seguido de cultivo a 37°C (24 a 48h) e semeadura (duplicata) em diferentes meios de cultura sólidos à base de ágar. RESULTADOS: as análises microbiológicas revelaram contaminação em ambos os tipos de alicates ortodônticos. foram imersos em 10ml do meio de cultura líquido Brain-Heart Infusion (BHI) por 2 minutos.Análises microbiológicas de alicates ortodônticos RESUMO OBJETIVO: avaliar a contaminação bacteriana presente na ponta ativa de alicates ortodônticos utilizados no meio acadêmico. predominando estafilococos e cocos isolados gram-positivos. previamente autoclavados. O grupo controle foi composto por 3 alicates de cada modelo. Os alicates do grupo experimental. 17 do modelo 347 e 17 do modelo 139. após o uso. Observaram-se variadas formas bacterianas. MÉTODOS: selecionou-se 34 alicates. Os . para detecção e identificação de agentes microbianos.

Dentre os patógenos potencialmente transmissíveis. Os alicates 139 também continham bactérias da microbiota bucal.83 x 109 e 6. do Herpes Simples e da Imunodeficiência Humana. consequentemente. sendo comumente encontrados na cavidade nasal e superfícies epiteliais das mãos. Contaminação. Mycobacterium tuberculosis. sendo que a maior média obtida refere-se ao meio de cultura próprio para desenvolvimento de estafilococos. Controle de infecção.alicates removedores de anéis apresentaram maiores índices de contaminação. formando um complexo ambiente composto por uma numerosa e. como qualquer outro instrumental odontológico. bem como entre paciente e profissional14. incluindo os vírus. A distinção entre os termos esterilização e desinfecção é importante. Palavras-chave: Instrumentos odontológicos. diferentes espécies de Staphylococcus e Streptococcus.25 x 109 UFC/ml. A isso se deve a preocupação com o controle de infecção e biossegurança em Odontologia. variando de acordo com o tipo de meio de cultura. com todos os pacientes11. incluem-se os vírus das hepatites B e C. envolvendo uma série de procedimentos designados para prevenir ou reduzir significativamente as chances de infecção cruzada entre pacientes. é obtida através do processo de . indicando. há necessidade de submetê-los previamente aos procedimentos de esterilização após cada utilização em pacientes. com médias entre 2. A destruição de todas as formas de vida microbiana. Ortodontia. após serem empregados em atendimentos clínicos. é recomendado que todos. em certos casos. presença da espécie Staphylococcus aureus. indiscriminadamente. INTRODUÇÃO A cavidade bucal abriga uma grande variedade de microrganismos. através do contato com instrumental ou superfícies contaminadas. Microbiologia.33 x 10 8 e 6. com variações entre 1. microrganismos que não fazem parte da microbiota bucal normal. CONCLUSÃO: constatou-se que os alicates ortodônticos apresentam-se contaminados. As infecções podem ser transmitidas por contato direto com sangue e fluidos bucais ou de forma indireta. muitas vezes. pois não raramente são empregados erroneamente. precauções padronizadas sejam utilizadas em todos os procedimentos. além de microrganismos responsáveis pelas infecções do trato respiratório superior2. Em razão disso. patogênica microbiota28.93 x 109 UFC/ml. sejam considerados potencialmente contaminados e que. Em virtude de nem todos os pacientes portadores de patologias importantes poderem ser identificados previamente à realização de um procedimento.

