Teoria Da Constituição - Resumo VDE

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O documento é um resumo estratégico e constitucional sobre a teoria da Constituição, abordando temas como o poder constituinte, suas limitações e a eficácia das normas constitucionais. Ele detalha as diferenças entre o poder constituinte originário e derivado, além das limitações temporais, circunstanciais, formais e materiais que regem o poder de reforma constitucional. O material é destinado ao uso individual e está atualizado para o 47º Exame de Ordem.
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RESUMO
ESTRATÉGICO
CONSTITUCIONAL
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Teoria da Constituição​ 2
1. Poder Constituinte​ 2
1.1 Poder Constituinte Originário​ 2
1.2 Poder Constituinte Derivado​ 3
2. Limitações do Poder Derivado Reformador​ 4
2.1 Limitações Temporais​ 4
2.2 Limitações Circunstanciais​ 5
2.3 Limitações Formais​ 5
2.4 Limitações Materiais​ 7
3. Mutação Constitucional​ 10
4. Fenômenos do Direito Constitucional Intertemporal​ 11
4.1 Revogação​ 11
4.2 Desconstitucionalização​ 11
4.3 Recepção​ 12
5. Teoria da Inconstitucionalidade Superveniente​ 12
6. Eficácia das Normas Constitucionais (José Afonso da Silva)​ 12
6.1 Plena​ 13
6.2 Contida​ 13
6.3 Limitada​ 13
7. Conflito entre Normas Constitucionais Originárias​ 14

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Teoria da Constituição

1. Poder Constituinte

O poder constituinte é a capacidade de elaborar, modificar ou revogar uma Constituição. É um poder


fundamental para a organização e funcionamento do Estado, podendo ser originário (que cria a
Constituição) ou derivado (que a reforma).

A titularidade do poder constituinte pertence ao povo, pois é dele que decorre a legitimidade para
instituir uma nova ordem constitucional.

Já o exercício desse poder ocorre de maneira indireta, por meio de representantes eleitos
encarregados de atuar em nome da coletividade, ou diretamente, mediante mecanismos de
participação popular constitucionalmente previstos.

CF/88, Art. 1º, parágrafo único: Todo o poder emana do povo, que o exerce por
meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

1.1 Poder Constituinte Originário

É aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo com a estrutura constitucional
anteriormente vigente. Por essa razão, não guarda qualquer subordinação jurídica em relação ao
ordenamento anterior.

Como consequência, as normas da Constituição anterior são revogadas, ainda que materialmente
compatíveis com a nova ordem constitucional.

Por outro lado, as normas infraconstitucionais anteriores podem ser recepcionadas, desde que
apresentem compatibilidade material com a nova Constituição, passando a retirar dela o seu novo
fundamento de validade.

→ Características:

●​ Inicial: inaugura uma nova ordem jurídica, não existindo outro poder acima ou anterior a ele
no plano jurídico;

●​ Autônomo: cabe ao seu titular definir livremente o conteúdo da nova Constituição,


escolhendo a estrutura do Estado e os valores que serão consagrados;

●​ Ilimitado: não está sujeito a regras prévias de forma ou procedimento impostas pela ordem
jurídica anterior;

●​ Incondicionado: não se submete aos limites estabelecidos pela Constituição revogada,


podendo reorganizar integralmente o Estado.

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IMPORTANTE!

As normas da Constituição Federal elaboradas pelo Poder Constituinte Originário,


chamadas de normas constitucionais originárias, possuem presunção absoluta de
constitucionalidade, razão pela qual não se submetem ao controle de constitucionalidade, já que
integram o próprio texto originário da Constituição.

Já as normas introduzidas por Emenda Constitucional, chamadas de normas constitucionais


derivadas, possuem presunção relativa de constitucionalidade e podem ser objeto de controle
de constitucionalidade, pois decorrem do exercício do Poder Constituinte Derivado Reformador,
que está sujeito aos limites e procedimentos previstos no Art. 60 da CF/88.

1.2 Poder Constituinte Derivado

É o poder instituído pela própria Constituição, destinado a promover alterações ou


complementações na ordem constitucional vigente, sempre dentro dos limites estabelecidos por
ela. Diferentemente do poder originário, não inaugura nova ordem jurídica, mas atua sobre a
Constituição já existente.

→ Características:

●​ Secundário: deriva do poder constituinte originário;

●​ Limitado: deve respeitar as restrições materiais, formais e circunstanciais previstas na


Constituição;

●​ Condicionado: seu exercício depende da observância dos procedimentos previamente


fixados pelo texto constitucional.

