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S ão P a ul o é uma cidade de p a i s ag e ns

con s tr ui

h o ri zo nt e p a rec e in s i s tir em s e r e colhe r p a r a lon g e e p

pr é di os, v i a duto s e muito concret o

A l é m d e s ua es t é t i ca de dimen sõ e s, f or m as e co l o r i d os m ~f ' f ' ( ) . : . p o lit anos, o utr a i m a gem freqü e nt e me n t e e vo c a d a é aqu e l a t ~~ e

re t ra t a uma S ão P a ul o que n ã o pod e pa ra r d e trabalhar . ÉÍt t t e-

t a nt o, a jul gar p e l a quantidade de lumin os os que s e acend e m - e m

ru as e ave n i d as ao cair da tard e, a i mpr essã o é a de que o p a uli ' s . :

t a n o n ão p o d e d e ixar de se di

t ex t o, m a i s es peci f icamente de du a manc h a d a c idade - o B exiga

O':--,;f

ti r o E é

de la z er que trat a es t e

e a e s qu i n a d a a venida Paulista com a rua da C o nsolação

tr a nd o a p a rticula r ida d e

de c o mport a mento .

~ i s-

de seus - ~,

personagens e ~

~

B E X IGA, B EX I GAS

P os ta l d o Bi x ig a

D o alto da escad a ria

uma paisagem bi z arra

se desn u da ante meu s olhos .

R e flexo d e meu fas c ínio

pelo b airro q ue tanto amo,

d e onde r e tiro alime nto

para o s sonh os qu e s u s t e nt o.

Como po e ta ' solitár i a

e m um mund o t ão p ovo ado ,

os fanta s ma s d o pa ssad o acalent o e n t r e m e u s bra ços.

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A p ês qui s a que deu o rigem a e s t e te x t o fe z p a rte d o pr o jet o O s Ped(lÇOS'~lÚlo,Çidade

( D e p a rt a m e nt o d e A ot r op o logia da

FFLC H- USP).

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B E X I G A . RUA 1 3 D E M A I O. MA I /91

B ixig a tradicio n a l,

por co ntraste, de va n guarda .

R

egião

de tan t as l u z e s

e

de son s aluci nad os.

D

e p u r eza e se d uç ão, .

d e ex tr avagante s p e cad os,

pr o stit u t as, t ravestis,

parzinhos apaixo nad os.

D e cas ais b em co mportados,

de mo t éis sempre lota d os.

D e pr é d ios ensolarados,

de be c os, v i las , malo c a s,

de m a l and r agens, ma cum b as, de e ntu siastas do s amba,

d e paulistas de cos tad o,

de imigr a n tes a rr a igad os.

D e pizz a, m ac arr o n a d a,

d e v inh os, queijos, s ala mes,

de um c hopin h o b e m g e l ado.

D e fei ras, festas e cr im es,

teat ros , b ares, cantina s ,

buzi n as, vaga ocu p a d a,

guar d a - carros e am bul antes.

D

de cam p aná r ios e f é .

D a via exp r essa, d a pr essa,

dos p asseio s demo r a d os .

D e e n contros despreocupados,

de l u ar, de se r en ata ,

de meus antigos c i sma r es, de meu s p rojetos futuro s.

D o meu fer vo r , do me u pr anto ,

do meu gáudio, do me u riso,

B ixiga do meu encan to !

a Aq uiro pu a fa mosa,

A m ary lli s Schl oe n bac h ,

Gazeta do Bixig a ,

n. 6, ab r i l d e 1 99 1 .

a~c t\J,tet . \J~~~i ~ ca, - \ \S.

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grantes italianos , transformados em sua arquitetu s a; ab s igam ~ mod e rnidade do n e on em letreiros de cafés e bares: . men e s . pare-

d e s internas e mais luzes na rua, numa composi ç ã o de c en ár ies

em que 6 ente e passado mesclam;!; deixando entrever . novas dinâmicas . Lugar de mo vi menta x ão intensa de pedestres e c a rro! na memória dos descendentes de italianos, entretanto, nada pare- ce s ubstituir por completo um tempo de "passeios demorados" . "encontros despreocupados", "serenatas ao luar " , querme sses . procissões e jogos de palitinho ou bocha nas cantinas, bares e clu -

b e s do bairro tradicional . ~

O Bexiga "bairro"l nunca foi internamente homogêneo: corr um ~b ação étnica di v ersifica ~ esde suas origens, serviu de sconderijo de escravos e alt ernativa de moradia para negros

"ecém-alforriados, a que seguiram portugueses, italianos (que ieram em maior número) e ingleses. Até hoje ruas e regiões de

e airro remetem à ocupação social diferenciada do espaço geográ-

f ico: a rua Treze de Maio, onde acontecia a festa de Santa Cruz

~ uando os n e gros libertos comemoravam a abolição; o , Morro do:

Ingleses, na parte mais alta, onde se instalou a parcela rica dos

i vr e. \);~io.

mora ores, composta por mvesn ores estrangeiros . l ng ' eses) ( fazendeiros de café, em oposição a italianose . negros, qu.e . : habita· vam a região mais baixa , (Coimbr ~ , :!J , Q ~7 \ : l j~ ) , ; l:ti: a r hi sti ó ~ iamais

recente, migrante s nOJ ; d ç l s tif lo ~ l ~~§ ~ l . ,f i~ ªr~ . ; : 1 »~ ~ ~ il: n~Ona á res central da cidade !!l0 r adia§ , q~:J.!lª,iJP;.S\l,&j92,~.

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N ã o é somente Q ' ~ l ~ dq , b~i #;~q ' t ~ ; : i j~ ; ;:n) : I i Els<t ntaumadiversid

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e interna : o " Bexiga \ q 0 ' : ~fw!,r r : já, fpi, ç l { 1amado , de " espaço demo-

crático " e " s hopping center do Iazer", numa alusão à ofe W

r

sociabilidade: MPB

& ;, het er o g ênsa Q' g n çÃisde s,,,retenimsn1Q

.

4

2 .

i

I

ja zz, r oc k, dan c e, r e ggae, lambada, música sertaneja , forró; teatro s, rest a urantes, cantinas italianas, cafés, bares, b o tecos, shows e róti-

e ainda in c lui uma escola de

samba, . urn cinema e uma livraria . Personagens e equipamentos diversos, escolhas que refletem preferências e ex c lusões , modo s particulares de agir, identificação e reconhecimento , estranh a - mento e conflito: tudo se amalgamando em um cenário de ru a s estreitas, encravado entre o centro da cidade e a avenida Paulista,

cos, boates gays - a lista é grande

~

. . / '"

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g ue resistiu ao . pr.ocesso d ~ < :: r . ti. fl! ! i : :a. s;ão do entorno formando um n ú cleo que dá a impressão de espaç ~õ 3 , , ---

B êi igas, qual prevalece> Ne Iih t i in : Ou melhor, no

a in ' , ' ~1 1dade

sos, tornou-se inevitavel delimitar o campo da pesquisa .

Primeiramente, a observação restringiu-se ao "Bexiga do lazer dos eqiienta ' ore . , sem pretender abordar o lazer desfrutado pelos ( mora . ores ' (bótecos · nGf;desmrtos, Escola de Samba Vai-Vai ,

j

~'- E ll t re t antôs

do

aulistano

é o diálogo entre eles

,com

ue sustenta

-

a

deGW§RijklJHi jA o.

ritmos e aces tão diver-

~ as,~ ot, .;~~ ' ~

~ E~ j ; g !~~ .

~

J!~ ~,'!/~. ef., lt~.,rw'S.,':,;~,t~~~.J.f:·~!.",e~tas.'~~''.:'religiosas;,fi.

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locais etc.) .

:.•.~' !. , , ~ j:S. ~ .'< ~ ' ~ "

~ ~ á ·' . P~ ~ â l ' o , le~ antamento dos

' as ruaRT:eze de

r M ' ái ~~it~~.11i'i,,~ . : ~ ~~'~>úti' a ' ) ' e !iiprg AAt~wo, que .) , l c0 n'ã e ' f.l; t ' ta ~~ i : it~~~ ~ ~ ~~i~ f~ ~ê J € l ' e ' casas noturnas, formando um

Dt • espaço de ' olr é ' Ula ç a0 '. facültada, " pa ' l ' ao pedestre. Quando s~ perce- beram aberturas para outras areas, foram traça das relaçoes : por

exemplo, com a região dos teatros, na rua Rui Barbosa, e com dois núcleos de cantinas, um na rua Avanhandava e outro na pró-

pria Treze de Maio.

Os dados oe nt los através de caminhadas, permanência nos espaços de lazer e entrevistas compuseram um quadro de referên- cias que inclui a descrição do cenário, a identificação dos atore s

sociais e o desvendamento

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~e .da~bS:,~~,',~~,'~."','.",,'!J:.' '' r * c i .~ l . ' , ~.~ , "pti' , ~\ !!ileglOtl. l

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das regras de sociabilidade.

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' b,

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S nh o r a A c hi ro p i t a,a ,:~ ' õ"n a "i sa ge rn

to r -

Nedes teh e rtraa n ç a a , erman ê. nci a 0,d os,",«a0nn gg r a n d e d e her d eiros ,

t

a

pela s c a sa s env o l v i a n a re g i ao . • ,

u m

balh o

s obre a res t a d e NO ~ '~

Cf. C oirn

a

d

n

r a, 1 98 7: 3

ut o r a a tribui a qu e di s toe s o a

s pu ava-se o bairr o: difi co c il m neg o ciar ' im óv ei s

o BE XIGA DO L AZER' UM A RE TROSPE CT I VA

~ \61

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"

l

:

"

~

 

~

~

~

Ante s

de se r o Igre ja

f o i um aço u g ue .

E ra

 

a falecer .

A filha

d e l e n ão tin h a

co m o

to ca r

o a ç o ugue

e v endeu ; . !} í " , ql !rf D .

com-

prou v eio f a zer o Igr e j i nh a , [

f

] Eu m e lembro d o aç o ugue . Tinha três p . o F tas n a

, 2 6

re nt e.

no s,

E ss a s

g e re nt e

j a n e l as

f o i tud o

a mpli a d a,

n é? Er a tud o

p a rede

f e chada

[Hé1 cio ,

a

d o C afé S o ç ai t e ] .

ejinha " havia fechado quando foi inaugurado o

afé

,

ze

e

aio. Seu s

I ores inspiraram-se no C a fé Paris, localizado na entrada

da Cidade Universitária , ao v iv o ".

que tinha um pal c o e oferecia mú s ica

4

.

No

e nt an t o ,

pe rm anec i a

m a r ca n do

p re s e n ça

n a ru a

Sa n to Ant ô n io

a ca n tin a

 

Montech i aro,

q u e reun i a bo ê mio s ,

a rtis t as,

i n tel ec tu ais

e r o queir os

n o fin a l d os a n os

7

0 ( i nfo rm ação

p es s oa l d e Ma r i n ês

A , Ca l i l ) .

'

~

5.

N

a c asa v i zinh a ao Ca f é Soçaite e d o mes m o

pr o pri e t á ri o,

lu

ga r d e um a nt igo co rtiço do b a i rro , A fr e nt e do ca s a r ão

f un c i o na JleIlaW , n o d á p ar a a rua Santo Ant ô ni o

e

a in da m a nt é m

a fac h a d a o ri ginal,

t e ndo

s i do s eu inte r io r

r efo rmad o

e ampli a do,

O

ex-C af é B ras il, in s t a l a d o

e m o utr o casa r ão

d a m es m a

ru a, à é p oca da p es qui s a

j á havia

 

fec

h ado

e e m s eu l uga r e s t avam

um a lamba t eria e u m s a l ão de b ilh ar .

 

6,

O g r upo

sáve l pe l o p r o j eto

q u e m o nt o u

o Caf é Par i s, c o m um a pe qu ena

do Café do B ex i ga e , po s teri o r m e nt e,

v a ri ação , tam bé m fo i res p on-

n o m es m o bairr o, pelo Ó p e r a

Cabaret , u ma cas a d e s h ows d e MP B .

----

~

, , < i l:o : sexigai ): ltrüduziu na região . o . estilo . "trar de cünver-

~ das boates de música popular brasileira, d o .

7 cü r rl restaurante (corno a Baiúca, na região . central),

mero estilo de consumo . ; ., propiciand : 0 A! lnl : espa~ "' õ\ ' P~n t ã 1 mi rliifês t a ções culturais e pol í ticas . no ' IYem()do > dà f t i ; f . tírê tn < a ! fI tii) it~í $:,l;:!,1' " ,

Ele foi palco de lançamentos nummomersto

. ' ;; - ' ,, -.~ ' ~. <J - :Jç~ ,,; : ~i '; ~J - ) ~''~~d~ H . n )~'

t1e ' resis t eifêl ~ , pÔlfÓb:i; lança

~s; b ) áréscüm música ao . vivo . e do . típico . "bar e lanches'" do . pau - 11~hidQ.Sua particularidade estava em não . instituir a obrigar õ r í e-

"

c

mento de livros, algumas tentativas dos índependentes. P:~,IHLari'çâtt{êntós>id

alguns discos, Milton

] Ele , aglutinava , coin ' i, H ! sí í âçô ~ ';t e1

Nascimento, Chico .

t

f~d e d~ consumo . mínimo . nem da refeição, embora ofer~ ' 2esse

permitia e aglutinava

uma certa discussão fora da ' unívers í dadecemo -

I' f avliín

~ ' ê tviço ' de restaurante . Como não tinha música ao . vivo, supri- miu-se a cobrança do couvert artístico, barateando . o custo da noi- tada para o freqüentador.

o Café é uma proposta, assim, muito democrática, né? O Café propiciou

quequalquer pessoa - foi uma inovação na época - , qualquer estudante pudes-

se sentar na mesa e j:Jedir , um

não perrmn

A cidade não tinha esse núcleo dos Jardins, então as coisas se espalhavam.

café J e

, e

ue a maioria das casas

oão Pedro, 39 anos, sócio do Café do Bexiga.

E

no Bexiga, tinha essa demanda . Então foi feito um bar que não era restauran-

te

. Você podia sentar ~ II )

f ~ r s ;! ~: " , ~ ;: ~ ~ - :: ,

a toda linha

de bebidas importad ~ cules ,

40 anos, sócio do , Cafe , o

eX1 9~ ~

- •••••••• •_'''''f J;_ ' I iII _i!i í· ~ím=ç;trr~ ~ ~ ; 3~

Num espaço com forte tradição de vida noturna, a proposta do Café do Bexiga encontrou ressonância nas necessidades dos usuários. Se, por um lado, começava a ocorrer um sensível esva- ziamento das boa tes . de MPB, ainda restay a . ,o _ públicQ . d os te~ tr ~

e esse f õJ6p l iblico-al vo dü - café.

: -

lI )

· · .i

•••

Durante algum tempo

a Igreja foi o palco da nata da MPB . Maísa, Elis,

Milton chegaram

a

tocar

ali . [

) Com o

tempo, com o profissionalismo desse

pessoal, começou

a fica ~ , ag ~ - . u_ a ~~§>:m Ú ~.

Então essa

P r oposta das boates foi termiriando, foram esvaziando . [

~a

i t~ , ªr , , ! lt ; n chope, porque só tinha as cantinas e Piz z E J j , ? ã ~~

) O pessoal não tinha

alternati y a, depois que saísse de um teatro, de sentar na ' mesa de um bare

, A "proposta democrática" do Café do Bexiga ultrapassou um

sido outros bares no passado [Ércules) .

No final dos anüs 70 e início da década seguinte, o Bexigapas süu por novo . processo d e mudança . Na rua Treze de Maio, e ape nas residualmente na Santo Antônio, foram ii 6er r o s cafés e bare

com música ao vivo - ~afé

Pedaço, Café Moderno:t ;ate Yrasl ~ - t em como espaços '* éí e expe

Soçai ~ e, Piu Piy, f a l é Aurora,

Ç:!(

- riências de vanguar s a " a - ; Es ô acQ l®M tü, Taverna Büêmi.Çi arbo ,

no , 14 , Persona, Cinec1ube do . Bexiga, Livrada do BexiW ~ (Fie

9

~

'~-

'1

• nzeram desse bairro boemlO um oc ãI ' de encontro

Mil

' "

~

para artistas

intelectuais, poetas marginais, punks, freaks, junkies e roqueiros.

Você tinha o Café, os bares,mas você tinha o Cineclube, : um : a 1 liyrariá r ;•

.

.Istc

tudo, eu acredito, tinha uma importância maior num momento ea e que osespa

ços políticos dos partidos estavam fechadoaBntão, a , martifc: f srá~ão ; , q t rt f ' Sobrav:

era não deixar que certos valores, certos . fil m es , ceF , to " S :l liVl r õ& i n Ol rssem t esqi l eci

dos. Então aquilo tinha uma força ' muito . grande '; porqlle : dnl:ra J " ij,m ' dado '' Cultu,

ral que era um dado político ' [ ; Él i c u lesJ ( , . , i~ ' " C

:,~,,,-

o Cinec1ube do Bexiga, na - ruaTreze de Maio, abriu suas por -

tas e m j u mê r l 1 ' ê1~ o · luga ~ j § >1 i l( j ie , f u nci0narauma

deria. Com cadeiras numeradas , , seus freqüentadores podiarr

antiga la x an -

,

- ' f a zer reservas com antecedêaeia c Naante-sala havia um bar que: •

vendia bebidas e revistas. No toldo d e entrada, desenhos anima-

dos experimentais eramprojetados merava na calçada.

para um público que se aglo- --\;

A ~ i Yr aria do Bexjw localizada na rua . §

A ntÔR i2 , err

a Treze de Ma i o, transformou-se no inícic

frente à esqu i na com

.

,

< ; :: . asanoturna

que oferece s erviço s d e r e staurante

e bar,

além de contar

com artistas

9.

o Carbono 14 , localizado

na rua Treze de Ma i o ,

surgiu como

um espaçopolivalente

 
 

Ir5!s', mús i co s ) que s e apresen t am regularmente.

 

que englobava ati v idades

nas áreas de artes pl á sticas ,

música,

dança ,

vídeo, cinema

(

'

-· d ~ ae » e : s t ab e lecim e nto

caracteriza - se

por vender b e bida s )

salgado s

e lanches no

teatro. Na época da realização da pesquisa h avia fechado .

 

'l Jç fIl · d e fornecer

leit e e pão.

''7ícc ~(j) ~

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,

"' - 'I r

de 198 2 em p o nto de encontro de intele c tuai s . Ide a lizada p e l o psiqui a tr a Fl ávi o Giko v at e, abria no mesmo horári o dos bar § . - a partir das dezoito horas - e so f ec h ava a e ma d rU j a d a ("quando sai o último freguês " ) . ~ unclOna ~ a § a ã os e ã ~ ming ~ "s,l á podiam ser encontrado s d e sd e os clássico s d a ps i cologia e SOCi O- , . logia até o s livros de R a ine es h e obras de eso terism o. Não r a ro fecha va suas portas com algum retardatári o que , ao som de mú s i 7 ca a mb i ente renascenti s t a, t i nha adormecid o re c o s tado em alm o i fad õ e s coloc a dos e ntre as e s tantes . Nessa fase , o público que afluía para o B e xiga tornou-se mai s heterogêneo . Se, por um l a do , havia um lazer que se ancorava n os caf é s , bares com música ao v i v o, restaurante s e cantinas , outr o t i po de u s u ár io - fez da rua s e u ponto de enc o ntro.

-

o p r imeir o moment o fo i o da c o n so lidação d os bare s. A rua era tranqüil a, nã o tinh a públic o. Os bare s fi c a v am muito chei o s . Num se gundo moment o, a

ru a vir o u um hett,ening . Er a um a C R i se muito gr a nd e, er a uma festa [ j oão

Pedr o ) .

Em alguns bares, a s jan e las ficavam aberta s e a música era ouvida do lado de fora , com os mais diferente s sons misturando-

se. , Q - , públiconão só se concentrava nas calçada s, formando pon- tos . de . aglutinaç ã o, como também estabelecia um moviment o d e

pessoas e:am a atr~çã o;

o lmpteer

l ar , a p ~ e em , peq , uenos ,, ~po s, pêi~ ua .

er e ser V1StO . ultos · mma o Bexiga para circu-

+, va .~:! J ?~; ? g e§çer , sm s !m ~

- : - -

ga r o tada . Tanto é qu e,

d e m a dru ga da , fica v am ' O s c a r

v inh o . C o mpr av am o vi nho a li em . c í m a , t o ma va m tu do e fic av am aí de i t a d os,

entende? [C ar i o ca , 48 a n osy . d o n o do b o te c o C a r io ca) .

Já er a o utr o t i po d e ge . e, ' p Í t bll co f jov e , - l h ol eea d a,

o s na rua , aí , t a l , b ê b ados de tant o t o m ar '

A distribuição dos estab e lec i mentos no s dois lados da ru a '

T re z e d e Ma i o n ã o era homogênea . Segundo Carioca , ha v ia um

" lado nobr e " , o dos caf és e bares com mú s ic a ao v i v o, de um ní ve l '

d e ' con s umo mais el e v a do , p o r é m com at e ndim e nto i mpesso a l .

D o l ado d e l á é o seg uint e : a li é um a o utra c a m a d a . É co m o eu dig o: ali é o

'

~ ~

~

~

a

. ~~aç&

.

" 'if .•~\~ ,

Canoca com eço u c o m uma barr a c a na c alçada , ao . la ~~ ." q ó ~ ~~ Piu Piu , servind o lanch es de pernil e b a t i d as co m nomes e cO F es b as t a nte origin ais: "c hi c lete com b a n ana " (co r-de-ro s a e com

sa b o r tutti- f rutti ), " b a n a ninha a z ul " e "ca n e linh a" . De s de o j ní ~ . c i o trabalhou com a mulher e dois filhos. A maioria de se~ ~ nha de outr as r e giõ e s da cid a de , not a d a mente do Ipir a nga , A B C, Santo Amar e, Sant a na, Mo o ca , C a rr ão e Penha . R essa lt o a , característica de c e ntralidade do bairr o (" todas as c o ndu çõe s d, ~ .todos os bairros , vê m desembocar a qui ") c o mo propíci a p a r

a aglutinação de um público bastante d ive rsificado .

r Na fase em qu e o movimento da rua inten s ificou-se, houv e um ~,l ; tr a imentodos freqüentadores ma is identificados com o p erío do at erior .

~ te s

era um pe ssoal m ais b oê mio, de t ea tr o ' o rn a li s ta s . Na re a l id a de, e ra

c e rta e ite eu tur a l . A í o que aconteceu? C o me ça a sa ir no jornal , c o me ça . f arno s o. Entã o co me ça a invadir a p ra ia , n é? [ Pa ulinho , . 37 an os, peri t o

i ~ l , morador d o J a rd i m Pa uli s ta) .

'i ~

~

i '7 r f.uaTreze de Ma i o passou por um " apogeu , declínio e a co-

" aç ~ o" , com o d is se J o ão Pedro , um do s donos do C a f é d o Em meado s do s anos 80, com a ex pansão da s op çõ e s ~ de laz e r na cid a de de São Paul o , o centro velho de ixo u , pm i mport a nt e pólo de atração n a medida em q u e, em , :iI . irro ssurgiram. , o que se p o deri a ch a mar de "nov as cen- es " (Moem a, P i nheiros, Santana , J a rdin s, Freguesia d o Ó, tros) ,

j _ yw, - i',' t

,~ .

D O B E X I G A: N A E S C A L A DO P E D E S T RE, UM P ONTO D E EI '! ~ 9~ J llb ",

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' S0(\~

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661 única) o t ráfego é lento, co m os motoristas proc ur ando

vaga na

rua ou em estacionamentos e consta n temente di m in u i n do a velo-

cidade para grupo s de pessoas atravessarem outro, Pa r a q u em n ão d i spõe d e cond u ção

ôn ' h

c

e l a rox imid a

a l ação, ru a A u gus t a,

Lu ís Ant ô ni o, es ta ções d o metr ô Repúbli ca o u Anh a ng a b aú,

ce ntr o, e Bri ga d e ir o, n a Pauli s t a,

P ass ar p e l o B ex i ga é ' p ass ar pe l a T reze d e M a io, A ch ega d a, a pé o u d e ca rr o, i nt ro d uz o v i si t a n te n um a p a i s ag e m q u e mi s tu ra

o tra d ici o n a l ao m o d er n o v e m q ue se so b ressai a f a chad a d o B a r

Ca f é So ç a it e , co m um l e tr e i r o ' d e neon enc im a d o p o r d o i s a n jos

d e um l a d o para pró pri a, o acesso de o ce nt ro e

u m et

I

ili ta d o a pa -

au i s t a :

ega r a pe p ela ru a da C e n so-

ave n i d a Nove d e Julh o, ave n i d a B ri g adeiro

no

e m p é e encos t a d as em carr os es t ac i o nados, 0 1 : 1 s en ta d a s . na s p e rta

d e es t a b e l ec im e nt os qu e só fun c io n a m em h o r á ri o c o merc í a t - ê í á qu em p ref i ra a s m esa s co l oca d as d O l a d g d e f ora dOS b j lVPS§ . I iQ i ; e-

~

m a i o r o b se r v a ção do m ov iment o e da circul aç ão na r ua11 , Verrde . d o r es a mbul a nt es tamb é m oc upam as c alçad as e o f er ec e m desd ~ ace ssó ri os co m o an éi s , brin cos, pul se ira s e botzons at é alimentes - e

p r o p icra ; , e m r e l a ç ão a quem fic a n os inte r i o res ç - uma

u e

bebid as, A ju s tap os iç ã o de e stab e l e cim e nt os acirr a os c o ntrastes. Na

m e dida

e che-

m es ma á r ea, e m o ra n ã o p a r a as m es ma s c a s a s n o turn as ,

g a m a p é ao l oca l e scolhid o - i nd e pendent e m e nte

na

ou n ão co n d u ção

e m que difer e nt es

a tor es s ociais d'rig e m-s e

para

a

d e p o s s uírem

pr ó pria - , é in ev itá v el

qu e s e encontrem

bar r ocos e , e n t r e e l es, qu ase ' ir i ' di ' s tin g uí ve l , a dat a d e co n s tru ção

ru a.

A ex p er i ê n c ia da di ve r sf t iade de cont a tos

gera reaçõe s que

d o p ré di o o nd e fu n c i o n o u - o an t ig o ' aço u g u e ( 1903 o u 1 905?),

vao d es d e

a s en s a çã o de W % s

! . fl Ç & ç , ão.~• ~, ~ t o

p e l a diversifi-

O Soça it e f i c a n a base d e um a s uave, mas p e rceptí ve l , e l evação

c ação .

-- ---

de Ma i o e, po r e sta r con s tru i d o

e m terr e n o d e base

il,'

li da r u a T reze

li

li

I

1

:!

tria n g ul a r , s u a visão asse m e lh a - se à de um pórtico d e e ntrad a 1 0 .

P a rt i nd o

suaves e di f u sas é a de espaço co b er t o o u pr ote g i d o. C o m o o b ser -

v o u Wa lt e r B e n ja m i n , e m es tud o so b re

p a r isie n ses de meados d o sé cul o X I X, o c ui da d os o trat a m e nt o d as

fac h a da s, de coração e iluminaç ão co nc o r re p ar a gerar um a ambi -

gü id a de int er n o / ex t er n o

N o Be xi g a, sons, c h ei r os, vozes, músi c a, ge nte qu e pa ssa, tud o está ao al ca n ce d os se nt i d os: a r e l ação Co m os e s paç os d e l azer

aco

e d esl'rt - . Para quem v ai a o B exi ga sem

d es s e po nt o, a se nsa ção ca u sa d a p e l as lu ze s c o l o r i d as,

o flâneu r e as " pa ss a ge n s"

o u c asa / r ua ( K o th e, 1 98 5 : 65 ).

a l a d o

ef ini ção p rév i a de o nd e ' fic a r , - az p a rt e d as r e g ras

d e oc up ação

d esse es p a ç o . s ub ir e d esçe r a ru a , p r oc u rar,

q u e es tã o to c ã ' i ' iCÍ o ,p es qui s ar pr e ç os e f r e qü ê nCia . Di v er sos g ru-

po s se a gl o m era m n as ca l ç ad as , e m ro d as d e co n v er s a , as p essoas

o u v i r os c o n j unt os

Voc ê c heg a lá t e m dez mil b are s. A n tes só tinh a d oi s o u t rês. Ent ã o - v ocê

t

você t e r d ez ba r es e o ca r a vai n o p r ime i ro t á chei o, e n t : ão el e v ai ' no s egundo .

A

ce r V ir o u um m o nt e d e · bar e . s , l lI J a ) V 1 ro~ ' t1 , m hol ] Pw.g l ~ nte d fR .a :ü Jin , h Q ] ~ 1 .

i nh a faci l idade d e es taci o n a ment o, v ocê c h e ga va fá cil . L á n ão er a . essa - eoisa - de

n te s voc ê ia lá , v ocê fa la va ~ u . no . - Gafé 1 > [Uo ~ g aj : E

~

s

• .~-- "!'~~~

a ~ ~ ' ~ ue : > a ' c oilte -

,

"

{"

Ent ão , essa m isc i ge n a ç ão, essa mi s tur a l . € : qqe ; , é fa nt á s t ic a no ' Bexig a. [

[V o c ê

vai pr os J a rdi n s é u m' pesso~\ : .t m â i s t ~ r i . Q. Q ; , . t í : > d. õ , i l ~ . m ha n s ' ad o

' de r o upa ,

m

ais es t i l i z a d o. [

] Ent ão ; . Y e j a ' s . ó 1 ~ J \ :l , eSs ;p à l i ! t l i l d ~ ~ i o s , é n go mad i nh os,

n é?

Você va i p ra V il a M ada l e na ; m mb é m ; j á ; há " ~ mi$túFit l á ; , p 0 Nu e h á uma mo ç a-

da m a i s j ov e m que f r e qü en t a, h á i u m a ; ~a . 1 ' t e 1 d é l i ntele c tu a i s . A Jo r a ° B ex iga, 9!!r m

vem g r o B ex i g ª , i hexi,gue n to , é ' = p esse . a l r qu e curte o c lim a ~ u e c urt e a en e r-

g lado B eX I g a [ V l cen nIl l t 34 ar tos Ú ~ t0r r d e J tc w r o, mor;ld o r d o B . ex lg a ] .

•• QStdi GJ ""' "

. ~ $

T$Ç"

• ••

r ·

-•• • • • • . ,

d

,

1 0 . A s di s c u ssõe s qu e v êm o co rr en d o e m t o rn o d a n e ce s s id a d e de rev i ra l i z a ç ã o d o b a irr o

a

br a ng e m pr o j e t os co m o o d o c alçadã o da Trez e d e M a io , o d o est a c i o n am e nto s u b -

t

e rr â n e o na p ra ça D o m Or i o n e e o de um P o r t al do B ex ig a , e s te úl t imo enc a minha-

d

o à pre f eitu r a dur a nt e a g est ã o [ â n io Qu a dr os. S e gund o o pre s ident e d a S o c i e d a d e

d

e Def esa d as T r a d i ç õe s e Pr o gre ss o da B e l a Vi s t a ( S o drep o), Walt erTa ve rna , o p o r-

1,11

~

-. ls tal

teria 7 , 5

me t r os d e al ru ra , i l umin ação pr ó p r ia e g ô nd o las v enezia na s , qu e r e pr e-

a oc u p a çã o it a li ana d o bair r o. O B e xi ga tem u m mu seu pró p rio , c ri a d o e

~ sen t aria m

diri g i do p o r Arm a n d o Pu g l i s i,

~~

de . C Dn~

11 . Em frent e ao Caf é d o B exiga ; as mesas - d a c alçada são sepa r adas p o r va s o s com f o lh a - gen s o rnam e n ta i s q u e, ao me s mo t e m p o e m q u e compõem a decoração e xt er na do

l oca l , cr iam a mbi e nte s p r o t eg i d os e d ão a se n s a ç ão de e sp a ç o fe c h a d o. A l ém dis s o , a

in o v a ç ão r e pre s ent a da p o r e s sa a lt e rn a ti v a aj u dou a a u ment a r o c o n s um o n o Ca f é: "O

pr oces s o d e po d e r c olocar me sas n a ca lçada f o i ó tim o, p o r q ue o Café t i nha d i ficu l da-

c o m c a r a

d

d

e d e tr a b a l h ar no ve r ão . O caf é ti nha um a a ur a d e ' c as a q u e n te ' [

e 'b a r d e in ve rn o'" [ É r c u le s ] .

lfíco

u

,eÁa,9Cieb cte

~ I ~ 6\~

i t t J

No Bexiga, o adensamento de equipamentos de lazer revela

relações de complementaridade (ou troca) e opos i ção .

