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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE INSTITUTO INTERAMERICANO DE APOIO A AGRICULTURA SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS HÍDRICOS DE SERGIPE

ESTADO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS HÍDRICOS DE SERGIPE PAE-SERGIPE PROGRAMA DE AÇÃO ESTADUAL DE

PAE-SERGIPE

PROGRAMA DE AÇÃO ESTADUAL DE COMBATE A DESERTIFICAÇÃO

PAE FINAL

Consultora: Ana Tres Cruz Contrato Nº 110295

Aracaju, Janeiro de 2011

Identificação

Consultor(a) / Autor(a): Ana Tres Cruz

Número do Contrato: 110295

Nome do Projeto: PAN Desertificação

Oficial/Coordenador Técnico Responsável: Gertjan B. Beekman

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Data /Local: Aracaju 08 de Abril de 2011

 
 

Classificação

 
 

Temas Prioritários do IICA

 

Agroenergia e

 

Sanidade

 

Biocombustíveis

Agropecuária

Biotecnologia e

 

Tecnologia e Inovação

 

Biosegurança

Comércio e

 

Agroindustria Rural

 

Agronegócio

Desenvolvimento

X

Recursos Naturais

x

Rural

Políticas e Comércio

 

Comunicação e

 

Gestão do

Conhecimento

Agricultura Orgânica

x

Outros:

 

Modernização

X

COMBATE A DESERTIFICAÇÃO

 

Institucional

Palavras-Chave:

COMBATE À DESERTIFICAÇÃO –PAE-SERGIPE

 
 

Resumo

 

Título do Produto:

Produto H: Elaboração do Documento Interinstitucional do Programa de Ação Estadual de Prevenção e Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Estado de Sergipe; (PAE-SE), fruto do processo participativo de construção e do material técnico elaborado. Deverá conter Cronograma de Ações para o primeiro ano, ou primeira fase do PAE-SE, definido de forma conjunta pelos diversos atores participantes em todas as etapas de elaboração do PAE-SE; Produto I: Coordenação do Seminário de apresentação e entrega pública do PAE-SE

Subtítulo do Produto:

Resumo do Produto:

O Produto H é a Sistematização num documento a ser publicado do trabalho dos 5 consultores e das Oficinas participativas para elaborar o Programa de Combate à Desertificação Já o Produto I é a realização da ultima oficina de aprovação e entrega do PAE

Qual Objetivo Primário do Produto?

 

Elaborar o documento PAE-SE consolidado e sistematizado com as informações dos consultores temáticos e das oficinas.

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Que Problemas o Produto deve Resolver?

Este Produto deve apresentar uma serie de objetivos, estratégias e ações para o combate à desertificação no Estado de Sergipe.

Como se Logrou Resolver os Problemas e Atingir os Objetivos?

O

principal problema é falta de tempo, pois trata-se de produtos que devem ser cuidadosamente

pensados e consultados. Foi resolvido com uma ampliação do prazo de execução do contrato.

Quais Resultados mais Relevantes?

O

PAE-SE foi finalizado.

O

Que se Deve Fazer com o Produto para Potencializar o seu Uso?

Publicá-lo e apresentá-lo à sociedade civil, e as instituições, complementá-lo com suas contribuições e divulgá-lo de forma que todos se apropriem do conteúdo do mesmo.

SUMARIOSUMARIO

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

SUMARIO

3

SIGLAS

4

INDICE DE FIGURAS

7

INDICE DE QUADROS

8

INDICE DE TABELAS

9

1.METODOLOGIA

10

2. COMBATE À DESERTIFICAÇÃO

11

3.COMBATE A DESERTIFICAÇÃO NO ESTADO DE SERGIPE

12

4.POLITICAS, PROGRAMAS E PROJETOS DE COMBATE A DESERTIFICAÇÃO

44

5.OBJETIVOS, ESTRATÉGIAS E AÇÕES PARA O COMBATE Á DESERTIFICAÇÃO 72

6.GESTÃO

84

7.MECANISMOS ORIENTADOS PARA GARANTIR A EFETIVA IMPLEMENTAÇÃO

DO PAE-SE

84

8.MONITORAMENTO

91

9.CRONOGRAMA DE IMPLEMENTAÇÃO DAS AÇÕES

97

10.CONSIDERAÇÕES FINAIS

109

11.BIBLIOGRAFIA

110

SIGLASSIGLAS

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

ACRANE – Associação Cultural Raízes Nordestinas AF: Agricultor Familiar AGENDHA – Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia AMASE: Associação Mão no Arado AMIS – Ação para o Microcrédito em Sergipe ANA - Agência Nacional de Águas APL - Arranjo Produtivo Local ASA - Articulação no Semiárido Brasileiro ASD: Áreas Susceptíveis a Desertificação ASSOCENE - Associação de Orientação às Cooperativas do Nordeste ATER - Assistência Técnica e Extensão Rural BANESE – Banco do Estado de Sergipe BNB: Banco do Nordeste CadÚnico - Cadastro Único para Programas Sociais CDJBC: Centro Dom José Brandão de Castro CHESF - Companhia Hidro Elétrica do São Francisco CIRAD - Centro de cooperação internacional em pesquisa agronômica para o desenvolvimento CODEVASF: Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaiba CODISE - Companhia de Desenvolvimento Industrial e de Recursos Minerais de Sergipe. COHIDRO: Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe CONAB: Companhia Nacional de Abastecimento COOPEAGRIU - Cooperativa dos Pecuaristas e Agricultores União DAP - Declaração de Aptidão ao PRONAF DAPAA - Declaração de Aptidão ao Programa de Aquisição de Alimentos DIEESE: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DRS – Desenvolvimento Rural Sustentável. EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMDAGRO: Empresa de Desenvolvimento Agropecuária de Sergipe FAPISE – Federação Apícola de Sergipe FCO: Fundo Constitucional de Financiamento do Centro Oeste FETASE - Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Sergipe FIDA - Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola FNE: Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste FNO: Fundo Constitucional de Financiamento do Norte FUNDECI - Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico GEF - Global Environment Facility GEMA – Instituto de Integração Sócio-Produtiva e Gestão do Macro Ambiente

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

GTI: Grupo de Trabalho Interministerial

IATEC - Instituto de Ação para Organização de Produtores e Assistência Técnica a Comunidades Rurais

IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ICODERUS - Instituto de Cooperação para o Desenvolvimento Rural Sustentável

IDEB: Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro

IDF: Índice de Desenvolvimento Familiar

IDH: Índice de Desenvolvimento Humano

IICA: Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

INCRA: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

IPEA: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

ITPS – Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe

JBIC - Banco do Japão para Cooperação Internacional

MAPA: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

MDA/SAF – Ministério de Desenvolvimento Agrário / Secretaria de Agricultura Familiar

MDA: Ministério do Desenvolvimento Agrário

MDS: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

MEC: Ministério da Educação

MI: Ministério da Integração Nacional

MIN - Ministério da Integração Nacional

MMA: Ministério do Meio Ambiente

MME: Ministério das Minas e Energia

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

NTS – Núcleo de Tecnologia Social

ONG – Organização Não Governamental

ONU – Organização das Nações Unidas

OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público

P1MC - Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido: Um Milhão de Cisternas Rurais

PAA: Programa de Aquisição de Alimentos

PAE - SE - Programa de Ação Estadual de Prevenção e Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca de Sergipe.

PAIS – Produção Agroecológica Integrada e Sustentável

PAN - BRASIL - Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca

PAPP - Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural

PCPR – Programa de Combate à Pobreza Rural

PDHC: Projeto Dom Helder Câmara

PDRI - Programas de Desenvolvimento Rural Integrado

PEA: População Economicamente Ativa

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

PETROBRÁS - Petróleo Brasileiro S.A. PIB: Produto Interno Bruto PNPB: Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel PNUD: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento POLONORDESTE - Programa de Desenvolvimento de Áreas Integradas do Nordeste PPA: Plano Plurianual PRÓ-ÁGUA - Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos PROINFA - Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONESE - Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe PRÓ-SERTÃO - Projeto de Apoio às Famílias de Baixa Renda da Região Semi-Árida de Sergipe SAGI: Secretaria de Avaliação da Gestão e Informação SEAGRI - Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário SASAC - Sociedade de Apoio Sócio Ambientalista e Cultural SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Sergipe SEIDES: Secretaria Estadual de Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social SEMARH: Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos SENAI – Serviço nacional de Aprendizagem Industrial SEPLAN: Secretaria de Planejamento SRH – Secretaria de Recursos Hídricos SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste UC's - Unidades de Conservação da Natureza UFS - Universidade Federal de Sergipe UNITRABALHO - Rede Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

INDICEINDICE DEDE FIGURASFIGURAS

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

INDICEINDICE DEDE QUADROSQUADROS

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

INDICEINDICE DEDE TABELASTABELAS

1.1. METODOLOGIAMETODOLOGIA

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Este documento foi realizado de forma participativa refletir, na medida do possível, as necessidades ambientais e demandas sociais para o Combate à desertificação e mitigação dos efeitos da Seca no Estado de Sergipe e especificamente nas suas áreas suscetíveis à desertificação – ASD- localizadas no Alto Sertão.

Para

isto,

tiveram-se

como

referencia

o

Programa

Nacional

de

Combate

à

desertificação –PAN-Brasil- e outros Programas Estaduais já realizados.

A elaboração começou com a realização de um diagnóstico e avaliação sobre a situação de Sergipe e especificamente das suas ASD abordando temas vinculados com os 4

eixos temáticos estabelecidos no PAN-Brasil: 1 Combate a Pobreza e a Desigualdade; 2 Ampliação Sustentável da Capacidade Produtiva; 3- Preservação, Conservação e Manejo Sustentável de Recursos Naturais; e 4- Gestão Democrática e Fortalecimento Institucional.

Posteriormente se fez um levantamento e avaliação das Políticas, Programas e Projetos vinculados com os eixos temáticos de forma que se formo um panorama abrangente sobre a situação real em relação aos processos de desertificação e os mecanismos existentes para combatê-los.

Com isto como base foi realizada uma oficina interna com os consultores e a Secretária. A finalidade desta oficina era o de elaborar o esquema inicial que servisse de base e insumos para as oficinas. Seguindo a metodologia “marco lógico” foi elaborado o PAE- Preliminar, contando com 5 objetivos vinculados aos eixos temáticos. Esta primeira oficina interna tencionava conseguir umas diretrizes que evitassem que o Programa de Combate à desertificação final fosse um programa de desenvolvimento do estado, já que não é a finalidade deste documento, pois como foi colocado anteriormente dentro dos eixos temáticos esta incluído, entre outros, o combate à pobreza e a desigualdade.

As oficinas regionais foram realizadas em 4 municípios diferentes: Canindé, Porto da Folha, Poço Redondo e Gararu. Foram divididas em 4 temas diferentes. Na primeira oficina para complementar as estratégias e ações, os participantes foram divididos em 4 grupos temáticos, (correspondendo cada um dos grupos aos eixos temáticos) o trabalho em grupos seguiu a metodologia “marco lógico”. Uma vez definidas as ações e estratégias, na segunda oficina se levou todo à plenária, de forma a ter as contribuições de todos os participantes sobre todos os temas. Nesta oficina ficou definido o esquema final do PAE-SE. A terceira

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oficina foi para definir quem gestionaria e de quem faria o monitoramento de cada uma das ações, para isto voltou a ser usado a metodologia de divisão em grupos e posterior plenária.

Depois da terceira oficina, houve um trabalho de sistematização das ações e elaboração de breves textos justificando a ação e explicando a finalidade das mesmas contidas no ponto 5 deste relatório.

Uma vez realizado isto na quarta oficina, realizada em Gararu, foi apresentado o PAE final para validação do mesmo junto à sociedade Civil.

O ultimo seminário foi realizado em Aracajú, junto as instituições que formarão parte da Comissão Estadual de Combate à desertificação, com as atribuições de gerenciar e monitorar a efetiva implementação do PAE.

Para monitorar a implementação das ações se apresenta, no ponto 8, o plano de monitoramento desde dois pontos de vista, monitoramento de desempenho e monitoramento de impacto. Para elaborar os indicadores, a equipe teve como finalidade a de apresentar um sistema que fosse facilmente mensurável e entendível.

Finalmente, no ponto 9 se apresenta um breve cronograma contendo as prioridades para os próximos 4 anos. Estas prioridades são de 3 classes: as definidas pela sociedade civil, as definidas pela ausência de mecanismos implementando as ações e as definidas como prioritárias pela equipe. Caberá à Comissão Estadual definir quais são as prioritárias baseando-se na conjuntura estadual, federal e municipal.