→ Espécies:

●​ Poder Constituinte Derivado Reformador: responsável por alterar a Constituição Federal por
meio de emendas constitucionais (Art. 60, CF/88).

●​ Poder Constituinte Derivado Decorrente: atribuído aos Estados-membros para criar e


modificar suas Constituições Estaduais, observados os princípios da Constituição Federal (Art.
25, CF/88). *CAIU NA OAB 35*​
Nesse contexto, destacam-se as chamadas normas de reprodução obrigatória, que são
disposições da Constituição Federal que devem ser necessariamente observadas e
reproduzidas pelas Constituições Estaduais, em razão da supremacia da Constituição Federal
e do chamado princípio da simetria. *CAIU NA OAB 27*

●​ Poder Constituinte Derivado Revisor: responsável por fazer alterações na Constituição por via
extraordinária prevista no Art. 3º do ADCT, exercido na revisão constitucional. O STF entende

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que essa norma já teve sua aplicabilidade esgotada e eficácia exaurida, de modo que não é
mais possível a manifestação desse poder revisor no nosso ordenamento.

TABELA PARA FIXAÇÃO!

Derivado Reformador Derivado Decorrente Derivado Revisor

Altera as normas da Cria e modifica a Constituição Faz alterações na Constituição


Constituição Federal. dos Estados. por via extraordinária.

2. Limitações do Poder Derivado Reformador

2.1 Limitações Temporais

As limitações temporais consistem na vedação de reforma constitucional durante determinado


período de tempo previamente fixado pelo próprio texto constitucional.

No ordenamento jurídico brasileiro, prevalece o entendimento de que a Constituição Federal de 1988


não estabeleceu limitações temporais ao poder de reforma, razão pela qual não existe prazo de
restrição temporária que impeça, por si só, a apresentação de Propostas de Emenda à Constituição.

2.2 Limitações Circunstanciais

As limitações circunstanciais consistem em restrições temporárias impostas ao poder de reforma


em situações excepcionais de instabilidade institucional, quais sejam: na vigência de intervenção
federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. Sua finalidade é preservar a normalidade
democrática e evitar alterações constitucionais realizadas sob pressão ou em contexto de
anormalidade institucional.

A inobservância dessas limitações acarreta vício formal no processo legislativo constitucional.

CF/88, Art. 60, §1º: A Constituição não poderá ser emendada na vigência de
intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

PEGADINHA DA BANCA!

A banca pode tentar induzir o candidato a pensar que qualquer intervenção impede a
tramitação da Emenda Constitucional. Não confunda!

A vedação do Art. 60, §1º, da CF/88 refere-se somente à intervenção federal, além do estado de
defesa e do estado de sítio. Assim, a intervenção estadual não impede a aprovação de Emenda à
Constituição Federal.

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2.3 Limitações Formais

As limitações formais consistem nas exigências procedimentais estabelecidas pela própria


Constituição para o exercício válido do poder de reforma. Referem-se, portanto, à legitimidade para
propor a emenda (iniciativa), ao rito de tramitação e ao quórum de aprovação, devendo ser
rigorosamente observadas no processo legislativo constitucional.

→ Iniciativa

A iniciativa para apresentação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) é concorrente entre os


legitimados expressamente previstos no Art. 60, incisos I a III, da CF/88, ou seja, pode ser exercida
por qualquer deles, sem exclusividade. Trata-se de rol taxativo, razão pela qual não se admite
iniciativa popular para propor Emenda à Constituição Federal.

A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: *CAIU NA OAB 37*

●​ De 1/3, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;

●​ Do Presidente da República;

●​ De mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se,


cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

PEGADINHA DA BANCA!

A banca costuma induzir o candidato a aplicar ao processo de Emenda Constitucional as


mesmas regras do processo legislativo comum. Cuidado!

No procedimento das Emendas Constitucionais, o Presidente da República participa apenas da


fase de iniciativa, nos casos do Art. 60, I, da CF/88. Não há sanção nem veto presidencial. Isso
porque a manifestação de concordância ou discordância do Presidente (sanção ou veto) existe
apenas no processo de elaboração de leis ordinárias e complementares, nos termos do Art. 66, §1º,
da CF/88. *CAIU NA OAB 25 E 42*

→ Votação e aprovação da PEC

A PEC será apreciada pelas duas Casas do Congresso Nacional, quais sejam, Câmara dos
Deputados e Senado Federal. Em cada uma delas, a proposta deverá ser discutida e votada em dois
turnos, sendo considerada aprovada se obtiver, em ambos, no mínimo, o voto favorável de 3/5 dos
respectivos membros.

