13º ENCONTRO NACIONAL DE PRESBÍTEROS

03 a 09 de fevereiro de 2010, Itaici, Indaiatuba - SP ENPs, 25 anos celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral “Eu me consagro por eles” (Jo 17,19a) Prot. 07/2010 13º ENP

DIMENSÃO HUMANO AFETIVA NA VIDA DO PRESBITERO
Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDS
“Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” Lc. 2,52.

INTRODUÇÃO: Inicio com um pensamento do Pe. Manuel Godoy1, referindo-se à maturidade humana e ministerial afirma: ”É bom lembrar que antes de ser padre, é preciso ser cristão e antes de ser cristão, é ser humano. Somente sobre fundamentos sólidos humanos se pode edificar o verdadeiro presbítero, pois este deverá ter condições de colocar a totalidade de sua vida sob o dinamismo do Espírito. É claro que por maturidade entendemos hoje mais claramente que se trata de um processo, que nos acompanha a vida inteira, desde “la cuna hasta el ataud”. Refletir sobre a dimensão humana afetiva na vida do presbítero é falar de alguém humano que tem uma opção de vida definida por uma vocação! Tratase de uma experiência única vivida por um sujeito que define seu agir humano movido por uma escolha vocacional definida que contem pressupostos que fazem parte da perspectiva da vida tomada como um todo. No tema proposto temos elementos importantes que o compõem e se completam. 1) dimensão humano afetiva; 2) na vida do presbítero.
1) Dimensão Humana afetiva: Por definição compreendemos que a

dimensão humano afetiva é algo que pertence a todos os humanos, independente de sua opção de vida. Ela faz parte do ser gente. É uma dimensão estrutural da pessoa, faz parte da sua constituição. Ela envolve o modo de ser e de se relacionar de cada um consigo, com as outras pessoas, com as coisas e com o mundo. No âmbito dos afetos estão envolvidas as emoções, os sentimentos, a racionalidade.
2) Na vida do presbítero (um modo específico de vivenciar a dimensão

afetiva) é o outro elemento importante relacionado ao tema. Aqui a dimensão humana afetiva ganha uma conotação própria específica, vinculada a uma opção, uma escolha feita cuja razão de ser é a entrega total e incondicional a Deus e ao seu Reino. Essa escolha “afetiva” é dom e implica a aceitação de caminhos definidos na maneira de viver o humano afetivo, que exige um alto grau de
1

http://br.celam.info Fornecido por Joomla! Produzido em: 3 May, 2007, 00:22.

1

mas tampouco ingênuo ou esperto! a ponto de se permitir tudo ou quase tudo”! Muitas vezes nossa presunção nos leva a compactuar com auto enganos. cuja centralidade é sua relação com Deus e a paixão por cada irmão. de estar com Deus e com o próximo. PP. Virgindade e celibato hoje – para uma sexualidade pascal. Quatro elementos2 significativos compõem o horizonte da afetividade na vida do presbítero: a) o amor é o “coração” da escolha da vida do presbítero.. São Paulo: Paulinas. de viver a relação e a solidão. 2009. sempre por um coração de carne. c) a totalidade. 26. DIMENSÃO HUMANO AFETIVA. mas educado pela liberdade de Deus amar com a sua largura.. Ibidem. Deus é amado de todo o coração.28 2 . Amedeo. na atração espontânea ou no interesse pessoal. enquanto a criatura humana é amada com afeição divina. com base no instinto. de fazer festa e trabalhar. 2 3 4 CENCINI. nem supermoralista a ponto de ver o mal por toda parte.21-28. de crer e esperar. Vamos refletir por partes: 1. ele renuncia a amar com os critérios puramente humanos de simpatia. nem fechado em si mesmo. Apropriando-me do pensamento de Cencini e aplicando ao presbítero podemos dizer a opção presbiteral solidifica-se num “estilo de vida que envolve o modo de pensar e desejar. Isto é. Não se pretende com isso abordar todas as facetas relacionadas ao tema e muito menos esgotar o assunto relativo a esses dois aspectos. Paradoxalmente ele escolhe não excluir ninguém! Em síntese. por exemplo. p. d) a renúncia. Qualquer escolha envolve uma renúncia. mas com um estilo particular. de dar sentido à vida e à morte. No caso do presbítero renuncia aos laços definitivos e exclusivos por uma pessoa. ou pensamos que com o passar dos anos entramos na fase da “paz dos sentidos” ou ainda somos sábios e realistas a ponto de nos dispensar uma grande paixão no coração. de toda a mente e com toda a vontade. como o de julgarmos saber e compreender tudo (já fizemos tantos cursos sobre isso). Se nos esquecemos das razões fundantes de nossa opção e elas não permanecerem como objeto de atenção constante (formação permanente) a vida transforma-se em cansaço impossível de viver e/ou frustração permanente.maturidade e capacidade de gestir a própria vida diante dos apelos da própria afetividade. p. nem borboleta.. benevolência que prefere um e exclui outro. de modo particular os destinatários do apostolado. O presbítero deve viver muitas relações.”4 Depois dessa introdução vamos detalhar melhor os dois aspectos acima acenados da dimensão humano afetiva na vida do presbítero. de sofrer e ter compaixão. b) Deus é a razão do amor presbiteral e por conseqüência o amor às criaturas. irmã. altura e intensidade. Deus é amado de coração e por um coração totalmente humano. ao matrimonio.. Como diz Cencini3 ‘E isto para além de qualquer postura unilateral e extrema: nem urso. Ibidem. nem na perpétua busca de apoios e compensações variadas.

