Segundas-feiras nunca são fáceis. Mente aquele que diz que é.

É o pior dia da semana, o mais preguiçoso e o mais cansativo. Principalmente se você teve um domingo super agitado. O Spence Building, imenso, era uma loucura nesses começos de semana. A W World fiava em um dos andares, a editora de uma famosa revista também, então já é possível ter uma idéia da correria que era aquele lugar em plena segunda-feira, onde os funcionários com olheiras imensas e ressaca latente apareciam para trabalhar. Passei pela portaria, onde um dos seguranças me recebeu com um sorriso. Sorri de volta e me dirigi ao elevador, que me levou até o andar da W World. Era a primeira vez que eu ia ao escritório depois da reunião de quinze anos do colégio e das minhas aulas com Maggie. O final de semana havia sido inspirador, eu me sentia completamente renovado. Ou renovada? Não importava mais. Resolvi explorar uma nova área do guarda-roupa de Ellie – meu guarda-roupa agora – e tirei o pó de todas as saias lápis, dos scarpins e outros sapatos de salto que eu poderia usar no trabalho, e ainda ressuscitei o estojo de maquiagem que ela tinha guardado. Estojo esse que não fazia parte da W World, por motivos óbvios. E isso parecia surtir efeito. As pessoas me observavam agora, me notavam. Eu não era mais a Ellie que passava despercebida pelo hall da empresa e era ofuscada pelas garotas mais bonitas e bem vestidas. Eu não era mais a Ellie apagada, a Ellie neutra que facilmente poderia ser confundida com a decoração sem graça do lugar. Caroline não me intimidava mais, Laura não precisaria tentar me dar “ups” com maquiagem inusitada ou ajeitando meu cabelo no banheiro da empresa. Eu sabia cuidar de mim mesmo e podia ser uma mulher tão gostosa quanto elas. Tudo bem, talvez eu estivesse exagerando um pouco. Mas auto-estima é o que conta, certo? Ainda com a bolsa no ombro, caminhei até a cozinha da W World, onde Laura terminava de fazer um café. Ela estava de costas para mim quando eu cheguei e, ao virar, se assustou, sorrindo em seguida. — Ellie, você... nossa, o que houve esse fim de semana? Ela na verdade queria dizer “Com quem você transou?”. Porque sempre que alguém aparece radiante, sorridente e mais animado do que nunca é porque fez sexo na noite anterior. — Nada especial. Eu só me dei conta de que eu sou uma mulher linda, inteligente e que posso me valorizar. Laura colocou o café em sua caneca, misturou um pouco de leite e então... eu senti náuseas. Minha cabeça girou quando o cheiro de alguma coisa que ela estava prestes a colocar no café subiu pelas minhas narinas. Eu nunca havia sentido algo tão desconfortável e estranho antes. E então os waffles do meu café da manhã decidiram voltar para a superfície. — O que é isso? — Canela? – ela questionou, enquanto mexia a xícara de café, fazendo com que o cheiro doce e enjoativo daquele condimento se espalhasse ainda mais pelo ar.

