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E OPROBLEMA NACIONAL E COLONIAL

VITORIA

OS FATÔRES NACIONAIS NA CONSTRUÇÃO DO PARTIDO E DO ESTADO. Resolução aprovada pelo XII Congresso
OS
FATÔRES
NACIONAIS
NA
CONSTRUÇÃO
DO
PARTIDO
E DO
ESTADO.
Resolução aprovada pelo XII Congresso do P.C.(b ) da
Rússia, em abril de 1923
OS FATORES NACIONAIS NA CONSTRUÇÃO DO PARTIDO E DO ESTADO Resolução aprovada pelo XII Congresso
OS FATORES NACIONAIS NA CONSTRUÇÃO DO
PARTIDO E DO ESTADO
Resolução
aprovada
pelo
XII
Congresso
do P.
C.
(6) da Rússia,
em abril de 1923.
«
I
1. O deserivolvimento do capitalismo evidenciou,
já no século passado, a tendência para internacionalizar
os meios de produção e troca, liquidar o isolamento na-
cional, produzir uma aproximação econômica dos povos
em união gradual de vastos territórios num todo conexo.
O desenvolvimento posterior do capitalismo, o desenvolvi-
mento do mercado mundial, o estabelecimento de grandes
vias de comunicação marítimas e férreas, a exportação de
capitais, etc. aôentuaram ainda mais essa tendência, ao li-
gar os povos mais diversos aos vínculos da divisão in-
ternacional do trabalho e da interdependência geral. Em-
bora êsse processo refletisse o .desenvolvimento colossal
das forças produtivas e facilitasse a liquidação do isola-
mento nacional e da contraposição de interêsses entre po-
vos diferentes, era e continua sendo um processo progres-
sista, uma vez que prepara os fundamentos materiais da
futura economia socialista mundial.
2. Mas essa tendência desenvolveu-sè sob formas
específicas, que não correspondiam, de modo algum, à sua
significação histórica interna. A interdependência dos po-
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vos e a união econômica dos territórios se iam estabelecendo no curso do desenvolvimento do
vos e a união econômica dos territórios se iam estabelecendo
no curso do desenvolvimento do capitalismo, não por uma
colaboração dos povos como unidades iguais em direitos,
mas pela subordinação de uns povos a outros, pela opres-
são e exploração dos povos menos desenvolvidos por par-
te dos mais desenvolvidos. A rapina e as anexações colo-
niais, a opressão e a desigualdade nacionais, a arbitra-
riedade e a violência imperialista, a escravidão colonial,
a inexistência de direitos para as nacionalidades e final-
mente a luta das nações "civilizadas" entre si pelo domí-
nio dos povos "não civilizados" constituem as formas
em que se enquadrou o desenvolvimento do processo de
aproximação econômica dos povos. Por isso, paralela-
mente a tendência de unificação, acentuava-se a de acabar
com as formas violentas dessa unificação, acentuava-se
a luta para libertar do jugo imperialista as nacionalida-
des dependente e as colônias oprimidas. Embora essa se-
gunda tendência refletisse a indignação das massas opri-
midas contra as formäs imperialistas de unificação e rei-
vindicasse a unificação dos povos na base da colaboração
e da união livremente consentida, era e continua sendo
uma tendência progressista, uma vez que prepara os fun-
damentos espirituais da futura economia socialista mun-
dial.
3. A luta dessas duas tendências fundamentais, ma-
nifestadas sob formas próprias do capitalismo, enche a his-
tória dos Estados burgueses multinacionais durante os úl-
timos cinqüenta anos. A irredutível contradição dessas ten-
dências dentro dos quadros do desenvolvimento capita-,
lista constituiu a base da inconsistência interna e da ins-
tabilidade orgânica das* potências coloniais burguesas. Os
conflitos inevitáveis no interior de tais Estados e as ine-
vitáveis guerras entre os mesmos; o desmoronamento das
antigas potências coloniai; e a formação de outras novas;
a nova corrida pelas colônias e a nova desagregação de Es-
tados multinacionais, que conduzem a novo reajusta-
mento do mapa político do mundo — tais são os resul- tados dessa contradição fundamental.
mento do mapa político do mundo — tais são os resul-
tados dessa contradição fundamental. O desmoronamento
da antiga Rússia-, da Áustria-Hungria e da Turquia, de
um lado, de outro lado a história de potências coloniais
como a Grã-Bretanha e a antiga Alemanha, finalmente a
"grande" guerra imperialista e o iücrerrcnío do movimento
revolucionário entre cs povos coloniais e entre os povos
que não gozam da plenitude de seus direitos, todos esses
fatos e outros análogos nos dizem eloqüentemente da ins-
tabilidade e inconsistência dos Estados multinacionais
burgueses.
