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Universidade Católica de Pernambuco Centro de Ciências e Tecnologia Departamento de Química Química Orgânica I Prof. Ed Paschoal Carrazzoni edcarrazzoni@hotmail.com

Reações de substituição nucleofílica em compostos saturados

Introdução

Conforme vimos anteriormente, as reações de substituição nucleofílicas são reações heterolíticas, uma vez que um grupo X é deslocado por um reagente Y, levando consigo o par eletrônico.

+ - + C X C + X
+
-
+
C
X
C
+
X

Observe-se que, nos halogenetos de alquila, o átomo de carbono ligado ao halogênio está parcialmente deficiente de elétrons em virtude da maior eletronegatividade do halogênio (efeito indutivo). Em conseqüência, cria-se uma situação favorável ao deslocamento do halogênio por um reativo nucleófilo, resultando na total substituição do halogênio.

SN

Essas

reações

são

designadas

genericamente

por

reações

(S=substituição; N=nucleofílica) e, didaticamente, são classificadas em:

a) reações de substituição nucleofílica de primeira ordem (ou reação SN 1 );

b) reações de substituição nucleofílica de segunda ordem (ou reações SN 2 );

c) reações de substituição nucleofílica interna ou intramolecular (ou reações SN i )

Dados experimentais

As reações SN 1 e SN 2 correspondem, em cinética química, às reações de primeira e segunda ordem, respectivamente, e, praticamente, foi aplicando os conceitos dessas últimas que os pesquisadores puderam estabelecer os mecanismos dessas reações.

Como sempre, o estabelecimento dos mecanismos é função direta das observações tiradas dos dados experimentais. Ao se estudar a velocidade de hidrólise dos halogenetos de alquila, observou-se que, durante a hidrólise do brometo de metila, a velocidade de formação do metanol dependia da concentração do brometo de metila e da concentração de hidróxido de sódio.

Em outras palavras, aumentando-se a concentração de hidróxido de sódio, aumentava a velocidade de formação do metanol, e diminuindo-se a concentração de hidróxido de sódio, diminuía a velocidade de formação de metanol. O mesmo ocorria quando variava-se a concentração do brometo de metila. Em cinética química, uma reação desse tipo corresponde a uma reação de segunda ordem (daí ser chamada de reações do tipo SN2).

Por outro lado, na hidrólise do brometo de butila terciário, verificou-se que a velocidade de hidrólise (com conseqüente formação do butanol terciário)

não dependia da concentração de hidróxido de sódio, ou seja, aumentando-se ou diminuindo-se a quantidade de NaOH, a velocidade de hidrólise permanecia constante. Em cinética química, uma reação desse tipo corresponde a uma reação de primeira ordem (ou reação do tipo SN1).

Pela simples leitura dos dados citados, podemos facilmente observar que o comportamento dos dois halogenetos de alquila são diferentes e, por conseqüência, os mecanismos são também diferentes.

Uma outra observação experimental que serviu para o estabelecimento definitivo dos mecanismos foi o concernente à estereoquímica (configuração espacial) dos produtos formados. Observou-se que:

a) nas reações de cinética de segunda ordem (no nosso caso, substituição nucleofílica de segunda ordem) o produto apresentava uma inversão de configuração, isto é, se o composto de partida tinha uma configuração D, o produto final apresentava uma configuração L.

b) nas reações de cinética de primeira ordem (no nosso caso, substituição nucleofílica de primeira ordem) conduzia à formação de uma mistura racêmica.

Mecanismo de reação SN 2

Vimos que se trata de uma reação onde a variação da quantidade de hidróxido de sódio durante a hidrólise do brometo de metila, altera a velocidade de formação do metanol.

Para esta reação, Ingold propôs o seguinte mecanismo:

H - + HO C Br H H
H
-
+
HO
C
Br
H
H

HO

H

C Br H H
C
Br
H
H

HO

H C H
H
C
H

H

+

Br

Observe-se que, pela esquematização proposta, formar-se-ão tantas moléculas de metanol quantas sejam as hidroxilas e moléculas de brometo de metila presentes no meio da reação, uma vez que a deficiência de elétrons sobre o átomo de carbono é permanente (efeito indutivo estático); diminuindo o número de hidroxilas (mantendo constante a concentração do halogeneto), diminuirá logicamente o número de moléculas de metanol.

