virtude de leis, inculca deplorável e crasso erro sobre

tn

verdadeiros princípios que regem a espécie.

l

i:ibeleçamos com

clareza

o

verdadeiro facto jurídico

facto just, non ex regula), para que possamos applicar-

i!'

•> verdadeiro principio ou regra de direito que o

domina. ('.iimpre, nodizerdc Ihering (L'EsprilduDroit Romaín)^

\ " verdadeiro diagnosticojurídico da espécie, para que vj-i applicado o verdadeiro remédio de direito. Do ex- i- • • • resulta que o diagnostico feito pelos advogados das ;."f * princezas c erróneo.

— 200 -

NSo

temos o caso de morte de princezas sem succe1

nem possibilidadedisso, porque não temos mais princtv.is:

IOJM>, não colhe, por absurda, a citação de leis e actos qur rn;',it;írão de crear e garantir direitos de príncipes.

Mstas leis e actos, baseando-se no art. 112 da Constitui- ção do Império, dispuzerão sobre a dotação de princesas, crcando garantias ou direitos para estas e seos descenden- tes no caracter de príncipes, membros da família reinante, pelo que não podem ser invocadas, hoje que taes entidades não existem. Cumpre ter sempre presente que não se trata de patri- mónio particular das ex-princezas. Invocar os princípios de direito civil commum, como também se tem feito, em tratando-se de patrimónios excepcionaes consistentes em grandes extensões de terras pertencentes á nação e em prédios comprados com recursos fornecidos peloThezouro Nacional, não é procedente; porquanto, basta para des-

truir essa

argumentação, ponderar que esses patrimónios

ou dotes forao constituídos em virtude de leis. Ora, segundo a própria Constituição de 1824, nenhuma lei podia visar interesse individual (art. 179 § 2°). Assim,

torna-se evidente que as dotações a que se refere a consulta têm por base o direito publico constitucional de 1824,

que

consagrou a forma monarchica, sendo a sua razão de

ser o prestigio, o alto decoro, o bem estar dos príncipes membros da família que personificavao a instituição mo- narchia. Conforme o seo ponto de vista, o legislador de 182 f.entendeu ser isso de interesse publico : eis a razão da lei constitucional e das consequente, leis e actos que tor- narão-cíTectivo o seo pensamento.

Kssa razão cessou, segundo o pensar do legislador con- stitucional de 24 de Fevereiro de 1891, que consagrou a forma republicana, extiguindo a monarchia. Cessou a razào das leis invocadas que, por sua natureza, são de direito publico e não de privado ; portanto, não

niiilr colher a citação de suas disposições e actos nellas

baseados, cm

$an(r f rt/is ratione, cessailegis dispo&itio.

virtude do principio de hermenêutica : cês-

logo os bens consagrados

descendentes, na sua

qualidade de príncipes (porque, na qualidade de simples particulares, o parlamento não poderia conferir-lhes bens), ruim i,i hoje a monarchia,voltarão em plena propriedade á nação. Não colho a argumentação baseada nojprincipio da

no uso <• J.MJ/.O das ex-princezas e seos

Não

temos

mais príncipes :

— 201 -

• retroactividade das leis como garantia de direitos

i" porque, si direitos forao adquiridos, o forão naqua - li l uk ou caracter que os titulares hoje não têm ; pelo que, n.L. lhes pode assistir tal direito ;

sefiliaoauma

MI .liuiiçào hoje extincta, é certo que as leis que operao a iiitolicfio ou extincção de instituições jurídicas (deu-se a r xiincção da instituição monarchica), por sua natureza pre-

ju-licão direitosadquiridos.

•i* porque,

tratando-se de

direitos que

K'

isso da natureza das cousas.

A.

regra, em

relação ás leis que extinguem instituições,

cti 11ia Savigny, é a retroactividade ; e só por considerações ilc prudência ou equidade, e ás vezes de conveniência pu- Mirn, salvão-se os direitos adquiridos. Ora, em a nova Constituição, que extinguiu a monarchia, não se encontra • h-. posição alguma salvando os suppostos direitos adquiri- tlíts sobre essas dotações principescas baseadas em dis- posições legacs que, por sua natureza, são de direito pu- blíco ; pelo que, não podem as relações jurídicas delias originadas ser identificadas com as que constituem o pa-

itimonio particular dos indivíduos.

Dada

r. vis dotações,

liem

ao

contrario,

não

se

a extincção da instituição monarchica, não milita

i razão de interesse publico que serviu de fundamento a

explicaria a tolerância, em

virtude da qual continuassem em poderde simples particu- lurcs, que são hoje os ex-principes da ex-familia reinante, prr lios importantes, adquiridos com recursos fornecidos l><'la nação, especialmente extensissimas porções de ter- morios, destinados por motivo de interesse publico ligado n uma instituição, e não a pessoas, a uso e gozo de prin- fípcs que hoje não existem, na censurada lei constitucional vi"fnie. Em vista do exposto, responde-se ao quesito da

patrimoniaes das ex-princezas dd. Isabel e

Lepoldida reverterão á nação, em consequência da aboli-

• '" d.-i monarchia, e consequente extincção da dynastia

imperial e dos privilégios que do regimen monarchico ti-

• nnsulta :

< )s

bens

rivão a sua razão de ser.

de Fevereiro de 1892.—A commissão : Dr. Be-

nt'tiir/,'> Valladares, lente de direito civil e relator.—C. A. '!'• frança Carvalho, lente de oreito publico e constitu-

• lonal.—José d? Oliveira Coelho ( 'encido), lente de direito « ivil.

Kio,

i

— 202

VOTO DO SR,

DR.

PAULA. RAMOS

JÚNIOR

Não posso acceitar as conclusões do relatório de mcos

da com rnislão nomeada para

cmittir parecer sobre a cônsul ta'feita á Faculdade Livre de Direito pelo sr. ministro do interior.

con-

i.° E1 principio corrente em direito publico que o Estado

por transformações em

notável publicista, não é

sinão o motor que põe em movimento a conhecida lei fun- damental, o principio social, que é a vida moral dos povos.

Sendo os governos delegações da sociedade, com funda- mento na soberania nacional, sua forma não attinge as re- lações do direito privado e menos a parte relativa ao direito das obrigações. « Uma revolução, e as perturbações que delia resultão, diz Fiori, liv. i n. 323, não fazem de modo algum perder ao Estado seos direitos, nem o exonerão do cumprimento das suas obrigações,'» Doutrina idêntica é ensinada por Hailetz, International Law, § 19 ; Phillimore, International Law, cap. V, t. 1.

illustrados collegas, membros

As razoes que a isso me levão, e

peço

vénia

para

signar por escripto, são as seguintes :

é sempre o mesmo i

sua forma de governo.

passe

embora

O governo

de

um povo,

diz

Si a mudança á^ forma de governo não pode affectar as

relações de direito privado, é claro que, dada cila, as obri-

gaçõesjurídicas dos contratos permaneceminalteradas. A esphcra do direito internacional publico é diversa da do direito privado.

