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Currículo atualizado

É Licenciado em Matemática pela Universidade de Uberaba e especialista em Matemática e Estatística pela Universidade Federal de Lavras. Trabalhou na Universidade de Uberaba ministrando as disciplinas de Álgebra Linear, Cálculo, Geometria Analítica e Informática nos cursos de Engenharia, Matemática, Química e Sistemas de Informação. Atualmente trabalha no Instituto Federal do Triângulo Mineiro como professor de Cálculo e Estatística dos cursos de Engenharia Agronômica, Gestão Ambiental, Química e Zootecnia.

Agronômica, Gestão Ambiental, Química e Zootecnia. UNIVERSIDADE DE UBERABA PROGRAMA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Agronômica, Gestão Ambiental, Química e Zootecnia. UNIVERSIDADE DE UBERABA PROGRAMA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

UNIVERSIDADE DE UBERABA PROGRAMA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

FORMULÁRIO DE ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DOS ROTEIROS DE ESTUDO MATERIAL DIDÁTICO DOS CURSOS SUPERIORES A DISTÂNCIA – VOLUME

CURSO: Engenharias Elétrica

ETAPA:

IV
IV

– volume

COMPONENTE CURRICULAR: Estudos Lógico-Matemáticos

CARGA HORÁRIA TOTAL DO COMPONENTE CURRICULAR:

hs

2
2

UNIDADE DE ESTUDO: Cálculo Diferencial e Integral

ROTEIRO DE ESTUDO Nº.:

TÍTULO DO ROTEIRO DE ESTUDO: Equações diferenciais no contexto das ciências e das engenharias

OBJETIVOS:

Ao final deste Roteiro de Estudo o aluno deverá ser capaz de:

1. Reconhecer uma equação diferencial e classificá-la quanto à sua ordem;

2. Resolver equações diferenciais de primeira ordem por meio dos métodos dos fatores integrantes, separação de variáveis e pelo método de Euler;

3. Desenvolver soluções para equações diferenciais lineares de segunda ordem homogêneas através do método da equação auxiliar;

4. Solucionar equações diferenciais lineares de segunda ordem não-homogêneas através dos métodos da determinação de coeficientes e da variação dos parâmetros;

TEXTO INTRODUTÓRIO José Ricardo Gonçalves Manzan

Prezado(a) aluno(a),

Desde o início do curso você tem estabelecido um contato direto com o Cálculo Diferencial e Integral e pode visualizar especialmente no estudo das derivadas e das integrais, o potencial que este instrumento matemático tem em muitas aplicações, não só no contexto das engenharias, mas também no contexto das várias ciências. Neste roteiro, iremos apresentar outra ferramenta do cálculo extremamente importante na prática do engenheiro pelo fato ser aplicável a muitos problemas que envolvem o conhecimento científico e tecnológico.

Logicamente, não será possível em apenas um roteiro, esgotar todas as possibilidades de aplicações deste instrumental e isso seria ainda impossível em um livro ou mesmo em curso específico para o tema “Equações Diferenciais”. O importante para o momento é que você saiba interpretar e resolver as equações diferenciais mais básicas e bem como interpretar e solucionar algumas situações mais comuns em que elas se aplicam. Posteriormente, em disciplinas específicas para a sua modalidade de engenharia, este assunto será retomado com o enfoque devido.

Para a aprendizagem do tema aqui abordado será essencial que você tenha conhecimentos básicos de derivadas e integrais que já foram trabalhados em etapas anteriores, pois o estudo das equações diferenciais é extremamente ligado a estes dois itens do cálculo diferencial e

integral. Quero enfatizar a importância de buscar o apoio nas

roteiro é apenas um elemento norteador para a sua aprendizagem, visto que ela só será realmente significativa com o apoio dos livros que abordam o assunto.

[u1] Comentário: A leitura

obrigatória é o livro “Cálculo” do

autor James Stewart, vol.2 – 5ª edição – Cengale Learning.

