Teoria Da Constituição - Resumo VDE
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@metodovde
RESUMO
ESTRATÉGICO
CONSTITUCIONAL
Nome: RODRIGO ROCHA DA SILVA, CPF: 86432272505 IP: 2804:d47:5d2f:d400:e981:8e85:cc32:d0a9, [Link]
Teoria da Constituição 2
1. Poder Constituinte 2
1.1 Poder Constituinte Originário 2
1.2 Poder Constituinte Derivado 3
2. Limitações do Poder Derivado Reformador 4
2.1 Limitações Temporais 4
2.2 Limitações Circunstanciais 5
2.3 Limitações Formais 5
2.4 Limitações Materiais 7
3. Mutação Constitucional 10
4. Fenômenos do Direito Constitucional Intertemporal 11
4.1 Revogação 11
4.2 Desconstitucionalização 11
4.3 Recepção 12
5. Teoria da Inconstitucionalidade Superveniente 12
6. Eficácia das Normas Constitucionais (José Afonso da Silva) 12
6.1 Plena 13
6.2 Contida 13
6.3 Limitada 13
7. Conflito entre Normas Constitucionais Originárias 14
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Teoria da Constituição
1. Poder Constituinte
A titularidade do poder constituinte pertence ao povo, pois é dele que decorre a legitimidade para
instituir uma nova ordem constitucional.
Já o exercício desse poder ocorre de maneira indireta, por meio de representantes eleitos
encarregados de atuar em nome da coletividade, ou diretamente, mediante mecanismos de
participação popular constitucionalmente previstos.
CF/88, Art. 1º, parágrafo único: Todo o poder emana do povo, que o exerce por
meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
É aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo com a estrutura constitucional
anteriormente vigente. Por essa razão, não guarda qualquer subordinação jurídica em relação ao
ordenamento anterior.
Como consequência, as normas da Constituição anterior são revogadas, ainda que materialmente
compatíveis com a nova ordem constitucional.
Por outro lado, as normas infraconstitucionais anteriores podem ser recepcionadas, desde que
apresentem compatibilidade material com a nova Constituição, passando a retirar dela o seu novo
fundamento de validade.
→ Características:
● Inicial: inaugura uma nova ordem jurídica, não existindo outro poder acima ou anterior a ele
no plano jurídico;
● Ilimitado: não está sujeito a regras prévias de forma ou procedimento impostas pela ordem
jurídica anterior;
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IMPORTANTE!
→ Características:
→ Espécies:
● Poder Constituinte Derivado Reformador: responsável por alterar a Constituição Federal por
meio de emendas constitucionais (Art. 60, CF/88).
● Poder Constituinte Derivado Revisor: responsável por fazer alterações na Constituição por via
extraordinária prevista no Art. 3º do ADCT, exercido na revisão constitucional. O STF entende
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que essa norma já teve sua aplicabilidade esgotada e eficácia exaurida, de modo que não é
mais possível a manifestação desse poder revisor no nosso ordenamento.
CF/88, Art. 60, §1º: A Constituição não poderá ser emendada na vigência de
intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
PEGADINHA DA BANCA!
A banca pode tentar induzir o candidato a pensar que qualquer intervenção impede a
tramitação da Emenda Constitucional. Não confunda!
A vedação do Art. 60, §1º, da CF/88 refere-se somente à intervenção federal, além do estado de
defesa e do estado de sítio. Assim, a intervenção estadual não impede a aprovação de Emenda à
Constituição Federal.
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→ Iniciativa
● Do Presidente da República;
PEGADINHA DA BANCA!
A PEC será apreciada pelas duas Casas do Congresso Nacional, quais sejam, Câmara dos
Deputados e Senado Federal. Em cada uma delas, a proposta deverá ser discutida e votada em dois
turnos, sendo considerada aprovada se obtiver, em ambos, no mínimo, o voto favorável de 3/5 dos
respectivos membros.
Trata-se de quórum qualificado, superior ao exigido para aprovação das leis ordinárias, o que
demonstra a rigidez constitucional e a maior solenidade do processo de reforma da Constituição.
CF/88, Art. 60, §2º: A proposta será discutida e votada em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em
ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
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→ Promulgação
Uma vez aprovada a proposta, passa-se diretamente à promulgação. Esta será realizada pelas
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em ato conjunto, atribuindo-se à Emenda
Constitucional o respectivo número de ordem (aqui, a sequência deve ser respeitada) (Art. 60, §3º,
CF/88).
→ Reapresentação
Predomina o entendimento de que essa vedação configura limitação formal ao poder de reforma.
Projeto de emenda
Projeto de lei Medida provisória
constitucional
*guarda essa tabela que quando formos estudar o processo legislativo, ela ficará mais clara!
