Pós-Graduação – 2011

DIREITOS FUNDAMENTAIS E TUTELA DO EMPREGADO

LEITURA COMPLEMENTAR – AULA 7

MAURO SCHIAVI

Publicação: Abril de 2011.

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Direito e Processo do Trabalho
Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu Televirtuais | 2011

Mauro Schiavi é Juiz do Trabalho na 2ª Região. reconhecendo o fenômeno. Professor Universitário (Graduação e Pós-Graduação). 1 2 . mobbing. apesar de não ser novo. ambos publicados pela LTr e Comentários às Questões Polêmicas e Atuais dos Concursos da Magistratura e Ministério Público do Trabalho (No prelo pela Editora LTr). mal-estar no trabalho. os EUA. Professor da Escola da Magistratura do TRT da 2ª Região. já editaram diplomas legislativos ou estão na iminência de fazê-lo. diminuindo a produtividade das empresas e provocando uma série de transtornos de ordem psicológica nos trabalhadores. MORAL: Conforme Houaiss. além de inúmeros estudos realizados a respeito. estando por merecer também a atenção dos juristas. Professor Titular dos Cursos Robortella em São Paulo e Lacier em Campinas. Bélgica.ASPECTOS POLÊMICOS E ATUAIS DO ASSÉDIO MORAL NA RELAÇÃO DE TRABALHO Mauro Schiavi1 Conceito e requisitos do assédio moral Atualmente. é insistência impertinente. agredir. a virtude. terrorismo psicológico ou. assediar. Autor de mais de 50 artigos e estudos publicados em revistas especializadas. Colaborador da Revista e do Suplemento LTr. Autor dos livros: A Revelia no Direito Processual do Trabalho. a Itália. ASSÉDIO: Segundo o Dicionário Houaiss. circundando ameaçadoramente um membro do grupo. muito se tem falado e estudado sobre um fenômeno que assola o mercado de trabalho e provoca a degradação do ambiente de trabalho. As nações escandinavas. Como destaca Cláudio Armando Couce de Menezes. bullying ou harcèlement moral é um mal que. perseguição. Professor de Cursos Preparatórios para a Magistratura e Ministério Público do Trabalho. São Paulo: LTr. Inglaterra e Portugal. o Assédio moral. Professor do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu da Escola Paulista de Direito em São Paulo. a França.adotou o termo mobbing. 3 MENEZES. provoca a fuga deste pelo pavor de ser atacado e morto” (Terror Pscicológico no Trabalho. só para citar alguns países. ou na expressão consagrada pelas doutrina e jurisprudência: assédio moral. Vocábulo derivado do verbo to mob. Ações de Reparação por Danos Morais decorrentes da Relação de Trabalho. atacar. p. Pós-Graduado em Direito Processual do Trabalho. o tipo de agressão praticada por algum animal que. Cláudio Armando Couce. Tal fenômeno tem sido denominado pela doutrina como terror psicológico no trabalho. considerados universalmente como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens. Sendo certo que seus tribunais vêm. In: Revista LTr 67-03/291. ainda. literalmente. começa a ganhar destaque na sociologia e medicina do trabalho. 33). cercar. na Inglaterra utiliza-se a expressão bullying. é o conjunto de valores como a honestidade a bondade. 2003. mobbing2. que significa dentre outras coisas. Assédio Moral e seus efeitos jurídicos. com as suas conseqüências sociais e jurídicas3. Mestre em Direito do Trabalho pela PUC/SP. etc. manipulação perversa. indica-se por mobbing. 2 Como destaca Márcia Novaes Guedes: “nos países escandinavos e de língua germânica preferiu-se o termo mobbign. sugestão ou pretensão constante em relação a alguém. independentemente de norma positivada. certamente pela influência de Harald Hege – médico alemão. de algum tempo. Competência Material da Justiça do Trabalho Brasileira.