O mecanismo proposto explica, ainda, a inversão de configuração observada experimentalmente, uma vez que a hidroxila vai ocupar o local oposto àquele em que se encontrava o halogênio.

É conveniente lembrar que essa inversão de configuração proposta para o metanol é puramente hipotética, uma vez que o metanol não tem centros assimétricos e, portanto, não possui isômeros óticos. Essa inversão é observada em compostos que possuem centros assimétricos e, por analogia, estende-se o conceito para a hidrólise do brometo de metila.

Mecanismo de reação SN 1

Vimos que os dados experimentais indicaram que a velocidade de hidrólise do brometo de butila terciário independe da concentração de hidróxido de sódio e, ainda, quando o composto de partida é assimétrico, há formação de uma mistura racêmica.

O mecanismo proposto, que concilia essas duas observações

experimentais, preconiza, inicialmente, uma dissociação do composto que vai sofrer a hidrólise (nesse caso, o brometo de butila terciário), com formação de um íon carbônio e do ânion Br - .

CH 3

C Br CH 3 CH 3
C
Br
CH 3
CH 3
CH 3 + C CH 3 CH 3
CH 3
+
C
CH 3
CH 3

+

Br

Isso se explica, primeiro, em virtude da maior eletronegatividade do bromo e, segundo, pelas repulsões provocadas pelos volumes dos três grupos metila, forçando o destacamento heterolítico do bromo.

Uma vez formado o íon carbônio, que tem uma estrutura planar, a hidroxila pode atacar sua estrutura de ambos os lados. Na possibilidade 1, o produto formado apresenta inversão de configuração (semelhante ao mecanismo SN 2 ) e, na possibilidade 2, retenção de configuração.

Como as chances de 1 e 2 ocorrerem são idênticas, o resultado é a formação de uma mistura com 50% do produto com inversão de configuração e 50% do produto retendo a configuração, isto, é, obtêm-se uma mistura racêmica.

1

CH 3 HO C CH 3 CH 3 CH 3 + C CH 3 CH
CH 3
HO
C
CH 3
CH 3
CH 3
+
C
CH 3
CH 3 CH 3
2
CH 3
C
OH
OH
CH 3

inversão

retenção

O ataque do íon hidroxila ao íon carbônio é praticamente instantâneo, de maneira que a velocidade total da reação de hidrólise não é modificada, ficando, em última análise, igual à velocidade de dissociação do brometo de butila terciário.

Competição entre as reações SN 1 e SN 2

A eleição de um ou outro mecanismo e a competição entre eles, depende da natureza dos substituíntes, da natureza do íon carbônio que pode ser originado, dos impedimentos estéricos de volume, do solvente da reação etc.

No brometo de butila terciário, o centro deficiente em elétrons está

totalmente bloqueado pelos volumes dos três grupos metila (efeito estérico de volume), de modo que é praticamente impossível admitir a penetração do íon hidroxila a fim de substituir o bromo. Isto só é possível quando ocorre a dissociação e o íon carbônio adquire uma configuração planar (três orbitais sp 2

e um orbital p vazio).

Por outro lado, esse íon é bastante estável em virtude dos efeitos indutivos dos três grupos metila que suprem parcialmente a deficiência em elétrons do carbono central.

Comparando as velocidades de hidrólise dos brometos de metila, etila, n-propila, i-propila, n-butila e de butila terciário, observou-se que, aplicando os valores das velocidades para um mecanismo SN 2 , a ordem decrescente corresponde à:

CH 3 Br

C 2 H 5 Br n-C 3 H 7 Br

n-C 4 H 9 Br i-C 3 H 7 Br t-C 4 H 9 Br

Note-se que, à medida que aumenta a estabilidade dos íons carbônio passíveis de serem formados, decresce a velocidade em termos de um mecanismo SN 2 , aumentando, portanto, a velocidade em termos de um mecanismo SN 1 .

Nos brometos primários (sem ramificação), praticamente, a hidrólise se efetua exclusivamente pelo mecanismo SN 2 ; já os brometos ramificados (brometo de isopropila, por exemplo), apresenta um mecanismo misto SN 2 e SN 1 , chegando finalmente, a um mecanismo SN 1 puro, no caso do brometo de butila terciário.