Logo, as transformações sociaes de um povo, relativas á forma do governo, nem alterão as obrigações do próprio Estado, visto como só podem referir-se á personalidade c direitos de nova entidade jurídica, como diz a moderna escola italiana, nem as dos cidadãos entre si ou com o pró- prio Estado. Estabelecidos estes princípios, e antes de applical-os ;i

nem

podem ter pjfeito

vereiro de j 89 r assim o prescreve no art. i i § 3°. Portanto, por maior que seja, e é grande, o respeito que tributo á opinião do illustre Savigny, citado pelos mcos collegas, não posso adoptal-a ; e as razões para isso são as seguintes :

retroactivo. A Constituição de 24 de Fe-

consulta, é indispensável affirmar que as leis não têm,

Quando, dada a mudança de

uma

forma de

governo,

ei$ posteriores alterão a capacidade política, por exemplo,

— «03

-

6 direitos a ella inherentet, ou mesmo deeretão retroadi- wwwite sobre matéria cm que ã justiça e a humanidade es- ta<> (>rnlucta, taes leis, desde que não são imcompatioeis com n nova forma governaliva, podem e devem ser observadas irli^iosamente, firão cilas embora direitos adquiridos. Temos disto exemplos na legislação da Convenção Fran- rr/,a. Mourlon, Cod, NapoL. tit. prelim. n. 65. Atas, nesses cassos é o legislador que decreta a-retroacti- nidfide. ao passo que no relatório respondemos á consulta do sr. Ministro do interior applicando ás relaçôesde direito fHnado corollarios tirados de princípios de direito inter- rittcwnal publico • isto contra a verdade scientifica dos prin- •"i|iios expostos. Nem se diga que a opinião de Savigny pode ter applica- .í hypothese: elle fallava em these, e intencionalmente •illiidia a pretensos direitos ; o que se deprehende da nota no texto, visto como a escravidão nunca foi um direito, e portanto, podemos inferir que se referia à retroactividade <{<• Ids sobre matéria que a justiça e a humanidade ré- ••l<i mão.

de nós contratos ante-nupciaes em

i|iic se estipulou o dote e a propriedade deste, verificado o

Hwmento. Devemos, portanto, estabelecer a seguinte dis- l,imva"o :

Até o momento da constituição do dote, regulou o direito

fubllco brasileiro de então, isto è, o art. 112 da Consti- tuição, e leis referentes, emanadas do Corpo Legislativo. Desde o momento, porém, em que se completou o paeto fel» casamento^ o dote, embora constituído pela nação, ti-ou sob o regimen do Direito Civil Brasileiro, e por

Ora, temos deante

i-l

U* não pode deixar de ser regulado, de accordo com o

p

u-to aute-nupcial. l 'rrmittão os doutos collegas que insista na improceden-

«

M da

opinião que combato, ainda pelas seguintes razoes :

Km primeiro logar, o dote em questão uão pode deixar Ir • (T estudado sob o ponto de vista do Direito Civil Pátrio

<• ivspectivo pacto, porque a revolução de i5 de Novembro «!«• 1889 não alterou sua natureza, nem as disposições lê-

i/-1 -.-í L/ue o regem. O dote é uma instituição de direito civil Irlvado, e, uma vez regularmente constituído, só por elle

l n», l,- reger-se, sejão embora príncipes os contrastantes. Os direitos políticos, os de sueeessão no throno, forao ntemente abolidos pela revolução de 15 de Novembro. M . ;ihi estamos na esphera do direito publico ; e o con-

ii t. tcTante-nupcial caducou nes.a parte.

— 204

O direito de propriedade, porém, que Fichte dizia ser uni direiio pessoal, masque o moderno direito civil, calc;nl«< só ore o Direito Romano, affir.na ser direito individual, nem se subordina ao império de nenhuma collectivid;idr, como falsamente pensava Montesquieu, « Esprít dês LDM, li v, XXVI, cap. XV », nem é incompatível com a fónn.i de governo de qualquer povo do mundo.

Neste ponto estamos na esphera do direito privado, <i<> pacto ante-nupcialt das leis que o constituirão (o dote) e que não podem deixar de ser respeitadas, ainda por força da disposição do art. 83 da Constituiçãode 24 de Fevereiro. Ora, o Direito Civil pátrio dispõe:

a) Que o dote, embora constituído por liberalidade dr terceiro, ó irrevogável desde que o não affectem vício* essenciaes. E' também o que ensina Laurent, Direito Civil

francês,

6} Que, celebrado o matrimonio, não pode o mesmo dote

ou revogado, quer pela vontade dos contra*

des-

dispõe

passarão

aos descendentes da contratante, segundo a ordem da successao estabelecida na Ord., liv. 4° tit. 100, que ficou para esse eífeito em vigor, nos termos das Leis n. 166 de 2f) dc Setembr o de 1840 6 121 7 de 7 de Julh o de 1864, sendo os bens patrimoniaes considerados como próprios nacionaes si a contratante morrer sem descendência, ou esta venha a extinguir-se depois da sua morte.» Logo, juridicamente,e tendo em attenção as regras de direito publico, a resposta que deve ser dada ao sr. Minis- tro do interior sobre a consulta feita a esta faculdade, é a seguinte, segundo o meo voto :

vol. n. 442;

por

ser alterado

truão. tantes,

quer

quaesquer

interpretações

que

o

O pacto ante-nupcial de 11 de Outubro de 1864

no art. 20 :

Os bens patrimoniaes constituídos pelo dote

<t A reversão do património dotal feito, quer á princeza

d. Isabel, quer á princeza d. Leopoldina, só poderá ter

logar dados os casos previstos no art. 7° da Lei de 1840 c

artigos dos contratos ante-nupciaes, que fôrão devida-

nossas

mente leis. celebrados e se ac/ião em vigor segando as

São estas,

em synthese, as

razoes porque

me declaro

vencido quantoás conclusões de meos doutos collegas.

Rio

de Janeiro, 3

Paula líamos Júnior.

de

Fevereiro de 1892.—António de

1'AKECER

205 —

DA IA.CULDADE

LIVRE

DE

SCIENCIAS

SOCIAES (FACULDADE MENDES)

JURÍDICAS

Faculdade Livre dc Sciencias Jurídicas e Sociaes.—Rio

<lc Janeiro,

lllm. e exm. sr.—A congregação desta Faculdade, a quem l"i presente o officio de v. ex. de 17 de Dezembro findo, •Companhado do impresso, contendo a consulta sobre a iinal v. ex. sedignou ouvil-a, tem a honra de responder ao Uto officio, remettendo a v. ex. o parecer incluso dado pela íommissão a quem confiara especialmente o estudo da

muicria, e approvado por unanimidade de votos em sessão

i 5 de Janeiro de

1892.

'!<• Reiterando hoje. os protestos de subida consideração á pessoa ile v. ex., a congregação continua a aguardar as ordens que v. cx. se dignar dar-lhe.

dr. José Hygíno Duarte Pereira, mui

tlif.no ministro

dos negócios do interior.—O director, dr.

lllm.

e exm.

sr.

Manuel do Nascimento Machado Portella.