Com todo isto, apresentamos a seguir o Programa de Combate à desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Estado de Sergipe, a ser coordenado pela Secretaria Estadual de Combate à Desertificação.

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2.2. COMBATECOMBATE ÀÀ DESERTIFICAÇÃODESERTIFICAÇÃO

2.12.1 AANTECEDENTESNTECEDENTES IINSTITUCIONAISNSTITUCIONAIS DADA DDESERTIFICAÇÃOESERTIFICAÇÃO

Historicamente, a discussão sobre a desertificação intensificou-se com a ocorrência de dois grandes eventos. O primeiro, a grande seca que assolou o meio-oeste americano na década de 1930, fenômeno pelo qual ficou conhecido como “Dust Bowl”, onde a intensa degradação dos solos afetou uma área de cerca de 380 mil quilômetros quadrados, fazendo com que a “desertificação” fosse introduzida na agenda da academia. Foi a partir deste evento, que se passou a estudar e compreender melhor os processos que levam a desertificação. Inclusive, suas relações com os modelos de sobrexploração dos recursos naturais (LIMA,2006).

O segundo acontecimento importante, que chamou a atenção para o flagelo do fenômeno da desertificação, foi a grande seca que assolou o Sahel africano, na década de 1970, e que provocou a morte de mais de 500 mil de pessoas em um dos maiores movimentos migratórios já registrados. Isto fez com que a comunidade internacional reconhecesse o impacto econômico, social e ambiental do problema, estabelecendo um programa mundial de ação para combatê-lo. Assim, o tema é tratado pela primeira vez na Conferência sobre Desenvolvimento Humano, em Estocolmo, no ano de 1972 (BRASIL,

2010).

A conscientização de que o crescimento econômico estava se dando às custas da apropriação dos recursos naturais e da própria qualidade de vida das populações, leva a Organização das Nações Unidas - ONU, a organizar uma conferência especifica sobre o tema: a Primeira Conferência sobre Desertificação, que aconteceu na cidade de Nairóbi, Quênia, em 1977. Neste evento, chegam-se à conclusão de uma urgente necessidade de implantar e implementar políticas especificas de combate à desertiticação para as terras secas do mundo (semiáridas, áridas, hiperáridas, sub-úmidas secas), tanto por suas características ambientais quanto sociecônomicas (BRASIL, 2010).

Apesar dos resultados moderados sobre as ações da implantação dessas políticas para as regiões afetadas pela desertificação, ou seja, para reversão da degradação, o consequente crescimento dos problemas em todo o mundo, fez com que o tema fosse incluido na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD, no Rio de Janeiro, em 1992, a qual ficou conhecida como ECO - 92 (BRASIL,

2010).

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2.22.2 OO MMARCOARCO IINSTITUCIONALNSTITUCIONAL NONO BBRASILRASIL

O Brasil conferiu novos destaques ao assunto em 1992, com a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - ECO-92. O sucesso da ECO-92, no tocante às medidas de combate à desertificação, foi em grande parte resultado da Conferência Internacional sobre Impactos de Variações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável em Regiões Semi-Áridas - ICID, realizada em Fortaleza, Ceará, em 1992

(PERNAMBUCO,2009).

Os desdobramentos após a ECO-92 foram significativos, principalmente com o processo de adesão dos países à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca - UNCCD. A Convenção já está em vigor desde 26 de dezembro de 1996 e foi assinada por mais de 190 países. No caso do Brasil, isso aconteceu em 1994, mas a Convenção só foi aprovada por ato do Congresso Nacional Brasileiro em 1997, passando então a ter efeito legal.

Em 1997, é realizada a Conferência Nacional e Seminário Latino-Americano sobre Desertificação - CONSLAD, com a participação conjunta da sociedade civil e de órgãos governamentais dos países envolvidos, com o objetivo de fortalecer o processo de negociação da Convenção, assim como de contribuir para a formulação de uma estratégia nacional para o combate a desertificação e a seca. Ficou formalizado o compromisso para a elaboração de um Plano Nacional de Combate à Desertificação - PNCD (PERNAMBUCO,

2009).

Para tanto, o governo brasileiro estabeleceu uma Cooperação Técnica com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD. A cooperação (BRA-93/36) permitiu a elaboração das diretrizes para a Política Nacional de Combate à Desertificação - PNCD, aprovada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, sob a Resolução 238/1997, e o desenvolvimento de estudos que culminaram com a identificação dos Núcleos de Desertificação do Brasil: Núcleo de Gilbués, no sul do Estado do Piauí; o Núcleo de Irauçuba, no Estado do Ceará; e Núcleo de Cabrobó, no Estado de Pernambuco, e o Núcleo do Seridó, entre os Estados do Rio Grande do Norte e Paraíba (BRASIL,1988).

Após a III Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação - COP 3, no ano de 1999, em Recife, até o ano de 2003, as questões referentes à desertificação no Brasil ficaram restritas a ações de um grupo da sociedade civil do Nordeste Brasileiro (LIMA, 2006).

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Com a elaboração de um programa para a construção de tanques para captação de

água de chuva, destinado a atender a um milhão de famílias do semiárido brasileiro,

realizado pela Articulação no Semiárido - ASA, o Governo Brasileiro absorve esta proposta e

com o apoio de outras instituições o Programa de Formação e Mobilização Social para a

Convivência com o Semi-Arido: Um Milhão de Cisternas Rurais - P1MC, elaborado de

acordo com os objetivos e premissas da Convenção das Nações Unidas de Combate a

Desertificação - UNCCD, passa a ser a mais forte ação governamental e da sociedade civil

voltada exclusivamente para o combate à desertificaçao no Brasil (ANDRADE e QUEIROZ,

2009).

2.32.3 PPROGRAMAROGRAMA DEDE AAÇÃOÇÃO NNACIONALACIONAL DEDE CCOMBATEOMBATE ÀÀ DDESERTIFICAÇÃOESERTIFICAÇÃO PANPAN BBRASILRASIL

A elaboração do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação - PAN-

Brasil, ocorreu no período de 2003 a 2004, com um conjunto de ações que mobilizaram

instituições governamentais das esferas federal e estaduais, além de instituições da

sociedade civil organizada que possuem Áreas Suscetíveis à Desertificação - ASD’s. Teve o

seu desenho de elaboração pautado nas discussões de eixos temáticos, por meio de

reuniões nos estados e em eventos regionais para consolidação do documento. Além disso,

também se fundamentou num conjunto de políticas nacionais, visando à construção de

pactos com ênfase no conceito da transversalidade, de forma que o tema “combate à

desertificação” estivesse na pauta política e institucional dos diversos segmentos públicos e

sociais do semiárido e/ou com atuação nesse espaço geográfico (BRASIL, 2004).

O Programa foi lançado oficialmente em agosto de 2004, tendo como objetivo geral o

estabelecimento de diretrizes e instrumentos legais e institucionais orientados para

aperfeiçoar a formulação de políticas públicas e investimentos privados nas ASD’s, dando

prioridade a implementação de ações nas áreas consideradas em situação muito grave,

visando o desenvolvimento sustentável. Os programas e ações propostos estão articulados

em torno de quatro eixos temáticos:

I.

Eixo Temático 1 - Redução da Pobreza e da Desigualdade;

II.

Eixo

Temático

2

- Ampliação

Sustentável

da

Capacidade

Produtiva;

- Sustentável dos Recursos Naturais e,

III.

Eixo

Temático

3

Conservação,

Preservação

e

Manejo

IV. Eixo

Institucional.

Temático

4

-

Gestão

Democrática

e

Fortalecimento

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Devido a restrições administrativas e operacionais no âmbito federal, ainda faz-se necessário uma melhor definição do arranjo institucional para avançar na implementação do PAN-Brasil, com um melhor funcionamento da gestão contida no programa.

Esse breve histórico permite traçar um perfil das iniciativas tanto de ordem legal e institucional do país, como da sociedade civil. Todas de fundamental importância para a elaboração dos Programas de Ação Estadual - PAE’s).

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3.3. COMBATECOMBATE AA DESERTIFICAÇÃODESERTIFICAÇÃO NONO ESTADOESTADO DEDE SERGIPESERGIPE

3.13.1 CCONTEXTOONTEXTO

Sergipe possui 75 municípios e está dividido, conforme planejamento territorial do Estado, em oito territórios: Grande Aracaju, Baixo São Francisco, Leste, Alto Sertão, Médio Sertão, Agreste Central, Centro Sul e Sul.

O Território do Alto Sertão, objeto de avaliação desse Produto, abrange uma área de

4.908,20 km² e é composta de sete municípios Canindé do São Francisco, Gararu, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Porto da Folha e que compõe parte do semiárido brasileiro.

A população total do Território é de 137.926 habitantes, dos quais 74.478 vivem na

área rural, o que corresponde a 55,45% do total. Nessa área estão situados 12.833 agricultores familiares (AF), 3.564 famílias assentadas de reforma agrária.

O Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos

da Seca, PAN – BRASIL configura-se como instrumento norteador para a implementação do Programa Estadual de Combate à Desertificação, o PAE-SE, que visa ações articuladas no controle e no combate à desertificação, bem como para a ampliação dos acordos sociais envolvendo os mais diversos segmentos da sociedade.

A desertificação por ser um fenômeno complexo e que envolve uma percepção

multidisciplinar possui várias definições que variam de acordo com o enfoque adotado, desde o biocêntrico ao antropocêntrico. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a Agenda 21 e o Programa Nacional de Combate a Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca – PAN BRASIL, definem a desertificação como processo de degradação natural das terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante da incidência de vários fatores ambientais incluindo variações climáticas que por sua vez é potencializado pelas atividades humanas. Este processo deteriora as condições ambientais, afetando consequentemente as condições de vida da população que habita a região (BRASIL, 2004).

A desertificação engloba a biogeografia local como um todo, ou seja, a degradação

dos solos, dos recursos hídricos e da biodiversidade, resultantes de fatores climáticos e atividades antrópicas (UNITED NATIONS, 1994).

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

A desertificação foi formalmente identificada no semiárido do nordeste brasileiro a partir dos anos 70. Após estudos mais detalhados sobre o tema surgiram novos conceitos referentes ao fenômeno da desertificação que variam de acordo com enfoque adotado, ou seja, desde o socioeconômico ao ambiental.

Para evitar confusão em relação a algumas definições, faz-se necessária a princípio distinção de alguns conceitos (SZILAGYI, 2007):

Desertização: trata-se de fenômenos socioeconômicos de crescente

abandono de um território, província ou região pela população que nela habita,

reduzindo a densidade demográfica;

Desertificação Edáfica: é o empobrecimento geral do ecossistema devido à redução da biomassa;

Arenização: definida como retrabalhamento de depósitos areníticos

pouco ou nada consolidados, dificultando nessas áreas a fixação da vegetação devido à mobilidade de sedimentos;

Desertificação Biológica: corresponde à perda de regeneração dos

ecossistemas resultando em rarefação da fauna e redução da superfície coberta por

vegetação ocasionando empobrecimento do solo e salinização, tendo homem como agente causador de tal ação;

Sahelização:

que

nada

mais

é

que

diferentes

grau

de

desaparecimento do estrato arbóreo do ecossistema;

Aridização: é a intensificação do índice de aridez (IA) na região

semiárida.

A desertificação e o fenômeno da seca estão interligados. No Brasil, a grande maioria das terras susceptíveis à desertificação encontra-se nas regiões semiáridas, subúmidas secas do Nordeste. A seca é um fenômeno climático caracterizado pela distribuição irregular das chuvas por um período de tempo longo que provoca desequilíbrio hidrológico, onde a evapotranspiração ultrapassa por um período de tempo a precipitação das chuvas.

As secas não ocorrem de forma uniforme ao longo dos espaços semiáridos do Nordeste. Pode haver anos de seca total, com efeitos observados em todas as áreas da

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

região semiárida, e anos de seca parcial, em que os problemas da seca são verificados apenas em algumas áreas dos estados do Nordeste.

As secas podem ser ocasionais (devidas à sazonalidade ou às variações interanuais das chuvas), ou secas severas de longos períodos que podem ser causadas ou agravadas pela influência humana sobre o meio ambiente (redução da cobertura vegetal, mudança do efeito de albedo, mudanças climáticas locais, efeito estufa, etc.) (BRASIL, 2004).

O Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos

da Seca (PAN – BRASIL) adota o critério da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca – UNCCD, da qual o Brasil é signatário desde 1997 e considera como zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas todas as áreas

afetadas ou suscetíveis a processos de desertificação com Índice de Aridez entre 0, 05 e 0,

65.

O índice de aridez (IA) é à base de classificação climática de Thorntwaite (1941). O

qual é calculado pela razão entre a precipitação pluviométrica e a evapotranspiração.

O Quadro 1, a seguir, apresenta a classificação da susceptibilidade à desertificação,

em função do índice de aridez

QQUADROUADRO

CCLASSIFICAÇÃOLASSIFICAÇÃO DADA SUSCEPTIBILIDADESUSCEPTIBILIDADE ÀÀ DESERTIFICAÇÃODESERTIFICAÇÃO,, EMEM FUNÇÃOFUNÇÃO DODO ÍNDICEÍNDICE DEDE ARIDEZARIDEZ

ÍNDICEÍNDICE DEDE ARIDEZARIDEZ

SUSCEPTIBILIDADESUSCEPTIBILIDADE ÀÀ DESERTIFICAÇÃODESERTIFICAÇÃO

0, 05 a 0, 20

Muito Alta

0, 21 a 0, 50

Alta

0, 51 a 0, 65

Moderada

Fonte: Adaptado Brasil, 2004

AA SEGUIRSEGUIR,, AA

Figura . Incidência de Secas no Nordeste, apresenta a incidência do fenômeno das secas no Nordeste, de acordo com o PAN – BRASIL. Segundo a mesma, no Alto Sertão sergipano a taxa de seca varia entre 61 e 80%.

Com o intuito de delimitar espacialmente a influência da seca na região nordestina, criou-se o Polígono das Secas pela Lei Nº 175, de 07 de janeiro de 1936. Essa região possuía uma superfície geográfica de 672.281, 98 km², correspondentes a 43, 2% da área total do Nordeste delimitado pelo IBGE (1.557.767 km²).

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Em substituição a delimitação do antigo Polígono das Secas foi criada a Lei Federal N° 7.827, de 27 de setembro de 1989, que demarca a nova região semiárida oficial brasileira. Para essa nova delimitação adotaram-se três critérios técnicos:

A média anual de precipitação pluviométrica inferior a 800 mm;

Índice de aridez de até 0, 5; calculado pelo balanço hídrico que relaciona a precipitação e a evapotranspiração potencial no período entre 1961 e 1990;

Risco de seca ser maior que 60% tendo por referência o período de seca entre 1970 e 1990 (MI/MMA/MCT, 2005 apud BRASIL, 2004).

FFIGURAIGURA

IINCIDÊNCIANCIDÊNCIA DEDE SSECASECAS NONO NNORDESTEORDESTE

2004). F F IGURA IGURA I I NCIDÊNCIA NCIDÊNCIA DE DE S S ECAS ECAS NO

FONTE: BRASIL, 2004

FFIGURAIGURA

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

NNOVAOVA DELIMITAÇÃODELIMITAÇÃO DODO SEMIÁRIDOSEMIÁRIDO

DELIMITAÇÃO DELIMITAÇÃO DO DO SEMIÁRIDO SEMIÁRIDO Fonte: PAN – BRASIL (MMA/SRH, 2004) De acordo com

Fonte: PAN – BRASIL (MMA/SRH, 2004)

De acordo com Programa de Ação Nacional de Combate a Desertificação e Mitigação dos efeitos da Seca, o PAN – BRASIL, as áreas susceptíveis a desertificação cobrem uma superfície de 1.340.862 km 2 abrangendo um total de 1.488 municípios nos noves Estados do Nordeste (entre eles Sergipe), além do norte de Minas Gerais e do norte

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

do Espírito Santo (BRASIL, 2004). O espaço objeto da atuação do PAN – BRASIL, caracterizado como Áreas Susceptíveis à Desertificação – ASD – são descritos a seguir:

Núcleos de Desertificação;

Áreas Semiáridas e Subúmidas Secas;

Áreas do Entorno das Áreas Semiáridas e Subúmidas Secas;

Novas Áreas Sujeitas a Processos de Desertificação;

Características Principais das Áreas Susceptíveis à Desertificação – ASD;

Relação das ASD com o Bioma Caatinga, o Polígono das Secas e a Região Semiárida do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

3.23.2 AANÁLISESNÁLISES DASDAS ÁÁREASREAS SSUSCETÍVEISUSCETÍVEIS ÀÀ DDESERTIFICAÇÃOESERTIFICAÇÃO EMEM SSERGIPEERGIPE

Sergipe geograficamente situa-se na parte Oriental do Nordeste brasileiro, e tem a sua porção semiárida expandida ao Noroeste, Oeste e Sudoeste do Estado, totalizando uma área de 10.982 km², que equivale a 49, 81% do território sergipano (ADEMA, 2000).

De acordo com o levantamento realizado pelo PAN – BRASIL (Erro: Origem da referência não encontrada), elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, o estado de Sergipe, quanto as ASD’s classifica-se em:

Áreas Semiáridas: composta por 6 (seis) municípios: Canindé de São Francisco, Gararu, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Porto da Folha;

Áreas Subúmidas Secas: composta por 28 (vinte e oito) municípios: Amparo de São Francisco, Aquidabã, Canhoba, Capela, Carira, Cedro de São João, Cumbe, Feira Nova, Frei Paulo, Gracho Cardoso, Itabi, Japoatã, Malhada dos Bois, Muribeca, Neópolis, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Lourdes, Pinhão, Poço Verde, Propriá, Riachão do Dantas, Ribeirópolis, São Francisco, São Miguel do Aleixo, Simão Dias, Telha e Tobias Barreto;

Áreas do Entorno das Áreas Semiáridas: composta por 14 municípios: Brejo Grande, Campo do Brito, Ilha das Flores, Itabaiana, Itabaianinha, Lagarto, Macambira, Malhador, Moita Bonita, Pacatuba, Pedra Mole, Santana do São Francisco, São Domingos e Tomar do Geru.

FFIGURAIGURA

ÁÁREASREAS SUSCEPTÍVEISSUSCEPTÍVEIS AA DESERTIFICAÇÃODESERTIFICAÇÃO

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

PAE-SERGIPE PAE-SERGIPE Fonte: PAN – BRASIL (MMA/SRH, 2004) 23

Fonte: PAN – BRASIL (MMA/SRH, 2004)

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Em relação às áreas afetadas pelo processo de desertificação em Sergipe seguindo a à metodologia adotada pelo PAN–BRASIL, que por sua vez foi formulada pelo Instituto Desert, tem em seu território a seguinte classificação:

Muito grave (abrange os municípios do Alto Sertão sergipano); Moderada.

O

Estado

de

Sergipe

segundo

a

UNCCD

(1997)

considerado área frágil com três zonas:

apud

SEMARH

(2010)

é

1)

Uma estreita faixa litorânea sem riscos de desertificação;

2)

Uma faixa central abrangendo todo o Estado de Norte a Sul, com riscos de ocorrência do processo de desertificação;

3)

Uma faixa do sertão semiárida, com riscos elevados de desertificação (envolve o território sergipano denominado Alto Sertão).

O território do Alto Sertão Sergipano, correspondente à Microrregião Sergipana do Sertão do São Francisco que corresponde à numa área geográfica de 490.068,6 há. É formada pelos municípios de Canindé do São Francisco, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Monte Alegre, Gararu, Nossa Senhora de Lourdes e Porto da Folha, região que de acordo com o PAN – BRASIL, é área do estado mais afetada pelo processo de desertificação, sendo classificada de acordo com os indicadores adotados pelo PAN – BRASIL como Muito Grave.

Assim o Programa de Ação Estadual de Prevenção e Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca no Estado de Sergipe – PAE – SE tem como ponto focal os municípios do Alto Sertão que estão em estágio mais avançado no processo de desertificação e consequentemente de degradação ambiental. A Erro: Origem da referência não encontrada delimita as Áreas afetadas por Processo de Desertificação. O território sergipano do Alto Sertão classifica-se como região com avançado processo de desertificação.

FFIGURAIGURA

ÁÁREASREAS AFETADASAFETADAS PORPOR PPROCESSOROCESSO DEDE DDESERTIFICAÇÃOESERTIFICAÇÃO

Fonte: PAN – BRASIL (MMA/SRH, 2004)

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

A Figura 5 apresenta a localização geográfica dos municípios que compõe o Alto Sertão sergipano.

FFIGURAIGURA

SSERGIPEERGIPE:: TERRITÓRIOTERRITÓRIO DODO AALTOLTO SSERTÃOERTÃO SSERGIPANOERGIPANO -- 20102010

Fonte: Atlas Digital, SRH, 2004.

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

3.33.3 ÂÂMBITOMBITO FFÍSICOÍSICO-A-AMBIENTALMBIENTAL

Os próximos tópicos abordarão as características ambientais (solo, geologia, geomorfologia, hidrologia, hidrogeologia, clima, fauna e flora) dos municípios do Alto Sertão que são o foco de ação do Programa de Ação Estadual de Prevenção e Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca no Estado de Sergipe – PAE – SE.

3.3.13.3.1 Solos,Solos, AptidãoAptidão AgrícolaAgrícola ee SuscetibilidadeSuscetibilidade àà ErosãoErosão

O solo possui vários conceitos a depender da área a qual o estuda. Segundo a Pedologia o solo é uma massa natural inconsolidada que compõe a superfície da Terra, resultante da ação climática sobre as rochas, sendo influenciada pelo tipo de relevo e origem das rochas, constituindo um recurso natural vital e limitável e facilmente destruído (PHILLIPPI JR, 2005).

O uso e o manejo inadequado dos solos são apontados como as principais causas de origem antrópica relacionadas com a desertificação. A degradação do solo é um processo que reduz a capacidade atual ou potencial do solo para produzir bens ou serviços. Tal degradação é em muitos casos irreversível, visto que os processos de formação além de regeneração são processos geológicos lentos (SOMBROEK & SENE, 1993).

Em Sergipe especificamente nos municípios do Alto Sertão, os tipos de solos são classificados como: Bruno não Cálcico, Planosol, Regosol Distrófico e Litólicos Eutróficos, Podzólico Vermelho-Amarelo Equivalente Eutrófico.

Segundo Franco (1983) as principais características desses tipos solos são:

Bruno não cálcico: classe de solo mineral, não hidromórfico, geralmente com horizonte A fraco e com horizonte B avermelhado eutrófico e com capacidade de troca catiônica (CTC) > 27 cmol.kg -1 de argila (Ta), com erosão laminar intensa;

Planosol: solo de baixa permeabilidade pouco profundo susceptível a erosão, neutro e moderadamente alcalino com elevada percentagem de minerais primários facilmente decomponíveis; Regosol: caracteriza-se por solos arenosos com cascalho levemente ou muito profundos, muito friáveis de texturas muito leves, drenagem acentuada, com sequência de horizontes A, C, formadas a partir de arenitos, sendo normalmente ácidos e com fertilidade aparente muito baixa, situados logo acima da rocha, predominante em Sergipe;

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Litólicos: esses solos são originados de diferentes materiais de origem, rasos, solos muitos susceptíveis a erosão, apresentando como principais limitações a rochosidade, a pedregosidade e o relevo acentuado. São áreas com restrições à ocupação antrópica;

Podzólico Vermelho-Amarelo Equivalente Eutrófico: solos com B textural, não hidromorfos em geral com atividade baixa de argila, minerais primários em fácil decomposição que constitui reservas para as plantas, solos de média e alta fertilidade natural, comumente profundo;

Distrófico: Solo em que a porcentagem de saturação por bases (V) é inferior a 50%. São solos de fertilidade média ou baixa;

Eutrófico: solo em que a porcentagem de saturação por bases (V) é superior a 50%. São solos de fertilidade alta.

Segundo o mesmo autor, a aptidão agrícola dos solos encontrados no Alto Sertão Sergipano é:

Solo Bruno não Cálcico: neste solo cultiva-se milho, feijão, algodão capins forrageiros, capim Buffel e capim sempre-verde;

Planosol: neste solo cultiva-se milho, feijão, mandioca e capim sempre-verde;

Regosol: neste solo cultiva-se milho, feijão, algodão, capins forrageiros, capim Buffel e capim sempre-verde;

Litólicos: neste solo cultiva-se milho, feijão, algodão, palma, forrageira e capim sempre-verde e pangola;

Podzólico Vermelho-Amarelo: neste solo cultiva-se milho, feijão, algodão, mandioca fumo e cana-de-açúcar.