 
 
 

leituras

leituras
leituras

recomendadas, pois o

Cengale Learning.   leituras recomendadas, pois o Equações Diferenciais: Significado e Conceitos básicos Na

Equações Diferenciais: Significado e Conceitos básicos

Na primeira

etapa

do curso, vimos que as notações

representar derivadas. Vimos também que dada uma função

dy

dx

y

2

x

y e

'

f

'(

x

)

, então:

servem para

[u2] Comentário: Veja que 2 x y  e e a expressão dy 2 x
[u2] Comentário: Veja que
2
x
y  e
e a expressão
dy
2
x
 2 xe
pode ser
dx
reescrita como
dy
 2 xy
.
dx
dy

dy

 
dy  

2 xy

 

dx

dx
 
 
. dx dy   2 xy    dx   dy dx  2 xe x

dy

dx

2 xe

x

2

ou

Naquela ocasião, tínhamos uma função e o nosso problema consistia em encontrar a sua

derivada. Agora o nosso problema é: dada uma equação da forma

dy

dx

y

, queremos

descobrir quem é a função “y” que satisfaz a igualdade dada. Voltando ao exemplo acima,

dada uma função

dy

dx

2 xy

, queremos encontrar a função “y” e sabemos que a função

2

. Esse é um exemplo de equação diferencial.

Uma equação diferencial envolve uma função desconhecida e uma ou mais de suas derivadas e a solução dessa equação é uma função, ou como poderemos constatar no decorrer deste roteiro, uma família de funções.

solução para essa equação, é a função

x

y e

Uma definição formal de equação diferencial é a sugerida por ZILL e CULEN (2001, p. 2)

“Uma equação que contém as derivadas ou diferenciais de uma ou mais variáveis dependentes, em relação a uma ou mais variáveis independentes, é chamada de equação diferencial (ED).”

Uma equação diferencial que contém somente derivadas ordinárias de uma ou mais variáveis dependentes, em relação a uma única variável dependente, é chamada de equação diferencial ordinária (EDO). São exemplos de EDOs.

(1)

dy

dx

5

y

2

(2) (2 y 3t)dt 6tdy 0

(3)

d

2

y

3

dy

dx

2

dx

2

y

0

Equações diferenciais que envolvem derivadas parciais de uma ou mais variáveis dependentes

de duas ou mais variáveis independentes é chamada de equação diferencial parcial (EDP).

São exemplos de EDPs.

(4)

(5)

(6)

w

y

2 x

2

z

x

0

w

y

w

3

w

x

2

y

4

2

 

w

2

w

2

 

x

t

2

 3

w

t

OBS. Neste roteiro abordaremos apenas as Equações Diferenciais Ordinárias (EDO).

A ordem da derivada de maior ordem em uma equação diferencial é, por definição, a ordem

da equação. As equações (1), (2), (4) e (5) são exemplos de equações de primeira ordem. Já

as equações (3) e (6) são equações de segunda ordem.

Atividade 1

Associe cada equação diferencial com sua família de soluções e classifique cada uma delas

quanto a ordem. Sugestão: Derive cada uma das funções sugeridas para a associação e

compare com as equações diferenciais.

a)

b)

x

dy

dx

y

y '' 4 y

dy

c) 2 x

d)

dx

d

2

y

dx

2

  4 y

(i)

y x

2 C

(ii)

(iii)

y C sen2x C cos 2x

1

2

y

C e

1

2

x

C e

2

2

x

(iv)

y Cx

Equações lineares ordinárias de primeira ordem

Solução pelo método dos fatores integrantes

Algumas equações diferenciais de primeira ordem podem ser resolvidas simplesmente com

uma integral. É o caso da equação

dy

dt

3 t

4

, onde

y

3

5

t

5

. Contudo, nem sempre é

possível, resolver uma equação diferencial desta forma. Para alguns casos, utilizamos o método dos fatores integrantes, que especificamente falando, é empregado para as equações diferenciais lineares cuja forma é expressa por

[u3] Comentário: Na solução de equações diferenciais as funções p(x) e q(x) devem ser contínuas de suas respectivas variáveis no intervalo dado para a solução.

dy

dx

dy dx  p

p

 

(

x

)

y

q

(

x

)

as seguintes classificações:

y  q ( x ) as seguintes classificações: Com equações desta forma, temos dy dx

Com equações desta forma, temos

dy

dx

dy

dx

dy

dx

3

x

y

3

e

(cos

x

)

3 y



y

1

2

2 x

onde:

p(x) x

3

e

q x

(

)

3

2 x

e

2

x

0

onde: p(x) cos x e

onde: p(x)  3 e

q x

(

)



1

2

q(x) x

2

O método dos fatores integrantes, é dado por:

1º) Calculo do fator integrante:

Considere a constante c, devida a integração

e

p( x)dx

p(x)dx

como 0.

