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IBP 1285_12 PERFURAÇÃO EM ROCHAS DURAS: DAS TECNOLOGIAS CONVENCIONAIS ATÉ O POTENCIAL USO DO LASER

IBP1285_12

PERFURAÇÃO EM ROCHAS DURAS: DAS TECNOLOGIAS CONVENCIONAIS ATÉ O POTENCIAL USO DO LASER Renato Amaro 1 , Maria A. A. Pérez 2 , Luiz C. G. Valente 2 , Arthur M. B. Braga 2 , Rosana F. T. Lomba 1

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo

Um dos maiores desafios na perfuração das rochas carbonáticas do Pré-sal é superar as baixas taxas de penetração que vem sendo obtidas na perfuração da rocha reservatório nos poços verticais e direcionais. Para vencer este desafio, um grande esforço vem sendo desenvolvido em várias linhas de pesquisa, tanto no desenvolvimento de novos conceitos de brocas como na seleção de um sistema de perfuração que em conjunto com tipos adequados de brocas apresente um melhor desempenho. Para atingir este objetivo, estão sendo priorizados procedimentos e sistemas de perfuração que apresentem menores níveis de vibração, pois este fenômeno além de reduzir a eficiência da perfuração, também compromete o tempo de vida útil dos equipamentos e, por conseqüência acarreta a redução da confiabilidade do sistema e eleva o custo por metro da perfuração. Desta forma, novas tecnologias de brocas e sistemas de perfuração estão em desenvolvimento e, dentre as novas tecnologias podemos diferenciar aquelas que promovem melhorias nas tecnologias convencionais e as tecnologias francamente inovadoras, aquelas que utilizam novos mecanismos para cortar ou fragilizar a rocha. Este trabalho apresenta uma visão geral ao longo dos últimos anos das tecnologias dos sistemas de perfuração e brocas, e faz uma síntese das pesquisas que vem sendo desenvolvidas com a utilização de tecnologias inovadoras, e, que se apresentam como altamente promissoras, dentre estas tecnologias inovadoras, a perfuração a laser propriamente dita e a perfuração assistida por laser, onde o feixe de laser tem a função principal de fragilizar a rocha, facilitando o avanço da perfuração. Este trabalho apresentará um resumo de estudos e análises que estão em andamento para verificar o potencial da tecnologia do laser, alguns resultados de testes de bancada já realizados. O meio através do qual o laser deverá atuar nas aplicações futuras é analisado sobre o enfoque das suas propriedades físico-químicas. Desta forma, o conhecimento da interação com o fluido de perfuração é o ponto de partida para o estudo em questão.

Abstract

One of the biggest challenges in the drilling of the carbonate rocks of the Pre-salt is to overcome the low penetration rates that have been obtained in the drilling of the reservoir rock in the vertical and directional wells. To overcome this challenge, a great effort is being developed in several lines of research, both in developing new concepts in drill bits and in the selection of a drilling system that together with appropriate type of bit provide an expected improvement in performance. To achieve these results, procedures are being prioritized and drilling systems with lower vibration levels are being used, since this phenomenon of vibration reduces the performance of penetration rate also affecting the lifetime of the equipment and consequently causes a reduction in reliability of all system and raises the cost per meter of drilling. Thus, new drill bit technology and new drilling systems are under development and, among these technologies we can distinguish those that promote improvements in conventional technologies and innovative technologies frankly which uses new mechanisms to cut or weaken the rock. This paper presents an overview of the conventional technology of drilling systems and drill bits, and provides information about the researches that have been developed with the use of innovative technologies which is presented as highly promising, among these innovative technologies, laser drilling and the drilling itself assisted by laser. In this process the laser beam has the main function to weaken the rock improving the rate of penetration. This paper presents a summary of studies and analyzes which are

1 PETROBRAS

2 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA – RJ

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underway to investigate the potential of laser technology, also presents some results of laboratory tests already carried out. The drilling fluid in which the laser will have to pass through in the future applications is analyzed on the approach of their physicochemical properties. Thus, a better understanding of the interaction with the drilling fluid is the starting point for the study of laser drilling applications.