da adolescência até chegar ao corpo adulto em torno dos 21-25 anos. na vida adulta o “amor oblativo”. psicológicos. Vai se formando corpo que interage com outro corpo que o sustenta e nutre: a mãe. na puberdade “o amor de companheiros”.7 Não havendo doenças ou outros fatores impeditivos. entrar em contato comas outras pessoas a sua volta e outros objetos. Inicia agora uma busca por alimento ainda suprido pelo seio materno. da individuação e da integração objetal6. Os demais somente de quando necessários para ampliar a compreensão. 1. Podemos distinguir para cada fase pelo menos um aprendizado afetivo. Já aí suas características genéticas definidas (DNA) e o meio ambiente começam a interagir.1. Podem ocorrer fixações com as conseqüências relativas a cada fase. Cresce. canal para obter o alimento. Estabelece-se aí um processo relacional que passa por fazes distintas. como do autismo (ou indiferenciação). a psicologia (desenvolvimento emocional emoções e sentimentos). quando a mãe amamente o seu bebê. Até seu nascimento o seu meio ambiente é o ventre materno. a sociologia (o mundo das relações sociais). Nem sempre esse processo é contínuo e complementar. As tensões. Ao mesmo tempo em que as células se multiplicam e formam os diferentes órgãos o feto começa um “aprendizado” que passa pela sua sensibilidade em captar através dos estímulos orgânicos da mãe “mensagens” emocionais vividas por ela e que passam a afetá-lo. 1. na adolescência “o amor paixão”. O bebê recém nascido deve se adaptar as novas condições de temperatura. 5 6 7 A intensidade da relação. Dimensão humano afetiva psicológica. Sabe-se hoje que o afeto na vida do bebê é tão importante (ou mais) quanto à alimentação. Com o parto inicia-se uma nova fase de desenvolvimento biológico e experiencial. fica adulto. ansiedades. Na primeira infância o “amor filial”.2. O ser humano desde o ventre materno se desenvolve seguindo leis próprias da natureza humana. o aspecto biológico segue um ciclo que a própria natureza determina. da simbiose (ou diferenciação).Refletir sobre a dimensão humano afetiva implica desde o inicio. E assim poderíamos listar ainda outros componentes. proporciona uma unidade tal que entre eles não há espaço para mais ninguém! Fases do desenvolvimento objetal segundo Otto Kernberg. na juventude “o amor responsável”. envelhece e morre. Dimensão humano afetiva biológica. dizendo uma forma de “amor”. a filosofia (perguntas a respeito do ser). Este não é apenas “instrumento”. mas se torna meio para a formação de novos vínculos afetivos. a antropologia (compreensão de quem é o ser humano). 3 . Em nossa reflexão vamos acenar apenas para alguns componentes biológicos. angústias humano afetivas da mãe são captados pelo nascituro e desde já pode sofrer condicionamentos que podem repercutir no seu futuro. ou melhor. O desenvolvimento biológico segue pelas etapas da infância. extremamente importante para o processo de desenvolvimento tanto biológico como afetivo5. instintivo). Em cada uma dessas fases do crescimento biológico há também o amadurecimento emocional envolvido com características próprias em cada fase. a teologia (as relações com o transcendente). ter consciência de que se trata de assunto complexo que envolve a biologia (desenvolvimento físico.