2º) Multiplique ambos os membros da equação original por

e fazendo o processo inverso

[u4] Comentário: Seja a da propriedade da derivada de um produto , deixe a equação
[u4] Comentário: Seja a
da propriedade da
derivada de um produto
, deixe a equação na forma:
função y
 u
 v temos que a
derivada é dada por
dy
u
'
v
v
'
u
d
dx 
( 
y )

q
(
x
)
dx

3º) Integre ambos os lados da equação obtida no 2º passo e encontre a função y. Não se esqueça da constante de integração, pois você irá obter não uma solução, mas uma classe de soluções para a equação em estudo.

   

dy

3 x

4

 

Exemplo 1:

Determine a solução para a equação

dx

e

y

.

Solução:

 

1º)

Inicialmente

organizamos

a

equação

diferencial

na

forma

identificamos as funções p(x) 4 e

q

( x

)

e

3 x

. Calculamos

 

e

4 dx

e

4 x

 

dy

dx

4 y

3 x

e

e

por meio da fórmula:

2º) Multiplicando ambos os membros da equação reorganizada por , temos

 

dy

dx

4 y

 

3

x

4

x

4

x

dy

4

x

x

e

e

e

dx

e

4

y

e

d

d

 

 
d      
 

4x

y

e

x

dx

e

 
 
 

4 x

e

e finalmente chegamos a equação

[u5] Comentário: Perceba que derivando a expressão d dx  4x e y chegamos em
[u5] Comentário: Perceba que
derivando a expressão
d
dx 
4x
e
y
chegamos em
 
4
x
4
x
e y  e
'
4
y
2
2
x
x
e y  e
'
2
xy onde
dy
 y '
.
dx
x x e y  e ' 2 xy onde dy  y ' . dx

3º) Integramos ambos os membros da equação e encontramos a função y.

d

dx

 

4x

e

y

 

x

e dx

4x

e

y

e

x

C

y

e

3x

Ce

4x

Assim a solução dessa equação é a função

veracidade da resposta, derivando a função encontrada e substituindo na equação original.

. Podemos constatar a

y

e

3x

Ce

4x

Veja:

Se

y

e

3x

Ce

4x

então

dy

dx



3

e

3

x

4

Ce

4

x

.

Ao substituirmos na equação dada no problema, chegamos a:

dy

dx

4 y

3 x

e

(

Ce

3

3

4

Ce

e

e

3

x

4

3

x

 

e

3

e

3

x

3

x

e

4

3

x

e

3

x

4

x

4

x

)

e

4

3

4

e

x

3

(

x

e

3

x

Ce

4

Ce

4

x

4

x

)

e

3

e

x

3

x

Perceba que a constante C na solução da equação representa as infinitas possibilidades de

solução para a equação dada. A seguir, plotamos um gráfico por meio do software

com algumas das funções pertencentes a família de soluções encontradas, a saber com o parâmetro C variando de -4 a 4 com 8 passos.

[u6] Comentário: O software Winplot winplot é de uso livre e pode ser baixado pela
[u6] Comentário: O software
Winplot
winplot é de uso livre e pode ser
baixado pela internet por meio do
site
http://www.edumatec.mat.ufrgs.br/.
Com ele é possível plotar gráficos
de diversas funções de uma de
várias variáveis reais. Não é
preciso ter muitas habilidades com
o computador para utilizar essa
ferramenta computacional.
Contudo ele é limitado em alguns
pontos, e para tanto outros
softwares são recomendados como
o Scilab, Matlab ou o Maple.
y  x     3x  4x y  e  Ce
y

x



3x
4x
y
e
Ce
Figura 1: gráfico da função
,

Quando é solicitada a solução de uma equação diferencial, consideramos toda as possíveis soluções e a constante C obtida no processo de integração é quem faz essa representação. Por outro lado, alguns problemas, estabelecem condições de valores específicos, tornando a solução de uma equação diferencial própria para um valor de C. Em situações como essa utilizamos a condição estabelecida para determinar o valor de C. Problemas dessa natureza

y(x ) y

0

0

, temos um

problema de valor inicial onde

y(x ) y

0

0

é denominada de

condição inicial.

[u7] Comentário: Dada uma equação diferencial qualquer e um valor da variável independente implicando em um valor da variável dependente[u7] Comentário:

são denominados por Problemas de Valor Inicial

Exemplo

2:

Determine a

condição inicial y(1) 2 .

 
 
 
(PVI).
(PVI).

(PVI).

solução da

equação diferencial

x

dy

y dx

x

que satisfaça a

Solução:

1º)

Podemos

perceber

que

a

equação

x

dy

y dx

x

não

está

na

forma

dy

dx

p

(

x

)

y

q

(

x

)

, mas esse pequeno impasse é resolvido, dividindo todos ambos os

membros da equação por x, o que nos leva a equação equivalente

dy

y

dx

x

1

, onde

p(x)

1

x

e q(x) 1

.

Determinando

o

fator

integrante

chegamos

a

[u8] Comentário: Aplicamos aqui a propriedade dos logaritmos log a b em que a 
[u8] Comentário: Aplicamos
aqui a propriedade dos logaritmos
log a b
em que
a
 b
. De fato
forma equivalente como log e x .
e log
x
e
Assim
 x .
 
 
 

e

1

x

dx

e

ln x

x

.

 
 
 

2º) Multiplicando ambos os membros da equação em questão, chegamos a

x

dy

dx

x

y

x

1

x

l n x é o logaritmo em base natural e que pode ser escrito de ln x é o logaritmo em base natural e que pode ser escrito de

o que nos leva à equação

3º)

xy

Integrando

xdx

xy

2

x

2

C

d

dx

xy

ambos

y

x

2

x

.

os

Cx

1

membros,

.

chegamos

a

expressão

Como foi dada a condição inicial em que

os conceitos básicos de função,

o

se

= 1 o valor de y é igual a 2.

y(1) 2 , temos que para x

[u9] Comentário: Relembrand [u9] Comentário:

y (1)  2
y (1)  2

y(1) 2

y (1)  2

, temos que:

 
 

2

1

2

C

1

C

3

2

Assim a equação requerida pelo problema é:

y

x

2

3

2

x

1

ou de forma equivalente

y

x

3

2

2 x

.

Faça a derivada dessa função e confirme a veracidade da solução do problema.

Atividade 2

Resolva as equações diferenciais a seguir e encontre a solução para as condições iniciais dadas:

(

2

x

dy

1)

dy

dx

4

a)

xy

6

0

x

,

y(0) 1

y(1) 2

b) x e

c)

x

dx

dy

dx

x

2

y

x

y

3

,

, y(e) 1

Método da separação de variáveis para equações de primeira ordem não- lineares

Antes de apresentar o método da separação de variáveis, é preciso que se saiba que não existe um método geral para a solução de equações diferenciais de primeira ordem não-lineares. O método da separação de variáveis é uma possibilidade de resolução. Quando não é possível resolver uma equação por métodos algébricos, utilizamos o método de Euler que será abordado posteriormente.

Se uma função é da forma

h

(

y

)

dy

dx

g

(

x

)

, podemos reescrevê-la como h( y)dy g(x)dx . Por

esse motivo, denominamos método da separação de variáveis ou dizemos que as equações

dadas na segunda forma apresentada são equações de primeira ordem separáveis. O

processo de resolução segue por meio da integração de ambos os membros da igualdade

correspondentes a cada variável em específico, onde

que resulta em

[u10] Comentário: Nessa resolução, suponha que h(y) e g(x) sejam contínuas de suas respectivas variáveis.



h( y)dy

g (x)dx

 h ( y ) dy   g ( x ) dx
 h ( y ) dy   g ( x ) dx
variáveis.  h ( y ) dy   g ( x ) dx H (

H(y) G(x) C

Como H ( y) e G(x) são as integrais das funções h( y) e g(x) , a validade da solução pode

ser deduzida pela derivação da última equação, onde:

d

dx

H

(

y

)

dH dy

dy dx

h

(

y

)

dy

dx

g

(

x

)

dG

dx

Em resumo, o método da separação de variáveis pode ser executado da seguinte forma:

1º) Separe as variáveis deixando a equação original na forma h( y)dy g (x)dx .

