Estudos

Inovação
Setoriais de

Indústria de Bens de Capital

AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL

Projeto: Estudo sobre como as empresas brasileiras nos diferentes setores industriais acumulam conhecimento para realizar inovação tecnológica

Relatório Setorial:

INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL

Pesquisadores: Bruno Araújo (IPEA)

Belo Horizonte, Fevereiro de 2009

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.SUMÁRIO

1.  INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3  2 .INTERAÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL ............................................ 6  3. O SETOR DE BENS DE CAPITAL: BREVE HISTÓRICO, DESEMPENHO RECENTE E CONTEXTO INTERNACIONAL ............................................................................................................ 14  3.1 BREVE HISTÓRICO................................................................................................... 14  3.2 CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS E DESEMPENHO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA BENS DE CAPITAL EM PERÍODO RECENTE (1996-2006) .................................................................. 16  4. EMPRESAS LÍDERES NO SETOR DE BENS DE CAPITAL ................................................... 38  5.  INOVAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS FIRMAS COM O SISTEMA DE INOVAÇÃO .......................... 46  5.1 O PROCESSO E O GERENCIAMENTO DA INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL .. 49  5.2 INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL, A PARTIR DAS PESQUISAS DE INOVAÇÃO 52  5.3 ESTRATÉGIAS DE INOVAÇÃO .................................................................................... 63  5.4 DISTINÇÕES ENTRE EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS ...................................... 79  5.5 APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO................................................................ 84  5.6 INVESTIMENTO E FINANCIAMENTO AO INVESTIMENTO E ÀS EXPORTAÇÕES .................... 88  6.COMENTÁRIOS FINAIS E IMPLICAÇÕES DE POLÍTICAS PARA O SETOR ............................... 98  7. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 101 

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Geovane Lopes. o foco do presente estudo consiste nos bens de capital de uso exclusivo em processos produtivos. e 296 . bem como a ênfase histórica de políticas governamentais neste segmento.1. recorrendo a um exemplo comumente citado. 294 . a rigor o que define um bem como bem de capital é sua utilização contínua em processos produtivos. Utilizando um exemplo simples. Naturalmente. catalisador de inovações e do crescimento da produtividade. enquanto que para uma família ele é considerado um bem de consumo durável. justificam-se pelo fato deste setor ser difusor de progresso técnico. um mesmo veículo pode ser considerado um bem de capital para uma empresa de serviços gerais. pode ser considerada um bem de capital. O estudo do setor de bens de capital. compressores e equipamentos de transmissão. Quase nunca se inova. bombas. seja em produto.Fabricação de máquinas e equipamentos de uso geral. sob a denominação de bens de capital estão agrupados diversos bens: afinal. mas quando num bar ou restaurante. 3 . seja em processo. uma mesma geladeira. INTRODUÇÃO1 Conceitualmente. Assim.Fabricação de máquinas-ferramenta. estão sob análise os seguintes setores segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 1. quando numa residência.0): 291 Fabricação de motores. sem a aquisição de novas máquinas ou equipamentos. Eric Jardim. 292 . João De Negri e Lenita Turchi. Gustavo Alvarenga e Calebe Figueiredo. e é profundamente grato ao apoio estatístico de Patrick Alves. Edson Domingues e Pedro Amaral. sem que haja transformação dos mesmos (a exemplo do que ocorre com os insumos). Ou ainda. 1 O autor agradece os comentários de Fernanda De Negri. Heitor Gama. erros e omissões são de responsabilidade exclusiva do autor. sem os quais este trabalho não teria sido possível. é um bem de consumo durável. Sem embargo.Fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso específico.

Para os fornecedores de bens de capital sob encomenda. é crucial para a agregação de valor a busca de sinergia com empresas de EPC . As máquinas seriadas são produzidas em larga escala. os fatores-chave para a competitividade e o processo de acumulação de conhecimento nestes dois segmentos são bem distintos: para os produtores de bens de capital seriados. sem grande especificidade com respeito ao comprador. como uma usina elétrica.Do ponto de vista macroeconômico. Alem e Pessoa (2005) ressaltam a importância do desenvolvimento do setor para o aumento do efeito multiplicador do investimento. ou sob encomenda. Por outro lado. a fabricação de bens de capital seriados é. há características que os aproximam também às outras categorias desta classificação. o papel do cliente na produção dos bens de capital não-seriados não se restringe às adaptações dos produtos. uma vez que tradicionalmente parte multiplicador “vaza” para as importações nos ciclos de crescimento. enquanto na fabricação de bens de capital sob encomenda as economias dinâmicas (aprendizado e repetição) são cruciais. intensiva em escala (scale intensive) enquanto a fabricação de bens de capital sob encomenda demanda trabalho especializado e pode originar suas próprias rotas tecnológicas (science based). Por isso mesmo. os bens de capital não-seriados são produzidos especialmente para um determinado comprador. os bens de capital se dividem em bens seriados e especiais. Por exemplo. uma montadora de automóveis ou uma siderúrgica. em parte. Contudo. Procurement and 4 . Não raro.Engineering. Em relação ao processo produtivo. a escala de produção é muito importante. Segundo a taxonomia de Pavitt (1984). Naturalmente. o setor de bens de capital é o setor dos specialised suppliers. o desenvolvimento do setor de bens de capital contribui para o alívio da restrição externa ao crescimento: quanto menor for a elasticidade renda das importações – e os bens de capital são um forte componente desta elasticidade – menor será esta restrição externa ao crescimento. muitas vezes o próprio projeto é desenvolvido com o cliente.

