XI JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2011 – UFRPE: Recife, 17 a 21 de outubro.

AVALIAÇÃO SOBRE A PERCEPÇÃO E RECONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DOS ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL II SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
Marcela Lúcia Barbosa¹, Izabela de Sousa Pereira¹, Aristóteles Philippe Nunes de Queiroz¹, Valdilene Gomes de Melo¹, Morgana Maria Gouveia da Silva¹, Eduardo Menezes Lira¹ e Luciana de Matos Andrade Batista-Leite2
sondar o conhecimento prévio dos estudantes com relação a mudanças climáticas, efeito estufa e buraco na camada de ozônio. O questionário proposto foi elaborado com seis questões, distribuídas de forma objetiva e discursiva, com intervalo de aplicação de 15 minutos, foi solicitado informações sobre série, sexo e idade. Em seguida, foi proferida uma palestra educativa dialogada, com duração de 50 minutos, cujo objetivo foi realizar uma explanação sobre as questões abordadas nos questionários. As palestras proferidas tiveram como finalidade despertar a curiosidade e o interesse dos estudantes acerca do tema abordado.

Introdução
Mudanças climáticas se configuram entre um dos temas ambientais mais discutidos na atualidade. O IPCC [1] definiu mudanças climáticas como qualquer alteração no clima durante um período de tempo, sejam estas por ações antrópicas ou através da ocorrência natural. Todavia, este fenômeno vem se agravando com o intenso uso e liberação de gases causadores do efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono. Como o aumento da poluição é diretamente proporcional ao acréscimo da concentração de gases na atmosfera, a poluição também se configura entre um dos maiores contribuintes para expandir o buraco na camada de ozônio [2]. Ao avaliar as mudanças climáticas no Brasil, especificamente no bioma Caatinga as previsões indicam que o espaço ocupado pelo bioma apresenta tendências de sofrer com a desertificação, o que irá afetar as pessoas que vivem na região e dependem de seus recursos naturais para sobreviver [3], bem como toda a flora e a fauna. Desta forma, ao avaliar a percepção dos estudantes do Ensino Fundamental II sobre alterações climáticas, uma vez que estão inseridos no bioma Caatinga, permitirá a reconstrução do conhecimento, bem como servirá como instrumento de debate sobre mudanças climáticas, efeito estufa e buraco na camada de ozônio.

Resultados
A. 6º Ano A amostragem do 6º ano foi de 36 estudantes, com idade entre 9 e 23 anos, sendo 50% pertencentes ao sexo feminino e 50% ao sexo masculino. Sobre mudanças climáticas: 75% dos alunos responderam que nunca ouviram falar e apenas 25% que sim. Destes, 77,78% responderam errado, relacionaram a estações do ano e condições do tempo: chuva e sol, apenas 11,11% acertaram onde relacionaram com mudanças no clima, mas não mencionando ser global ou pontual. Quando a questão era referente ao efeito estufa: 88,89% afirmaram que nunca ouviram falar sobre esse tema e 11,11% disseram que conheciam. Dos que responderam sim: 25% responderam certo, relacionando o fato à poluição proveniente dos carros, 25% responderam errado, dizendo ser a causa do ambiente e 50% não opinaram. Sobre o buraco na camada de ozônio: 91,67% responderam não saber do que se tratava, onde apenas 8,33% que sabiam. Dos que responderam sim, 66,67% conceituaram adequadamente e 33,33% explicaram errado, dizendo que este é um evento que acontecerá apenas no futuro. B. 7º Ano A amostragem do 7º ano foi de 34 estudantes, com idade entre 11 e 14 anos, sendo 47,06% pertencentes ao sexo feminino e 52,94% ao sexo masculino. Quando questionados se sabiam o que eram as mudanças climáticas: 38,24% responderam que não e 61,76% disseram que sim. Destes, 66,67% informaram uma

Material e Métodos
A coleta de dados foi realizada com estudantes da Rede Pública Estadual da Escola Methodio de Godoy Lima, localizada no bairro COHAB, município de Serra Talhada, Estado de Pernambuco. Os educandos amostrados cursavam o Ensino Fundamental II (6º, 7º, 8º e 9º anos). Os dados foram obtidos durante o mês de junho/2011, através de uma atividade de extensão: “Ações em prol do meio ambiente”, realizada pelo Grupo do Programa de Educação Tutorial (PET BIOLOGIA UAST) da Unidade Acadêmica de Serra Talhada, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAST/UFRPE). Os procedimentos metodológicos basearam-se em aplicação de questionários individuais, com intuito de

________________ 1. Bolsista do Grupo do Programa de Educação Tutorial (PET Biologia UAST) do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas da Unidade Acadêmica de Serra Talhada, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAST/UFRPE). Fazenda saco s/n. Margem Direita da BR-232, Sertão do Alto Pajeú. Zona Rural, Caixa Postal: 063. CEP: 56903-960. E-mail: marcelalucia.ufrpe@gmail.com 2. Professora Adjunto II da Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST/UFRPE). Fazenda saco s/n. Margem Direita da BR-232, Sertão do Alto Pajeú. Zona Rural, Caixa Postal: 063. CEP: 56903-960. E-mail: luciana_matos1@hotmail.com