Trata-se de quórum qualificado, superior ao exigido para aprovação das leis ordinárias, o que
demonstra a rigidez constitucional e a maior solenidade do processo de reforma da Constituição.

CF/88, Art. 60, §2º: A proposta será discutida e votada em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em
ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

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→ Promulgação

Uma vez aprovada a proposta, passa-se diretamente à promulgação. Esta será realizada pelas
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em ato conjunto, atribuindo-se à Emenda
Constitucional o respectivo número de ordem (aqui, a sequência deve ser respeitada) (Art. 60, §3º,
CF/88).

→ Reapresentação

Trata-se de mecanismo destinado a preservar a estabilidade do processo legislativo constitucional e


evitar a repetição sucessiva de propostas já rejeitadas na mesma sessão legislativa (ou seja, no
mesmo ano).

Predomina o entendimento de que essa vedação configura limitação formal ao poder de reforma.

CF/88, Art. 60, §5º: A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou


havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma
sessão legislativa.

TABELA PARA FIXAÇÃO!

POSSIBILIDADE DE REEDIÇÃO OU REAPRECIAÇÃO

Projeto de emenda
Projeto de lei Medida provisória
constitucional

Pode ser analisada na MESMA


Só pode ser analisada na sessão legislativa, desde que haja Só pode ser analisada na
PRÓXIMA sessão legislativa proposta da maioria absoluta dos PRÓXIMA sessão legislativa.
(Art. 60, §5º, CF/88). membros de uma das casas do (Art. 62, §10, CF/88)
Congresso (Art. 67, CF/88).

*guarda essa tabela que quando formos estudar o processo legislativo, ela ficará mais clara!

2.4 Limitações Materiais

As limitações materiais correspondem às restrições incidentes sobre o conteúdo das emendas


constitucionais, impedindo que determinadas matérias sejam abolidas, suprimidas ou esvaziadas
pelo poder de reforma.

Podem ser expressas, representadas pelas cláusulas pétreas previstas de forma explícita no texto
constitucional, ou implícitas, extraídas da própria estrutura, identidade e dos princípios
fundamentais da Constituição.

→ Cláusulas Pétreas (limitações expressas no Art. 60, §4º, da CF/88)

Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

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●​ a forma federativa de Estado:

A Forma Federativa se caracteriza pela descentralização no exercício do poder político, inviabilizando


a existência de um poder central único, gerando, consequentemente, uma partição constitucional de
competências. Ela também se manifesta pela autonomia política, administrativa e financeira da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (Art. 18, CF/88), bem como pela
indissolubilidade do vínculo federativo, sendo vedado o direito de secessão (Art. 1º, caput, CF/88).

●​ o voto direto, secreto, universal e periódico; *CAIU NA OAB 40*

Trata-se da única cláusula pétrea cujo texto constitucional protege expressamente determinadas
características do exercício do sufrágio, assegurando a preservação do regime democrático e da
soberania popular. Essa garantia impede emenda constitucional tendente a abolir eleições
periódicas, restringir indevidamente a universalidade do voto, eliminar o sigilo do voto ou afastar
sua manifestação direta pelo eleitor.

IMPORTANTE!
O voto obrigatório não é cláusula pétrea. Assim, o voto facultativo é possível no Brasil,
através de uma emenda. *CAIU NA OAB 25*

●​ a separação dos Poderes;

O princípio da separação dos Poderes, previsto no Art. 2º da CF/88, estabelece a distribuição das
funções estatais entre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, fundada na independência e
harmonia entre eles, com a finalidade de evitar a concentração do poder e resguardar as
liberdades públicas contra abusos estatais.

A independência relaciona-se à autonomia institucional de cada Poder e ao exercício de suas


funções típicas, sem subordinação aos demais. Já a harmonia revela a atuação coordenada entre
os Poderes, permitindo, de forma excepcional, o exercício de funções atípicas e a existência de
mecanismos de controle recíproco, no denominado sistema de freios e contrapesos (checks and
balances).

Também integram essa garantia constitucional as prerrogativas, garantias institucionais e


imunidades conferidas aos representantes de cada poder, na medida em que asseguram o livre
desempenho das funções estatais e a autonomia de cada Poder.