no entanto. eis que minam a saúde física e mental da vítima e corrói a sua auto-estima. 292. quebrando o caráter sinalagmático do contrato de trabalho. pois ela mesma diante do processo desencadeado pelo assédio. pela repetição. a honra subjetiva se divide em: a) honra 4 HIRIGOYEN. ameaçando o seu emprego ou degradando o clima de trabalho. por sua repetição ou sistematização. acaba se auto-destruindo. por conseqüência. e. o assédio foi além. p. visando forçar sua demissão ou apressar a sua dispensa através de métodos que resultem em sobrecarregar o empregado com tarefas inúteis. 2005. De regra. descumprindo a sua principal que é a de fornecer o trabalho.2000. de dignidade. 20. conjunto de atos. Carlos Alberto. no estilo ‘pé-de-ouvido’. Forense Universitária.)que atente. perdendo seu próprio sentimento de auto-estima. Como destaca Carlos Alberto Bittar7. o juízo que cada um faz de si. Marie-Fance. p. muitas vezes de forma velada.A sociologia e a medicina e psicologia o definem como terror psicológico gerado por atitudes constantes do agressor à vítima. em nosso entender. A honra subjetiva corresponde ao sentimento pessoal de estima ou à consciência da própria dignidade. Recurso improvido”6.08. A agressão aberta permite um revide. que integram.. In: Revista LTR 66-10/1237. é sutil. 7 BITTAR.02.1 – Ac. pág. profissional. o assédio moral no trabalho é definido como qualquer conduta abusiva (gesto. na estima a si mesmo. destinada a golpear a auto-estima do empregado. muitas vezes pequenos ataques que. 3 . porque ultrapassado o âmbito profissional. Na definição precisa de Marie-France Hirigoyen4. 6 TRT 17a Região RO 1315. 125. o direito ao respeito. resulta em assédio moral. 5 Ibidem. Nesse sentido. Mal-Estar no Trabalho: Redefinindo o Assédio Moral. Rio de Janeiro. A tortura psicológica. sonegar-lhe informações e fingir que não o vê. cujo efeito é o direito à indenização por dano moral. enfim. destinadas a destruir sua auto estima. procedimentos destinados a expor a vítima a situações incômodas e humilhantes. 2ª Edição. 2ª Edição. atitude.. familiar. porque a empresa transformou o contrato de atividade em contrato de inação. De forma mais simples podemos dizer que o assédio moral é a repetição de atitudes humilhantes praticadas contra uma pessoa. Rio de Janeiro: BERTRAND BRASIL. vão minando sua auto estima. bem como sua capacidade física e intelectual. contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa.00. Para Couce de Menezes5 “o assédio é um processo. o reconhecimento do direito à honra tela prende-se à necessidade de defesa da reputação da pessoa (honra objetiva). Direitos da Personalidade. a estima que cerca nos seus ambientes.00. O assédio moral atinge a chamada honra subjetiva da vítima. ou a consciência da própria dignidade (honra subjetiva). 1995. comercial ou outro. desmascara a estratégia insidiosa do agente provocador”. Alcança também o sentimento pessoal de estima. os conceitos de dignidade e de decoro. 2276/2001. palavras. de que separamos. comportamento. Traduz o apreço próprio. compreendendo o bom nome e a fama de que desfruta no seio da coletividade. Por sua vez. destacamos a seguinte ementa: "Assédio Moral – Contrato de inação – Indenização por Dano Moral.Tradução de Rejane Janowitzer. No caso dos autos. fonte de dignidade do empregado. 17.17.

