A Ética e o Profissional de Informática

Prof. José Paulo Auricchio

Conteúdo Programático • • • • A ética e o profissional da informática Código de ética Por que um código de ética Regulamentação da profissão .

• Temos como exemplos aqueles que cobram preços diferentes para um mesmo serviços. enganando seus clientes. • Infelizmente muitos profissionais não possuem ética alguma. conforme a “cara” do cliente. . de forma desonrosa e deturpando a imagem de tantos outros sérios e competentes.A ética e o profissional de informática • Como em todas as áreas profissionais ser ético é imprescindível no desempenho de atividades na área de informática. • Outros ao invés de consertar. etc. trocam peças novas por peças velhas. criam programas ilegais. atuam na internet com má fé divulgando conteúdos impróprios. • Há muitos outros casos de profissionais antiéticos na informática que abusam dos clientes visando somente o lucro.

A ética e o profissional de informática • Uma importante solução seria a legalização da profissão (criação de um conselho). • Com a legalização viria um código de ética determinando os parâmetros para se manter ético dentro da atividade. inclusive pessoas que não fizeram qualquer curso superior ou técnico. . torna-se impraticável criar uma regulamentação a qual todo profissional do setor deveria seguir. ou não. • Independentemente da regulação. que serviria para regulamentar a atuação de seus membros e punir quando necessário. da profissão todo profissional de informática deve ter consciência e honestidade. • A maior dificuldade em se falar de ética na computação é que. como qualquer pessoa de qualquer área de formação pode estudar informática. saber zelar pelo seu nome e pela classe.

• Não sendo a profissão regulamentada. que possuem. códigos de ética. como a ACM (Association for Computer Machinery). inclusive. .Código de ética • Não existe um código de ética oficial. por ser uma profissão sem regulamentação específica. não abrangeria a todos os praticantes da área. como na Medicina ou na Contabilidade e. se houvesse. sendo o comportamento dos membros praticamente determinado pela consciência individual. Entretanto a punição pela não-obediência às diretivas geralmente limita-se ao banimento da associação. mesmo porque. atingindo apenas àqueles que tomassem conhecimento através de disciplinas de cursos. • Em alguns países. não existem órgãos fiscalizadores ou estruturas sindicais que zelam pelo bom desempenho do profissional. foram criadas sociedades que tentam suprir essa necessidade.

. por instituições. • A SUCESU (Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações) é outra entidade atuante no ramo. por ser composta. basicamente. mas que também não possui um código destinado aos profissionais da área. ajudando a formar profissionais qualificados. apenas um projeto baseado no código da ACM e da Britsh Computer Society. que exerce grande influência na comunidade da área de informática.Código de ética • No Brasil existe a SBC (Sociedade Brasileira de Computação). • Porém a SBC não possui um código de ética para orientar seus membros. uma vez que a maioria dos professores universitários da área são seus associados.

• Criado há mais de vinte anos. negligenciando temas de repercussão na atualidade como a privacidade. Arquitetura e Agronomia) e. propriedade. confidencialidade. . com isso adotar suas normas e o Código de Ética do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). as recomendações desse código não são específicas para a informática. não sendo propriamente destinado a trabalhadores de computação. Para isso. etc. este guia visava esclarecer dúvidas éticas no campo da engenharia tradicional. • Entretanto.Código de ética • Aos profissionais formados nos novos cursos de engenharia da computação é dada a possibilidade de se afiliar ao CREA (Conselho Regional de Engenharia. a fim de abranger essas novas necessidades. será necessário que ele passe por uma atualização.

Código de ética • Acredita-se que os profissionais da área de informática se comportem algumas vezes como engenheiros ou arquitetos (construindo ou supervisionando a elaboração de itens específicos) e outras como contadores (analisando financeira e comercialmente o mercado antes de iniciar o desenvolvimento de softwares e sistemas). . o Código de Ética dos Contabilistas também pode ser um boa fonte de consulta. principalmente para consultores. • Pensando desta maneira. auditores. além do próprio Código de Ética dos Engenheiros. proprietários de microempresas de informática ou para qualquer pessoa que trabalhe ou se relacione com atividades ligadas a área contábil. peritos.

visando construir ou manter uma sociedade livre. justa e solidária.Para com os empregadores. quando o profissional é um prestador de serviços ou consultor. se estes forem leigos como no caso dos empregadores. . usualmente quando estes não tem conhecimento na área e a supervisão técnica do trabalho é toda realizada com base na confiança.Para com a sociedade em geral. zelando pelo bem estar de todas pessoas sem qualquer discriminação.Para com os clientes.A necessidade de um Código de ética Um código de ética é formado basicamente por diretivas voltadas para seis aspectos de obrigações éticas: 1. 2. 3.

Para com a profissão em geral. com o objetivo de não difamar os outros trabalhadores da área e. . assim. a comunidade computacional. no caso. com o intuito de proteger os interesses da associação criadora do código e de seus membros.Para com a sociedade de classe.A necessidade de um Código de ética Um código de ética é formado basicamente de diretivas voltadas para seis aspectos de obrigações éticas: 4. 5. e colaboram para o bem estar de todos. que compartilham os mesmos interesses e necessidades.Para com os colegas de profissão. evitar que a profissão não seja malvista pelo restante da sociedade. 6.