trabalhar. que são os canais pelos quais a afetividade se manifesta ou se move. pela sedução.afeto) e ao pathos (“sentimento”)8 na nomenclatura grega. dificuldades. da comunicação oral. desprazer. Um elemento é a própria afetividade distinta da sexualidade. por cumprimentos. surgido há 200 milhões de anos. Examinemos por partes para facilitar a compreensão. até aquelas “negativas” que causam sofrimento. bem estar. surgidos ao longo da evolução [. vestir. patológicas. pois organiza as reações mais espontâneas da nossa vida. Este é o mais recente e o que menos memória genética possui. Ele responde pelo pensamento. quando comparado com os seu predecessores. Esse teve a mais longa duração temporal e estrutura fundamentalmente a profundidade humana. quando do aparecimento dos répteis. com os mamíferos. por abraços. há o cérebro neocortical que irrompeu com a consciência reflexa há três milhões de anos. Há também maneiras próprias de se manifestarem e serem entendidas nas diferentes etapas da vida (desenvolvimento). emoções. são reprovadas nas condutas humanas. da relação afetiva. por expressões anormais. Ela é uma característica humana (e animal. 8 “Há três estágios cerebrais. como nas dificuldades que se apresentam em suas formas de expressão. por afagos. aprovadas. a título de compreensão. É uma realidade que acorda conosco. beber. Por afetividade podemos entender tudo o que envolve sentimentos. prazer.. É o cérebro da dimensão de anima em todos os seres superiores. A afetividade abrange desde as emoções “positivas”. delinear alguns aspectos que nos ajudem a entender a afetividade bem como a sexualidade. Quais maneiras de expressar são aceitas. embora desprovida da racionalidade) que envolve todo o ser da pessoa. É o cérebro dos sentimentos. O segundo é o cérebro límbico. por imagens etc. por beijos. agressividade. desde a sexualidade reprodutiva até os movimentos digestivos e nervosos de defesa diante da ameaças. por sorrisos. por impulsividades.Nessa dimensão vamos considerar dois elementos que se interpenetram quando se fala da afetividade. sempre instintivas e pré-reflexas. A grande questão está no reconhecimento de sua presença e aceitação. Por fim. Por expressões normais e sadias. por olhares. ela existe também nos animais. pois ambas se implicam mutuamente. A afetividade faz parte do cotidiano humano como o comer. feita de pathos (“sentimento”) e Eros (“afeto”). pela simulação. nos acompanha durante o dia e vai dormir conosco. pelo intercurso sexual. Muitas formas são aceitas em uma cultura e em outras não. que trazem satisfação. AFETIVIDADE A afetividade está ligada ao Eros (deus do amor . Diante dessa gama de situações poderíamos tentar. Uma outra forma mais contundente é pela sexualidade. pela fala e pela capacidade de abstração e de 4 . por manifestações silenciosas. porém muitos interligados. A afetividade e sexualidade são dois termos que indicam em si aspectos diferentes da experiência humana. São aspectos complexos da vida humana porque envolvem tanto a racionalidade como a emocionalidade. isto mais por necessidade didática do que por separação. surgido há 125 milhões de anos. o segundo elemento é a sexualidade enquanto fonte de energia biológica cuja ação também envolve o emocional e afetivo. Vejamos: 2. Esse cérebro ancestral responde pela fisiologia da subsistência. e quais não são aceitas. Há diferentes formas de expressões da afetividade: por gestos.] O primeiro é o cérebro reptiliano. por escritos. do cuidado com a prole.. queridas. por posturas corporais.

Exploremos um pouco alguns deles. Pela definição acima já podemos perceber que se trata de algo complexo. suas simbolizações etc. suas interpretações. A afetividade enquanto emoção é visível. acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer. dependendo da intensidade. perceptível. taquicardia etc. Vamos vê-la por partes: 2. também podem incidir fatores inconscientes e diferenças culturais. tristeza. necessidade que sentimos e valores que cultivamos. se trata de algo que envolve individualidade. Rose Marie e BOFF. a familiaridade (quanto mais familiar um objeto. Não se pode. porém. a intensidade (quanto forte é o estimulo). 2. Se um dado objeto (pessoa ou coisa) estiver relacionado com alguma experiência significativa para a pessoa. simplificá-la demais. A sexualidade e o amor têm as suas raízes profundas no cérebro límbico” – (MURARO. é difícil para o indivíduo submeter-se àquilo que sua razão aponta como mais razoável. dai decorre um desejo de aproximar-se ou afastar-se do objeto. entre eles: o significado emotivo que o objeto percebido tem para nós. abatimento. subjetividade e relações. A percepção se dá normalmente através dos cinco sentidos. Afetividade como expressão de emoções Enquanto expressão de emoções. Etc. sem correr o risco de esvaziála. traços de personalidade.1.47-48) 5 . Leonardo. Dependendo da carga emotiva envolvida o objeto é avaliado como atraente ou repulsivo. suas percepções. sentimentos e paixões. Rio de Janeiro: Sextante. que vem associado com suas experiências pessoais. a afetividade se caracteriza por sentimentos que se manifestam fisicamente. por exemplo: a) O significado emotivo do objeto. rubor. portanto. de satisfação ou insatisfação. palpitações. portanto. Eles são os canais pelos quais entramos em contato com o mundo e o mundo entra em contato conosco e desperta nossos espaços interiores ou os esconde mais. Afetividade como expressão de percepções Enquanto percepção ela é um modo como o mundo entra em nós e como nós o acolhemos dentro de nós como o experimentamos e o manifestamos em nossas reações. 2002 p. elas aparecem em manifestações físicas em formas de expressões de alegria.2. Feminino e Masculino. É fenomenológica. homens e mulheres. de alegria ou tristeza”. Nossa percepção pode ser influenciada por diversos fatores. contentamento. arrepios. É fundamentalmente responsável pela dimensão de animus nos seres humanos. Essa avaliação pode ser contracenada pela avaliação racional. a tendência é usar a razão para justificar a aproximação ou ordenação do ser humano. do indivíduo. Ela é expressão de um mundo interno da pessoa. hilaridade. “é um conjunto de fenômenos psíquicos”. este objeto mais facilmente tomará conta da mente e sentimentos do individuo.Segundo a definição do dicionário “Aurélio” afetividade é o: “conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções. de agrado ou desagrado. mais rapidamente ele é percebido). detectável.