Podem ser expressas, representadas pelas cláusulas pétreas previstas de forma explícita no texto
constitucional, ou implícitas, extraídas da própria estrutura, identidade e dos princípios
fundamentais da Constituição.
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Trata-se da única cláusula pétrea cujo texto constitucional protege expressamente determinadas
características do exercício do sufrágio, assegurando a preservação do regime democrático e da
soberania popular. Essa garantia impede emenda constitucional tendente a abolir eleições
periódicas, restringir indevidamente a universalidade do voto, eliminar o sigilo do voto ou afastar
sua manifestação direta pelo eleitor.
IMPORTANTE!
O voto obrigatório não é cláusula pétrea. Assim, o voto facultativo é possível no Brasil,
através de uma emenda. *CAIU NA OAB 25*
O princípio da separação dos Poderes, previsto no Art. 2º da CF/88, estabelece a distribuição das
funções estatais entre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, fundada na independência e
harmonia entre eles, com a finalidade de evitar a concentração do poder e resguardar as
liberdades públicas contra abusos estatais.
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IMPORTANTE!
Os direitos e garantias não são taxativos, ou seja, não estão previstos somente no Art. 5º
da CF/88.
Exemplo: STF já decidiu que o princípio da anterioridade tributária (Art. 150, III, “b”, CF/88)
é uma garantia individual do contribuinte. Além disso, em outra decisão, já foi firmado que o
princípio da anterioridade/anualidade eleitoral (Art. 16, CF/88) também é são garantias individuais
do eleitor.
→ Limitações Implícitas
As limitações implícitas, também chamadas de cláusulas tácitas, são restrições ao poder de reforma
que, embora não estejam expressamente previstas no Art. 60, §4º, da CF/88, decorrem da própria
estrutura, identidade e princípios fundamentais da ordem constitucional.
Após o plebiscito previsto no Art. 2º do ADCT e realizado em 1993, restaram confirmados pelo voto
popular a República como forma de governo e o Presidencialismo como sistema de governo. Tais
escolhas, por refletirem manifestação direta da soberania popular e integrarem a organização
fundamental do Estado, recebem proteção reforçada pela doutrina.
Nos termos do Art. 1º, parágrafo único, da CF/88, todo poder emana do povo, que é o verdadeiro
titular do poder constituinte. Por constituir fundamento do princípio democrático, entende-se que
não pode o poder reformador suprimir a soberania popular ou transferir sua titularidade a qualquer
órgão estatal.
Nesse contexto, predomina o entendimento de que não é possível utilizar uma PEC para suprimir
cláusula pétrea e, posteriormente, aprovar outra emenda para abolir o direito antes protegido,
prática conhecida na doutrina como tentativa de dupla revisão ou dupla reforma em dois tempos.
Então não é possível, de nenhuma forma, que as cláusulas pétreas venham a ser objeto
de emendas constitucionais?
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E se vier a existir uma PEC (projeto de emenda constitucional) ou PL (projeto de Lei) que
viole claramente as cláusulas pétreas, o que pode ser feito antes que vire norma? *CAIU
NA OAB 40*
Caso venha a existir uma PEC ou PL que viole claramente as cláusulas pétreas, visando
impedir que tal projeto seja aprovado e se transforme em norma, os parlamentares têm
legitimidade para impetrar mandado de segurança preventivo para assegurar o respeito ao devido
processo legislativo (ocorre, aqui, o controle PREVENTIVO de constitucionalidade).
Agora, se o projeto for aprovado, só poderá ser derrubado mediante controle REPRESSIVO de
constitucionalidade, mediante a interposição de Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI) perante o STF.
IMPORTANTE!
Não há hierarquia entre as normas constitucionais originárias, porque são todas
constitucionais, elaboradas pelo Poder Constituinte e possuem o mesmo "status"
normativo. Ou seja, as cláusulas pétreas não possuem uma hierarquia superior, apesar de serem
mais difíceis de modificar por serem protegidas!
3. Mutação Constitucional
As alterações formais decorrem do exercício do Poder Constituinte Derivado Reformador, por meio
de Emenda Constitucional, com modificação expressa do texto da Constituição.
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Já as alterações informais acontecem por meio de uma mutação constitucional, ocorrida sem
mudança do texto constitucional, mas com modificação do seu significado, alcance ou
interpretação em razão da evolução social, política, institucional ou jurisprudencial.
Exemplo: O Art. 5º, XI, da CF/88 assegura a inviolabilidade da casa. Com a evolução jurisprudencial,
passou-se a compreender que a proteção constitucional de “casa” pode alcançar também
escritórios profissionais, consultórios e determinados locais de trabalho privados, quando destinados
ao exercício da intimidade ou da atividade privada da pessoa.