A. commissão da Faculdade Livre de Sciencias Jurídicas «• Sociaes do Rio de Janeiro, nomeada por esta illustrada cHigregação para dar parecer sobre a consulta do sr. mi-

relativa aos bens patrimoniaes das ex-

l»i ircezas d. Izabel e d. Leopoldina, vem desempenhar-se

d,i honrosa incumbência que

ur.iro do interior,

lhe foi confiada,

(* sr. Ministro do interior pergunta á Faculdade :

Os bens patrimoniaes das ex-princezas d. Isabel c d. l ropoldina reverterão á nação em consequência da aboli- çfío da monarchia e consequente extincção não só da dy- n.r.úu imperial, como também dos privilégiosque do re- (Minai monarchico tiravão sua razão de ser ; ou a reversão •lrv.es bens somente pode ter logar dados os casos previs- |OI 110 art . 7° da Lei de 29 de Setembr o de 1840 e clausul a

não

inm do contrato de 11 de "Outubro de 1864 ? A esta pergunta, merecedora da maior consideração,

im pela respeitabilidade do alto íunccionario que a fez, «mm pela gravidade do assumpto, a commissão da Facul- tl.nlr Livre responde negativamente quanto à primeira

jiurie c afirmativamente

os bens patrimoniaes, a que

não reverterão á nação em consequen-

i abolição da monarchia, da extiucção da dynastia.

quanto á segunda.

A

comtnissão entende que

rlcre a consulta,

— 206

-

imperial e dos privilégios que do regimen monarchico tiravão sua razão de ser ; pensa ao contrario que a reversão dos referidos bens somente pode ter logar nos casos pre- vistos no art. 7° da Lei de 29 de Setembro de 1840 e na-, clausulas dos contratos matrimoniaes que comeste artigo de lei se relacionao. As razões que vão ser expostas, deduzidas dos contratos matrimoniaes das ex-priucezas d. Isabel e d. Leopoldina e das leis que autorizarão taes contratos, convencerão a com- missão da irrefragavel justiça do parecer que emitte. A questão que se ventila tira sua origem da Constituição de 1824 que, tratando da família imperial e suadotação no art. 112 dispunha:—Quando as princezas houverem de

casar, a assembléa lhes assignará o seo dote, trega aelle cessarão os alimentos.

Em virtude deste preceitoconytitucíonal, quando tiverão de casar as ex-princezas d. Januaria e d. Francisca, filhas do i° Imperador, a assembléa geral votou a Lei n. 166 de 29 de Setembro de 1840, que depois de haver regulado nos artâ. i a i i a dotação da primeira, que, então era a princeza imperial, no art. 12, ordenou que :—as dispo- sições relativas ao casamento de sua alteza imperial fossem inteiramente applicaveis ao consorcio da princeza d. Fran-
cisca.

e com a en-

Posteriormente, quando tiverão de casar as princesas

d. Isabel e d, Leopoldina, filhas do 2* Imperador, foi de-

cretada a Lei n . 1217 de 17 de Julho de 1864, que, revi- gorando a de 29 de Setembro de 1840 para o efleito de regular a dotação da ex-princeza d. Isabel, que era então

a princesa imperial, determinou no art. 2" que as dispo-

sições relativas an consorcio de sua alteza imperial serião

sua alteza a ex-princeza

Da approxímacão dos arts. 120 da Lei de 1840 e 2° da de 1864 resulta claramente que os autores das duas leis,

equiparando em tudo as dotações das ex-priucezas impe- riaes d. Januaria e d. Isabel ás das ex-princezas d. Fran- cisca e d. Leopoldina, mais tiverão em consideração as pessoas privadasdas mesmas ex-priocezas do que a situação

política que as duas primeiras

herdeiras presumptivas da Coroa. E' que a legislador constituinte de 1824 no casamento das princezas distinguio o que era do interesse privado delias do que era do interesse geral da Nação. Assim, na assignacão dos dotes nenhuma differencu

occupavão na qualidade de

inteiramente applicaveis

d. Leopoldina.

ao

de

— 207 —

nihv a princeza imperial

cante, porém, á successSo do Império lá está o art.

< unsthuicão de

piiiicc/.a herdeira presumptiva da Coroa serm feito a apra- . -nto do Imoerador, e caso este não existisse ao tempo

ile tratar-se do consorcio, não poderia elle eflectuar-se sem

• >rovaçáo da assembléa geral. Qid dieit de uno negai de

e as outras

(art.

112) i

no

to-

120 da

da

1824, determinando

que o casamento

<tl t.

TO.

Feita esta ligeira observação que certo não é extranha

IKI propósito da commissao, passa esta

iiiiios que praticamente realizarão as disposições das Leis

a examinar os con-

d r

i8.|.o e cie 1864.

 

l v>i

rnais simples

que

seja

o

exame

instituído

sobre

.

•••s contratos,

é

impossível

não

ver

que, assim

no

da

jTinccza d. Isabel, celebrado no Rio

de Janeiro, em 1i

.1- Outubro de 1864, como no da ex-princeza d. Leopol- .Inm, celebrado em Vienna, em i de Novembro do mesmo mino, e ratificado em Gothu, aos 18 de Fevereiro de i865, dr |xu- com estipulações de ordem polirca encontrão-se uni ,1 de natureza civil e que portanto só pelo direito

i i\l podem ser regidas. Sena tão pouco fundada a preterição que pudesse ter o

i nmlL d'£u, marido da ex-princeza d. Isabel, de conservar

ti- pois da abolição da raonarchia o alto posto que tinha rcito bnizileiro,quanto desarrazoada e contraria a todas i egras de direito civil a pretencão de quem, para qual-

jurídico, affirmasse que o casamento do mesmo

forão contrahidos sob o

n -jinen da communhão de bens, quando é certo que este .irnen foi clara e positivamente excluído pelo art. i5 do Miiurato matrimonial da ex-princeza d. Isabel e pelo art. 12

no

quereiíeico

i iinde ds Eu e o do duque de Saxe

•In da ex-princeza d.

LeopcMina.

1'eitaa

distincção que

precede,

parece e extincção da

fora de duvida

dynastia,

que, pela abolição da monarchia

iidiuarão as estipulações matrimoniaes das eji-princezas

• |ur pertencião á ordem política ; mas que as de natureza

i ivil permanecem em seo inteiro vigor e devem ser guarda-

il.r. rom todo aquelle respeito que ás nações cultas sempre

in-,pirou a fé dos contratos.

i5 de Novembro de i8Sq, de natureza

política, não teve outro intuito que mudar a forsrra de do o Brazil, raz , substituindo a monarchia constitucional

(M'l:i republica federativa; as instituições civis» porém,

• Mire as quaes, o casamento, a família c a propriedade

A

revolução de

rno

— 208

com os seos consectarios, ficarão de pé e tão firmes como dantes. Não fora assim, o Governo provisório, o mais autorizaJu interprete da revolução, não diria na proclamação em (['n- annunciou a deposição da dynastia imperial e a extínccfco do systemã monarchico representativo :