Em nosso inconsciente há muitas memórias afetivas9 que são atingidas pelos símbolos. isto é. Por hora nos baste estes para constatar sua capacidade de influenciar nosso agir (comportamentos). Afetividade como simbolização: Nossa capacidade de simbolizar é muito grande e a usamos com muita freqüência. Nosso inconsciente usa da linguagem simbólica para se manifestar. com o passar do tempo. não é necessária muita intensidade de estímulo se o objeto em si já vem carregado de significado desejado. Contudo a experiência emocional pode retornar diante de um símbolo que evoque a experiência 6 . não se aplica necessariamente às percepções que envolvem cargas afetivas. (em termos religiosos diríamos. bem como nos põe em contato com realidades que fogem às análises objetivas. sua interpretação. Muitos fatos estão esquecidos. O símbolo envolve o subjetivo da pessoa e os objetos tornados símbolos ganham significados afetivos particulares. mais presente ele está. E assim poderíamos ir descrevendo os demais aspectos da percepção. ou melhor. variar sua intensidade. próprios para cada pessoa. Em outras palavras. atitudes emocionais e transformar-se em hábitos. E para interpretá-los corretamente é necessário conhecer um pouco a que coisas eles estão associados ou ligados. há uma propensão a ceder à tentação). Tendemos a ver os objetos de nossos desejos com mais sutileza e nos aproximarmos dele com menos estímulos. contudo em se tratando de emoções nós somos capazes de perceber os objetos até um limiar. Elas podem ser evocadas sem que conheçamos os fatos a elas relacionados. esta percepção mesmo em nível subliminar é capaz de influenciar comportamentos e formar. 2. então o grande desafio é a decodificação dos símbolos. A linguagem dos símbolos nos lança para dentro de aspectos indecifráveis pela razão. Estas podem ser evocadas por pequenos estímulos que 9 “Memória afetiva” conceito cunhado por Magda Arnold e significa as memórias emocionais guardadas dentro de nós (inconsciente) de experiências vividas cujos fatos foram esquecidos.afastamento do objeto (mecanismo de defesa da racionalização). ou melhor. Basta uma pequena faísca. mais facilmente eu o detecto no meio de outros objetos. Se isto vale de modo geral. Nós o percebemos pelos sintomas que aparecem. c) A familiaridade Quanto mais eu convivo com o objeto. A tendência é de quanto mais forte for um estímulo haverá mais facilidade de percepção e mais facilidade de razão. mas nossa memória afetiva retém a experiência emocional vivida em relação a eles. Como todo símbolo vem carregado de significados afetivos e cada pessoa atribui aos seus símbolos seus próprios significados. o emotivo tende a prevalecer sobre o racional. b) A intensidade Um estímulo pode ser forte ou fraco.3. aos fatos que as geraram.

Estas características incidem sobre a autocompreensão. Leonardo. como se protege. sente-se para além de si. Edição. 3. Embora um indivíduo biologicamente falando possa completar sua fase de crescimento em torno dos 25 anos. está impregnada de afetos. O indivíduo precisa encontrar no ambiente onde se desenvolve um clima afetivo favorável. que normalmente são os próprios pais e pessoas próximas.4. isto não é garantia de que da mesma forma se dá seu amadurecimento psico afetivo. exterioriza. aquele que emite. Feminino e Masculino. nosso ser homem. os “outros” significativos afetivamente. O modo como alguém se sente amado. acionam as disposições internas para reagir conforme o significado simbólico a eles conectados. Sendo sexuado. projeta. como defende seu eu. O sujeito expressa através de sua individualidade aquilo que acumulou nos anos em que viveu e como os internalizou dentro de si. é um ser sexuado da cabeça a ponta dos pés.percebidos como simbólico dos fatos esquecidos. de modo especial. no processo de desenvolvimento para a maturidade afetiva passa por estágios de amadurecimento que se diferenciam em cada um deles pelas características próprias que marca cada uma de suas fases. A anatomia dos sexos possui uma indicação: a mulher é aquela que recebe acolhe e interioriza. dimensionado para o outro até nas determinações corporais. “O ser humano não tem sexo. sobre a psicologia diferencial e sobre a construção do estar-no-mundo com os outros10”. o homem. Sua afetividade vai estar marcada por essas nuances todas. Mesmo vivendo no mesmo ambiente sócio cultural e familiar. A sexualidade possui dentro de nós uma força vital muito intensa. 3ª. 2. ela está ligada à possibilidade de gerar novas vidas. Como expressão da individualidade pessoal A afetividade enquanto expressão da individualidade pessoal está ligada ao desenvolvimento psico afetivo do sujeito. Rio de Janeiro: Sextante. SEXUALIDADE A sexualidade impregna todo o ser pessoal do homem e da mulher. ser mulher é definido pela sexualidade. É dom enquanto originária do próprio criador que nos fez sexuados como obra muito boa saída de suas mãos! Ela é preocupação porque gera em nós tensões que precisam ser canalizadas de forma consciente e livre para não se tornarem repressões impulsivas que podem trair belos projetos e boas 10 MURARO. O aumento da idade cronológica não é sinônimo de amadurecimento afetivo. ela está ligada ao prazer. Esse processo passa necessariamente pela experiência que faz no convívio com os outros com quem interage. vai permitir ou não que adquira a certeza interna de se sentir amado e aceito ou rejeitado. Cada um de nós. dois irmãos assimilam de modo diferente a educação que recebem dos pais. A sexualidade é ao mesmo tempo um dom e uma preocupação. O grau de afetividade que marca as relações é um fator preponderante para o amadurecimento sadio ou para fixações infantilizantes que podem se perpetuar na vida adulta. Rose Marie e BOFF. está ligada ao instinto conservador da vida. Tudo em nós tem a marca de nossa sexualidade. p. Seu estilo de personalidade vai mostrar como vive. com dosagem optimal de frustrações e afetos para aprender amar-se sadiamente e amar os outros e a Deus. Somos sexuados dos pés à cabeça. 2002.62 7 .