. mas querem que você pergunte antes.A vontade dos meus waffles em sair era maior que minha vontade de mantê-los em meu estômago. Aquela pausa que as pessoas fazem quando tem algo mais a falar. — Okay. Passei a mão pelos cabelos e respirei fundo. — Ela confirmou que ele vai fazer cortes de salário e de pessoal. se sentando e esperando que eu me sentasse para. Como eu não estava no humor de joguinhos. só então. deixando o computador de lado e me virando para ela. Eu podia vê-la pelo espelho. coisa que eu não fiz ontem. presta atenção – ela começou a dizer enquanto eu começava a ligar o computador. não naquele dia.. apenas perguntei. nem hoje. – ela fez uma pausa. com a Caroline. — Os dois estavam em um momento bem íntimo e tentaram disfarçar assim que ela chegou. Laura passou para dentro e trancou a porta. Caroline me disse.. Quando chegamos à minha sala. não é? A secretária do Dorniham. começar a falar. — Pode ser. Não estava com ânimo para fofocas de escritório. – Conhece a Christine. dando uma parada na cozinha para que eu pudesse pegar minha bolsa. Nós saímos do banheiro e fomos em direção à minha sala. — E o que mais? — Ela disse que hoje chegou mais cedo e ao entrar na sala de Dorniham. Eu estava mal.. surpreendeu ele. Por que eu me senti tão mal? — Ellie. — Como é que é?! – eu questionei. então eu só pude fazer uma coisa – correr para o banheiro antes de causar um vexame. Estava com indisposição e aquela cadeira não estava me ajudando. sem querer. Eu assenti rapidamente. — Só sei que agora você precisa voltar para sua sala e trabalhar. — O que está acontecendo? — Vamos que eu te explico no caminho. Agora sim eu queria prestar atenção. Mas isso não é o pior de toda a situação. entrando no banheiro. Ao mesmo tempo tentei me ajeitar à cadeira. Eu joguei todo meu café da manhã fora e ainda fiquei um tempo no banheiro para me acalmar. sabe como são essas coisas industrializadas de hoje em dia. que ela não é mais a estagiária da empresa. — Eu não sei. . você está bem? – questionou Laura. Era alguma jogada divina contra meu embelezamento e bem estar? Não era crime algum e os waffles não tinham nada de errado. Eu só passo mal desse jeito quando bebo. — Talvez alguma coisa que você comeu.

sua vadiazinha infeliz.. Então ela chegou mais perto de mim e me deu um cutucão no peito. eu ainda não havia passado por aquilo e a idéia de ter que passar gelou minha espinha. não. Você entende? Ela caminhou na minha direção e me observou por instantes.. Todas essas perguntas vieram à minha mente e. movendo o cursor do mouse pelo desktop e abrindo um arquivo que haviam me passado na sexta-feira.. eu sei que não estou. você pode achar indelicado e tudo mais. – eu disse. Se o que Laura queria dizer é que o atraso da menstruação e meu enjôo tinham uma relação. – E pode tirar qualquer tipo de idéia em relação a isso da sua cabeça. Enfim. Estaria Dorniham prestes a demitir alguém? A cortar meu salário. Depois do meu coma e da minha amnésia eu. — Ele disse depois que quando todo mundo já estivesse aqui. não.. – E me arruma alguma coisa para parar com essa tontura e essas náuseas. então só podia significar. Isso não. — Não.. Tipo. – eu disse e ri em seguida. bateu com força mesmo. Meu interior entrou em desespero. — Eu não sei. eu não poderia estar. respirando fundo quando tudo escureceu e girou ao meu redor. não. pode ser? Laura assentiu e se levantou.. — Dói? Claro que dói. E eu tenho certeza disso.Eu sorri e balancei a cabeça. Na crise em que ele se encontra.... Que eu me lembrasse. Mas a sua menstruação já veio esse mês? Minha cabeça fez um “clic” e eu olhei para ela com uma sobrancelha erguida.. — Ellie.. — Nossa. Respirei fundo e fiquei em pé... minha vontade de voltar a ser Tyler para não ter aquelas preocupações voltou.. em uma posição ereta. sabe. Eu não sabia nada sobre menstruação. – minha ficha caiu.. – Ninguém está falando sobre esse mês. Eu havia me esquecido completamente dessa coisa sobre o mundo feminino. tenho trabalho para fazer e você também. Escuta. Minha tia. não sabia se a da Ellie estava em dia ou não e não sabia nada sobre esse mundo.. — Enquanto não dá a hora da reunião. não tem a mínima chance de eu estar. — Fica em pé! Eu me levantei. enquanto ela me observava. era para comunicar que ele quer uma reunião as dez e disse que já era para deixar de sobreaviso que não seria uma reunião muito agradável. com uma vontade imensa de provar que a teoria dela estava errada. não. Nããão. porque nesse último mês eu não... Dorniham não pode promovê-la a publicitária se ele não vai demitir ninguém. so começou a sentir enjôos depois de quatro semanas e meia. Não.. Menstruação. que tontura. . pela primeira vez desde sábado. – foi a vez dela rir. — Ellie. perdi esse controle.. Eu não transei.