Na prática ortodôntica. o objetivo do presente trabalho foi avaliar a contaminação bacteriana presente na ponta ativa de alicates ortodônticos. sem penetrar em tecidos duros ou moles. sendo a saliva um meio tão infeccioso quanto o sangue13. a preocupação com o controle de infecção tem se intensificado após o aumento da incidência da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).10. através de métodos microbiológicos de cultivo e identificação de agentes bacterianos. garantindo maior proteção aos pacientes e ao próprio profissional18. o instrumento deve ser submetido.10. devendo ser esterilizados após cada uso. No entanto. A Ortodontia clínica.13. devendo apenas ser desinfetados ou limpos. pois são usados em tecidos cruentos. no mínimo. atrás apenas dos especialistas em Cirurgia Bucal7. a um alto nível de desinfecção. MATERIAL E MÉTODOS . » Semicríticos: entram em contato com os tecidos bucais.27. sendo incapaz de eliminar formas bacterianas esporuladas e microrganismos resistentes. que apresentam alto risco de contaminação14. Os instrumentais utilizados na prática médica e odontológica são classificados em três categorias. requer planejamento e organização dos procedimentos de esterilização e desinfecção.16. por isso. um erro frequente entre os ortodontistas é enxergar a desinfecção como uma alternativa de esterilização10 .29: » Críticos: devem ser descartáveis ou sofrer esterilização. como os agentes etiológicos da tuberculose e da hepatite3. caso a esterilização não seja possível devido ao tipo de material ser sensível ao calor. Dentro dessa perspectiva. convive-se há longo tempo com infecções pelos vírus das hepatites B e C. com seu maior volume diário de pacientes do que em outras especialidades odontológicas. Porém.30. utilizados no atendimento de pacientes por acadêmicos de pós-graduação em Ortodontia. » Não críticos: contatam a pele íntegra. levando em consideração o grau de contaminação dos mesmos20. todo o material que puder ser esterilizado jamais deverá sofrer somente desinfecção9. Já a desinfecção se refere à destruição de microrganismos patogênicos. Os ortodontistas têm a segunda incidência mais alta de hepatite B entre os profissionais da Odontologia10. Deve-se ressaltar que a desinfecção não substitui a esterilização e. separados de acordo com o risco de transmissão de infecção e a necessidade de esterilização entre os usos.esterilização.

a 37ºC. para seleção de bactérias gramnegativas. para a seleção de bactérias do gênero Staphylococcus. meio Ágar Sal-Manitol ("Chapman"). Os meios de cultura utilizados no presente trabalho foram fabricados pela empresa Vetec Química Fina Ltda. foi realizada a contagem das unidades formadoras de colônias (UFC) crescidas nas placas de Petri. com imediata incubação por 24 a 48 horas. não houve tempo hábil para realização de procedimentos capazes de alterar os dados estatísticos e achados microscópicos. sendo posteriormente incubadas por 24 a 48 horas. meio Ágar Mitis-Salivarius (MS). Após diluídas. para contagem total de colônias crescidas. a 37ºC. e os removedores de anéis por apresentarem um dispositivo plástico na sua estrutura que. surpreendendo os alunos durante os períodos de prática clínica. é um meio líquido para enriquecimento e proliferação de células microbianas. Imediatamente após diluídas. as culturas foram semeadas em duplicata nos seguintes meios de cultura sólidos (com 2% de ágar): meio Ágar Sangue (AS) e meio Ágar Nutriente (AN). meio Ágar Eosina-Azul de Metileno (EMB). totalizando 6 amostras previamente esterilizadas em autoclave e não utilizadas em nenhum procedimento clínico. tiveram a sua ponta ativa imersa durante 2 minutos em 10ml do meio Brain-Heart Infusion (BHI). foram selecionados instrumentais que estavam preparados para uso clínico. Esses instrumentais foram escolhidos pela ampla utilização no dia a dia da Ortodontia: o 139 por ser inteiramente metálico. Rio de Janeiro). Análises microbiológicas Os alicates ortodônticos analisados. as amostras foram semeadas nos diferentes meios de cultura sólidos descritos. Meios de cultura utilizados O meio Brain-Heart Infusion (BHI). ao serem empregados. (Duque de Caxias. bem como os instrumentais do grupo controle. contata diretamente os tecidos bucais. Dessa forma. do tipo 347. chegando até a diluição de 10-5. Após esse período. utilizado para imersão dos alicates analisados. O grupo controle foi composto por 3 amostras do alicate modelo 139 e 3 do modelo 347. A escolha das amostras foi aleatória. Selecionou-se um total de 17 amostras de alicates do modelo 139 e 17 utilizados para remoção de anéis. O objetivo foi a redução da concentração de células bacterianas no meio líquido para posterior análise quantitativa. para seleção de bactérias do gênero Streptococcus. Das amostras contendo meio BHI inoculado pelos alicates.Seleção da amostra Para análise da potencial contaminação microbiana de alicates ortodônticos. realizaram-se sucessivas diluições em solução salina inerte (NaCl 0. com o objetivo de aumentar o número de bactérias presentes nas amostras. para .9%) para obtenção de diferentes concentrações de cada amostra.