que deturpam o sentido dela em nossa vida. que tem internalizado os valores 8 . ao exibicionismo. preconceitos. mal versões. Ninguém pode menosprezar a força da sexualidade sem correr o risco de sucumbir diante de suas artimanhas.2. é de pouca valia. Hoje a genitalidade é vista pela Mídia. dos valores cristãos. A libido sexual estimula a busca do prazer físico que é direcionado para outra pessoa do outro sexo para os heterossexuais e para outra pessoa do mesmo sexo para os homossexuais. que tem consciência clara de sua opção vocacional. Se não for sadiamente controlada pelo indivíduo ela vai se tornando impulso que é capaz de cometer aberrações de diferentes tipos: Pode ir da pedofilia (problema bastante atual – que envolveu membros da Igreja recentemente com grande escândalos explorados exaustivamente pela mídia). Os jovens se iniciam precocemente na genitalidade facilmente consentida quando não estimulada pelos próprios pais. Nós. A genitalidade enquanto força. A sexualidade é parte de um todo que se integra em um indivíduo que se conhece em seus aspectos humanos e afetivos.1. Nesse sentido é a atração física que sentimos por alguém com quem desejamos estabelecer intercurso sexual. muito raros são aqueles que se guardam castos até o casamento. vícios. O prazer pode ser buscado também solitariamente através da masturbação ou de fantasias ou formas mais aberrantes (doentias). ao fetichismo transvéstico. Há em torno da sexualidade muitos mistérios. Vejamos algumas formas de sua expressão. Enquanto genitalidade ela possui um poder de estímulo e sedução grande que mexe com a imaginação e fantasia. chegando à banalização. Sexualidade como genitalidade. erotiza as relações com os outros. do celibato precisamos ser mais convincentes com o nosso testemunho pessoal se queremos ajudar os jovens a entender com mais profundidade o sentido da sexualidade e genitalidade como expressão do amor e comunhão de vida. Nesse sentido o discurso religioso produz pouco resultado. por ser considerada a esse respeito como coisa do passado. Para que ela se torne expressão disso se faz necessário uma integração de toda a personalidade. ao sadismo sexual. ao voyeurismo. 3.intenções. A sexualidade como expressão de um amor amadurecido A sexualidade integrada na vida é expressão do amor amadurecido. ao fetichismo. enquanto educadores da fé. exceto as aberrações. ao masoquismo sexual. A única preocupação que os acompanha é a de prevenir-se contra a gravidez e a contração de doenças tipo AIDS. como normal e legítima. 3. da castidade. Poucos jovens levam em consideração ensinamentos morais a respeito da sexualidade. etc. e fortemente estimulada com apelos cada vez mais excitantes. A moral como força controladora da iniciação sexual. A sexualidade pode ser vista como genitalidade. Para isso é necessário que avaliemos há quantas anda a integração de nossa própria sexualidade e seu lugar em nosso projeto de vida.

carência afetiva. deliberadas até as mais sofisticadas que se escondem em nível inconsciente atrás de comportamentos e atitudes. A carência afetiva (dependência) está presente em cerca de 60% das pessoas adultas normais. Sexualidade vs dependência afetiva Um dos aspectos mais em evidência hoje nas relações interpessoais são as carências ou dependências afetivas. muitas formas de altruísmo. vivaz e criativa. 3. M. A sexualidade integrada se manifesta também como afetividade madura. A fome de afeto. Cfr. necessários para desenvolver-se afetivamente bem. 1970. Freqüentemente são casos que tem uma longa história vinda da infância. vistos externamente como virtudes. desde as abertas.. que expressa suas convicções pelo seu modo de viver. Freqüentemente a carência pode se tornar também agressividade. sentimento de culpabilidade etc. Alguém pode ser carente ou dependente afetivo por razões opostas. (falsa) humildade etc. assim como problemas afetivos. complexo de inferioridade. podem mascarar tal carência Essa carência afetiva outras vezes busca sua satisfação através da sexualidade em relacionamentos escusos. às vezes mal humoradas freqüentemente ressentem-se de uma integração sexual satisfatória. equilibrada. solteiras. situação penosa. com imaginação. 5) como defesa contra desejosos homossexuais.3. . 9 . 4) como comprovação do valor pessoal. Em sua atitude frente ao mundo agir como alguém que se sente injustiçado e reclamar porque “tinha um direito de origem que lhe foi negado” e agora vive cobrando esse direito das pessoas. A busca da gratificação da carência afetiva se dá por diferentes formas. alivio de solidão. Isto vale para pessoas casadas. da adolescência e que nunca foi tratada adequadamente. frustrações no campo profissional etc. vozes. quando a criança não recebe os afetos devidos. podem se manifestar em conflitos sexuais ou manifestações eróticas tipo masturbação. Por exemplo.A. Motivations for coitus. A sexualidade tanto pode se refletir em diferentes sintomas aparentemente não sexuais. 9) como um meio de satisfazer um desejo de amor infantil. Clinical Obstetric Gynecology. O enigma da esfinge. 6) como fuga de uma solidão ou da aflição. ou no mau humor com que se vive o dia-dia. A sexualidade integrada perpassa todas as atitudes do indivíduo. gestos (aparentemente) de generosidade. pode ficar um carente por toda a vida. Na infância. às vezes é tanta que se devora o outro. É carente por falta ou dependente por excesso..187ss. A carência afetiva com o passar do tempo mina as boas intenções. 11 3. 2) para engravidar e/ou para ter um filho. insucessos. São muitas as razões porque alguém é carente afetivo. tipo relações interpessoais conflitivas. celibatárias. ed. 3) como afirmação da própria identidade. Há aqueles que quando pequenos foram 11 A masturbação pode ser expressão de problemas de outra ordem. conscientes. 7) como demonstração de poder sobre outra pessoa. com a fantasia. que aparece no azedume com que se atende as pessoas. a outra com os pensamentos. pode-se procurar o relacionamento sexual pelos seguintes motivos: 1) para atenuar a ansiedade e a tensão. pp. 8) como uma expressão de raiva e de destruição. É comum se ouvir expressões “hoje estou carente” como indicações de vazios ou de situações que não sabe bem definir o que é ou como lidar ou se livrar delas. Pessoas. Nelas ele se expressa enquanto pessoa e enquanto vocacionado. Antonio Moser. Descarga de tensão biológica. tira o elã por tudo aquilo que não gratifica e esvazia a vocação a ponto de torná-la infrutífera ou levar ao abandono dela. alegre.De acordo com o estudo de Friedrich. Explicando melhor..nos quais acredita.