a próxima seção traz uma breve descrição das interações econômicas do setor de bens de capital com o resto da economia. grandes desafios para os epecistas brasileiros são a falta condições de financiamento competitivas internacionalmente e maior capacidade de engenharia. A seção 4 caracteriza as empresas líderes do setor e estuda a dinâmica de acumulação de conhecimento no setor. este relatório tem por objetivo estudar o processo de acumulação de conhecimento e inovação no segmento de bens de capital . contratação. Para isto. a seção 6 tece os comentários finais e analisa as implicações de política do estudo. Finalmente. Na seção 5 é dada atenção especial ao financiamento ao investimento. e assumem a responsabilidade por todo o projeto (engenharia. portanto. Entretanto.com foco preferencial nas empresas-líderes capazes de acumular conhecimento e difundir inovações -. enquanto a seção 3 contém um breve histórico do setor no Brasil e um balanço do desempenho do setor nos últimos anos.Construction –. Feitas estas considerações iniciais. segmento que presta serviços a grandes empresas que contratam bens de capital sob encomenda. execução etc). a fim de superar os desafios competitivos presentes neste segmento. 5 . sendo. à inovação e às exportações neste segmento. a principal parte deste trabalho.

6 . as vendas setoriais do setor de bens de capital foram decompostas em 4 categorias para a demanda final: exportações.4%) apenas para as máquinas de uso específico. o principal destino da produção de máquinas é o investimento das empresas. Os dados indicam que os quatro setores de bens de capital estudados (Motores.INTERAÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL Para a análise das interações econômicas do setor. acima de 60% da demanda total. A demanda intermediária concentra-se apenas nos próprios setores. que não está em foco neste estudo. Para Máquinas de Uso Geral e Maquinas de Uso Específico as exportações são menos significativas. Um indicador similar é observado para Máquinas-Ferramenta. A TABELA 1 apresenta a decomposição das vendas nessas categorias. alcançando uma participação mais importante (10. e mostra-se pouco relevante.4 e 16% da demanda. Vale lembrar que quase 17% da FBCF brasileira é composta por Máquinas e Equipamentos. e a participação nacional nesse componente é de cerca de 80%. que compõe a formação bruta de capital fixo (FBCF) da economia. consumo das famílias. Assim. para o qual as exportações representam 27% da demanda. representando cerca de 30% da demanda do setor. Os dados indicam que o principal demandante de bens de capital é a formação bruta de capital fixo (FBCF). Máquinas de uso geral. respectivamente. formação bruta de capital fixo (investimento) e outras demandas (consumo do governo e variação de estoques). Vale lembrar que as vendas intermediárias de máquinas e equipamentos são representativas apenas para o sub-setor de “manutenção e reparos”.2 . e as exportações. A demanda intermediária corresponde ao consumo de todos os setores produtivos da economia. As exportações são mais significativas para Motores. Máquinasferramentas e Máquinas de uso específico) representam cerca de 70% da FBCF em máquinas e equipamentos. representando 18.