«O Governo provisório reconhece e acata todos os com- promissos nacionaes contrahidos durante o regimen ante- rior, os tratados subsistentes com as potências estrangeirou,

a divida

rjublica interna e externa, os contratos

vigentes

e mais obrigações legalmente contrahidas.» Não fora assim, a Constituição de 24 de Fevereiro não disporia no art. 83:—Continuarão em vigor, emquanto não revogadas, as leis do antigo regimen, no que explicita

de governo

firmado pela Constituição e aos princípios nella con-

sagrados. Serão, porém, contrarias ao systemã de governo firmado pela Constituição vigente e aos princípios nella consagra- dos as Leis de 29 de Setembro de 1840 e de 7 de Julho de

ex-princezas

d. Isabel e d. Leopoldina ? A commissão, abstendo-se de responder ao quesito pro- posto, contenta-se com recordar; i° a disposição do Decr. n. 2 de 16 de Novembro de 1889, que, para prover

a decência da posição da ex-familia imperial, concedeu-lhe

de uma só vez a quantia de cinco míl contos de réis; e em

2° logar o disposto no art. 7° das disposições provi- sórias da Constituição vigente, concedendo a d. Pedro de Alcântara uma pensão que, a contar de i5de Novembro de 1889, lhe garantisse subsistência decente. Parece á commissão que, quando a nação brasileira sob

o governo republicano pratica actos de pura liberalidade

em favor do ex-imperador e da ex-familia imperial, não devem ser considerados como contrários ao systemã de governo republicano actos de liberalidade praticados pela mesma nação sob a forma do governo monarchico e em fa- vor dos casamentos das princezas, filhas do ex-Imperador. Sendo, pois, certo que da revolução de i5 de Novembro e da consequente abolição da monarchia não resultou mu-

dança alguma nas instituições civis do Brazií, não ó menos certo que as estipulações de natureza civil, insertas nos con- tratos matrimoniaes das ex-princezas d. Isabel e d. Leo- poldina, celebrados de perfeito accordo com as Leis de 1840

c de 1864, estão em seo inteiro vigor c devem ser contem-

ou implicitamente não for contrario ao systemã

1864,

que

estabelecerão

a

dotação

das

209 —

l'lnilos entre os compromissos nacionaes, contrahidos du- i .mie o regimen anterior, que o Governo provisório decla- rou reconhecer e acatar. ( )pmião diversa da que emitte a commis^ão, só pode •II sustentad a por que m á fina fnrca qui/e r resolver a (pir.tno relativa aos bens patrimoniues das exprincezas por motivo de ordem política, esquecendo assim o princi- pio lirmado pc!o illustre Montesquieu, no seo Espirito das

fLff/f.' —Qu'il ne jaut poiat regler par fés prii.cijtf8.dit tlroi/ politique lês ehoses quiaepcnd-mt deu prirtei.p£sdn tlruit vinil (iiv. 26, cap. i5). O compromisso nacional contrahUo em favor d.-is ex- prin.-ezíi.s está tão claramente expresso nos arts. 5°, 6° e 7* 'Ia Lei n. 166 de 29 de Setembro de 1^40, revigorai pela .1. ; de Julho de 1864, que a commissão tem o dever de

h ir.ladar para aqui as disposições contidas nos mesmos ar- tiK'°s -

património em terras per-

« Art. 5.° Fundar-se-ha

um

i n • -iiusá nação, cujo valor será

os

pi i .lios de que trata o art. 3°, e aSMin passará aos descen-

tlrntes, segundo a ordem da succevsao estabelecida na <)i.l., liv. 4°, tit. roo, que fica p.ira este effeito em vigor.

« Art. 7.° Todos os bens a que se refere o Artigo antece-

.Irnie serão consignados como próprios riacionaes quando

n

itiiilo ;obre informação do governo.

ulteriormente

serão

determi-

< Art. 6.°

Ao

dito

património

incorporados

In í/aja,

ou, s? acabe a referida

sfice^ssão. »

Nada., com effeito, mais claro e terminante do que o dis-

IM. to nos artigos transcriptos, de accordo com os quaes foi - 'celebrados os contratos matrimoniaes das ex-prin- cc/.as.

20 do contrato da ex-princeza d. Isabel reza

rea l u m patri -

iinntio cm terras pertencentes á nação, que será ulterior-

I». uio determinado pela assembléa g-eral sobre informação

que

n n i o art. 8° e assim passará aos descendentes, secundo

ti nnlcm da successão estabelecida ua Ord., liv. 4°, tit , 100,

»|tif liça para este eífeito em vigor ; nos termos das Leis

ii. i if> de 29 de Setembro de 1840 e n. 1217 de 7 de Julho

• » nrrcnte anno (1864). •i Todos os bens comprehendLios no património serão

como próprios nacionaes si suas altezas im-

(

)

art,

.

mi

; <i Fundar-se - h a par a sua s alteza s imperia l e

do ".overno. -. A e>te património serão incorporados os prédios de

lonaiderados

VOL. 59

14

— 210 —

! e real morrerem sem descendência, ou quando esta 'venha a exttnguir-se depois da sua morte.» •< t Existe, pois, a njais perfeita concordância entre o con- trato matrimonial da ex-princeza d. Isabel e o disposto

nos arts. 5°, 6° e 7* da Lei de 29 de Setembro de 1840,revi- go»"ada pela de 7 de Julho de 1864. No contrato da ex-pnnceza d. Leopoldina, celebrado

cm Viena i, em o i° de Novembro de 1864, não encontrou

a cormnissão estipulação alguma relativa ao patrimónioem questão; esta lacuna, porém, foi supprida na ratificação do rnesmo contrato, feito em Gotha, aos 18 de Fevereiro de

1864. onde se lê a seguinte declaração:

« Que, em relação ao art. 8° da presente convençío, (iça subentendido que, só quando, em virtude do disposto no art. 7° da lei de 29 de Setembro de 1840, por falta ou ex-

tincç;io da successão, houverem de ser consideradas pró- priigdades n.icionaes as casas a que se refere o mesmo ar|í^ 0 da presente convenção, é que sua Alteza real o Sr - pnncn e Luiz Augusto Maria Eudes de Coburgo-Gotha,

duque

conservar as ditas casas.

« Que ás casas de que trata o citado art. 8° da presente convenção será incorporado um património em leiras per- tencentes ;í nação, o que a assembléa geral legislativa do Império ulteriormente determinará, sobre iní; imação do Governo, e assim passará aos descendentes, segundo a or.Liem da successão estabelecida na Ord., liv. 4° t>t. mo; que liça p,ira este efleito em vigor, nos termos das Leis

7 de Julho

perderá o direito que ]he é conferido de

de Sixe,

n. iíi6 de 29 de Setembro de do corrcntt- anuo.»

1840

e n.

12 i 7 de

Pela ratificação de Gotha, que acaba de ser transcripta, fica evidente que o contrato matrimonial da ex-princexa

d. LeopoKimd, contendo estipulações idênticas ás do con-

trato da ex-pfinceza d. Isabel, na parte re'ativa aos bens

pairimoniaes, devem ambos produzir os mesmos effeitos jurídicos, quaes os de assegurar ás mesmas ex prince/.a» c

a seos succes^ores a propriedade restricta e resoluvel da-

quelles bens, observada a ordem da successão estabelecida na Ori., Hv. 4° tit. 100.

No seio da commissão surgiu duvida quanto á equipa- ração dos dou-í contratos e dos eííeitos jurídicos por clk-it produzidos, pelo facto de ter a data de 18 de Fevereiro de

do contrato da ex princezs d. Leopnl-

dma , send o entretant o sabid o que o casament o deli a .se

-effectuara em i5 de Dezembro de 1864; o que importavi

1865 a

rat.ficiição

-

211 —

manifesta violação do principio da inalterabilidade das con- vrnyões matrimoniaes, princípio geralmente acceito pela

|m isprudencia moderna e consagrado por diversos codig-os,

entro os quaes o da França, art. iSgS e o da Itália,

«ri.