a sugestão dela ecoava em minha cabeça. para mim.. E só então percebi Damien parado à porta. Não tão discretamente. na verdade. — Não pude devolver e não achei justo que ficasse comigo. era muito.. – ele disse. minha barriga nunca ficaria proeminente. Incrível como tudo hoje em dia custa caro. Damien retirou do bolso interno do casaco uma caixinha e eu logo a reconheci como a da noite frustrada do pedido de casamento.. não tem nada a ver o que você está dizendo. Quinze dólares por uma coisa em que eu colocaria um pouco de urina e depois jogaria fora. Ainda comendo. Então apontou para minha bolsa. mas se deteve. Não sem antes comprar um brioche. Havia uma farmácia duas quadras abaixo. Minha vontade de comer um falou mais alto que minha vontade de manter o emprego. — E eu não posso levá-las comigo. Minha área sensível. aquele relatório sobre a última campanha realizada poderia esperar. Claro. entrei na minha sala. .. Eu vou trabalhar e você que fique aí com seus enjôos. – eu estava organizando as coisas lá em casa e acabei encontrando isso. — O que você está fazendo aqui? – eu perguntei. – eu disse. isso resolveria fácil o meu problema. Exame comprado. – ele fechou os olhos e os esfregou por instantes. Ele fez uma pausa e tentou falar alguma coisa umas duas vezes. Ellie. Eu fingi que prestava atenção no que eu digitava enquanto. E se ela tivesse razão? Que se dane o meu emprego que está por um fio. retirei o exame da sacola e coloquei sobre a mesa e então me sentei. sei lá. eu acho. pela mesa da Laura. dúvidas e. mulheres nunca gostam de ser contrariadas. olhando para mim e para o teste ao mesmo tempo. Eu não me sentiria bem as usando. Em um mês de gravidez. passei direto pela recepção. Ela deu de ombros e saiu da sala. — Levá-las? Eu não entendo. — É só um palpite. essas jóias não são minhas. massageando a área do golpe. enquanto colocava a bolsa discretamente sobre o teste. já que eu não me mexi para pegar. retirei a sacola da farmácia da bolsa. problemas. — Escuta.— Dói! Essa é. — Damien. voltei para a W World. — Bom. — E como você me explica essa barriguinha proeminente? Eu me sentei de novo e olhei para o arquivo aberto na tela do computador. colocando sobre a mesa. a minha curiosidade não. tecnicamente. Mas faz sentido.

Eu poderia esperar aquela reação de qualquer outra pessoa no mundo. — PAREM COM ISSO! Vocês estão parecendo um bando de crianças. você sabe. Não nas atuais circunstâncias. Eu não conseguia responder olhando diretamente nos olhos dele. E eles não calavam a boca. daquele inferno. ainda com sua expressão séria e ao mesmo tempo dócil. Não comigo.. não ficou calado.. antes que ela visse e me enchesse de perguntas. – eu me virei para Dorniham quando eles se acalmaram. Ellie. estava tentando ficar distante de mim e eu não conseguia entender. caso essa chance. Estou com esses enjôos tonturas e.. com uma pasta em mãos. Sim. — Tudo bem. por instantes. existe uma pequena chance de que talvez. — Me deixe saber. Ele estava se contendo. Mas eu estava dizendo a ele que tinha uma chance de ele ser pai. falava e a única coisa que eu conseguia pensar. Eu dei um soco na mesa. – Obrigada. Está certo que eu não havia sido a melhor noiva para ele. Ele sorriu rapidamente e seguiu seu caminho para fora da W World. Ele esboçou um sorriso que desapareceu em seguida. porque aquele não era ele. o meu ex-namorado grosso. o que provocou um barulho que todos ouviram e que atraiu a atenção para mim.. Eu tratei logo de guardar a caixa com as jóias e o teste na gaveta. Gente falando junto. era sobre Damien. Dorniham querendo defender seus preceitos. . Coloquei minha cabeça entre minhas mãos e tentei me colocar completamente em outro lugar – tipo uma praia – para poder fugir.. — Reunião. — Damien? – ele parou e se virou para mim. — Vocês sabem da situação da empresa e que nós não podemos manter todos vocês. Fred e os outros querendo defender seu salário e minha cabeça querendo explodir.— Porque um teste de gravidez? – ele perguntou. que tínhamos rompido recentemente. — E eu sou um publicitário com um ótimo currículo e uma boa formação. Damien se virou para sair da sala e então meu olhar caiu sobre a caixinha. Frederick. Ele limpou a garganta.. exceto dele. Alguma coisa naquele olhar dele mexia com a Ellie.. Se baixarem o meu salário eu não fico nessa empresa e acredito que meus colegas concordam comigo. E ele não estava dando a mínima para isso. além da caneta balançando entre meus dedos. tomou um gole de água e então fez uma expressão séria. Mal ele saiu e Laura entrou na sala. bom. sua postura fria e estranha comigo e o teste de gravidez na minha gaveta. só talvez. Dorniham falava. Damien estava fingindo não se importar. A confusão começou. — Eu não acordei muito bem hoje. com ela. – Termina com isso logo. bom.. por favor.