“ao empregador incumbe a obrigação de distribuir o trabalho que deva ser desenvolvido por seus empregados. O que se denomina assédio moral. 151. Não há ainda na doutrina e jurisprudência um parâmetro temporal para as repetições dos atos para se configurar o assédio moral. dentre outros. 93. sob pena de colocar o obreiro em situação vexatória e submetida ao crivo de comentários maldosos. o assédio moral se configura em pressão psicológica contínua (habitual) exercida pelo empregador a fim de forçar o empregado a sair da empresa. na Suécia. conforme o caso concreto. terror psicológico ou assédio moral entre nós. Sem a concordância desses elementos não se configura o assédio moral como ato ilícito. No aspecto. Heinz Leymann. médico alemão e pesquisador na área de psicologia do trabalho. perturbar o exercício de seus trabalhos e conseguir.dignidade: que representa o sentimento da pessoa a respeito de seus atributos morais. Esse comportamento ocorre não só entre chefes e subordinados. 10 Como bem adverte Luiz de Pinho Pedreira da Silva. 2004. as condições de tempo e lugar. mas cujos textos foram compilados na obra de Noa Davenport e outras. prejudicar o trabalhador. acoso moral (Espanha). Se expressa por meio de procedimentos concretos como o rigor excessivo. p. harcèlement moral (França). que se refere ao sentimento pessoal relacionados aos dotes ou qualidade do homem (físicos. intelectuais e sociais)8. as características do ofensor. no nosso sentir. além de lesivos ao seu patrimônio moral” (Dano Moral nas Relações Individuais de Trabalho. da vítima. a respeito da qual mantém uma relação assimétrica de poder no local de trabalho. uma conduta repetida de forma sistemática em um único dia de trabalho. 1995. de honestidade e bons costumes. outros de um mês. destruir sua reputação. desqualificação. são. 102) 4 . O outro elemento ou requisito de relevância jurídica é representado pela ilícita finalidade de discriminar. Como observa Marcus Vinícios Lobregat. O conceito é criticado por ser muito rigoroso. pressuposto essencial da ocorrência de dano moral indenizável (A reparação do Dano Moral no Direito do Trabalho. os doutrinadores o definiam como "a situação em que uma pessoa ou um grupo de pessoas exercem uma violência psicológica extrema. O termo "assédio moral" foi utilizado pela primeira vez pelos psicólogos e não faz muito tempo que entrou para o mundo jurídico. ou a minar a sua auto-estima. mas também na via 8 9 MIRABETE. não podendo impor a nenhum deles qualquer espécie de ociosidade forçada. destaca-se a seguinte ementa: Assédio moral – Caracterização. “o principal elemento característico da ilicitude do mobbing consiste na repetição ou repetição das ações que denotam a conduta agressiva. Alemanha e Escandinávia). Alguns sustentam que as reiterações tem que perdurar por prazo de no mínimo seis meses. falecido em 1999. Júlio Fabrrini. São Paulo: LTr. pode configurar o assédio moral10. de qualquer outro modo. a rigor. marginalizar ou. com o objetivo de destruir as redes de comunicação da vítima. p. confiar ao empregado tarefas inúteis ou degradantes. Desse modo. de forma sistemática e freqüente (em média uma vez por semana) e durante um tempo prolongado (em torno de uns 6 meses) sobre outra pessoa. Volume II. intitulada Mobbing: Emotional "Abuse in The American Work Place"). que essa pessoa acabe deixando o emprego" (cf. críticas em público. Manual de Direito Penal. Na esfera trabalhista. devendo a perseguição ter uma freqüência quase diária. além de outras denominações. p. finalmente. isolamento. atentados contra a dignidade humana. LTr. b) honra decoro. ainda que sob o pagamento de salários. a função ocupada pelo empregado e as características da conduta do ofensor. Pensamos que o requisito da repetição da conduta ou habitualidade tem que ser aferido conforme o caso concreto. 2001. De início. São Paulo. também conhecido como mobbing (Itália. inatividade forçada9 dentre outras. o nível de instrução da vítima.

degradante. 2006. da CLT. conforme previsão expressão do artigo 8º. dano psíquico (depressão e síndrome do pânico). pois o Direito Comparado é fonte do Direito do Trabalho. somente no começo desta década foi realmente identificado como fenômeno destruidor do ambiente de trabalho não só diminuindo a produtividade como também favorecendo o abstenteísmo devido aos desgastes psicológicos que provoca”. 12 CÓDIGO DO TRABALHO. idade. não verbal ou física. nomeadamente. capacidade de trabalho reduzida. que desestabiliza psicologicamente a vítima.00-3 – Relª. sob forma verbal. procede a indenização por dano moral advindo do assédio em questão. patrimônio genético. Rio de Janeiro: BERTRAND BRASIL. Tradução de Maria Helena Kühner. 47. Se a hipótese dos autos revela violência psicológica intensa sobre o empregado. uma remoção ou transferência. Artigo 23º (Proibição de discriminação) “1. ele já é reconhecido pela doutrina e jurisprudência e tem sido objeto de estudos específicos. Assédio Moral: A violência perversa do cotidiano. Não se confunde com outros conflitos que são esporádicos ou mesmo com más condições de trabalho. nacionalidade. trabalho ou formação profissional com o objetivo ou efeito de afectar a dignidade da pessoa ou criar um ambiente intimidativo. origem étnica. religião. deficiência ou doença crônica. p. de Barros – DJMG 11. por um período prolongado. 3. orientação sexual. exceto algumas leis esparsas em alguns Estados tipificando a conduta do assédio moral. com o objectivo ou efeito referidos no número anterior”. no artigo 24º tipifica a conduta do assédio moral no âmbito das relações de trabalho. uma licença para tratamento de saúde. Não obstante. hostil. praticados aquando do acesso ao emprego ou no próprio emprego. embora muitos autores defendam a edição de uma Lei específica para tipificar o assédio moral na esfera das relações de trabalho. pois o assédio moral pressupõe o comportamento (ação ou omissão). Entende-se por assédio todo o comportamento indesejado relacionado com um dos factores indicados no n. Alice M. Marie-France.contrária. humilhante ou desestabilizador. Instituto de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. 13)(RDT nº 9 Setembro de 2004) Como bem destaca Marie-France Irigoyen11. e entre colegas de trabalho com vários objetivos. Lisboa: Principia. 2005. 1 do artigo anterior.Constitui.O empregador não pode praticar qualquer discriminação. que acabou por ocasionar. marginalizando-o no ambiente de trabalho. sexo. prolongada no tempo. situação familiar.Constitui discriminação o assédio a candidato e a trabalhador.04 – p.08. na ascedência. premeditado.03. (TRT 3ª R – 2ª T – RO nº 1292/2003. convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical”12. estado civil. 2. Diante da ausência de previsão legal do assédio moral na CLT.057. Não há previsão legal na legislação trabalhista. directa ou indirecta. “embora o assédio no trabalho seja uma coisa tão antiga quanto o próprio trabalho. p. entretanto. 11 HIRIGOYEN. “in verbis”: “Artigo 24º (Assédio) “1. o seu pedido de aposentadoria precoce. o Juiz do Trabalho poderá se orientar pela legislação portuguesa acima citada. 65. em especial. O Código de Trabalho de Portugal. 5 . assédio todo o comportamento indesejado de caráter sexual. intencionalmente. entre eles o de forçar a demissão da vítima. 8ª Edição.