Kjtaminando melhor o caso, reconheceu logo a commis- iiílo ser infundada a duvida que assaltara o seo espirito ; iioiquanto, razão de decidirem contrario decorre de modo

Invi-ncivel do art. i° da Lei n. 1903 de 17 de Outubro de

1385.

• ' : ;<>,

que

dispõe :

 

"

Fica estabelecido

para s. a. a sra. d. Leopoldins e

 

.uigusto esposo, nos termos do respectivo contrato ma* i'>nÍ3.lt um património em terras, constantes de duas

l

iões, cada uma de 49 léguas, sendo uma na província

 

l

Paraná e outra na do Espirito Santo.

 
 

liste p.itrimoriio, do qual fará parte o prédio comprado

;

.1 habitação de suas altezas, será considerado como

;

,irio nacional, com o destino que lhe é dado

e nos

nos do me?mo contrato matrimonial. »

••$-.;

11

disposição clara e terminante do citado artigo de lei

 

ilta de modo inequívoco- que o legislador, referindo-se termos do contraio matrimonial da ex-prince^a d. Leo-

i

Mina para o effeito de estabelecer-lhe um património em

1

.is, teve particularmente em vista a ratificação de Gotha, ' t vez que no contrato primitivo não se cogitou do tnen- uuio património,e desde qiie o legislador de iS/oatteudeu i 'lia ratificação, sanou ipso facto qualquer defeito que tivesse por ser posterior ao consorcio da ex princeza.

U

;in aconselhido anJou portanto o Governo-iinpenal,

 

i

iulo, no accordo celebrado em 8 de Maio de 1888, para ie^a do dote garantido á fallecida princeza d. Leopol-

 

i

i, incluiu a clausula 5a, assim concebida :

 

• Tendo o sr. príncipe d. Pedro Augusto attingido á nmoridaJe, e competindo-lhe, HA qualidade de pnmoge- iiiio, o vinculo ou morgado a que se referem os arts, 5° e

íi"

.l.i Lei n. i(16 de 29 de Setembro de 1840, entrará desde

|.i

nli'. a rua Duque de Saxe nesta Corte,ao

n i

administração e

usofructo

do palacete Leopoldina,

qual será

incorpo-

|n<! >n património em terras determinado pela Lei n.

ti'-

|nu'>s;idos com previa autorização ou posterior approvaçao

que os patrimónios

166 de 29 de Setembro de 1840,

1864, e eífecttvamente

de Julho de

igo5

17 de Outubro de 1870, salvo novo accordo entre os in-

legislativo. »

(!»• poder

1'elo que fica exposto se evidencia

n.

1'iomrttidos pela Lei

n-vif^orada

pela de

7

estabelecidos pelas de n?. 19040 iqoS de 7 de Outubro de 1X70, cm f .vor das ex-prince£as d. Isube! e d. Leopoldina, Confiiituem verdadeiros compromissos, empenhos de honra, Contruhidos pelos órgãos legítimos da soberania nacional, aos quaes não deve faltar a n.>ção brazileira, sempre a mesma, sempre honrada, sempre generosa e magnânima,

qualquer que

í^eja a f rma do seo governo.

Os contratos matrirnoniaes das ex pnncezas fôrão cele-

assistência

do chefe do poder executivo de então e com a responsabili- dade do ministro de estado competente; faltar, pois, á fc* dos mesmos contratos, a commis<ã:> sente Jizel-o, seria in- decoroso a nação que podia mudar a forma do seo governo, mas não pode illudir compromissos solemnes contrahidos

pelos seos legítimos representantes.

podião ser grandes, os patrimónios podem ser

vastos; cumpre, pi Têm, nao esquecer: maior e mais vasta é a

generosidade, a munificência d a nação que os decretou e que, como qualquer dotador, tem a obrigação de garanti!-os, emquiJiuo não se verificar a condição resolutiva expressa no an . 7° da Lei n. 166 de '29 de Setembro de 1840 e formal- mente acceita nos contratos matrimoniaes em questão.

brados em execução de leis muito claras, com

Os

dotes

A nação brazileira, tendo dotado as ex-princezas, con-

trahiu, por isso mesmo, a obrigação de manter-lhes os dotes. O direito moderno, acabando com as subtilezas Jo direito romano que, neste ponto, distinguiu os dotes dados dos promettidos, é inflexível na obrigação queimpOc? a todos os dotadores de g.irantil-os : o Código Civil franecz no art. 1547 e o italiauo no art. 1896 não deixão duvida a

este respeito.

a extincçao da dynastia imperial c

dos privilégios que do regimen monarchico tiravão sua razão de ser, alterou a força obrigatória dos contratos ma-

trimoniaes das ex-princezas.

exige para a existência e validade dos

contratos é que elles tenhão'uma causa verdadeira e li- cita,'embora não subsista sempre ; e pois, ainda quando os privilégios monarchícos tivessem sido a causa única e de- terminante dos contratos matrirnoniaes das ex-princezas, não deixarião por isso de constituir uma causa verda- ilcira e licita ao tempo em que taes contratos forão cele-

brados.

recordar que, no

sentir unanime dos jurisconsultos, nos contratos benéficos como, em geral, nas disposições a titulo gratuito, a inten-

Nem

se allegue

que

O que

o

direito

Não

é, entretanto, fora

de propósito

— 213 -

Ic praticar um acto de liberalidade constituo causa

dos

e aos .liics o direito tem sempre concedido favores muito espe-

|)i- leito, os contratos matrirnoniaes das ex-princezas, ou ton-iderem simples doações em favor dos casamentos,

<l« I-MI virtude de contratos validamente feitos

K nte das

obrigações contrahidas.

N,10 se comprehende como, a pretexto da extincçao

i\s monarchicos, possão ser confiscados bens adqui-

i

verdadeiro dote, como resulta da letra do art. i i'i da

u

i inição de 1824, é sempre certo que envolvemcon-

•i immutaveis, perpetiuis.

que

não podião nem

deviao

|l

hjcitas á mobilidade das formas políticas.

v

.-.ímpio s

doaçõe s só pode m ser revogada s por causas

em

direito, de nenhuma das quaes cogita a con-

ili

i .t que a commissão responde ; sendo, entretanto, de

u

n que as doações, em geral revogáveis por ingratidão latarios, por excepção á regra, as que são feitas em

não se revogão por este mrtivo, como

iKprcso nos arts. 959 do Cod. Civil francez, 1807 doita-

iiio i- \4*() combinado com o 1483 n. 2 do Cod. por-

da lei são aímla mais

Carneiro

h>' t/o C.K-Í! d^ Portugal, t. 2, I. i , tit . i 5 § i 38, n. 10)

K d-»ies suo rnui privilegiados e favorecidos, ainda mais

de duvida, julga-se sempre a

lljjniilados,

• !c casítrm nto

f/IKV .

< h

aos

dotes :

dizendo a

os favores

respeito delles Borges

caso

i alimentos : em

Viu1 ik-lles.»

1 1, II.MÍS, não poderia ficar sujeito a mudanças politicas^á

i ilidnde díis formas de governo, uma instituição cuja

UNIU n ° dizer de Paulo, é perpetua:~dotis causa perpetua

•/

enm roto pjus qui daé,

ita contrahitur ut

semper

tml nniritum rnart^at.