82-83.1. Quando foram para a escola e lá não obtinham a mesma atenção da professora e dos colegas. Intimidade Há ao menos oito tipos de intimidade15. Interrupções ou falhas nesse processo acarretam graves conseqüências a curto ou longo prazo. 7 14 SPERRY. 15 SPERRY. em casa não conheceram a frustração. 4. Na verdade elas estão ligadas ao amor12 ou desamor. filia = amor relações de amizade. filia. sacerdócio e Iglesia. intelectuais. Há ao menos oito tipos de intimidade14. Brunner/Routlege. O apego é um vínculo emocional que se desenvolve entre o bebê e mãe ou pessoa que cuida dela.super mimados. 10 . Santander: Sal Terrae. ágape = amor entrega. 12 Eros. D.82-83. A curto prazo a criança sem vínculo de apego não se desenvolve bem e pode até morrer. A intimidade madura se caracteriza por uma relação pessoal de proximidade.. conexão e contato físico como outro ser humano”13. Como podemos entender a intimidade? É um tipo especial de relação que reflete uma necessidade fundamental de apego. A longo prazo pode afetar a questão da intimidade nos diversos tipos de relacionamentos que vão desde dificuldades de manter relações de amizades duradouras ou de relações matrimonias conflitivas até causar transtornos psiquiátricos graves. não aprenderam a suportar frustrações dela. sociais e espirituais. Eros = amor sensibilidade. Como se vê a questão afetiva e sexual são realidades humanas complexas. Sexo. comunhão. Enhancing Intimacy in marriage: A Clinican’s Guide. INTIMIDADE E CELIBATO “Não há caminho para o amor divino que não seja pela descoberta da intimidade e da comunidade humanas” (Thomas Moore em Cuide de sua alma) Já discutimos sobre sexualidade e afetividade. diferenciada e avançada da necessidade biológica universal de proximidade. começaram a experimentar a frustração e então também eles se julgaram injustiçados. sensualidade. Apoiam-se nisso inclusive para sustentar uma auto estima frágil. pois “tinham um direito adquirido e agora lhes é negado”. O sentido de proximidade pode incluir vínculos emocionais. Sexo. A intimidade implica tanto promover uma proximidade ou a conexão como ter a experiência de calor ou afeto em uma relação humana. 2004 pp. 2002 p. convém agora refletir um pouco sobre intimidade e celibato. New York. L. foram sempre atendidos de modo até exagerado em suas demandas afetivas. 13 Bagarozzi. Santander: Sal Terrae. familiar e afetuosa com outra pessoa que implica conhecimento profundo dela bem como expressão recíproca dos próprios pensamentos. mas complementares do grego referir-se aquilo que denominamos “amor”. emoções e sentimentos. L.. A necessidade da intimidade do ponto de vista do desenvolvimento deve ser “uma manifestação mais madura. sacerdócio e Iglesia. 2004 pp. ágape: três maneiras distintas. 4. Podemos distinguir diferentes tipos de intimidade. por isso reclamam (choramingam) com os outros o afeto que precisam para sentir-se amados ou mesmo valorizados.