1. Introdução

No campo das tecnologias convencionais já é possível observar uma gradual evolução no desempenho no que se refere às taxas de penetração e nos custos métricos das brocas utilizadas, sendo importante mencionar a melhoria no gerenciamento dos parâmetros visando a redução das vibrações inerentes ao processo de perfuração. Dentro do contexto da melhoria de desempenho, o controle e a mitigação dos efeitos da vibração na coluna e perfuração vêm recebendo uma atenção especial quando se trata da perfuração de rochas duras. Dispositivos específicos para a mitigação da vibração vêm sendo testados, obtendo resultados que ainda se encontram sob análise para a adequação ao cenário mais indicado.

1.1 Tecnologias convencionais

As composições de fundo, também conhecidas no jargão da indústria de construção de poço como BHA (Bottom Hole Assembly), utilizadas para a perfuração de rochas duras são compostas de equipamentos que visam transmitir à broca de perfuração, através dos parâmetros de perfuração, a energia necessária para fragmentar a rocha. Outro cuidado que o projeto do BHA deve contemplar é o de mitigar os efeitos das vibrações induzidas durante o processo, pois estas vibrações, além de reduzir a energia disponível para a fragmentação da rocha, contribuem negativamente ao acelerar os mecanismos de fadiga da coluna e, também, reduzem a vida útil das ferramentas ao induzirem o surgimento de falhas mecânicas e eletrônicas nos equipamento de MWD/LWD (Measuring While Drilling e Logging While Drilling) e em outros componentes do sistema de perfuração. As composições mais utilizadas para a perfuração de rochas duras são explicitadas a seguir e, são referidos como sistemas de perfuração, pois são constituídos por uma ferramenta defletora para controlar a trajetória do poço e por um determinado tipo de broca de perfuração. Este conjunto, BHA e broca, para que atinja o seu máximo desempenho deve possuir um elevado nível de integração entre os seus componentes, de maneira que, o máximo da energia mecânica seja transmitido para a broca. A seguir são relacionados os sistemas de perfuração mais utilizados na perfuração de rochas duras.

1.1.1 BHA estabilizado. Composição de fundo utilizada para a perfuração com broca tricônica e broca com cortadores

de PDC (Polycrystalline Diamond Compact – pastilhas de diamante sintético dispostas de maneira balanceada na face de ataque da broca). Sendo que, na opção por broca tricônica é necessário adicionar um maior número de comandos, em razão da maior necessidade de peso disponível para ser aplicado sobre a broca tricônica.

1.1.2 BHA com motor de fundo de alto torque. A opção pela utilização de motor de fundo de alto torque é

recomendada quando se utiliza a broca tricônica, devido ao fato de que a menor rotação provida pelo motor de alto torque não compromete a vida útil dos rolamentos da broca. Em relação à broca com cortadores de PDC, o motor de alto torque , também, é indicado, neste caso, devido à demanda de torque necessária para conferir rendimento a este tipo de broca. Quanto maior a agressividade da estrutura de corte, que está relacionada ao diâmetro dos cortadores e ao número de lâminas, maior é o torque necessário a ser transferido à broca pelo sistema de perfuração.

1.1.3 BHA com motor de fundo de alta velocidade. O motor de alta velocidade tem uma aplicação na perfuração de

rochas duras quando associado com a utilização de brocas impregnadas, que é um tipo de broca onde diamantes sintéticos são adicionados a uma matriz metálica. Este sistema de perfuração tem como mecanismo de avanço o esmerilhamento da rocha. A alta velocidade do motor é necessária para conferir rendimento ao sistema.