Após o período de incubação de 24 a 48 horas a 37°C. Número de UFC / ml . Para tal. Além disso. As colônias de cada meio de cultura foram analisadas quanto à morfologia e coloração. considerando-se os modelos de alicates. foram registrados e comparados aos resultados obtidos entre os modelos de alicates avaliados. expondo que neles existia contaminação microbiana. garantindo a confiabilidade dos resultados. desde que não houvesse disparidade numérica significativa entre as duplicatas. Os dados foram computados no Programa SPSS versão 15. da mesma diluição e meio. As duas amostras onde o BHI permaneceu translúcido e límpido (uma amostra do alicate 139 e uma do alicate 347). A partir das médias individuais de UFC/ml de cada diluição. convencionou-se classificá-las como "incontáveis" (>1010 UFC/ml). verificou-se o aparecimento de colônias na maioria das culturas. após as diluições.0. As amostras de BHI. Assim. Esse fato sinalizou que houve proliferação dos microrganismos coletados das superfícies dos instrumentais. calculouse a média individual de células bacterianas por mililitro de BHI. Nas placas onde o crescimento bacteriano foi muito elevado. e entre os meios de cultura utilizados no experimento. observou-se. situação idêntica à do grupo controle. indicaram a prévia esterilização dos instrumentais. seguido do armazenamento e incubação a 37ºC por 24 a 48 horas. que apresentaram grande discrepância na quantidade de colônias. foram semeadas em duplicata nas placas de Petri contendo ágar. Das duas contagens de cada diluição. a análise estatística foi realizada através do teste t (Student) e da Análise de Variância (ANOVA). de cada instrumental analisado. efetuouse o cálculo da média geral para cada meio de cultura. respectivamente. Análise dos resultados Os resultados respectivos ao número total de colônias crescidas. bactérias dessas colônias foram visualizadas em microscopia óptica e classificadas através do método de Gram. foram mantidas apenas aquelas cujos escores de ambas as contagens mostravam-se em equivalência. Foram eliminadas as contagens. em 32 das 34 amostras. As poucas culturas onde não houve o aparecimento de colônias foram denominadas "nulas". RESULTADOS Crescimento em meio de enriquecimento e semeadura Após imersão dos alicates em 10ml de BHI (meio para enriquecimento). O nível de significância utilizado foi de 5%.efeitos comparativos e estatísticos. impossibilitando a contagem. a turvação do meio líquido e a presença de células microbianas depositadas no fundo dos tubos de ensaio.