●​ os direitos e garantias individuais. *CAIU NA OAB 33 E 34*

Os direitos e garantias individuais integram o núcleo essencial de proteção da pessoa humana e


funcionam como limites ao poder estatal, razão pela qual foram expressamente protegidos pelo
constituinte originário como cláusula pétrea.

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IMPORTANTE!
Os direitos e garantias não são taxativos, ou seja, não estão previstos somente no Art. 5º
da CF/88.
Exemplo: STF já decidiu que o princípio da anterioridade tributária (Art. 150, III, “b”, CF/88)
é uma garantia individual do contribuinte. Além disso, em outra decisão, já foi firmado que o
princípio da anterioridade/anualidade eleitoral (Art. 16, CF/88) também é são garantias individuais
do eleitor.

→ Limitações Implícitas

As limitações implícitas, também chamadas de cláusulas tácitas, são restrições ao poder de reforma
que, embora não estejam expressamente previstas no Art. 60, §4º, da CF/88, decorrem da própria
estrutura, identidade e princípios fundamentais da ordem constitucional.

●​ A Forma e o Sistema de Governo

Após o plebiscito previsto no Art. 2º do ADCT e realizado em 1993, restaram confirmados pelo voto
popular a República como forma de governo e o Presidencialismo como sistema de governo. Tais
escolhas, por refletirem manifestação direta da soberania popular e integrarem a organização
fundamental do Estado, recebem proteção reforçada pela doutrina.

●​ A titularidade do Poder Constituinte

Nos termos do Art. 1º, parágrafo único, da CF/88, todo poder emana do povo, que é o verdadeiro
titular do poder constituinte. Por constituir fundamento do princípio democrático, entende-se que
não pode o poder reformador suprimir a soberania popular ou transferir sua titularidade a qualquer
órgão estatal.

●​ O próprio Art. 60 da CF/88

Também se reconhece limitação implícita quanto ao próprio sistema de reforma constitucional.


Assim, não se admite emenda destinada a eliminar ou esvaziar os limites impostos ao poder
reformador, sob pena de fragilização da rigidez constitucional.

Nesse contexto, predomina o entendimento de que não é possível utilizar uma PEC para suprimir
cláusula pétrea e, posteriormente, aprovar outra emenda para abolir o direito antes protegido,
prática conhecida na doutrina como tentativa de dupla revisão ou dupla reforma em dois tempos.

Então não é possível, de nenhuma forma, que as cláusulas pétreas venham a ser objeto
de emendas constitucionais?

As cláusulas pétreas poderão ser objeto de emendas constitucionais somente se o


objetivo for de AMPLIAR os assuntos relacionados no Art. 60, §4º, da CF/88. Nunca pode
para diminuir ou eliminar os direitos garantidos pelas cláusulas pétreas!

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E se vier a existir uma PEC (projeto de emenda constitucional) ou PL (projeto de Lei) que
viole claramente as cláusulas pétreas, o que pode ser feito antes que vire norma? *CAIU
NA OAB 40*

Caso venha a existir uma PEC ou PL que viole claramente as cláusulas pétreas, visando
impedir que tal projeto seja aprovado e se transforme em norma, os parlamentares têm
legitimidade para impetrar mandado de segurança preventivo para assegurar o respeito ao devido
processo legislativo (ocorre, aqui, o controle PREVENTIVO de constitucionalidade).

E se a PEC ou PL já tiver sido aprovada?

Agora, se o projeto for aprovado, só poderá ser derrubado mediante controle REPRESSIVO de
constitucionalidade, mediante a interposição de Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI) perante o STF.

RESUMÃO PARA FIXAR!

IMPORTANTE!
Não há hierarquia entre as normas constitucionais originárias, porque são todas
constitucionais, elaboradas pelo Poder Constituinte e possuem o mesmo "status"
normativo. Ou seja, as cláusulas pétreas não possuem uma hierarquia superior, apesar de serem
mais difíceis de modificar por serem protegidas!

3. Mutação Constitucional

No que se refere às alterações constitucionais, estas podem ser formais ou informais.

As alterações formais decorrem do exercício do Poder Constituinte Derivado Reformador, por meio
de Emenda Constitucional, com modificação expressa do texto da Constituição.

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Já as alterações informais acontecem por meio de uma mutação constitucional, ocorrida sem
mudança do texto constitucional, mas com modificação do seu significado, alcance ou
interpretação em razão da evolução social, política, institucional ou jurisprudencial.