Processo formal de mudança da constituição Não muda o texto do artigo, mas somente o
(altera o texto do artigo) sentido (a interpretação)
Feito pelo Poder Legislativo, obedecendo os Feito pelo Poder Judiciário, após uma decisão
requisitos do Art. 60 CF. de efeito erga omnes.
4.1 Revogação
Isso ocorre porque o novo texto constitucional inaugura uma nova ordem jurídica e passa a ocupar o
ápice do ordenamento, substituindo a Constituição anterior.
Trata-se do fenômeno conhecido como revogação global, pelo qual o texto constitucional anterior é
afastado em sua totalidade pela superveniência de nova Constituição dotada de igual hierarquia
normativa.
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4.2 Desconstitucionalização
Em outras palavras, determinados dispositivos que antes integravam a Constituição podem ser
mantidos após o advento de nova Constituição, porém com hierarquia inferior, normalmente
equivalente à de lei ordinária ou outra espécie normativa infraconstitucional compatível. Trata-se de
uma exceção à regra da revogação.
ATENÇÃO!
Na desconstitucionalização, a análise é feita entre normas da Constituição anterior e a
nova Constituição.
4.3 Recepção
Se a lei não for compatível materialmente com a nova constituição, a norma não será recepcionada
(“não recepção”). *CAIU NA OAB 25*
ATENÇÃO!
Na Recepção, a análise é feita entre normas infraconstitucionais anteriores e a nova
Constituição.
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No ordenamento jurídico brasileiro, prevalece o entendimento de que essa teoria não é adotada em
relação às normas anteriores à nova Constituição. Isso porque, se a norma preexistente for
materialmente incompatível com o novo texto constitucional, não se considera supervenientemente
inconstitucional, mas sim não recepcionada.
A teoria da eficácia das normas constitucionais, desenvolvida por José Afonso da Silva, busca
identificar o grau de aplicabilidade e produção de efeitos das normas previstas na Constituição.
Esse tema não cai muito, mas é importante entender a aplicação das normas!
6.1 Plena
São normas de aplicabilidade direta, imediata e integral, produzindo plenamente seus efeitos desde
a entrada em vigor da Constituição, independentemente de regulamentação infraconstitucional.
Exemplos:
CF/88, Art. 5º, III: ninguém será submetido a tortura nem a tratamento
desumano ou degradante;
6.2 Contida
São normas de aplicabilidade direta e imediata, pois produzem efeitos desde a promulgação da
Constituição, porém não possuem aplicabilidade integral, uma vez que seu alcance pode ser
restringido por lei infraconstitucional. Ou seja, nascem aptas a produzir efeitos, mas admitem
contenção ou limitação posterior. Possuem eficácia positiva e negativa. *CAIU NA OAB 24*
Exemplos:
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CF/88, Art. 5º, XIII: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
CF/88, Art. 5º, VIII: ninguém será privado de direitos por motivo de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação
alternativa, fixada em lei.
6.3 Limitada
São normas de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, pois dependem da edição de norma
infraconstitucional integradora para produzirem plenamente seus efeitos concretos. Isso significa
que, embora estejam previstas na Constituição, necessitam de regulamentação posterior para que o
direito nelas contido possa ser exercido em sua plenitude.
São normas constitucionais que estabelecem os objetivos e metas que o Estado deve alcançar. Elas
indicam as políticas públicas que devem ser implementadas para atingir esses objetivos. Exemplo:
CF/88, Art. 18, §2º: Os Territórios Federais integram a União, e sua criação,
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas
em lei complementar.
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São aquelas que tratam de conteúdos essenciais à organização do Estado e à proteção de direitos
fundamentais, isto é, matérias que compõem o núcleo típico do Direito Constitucional.
Exemplo: Art. 5º da CF/88 – direitos e garantias fundamentais. Ainda que tais normas estivessem
previstas em outro diploma, continuariam ostentando conteúdo materialmente constitucional.
São aquelas que não tratam de conteúdo tipicamente constitucional, mas estão dentro do texto da
Constituição, possuindo natureza constitucional em razão da forma e do processo legislativo de sua
elaboração.
Exemplo: Art. 242, §2º, da CF/88 – referência ao Colégio Pedro II. Embora o tema não seja tipicamente
constitucional, a norma possui status constitucional por estar inserida no corpo da Constituição.
A eventual tensão entre dispositivos constitucionais deve ser resolvida por métodos de interpretação
constitucional (harmonização, ponderação de princípios etc.), nunca por hierarquia, buscando a
unidade da Constituição e a máxima efetividade de suas normas.
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