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resposta inadequada ao justificar o conceito, associando a mudanças de tempo: quente durante o dia e frio à noite, variações de chuva, sol e nuvens passageiras e a mudanças nas estações do ano; 19,05% não opinaram e apenas 14,28% acertaram a resposta, dizendo ser mudanças no clima, mas sem informar em qual escala, se regional ou global. Quando os estudantes foram indagados quanto a obtenção de informações prévia sobre o efeito estufa: 64,70% disseram que nunca ouviram falar e 35,30% afirmaram positivamente. Destes, 33,33% souberam explicar o que era o efeito estufa, afirmando que este está sendo responsável pela destruição das calotas polares e que o aumento do consumo e consequente aumento da poluição, agravando cada vez mais o calor; e 41,67% não souberam explicar o que era o fenômeno, afirmando que não há mudanças de tempo e que é o solo sobre o ar e 25% não opinaram. Sobre o buraco na camada de ozônio: 61,76% afirmaram não saber o que era e 8,24% disseram saber. Dos que disseram conhecer: 15,38% responderam certo, relacionando que é causado pelo aumento da poluição e que por conta dele a camada de ozônio está em destruição; 38,47% erraram o conceito e 46,15% não opinaram. C. 8º Ano A amostragem do 8º ano foi de 25 estudantes, com idade entre 12 e 18 anos, sendo 44% pertencentes ao sexo feminino e 56% ao sexo masculino. Ao serem questionados sobre o que eram as mudanças climáticas: 48% responderam que não sabiam e 52% afirmaram saber. Dos 52% que disseram sim: 84,61% responderam errado, dizendo que é uma mudança que ocorre nas ruas, que são chuvas e nuvens carregadas, que é mudança de tempo: chuvoso, ensolarado, nublado; e 15,39% acertaram a resposta, afirmando serem causadas pelo efeito estufa e que são mudanças do clima, porém sem dizer se é global ou pontual. Quando a questão era sobre o efeito estufa: 80% responderam que não sabiam o que era o fenômeno e 20% dos educandos confirmaram saber. Dos que disseram que sabiam: 60% descreveram errado o fenômeno, 20% responderem corretamente, dizendo ser este agravado pelo desmatamento e poluição e 20% não opinaram. Sobre o buraco na camada de ozônio: 84% disseram não ter conhecimento sobre a existência e 16% confirmaram saber. Destes, 50% dos estudantes acertaram, alegando ser uma abertura que deixa os raios ultravioletas passar, e complementaram afirmando que é feito pela fumaça da poluição e 50% dos estudantes informaram apenas que era uma abertura que protege a Terra dos raios solares. D. 9º Ano A amostragem do 9º ano foi de 51 estudantes, com idade entre 13 e 24 anos, sendo 62,75% pertencentes ao sexo feminino e 37,25% ao sexo masculino.

Ao responderem sobre mudanças climáticas: 47,05% disseram que não sabiam do que se tratava e 52,95% afirmaram saber. Destes, 51,85% deram um conceito errado de mudanças climáticas dizendo que são as mudanças das estações do ano ou que é uma mudança de tempo: de frio para quente; 18,52% responderam corretamente alegando serem causadas pelo efeito estufa e aquecimento global e que são mudanças no clima, mas sem relatar em qual escala ela acontece e 29,63% não opinaram sobre o assunto. Quando a questão era o efeito estufa: 64,70% responderam que não tinham conhecimento a respeito e 35,30% responderem que sabiam. Dentre estes: 11,11% responderem corretamente afirmando que este é afetado por queimadas e pela fumaça dos automóveis, e que é causado pela emissão de gases na atmosfera; 5,56% não souberam explicar o que era o fenômeno, dizendo ser causado pelo buraco na camada de ozônio e 83,33% não opinaram. Sobre o buraco na camada de ozônio: 86,27% disseram não saber do que se tratava e 13,73% afirmaram ter conhecimento. Destes, 14,28% acertaram, alegando que é um buraco formado pela poluição e queimadas; 28.58% erraram e 57,14% não opinaram.