• O código de ética. quando houver. serve como base para julgamento de casos mais complexos. em um conjunto de diretrizes que esclarecem as circunstâncias em que cada uma das resoluções se aplicam. junto com seus anexos e suplementos. . também. • Um código de ética consiste.A necessidade de um Código de ética • Existem situações. em que alguma dessas obrigações podem entrar em conflito com outra. e não é raro acontecer. utilizando princípios éticos que derivam de diretivas mais gerais. sendo necessário que o bom senso decida a prioridade entre elas.

uma análise detalhada do código de ética.A necessidade de um Código de ética • Percebemos a necessidade de um código de ética quando nos deparamos com uma divergência de opiniões. É preciso que haja uma concordância mínima entre as nações sobre princípios básicos como justiça. às vezes mal interpretados. sem um conjunto de princípios humanitários visando o bem comum. . • Não há dúvida da importância da ética para o desenvolvimento da humanidade pois. Nestes casos. igualdade. etc. solidariedade. as civilizações já teriam se autodestruído. prejudicados e protegidos pelos preceitos éticos. acompanhada de bom senso de partes neutras podem definir a atitude correta a ser seguida. aonde os envolvidos se acham. dignidade. cidadania. um código de ética não é o suficiente para o progresso moral de um povo. para que estes possam ser postos em prática. ambos. • Porém.

zelando pelo seu cumprimento. • Por outro lado. tem se pensado em regulamentar as profissões da área de computação. • Como os códigos de ética não dão garantia nenhuma da obediência a seus estatutos. No mundo profissional também é assim.A necessidade de um Código de ética • E isso ainda não é o bastante. . É necessário que cada cidadão assimile estes princípios e incorpore-os na prática diária. muitos não concordam com a criação de tal instituição e essa divergência tem causado debates calorosos entre defensores das duas ideias. criando um conselho com autoridade para fiscalizar e penalizar aqueles que não cumprirem seu regulamento.

• Por outro lado. defendendo a criação do CONIN (Conselho Nacional de Informática) e de projetos de lei pra regulamentação da profissão. que é sua maior rival. a SBC mostra-se a maior defensora da não regulamentação defendendo a liberdade do exercício do profissional. sem necessidade de submissão a instituições que só burocratizariam e limitariam a atuação deste profissional em prol de seus interesses. . embora haja pontos de concordância nas opiniões acerca da qualidade de ensino e da criação de um código de ética. temos a FENADADOS (Federação Nacional dos Empregados de Empresas de Processamento de Dados). • Os argumentos de cada lado são muito convincentes.Regulamentação da profissão • No Brasil.

2. Criação de um conselho de classe específico com normas mais cabíveis pra área. Um conjunto de normas técnicas seria criado. Trabalhadores antiprofissionais ou antiéticos não teriam vez no mercado. 8. Unificação das variadas profissões da área e utilização de nomenclaturas apropriadas. 3.Regulamentação da profissão • 1. Profissionais qualificados teriam emprego garantido. 6. Fim da separação entre os profissionais de computação e demais profissões regulamentadas. . A ética profissional seria melhor estabelecida. 4. 5. 7. Entre as argumentações a favor da regulamentação se destacam: Os serviços prestados seriam de melhor qualidade.

5. A velocidade das mudanças no setor dificultaria a definição das atribuições do profissional e a legislação não conseguiria acompanhá-las com seu ritmo lento. 6. Normas Técnicas e um código de ética podem ser estabelecidos sem a necessidade de regulamentação da profissão. o que num contexto dinâmico como o da informática. 2. 3. . Há uma grande dificuldade em definir quem exerce a profissão devido a grande quantidade de programadores informais que atuam nas mais diversas áreas. Seria estabelecido um currículo mínimo. se tornaria obsoleto rapidamente. assim como a falta de um não significa falta de profissionalismo. Um diploma não é garantia de qualidade.Regulamentação da profissão • A oposição a essas alegações se dá com as seguintes justificativas: 1. 4. A sociedade já possui leis suficientes pra punir um mal profissional da informática.

8.Regulamentação da profissão 7. bons profissionais ficariam de fora. A necessidade de registro para exercer a profissão criaria reserva de mercado para profissionais estrangeiros. pois a natureza destes não permite que os programadores assumam total responsabilidade pelos problemas (bugs) que venham a apresentar. Devido a reserva de mercado. 11. Aumento do preço dos produtos produzidos pelos profissionais qualificados. 9. 12. As normas técnicas não poderão dar garantia de qualidade total aos programas. . não para os profissionais. auxiliando o crescimento do desemprego no Brasil. Há necessidade de testes de qualidade apenas para os produtos e os softwares. 10. A fiscalização só poderia ser realizada por outros integrantes da classe.

Regulamentação da profissão • Apesar de tantas objeções. Portanto. • Com ou sem regulamentação. criando sua própria proposta bem ao estilo do copyleft do projeto GNU. cedo ou tarde. Mas não apoia a criação de qualquer conselho para proteger seu código. dando ampla liberdade para o exercício profissional. algum projeto de lei que regulamenta a profissão de analista de sistemas será aprovado. a sociedade necessita de normas para serem seguidas não só pelos profissionais de informática como por qualquer aventureiro que se atreva a experimentar o poder da computação e verificar o quão frágeis são as pessoas frente ao computador. ela toma a frente. . a SBC assume que a regulamentação da profissão é inevitável e. utilizando de um artifício legal e citando inclusive artigos da Constituição para justificar sua posição. • Esse normativo precisa ser dinâmico para acompanhar a constante aceleração das mudanças que ocorrem no contexto da ética na informática.

br/vanderlei18.inf.ufpe.edu.htm • http://www.htm • http://www.com.html • http://ifpiparnaiba.br/~if679/docs/20031/dfs2%20e%20gfa/etica%20na%20computacao.inf.PDF • http://www.Bibliografia • http://www.br/unidade1_ep_ti_fg.com/articles/9551/1/EticaProfissional/pagina1.br/~falqueto/aGraduacao/INE5621_Info_Soc/Tex tos_Etica/etica_conceitos_classific.pdf • http://www.br/~fvarejao/cs/etica.doc .mundodosfilosofos.ufsc.webartigos.ufes.cin.

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