L.

I D

de jure dotium.

\ "mmissão

não

se dará

ao

trabalho

de

mencionar

1 os lavores que a lei concede aos dotes, favores que

nos termos da consulta do sr. Ministro do iuterior LO impugnados; não pode, porém, furtar-se ao dever

, i>i concluir, letnhrar a celebre máxima do direito ro- : Reipiihlierv infarpst dotes muliernm saíras esse,

razão

•|Mii\a c a commissão acceita ; não tanto porque oâ dotes

i ilu.io <.s segundos casamentos, como porque devem ser Unia taboa de silvíicão a que as mulheres se soccorrem » di.i do infortúnio, seja civil ou político.

l « '.te o parecer que a commissão respeitosamente sub-

'•

í/ibas* nijb"ra

pr)#8Íntt

máxim a que

a

boa

214 —

mette

de pertencer.—Tarquinio B. de Sousa Amarantho. J, E*

Sayão de Bulhões Carvalho.—A . O. Gomes de Castro.

á censura da douta congregação a que tem a honra

PARECER DO CONSELHEIRO MANUEL ANTÓNIO DUARTE DE AZEVKIX)

A Lei n. 166 de 29 de Setembro de 1840 creou, para a

dotação das princezas, irmãs do ex-imperador do Brazil, quando houvesse de realisar-se o seo consorcio, um patri-

mónio composto de terras pertencentes á uação, ao qual seriào incorporados os prédios adquiridos para a decente habitação dos futuros cônjuges, e que passaria aos descen- dentes destes na ordem de successão estabelecida pclu Ord. liv. 4° tit. 100, ficando taes bens consignados como próprios nacionaea no caso de não haver ou de acabar se a

referida successão :

A Lei n . 1217 de 7 de Julho de 1864 declarou e;n vigor

estas disposições

para as dotações das princezas d. Isabel

e d. Leopoldina, filhas do sr. d. Pedro II; e, na conformi- dade das ditas disposições, celebrarão-se os tratados de

tfesposorios de 11 de Outubro de 18646 i de Novembro de 1865, e estabelecerão as Leis ns. 1904 e ic)o5 de 17 de Outubro de 1870 o património da dotação em terras e no» prédios adquiridos para habitação das princezas, o qu.il

seria considerado como próprio nacional, com ode&tino e tio modo previstos no contrato matrimonial, qj e ficou assim

confirmado

Ora, em virtude da Ord. liv. 4° tit. 100, que assegtíra aos descendentes a successão do morgado ; da clausula XX do tratado de casamento da princeza d. Isabel, inteini- meutc applicavel ao de d. Leopoldina, conformeo art. 2* da Lei de 7 de Julho de 1864, e que lhe fui applicada pelo auto de troca de ratificações de 18 de Fevereiro de i865 ; do accordo celebrado em 8 de Maio de 1888, por autori/a- ção legislativa, entre o Governo do Brazil e o Príncipe viuvo cie d. Leopoldina ; em virtude de tocas estas dispo- sições, os bens comprehendidos no património dotal só reverterião á nação quando os cônjuges morressem sem descendência, ou quando esta viesse a extinguir-se depoiê de sua mortt, como o havia disposto o art. 7* da Lei de 29 de Setembro de 1840. Em vista de clausulas tão expressas das leis e dos contra- tos, parece-me indubitável que só no caso previsto é possível verificar-se a reversão para o Estado dos bens que

arts . 3°, 5°, 6°, 7° e

12 da Lei.

por lei.

— 215 —

«1'ií.iituem o património da dotação das princezas. A re-

v i .iodo dote faz se sempre do modo estipulado ; nem

IBCO algum de obrigação jurídica dissolve-se de modo di« Verso do contrato ou da lei que o domina.

se-hia, entretanto, pretender que, tendo sido &

i|"t u;ao das princezus estabelecida em consideração do

ihittiv político da pessoa delias, extinguiu-Se a dotação com

u ,il>.,licão da monarchia no Brazil. lím fjlta de lei política ou ordinária, que assim o hou-

• previsto, o ponto ein controvérsia não sahiria da

, Oi>l)t?ra Jo direito civil, e a solução, naquelle sentido, seria firtVno ou de uma condição resoluttua, ou da dejiciencia

Poder

mil* fiMd t da causa

do contrato.

A CONDIÇÃO RESOLUTIVA

e própria do

i i i mo, diz Zachams, é uma declaração de vontade ou

IIIIH disposição d^ l^i, que faz depender de acontecimento liiiuro c incerto a existência de uma relação jurídica.»

« As obrigações, repete o estimado jurisconsulto, de-

vem serreputadas não condiciouaes, si não estiverem sub*

» Uma

condição, na

concepção especial

iiin

tidas a qualquer condiçi o por uma disposição de lei,

"ii

Mor uma declararão de vontade do homem. E' assim

nu;-, cm falta de tal declaração ou disposição, a mudança dfM cireiimstaneia? em que a obrigação tomou origem,

nttnfti poderia ser considerada condição resolutiva, tácita

••n

viitualmente inherenteá convenção. Aub:y et Rau.

Ifol

V. §

302 n. i.»

Nuda é mais corrente em direito. A condição suspensiva ou resolutiva deve constar do

da lei, porque a previu. subentendido. Giorgi,

/ 'v"« afilie obbligaiioni, vol. IV, n. 3o6 ; Pothier, Obríg. ,

1176 ; Cod. Civil ital. art. 1165.

• tiiiir;ito,

porque é

parte dclle ou

do

modo

'•ri(ica-se

sempre

K -J.KÍ; Cod. Civil fr. art.

 

H

i sem duvida condições resolutivas tácitas, umas de-

i

lentes da vontade das partes, como a de rescindir-se

•»

i "iivenção no caso de não executal-a um dos coutra-

 

es, ou de não seguir-se o matrimonio ao dote instituído

l-

n i i.il lim ; outras dependentes da lei, como a ingratidão

•L.

'l

>u;tturio : Ord., liv. 4° tit. 63 ; a superveniencía de

lill. '

i ;i<» cônjuge doador : Ord . liv. 4*, tit . 65, etc. Mas em

um

r

outro caso,

a convenção provém

da vontade

das

Mrtcs e do preceito legal, aliás fundado também rxa inten-

— 216

cão presumida dos contrahentes, que não contratariao si <> facto condicional lhes fosse conhecido. Ora, nem os legisladores brazileirosde1840, 1864 e 1870, nem tão pouco os outorgantes dos tratados de desposorlo| das princezas, podião ter cogitado siquer da mudança do regimen político do Brazil como condição da caducidade

das dotações. Tal intuito seria repugnante com os pios e interesses soclaes que representarão.

princí-

A

supposição,

portanto,

de

uma

condição resolutiv,i

neste sentido, é juridicamente repellida.