Efeito dos solventes

As reações de substituições nucleofílicas se caracterizam pelo deslocamento de um átomo ou grupo de átomos de uma estrutura, por um reativo nucleófilo.

Y

+

R Z

Y R

+

Z

De uma maneira geral, temos quatro tipos de substituições nucleofílicas.

1. Y negativo e Z neutro

Correspondem às reações que se enquadram na formulação geral

Y -

+ R Z

Y R

+

Z -

Como exemplos, temos a hidrólise dos halogenetos de alquila em meio alcalino, reações dos halogenetos de alquila com o iodo etc.

 

- OH

+

R Br

R OH

+

Br -

I -

+

R Cl

R I

+

Cl -

2. Y neutro e Z neutro

Correspondem à equação geral

 
 

Y

+

R Z

Y R

+

Z -

Pertencem a esse tipo as reações das aminas e sulfetos com os halogenetos de alquila.

R 3 N:

R 2 S:

+

+

3. Y negativo e Z positivo

R' Cl

R' Cl

R

R

3

2

+

N

S + R'

R'

+

+

-

Cl

Cl -

Correspondem à equação geral

Y -

+

R Z +

Y R

+ Z

São exemplos deste tipo de reação:

- OH

+

R N + R ' 3

R Cl

+

R OH

+

:N R ' 3

:N R' 3

Cl -

+

R N + R ' 3

Correspondem à equação geral:

Y

+

R Z +

R Y

+

Z

O exemplo mais representativo desse tipo de equação é o da reação de

aminas com os sulfetos:

R' 3 N +

R S + R " 2

R ' 3 N + R

+

S R " 2

A influência do solvente dependerá de sua capacidade de solvatação e,

portanto, de sua polaridade e de que os produtos iniciais sejam mais polares que os finais ou vice-versa.

Hughe e Ingold previram que a dedução do efeito do solvente sobre a velocidade de reação dependia de uma comparação das distribuições das cargas elétricas nos estados inicial e de transição, e que se baseiam nos seguintes princípios:

a) Quando, ao passar do estado inicial ao de transição, há um aumento de carga, um aumento da polaridade do solvente estabiliza o estado de transição frente ao estado inicial, aumentando a velocidade da reação.

Mecanismo

Estado inicial

Estado de transição

Estado final

     

+ -

   

SN 1

RZ

R

Z

R +

+

Z -

   

+

-

 

SN 2

Y: + R-Z

Y

R

Z

YR

+

Z

Esses dois casos ocorrem nas reações dos primeiro e segundo tipos, para um mecanismo SN 1 , e, no segundo tipo, para um mecanismo SN 2 .

No primeiro caso (mecanismo SN 1 ), sabemos que esse mecanismo corresponde a uma cinética de primeira ordem, isto é, a velocidade da reação depende apenas da concentração de um dos reagentes e que corresponderá quimicamente a uma dissociação da estrutura.

R Z

R +

Z -

R +

+

Z -

CH 3

CH 3 + C CH 3 CH 3
CH 3
+
C
CH 3
CH 3

CH 3

- C Br Br C + + Br CH 3 CH 3 CH 3 CH
-
C
Br
Br
C +
+
Br
CH 3
CH 3
CH 3
CH 3

Observe-se que RZ tem carga nula (R=0, Z=0): à medida que Z vai se destacando da estrutura, ou mais precisamente, no estado de transição, o

adquire cargas funcionais + e - , tendo havido, portanto, um

aumento de carga.

sistema R

Z

0

0

+

-

Um solvente polar solvatará, portanto, com maior facilidade, decorrendo um maior volume dos grupos substituíntes da estrutura, facilitando a dissociação. Em decorrência, a velocidade da reação será fortemente acelerada.

No segundo caso, mecanismo SN 2 , para o segundo tipo de reação, vimos

que

Y:

+ R-Z

Y +

R

Z

-

No mecanismo SN 2 , a velocidade da reação depende da concentração de

dois reagentes. Sabemos que, nesse caso, o reagente eletrófilo "ataca" o carbono deficiente de elétrons pelo lado oposto àquele em que se encontra o halogênio.