o que você está fazendo aqui? – eu questionei. me olhando. E os cinco minutos se passaram. eu não passaria pelo papel de ir até a casa dele. O Dorniham pediu. eu avaliarei o desempenho de vocês nos próximos dias e sexta-feira nós teremos corte de pessoal. já pegando minhas coisas e me levantando. Cinco minutos para o resultado. — Ahn. Eu olhei para ela. antes mesmo de encontrar meu teste na caixinha. É isso. estou ansioso para poder ver o quanto sua estagiária progrediu. Ela sorriu e ficou parada. Retirei o teste da gaveta disfarçadamente e o prendi entre mim e o cós da saia-lápis preta que eu estava usando. Algumas mulheres. estava colocando para você uns arquivos sobre a última campanha. Já estava com uma mega vontade de ir ao banheiro mesmo. será que eu posso ficar um pouco em minha sala. . antes que eu saísse da sala. e sorri. em certos momentos. no fim das contas. Eu tinha que fazer aquele teste de uma vez. Caminhei a passos largos até o banheiro. me tranquei em uma das divisórias sanitárias e abri o teste. — Caroline. para aquele relatório. Cinco minutos. me deixando sozinho com meu teste de gravidez. E eu não sabia dizer se o resultado me agradava ou não. — Eu imagino.— Já que é de desejo de todos. O expediente não havia se finalizado por completo. Laura iria me cobrir porque eu não podia correr o risco de perder Damien. me encontrei com Caroline mexendo no meu computador. antes que eu tivesse uma crise de ansiedade. Não. Tico e Teco funcionando. Hora da verdade. — Muito obrigado. — Ótimo. Rezei para que não caísse no meio do caminho e para que ninguém me atrapalhasse. eu só precisava do teste. enquanto ela removia um pendrive do gabinete e se levantava da minha cadeira. As portas dos elevadores se abriram com o sino típico e eu estava na Grant & Associados. Corri até a minha sala e. — Muito obrigado! – eu disse. — Quase completa.. Na W World. Ellie? – questionou Dorniham. Caroline Carlyle também está desenvolvendo uma campanha. — Como está a campanha do ‘Ma’am’. sozinha? — OH! Claro. E esperei. – ela parecia ter caído em si. Creio que até quarta-feira eu te apresente. E esperei. vestindo meu casaco por cima. – eu disse. Segui todas as instruções da embalagem e os cinco minutos pareciam não passar nunca. entraram no banheiro e eu pedi a Deus que elas não me notassem ali. deixando uma ponta de ironia no ar e saí.. Aquilo era algo que não podia esperar. incrédulo. Então Caroline saiu da sala. — Ah.