O Quadro , a seguir, apresenta os tipos de solo em cada município do Alto Sertão.

QQUADROUADRO

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

TTIPOSIPOS DEDE SOLOSOLO EMEM CADACADA MUNICÍPIOMUNICÍPIO DODO AALTOLTO SSERTÃOERTÃO

MUNICÍPIOMUNICÍPIO

SOLOSOLO

USOUSO EE OCUPAÇÃOOCUPAÇÃO DODO SOLOSOLO

APTIDÃOAPTIDÃO DODO SOLOSOLO

Canindé do São Francisco

Bruno não Cálcico, Planosol, Rego Sol Distrófico e Litólicos Eutróficos.

Pecuária extensiva, agricultura de subsistência e agricultura irrigada com problemas de salinização.

Pastagem natural e aptidão regular para lavoura irrigada com manejo adequado.

Gararu

Litólicos Eutróficos, Podzólico Vermelho-Amarelo Equivalente Eutrófico e Planosol.

Pecuária extensiva e agricultura de subsistência

Pastagem nativa e lavoura com irrigação

Nossa Senhora de Glória

Podzólico Vermelho Amarelo Equivalente Eutrófico, Litólicos Eutróficos e Planosol

Pastagem plantada e agricultura de subsistência com produção de grãos

Regular para lavoura

Nossa Senhora de Lourdes

Litólicos Eutróficos,

   

Monte Alegre

Litólicos Eutróficos, Regosol Distrófico, Planosol e Podzólico Vermelho Amarelo Equivalente Eutrófico

Agricultura de subsistência e pastagem extensiva

Pastagem natural e plantada, e regular para lavoura

Poço Redondo

Planosol, Regosol Distrófico, Bruno não Cálcico e Litólico Eutróficos,

   

Porto da Folha

Litólicos, Eutróficos, Regosol Distróficos, Planosol, Podzólico Vermelho Amarelo Equivalente Eutrófico,

Pecuária extensiva e agricultura de subsistência

Pastagem nativa e lavoura com irrigação

Fonte: SEPLANTEC, 1997

Pecuária extensiva e agricultura de subsistência Pastagem nativa e lavoura com irrigação Fonte: SEPLANTEC, 1997 28

28

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Entre alguns fatores que colaboram na ocorrência da degradação dos solos e consequentemente no fenômeno da desertificação podemos destacar:

Mudanças climáticas (alteração do regime pluviométrico);

Derrubada e/ou queimada da cobertura vegetal;

Destruição dos estoques de frutas e sementes, impedindo a germinação de plantas nativas;

Destruição de agentes polinizantes, em virtude da prática crescente da utilização de pesticidas;

Vasconcelos Sobrinho (1978) apud Oliveira et al. (2007), destaca que atividades humanas sem o devido cuidado no uso e ocupação do solo são indicadores para o surgimento do processo de desertificação. A seguir são citados alguns desses indicadores que por sua vez podem ser transportados para realidade dos municípios do Alto Sertão sergipano:

Densidade demográfica: afeta a qualidade dos solos e disponibilidade de águas:

No Alto Sertão o crescimento da população, surgimento dos assentamentos rurais, aumento dos pequenos agricultores, os latifúndios, transformaram a região que anteriormente possuía vazios demográficos em local povoado e consequentemente exercem cada vez mais pressão no solo e no uso dos recursos naturais;

Sistema fundiário: exclui o pequeno agricultor do processo produtivo nacional. Os municípios do Alto Sertão, especialmente Poço Redondo e Canindé do São Francisco, possuem assentamentos e acampamentos do Movimento Sem Terra (MST);

Mineração: causa sobrecarga no ambiente e desenvolvimento de atividades agrícolas secundárias, desordenada e irracional.

É o caso de Cerâmicas nos municípios do Alto Sertão, causando desmatamento

(madeira para fornos);

Irrigação: sistemas mal administrados provocam profundas alterações no padrão

hidrológico, na quantidade e qualidade dos recursos hídricos, nas propriedades físico- químicas dos solos – alcalinização e salinização (afetam a fauna, flora e as condições

de

vida do agricultor).

O

fenômeno da salinização ocorre nos perímetros irrigados, como no Projeto Nova

Califórnia, Projeto Jacaré-Curituba;

Tempo de ocupação: indica a intensidade de uso dos recursos naturais.

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A prática durante décadas da pecuária extensiva com pastoreio excessivo, acrescidos com o crescimento da agricultura, aumento da população nos municípios do Alto Sertão sem o manejo adequado dos recursos naturais, exercem maior depleção dos mesmos;

Pecuarização: em substituição às atividades agrícolas. No Alto Sertão tem-se a criação de ovinocultura, bovinocultura, caprinocultura, apicultura, que são importantes fontes de renda para população. Em algumas áreas de alguns municípios do Alto Sertão constitui-se em alternativa econômica devido à impossibilidade de praticar a agricultura (topografia do terreno desfavorável e baixa fertilidade do solo).

Perda de fertilidade: redução na produção agrícola, desemprego e êxodo rural. No Alto Sertão ocorre devido à erosão, pastoreio excessivo, salinização, desertificação.

Expansão de áreas agrícolas: utilizando uma agricultura de larga escala comercial, mecanizada e de alta capacidade de devastação. No Alto Sertão o uso de tecnologias principalmente nos perímetros irrigados com uso de tratores e adubos, pesticidas e/ou herbicidas sem o manejo adequado, degradam o solo.

No Alto Sertão sergipano algumas atividades humanas, sem o devido cuidado no uso

e ocupação do solo, que contribuem para o surgimento do processo de desertificação podem ser destacadas, tais como:

São

compromete a qualidade solo. Os perímetros irrigados sofrem problemas de salinização.

No

município

de

Canindé

do

Francisco,

a

mecanização

da

agricultura

Na área de abrangência do Projeto Jacaré- Curituba no município de Poço Redondo,

o uso inadequado do solo e a demasiada irrigação por inundação dos solos, gera impactos

ambientais, como o aparecimento de canais de escoamento e drenagem, o surgimento de sulcos e erosões laminar no solo e o desmoronamento de taludes de córregos. O excesso de água da irrigação por inundação no solo provoca degradação, pois como predominam solos rasos e forte evaporação no perímetro do projeto Jacaré Cutituba, favorece um acúmulo de sais na camada superficial, proporcionando que estes solos se salinizem com facilidade.

A falta de eficácia da assistência técnica e da capacitação aos agricultores, ocasiona

a salinização perda de fertilidade dos solos, evidente nos perímetros irrigados no Alto Sertão.

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A salinização é um grande depredador do solo e segundo Drumond et al. (2000),Os fatores climáticos também ajudam na depredação do solo, através da concentração de precipitação de chuva em curto período o que ocasiona a erosão do solo e a lixiviação, trazendo prejuízos para as terras férteis ou através da alteração do regime de chuvas causando secas prolongadas, mortandade da fauna e flora e trazendo prejuízos a agricultura e extrativismo nos municípios do Alto Sertão.

O solo do Alto Sertão sergipano além de aptidão natural para o plantio de culturas de subsistência possui vocação natural para pastagem. Daí o Alto Sertão mantém a sua economia baseada na pecuária e no cultivo de lavouras temporárias.

De acordo com o INCRA (2006), são constatadas degradação do solo nas seguintes regiões do Alto Sertão:

Bacia do rio Curituba: (Canindé do São Francisco) que possui pastagens naturais, com presença de caatinga densa e baixa, com águas superficiais, porém apresenta solos pobres e susceptíveis a degradação com a retirada da cobertura vegetal. A pecuária de leite, associada à de corte e lavouras de subsistência são as principais atividades produtivas;

Bacia do rio Jacaré: (Poço Redondo) apresenta um avançado grau de deterioração ambiental, com alguns pontos em desertificação com total ausência vegetal e processo de arenização, com solos fortemente degradados, com afloramentos rochosos e carência de água, com fortes restrições para agricultura e carga animal (pecuária);

Na região sudeste a noroeste do município de Gararu: com solos fortemente degradados, com afloramentos rochosos, topografia fortemente ondulada, com carência de água e restrições para agricultura e pecuária;

Zona da Bacia Leiteira: está localizada na sub-bacia do rio Capivara na sub- bacia do rio campos Novos, abrangendo os municípios de Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha e Gararu. A área de Topografia Suave a Moderada, subzona que se caracteriza por solos degradados com fortes restrições a

agricultura e esgotados pelo intensivo pastoreio;

Zona do Perímetro Irrigado: atualmente, estes perímetros irrigados se encontram localizados na sub-bacia do rio da Onça. A falta de eficácia da assistência técnica e da capacitação se reflete na perda de fertilidade e na salinização dos solos, bem como nos problemas com pragas, nematóides e moscas da fruta.

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Nas regiões que possuem assentamentos rurais, localizados nas sub-bacias dos municípios do Alto Sertão, as principais características do solo bem como seu estado de degradação de acordo com Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária são (INCRA, 2006):

a) Sub-bacia: Rio das Oncas, Rio Capivara e Rio Gararu;

Municípios: de Canindé do São Francisco a Gararu (Zona Ribeirinha do São Francisco); Assentamentos: Monte Santo, Monte Santo I, Cajueiro, José Unaldo de Oliveira;

Solos rasos e propensos a erosão;

Áreas com alta pedregosidade;

Solos com consistência dura a extremamente dura quando secos;

Faixas de solos com drenagem moderada a imperfeita;

Solos com fertilidade natural, com elevadas taxas de potássio (K + );

Manejo indiscriminado dos solos e conseqüente degradação ambiental.

b) Sub-bacia: Rio Curituba, Rio Jacaré;

Municípios: Poço Redondo, Canindé do São Francisco, Gararu (Zona Sequeiro Degradado); Assentamentos: Queimada Grande, Novo Mulungu, São José de Nazaré, Cuiabá, Maria Bonita I, Caldeirão, Novo Paraíso, Boa Esperança, João Pedro Teixeira, Modelo, Florestan Fernandes, Mandacaru, Nova Vida, Santa Maria, Santa Rita, Maria Vitoria;

Solos com fertilidade natural, com elevadas taxas de potássio;

Taxa elevada de evaporação;

Solos rasos e propensos a erosão;

Faixas de solos com drenagem moderada a imperfeita;

Solos com consistência dura a extremamente dura quando secos;

Áreas com elevada pedregosidade;

Lençol freático profundo;

Manejo indiscriminado dos solos e conseqüente degradação ambiental;

Água salobra.

c) Sub-bacia: Rio Capivara, Rio Campos Novos;

Municípios: Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha, Gararu; Assentamentos: União dos Conselheiros, São Raimundo, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Boa Hora, João do Vale, Paulo Freire, Arrastador, Cachoeirinha;

Solos com fertilidade natural, com elevadas taxas de potássio;

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Solos rasos e propensos a erosão;

Alguns apresentam solos em boas condições, permitindo a mecanização;

Faixas de solos com drenagem moderada a imperfeita;

Solos com consistência dura a extremamente dura quando secos;

Áreas com elevada pedregosidade;

Lençol freático profundo.