Dêsse modo, as irreconciliáveis contradições exis-
tentes entre o processo de unificação econômica dos povos
e os métodos imperialistas de concretizar essa unificação
determinaram a inépcia, a inutilidade e a impotência da
burguesia para encontrar o meio acertado de focalizar e
resolver o problema nacional.
4. O nosso Partido levou em consideração essas cir-
cunstâncias ao basear a sua política relativa ao problema
nacional no direito das nações à autodeterminação e no di-
reito dos povos à existência estatal independente. Já nos
primeiros dias de sua existência, em seu primeiro Congres-
so (em 1898) t quando as contradições do capitalismo no
terreno do problema nacional ainda não haviam tido tempo
de revelar-se com nitidez definitiva, o Partido havia reco-
nhecido êsse direito imprescritível das nacionalidades. Pos-
teriormente o Partido ratificou invariavelmente o seu pro-
grama nacional em;decisões e resoluções especiais de seus
congressos e conferências, até à própria Revolução de Ou-
tubro. A guerra imperialista e o vigoroso movimento re -
volucionário nas colônias, relacionado com ela, não fi-
zeram mais do que proporcionar nova confirmação das
decisões do Partido sobre o problema nacional. O sentido
dessas decisões reside: à) na negação decidida de todas as
formas de constrangimento aplicadas às nacionalidades;
ò) no reconhecimento da igualdade ,e da soberania dos
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povos para determinar os seus destinos; c) no reconheci- mento do princípio de que a
povos para determinar os seus destinos; c) no reconheci-
mento do princípio de que a união duradoura dos povos,
só se pode estabelecer na base da colaboração e da livre ade-
são; d) na proclamação do princípio axiomático de que
a realização dessa união somente é possível como resultado
* da derrocada do poder do capital.
Em seu trabalho, o nosso Partido contrapunha in-
cansàvelmente esse programa de emancipação nacional
tanto à política czarista de opressão manifesta como à po-
lítica vacilante e semi-imperialista dos mencheviques e
socialístas-revolucionáríos. Se a política russíficadora do
regime czarista abriu um abismo entre êsse regime e as
nacionalidades da antiga Rússia, enquanto a política se-
mi-imperialista dos mencheviques e sócialistas-revolucio-
nários contribuiu para afastar de Kerenski e sua polí-
tica os melhores elementos decsas nacionalidades, a polí-
tica de emancipação de nosso Partido ganhou para este a.
simpatia e o apoio de grandes massas dessas nacionalida-
' des em sua luta contra o czarismo e a burguesia imperia-
lista russa. Não cabe duvidar de que essa simpatia e êsse
apoio tenham sido um dos fatores decisivos que determi-
naram a vitória do nosso Partido nos dias de Outubro.
5. A Revolução de Outubro fêz o balanço prático
das decisões do nosso Partido a respeito do problema
nacional. Ao derrubar o poder dos latifundiários e dos ca-
pitalistas, principais portadores da opressão nacional, e
ao colocar o proletariado no poder, a Revolução de Ou-
tubro rompeu de um só golpe as cadeias da opressão na-
cional, transformou as velhas' relações entre os povos, so-
lapou a antiga inimizade nacional, desimpediu o terreno
para a colaboração dos povos e conquistou para o prole-
tariado russo a confiança de seus irmãos de outras nacio-
nalidades, não só da Rússia, mas também da Europa e
da Ásia. Não é necessário demonstrar que, sem essa con-
fiança, o proletariado russo não teria jjodído vencer Kolt-
chak e Denikin, Iudenítch c Wrangel. De outro lado, e
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indubitável que as nacionalidades oprimidas não teriam podido conquistar sua emancipação se no centro da
indubitável que as nacionalidades oprimidas não teriam
podido conquistar sua emancipação se no centro da Rús-
sia não se tivesse estabelecido a ditadura do proletariado.