em um abraço. experiências da natureza ou profundas experiências espirituais pessoais. Intimidade Psicológica: Comunicam-se. O que a gente deixa passar para os outros é o que lava nossa intimidade como água que corre. fantasias e desejos de natureza sexual com uma pessoa significativa. sem identificar-se ou sentir-se anulado por ele (o que chamamos de simpatia). Como se vê a intimidade pode se expressar de diferentes maneiras. Tudo o que é presenteado cresce sem fim com vida própria. isto é. por exemplo. Intimidade social: Participa-se de atividades e experiências agradáveis ou lúdicas com uma pessoa significativa. Em cada uma delas há um espaço e um limite que sempre implica em um grau de maturidade. Supõe a capacidade de “por-se no papel” do outro. se compartilha refeições etc. Inclui a proximidade física. Intimidade física não sexual: Proximidade física e contato corporal 3. e com Deus. por exemplo. porém pode levar ou não à relação sexual e ou ao orgasmo para uma das partes ou para os dois. Intimidade celibatária: Compartilha-se uma amizade profunda sem estar casado e sem violar a castidade nem física nem psicologicamente. Pode incluir a comunicação das esperanças e dos sonhos pessoais e também dos próprios temores. Alguns pensam que. esta forma de intimidade é um dom e uma graça. e o próprio coração se converte em carcereiro. de compreender o mundo a partir do marco de referência do outro. Tudo o que é retido se deteriora até desintegrar-se. e o nosso coração se converte 11 . 7. 2.1. o contato e interações destinadas a excitar. compartilham e revelam informações e sentimentos pessoais sobre si mesmo com uma pessoa significativa. compartilham sentimentos. se fala sobre acontecimentos atuais. crenças e experiências sobre questões ou assuntos espirituais com uma pessoa significativa. Intimidade Intelectual: Comunicam-se e compartilham idéias. 4. rituais. pensamentos. estimular e satisfazer sexualmente. a capacidade de pôr-se no lugar do outro e sentir o que o outro está sentindo. para um sacerdote. por exemplo: práticas religiosas. se compartilha as experiências diárias. Intimidade emocional: Comunicam-se e compartilham todos os 6. sentimentos pessoais. com uma pessoa significativa. uma massagem no ombro ou outras formas de contato não sexual. que não são prelúdio para a atividade sexual genital. pensamentos e crenças importantes com uma pessoa significativa. 8. 5. com uma pessoa significativa que consiste. Supõe a empatia. Intimidade espiritual: Compartilham-se os próprios pensamentos. religioso. isto é. A verdadeira intimidade psicológica supõe uma base segura de confiança na relação. “O que a gente retém só para si é o que se corrompe dentro de nós como água-parada. positivos e negativos. Intimidade sexual: Comunicam-se. preocupações e inseguranças. sentimentos.

A resolução desta etapa supõe que a pessoa tenha forjado uma visão do celibato como opção de estilo de vida que vale a pena. Adolescente: Esta etapa se estende desde a puberdade até o final da segunda década de vida. A resolução desta etapa supõe a aceitação das decisões e experiências da vida 16 17 P. Celibato O celibato sacerdotal é um modo de vida caracterizado pela continência ou renúncia ao matrimônio pelo Reino de Deus.em criador. da vida e bem estar da próxima geração. 00:22 Bonnot. A resolução desta etapa requer assumir a responsabilidade da comunidade como um todo. 18-22 12 . a capacidade de encontrar razões para seguir adiante quando os amigos e iguais se jubilam ou morrem. Guardar-se inteiramente para si é a única forma de perder-se eternamente na esterilidade da morte. Parecem úteis para nós enquanto mostram seu dinamismo e significados nas diferentes fases da vida. Norteia-se pelos estágios de desenvolvimento afetivo de Erik Erikson. Celibato integral designa a capacidade de manter o sentido e a esperança da aportação pessoal para a vida diante da aposentadoria e a perda da saúde. ela tem como horizonte a integração do verdadeiro significado da sexualidade e intimidade. Manoel Godoy in: http://br. Esta é a etapa mais difícil de percorrer dentro das atuais estruturas da igreja. B.”16. 3..celam. Celibato generativo se refere à capacidade de ser produtivo e responsável sem ser pai/mãe nem se sentir incompleto e com carências. A castidade não é só continência.Vejamos: 1. 4. 2007. aproximadamente. aproximadamente. Integral: Esta etapa se estende desde os 60 anos aproximadamente. Esta etapa se assemelha à etapa da intimidade de Erikson. A resolução desta etapa supõe a aceitação da intimidade do companheirismo como realidade que fortalece a vida e o ministério. Por celibato físico se entende a capacidade de ser plenamente humano sem ser sexualmente ativo nem se sentir frustrado e preocupado. Intima: Esta etapa se estende entre os 35 e os 60 anos. Relacionado ao celibato está a castidade. Esta etapa se assemelha à etapa da generatividade de Erikson. tanto para as pessoas casadas como solteiras. e se denomina celibato íntimo. e se pode considerar como o estado de celibato físico.info Fornecido por Joomla! Produzido em: 3 May. assim como de não violar a castidade física e psicologicamente.2. e se pode denominar celibato generativo. Generativa: Esta etapa se estende desde o final da segunda década de vida até os 35 anos. 2. Podemos compreendê-lo dentro de um quadro de referência por etapas de desenvolvimento Bonnot17 propõe uma compreensão do celibato dentro diferentes momentos da vida. Celibato íntimo designa a capacidade de ser amigo que compartilha a vida sem estar casado. Esta etapa se assemelha a etapa da identidade de Erikson. 4. (1995) Stages in a Celibate’s Life: Human Development 16 (3) pp. até a aposentadoria e a morte e se pode denominar celibato integral.

