Estudos

Inovação
Setoriais de

Indústria de Bens de Capital

AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL

Projeto: Estudo sobre como as empresas brasileiras nos diferentes setores industriais acumulam conhecimento para realizar inovação tecnológica

Relatório Setorial:

INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL

Pesquisadores: Bruno Araújo (IPEA)

Belo Horizonte, Fevereiro de 2009

1

.SUMÁRIO

1.  INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3  2 .INTERAÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL ............................................ 6  3. O SETOR DE BENS DE CAPITAL: BREVE HISTÓRICO, DESEMPENHO RECENTE E CONTEXTO INTERNACIONAL ............................................................................................................ 14  3.1 BREVE HISTÓRICO................................................................................................... 14  3.2 CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS E DESEMPENHO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA BENS DE CAPITAL EM PERÍODO RECENTE (1996-2006) .................................................................. 16  4. EMPRESAS LÍDERES NO SETOR DE BENS DE CAPITAL ................................................... 38  5.  INOVAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS FIRMAS COM O SISTEMA DE INOVAÇÃO .......................... 46  5.1 O PROCESSO E O GERENCIAMENTO DA INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL .. 49  5.2 INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL, A PARTIR DAS PESQUISAS DE INOVAÇÃO 52  5.3 ESTRATÉGIAS DE INOVAÇÃO .................................................................................... 63  5.4 DISTINÇÕES ENTRE EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS ...................................... 79  5.5 APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO................................................................ 84  5.6 INVESTIMENTO E FINANCIAMENTO AO INVESTIMENTO E ÀS EXPORTAÇÕES .................... 88  6.COMENTÁRIOS FINAIS E IMPLICAÇÕES DE POLÍTICAS PARA O SETOR ............................... 98  7. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 101 

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1. pode ser considerada um bem de capital. sem os quais este trabalho não teria sido possível. João De Negri e Lenita Turchi. e é profundamente grato ao apoio estatístico de Patrick Alves. sem que haja transformação dos mesmos (a exemplo do que ocorre com os insumos). estão sob análise os seguintes setores segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 1. 1 O autor agradece os comentários de Fernanda De Negri. seja em produto. a rigor o que define um bem como bem de capital é sua utilização contínua em processos produtivos. e 296 . erros e omissões são de responsabilidade exclusiva do autor. 3 . Geovane Lopes. sob a denominação de bens de capital estão agrupados diversos bens: afinal. bombas. Eric Jardim. Gustavo Alvarenga e Calebe Figueiredo. Utilizando um exemplo simples.Fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso específico. compressores e equipamentos de transmissão. mas quando num bar ou restaurante. bem como a ênfase histórica de políticas governamentais neste segmento. recorrendo a um exemplo comumente citado. uma mesma geladeira. Quase nunca se inova. INTRODUÇÃO1 Conceitualmente. Edson Domingues e Pedro Amaral. 292 . catalisador de inovações e do crescimento da produtividade. Sem embargo. enquanto que para uma família ele é considerado um bem de consumo durável. O estudo do setor de bens de capital. o foco do presente estudo consiste nos bens de capital de uso exclusivo em processos produtivos. Ou ainda. Heitor Gama. seja em processo. Assim. Naturalmente. justificam-se pelo fato deste setor ser difusor de progresso técnico.0): 291 Fabricação de motores.Fabricação de máquinas e equipamentos de uso geral. 294 .Fabricação de máquinas-ferramenta. é um bem de consumo durável. quando numa residência. sem a aquisição de novas máquinas ou equipamentos. um mesmo veículo pode ser considerado um bem de capital para uma empresa de serviços gerais.

o setor de bens de capital é o setor dos specialised suppliers. enquanto na fabricação de bens de capital sob encomenda as economias dinâmicas (aprendizado e repetição) são cruciais. o papel do cliente na produção dos bens de capital não-seriados não se restringe às adaptações dos produtos. a escala de produção é muito importante. os bens de capital não-seriados são produzidos especialmente para um determinado comprador. Não raro. os bens de capital se dividem em bens seriados e especiais. Segundo a taxonomia de Pavitt (1984). Por exemplo. é crucial para a agregação de valor a busca de sinergia com empresas de EPC . uma vez que tradicionalmente parte multiplicador “vaza” para as importações nos ciclos de crescimento. Naturalmente. há características que os aproximam também às outras categorias desta classificação. intensiva em escala (scale intensive) enquanto a fabricação de bens de capital sob encomenda demanda trabalho especializado e pode originar suas próprias rotas tecnológicas (science based). ou sob encomenda. a fabricação de bens de capital seriados é. Alem e Pessoa (2005) ressaltam a importância do desenvolvimento do setor para o aumento do efeito multiplicador do investimento. As máquinas seriadas são produzidas em larga escala. como uma usina elétrica. Por outro lado. Contudo. em parte. Por isso mesmo. Para os fornecedores de bens de capital sob encomenda. os fatores-chave para a competitividade e o processo de acumulação de conhecimento nestes dois segmentos são bem distintos: para os produtores de bens de capital seriados.Do ponto de vista macroeconômico. sem grande especificidade com respeito ao comprador. o desenvolvimento do setor de bens de capital contribui para o alívio da restrição externa ao crescimento: quanto menor for a elasticidade renda das importações – e os bens de capital são um forte componente desta elasticidade – menor será esta restrição externa ao crescimento. uma montadora de automóveis ou uma siderúrgica.Engineering. Procurement and 4 . Em relação ao processo produtivo. muitas vezes o próprio projeto é desenvolvido com o cliente.

a seção 6 tece os comentários finais e analisa as implicações de política do estudo. a fim de superar os desafios competitivos presentes neste segmento. segmento que presta serviços a grandes empresas que contratam bens de capital sob encomenda. grandes desafios para os epecistas brasileiros são a falta condições de financiamento competitivas internacionalmente e maior capacidade de engenharia.com foco preferencial nas empresas-líderes capazes de acumular conhecimento e difundir inovações -. execução etc). 5 . enquanto a seção 3 contém um breve histórico do setor no Brasil e um balanço do desempenho do setor nos últimos anos. Feitas estas considerações iniciais.Construction –. Finalmente. a próxima seção traz uma breve descrição das interações econômicas do setor de bens de capital com o resto da economia. contratação. e assumem a responsabilidade por todo o projeto (engenharia. portanto. sendo. A seção 4 caracteriza as empresas líderes do setor e estuda a dinâmica de acumulação de conhecimento no setor. este relatório tem por objetivo estudar o processo de acumulação de conhecimento e inovação no segmento de bens de capital . Na seção 5 é dada atenção especial ao financiamento ao investimento. à inovação e às exportações neste segmento. Entretanto. a principal parte deste trabalho. Para isto.

e a participação nacional nesse componente é de cerca de 80%. Os dados indicam que o principal demandante de bens de capital é a formação bruta de capital fixo (FBCF). Um indicador similar é observado para Máquinas-Ferramenta.2 . representando 18. e as exportações.4%) apenas para as máquinas de uso específico. Vale lembrar que as vendas intermediárias de máquinas e equipamentos são representativas apenas para o sub-setor de “manutenção e reparos”. que compõe a formação bruta de capital fixo (FBCF) da economia.4 e 16% da demanda. alcançando uma participação mais importante (10. Para Máquinas de Uso Geral e Maquinas de Uso Específico as exportações são menos significativas. As exportações são mais significativas para Motores.INTERAÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL Para a análise das interações econômicas do setor. representando cerca de 30% da demanda do setor. Máquinas de uso geral. A TABELA 1 apresenta a decomposição das vendas nessas categorias. formação bruta de capital fixo (investimento) e outras demandas (consumo do governo e variação de estoques). e mostra-se pouco relevante. as vendas setoriais do setor de bens de capital foram decompostas em 4 categorias para a demanda final: exportações. o principal destino da produção de máquinas é o investimento das empresas. Vale lembrar que quase 17% da FBCF brasileira é composta por Máquinas e Equipamentos. Máquinasferramentas e Máquinas de uso específico) representam cerca de 70% da FBCF em máquinas e equipamentos. para o qual as exportações representam 27% da demanda. A demanda intermediária concentra-se apenas nos próprios setores. Assim. consumo das famílias. acima de 60% da demanda total. A demanda intermediária corresponde ao consumo de todos os setores produtivos da economia. Os dados indicam que os quatro setores de bens de capital estudados (Motores. respectivamente. que não está em foco neste estudo. 6 .

elaboração própria da equipe do projeto.00 1.86 62.019 0.0 -0. seguido das exportações.014.00 3.30 2.4 89.9 3.9 5.394.00 2.531.0 27.00 11.1 18.73 Demanda Total Intra-Setorial (1+2+3+4) (R$ milhões) 15.93 9.00 7.3 -0. Metalurgia de metais não-ferrosos. Produtos de metal .044.44 das famílias de capital fixo (3) (2) 140. DISTRIBUIÇÃO DAS VENDAS SETORIAIS.9 16. Para se ter uma análise mais concisa as cadeias foram ampliadas com os elementos mais significativos da demanda final (FBCF e exportações). uma vez que as vendas intermediárias e as vendas inter-setoriais entre os quatro setores não são significativas.219.32 1.59 -1. RAIS.68 544.58 -0. 2005) Demanda Final (R$ milhões) Consumo Exportações (1) Formação bruta Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 5. as vendas para FBCF são as mais significativas.079. As Figuras 1 a 4 apresentam as cadeias produtivas dos quatro setores de bens de capital analisados.575.TABELA 1 .82 Outras Demandas (4) -2.28 1. Um grupo de 5 setores representa os insumos mais importantes nesses setores (mais de 80% das transações com fornecedores): Fabricação de aço e derivados.44 210. entretanto.1 94.00 80.212.98 10.4 Demanda Final (% do total) Formação Outras bruta Demandas (4) das famílias de capital fixo (2) (3) 0.518. POR CATEGORIA DA DEMANDA FINAL E INTERMEDIÁRIA (VALOR E % DA DEMANDA TOTAL. 7 .exclusive máquinas e equipamentos.4 Fonte: MIP 2005.2 -0.31 0. PIA.1 96.00 67.15 13.4 -0.915.217.254.017 Consumo Demanda Total Intra-Setorial (% total) (1+2+3+4) 95. uma maior importância das exportações para Motores e Máquinas-Ferramenta (cerca de 50% das vendas para FBCF).308. Percebe-se. Refino de petróleo e coque e Plástico.20 0.00 71.6 4. Como ressaltado anteriormente. enquanto para Máquinas de uso Geral e Específico as exportações representam apenas 20% do volume de vendas para FBCF.39 -2.016 0.6 10.015 0.53 805.38 Exportações (1) Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 31.26 0.

DE USO GERAL (CNAE 292). CADEIA PRODUTIVA DE MOTORES. 8 . DE TRANSMISSÃO (CNAE 291). BOMBAS. FIGURA 2. COMPRESSORES E EQ. 2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005. CADEIA PRODUTIVA DE MÁQUINAS E EQ. elaboração própria da equipe do projeto. 2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005.FIGURA 1. elaboração própria da equipe do projeto.

2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005. CADEIA PRODUTIVA DE MÁQUINAS E EQ. elaboração própria da equipe do projeto. FIGURA 4. DE USO ESPECÍFICO. 2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005. elaboração própria da equipe do projeto. 9 . CADEIA PRODUTIVA DE MÁQUINAS-FERRAMENTA (CNAE 294).FIGURA 3.

foram obtidos para cada um dos setores.06 1.05 1.7 47. elaboração própria da equipe do projeto. 10 . de acordo com a qualificação (educação) dos trabalhadores: superior. Nota-se também os elevados coeficientes de emprego inferior para Máquinas de Uso Geral e Máquinas de Uso Específico. Cabe ressaltar que os multiplicadores dos setores de bens de capital estão acima da média observada para a economia brasileira em 2005. os efeitos do setor sobre a economia se propagam por mais setores. e. A TABELA 3 indica que a participação de emprego de nível médio é a mais significativa e o coeficiente de emprego superior é bastante baixo.83 Direto (A) 1. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 49. assim como sua distribuição entre efeitos diretos e indiretos.A TABELA 2 apresenta os multiplicadores simples de produção do setor.15 2.21 2.5 Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico Fonte: MIP 2005.17 1. Máquinas de Uso Geral (CNAE 292) e MáquinasFerramenta (CNAE 294) são semelhantes.09 1. no qual prepondera o efeito indireto (60% do multiplicador).6 60. TABELA 2 .71 Participação no mult.12 2.04 1. Os resultados indicam um multiplicador mais elevado para Máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296). Os dados de emprego por setor foram distribuídos por 3 componentes.5 50. MULTIPLICADOR SIMPLES DE PRODUÇÃO. médio e inferior.07 1.8 50. Nesse caso. conjugados com o modelo de insumo-produto. (2005) Multiplicador Simples de Produção Total (A+B) 2.4 39. Coeficientes de emprego. Os multiplicadores para Motores (CNAE 291).12 Indireto (B) 1. permitem que se obtenham multiplicadores de emprego para os setores analisados.3 52.2 49. relativamente ao observado nos demais. que representam o número de trabalhadores dividido pelo valor da produção.

22 3.56 0. 2005) Todos (A+B+C) Superior (A) 1. COEFICIENTES SETORIAIS DE EMPREGO (OCUPAÇÕES/VALOR DA PRODUÇÃO EM MILHÕES DE REAIS DE 2005) Coeficiente de emprego por nivel de educação Todos Superior Médio Inferior Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 2. PIA. TABELA 4 . Os multiplicadores de emprego representam.9 12.43 0. assim.6 12.62 0.36 6. A composição por nível educacional desse multiplicador indica a preponderância na geração de emprego de nível educacional médio e inferior para todos os setores.2 7.2 Médio (B) 7.47 2. a capacidade de geração e propagação de empregos na economia decorrente da expansão da produção (ou demanda) dos seus produtos.59 2.9 9.7 17. elaboração própria. seguido de Máquinas de Uso Geral.1 9. RAIS. Máquinas-Ferramenta e Motores. Os resultados se relacionam aos multiplicadores simples de produção. Seu cálculo segue o descrito em Miller e Blair (1985). Assim.90 6. RAIS.4 Fonte: MIP 2005. 11 . elaboração própria.21 1. PIA.66 1. Os multiplicadores de emprego são obtidos a partir dos coeficientes de emprego de todos os setores da economia e da matriz de multiplicadores (inversa de Leontief).9 3.3 1. o setor de Máquinas de Uso Específico apresenta o maior multiplicador de emprego (28 empregos por 1 milhão de reais de demanda).53 Fonte: MIP 2005. os multiplicadores indicam quais setores possuem capacidade relativamente maior de geração de emprego na economia.88 1.7 2.8 20.00 2.4 Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 15.2 7.98 2.49 4.85 0.9 Inferior (C) 6. para cada setor.3 28. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES. A TABELA 4 apresenta os multiplicadores de emprego para os setores de bens de capital analisados. tanto em termos totais como por qualificação (nível educacional) da mão-de-obra.TABELA 3 .

2 21.28 5. os multiplicadores de emprego foram decompostos nos seus efeitos diretos e indiretos.10 2. A TABELA 5 apresenta a decomposição do multiplicador de emprego total para o setor de Motores.88 3.24 62. 7 e 8). PIA.72 30.39 Participação no mult. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) 2. Estes indicadores revelam a capacidade de geração de empregos do setor além da geração própria. PIA. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MÁQUINAS DE USO GERAL (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES . RAIS.20 66. Essa composição dos multiplicadores também ocorre nos demais setores de bens de capital (Tabelas 6. indicando sua capacidade de encadeamento intra e inter-setorial.3 84. Importante notar a relevância da geração indireta de empregos nos multiplicadores. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MOTORES (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES .05 Indireto (B) 1. TABELA 6 .7 15.77 Indireto (B) 1.10 6. TABELA 5 .76 Superior Médio Inferior Fonte: MIP 2005.74 7.56 5. elaboração própria.10 6.33 9.28 69. indicando uma maior internalização setorial dos efeitos multiplicadores nesse setor. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) Direto (A) 0.Similarmente ao obtido na TABELA 2 . especialmente no nível de qualificação inferior.8 Superior Médio Inferior 1.91 Fonte: MIP 2005.45 6.16 Direto (A) 0. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 37. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 26.54 1.80 33.8 78. elaboração própria. No setor de Máquinas de Uso geral o componente direto no multiplicador é um pouco superior ao dos demais setores.20 9.45 1. 12 .86 Participação no mult. RAIS.2 73.

MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MÁQUINAS DE USO ESPECÍFICO (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES. 13 .56 5. PIA.35 1.18 9.33 77.19 70.82 68.88 12.81 29.83 Indireto (B) 2.38 Direto (A) 0.09 27.56 Direto (A) 0.16 12.TABELA 7 .67 22. RAIS. elaboração própria.77 22.58 2.21 68. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) 3.68 Indireto (B) 1. TABELA 8 .91 72.79 Superior Médio Inferior Fonte: MIP 2005. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MÁQUINAS-FERRAMENTA (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES . elaboração própria.56 Participação no mult.18 Superior Médio Inferior Fonte: MIP 2005. PIA.86 7. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) 1.27 5.30 9. RAIS. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 31.59 2.98 3.91 7.23 77. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 31.88 Participação no mult.

Durante o período ISI. o Brasil apresentava uma indústria de bens de capital bem diversificada. vedava a importação de máquinas e equipamentos com similar nacional. A respeito dos desafios competitivos vivenciados pela indústria de bens de capital frente à abertura. importando bens de maior intensidade tecnológica. os valores unitários de importação dos bens de capital sempre superam os de exportação até o final da década de 90. 14 . veja Ferraz. 2 A respeito de um histórico mais detalhado sobre a indústria de bens de capital no Brasil. pois havia verticalização excessiva e alguns segmentos e carência de escala eficiente de produção. a indústria nacional concentrou-se na produção de bens de menor conteúdo tecnológico.1 BREVE HISTÓRICO2 A despeito de constar no Plano de Metas de JK (1956-61). DESEMPENHO RECENTE E CONTEXTO INTERNACIONAL 3.3. facilitava a importação de bens de capital sem similar nacional com benefícios fiscais. veja Resende e Anderson (1999) e Pereira e Resende (1996). do outro. O segmento de máquinas-ferramenta se destacava como o subsetor mais competitivo. Kupfer e Haguenauer (1995. visando à modernização do parque industrial. Como resultado. Com efeito. a indústria de bens de capital no Brasil só se consolidou a partir do II PND. 6). o Brasil contava com uma política com respeito ao setor contraditória em termos (Erber e Chudnovsky. Ao início dos anos 80. no final dos anos 1970. O SETOR DE BENS DE CAPITAL: BREVE HISTÓRICO. cap. Em verdade. como apontam Resende e Anderson (1999). a consolidação de uma indústria de bens de capital é o último estágio do processo de industrialização por substituição de importações (ISI). 1998): de um lado. porém pouco competitiva em termos internacionais.

se até a abertura dos anos 90 a pauta de importações de bens de capital era complementar à produção nacional. ao longo da década de 90 a indústria de bens de capital perdeu dinamismo e se viu obrigada a passar por um severo processo de reestruturação produtiva. reduzir custos. a carga tributária incidente sobre o investimento e a estrutura tributária “em cascata” e o baixo dinamismo da economia haviam forçado a indústria de bens de capital a demitir e deixar de investir em P&D. a situação mudou drasticamente nos anos pós-abertura. Diante deste cenário. adotar técnicas de gerenciamento Just-in-time com fornecedores. automatizar processos. Ao mesmo tempo. antes complementares à produção nacional. Kupfer e Haguenauer. atrasou-se a integração entre a indústria de bens de capital e a eletro-eletrônica e robótica e a adoção de sistemas CAD/CAM. Muitas fábricas se transformaram em meros representantes comerciais dos fabricantes 15 . Assim. e as carências de alguns elos da cadeia de fornecedores nacionais para a indústria de bens de capital – uma deficiência histórica – se mostraram ainda mais evidente. passaram a competir com ela. A participação dos componentes importados na produção nacional cresceu bastante. contribuiu ainda para o relativo retardo tecnológico da indústria de bens de capital nacional à época da abertura a Política de Informática. de forma que nos ciclos de investimento aumentava-se tanto o quantum produzido domesticamente quanto o quantum importado o Brasil. as condições de financiamento – tanto para a produção quanto para a comercialização dos bens de capital –. pois. Em especial.Contudo. se desverticalizar. a instabilidade macroeconômica. com a reserva de mercado para certos equipamentos. ao longo da década de 90 as importações. ainda que contassem com Imposto de Importação para a importação de bens em que há produção de similar nacional. com notáveis perdas de capacidades inovativas adquiridas (Ferraz. 1995). Várias firmas apontavam a necessidade de aumentar a flexibilidade produtiva.