A inimizade nacional e os choques nacionais são fatais e
iniludíveis, enquanto o poder estiver nas mãos do capital,
enquanto a pequena burguesia e, sobretudo, os campone-
ses da antiga nação "dominante", eivados de preconceitos
nacionalistas, seguirem os capitalistas, e, ao contrário, a
paz e a liberdade nacionais podem considerar-se assegu-
radas se os camponeses e as outras camadas pequeno-bur-
guesas seguirem o proletariado, isto é, se se consolida a
ditadura do proletariado. Por isso, a vitória dos Soviets
e a consolidação da ditadurá do proletariado constituem
a base, o fundamento, sôbre que se pode edificar a cola-
boração fraternal dos povos dentro de uma federação es-
tatal única.
6. Mas os resultados da Revolução de Outubro não
se
reduzem à liquidação da opressão nacional, à criação
de
um terreno propício à união dos povos. N o curso
de seu
desenvolvimento, a Revolução de Outubro elaborou iguai-
ment2 as formas de tal união, traçou as linhas fundamen-
tais pelas quais se deverá guíàr a união dos povos num Es-
tado federal único. No primeiro período da Revolução,
quando as massas trabalhadoras das nacionalidades expe-
rimentaram, pela primeira vez, o sentimento de constituí-
rem valores nacionais independentes e quando a ameaça
da intervenção estrangeira ainda não era um perigo real,
a colaboração dos povos ainda não havia adquirido for-
mas bem precisas, formas nitidamente estabelecidas. N o
período da guerra civil e da intervenção estrangeira, quan-
do os interesses da própria defesa militar das Repúblicas
nacionais se situaram no primeiro plano, enquanto os pro-
blemas da construção econômica ainda hão eram de cará-
ter imediato, a colaboração adquiriu a forma de aliança
militar. Finalmente, no período ds pós-guerra, quando os
problemas relacionados com a restauração das forças pro-
v
dativas destruídas pela guerra se apresentaram em pri- meiro plano, a aliança militar foi completada
dativas destruídas pela guerra se apresentaram em pri-
meiro plano, a aliança militar foi completada por uma
aliança econômica. A federação das Repúblicas nacionais
na União das Repúblicas Soviéticas constitui a etapa fi-
nal dp desenvolvimento das formas de colaboração, quan-
do essas últimas assumem o caráter de união militar, eco-
nômica e política dos povos num único Estado soviético
multinacional.
Desse .modo, o proletariado encontrou no regime so-
viético a chave da solução acertada do problema nacional,
nele descobriu o caminho que conduz à organização de
um sólido Estado multinacional baseado na igualdade na-
cional de direitos e na livre adesão.
-
«
7. Mas encontrar a chave da solução acertada do
problema nacional ainda não significa resolvê-lo total e
definitivamente, nem significa esgotar as possibilidades de
sua realização prática e concreta. Para levar à prática de
um modo acertado o programa nacional formulado pela
Revolução de Outubro, é ainda necessário vencer os obs-
táculos que nos foram deixados como herança pela etapa
já ultrapassada de opressão nacional e que não podem
ser superados de uma vez em breve espaço de tempo.
