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REALIZAÇÃO DO MAPA DE COMPARTMENTAÇÃO TOPOGRÁFICA:

A primeira etapa do mapeamento é realizada a partir da sobreposição de uma folha de papel poliéster sobre a carta topográfica onde será traçada uma linha contínua seguindo a curva de nível de menor valor (que se encontra mais próxima aos cursos fluviais) para a extração e delimitação das áreas de fundo de vale, podendo, em alguns casos, o traçado da linha passar para uma curva de nível de valor superior, tangenciando segmentos curvos, caso estas se afastem consideravelmente do curso fluvial, indicando, assim, uma área de retenção da sedimentação quaternária (Figura 1). Desta forma, define- se a classe de relevo correspondente à área de planícies fluviais com valor de desnivelamento inferior a 20m (Figura 2).

com valor de desnivelamento inferior a 20m (Figura 2). Figura 1: Trecho da carta topográfica de

Figura 1: Trecho da carta topográfica de Bananal (escala original 1:50.000). A linha contínua em vermelho contorna a curva de nível mais próxima ao curso fluvial, demonstrando a delimitação da concentração da área de sedimentação quaternária.

Após a extração da área de retenção da sedimentação quaternária (classe de 0-20 m) foi efetuado o cálculo do índice de desnivelamento altimétrico ( ! h) para a delimitação das outras classes de desnivelamento (20-100 m; 100-200 m; 200-400 m e > 400 m - Figura 3). Segundo os autores que propuseram este método de mapeamento o recorte espacial de bacias de drenagem deve ser considerado, pois, esta é a menor unidade de evolução geomorfológica que permite o reconhecimento do segmento em que a área-fonte de água e de sedimentos está de fato localizada. Para a região do Planalto Atlântico Brasileiro, onde inicialmente foi elaborada esta técnica, considera-se que as bacias de drenagem de até 2ª ordem têm maior poder erosivo e, portanto, seriam as responsáveis pela dissecação ou rebaixamento do relevo. Para bacias de drenagem de ordens superiores o trabalho erosivo seria superado pelo processo de acumulação sedimentar tanto na base das encostas quanto ao longo dos canais fluviais.

CLASSES DE DESNIVELAMENTO ALTIMÉTRICO ASPECTO TOPOGRÁFICO (perfil esquemático e fotografia da feição
CLASSES DE
DESNIVELAMENTO
ALTIMÉTRICO
ASPECTO TOPOGRÁFICO
(perfil esquemático e fotografia da feição correspondente)
SIGNIFICADO
GEOMORFOLÓGICO
< 20m
0 a 20m
planícies fluviais ou fluvio-marinhas
de topografia horizontal a sub-
horizontal, localizadas em diferentes
altitudes.
colinas, caracterizados
pelo
entulhamento
dos vales e das
20 a 100m
reentrâncias das cabeceiras de
drenagem.
100
a 200m
morros isolados; com vales mais
encaixados.
200
a 400m
degraus ou serras bastante
reafeiçoados; degraus de transição
entre compartimentos diferentes.
> 400m
degraus e/ou serras elevados e/ou
escarpados.

Figura 2: Classes de desnivelamento altimétrico com representação do perfil topográfico/significado Geomorfológico correspondente ( ! h = desnivelamento altimétrico).

Portanto, no contexto de bacias de drenagem de até 2ª ordem realizamos os cálculos de desnivelamento altimétrico ( ! h) a partir da relação entre o valor da curva de nível mais elevada (h máx. ), que passa pela bacia de drenagem analisada, e a curva de nível de valor mais baixo (h mín. ), quando a bacia desemboca em um curso fluvial de ordem superior ou rio coletor (Figura 3). Aos

compartimentos delimitados de planícies fluviais, colinas, morros, degraus reafeiçoados e degraus escarpados (Figuras 2 e 4) são associados cores que traduzem uma melhor forma de representar cada uma das classes, mantendo uma relação adequada entre os tons utilizados e o grau de dissecação das vertentes. Quanto maior o índice de desnivelamento a cor escolhida deve ser mais escura para representar tal compartimento.

A
A
B
B
B D D e e s s n n i i v v e e l

DDeessnniivveellaammeennttoo AAttiimmééttrriiccoo (( !! hh))== hh mmááxx hh mmíínn

!!hh == 330000 224400 == 6600mm

Figura 3: A - Bloco diagrama esquemático com explicação do cálculo de desnivelamento altimétrico ( ! h) e representação das curvas de nível que cortam a rede de drenagem local - drenagem afluente (bacia de 2ª ordem) e drenagem coletora; ! h = h máx . – h mín .; 1, 2 e 2 – hierarquia da rede de drenagem. B - cálculo do desnivelamento altimétrico, considerando a diferença entre a cota mais elevada e a mais baixa em áreas de bacias de zero ordem.

TTrreecchhoo TTrreecchhoo TTrreecchhoo ddee ccaarrttaa ttooppooggrrááffiiccaa ((11::5500 000000)) ddee ccaarrttaa
TTrreecchhoo
TTrreecchhoo
TTrreecchhoo ddee ccaarrttaa ttooppooggrrááffiiccaa ((11::5500 000000))
ddee ccaarrttaa
ddee ccaarrttaa
ttooppooggrrááffiiccaa
ttooppooggrrááffiiccaa
((11::5500 000000))
((11::5500 000000))
!! hh == 666600 –– 580 = 80m
!! hh == 666600 –– 580 = 80m
!! hh == 666600 –– 580 = 80m
!! hh == 666600 –– 580 = 80m
580
580
580
580
=
=
=
=
80m
80m
80m
80m
!! hh == 666600 –– 552200 == 114400mm
!! hh == 666600 –– 552200 == 114400mm
!! hh == 666600 –– 552200 == 114400mm
!! hh == 666600 –– 552200 == 114400mm
NB L
NB L
NB L

TTrreecchhoo ccllaassssiiffiiccaaddoo ddaa ccaarrttaa ttooppooggrrááffiiccaa

TTrreecchhoo

ttooppooggrrááffiiccaa

ccllaassssiiffiiccaaddoo ddaa ccaarrttaa

t o o p p o o g g r r á á f f i

Figura 4: Figura com um trecho da carta topográfica de Bananal (escala original 1:50.000) e a classificação final das morfologias correspondentes com aplicação da hierarquização das cores utilizadas no mapeamento. Pode-se observar ainda a distribuição espacial dos setores de erosão e de sedimentação cenozóica, como destacado na figura pela sigla NBL –Nível de Base Local.

REALIZAÇÃO DE PERFIS DE RELEVO:

A técnica utilizada para a elaboração do perfil em varredura consiste na retirada de todos os valores de topo ou curvas de nível mais elevadas das cartas topográficas em papel vegetal milimetrado, com largura e comprimentos arbitrários (na escala 1:50.000 utilizou-se uma faixa de 20 cm de largura, que representa no terreno uma faixa de 10 km).

As cotas de topo extraídas estabelecem a seguinte relação: eixo de X = distância entre cada cota de topo identificada e o início do perfil - o comprimento total varia de acordo com a área de cobertura do perfil; eixo de Y = valor da cota de topo dado em metros. Estes dados foram tabulados em planilha no programa Excel for Windows 5.0 e, a partir delas, foram construídos gráficos referentes aos perfis em varredura utilizando-se os valores dos eixos de X (comprimento total do perfil) e Y (cotas de topo). Tais perfis permitem visualizar o comportamento areal dos compartimentos, avaliando as relações de transição entre eles.