]l)

CAUSA DO

CONTRATO

No antig-o direito romano, chamava-se causado contrai» (causa cioilis) a umaforma especial de declaração tle von- tade nas convenções : Savigny, Obrig,, § 72. Poucos erão os contratos para cuja legitimidade bastasse o accordo das

partes, ou a tradição do objecto (consenso ré) ; a maior parte dependia de formas verbaes ou literaes (oerborum^ ItterarumobtigationesJ.Gom a evolução do direito, o accor- do das partes tornou-se a razão geral da legitimidade das

convenções, e desappareceu quasi

Serafiní, Inst. diDir. JRom., § io5 :

Subsistiu, porém, como causa de contrato, o próprio fun- damento do acto jurídico, ou o fim para que foi celebrado, çausw nom?n est com;min*, diz Cujas, et pró principio agen- te, et pró fine; Reeit. ad liv. IV, tit . VI Cod. fvol. VII, col. 713). Em faltado fundamento jurídico da obrigação, diz-se contrahida sine causa: quando o fim para que foi

hypothese da

a

antiga causa cioilis :

a obrigação contrahida

cansa data, causa non secata. Swe ab initio sine causa promissum estt sive fnit

não

se

verifica, é a

causa

promittendi quce finita est, vel secitta non est, dicendum est

condictóoni

causa—Ulp. Assim que obriga-sc a dar sem causa quem se obriga in- scientcinente pelo que não deve, ou a mai-s do que deve, e

é o caso de repetir oindebito ou o excesso (fr.3° Cod.); tem

o direito de rescindir o contrato pelo motivo causa data,

causa non secnta, quem prometteu ou deu para o fim de- terminado, como o dote para omatrimonio futuro que não se realisou (frs. 6,7 e 9 do Cod. causa data); Const. i" Cod. de condictiotie ob causam datorum.

Destes dous conceitos da causa dos contratos—pró prin- cipio agente et pró fine, só o segundo é de applicacão pôs-

locam f ore : fr. i°§2 ° de condictiorie sine

— 217

ningué m pretende princezas haja sido cele-

tii.nlo nine causa. Mas, tendc-o sido no regimen da monar-

•|IH- o tratado

tfliin, c no intuito de assegurar ás filhas do ex-Imperador

i v i

-\e da

consulta, visto como

de desposorios

das

h

n nnento condigno, não se devem considerar rescindiveis 1 «tacões feitas por ter cessado a respectiva causa.

Não ha duvida que as princezas forão dotadas por

actos

l

-j.ilativos e tratados anta-nupciaes, porque

faziáo

parte

ilu l'iiniliii imperial do Brazil. Mas este facto não constitue

u », m ;, do contrato, sínão os seos motivos e as circum-

i mi

i. s

em

que foi celebrado.

« A. causa, diz Iheríng, tem grande analogia

com o mo-

llvi>, mas

|i'io nenhuma influencia tem para caracterisal-o sobaspecto

(uriilico : L' Esprit

i883 ; Lo-

in.iniico, Delle obbligazioni, vol. 1°, pag. 157. l',ira que a deficiência da causa, pela qual o contrato foi

i -H ic de Cassação

differe dsste de modo essencial ; o motivo de um

du Droit Rom.9 IV pag. 2o3 ; Dec. da

de Rorna de 24 de Abril

de

que

manifestamente subentendida.

Sicitusa principalis nulla significata cril, cessablt ex ea <.t:i-;<i. wpHitio, quain ris qiá dedit causam aUqnam sibi

prnpnsuerit

l< no, tenha força revocatoria do acto, é indispensável

i . iiisj fosse expressa, ou

Ob causam datam non est, quod datum esí

de jure eivile, 1.

XlVcap. XX n. 9. Qttnd absolute lege nulla vel condictione expressa datum (•-.t, repeti non j:otcst etiam sifortasse qui debet, certam "<(iw dandi habuerit, quam tamen verbis non expressis, prttftovitiun namque in mente retentum nihil operatur*

condição, e

inter vivos : Donneau,

são partes integrantes do contrato, mani-

E pois, si a vontade dos contrahen-

;n rerbis non adjectis: Donneau, Com.

ivrox, J>releet< m 1. IV tit. VI

A. •. ntece "io tal

com

a

I. MV Uma

Cod,

causa o mesmo que com a

opera a causa nos actos

cap.XXeX. e outra

i .i;u;ões da vontade.

i , expressa

ou

evidentemente presumida, não

accusa,

untes

repelle

a supposta

causa,

seria

injuridico

suben-

' -i.ltl-:i. Urmais, e esta consideração é decisiva, a causa cuja falta I-HI.IUX a revocabilidade do acto, é sempre um aconteci- mento futuro causa non seciíta, considerada pelas partes

 

mo

o fim primordial da

convenção. Causa dandi futura

'

f,

dandi /uns,

cum quid scilicet

datur hoc animo, ut

VIII ; Burchardi,

'•'••(. dei Dir. Rom. Prio., § 276 n. 2. Assim, o casamento

•"///t'/

segnatur : Donneau,

loc. cit.

818 —

subsequente

causa da doação feita pelo devedor com tal destino ; o j> i

é a causa do dote ; o pagamento dos credorcv

trocinio da demanda causa do honorário recebido |>Hn

advogado, etc.:

causam datorum.

Qual deverá, portanto, ter sido a causa das dotações nsi i belecidas nos tratados de desposorios das prince/as ? < > casamento subsequente delias; nuaca o regimen íiiii- i narchia, que não era clausula do contrato, uus u a i cir- cumstancía, uma situação, ou um facto preexistente ao

Const. I a , 2* e u* ; Cod. de condiction? ok

e de cuja extinccão jamais poderião ter cogituJo

os contrahentes. Os escriptores francezes modernos, commentando a <>h- scura doutrina do Código Civil acerca da causa aos corHr i tos, entendem que ella jaz na reciprocidade das obrigacõel convencionadas: Dalloz, Rep. Oblig. n. Soo; Marcado, ao art. iío 8 n. V. Esta noção abstrahe dos monumentos l

tradições do direito, confunde muitas vezes a causa com o objecto nos contratos synalagmaticos : Giorgi, obr. cit. vol. IIÍ n.' 41 ; e é de difficil intelligencianos unilater.ies. Mas, admtttindo-a por momentos para solução do ponto controvertido, seria contrasenso conceber que a causa das dotações feitas pelo ex-Imperador ás suas filhas, isto é, a obrigação contrahida pela outra parte nos tratrados de

desposorios,

fosse a permanência das instituições polidcil

que existião no Brazil !

Em conclusão : nem no texto e economia das leis, que autorizarão ou confirmarão os tratados de desposorios, nem uos desses tratados, comprehende-se outro caso defc reversão das dotações feitas, a não ser o de falta ou extin- ção da descendência das princezas dotadas. E1 o meo parecer.

Dezembro

Rio de Janeiro, 3 t de Duarte de Azevedo.

contrato,

de 1891. —Dr. M. A.

PARBCKR DO DR.

FRANCISCO JUSTINO GONÇALVES DE ANDRADE

A reversão só poderá verificar-se regularmente nos casos do art. 7° Já Lei de 29 de Setembro de 1840,6 clausula ao da couvençuo de 11 de Outubro de 1864. Nas leis e contratos sobre o assumpto, são obvias as disposições e clausulas de Índole política, e as da consti- tuição do regimen patrimonial na família ; aqucllas de ordem publica, estas de ordem privada, de direito civil. A dUlincção das duas relações é fundamental. As de

— 219 —

m.lrin publica são dominadas pelo principio de superiori- ilmlc ; as de ordem privada regidas pela da igualdade.

na orliiiu privativa de sua actividade, e ahi é scientificamente Impossível a existência de direitos irrefragavelmente ad- .11111 ulos i em outras, manifesta o Estado a sua personali- iliule jurídica na esphera desses direitos, nas relações patri- Rirmiaes.

de

pçv-.ua juridicu , LUI conduõc s d e igualdade , com o terceir o

património ; e, mais, a

100,

Km

umas

assoma

a entidade soberana

do Estado

Na espécie sujeita, estipulou o Estado, na qualidade

o

estabelecimento de um

a Ord.