Essa herança consiste, em primeiro lugar, nas so-
brevivências do chovinísmo de "grande potência", reflexo
da passada situação de privilégio dos grande-russos. Essas
sobrevivências ainda persistem no espírito de nossos fun-
cionários soviéticos, do centro e da periferia, aninham-se em
nossas instituições do Estado, .tanto nas do centro como
nas da periferia, e se viram reforçadas com as "novas"
correntes de chovinismo grande-russo e de "smenovezhis-
fflo", que se vão acentuando cada vez mais em conexão
com a NEP. Isso encontra sua expressão prática na ati-
tude de desprêzo altaneiro e de frio burocratismo dos fun-
cionários soviéticos russos para com as necessidades e rei-
vindicações das Repúblicas nacionais. O Estado soviético
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multinacional somente pode converter-se em Estado ver- dadeiramente sólido, e a colaboração dos povos dentro
multinacional somente pode converter-se em Estado ver-
dadeiramente sólido, e a colaboração dos povos dentro
dele só pode sér verdadeiramente
fraternal. n o caso de essas
sobrevivêncías serem extirpadas tcsclara e definitivamen-
te da prática de nossas mstkukcas do Estado. Em uma
série de Repúblicas nacionais f Ucrânia, Bielo-Rússia,
Azerbaídzhan, Turqaestão) a situação se complica pelo
fato de que uma parte considerável da classe operária,
principal apoio do Poder Soviético, pertence à naciona-
lidade grande-russa. Nessas regiões, a aliança entre a ci-
dade e o campo, entre a classe operária e os camponeses,
tropeça com grandes obstáculos representados pelas so-
brevivêncías do chovinismò grande-russo, tanto nas orga-
nizações do Partido como nos organismos soviéticos. Fa-
lar, nessas condições, das vantagens da cultura russa e
expor a tese do triunfo inevitável da cultura russa, mais
elevada, sôbre a cultura dos povos mais atrasados (ucra-
niano, azerbaidzhano, usbeque, quirguiz, etc.) não é mais
do que urna tentativa de consolidar o domínio da nacio-
nalidade grande-russa. Por esse motivo, a luta decidida
contra as sobrevivêncías do cbovinismo grande-russo cons-
tituí a primeira tarefa imediata do nosso Partido.
Essa herança consiste, era segundo lugar, na desigual-
dade de fato, isto é, na desigualdade econômica e cultural
das nacionalidades da União das Repúblicas. A igualdade
jurídica nacional conseguida pela Revolução de Outubro
é uma grande conquista dos povos; mas não resolve por
si só todo o problema nacional. Repúblicas e povos que
não passaram ou quase não passaram pelo desenvolvimento
capitalista, que carecem ou quase carecem de um proleta-
riado próprio e, em conseqüência, estão atrasados nos do-
rníníos econômico e cultural, não se encontram em condi-
ções de aproveitar integralmente os direitos e as possibili-
dades que se lhes oferecem com a igualdade nacional de,
direitos, e, sem uma ajuda exterior, efetiva e prolongada,
são incapazes de elevar-se ao grau superior de desenvol-
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vimento e alcançar, desse modo, às nacionalidades que se lhes tenham adiantado. As causas dessa
vimento e alcançar, desse modo, às nacionalidades que se
lhes tenham adiantado. As causas dessa desigualdade de
fato residem não apenas na história desses povos, mas
igualmente na política do czarismo e da burguesia russa,
que pretendiam converter as regiões da periferia em regiões
. dedicadas exclusivamente à obtenção de matérias-primas
e exploradas pelas regiões centrais desenvolvidas no sen-
tido industrial. É impossível superar essa desigualdade em
pouco tempo; á impossível liquidar essa herança em um
ou dois anos. Já o X Congresso d o nosso Partido havia
assinalado que i; a abolição da desigualdade nacional, exis-
tente de fato, constitui um processo moroso que requer
luta tenaz e insistente contra todas as sobrevivências da
opressão nacional e da escravidão colonial". Mas tem de
ser superada a todo custo. E somente* pode ser superada
mediante uma ajuda efetiva e prolongada prestada pelo
proletariado russo aos povos atrasados da União, para
conseguir o seu florescimento econômico e cultural. Essa
ajuda tem de manifestar-se, em primeiro lugar, pela ado-
ção de uma série de medidas práticas que visem a criar nú-
cleos industriais nas Republicas das nacionalidades antes
oprimidas, atraindo para eles o ior número possível de
elementos da população locai. Finalmente essa ajuda deve
realizar-se, segundo a resolução do X Congresso, parale-
lamente à luta das massas trabalhadoras pelo fortaleci-
mento de suas posições "sociais contra as camadas superio-
res dos exploradores locais e dos exploradores vindos de
fora, que se vão consolidando em conexão com a NEP.
Embora estas Repúblicas representem fundamentalmente
regiões agrícolas, as medidas socialistas internas deverão
ser orientadas, antes de tudo, no sentido de dotar as massas
trabalhadoras de terras do fundo disponível do Estado.
Sem isso não se pode contar com o estabelecimento de
uma colaboração firme e acertada entre os povos, nos limi-
tes de um Estado federal único. Por isso, a luta pela liqui-
dação da desigualdade nacional existente de fato, a luta
— 380 —
pela elevação do nível cultural e econômico dos povos atra- sados, constitui a segunda tarefa
pela elevação do nível cultural e econômico dos povos atra-
sados, constitui a segunda tarefa imediata do nosso Par-
tido.