Trata-se de mecanismo que permite a atualização da Constituição sem necessidade de reforma


textual, alterando apenas sua interpretação/sentido, preservando sua permanência e
adaptabilidade ao longo do tempo. *CAIU NA OAB 26*

Exemplo: O Art. 5º, XI, da CF/88 assegura a inviolabilidade da casa. Com a evolução jurisprudencial,
passou-se a compreender que a proteção constitucional de “casa” pode alcançar também
escritórios profissionais, consultórios e determinados locais de trabalho privados, quando destinados
ao exercício da intimidade ou da atividade privada da pessoa.

TABELA PARA FIXAÇÃO!

ALTERAÇÕES FORMAIS ALTERAÇÕES INFORMAIS

Emenda Constitucional Reformadora Mutação Constitucional

Processo formal de mudança da constituição Não muda o texto do artigo, mas somente o
(altera o texto do artigo) sentido (a interpretação)

Feito pelo Poder Legislativo, obedecendo os Feito pelo Poder Judiciário, após uma decisão
requisitos do Art. 60 CF. de efeito erga omnes.

4. Fenômenos do Direito Constitucional Intertemporal

4.1 Revogação

O que acontece com as normas constitucionais anteriores com a promulgação de uma


nova Constituição? *CAIU NA OAB 26*

Com o surgimento de uma nova Constituição, a ordem constitucional precedente é, em


regra, integralmente revogada, ainda que de forma tácita, deixando de possuir vigência e
validade no sistema jurídico.

Isso ocorre porque o novo texto constitucional inaugura uma nova ordem jurídica e passa a ocupar o
ápice do ordenamento, substituindo a Constituição anterior.

Trata-se do fenômeno conhecido como revogação global, pelo qual o texto constitucional anterior é
afastado em sua totalidade pela superveniência de nova Constituição dotada de igual hierarquia
normativa.

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4.2 Desconstitucionalização

A desconstitucionalização é o fenômeno pelo qual normas constantes da Constituição anterior


deixam de possuir status constitucional e passam a subsistir na nova ordem jurídica como normas
infraconstitucionais, desde que haja previsão expressa nesse sentido.

Em outras palavras, determinados dispositivos que antes integravam a Constituição podem ser
mantidos após o advento de nova Constituição, porém com hierarquia inferior, normalmente
equivalente à de lei ordinária ou outra espécie normativa infraconstitucional compatível. Trata-se de
uma exceção à regra da revogação.

No direito brasileiro, não se admite desconstitucionalização automática. Se a nova Constituição


silenciar sobre o tema, prevalece a regra geral da revogação global da ordem constitucional
anterior, ainda que existam lacunas no novo texto constitucional.

ATENÇÃO!
Na desconstitucionalização, a análise é feita entre normas da Constituição anterior e a
nova Constituição.

4.3 Recepção

A recepção é o fenômeno pelo qual as normas infraconstitucionais editadas antes do advento de


uma nova Constituição permanecem válidas e vigentes na nova ordem jurídica, desde que sejam
materialmente compatíveis com o novo texto constitucional.

A análise da recepção é feita sob o aspecto material, isto é, verifica-se a compatibilidade de


conteúdo da norma com a nova Constituição. Em regra, não importa a forma da espécie normativa
ou o procedimento legislativo utilizado à época de sua edição (lei ordinária, lei complementar,
decreto-lei etc.).

Se houver compatibilidade material, a norma anterior é recepcionada e passa a retirar seu


fundamento de validade da nova Constituição.

Se a lei não for compatível materialmente com a nova constituição, a norma não será recepcionada
(“não recepção”). *CAIU NA OAB 25*

ATENÇÃO!
Na Recepção, a análise é feita entre normas infraconstitucionais anteriores e a nova
Constituição.

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5. Teoria da Inconstitucionalidade Superveniente

A teoria da inconstitucionalidade superveniente sustenta a possibilidade de uma norma válida à


época de sua edição tornar-se inconstitucional em momento posterior, tendo por parâmetro a nova
Constituição.

No ordenamento jurídico brasileiro, prevalece o entendimento de que essa teoria não é adotada em
relação às normas anteriores à nova Constituição. Isso porque, se a norma preexistente for
materialmente incompatível com o novo texto constitucional, não se considera supervenientemente
inconstitucional, mas sim não recepcionada.