7 .00 2.219.019 0.017 Consumo Demanda Total Intra-Setorial (% total) (1+2+3+4) 95.9 16.4 -0. PIA.079. Produtos de metal .254.00 7.20 0. Refino de petróleo e coque e Plástico.016 0.4 89.1 18. Percebe-se.217. entretanto.394.518.00 80.212.00 1.1 96.26 0.31 0.3 -0.4 Demanda Final (% do total) Formação Outras bruta Demandas (4) das famílias de capital fixo (2) (3) 0. RAIS.53 805.68 544.0 -0. uma vez que as vendas intermediárias e as vendas inter-setoriais entre os quatro setores não são significativas.28 1.73 Demanda Total Intra-Setorial (1+2+3+4) (R$ milhões) 15.38 Exportações (1) Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 31.00 11. POR CATEGORIA DA DEMANDA FINAL E INTERMEDIÁRIA (VALOR E % DA DEMANDA TOTAL.32 1.4 Fonte: MIP 2005. elaboração própria da equipe do projeto.6 10.00 3. As Figuras 1 a 4 apresentam as cadeias produtivas dos quatro setores de bens de capital analisados.44 das famílias de capital fixo (3) (2) 140.exclusive máquinas e equipamentos. 2005) Demanda Final (R$ milhões) Consumo Exportações (1) Formação bruta Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 5.915.86 62.308.15 13. DISTRIBUIÇÃO DAS VENDAS SETORIAIS.93 9.82 Outras Demandas (4) -2.044. seguido das exportações. uma maior importância das exportações para Motores e Máquinas-Ferramenta (cerca de 50% das vendas para FBCF). Como ressaltado anteriormente. enquanto para Máquinas de uso Geral e Específico as exportações representam apenas 20% do volume de vendas para FBCF.0 27.39 -2.6 4.1 94.00 71.575.9 3.00 67.TABELA 1 .30 2. Para se ter uma análise mais concisa as cadeias foram ampliadas com os elementos mais significativos da demanda final (FBCF e exportações).98 10. Metalurgia de metais não-ferrosos.2 -0.014.9 5.015 0.531. Um grupo de 5 setores representa os insumos mais importantes nesses setores (mais de 80% das transações com fornecedores): Fabricação de aço e derivados.44 210.59 -1.58 -0. as vendas para FBCF são as mais significativas.

FIGURA 1. FIGURA 2. BOMBAS. 2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005. elaboração própria da equipe do projeto. DE TRANSMISSÃO (CNAE 291). CADEIA PRODUTIVA DE MÁQUINAS E EQ. CADEIA PRODUTIVA DE MOTORES. 2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005. COMPRESSORES E EQ. 8 . elaboração própria da equipe do projeto. DE USO GERAL (CNAE 292).

elaboração própria da equipe do projeto. FIGURA 4. 9 . 2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005. elaboração própria da equipe do projeto.FIGURA 3. 2005 (R$ MILHÕES) Fonte: MIP 2005. CADEIA PRODUTIVA DE MÁQUINAS-FERRAMENTA (CNAE 294). DE USO ESPECÍFICO. CADEIA PRODUTIVA DE MÁQUINAS E EQ.

4 39. Os dados de emprego por setor foram distribuídos por 3 componentes. Os resultados indicam um multiplicador mais elevado para Máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296). Os multiplicadores para Motores (CNAE 291).71 Participação no mult. Coeficientes de emprego. de acordo com a qualificação (educação) dos trabalhadores: superior.06 1. permitem que se obtenham multiplicadores de emprego para os setores analisados. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 49. que representam o número de trabalhadores dividido pelo valor da produção. médio e inferior.5 50. foram obtidos para cada um dos setores. assim como sua distribuição entre efeitos diretos e indiretos. MULTIPLICADOR SIMPLES DE PRODUÇÃO. A TABELA 3 indica que a participação de emprego de nível médio é a mais significativa e o coeficiente de emprego superior é bastante baixo. Nesse caso.12 2. 10 .2 49.21 2. e. no qual prepondera o efeito indireto (60% do multiplicador).12 Indireto (B) 1. Cabe ressaltar que os multiplicadores dos setores de bens de capital estão acima da média observada para a economia brasileira em 2005.05 1. relativamente ao observado nos demais. (2005) Multiplicador Simples de Produção Total (A+B) 2.7 47. os efeitos do setor sobre a economia se propagam por mais setores. elaboração própria da equipe do projeto. TABELA 2 .15 2.8 50. conjugados com o modelo de insumo-produto. Máquinas de Uso Geral (CNAE 292) e MáquinasFerramenta (CNAE 294) são semelhantes.83 Direto (A) 1.A TABELA 2 apresenta os multiplicadores simples de produção do setor.09 1.5 Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico Fonte: MIP 2005.3 52.6 60.07 1.04 1.17 1. Nota-se também os elevados coeficientes de emprego inferior para Máquinas de Uso Geral e Máquinas de Uso Específico.