Conforme apontado por Resende e Anderson (1999). Um sintoma disto é a baixa escala de produção o peso no faturamento industrial que a indústria de bens de capital tem no Brasil em relação a economias maduras como os Estados Unidos. tanto os seriados quanto os não seriados. no curto e médio prazos a abertura das importações de bens de capital representou ganhos de eficiência e competitividade para toda a economia. Como sabido. Alemanha. bem como a taxa de investimento/PIB da economia brasileira. Taiwan. Ainda que tenha destaque na produção de máquinas-ferramenta e seja um dos poucos países em desenvolvimento a ter uma indústria de bens de capital – ao lado de Coréia do Sul. 3. Nota-se que durante o ano de 2004 e o começo de 2005 há um crescimento na demanda de bens de capital. contudo. o fato é que o Brasil não foi capaz de desenvolver uma indústria de bens de capital que estivesse no vértice do sistema nacional de inovação. Japão. no segundo semestre de 2005 o Banco Central restringiu a política monetária frente à ameaça de inflação. França e Inglaterra. acompanhando a retomada do crescimento verificada em 2004.internacionais. a partir de 2003. o que reduziu os 16 . O GRÁFICO 1 a seguir mostra a produção física dos bens de capital para fins industriais. fonte geradora e difusora de inovações para o resto da economia brasileira. no longo prazo há de se levar em conta o enfraquecimento/perda de dinamismo de segmentos com elevado conteúdo tecnológico e com alto potencial de difusão de inovações. Isto pode comprometer a competitividade futura da indústria tanto de bens de capital quanto em geral.2 CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS E DESEMPENHO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA BENS DE CAPITAL EM PERÍODO RECENTE (1996-2006) O desempenho da indústria de bens de capital é condicionado pelo ciclo de investimentos da economia. China e México -.

08 Bens de capital para fins industriais Bens de capital para fins industriais n‹o-seriados Bens de capital para fins industriais seriados Fonte: Pesquisa Industrial Mensal (PIM – IBGE). A PREÇOS DE 2006) 25.07 abr.00 15.investimentos durante aquele período. acompanhando o novo ciclo de crescimento.06 abr.06 jan. que atingiu um pico de crescimento em sua taxa anualizada de 17% em novembro de 2008.08 jan.08 jul.05 abr.04 out.00 -5. só vindo a desacelerar a partir de julho de 2008 devido aos primeiros sintomas da crise financeira internacional. elaboração própria da equipe do projeto.00 10.06 jul.04 jul.03 abr.05 jan. mais sensível ao ciclo de investimentos.00 -10.05 out. GRÁFICO 1.08 out.00 20.06 out.03 jul.03 jan.00 abr.00 -15.03 out.04 jan.00 5. 17 . Deve-se destacar a aceleração do crescimento na produção de bens de capital não-seriados.07 jan.07 out.07 jul. a produção física de bens de capital voltou a crescer a partir do segundo semestre de 2006.04 abr. TAXA DE CRESCIMENTO DA PRODUÇÃO FÍSICA DE BENS DE CAPITAL (ACUMULADO DOS12 MESES ANTERIORES = 100) E TAXA DE INVESTIMENTO (FBKF/PIB. Contudo.00 0.05 jul.

Conforme se verá mais adiante. como esperado.19 18 17 16 15 14 13 12 2003 T1 2003 T2 2003 T3 2003 T4 2004 T1 2004 T2 2004 T3 2004 T4 2005 T1 2005 T2 2005 T3 2005 T4 2006 T1 2006 T2 2006 T3 2006 T4 2007 T1 2007 T2 2007 T3 2007 T4 2008 T1 2008 T2 2008 T3 Fonte: Ipeadata. 18 . sofrendo uma queda abrupta em 2001-2002 e não recuperando o patamar de 2000. o consumo aparente de bens de capital (produção doméstica – exportações + importações) segue também este comportamento prócíclico. de forma que o ciclo de crescimento no Brasil vivido a partir de 2004 teve impacto positivo sobre a indústria nacional de bens de capital. pelo menos até 2006. o que chama a atenção é o fato de a participação das importações no consumo aparente ser especialmente sensível à conjuntura econômica. a crise de 20012002 e a depreciação cambial vivida no período frearam as importações. de forma que a curva de participação das importações no consumo aparente apresenta forma de “U”. Contudo. De fato. E isto é verdade para todos os setores analisados.

00% 38.000 20.000.00% 6.00% 30.00% 4.000.GRÁFICO 2.000 10.00% 32.00% 10.003 2.000.00% 18.000.000.00% 0.000.000.000 14. compressores e eq.000.00% 2.000 20.000 0 Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente 19 .00% 8.000.00% 12.000.004 2.000.000.00% 40.000.000.000 6.00% 34. CONSUMO APARENTE DE BENS DE CAPITAL E PARTICIPAÇÃO DAS IMPORTAÇÕES NO CONSUMO APARENTE.000.000.000.000 2.000 10.006 0.000.00% 14.000 2.004 2.00% 16.000.000.00% 18.000.00% 2. 2000-2006 Total 44.000.000.000 12.000. bombas.001 Consumo Aparente 2.000 8.001 Consumo Aparente 2.000.000. de transmissão (CNAE 291) 18.00% 12.000.000.000 2.000 2.000 2.000 8.00% 36.000 14.000.003 2.005 2.000.000.002 2.000.00% 6.000 16.000.002 2.000 4.00% 4.006 16.000 Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente Motores.000.005 2.00% 42.

000 15.000.500.000.00% 4.Máquinas de uso geral (CNAE 292) 16.000.000.000 5.500.002 Consumo Aparente 2.003 2.000 2.006 0.000.000 12.000 1.000.000 2.000 10.000.000.000.000.00% 12.000.001 2.000.000.000 25.00% Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente 20 .000.000 2.500.000 14.00% 1.004 2.000.00% 6.006 0.000.004 2.00% 10.002 2.000.000.00% 3.000.000 2.000.000.00% 3.000.00% 2.000 10.000 8.00% 0 2.000.00% 8.005 2.000 4.000 20.000.001 Consumo Aparente 2.000 6.000 0 2.00% 500.000.00% 14.003 2.000.000 2.000.00% Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente Máquinas-ferramentas (CNAE 294) 4.000.005 2.

conforme o GRÁFICO 3 esta cresceu consistentemente nos setores de motores.000 15. e apresenta tendência de queda no setor de máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296).000. Segundo a PIA – Pesquisa Industrial Anual.000.Máquinas de uso específico (CNAE 296) 12.000 25.00% Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente Fonte: PIA e SECEX.000.00% 4.000.000.006 0.000 10.00% 8.003 2.001 Consumo Aparente 2.00% 2.000. 3 A preços de 2005.000 0 2.000 20.000. 21 .3 bilhões de reais em 1996 para R$ 40 bilhões em 2006.005 2.000 5. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) e de máquinas-ferramenta (CNAE 294).000. bombas. o faturamento dos segmentos analisados no período cresceu de R$ 28.000.000. elaboração própria da equipe do projeto.00% 10.00% 6.3 Quanto à produtividade simples do trabalho (Valor de Transformação Industrial/Pessoal Ocupado). deflacionado pelo IPA-OG – FGV. enquanto no setor de máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292) ela tem forma de “U”entre 1996 e 2006.004 2.002 2.000 2.000.000.

GRÁFICO 3. MOTORES. VALOR DE TRANSFORMAÇÃO INDUSTRIAL E PRODUTIVIDADE APARENTE DO TRABALHO: INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL. BOMBAS. COMPRESSORES E EQUIPAMENTOS DE TRANSMISSÃO (CNAE 291) 18000000 82 16000000 80 14000000 78 76 12000000 74 10000000 72 8000000 70 6000000 68 4000000 66 2000000 64 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 62 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE USO GERAL (CNAE 292) 16000000 74 14000000 72 12000000 70 10000000 68 8000000 66 6000000 64 4000000 62 2000000 60 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 58 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) 22 . RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS. 19962006.

23 . elaboração própria da equipe do projeto.MÁQUINAS-FERRAMENTA (CNAE 294) 3500000 80 3000000 70 60 2500000 50 2000000 40 1500000 30 1000000 20 500000 10 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 0 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE USO ESPECÍFICO (CNAE 296) 10000000 70 9000000 60 8000000 50 7000000 6000000 40 5000000 30 4000000 3000000 20 2000000 10 1000000 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 0 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) Fonte: PIA.

compresssores e eq.37 0.18 0.02 0.02 0.02 CR4 (%) 0.03 0.35 0.30 0. e eq.31 0.02 0.20 0.03 0.15 0.39 0.05 0.20 0.05 0.33 0.14 0.02 0.41 0.20 Máquinas e eq.15 0. elaboração própria da equipe do projeto.01 0.03 0.05 CR4 (%) 0.02 0.04 0.39 0.41 0. de transmissão (CNAE 291) Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 HHI 0.23 0.17 Fonte: PIA. pode-se afirmar que o setor de bens de capital é um setor levemente concentrado.19 0. o que indica que as fases descendentes dos ciclos econômicos tendem a prejudicar mais as empresas menores.01 0.03 0.18 0.05 0.16 0.41 0. um fator chama a atenção: em períodos de desaceleração do ciclo de investimentos e deterioração das expectativas empresariais.15 0.35 0.05 0.01 0.05 0.26 0.03 0. em todos os segmentos analisados (TABELA 9 ).01 0. de uso específico (CNAE 296) HHI 0.17 0.21 0.37 0.06 0.02 0. independentemente do segmento.04 0.29 0. TABELA 9 .20 0.Do ponto de vista concorrencial.02 0.14 Máquinasferramenta (CNAE 294) HHI 0.05 0.01 CR4 (%) 0. como se percebe pela análise dos índices de Herfindhal-Hirschmann (HHI) para o faturamento e também market share das quatro maiores empresas do setor (CR4). de uso geral (CNAE 292) HHI 0.39 0.02 0.02 0.05 0.02 0.24 0.41 0. verifica-se um aumento na participação das maiores empresas do setor. CONCENTRAÇÃO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL.34 0.20 0.38 Outras máq.01 0.06 0.22 0.29 0.33 0. como nos períodos 1998-1999 e 2001-2002.01 CR4 (%) 0.01 0.01 0.24 0.20 0.02 0.02 0.05 0.14 0. bombas.02 0. 19962006 Motores. Contudo.05 0.17 0.03 0. 24 .04 0.

o maior crescimento do número de empresas se deu na faixa de 1 a 9 empregados. o qual manteve uma relação empregados/empresa praticamente estável (aproximadamente 22 empregados/empresa).374 34.404 348 174 49 38 12 12 633 Nº de empregados 11. bombas.305 43.051 53.579 48.790 467 283 55 38 8.603 2. após uma redução entre 1996 e 2000.233 24.964 3. Em termos gerais. enquanto o número de empregados.856 2. Conforme a TABELA 10 .488 6.509 8.346 23.153 3. NÚMERO DE EMPRESAS NO SETOR DE BENS DE CAPITAL.422 17.334 Nº de empresas 4.105 44.Desde 1996.107 43. compresssores e eq.248 4. a relação empregados/empresa era de 34.035 42.8 em 1996.236 346 250 61 59 11 14 741 2006 Nº de empregados* 18.124 18.638 30.521 2.512 345 259 71 44 5. passou a 24. a indústria de bens de capital vem aumentando o número de firmas. atingindo 26.303 4.076 349 204 53 30 7.233 370 203 52 39 9 12 685 2000 Nº de empregados 16.781 40. POR PORTE.232 Nº de empresas* 4.390 19.173 1. 19962006 1996 Subsetor Porte 1a9 10 a 49 50 a 99 Todos 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1a9 10 a 49 Motores. de transmissão (CNAE 291) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos Nº de empresas 3. voltou a se recuperar entre 2000 e 2006.064 4.801 5.3 em 2000 e voltou a crescer em 2006.803 33.270 25 .155 1.732 221. TABELA 10 .534 40.974 21.729 4.642 175.517 3.922 1.577 59.249 24.543 1. o que pode indicar um aumento do número de representantes comerciais no mercado nacional de bens de capital. Este movimento foi generalizado em todos os subsetores à exceção do segmento de máquinas-ferramenta.9.471 24.485 42.492 188.374 5. Esta dinâmica de emprego no setor provavelmente se deve às oscilações macroeconômicas vividas nestes dois períodos.

e podem não conferir com as tabulações a partir da PIA.640 1.221 17.293 5.997 4.432 60.028 12.1a9 10 a 49 Máquinas e eq. de uso específico (CNAE 296) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1.253 14.178 1.019 157 77 23 8 3.747 21.771 1.300 22. 55% do faturamento e 43% dos lucros totais desta indústria.406 4.617 12.697 1.678 75.405 11.300 310 114 15 19 7 3 468 1. de uso geral (CNAE 292) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1a9 10 a 49 Máquinasferramenta (CNAE 294) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1a9 10 a 49 Outras máq.174 346 9.363 70.834 10.225 2.878 8.537 7. de acordo com a TABELA 11 . Com 26 . elas respondem por 31% do pessoal ocupado.Os valores expressos na tabela 2 se referem a todas as empresas com mais de 1 empregado.160 555 144 109 25 10 2.080 8.416 12.499 72.731 15.955 10.606 715 116 78 16 6 2.581 16.917 6. que em geral se referem a empresas com mais de 30 empregados.959 Fonte: RAIS * .521 2.857 441 246 35 14 1 4 741 1.638 974 173 83 18 11 2.897 8.386 965 3.054 2.049 18.747 28.745 50.268 12.685 1.708 8.500 14.162 11.566 1.365 369 5.100 9.556 12.183 1.153 5.602 12.355 669 137 93 27 19 2. como também investiram diretamente no país.377 2. e eq. várias empresas estrangeiras de bens de capital não apenas intensificaram seus investimentos em prospecção de mercado e representação comercial.847 7.003 4.000 2.990 11. O resultado é que atualmente a presença das transnacionais no segmento de bens de capital é bastante significativa: a despeito de representarem 12% do total de firmas.175 1.320 198 127 25 9 3.503 3.462 9.778 5.127 2.843 90. No período pós-abertura econômica.231 7.518 6.678 20.467 362 139 24 10 5 4 544 1.830 15.265 2.

880 % do total 100% 40% 47% 28% Nacionais (%) Estrangeiras (%) 53% 72% 2.916 62. elaboração própria da equipe do projeto.396 35% 29% 9% 27% 48% 81% 77% 81% 52% 19% 23% 19% 1. as firmas transnacionais pagam melhores salários.855 2.240 Lucros totais (R$ milhões) % do total 100% 41% Nacionais (%) 57% 51% Estrangeiras (%) 43% 49% Fonte: PIA.981 8% 56% 44% 338 11% 74% 26% 1.687 1.200 2.030 2.559 100% 69% 31% 4. 27 . TABELA 11 .397 117.517 74.425 116.736 1.049 Nacionais 1. INDICADORES ECONÔMICOS DE FIRMAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: SETOR DE BENS DE CAPITAL. 2005 Outras Motores.efeito.368 102.472 53.863 8. França.onde a participação das transnacionais é mais destacada.874 24% 58% 42% 847 28% 53% 47% Indicador Total Nº de firmas % do total Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total % do total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) 1.095 25% 65% 35% 1. Máquinas Máquinas.383 85.177 27% 68% 32% 1.955 2.151 16.453 Faturamento (R$ milhões) 36.899 69.740 3. bombas. China.117 Produtividade (R$) Nacionais 201. Itália. Coréia do Sul e Suíça. 2006). Em termos internacionais.843 14. atrás de Estados Unidos.112 65. Reino Unido. mas há de se levar em conta que a escolaridade média dos empregados nestas empresas tende a ser maior. bombas. de (CNAE 294) (CNAE transmissão 292) 296) (CNAE 291) 324 578 181 489 21% 37% 12% 31% 267 514 165 437 57 64 16 52 63.103 10.974 Estrangeiras 239.049 Estrangeiras 2.436 % do total 100% 38% 54% 35% Nacionais (%) 46% 65% Estrangeiras (%) Salário médio (R$) 1. e eq.540 45.108 27% 62% 38% 569 19% 66% 34% 477 11% 63% 37% 2. a indústria de bens de capital brasileira se situa entre as 10 mais importantes do mundo (LAFIS. Em média.994 1. e eq.853 2.200 3. Japão.736 2. compressores e equipamentos de transmissão – o maior setor entre os analisados .572 100% 1.740 1. é no setor de motores. Alemanha.máq.689 48. de ferramenta de uso compresssores uso geral (CNAE específico e eq.383 189 180.472 133.323 52.307 68.612 58.

13% 2.4 22. a indústria de bens de capital tem um crescimento no número de empresas e no número de empregados bem menos acentuado do que Brasil.23% 22. Aqui. é interessante notar a tendência mundial de redução da parcela dos custos do trabalho na produção.56% 25.62% 169.830 -25.53% Itália 27.627 -0.5 10.23% 722.077 3.576 49.57% 4.994 -10.75% Espanha 3.40 13.3 25.A TABELA 12 a seguir mostra a posição relativa da indústria brasileira de bens de capital.872 -7.2 20.5 29.10% 303.55% 23. especialmente no tocante à produtividade e aos investimentos.40% 61.32% 583.8 -29.08% 11.43% 27.2 60.16% França 8.0 11. Por fim.6% 182. TABELA 12 .4 -0.4 11.6 27.19% 1.026 -1.3 -3.23% 54.4 29.5 -24.98% Brasil* 3.1 19.492 -10.7 -22. 292 E 294). o número de empresas cresce mais rapidamente que o número de empregados.9 13.51% 648.8 3. INDICADORES ECONÔMICOS DE FIRMAS BRASILEIRAS E EUROPÉIAS: SETOR DE BENS DE CAPITAL (CNAE/SIC 291.00% 4.07% 4.814 15.2 -0.6 -15.0 116.09% 50.52% 18.443.8 -14.968. em relação a alguns países europeus.54% Inglaterra 7.6 14.83% 19.620 46.66% 21. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Alemanha 10.381 5.147 -0. Nota-se que a indústria brasileira está distante do patamar competitivo de paises como Alemanha.011 29.67% 333.78% 47. Nos países mais maduros.09% 2.71% 28 .39% 4.48% 62.70 191.86% 4.5 -7.859 24. França Itália e Inglaterra.460 -18.224 33.40% 94.7 -33.75% 27.70% 66. implicando em redução da escala média das empresas e do ritmo de crescimento da produtividade.14% 21.51% 65.10 -10.721 39.30% 23.6 29.97% 510.108 -2.7 35.

9 21.90 12.45% 1.16% 356.164 0. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Alemanha 2.82% 73.35% 726.80% 4.20 69.09% 37.86% 19.17% 112.25% 48.087 65.9 5.66% 29 .6 -28.4 -5.67% 68.63% 18.8 -2.445 -1.07% Espanha 794 -12. BOMBAS. COMPRESSORES E EQ.12% 7.9 -11.3 24.094 -2.14% 238.448.6 16.50% 257.2 39.101 1.44% França 1.28% 24.316 -2.18% 67.2 10.322 32.2 33.8 44.904 22. DE TRANSMISSÀO (CNAE 291).76% 29.7 44.7% -25.35% 27.7 24.611 3.0 14.40% 29.384 -21.81% Inglaterra 1.07% Brasil* 811 22.075 -33.38% 63.9 9.69% 264.38% 89.39% 19.9% 72.695 49.92% 5.5 -32.71% 65.3 -21.7 3.2 35.7 29.8 32.696 -6.20 26.4 11.75% 8.48% 114.MOTORES.41% 16.80% 93.30% 27.88% 22.4 -19.111 -6.43% 55.0 4.7 -16.068 42.17% 6.65% 3.771 67.26% Itália 3.

2 19.239 3.1 -35.065.50% Itália 20.MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE USO GERAL (CNAE 292).15% 285.8 19.62% 63.53% 190.730 4. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Alemanha 5.1 15.76% 4.721 -21.2 31.5 24.66% 4 -20.86% 4.9 29.5 -14.777 5.559 11.50% França 5.70 108.565 46.00% Inglaterra 4.6% 88.9 44.14% 7.524 -9.24% 65.08% 188.6 12.20% 48.7 12.32% 66.60% 36.473 32.63% 1.1 2.7 30.35% 18.09% 26.1 2.56% 19.404 36.01% 91.07% 61.73% 322.2 9.448 23.63% 26.80 14.70% 17.00% 2.987 -25.64% 18.28% 4.4 -3.8 31.35% 30 .20% 51.2 5.4 0.29% 276.44% 50.50% Espanha 2.42% 164.40% 3.3 -5.3 -33.899 -1.29% 27.708 -8.509 12.80 -19.67% 23.754 -5.192 50.50% Brasil* 2.82% 571.799 26.5 12.83% 25.49% 25.4 49.5 14.2 -5.7% -26.715 -0.

23% 144.459 -41.97% 133.20% 59.8% em relação a 2000 e 185% em relação a 2002.261 -20.43% Fonte: Eurostat e PIA. as importações e exportações de bens de capital totalizaram praticamente a metade do que eram em 2000. A partir de 2003.96% 2.2% 21.730 23. elaboração própria da equipe do projeto.95% 14.38% 40. entre 2000 e 2006.657 0.98% 454.9 1.99% 58.581 -21.02% 54.15% 62.74% 44.15% 28. o comércio internacional de bens de capital voltou a crescer.8 9.40% 4.9 -43.08% 29.80 13. É interessante notar que.088 -12. o período de desaquecimento da economia vivido entre 2001 e 2003 atingiu tanto importações como também as exportações: em 2002.2% -12.1 29.34% 59.664 12.6 -39.4 -3.36% 25.4 12.79% 43.45% 4.09% 11.6 1.461 -25.217 14.15% -28.as informações para o Brasil se referem às empresas com mais de 5 empregados.351 12.2 -4.MÁQUINAS-FERRAMENTA (CNAE 294).52% 4.9 2.744 -10.4 2.52% 3. novamente 31 .085 43.00% 29.7 Taxa de crescimento 2000-2006 -25. o setor é relativamente representativo nas exportações e importações (2.52% 45.43% do total importado em 2008).7 Inglaterra 1.6 10. Como se depreende da TABELA 13 .60% 35.66% 14.44% 11.52% 50.20% 19.171 1. No que tange ao comércio exterior.43% -22.8 Brasil* 600 36. * .098 -0.40 -42.9 Itália 3.7 França 855 -4.25% 27.87% 15.84% do total exportado e 6. as importações em 2006 voltaram para o patamar que eram em 2000 enquanto as exportações em 2006 cresceram 44.40 -14.38% 16.14% 9.691 -49.21% 3.95% 15.8 13. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Alemanha 2. ainda que tradicionalmente deficitário no Brasil.1 15.48% 4.9 -9.0 21.4 17.1 15.7 1.75% 24.1 Espanha 676 -13.

0% 336.6 181.1 32 .362 404.3 39.641 2.905 163.5 -3.8% 109.522 315.188 801 5.471 2006 364 2.7% 123.165.6 -243 34.065 5.661 1.101 310.o setor de motores.5 -485 40.516 717.222 912.438 1. de uso 2003 geral (CNAE 2004 771 39.0 127.005 2.004 1.507 242.391 43.9% 13.8 -667 11.8 -719 44.421 2001 348 1.643 (CNAE 294) 2005 417 3.373 2001 340 1.9% 179.2 -1.183 2007 2.832 7.358 1.824 (CNAE 291) 2006 2.705 849 4.103 190.952 Motores.3 -5.0 11.082 4. De 2004 1.9 14.3 8.023 6.7 146.4 5.369 1.061 292) 2005 909 83.396 1.6 7.612 350.037 3. elaboração própria da equipe do projeto.9 42.262 27.827 285.4 3.1 -1.7% 12.327 56.0% 16.5% 312.639 Máquinas e 2002 437 2.2 9.4% 6.624 270.906 6.363 3.9 21.894 eq.016 11.9% 5.296 2. 1.978 5.7% 41.093 1.176 60.4 176.527 33.715 ferramenta 2004 340 3.035 79.274 378.080 474 3.5 -1.184 563 4.592 2.6% 23.3% 9.496 26.459 2000 662 6.8 121.841.016 8.434 1.382 207.6% 130.3 66.) milhões) milhões) (ton.4 -2.8 -892 24.156 2002 1.6 -953 34. de uso 2003 específico 2004 678 2.173 6.966 249.387 1.4 201.5 -223 24.454 2007 1.459 51.2% 11. respondendo por praticamente metade das exportações e 38% do valor importado.7 26.396 512 2.566 33.307 2.2% 8.570 eq.589 bombas.7 -713 44.0 10.9 13.4 28.8% 6.198 11.510 2002 299 30.6% 184.073 594.0 -891 29.457 2006 893 4.189 2000 2.1% 152. 2000-2007 Valor Quantida Valor Quantidade exportado de importado importada Subsetor Ano (US$ (US$ exportada (ton.862 128.186 216.0 -829 16.7 -1.7 -3.623 1.4 -688 30.078 2.881 70.1% 3.397 46.8 10.526 830.143 256.049 2001 1.561 (CNAE 296) 2005 787 2. TABELA 13 .7 5.462 Total 2004 3.283 compressor 2003 es e eq.216 21.254 345.597 37.901 Máquinas2003 231 2.0 -1.076.508 2000 657 101.588 2006 1.250 52.286 2001 157 719 2002 172 1.972 512.611 26.142 17.719 2.7 6. bombas.150 151.4% 10.3 -2.9% 19.4 8.924 332.4 -773 49.6 -780 36.5% -946 61.) 2000 3.162 62.701 44.2 -385 31.8 -1.733 270.284 58.9% 226.912 2.719 transmissão 2005 2.0 -804 18.068 34. COMÉRCIO EXTERIOR DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.0 -563 64.8 -1.5 -2.5% 2.5 7.648 2007 5.195 65.246 2003 2.1% 6.8% 207.9 6.873 495. Valor Valor Saldo/Corrente unitário de unitário de Saldo de Comércio exportação importação (US$/Kg) (US$/Kg) -7.661 2000 334 8.5 17.0% 13.336 1.9% 10.797 2007 1.459 53.6% -915 27.777 2.117 Máquinas e 457 31.3% -340 49.0% 134.214 2007 400 2.6 19.284 671.248 63.061 1.2 27.095 41.975 309 1.5% 9.058 5.4% 7.7 -1.916 357.173 1.4 -1.139 1.4% 111.7 -3.245 57.341 2006 4.7% 106.028.3 10.635 70.8 6. 2002 1.483 49.291 577. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) têm o maior peso no comércio internacional de bens de capital.0% 14.8 -808 54.5 6.457 20.130 2001 1.211 70.505 33.018 617.291 3.2 -4.3% 9.562 Fonte: SECEX.7% -3.6% -1.758 65.537 508.984 2005 4.875 1.3 5.1 44.

ou seja. Conforme mencionado por Resende e Anderson (1999).000 Exportações Importações Saldo 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Fonte: SECEX.000 0 2000 -5. o valor unitário médio de exportação. Com efeito.de forma que o valor unitário das exportações passou a superar o das importações nos outros segmentos. durante as décadas de 1980 e 1990 os valores unitários de importação dos bens de capital sempre superam os de exportação. Entre os três produtos mais exportados em 2007. elaboração própria da equipe do projeto.GRÁFICO 4.000 10. Como conseqüência. No que tange aos principais produtos transacionados com o exterior. em 2000. à exceção das máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296). Entretanto. conforme a TABELA 14 . COMÉRCIO INTERNACIONAL DO SETOR DE BENS DE CAPITAL. segundo a TABELA 13 . no período inicial da análise.3% do valor unitário de importação. somente o segmento de máquinasferramenta (CNAE 294) continuou com preços de exportação menores que os de importação .8% deste mesmo valor.000 -10. há dois produtos que constavam entre os três 33 .embora a diferença entre os valores unitários de exportação e importação tenham caído . as quais todavia pouco representam no comércio internacional do setor. o Brasil manteve cinco produtos (NCM a 8 dígitos) na lista dos 10 produtos exportados mais importantes entre 2000 e 2007. 2000-2007 (US$ MILHÕES) 15. encerrou o ano de 2007 como 153.000 5. todos os segmentos apresentavam valores unitários de exportação menores que os de importação. que representava em 2000 61.

693.CAPACIDADE<4700 FRIGORIAS/HORA VIRABREQUINS (CAMBOTAS) TORNEIRAS E OUTS.259.260 91. Embora o item mais importante nas importações de 2000 tenha se mantido em 2007.C/COMANDO NUMERICO OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO. elaboração própria da equipe do projeto.500CM³ E <= 3.198 116.mais importantes em 2000 – os motocompressores herméticos e os virabrequins.485 186.DE AR CONDICIONADO. DE IGNIÇÃO POR CENTELHA OUTROS APARS.558 112.152 78. MOTORES DE PISTÃO. de ignição por compressão”.676.384 100.41 vezes.DE USO MANUAL OUTROS MOTORES DIESEL/SEMIDIESEL OUTROS PARTES DE COMPRESSORES DE AR/OUTS.328.870 771.705 91.839. Entre 2000 e 2007.823.E APARS.057.908.369. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO.544 682. os outros quatro itens mais importantes em 2007 vieram de posições inferiores na lista de 2000 (exceção das “outras partes principalmente destinadas aos motores de pistão. DE IGNIÇÃO POR CENTELHA OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO. enquanto o item mais exportado em 2007 – outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria – era apenas o oitavo item mais exportado em 2000.337 104. Por fim.P/PAREDES/JANELAS OUTROS MAQS.E APARS.FERRAM.089. 2000 E 2007 Ano NCM 84143011 84831010 84621011 84099990 2000 84392000 84099190 84151090 84798999 84833020 84521000 84798999 84143011 84831010 84818099 84082030 2007 84099190 84099990 Descrição MOTOCOMPRESSOR HERMETICO.500 CM³ OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO. vale notar que três itens figuram em ambas as listas de dez produtos mais importantes de exportação e importação. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO MAQS.655. 34 .730 94.DE COSTURA DE USO DOMESTICO OUTROS MAQS.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA BRONZES MAQS.590.604 100. Do lado das importações (TABELA 15 ). as exportações deste item cresceram 7.818.555.CAPACIDADE<4700 FRIGORIAS/HORA VIRABREQUINS (CAMBOTAS) MAQS. DEZ PRODUTOS MAIS IMPORTANTES: EXPORTAÇÃO.903 84678100 84089090 84149039 Fonte: SECEX.798 107.E APARS.DISPOSITIVOS P/CANALIZACOES.ETC.262. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO SERRAS DE CORRENTE.876.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA MOTOCOMPRESSOR HERMETICO.172 110.GASES Valor 821.692 243.009 86.484 86. o Brasil manteve seis itens na lista dos dez mais importantes entre 2000 e 2007.646.640 80.630.DE PAPEL OU CARTAO OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.174 112. DE CILINDRADA > 2. que passou de quarto lugar para quinto entre 2000 e 2007).317.544. TABELA 14 . evidenciando a importância do comércio intra-indústria de bens de capital.P/FABR.P/ESTAMPAR METAIS.

980 779.125. para ceder lugar à China.836 172.288 84089090 84839000 84831090 84224090 84807100 Fonte: SECEX.217 138. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO OUTROS MOTORES DIESEL/SEMIDIESEL PARTES DE ARVORES DE TRANSMISSAO. DEZ PRODUTOS MAIS IMPORTANTES: IMPORTAÇÃO.449.TABELA 15 . OUTROS ARVORES (VEIOS) DE TRANSMISSAO OUTS.321.P/EMPACOTAR/EMBALAR MERCADORIAS MOLDES P/MOLDAGEM DE BORRRACHA/PLASTICO. É interessante a partir da TABELA 16 notar uma sutil diversificação das exportações.DE IMPRESSAO POR OFSET ENGRENAGENS E RODAS DE FRICCAO.EIXOS DE ESFERAS/ROLETES OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.062 136.DE VELOCIDADE OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO. DE IGNIÇÃO POR CENTELHA PARTES DE MAQUINAS E APARELHOS DE AR CONDICIONADO CAIXAS DE TRANSMISSAO.816 211.704 209.E APARS.ETC Valor 1. a China nem figurava entre os dez principais países de origem das importações de bens de capital.730. Paraguai e Austrália . DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO OUTS.662 197.936 194. DE CILINDRADA > 1.ETC.POR INJECAO.685 158.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA OUTROS MAQS. elaboração própria da equipe do projeto.518 135. DE IGNIÇÃO POR CENTELHA ENGRENAGENS E RODAS DE FRICCAO.PARTES DE MAQS.REDUTORES.E APARS.3% das importações 35 .que eram os principais destinos de exportação em 2000 deixaram de sê-lo.888 184. três países .990.025 177. Quanto à origem das importações.673.560.ETC.915. expostas na TABELA 17 .330. os parceiros comerciais mais tradicionais do Brasil são os EUA e a Argentina.E APARS.546 196.819 142.811.143. evidenciada pelo aumento da rubrica “outros países” de 25% em 2000 para 29.458.POR INJECAO.595. Com relação aos principais destinos de exportação. Cingapura e um parceiro latinoamericano.E APARS.429.185.403.500 CM³ E <= 2. respondendo por 8. A rigor. destaque deve ser dado à crescente participação da China: em 2000.4% em 2007 e pela redução da importância dos principais parceiros nas exportações totais.574.044 133.573 160.920. a Colômbia. enquanto em 2007 já era o quinto colocado nesta lista.EIXOS DE ESFERAS/ROLETES CAIXAS DE TRANSMISSAO.Reino Unido.REDUTORES.776.MAQS.852.248 167.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.E APARS.MANIVELAS.ETC.965.DE VELOCIDADE OUTROS MAQS. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO.ETC MOTORES DE PISTÃO.500 CM³ OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.760 186.138 183.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA MOLDES P/MOLDAGEM DE BORRRACHA/PLASTICO. 2000 E 2007 Ano NCM 84798999 84807100 84082020 84099990 2000 84799090 84431990 84834090 84099190 84159000 84834010 84798999 84099190 84834090 84834010 2007 84099990 Descrição OUTROS MAQS.MANCAIS.

950 79.8% 14.7% SUICA ESPANHA 264.088 2.331 923.052 178.408.880 Fonte: SECEX.712 554.560 356.108.229 143.0% 1.662 23.979.0% 2.9% 9.259 555.046.3% 2.512.062 9.200.231.068.849.992.2% 2.de bens de capital.803. Na comparação entre 2000 e 2007.043. REPUBLICA 2.6% 2.439.7% 12.107.0% 2.7% JAPAO FRANCA 506.730 13.068 68.3% 5.658.054 Valor percentual 18.0% 3. elaboração própria da equipe do projeto.484 3.881.052.5% CHINA ARGENTINA 506.6% 6.458 4.003.440 2.083.607.254.669.138 152.5% ALEMANHA ALEMANHA 2.931.3% 8.886 332.651. 2000 E 2007 2000 Destino ESTADOS UNIDOS ARGENTINA ALEMANHA MEXICO CHILE ITALIA VENEZUELA REINO UNIDO PARAGUAI AUSTRALIA DEMAIS PAÍSES Valor 1.249.004 260.437.757.6% 3.223.122.5% 29.501.757.862. PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.956.096.010 210.154 1.5% 3. 2000 E 2007 2000 Origem Valor Valor percentual Origem 2007 Valor 2.086.7% ESTADOS UNIDOS 2.189.2% 2.4% SUECIA SUECIA 307.435 248.202 2.484 123.598.417.463.633. PRINCIPAIS PAÍSES DE ORIGEM DAS IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.250 78.2% 18.5% FRANCA SUICA 382.604 DA (SUL) DEMAIS PAÍSES 1.4% 3.7% 2.6% 8.229.5% 2.282. Espanha e Coréia do Sul cederam lugar à China e Finlândia entre os dez maiores exportadores para o Brasil.2% ESTADOS UNIDOS ITALIA 1.412.3% 5.855.3% 5.762. TABELA 17 .588 2.284.8% 25.118 12.938 387.8% 4.7% DEMAIS PAÍSES Fonte: SECEX.3% FINLANDIA 263.902 142.368 1. TABELA 16 .699 651.7% 3.783.655 ARGENTINA CINGAPURA MEXICO ALEMANHA VENEZUELA CHILE COLOMBIA CHINA ITALIA DEMAIS PAÍSES 701.049 261.485 324.318.3% ITALIA JAPAO 1.620 4.726 1.886.9% 18.086.106.0% Destino 2007 Valor Valor percentual 18.257.5% 11.742.741. 36 .816 320.622 968.192 98.3% ARGENTINA COREIA.867.586 142.5% 9.985.046 21.736 Valor percentual 31. elaboração própria da equipe do projeto.4% ESTADOS UNIDOS 1.060.

o que dificulta as exportações e permite a importação de equipamentos muitas vezes inadequados. carência de políticas bem definidas para tecnologia industrial básica do setor (normatização. o setor de bens de capital no Brasil enfrentou um sério processo de reestruturação durante a década de 90. estrutura de assistência técnica e pósvenda deficiente. sobretudo nas exportações.Em suma. o que reforça a importância da inovação e acumulação de conhecimento para superar este desafio competitivo. certificação etc). o ciclo de crescimento iniciado em meados de 2003 teve reflexos bastante positivos sobre o setor de bens de capital brasileiro. isto não significa a ausência de desafios a serem suplantados: aumentar a escala produtiva em alguns setores. sobretudo quando comparamos com outros países. a crise financeira internacional que se configura atualmente promete ter grande impacto negativo sobre o setor. No entanto. 37 . principalmente. inclusive sobre as exportações. como veremos. Embora durante os primeiros anos da década de 2000 o cenário não tenha sido muito diferente. e. deficiência das capacidades inovativas. Ademais. diante da abertura econômica combinada a um cenário macroeconômico de baixo investimento e crescimento.

De fato. 4 Nesta seção e no restante do trabalho. portanto. de acordo com o IBGE (TABELA 18 ). as firmas produtoras de bens de capital consistem em um setor bastante heterogêneo. 89% das firmas do setor têm menos de 50 empregados. segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). 5 As empresas com mais de trinta pessoas ocupadas respondem por 98% do faturamento total do setor em 2005. EMPRESAS LÍDERES NO SETOR DE BENS DE CAPITAL4 Do ponto de vista estrutural. que empregaram 183 mil trabalhadores. apenas 1.4.573 firmas possuem mais de 30 empregados. Com efeito. focada nas empresas com mais de 30 funcionários que. Contudo. 38 . embora representem pouco em termos de número de empresas. representam boa parte do faturamento do setor e praticamente toda a sua atividade tecnológica5. a análise das empresas se concentra nas empresas com mais de 30 pessoas ocupadas representadas pela amostra da Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC).236 empresas e empregou 221.922 trabalhadores em 2007. mas também o projeto de engenharia. ainda que apenas 35% dos empregados dos trabalhe nestas firmas. no qual pequenas empresas familiares convivem com grandes produtores de máquinas e equipamentos que às vezes vendem não apenas o produto. o setor tal qual definido neste relatório contava com 8. A análise que faremos ao longo desse trabalho será.

266 93% 7% 261 93% 7% 107 107 — 7.481 100% 0% 96 100% 0% 985 985 — 28.382 33% 67% 2.994 57% 43% 324 267 57 63. NÚMERO DE FIRMAS. Subsetor Indicador Tipo de empresa Líderes 122 72 50 41.570 6.323 48% 52% 1.444 368.227 99.812 100% 0% 115 100% 0% 989 989 — 31.162 199.877 61% 39% 158 118 40 33.049 2.502 66% 34% 2.595 — 383 100% 0% 29 100% 0% Emergentes 60 60 — 7.742 10% 90% 458 18% 82% Seguidoras 730 592 138 95.129 6.219 — 3.383 189 180.557 2.687 35% 65% 2.603 412.674 137.392 42% 58% 1.370 36.540 85.636 2. PARA EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS: 2005.955 75.049 2.843 47% 53% 2.159 385.595 28.566 11.549 50% 50% 1. bombas.436 54% 46% 1.117 65.416 54% 46% 1.372 25% 75% 831 34% 66% 33 16 17 19.097 2.025 115.572 1.631 40% 60% 747 68% 32% Frágeis 660 659 1 35.559 69% 31% 4.338 21.514 15.935 52% 48% 888 44% 56% 2. Salário médio (R$) compressores e Nacionais eq.530 2.974 102.240 51% 49% Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salário médio (R$) Nacionais Total Estrangeiras Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Motores.820 82.012 1.341 81.853 100% 0% 523 100% 0% 1. POR CATEGORIA DE FIRMA. PARTICIPAÇÃO ESTRANGEIRA. FATURAMENTO E PESSOAL OCUPADO DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.731 117.120 3.441 83.954 — 123 100% 0% 7 100% 0% Total 1.TABELA 18 .880 28% 72% 1.964 100% 0% 20 100% 0% 793 793 — 31.453 14.262 222.325 38.637 7.853 2.927 1.708 2.166 120.943 15% 85% 683 12% 88% 2.855 1.673 — 654 100% 0% 26 100% 0% 26 26 — 1.954 31.134 1. de transmissão Estrangeiras (CNAE 291) Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) 39 .234 246.614 41.

249 52% 48% 130 83% 17% 271 271 — 13.998 77% 23% 144 58% 42% 1.409 7.917 54.748 22.724 3.650 2.888 57% 43% 396 61% 39% 73 61 12 5.137 25.361 1.982 1.Máquinas e eq.336 70.227 128.709 63% 37% 267 56% 44% 3.913 — 1.560 25.177 68% 32% 1.477 59.060 82% 18% 176 68% 32% 1.137 — 75 100% 0 6 100% 0 5 5 — 993 100% 0% 18 100% 0% 1.176 100% 0 94 100% 0 77 77 — 2.558 54% 46% 195 65% 35% 262 210 52 30.560 — 50 100% 0% 1 100% 0% 578 514 64 52.056 2.846 969 48% 52% 73 48% 52% 26 22 4 6.583 3.844 1.225 1.937 92.402 48.619 109.913 38.517 74.391 3.200 3.030 2.500 61.373 1.270 1.431 129.397 117.916 62.103 10.736 2.149 36.920 1.981 56% 44% 338 74% 26% 40 .748 — 124 100% 0% 12 100% 0% 15 15 — 772 100% 0 9 100% 0 924 924 — 25.899 69.612 58.722 100% 0 203 100% 0 1.736 1.140 1.597 72% 28% 788 60% 40% 1.689 77% 23% 477 63% 37% 2. de uso geral (CNAE 292) Máquinasferramenta (CNAE 294) Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salário médio (R$) Nacionais Estrangeiras Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salário médio (R$) Nacionais Estrangeiras Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) 30 18 12 7.425 116.373 — 25.140 — 38.151 81% 19% 1.075 115.270 — 22.108 62% 38% 569 66% 34% 181 165 16 16.816 86.989 100% 0% 49 100% 0% 1.200 2.

ou 46.565 1.021 68.d. A despeito do grande número. de modo geral.288 1.572 empresas com mais de 30 pessoas ocupadas no setor de bens de capital.d. estas empresas respondem por apenas 6.210 n. — 35% 2. (2008) detalha a classificação das empresas brasileiras de acordo com a liderança tecnológica. — 47% Fonte: PIA.151 1.180 44.9% do faturamento e 22.d. PINTEC. 100% 65% Nacionais (%) Estrangeiras (%) 57% 40% n.083 48.d.d. que seguem rapidamente as empresas líderes e acompanham as mudanças na dinâmica de mercado impulsionadas pela concorrência setorial.095 43% 60% n.680 24.940 33.5% do emprego do setor..4% do total de firmas) foi classificada empresas seguidoras do ponto de vista tecnológico.740 uso específico (CNAE 296) Estrangeiras 3. 100% 81% Nacionais (%) 42% 23% n.396 58% 77% n.604 n. de Salário médio (R$) Nacionais 1. com baixo nível de atualização tecnológica e de inovação. empresas não exportadoras e com produtividade abaixo da média do seu setor e.781 1.8% do pessoal ocupado do setor.5% do faturamento e 52. 6 O artigo de De Negri et al.874 Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) 44% 52% n. Estas são consideradas firmas com “grande capacidade de acompanhar e imitar as mudanças tecnológicas no seu setor e por isso conseguem diferenciar produtos ou realizar mudanças para reduzir seus custos de produção.960 152.d. 100% 53% Nacionais (%) Estrangeiras (%) 62% 53% n. Por seu turno.835 1.423 n. RAIS e SECEX.d.472 Estrangeiras 93. — 42% Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) 105 604 126 12 847 38% 47% n.” (De Negri et al. 660 empresas (42% do total) foram classificadas como firmas frágeis.021 53.453 3.d. — 133.Nº de firmas 33 237 205 14 489 Nacionais 16 203 204 14 437 Estrangeiras 17 34 1 — 52 Pessoal ocupado total 7. 41 . — 3.103 4.288 1.d. — 19% Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) 256 596 175 68 1. das 1. elaboração própria da equipe do projeto.d. a maior parte delas (730.863 2.740 Máquinas e eq.972 11.d.583 406 8.d.795 79. significa informação não disponível por respeito ao sigilo estatístico. N.d.994 n.307 79.906 48.918 1.472 Produtividade (R$) Nacionais 40. 100% 58% 56% 48% n. A TABELA 18 mostra que. 2008).661 4. 33. 1.6 Estas firmas seguidoras respondem por 58.

tanto em faturamento (R$ 11 milhões/ano) quanto em pessoal ocupado (113. estão localizadas entre as frágeis e as seguidoras.9% do emprego do setor se devem às empresas líderes.8%) e no faturamento (52. As empresas líderes possuem indicadores de 42 . além de pagarem melhores salários. Ainda de acordo com a TABELA 18 . Por fim.No outro extremo competitivo há as 122 empresas líderes.9% do total). em média). o porte dessas empresas é substancialmente maior do que a média do setor: elas possuem. nem exportam tampouco possuem produtividade acima da média de seu setor. Do ponto de vista de escala de produção. embora seja no subsetor de máquinas-ferramenta onde as firmas líderes têm maior participação no número de empresas (14.8 milhões ao ano.8% do faturamento total e 22. existe um grupo de 60 empresas classificadas como emergentes do ponto de vista tecnológico. 320 funcionários e um faturamento de R$ 94.2%) do segmento. São firmas que são líderes tecnológicas ora por diferenciar seus produtos – e com isso obter um preço diferenciado pelos mesmos – ora por serem líderes tecnológicos em custo. uma participação expressiva (40. Nada menos que 30. que são empresas que as empresas mais competitivas e tecnologicamente avançadas do setor. mas não são ainda líderes tecnológicos. Os indicadores de salário médio e de produtividade também refletem as diferenças entre líderes. A distribuição setorial das firmas transnacionais é relativamente equânime. em média. em média. As transnacionais são. seguidoras e frágeis. maiores e mais produtivas. Como escala de produção é um fator-chave de competitividade para o setor de bens de capital. há 50 empresas estrangeiras entre as líderes. oferecendo produtos homogêneos a preços mais competitivos.8 empregados. Essas empresas investem continuamente em P&D ou inovam produto novo para o mercado mundial ou possuem laboratórios de P&D (departamentos de P&D e que tem mestres/doutores ocupados em P&D).

43 . alta e extra-alta tensões. Não. além de guindastes para o setor portuário e equipamentos mecânicos para o setor hidrelétrico. Gevisa Motores elétricos. Máquinas-ferramenta. Metso Atlas Schindler Não. PRINCIPAIS EMPRESAS DE BENS DE CAPITAL NO BRASIL. sistemas industriais. onshore e off-shore. Sim (Nível novo mercado da Bovespa). México. SEGUNDO A PUBLICAÇÃO VALOR 1000 DE 2008 Empresa Atuação Possui ações negociadas em Bolsa no Brasil? Sim (Nível novo mercado da Bovespa). Não. Sim. cervejarias. Weg Motores elétricos. Transformadores para instrumentos de média. Caldeiras. Empresa Transnacional (de propriedade da Areva). Frágeis e emergentes têm níveis de produtividade abaixo da média. Não. Não. Não. Não. automação e controle. Usiminas Mecânica Sim (faz parte do grupo Usiminas). escadas e esteiras rolantes Equipamentos. TABELA 19 . Não. fundidos de grande porte em geral. Não. Máquinas para plásticos.) Elevadores. Não. Fonte: Valor 1000 de 2008 e pesquisas na internet.produtividade acima da média e pagam salários bem superiores às demais. Voith Paper Máquinas voltadas para o segmento de papel e celulose. Não. peneiramento etc. Não. Não. Não. Empresa Transnacional (parte do conglomerado Voith). Empresa Transnacional (parte da General Electric). Empresa Transnacional. Areva T&D Brasil. Dedini Sim. plantas completas principalmente para usinas de açúcar e álcool. É de capital nacional? É internacionalizada? Sim (fábricas na Argentina. Sim. Indústrias Romi Sim. China e Portugal). Maquinário para as atividades de mineração e construção (equipamentos para britagem. Empresa Transnacional. fundidos para diversos setores. estruturas e montagens industriais para o setor de óleo e gás.

Com efeito. uma das cinco maiores produtoras mundiais de motores elétricos. 44 . embora. o coeficiente de exportações (importância das exportações no faturamento) é o maior neste setor entre os setores analisados.2%). a Voith Paper (417º). do jornal Valor Econômico. Dedini (215º). a Usiminas Mecânica (319º). compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291). No tocante ao comércio exterior. segundo com a publicação Valor 1000 de 2008. em média o coeficiente de exportação das firmas líderes de 22. a Areva T&D Brasil (465º). e a Gevisa (496º). também está entre as 150 melhores empresas se trabalhar no Brasil. a Atlas Schindler (287º). a maior parte das exportações e importações se deve às firmas seguidoras (57% e 61%). a Metso (251º). Ainda de acordo com a publicação “Maiores e Melhores” da Revista Exame. em média. chegando a 28% nos setores de máquinas-ferramenta (CNAE 294) e máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296). a Romi (401º).Algumas empresas de bens de capital constam entre as 500 maiores empresas do Brasil. importações e do saldo das líderes e seguidoras. as firmas líderes exportem e importem mais que as seguidoras (TABELA 20 ).7% é maior que o das seguidoras (18. O desempenho geral de comércio exterior do setor é bastante influenciado pelo segmento de motores. São elas a Weg (99º). Com efeito. que respondem por mais da metade das exportações. a Weg.

1 27.7 14.8 809.2 110.2% 721.0 17. RAIS e SECEX.8% 243. compressores e eq. Subsetor Fluxo de comércio Exportação Importação Total Saldo Coeficiente de exportação Motores.6 647.497.3% 212.3% 21.2 1.0 18.6 708.6 -14.6% 19.2 399.4 409.2% 1.5 56.3 7.0 239.0 22.9 -45.613.1 366.6 905.4 93.5% 496.8 96.1 392.7 27.0 18.TABELA 20 .4 % 57% 61% 52% 48% 47% 49% 94% 89% 115% 17% 52% -81% 61% 61% 62% Total Valor 2. PINTEC.5 146.838.6 101.0 150.224.355.7 24.8 80.5 321. INDICADORES DE COMÉRCIO EXTERIOR DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.5 156. de uso geral (CNAE 292) Importação Saldo Coeficiente de exportação Exportação Máquinasferramentas (CNAE 294) Importação Saldo Coeficiente de exportação Líderes Valor 1.0% 28.5 400.0 23.7 75.6% 632.8% 35.483.5 % 43% 39% 48% 52% 53% 51% 6% 11% -15% 83% 48% 181% 39% 39% 38% Seguidoras Valor 1.6 687.6% 467.6% 388.3 42.5% 176. POR SUB-SETOR E CATEGORIA DE FIRMAS: 2005.1 242.9 % 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Exportação Máquinas e eq.4 12. elaboração própria da equipe do projeto.9 357. 45 .1 5.7% 776.8% exportação Fonte: PIA. de transmissão (CNAE 291) Exportação Importação Saldo Coeficiente de exportação Exportação Máquinas e eq. de uso específico Importação (CNAE 296) Saldo Coeficiente de 28.2 1.6 577.

Além disso. Contudo. a demanda é previsível. Sari (1981) classificou os processos produtivos das empresas de acordo com o papel e o grau de influência dos pedidos dos consumidores. bem como o processo produtivo. 2003):  Make to stock (MTS): neste sistema de produção. Segundo a célebre taxonomia de Pavitt (1984). as firmas do setor de bens de capital são os specialised suppliers por excelência. em última instância. é composta por quatro pontos de referência (Tseng e Piller. substituindo fatores de produção. INOVAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS FIRMAS COM O SISTEMA DE INOVAÇÃO Como já mencionado.5. elas podem alterar a própria fronteira em si. é ela que determina a produtividade da economia (Rosenberg. o modo como os bens de capital são idealizados e produzidos é importante para a dinâmica de aprendizado tecnológico. 1976). quase sempre inovações de produto ou processo requerem a aquisição de máquinas e equipamentos (Varum e Monteiro. e o setor de bens de capital possui características produtivas bem especiais. a indústria de bens de capital é importante porque. que em verdade pode ser pensada como um continuum de possibilidades. Rosenberg (1963) nota que as inovações no setor de bens de capital têm uma característica especial com respeito às inovações dos outros setores: elas não apenas podem induzir movimentos ao longo da curva de possibilidades de produção. Sem embargo. 2007). Os ciclos de produto são 46 . Sua classificação. a indústria de bens de capital catalisa inovações – de fato.

que neste caso é totalmente customizado às suas necessidades. Um bom exemplo deste sistema de produção é a produção de microcomputadores (Tseng e Piller.  Engineer to order (ETO): a diferença do sistema ETO para o MTO é que o cliente interfere no próprio projeto do produto. A firma produz para estocar. a interação com os consumidores é mínima e não raro as firmas enfrentam elevados custos de estocagem. Neste sistema produtivo. de modo que a fabricação do produto só se inicia após o pedido. e o prazo de entrega é considerado médio ou longo. Devido à necessidade de uma maior interação com os clientes. bombas. motores elétricos.  Make to order (MTO): as firmas que adotam o sistema MTO mantêm um estoque de matérias-primas e componentes. é mantido um estoque de produtos semi-acabados. Assim. Há um nível mais alto de interação com os clientes. mas a montagem destes produtos é feita apenas depois do recebido o pedido. p. há alguma margem para customização do produto final às necessidades do cliente. o grau de interação com os clientes é o mais alto possível. baseados em “famílias” pré-definidas de produtos.longos e estáveis. a indústria de bens de capital tipicamente adota os processos MTO no caso de máquinas-ferramenta. 74). compressores em geral e outras máquinas e 47 . dependendo da complexidade das adaptações e do volume de pedidos. e o cliente consome os produtos deste estoque. mas em geral estas têm apenas natureza cosmética.  Assemble to order (ATO): no sistema ATO. 2003. Há a possibilidade de modificações marginais do produto final. A despeito do tempo de entrega do produto ser minimizado.

sendo escassos no fator capital. que desenvolveram tecnologias poupadoras de mão-de-obra. a produção de bens de capital tem escala ineficiente. 1984) -. o tamanho do mercado determina a velocidade do aprendizado tecnológico – seja ele operacional (que representa redução de custo) ou criativo (que representa novas tecnologias) (Sahal. (ii) por conseqüência.equipamentos mais simples. E esta possibilidade é determinada pelo tamanho da demanda. independentemente da rota tecnológica escolhida. pois a própria produção de bens de capital é capital-intensiva. em oposição aos países desenvolvidos. os países não conseguem aumentar a produtividade da economia a ponto de elevar a taxa de poupança. (iii) mesmo que a escala fosse eficiente. Segundo o autor. realimentando o próprio ciclo. a despeito de ser considerada uma indústria do tipo specialised suppliers. a explicação passa pelo desenvolvimento do setor de bens de capital. o que faz com que estes países tenham baixo desenvolvimento tecnológico em geral. o tamanho do mercado para os bens de capital – dado pelo tamanho da economia e pelo ciclo de investimento influencia sobremaneira a acumulação de conhecimento na indústria de bens de capital de um país. o desenvolvimento de capacidades inovativas fica prejudicado. haveria problemas para iniciar a produção.7 7 A motivação original do artigo de Rosenberg (1963) era explicar porque os países em desenvolvimento. Além disso. capaz de alterar a fronteira de produção. não lograram desenvolver tecnologias poupadoras deste fator escasso. situação que ocorre quando um leque relativamente pequeno de produtos é produzido a partir dos mesmos insumos. (iv) por isso. Entretanto. Neste sentido. e adota processos ETO para bens de capital nãoseriados e sistemas mais complexos. 48 . Rosenberg (1963) defende a existência de economias de especialização no setor de bens de capital. Rosenberg (1963) nos lembra a célebre frase de Adam Smith: “a divisão do trabalho está limitada pelo tamanho do mercado”. A armadilha dos países em desenvolvimento consiste no seguinte: (i) os países em desenvolvimento têm baixas taxas de poupança. Ainda que seja muito comum a ocorrência de economias típicas de escala.

MODOS DE INOVAÇÃO E APRENDIZADO Modo STI Baseado na produção e uso de conhecimento científico e tecnológico codificado. comercial e financeira. mais informal. Neste sentido. mas com viés para o modo STI. na prática os melhores resultados são atingidos quando as firmas combinam os dois modos de inovação. TABELA 21 . Uso e Interação (DUI). e outro.5. além de riscos relativos ao processo produtivo. Tecnologia e Inovação (STI). 49 . Segundo estes autores. baseado na produção e no uso de conhecimento científico e tecnológico codificado. gerenciar o processo de inovação torna-se um desafio. Mais uma vez. Firmas são mais propensas a inovar e ter sucesso Modo DUI Baseado no conhecimento informal e baseado na experiência. O quadro a seguir mostra estas possibilidades. do tipo “know-what” and “knowhow” Firmas estáticas e sem aprendizado Falta de qualquer estratégia de aprendizado Modo STI/DUI Tensão entre os dois modos. Conhecimento global. esta distinção serve para referenciar a discussão. do tipo “know-how” and “know-who” Fonte: Varum e Monteiro (2007). As firmas produtoras de bens de capital enfrentam riscos de natureza macroeconômica. chamado de Ação.1 O PROCESSO E O GERENCIAMENTO DA INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL Varum e Monteiro (2007) apontam dois modos de inovação: (i) o modelo baseado em Ciência. Conhecimento tácito e global. boa parte das firmas de bens de capital na Europa combinam os métodos. baseado na experiência.