Antes de tudo ressaltamos a importância de sermos conscientes da complexidade da dimensão humano afetiva na vida do ser humano. Referido por P. M. O Papa João Paulo II afirmava que a solidão oferece oportunidades positivas para a vida sacerdotal.19 CONCLUSÃO Diante do acima exposto. Ela é necessária à vida para que a vida seja penetrada e fecunda. à intimidade e o celibato. a tranqüilidade e a liberdade interior de aproximar-nos uns dos outros ou de afastar-nos uns dos outros são alimentadas na solidão. como também uma ajuda para a santificação e o crescimento humano. começamos a apegar-nos uns aos outros. e começamos muitas vezes de maneira inconsciente. uma relação de calor humano e afeto desinteressado. relacionado com a experiência do amor de Deus. Ela faz parte intrínseca da vida do presbítero em sua missão. cujo testemunho edifica quem o vive e quem se relaciona com o celibatário. Fornecido por Joomla Produzido em: 3 May. a forma de vivê-lo e a modo de se expressar tem características próprias para cada faixa etária. Todos eles inerentes à condição humana presbiteral e merecedoras de atenções para um crescimento sadio e fecundo em uma maturidade integradora. 2007. a esmiuçar uns aos outros com uma hipersensibilidade fatigante. Destacamos alguns aspectos relacionados à afetividade. Manoel Godoy in: http://br. É também em relação à maturidade humana. Se aceita com espírito de oferta e procurada na intimidade com Jesus Cristo Senhor. 4. conflitos superficiais facilmente tornam-se sérios e causam dolorosas feridas. 00:22 13 . O celibato requer determinado compromisso e empenho no âmbito espiritual. podem-se inferir algumas conclusões para a nossa vida presbiteral. à sexualidade.info.3 A Solidão Ainda uma breve reflexão sobre a solidão18 na vida do presbítero. Esta etapa se assemelha à etapa da sabedoria de Erikson. a solidão pode ser uma oportunidade para a oração e o estudo. Resta-nos aceitar o desafio de aprofundar sempre mais nosso auto conhecimento . mormente no presbítero. Ela contribui para o conhecimento e crescimento pessoal. quem não sabe viver bem a própria solidão”. Sem a solidão. Isto significa dizer que ele é possível de ser vivido de forma sadia. com exercícios de contemplação. É na solidão que podemos nos encontrar profundamente conosco e com Deus. uma abertura ao outro e à relação com ele. começamos a preocupar-nos com o que pensamos e sentimos a respeito uns dos outros. rapidamente ficamos desconfiados uns dos outros ou irritados uns com os outros. Nouwen traduziu de forma límpida a importância da solidão na vida do presbítero. embora envolva sempre um componente sexual. a ternura.passada sem desespero nem amargura. Foi bastante enfático ao afirmar: “não é capaz de verdadeira e fraterna comunhão. Sem a solidão. Henry J. uma autonomia afetiva e uma capacidade de solidão. com uma fidelidade à oração. com uma adesão de fé que crê. ao referir-se a ela diz: estou seriamente convencido de que a delicadeza.celam. Como se vê o celibato. Esses aspectos 18 19 Solidão não deve ser confundida com vida solitária.

Paulinas. H. Olhou para ele com amor. 1996 IMODA F. Rio de Janeiro: Sextante. 3ª. Manter amizades sadias e tempo para si mesmos são fatores que contribuem para o equilíbrio psicológico e o esvaziamento depressivo. Cultivar uma espiritualidade verdadeira é é condição sine qua non para o crescimento e perseverança num ministério eficaz. Um mergulho em si. São Paulo: Paulinas. 14 . Por amor. Itinerário para o amor. que aspectos ficaram imaturos pode ajudar muito para prevenir neuroses. Sexo. Paulinas IOBATA. SPERRY. mas certamente são base para uma espiritualidade fértil e uma eficácia apostólica da vida do presbítero. J. L. 2009 DAL MOLIN. São Paulo:. sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”. Afetividade e vida religiosa. Edição. São Paulo: Paulinas. F. aflições. São Paulo: Paulinas LUCISANO. Sexualidade Humana. L. São Paulo.M. Santander: Sal Terrae. A. 2002. Conhecer a própria afetividade.C.A. como ela se desenvolveu. São Paulo: Paulinas. saibamos também nós “crescer em estatura. DI PIETRO. São Paulo: Paulinas. Conhecer e integrar a própria sexualidade é fator indispensável para a saúde psíquica e harmonia na e da personalidade. P. São Paulo: Paulinas.J. depressões.abordados não são os únicos. N. São Paulo: Paulinas. Saber amar-se. Rose Marie e BOFF. A.. ALGUMAS REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: A. Feminino e Masculino. Encontrar-se consigo mesmo. NOUWEN. Publicações CRB 1989 CENCINI. A voz íntima do amor. São Paulo: Paulinas. 2004. (Org). HERERRO. Leonardo. POROLARI. M. MURARO. sacerdócio e Iglesia. 1997 ________ Com amor. A exemplo de Jesus. 1997 ________ Virgindade e celibato hoje.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful