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Faculdade do Vale do Itapecurú – FAI Curso: Bacharel em Direito Disciplina: Introdução ao Estudo do Direito Professor: Neudson Castelo Branco Acadêmica: Larisse Araújo Santana de Moraes Turno: Noturno Matricula: 12101002

Resumo: Magistratura e Direito Alternativo Amilton Bueno de Carvalho

Caxias – MA 2012

pois não estariam fazendo o que propõe a justiça que é fazer o justo a quem de direito e com base nessa percepção foi que o mesmo iniciou seus estudos sobre o tema gerador desta obra. defendendo os interesses de quem lhe é conveniente.2 MAGISTRATURA E DIREITO ALTERNATIVO Amilton Bueno de Carvalho aborda em sua obra Magistratura e Direito Alternativo. Aborda que vivemos em uma sociedade capitalista. dessa negativa foi que surgiu à necessidade do autor discutir mais sobre a temática. e o Judiciário é quem fica incumbido de executar as “injustiças” postuladas na lei. age quase que em causa própria. onde os possuidores de grandes riquezas são os reais detentores do poder. mesmo que não haja legislação para o caso. porém não muito aceitável entre a maioria das pessoas do mundo jurídico. e que a lei só possui duas funções. todos devem trabalhar de forma articulada para que se chegue a um denominador comum justo. basta que o Magistrado seja sensível a necessidade real de cada individuo que provoca o judiciário. é necessário que todos provoquem o Judiciário a utilizarem essa linha de pensamento. Diz ainda no primeiro capítulo (A Lei. Cita exemplos de como a lei favorece as pessoas abastadas financeiramente. pois existe a possibilidade real de ser posto em prática. ao tipificar com penas mais brandas os crimes que possam vir a ser praticados por elas e . Trata que o Direito Alternativo não pode ser visto como mera utopia. bem como difundir seus ideais e aprofundar o conhecimento sobre o Direito Alternativo. criando assim um clima de instabilidade. o Juiz. um assunto bastante conhecido. não seriam decisões justas. que nem sempre o que está no Direito Positivado é o que é justo. Fala ainda que não basta que os Juízes utilizem o Direito Alternativo de forma isolada. uma é manter a força de quem está no comando e a outra é manter o restante da população (pobres) subordinada a essa minoria (ricos). que é a sentença justa. o Justo). tudo isso apoiado pelo legislativo que é quem elabora as leis que favorecem a classe dominante. surgindo assim leis que não condizem e nem levam ao encontro da justiça. e tome a decisão justa. O legislador ao criar uma lei. fazendo com que os menos favorecidos (pobres) passem cada dia mais a desacreditar nesses órgãos e em seus representantes. e que o autor descobriu a partir das situações cotidianas a existência de fatos que se fossem decididos com base na lei e nas jurisprudências vigentes. do advogado ao promotor público.

que são: Jurista Tradicional e Jurista Orgânico. criando novas soluções para desmascarar as injustiças que existem por trás do direito positivado. O Jurista Tradicional é aquele conservador. aplicando somente o que está na lei positivada. pois a mesma possui seus benefícios. é um ser crítico. É indicado como profissionais que estão interessados em trabalhar de acordo com as transformações sociais devem agir. Diz ainda. e que devido a isso fica difícil mudar esse quadro e que as faculdades de direito tem uma boa parcela de contribuição. em busca de uma atitude que contribua com o avanço social. o autor divide os juristas em duas espécies.3 potencializar as penas dos crimes que possuem características de sua prática por pessoas pobres. que procura resgatar a dignidade do direito fazendo justiça acima de qualquer coisa. o que devem fazer e como fazer. O segundo capítulo (Jurista orgânico: uma contribuição) trata que o direito é conservador em decorrência de seus próprios operadores. não se pode atribuir a lei toda a culpa. atuando de forma com que a classe dominante continue no poder. sem observar que existem diversas situações e que cada uma merece ser avaliada diferentemente. dirimindo conflitos de forma justa. sendo que é responsável pela manutenção da ordem em . deixando de avaliar vários aspectos que possam vir a ser mais importantes no quesito fazer justiça. fazendo com que os profissionais saiam dela trabalhando de forma mecanizada e conservadora. afim de deter o monopólio da classe dominante. pois vem moldando ao longo dos séculos bacharéis que trabalham com o velho sistema de dominação. No terceiro capítulo (Jusnaturalismo de Caminhada: Uma visão éticoutópica da lei) é discutido como a lei tem servido como instrumento de opressão. que seu principal objetivo é aplicar o direito positivado. que cabe ao Juiz buscar formas de aplicar o direito de maneira justa e coerente. que sempre busca novos caminhos. ou seja. lutando contra as leis injustas. a lei é mais dura com o indivíduo desprovido de riqueza. pois muitos trabalham sendo meros reprodutores do direito positivado. que é promover interpretações jurídicas mais humanizadas. é um profissional preso a forma e não busca mudanças. e isso só acontece em razão da pessoa que a utiliza. Já o Orgânico é aquele profissional arrojado. sendo criterioso e crítico com a lei. comprometendo-se em fazer justiça a qualquer preço e se distanciando cada vez mais da forma com que boa parte dos magistrados atuam. fazendo de tal ato uma arte. buscando o real sentido do direito alternativo. Não é explorado na faculdade a capacidade que o ser humano tem de pensar criticamente. Também nesse capítulo.