2º) Integre ambos os membros da equação, conforme a indicação de cada operador diferencial.

h( y)dy

g(x)dx

3º) Finalmente interpretamos que a equação H ( y) G(x) C define uma família de soluções

dadas na forma implícita.

Exemplo 3:

Solução:

Resolva a equação diferencial dy

dx

1º) Organizamos a equação em 1 dy

y

xdx

xy

que satisfaça a condição inicial y(0) 1.

2º) Integrando o primeiro membro em relação a y e o segundo em relação a x temos:

1

y

ln y

dy

xdx

C

2

x

2

y

y

e

x

2

2

Ce

C

x

2

2

e

x

2

2

e

x

2

C 2

e

C

3º) Como a condição inicial é dada por y(0) 1 , temos que

Assim a equação procurada é

Atividade 3

1 Ce

y e

x

2

2

0

2

2

1 Ce

0

C 1

Resolva a integral por separação de variáveis e encontre a solução específica para sua condição inicial.

dy y a) ,  y(2)  4 dx x 2 1  x dy
dy
y
a) ,
y(2)  4
dx
x
2
1
 x
dy
b)  x
, y(0)
1
 y
dx
 y
2
c) e
senx
 y
'cos
x
0
,

2

e

1

y(1) 0

Algumas aplicações

As equações diferenciais se aplicam a diversas situações no âmbito das ciências e também das engenharias. Quando uma situação é modelada de forma a considerar as razões de variação e cujo objetivo seja o de encontrar uma função que forneça informações de interesse, estaremos lidando com equações diferenciais. Obviamente não será possível contemplar todas as aplicações neste roteiro. Entretanto as aplicações aqui abordadas são suficientes para que você amplie seus conhecimentos em disciplinas específicas ao seu curso.

Aplicação 1: Circuito elétrico

A figura a seguir representa um circuito elétrico em série RL básico, que contém uma fonte de

energia com uma voltagem dependente do tempo de V(t) volts (V), um resistor com uma

resistência constante de R ohms (Ω) e um indutor com uma indutância constante de L henrys

(H). Se você não entende nada sobre circuitos elétricos, não se preocupe! A teoria da

eletricidade afirma que uma corrente I(t) amperes (A) flui através do circuito onde I(t) satisfaz

a equação diferencial

L

dI

dt

RI

V

( )

t

satisfaz a equação diferencial L dI dt  RI  V ( ) t Vamos determinar

Vamos determinar I(t) se R = 6 Ω, L = 3 H, V for a constante 24V e I(0) = 15A

Solução:

Substituindo os valores de L, R e V, temos a equação diferencial

3

dI

dt

6

I

24

Dividindo todos os termos por 3, obtemos a nova equação:

dI

dt

2

I

8

Obtendo a constante de integração, chegamos a:

e

2 dt

e

2 t

Dando seqüência a resolução, temos:

d

dt  

I

e

2

t

I

  8

e

2

4 e

2 t

C

2

t

2

t

e

e

t

e

 

4

2

t

I

Ce

2 t

8

e

2

t

dt

e

2

t

I

4

e

2

t

C

Como a condição inicial, implica em I(0) = 15A, então temos que:

15

 

4

Ce

2 0

 

 

4

Ce

0

15

 

4

C

C

11

Assim a função corrente elétrica específica para o problema de valor é

I

t

( )

 

4

11

e

2 t

Ainda observando o modelo determinado para a corrente do circuito elétrico, percebemos que

se o tempo aumentar indefinidamente, ou seja, o tempo tendendo a infinito, a corrente tenderá

ao valor de 4 amperes. Isto pode ser confirmado facilmente através do limite.

lim 4

t 

11

e

2 t

4

A

Aplicação 2: Problemas de mistura

Suponha que no instante t = 0, um tanque contenha 7 kg de poluentes dissolvidos em 350

litros de água. Nesse mesmo instante o tanque recebe água contendo 50 gramas de poluentes

por litro a uma taxa de 12 litros por minuto. Considere ainda que exista uma válvula de escape,

onde a solução misturada deixe o tanque à mesma taxa com que a água poluída é adicionada.

Vamos encontrar a quantidade de poluentes no tanque após 8 minutos.

a quantidade de poluentes no tanque após 8 minutos. Solução: Consideremos y ( t ) como

Solução:

Consideremos y(t) como a função que representa a quantidade de poluentes (em gramas) após

t minutos. Sabemos que y(0) = 7 kg = 7000 g e queremos encontrar y(8). Essa solução será

determinada por meio da equação diferencial cuja solução seja a função y(t). Desta forma dy dt

representa a taxa segundo a qual a quantidade de poluentes no tanque está variando com o

tempo, onde:

dy

dt

taxa de entrada =

taxa de entrada

  50

g

taxa de saída

  

  

12

min

 

600

g

min

600

g / min

Como o volume de água que entra no tanque é o mesmo volume que sai, então podemos

observar que o volume do tanque será sempre de 350 . Assim a razão de saída para as y(t)

gramas de poluente no tanque será:

taxa de saída =

( )

y t

g

350

Consequentemente dy dt

  

   

8

min

 

4

175

será dado por:

dy

dt

600

4

y

dy

4

y

175

dt

175

600

( )

y t

g

min

Resolvendo essa equação diferencial, temos:

e

4

dt

175

4 t

e

175

Dando sequência à resolução temos:

d

dt

y

( )

y t

e

4

175

t

y

  

600

e

4

175

t

26250 e

4 t

175

C

e

4 t

175

4

t

e

175

26250

26250

Ce

4

175

t

y

Ce

600

4 t

175

e

4

t

175

dt

26250

4

t

e

175

C

Como em y(0) = 7000g, temos que:

C  19250

7000

26250

Ce

4 0

175

26250

C

Assim a função que nos informará a quantidade de poluentes em função do tempo t é a função

( )

y t

26250

19250

e

4 t

175

Finalmente em t = 8 min a quantidade de poluentes no tanque será de:

y(8)

26250

19250e

4 8

175

10216,92g

10,216kg

Aplicação 3: Resfriamento

Nessa aplicação precisamos da lei do resfriamento de Newton onde a taxa e mudança de

temperatura T(t) de um corpo em resfriamento é diretamente proporcional à diferença entre a

temperatura do corpo e a temperatura constante

T

m

do meio ambiente, isto é,

dT

dt

k T

(

T

m

)

,

onde k é uma constante de proporcionalidade.

Suponha que uma barra de ferro tenha sido aquecida em um forno e retirada dele a uma

temperatura de 90ºC. Três minutos depois, sua temperatura é de 45ºC. Quanto tempo levará

para a sua temperatura chegar aos 26ºC, se a temperatura do ambiente em que ele está é de

exatamente 23ºC.

Solução:

Temos que

T

m

23

. Assim deveremos resolver o problema de valor inicial:

dT

dt

k T

(

23)

,

T (0) 90

Estamos diante de uma equação diferencial separável que pode ser resolvida da seguinte

forma:

 

dT

kdt

Integrando ambos os membros da equação ficaremos com:

 

(

T

23)

 

[u11] Comentário: Perceba

C 1 é um valor constante e

podemos denominá-lo como outra

[u11] Comentário: Perceba C 1 é um valor constante e podemos denominá-lo como outra

dT

( T  23)
(
T 
23)

kdt

ln

T 23

kt

C

1

 dT ( T  23)   kdt  ln T  23  kt
 

T

T

23

23

kt

e

C e

C

1

2

kt

T

23

e

kt

e

C

1

T

23

C e

2

kt

 
 
 

Como T (0) 90 isso decorre em:

90

23

C e

2

k 0

C

2

67

Montando a expressão da temperatura em função do tempo, temos:

T

23

67

e

kt

Da relação T (3) 45 encontramos:

45

3

k

23

67

e

ln

 

22

67

 

k

3

22

k

 

1

3

ln

67

3

e

 

22

67

k

 

22

67

3

e

k



0,371216

Finalmente:

T

26

23

67

e

0,371216

t

t

8,37 min

23

67 e

0,371216 t

e

0,371216

t

3

 

67 e

0,371216

 

3

 

ln 0,371216 t

67



t

 

3

67

 

e



3,106080

0,371216

t

Atividade 4

Considere um circuito elétrico como o que foi mostrado anteriormente.

L

dI

dt

RI

V

( )

t

que foi mostrado anteriormente. L dI dt  RI  V ( ) t Determine I

Determine I(t), I(2) e I(10) se R = 33 Ω, L = 11 H, V for a constante 44V e I(0) = 12A

Atividade 5

Uma xícara de café é colocada num ambiente onde a temperatura é de 18ºC. No momento em que a xícara é colocada na mesa (t = 0), a temperatura do café é de 67ºC. Depois de 40 segundos a temperatura do café passa aos 42ºC. Quanto tempo será necessário para que o café chegue a temperatura de 2º acima da temperatura ambiente?

Atividade 6

Um tanque tem capacidade de armazenamento de 800 litros. Considere que a partir de um dado instante, o tanque contenha 30 gramas de sal dissolvidos em 400 litros de água e que comece a receber 20 litros de água pura por minuto. Ainda nesse mesmo instante a solução do tanque é drenada a uma taxa de 10 litros por minuto. Determine a quantidade de sal no tanque quando o nível da solução estiver a ponto de transbordar.

Campos de direções e o método de Euler

O método de Euler trabalha com aproximações numéricas. Para motivar o método vamos recordar a definição de derivada vista na etapa I. A derivada de uma função de um ponto dado corresponde à inclinação da reta tangente a aquele ponto.

y = -0.2xx+3 y y = 3     x   
y = -0.2xx+3
y
y
=
3




x








1
Figura 2: Gráfico das funções
y 
x
2  3
e y  3
5

Na figura 2 temos o gráfico da função

1

y   x

5

2 3

e de uma de suas tangentes, no caso

[u12] Comentário: Inclinação tem o mesmo significado que

coeficiente angular. O ângulo que a tangente forma com o eixo das abscissas produz um valor m que denominamos de coeficiente

angular onde m tg .

particular tangente y = 3 que tem

'

y  

2

5

x

e da derivada

y

'(0)



2

5

0

0

.

 
 
 

inclinação

0. Se fizermos a derivada da curva y, teremos

=

0

é

dada

por

Se fizermos a derivada da curva y , teremos = 0 é dada por decorre que

decorre que a inclinação da tangente em x

O exemplo disposto acima mostra uma das tangentes à curva, mas é importante observar que

por cada ponto dela passa uma tangente e, portanto elas são infinitas. Também lembramos que

a solução de uma equação diferencial constitui numa função ou numa família de funções onde

todas elas possuem suas devidas inclinações. Se imaginarmos a família de soluções de uma

equação diferencial com as inclinações de todas essas curvas podemos estabelecer uma

relação interessante para as soluções aproximadas. Daí surge o conceito de Campo de

Direções. O campo de direções é um conjunto de pequenos segmentos que representam

hipoteticamente as inclinações de todas as possíveis curvas de soluções de uma equação

diferencial.

Considere a equação diferencial dy

dx

 

x

y

. Se entendermos essa equação como uma função

de duas variáveis denotada genericamente por

dy

dx

f

(

x

,

y

)

, teremos a cada par ordenado do

plano cartesiano, um valor numérico que indica a inclinação da tangente de uma possível

solução para a equação diferencial. Na Figura 3, temos a representação de um campo de

direções

para

a

equação

dy

dx  

x

y

,

onde

foram utilizadas 5

colunas.