Segundo estes autores. contingências e flexibilidades são previstas. não sendo necessariamente previstas no plano original. mais conservadores serão os projetos de inovação (isto quando existentes). seja em sua forma “pura” ou combinada com estratégias de aprendizado ou de seleção de projetos. (2002) notam que existem basicamente três abordagens para o gerenciamento de projetos de risco:  Instrucionismo: o instrucionismo se baseia na elaboração e execução de um plano por uma equipe de projeto. De todo modo.  Selecionismo: o selecionismo é um processo de tentativa e erro. a maior parte dos projetos é administrada a partir da abordagem do instrucionismo. É uma abordagem que funciona muito bem desde que os riscos possam ser identificados e seus impactos sobre o projeto possam ser previstos. Quanto maior o grau de incerteza. Com efeito.Pich et al. é muito comum nos estágios iniciais do projeto de inovação haver concorrência de projetos para posterior seleção daquele que se mostrar mais promissor. e estes ajustes são baseados em informações obtidas durante o processo de desenvolvimento do projeto. é importante destacar que não apenas o tamanho do mercado como também a incerteza afetam sobremaneira o grau de inovatividade no setor. 50 .  Aprendizado: nesta abordagem o projeto pode ser ajustado às mudanças de ambiente. em que uma variedade de soluções é gerada e é escolhida a solução que provê os melhores resultados.

bem como a acordos formais de cooperação com universidades e centros de pesquisa. são seus planos de investimento que criam a base para a dinâmica de inovação das firmas de bens de capital. 8 Lee (1996) reporta que não raro clientes do setor de bens de capital se envolvem no processo de inovação a tal ponto que eles mesmos passam a produzir máquinas e equipamentos. Isto deve se refletir nas pesquisas de inovação na forma acordos formais de cooperação com clientes ou mesmo como alta importância atribuída aos clientes como fontes de informação para a inovação. Em segundo lugar. o aprendizado tecnológico no setor de bens de capital apresenta as seguintes características: (i) Inovação e inovatividade são altamente pró-cíclicas. maior a necessidade do envolvimento dos clientes na produção e no desenvolvimento de novos bens de capital. quanto maior grau de especialização do fornecedor de bens de capital. Em primeiro lugar.8 (iii) Como o processo de inovação no setor é enviesado para STI. (ii) Os clientes das firmas de bens de capital têm papel crucial no processo de inovação. em países onde o setor é desenvolvido as firmas devem atribuir alta importância ao P&D para a inovação. 51 . São os ciclos de investimento e o tamanho do mercado que determinam a velocidade do aprendizado tecnológico.Em suma. Este aprendizado é também condicionado pela incerteza. diante do acima exposto. uma vez que ela influencia no grau de ousadia dos projetos de inovação.

As duas próximas tabelas trazem informações acerca da performance inovativa dos países europeus mais relevantes para a indústria de bens de capital e que participaram do Community Innovation Survey de 2004 (CIS4). 9 10 Veja a nota de rodapé da tabela 22. Com relação aos investimentos em inovação (em especial. o alto volume de gastos em atividades inovativas em geral como proporção do faturamento (5. mas ela caia sensivelmente quando se trata das inovações de produto novo para o mercado. no agregado da indústria de bens de capital) se deve aos altos gastos em aquisição de outros conhecimentos e aquisição de máquinas e equipamentos por parte de firmas líderes transnacionais em 2005.2 INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL. a pesquisa de inovação tecnológica conduzida pelo Eurostat. como compararemos este desempenho com firmas situadas nos outros países. em geral. vemos que a taxa geral de inovação na indústria de bens de capital no Brasil é semelhante à dos países europeus. 52 . Em primeiro lugar. ao P&D) tem-se que a indústria de bens de capital no Brasil investe bem menos que os países europeus. A PARTIR DAS PESQUISAS DE INOVAÇÃO Nesta seção. que cremos não se repetirem no futuro. Em segundo lugar. em todos os países.5. em que pesem diferenças com respeito ao corte de pessoal ocupado e ao escopo setorial9. as baixas taxas de inovação de produtos novos para o mercado e o baixo nível de investimentos em P&D indicam que. seguindo o padrão da indústria brasileira em geral. a partir das informações dispostas na TABELA 22 nota-se que.2%. Como será visto mais adiante.10 Portanto. as taxas de inovação são maiores no setor de bens de capital do que para a indústria em geral. analisaremos não apenas o desempenho inovativo do setor de bens de capital no Brasil. o Escritório Europeu de Estatísticas. o grau de inovatividade da indústria brasileira de bens de capital não é alto.

548.19% n.742 Brasil 1.199 65.20% 0.d. de forma que as informações se referem à CNAE 29 como um todo. TAXAS DE INOVAÇÃO E ESFORÇO INOVATIVO NA INDÚSTRIA E NO SETOR DE BENS DE CAPITAL BRASILEIRO EM COMPARAÇÃO COM PAÍSES SELECIONADOS: 2005 (BRASIL) E 2004 (DEMAIS PAÍSES). 294 e 296.76% Indústria total 2.319 32% 2.05% n.170 32% 11.66% 1.730 18% Alemanha 5.629 43% 23.412 27% Inovadoras de produto novo para o mercado 17.70% externo) Fonte: CIS 4. n. 292.23% 2.879 47% 1.60% Brasil Espanha 80.15% 3.601 27% 2.967 52% 2.80% inovativas (prop.438 34% Setor de bens de capital (CNAE 29) Espanha França Itália 9. da indústria de bens de capital com as da indústria de transformação 53 .118 34% 13.740 29% Itália 121.* Indicadores Número de empresas Inovadoras Inovadoras de produto Inovadoras de produto novo para o mercado Indicadores Número de empresas Inovadoras Inovadoras produto de Inglaterra 85. Da RLV) Gastos em P&D (interno + externo) n.68% 1.788 25% 1.38% 1.60% Inglaterra 3.46% Alemanha Espanha França Itália Gastos em atividades 7.896 65% 26.596 1.76% 1. a TABELA 23 compara as taxas de inovação. 0.876 4.TABELA 22 .957 28.547 28.23% 2. desagregadas pelos subsetores.26% 5.561 44.160 36% 15.835 81% 2.698 47% 846 23% 572 16% 1.667 46% 824 23% 792 22% Indústria total França 86.572 810 52% 603 38% 173 11% Brasil 31. PIA e PINTEC elaboração própria da equipe do projeto.716 13.502 20% Inglaterra Gastos em atividades inovativas (prop.d. Por sua vez.613 3.d.00 1. do Eurostat.d.040 16% 5.938 13% 13.00% 1.873 7% 13% 11% Setor de Bens de Capital (CNAE 29) Espanha França Itália 1. 2.211. limitamos nosso estudo para empresas brasileiras com mais de 30 empregados e às CNAEs 291.27% 4.446 42% 7. Inglaterra Alemanha 101.089 26% 17. * As tabulações a partir da CIS 4 abrangem empresas com mais de 10 pessoas ocupadas e não é possível uma desagregação setorial a três dígitos. Da RLV) Gastos em P&D (interno + 3. Como já mencionado.30% 3.00 5.977.176 36.285 32% 965 24% Alemanha 7.565 5% Brasil 5.821 14% 10.00 3.

o volume investido em P&D na indústria de bens de capital representa apenas 1. TABELA 23 . as taxas de inovação tanto de processo quanto de produto caem substancialmente quando se considera a novidade da inovação para o mercado. se situando sempre acima da média da indústria nacional. há muitas diferenças entre firmas líderes.7% do total da indústria de transformação.25% Número de empresas (total) Inovadoras Inovadoras de produto Inovadoras de produto novo para o mercado Inovadoras de processo Inovadoras de processo novo para o mercado 31.em geral.81% Outras máq.3 22.9 P&D / Faturamento (%) 0.446 42% 7. Contudo. frágeis e emergentes no que tange à inovação firmas.48% 0. e eq.0 0.24% Fonte: PIA. PINTEC. De fato. Naturalmente.6 0.565 5% 10. de (CNAE transmissão 292) (CNAE 291) 324 578 172 53% 129 40% 58 18% 132 41% 5 2% 309 53% 224 39% 46 8% 210 36% 30 5% Máquinasferramenta (CNAE 294) 181 100 55% 73 40% 25 14% 64 35% 6 3% 23.572 810 52% 603 38% 173 11% 530 34% 49 3% Motores.8 66. vê-se que a indústria de bens de capital fica abaixo da média nacional em todos os setores analisados à exceção do segmento de máquinas-ferramenta. Indústria de transformação Bens de Capital Total 1. conforme comentado anteriormente. RAIS e SECEX.788 25% 1. TAXAS DE INOVAÇÃO E ESFORÇOS INOVATIVOS NA INDÚSTRIA BRASILEIRA E NO SETOR DE BENS DE CAPITAL NAS EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS: 2005.66% 0.39% 0. elaboração própria da equipe do projeto. Com relação aos investimentos em P&D. A TABELA 24 mostra que as empresas líderes e emergentes se destacam em todos os tipos de inovação em 54 . de compresssores e uso geral eq. de uso específico (CNAE 296) 489 229 47% 177 36% 44 9% 124 25% 8 2% 20.980 35% 834 3% Investimento em P&D (R$ milhões) 7. seguidoras. e eq. Máquinas bombas.716 13. As taxas de inovação não variam substancialmente entre os subsetores.823 132.

TAXAS DE INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. POR CATEGORIA DE EMPRESA (EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS): 2005. Sem embargo. compressores e eq. 19% das firmas líderes e 30% das emergentes lançaram produto novo para o mercado mundial. A maior parte das firmas líderes e emergentes que inovaram para o mercado mundial atuam. se situando em torno da média da indústria nacional. de Nº de inovadoras transmissão (CNAE 291) de produto 33 33 100% 33 158 92 58% 58 107 21 20% 15 26 26 100% 23 324 172 53% 129 55 . TABELA 24 . compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291). no setor de máquinas de equipamentos para uso específico (CNAE 296) e no de motores. respectivamente. Nº de empresas bombas.572 809 51% 602 38% 173 11% 530 34% 49 3% 42 3% Motores. Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Total de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial 122 122 100% 122 100% 120 98% 55 45% 9 7% 23 19% Seguidoras 730 431 59% 316 43% 8 1% 260 36% 17 2% 1 0% Frágeis 660 196 30% 107 16% 9 1% 172 26% 22 3% 0 0% Emergentes 60 60 100% 57 95% 36 60% 43 72% 1 2% 18 30% Total 1. Outro fator que chama a atenção é que a taxa de inovação de processo para as firmas líderes no setor não é alta.todos os subsetores. bombas.

100% de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Máquinas e eq. de uso geral (CNAE 292) de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Máquinasferramenta (CNAE 294) de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Máquinas e eq. de uso específico (CNAE 296) Nº de empresas Nº de inovadoras de produto 33 100% 26 79% 4 12% 5 15% 30 30 100% 30 100% 30 100% 10 33% 0 0% 2 7% 26 26 100% 26 100% 24 92% 10 38% 4 15% 1 4% 33 33 100% 33 37% 7 4% 65 41% 1 1% 0 0% 262 165 63% 129 49% 0 0% 105 40% 8 3% 0 0% 73 39 53% 22 30% 0 0% 24 33% 2 3% 0 0% 237 135 57% 107 14% 1 1% 18 17% 0 0% 0 0% 271 99 37% 50 18% 8 3% 84 31% 22 8% 0 0% 77 29 38% 19 25% 0 0% 29 38% 0 0% 0 0% 205 47 23% 23 88% 17 65% 23 89% 0 0% 17 65% 15 15 100% 15 100% 8 53% 11 73% 0 0% 0 0% 5 5 100% 5 100% 1 20% 1 20% 0 0% 1 20% 14 14 100% 14 40% 58 18% 132 41% 5 2% 22 7% 578 309 53% 224 39% 46 8% 210 36% 30 5% 2 0% 181 99 55% 72 40% 25 14% 64 35% 6 3% 2 1% 489 229 47% 177 56 .

6% de seu faturamento em P&D interno e externo. RAIS e SECEX. mas distante do nível alemão. as firmas emergentes apresentam características diferenciadas de investimentos em inovação. frágeis e emergentes investem cada uma 0. Com respeito aos investimentos em atividades inovativas em geral .5% 0. PINTEC.de produto novo para o mercado de processo 100% 33 100% 45% 1 0% 11% 0 0% 100% 10 71% 36% 44 9% 124 25% 8 2% 16 3% 9 66 41 8 27% 28% 20% 57% 1 6 0 1 de processo novo para o mercado 3% 3% 0% 7% 15 1 0 0 de produto novo para o mercado mundial 45% 0% 0% 0% Fonte: PIA. França e Espanha. ESFORÇO INOVATIVO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. Como sabido. Do ponto de vista setorial. enquanto as seguidoras. elaboração própria da equipe do projeto. De fato.2%. As firmas líderes deste segmento investem 1. firmas líderes e emergentes do setor investem. de 3.6%. respectivamente. em torno de 0.9% e 2.e P&D interno e externo em particular – novamente firmas líderes e emergentes se destacam entre as demais. 57 . o setor que mais investe em P&D como proporção da RLV é o de máquinas-ferramenta (CNAE 294). POR CATEGORIA DE EMPRESA (EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS): 2005. a despeito do pequeno número e da reduzida escala de produção. TABELA 25 . número próximo à Itália.9% da RLV em P&D interno e externo.

0% 31 1.850 1.6% 17 2.044 56.0% 1.2% 48 0.236 350 1. de uso específico (CNAE 296) (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) 0. Estes gastos chegam a influenciar a média para toda 58 .4% 11 Total 34.1% 4 Emergentes 644 49 7.4% 2 2. RAIS e SECEX.234 1.6% 1 0.3% 0. elaboração própria da equipe do projeto.127 154 2.0% 2 4.0% 0 0.8% 2 0.9% 1.1% 1.775 5.9% 43 0.836 84 3.6% 45 0.320 12.Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes RLV Total 10.7% 941 45 4.4% 8 Seguidoras 20.166 21 1.7% 94 0. de transmissão (CNAE 291) RLV (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV Máquinas e eq.8% 6 0.173 19 1.2% 122 0 0.7% 7.5% 398 29 7.7% Fonte: PIA. Os elevados gastos em atividades inovativas em geral como proporção da RLV por parte das firmas líderes se devem ao setor de Máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296).531 32 2.095 179 2.492 52 3.455 88 2.6% 13.1% 4.5% 95 0.9% 6.8% 10 1.714 341 2. compressores e eq.0% 14 Frágeis 3.1% 8. bombas.2% 207 0.2% 369 3 0.4% (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) Motores. PINTEC.0% 50 12 25.0% 74 2 3.446 1.2% 2.1% 1.5% 0.5% 2.4% 1.188 56 1. de uso geral (CNAE 292) (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV Máquinasferramenta (CNAE 294) (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV Máquinas e eq.5% 28 1.6% 2 2.5% 7.7% 89 0.2% 31 0.193 14.5% 37 0.481 89 1.8% 0 0.6% 123 4 3.662 157 1.7% 9.378 1.

respectivamente.8% e 0.7% dos funcionários de uma empresa são dedicados a esse tipo de atividade. trata-se de firma ou conjunto de firmas que iniciou suas operações em 2005. as firmas líderes declararam gastar 56. quando é feita uma desagregação entre firmas nacionais e estrangeiras.as quais investiram um alto montante em aquisição de máquinas e equipamentos e aquisição de outros conhecimentos . GRÁFICO 5. Contudo.4% da RLV em atividades inovativas.11 Outro indicador relevante do esforço tecnológico das empresas é o número de pessoas envolvidas diretamente e com dedicação exclusiva em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento.4% do faturamento em atividades inovativas. 11 Sem embargo. não devem se repetir no futuro. Na CNAE 296. cerca de 0. novamente há diferenças substanciais com respeito à distribuição destes profissionais entre as diversas categorias de empresas.3% do pessoal ocupado trabalha exclusivamente em atividades de P&D.3%. 1. as 16 firmas líderes nacionais presentes neste subsetor investiram apenas 3. 59 . Os números equivalentes para empresas seguidoras e emergentes são substancialmente menores: 0.7 e 2. Na indústria brasileira como um todo. um valor certamente muito alto.a indústria. percebe-se que há firmas líderes transnacionais .20% da RLV. Entretanto. COMO PROPORÇÃO DO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. que é de 5. Estes investimentos. No setor de bens de capital. contudo. Nas empresas líderes e emergentes. 2. Provavelmente.a influenciar este resultado. PESSOAL OCUPADO EM P&D NO SETOR DE BENS DE CAPITAL BRASILEIRO. POR CATEGORIA DE EMPRESAS: 2005.2% dos funcionários está diretamente envolvido em atividades de P&D (GRÁFICO 5).

2% 0. o grupo das empresas líderes.0% 1.3% 1. RAIS e SECEX.0% 0.3% do total da mão-deobra empregada no setor. elaboração própria da equipe do projeto.5% 2. POR CATEGORIA DE EMPRESAS: 2005. Se 60 . por sua vez.5% 1. embora responda por apenas 22.0% 2. PESSOAL OCUPADO EM P&D NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. embora menores e respondendo por apenas 4.3% Fonte: PIA. GRÁFICO 6. As empresas emergentes.7% 2. De acordo com o GRÁFICO 6. são responsáveis por 8% dos profissionais envolvidos em atividades de pesquisa.9% do emprego no setor. PINTEC.8% 0.0% nt es re s ra s ei s Fr ág Lí de do Em er ge gu i To ta l 2.5% 0.Pessoal total ocupado em P&D: (%) do total 3. emprega 52% dos profissionais envolvidos em P&D no setor de bens de capital.

Neste segmento. nas firmas líderes do setor de máquinas-ferramenta (CNAE 294) 4. Com respeito à distribuição setorial do pessoal ocupado em P&D (GRÁFICO 8).6% dos empregados trabalham em P&D. cabe apenas comentar que ela segue a distribuição do faturamento e do emprego. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) e máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292). 61 . RAIS e SECEX. Com efeito. elaboração própria da equipe do projeto. bombas. com primazia dos setores de motores.4% 8% Líderes Seguidoras 52% Frágeis Emergentes 36% Fonte: PIA. PINTEC. É no setor de máquinas-ferramenta (CNAE 294) que as firmas líderes empregam maior parcela dos profissionais envolvidos em P&D (GRÁFICO 7). 82% dos pesquisadores trabalham em firmas líderes do ponto de vista tecnológico.

DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DO PESSOAL OCUPADO EM P&D: SETOR DE BENS DE CAPITAL. PINTEC. 62 . GRÁFICO 8. RAIS e SECEX. de transmissão (CNAE 291) Máquinas e eq. 2005 14% 12% 40% Motores. de uso geral (CNAE 292) Máquinas-ferramenta (CNAE 294) 34% Máquinas e eq. RAIS e SECEX. bombas. de uso específico (CNAE 296) Fonte: PIA. elaboração própria da equipe do projeto. elaboração própria da equipe do projeto. PINTEC. compressores e eq.GRÁFICO 7. PESSOAL OCUPADO EM P&D NO SETOR DE MÁQUINAS FERRAMENTA. POR CATEGORIA DE EMPRESAS: 2005 8% 0% 10% Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes 82% Fonte: PIA.

Deste modo.5% para a aquisição de máquinas e equipamentos.9% do investimento em inovação para P&D e 32. os líderes tecnológicos destinam 33. de acordo com a TABELA 26 . estes números são bem diferentes do padrão médio dos líderes tecnológicos: para a indústria como um todo. 63 .1% do montante para P&D. e 55.5% dos gastos em inovação para a aquisição de outros conhecimentos. deve-se lembrar que os gastos em inovação das firmas líderes se encontram afetados pelo alto volume investido em máquinas e equipamentos e aquisição de outros conhecimentos por firmas transnacionais no setor de máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296). Sem embargo. a TABELA 26 mostra que mesmo as firmas líderes destinam 42. Na indústria de bens de capital não é diferente. no agregado as firmas líderes da indústria de bens de capital destinaram 34. enquanto destinam apenas 6.3% para P&D. mesmo com o expurgo das líderes transnacionais da CNAE 296. Por isso. As firmas seguidoras destinam 19. Com efeito. Ainda assim.5. as firmas líderes parecem destinar uma parcela menor de seus gastos em inovação para P&D do que as seguidoras. Contudo.3 ESTRATÉGIAS DE INOVAÇÃO É tradicional na indústria brasileira a dependência da aquisição de máquinas e equipamentos como principal forma de atividade inovativa. caso se desconsiderassem estes gastos em aquisição de outros conhecimentos destas empresas transnacionais (em torno de R$ 400 milhões).7% para a aquisição de máquinas e equipamentos.8% dos gastos em atividades inovativas para a aquisição de máquinas e equipamentos e 9. as empresas líderes passariam a destinar 64.6% dos gastos em atividades inovativas para a aquisição de máquinas e equipamentos.1% dos gastos em atividades inovativas para P&D.

há de se considerar que o volume de dispêndio tanto em atividades inovativas em geral quanto especificamente em P&D das líderes é maior do que em qualquer outra categoria de empresa. bombas. cabe destacar o baixo volume de investimentos em atividades inovativas efetuado pelas firmas frágeis. este número sobe para 55% nos setores de motores. estas firmas destinam 32. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) e 53% e máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292). R$ 56. Os padrões descritos acima se repetem em todos os subsetores à exceção do setor de Máquinas-ferramenta (CNAE 294). em média. como conseqüência. Setorialmente. enquanto as emergentes investiram.7% dos gastos em atividades inovativas para P&D. no qual as firmas líderes destinaram em 2005 50. quase 10 vezes mais – R$ 810 mil.6 milhões mesmo sendo apenas 60 empresas. As 660 firmas frágeis gastam. e elas são responsáveis por praticamente metade (47%) do P&D do setor. as firmas frágeis investiram em média R$ 85 mil em 2005 em inovação. Pela sua natureza. no total. 64 . conforme demonstrado na seção anterior.4% dos investimentos em inovação para P&D. Em média. as firmas emergentes constituem a categoria de firmas que mais investe em P&D. As empresas gastam em atividades inovativas praticamente o triplo da soma do que gastam as outras categorias de empresas. Para comparação.No entanto. dentre os tipos de investimentos em inovação. as emergentes gastam R$ 48. Assim.2 milhões em atividades de inovação. Por fim. este foi também o setor que mais investe em P&D com respeito à RLV.