O ~ate d o Bexiga, espaço i dealizado como "um - lugar para conversar", atraiu desde o iníc io um público ligado a artes , cultu- ra e política, mantendo uma amb i ência de "bar de intelectuais ". Foi o primeiro café implantado na região e , diferentemente das boates de MPB, não oferecia música ao vivo . Internamente há dois pisos: no nível da rua , o usuário depara com um salão com jane- las amplas e mesas colocadas muito próximas umas das outras;

em

ao fundo, um balcão com bancos altos, espelhos e prateleiras

que ficam em exposição as bebidas. Uma cabine telefônica em estilo inglês completa a decoração, mais uma vez remetendo à ambigüidade interior / extérior. O andar superior é composto por --- ' mesas, sendo um dos cantos laterais reservado ao piano l ê , No verão é possível ver o céu através de uma clarabóia instalada no teto, havendo também uma varanda 1 3.

O Café do Bexiga mantém uma relação de complementarida-

de com o Cipeclnbe vepezª Cex-Cjpeç]phe

teatros d~u a Rui Barbosa.

d o Be"l'i&ê) e com os

o Cineclube Oscarito, na praça Roosevelt, nasceu dentro do Café. [

) O

Café tem . também um dos primeiros painéis de colocação . de cartazes pra teatr o [Ércules) .

os freqüentadores do Café do

Bexiga podem se deslocar para o bar Piu Piu ou então, inverten- do o trajeto, depois de um show de música ao vivo, terminar a noite saboreando um café . Essas trocas também podem ocorrer com as demais casas. noturnas que oferecem opções musicais semelhantes (Boca da Noite, Porque Hoje é Sábado, Café Pe-

No circuito da MPB e do ja z z,

,

12.

" [

do C a f é

nã o ter mú s ic a. Nos último s dois an os colocam os mú s ica de c â mara, sem am p lifi c a-

tem um piano e t e m um pe ssoal do Aquilo Dei Ni sso

e do Nouvelle Cousine " [Ércules]

ção. Então tem um violon is ta ,

] muita gente que é freqüentador

novo do Caf é começ o u

a se ressentir

13 . A época d a reali z ação

da pe s quisa, o im ó vel ' vizinh o, a ntes ocupado pelo b a r Person a,

h

a via sid o co mprado e estava send o reformad o. O pr oj eto pre v ia a instalaçã o de uma

li

v r a ria, a Art e Pau Brasil , com uma pa ssagem int e rna interligando-a ao andar supe-

ri

or do Caf é do Bexig a. D e veria fun c ionar no m esm o hor á rio do café, ou seja , a p a r-

tir das dez o ito horas.

L

_ queno) . Nesses estab e lecimentos, n ão só hadi m~~_ iên ~

res c õffi~ a

O ~ "-l kl nclUl

o p a lco é uma constante. A, - rr ~l ';ll f ){ jaGn

lugare s como P e rsona 1 4 j " ' €ove f J Bar

(ex-Qualquer Nota D h o H aaus e Fre' lfaC;O' l'"Ha ares que concentram sua programação musica em um > umc ' o gênero - caso dos bares de rock, do Café Aurora (mús i ca CQúittr.!y) e do Scubaruba ( música caribenha) - ; em outros , hã uma oferta mais diversificada, dependendo do dia da semana - no Piu Piu, por exemplo, os estilos variam do ja zz , blues , sw ing, música instru- mental brasileira até reggae, jaz z funk, lambada, samba, bem IO O mO covers dos Rolling Stones, U2, Pink Floyd e Guns'n Roses ; no Café Soçaite ouve-se MPB, choro e samba. Diferindo do padrão dos bares e cafés, ~ ~anduicheda Ba - guet~ ~s , inaugurada em maio ~ ~ vizinha do Ca U do BeXiga """'I! d os mesmos proprietários, abre a partir das vinte horas e trinta minutos e caracteriza-se por um estilo de consumo r á pido, com lanches compostos de frios que ficam expostos em vitrines à vista do consumidor. Os pedidos são feito s através de fichas - tiradas no caixa. Com balcões laterais e banco s altos, seu espaço central é livre, permitindo um circular constante entre intel i ier " e "' rua. Grupos de pessoas concentram-se na calçada em i ft : ente \ M porta sob a intensa luminosidade que passa para ' o lado , , 1 dé i1 fota n Há quem prefira ficar em pé, do lado de dentro, obsel . 'Y . ãtído , ô · ' ' ffi0vi-

; ~ r 6 9

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s:

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l= v; ;:

mento externo, com um , C9P , o ,. q ~ , I i :h : é : p : : e m J (~ ã~ m U i tb f : n ' à : r r do ' i 1m café. O padrão atquitetôniç,o ~ ma t s ; . ~J ; a ! l l ltproxi~11 " , a l~â ' 0s i bares

mais

apenas no final da madrugada, Ã " B , aguette, bem como os b~ e padarias distribuídos ao longo da rua Treze de Maio (Nova Treze, Espaço Alternativo, Fogazza da Mamma, Carioca, Skylab , Boteco do PT, Banana Bêbada, Psiu , Terra Tombada , Skina do Bexiga, entre outros), também funciona como estabelecimento apoio para os bares com música ao vivo, proporcionando uma

tradicionais, com amp , las . 1l0l i , naSde\ - aço , que , s ã o fechadas

opção de consumo mais rápido e barato de cigarros, lanches e

1 4. À ép oc a d a p e squi sa, o Per so na o cupava

um imóvel na c a lçada o po s t a à do C af é do

Bexiga. A nteriorm e nte , ha v ia s id o v izinh o del e e, n ã o r a r o, o s c lie n te s do Caf é re c l a -

mav am d o som alt o (r oc k ) e d as b r i g as muit o f reqü e ntes.

1 5 . "O p ro j e t o da Ba g u e tte era um p r o jeto pra ge nt e s air d a n o i te" [É r cules ] .

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70' I b e bid a s , principalmente ch o p e, n o c aso d a Baguette , e cer ve j a, n o s b o t ecos" ' . N a ru a S a nto Antônio, além do s b a re s d e MPB (Boca da N o it e, P o rqu e ! - f o j e e Sabad dJ, há um trajeto g a y ( Bug Ft o ~ se, Scu b ã - I'nÚã, l"'elllIfI B á r, S egredu's, Sk a dinha , Sk y, Perepepês) qu e s e co munic a com o bar e restaurant e F e rr o 's , na rua Martinho Pr a do, conhecido pela freqüência de mulhere s homossexuais, e

com o utras casas noturnas semelhantes na rua Rui : ·Barbosa ( Shock, Heaven Up)17. Eduardo, argentino, 52 anos, arquiteto e morador do bairro de Pinheir o s, comparou o tipo de laz e r oferecido pelo Bexiga à "v iv ê ncia de rua " característica da cidade de Buenos Aires :

Co m o e u t e falei : eu sou pr o du t o d e um a cultur a de rua . Então , há um tip o

d e co i sa qu e e u ach o horror os a aqui em S ão Paul o: alg umas

ass im , pr a comprar um ' maço de ciga rr o, o c a r a peg a o carro . E vai d e carr o n a

casa d e f ulan o . E sai de carro da c asa d e f ulan o e va ipra

rua n ão e xi s t e. Em Buenos Air es e u i a m e se ntar na c a lçada, com um a t oa lha

br a nc a e m c im a d a m esa , e pedir u m bi fe n a pimenta . Vem um garç o n , t o d o ves -

tid o d e b r an co, c o m borboleta preta , e me ' tra z um v inh o

t a n o e fu l a n o . A c ho que, dentr o d o pan o r a m a d e ' S ão Paul o , o Bexiga é o lu ga r

m

francês ' . E pa ss am s ul-

pessoas qu e sae m ,

casa de sultan o, E a

ais sem e lh a nte .

Para Eduardo, e Bexiga ; ' como espaço que reúne opç õ es e público he t erog ê necs u preporci ó na a " mistura", o contato Ç, 2 m gosto s , e stética s e , ' coFll! ô 'ortamentos ue a nte s s e com lementam , numa , elaçã o de tro ' , o que s e op õ em, através de exclusão o u segreg a çao . a e nas demais entrevi s tas, surgiram contrapon-

1;

~

~

j

i

:Ii

lt\

: t o s com diferentes mancha s de lazer da cidade , ora evocando semelhança s - vila Madal e na , Pinheiros, Centro - ora oposições

b

6. Na maior i a d as ca s as c om mú sica ao v i vo, a opção f ica en tr e o chop e e a me i a ce r ve -

j a . No boteco C ar ioca) ha v i a a prá t ica de g u a r dar a ga rr a f a de cerveja n a g e l a d e ir a

e n q u a nt o o c li e nte c ircula v a p e l a ru a.

1 7 . A ru a Rui Ba rbosa passou por um pr ocesso d e a mpl iação e d e sapropriações, tr a n s f o r-

1

.

?

m

r

a nd o - se e m a ve nida com vá r ias pi s t as e ca n te i ro ce nt , r a I . : _ C onc~ntr a os tea tr os da

l ara rn- se ba res Do a te s , lamb a ten as c asas

r [o. m c u so tr áfego v i á ri o q u e a ca r acte rI z a, v aI a nge o t e m po

eg i ão e , ao l o n go de seu no vo traç ad

e

\

em qu e os m o ra or es d o b a irr o re uni a m- s e e m fren t e ao c i ne Re x (ar u a l T eatro Zá c ca r o ) , con h e cid o co m o po n to d e e n co n tro d e a m igos e c asais d e n a m orado s ( CO, im~~a1( 98 7 :32).

~ C " tei ' \ i; c JJ ã ,

~~:' \a . UJ}1S - t

L

( ' v~

de. Ç);6 t<:YS .

- J a rdins, a " prainha" da rua Joaquim Eugênio de Lima ea . a v e- nida Henrique Schaumann.