H H CH 3 Br Br C Br H H H H
H H
CH 3 Br
Br
C
Br
H
H
H
H

Na

reação do amoníaco com o brometo de metila,

NH 3

+

H + - C Br H H
H
+ -
C
Br
H
H
H + NH 3 C H H
H
+
NH 3
C
H
H

Br

-

NH 3 + H + - C Br H H H + NH 3 C H

na

Br:

C, vai se tornando deficiente em elétrons (N + ). À medida que o Br vai se destacando levando consigo o par de elétrons da ligação C-Br, vai adquirindo uma carga formal negativa (Br - ).

medida que vai se formando a ligação N-C, vai se rompendo a ligação C-

N que era neutro, ao ceder seu par de elétrons para formar a ligação N-

ao ceder seu par de elétrons para formar a ligação N- + NH 3 CH 3

+

NH 3

CH 3

+

Br

Comparando, agora, os dois estados (inicial e de transição), concluímos que houve um aumento de carga do sistema e, pelas mesmas razões já citadas, haverá uma forte aceleração na velocidade da reação, ao se aumentar a polaridade do solvente, ou simplesmente se utilizarmos um solvente bastante polar.

b) Quando, ao passar do estado inicial ao de transição diminui a carga, um aumento da polaridade do solvente diminui a velocidade da reação.

SN 1

Y -

+ R-Z +

Y - …

R…

Z

+

Y-R

+

Z

É uma reação do terceiro tipo. Tanto Y como Z possuem cargas unitárias. No estado de transição há uma diminuição dessas cargas para valores fracionários (Y - e Z +). Houve, portanto, uma diminuição de carga.

- -

+ +

O uso de um solvente muito polar deixa de ser adequado, pois a

capacidade de solvatação do sistema está bastante diminuída. O solvente polar, portanto, diminuirá fortemente a velocidade da reação.

c) Quando não houver variação na carga total, ao passar do estado inicial ao estado de transição, porém neste, a carga está mais dispersa do que

no primeiro, haverá uma diminuição da velocidade ao aumentar a polaridade do sistema, se bem que a diminuição da velocidade devido à dispersão de uma carga seja muito menor que aquela devida à sua destruição.

SN

SN

SN 1

2

2

Y -

Y:

+

R-Z

+ R-Z +

Y

Y

-

+

Z - Y-R

R

Z

+

+

Z -

+ Y-R

R-Z + R +

Z +

R +

+

Z

+

Z

Na reação do primeiro (mecanismo SN 2 ), Y, que possuía uma carga negativa, teve essa carga dispersa no sistema: na reação do quarto tipo, houve uma dispersão da carga positiva.

Y

Y

-

+ …

R…

R…

Z

Z

-

+

Na reação de dissociação de R-Z + (terceiro e quarto tipos - mecanismo SN 1 ), o estado de transição comparado com o estado inicial apresenta, também, uma dispersão de carga positiva.

O aumento, portanto, da polaridade do solvente, diminuirá ligeiramente a velocidade da reação.

Tipo

Meca-

Y

Z

Estado

Estado

 

de

Cargas

Velocidade

da

nismo

transição

 

estado

reação

inicial

 

transição

1 SN

 

1

-

0

RZ

R +

Z

-

aumento

forte aceleração

SN

2

Y + + RZ

Y -

R

Z

-

dispersão

fraco retardamento

2 SN

 

1

0

0

RZ

R

+

Z

-

aumento

forte aceleração

SN

2

Y: + RZ

Y

+

R

Z

-

aumento

forte aceleração

3 SN

 

1

-

+

RZ +

R

+

Z

+

dispersão

fraco retardamento

SN

2

Y - + RZ +

Y

-

R

Z

+

diminuição

forte retardamento

4 SN

 

1

0

+

RZ +

R

+

Z

+

dispersão

fraco retardamento

SN

2

Y: + RZ +

Y

+

R

Z

+

dispersão

fraco retardamento

Mecanismo SN i

As reações de substituição nucleofílica interna ou intramolecular, ocorrem com retenção de configuração, isto é, se partirmos de um composto da série D, obteremos como produto um composto da mesma série.

O exemplo clássico é o da hidrólise do ácido -bromopropiônico (I).