0% 194.6 0.1 1.8 19.8 1.7% 1.9 0.8% 14.2% 8. de transmissão Aquisição de máquinas e equipamentos (CNAE 291) Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial Tipo de empresa Líderes 1.3% 25.5% 37.319.4% Seguidoras 350.5% 0.3 8.0% 4.4 0.3 19.2% Total 1.5% 562.1 4.8% 0.4 42.1 15.7 15.0% 0.5% 28.0% 25.7% 9.6 14.0 1. Aquisição de outros conhecimentos compressores e eq.4% 3.4 7.8 4.9 3.6% 11.5 6.0% 5.0% Subsetor 65 .7 42.5% 4.0 4.0% 40.9 26.2 0.6 100.4% Emergentes 48.5 3.3 2.0% 169.0 5.7% 0.2 2.2 2.3% 0.1% 1.7% 1.0% 2.5% 36.0% 80.5 55.0% 0.5 100.5% 0.1% 10.8 32.8% 0.6% 103.4% 17.7 1.9% 96.4 22.4% 2.3 76.6% 51.4% 3.0 1.9 10.8 53.7 34.3% 0.6 4.0% 1.0 1.2 3.4 5.0 64.1% 27.2% 0.4 55.0 0.0% 23.1% 470.9 19.9 100.6% Frágeis 56.7 5.1 5.0 0.5% 45.1% 0.8 100.8 7.7% 0.9% 14.4 9.0 2.775.1 7.0% 0.2 4.0% 15.0 0. POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005.TABELA 26 .3% 0. Tipo de investimento em atividades inovativas Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Aquisição de outros conhecimentos Total Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Motores.9 6.1 3.0% 66.8 1.8% 340.9 100.0 46.8% 25.5% 819.3% 9.5 100.0 0.4% 154.4% 0.7% 164.1% 76.6 16.1% 1.6% 3.9% 2.0% 2.3 7.3 9.0% 85.4 25.0% 66.8 48.8 1.8 3.6% 455. VOLUME E DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS GASTOS EM ATIVIDADES INOVATIVAS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.2 6.0 0.6 55.3% 63.5 100.2 100.2 100.0 100.2 16.5 11.3% 0.8% 178.1% 59.3% 54.4% 1.1% 8.0% 0. bombas.3% 116.

0 0.5 2.4 3.3% 5.8% 0.5 42.1 11.0% 0.8% 3.0% 0.0 1.0% 26.7 2.0% 9.4 100.0% 157.3 12.9% 6.5 19.7% 4.0% 0.4% 6.6% 0.7% 88.0% 1.2% 0.8% 2.3 49.9% 4.2 6.0 0.3% Máquinasferramenta (CNAE 294) 66 .3 2.3 0.0 20.8% 10.4% 0.8 1.1 100.1 100.8 8.9% 0.2 0.3% 35.0% 29.9 4. de uso geral (CNAE 292) Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial 45.0% 10.0 8.7% 0.0% 0.6 56.4 50.Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Máquinas e eq.0% 2.1 7.8 4.2 100.1 100.9 8.4% 0.0% 0.5% 0.2% 3.0% 1.8 3.0 0.0% 2.8% 10.0% 0.2 42.1% 0.0 0.0 0.7 3.0% 0.5% 4.4 14.4 2.2 17.2% 1.4 2.9 2.0 0.8 3.4% 2.4% 52.2 1.0% 0.2 13.2 29.1 0.2 7.8 4.7 1.0 80.2 19.7% 19.5% 0.0% 0.2% 4.5% 1.8% 1.3% 0.0 100.0 0.0 0.0% 30.0% 0.4 4.7% 1.2% 0.0% 0.2% 3.0% 0.3 53.0 0.6% 0.4 2.5% 0.2% 1.0% 0.4 0.2 6.0% 0.9 2.5 35.1 4.8 4.0% 7.6 4.2 100.2% 21.5 100.0 100.1 9.9% 37.7 100.0 78.4% 0.0 0.7 27.6% 12.7 3.4% 1.2% 12.4 5.0% 2.1% 25.7% 22.2% 83.2 2.5 34.5 100.0% 1.2% 6.8 46.9% 0.3% 15.0% 42.5% 73.0% 0.

percebe-se um padrão bem distinto.1% 1.4 72.6 13.0% 23.1 42.2 0.2% 4. Destacam-se a Alemanha.9% e 22.0% 31.8 37. seja para o setor de máquinas e equipamentos em específico.3 45.3 bilhões de Euros.1 100.9% 91. No setor de bens de capital.3% para a aquisição de máquinas e equipamentos.8 33.5% 0. ou 62.8 32. RAIS e SECEX.6 0.0% 5.2% 89.7% 0.2% dos investimentos em inovação para P&D.1 0.8 6.3% 439.8 50.0 1.0% 1.7 2.7% 0.5% 14.5 43.3% Fonte: PIA.7 7.193.3 1.9 3.0 0.6% 11.2 0.2 0.8% 545.7% 22.7% 0.6% 1.0% 1.2% 1.3 14. por destinar 81.3% 14.1% 56.0% 0.6 64.2 88.8 11. elaboração própria da equipe do projeto.3 4. Além de gastarem mais em atividades inovativas como proporção do faturamento.7% 0.3 0. PINTEC.9% 3.6% 5.Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Máquinas e eq.1% 450.9% 1.4 100.3 4.2 8.1% do total de gastos em atividades inovativas) e a França.7 100.3 100.4 1.0 0.0% 3.8 2.7% 46.5 100. 67 . seja para a indústria como um todo.043.0% 12.7 1.1% 1. pelo volume de P&D investido no setor de máquinas e equipamentos (5.5% 12.2% 44.0 2.5% 3. os números equivalentes são 60. as empresas européias em geral destinam pouco mais de 50% dos investimentos totais em inovação para P&D e 24.6 29.6% 4. de uso específico (CNAE 296) Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial 1.5% 450. Quando se compara esta distribuição dos gastos inovação com a dos países europeus selecionados.5%.0% 9.3% 0.

TABELA 27 . VOLUME E DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS GASTOS EM ATIVIDADES
INOVATIVAS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL E DA INDÚSTRIA EM GERAL EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004.

Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Tipo de investimento em atividades inovativas (em milhares de Euros) Gastos em atividades inovativas Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Alemanha Espanha 8.536.000 410.816 100,00% 100,00% 5.298.000 270.051 62,10% 65,70% 497.000 31.915 5,80% 7,80% 194.000 1.681 2,30% 0,40% 1.537.000 91.405 18,00% 22,20% França 1.025.098 100,00% 832.106 81,20% 68.098 6,60% 18.251 1,80% 106.641 10,40% Itália 2.491.552 100,00% 1.190.753 47,80% 174.813 7,00% 57.277 2,30% 1.068.709 42,90% Total 12.463.466 100,00% 7.590.910 60,90% 771.826 6,20% 271.209 2,20% 2.803.755 22,50%

Indústria em geral Tipo de investimento em atividades inovativas (em milhares de Euros) Gastos em atividades inovativas Alemanha Espanha França Itália 75.526.000 6.775.967 30.074.025 16.493.480 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% Gastos em P&D interno 36.051.000 2.723.665 20.684.648 6.003.078 47,70% 40,20% 68,80% 36,40% Gastos em P&D externo 6.781.000 1.308.537 5.966.672 1.242.547 9,00% 19,30% 19,80% 7,50% Aquisição de outros conhecimentos 2.054.000 183.005 491.496 880.757 2,70% 2,70% 1,60% 5,30% Aquisição de máquinas e equipamentos 17.973.000 1.997.470 2.931.208 8.367.098 23,80% 29,50% 9,70% 50,70% Fonte: CIS4, do Eurostat, elaboração própria da equipe do projeto. Total 128.869.472 100,00% 65.462.391 50,80% 15.298.756 11,90% 3.609.258 2,80% 31.268.776 24,30%

No que tange à cooperação para a inovação, as 122 empresas líderes do setor de bens de capital são empresas que apresentam uma “taxa de cooperação” um pouco abaixo da média nacional para este tipo de empresa, que é de 37,5% (De Negri et al., 2008). Em segundo lugar na cooperação para a inovação vêm as firmas emergentes; 28% delas mantiveram algum acordo de cooperação para a inovação em 2005. Sem embargo, a TABELA 28 mostra que todas as categorias de empresas parecem cooperar muito pouco para a inovação - apenas 15% das empresas inovadoras do setor têm algum acordo -, e a forma de cooperação mais utilizada pelas empresas é a cooperação com os fornecedores; 14% das

68

empresas líderes 22% das empresas emergentes que inovaram fizeram este tipo de cooperação.

Como sabido, uma importante forma de cooperação pouco utilizada pelas empresas brasileiras é a cooperação com universidades. Em especial, conforme comentado anteriormente, o setor de bens de capital poderia se beneficiar grandemente da cooperação com a academia. Porém, no Brasil apenas 10% das empresas líderes, 8% das emergentes e 3% do total de empresas lançaram mão deste tipo de cooperação. Estes números são ligeiramente superiores à média nacional para estas categorias de empresas, que é de 8,8% para as líderes e 4,4% para as emergentes, com média 2,1% para a indústria como um todo. TABELA 28 . COOPERAÇÃO PARA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL, POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005.
Tipo de empresa Subsetor Tipo de acordo Líderes Acordos de cooperação Com clientes e consumidores Com fornecedores Total Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras Acordos de cooperação Motores, bombas, compressores e eq. de transmissão (CNAE 291) Com clientes e consumidores Com fornecedores Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras 38 31% 14 11% 17 14% 8 7% 12 10% 122 100% 17 52% 3 9% 7 21% 6 18% 5 15% 33 100% Seguidoras 41 10% 9 2% 15 3% 7 2% 6 1% 431 100% 14 15% 1 1% 5 5% 2 2% 1 1% 92 100% Frágeis 22 11% 20 10% 22 11% 0 0% 2 1% 196 100% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 21 100% Emergentes 17 28% 8 13% 13 22% 0 0% 5 8% 60 100% 3 12% 3 12% 0 0% 0 0% 0 0% 26 100% Total 118 15% 51 6% 67 8% 15 2% 25 3% 809 100% 34 20% 7 4% 12 7% 8 5% 6 3% 172 100%

69

Máquinas e eq. de uso geral (CNAE 292)

Máquinasferramenta (CNAE 294)

Máquinas e eq. de uso específico (CNAE 296)

8 15 22 9 54 27% 9% 22% 60% 17% 0 5 20 5 30 Com clientes e consumidores 0% 3% 20% 33% 10% 0 6 22 9 37 Com fornecedores 0% 4% 22% 60% 12% 1 3 0 0 4 Com outra empresa do grupo 3% 2% 0% 0% 1% 2 3 2 0 7 Com universidade / centro de capacitação 7% 2% 2% 0% 2% 30 165 99 15 309 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% 7 1 0 0 8 Acordos de cooperação 26% 3% 0% 0% 8% 6 0 0 0 6 Com clientes e consumidores 22% 0% 0% 0% 6% 5 1 0 0 6 Com fornecedores 19% 3% 0% 0% 6% 1 0 0 0 1 Com outra empresa do grupo 4% 0% 0% 0% 1% 3 0 0 0 3 Com universidade / centro de capacitação 11% 0% 0% 0% 3% 26 39 29 5 99 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% 6 11 0 5 22 Acordos de cooperação 18% 8% 0% 36% 10% 5 3 0 0 8 Com clientes e consumidores 15% 2% 0% 0% 3% 5 3 0 4 12 Com fornecedores 15% 2% 0% 29% 5% 0 2 0 0 2 Com outra empresa do grupo 0% 1% 0% 0% 1% 2 2 0 5 9 Com universidade / centro de capacitação 6% 1% 0% 36% 4% 33 135 47 14 229 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% Fonte: PIA, PINTEC, RAIS e SECEX, elaboração própria da equipe do projeto. Acordos de cooperação

Novamente, esta é uma realidade distinta da européia. Em geral, 21% das firmas do setor de máquinas e equipamentos e 19,5% das empresas industriais que mantiveram atividades inovativas em 2004 realizaram algum tipo de cooperação para a inovação. Em especial, respectivamente na Alemanha e na França, 25% e 35% das firmas do setor de máquinas e equipamentos realizam algum tipo de cooperação, e 19% e 17% das firmas do setor mantêm acordos de cooperação com universidades, conforme a TABELA 29 .

70

0% 1.756 5.777 8.2% 1.266 100% 8.667 100% Itália 555 11% 164 3% 332 7% 145 3% 225 5% 4.002 5.167 100% Acordos de cooperação Com clientes e consumidores Com fornecedores Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras Tipo de acordo Indústria em geral Alemanha 6.383 10.905 11.215 18.6% 631 3.2% 3.800 19.7% 10.981 38.426 100% Total 19.383 4.716 12% 14.546 Acordos de cooperação Com clientes e consumidores Com fornecedores Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras Fonte: CIS4.0% 35.5% 15.6% 1.732 12% 985 7% 1.991 21% 1.3% 5.TABELA 29 . Tipo de acordo Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha 1.7% 855 5.6% 857 5.1% 713 2.976 6.9% 100. COOPERAÇÃO PARA A INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL E NA INDÚSTRIA EM GERAL EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004.416 4.3% 1.481 100% Espanha 3.835 100% Espanha 418 25% 119 7% 271 16% 66 4% 112 7% 1.890 25.459 10% 1.2% 2. 71 . elaboração própria da equipe do projeto.093 19% 5.967 100% Total 2.698 100% França 584 35% 390 23% 411 25% 238 14% 286 17% 1.6% 3.4% 3.198 20.027 8.7% 7.550 11.490 8.339 9.0% 1.945 7.7% 3.0% 17.7% 3.5% 2.435 100% Itália 3.4% 32. do Eurostat.244 100% França 5.434 25% 786 13% 718 12% 536 9% 1.410 15.769 11.

Além da cooperação formal, sujeita no Brasil aos conhecidos problemas de apropriabilidade da inovação, fraca articulação das redes de informação, dificuldades de financiamento etc, a importância das fontes de informação para inovação fornece alguns indícios acerca das relações menos formais das empresas do setor com o sistema nacional de inovação. Neste quesito, de acordo com a TABELA 30 percebemos a importância dos clientes e consumidores como fonte de informação para a inovação.

A interação entre clientes/consumidores e fabricantes de bens de capital é fundamental, conforme já comentado, e ocorre devido às características do próprio processo produtivo do setor – um caso extremo é a produção do tipo ETO, ou a produção dos bens de capital não-seriados. Particularmente, 68% das empresas líderes do setor de bens de capital usam seus clientes e fornecedores como uma fonte muito importante para a inovação. Setorialmente, tal percentagem nunca é menor que 63% (setor de máquinas-ferramenta, CNAE 294). Em segundo lugar de importância como fonte de informação para a inovação vêm os fornecedores de máquinas e equipamentos e de insumos: 33% das empresas em geral e 38% das firmas líderes apontaram este elo do sistema de inovação como muito importante para a inovação. Considerando o viés dos gastos de inovação para a aquisição de máquinas e equipamentos, este era um resultado previsível no Brasil. Novamente, universidades e centros de pesquisa não figuram entre as fontes de informação mais importantes para a inovação, denotando a fragilidade da articulação universidade-empresa, mesmo que informal.

72

TABELA 30 .

NÚMERO DE EMPRESAS INOVADORAS QUE CONSIDERAM ALTAMENTE

IMPORTANTE AS FONTES DE INFORMAÇÃO PARA A INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL, POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005.

Subsetor

Fonte de informação

Tipo de empresa Líderes 33 27% 43 35% 122 100% 83 68% 46 38% 32 26% 31 25% 12 10% 20 16% 4 3% 12 10% 8 7% 122 100% Seguidoras 79 18% 180 40% 449 100% 215 50% 102 24% 74 17% 46 11% 26 6% 24 6% 17 4% 27 6% 14 3% 431 100% Frágeis 0 0% 71 35% 201 100% 110 56% 79 40% 57 29% 4 2% 7 4% 16 8% 3 2% 8 4% 4 2% 196 100% Emergentes 33 55% 15 25% 60 100% 26 43% 36 60% 7 12% 0 0% 4 7% 4 7% 0 0% 4 7% 5 8% 60 100% Total 145 17% 309 37% 832 100% 434 54% 263 33% 170 21% 81 10% 49 6% 64 8% 24 3% 51 6% 31 4% 809 100%

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário

Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Concorrentes Total Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras

73

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 8 24% 18 55% 33 100% 24 73% 8 24% 12 36% 7 21% 1 3% 7 21% 3 9% 4 12% 4 12% 33 100% 21 21% 49 49% 100 100% 51 55% 25 27% 23 25% 16 17% 10 11% 4 4% 5 5% 9 10% 2 2% 92 100% 0 0% 4 18% 22 100% 7 33% 8 38% 4 19% 0 0% 5 24% 0 0% 1 5% 1 5% 1 5% 21 100% 9 35% 6 23% 26 100% 3 12% 17 65% 3 12% 0 0% 3 12% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 26 100% 38 21% 77 43% 181 100% 85 49% 58 34% 42 24% 23 13% 19 11% 11 6% 9 5% 14 8% 7 4% 172 100%

Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Motores, Concorrentes bombas, compressores e eq. de transmissão Outra empresa do grupo (CNAE 291) Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras

74

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 12 40% 9 30% 30 100% 21 70% 10 33% 4 13% 14 47% 8 27% 6 20% 0 0% 1 3% 0 0% 30 100% 31 18% 67 39% 172 100% 70 42% 39 24% 26 16% 14 8% 13 8% 9 5% 2 1% 12 7% 10 6% 165 100% 0 0% 33 33% 99 100% 57 58% 30 30% 6 6% 4 4% 2 2% 16 16% 2 2% 7 7% 0 0% 99 100% 13 87% 4 27% 15 100% 9 60% 13 87% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 15 100% 56 18% 113 36% 316 100% 157 51% 92 30% 36 12% 32 10% 23 7% 31 10% 4 1% 20 6% 10 3% 309 100% Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Máquinas e eq. de uso geral (CNAE 292) Concorrentes Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras 75 .