Por

exemplo,

substituindo os valores de (x,y) do par ordenado (0,2) na equação diferencial, produz a

inclinação

dy

dx

0

2

  

2

. Perceba que no ponto (0,2) um segmento indica uma inclinação

decrescente, onde você pode constatar na figura um pequeno segmento representando essa

inclinação descendente. Da mesma forma para o par ordenado (2,2), temos

dy

dx

 

2

2

0

onde um segmento horizontal indica uma inclinação nula.

     y  
     y  
     y  
   

    y  

     y  

y

     y  
     y  
     y  
 
 
 
 
 
 
 

     

     
    
    
    
    
    

   

 
    
    
    
 
                  
                  
                  
                  
                  
 
          x



         x

 


 



x

                     
                     





 



   



 



 

  
  
  
  
  



 
  
  
 










 
        
        
        
        
 

       

 
        
 
        
 
 



                       




 

Figura 3: Campo de direções da equação dy

dx

x

 

y

com 5 colunas

Um campo de direções pode ser construído manualmente quando são necessárias poucas

inclinações com o da Figura 3. No entanto, tais cálculos podem se tornar tediosos quando o

número de colunas aumenta. Assim, é usual utilizar um recurso computacional como o Maple,

o Matlab ou o Winplot. Veja na Figura 4 o campo de direções da equação
o Matlab ou o Winplot. Veja na Figura 4 o campo de direções da equação dy
 
x
y
com 15
dx
colunas produzido pelo software
Winplot
.
y

[u13] Comentário: Para obter
um campo de direções como este
no Winplot, inicie o programa,
escolha a opção 2-dim, clique no
menu equação e selecione a opção
diferencial. Em seguida digite no
dy

campo
a função x  y que
dx


é o caso do problema. Escolha o
tamanho do comprimento para os
segmentos e o número de colunas.
x
Clique em traçar e o campo será
desenhado.












Figura 4: Campo de direções da equação dy
x 
y
com 15 colunas
dx

Como desejamos em muitas situações obter uma solução particular para a equação sempre sujeita a uma condição inicial, precisamos de um algoritmo que nos conduza à curva desejada na equação diferencial em estudo. Para tanto o método de Euler utiliza uma perspectiva numérica que aproxima satisfatoriamente do resultado. Existem outros métodos mais sofisticados como, por exemplo, o método de Runge Kuta e o Euler modificado, mas que não serão abordados neste roteiro por fugirem dos nossos objetivos. Além disso, estes métodos usam o método de Euler como ponto de partida.

Quando temos um problema de valor inicial (PVI), então temos uma expressão da forma

dy

dx

f

(

x

,

y

)

,

y(x ) y

0

0

e buscamos obter os valores aproximados de y com base em valores de x, seguindo uma

. Assim,

seqüência uniforme de valores, baseados num incremento x iniciando por

x

0

teremos a seqüência de valores

x

3

x

2

x ,

,

x

n

1

x

n

 

x

x

0

,

x

1

,

x

2

,

x

3

,

,

x

n

, onde

x

1

. As aproximações dos valores

x

0

de

x ,

x

2

y serão

x

1

x ,

dadas por

y

1

y

0

f (x , y )x

0

0

,

y

2

y

1

f (x , y )x

1

1

,

y

3

y

2

f (x , y )x

2

2

,

,

y

y ,

n

1

1

y

2

y

,

n

y

3

f

,

(

x

,

,

y

n

y

n

n

)

x

. Se y(x) é a curva solução para o PVI em estudo, então os valores de

são aproximações de

y(x ),

1

y(x ) ,

2

y(x ) ,

3

,

y

(

x

n

)

.

Como exemplo iremos resolver o PVI abaixo usando o método de Euler com x 0,1 no

intervalo de 2 x 1 .

dy

dx

x

 

y

, y(2)  1

Para isso será necessário fazer o uso de uma tabela:

n

x

n

y

n

f

(

x

n

,

y

n

)

x

y

n

1

y

n

f

(

x

n

,

y

n

)

x

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

-2

-1,00

-0,10

-1,10

-1,9

-1,10

-0,08

-1,18

-1,8

-1,18

-0,06

-1,24

-1,7

-1,24

-0,05

-1,29

-1,6

-1,29

-0,03

-1,32

-1,5

-1,32

-0,02

-1,34

-1,4

-1,34

-0,01

-1,34

-1,3

-1,34

0,00

-1,34

-1,2

-1,34

0,01

-1,33

-1,1

-1,33

0,02

-1,30

-1

-1,30

_

_