TABELA 4 . PIA.7 17. A TABELA 4 apresenta os multiplicadores de emprego para os setores de bens de capital analisados. A composição por nível educacional desse multiplicador indica a preponderância na geração de emprego de nível educacional médio e inferior para todos os setores. Máquinas-Ferramenta e Motores.43 0. tanto em termos totais como por qualificação (nível educacional) da mão-de-obra.90 6.21 1.9 9.56 0.9 3. Os resultados se relacionam aos multiplicadores simples de produção. elaboração própria. a capacidade de geração e propagação de empregos na economia decorrente da expansão da produção (ou demanda) dos seus produtos.2 Médio (B) 7. Assim. RAIS.TABELA 3 .98 2. 2005) Todos (A+B+C) Superior (A) 1.59 2. Os multiplicadores de emprego são obtidos a partir dos coeficientes de emprego de todos os setores da economia e da matriz de multiplicadores (inversa de Leontief).00 2.8 20.88 1. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES.2 7.47 2. PIA.36 6. para cada setor. seguido de Máquinas de Uso Geral. elaboração própria.53 Fonte: MIP 2005.6 12.3 28.22 3.3 1. Os multiplicadores de emprego representam. 11 .9 Inferior (C) 6.4 Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 15.62 0. COEFICIENTES SETORIAIS DE EMPREGO (OCUPAÇÕES/VALOR DA PRODUÇÃO EM MILHÕES DE REAIS DE 2005) Coeficiente de emprego por nivel de educação Todos Superior Médio Inferior Motores Máquinas de uso geral Máquinas-ferramentas Máquinas de uso específico 2.85 0. RAIS.2 7.4 Fonte: MIP 2005.49 4.7 2. o setor de Máquinas de Uso Específico apresenta o maior multiplicador de emprego (28 empregos por 1 milhão de reais de demanda).9 12.1 9. os multiplicadores indicam quais setores possuem capacidade relativamente maior de geração de emprego na economia.66 1. Seu cálculo segue o descrito em Miller e Blair (1985). assim.

TABELA 5 .10 2.45 6.45 1. RAIS. elaboração própria.24 62.54 1.56 5. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 37.10 6.74 7. Essa composição dos multiplicadores também ocorre nos demais setores de bens de capital (Tabelas 6. elaboração própria.28 69. especialmente no nível de qualificação inferior. indicando uma maior internalização setorial dos efeitos multiplicadores nesse setor. os multiplicadores de emprego foram decompostos nos seus efeitos diretos e indiretos. Importante notar a relevância da geração indireta de empregos nos multiplicadores.3 84.77 Indireto (B) 1. PIA.16 Direto (A) 0. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) 2.91 Fonte: MIP 2005. Estes indicadores revelam a capacidade de geração de empregos do setor além da geração própria. RAIS.20 9.33 9. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) Direto (A) 0. 12 .2 21.28 5.8 Superior Médio Inferior 1.20 66.10 6.05 Indireto (B) 1.72 30. No setor de Máquinas de Uso geral o componente direto no multiplicador é um pouco superior ao dos demais setores.8 78. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MOTORES (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES .80 33. TABELA 6 .86 Participação no mult.7 15. 7 e 8).2 73. indicando sua capacidade de encadeamento intra e inter-setorial. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MÁQUINAS DE USO GERAL (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES .76 Superior Médio Inferior Fonte: MIP 2005. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 26. PIA. A TABELA 5 apresenta a decomposição do multiplicador de emprego total para o setor de Motores.39 Participação no mult.Similarmente ao obtido na TABELA 2 .88 3.

58 2. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MÁQUINAS-FERRAMENTA (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES .91 7.83 Indireto (B) 2.30 9.33 77.23 77.56 5. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 31.81 29.86 7.88 Participação no mult.27 5.56 Participação no mult. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) 3. MULTIPLICADOR SIMPLES DE EMPREGO PARA MÁQUINAS DE USO ESPECÍFICO (OCUPAÇÕES/R$ MILHÕES.79 Superior Médio Inferior Fonte: MIP 2005. PIA. 2005) Multiplicador Simples de Emprego Qualificação do Emprego Total (A+B) 1.82 68.TABELA 7 .91 72.16 12. RAIS.59 2.35 1.77 22. elaboração própria. RAIS. 13 . elaboração própria. TABELA 8 .56 Direto (A) 0.68 Indireto (B) 1.67 22.19 70.38 Direto (A) 0. PIA.98 3. (%) Indireto Direto (B/Total) (A/Total) 31.18 Superior Médio Inferior Fonte: MIP 2005.18 9.09 27.88 12.21 68.

porém pouco competitiva em termos internacionais. a consolidação de uma indústria de bens de capital é o último estágio do processo de industrialização por substituição de importações (ISI). Com efeito. O SETOR DE BENS DE CAPITAL: BREVE HISTÓRICO. cap. facilitava a importação de bens de capital sem similar nacional com benefícios fiscais. a indústria de bens de capital no Brasil só se consolidou a partir do II PND. vedava a importação de máquinas e equipamentos com similar nacional. visando à modernização do parque industrial.1 BREVE HISTÓRICO2 A despeito de constar no Plano de Metas de JK (1956-61). o Brasil apresentava uma indústria de bens de capital bem diversificada. Ao início dos anos 80. como apontam Resende e Anderson (1999). os valores unitários de importação dos bens de capital sempre superam os de exportação até o final da década de 90. a indústria nacional concentrou-se na produção de bens de menor conteúdo tecnológico. 14 . Como resultado. DESEMPENHO RECENTE E CONTEXTO INTERNACIONAL 3. veja Ferraz. 2 A respeito de um histórico mais detalhado sobre a indústria de bens de capital no Brasil. o Brasil contava com uma política com respeito ao setor contraditória em termos (Erber e Chudnovsky. importando bens de maior intensidade tecnológica. do outro. pois havia verticalização excessiva e alguns segmentos e carência de escala eficiente de produção. 6). A respeito dos desafios competitivos vivenciados pela indústria de bens de capital frente à abertura. 1998): de um lado. no final dos anos 1970.3. Durante o período ISI. Kupfer e Haguenauer (1995. O segmento de máquinas-ferramenta se destacava como o subsetor mais competitivo. veja Resende e Anderson (1999) e Pereira e Resende (1996). Em verdade.

antes complementares à produção nacional. Diante deste cenário. A participação dos componentes importados na produção nacional cresceu bastante. 1995). Ao mesmo tempo. ao longo da década de 90 a indústria de bens de capital perdeu dinamismo e se viu obrigada a passar por um severo processo de reestruturação produtiva.Contudo. a carga tributária incidente sobre o investimento e a estrutura tributária “em cascata” e o baixo dinamismo da economia haviam forçado a indústria de bens de capital a demitir e deixar de investir em P&D. Kupfer e Haguenauer. Várias firmas apontavam a necessidade de aumentar a flexibilidade produtiva. de forma que nos ciclos de investimento aumentava-se tanto o quantum produzido domesticamente quanto o quantum importado o Brasil. a situação mudou drasticamente nos anos pós-abertura. a instabilidade macroeconômica. reduzir custos. contribuiu ainda para o relativo retardo tecnológico da indústria de bens de capital nacional à época da abertura a Política de Informática. automatizar processos. Assim. se até a abertura dos anos 90 a pauta de importações de bens de capital era complementar à produção nacional. com a reserva de mercado para certos equipamentos. ao longo da década de 90 as importações. ainda que contassem com Imposto de Importação para a importação de bens em que há produção de similar nacional. Muitas fábricas se transformaram em meros representantes comerciais dos fabricantes 15 . pois. adotar técnicas de gerenciamento Just-in-time com fornecedores. Em especial. se desverticalizar. as condições de financiamento – tanto para a produção quanto para a comercialização dos bens de capital –. com notáveis perdas de capacidades inovativas adquiridas (Ferraz. atrasou-se a integração entre a indústria de bens de capital e a eletro-eletrônica e robótica e a adoção de sistemas CAD/CAM. passaram a competir com ela. e as carências de alguns elos da cadeia de fornecedores nacionais para a indústria de bens de capital – uma deficiência histórica – se mostraram ainda mais evidente.

o fato é que o Brasil não foi capaz de desenvolver uma indústria de bens de capital que estivesse no vértice do sistema nacional de inovação. o que reduziu os 16 . contudo.internacionais. Um sintoma disto é a baixa escala de produção o peso no faturamento industrial que a indústria de bens de capital tem no Brasil em relação a economias maduras como os Estados Unidos. China e México -. bem como a taxa de investimento/PIB da economia brasileira. França e Inglaterra. Nota-se que durante o ano de 2004 e o começo de 2005 há um crescimento na demanda de bens de capital. Taiwan. Como sabido. a partir de 2003. Japão. no curto e médio prazos a abertura das importações de bens de capital representou ganhos de eficiência e competitividade para toda a economia. Isto pode comprometer a competitividade futura da indústria tanto de bens de capital quanto em geral. 3. no segundo semestre de 2005 o Banco Central restringiu a política monetária frente à ameaça de inflação. Ainda que tenha destaque na produção de máquinas-ferramenta e seja um dos poucos países em desenvolvimento a ter uma indústria de bens de capital – ao lado de Coréia do Sul. Conforme apontado por Resende e Anderson (1999). tanto os seriados quanto os não seriados.2 CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS E DESEMPENHO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA BENS DE CAPITAL EM PERÍODO RECENTE (1996-2006) O desempenho da indústria de bens de capital é condicionado pelo ciclo de investimentos da economia. no longo prazo há de se levar em conta o enfraquecimento/perda de dinamismo de segmentos com elevado conteúdo tecnológico e com alto potencial de difusão de inovações. fonte geradora e difusora de inovações para o resto da economia brasileira. O GRÁFICO 1 a seguir mostra a produção física dos bens de capital para fins industriais. Alemanha. acompanhando a retomada do crescimento verificada em 2004.