contrários aos bons costumes. a proteção à maternidade e à infância. Aquele que... por ação ou omissão voluntária. Art. proporcional ao agravo. sem distinção de qualquer natureza.)V – é assegurado o direito de resposta. no Código Civil.proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência.. 5º Todos são iguais perante a lei. c) correr perigo manifesto de mal considerável.. negligência ou imprudência.)IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. a vida privada. (.)III – a dignidade da pessoa humana. na forma desta Constituição. (. contra ele ou pessoas de sua família. ainda que exclusivamente moral. diante da dinâmica da relação de trabalho e das mutações constantes do mercado de trabalho. (Redação dada pela EC nº 26/2000 – DOU 15. ato lesivo da honra e boa fama” Disposições do Código Civil: Art. além da indenização por dano material. Artigo 6º: São direitos sociais a educação. a assistência aos desamparados. 6 . Disposições da Constituição Federal: Art. a saúde.. a honra e a imagem das pessoas. b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo. já existem instrumentos tanto no texto constitucional. à igualdade. 1º A República Federativa do Brasil. no Código Penal. embora tal seja conveniente13. moral ou à imagem. a moradia.)X – são invioláveis a intimidade. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (.02.. na CLT. ou alheios ao contrato. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (. à liberdade.)XXXI. Disposições da CLT: Artigo 483: “O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: a) forem exigidos serviços superiores às suas forças.. Artigo 7º: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. considerando-se a tradição romanogermânica brasileira do direito positivado por meio de legislação minuciosa. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. 186. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. o lazer. nos termos seguintes: (.. dificilmente uma lei conseguirá abarcar todas as hipótese de eclosão do assédio moral nas relações de trabalho. (.. 13 De qualquer forma. defesos por lei..pensamos.00). à segurança e à propriedade. a segurança. comete ato ilícito. violar direito e causar dano a outrem. o trabalho.)e) praticar o empregador ou seus prepostos... a previdência social. que tutelam a liberdade psíquica do empregado no ambiente de trabalho.