objetivando abranger a maior diversidade de exemplares das colônias crescidas.009) de colônias presentes nas culturas de Chapman. mostrando diferença estatisticamente significativa (p=0. nas culturas de Ágar Eosina-Azul de Metileno (EMB) — um meio seletivo para bactérias gram-negativas (G-) — e de Ágar Sangue (AS). Bactérias dessa espécie colonizam a superfície da pele humana e membranas mucosas da cavidade nasal 15. Por fim. tamanhos e colorações variadas. que apresentou menor número de unidades formadoras de colônias/ml. Esse fato pode ser resultante do contato direto do utensílio com as superfícies dentária. e indicativo para S. gengival e mucosa. aureus. de UFC/ml referente aos alicates para remoção de anéis. a média de UFC/ml de BHI foi semelhante entre os alicates 139 e removedores de anéis. um meio não seletivo e não indicativo. onde com frequência há acúmulo de placa bacteriana. em trabalhos ortodônticos de cunho laboratorial. residiu a maior discrepância nos valores médios de UFC/ml entre os instrumentais. A média significativamente maior (p=0. nos 139. Na coloração das lâminas utilizou-se o método de Gram. Além disso. um meio seletivo para Staphylococcus sp. que constitui um meio rico. foram eleitas 41 placas de Petri de todos os tipos de meios. Tal achado pode ser reflexo do manuseio desse alicate na confecção de aparelhos. Em contrapartida. por meio da análise de variância. mutans. Bactérias dessa espécie fazem parte da microbiota bucal e são consideradas expressivamente as mais cariogênicas6. Caracterização geral da morfologia das microrganismos crescidos em cada meio de cultura colônias e dos As colônias microbianas possuíam configurações. com objetivos estatísticos e de comparação. o meio Chapman foi o único que demonstrou diferença significativa em relação ao meio Ágar Nutriente.008) entre os dois tipos de alicates. no meio Mitis-Salivarius observou-se média mais elevada. Para análise em microscopia óptica. na região posterior da cavidade bucal. Nos meios Ágar Mitis-Salivarius (MS) e Sal-Manitol (Chapman) também foram constatadas diferenças nos valores médios entre os modelos de instrumentais. . Os alicates para remoção de anéis mostraram média de contaminação 10 vezes maior do que os do modelo 139.Para análise quantitativa. obtidas a partir dos alicates 139. efetuou-se a contagem das unidades formadoras de colônias (UFC) quando havia condições para realização do referido procedimento. permitindo que se fizessem correlações com as atividades práticas. indicando uma tendência de maior contaminação nos alicates desse tipo. sugere o maior contato do referido alicate com a epiderme. ou seja. tendo em vista que o seguinte meio é seletivo para Streptococcus e indicativo para S. porém não significativa. A Tabela 1 mostra que nas culturas de Ágar Nutriente (AN).

presentes em colônias brancas e de tonalidades claras de amarelo. Nas culturas de Chapman. elevação do nível de S. formando colônias arroxeadas com relevo e contorno irregulares. observaramse colônias que apresentavam microrganismos capazes de causar destruição de células sanguíneas presentes nas culturas de AS. são exemplos de microrganismos hemolíticos19. Nas placas que continham Ágar Nutriente. foram detectadas bactérias hemolíticas. que é a transferência de microrganismos de uma pessoa ou objeto para outra pessoa podendo ou não resultar em infecção15 . indicadas pela aparição de halos translúcidos ou esverdeados. Como acontece em várias doenças infecciosas. originar infecções 1. Estreptococos encontrados na orofaringe.Na Tabela 2 e na Figura 1. segundo as análises microscópicas. No meio EMB. bacilos G+ e G– isolados. Por exemplo. O meio Mitis Salivarius revelou cocos G+. esses microrganismos coexistem em estado de equilíbrio com o hospedeiro. O termo infecção cruzada refere-se à transferência de microrganismos de uma pessoa ou objeto para outra pessoa. sinalizada pela mudança de coloração do ágar. mutans1. em inflamações da garganta e em infecções da pele. Entre os vários tipos de bactérias visualizadas nesse trabalho com o auxílio de microscopia óptica. observam-se as configurações das colônias encontradas com maior frequência e os tipos de bactérias que as constituíam. que. resultando em uma infecção. circulares e de tamanhos reduzidos. como: diminuição do pH e aumento do acúmulo de placa bacteriana1. No meio Ágar Sangue (AS). prevaleceram estafilococos G+ em colônias amarelas e rosadas. No presente estudo. predominando colônias azuladas. a baixa resistência do paciente . Ou seja. foi constatado que os procedimentos de