00 20.00 abr.00 0.00 -5.07 jan.05 abr.03 out.03 abr. TAXA DE CRESCIMENTO DA PRODUÇÃO FÍSICA DE BENS DE CAPITAL (ACUMULADO DOS12 MESES ANTERIORES = 100) E TAXA DE INVESTIMENTO (FBKF/PIB.08 Bens de capital para fins industriais Bens de capital para fins industriais n‹o-seriados Bens de capital para fins industriais seriados Fonte: Pesquisa Industrial Mensal (PIM – IBGE).05 jul.06 jan. Contudo.00 -15.07 out.06 abr.07 abr.08 out. Deve-se destacar a aceleração do crescimento na produção de bens de capital não-seriados.00 -10.08 jul. que atingiu um pico de crescimento em sua taxa anualizada de 17% em novembro de 2008.06 jul.08 jan.00 10.05 out. acompanhando o novo ciclo de crescimento. a produção física de bens de capital voltou a crescer a partir do segundo semestre de 2006.04 out.03 jan.04 abr. elaboração própria da equipe do projeto. GRÁFICO 1. só vindo a desacelerar a partir de julho de 2008 devido aos primeiros sintomas da crise financeira internacional.00 15.07 jul.05 jan. 17 .investimentos durante aquele período.04 jan.00 5.03 jul.06 out.04 jul. mais sensível ao ciclo de investimentos. A PREÇOS DE 2006) 25.

pelo menos até 2006. de forma que o ciclo de crescimento no Brasil vivido a partir de 2004 teve impacto positivo sobre a indústria nacional de bens de capital. De fato. sofrendo uma queda abrupta em 2001-2002 e não recuperando o patamar de 2000. Conforme se verá mais adiante. o que chama a atenção é o fato de a participação das importações no consumo aparente ser especialmente sensível à conjuntura econômica. como esperado. Contudo. E isto é verdade para todos os setores analisados. a crise de 20012002 e a depreciação cambial vivida no período frearam as importações.19 18 17 16 15 14 13 12 2003 T1 2003 T2 2003 T3 2003 T4 2004 T1 2004 T2 2004 T3 2004 T4 2005 T1 2005 T2 2005 T3 2005 T4 2006 T1 2006 T2 2006 T3 2006 T4 2007 T1 2007 T2 2007 T3 2007 T4 2008 T1 2008 T2 2008 T3 Fonte: Ipeadata. de forma que a curva de participação das importações no consumo aparente apresenta forma de “U”. o consumo aparente de bens de capital (produção doméstica – exportações + importações) segue também este comportamento prócíclico. 18 .

000 20.000.000.000 20.000.000 2.000 12.00% 12.000.000 6.000.000.001 Consumo Aparente 2.00% 0.001 Consumo Aparente 2.00% 8.004 2.000 14.000.000 2.000.000.003 2.00% 40.000 2.005 2.000.000.000 10.000 14.000.00% 38.00% 34.000.000.000 0 Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente 19 .000.000. 2000-2006 Total 44.000.000.00% 32.002 2.000. bombas.000.000.000 10.000 8.00% 14.000.00% 16. de transmissão (CNAE 291) 18.000 16.000.00% 2.00% 2.000.002 2.00% 6. CONSUMO APARENTE DE BENS DE CAPITAL E PARTICIPAÇÃO DAS IMPORTAÇÕES NO CONSUMO APARENTE.000.004 2.00% 10. compressores e eq.000.00% 12.003 2.000.00% 4.00% 18.000.000.000 2.GRÁFICO 2.005 2.006 0.000.006 16.000 8.000.000 4.000.00% 6.000.000 2.000 Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente Motores.00% 42.00% 4.00% 18.00% 30.000.00% 36.

000 5.00% 8.000 1.000.000.00% 4.004 2.000 4.000.000.00% 2.000.00% 0 2.000 0 2.006 0.000 6.005 2.000 2.00% Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente Máquinas-ferramentas (CNAE 294) 4.000.000.002 Consumo Aparente 2.000.000.000 10.000.00% 1.00% Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente 20 .000.000.00% 6.000 15.001 2.000.00% 12.000.000 14.500.000 8.000.000.002 2.005 2.001 Consumo Aparente 2.000.000.004 2.000 10.000 2.000 2.Máquinas de uso geral (CNAE 292) 16.500.000 25.000.000.000.00% 500.00% 3.00% 3.003 2.000 2.000.000 2.003 2.006 0.000.00% 14.000.000 20.000.000 12.000.500.000.00% 10.000.

