A Historia do METRO DO PORTO

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O fim dos comboios nas linhas da Póvoa e da Trofa
de 2002 começa com a notícia da abertura de mais frentes de obra no projecto do metropolitano ligeiro de superfície. A Capital Europeia da Cultura tinha chegado ao fim e o Metro do Porto prometia, em parte, fazer-lhe as vezes. "Vamos substituir a Porto 2001 nessa função de incomodar a população do Grande Porto", afirmou Oliveira Marques na primeira conferência de imprensa do ano. O presidente do Comissão Executiva referia-se às obras decorrentes do grande acontecimento que, a par de inúmeros eventos culturais, havia marcado o ano anterior na Invicta. O anúncio, nessa mesma reunião, do encerramento das linhas ferroviárias da Póvoa e da Trofa, agendado para o dia 23 de Fevereiro, elucidava o alcance da afirmação. Há já alguns meses que as obras do metropolitano haviam entrado em velocidade de cruzeiro, mas o fim dos comboios para a Póvoa e para a Trofa obrigaria cerca de nove mil pessoas a um esforço substancial. Durante o tempo que demorassem os trabalhos para pôr a circular o Metro nos trajectos onde durante décadas passou o comboio, os utentes ver-se-iam obrigados a fazer a viagem em autocarros. Com as consequências daí resultantes em termos de aumento e imprevisibilidade nos tempos de duração dos percursos deste serviço de transportes alternativos disponibilizado pela Metro. Para reduzir o incómodo que se adivinhava, a empresa negociou com a Normetro a antecipação em oito meses da conclusão da Linha da Póvoa. Por afectar mais pessoas, esta ligação deveria estar terminada em Outubro de 2003, enquanto a da Trofa manteria Maio de 2004 como data de término.
O ano

Porém, a situação provisória na ligação entre Porto e Póvoa acabaria por prolongar-se até Março de 2006. A expropriação de terrenos necessária à construção da via dupla, que mais tarde seria aprovada, determinou em boa medida o atraso das operações. Assim, durante quase dois anos e meio, milhares de passageiros utilizariam o serviço de oitenta autocarros, gerido pela STCP mas mantido por cinco operadores privados, que substituiu as ligações ferroviárias. Respondendo aos anseios dos utentes, nos dias úteis, foram criadas três ligações directas (da Póvoa, Trofa e Vila do Conde à Praça da República, no Porto), e outras três que faziam aproximadamente as mesmas paragens do comboio, sete dias por semana. Nas ligações directas do Porto à Póvoa, o tempo da viagem seria de cerca de sessenta minutos, apenas mais cinco do que o tempo efectuado pelo comboio. Entre as cinco da manhã e a uma hora da madrugada, os cómodos autocarros circulariam com uma frequência de quinze minutos, com 53 veículos adstritos à ligação da Póvoa e 27 à da Trofa. Para a redução do tempo das viagens contribuiria, ainda, a criação de corredores "bus» nos dois sentidos da Avenida AEP. «Metropolitano

cria nova centralidade na Póvoa

de Varzim»
Público, 16 de Maio de 2002

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