Essa herança consiste, finalmente, nas sobrevivências •
nacionalistas em tôda uma série de povos que sofreram o
pesado jugo da opressão nacional e não puderam libertar-
se ainda da recordação dos antigos vexames nacionais, Uma
manifestação prática dessas sobrevivências consiste em
certo afastamento nacional e na falta de confiança plena
dos povos antes oprimidos para com as medidas tomadas
pelos russos. Entretanto, em certa? Repúblicas integra-
das por várias nacionalidades, êsse'nacionalismo defensivo
converte-se não poucas vezes em nacionalismo ofensivo,
num chovinismo raivoso da ^nacionalidade mais forte, di-
rigido contra as nacionalidades mais débeis de tais Repú-
blicas. O chovinismo georgiano (na Geórgia), dirigido
contra os armênios, ossetinos, adzharianos e abzhasíanos;
o chovinismo azerbaktzhano (no Azerbaidzhan), diri-
gido contra os armênios; o chovinismo usbeque (em Bu-
cara e Coresma), dirigido contra os turcomanos e os quir-
guizes; o chovinismo armênio, etc.; tôdas essas variedades
de chovinismo, estimuladas ainda pelas condições da NEP
€ da concorrência, constituem mal enorme que ameaça con-
verter certas Repúblicas em campos de querelas e discórdias.
Cumpre dizer que tôdas manifestações freiam a união efe-
tiva dos povos num Estado federal único. Embora as so-
brevivências do nacionalismo constituam forma especí-
fica de defesa contra o chovinismo grande-russo, a luta
decidida contra êsse chovinismo é o meio mais seguro de
liquidar as sobrevivências nacionalistas. E embora essas
sobrevivências se convertam em chovinismo local, diri-
gido contra os grupos nacionais débeis das diversas Re-
públicas, a luta direta contra tais sobrevivências cons-
titui um dever dos membros do Partido. Por isso, a luta
contra as sobrevivências nacionalistas e, antes de tudo»
contra as suas formas chovinistas constitui a terceira tare- fa imediata do nosso Partido. 8.
contra as suas formas chovinistas constitui a terceira tare-
fa imediata do nosso Partido.
8. Deve-se considerar como uma das expressões
evidentes da herança do passado o fato de que a União das
Repúblicas é considerada por "uma parte importante dos
funcionários soviéticos, tanto nõ centro como na perife-
ria, não como uma união de Estados iguais, chamada a as-
segurar o livre desenvolvimento das Repúblicas nacionais,
mas como um passo dirigido para a liquidação de tais Re-
públicas, como o começo da formação da chamada Rússia
"una e indivisível".
Deve-se considerar também como resultado da he-
rança do passado a tendência
de ^alguns organismos da R.
S. F. S. R. a submeter à sua jurisdição os Comissariados
das Repúblicas autônomas e a abrir o caminho da liqui-
dação dessas últimas.
À c condenar essa concejpção como antiproletária e
reacionária e ao proclamar a absoluta necessidade da exis-
tência e posterior desenvolvimento das Repúblicas nacio-
nais, o Congresso faz um apelo aos membros do Partido
para que velem atentamente, com o objetivo de evitar que
a união das Repúblicas c a fusão dos Comissariados se-
jam utilizadas pelos funcionários soviéticos que estejam
animados de um espírito chovinista como dissimulação de
suas tentativas de desprezar as necessidades econômicas
e culturais das Repúblicas nacionais. A fusão dos Comissa-
riados constituí uma prova para o aparelho soviético: se,
na prática, tal experiência recebe uma orientação no sentido
do espírito de "grande potência", o Partido ver-se-á obri-
gado a assumir, diante dessa desfiguração, as medidas mais
enérgicas, chegando a formular o problema de rever a fu-
são de certos Comissariados, enquanto não se leva a cabo
a devida reeducação do aparelho soviético no sentido de
uma solicitude genuinamente proletária e fraternal para
com as reivindicações e necessidades das nacionalidades pe-
quenas e atrasadas.
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9. A União de Repúblicas, erigida na base da igual- dade e livre adesão dos
9. A União de Repúblicas, erigida na base da igual-
dade e livre adesão dos operários e camponeses das diver-
sas Repúblicas, constitui a primeira experiência realizada
pelo proletariado para normalizar as relações recíprocas
internacionais entre os países independentes e o primeiro
passo para a cfiação da futura República Soviética Mun-
dial do Trabalho. Embora a União de Repúblicas seja
uma forma nova de convivência dos povos, uma forma
nova de colaboração dos mesmos nos limites de um Es-
tado federal único, e em cujo interior as sobrevivências
que acabam de 'ser descritas hão-de ser eliminadas no de-
correr do processo do trabalho conjunto dos povos, os or-
ganismos superiores da União deverão estar organizados
de tal forma, que reflitam plenamente não só as necessida-
des e reivindicações comuns a tôdas as nacionalidades da
União, mas também as necessidades e reivindicações parti-
culares das diversas nacionalidades» Por isso, paralelamen-
te aos organismos centrais da União, representantes das
massas trabalhadoras de tôda a União, independentemente
de nacionalidade, deve ser criado um organismo especial
que represente as nacionalidades na base da igualdade. Essa
estrutura dos organismos centrais da União permitiria aten-
der rapidamente às necessidades e reivindicações dos po-
vos, prestar-lhes oportunamente a ajuda necessária, criar
um ambiente de plena confiança recíproca e assim liqui-
dar, da maneira mais insensível, a herança que acaba de
ser descrita.
10. Partindo do que foi dito,
o Congresso reco-
menda aos membros do Partido que, a título de medidas
práticas, obtenham:
a) que, ao serem, criados os organismos centrais
da União, fique garantida a igualdade de direitos e de-
veres das diversas Repúblicas, tanto no que diz respeito
às suas relações recíprocas como âs suas relações com o po-
der central da União;
— 383 —
b) que, no sistema dos organismos supremos da União, se institua um organismo especial que
b) que, no sistema dos organismos supremos da
União, se institua um organismo especial que represente
todas as Repúblicas e regiões nacionais sem exceção, em
bases iguais, fazendo-se o possível para que estejam re-
presentadas todas as nacionalidades que integram tais Re-
públicas;
c )
que os órgãos executivos da União sejam for-
mados em bases que assegurem a efetiva participação nos
mesmos dos representantes das Repúblicas, bem como a
satisfação das necessidades e reivindicações dos povos da
^
União;
d) que se outorguem às Repúblicas direitos finan-
ceiros e, em particular, orçamentários em grau suficiente
para assegurar-lhes a possibilidade de lançar suas pró-*
prias iniciativas nos domínios da administração do Es-
tado,
cultural e econômico;
e) que os organismos das Repúblicas e regiões na-
cionais sejam integrados essencialmente por homens do
país, conhecedores do idioma, das condições de vida, usos
ç
costumes dos povos respectivos;
f
) que sejam baixadas leis especiais que garantam
o
uso da língua materna em todos os organismos estatais
e em tôdas as instituições que se encontrem a serviço da
população local de outras nacionalidades e das minorias
nacionais, leis que persigam e castiguem, com todo o rigor
xevolucíonárío, todo aquele que atentar contra os direitos
nacionais e, em particular, contra os direitos das minorias
nacionais;
g) que se intensifique o trabalho educativo no
Exército Vermelho, no sentido de difundir as idéias da
fraternidade e solidariedade entre os povos da U. R. S. S.,
e que se adotem medidas práticas que visem organizar uni-
dades de tropa nacionais, observando tôdas as medidas ne-
cessárias para assegurar a plena capacidade defensiva das
Repúblicas.