Discussão
Durante a aplicação dos questionários, foi perceptível o grau de desmotivação e falta de envolvimento da maioria dos estudantes ao responderem as questões, isto pode está relacionado à falta de abordagens dos conteúdos apresentados em sala de aula. Durante a palestra foi possível observar que os estudantes não acreditam que os conteúdos mostrados estejam presentes na região que estão inseridos, pela expressão de surpresa que faziam ao tomar conhecimento sobre os impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas e os problemas causados pelo buraco na camada de ozônio. De acordo com os dados obtidos foi constatado que a maioria dos educandos não tem informações suficientes sobre problemas ambientais que influenciam e afetarão a vida de todas as pessoas no mundo inteiro. Quando estes afirmam saber, não conseguem explicar os conceitos. Quando o tema são as mudanças climáticas observou-se que independente do ano de estudo e, consequente diferença de idade, a falta de conhecimento a respeito é representada por uma grande lacuna. No 6º ano, 75% dos estudantes não sabem do que se trata esse fenômeno climático, o que poderia ser justificado em decorrência das suas idades, mas o mesmo quadro se repete nas demais turmas. No 7º ano foram 38,24% que disseram não saber, no 8º ano 48% e no 9º ano 47,05%. Embora no 7º ano o número de educandos que afirmaram não saber fosse menor quando comparado aos outros anos, 66,67% conceituaram errado, dos que afirmaram conhecer o assunto, revelando a falta de discussão desse tema em sala de aula. Em relação ao efeito estufa, causador das mudanças

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climáticas, os resultados não são diferentes. Entre os estudantes do 6º ano 88,89% disseram não ter conhecimento a respeito, 64,70% no 7º ano, 80% no 8º ano e 64,70% no 9º ano. Dos que confirmaram saber é grande o número de educandos que não conseguem conceituar, levando a uma reflexão de que estes estudantes apenas ouviram falar dos conteúdos abordados em determinada ocasião ou não absorvem o conhecimento que lhes é repassado, ou ainda não sejam repassadas informações nestas áreas a eles. Como por exemplo, a resposta do estudante do 7º ano em que disse que o efeito estufa se tratava do “solo sobre o ar”. Quando se trata do buraco na camada de ozônio os resultados foram alarmantes. No 6º ano, 91,67% afirmaram não saber do que se tratava, 61,76% no 7º ano disseram não conhecer, 84% no 8º ano e 86,27% no 9º ano. Foram poucos os estudantes que disseram saber e conceituaram corretamente. O mais preocupante é que muitos não têm nem noção do que se trata o assunto, conforme afirmado por um estudante do 6º ano que o buraco na camada de ozônio era “a Terra”. Muitos estudantes simplesmente não opinam a respeito das questões, fazendo com que se questione assim a curiosidade que estes têm. Pode-se inferir que eles pensam que esses problemas são coisas para um futuro distante, que não irão atingir a região onde moram, não dando tanta importância para isso ou simplesmente por serem assuntos que não demonstrem interesse. A final esperava-se que os estudantes do 6º ano apresentassem argumentos e respostas mais corretas, uma vez que estão vivenciando (ou deveriam vivenciar) os conteúdos abordados em ciências sobre solo, água e ar, além de ecologia. Todavia, o 9º ano por estarem prestes a entrar no Ensino Médio e por terem, teoricamente, maior conhecimento quando comparados aos estudantes dos anos inferiores e os temas em questão serem bastante divulgados na mídia poderiam também apresentar uma incorporação do conhecimento mais acurada. Desta forma, destacamos no presente trabalho a preocupação como assuntos tão presentes na atualidade e tão importantes não sejam de conhecimento dos educandos do Ensino Fundamental II. As mudanças climáticas podem influenciar de forma direta a vida das pessoas ou ainda pode vir a influenciar de modo especial da população localizada no Nordeste brasileiro, onde estes estudantes estão inseridos. Era de se esperar que os educandos estivessem conscientes desses problemas, pois como se podem encontrar meios para tentar evitá-los ou até mesmo diminuí-los, quando não se há conhecimento sobre a sua existência? Em todas as turmas em que foram aplicados os questionários o nível de informação dos alunos sobre mudanças climáticas, efeito estufa e buraco na camada de ozônio é muito inferior ao esperado.

É extremamente preocupante este fato, pois mostra a falta que a educação ambiental faz nas escolas, onde deveriam ser formados jovens conscientes e críticos sobre o mundo onde vivem. É necessário melhorar o ensino nas escolas, visando que seja repassada uma educação ambiental de qualidade para estes estudantes. Assim, eles poderão ter pleno conhecimento sobre os sérios problemas ambientais que são enfrentados atualmente, como também da importância que o meio ambiente tem para suas vidas, tomando consciência [2] e procurando meios de mudarem seus hábitos para enfrentar os problemas que tanto agravam o ambiente e que já estão mudando e, ainda mudarão de forma bastante radical o nosso planeta e a vida das pessoas.

Agradecimentos
Ao Programa de Educação Tutorial - MEC, SeSu/SECAD pela bolsa concedida. À direção da Escola Estadual Methodio de Godoy Lima pela acessibilidade aos estudantes.

Referências
[1] IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática]. Paris, 2007. 3p. [2] SANTOS, E.T. Educação ambiental na escola: Conscientização da necessidade de proteção da camada de ozônio. Santa Maria, 2007. [3] GREENPEACE. Mudanças do clima, mudanças de vida. Como o aquecimento global já afeta o Brasil. São Paulo, 2006.

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