§ 3º Não se compreendem na disposição deste artigo: I – a intervenção médica ou cirúrgica. 186 e 187). Parágrafo único.)III – o empregador ou comitente. mediante violência ou grave ameaça. se justificada por iminente perigo de vida. São também responsáveis pela reparação civil: (. ou multa. para a execução do crime. quando. Parágrafo único. ou em razão dele. de 1997). de forma reprovável. § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. independentemente de culpa. de causar-lhe mal injusto e grave: Pena – detenção. causar dano a outrem.. fica obrigado a repará-lo. Art. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. nos casos especificados em lei. e multa. Disposições do Código Penal Art. se a ofensa tiver mais de um autor. 927. Constranger alguém. ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – detenção. por seus empregados. II – a coação exercida para impedir suicídio. risco para os direitos de outrem. que consista em outra injúria. religião. (Incluído pela Lei nº 9. de um a seis meses.741. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10. Haverá obrigação de reparar o dano. Art. Assédio Moral e Assédio Sexual 7 . ou a fazer o que ela não manda: Pena – detenção. 187. por qualquer outro meio. além da pena correspondente à violência. no exercício do trabalho que lhes competir. de três meses a um ano. pela boa-fé ou pelos bons costumes. Também comete ato ilícito o titular de um direito que. ou há emprego de armas. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. São solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no art. de um a seis meses. escrito ou gesto. sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal. etnia. Parágrafo único. que. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado. aplicam-se as correspondentes à violência. ou depois de lhe haver reduzido. se considerem aviltantes: Pena – detenção. Art. por sua natureza. por sua natureza ou pelo meio empregado.Art. todos responderão solidariamente pela reparação. cor.459. Aquele que. II – no caso de retorsão imediata. por palavra. Injuriar alguém. de três meses a um ano. a capacidade de resistência. 932. a não fazer o que a lei permite. 140. § 2º Além das penas cominadas. serviçais e prepostos. 147. Ameaçar alguém. ou multa. se reúnem mais de três pessoas. de 2003) Pena – reclusão de um a três anos e multa. ou multa. Art. ou qualquer outro meio simbólico. Art. e.. Aumento de pena § 1º As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro. por ato ilícito (arts. ao exercê-lo. § 1º O juiz pode deixar de aplicar a pena: I – quando o ofendido. Somente se procede mediante representação. 146. 942. § 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. provocou diretamente a injúria. 932.

ficando proibido de desfrutar junto ao grupo dos momentos de lazer. solicitou baixa do serviço”. A coitada da Luizinha. Márcia Novaes. enquanto no assédio moral. Abusando do poder que detinha. arriscadas e fatigante. Como bem adverte Márcia Novaes Guedes14: “O assédio sexual não se confunde com o assédio moral. Lembra Márcia Novaes Guedes15: “No romance 'O Primo Basílio”. a intenção do agente é minar a auto-estima da vítima. porquanto neste a intenção do agente é obter um favor sexual junto à vítima. 2003. 41. 14 15 GUEDES. Não suportando a desqualificação humilhante e o isolamento. Terror Psicológico no Trabalho. É horizontal quando a violência psicológica é desencadeada pelos próprios colegas no local de trabalho. Estratégias do agressor. Modalidades do Assédio Moral O assédio moral. 37. Formas de resistência da vítima. pág. Como por exemplo. passou a sofrer pesada discriminação no trabalho cotidiano. ou quando a promoção implica um cargo de chefia cujas funções os subordinado supõem que o promovido não possui méritos para desempenhar”. 2003. Conforme afirmamos linhas acima. foi martirizada moralmente pela criada Juliana até a morte. 8 . Márcia Novaes. O assédio moral é classificado como vertical quando a violência psicológica parte de um superior hierárquico. Já o assédio moral ascedente é pratico pelo empregado contra o empregador. foi isolado do convívio com os demais colegas. o oficial rejeitado determinou que lhe fossem reservadas as tarefas mais difíceis.O assédio moral não se confunde com o assédio sexual. transformando-se na vingança do agressor rejeitado. p. b)horizontal. c)ascendente. Eça de Queiroz nos traça um quadro inusitado desse espécie de assédio moral. Como no caso do marinheiro que. Todavia. Vítimas do assédio Moral. Terror Psciológico no Trabalho. GUEDES. para que haja assédio moral é necessária a presença de dois requisitos fundamentais. São Paulo. Entretanto. inclusive de jogar futebol. tanto o mobbing quanto o assédio sexual são violências que guardam certa correlação: o assédio sexual pode muito bem constituir premissa para desencadear uma ação de abuso moral. um estado inicial de assédio sexual pode desencadear um procedimento de assédio moral. LTR. segundo a doutrina. Esta é a hipótese mais freqüente no âmbito trabalhista. é classificado em: a)vertical. A violência de baixo para cima geralmente ocorre quando um colega é promovido sem a consulta dos demais. racismo ou competição. ao rejeitar as propostas sexuais de um ato oficial. por motivo de inveja. esposa do conselheiro Jorge. durante as pausas na jornada. Medidas de prevenção. que são a duração no tempo e o objetivo de destruir a vítima. São Paulo: LTr. os colegas de trabalho que passam a boicotar determinado empregado.

Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n. Culpabilizar/responsabilizar publicamente. Impedir de se expressar e não explicar o porquê. hora. Impor ao coletivo sua autoridade para aumentar a produtividade16. considerando-se os graves transtornos que o assédio causa na relação de trabalho. ano. conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário). local ou setor. bem como os impactos acarretados por uma condenação judicial por reparação dos danos decorrentes do assédio. Dentre as medidas preventivas para neutralizar a eclosão do assédio moral. c) investimentos em cursos de reciclagem profissional.P. assistente social ou psicólogo.Empregados que normalmente são vítimas do assédio moral são os empregados fogem do padrão médio ou apresentam alguma condição especial.1488/98 sobre saúde do trabalhador).org > Acessado em 05. inferiorizar. empregados mais novos ou mais velhos na empresa. Fragilizar. dirigentes sindicais. supervisores sobre o que é o assédio moral e as forma de sua configuração. Justiça do Trabalho. sem testemunhas. Dar visibilidade. passando muitas vezes a usar drogas. explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D. Livrar-se da vítima que são forçados/as a pedir demissão ou são demitidos/as. empregados readaptados. A vítima se isola da família e amigos. altos empregados. 9 . inclusive.assediomoral.asseidomoral. como exemplos: empregados readapatados. bem como sobre os valores sociais do trabalho e da proteção à dignidade da pessoa humana. A vítima gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho. por correio. mês. podendo os comentários de sua incapacidade invadir. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical. Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público. amigos e colegas. Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de doenças préexistentes). guardando o recibo. ridicularizar. ou R. São exemplos de estratégias do agressor: Escolher a vítima e isolar do grupo. Buscar apoio junto a familiares. Organizar. principalmente o álcool. empregados de empresas estatais que estão sendo privatizadas dentre outros. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.org > Acessado em 05.2007. procurando a ajuda dos colegas. principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor. podemos destacar: a) direito à informação dos trabalhadores. b) investimento em estratégias para valorizar os empregados na empresa e melhoria do meio ambiente de trabalho. Desestabilizar emocional e profissionalmente.09. gestantes. O que deve a vítima fazer: Resistir: anotar com detalhes todas as humilhações sofrida (dia. por insubordinação. A destruição da vítima engloba vigilância acentuada e constante.Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico. identidade e cidadania17. dignidade. Exigir por escrito. Evitar conversar com o agressor. d) diálogo entre empregados e 16 17 In: <www. Se possível mandar sua carta registrada. Não temos dúvidas de que a melhor forma de neutralizar o assédio moral é por meio de medidas preventivas a serem tomadas na empresa. colegas que testemunharam. gerentes. o espaço familiar.H e da eventual resposta do agressor. freqüentemente.2007 In: <www. pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima. menosprezar em frente aos pares.09. nome do agressor.

O empregado vítima do assédio poderá fazer do seu direito de resistência. gerentes e supervisores que realizam o procedimento do assédio moral é objetiva e também solidária. e sim a responsabilidade decorre do próprio risco da atividade econômica que exerce o empregador (artigo 2º. da CLT. g) atuação sindical dentro da empresa. Rio de Janeiro: BERTRAND BRASIL. ambos do Código Civil. com a presença constante do dirigente sindical no local de trabalho. f) contratação de profissionais especializados para melhoria das relações entre os trabalhadores e superiores hierárquicos. reparação de danos morais e patrimoniais em razão do assédio moral sofrido. além de postular a reparação por danos patrimoniais e morais. O Código Civil de 2002. por meio da Súmula 34119. não há mais uma presunção juristantum de culpa. com a participação de representantes de trabalhadores. as empresas alegarem que não sabiam de nada ou que a responsabilidade é dos empregados (gerentes. III c/c 933 e 942. f) instituição de normas de condutas em regulamento de empresas. Efeitos do Assédio Moral no Contrato de Trabalho O assédio moral provoca efeitos nocivos no contrato de trabalho. como perda do interesse do trabalhador. Antes do Código Civil. além de provocar a incidência das moléstias do trabalho. Responsabilidade do empregador pelo assédio moral Temos verificado nos vários processos em que se discute a existência de assédio moral. 18 HIRIGOYEN. da CLT). Agora. Desse modo. etc. Mal-Estar no Trabalho: Redefinindo o Assédio Moral. fixou responsabilidade objetiva do empregador por atos de seus prepostos. supervisores. a responsabilidade do empregador pelos atos de seus prepostos. p. da CLT) e postular.superiores hierárquicos sobre as condições de trabalho. por aplicação do artigo 942 do Código Civil. atualizado pelos novos rumos da responsabilidade civil oriundos do Código de Defesa do Consumidor. da CLT) em razão de mau procedimento ou por atentado contra a honra do empregador. e em casos mais graves dispensar o empregado por justa causa (artigo 482. e em casos mais graves rescindir indiretamente o contrato de trabalho (artigo 483. conforme os artigos 932. O empregador vítima do assédio poderá se valer do poder disciplinar que decorre do artigo 2º. na Justiça do Trabalho. e) educar as pessoas para que sejam corretas no cotidiano com seus companheiros de trabalho18. Marie-France. 2005. aplicando uma penalidade ao empregado: advertência. o Supremo Tribunal Federal. havia sumulado o entendimento no sentido de que era presumida a responsabilidade do empregador por atos de seus prepostos ou empregados. queda na produtividade. degradação do meio ambiente de trabalho. prepostos) que realizaram o procedimento do assédio. 19 Súmula 341 do STF: “É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto” 10 . 320. suspensão.