É possível apenas a inconstitucionalidade originária, ou seja, a inconstitucionalidade de normas


editadas posteriormente à nova Constituição. *CAIU NA OAB 25*

6. Eficácia das Normas Constitucionais (José Afonso da Silva)

A teoria da eficácia das normas constitucionais, desenvolvida por José Afonso da Silva, busca
identificar o grau de aplicabilidade e produção de efeitos das normas previstas na Constituição.

Esse tema não cai muito, mas é importante entender a aplicação das normas!

6.1 Plena

São normas de aplicabilidade direta, imediata e integral, produzindo plenamente seus efeitos desde
a entrada em vigor da Constituição, independentemente de regulamentação infraconstitucional.

Exemplos:

CF/88, Art. 5º, III: ninguém será submetido a tortura nem a tratamento
desumano ou degradante;

CF/88, Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é


vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir
impostos sobre: b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive
suas organizações assistenciais e beneficentes;

6.2 Contida

São normas de aplicabilidade direta e imediata, pois produzem efeitos desde a promulgação da
Constituição, porém não possuem aplicabilidade integral, uma vez que seu alcance pode ser
restringido por lei infraconstitucional. Ou seja, nascem aptas a produzir efeitos, mas admitem
contenção ou limitação posterior. Possuem eficácia positiva e negativa. *CAIU NA OAB 24*

Exemplos:

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CF/88, Art. 5º, XIII: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

CF/88, Art. 5º, VIII: ninguém será privado de direitos por motivo de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação
alternativa, fixada em lei.

6.3 Limitada

São normas de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, pois dependem da edição de norma
infraconstitucional integradora para produzirem plenamente seus efeitos concretos. Isso significa
que, embora estejam previstas na Constituição, necessitam de regulamentação posterior para que o
direito nelas contido possa ser exercido em sua plenitude.

As normas de eficácia limitada se subdividem em 2, sendo elas:

→ Definidoras de Princípios Programáticos:

São normas constitucionais que estabelecem os objetivos e metas que o Estado deve alcançar. Elas
indicam as políticas públicas que devem ser implementadas para atingir esses objetivos. Exemplo:

CF/88, Art. 196: A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido


mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

→ Definidoras de Princípios Institutivos:

São normas constitucionais que estabelecem a estrutura e atribuições de órgãos, entidades e


instituições. Exemplo:

CF/88, Art. 18, §2º: Os Territórios Federais integram a União, e sua criação,
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas
em lei complementar.

7. Conflito entre Normas Constitucionais Originárias

No ordenamento jurídico brasileiro, todas as normas constitucionais originárias possuem a mesma


hierarquia normativa, pois emanam diretamente do Poder Constituinte Originário e integram o texto
da Constituição com idêntico status jurídico. Não existe “antinomia” solucionável por hierarquia entre
elas, pois todas integram a Constituição em sentido formal. *CAIU NA OAB 44*

A distinção entre normas materialmente constitucionais e formalmente constitucionais é apenas


doutrinária, sem efeito para negar validade ou impor hierarquia.

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Nome: RODRIGO ROCHA DA SILVA, CPF: 86432272505 IP: 2804:d47:5d2f:d400:e981:8e85:cc32:d0a9, [Link]

Resumos - Método VDE 1ª fase OAB


Atualizado para o 47º Exame de Ordem
Elaborado e revisado por @metodovde
Material de uso individual. Proibido o repasse!

●​ Normas materialmente constitucionais

São aquelas que tratam de conteúdos essenciais à organização do Estado e à proteção de direitos
fundamentais, isto é, matérias que compõem o núcleo típico do Direito Constitucional.

Exemplo: Art. 5º da CF/88 – direitos e garantias fundamentais. Ainda que tais normas estivessem
previstas em outro diploma, continuariam ostentando conteúdo materialmente constitucional.

●​ Normas formalmente constitucionais

São aquelas que não tratam de conteúdo tipicamente constitucional, mas estão dentro do texto da
Constituição, possuindo natureza constitucional em razão da forma e do processo legislativo de sua
elaboração.

Exemplo: Art. 242, §2º, da CF/88 – referência ao Colégio Pedro II. Embora o tema não seja tipicamente
constitucional, a norma possui status constitucional por estar inserida no corpo da Constituição.

A eventual tensão entre dispositivos constitucionais deve ser resolvida por métodos de interpretação
constitucional (harmonização, ponderação de princípios etc.), nunca por hierarquia, buscando a
unidade da Constituição e a máxima efetividade de suas normas.

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