3.3.23.3.2 GeologiaGeologia ee GeomorfologiaGeomorfologia dodo AltoAlto SertãoSertão

Os municípios do Alto Sertão sergipano em geral são formados pelos domínios neoproterozóico a mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana e Domínios metassedimentos do Grupo Macururé. De acordo com Bonfim et al. (2002), as características geológicas por município são:

Canindé do São Francisco:

Em 90% do território do município predomina o domínio neo a mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana. Neste domínio, as litologias predominantes incluem granitóides, gabros, gnaisses, migmatitos, anfibolitos, xistos, metamafitos/ultramafitos, quartzitos, filitos, mármores e metaconglomerados. Em pequenas faixas nos extremos NW, W e SW, afloram sedimentos paleozóicos da Bacia do Tucano Norte, relacionados às formações Curituba (arenitos, folhelhos, calcários e diamictitos), Santa Brígida (arenitos, folhelhos, carbonatos e silexitos) e Tacaratu (arenitos finos a conglomeráticos e conglomerados);

Gararu:

Predomina o domínio neo a mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana. Cerca de 85% do território do município é dominado por micaxistos granatíferos com lentes de quartzito milonitizado, relacionados ao Grupo Macururé. Pequenos corpos granodioríticos e quartzo-monzonitos com freqüentes autólitos máficos, do tipo Glória, ocorrem associados aos micaxistos;

Nossa Senhora da Glória:

Predominam os domínios neo e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana. Mais de 80% do território é ocupado por litótipos do Grupo Macururé, representado em sua maior parte por micaxistos granatíferos seguidos de metarritmitos, metavulcanitos, metagrauvacas, metarenitos finos e metassiltitos maciços. Associados ao

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Grupo Macururé, ocorrem por toda a região, corpos de granitos, granodioritos e monzonitos do tipo Glória;

Nossa Senhora de Lourdes:

Predominam na área metassedimentos do Grupo Macururé, representados por micaxistos granatíferos com lentes de quartzito milonitizado, metagrauvacas e metarenitos finos. A estas rochas associam-se granitóides tipo Glória (granitos e granodioritos leucocráticos) e tipo Propriá (biotita granitos porfiriticos);

Monte Alegre:

Observa-se um predomínio de rochas neo a mesoproterozóicas da Faixa de Dobramentos Sergipana, representada por litótipos do Grupo Macururé (micaxistos granatíferos, metarritmitos finos, metavulcanitos, metagrauvacas, metarenitos finos e metassiltitos maciços). Corpos esparsos de granitos, granodioritos e quartzo-monzonitos do tipo Glória, ocorrem associados ao Grupo Macururé por toda a área do município, mormente na sua parte centro-leste;

Poço Redondo:

Está representado predominantemente por litótipos dos domínios neoproterozóico e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana. No extremo norte, ao longo do Rio São Francisco, ocorrem pequenas manchas de depósitos aluvionares. Na porção norte afloram leucogranitos (Granitóides tipo Xingo), dioritos, granitos e monzonitos (Granitóides tipo Curralinho), ortognaisses graníticos (Granitóides tipo Garrote), e gabros, microgabros, diabásios, troctolitos e ultramafitos da Suíte Intrusiva Canindé;

Porto da Folha:

A área do município está quase totalmente englobada nos domínios neoproterozóico e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana. Na porção centro-sul da região, ocorrem micaxistos granatíferos com lentes de quartzito e metarritmitos finos com lentes de metavulcanitos (Grupo Macururé), granitos/granodioritos do tipo Glória e metarritmitos, metavulcanitos, metabasitos e mármores (Unidade Monte Azul/Complexo Marancó). No centro-norte da área, afloram migmatitos, anfibolitos, paragnaisses e biotita-xistos do Complexo Migmatítico de Poço Redondo; metabasaltos, metatufos, metavulcanitos, quartzitos e rochas calcossilicáticas do Complexo Canindé; dioritos, granitos, monzonitos do tipo Curralinho; sienitos e monzonitos do tipo Serra do Catu; biotita-granodioritos/

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

monzonitos do tipo Propriá e gabros, diabásios, troctolitos, leucogabros e ultramafitos da Suíte Intrusiva Canindé. No extremo norte, observam-se pequenas manchas de aluviões e coluviões relacionadas às Formações Superficiais Continentais.

A Figura ilustra a formação geológica do estado de Sergipe.

FFIGURAIGURA

Fonte: Ministério de Minas e Energia, 1997

3.2.1.1 Relevo

FFORMAÇÃOORMAÇÃO GGEOLÓGICAEOLÓGICA DEDE SSERGIPEERGIPE

No Alto Sertão predominam os relevos planos e suave ondulado, característicos da unidade morfológica Pediplano Sertanejo, ocorrendo, também, relevo ondulado e ondulado forte na zona de entalhe do rio São Francisco e nas áreas de drenagem de seus afluentes. Ocorrem de modo tópico, elevações decorrentes de áreas residuais do planalto no sudoeste da Serra Negra - ponto mais alto do estado, com 742 m de altitude, localizado no município de Poço Redondo, além da Serra da Guia, com 646 m de altitude (INCRA, 2006).

De acordo com a SEPLANTEC (1997) a Geomorfologia Alto Sertão Sergipano caracteriza-se por:

Relevo de superfície Pediplanada e Dissecada, com Colinas e aprofundamento de drenagem muito fraco;

Superfície Pediplanada e Pediplano Sertanejo, contendo relevos dissecados em colinas e cristas com interflúvios tabulares;

Formas tabular e de colina, com aprofundamento de drenagem muito fraca a

fraca;

Destacam-se algumas elevações residuais como as serras Intâs, Tabanga, Melancia e Negra a maior elevação do estado.

Abaixo segue o Quadro 3 e as Figuras 6 e 7 com a classificação geológica e geomorfológica dos municípios alta sertão sergipano.

QQUADROUADRO

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

GGEOLOGIAEOLOGIA EE GEOMORFOLOGIAGEOMORFOLOGIA DOSDOS MUNICÍPIOSMUNICÍPIOS DODO AALTOLTO SSERTÃOERTÃO

MUNICÍPIOMUNICÍPIO

GGEOLOGIAEOLOGIA

GEOMORFOLOGIAGEOMORFOLOGIA

Canindé

Domínio neo a mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana

Forma de relevo é de superfície Pediplanada e Dissecada, com Colinas e aprofundamento de drenagem muito fraco,

Gararu

Domínio Neo a Mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana

Formas tabular e de colina, com aprofundamento de drenagem de muito fraca a fraca.

Nossa Senhora da Glória

Domínio neo e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana

Pediplanada e dissecada, com formas do tipo colina e tabuleiros, e aprofundamento de drenagem muito fraco.

Nossa Senhora de Lourdes

Domínios metassedimentos do Grupo Macururé

Dissecadas dos tipos colina e tabular,

Monte Alegre

Domínio neo a mesoproterozóicas da Faixa de Dobramentos Sergipana

Pediplanada e também dissecado com formas de colina, e aprofundamento de drenagem de muito fraca a fraca

Poço Redondo

Domínio neo neoproterozóico e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana.

Colinas e tabuleiros, com aprofundamento de drenagem de muito fraca a fraca.

Porto da Folha

Domínios neoproterozóico e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana

Superfície Pediplanada e Pediplano Sertanejo, contendo relevos dissecados em colinas e cristas com interflúvios tabulares.

Fonte: SEPLANTEC, 1997

FFIGURAIGURA

Fonte: SEMARH, 2009

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

FFORMAÇÃOORMAÇÃO GGEOMORFOLÓGICAEOMORFOLÓGICA DODO EESTADOSTADO DEDE SSERGIPEERGIPE

3.3.33.3.3 RecursosRecursos HídricosHídricos SuperficiaisSuperficiais

No Estado de Sergipe existem 06 (seis) Bacias Hidrográficas, que são as do rio São Francisco, Vaza Barris, Real, Japaratuba, Sergipe e Piauí (Figura 8).

Os rios São Francisco, Vaza Barris e Real são rios federais, pois banham mais de um Estado. Já os rios Japaratuba, Sergipe e Piauí são rios estaduais, pois suas bacias hidrográficas estão dentro do Estado de Sergipe (SERGIPE, 2009).

Fonte: SEMARH/SE, 2009

FFIGURAIGURA

BBACIASACIAS HHIDROGRÁFICASIDROGRÁFICAS DEDE SSERGIPEERGIPE

Em relação a seus recursos hídricos, o semiárido sergipano possui um grande déficit hídrico. Destacam os tributários das Bacias dos Rios São Francisco, Sergipe, Vaza Barris, Piauí e Real. Sua hidrografia é formada por cursos d’água intermitentes e irregulares, de nascentes em áreas desprovidas de Cobertura Vegetal e de Precipitações Pluviométricas Anuais capazes de alimentá-los perenemente (ADEMA, 2000).

As bacias hidrográficas apresentam as seguintes características (SEPLANTEC,

2004):

1)

Bacia do Rio São Francisco:

O rio São Francisco tem 2.700 km de extensão e nasce na Serra da Canastra em Minas Gerais, escoando no sentido sul-norte pela Bahia e Pernambuco, quando altera seu curso para sudeste, chegando ao Oceano Atlântico entre Alagoas e Sergipe. Em Sergipe seu curso alcança a extensão de 236 km e serve de divisa com o estado de Alagoas.

A Bacia Hidrográfica do São Francisco tem 634.781 km 2 de área (8% do país). Em Sergipe abrange uma área de 7.289, 86 km 2 com potencialidade de água superfície de

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

40.335 (hm 3 /ano) com vazão média de 1.780 m 3 /s 1 (SEMARH, 2010). A bacia hidrográfica abrange sete unidades da federação: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal e Goiás. É a maior bacia hidrográfica de Sergipe, sendo responsável pelo fornecimento de água para grande parte do estado. Em Aracaju é responsável pelo abastecimento de 70% da cidade.

2)

Bacia do Vaza-Barris:

A bacia hidrográfica do rio Vaza-Barris apresenta uma área de 16.229 km², dos quais cerca de 85% se encontra em solo baiano. No Estado de Sergipe a bacia do Vaza-Barris é de 2.559 km², que corresponde a 11, 6% do território estadual. A área da bacia encontra-se bastante impactada, por efeito das secas prolongadas e da redução significativa da cobertura vegetal. A despeito de expressiva bacia hidrográfica do rio Vaza Barris é um rio de regime intermitente, tornando-se perene apenas em parte do território sergipano. Seus principais afluentes são os rios: Salgado e Traíras, ambos tributários da margem esquerda.

3)

Bacia do Japaratuba:

Esta bacia possui uma área de 1700 km² e o rio principal tem uma extensão de aproximadamente 135 km. A bacia é composta das sub-bacias dos rios Japaratuba, Siriri e Japaratuba-Mirim. Da área total da bacia o 63% pertencem à região semiárida. De acordo com SEPLANTEC (2004), do volume total consumido na área da bacia do rio Japaratuba 32% (68.800 m³/mês) são oriundos de águas superficiais 67% (110.704 m³/mês) são provenientes de água subterrânea. O potencial hídrico da bacia é baixo se comparado com o de outras bacias e tem sido bastante afetado pelos vários usos da terra.

4)

Bacia do Rio Sergipe:

A Bacia do rio Sergipe possui aproximadamente 210 km desde sua nascente até o mar, drena o 7% do Estado, o que representa 3.673 km², abrangendo vinte e seis municípios sergipanos. É a maior, mais importante e mais povoada bacia de domínio estadual, onde se encontra a maior concentração industrial, e também o maior índice degradação e de problemas ambientais. Seus principais afluentes pela margem esquerda são os rios Pomonga, Parnamirim, Ganhamoroba e Cagado, e pela margem direita os rios Poxim, Sal, Contiguiba, Jacarecica, Morcego, Jacoca, Campanha, Laje e Melancia. Em relação ao uso do solo há predomínio de pastagens evidenciando a pecuária como responsável pelo desmatamento indiscriminado na região.

5)

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Bacia do Rio Piauí

A Bacia do rio Piauí apresenta três climas predominantes: Litoral Úmido, Agreste e Semiárido, este último apenas em sua porção noroeste, a qual se insere no Polígono das Secas. Existe grande variabilidade de cobertura vegetal na bacia, com campos limpos e sujos, capoeira, caatinga, cerrado, higrófilas, vestígios de mata e mata.

Esta bacia abrange terras dos municípios de Lagarto, Estância, Riachão do Dantas, Salgado, Boquim, Aruá, Itabaianinha, Simão Dias, Santa Luzia do Itanhy, Pedrinhas, Indiaroba, Umbaúba, Itaporanga d'Ajuda, Tobias Barreto e Poço Verde. As atividades de maior importância socioeconômica na bacia são: agricultura, com a produção de laranja, limão, maracujá, mandioca, mamão, tangerina, milho, feijão e coco; pecuária, destacando-se as criações de bovinos, ovinos, suínos, equinos e galináceos; e mineração, com a exploração de argilas, areia, brita, cal, granito e águas minerais (SERGIPE, 2004).

6)

Bacia do Rio Real

O rio Real nasce na Serra do Tubarão na Bahia e serve de limite entre Sergipe e Bahia. Esse rio tem sua foz junto com o Rio Piauí no Estuário do Mangue Seco. No estado possui uma área de 2.558 km² e vazão média de 20, 46 m³.s - 1, abrangendo os municípios da região sul de Sergipe.

Os Quadros 6 e 7 demonstram a área, vazão média e a demanda hídrica do estado de Sergipe.