1.1.4 BHA com turbina. O sistema composto por turbina e broca impregnada tem tido a preferência dos especialistas

para a perfuração de rochas duras, em razão da alta confiabilidade do sistema, uma vez que a turbina por não ter partes

com elastômeros e as brocas impregnadas por não possuírem partes móveis podem permanecer operando com altas temperaturas de fundo de poço por um tempo elevado, atingindo TBF (tempo de broca fundo) maior que 400 horas.

1.1.5 BHA com rotary steerable. As composições de fundo com rotary steerable (ferramentas defletoras que permitem o

direcionamento do poço com a coluna girando continuamente) são indicadas quando é essencial manter a trajetória do poço sob rigoroso controle, notadamente em poços direcionais e horizontais ou em poços verticais quando é crítico o controle de verticalidade. Nestes casos as brocas mais indicadas são as do tipo PDC.

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1.1.6 BHA com sistemas de verticalização contínua. Os sistemas de verticalização contínua consistem de ferramentas programadas para manter a verticalidade automaticamente. Tanto podem ser um rotary steerable configurado para esta função específica, como um motor de alto torque com um sistema de atuadores junto à parede do poço que traz o poço para a vertical assim que o menor desvio é detectado. As brocas utilizadas podem ser do tipo PDC ou tricônicas. Em relação à questão da vibração, algumas ferramentas com a finalidade específica de reduzir o fenômeno da vibração, em especial à vibração torsional (stick&slip) vêm sendo testadas com sucesso. A figura 01 indica a melhoria dos níveis de stick&slip em poços direcionais e horizontais.

de stick&slip em poços direcionais e horizontais. Figura 01: Na parte superior BHA sem ferramenta para
de stick&slip em poços direcionais e horizontais. Figura 01: Na parte superior BHA sem ferramenta para

Figura 01: Na parte superior BHA sem ferramenta para mitigar vibração e na parte de baixo BHA com ferramenta para mitigar a vibração torsional.

2. Aplicação do laser na perfuração de rochas

Os estudos da aplicação do laser na perfuração de rochas passaram a ser realizados com mais intensidade a partir do desenvolvimento de lasers de alta energia no final dos anos 90. Pesquisas foram iniciadas para se conhecer os fenômenos que ocorriam com a interação do laser com a rocha, os mecanismos de fragmentação e fragilização das amostras de rocha, como a espalação e a fusão dos minerais sob a ação da radiação incidente do laser. Também, a compreensão dos fenômenos de interação do laser com o fluido de perfuração é de extrema relevância para o desenvolvimento de um sistema de perfuração que se utilize do laser para a fragmentação da rocha. Uma vez que, fenômenos como a absorção e o espalhamento da luz que atravessa o fluido irão determinar a quantidade de energia remanescente que será utilizada para o processo de fragmentação ou fusão da rocha. Desta forma, este trabalho começa pelo estudo das propriedades físico-químicas de alguns fluidos tipicamente utilizados na perfuração de poços de petróleo. As amostras de fluidos selecionadas são aquelas de maior aplicação na indústria e, portanto, possuem a anuência do órgão de controle ambiental para sua utilização. Os fluidos selecionados são: fluido não aquoso à base de parafina, adensado com baritina comum; fluido à base de água, adensado com calcário, também conhecido como fluido drill-in (fluido utilizado na perfuração da rocha reservatório); fluido aquoso catiônico e fluido à base de parafina, adensado com baritina micronizada. Este último apresenta características especiais em função da dimensão da partícula de adensamento, notadamente uma baixa viscosidade, o que se reflete em uma menor pressão de bombeio.

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2.1 Análise de Absorção Ótica

A análise da interação da radiação do laser com o fluido de perfuração encontra-se em uma fase bastante

preliminar. No entanto, alguns resultados começam a surgir, como se observa nos gráficos apresentados neste trabalho, onde se compara a razão entre a energia que passa pela amostra de fluido e a energia que percorre o mesmo caminho óptico contendo ar.