que o homem deve ser trabalhado para que se torne em realidade e que este sonho venha a dar condições mínimas de vida com dignidade ao povo brasileiro. Assim essa busca deve ser transformada em normas escritas e efetivadas. que logo depois deverão ser destruídas para que se abra espaço para novas idéias. devido à atribuição que por certas vezes esta tem de predeterminar a responsabilidade ética de atuação na história. para que venha a ser preenchida todas as necessidades do homem. quais os elementos externos que levam o Magistrado a agir de forma conservadora. após essa superação. além de apontar sinais de como é possível atuar de forma transformadora. sendo incorporado os avanços da lei anterior. pois sempre haverá novos motivos para a mudança. O quarto capítulo (Magistratura e Mudança Social: visão de um juiz de primeira instância) aborda como age um juiz comprometido com a transformação do modelo social. o processo envolve todos e redefine as condições sociais de determinado momento. Para que haja o processo da lei atender aos direitos dos oprimidos é preciso que ela não esteja a serviço da opressão. Quanto aos elementos externos a formação dada ao jurista é centralizada no positivismo e que o direito é reduzido a conhecer as leis e saber aplicá-las. o autor fala que a própria palavra é carregada de rejeição. O sentimento de busca de novas leis no primeiro momento surge como uma utopia. só assim se pode ir à busca de leis que sirvam para a maioria. em uma luta de amor e ódio com a lei para que haja constante mudanças e se chegue a uma vida de abundância para todos os homens. sem qualquer brecha para questionamentos. a utopia vai sempre passar pelo processo de transformação. mas sim sendo positivada em busca de vida em abundância para todos. um sonho. ela nunca ficará acabada por completo. . O juiz nada mais é que um mero instrumento da classe que está legislando naquele momento.4 uma sociedade. A lei assume o papel de premissa maior. nem tampouco isolado. Então é preciso que o homem entenda o sentido ético da lei. é caracterizada como verdade absoluta. essa luta pela concretização de uma lei conquistada é um ato contínuo e precisa da mobilização popular de pessoas voltadas ao movimento orgânico e de um Judiciário atento aos anseios do povo. fala ainda que a caminhada do jusnaturalismo não é algo linear. então o jusnaturalismo de caminhada vive em constante movimento. Em relação ao Jusnaturalismo de caminhada.

que se divide em três que são: alienação ao mundo. Com os exemplos. excesso de trabalho e mito da neutralidade. onde é demonstrado que Deus exerceu o papel tríplice do estado. Na alienação o magistrado vai se distanciando do mundo e dos acontecimentos e passa a trabalhar mecanicamente. julgou os réus e legislou determinando condutas. pois para dar conta a grande demanda processual o Juiz passa a julgar mecanicamente seus processos. pois o mesmo administrou o mundo. sempre exerceu sua função básica. Mesmo diante desses fatores que podem levar o magistrado a decisões de ordem mecânica.5 Já em relação aos elementos internos temos a trilogia da alienação do magistrado ao mundo. decidiram romper com as amarras do tradicionalismo e saíram em busca de novas alternativas que os levassem a um modelo de sociedade comprometida com a emancipação da maioria da população. o Magistrado se aproxima da mecânica dos princípios positivistas. fazendo com que o juiz venha a se afastar do povo e assim venha aplicar a lei de acordo com a vontade da classe dominante. desmistificando assim a . mas sim buscando a visão utópica da vida em abundancia. porém isso não significa dizer que a lei seja totalmente má. e que esta não deve estar presa a serviço da opressão. que insatisfeitos com as posturas acima citadas. Outro fator é o mito da neutralidade que diz que existem juízes que não tomam partido. é mencionado o exemplo de alguns juízes gaúchos. o volume excessivo de trabalho é o primeiro fator citado. O quinto capítulo (O fetiche da lei no mito adâmico) trata que a lei não é neutra. demonstram uma pseuda neutralidade ao ponto de se distanciarem dos humanos e em razão desse afastamento. foi demonstrado que a lei mesmo em um ambiente considerado paradisíaco. A deontologia da magistratura é o ultimo fator da trilogia e fala sobre a questão de que fazem acreditar que o juiz deve ter uma postura diferente dos simples mortais. porém cumprindo com a obrigação de despachá-los. Neste capítulo também se é feito vários questionamentos acerca de como os juristas críticos interpretariam alguns versículos da bíblia. que é o Jardim do Éden. deixando de lado a possibilidade de ter uma atividade criadora. devido ao fato de estar intimamente ligada a classe que a produziu. e nem sempre representa a concretização da justiça. para contextualizar são colocadas diversas situações bíblicas. que é a de manter a ordem de determinado sistema/sociedade. procuram não opinar em determinados casos.

onde só prevalece a vontade da classe dominante. de se buscar a essência da justiça. Já o sentido restrito abrange a pluralidade jurídica. partidos políticos.6 fantasia de que a lei possui um poder sobrenatural e que as pessoas que tem essa mentalidade apenas possuem uma visão deformada da realidade. O sexto capítulo (Magistratura e Direito Alternativo ou da liberdade do ato de julgar) trata da possibilidade de se fazer diferente. através dos sindicatos. pois o juiz é livre e essa liberdade ultrapassa os limites da legalidade. procurando brechas e contradições dentro da legislação em favor dos pobres. A justiça deve ser aplicada com critérios da época histórica vivenciada e orientados pelos princípios universais e gerais do jurídico. procurando a resolução de seus problemas. . é utilizado pela comunidade. etc. trabalha paralelamente ao direito oficial. de deixar de lado todo esse mecanismo que amarra os juristas e todo o judiciário em uma teia burocrática. Menciona ainda que o Direito Alternativo divide seu uso da seguinte forma: uso alternativo do direito e uso alternativo em sentido restrito. Fala que se é permitido ao advogado lutar contra a lei injusta. sendo que na primeira opção os juristas atuam dentro do direito positivado. então é possível que o Magistrado possa julgar na mesma linha de pensamento.

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