197) ( RDT nº 5 .9. O juiz.008. dados particulares e específicos de uma delas não servem como referencial válido para impor interpretação no sentido de que eram comuns a todas. porém. conforme preceitos insculpidos no art. exige-se que haja estreita vinculação entre o fato provado e aquele que se pretendia demonstrar. A falta de publicidade de tais atos. pelas regras de experiência do que ordinariamente acontece (artigos 335 do CPC e 852-D. 333 do CPC. dificilmente alguém seria condenado como sedutor. 131 do CPC. Nessa formação de juízo de valor. 370 20 11 . é relevantíssima a palavra da vítima do crime. a impedir que a letra fria da lei sirva como elemento legalizador de uma simulação.12. até mesmo por emails e ligações telefônicas. não pode se afastar dos elementos existentes nos autos. (TRT 15ª R – 2ª T – RO nº 330. mesmo o fato tendo se passado longe dos olhares das testemunhas. não pode ser olvidado o princípio da razoabilidade.04 – p. da Silva – DJSP 7. em dedução lógica. G. que mesmo suspeitas. Prova – Valoração – Princípio da razoabilidade. não podem acarretar o não ressarcimento dos danos em razão do assédio. (TRT – 10ª R – 3ª T – RO nº 1483/2002 – Rel. São Paulo. E.04 – p. constantemente.00-0 – Rel. estejam envolvidas no fato e também exercer amplo poder instrutório. Fernando da Costa. Recurso não provido. 1995. Assim. há grande dificuldade de se produzir comprovação em juízo do procedimento do assédio. Saraiva. busca-se revelar a realidade. no conceito emprestado pela doutrina. Mas como se guiará o juiz para restar convencido de que houve o assédio moral. se assim não fosse. M. é aquela em que o fato objeto de percepção é diferente do fato que prova. Consoante ensina com propriedade Fernando da Costa Tourinho filho22: “Em certos casos. Deve o juiz admitir.00-0 – Rel. 15) ( RDT nº 6 junho de 2004). onde há situações díspares e heterogêneas. inclusive gravação em filme.5. na do outro. Prova indireta. pela prova indireta20. Na verdade. de modo a permitir a conclusão que a existência de um implica. 22 TOURINHO FILHO. Há inclusive situações em que o procedimento acontece fora do local de trabalho. 19) . permite a realização de provas de qualquer espécie. pela razoabilidade da pretensão21 e dar especial atenção à palavra da vítima. o juiz deve ser guiar principalmente. (TRT 12ª R – 3ª T – RO-V nº 286. 21 Prova – Gravação em vídeo – Compatibilidade com as demais provas produzidas nos autos – Dano moral – Inexistência. naqueles delitos clandestinos qui clam comittit solent – que se comentem longe dos olhares de testemunhas -. com maior flexibilidade. pág. palavra da vítima é de valor extraordinário. pelas regras de indícios e presunções.15.2002 – p. a palavra da ofendida constitui o vértice de todas as provas. Prova indireta – Eficácia probatória – Valoração. Volume III. Gilmar Carvalheri – DJSC 19. para que reúna eficácia probatória. Assim.2003. A produção da prova incumbe àquele que alega. ou em lugares reservados? Acreditamos que nessas hipóteses. João Luís R. 17ª Edição. O Direito do Trabalho. Somente assim. 818 da CLT e art. diante de sua singeleza.O ônus da prova no assédio moral Na quase totalidade dos casos de eclosão do assédio moral na relação de trabalho. o depoimento de testemunhas. devendo seguir as regras do art. nesses casos. e. Luís Carlos C. Nos crimes contra os costumes. Processo Penal. por meio do qual.. S. ao valorar a prova. pois ele acontece. pela aplicação do princípio da livre investigação das provas – descobrimento da verdade real.074.4.Maio de 2004). Sampaio – DJDF 20. por vezes.2003. a evidenciar a possibilidade de múltiplas realidades. como em salas fechadas e ambientes reservados e. sem a presença de terceiros. da CLT). poderá ser feita a verdadeira justiça.