biossegurança adotados no meio acadêmico estavam sendo pouco eficientes para redução dos riscos de infecção. além de bacilos isolados G+ e G–. em muitos casos. indicando. Além disso.22 e aumento das espécies de Lactobacillus1. cocos gram-positivos isolados e em arranjos de estafilococos foram os mais frequentes. a presença da espécie Staphylococcus aureus. visualizaram-se variados tipos de bactérias. ao redor de diversas colônias visualizadas em placas do referido meio. eram compostas geralmente por estafilococos ou bacilos gram-positivos (G+). as formas bacterianas mais comumente encontradas foram as de estafilococos e estreptobacilos G+.24. braquetes e bandas ortodônticas induzem alterações específicas no ambiente bucal. Deve ser distinguido de contaminação cruzada. DISCUSSÃO A microbiota bucal é constituída por mais de 300 espécies bacterianas já caracterizadas26 . apresentando superfícies tanto lisas quanto rugosas. Em condições de saúde. mas mudanças ambientais e desequilíbrios microbianos podem. predominaram colônias de coloração amarela. de acordo com cada meio de cultura. Tais microrganismos podem pertencer a diferentes espécies de bactérias capazes de causar inúmeras patologias. como consequência. predominando cocos isolados e estreptobacilos G+.

enfatizando a necessidade de procedimentos apropriados de desinfecção14. a eficácia da desinfecção é afetada por fatores como a natureza do objeto (tipo de fendas e dobradiças) e pelo tempo de exposição ao produto desinfetante 14. Esterilização ou desinfecção de alto nível são procedimentos recomendados para os vírus HBV e HIV. que podem ser acompanhadas de escarlatina e febre reumática25. endocardite bacteriana e septicemia25. Os agentes patógenos podem ser transferidos. de paciente para paciente. Inúmeros estudos demonstram presença de contaminação após desinfecção imprópria dos artigos usados em pacientes.29. base da língua ou assoalho bucal25. estão entre as bactérias patogênicas humanas mais resistentes. constatou-se que 49% dos profissionais questionados esterilizavam seus alicates. Os alicates 139. muito pela crença de que essa especialidade apresenta baixo risco de contaminação8. saprophyticus como as de maior importância na área da saúde25. Para alguns autores. conjuntivite e queilite angular. no entanto. Entre as patologias ocasionadas por algumas espécies de Streptococcus destacam-se as infecções do trato respiratório superior. que pode atuar de maneira favorável à retenção de microrganismos. mostraram também elevados índices de contaminação por estafilococos. enquanto 49% os . os métodos de controle de infecção que têm sido adotados atualmente em alguns consultórios ortodônticos são insuficientes. sendo que todo material que puder ser esterilizado jamais deverá ser somente desinfetado9. como faringite e tonsilite. epidermidis e S. Complicações da faringite aguda podem envolver a disseminação da infecção ao ouvido (otite média).é um fator importante na suscetibilidade do indivíduo à infecção 19. abscessos. já que. osteomielite. além de estarem contaminados por microrganismos encontrados na cavidade bucal. além da presença de material plástico na sua extremidade.23. Esse achado pode ser resultante da manipulação desse instrumental durante a confecção de aparelhos. Esse fato pode ser creditado ao contato direto desse utensílio com estruturas intrabucais. destacando-se S. superfícies e mãos contaminadas21. Outras doenças causadas por estreptococos são as infecções de tecidos moles da cavidade bucal ou da pele. Os removedores de anéis foram os mais contaminados. mastoides. esse tipo de alicate não é levado diretamente à boca. cujo principal agente bacteriano é o grupo mutans25 . responsáveis por infecções em ambiente hospitalar. aureus. pneumonia25. Esses microrganismos. S. teoricamente. por contato direto ou indireto com instrumentos reutilizados preparados de forma imprópria. podendo sobreviver durante meses em superfícies secas29.18. além de enfermidades de maior gravidade como síndrome do choque tóxico. além das lesões cariosas. Em uma pesquisa realizada com ortodontistas. a temperaturas superiores aos 60ºC. O gênero Staphylococcus é composto por mais de quinze espécies diferentes. que são bactérias que colonizam a mucosa nasal e a pele. Dentre as doenças causadas por enzimas e toxinas estafilocócicas são citadas as infecções superficiais como furúnculos. com o predomínio de bactérias que compõem a microbiota bucal. Ambos os tipos de alicates analisados apresentaram contaminação bacteriana em sua ponta ativa. carbúnculos. pústulas.