A razão entre a energia do sinal que chega ao detector passando pela amostra de fluido e a energia do sinal que

chega ao detector passando pelo caminho óptico do equipamento contendo ar, multiplicado por 100 define o que se conhece por transmitância, conforme apresentado na equação 01. A absorbância é calculada pela equação 02, a partir do valor da transmitância.

% T = 100 *

Energia que passa pela amostra

Energia que passa pelo percurso óptico

Onde:

A = log ⎜ ⎛ 100

%* T

%T = transmitância A= absorbância

(01)

(02)

Para as análises de absorção óptica foram utilizados os equipamentos com as seguintes configurações disponíveis:

1. Fonte:

Luz branca (quartzo-halogênio): 27000-2000 cm -1 (número de onda) Infravermelho (Ever Glo): 9600-20 cm -1

2. Beamsplitter:

Quartzo: 27000 – 2800 cm -1 Fluoreto de cálcio: 14500-1200 cm -1 XT-KBr: 11000-375 cm -1

3. Detectores:

Silício: 27000-8600 cm -1 Seleneto de chumbo: 11000-2000 cm -1 DTGS-KBr: 12500-350 cm -1

Faixas espectrais avaliadas e técnicas de amostragem:

1. 8500-14000 cm -1 – perda de energia em função do fluido Nicolet 6700 (Nexus antigo) Silício e quartzo Análise por transmissão de luz em cela de CaF 2 com 0,2 mm de caminho ótico

2. 4500-10000 cm -1 – perda de energia em função do fluido Nicolet 6700 (Nexus novo) PbSe e CaF2 Análise por transmissão de luz em cela de CaF 2 com 0,2 mm de caminho ótico

3. 650-4000 cm -1 – análise composicional Nicolet 380 DTGS-KBr e KBr Análise por reflexão total atenuada com cristal de diamante de uma reflexão.

Dentre as amostras de fluido selecionadas para análise são apresentados os resultados iniciais obtidos com uma formulação aquosa do tipo drill-in e outra não aquosa à base de parafina.

A figura 02 mostra o gráfico da transmitância, na faixa de freqüência do infravermelho próximo (NIR – near

infrared), para um fluido não aquoso. No eixo vertical têm-se a transmitância expressa em percentagem, conforme definição dada pela fórmula 01 e no eixo horizontal o número de onda (wave number, em cm -1 ), que é o inverso do comprimento de onda.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Figura 02: Transmitância obtida para o fluido não

Figura 02: Transmitância obtida para o fluido não aquoso à base de parafina.

A figura 03 mostra o gráfico da transmitância para um fluido aquoso do tipo drill-in, na mesma faixa de freqüência do infravermelho próximo (NIR – near infrared).

do infravermelho próximo (NIR – near infrared ). Figura 03: Transmitância obtida para o fluido aquoso

Figura 03: Transmitância obtida para o fluido aquoso do tipo drill-in.

Como se observa nas figuras 02 e 03, que apresentam os valores da transmitância para o fluido não aquoso à base de parafina e fluido aquoso do tipo drill-in, os valores para este último são uma ordem de grandeza maior do que o primeiro, indicando uma maior capacidade do fluido aquoso de ser atravessado pela luz do raio incidente.

3. Montagem experimental com uso do laser

São apresentados alguns resultados de experimentos que vem sendo realizados com a utilização do laser diretamente sobre amostras de rocha de variada dureza como o granito e rochas carbonáticas como o mármore Travertino.