QQUADROUADRO

ÁÁREAREA EE VAZÃOVAZÃO MÉDIAMÉDIA DASDAS BACIASBACIAS HIDROGRÁFICASHIDROGRÁFICAS DEDE SSERGIPEERGIPE

BBACIAACIA HHIDROGRÁFICAIDROGRÁFICA

ÁÁREAREA ((KMKM²)²)

VVAZÃOAZÃO MÉDIAMÉDIA ((MM 33

SS

-1-1 ))

São Francisco

7.276

1.780

Japaratuba

1.722

10, 60

Sergipe

3.673

13, 84

Vaza Barris

2.559

15, 64

Piauí

4, 262

22, 92

Real

2.558

20, 46

FONTE: SEMARH, 2009

QQUADROUADRO

DDEMANDAEMANDA HÍDRICAHÍDRICA EMEM SSERGIPEERGIPE

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

BBACIAACIA

AABASTECIMENTOBASTECIMENTO

AAGRICULTURAGRICULTURA

IINDUSTRIALNDUSTRIAL

São Francisco

31, 19

5324, 70

8, 22

Japaratuba

13, 50

151, 28

18, 57

Sergipe

144, 30

-

164, 55

Vaza Barris

23, 44

402, 97

20, 70

Piauí

39, 54

260, 11

24, 52

Real

15, 72

228, 38

0, 82

TOTAL

267, 69

6.367, 44

237, 38

Fonte: SEMARH, 2009

Os municípios do Alto Sertão estão inseridos na bacia hidrográfica do São Francisco (Canindé do São Francisco, Porto da Folha, Poço Redondo, Monte Alegre, Gararu, Nossa Senhora de Lourdes e Nossa Senhora de Glória) e na bacia hidrográfica do Rio Sergipe (Nossa Senhora de Glória).

Segundo o INCRA (2006) dentre as sub bacias do Rio São Francisco dos municípios do Alto Sertão destaca-se o rio Capivara, Gararu, Cachorros, Jacaré, Marraquinho, Curituba, Canhoba, Campos Novos, Mocambo e riacho Lajedinho.

A região do Sertão do Baixo São Francisco Sergipano tem 4.952, 9 km², representa 20, 3% do território sergipano e formado por cinco sub bacias do rio São Francisco que abrange seis municípios sergipanos, - Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha e Monte Alegre de Sergipe - e, parcialmente, Nossa Senhora da Glória e Gararu (INCRA, 2006).

QQUADROUADRO :: ÁÁREAREA DASDAS SSUBUB--BACIASBACIAS DODO RRIOIO SSÃOÃO FFRANCISCORANCISCO EE MUNICÍPIOSMUNICÍPIOS QUEQUE ABRANGEMABRANGEM

SSUBUB BBACIAACIA

MMUNICÍPIOSUNICÍPIOS

ÁÁREAREA

Curituba

Canindé do São Francisco

679, 9 km 2

Sub bacia das Onças

Canindé do São Francisco Poço Redondo

403, 2 km²,

Rio Jacaré

Canindé do São Francisco Poço Redondo.

879, 4 km²,

Campos Novos

Poço Redondo Porto da Folha

1.092, 7 km²

Capivara

Porto da Folha, Monte Alegre de Sergipe, Gararu Nossa Senhora da Glória

1.897, 7 km²,

Fonte: (INCRA, 2006).

Bonfim et al. (2002), destaca as características principais das águas superficiais dos município do Alto Sertão da seguinte forma:

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Canindé do São Francisco: o município está inserido na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Nele encontra-se, instalada a Usina Hidroelétrica de Xingó. Constituem a drenagem principal além do rio São Francisco, os rios Curituba e o riacho Lajedinho;

Gararu: o município está inserido na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Constituem a drenagem principal, além do rio São Francisco, o rio Capivara e o rio

Gararu;

Monte Alegre: o município está inserido na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Constituem a drenagem principal, além do rio São Francisco, o rio Capivara

e o rio dos Cachorros;

Nossa Senhora da Glória: o município está inserido em duas bacias hidrográficas, a do rio São Francisco e a do rio Sergipe. Constituem a drenagem principal, o rio Sergipe, o rio Capivara e o rio São Domingos;

Poço Redondo: o município está inserido na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Constituem a drenagem principal, além do rio São Francisco, o rio Jacaré e

o rio Marraquinho;

Porto da Folha: o município está inserido na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Constituem a drenagem principal, além do rio São Francisco, os rio Capivara, Campos Novos, dos Cachorro e Mocambo.

A salinidade e o regime dos rios da região estão descritos abaixo no Quadro .

QQUADROUADRO

SSALINIDADEALINIDADE EE REGIMEREGIME DDÁGUAÁGUA DOSDOS RIOSRIOS DODO AALTOLTO SSERTÃOERTÃO

NNOMEOME

CCATEGORIAATEGORIA DEDE SSALINIDADEALINIDADE

RREGIMEEGIME

Represa Xingó

Doce

Conexão de drenagem

Rio São Francisco

Doce

Conexão de drenagem

Rio Curituba

Salobra

Perene

Rio Jacaré

Salobra

Intermitente

Riacho do Mocambo

Salobra

Perene

Rio Campos Novos

Salobra

Perene

Rio Capivara

Salobra

Perene

Rio Gararu

Salobra

Perene

Fonte: SEPLANTEC, 2004.

Na bacia hidrográfica do Rio Sergipe, em relação ao Alto Sertão, constitui a drenagem principal o rio Capivara e o rio São Domingos (SERGIPE. SEPLANTEC/SUPES, 1997/2000). Grande parte dos rios do Alto Sertão é intermitente, entretanto contribuem para

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

diversos usos dos rios São Francisco, como na captação de água para abastecimento público, irrigação e geração de energia elétrica como a Companhia Hidrelétrica do São Francisco a CHESF (BONFIM et al. 2002).

3.3.3.1 Recursos Hídricos Subterrâneos

A caracterização hidrogeológica no Estado de Sergipe está relacionada diretamente com os domínios geológicos.

Na Bacia Hidrográfica do São Francisco que banha boa parte dos municípios do Alto Sertão, apenas na porção inferior pode-se encontrar a Formação Barreiras e o sistema Quartenário, constituindo 16% da área total desta bacia. Os aluviões do sistema Quartenário são formados de pedregulhos, areias, siltes e argilas, caracterizando aqüíferos livres. A Formação Barreiras, do sistema Terciário, pode ser caracterizada por aqüíferos tanto não confinados como semiconfinados, dependendo da região e do sistema geológico que o recobre (SERGIPE, 2009).

Os aquíferos da região do semiárido sergipanos podem ser classificados como Aquífero Fissural, Cárstico Fissural e Granular. Os municípios inseridos no Alto Sertão sergipano possuem aquíferos do tipo Granular e Fissural (Figura ).

Os municípios do Alto Sertão sergipano (Canindé do São Francisco, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Monte Alegre, Gararu e Porto da Folha, em geral, são formados pelos domínios hidrogeológicos denominado Metasedimentos/Metavulcanitos e Cristalino.

Canindé do São Francisco e Porto da Folha além de estarem inseridos nos domínios Metasedimentos/Metavulcanitos e Cristalino, inserem-se também nos domínios hidrogeológicos denominado Bacias Sedimentares e formações Superficiais Cenozóicas, respectivamente.

Os domínios hidrogeológicos Metasedimentos/Metavulcanitos e Cristalino têm comportamento de um aqüífero Fissural, ou seja, não existindo uma porosidade primária nesse tipo de rocha, a qual a ocorrência da água subterrânea é condicionada por uma porosidade secundária, representada por fraturas e fendas, o que se traduz por reservatórios aleatórios, descontínuos e de pequena extensão. As vazões produzidas por poços são pequenas e a água, em função da falta de circulação, dos efeitos do clima semiárido e do tipo de rocha, é, na maior parte das vezes, salinizada, definindo potencial hidrogeológico baixo para as rochas cristalinas sem, no entanto, diminuir sua importância

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

como alternativa de abastecimento nos casos de pequenas comunidades ou como reserva estratégica, em períodos prolongados de estiagem (BONFIM et al., 2002).

Fonte: SEMARH/SE, 2009.

FFIGURAIGURA

AAQUÍFEROSQUÍFEROS DEDE SSERGIPEERGIPE

Em Canindé do São Francisco as Bacias Sedimentares são constituídas por rochas sedimentares bastante diversificadas, e representam os mais importantes reservatórios de água subterrânea, formando o denominado aqüífero do tipo granular. Em termos hidrogeológicos, estas bacias têm alto potencial, em decorrência da grande espessura de sedimentos e da alta permeabilidade de suas litologias, que permite a explotação de vazões significativas (BONFIM et al., 2002).

Na região do sertão sergipano, o fornecimento de água se dá, conforme pode ser observado no Quadro .

QQUADROUADRO

FFORNECIMENTOORNECIMENTO DEDE ÁGUAÁGUA NANA REGIÃOREGIÃO DODO SERTÃOSERTÃO SERGIPANOSERGIPANO

DDESCRIÇÃOESCRIÇÃO

UUNIDADESNIDADES

%% DODO TOTALTOTAL

Poço tubular paralisado

22

14, 4

Poço tubular em operação

17

11, 1

Poço tubular abandonado

100

65, 4

Poço tubular dessalinizador

14

9, 1

Total

153

100

Fonte: SEPLANTEC, 2004

A classificação hidrogeológica do estado de Sergipe pode ser observada na Figura

10.

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

FFIGURAIGURA

DDOMÍNIOSOMÍNIOS HIDROGEOLÓGICOSHIDROGEOLÓGICOS DODO EESTADOSTADO DEDE SSERGIPEERGIPE EE LOCALIZAÇÃOLOCALIZAÇÃO DODO MUNICÍPIOMUNICÍPIO

Fonte: BONFIM et al, 2002.

Abaixo segue a caracterização geológica e hidrogeológica dos municípios do alto sertão sergipano e sua respectiva bacia hidrográfica (Quadro )

QQUADROUADRO

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

CCARACTERIZAÇÃOARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICAGEOLÓGICA EE HÍDRICAHÍDRICA DOSDOS MUNICÍPIOSMUNICÍPIOS DODO AALTOLTO SSERTÃOERTÃO SERGIPANOSERGIPANO

   

DDOMÍNIOSOMÍNIOS

   

MUNICÍPIOSMUNICÍPIOS

GGEOLOGIAEOLOGIA

HHIDROGEOLÓGICOSIDROGEOLÓGICOS

BBACIAACIA HHIDROGRÁFICAIDROGRÁFICA

RRIOSIOS

Canindé do São Francisco

Domínio neo a mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana

Cristalino, Metasedimentos/Metavul canitos e Bacias Sedimentares

Bacia hidrográfica do rio São Francisco

Rio São Francisco, os rios Curituba e o riacho Lajedinho

Gararu

Domínio Neo a Mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana.

Metasedimentos/Metavul canitos e Cristalino

Bacia hidrográfica do rio São Francisco

São Francisco, o rio Capivara e o rio Gararu

Monte Alegre

Domínio neo a mesoproterozóicas da Faixa de Dobramentos Sergipana

Metasedimentos/Metavul canitos e Cristalino

Bacia hidrográfica do rio São Francisco

Rio São Francisco, o rio Capivara e o rio dos Cachorros

Nossa Senhora da Glória

Domínio neo e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana

Metasedimentos/Metavul canitos e Cristalino

Bacia hidrográficas do rio São Francisco e a do rio Sergipe.

Rio Sergipe, o rio Capivara e o rio São Domingos

 

Domínio neo neoproterozóico e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana.

Cristalino/Metasedimento

Bacia hidrográfica do rio São Francisco

Rio São Francisco, Jacaré e o rio Marraquinho.

Poço Redondo

s/Metavulcanitos

Porto da Folha

Domínios neoproterozóico e mesoproterozóico da Faixa de Dobramentos Sergipana

Metasedimentos/Metavul canitos, Cristalino e Formações Superficiais Cenozóicas

Bacia hidrográfica do rio São Francisco

São Francisco, os rio Capivara, Campos Novos, dos Cachorros e Mocambo

Nossa Senhora de Lourdes

Domínios metassedimentos do Grupo Macururé

Metasedimentos/Metavu canitos e Cristalino

Bacia hidrográfica do rio São Francisco,

Rio São Francisco

Fonte: Adaptado de Bonfim et al., 2002

45

3.3.43.3.4 ClimaClima

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

O estado de Sergipe está afeito à mesma circulação atmosférica regional que gira

em torno de quatro sistemas meteorológicos:

CTI – Convergência Intertropical;

EC – Sistema Equatorial Amazônico;

FPA – Frente Polar Atlântico e

Ventos Alísios de SE.

O

clima de Sergipe apresenta a seguinte divisão climática: Agreste, litoral úmido e

semiárido (SEMARH, 2009) (Figura ).