HO O O O C C NaOH + H C Br H C H 2
HO
O
O O
C
C
NaOH
+
H
C
Br
H
C
H 2 O
CH 3
CH 3

Br

O O C - + - H C Br
O
O
C
-
+
-
H
C
Br

CH 3

C H 2 O CH 3 CH 3 Br O O C - + - H
O O O O C C Br HO H C H C OH CH 3
O
O
O
O
C
C
Br
HO
H C
H
C
OH
CH 3
CH 3

Demonstrou-se, experimentalmente, que a hidrólise desse ácido com uma solução de hidróxido de sódio diluído, é uma reação de segunda ordem, semelhante à reação SN 2 . Entretanto, enquanto a reação SN 2 apresenta inversão de configuração, a hidrólise em questão apresenta retenção de configuração. Para diferenciar uma da outra, chamou-se essa reação de SN i .

Na primeira etapa, o ácido liberta o próton auxiliado pelo hidróxido de sódio, originando a espécie II. O oxigênio do qual se destacou o próton ataca o carbono parcialmente deficiente em elétrons, deslocando o bromo (passando por uma etapa de transição – III, para formar uma -lactona (IV).

Segue-se o ataque da hidroxila pelo lado oposto àquele em que está localizado o oxigênio da lactona, para formar um composto que tem a mesma configuração espacial do produto de partida. Houve, portanto, uma retenção de configuração.

Hidrólise de halogenetos de vinila

De uma maneira geral, os halogenetos de vinila (R 2 C=CRX) apresentam uma grande resistência às reações de substituição do halogênio.

Os dados experimentais indicam que o comprimento da ligação C-X é menor do que seu valor normal, o que lembra a possibilidade de deslocalização dos elétrons solitários do halogênio no sistema.

+ R R C C C C R R R R
+
R
R
C C
C C
R
R R
R

Ficando o halogênio deficiente em elétrons, fica desprezada a possibilidade de dissociação do composto e, portanto, a reação pelo mecanismo SN 1 é praticamente impossível.

Lembramos que, no mecanismo SN 2 , é necessário que o átomo de carbono ligado ao halogênio seja parcialmente deficiente de elétrons, a fim de permitir o ataque do reativo nucleófilo. Nesse caso do halogeneto de vinila, o átomo de carbono dificilmente será deficiente de elétrons, uma vez que o efeito mesômero sobrepuja o efeito indutivo do halogênio, de maneira que o reativo nucleófilo não terá condições para seu ataque. Diminui, portanto, as possibilidades de ataque da hidroxila pelo mecanismo SN 2 .

Em última análise, a reação de substituição do halogênio pela hidroxila não se efetua nas condições normais em que são feitas as reações de hidrólise.

Hidrólise de halogenetos de alila

Assim como fizemos para os halogenetos de vinila, vejamos o comportamento dos halogenetos de alila durante uma hidrólise com hidróxido de sódio, raciocinando em termos de mecanismos SN 1 e SN 2 .

Considerando um mecanismo SN 2 , teremos:

R CH 2 R CH 2 R HO C C C C C C R
R
CH 2
R
CH 2
R
HO
C
C
C C
C C
R H
R
R
H
H OH

VI

CH 2 OH

No mecanismo SN 1 , devemos considerar a dissociação do composto:

R C C H R
R
C
C
H
R

CH 2

R + R + C C H CH 2 C C H R R OH
R
+ R
+
C
C H
CH 2
C
C H
R
R
OH
OH
R R C C H CH 2 OH C C H R VI R OH
R
R
C
C
H
CH 2 OH
C
C
H
R
VI
R OH

CH 2

CH 2

O íon carbônio resultante da dissociação se estabiliza por ressonância, de

maneira que a hidroxila atacará as duas fórmulas ressonantes, formando dois produtos diferentes. Observe-se que a formação da estrutura (VI) já tinha sido proposta pelo mecanismo SN 2 .

Método de Hoffman

Baseia-se na reação do amoníaco com um halogeneto orgânico, podendo obter-se aminas primárias, secundárias ou terciárias, dependendo das proporções molares dos reagentes.