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II 1. O desenvolvimento das organizações do nosso Partido verifica-se, na maioria das Repúblicas nacionais,
II
1. O desenvolvimento das organizações do nosso
Partido verifica-se, na maioria das Repúblicas nacionais,
em condições não de todo favoráveis ao seu crescimento e
fortalecimento. O atraso econômico dessas Repúblicas, a
exiguidade do proletariado nacional, a insuficiência òu ain-
da a inexistência de velhos quadros do Partido integrados
por aborígenes, a inexistência de uma literatura marxista
séria em idioma nacionaí, a debilidade do trabalho educa-
tivo do Partido e finalmente a sobrevivência de tradições
nacionalistas extremistas que ainda não tiveram tempo de
dissipar-se, tudo isso criou entre os comunistas locais um
desvio no sentido de sobrestimar as particularidades na-
cionais, no sentido de menosprezar os interêsses de classe
do proletariado, era suma, um desvio para o nacionalis-
mo. Isso se converte em fenômeno particularmente peri-
goso nas Repúblicas integradas por várias nacionalidades,
onde não poucas vezes, entre os comunistas da naciona-
lidade mais forte, adquire a forma de desvio para o cho-
vinismo e cujo gume se dirige contra os comunistas das
nacionalidades mais débeis (Geórgia, Azerbaidzhan, Bu-
cara, Coresma). O-desvio .para o nacionalismo é nocivo
porque, freando o processo de emancipação do proleta-
riado nacional da influência ideológica da burguesia na-
cional, dificulta a coesão dos proletários de nacionalidades
diferentes numa só organização internacional,
2. De outro lado, a existência de numerosos qua-
dros de velhos militantes do Partido de origem russa, tan-
to nas instituições centrais do Partido como nas organiza-
ções dos Partidos Comunistas das RepWblicas nacionais,
quadros que não estão familiarizados com o idioma, usos
e costumes das massas trabalhadoras dessas Repúblicas e
que, portanto, nem sempre são sensíveis às suas reivindica-
ções, deu motivo a que em nosso Partido se criasse um des--
vio no sentido de menosprezar as peculiaridades nacionais
385 —
t o idioma nacional no trabalho do Partido, no sentido de Uma atitude presunçosa e
t o idioma nacional no trabalho do Partido, no sentido de
Uma atitude presunçosa e humilhante para com tais pe-
culiaridades, um desvio para o chovinismo grande-russo.
Êsse desvio é nocivo não só porque, ao prejudicar a forma-
ção de quadros comunistas na base de homens do país, co-
nhecedores do idioma nacional, cria o perigo de que o Par-
tido,se isole das massas proletárias das Repúblicas nacio-
nais, mas, e antes de tudo, porque alimenta e cultiva o des-
vio para o nacionalismo, que acaba de ser esboçado, e difi-
culta a luta contra êsse último.
3. Ao condenar ambos os desvios como nocivos e
perigosos para a causa do comunismo e ao chamar a aten-
ção dos membros do Partido para o dano e o perigo parti-
culares que o desvio para o chovinismo grande-russo acar-
reta, o Congresso faz um apêlo ao Partido para liquidar
o mais rapidamente possível essas sobrevivências do passa-
do dentro do nosso trabalho de construção dò Partido.
O Congresso recomenda ao Comitê Central a con-
cretização das seguintes medidas de caráter prático:
a) organizar círculos marxistas
de tipo superior
constituídos de quadros locais do Partido, originários
das Repúblicas nacionais;
b) desenvolver a literatura marxista
doutrinária
nos idiomas das nacionalidades;
c) fortalecer a Universidade dos Povos do Oriente
e suas filiais da periferia;
d) criar grupos de instrutores ligados aos Comitês
Centrais dos Partidos Comunistas das Repúblicas nacio-
nais, integrados por quadros locais do Partido;
e) desenvolver a literatura de massas do Partido
nos idiomas nacionais;
f )
intensificar o trabalho educativo do Partido nas
Repúblicas;
g) intensificar o trabalho juvenil nas Repúblicas.
4. Dada a considerável importância que tem a ati- vidade dos militantes responsáveis nas Repúblicas
4. Dada a considerável importância que tem a ati-
vidade dos militantes responsáveis nas Repúblicas autôno-
mas e independentes, e em geral nas regiões da periferia
(para estabelecer os vínculos entre cs trabalhadores de uma
República determinada e os trabalhadores do resto da
União), o Congresso recomenda ao Comitê Central o cui-
dado de selecionar com esmero esses militantes, a fim de que
o seu conjunto assegure plenamente o cumprimento efetivo
das decisões do Partido sôbre o problema nacional.
Comunidade Josef Stalin Em defesa do Marxismo-Leninismo www.comunidadestalin.
Comunidade Josef Stalin
Em defesa do Marxismo-Leninismo
www.comunidadestalin.