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 8 30% 8 30% 26 100% 17 63% 13 48% 6 22% 1 4% 3 11% 1 4% 0 0% 3 11% 3 11% 26 100% 2 5% 11 28% 39 100% 17 44% 13 33% 5 13% 4 10% 0 0% 3 8% 4 10% 5 13% 0 0% 39 100% 0 0% 5 17% 29 100% 19 66% 24 83% 29 100% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 29 100% 1 20% 0 0% 5 100% 4 80% 1 20% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 5 100% 11 11% 24 24% 99 100% 57 57% 51 51% 40 40% 5 5% 3 3% 4 4% 4 4% 8 8% 3 3% 99 100% Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Concorrentes Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras Máquinasferramenta (CNAE 294) 76 .

elaboração própria da equipe do projeto. (iii) outra empresa do grupo. a TABELA 31 traz o número de empresas européias nos países selecionados que consideram muito importante as fontes de informação para inovação (i) clientes e consumidores. PINTEC. Para comparação.Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 5 15% 8 24% 33 100% 21 64% 15 45% 10 30% 9 27% 0 0% 6 18% 1 3% 4 12% 1 3% 33 25 18% 53 38% 138 100% 77 57% 25 19% 20 15% 12 9% 3 2% 8 6% 6 4% 1 1% 2 1% 135 0 0% 29 57% 51 100% 27 57% 17 36% 18 38% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 3 6% 47 10 71% 5 36% 14 100% 10 71% 5 36% 4 29% 0 0% 1 7% 4 29% 0 0% 4 29% 5 36% 14 40 17% 95 40% 236 100% 135 59% 62 27% 52 23% 21 9% 4 2% 18 8% 7 3% 9 4% 11 5% 229 100% Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Máquinas e eq. (ii) fornecedores. de uso específico (CNAE 296) Concorrentes Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% Fonte: PIA. De fato. RAIS e SECEX. (iv) universidades e centros de capacitação. as empresas brasileiras de bens de capital parecem utilizar mais a articulação informal entre 77 .

do Eurostat. elaboração própria da equipe do projeto. NÚMERO DE EMPRESAS INOVADORAS QUE CONSIDERAM ALTAMENTE IMPORTANTE AS FONTES DE INFORMAÇÃO PARA A INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL E NA INDÚSTRIA EM GERAL EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004. o setor de bens de capital brasileiro é.627 3.001 3. Fontes de Informação Em resumo. bastante dependente dos fornecedores de máquinas e equipamentos para a inovação. Além disso.930 11.667 4.413 7. Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha Espanha França Itália Total 2. mesmo as firmas líderes investem muito pouco em P&D.435 32.636 3.421 7.tendem a manter relações informais com clientes/consumidores e fornecedores de máquinas e 78 .clientes e fabricantes que as firmas européias.404 Universidade / centro de capacitação 5% 3% 3% 2% 3% 35.499 939 875 2.079 22.426 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% Fonte: CIS4.018 7.784 519 458 643 3.133 4.878 46.726 Outra empresa do grupo 60% 55% 52% 49% 55% 503 53 134 68 758 Universidade / centro de capacitação 9% 3% 4% 3% 5% 5.866 Fornecedores 23% 27% 20% 22% 23% 19. mas as firmas européias tendem a utilizar muito mais outras empresas do grupo como fontes de informação para a inovação que as brasileiras.645 7.783 26. Com respeito aos elos com o sistema nacional de inovação.698 1. seja em comparação com as firmas líderes da indústria brasileira como um todo.895 4.306 Clientes e consumidores 39% 21% 25% 15% 26% 8. tal qual a indústria brasileira como um todo.874 Outra empresa do grupo 55% 44% 51% 37% 47% 1.990 Clientes e consumidores 50% 25% 37% 20% 35% 976 474 138 675 2.944 432 616 998 4.835 1.967 14.481 17.263 Fornecedores 17% 28% 8% 14% 16% 3.244 15. as firmas do setor – e isto é válido também para os líderes tecnológicos .167 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% Indústria em geral Fontes de Informação Alemanha Espanha França Itália Total 14.266 100. seja em comparação com firmas semelhantes em países europeus. TABELA 31 .

Este quadro impõe restrições e desafios a serem superados para a elevação do nível de inovatividade do segmento no Brasil. a fim de que ele se torne efetivamente um setor no vértice do sistema nacional de inovação e difusor de inovações para o resto da economia brasileira. 79 . as taxas gerais de inovação são maiores para as empresas transnacionais.4 DISTINÇÕES ENTRE EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS Considerando a alta participação das empresas transnacionais no setor de bens de capital no Brasil. carecem de relações mais formais de cooperação. 5. vê-se que tanto nacionais quanto estrangeiras possuem taxas de inovação bastante semelhantes. especialmente com universidades e centros de pesquisa. quando se comparam líderes e seguidoras. Contudo. contudo.equipamentos como fonte de informação para inovação. Cabe notar que as transnacionais se concentram entre firmas líderes e seguidoras. A TABELA 32 mostra as taxas de inovação das firmas nacionais e estrangeiras. nesta seção analisaremos diferenças e semelhanças dos padrões e estratégias de inovação entre empresas nacionais e estrangeiras. por categoria de empresas. Por isso. restando apenas uma firma frágil entre as empresas de capital majoritariamente estrangeiro.

No tocante aos investimentos em inovação como proporção da RLV. EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005. elaboração própria da equipe do projeto.TABELA 32 . TAXAS DE INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. Tipo de empresa Indicador Líderes Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Total Empresas nacionais de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Total Empresas estrangeiras de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial 72 72 100% 72 100% 69 96% 35 49% 4 6% 9 13% 50 50 100% 50 100% 50 100% 20 40% 5 10% 14 Seguidoras Frágeis Emergentes 592 348 59% 257 43% 5 1% 212 36% 6 1% 1 0% 138 83 60% 59 43% 3 2% 48 35% 11 8% 0 659 196 30% 107 16% 9 1% 172 26% 22 3% 0 0% 1 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 60 60 100% 57 95% 36 60% 43 72% 1 2% 18 30% 0 — — — — — — — — — — — Total 1. os valores investidos em P&D são baixos relativamente à realidade 80 . De toda forma. RAIS e SECEX. PINTEC. de acordo com a TABELA 33 as líderes nacionais investem mais recursos em P&D do que as líderes transnacionais.383 676 49% 493 36% 119 9% 462 33% 33 2% 28 2% 189 133 70% 109 58% 54 29% 68 36% 16 8% 14 7% 28% 0% 0% — Fonte: PIA. mas as seguidoras investem um pouco menos.

89% 6 0.30% 7.21% 214 0 — 0 — Emergentes 644 49 7. Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes RLV (R$ milhões) Total Empresas Nacionais Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Seguidoras 10.88% 37 0. PINTEC.356 7. RAIS e SECEX.60% 0 0 — 0 — Total 16.71% Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV (R$ milhões) Total Empresas Estrangeiras Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) Fonte: PIA. quando efetuamos o expurgo dos gastos em aquisição de outros conhecimentos das líderes transnacionais desta CNAE 296. Quando se observa a distribuição dos gastos em atividades inovativas (TABELA 34 ).59% 57 0.514 419 2.975 56 1.079 160 1.157 191 1.58% 17.7% dos gastos 81 .57% Frágeis 2.28% 54 0. ESFORÇO INOVATIVO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL.167 15. as firmas líderes transnacionais passam a destinar 6.62% 2.55% 17 2. Novamente.36% 10. Mais uma vez. TABELA 33 .européia. elaboração própria da equipe do projeto. EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005.739 124 4.52% 36 1. Contudo. convém lembrar que os gastos em atividades inovativas das líderes transnacionais são influenciados pelos gastos em aquisição de máquinas e equipamentos e outros conhecimentos realizados por líderes transacionais da CNAE 296 (máquinas e equipamentos de uso específico). e estes gastos não devem se repetir no futuro.639 1.932 1.56% 111 0. percebe-se que as firmas líderes nacionais destinam fatia maior dos gastos em atividades inovativas para P&D do que as estrangeiras.54% 96 0. cabe lembrar que o alto volume de gastos em atividades inovativas por parte das transnacionais se deve a altos gastos em aquisição de máquinas e equipamentos e aquisição de outros conhecimentos por parte de transnacionais do setor de máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296).

7% 3.0% 1.9 0.0% 53. Como referência.8 Gastos em P&D interno 24.1% 28.8 77.8 Aquisição de máquinas e Nacionais equipamentos 51.3% 4.0 Gastos em atividades inovativas 100.1 100.1 25.3% 19.3 10.7% 48.6% 1.0% 87.3% 82 .8 0.6 4.9 2.1 7.5 1.2% 576.em todo caso menor do que os números equivalentes para as líderes nacionais no setor de bens de capital (24.1% 5.0% 100.9 Gasto em introdução das inovações 2.0 1.7% — — Empresas 498.7% 2. em média.1% 3.0% 82.4% 44.9% 6.0 5. Tipo de empresa Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes 123. VOLUME E DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS GASTOS EM ATIVIDADES INOVATIVAS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.6% 1.8 3.8% 1.0% 100.6 1. quando se expurgam tanto os gastos em aquisição de outros conhecimentos quanto as aquisições de máquinas e equipamentos. TABELA 34 . PINTEC.9 15.1% 464.2 42.4 Projeto industrial 10. EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005.0 18.1% 2.8 — — Projeto industrial 4.0 10.5% 10.0% 100.4 6. não há distinções relevantes entre as empresas nacionais e transnacionais no que tange à distribuição dos gastos em inovação.8 57.9% do investimento em inovação para P&D.6 — — Gastos em P&D externo 0.8 3.0% 30.0 1.5% 32.8% 1.9% 0.1 35.8 117.0 0.5% 19. Subsetor Indicador Total 419.8 — — Treinamentos 3.7% 1.3 34.2% 58.4 4.4 — — Aquisição de máquinas e estrangeiras equipamentos 41.6% 61.9% 11. elaboração própria da equipe do projeto.1% 3.5% 0.5 — — Gastos em P&D interno 4.5% 98.0 Gastos em P&D externo 4.2 36.2 48.3%). RAIS e SECEX.4% 5.8% 8.0 20.5% 9.8% 3.4 0.4% 5.6% 242.1% 6.8 — — Aquisição de outros conhecimentos Total – 37.5% 64.0 100.4 1.3 5.0% — — 453.3% 18. esta percentagem sobe para 16% .7 2.3% 16.6 56.2 1.para P&D interno.1% — — 93.9 7.356.6 Gastos em atividades inovativas 100.5 Treinamentos 4.9 31. Quanto às empresas seguidoras.1 159. os líderes tecnológicos na indústria nacional destinam 33.2 Aquisição de outros conhecimentos Total 1.8 0.2% — — 50.0% 100.9 1.7 2.9% 13.5% 47.1 — — Gasto em introdução das inovações 7.3% Empresas 63.0 25.5 10.4 11.0% — — 50.7% — — 3.7% 6.9 1.2% 2.8% 1.9% — — Fonte: PIA.4% 0.7% 18.4% — — 45.2 3.196.4 2.8 190.

EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005. a TABELA 35 traz informações acerca da cooperação para inovação de empresas nacionais e estrangeiras. COOPERAÇÃO PARA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. TABELA 35 . E isto é verdadeiro também para todas as principais formas de cooperação. RAIS e SECEX.Por fim. PINTEC. 83 . tanto firmas nacionais e estrangeiras seguidoras parecem cooperar muito pouco para a inovação. Com respeito às firmas seguidoras. Subsetor Tipo de acordo Acordos de cooperação Tipo de empresa Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes Total 92 19% 40 8% 56 12% 2 0% 20 4% 485 100% 26 27% 11 12% 11 12% 13 14% 5 5% 95 100% 20 33 22 17 36% 14% 15% 37% 5 7 20 8 Com clientes e consumidores 9% 3% 13% 17% 8 13 22 13 Com fornecedores Total 14% 6% 15% 28% Empresas 1 1 0 0 Nacionais Com outra empresa do grupo 2% 0% 0% 0% 7 6 2 5 Com universidade / centro de capacitação 13% 3% 1% 11% 56 234 149 46 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 18 8 0 0 Acordos de cooperação 55% 13% — — 9 2 — — Com clientes e consumidores 27% 3% — — 9 2 — — Com fornecedores Total 27% 3% — — Empresas 7 6 — — Estrangeiras Com outra empresa do grupo 21% 10% — — 5 0 — — Com universidade / centro de capacitação 15% 0% — — 33 62 0 0 Total de empresas inovadoras 100% 100% — — Fonte: PIA. não foram encontradas diferenças significativas. Em geral. contra 36% das líderes nacionais. as firmas líderes transnacionais cooperaram mais que as nacionais: 55% das líderes de capital estrangeiro mantinham algum acordo de cooperação. elaboração própria da equipe do projeto.

29% das firmas solicitaram patente de invenção. Estes números estão em linha com o comportamento médio das firmas líderes na indústria como um todo. Ainda assim. Setorialmente. 41% solicitaram o reconhecimento de marcas. 19% recorreram ao segredo industrial e 12% solicitaram patente no exterior. As empresas líderes são as que mais recorreram a métodos de apropriação: no total. o número absoluto de firmas seguidoras que recorre a alguma estratégia de apropriação dos ganhos da inovação supera o das firmas líderes. ela deverá decidir como se apropriar dos ganhos da inovação e se proteger da imitação. O patenteamento. a proporção de seguidoras que solicitam registro de patente é maior que a média nacional desta categoria de firmas. Entretanto. 17% das firmas seguidoras que inovaram solicitaram patente de invenção. No setor de bens de capital. o registro de marcas. enquanto no setor de máquinas-ferramenta (CNAE 294) as líderes querem ser reconhecidas pelos consumidores através de suas marcas (58% das firmas recorrem às marcas para apropriarem-se dos ganhos de inovação). que é de 9%. e 30% delas recorreram a marcas como forma de proteção.5. as líderes tendem a patentear mais nos setores de máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292) e específico (CNAE 296) .5 APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO Finalmente.34% das líderes nestes setores solicitaram patentes de invenção. segredo industrial ou o lead-time diante dos concorrentes são algumas estratégias possíveis para a apropriação destes ganhos. caso a firma seja bem-sucedida em inovar. Como ocorre com o resto da indústria. o recurso a estratégias de proteção cai bastante entre líderes e seguidoras. A TABELA 36 apresenta as estratégias de apropriação dos ganhos da inovação adotadas pelas firmas brasileiras do setor de bens de capital. como há muito mais firmas seguidoras que líderes. 84 .

Utilizou complexidade no desenho compressores e eq. ESTRATÉGIAS PARA A APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. de uso geral (CNAE 292) Utilizou patentes de modelo de utilidade Utilizou registro de desenho industrial Utilizou marcas Tipo de empresa Líderes 35 29% 17 14% 15 12% 50 41% 7 5% 23 19% 22 18% 15 12% 23 19% 122 100% 8 23% 7 20% 1 3% 11 32% 3 10% 6 19% 8 25% 2 6% 5 15% 33 100% 10 34% 6 19% 4 12% 10 34% Seguidoras 74 17% 78 18% 44 10% 130 30% 36 8% 40 9% 17 4% 11 3% 30 7% 431 100% 13 14% 16 18% 6 6% 26 28% 5 5% 11 12% 2 2% 2 2% 11 12% 92 100% 32 20% 34 21% 23 14% 41 25% Frágeis 23 12% 21 10% 18 9% 35 18% 23 12% 6 3% 0 0% 0 0% 0 0% 196 100% 4 17% 5 22% 2 11% 8 36% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 21 100% 20 20% 16 16% 16 16% 16 16% Emergentes 5 8% 8 14% 8 14% 20 33% 0 0% 8 14% 15 25% 0 0% 0 0% 60 100% 0 0% 0 0% 0 0% 3 12% 0 0% 0 0% 3 12% 0 0% 0 0% 26 100% 0 0% 4 26% 4 26% 4 26% Total 137 17% 124 15% 86 11% 235 29% 65 8% 78 10% 54 7% 26 3% 53 7% 809 100% 24 14% 28 16% 9 5% 47 27% 8 5% 17 10% 14 8% 4 2% 16 9% 172 100% 62 20% 60 19% 47 15% 71 23% 85 . Subsetor Método de apropriação dos ganhos da inovação Utilizou patentes de invenção Utilizou patentes de modelo de utilidade Utilizou registro de desenho industrial Utilizou marcas Utilizou complexidade no desenho Total Utilizou segredo industrial Utilizou tempo de liderança Solicitou depósito de patente no exterior Dispõe de patente no exterior Total de empresas inovadoras Utilizou patentes de invenção Utilizou patentes de modelo de utilidade Utilizou registro de desenho industrial Utilizou marcas Motores. de Utilizou segredo industrial transmissão (CNAE 291) Utilizou tempo de liderança Solicitou depósito de patente no exterior Dispõe de patente no exterior Total de empresas inovadoras Utilizou patentes de invenção Máquinas e eq. bombas. POR CATEGORIA DE FIRMA: 2005.TABELA 36 .

PINTEC.1 20 19 0 3% 12% 19% 0% 6 10 2 5 Utilizou segredo industrial 19% 6% 2% 31% 6 8 0 4 Utilizou tempo de liderança 19% 5% 0% 26% 0 5 0 0 Solicitou depósito de patente no exterior 0% 3% 0% 0% 0 9 0 0 Dispõe de patente no exterior 0% 6% 0% 0% 30 165 99 15 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 6 5 0 1 Utilizou patentes de invenção 24% 13% 0% 20% 0 3 0 1 Utilizou patentes de modelo de utilidade 0% 6% 0% 20% 0 2 0 1 Utilizou registro de desenho industrial 0% 6% 0% 20% 15 21 0 5 Utilizou marcas 58% 54% 0% 92% 1 5 0 0 Utilizou complexidade no desenho Máquinas4% 12% 0% 0% ferramenta 4 3 0 0 (CNAE 294) Utilizou segredo industrial 14% 9% 0% 0% 3 1 0 0 Utilizou tempo de liderança 12% 3% 0% 0% 3 0 0 0 Solicitou depósito de patente no exterior 10% 0% 0% 0% 6 4 0 0 Dispõe de patente no exterior 22% 9% 0% 0% 26 39 29 5 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 11 24 0 4 Utilizou patentes de invenção 34% 18% 0% 25% 5 24 0 4 Utilizou patentes de modelo de utilidade 15% 18% 0% 25% 10 13 0 4 Utilizou registro de desenho industrial 32% 9% 0% 25% 14 42 12 8 Utilizou marcas 44% 31% 25% 57% 1 6 3 0 Máquinas e eq. Utilizou complexidade no desenho 4% 5% 7% 0% de uso específico 8 16 3 4 Utilizou segredo industrial (CNAE 296) 23% 12% 7% 25% 5 6 0 8 Utilizou tempo de liderança 15% 4% 0% 57% 10 4 0 0 Solicitou depósito de patente no exterior 31% 3% 0% 0% 12 6 0 0 Dispõe de patente no exterior 38% 4% 0% 0% 33 135 47 14 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% Fonte: PIA. elaboração própria da equipe do projeto. RAIS e SECEX. Utilizou complexidade no desenho 40 13% 22 7% 18 6% 5 2% 9 3% 309 100% 12 12% 4 4% 3 4% 41 41% 6 6% 7 7% 4 4% 3 3% 9 9% 99 100% 39 17% 33 14% 27 12% 76 33% 11 5% 31 13% 19 8% 14 6% 18 8% 229 100% 86 .

em todos os países a proporção das firmas inovadoras que solicitam patente no setor de máquinas e equipamentos é maior que no resto da economia.Para comparação. Por exemplo.551 39% 2.094 36% 5. a TABELA 37 mostra o uso dos métodos de apropriação dos ganhos da inovação em países europeus. pode-se suspeitar que esta elevada proporção de firmas que solicitam patentes seja uma combinação destes dois fatores citados acima. maior o incentivo a protegê-la da imitação – ou se consiste em um indício do menor custo para proteger a inovação na Europa. talvez indicando um maior grau de inovatividade das inovações neste setor.698 100% França 705 42% 448 27% 390 23% 1.766 47% 1. Segundo.835 100% Espanha 390 23% 291 17% 267 16% 1.967 100% Total 5.690 34% 718 14% 700 14% 4.667 100% Itália 1. na Alemanha e na França. mais de 40% das firmas do setor que inovaram solicitaram patentes.798 20% 3.341 23% 2.167 100% 87 . TABELA 37 . isto é uma questão para estudos futuros. considerando os demais indicadores de inovação mostrados neste trabalho. até mesmo quando se toma por referência as firmas líderes. Primeiro.451 24% 14. EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004. Métodos de apropriação Patentes submetidas Projetos industriais registrados Marcas Registradas Total de empresas inovadoras Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha 2. chama a atenção o fato de que no setor de máquinas e equipamentos a proporção de firmas que solicitaram patentes é maior do que no Brasil. Se isto é um indicador de maior grau de inovatividade do setor naqueles países – no sentido em que quanto mais relevante a inovação. Contudo. ESTRATÉGIAS PARA A APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL E NA INDÚSTRIA EM GERAL.

focalizamos os investimentos das firmas do setor de bens de capital em inovação e especialmente em P&D.185 27% 5.903 9% 5. elaboração própria da equipe do projeto. de 44. Nesta seção.035 20% 20. ainda segundo o GRÁFICO 9. No setor de bens de capital. iii) 88 . um percentual bem maior que a média da indústria.440 20% 2. esses investimentos foram um pouco menores.435 32.463 17% 2. do Eurostat.004 28% Espanha 2. 5.6 INVESTIMENTO E FINANCIAMENTO AO INVESTIMENTO E ÀS EXPORTAÇÕES Até o momento.266 100.27% do investimento total).Métodos de apropriação Patentes submetidas Projetos industriais registrados Marcas Registradas Indústria em geral Alemanha 10.1%.481 17. ii) máquinas e equipamentos. em torno de 5.076 12% França 4.691 24% 10. os investimentos em ativos tangíveis realizados pela indústria brasileira (pelas empresas com mais de 30 pessoas ocupadas) chegaram a 5. Devemos lembrar que.970 23% 20.928 31% 8. e também a fonte de financiamento deste investimento. na PIA.516 23% Itália 5. Contudo.832 21% Total de 35.426 empresas 100% 100% 100% 100% 100% inovadoras Fonte: CIS4.8% do faturamento total da indústria (GRÁFICO 9). estes investimentos foram destinados em maior parte para a aquisição de máquinas e equipamentos (72.394 14% 3. os investimentos em ativos tangíveis são divididos em quatro categorias: i) terrenos e edificações.4% do faturamento do setor. analisaremos os investimentos gerais em ativos tangíveis realizados por estas empresas.236 16% Total 22.001 32% 3.244 15. Em 2005.