A primeira etapa é uma reação do tipo SN2, na qual o amoníaco faz o

ataque nucleofílico ao carbono ligado ao halogênio, formando-se uma amina, que numa segunda e terceira etapas reagem do mesmo modo.

- + - + Cl R NH 3 + : Cl R NH 2 +
-
+
-
+
Cl
R
NH 3
+
:
Cl
R
NH 2
+
NH 4 Cl
:
NH
3
:
NH 3
R
Cl
-
+
+
-
NH
Cl
+
R
N
R
R
NH
R
+
: Cl
4
H
H
: NH 3
R
Cl
R
R
-
+
-
NH 4 Cl
+
R
N
R
R
N
+ Cl
R
+
:
H
: NH 3

R

Esse processo só é quantitativo quando se utilizam haletos primários, porque com os terciários a reação ocorre muito lentamente, e ainda assim, pode formar alcenos.

R

R

C
C

CH 2

H

Cl

R - R C + + : Cl CH 2 H : NH 3
R
-
R
C
+ +
: Cl
CH 2
H
: NH 3

+ -

NH

4 Cl

+

R

R

C
C

CH 2

Reação de álcool com amideto de sódio

O mecanismo pode ser do tipo SN1 ou SN2, dependendo dos tipos de substituintes da cadeia carbônica.

R

CH 2 OH R - NH 2
CH 2
OH
R
-
NH 2

+

Na

CH 2

NH 2

+

+

-

Na OH

Ocorre, neste tipo de reação, uma outra paralela, com formação de um alcóxido:

R

CH 2

- NH 2 OH R Na +
-
NH 2
OH
R
Na +

CH

2

- Na +
- Na +

+ NH

3

alcóxido: R CH 2 - NH 2 OH R Na + CH 2 - Na +

Reação de éter com amideto de sódio

R

R

- NH 2 R R
-
NH
2
R
R

3 Reação de éter com amideto de sódio R R - NH 2 R R -

- R NH R 2
-
R
NH
R
2

com amideto de sódio R R - NH 2 R R - R NH R 2

R

R

NH 2

NH 2

Reação de aminas com bromonitrilo

O produto da reação é um cianoamina, reagindo através de um mecanismo SN1 ou SN2, dependendo da natureza dos substituintes.

R

R R R + N : Br R N N + R R R -
R
R
R
+
N :
Br
R
N
N
+
R
R
R
-
:Br

Reação de aminas com epóxidos

R

Br

A reação de aminas com epóxidos conduz à formação de um amino-álcool

H

R

R H + N : CH 2 CH 2 R N CH 2 CH 2
R
H
+
N :
CH 2
CH 2
R
N
CH 2
CH 2
O
H
H
O
H +
+
H
-
N
CH 2
CH 2
OH
R
N
CH 2
CH 2
O
H
H

Usando a amina em excesso:

R

H H + N CH 2 CH 2 OH R N CH 2 CH 2
H
H
+
N
CH 2
CH 2
OH
R
N
CH 2
CH 2
CH 2
CH 2
O
CH 2
CH 2
-
O

OH

R N CH 2 CH 2 OH CH 2 CH 2 O H
R
N CH 2
CH 2
OH
CH 2
CH 2
O H
R N CH 2 CH 2 OH CH 2 CH 2 O - + H
R
N
CH 2
CH 2
OH
CH 2
CH 2
O
-
+
H

Reação do fenol com halogeneto de alquila

Ocorre por um processo SN1 ou SN2. Será SN2 se o carbono do halogênio for um carbono primário.

A reação ocorre

bromídrico formado.

erm presença de K 2 CO 3 cuja função é absorver o ácido

+ + OH R Br O R Br H + O R O R +
+
+
OH
R
Br
O
R
Br
H
+
O R
O
R
+
Br
H

H Br

Reação de sulfito de sódio com halogenetos de alquila (substi4.cw2)

Esta reação ocorre por um mecanismo SN2, processando-se um ataque do enxofre ao carbono ligado ao halogênio.

R

+
+

edcarrazzoni@hotmail.com

abr.2004, set.2006, out.2008

Na 2 SO 3

R
R

SO 3 Na

+

ligado ao halogênio. R + edcarrazzoni@hotmail.com abr.2004, set.2006, out.2008 Na 2 S O 3 R S

Na