Esse fato é verdadeiramente relevante.30 relataram que. Um dos motivos do alto percentual de adeptos dos métodos de desinfecção pode ser atribuído ao custo da esterilização. Os resultados obtidos nesse experimento demonstraram grande contaminação presente nos alicates ortodônticos. C e D). Além disso. herpes-zoster. da totalidade de pacientes frequentadores das clínicas de Ortodontia. em comparação aos cirurgiões-dentistas das demais especialidades. herpes simples. 52% jovens e 27% adultos. por meio da utilização de instrumentais contaminados. são citadas principalmente — entre as de etiologia viral — as hepatites (B.5%19 . para esterilizar cada instrumental. o risco de transmissão do HIV apresenta uma incidência estimada entre 0 e 0. Nas mesmas circunstâncias. o vírus da hepatite B é potencialmente infectante por 7 dias depois de seco10 . que os ortodontistas talvez sejam mais flexíveis quanto ao controle de infecção. Em um volume de sangue menor que 0. e por até sete dias quando expos-to a superfícies4. ainda. ou através de lesões por instrumentos perfurocortantes utilizados em pacientes que possuem o antígeno HBsAg circulante. são secretadas nos fluidos bucais. considerando que pequena quantidade de saliva tem potencial para ocasionar enfermidades graves como a hepatite B. a literatura menciona tuberculose. Woo et al. conjuntivite herpética. Os autores comentam. Isso porque grande parte dos portadores de HBV ou HIV são assintomáticos. 21% eram crianças. embora esse trabalho tenha se direcionado à identificação de bactérias contaminantes. Outros motivos citados seriam a diminuição da vida útil dos materiais quando submetidos ao procedimento de esterilização. Já entre as infecções mais importantes causadas por bactérias. . caxumba e AIDS. Observa-se que os indivíduos na adolescência ou em idade adulta representam o maior percentual dos pacientes em tratamento ortodôntico. Dentre as muitas doenças que podem ser contraídas em consultório dentário. a disseminação de vírus não pode ser descartada. ten-do se mostrado infectante por até seis meses à temperatura ambiente.00000001ml. catapora. e especialmente de partículas virais. Portanto. rubéola. pneumonia. A incidência da hepatite B após exposição acidental a materiais contaminados. No entanto.desinfetavam. e que. Um agravante da transmissibilidade do HBV é a sua alta resistência e seu alto grau de infecciosidade. e podem disseminar vírus dentro das clínicas10 . seriam necessários muitos alicates. sarampo. diversos tipos de microrganismos podem ser transmitidos entre indivíduos. sífilis. estudos recentes salientam que houve um aumento nos casos de infecção por HIV na população com idade inferior a 20 anos 17. é de aproximadamente 20%. infecções por estreptococos e estafilococos12. pois.10. tendo em vista que imensas quantidades de bactérias. todos os pacientes devem ser tratados como se fossem potencialmente infectantes. por acreditarem que sua jovem população de pacientes tenha menor risco ao HIV ou HBV30. o grande volume semanal de pacientes e o menor tempo de duração dos atendimentos.

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