T e m aquel e " Ip a nema" da Henrique Sch a umann , por exemplo, tem aquele

cantinh o da ' J o aquim Eugênio de Lima, essa " prainh a"

Henrique Sch a umann

em c im a e você aqui embaixo. [

que tem a l i . Porque a

tá lá em cima e v o c ê tá aqui embaixo . Os bares estão lá

) Aqui no Bexig a é um recanto [Eduardo) .

ruas Treze de Maio e Santo Antônio há uma concentra-

ção d I! ; qulpamentos de laz er

coM POuC 2 S $ mÍ Q § !~ ntenda-se casas desabitadas e estabeleci- ~ t ~ ~ omerciais que funcionam somente durante o dia l8 . Sendo a infra-estrutura do lazer no Bexiga a do pró p rio bairro -

o ca s ario antigo -, a comunicação dos estab e lecime n tos com a

rua é direta , proporcionando, inclusive, a visão dos interiores para quem passa na calçada . O contrário ocorre na avenida Henrique

Schaumann (no bairro de Pinheiros), outro local de concentração de bares e casas noturnas em São Paulo. Aqui a relação com os espaços de lazer é mais indireta, passando pelo uso do carro:

chega-se e olha-se de lon e. É uma "avenidizaç ã odelazerê s e m I

que não á o e

lado d a rua re , ete o outro e

gran e aCl) a e : a Henrique ScpaumanJil'\~ é J:Ul').it'3l«Ü:Üd'â cbm

liga! 1~ r ,. conti ~iQãQli . ;~Qi c 1 al ,

espelham

, ssi

c

Q Bexi a" , 9nd

' a ' ssa r , ' e . c

' íU'a 1 1á l !I i ll

' t àfiá s tfl~ ,

c" a 7 it eirocentral e tr ª f & g ~ ( l n . t~ ~ to:tistas

reduzem a veloci~a4~ ; ; apl f f l! l~ ' R ~ r~mt lM t . lp: í;. : g l triºYim : ~Qs ~ bares. '

Além disso, . é ,p , ~~ i l ' ~ iAi . i - » , riores : daí a alusã , 4p : t , ª . ª , J~ g, ~

lá em cima e vocêaqw ~ ij I~~S l _ , . ,

da rua Joaquim EugêJ.!,i ~ }I g: ~ · ~~ conhecido por ser um ponte de.eQ.Sl,Q,Ill:!'\> A~ C ;§ ~ . J ll ~ ' Pt ; O-

' - !'i {' ! l; l"'I : Y ~ ~.~;.' : b, a :

18 . Entr e os e s tab e l ec imentos comer c iai s ' e st a ~ a i n f a l - ~~~ í ~ Ql í af ; i a

tip o g r afi a Lino a rt, uma tapeçaria,

be a ri a, uma marc e naria e a agência S o luç ão Pr o p a ganda . A . ut < Ho lêiri ~; : t lôfu l ' c b ai i8s

os ' edifici Qs; ! i ~B A ~ I l ' ~ ' ~ : !~"\ r, ;

e o fi cin as m ecâ ni c as funcionam dur a nte a n o ite ~ ) jUntcf,::Tcj~~dfjg,~êo~tifu~~lli::

p

a m e nt os d e ap o i o às atividades de lazer .

'" , . j ' i ' b l i :" , ' ' ' ,

i

1 9. Em me ad os d os a nos 80, a a ve nida H e nriqu e S c h a um a nn . ~ v ç u ~ ~e l! ' I 'P9 g Jl . Jl i , ofluxo

d e car r os e pe d estr e s era tão grand e que , n ão r a ro , o tr â n s í r o ~ ~ ~ ~ ~ ~ t ~<rax;I?~lisa ~ d o. Nesses m o mento s, as pes s oa s apr ov eit av am par a paqu er ar e conversar, mesmo em meio ao co n ges ti o n a mento.

ximidades estão o prédio da Gazeta, com seus - três cinemas _ Gazeta, Gazetinha e Gazetão -, o curso Objetivo ea faculdade Cásper Líbero) e de pessoas que trabalham em escritórios da

região. Também

serviu de contrapomo ao Bexiga: embora forme

um "cantinho", a "vista" é a da avenida (o "mar" de carros) e os freqüentadores mantêm um comportamento mais reservado.

Não é a mesma coisa, as pessoas não são as mesmas. A "paisagem do mar"

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não é a mesma. A "fauna" que circula não é a mesma . [

domínio fechado . Você olha, você critica e ninguém se aproxima [Eduardo).

) Cada um tem seu

Outro entrevistado, Paulinho, deixou de freqüentar o Bexiga na época em que a rua tornou-se mais movimentada e aquele "clima intelectual" deu lugar à diversidade de estilos.

Eu não vou mais lá porque não tem nada a ver. Primeiro pela rua: violência . Muita gente : virou uma prainha igual à Henrique Schaumann [Paulinho) .

Pau l iahovmigrou" para casas noturnas de outras regiões da

e Avenida, em

Pinh:e~os" . hem ' C0n10 a Sanduicheria Baguette e o restaurante Baguette ~ re ' lhados e Massas, localizados no cruzamento da ave-

nida f ? ' ái r tista - ~ 6m a rua . da : €Jonsólação, ambos dos mesmos pro-

cidade - e - seus novos trajetos incluíam os bares Royal

prietáriO$ i 4 J;!ll I ~ ~ê t ~~ ~é 7

w g1it i ' i ,

Eu i v . ou i ri 0 M ( gi l , (é 1\( i p , ,' B W Qgã l ; í lil '! l ' i!i; ! J I S ' i riã< i í j;çQ t t W ~ç o '-' absólú ' tninguém,amente enquanto ! eu - voun0 L Ro~&1 e i a ' ml' !:á ~ Vê j à l Fl~ ss ~ às i ; ~ tie j á i l1 ' r i o Pirandello [bar si - tuado na rua Augusra . n . as , proXimidacle s d e ' Bexiga] . ; l : i â < K Gafédo Bexiga] desca -

racterizou,não

por ele pelos outros bares [Paulinho] .

, , \1

tre~~ ~

~"i.&>

àe. ~CIn~S

f

zantes. A mancha de lazer, por ser uma área cO ' n " t tÍ güa ( ! G~tfi ~ ' e~nt ~173

centrãç ã o de e Ul amentos e recorta d a or traietos ' ii lt êfkô § l l 'Yh~

, co , rn o, L por atores s ~~ i j i ~~ fi f2h

-;:;i

~

;:

~

que interligalll " c ~ s

estabelecimentos e não outros . Cada grupo faz desses espaçoS' o -~-~

p,. ~ ~ Wagnani,

. Os trajetos , portanto, não são aleatórios: refletem prefer ê rr ó ias

1992 : 19 < 5 ' : 99 ) - :- - -· ~·

i!

"

:=

'"

;:

e exclusões. A relação com os equipamentos ai localizados é mar- cada por códigos compartilhados pe l os usuários: remetem a um modo de vida, uma linguagem, estética corporal e preferências musicais. Configura-se, então, o pedaço, pois, ao mesmo tempo em que se está entre iguais e no local escolhido, há uma contra- posição a outros grupos, que perfazem outros trajetos (Magnani,

1992 : 195).

Existe ainda a possibilidade de os usuários "migrarem " de uma mancha para outra, o que reflete a dinâmica maior das mudanças do lazer na cidade . Isso aconteceu com Paulinho, que , ao deixar de freqüentar o Café do Bexiga para reunir-se com o s amigos no restaurante Baguette Grelhados e Massas, interligou dois espaços de entretenimento conhecidos dos paul i stanos; no seu caso, transformados em marcos de referência para sua biogra- fia pessoal .

A ESQU INA DO LAZER

Uma das esquinas mais tradicionais da cidade de - Sãe - Paulo >-

a da avenida Paulista com a rua da Consola ç ão - extrai sua par-

cela de popularidade, ao contrário do que seri a - esperado, do Jazer

e não do trabalho. Na verdade , mesmo como esquina não é muito ortodoxa : a avenida Paulista sofre uma "quebra" e, em parte, segue por um vã0 20 sob a rua da Consolação (bifurcando-se nas avenidas Dr . Arnaldo e Rebouças), tendo uma estreita e curta pista que desemboca, por fim, na Consolação, porém sem cruzá-Ia, já que há obstáculos formados por respiradouros e correntes naquilo que seria o espaço de travessia. Por obra dessa descontinuidade

20. As altas paredes laterais do v ão sob a Cons o l a ção foram c o berta s por grafites co l ori- dos em toda a sua exten s ão.

,

'CJ \

I

>

w , espacial, o pedestre, que obrigatoriamente atravessa essa via por uma passagem subterrânea, encontra do lado oposto um cenário urbano algo diferenciado daquele que caracteriza O outro pólo:

na esquina poderá ler o nome da avenida Paulista, porém a pai- sagem agora é composta, em grande parte, por casas, sobrados e pra ç as" em vez de monumentais edificios - signos de moderni- da de e referenciais externos do capital financeiro . É nessa região que, em termos de opções de lazer, os equipa- mentos concentram-se e compõem uma mancha, em que são encontrados cinemas, livrarias, restaurantes, cafés, bares, bote- cos, lanchonetes, casas de jogos e espaços culturais. Alguns desses espaços - principalmente de alimentação - durante o dia atendem um público formado por trabalhadores de escritórios e bancos da região. A comunicação com outro núcleo bastante próximo - o cruzamento da avenida Paulista com a rua Augusta - permite um diálogo que se traduz em outras opções de traj e tos: entre eles, o Conjunto Nacional, o . Cen e er Três e o Viena, os dois primeiros caracterizando-se como centros comerciais , com lojas, cinemas, lanchonetes, bares e s erviços diversos, e o último, um misto de restaurante, , bar e doce r ia. D a e squina da rua Augusta até o bairro do Paraíso, no lad o op o st o da a venida Paulista, outros pontos de concentração d e equipamentos de Jazer podem ser obser v ad o s - ": o cruzamento com a rua Joaquim Eugênio de Lima, conhecido como "prai- nha" , em que estão o prédio da Gazeta, o shoppingTop Center ( com o cineTop Center ) , a galeria do c ine Gemini, bares,lancho- net es e o McDonald's; o cruzamento com a avenida Brigadeiro Luís Antonio, com o cinePaulistano e o Cartola Club (salão de s amb a e gafieira); e, por fim, já na altura do Paraíso, um último nú c leo, c o m equipamentos mais dispersos , in c luindo o shopping Pauli s ta , o Ponto Chie e, numa transversal , o Café Maravilha , pi z z a r i a s e restaurantes. Tomando o metr ô ou descendo a ru a

2 L N es se e s paço ,

a

Ca mi n h o , d e L i l ian A ma r al e J o r ge Bassa ni, e , n ,a pa r e d e l atera l d e um

d o n a me s m a p r aça, um

pra ça

Marech a l

Co rd e ir o

d e F ar i as,

está ex p os ta

mu r a l d e a ut o ri a de Alf r e d o Vo l p i .

obr a d e a rt e edifí c i o s i t u a -

2 2. H á um circuito de J az er q ue não é pe r ce ptí v e l d a aven i da , po i s é composto d e esp aço s

i n t e rn o s a os edif í c i os: auditó r i os, b oa t e s) s a l õ es de da n ça e r est a urantes cinco est re l a s .

DINÂMI C A DA CIDADE, DINÂM I CAS DO LAZER

Nessa paisagem destacam-se o bar Riviera, referência na cida- de de São Paulo há mais de quatro décadas; o cinema Belas Artes, passagem obrigatória no circuito cinematográfico de arte; a Sanduicheria Baguette, confluência de diversos trajetos possíveis entre esta e outras manchas de lazer; o restaurante Baguette Grelhados e Massas; o bar Metrópolis, conhecido ponto de paquera; e, por fimy . a LiYl'al ' ia " B ' e las~tesj , . que . eo . ml l lme ;com,: o

cinema, um consurn@ ,· çJ ; lJ \ t l W!' ª I ;. \ ' Á l . ; lt . ~~ !Va ' lWa' :.1.t io ~ ~ ; ; O bar Riviera já está íiH::órpoltiôo ' aó ' imagiriário ' sobre " a ' c ida- de de São Paulo COlÍlo / ~ímb@19,'à'e1:'um;;t'*,\éil!'é:cà\J\mil'tc~da pelo inconformismo político. Temade uma caução - de Sá l e ' Guarabira

- "A gente já era no tempo do ' blue Riviera " -,c,enáribd0 filme

Besame Mucho, que retratou os anos de repressão da ditadura militar, foi também fonte de inspiração para o cartunista Angeli, que criou personagens como a Rê Bordosa, o Meia Oito e o [uvenal (garçom que trabalhou mais de trinta anos no bar).

Do final da década de 40, época em que o paulistano andava de bonde, o Riviera manteve a decoração interior original, sendo que a única modificação que sofreu foi imposta pela dinâmica de expansão da metrópole: a construção da passagem Subterrânea que liga os dois lados da rua da Consolação . Os respiradouros

2 3. A a ve nid a P a ulis ta é uma das v ias

prin c ip ais d a c id a d e, lig a n d o

a região do Paraí s o à

ru a da C o n so l aç ão em linha r e ta. Daí a d e n o mina ção " eixo " . O adjetivo" nucleado "

a d vé m do fa t o de, e m a lgumas d e sua s tr a n s ver sa i s, f o rm a r e m-se regiões . de concen-

tr ação d e e s ta b e l ec imentos de l azer.

dessa obra encobriram parte da fac had a d o bar e redu z i ra m a um

espaço ex í guo o terraço onde são c o l o cad as a s mes as exte rna s .

O R i v i era recebeu es s e n o m e em se t e mbro d e 1949 , d epo i s

que a famíl i a M aniscalco , d e Ma r íli a, co mprou e refo rmo u o b a r Royal . Segundo Renato Ham i lton Manis calc o , filho dos don os , o

R ivi er a daqueles tempos ab s or v ia, pr e dominantemente, o públ i -

c o d o s ci nemas da região (Maj es tic , A s tor, Ritz e Rio ) . Em Mar í lia , a famí lia Man i scaJc o j á t ra balha v a no r a m o d os bares e , quando veio para S ão Paulo , além do Ri v iera, abriu uma leiteri a - " s i tuada nas proximidades. N o iníci o da década de 5 0, os freqüentadores do Riv i era formavam um público homog ê ne o, de classe média, composto basicamente p o r f a mílias .

A casa er a bem , f r eqüentada p o r . fam í lias , . a es e mb a rgadore s, p o r fi sca i s de

renda , p r o t n{jt o res ; , jti i Z e s ; , m ' éd iCós ; , e . ~ a t d E ' é~ pital t l a ' s Clínica s t a mb é m. E ra uma , f r . é cti i êri d C U 6 f í !h1 ili á ! tl'iê 1 i ht() ~ 6 ' s . t ili h i ü ' n() ! j ; ! i í q i1 i s o r v ere s. Quer d izer , e r a

lanch e, um c h á, um

s o rv ete ' [ R l !n " â t o~ $ 9 f « r l {j ~ ~ â " 6líc H i tJ " Riviêb ]. ·

um ambielÍte ; q :u:ê ' a . f âttí! l lfl[ ~6m lí/ C l i~ ~ s ' e hYílf/' t orr lát · Um

,;,\.

No . final - d o s ' anos 50,

o.

.público

sofre u Uma ' sensí ve l tra nsfor-

m a ção: as famílias deram lugar aos estud a ntes.

Principalmente uma freqüênci a de e s tud a nt es d e Direito d a S ã o Fran c isc o .

C o meç a ram a freqüentar a ca s a justa m e nt e à pr o cur a d os ju ízes, d os p ro m o t o -

r es, e ssa s pessoas ligadas à á rea jurídi ca . E f oi a t é 5 4 . Aí fo i evo luind o essa p a rt e

d

e estud a nte s .

Aí vei o já o pe ss o a l d o Ma c ke n z i e

[Ren a t o ) .

Na décad a de 60, o Rivier a ca r acte r i zou- s e

como p o nt o de

encontro de estudante s de difer e ntes t e nd ê ncias pol í tic as .

A g e nte e s cuta v a todo e ss e m ovi m e nt o

qu e a nt ecede u a r e vo lu ção. E nt ão

tinha me sa d e comuni s ta , da UD N [Ren a t o ) .

Ao m e smo tempo, havia um públic o l ig a do à s á reas de cin e -

m a, te a tro , televisã o , música , litera tura e a rtes e m g e r a l .

24 . "L e i t e r i a, n a époc a , e ra ve n da de l e i te , s o rvet es e ch o c o l ate s", s eg u nd o R e n at o .

C h ico B u a rque , To quin h o , Sá e Gua r abira , Mar ílil ! .~~ -

He n fi l , o s i r m ã o s Car u so . O pe s soa l do c a naiS, do c a n a l d .l '~ l ta m bém [ Rena t o ) .

Du ra nt e os a n os da re pr essão, o R ivi era e d ois ou

regi ão, o J o l y , ond e p os t e ri o rm e nt e f oi a b e rt o

o P o nt o 4, h oj e S a nd uic h e ri a B a gu et t e, so fr e r a m freq 4 e

o b~r ' ! k

n

.

t

r'l -d·~.,:

sões po l iciais. Fec h a d o o Po n to 4, n o l oc al p asso u a func f

um a l oja d e lu st r es -" , até q u e, e m 1 986,

c

h

t e Baguett e Gr e lh a d os e M assas .

A B a gue t t e d o B ex i ga, qu e a nt e ced e u em três ano s s u a f ilial ,

a briu um n ovo ca m i nh o n o m e rcad o de f ase foo d . O imp essoa l

( ficha , b a l cão) uniu- se ao art e san a l : os sa nduíches , feito s c o m

frios e quei jos, s emp re à v i s t a d o c o n s um i d o r, eram compleme n-

t a d os c o m p a t ês pr e p a r a d os na pr ó pri a l o ja . As duas sanduich e -

rias aind a m a nt ê m o e stil o or ig i nal d e a t e ndimento e os l a nch e s ,

inspir a d o s n o se r v iço d as " copa s" da s padaria s paulistana s tr a di- cionais , continuam tendo , in c lu s i v e , nomes de bairros da cidade

( Higien ó poli s, Ipira nga, A C lima ção, entre - outr o sj " .

os d o no s da Ba g; ;;ltt . ~ ;)

~1tt4", ~-(I ~

o mp rara m o p o n to e in a u g ur a r a m um a f ilia l . No im óve l a o la c r o .

avia o C a f é Euro p a, qu e, e m 1 988, se t ra n s formou no re s t a u ~ ~ri~ ,

.

O mercado de fas e f o od pres s upõe produtos feitos em se r ie,

semipronto s, bem c o mo · maior rap i dez no atendimento: são ti ra -

das ficha s n o caix a e o pedido é f e it o n o balcão . o atrativo princi- pal é a mercadori a ofere c id a, e n ã o o e s pa ço enquanto local d e

co nv i v ê n cia. C o mp a r a nd o o Café d o B e xiga à Baguette , um de

s eu s d o n os sa li e nt o u o c a r á te r d e es p a ç o de " passagem " d e st a :

"Um é um lu ga r d e es t ar, o utr o um lu ga r de pas s ar ". Entr e t a nt o,

tal c o m o ? Bagt ! l@~ 8 0 E i 9 1Jexjga. a d " C o nsola ç ã o t a m bé m s e rrrn1!oo

Th

r m o u em p o nt o d e e nc o ntr o . S u p a dr ã o a rquitet õ nic o se gu e,

e

g e r a i s, o a m a n z a ! cões later a is com

bancos alt os,

ca

ixa na entr a da e fo rt e ilumin a ç ão e m s eu interior), ino v ando . por

of ere c er, n o es p aço ce ntr a l , me sas a lt as, com apoio para o s : p~ s ) ~ o .

qu e ainda s ug e r e " p assag em " e r a p i d ez. Há um amb ie nte mais ; j , so , r "· ,.

H 1.:i:\';1'(;!:,>.~:\í1i;'M:.1"

25. A r u a da Con so l aç ão é um co nh ecid o p o nt o de c o m é r c i o d e mat e ria l

26 . " [

] n o m es d os sa nduí c h es n ão rem e t e m à cas a. S e você pegar o M cD ~

nã o - se i - o - q u ê ' . O s n ossos sa nd u ích es sã o um a h o men a gem à cid a de " { , : Bô:í <) ~ ~l ~ '·

;:~

.;' ; :~

781~

~

~

<{

lado do movimento da rua , no subsolo, ocupado por casais e pes-

soas em busca de uma permanência mais prolongada .

z Eu ac ho qu e e sse ponto, faland o especificamente da loja da Consol a ção , é

t ão import a n te hoj e em Sã o P a ulo f e ito foi a Ipirang a e a São João na décad a d e

m São Paulo , na frente de cinco sala s d e

60 . Eu a cho e sse ponto e pic ê n t r i c o

c

financ e ir o do

ent ro e indo

pulsand o 24 h o r a s . [

c

e

in e m a , o m e lh o r c in e ma de S ã o Paulo, encostado na avenida Paulista, o cen t ro

país hoje , e um corredor por o nde a s p e s s oas passam e s tand o no

pa r a a zona s ul . É muita v ida. I s to aqui p a rec e um coração qu e

) É um lugar ond e as pessoa s se encontram pra ir pra f e s -

t as. Qu a ndo sae m das festa s v êm pra cá , pra comer , tomar um cafezinho. F i c ou

um r efer e nci a l f e ito foi o Aeroport o no passado. [

q ue funciona muito com o mo v imento da rua , com o movimento de e scritório s,

com o m ' o v im ét ito do clt l~ti i á ' [Jo ãQ>pedról.

) E a Baguette é um lug a r

Na relação de cornplemen taridade com outros equipamentos

da mesma mancha, a Baguette da Consolação dialoga com o cine

Belas An .e." s . - J l . L iy raria .B e la

S ê~ b ~ i Sg . LS o E!P n() ; t o ' ., . ? 3 1§ . i ~ I B s p . ~ t ; . Ç , ~ R o. u . s, t . 1 ,! . d al).s. 1 , ~i me ~ l ec " .

t

s.

.Ar . tes . t:: ~, 6 1 ~ )Jpª -te ga y _ h .Jostmmondo.

o ' s " W ' t t ' ã ' t lo s ,q i1 " e ~t " expressam atravé ~

üã i s ; M m c E mo ""

estetica que vai do underground ao c · tque.