006 0.003 2.000 10.000.000 0 2. elaboração própria da equipe do projeto.000. deflacionado pelo IPA-OG – FGV.3 Quanto à produtividade simples do trabalho (Valor de Transformação Industrial/Pessoal Ocupado).000 15. conforme o GRÁFICO 3 esta cresceu consistentemente nos setores de motores.00% Participação dos Bens de capital importados no consumo aparente Fonte: PIA e SECEX.000.00% 10.001 Consumo Aparente 2.000.005 2.000.000 25. 21 . e apresenta tendência de queda no setor de máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296).3 bilhões de reais em 1996 para R$ 40 bilhões em 2006.002 2.000 2. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) e de máquinas-ferramenta (CNAE 294).000. o faturamento dos segmentos analisados no período cresceu de R$ 28.000.00% 4.00% 2.000. enquanto no setor de máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292) ela tem forma de “U”entre 1996 e 2006.000.00% 6. Segundo a PIA – Pesquisa Industrial Anual.000.000. bombas.Máquinas de uso específico (CNAE 296) 12. 3 A preços de 2005.000 20.00% 8.004 2.000.000 5.

19962006.GRÁFICO 3. BOMBAS. VALOR DE TRANSFORMAÇÃO INDUSTRIAL E PRODUTIVIDADE APARENTE DO TRABALHO: INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL. RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS. MOTORES. COMPRESSORES E EQUIPAMENTOS DE TRANSMISSÃO (CNAE 291) 18000000 82 16000000 80 14000000 78 76 12000000 74 10000000 72 8000000 70 6000000 68 4000000 66 2000000 64 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 62 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE USO GERAL (CNAE 292) 16000000 74 14000000 72 12000000 70 10000000 68 8000000 66 6000000 64 4000000 62 2000000 60 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 58 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) 22 .

elaboração própria da equipe do projeto. 23 .MÁQUINAS-FERRAMENTA (CNAE 294) 3500000 80 3000000 70 60 2500000 50 2000000 40 1500000 30 1000000 20 500000 10 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 0 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE USO ESPECÍFICO (CNAE 296) 10000000 70 9000000 60 8000000 50 7000000 6000000 40 5000000 30 4000000 3000000 20 2000000 10 1000000 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 0 Receita L’quida de Vendas Real (Mil Reais) Valor da transforma¨‹o industrial Real (Mil Reais) Produtividade aparente do trabalho (VTI/PO) Fonte: PIA.

01 0.03 0.01 0.20 0.24 0.39 0. 24 .17 0.01 CR4 (%) 0.01 0.01 0.15 0.03 0.05 0. e eq.05 0.22 0.41 0.02 CR4 (%) 0.37 0. compresssores e eq.05 CR4 (%) 0.02 0. em todos os segmentos analisados (TABELA 9 ).14 0. bombas. verifica-se um aumento na participação das maiores empresas do setor.39 0.20 0.03 0.19 0.35 0.37 0.20 0.41 0. como se percebe pela análise dos índices de Herfindhal-Hirschmann (HHI) para o faturamento e também market share das quatro maiores empresas do setor (CR4).41 0.06 0.05 0. CONCENTRAÇÃO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL.15 0.33 0. de uso específico (CNAE 296) HHI 0.Do ponto de vista concorrencial.05 0.02 0.01 0.02 0.03 0. independentemente do segmento.02 0.20 Máquinas e eq.01 CR4 (%) 0.20 0.02 0. um fator chama a atenção: em períodos de desaceleração do ciclo de investimentos e deterioração das expectativas empresariais.02 0.05 0.31 0.41 0.20 0.16 0.03 0. Contudo.18 0.05 0.39 0.02 0.02 0.04 0.01 0.04 0.21 0.24 0. pode-se afirmar que o setor de bens de capital é um setor levemente concentrado.06 0.29 0.18 0.23 0.26 0. TABELA 9 . de uso geral (CNAE 292) HHI 0.04 0.34 0.30 0.02 0.05 0.14 0.15 0.38 Outras máq.35 0. 19962006 Motores.02 0. o que indica que as fases descendentes dos ciclos econômicos tendem a prejudicar mais as empresas menores.33 0.02 0. como nos períodos 1998-1999 e 2001-2002.29 0.14 Máquinasferramenta (CNAE 294) HHI 0.17 Fonte: PIA.02 0.17 0. de transmissão (CNAE 291) Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 HHI 0.05 0.01 0.03 0. elaboração própria da equipe do projeto.05 0.02 0.