Professor de Cursos Preparatórios para a Magistratura e Ministério Público do Trabalho. No mesmo sentido. Colaborador da Revista e do Suplemento LTr. a palavra da vítima é. qual seja. 2011.com.com. Material da Aula 7 da Disciplina: Direitos Fundamentais E Tutela Do Empregado. uma vez que a natureza mesma dessas infrações à vista de outrem”. 23 PAMPLONA FILHO. o denunciado da lide) deve ter oportunidade de apresentar elementos que impeçam o reconhecimento da presunção hominis. 220/92). não sendo esta presunção juris et de jure.saudeetrabalho. Como citar este texto: SCHIAVI. tratando da prova no assédio sexual tece as seguintes considerações23: “Desta forma.doc ou www. Há. Sobre essas presunções.corruptor. eventualmente.br/download/assedio-schiavi. Autor de mais de 50 artigos e estudos publicados em revistas especializadas. Professor do Curso de PósGraduação Lato Sensu da Escola Paulista de Direito em São Paulo. o autor deverá indicar indícios que possibilitem a configuração da presunção de que se trata de algo que ordinariamente acontece. justificando-se dessa forma. Professor Universitário (Graduação e PósGraduação). o que não deixa de ser uma atividade processual instrutória concreta.doc Acesso em 28/03/2011. Competência Material da Justiça do Trabalho Brasileira. a imediata reação da ordem jurídica contra agentes. fatos sabidamente hábeis a produzir danos de ordem moral. leciona Carlos Alberto Bittar que ‘esses reflexos são normais e perceptíveis a qualquer ser humano. a palavra da mulher que se diz deflorada e ponta o autor de sua desonra merece mais crédito que a do indigitado autor. ou de sedução. Professor da Escola da Magistratura do TRT da 2ª Região. a da facilitação da ação da vítima na busca da compensação. o réu (e. Ações de Reparação por Danos Morais decorrentes da Relação de Trabalho. 2001. Rodolfo Pamplona Filho. 149. Mauro. Rodolfo..saudeetrabalho. em regra. ministrada no Curso de Pós-Graduação Televirtual em Direito e Processo do Trabalho. São Paulo: LTr. “Nos atentados contra a honra da mulher. p. Professor Titular dos Cursos Robortella em São Paulo e Lacier em Campinas. para que o juiz se convença da existência dos fatos narrados na exordial. CV RESUMIDO (CONTEUDISTA (S)/AUTOR (ES) ) MAURO SCHIAVI Juiz do Trabalho na 2ª Região. Disponível: www. O assédio sexual na relação de emprego. que à sensibilidade do juiz logo se evidenciam’”. bastando para tanto que não haja prova contrária à sua presente honestidade” (RT. ambos publicados pela LTr e Comentários às Questões Polêmicas e Atuais dos Concursos da Magistratura e Ministério Público do Trabalho (No prelo pela Editora LTr). estuprador.br/download/assedio-schiavi. Mestre em Direito do Trabalho pela PUC/SP. precioso elemento de convicção. praticada às ocultas. Pós-Graduado em Direito Processual do Trabalho. Aspectos polêmicos e atuais do assédio moral na relação de trabalho. Autor dos livros: A Revelia no Direito Processual do Trabalho. em consonância com a filosofia imperante em tema de reparação de danos. 12 . se nada existe contra sua procedente honestidade” (RT. Por outro lado. 220/94). desçam-se as seguintes ementas: “Tratando-se de delito de natureza clandestina. assim. etc.