~~ f ã C ! ã e rr Í l ~t e ~ í ' 3 ' a g u ~ ê ' IT - rtf ici ' P o rta ;;e

espaço gay,

fazendo parte . de um trajeto que liga a sanduicheria ao bar Chamego (na rua da Consolação) e à boate Nostromondo (loca -

lizada na calçada oposta ao bar Riviera, do mesmo lado da rua).

O Chamego , qu e durant e o dia tamb é m s e rve refeições, é, c o mo

a B aguette , um e spaço marcado pela diversidade, porém corri um

perf i l mais popular .

L o g o na entrada [d o b a r Cham e goJ , pró x imo a o balc ão

e p e las calçad as há

g r u pos d e popul ar e s , na m a ioria negro s , a c omp a nhado s ocasionalm e nte de alg u -

mas mulh e r e s; e s palhad o s p e la calça da em frente e também no interior d o bar , há d iv er s os grup os hom os s e xu a is mas culino s f reqü e ntadores do N o stromondo , pro v eni e ntes da s camad a s mais pobre s da s o ciedade; encontram-se, também ; ' ev e ntuai s grupos de lé s bi c as, jo v en s d a rks - parecid os com os cli e ntes dó Mad am e S atã, n o B e xig a - g a r o ta s c om o cabelo pintado ou qua se ras pa do e, já

n a a lt a m a drug a d a, g a ng s d e m a rgin ais e tr aves tis [ M agnani ez a lii , 1989 : 2 4 ) .

Mais afa s tado da concentração principal de estabelecimentos já na parte final da avenida Paulista (depoi s da esquina com avenida Angélica), encontra-se outro ad e n s amento em que s destacam o bar Metrópolis, a livraria Kair ó s, uma barraca d águ a de coco e o bar punk Fogo Fátuo . O bar Metrópolis não é i F lediatament e visível para quer chega pela rua da Consolação, s endo necessá r io dobrar a esquin

do Ri v iera e percorrer dois quarteirões . Inicialmente idealizado como um "museu da cerveja" - proje to qu e cedo foi abandonado -, o Metrópoli s começou a funcio nar em junho de 1986, cinco meses dep o is da Sanduicheri Baguette. Aliás, na época; o imóvel em que seria aberta Baguette quase foi alugado pelos donos do futuro Metrópolis. Se após sua inauguração, ficou · conhecido como "reduto do PMDB" quando a pesquisa foi re a lizada, era freqüenta do, durante a sema na, por executivos , yuppi e s, publicitários e jornalistas. Nosfinai de semana podia serdefinido como um " ba r de paquera", COE um público jov e m de classe média . No Metrópolis, há Um "correio elegante" i nterno, eom osgar çons levando as mensagens - ' - "os ' "torp é - d inh . ' ó s" i ~ de ' un ú l mes:

para outra . M . L . , tril 'Í . ' 1 ! a ~' i l1i ôs ; '· \ } á fÍ c até ,i' iae - cd h tJ Frf lst lí,:f,u ' o rãddr:

da zona N orte , fr e q ' f r ê f í t avá ' ess'ê c15âr i es p brll. f f i ' e á m& t 1 té ) p PiH éipal mente por s er rtir ~ se ' éo t : i 9 r r à " t Ig i crá ~ Wám ' ã : i n ~ i ~ií t ê r emql :i êâ : \ f egr :

éa abordagem .

','.t',·,

'\'

,

,

/

"

Não me agrada ficar me sentindo caça , sabe? Aqui [ no restaurante Baguett

Grelhados e Massas) posso conhecer alguém interessa n te sem precisar estar n

" vitrine ", sabe, expost a , sentada na mesa , e o cara fica r oh, oh

[M. L . ) .

Para Paulinho , entrevistado já citado, o B a guette Grelhados, Massas éumespaço em que é possível paqu e rar e conhecer pes

so a s, porém essa é a "conseqüência" de estar a li, e não "objetivo"

c omo dizia ser o caso do Metrópol i s .

V oc ê quando vai

"premeditado " para um lugar é u m sentido, quando "acon ) Se vo c ê v ai p r a " caçar " e não " c a ça", sei lá, você sai frus

v ocê v ai pra beber e te ac o ntece

tece" é diferente. [

trado do ba r . Agora, qu a ndo

inter e ssa nt e,

uma cois:

ou se j a, v oc ê conhece um a mu l h e r, é m u ito

mais praz e roso . [

"

Qu a nd o você v ai c o m o intuito de beb e r , s e d iv er t ir e c on ve rs a r c o m a m oç ad a,

é o intuito prin c ipal . Qualquer coi s a que a c o nte ça l á é conseqüên c ia. L á [n o

M etró p o li s } n ã o. L á é o objeti vo [Paulinho] .

Favorecendo a circulação e a visibi l idade panorâmica, o espa- ço interno do Metrópolis é composto p o r corredores e pisos s ituados em diferentes níveis . Tal como em outros estab e le ci men - tos já citados, há um andar superior, construído de forma a cir - cundar o pis o térreo e que oferece amp l a visão do mesmo . Ne s se espaço podem ser encontrados, predominantemente, casais de namorados em busca de maior privacidade.

M . L . e Paulinho, ambos entrevistados no restaurante Baguette

Grelhados e Massas, são habitués desse e s paço . No verão, ficam nas mesas colocadas na calçada em frente à porta de entrada , seu

ponto de encontro às sextas-feiras . É ali que conversam e se reú- nem com os amigos, em meio à movimentação da rua da Conso - l ação - trânsito, buzinas, sirenes, faróis, fumaça - , ao intenso

fluxo de pedestres, que caminham digos , meninos de rua , vendedores

gens t í picos das . grandes cidades , Pode-se dizer que estão " rodeados de . São . Paulo" . por ,. to . d , o 01~>.; J a . ~ os. Como . o re,s,~l'JWf!m~,:S-f!gu.x!*t4icaQQ!imóyelvlz.inho ao da san- duicheria, a cont j g \ijºf ! ~º l , : ; S ~ I \ I ~~~l i P,~ J i: FQlobservaçã. t;< ; , a o do s gru- pos e da dinâmica daq u ele estabelecimento. A sensa ç ão de seguran ç a foi a tônica das declarações de M . L . e Paulinho: aces - so facilitado em relação aos l ocais de trabalho e moradia, proxi- midade de estacionamentos, priva c idade e famil i aridade com garçons e donos. Estavam integrados às regras de conduta do lugar e inseriam- s e numa particu l ar rede de r e lações que articu- lava freqüentadores , trabalhadores e proprietários. M . L . , à época da entrevista - fevereiro de 1991 -, residia n a z ona Norte, porém não só havia morad o como trabalhava h á muitos ano s na região da Paulista . Emb o ra tendo mudad o d e local de re s idência , c o ntinuou a d es frutar os momentos de la ze r naquela área. Pode-se dizer que nã o saiu do seu pedaço, fruto d e long o perí o do de e s colha s e identificaçõe s s edimentadas.

quase correndo, e mais ' men- ambulantes e out r os . persona-

Não m o r o mai s a qui. Mas vo lt o a qui : N ã o fre qüent o n e nhum l ugar p e r to d a

minha casa , po r que alguma s c o i sas es t ão def in ida s ' , n ~ m1 f Pl

int er e ss a . Mas n ã o é n e nhu m p r econ c e i to . Não me ag s

sa s j á me agra d a m , p o r q u e eu v ou querer o ut ra s ? [

p r a i r a a l g u m lu gar, né? Se e u leio n o j o rna l " S a i u o Inf e s mr

pr aça R oo s e v e l t, e u l eio , pô, acho que não me agrada. P o r q u ê ? !

d as p essoas qu e e s t ão co mi go, gos t o

sabe mai s ou men os o que v ocê qu e r , ente n deu? [ M. L . ] .

] E.\ltp'tê>

de roc k , n ão gos t o

Você.se

E s s e sen tid o d e p o nt o d e ref erê n cia m a i s es t á v e l , d e ' } es ' é ' a ' 1 t m : ; ~ ' criterio sa, c o mp õ e o s entiment o d e se r de um pedaço. ' ü i l · tf ff ~ M. L . bu s c a nã o é a var i a çã o, a a ve ntura i n s tá ve l d a n ovi d a d e ~ ;' m a S ' a p oss ibilidad e de f az er p ar te d e uma pa rticul a r r e de d e re l a çõ es e ser re co nhecida p o r se u s i g ua is .

o que faz p ar te d a 'm inha v i da, p ra mi m , o que é l egal , n ão é e u variar , sabe?

Qu er ia e s t a r nã o se i o nd e co m e n do e s t e sa nduí c he. Pr a mi m o que m e d á pra -

)

Eu b u sco es tar p er t o d as pe ssoas qu e me ag r a d a m , q u e são mui to po u c as,

en t end e ? [

zer é es t ar aq u i , come n do s a n d u í c h e, con v ersando co m q u em e u c o n h eço . [

] P ra vo cê e n tender: s e o Baguett e m u d a r de do n o e mud a r a f re -

qü ê n c ia)

e u n ão ve nh o m ais a qu i. A h or a q ue e u co me çar

nada a v er , eu n ão v e nh o [M . L . ],

a v er q u e n ão t e m m ai s

: j

":i

~',)

~

Obs e r ve - s e qu e nem s empre o pertencimento a o pedaço expressa- s e na identificaçã o de usuários espe c ífico s: estar dent ro da s regras do lugar já é pertenc e r à red e . Comparand o o Baguette '"Gre l rf l mOs c lobSsM ao ba r M etr 6 p o Í i s, M. L . re ssa l tou o s enti- mento de anonimat o que ex periment av a qu a ndo se diri g i a par a o segundo l o cal :

Eu g osto d e m e s en t ir b e m n o s lo c ai s qu e n ã o são t ão imp e ss oais, e ntend e u ?

Q ue e u so u u m n ú me r o l á [ n o Me tr ópol i s ). Aq ui

tec e r a l g u m a co i sa aq u i , alg u é m me co nh ece. Aqui e u me s i n t o ma i s p r o t e gida . L á e u n ã o m e sint o nada. E u so u z e ro à es q u er d a , e nt e nde u ? N ão con he §q~ r.- ",{ ·

e u n ão so u . [ ] S e me - ac o n - ,

ç o m , n ão c o nh eço ninguém,

";

r

C"~,:,'

M . L . e Pau l inh o i nc luír a m o r est au ra nte B a gue t t e . e ms cuit o d e l a ze r da s s exta s - fei ra s, qua n d o l á t o m a vaI ti l!l { ) 6i

I

i

I

I

82

1

eventualmente, jantavam antes de ir ao bar Avenida ?", em

Pinheiros, para dançar . Já Edilene, Marcos e Cláudio, outro s tr ê s

e ntrevistados, incluíram o restaurant e B a guette e m outro c ir c u i t o , conferindo a esse espaço um significado de " passagem" . Edilene , 27 anos , bancária e moradora de Campo Limp o,

ha v ia sugerido a um grupo de amigos c o memorar um ani ve r sá -

ri o no Baguette Grelh a dos e Massas, qu e, com freqüên c i a, des-

tina seu andar inferior para grupos maiores e faz reservas de mesas com antec e d ê ncia. No caso dos entrevistados, ha v i a m

combinado, primeir a mente, jantar e, d e pois, sair para danç a r

e m alguma lambateria na região d e Pinheiros ou ir para um

k a r a okê.