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Com a observação dos resultados do efeito de fragilização da rocha mediante a aplicação dos diferentes tipos de laser testados (laser a CO 2 e laser de diodo a fibra), onde foram empregadas as formas de operação contínua e pulsada e, fazendo experimentos com a variação da potência do laser e o tempo de exposição da rocha foi possível, ainda que em um nível preliminar desta análise, fazer uma correlação para se conhecer a energia do laser necessária para a fragilização de um volume de rocha. Os testes de bancada foram realizados com dois tipos de laser, sendo inicialmente empregado o laser de CO 2 com comprimento de onda de 10,6 μm e na seqüência o laser de diodo cujo comprimento de onda é da ordem de 0,98 μm. Os equipamentos operaram no regime de onda continua (CW) com potências variáveis até os limites indicados na tabela. Os valores indicados foram obtidos por medição direta através de um medidor de potência ótica. O laser de CO 2 pode ser modulado até a freqüência de 100 Hz enquanto que o laser de diodo permite modulação até 50 Hz. As características principais destes equipamentos encontram-se na tabela 01.

Tabela 01: Principais especificações dos Lasers utilizados

Laser CO 2 DIODO
Laser
CO 2
DIODO

Comprimento de onda

Potência Máxima

Fibra Acoplada

10,6 μm

140

W

Não

0,98 μm

215

W

Sim

As amostras utilizadas apresentam graus de dureza variados e são facilmente encontradas, sendo comercialmente conhecidos como mármore Travertino, granito branco e granito cinza. A composição química das rochas foi avaliada através de uma análise de fluorescência de raio X, sendo identificada alta concentração de sílica para o granito cinza e muito baixa concentração de sílica para o mármore Travertino, como era de se esperar, pois trata-se de um carbonato típico. O fato inesperado foi a alta concentração de carbonato para a amostra conhecida como granito branco. A concentração de carbonato é um importante parâmetro a ser avaliado na interação do laser com a rocha. As percentagens dos elementos identificados pelo teste de fluorescência são apresentadas na tabela 02.

Tabela 02: Composição química predominante nas rochas analisadas

Granito Branco

Mármore Travertino

Elemento Concentração Elemento O 46,9 O Ca 27,3 Ca Mg 9,41 Mg C 8,18 C
Elemento
Concentração
Elemento
O
46,9
O
Ca
27,3
Ca
Mg
9,41
Mg
C
8,18
C
Si
5,03
Na
Al
1,93
Si
Fe
0,431
K

Concentração

46,1

31

12,8

9,28

0,315

0,282

0,139

Granito Cinza

Elemento O Si K Al Ca Fe Cl
Elemento
O
Si
K
Al
Ca
Fe
Cl

Concentração

46,3

30,8

7,33

7,26

3,39

3,28

0,807

Para que seja possível comparar os efeitos da ação do laser sobre as amostras foram realizadas análises de termogravimetria em um intervalo de temperatura entre 150 °C e 1500 °C. Estas análises indicaram uma forte perda de massa para as amostras de granito branco e mármore Travertino na temperatura de 800 °C, como pode ser observado na figura 04, sendo nesta região onde se espera um efeito similar na aplicação do laser. O processo responsável por esta perda de massa foi identificado como sendo a calcinação do carbonato de cálcio (CaCO 3 ) que tem como resultado a geração de gás carbônico (CO 2 ) e de óxido de cálcio (CaO), sendo este processo a essência do mecanismo de criação do furo provocado pelo laser. Para a comprovação de que se trata de um fenômeno basicamente térmico, as amostras destes materiais foram tratadas em um forno aquecido à temperatura de 800 °C, por alguns minutos, sendo o resultado obtido semelhante ao efeito da incidência do laser, o que corrobora a hipótese da calcinação do carbonato de cálcio. A análise de termogravimetria para o granito cinza não apresenta perda significativa de massa.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Figura 04: Variação percentual da massa com a

Figura 04: Variação percentual da massa com a temperatura para as amostras analisadas no teste de termogravimetria.