40% 5. 89 .00% 44.00% Indústria total Indústria total Bens de Capital Bens de Capital 5.00% 20. até mesmo devido ao maior porte – como também são também as que mais investiram em máquinas e equipamentos em relação ao total investido (a única exceção setorial é o setor de Máquinas-ferramenta).00% Indústria total Indústria total Bens de Capital Bens de Capital Fonte: PIA.27% 80.10% 60. iv) outros investimentos. RAIS e SECEX. elaboração própria da equipe do projeto.meios de transporte. o que teria denotado uma participação maior dos terrenos e edificações no investimento total. que as empresas líderes não apenas foram as que mais investiram em média – em torno de R$ 5 milhões. A TABELA 38 detalha os indicadores de investimentos por setor e por categoria de firmas. PINTEC.00% 40. GRÁFICO 9.80% 5.20% 5.% do total 72. A grande participação da aquisição de máquinas e equipamentos nos investimentos do setor provavelmente indica que o setor aproveitou a conjuntura favorável para priorizar os investimentos na atualização tecnológica e modernização do parque produtivo em relação à ampliação da capacidade produtiva. INVESTIMENTOS COMO PROPORÇÃO DO FATURAMENTO E INVESTIMENTOS EM MÁQUINAS COMO PROPORÇÃO DO INVESTIMENTO TOTAL: INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO E SETOR DE BENS DE CAPITAL: Investimento/Faturamento 5. a partir da TABELA 38 .60% 5.80% 5.00% 0. .39% Investimento em máquinas e eq. Percebe-se.

nas quais os investimentos em ativos intangíveis e em P&D são bastante relevantes.294 384.3% do investimento do setor.159. INVESTIMENTOS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.629.043.555 48% 107 383.572 11.879. o volume de investimentos em máquinas e equipamentos (R$ 16.518.369 80% 1.937 613.930 228.637.815 6.626.911 361. ou R$ 602 mil em média.372. % do faturamento compressores Investimento médio por e eq.843 5.801.224. de firma (R$) transmissão Investimento em (CNAE 291) máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total 122 Seguidoras 730 Frágeis 660 Emergentes 60 Total 1.053 4. o único setor que se diferencia dos demais pela alta participação das seguidoras no total investido (85%) é o setor de Máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 292).905.648 331.442 54% 324 Total 122.809 856. respectivamente. as emergentes investiram R$ 36.50% 2.6% do total e as firmas frágeis e emergentes.264 3.134.930.97% 235.266.657 36.896 6% 95.062.485.225.312 30.227 46% 26 997.272 71% 602.477.382. Investimento Total (R$) bombas.025 16.172.172.181 738.280.495 5.1 milhões.777 21.349.52% 4.70% 11.446 42% 158 7.441 443. realizaram 4% e 2.97% 1. 8 milhões) segundo a PIA é praticamente o mesmo dos investimentos em P&D (R$ 15.751 14.108 45% 90 .8 milhões) segundo a Pintec.56 bilhões investidos pelo setor em 2005.048.842.43% 51. POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005 Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total N° de firmas Faturamento (R$) Motores.568.694.571 4% 2.941 3.99% 4.205 1.053 343.213 72% 33 6. A este respeito.079.545 20.Com efeito.880.171 4.631.93% 5.717 5.483 1.657.262.549.790.864.39% 3.608 36. Quando se consideram os investimentos totais.611 653.759 851.988. As 730 seguidoras responderam por 54. TABELA 38 .823.833 307.894 62.639.026. É interessante notar que as empresas emergentes. as 122 líderes tecnológicas do setor respondem por 39% do total de R$ 1.121.087.26% 5.742.

675 29.836.492 1.580. Este baixo nível de investimentos.971 3.919 342.930 46% 26 1.014 3.257.696 2.359.027 0.577.326.107.287 16.566.62% 657. PINTEC.003.008 262 271 7.605 143.074 5.715 19.26% 662. RAIS e SECEX.502.521 87.832 38.722.186 4.45% 22.109 32. Em média.907 36% 33 2.29% 28.991 157. O BNDES é uma importante fonte de 91 .249.781.70% 1. pode impor uma restrição à atualização tecnológica destas firmas.122 56% 205 15 75.689. Por fim.507.887.176.576 26.941 4.211.826 5.07% 525.396. elaboração própria da equipe do projeto.640 406.411.249.55% 1.367.953.583.211 60% Máquinasferramenta (CNAE 294) Máquinas e eq. cabe salientar o pequeno volume de investimentos das firmas frágeis.819 78.757 321.702 4.598 12% 5 49. Sem dúvida.80% 3.377. dos quais 48% foram destinados às máquinas e equipamentos.57% 89.558.96% 3.491.045 262.29% 1.591 317.668.983.454.108.564 1.93% 7.862 235.236 135.279 74% 73 1.774. de uso geral (CNAE 292) N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) 30 969. Além da análise dos investimentos em si.077.525.087.630 10.027 100% 14 578 10.947 143.808.174 11.995 30.365.878 3.333. de uso específico (CNAE 296) 4.474.68% 644. é interessante notar como estes investimentos são financiados.794 90. aliado às deficientes capacidades inovativas.137.445.477 15.03% 1.310.601 194.253 0.980.836.148.338.55% 749.022 3.691.851 63.430 3.663 6.103.534.301 3.129 372.817 41.579.886.873.758. estas firmas investiram apenas R$ 95 mil.163.093.465 53% 77 123.273 70% 181 2.099.055 34.031 56% 84% 50% 39% % do investimento total Fonte: PIA.634 104.Máquinas e eq.477 149.794 70% 237 73.850 47% 489 8.

GRÁFICO 10. Porcentagem de empresas financiadas 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes Total 25% 15% 63% 49% 39% 92 . Contudo. e as maiores empresas do setor estão classificadas exatamente como líderes ou seguidoras.financiamento para a indústria brasileira e. especialmente. a indústria de bens de capital tanto utiliza o BNDES para financiar seu próprio investimento quanto os seus clientes financiam seus investimentos junto ao banco. pode-se afirmar que o BNDES provê cobertura ao setor relativamente de acordo com a média da indústria: 39% das empresas do setor obtiveram financiamento junto ao BNDES entre 1996 e 2006. e mais alta para as líderes (63%) e seguidoras (49%). o que naturalmente estimula a demanda do setor. Este era um resultado esperado. PERCENTUAL DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL QUE RECEBERAM FINANCIAMENTO DO BNDES: 1996-2006. vê-se que é a cobertura do BNDES é mais baixa para as firmas frágeis (25%) e emergentes (15%). dada a tradição do BNDES de financiar empresas de grande porte. A partir do GRÁFICO 10. quando se desagrega esta cobertura por categoria de empresa. enquanto a média das empresas industriais é de 38%.

que correspondem a 66% do montante total destinado ao setor.6 1413. segmento no qual as firmas seguidoras tem destacada presença no investimento total do setor. 93 .8 Emergentes Total Fonte: BNDES. RAIS e SECEX. PINTEC. Com efeito. A tabela a seguir detalha a distribuição dos empréstimos junto ao BNDES entre as categorias de firmas e os setores.7 Líderes Seguidoras Frágeis 131. elaboração própria da equipe do projeto. Este padrão se repete em todos os setores exceto no setor de máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292).8 3065.Valor contratado 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Milhares 4646.7 35. PIA. especificamente neste setor as firmas seguidoras captaram 87% dos recursos destinados ao setor pelo BNDES. Tanto a TABELA 39 quanto o GRÁFICO 10 mostram que as firmas líderes contrataram valores maiores junto ao banco.

acesso ao BNDES de uso % do total de firmas específico Valor contratado (CNAE 296) (R$mil) Tipo de empresa Líderes 122 76 63% 3.3% 33 16 48% 959.722 Emergentes 60 9 15% 131.272 0. compressores % do total de firmas e eq. Subsetor Indicador N° de firmas Nº de firmas com acesso ao BNDES % do total de firmas Valor contratado (R$mil) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Nº de firmas com Motores. PIA.8% 107 28 26% 5. PINTEC.413.691 0. elaboração própria da equipe do projeto.6% 0.3% 30 14 46% 18.8% 100% pelo setor Fonte: BNDES.124 3.604 1. acesso ao BNDES bombas.9% 77 17 22% 9.2% 26 21 81% 925. RAIS e SECEX.602. de Valor contratado transmissão (R$mil) (CNAE 291) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Nº de firmas com acesso ao BNDES Máquinas e eq.547 Total 1.436 Total % do total contratatado 59.9% 73 44 61% 67.837 100.TABELA 39 .8% 26 3 10% 6.065. DISTRIBUIÇÃO DOS EMPRÉSTIMOS JUNTO AO BNDES ENTRE AS CATEGORIAS DE FIRMAS E OS SETORES.3% 271 47 17% 8.234 36. 1996-2006.714 30.835.857 100% 181 86 48% 1.4% 15 0 0% 0 0. de uso geral % do total de firmas Valor contratado (CNAE 292) (R$mil) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Máquinasferramenta (CNAE 294) Nº de firmas com acesso ao BNDES % do total de firmas Valor contratado (R$mil) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Nº de firmas com Máquinas e eq.131 Frágeis 660 167 25% 35.8% 31.646.0% 33 26 78% 1.231 100% 489 215 44% 1.637 66.572 611 39% 4.587 92.898 9.003.721 0.4% 158 89 56% 661.513 6. 94 .162.0% 262 104 40% 178.764 2.0% 324 145 45% 1.037 Seguidoras 730 359 49% 1.0% 5 4 80% 526 0.0% 205 75 36% 12.1% 14 3 18% 124.115 63.836 86.7% 237 122 52% 506.8% 7.312 100% 578 165 29% 205.

As firmas líderes.. ficando com 88. são as menos apoiadas pelo governo no que tange ao financiamento de P&D. RAIS e SECEX. esta realidade se repete. elaboração própria da equipe do projeto.6% 95% 5% 3% Líderes Seguidoras Próprio Privado Frágeis Público Emergentes Fonte: BNDES. Por outro lado. as seguidoras são as empresas que conseguem a maior cobertura do setor público para P&D: 8%.4% 0. Por seu turno. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Milhões 99% 92% 97% 8% 0. Isto evidencia a falta de mecanismos – tanto públicos quanto privados – para financiar projetos inovadores. GRÁFICO 11. FONTE DOS RECURSOS INVESTIDOS EM INOVAÇÃO DAS EMPRESAS INOVADORAS NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. POR CATEGORIA DE EMPRESA (%): 2005. novamente. receberam apoios do governo equivalentes a 5% e 3% dos gastos totais em P&D. respectivamente.6% de seus gastos em P&D contam com apoio público. No setor de bens de capital. PIA.É sabido que na indústria brasileira as firmas dependem sobremaneira dos recursos próprios para inovar. PINTEC. De fato. as firmas inovadoras do setor financiam mais de 90% de seus gastos em P&D com recursos próprios. como mostrado no GRÁFICO 11.3% do total destinado pelo governo para P&D no setor. firmas frágeis e emergentes. que financiam 99% do seu P&D com recursos próprios. pois apenas 0. 95 .

481 17.134 Empresas apoiadas 18% 28% 26% 44% 35.366 23% 28% 24% 48% 32% 14.167 5. Financiamento do Governo Empresas apoiadas Total de empresas inovadoras Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha Espanha França Itália Total 4. os gráficos a seguir trazem informações sobre o Proex nas categorias Financiamento e Equalização. É interessante notar como a distribuição das firmas beneficiadas pelo programa Proex financiamento em relação ao porte das empresas é relativamente 12 Ambas as modalidades de financiamento ocorrem na fase pós-embarque.667 4. por parte do Tesouro Nacional. Por sua vez.840 4. elaboração própria da equipe do projeto. mais de 20% das empresas do setor de máquinas e equipamentos contaram em 2004 com suporte público para a inovação.244 15.435 32.967 100% 100% 100% 100% 100% Indústria em geral Alemanha Espanha França Itália 6. e pode ocorrer tanto na modalidade de supplier’s credit (financiamento ao exportador) quanto na de buyer’s credit (financiamento ao comprador no exterior). Apesar de não ser diretamente comparável com as estatísticas brasileiras. O setor só perde para o segmento de agribusiness.347 4. esta é uma realidade bem diversa da vivida nos países europeus. Financiamento do Governo Total 29. o Proex equalização consiste no pagamento. por exemplo.835 1. e 24-26% dos recursos do programa Proex equalização. do Eurostat.12 Ao setor de máquinas e equipamentos foram destinados 12% em 2007 e 13% entre janeiro e setembro de 2008 dos recursos totais do programa Proex financiamento. EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004. TABELA 40 . que responde pela grande maioria das operações de crédito.426 100% No tocante ao financiamento das exportações.Mais uma vez.266 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% Fonte: CIS4.324 467 394 2.332 29% 100. da diferença maior entre os encargos pactuados com o financiador e os custos de operação semelhante no mercado internacional. a TABELA 40 mostra que na Alemanha e na França.011 14. EMPRESAS INOVADORAS QUE RECEBERAM SUPORTE PÚBLICO PARA A INOVAÇÃO. O Proex financiamento é uma operação ordinária de crédito para exportação a taxas de juros comparáveis com o mercado internacional.698 1.551 1. 96 .

DISTRIBUIÇÃO DO PORTE DAS EMPRESAS BENEFICIADAS PELO PROEX FINANCIAMENTO. Fonte: MDIC 97 . GRÁFICO 13.equânime entre grandes. médias e pequenas empresas no setor de máquinas e equipamentos. GRÁFICO 14. DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS DO PROEX FINANCIAMENTO DE ACORDO COM OS SETORES: 2007 E 2008 (ATÉ SET). DE ACORDO COM OS SETORES: 2008 (ATÉ SET). DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS DO PROEX FINANCIAMENTO DE ACORDO COM OS SETORES: 2007 E 2008 (ATÉ SET). GRÁFICO 12.

Como o modelo de inovação no setor em países onde esta indústria é relevante se baseia em C. Todavia. eles alteram a curva de possibilidades de produção e ocupam o vértice do sistema nacional de inovação. mas parcerias estratégicas com os clientes e fornecedores. também são fundamentais. e investindo mais em P&D do que os outros setores. que ela dispõe nas economias mais inovadoras e desenvolvidas.6. e pudemos constatar que naqueles países a indústria de bens de capital apresenta um desempenho inovativo acima da média. após um período de profunda reestruturação produtiva nos anos 90. tivemos o cuidado de comparar a indústria brasileira de bens de capital com a realidade do setor em países europeus.T&I. seja do ponto de vista produtivo. para investir em inovação como arma competitiva? Vimos que na indústria de bens de capital a escala de produção é importante para a acumulação de conhecimento – e esta depende. a pergunta que norteou este relatório foi: as empresas de bens de capital no Brasil aproveitaram o bom momento econômico para investir em estratégias que levem à acumulação de conhecimento. os investimentos em P&D e parcerias com universidades são cruciais para a elevação do grau de inovatividade do setor. liderando projetos em inovação. do ciclo de investimentos ou de promoção às exportações -. seja do ponto de vista da inovação. sabemos que a indústria brasileira de bens de capital não tem a mesma relevância. 98 . Nestes países. interagindo com universidades. Deste modo. em última instância. os fornecedores especializados são catalisadores da inovação em toda a economia. pela própria dinâmica produtiva do setor.COMENTÁRIOS FINAIS E IMPLICAÇÕES DE POLÍTICAS PARA O SETOR Do ponto de vista produtivo e do posicionamento de mercado. soube aproveitar em certa medida o ciclo de investimentos e de redução da volatilidade econômica vivido a partir do segundo semestre de 2003 até o segundo semestre de 2008. Ao longo deste relatório. a indústria brasileira de bens de capital.

sobretudo para firmas tipicamente exportadoras. Nos últimos anos. medidas hoje atualmente no âmbito da PDP estipulando a depreciação acelerada. esta ainda subsiste em menor grau devido às políticas de extarifário. quando não abaixo. por exemplo. e antecipação de créditos tributários incidentes sobre investimentos foram instituídas pela chamada “Lei do Bem” e outros dispositivos legais. Com efeito. As políticas públicas voltadas para o segmento se tradicionalmente se baseiam no trinômio financiamento. pois estimula sua demanda. data de 1964. o fato é que a performance de inovação e os investimentos em atividades inovativas estão de acordo com. Com respeito à tributação. o Brasil vem empenhando diversos esforços para desonerar investimentos. Naturalmente. Contudo. É pouco para um setor supostamente difusor das inovações e indutor do progresso técnico. a despeito de algumas empresas terem reconhecida liderança mundial e realmente competirem com base em inovação e diferenciação de produtos. Ao longo de sua história econômica o Brasil sempre teve políticas públicas voltadas para o setor de bens de capital . Com respeito ao último ponto. infelizmente.66%) e responde por menos de 2% do total dos investimentos em P&D no Brasil. Por exemplo. Neste sentido.No Brasil.39% da receita líquida de vendas em P&D (a média nacional é de 0. da média nacional. 99 . tributação e proteção à indústria doméstica. as líderes tecnológicas do setor acreditam mais na inovação como estratégia competitiva que a média nacional.o Finame do BNDES. o setor investe em média 0. qualquer política voltada para a modernização produtiva ou ampliação dos investimentos estimula o setor de bens de capital. a resposta à indagação que motivou este relatório é. mas elas não se destacam com respeito às líderes na indústria brasileira como um todo. não. O setor figura entre as prioridades da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

em parte devido à estrutura tributária em cascata. tanto para a produção quanto para a comercialização. devido à ampliação da oferta de crédito. Não deve ser assim. o Brasil ainda é conhecido como um país que tributa investimentos e exportações. em muitos casos. Contudo. à queda nas taxas de juros e orientação do governo – a ampliação e reestruturação do Finame é um exemplo. este setor é especial no sistema nacional de inovação. deve-se estimular especificamente o acúmulo de capacidades inovativas e desenvolvimento de projetos. um salto competitivo neste segmento tão importante para a inovação. o escopo dos beneficiários das medidas é muito limitado. este tem melhorado sensivelmente nos últimos anos. o apoio governamental historicamente se concentrou no apoio à produção e comercialização dos bens de capital. No tocante às exportações. que o resto dos setores industriais. Acumular tais capacidades pode representar. pois isto terá um impacto não só neste setor. Sem embargo. no que tange ao aprendizado tecnológico. Como mostramos. no futuro. Assim. deixando o apoio à inovação em segundo plano ou a cargo de políticas horizontais.o êxito destas políticas tem sido parcial. 100 . o setor de bens de capital padece das mesmas carências. mas na produtividade e inovação de toda a economia. vimos também que o setor tem participação considerável nos recursos do Proex. Quanto ao financiamento.

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