Em sua entrevi s ta , Edilene dis s e trab a lhar no Banespa d a Consolação e freqüentar eventualm e nt e o re s taurante Baguett e , não demonstr a ndo ligações expressivas com a rede local . Quando

incentivada a falar de o utros estabelecimentos da mesma ma nc h a ,

s ua s respostas re s tringiram-se a impre ss õe s gerais .

li Não costumo

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ir ao Riviera . (

] Acho muit o chiqu e lá. Eu acho assim p e l a

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f a ch a d a . É um p essoa l, a ss im , de classe média mai s alt a . Eu tenho impr es s ão ,

nun c a entrei. [

co nheço. Já ouvi fal a r , ma s nã o cortheço [Edilene].

] Do Metr ó polis eu não po ss o te falar n a da porque tamb é m n ão

Se, em relaçãoaosbares, não sê mostrou identificada com as opções locais, pareceu percorrer com maior freqüência o tr aje t o dos cinemas da r e gião, citando, inclusiv e , um espaço que nem

s equer é visível a p a rtir da rua - a sala exi s t e nte na Secretaria d a Cultur a . Outro entrevist a do , Marcos, 24 ano s, mor a dor do Brás , enc a r-

r e gado financeiro de uma empresa japone s a na avenida Pauli s ta , compunha seus pr o gramas de lazer com id as a shopping cent e r s

e bare s da região da praça Panamericana, na zona Oeste .

T a lvez porqu e o p esso al m o r e lá praqu e l es l a d os (praça Panam eric an a ] . Ac h o q u e no s J ar din s j á ser i a m e i o difi c il , v iu ? P e l o f a t o d o poder a qui s iti v o .

2 7, No bar Avenida, d e p e n d e n do do dia d a semana, é p ossíve l enco ntrar um a p r o gr a ma- çã o va riad a q u e v a i da s big ba n d s aos an os 60 , da sa l s a ao sa mba.

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" Então e u f a l a ria m a i s e ss a parte aqui d a Panamerican a , porque tem oSenzala, , o Well 's Burgu e r , t e m as sim um m o nt e d e l a nchonetes . Então fica ma i s fácil pra

voc ê jun ta r a turm a. [ ] De fim d e s eman a eu vou c o m ela [n a morada] pro

shopping . V o u c o m ela proshopping,

shopping M o rumbi o u Iguatemi, porque é mai s perto d a casa d e la. Aí no s hop- ping a g e nt e vê , n é? Ou pega um cinema , o u , s e estiver com a . rurma, vai pegar

um boliche ou v a i patinar [Marco s ].

vo u pro cinema. [ ; ] Daí a gente vai pro

Mesmo durante a semana, depois de sair do trabalho e antes de ir para casa, Marcos costumava passar no Shopping Paulista para comprar roupas ou fazer uma refeição . Na área do cruza- mento da Paulista com a Consolação, sua freqüência era mais esporádica, privilegiando as áreas de lazer dos sheppings, que oferecem opções diversificadas e complementares.

A gente v a i em shopping justamente

comer [Marco s ] .

porque você s ai do cinema e já vai

Marcos tinha ido uma única vez ao Metrópolis e o identifica- va como um ponto de paquera. Comparou o Metrópolis ao Riviera, dizendo ser ' 0 primeiro um "ambiente jovem", enquanto no segundo pfedominà'lam"boêm t 0s ~ ', "casais" e "gente demais

idade" . Conh ecia a Bágu "ette do,·í •• T •• \Xi"'firà e tomava-a como referên-

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cia para pen ' S ~rna fil . i~ t f daCo &Sô1 a : ã o .

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Baguette? S e ria mai s : ; l j i ~ . ~onto de enc ô ntro . rápido, aquela paquerada mais rápida, tamb é m ; Agora , o M etrópolis , não. Você senta , já fica.já v ai olhando o pe sso al [Marco s ] .

Comparando a paquera no bar Metrópolis à "paquera moto- rizada" da rua Augusta, disse :

Não f a z m e u g ê nero, deixa eu ver , acho que por três motivo s: n a atual crise,

não tenho com o fic a r gastando

não tem c o m o; e , terceiro moti v o , que é uma encheção de sa co de madrugada .

combustível ali; segundo motivo, t ô namorando,

[ ] N a h o ra e m

que pára o tr â n s it o, vo c ê acabou de c o nversar com a garota,

coisa e t a l , o c an o anda, o ca r a pa s s a e te fa la a s sim: "F i lh o da puta"! PÔ! Daí

] Entã o n ão d á pr a uma paquer a , a ss im, mais firme

acaba fic a nd o n e r vo s o . [

como no Metrópolis, de você chegar, conversar,trocar tempo conversando, né? [Marcos].

uma idéia, ficar mais

Cláudio, o terceiro entrevistado daquele grupo, dizia preferir os bares da mancha da Henrique Schaumann, em Pinheiros.

Eu gosto de música, música e dança. Então eu procuro lugares assim. E que dê pra conversar também . [ " .] Quando for pra comer pizza frita, assim , eu vou muito no Bora-Bora, Pra dançar, uma época eu freqüentava o Cave, uma dan-

Arcoverde [Claudio, 26 anos,

ceteria que tem lá . quase nl\ : . eSquina , ÇQ11Cardeal; l engenheiro, moradorde . Campo · I .t i) . Jmo].

••

BEX I GA. RUA 13 DE MAIO. MAI / 91.

Na mancha da Paulista e Consolação, Cláudio nem o Metrópolis nem o Riviera; costumava pas . sar . ou no Jota's (lanchonete próxima da boate Nostror i jantar, preferia as pizzarias Zi Tereza e Michelue é i é cinemas, freqüentava o CenterTrês. Para paquerara ê melhor lugar era a praça da fonte, na Cidade Uti j : M~I :

domingo, durante o dia . Quando indagado sobre oprc r gt_ noturno ideal, respondeu :

Lambada, karaokê e comida farta. Primeiro iria a um ' restaurante; depoispro karaokê; depois, pra terminar a noite, uma lambateria [Cláudio] .

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86 CONS I DERA ÇO ES FIN AIS

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Os p r og r a ma s de l az er o b se r va d os o u n a rr a do s p e l os e ntr ev i s - tados r e m e t e m , n a ma ior p a r te da s vezes, a um a combin ação d e esta b e l ecimen t o s - não n ecessa riam e nte s itu a d os na m es m a man -

c ha - qu e o b e d ece a um a l ógica d e co mpatib i lid a de s: o r a s e a li a

a seg ur a n ça e pr oximi dad e dos l ocais d e tr a b a lho e m ora di a ao

enco ntr o co m os ami g os; ora o s m o m e nt os d e frui ção da v i da a p a r e cem ass o c i a d os à po ss ib i lidad e d e c ont a t o com o " dif e r e n- t e" e m vez d o di á l ogo pref ere nci a l c o m o s " igu a i s" ; ora o imp or-

t a nt e é variar e, p o r i ss o , per co rrem-s e di v er sas m an c h as d e l aze r d a c i dad e e m busc a de opçõ es que se compl e mentem; ora é fun- d a mental sentir-se p e rtencent e a uma r e de p aer i c e í ar ,

Algun s usuário s re s sentem-se com as mudal ' l , ç as ; gct> rridasem e s p a ços d e lazer com que m a ntêm uma re la ção d ~fà : f uili ar idade . Qu a nd o isso oc or r e partem e m busca d e ' outr ps - l ocais que po ss i- bilitem r e c o mp o r um a i d e ntidad e em ' mo l d es semelhan tes .

 

Out ro s c o n s tróem se us c i rc uitos il ' l ! t e rliga l ' ld oestabeleciment os

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l o c a liz a d os e m regi ões d is t a nci a da s j o que f ac ilit a a migraçã o d e um pont o p a ra o utr o em 9! lSc ( çie tt i a r rs f o rma ç õ e sna din â mica d o

l azer da á r e a orig i n a hne l1 ' ~ ~ ,' es . ç ol ~ 4 ~(abe1 rt ur a d e no v o s es t a b e -
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l e cim e à e os , . mudan ç a ~ 4 ~ I i l~ 1 D H( 3 ó ~f r eqüent a d o r,

ino v ações n o

at e ndiment o e na s op . çÕ ' t t s 'e· o ' fé

ti e . centreidas , outros) . Assim, a s

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ma n c h a s d i alogam e nt r e " s i ' atr ~vê~ , das pr á ticas d o s usuários. Relações diferenciadas com esp a ç o s e equip a mentos de lazer -

e suas part ic ulare s form a s de sociab i lidadec - remetem à quilo que

p o de s e r a pont a do com o um a da s caracterí s ticas d a cidade : a

di

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ve rsidad e cultur a l intern a ao mei o urbano . N ã o se trat a de uma

ve r s id a d e c aó tica : há uma ordena ção, porém n ã o há " o" p a dr ã o

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urb a n o, m as um a mult i plicid a de d e padrõe s. É esta heterog e n e i-

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pr of icuo par a a pesqui-

sa a ntr o pol ó gic a: a di v er s id a d e, qu es t ão fund a nt e da a ntrop o l o -

d a d e qu e fa z do es paço u r b a n o cont ex to

" g i a, est á muito p er to de n ó s, e stá n a c idad e e m que v ive mos.

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>- REF E R~NC I A S B I BLI OGRÁFICAS

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. ' C A RD OSO , Ruth (org . ) ( 19 86) . A A v e nt u ra An tr o p o l ó gica . Ri o d e J a neir o, P az,

Be ~ iga: urrzrtm,

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e li gi os a d oC a to l ici s mo P opu l a r na Ci d ade de S ão Paulo (di s s e rt aç ão d e rnes- J

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C. C . - (i 987 ; Nos ; a S ; ~ ~~ ' ; Ã ch i r~ p i c ; ; ;: o

_ KOTH E, F l áv i ;; ( f985 ) . W a / te r B e nj amin . Sã o Paul o , Áti c a .

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(

co muni c açã o a pr es entada no XIII En co ntro A nu al da A NPOCS). Cax a mbu

.

OLIVEN , R Ú b e n , G . · ~ (WB! i i~ ; . : 4A ' ntro p o l ogia ' de Grup os Urba nos . Rio de Jane i ro Vozes, _,';', :-";·~.~·f~~f~:~j;,~,~_ o,'

SANT Ó S, e á t . I i 1S ; N :; i F { : a ~~ l ~~~ ~ ~) O f ~ê<il ' Í i ,ç j ~ ~', Q!i a,n 4Q ,. : aR UliTC aZsiarà. Sã o Paul o

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