Os equipamentos de laser podem ser controlados através de programas de computador que foram desenvolvidos no Laboratório de Sensores de Fibra Ótica da PUC-Rio (LSFO), sendo possível controlar a taxa de modulação, o intervalo de exposição, o tempo e o número total de ciclos ligado/desligado via software. O processo de perfuração com laser ocorre através da conjugação de vários efeitos físicos e químicos que por si só retiram o material fragmentado ou permitem a retirada do material fragilizado com pequena energia mecânica adicional. Entre estes efeitos podem ser citados a evaporação, ablação, espalamento, dissociação química e fusão, sendo que o efeito predominante depende das características físicas e químicas do material e do comprimento de onda da radiação utilizada. No caso analisado, o material fragilizado pelo laser foi retirado mecanicamente, através de jatos de ar- comprimido direcionados à região perfurada, uma vez que esta técnica, nas condições do experimento realizado, foi a que apresentou maior facilidade de implementação. As amostras de mármore Travertino e granito branco, por apresentarem alta concentração de carbonato de cálcio, também, apresentaram comportamento semelhante sob a ação da energia radiante incidente do laser. A análise de termogravimetria indicou uma importante perda de massa no caso do mármore Travertino e do granito branco, ambos perdendo aproximadamente 40% de suas massas quando a temperatura alcançou 800 °C. O material remanescente, predominantemente CaO, pode ser facilmente removido pelo jato de ar-comprimido, uma vez que, se apresenta na forma de pó. As figuras 05 e 06 mostram o resultado da exposição de amostras de mármore Travertino e granito com parâmetros de configuração diferentes.

e granito com parâmetr os de configuração diferentes. Figura 05: No lado esquerdo se observa o

Figura 05: No lado esquerdo se observa o efeito do laser sobre o mármore Travertino de uma configuração com densidade superficial de potência óptica insuficiente para fragilizar o material. No lado direito se observa o material alterado que permanece no local e que necessita ser retirado por um processo mecânico.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 (a) (b) (c) (d) Figura 06: Nesta seqüência

(a)

(b)

(c)

(d)

Figura 06: Nesta seqüência de fotos podem ser observados os furos produzidos pelo: (a) laser a diodo no granito branco, (b) laser de CO 2 no granito branco, (c) laser a diodo no granito cinza e (d) furo passante no mármore Travertino.

O ajuste de parâmetros de configuração do laser como o tempo de irradiação, a densidade de potência e o

comprimento de onda do laser influenciam diretamente na eficiência do processo. A Figura 07 mostra um gráfico do volume removido em função da energia aplicada no processo quando não é feita a retirada do material fragilizado (pontos vermelhos), com a presença do material fragilizado no local em poucos segundos o processo atinge um nível de saturação. Por outro lado, quando o material na forma de pó é retirado antes de se repetir a incidência do laser, observa-se um crescimento linear do volume de sólido removido com a energia total utilizada, desta forma o processo de aprofundamento do furo prossegue mantendo a eficiência inicial (pontos azuis).

prossegue mantendo a eficiência inicial (pontos azuis). Figura 07: Volume do material utilizado em função da

Figura 07: Volume do material utilizado em função da energia incidente total. Os pontos vermelhos representam a evolução do processo sem a retirada do material fragilizado. Os pontos azuis representam a evolução do processo com a retirada do material entre as exposições ao laser.

O granito cinza apresenta uma composição química com grande concentração de silício, onde se observa uma

presença expressiva de sílica (SiO 2 ) e os resultados da análise de termogravimetria não apresentaram perda de massa significativa. No entanto, observa-se que sob a irradiação do laser ocorre a fusão do material, que a menos que seja removido mecanicamente, permanecerá no local na forma vitrificada. Os resultados indicam que a eficiência no início da perfuração do granito cinza é semelhante ao encontrado para outras rochas com energia específica de 60 kJ/cm 3 para ambos os lasers. No entanto, o processo de remoção do material com jato de ar-comprimido não apresenta bons resultados no caso do granito cinza, em razão da vitrificação do material fundido, à medida que o furo se aprofunda, o que acarreta uma queda na eficiência, como pode ser observado para o caso do laser de diodo na Figura 08.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Figura 08: Energia específica em função do volume

Figura 08: Energia específica em função do volume retirado sob a ação do laser de diodo. Os resultados obtidos para a determinação da energia específica para cada uma das amostras de rocha analisadas com os dois tipos de lasers são apresentados na tabela 03.