Fonte: SEMARH, 2009

FFIGURAIGURA

DDIVISÃOIVISÃO CCLIMÁTICALIMÁTICA DEDE SSERGIPEERGIPE

Segundo a Secretaria do Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos – SEMARH, a região de semiárido do Estado de Sergipe é bem mais seca que a região do litoral. A precipitação média é de menos de 700 mm/ano, com valores inferiores a 30 mm nos meses de verão. As temperaturas também são mais altas com uma média anual de 26ºC, sendo a temperatura mínima média em torno de 20ºC e a máxima média de 32ºC. Evaporação é também alta, acima de 2.100 mm/ano e umidade relativa sendo mais baixa que nas outras regiões com uma média de 65% (SERGIPE, 2009).

A seguir, a Figura apresenta o mapa de precipitação do estado de Sergipe.

Fonte: SEMARH, 2009

FFIGURAIGURA

MMAPAAPA DEDE PPRECIPITAÇÃORECIPITAÇÃO

No Alto Sertão o regime pluviométrico dessa região e do tipo “mediterrâneo”, tendo um período seco de primavera-verão e um período chuvoso de outono-inverno. A estação seca e de sete a oito meses e a chuvosa de cerca de quatro meses. O período chuvoso normalmente e entre abril e agosto. As precipitações pluviométricas médias anuais variam entre 368 mm e 630 mm. A irregularidade de pluviosidade de um ano para o outro, o baixo índice de precipitação e a ma distribuição durante o ano e características comum da região. A temperatura apresenta-se regular durante todo o ano, com medias térmicas anuais

46

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

variando entre 24ºC e 26ºC, com médias mínimas entre19ºC e 21ºC. A aridez acentua-se cada vez mais em direção a parte oeste da área (INCRA, 2006).

3.3.53.3.5 CaracterísticasCaracterísticas dada FloraFlora

O estado de Sergipe possui como vegetação: caatinga, cultivos e pastagens, mata

de agreste, cerrado, vegetação litorânea e Mata Atlântica (SANTOS e ANDRADE, 1998

apud SANTANA, 2003).

A situação florestal do estado pode ser estimada em apenas 5% de remanescente de vegetação genérica de mata atlântica, em sentido amplo, e não mais que 17% de caatinga (SANTANA, 2003).

No estado de Sergipe a área de abrangência do bioma caatinga ocupa a parte oeste do estado (semiárido) e atinge os municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre, Porto da Folha, Graccho Cardoso, Itabi, Gararu, Simão Dias, Carira, Pinhão, Poço Verde e Tobias Barreto.

As caatingas apresentam inúmeras tipologias, que se manifestam como produtos da evolução, traduzidas em adaptações e mecanismos de resistência ou tolerância as adversidades climáticas. São caracterizadas como formações xerófilas, lenhosas, decíduas, em geral espinhosas, com presença de plantas suculentas e estrato herbáceo estacional, alem de uma ampla variação florística.

A Caatinga apresenta três estratos: arbóreo (8 a 12 m), arbustivo (2 a 5 m) e o

herbáceo (abaixo de 2 m). A vegetação adaptou-se ao clima seco para se proteger. As folhas, por exemplo, são finas ou inexistentes. Algumas plantas armazenam água, como os cactos, outras se caracterizam por terem raízes praticamente na superfície do solo para absorver o máximo da chuva. No semiárido Sergipano a caatinga está dividida em caatinga hipoxerófila (sete meses secos) a e hiperxerófila (oito ou mais meses secos)(FRANCO,

1983).

A partir da análise de dados secundários existentes, sobre a flora do sertão

sergipano (o que nesse caso inclui o Alto Sertão) é possível constar que são encontradas

uma grande variedade de espécies, tanto na região da área de abrangência da caatinga hipoxerófila como da hiperxerófila.

Segundo Franco (1983) em levantamento de espécies encontradas no semiárido a caatinga hipoxerófila se dá nos município de Nossa Senhora da Glória e Porto da Folha. Nestas áreas podemos destacar algumas espécies nativas como a macambira (Bromelia

47

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

laciniosa), gravatá (Aechmea lingulata) que cobre manchas de solo e Caroá (Neoglaziowia variegata). Registra-se a ocorrência na clareira (sertão) de espécies de gramíneas e ervas, tais como: capim pé-de-periquito; capim-pé-de-galinha (Dactyloctenium_aegyptium), capim- azedém (Aristida sp.), capim-mimoso (Anthephora hermaphorodita), ervanço (Gomphrena demissa), caramatuba (Cratylia mollis), o matapasto (Cassia uniflora) e coroa de frade (Melocactus bahiensis).

Outras espécies encontrada nestes municípios são o Croton sp., espécie que domina o solo após a derrubada da caatinga, pinhão bravo (Jatropha ribidiflora), arranheneto (Mimosa Hostilis), escova-de–macaco (Combretum Fruticosum), jurema (Mimosa nigra), caatinga-de-porco (Caesalpinia pyramidalis), mimoró (Bauhinia heterandera), quinaquina, (Coutarea hexandra), mucunã (Dioclea sp.), jurubeba (Solanum auriculatum), maniçoba (Manihot glaziowii) e aroreira (Astronium faxinifolium). São encontradas também as espécies como umburana-de-canhão (Bursera leptophloeos), umbura-de-cheiro (Amburana cearensis), carcazeiro (Pithecolobium densiflorum) a barriguda (Chorisia ventricosa), pau- ferro (Diallum guianense).

Em Poço Redondo na área de abrangência do projeto Jacaré-Curituba encontra-se as espécies florísticas de escova-de-macaco (Combretum sp.), marizeiro (Geeffroea superba) e Tabebuia caraipa.

Segundo Franco (1983), a caatinga Hiperxerófila abrange os Municípios de Canindé

e Porto da folha e o povoado Ilha do Ouro em Porto da Folha.

Entre algumas espécies identificadas in locu pelo referido autor são: Rhabdia Licioides, escova-de-macaco (Combretum sp.), Gnosphaluim sp., Argemone mexicana; umbura-de-cheiro (Amburana cearensis), arranheneto (Mimosa Hostilis), caatinga-de-porco (Caesalpinia pyramidalis), coroa-de-frade (Melocactus sp.), xique-xique (Pilocereus piauiensis, Tabebuia caraipa, dentre outras.

Em termos forrageiros, a caatinga mostra-se bastante rica e diversificada. Entre as diversas espécies, merecem ser destacadas: o angico (Anadenanthera macrocarpa Benth),

o pau-ferro (Caesalpinia ferrea Mart. ex. Tul.), a catingueira (Caesalpinia pyramidalis Tul.), a catingueira rasteira (Caesalpinia microphylla Mart.) entre outras.

O angico por sua vez é dividido em três espécies: Anadenanthera macrocarpa, angico monjolo (Piptadenia zehntnerii e Piptadenia viridiflora) e o Anadenanthera macrocarpa.

48

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

Além da caatinga encontram-se também no Alto Sertão sergipano vegetação típica do bioma cerrado como campos limpos e sujos (tipos de cerrado), e vestígios de mata nativa (SERGIPE.SEPLANTEC/SUPES, 1997/2000).

Os campos limpos são um tipo de cerrado de fitofisionomia herbácea que apresenta arbustos esparsos e ausência de árvores. Pode ocorrer em diferentes tipos de solo e condições de topografia. No entanto, é mais comum nas encostas, nas chapadas, nos olhos d’água ou nascentes, circundando veredas ou nas bordas de matas galeria. Os campos limpos ocorrem nos municípios de Monte Alegre, Gararu, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora de Lourdes, Poço Redondo, Porto da Folha (SERGIPE.SEPLANTEC/SUPES,

1997/2000).

Os campos sujos fitofisionomia exclusivamente herbáceo-arbustiva, com arbustos e sub-arbustos esparsos. Os solos onde ocorrem são rasos ou profundos, porém com baixa fertilidade. As plantas que ocorrem no campo sujo podem ser as mesmas que as de cerrado típico, no entanto, aqui se apresentam menos desenvolvidas. Há três subtipos de campo sujo: úmido, quando o lençol freático é superficial; seco, quando o lençol é profundo e com murundus, quando há pequenas elevações de relevo. Os campos sujos ocorrem nos municípios de Monte Alegre, Gararu, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora de Lourdes, Poço Redondo, Porto da Folha (SERGIPE. SEPLANTEC/SUPES, 1997/2000).

Capoeira é uma vegetação secundária composta por gramíneas e arbustos esparsos. são encontrados nos municípios de Canindé do São Francisco, Monte Alegre, Gararu, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora de Lourdes, Poço Redondo e Porto da Folha.

No Alto Sertão sergipano a agricultura migratória ou itinerante, com o uso de agrotóxicos, queimadas com a finalidade de “limpar o terreno” para produção de culturas de subsistência e atividades agropastoris insustentáveis produz impactos ambientais negativos, entre eles a perda da fauna e flora nativa, diminuição da infiltração de água do solo e consequentemente afetando a recarga de lençóis-freáticos e aquíferos dentre outros impactos (ADEMA, 2000).

No Alto Sertão devido à pressão demográfica (aumento do número de pequenos agricultores, assentamentos rurais, etc.), as caatingas foram em muitas localidades substituídas por pastos. Os recursos florestais são, geralmente, os primeiros a serem explorados pelos assentados, assumindo importante papel no contexto econômico e social desses projetos. Seus produtos constituem, além de fonte de energia primária, um importante complemento de renda.

49

PAE-SERGIPEPAE-SERGIPE

De acordo com a ADEMA (2000), a utilização da lenha como fonte de energia é considerada uma das atividades impactantes na região, pois esta prática se dá de maneira descontrolada, com o corte raso da vegetação nativa, que em algumas localidades chega a avançar sobre as margens de rios e de riachos, ocasionando processos erosivos em suas faixas marginais, e o consequentemente assoreamento de rios, lagoas e açudes.

FFIGURAIGURA :: VVEGETAÇÃOEGETAÇÃO EMEM PPOÇOOÇO RREDONDOEDONDO

F F IGURA IGURA : : V V EGETAÇÃO EGETAÇÃO EM EM P P OÇO OÇO

Fonte: PAE-SE, 2010

A perda a cobertura vegetal natural ocasiona a exposição do solo a fatores erosivos. O solo desprotegido ou desnudo promove a formação de uma crosta superficial decorrente do impacto direto das gotas de chuva (efeito splash), o que reduz a infiltração da água e aumenta o escoamento superficial (Runoff), diminuindo as possibilidades de estabelecimento da cobertura vegetal. Os solos descobertos são muito susceptíveis à erosão hídrica e eólica, causando uma remoção líquida de nutrientes das áreas degradadas levando ao seu empobrecimento (GUTIÉRREZ & SQUEO, 2004).

Em suma no Alto Sertão a vegetação, é bastante diversificada, possibilitando a existência de espécies medicinais, favorecendo a geração de renda, bem como, presença de plantas nativas com frutas exóticas e o aproveitamento de algumas espécies para a alimentação animal. Porém, a vegetação nativa sofre exploração indiscriminada.

3.3.63.3.6 CaracterísticasCaracterísticas dada FaunaFauna

A biodiversidade é constituída por sistemas complexos que interagem e interdependem, situação que garante estabilidade ao sistema. É constituído por substâncias inorgânicas, compostos orgânicos, fatores físicos, produtores, macro consumidores, micro consumidores e decompositores, onde o ambiente físico influenciam os organismos vivos (ODUM, 1988).

Devido às condições tão extremas do semiárido a espécies da fauna foram sujeitas a uma rigorosa seleção natural, resultando no baixo povoamento em espécies e indivíduos.

A ocupação agrícola, urbana e, sobretudo pela pobreza acentuada de boa parte da população, que busca sua fonte de alimentação e de renda nos recursos naturais existentes entre eles a caça de subsistência, aliadas a destruição de habitats pelo avanço da

50

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desertificação são os principais responsáveis pela extinção da maioria dos animais nativos do Alto Sertão (INCRA, 2006).

As secas e a intensificação do processo de desertificação diminui a concentração fauna nativa. Segundo Franco (1983) em levantamento de fauna do semiárido sergipano (inclui-se o Alto Sertão) podemos destacar algumas espécies de fauna da caatinga sergipana: Caititu (Tayassu pecari), Cágado (Testudo tabulata), Mocó (Kerodon rupestris), Preá (Cavia aperea), Onça-de-bode (Felix concolor), Bugiu (Allouta seniculus), Cascavel (Crotalus terrificus), Salamanta (Epicrates cenchris), sapo-ferreiro (Hyla fabea), Gavião Carcará (Polyborus Tharus), Papagaio (Amazona aestiva aestiva), Asa Branca (Columba picazuro marginalis), Urubu-de-cabeça-preta (Catharista Vulnus atratus brasiliensis), Abelha Mandaçaia (Melipona Anthidioides), Canindé (Ara araraúna), veado catingueiro (Mazama simplicicornis), juriti (Leptotila rufaxella), Gavião-carijó (Rupornis magnirostris), dentre outras.