Hv. 4°

tit.

diHulor,

aiKYcssão descendente, segundo

paia

Vrihun

este elícito em vigor, e na falta dessa successão, a re-

dos

bens,

senão então consignados como próprios

nu, lor.iiCS.

K a excepcionalidade da Ord. Hv. 4° tit. 100 não con- ii.ma a solução expendida; porque, no direito civil, não furo, se depavão em pleno vigor disposições exorbitantes Jos preceitos communs, sem detrimento, todavia, dos di-

i> ítosadquiridos. Ao Kstado, como a qualquer pessoa physica ou jurídica 1'lunea, era licito estabelecer, na convenção matrimonial «lo-, esposos, rão só o património, mas a reversão dos bens

i

ijMKidos,

e outras clausulas em direito pcrmitiidas.

uma

consi-

M.i.u-ao política ; porque a inexistência, ou a falta de mo- tlvn, não o invali ia. Estão abolidos os vínculos, c si a este po-.l^ o li>tLuio, como pessoa jurídica, extinguir, pó- ilfl u-ha praticar na qualidade de ente soberano, ou deter-

IIIIM HLIo nesses bens a successão ordinária, )•• n . r.ío do seo direito eventual reversivo ;

priando*os, por utilidade publica, com a devida indemni-

com a com- ou desapro-

K prevaleço o acto, posto que motivado por

io ii set.s titulares. l' ni qualquer forma de governo, promanada da soberania |ii»pular, a icgra suprema dos poderes públicos é o pre-

«l.iiuinio do justo

A legitimidade do exercício do poder depende do respeito

nas relações sociaes.

n rv.r principio. O pacto ímtenupcial foi formal

tn. nu: celebrado ; príval-o dos eífeitos jurídicos, reconheci- i" c sanccionados pelas leis civis é, em face da sciencia,

'ili-.co, espoliação, resultado fatal da indiscriminação •l" principio da soberania do Estado, e direitos pertinentes " • i «-lações de ordem política, e do principio regulador dos nos privados e patrimoniaes. S. Paulo, 22 de Dezem- 1891.—Francisco J ustino Gonçalves de Andrade*

e solemne-

.

220 —

PARECER DA FACULDADE

LIVRE DE DIREITO DA BAHIA

Faculdade Livre de Direito da Bahia, 6 de Abii l «Ir

de enviar-vos o pare-

cer

posta á congregação desta Faculdade sobre os bens dotat-M das ex-princezas dd. Isabel e Leopoldina por vosso odicio de 17 de Dezembro do anno próximo findo, e que foi ap- provado por maioria de votos da congregação em 21 de Marco do corrente anno, e bem assim os pareceres que cm separado dcráo alguns membros da congregação. Pela copia da acta tereis conhecimento das occurrencias havidas por occasião da discussão do assumpto. Saúde e Fraternidade—Illtn, e exm. sr. Ministro J,t instrucçáo publica.— O director, Eduardo Pires Ramos.

1892.

íllm. e exm. sr. — Tenho a honra

da

commissão

nomeada

para estudar a questão pro-

PARECER APRESENTADO A CONGREGAÇÃO DA FACULDADE LIV1ÍK IHí DIREITO DA BAHIA, PELA COMMISSÃO INCUMBIDA DE ESTUDMl

BENS DOTAES DAS EX-PRINCEZAS D. ISAUEl l'.

A QUESTÃO

D.

DOS

LEOPOLDINA.

Senhores — O Governo federal, rior, consulta:

consequência da

abolição da monarchia, e consequente extincção não ?ó da dyuastía, coino também dos privilégios, que do regimen monarchico tiravão a sua razão de ser : —ou si a reversão desses bens somente pode ter logar, dados os casos"previs- tod no art. 7° da Lei ri. 166 de 29 de Setembro de 1840 c clausula 20 do contrato ante-nupcial de 11 de Outubro de 1864.»

d,

pelo ministério do inte-

«Si os

bens patrimoniaes

reverterão

á

das ex-princezas d. Isabel e

nação em

Leopoldina

ESTADO

DA QUESTÃO

— 221

<• Art. 6.° No dito património serão iacorporados ospre-

de

lK<i |); e assim passará aos descendentes, segundo a ordem Mn Miccessão estab.lecida na Ord. liv. 4° tit. 100, que

lifn para este fim em vigor.»

- Art . 7.° Todos os bens a que se refere o artigo ante-

ICilonte serão considerados como próprios nacionaes, quan-

iln n;ío haja ou se acabe a successão referida.»

de 1864 pac-

tuou:

« Art. 20. Fundar-se-ha para suas altezas imperial e real

Uni patrimóni o em terras pertencentes á nação, que será

||lcriormentc determinado pela asscmbléa geral, sobre in-

l"i mação do Governo.»

dloH de que trata o art.

3° (art.

1° § 2% e art.

2"

da Lei

( ) tratado ante-nupcial de 11 de Outubro

A este património serão incorporados os prédios de

que ir.ita o art. 8° e assim passará aos descendentes, se-

Hiniilo a ordem da successão estabelecida na Ord. liv. 4*

In too, que fica para e-ne eíTeito ern vigor, nos termos das Ecis n. 166 de 29 de Setembro de 1840 e n. 1217 de 7 de Julho de 1864.» Kstc contrato foi approvado pela Lei n. 1904 de 17 de ()ninbro de 1870, nos termos que se seguem :

n Kica estabelecido para sua alteza imperial a senhora d,

i ! ChrNtina c seo augusto esposo, nos termos do res- fecctivo contrato matrimonial, um património em terras

. -MI untes de duas porções, cada uma de 49 léguas qua-

1

l

ih Ias. sendo uma na província de Santa Catarina, e ou- li D n.i de Sergipe, ou em outra qualquer província do Im-

i '. si por ventura nesta ultima não houver porção de

jorras sufficiente. Este património, do qual fará parte o |iii'<lio comprado para habitação de suas altezas, será con- i.i ! iado como próprio nacional, com o destino que lhe é il.t<lo, e nos termos do mesmo contrato ante-aupcial. »

Aholida a monarchia em 1889. o PresiJeate da Republi-

A

Lei n. 1217 de 7 de Julho de 1864, estabelecendo erc-

.

«i--, próprios nacionaes todos os bens que constituiáoo dote

i, por D^cr. n. 447 de 18 de Julho de 1891, incorporou

gulando a dotação das princezas dd. Isabel e Leopoldina,

A

Lei de 1840 estatue:

i

nnccdi.lo poractos do extiticto regimen á princesa d. Isabel

mandou observar, corn algumas alterações, a Lei n. iG(i de

<

[hi i aina j

e bsm assim o immovei denominado—Palacete

1840, que estabeleceu e regulou a dotação das prince/.an

l