Tabela 03: Energia específica em kJ/cm 3 para o laser de CO 2 e laser de diodo.

Laser

Granito branco

Mármore Travertino

Granito cinza

CO 2

34,71

44,55

66,69

Diodo

92,66

59,82

67,17

4. Conclusão

As técnicas de perfuração da rocha por descamação térmica foram inicialmente citadas na literatura no início dos anos 90 e, somente uma década mais tarde, com o advento de lasers de maior potência é que passaram a ser consideradas como possíveis alternativas para a perfuração de rochas duras, onde as taxas de penetração obtidas por brocas convencionais com cortadores de PDC ou impregnadas se situam na faixa de 2,0 a 3,0 m/h. Os resultados até aqui encontrados mostram que é possível perfurar em laboratório rochas carbonáticas e graníticas com lasers de potência pouco superior a 100 W. Estes resultados mostram que a remoção do material fragilizado aumenta a eficiência do sistema, uma vez que permite a incidência direta do laser sobre a rocha íntegra. Outro aspecto interessante reside no fato de que a presença de sílica na amostra, que é o caso do granito cinza, apresenta uma tendência de queda no rendimento da evolução do furo em razão da maior dificuldade de remoção dos resíduos, provavelmente devido á maior presença de material vitrificado. Em relação à questão do fluido de perfuração, sendo este o meio através do qual o laser deverá atuar nas aplicações futuras, suas propriedades físico-químicas devem ser adequadamente ajustadas para este fim. A técnica de utilização do laser ainda se encontra em uma fase inicial de desenvolvimento, porém já se anuncia como promissora e, por esta razão, começa a despertar o interesse das empresas prestadoras de serviço, que utilizam a tecnologia convencional e, também das empresas operadoras, que na sua busca incessante por redução de custos através de um melhor desempenho na taxa de perfuração devem considerar todas as possibilidades que possam contribuir para a melhoria de desempenho dos sistemas de perfuração.

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5. Agradecimentos

Os autores agradecem a Petrobras e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro pela autorização para publicação deste trabalho. Em especial gostaríamos de agradecer à Mônica Teixeira e Luiz Sacorague pela importante contribuição na realização das análises de absorção óptica.

6. Referências bibliográficas

1. Amaro R.; Moreira J. B. F.; Forza F. T.; “Salt Steerability and Hard Rock Drilling Performance in Santos Basin”

apresentado na OTC 2012 em Houston, Texas, USA.

2. Valente L. C. G.; Pérez M. A. A.; Gouvêa P. M. P.; Martelli C.; Avillez R. R.; Braga A. M. B.; “Energy Efficiency of

Drilling Granite and Travertine with CO2 Laser and 980 nm Diode Laser” , 2012.

3. Parker R.; Gahan B. C.; Graves R.; Batarseh S.; Xu Z.; Reed C. B.; “Laser Drilling: Effects of Beam Application

Methods on Improving Rock Removal” SPE em Denver, 2003.

4. Gahan B. C.; Parker R. A.; Batarseh S.; et al “Laser Drilling: Determination of Energy Required to Remove Rock”

trabalho apresentado no SPE 2001 em New Orleans.

5. Graves R.; Araya A.; Gahan B. C.; Parker R.; “Comparison of Specific Energy Between Drilling with High Power

Lasers and Other Drilling Methods”, San Antonio, 2002.

6. Batarseh S.; “Application of Laser Technology in the Oil and Gas Industry: an Analysis of High Power Laser-Rock

Interaction and its Effect on Altering Rock Properties and Behavior”, Ph. D. Thesis, Colorado School of Mines, 2001.