A perda de fauna nativa gera a diminuição do patrimônio genético gerando desequilíbrio das cadeias produtivas e consequentemente a quebra do ecossistema como um todo (ODUM, 1998).

Além da fauna nativa, o Alto Sertão destaca-se pela pecuária com criação de caprinos, ovinos, bovinos, apicultura (despontando enquanto uma alternativa efetiva) destacando a produção de leite, a pecuária de corte a pecuária extensiva, semi-intensiva sendo uma importante fonte de renda para os agricultores e assentados da região.

O Quadro 10 traz um resumo geral sobre o diagnóstico ambiental por município da região do Alto Sertão sergipano.

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QQUADROUADRO

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DDIAGNÓSTICOIAGNÓSTICO AMBIENTALAMBIENTAL DOSDOS MUNICÍPIOSMUNICÍPIOS DODO AALTOLTO SSERTÃOERTÃO SERGIPANOSERGIPANO

         

ÍÍNDICENDICE DEDE

UUSOSO EE OOCUPAÇÃOCUPAÇÃO DODO SSOLOOLO

 

AAPTIDÃOPTIDÃO DODO

MMUNICÍPIOSUNICÍPIOS

SSOLOOLO

RRELEVOELEVO

VVEGETAÇÃOEGETAÇÃO

CCLIMALIMA

AARIDEZRIDEZ

SSOLOOLO

   

Suave

 

Semiárido mediano com 7 a 8 meses seco

 

Pecuária extensiva, agricultura de subsistência e agricultura irrigada com problemas de salinização.

Pastagem natural e aptidão regular para lavoura irrigada com manejo adequado.

Canindé do São Francisco

Livissolo, Neossolo Litólico Solo árido e raso

ondulado

Caatinga Hiperxerófita

0, 30

a

muito

 

ondulado

   

Gararu

Neossolo Litólico

Solo raso

Ondulado

a

muito

Predomina a Caatinga

Hiperxerófita

Semiárido mediano com 7 a 8 meses seco

0, 65

Pecuária extensiva

e

agricultura de

Pastagem nativa

e

lavoura com

ondulado

 

subsistência

 

irrigação

 

Neossolo Litólico e Planossolo argissolo Predomínio solo raso

   

Semiárido mediano com 7 a 8 meses seco

     

Pastagem

Monte Alegre

Suave

ondulado

Predomina Caatinga Hiperxerófita

0, 42

Agricultura de

subsistência e

pastagem

extensiva

natural e

plantada, e

regular para

lavoura

 

Ass. Argissolo com Planossolo Solo raso e areno- argiloso

   

Semiárido mediano com 7 a 8 meses seco

 

Pastagem plantada

 

Nossa Senhora

da Glória

Predomíni

o

suave

ondulado

Transição entre

Caatinga Hiperxerófita/ Hipoxerófita

0, 54

e

agricultura de

subsistência com produção de grãos

Regular para

lavoura

Poço Redondo

Bruno não cálcico Regossol eutrófico e distróficos distrófico

Ondulado

Caatinga Hiperxerófita

Semiárido mediano com 7 a 8 meses seco

0, 38

   

Porto da Folha

Neossolo Litólico

Solo raso

Ondulado

a

muito

Predomina a Caatinga

Hiperxerófila

Semiárido mediano com 7 a 8 meses seco

0, 35

Pecuária extensiva

e

agricultura de

Pastagem nativa

e

lavoura com

ondulado

 

subsistência

 

irrigação

Fonte: Adaptado Bonfim et al., 2002 & MMA, 2004

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3.3.73.3.7 UnidadesUnidades dede ConservaçãoConservação ExistentesExistentes nasnas ASDASD dede SergipeSergipe

Dentre as unidades de conservação existentes na área de abrangência do PAE – SE, podemos citar:

3.3.7.1 Estadual:

Decreto Nº 24.929 de 21 de dezembro de 2007: cria o Monumento Natural da Grota do Angico, nos Municípios de Poço Redondo e Canindé do São Francisco, no estado de Sergipe.

O Monumento Natural Grota do Angico, unidade de conservação estadual criada através do Decreto Nº 24.922, de 21 de dezembro de 2007, está situada no Alto Sertão Sergipano, a cerca de 200 km de Aracaju, entre os municípios de Poço Redondo e Canindé de São Francisco, às margens do Rio São Francisco com uma área total de aproximadamente 2.183 hectares. O bioma da região é caracterizado por remanescentes de Caatinga

Além disso, a Grota do Angico possui valor histórico e cultural para o sertão sergipano e nordestino, pois foi alvo da rota do Cangaço e em 28 de junho de 1938 foi palco da morte de Virgolino Ferreira, vulgo Lampião, pela polícia volante de Alagoas. Além da sua companheira de cangaço Maria Bonita e de mais nove cangaceiros (SEMARH/SE, 2010).

3.3.7.2 Municipal

Decreto Nº 041 de 23 de outubro de 2001: cria o Parque Natural Municipal de Lagoa do Frio, no município de Canindé de São Francisco, no estado de Sergipe

3.3.7.3 Federal

Decreto não numerado de 05 de junho de 2009, publicado no DOU, no dia 08 de junho de 2009: cria o Monumento do Rio São Francisco localizado nos Municípios de Piranhas, Olho D’água do Casado e Delmiro Gouveia, no Estado de Alagoas, Paulo Afonso, no Estado da Bahia, e Canindé de São Francisco, no Estado de Sergipe.

3.3.83.3.8 SituaçãoSituação AmbientalAmbiental nasnas ASDASD

Em relação ao quadro natural, devem ser ressaltados os impactos, as ocupações humanas e suas práticas produtivas deixaram marcas de degradação no meio ambiente.

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A análise comparativa dos níveis de degradação atual e potencial revela que o recurso solo, hoje predominantemente em grau de acentuada degradação, pode migrar no futuro para níveis indesejáveis de severidade, sobretudo no município de Canindé de São Francisco, onde práticas de produção baseadas no uso de modernas tecnologias podem comprometer definitivamente o solo com o surgimento da salinização.

Quadro semelhantemente grave é o apresentado pela cobertura vegetal da região do semi-árido sergipano, considerado como susceptível a processos de desertificação. Na quase totalidade dos municípios a situação atual já atinge níveis severos com exceção apenas do município de Nossa Senhora da Glória que apresenta nível acentuado de degradação. O potencial de agravamento desse quadro já está revelado pelo nível que deverão atingir todos os municípios. O reflexo disso deverá ser o agravamento do processo erosivo no futuro, como revelado no Quadro .

Espelho do que vem ocorrendo com a ocupação desordenada das áreas de assentamento, mesmo quando superadas algumas dificuldades como a escassez hídrica, é o que se observa no projeto de assentamento Jacaré Curituba, em Poço Redondo. O Plano de Consolidação do Assentamento, revisado em 2010, revela uma situação atual preocupante. Nas áreas do assentamento destinadas a reserva legal pode-se observar vegetação com fortes características de antropização, em detrimento à retirada indiscriminada de madeira e a utilização irregular da área, parte favorecida pela precariedade e/ou inexistência de cercas para o seu isolamento. Quanto aos solos, já se constata os impactos potencializados com o uso inadequado do solo e a demasiada irrigação por inundação, ocasionando o aparecimento de canais de escoamento e drenagem, o surgimento de sulcos e erosões laminar no solo e o desmoronamento de taludes de córregos, proporcionada pela exposição do solo, cultivo sem utilização de práticas conservacionistas e a escassez de vegetações protetoras e fixadoras do solo. Alguns problemas que ocorrem devido ao excesso de água da irrigação por inundação no solo, estão relacionados com a infiltração e a evaporação. Como predominam solos rasos e forte evaporação no perímetro do projeto Jacaré Cutituba, favorece um acúmulo de sais na camada superficial, proporcionando que estes solos se salinizem com facilidade. Com base em visitas realizadas no projeto, já se observa áreas em avançado estado de salinização, não permitindo o seu aproveitamento econômico. Esses problemas também já são observados no perímetro irrigado Califórnia, em Canindé do São Francisco. Neste perímetro, tem-se procurado substituir, sempre que possível, a irrigação por aspersão por irrigações localizadas (gotejamento e microaspersão), a fim de reduzir os riscos de salinização e a otimização do uso da água.

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A exploração inadequada da capacidade produtiva das ASD resume-se na identificação de numerosos problemas, baseada na pesquisa de opinião de vinte e cinco instituições atuantes na região por ocasião da elaboração do panorama da desertificação em Sergipe. Foram apontados os problemas seguintes.

Em relação ao Bioma Caatinga: Desmatamento clandestino e desordenado; Destruição da Mata Ciliar; Falta de manejo na exploração; Ausência de políticas públicas para a agricultura; Migração do homem rural para meio urbano; Desemprego; Falta de alternativas para a ocupação e renda da comunidade; Aumento da criminalidade e prostituição; Falta de incentivos para abertura de agronegócios no Semi-árido; Os subsídios colaboram com o desmatamento; Redução dos animais silvestres; Extinção da fauna e flora; Redução da biodiversidade; Falta de organização da comunidade; Descumprimento das leis existentes e impunidade; Falta de atuação dos governantes; Falta de pensamento de regionalização; Destruição em cerca de 80% da área de Caatinga; Influência no aumento do aquecimento.

Em relação à Água: Redução da oferta de água e o acesso à água; Falta de água – Seca; Assoreamento do rio e riachos; Falta de planejamento de obras públicas para o Semi- árido; Salinização; Altos custos para a dessalinização; Morte e extinção de espécies de peixes; Gastos excessivos e desnecessários; Morte das nascentes; Assoreamento do rio; Redução da capacidade hídrica; Morte das nascentes do rio Sergipe; Diminuição das nascentes; Falta de estrutura para captação; Adutora insuficiente; Secamento de tanques; Desperdício de água; Consumo da mesma água por pessoas e animais; Água imprópria para o consumo humano; Conflito pela água; Redução dos peixes; Comprometimento das reservas legais; Extinção de rios temporários; Despejo de esgotos; Dejetos lançados em barragens; Falta de saneamento básico; Poluição.

Em relação ao Solo: Erosão; Empobrecimento e inutilidade; Falta de acompanhamento técnico; Mau uso da terra; Altos investimentos vazios de futuro; Não aproveitamento de frutos, como umbu; Aplicação de agrotóxico nas plantações; Extração mineral; Queimadas; Falta de saneamento básico; Verminoses; Lançamento de Herbicidas – envenenamento; Uso de máquinas pesadas: compactamento e encharcamento quando chove; Uso de fertilizante sem controle; Falta de uma política agrícola; Falta de assistência técnica aos produtores rurais.

Em relação à Atmosfera: Lançamento de fumaça no ar resultante das queimadas; Agravos à saúde - doenças respiratórias e alérgicas; Perda da produção.

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Em relação ao Sol – luz e calor: Falta de recursos para a utilização da energia solar; Risco de câncer de pele por exposições excessivas; Influência no aquecimento global.

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QQUADROUADRO :: NNÍVEISÍVEIS DEDE DDEGRADAÇÃOEGRADAÇÃO AAMBIENTALMBIENTAL

 

NÍVELNÍVEL DEDE

 

DEGRADAÇÃODEGRADAÇÃO

 

NÍVELNÍVEL DEDE DEGRADAÇÃODEGRADAÇÃO POTENCIALPOTENCIAL

 

MUNICIPIOSMUNICIPIOS

 

ATUALATUAL

 

SOLOSOLO

VEGETAÇÃOVEGETAÇÃO

SUSCEPTIBILIDADSUSCEPTIBILIDAD EE ÀÀ EROSÃOEROSÃO

SOLOSOLO

VEGETAÇÃOVEGETAÇÃO

SUSCEPTIBILIDADSUSCEPTIBILIDAD EE ÀÀ EROSÃOEROSÃO

Canindé do São Francisco

Acentuado

Severo

Acentuada

Severo

Severo

Severo

Gararu

Acentuado

Severo

Acentuado

Acentuado

Severo

Acentuado

Monte Alegre

Moderado