se tratando de um fim de tarde. Eu nunca fui de analisar homens e falar sobre sua beleza.Não imaginava que uma firma de advocacia poderia ser tão movimentada. O cabelo loiro escuro bem penteado e macio. o contorno do nariz. — Eu gostaria de falar com. – Você não acha? .. sorrindo. Foi ele quem deu o pontapé inicial da conversa. — Damien.. Da última vez em que eu estivera ali não tive tempo para observar tudo com cuidado e era tão. Eu coloquei as mãos no bolso do casaco. era uma visão magnífica. as sobrancelhas grossas e os olhos claros. olhando todos com ares superiores. — Isso é bom. mas ainda sem me olhar. analisando o lugar direito. após ajeitar a bolsa no meu ombro. Então Damien apareceu à porta de um escritório.. mas ele era diferente. sem saber o que falar.. Nem com salto eu ficava da mesma altura que ele. Ela desligou e sorriu para mim de novo. Estavam aquecidas ali e eu não precisava procurar um lugar para colocá-las. Eu não resisti e olhei para ele. Ele continuava com o olhar fixo no distante. uma bela garota bem vestida com um fone Bluetooth no ouvido. e fiquei aguardando.. Segurei a alça da bolsa com mais firmeza e caminhei até a recepcionista. — Ele já está vindo vê-la. advogados com a gravata frouxa e com cara de desesperados andando de uma sala a outra com papéis em mãos e algumas pessoas com cara de gente importante circulando. O teste de gravidez. Ellie Faye está aqui para falar contigo. Era uma sacada. Ou talvez ele não estivesse observando nada e só não quisesse me encarar. – ele disse. Ele estava com as mãos no bolso e sem o casaco. Ele suspirou e deixou a cabeça pender para trás. o pensamento de como ele era lindo sob aquela luz correu em minha cabeça. – Senhor. E. observando talvez a cidade ou talvez o céu. – ela completou. Apenas fez um gesto com a cabeça indicando o corredor próximo a ele e eu o segui. Pessoas andando para todos os lados. pela primeira vez em minha vida toda. a barba baixa. Dali era possível ter uma bela vista de Nova York e. Dam. Eu continuava com as mãos dentro dos bolsos do casaco. luxuoso. Ela discou um número no telefone e aguardou. Parecia ter sido retirado de uma daquelas séries de TV. provavelmente o escritório dele. Eu me aproximei mais e fiquei ao lado dele. Tudo bem. — Deu negativo.. Ele ainda estava com as mãos nos bolsos e com o olhar distante quando eu me aproximei. — Então? — Eu fiz o teste. Fixei o olhar em um prédio distante qualquer. mas ainda assim visível.. Claro. baixando a cabeça outra vez.. eu não podia dizer com certeza o quanto faltaria para eu ficar no mesmo patamar que ele porque também não o olhava diretamente. os lábios.

Porque era exatamente isso que eu pensava naquele momento. o botão do estacionamento. Ao me ver ele se assustou e então apertou. O olhar dele vacilou. de fato. Estava indo embora. Ele não se importava se aquilo daria certo ou não. Consegui ver. O que você entenderia dos meus sentimentos? E só então eu saí da sacada e caminhei na intenção de sair daquele lugar o quanto antes possível. — Apesar de que você é apenas um cara. Talvez não fosse para dar certo. Algo dentro de mim gostaria que fossem as mãos de Damien. eu não havia planejado aquilo e era completamente assustador. É. evitando que elas se fechassem. – eu disse. Era mais fácil dizer adeus daquele jeito. . — Você está bem? — Eu não sei. ele mesmo. você poderia tirar suas próprias conclusões. com uma mochila executiva nos ombros e com seu casaco. Eu havia ferrado com tudo e talvez aquilo pudesse reparar os danos. Mark tentar acenar para mim. E o pior de tudo é que eu não conseguia odiá-lo. Mas outra parte dizia que aquilo poderia ser a peça que faltava para que eu e Damien pudéssemos nos reaproximar novamente. de braços cruzados e tentando focar meu pensamento em outras coisas para que as emoções de Ellie não piorassem minha situação e eu desabasse a chorar. mas minha visão estava embaçada o suficiente para não me permitir distinguir os vultos. Era o que eu sentia dentro de mim. uma mão apareceu por entre as portas. Uma parte de mim estava feliz por não estar esperando um filho de ninguém. as mulheres tinham razão quando diziam que os homens não sabia distinguir sentimentos ou que eles não tinham sentimento algum. Ele estava certo em ficar distante. Entrei no elevador. de relance. No fundo eu esperava uma resposta dele. sozinho. eu não sabia. Estava tudo acabado. Para sempre. Mas quem entrou no elevador foi Mark.— Talvez. Então parei antes de chegar à porta e me virei para ele. Talvez os danos não devessem ser reparados. Se você não estivesse tentando ser tão frio e ausente e se pelo menos uma vez você olhasse para mim. mas eu não quis esperar uma resposta. Apesar de que. e antes que eu pudesse respirar fundo em paz dentro daquele elevador. Dei meia volta e caminhei para sair dali.