a indústria de bens de capital vem aumentando o número de firmas. Em termos gerais.729 4. voltou a se recuperar entre 2000 e 2006. o maior crescimento do número de empresas se deu na faixa de 1 a 9 empregados. Esta dinâmica de emprego no setor provavelmente se deve às oscilações macroeconômicas vividas nestes dois períodos.249 24.374 5. a relação empregados/empresa era de 34.517 3. 19962006 1996 Subsetor Porte 1a9 10 a 49 50 a 99 Todos 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1a9 10 a 49 Motores.732 221. após uma redução entre 1996 e 2000. bombas.404 348 174 49 38 12 12 633 Nº de empregados 11.105 44.173 1. o que pode indicar um aumento do número de representantes comerciais no mercado nacional de bens de capital.Desde 1996.803 33.270 25 .543 1.509 8.076 349 204 53 30 7.107 43. POR PORTE.233 370 203 52 39 9 12 685 2000 Nº de empregados 16.790 467 283 55 38 8.577 59.922 1.035 42. compresssores e eq. Conforme a TABELA 10 .471 24.3 em 2000 e voltou a crescer em 2006.422 17.579 48.232 Nº de empresas* 4.346 23. atingindo 26.492 188.801 5.485 42.9.334 Nº de empresas 4.512 345 259 71 44 5.856 2. de transmissão (CNAE 291) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos Nº de empresas 3. NÚMERO DE EMPRESAS NO SETOR DE BENS DE CAPITAL.233 24.390 19.374 34.521 2.964 3. enquanto o número de empregados.236 346 250 61 59 11 14 741 2006 Nº de empregados* 18.974 21.488 6.155 1.603 2.642 175.303 4.305 43.534 40. passou a 24.248 4. Este movimento foi generalizado em todos os subsetores à exceção do segmento de máquinas-ferramenta.8 em 1996.051 53.781 40.638 30.124 18.153 3.064 4. o qual manteve uma relação empregados/empresa praticamente estável (aproximadamente 22 empregados/empresa). TABELA 10 .

640 1.959 Fonte: RAIS * . que em geral se referem a empresas com mais de 30 empregados.778 5.1a9 10 a 49 Máquinas e eq.300 310 114 15 19 7 3 468 1.503 3.685 1.003 4.990 11.221 17.080 8.708 8.834 10.606 715 116 78 16 6 2.231 7.019 157 77 23 8 3.253 14. e eq.556 12. de acordo com a TABELA 11 . No período pós-abertura econômica.857 441 246 35 14 1 4 741 1.499 72.178 1.771 1.432 60.697 1.183 1. de uso específico (CNAE 296) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1.100 9.377 2.602 12.462 9.897 8. Com 26 .028 12.320 198 127 25 9 3. várias empresas estrangeiras de bens de capital não apenas intensificaram seus investimentos em prospecção de mercado e representação comercial.174 346 9.405 11.355 669 137 93 27 19 2.917 6.847 7.363 70. e podem não conferir com as tabulações a partir da PIA.843 90.955 10.537 7.153 5.225 2.830 15.293 5.054 2.745 50.500 14.678 75.416 12. de uso geral (CNAE 292) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1a9 10 a 49 Máquinasferramenta (CNAE 294) 50 a 99 100 a 249 250 a 499 500 ou mais Todos 1a9 10 a 49 Outras máq.265 2.521 2.678 20. como também investiram diretamente no país.300 22. O resultado é que atualmente a presença das transnacionais no segmento de bens de capital é bastante significativa: a despeito de representarem 12% do total de firmas.160 555 144 109 25 10 2.747 21.518 6.878 8.638 974 173 83 18 11 2.467 362 139 24 10 5 4 544 1.Os valores expressos na tabela 2 se referem a todas as empresas com mais de 1 empregado.000 2.127 2.566 1.175 1.406 4.049 18.997 4.581 16.747 28. 55% do faturamento e 43% dos lucros totais desta indústria.386 965 3. elas respondem por 31% do pessoal ocupado.731 15.617 12.268 12.162 11.365 369 5.

27 .981 8% 56% 44% 338 11% 74% 26% 1. 2006).740 1.103 10.máq. França. atrás de Estados Unidos. bombas. é no setor de motores. Em termos internacionais. INDICADORES ECONÔMICOS DE FIRMAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: SETOR DE BENS DE CAPITAL.916 62.383 85.687 1.396 35% 29% 9% 27% 48% 81% 77% 81% 52% 19% 23% 19% 1.151 16. Alemanha.112 65. Itália. as firmas transnacionais pagam melhores salários. de (CNAE 294) (CNAE transmissão 292) 296) (CNAE 291) 324 578 181 489 21% 37% 12% 31% 267 514 165 437 57 64 16 52 63.472 53.efeito.612 58.049 Nacionais 1.108 27% 62% 38% 569 19% 66% 34% 477 11% 63% 37% 2.472 133.994 1.323 52.368 102.117 Produtividade (R$) Nacionais 201.899 69.874 24% 58% 42% 847 28% 53% 47% Indicador Total Nº de firmas % do total Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total % do total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) 1. Coréia do Sul e Suíça.095 25% 65% 35% 1.200 2. a indústria de bens de capital brasileira se situa entre as 10 mais importantes do mundo (LAFIS. Em média.030 2.517 74.855 2. compressores e equipamentos de transmissão – o maior setor entre os analisados .540 45.955 2. Reino Unido.200 3. e eq.383 189 180. 2005 Outras Motores.689 48.397 117. e eq.049 Estrangeiras 2.559 100% 69% 31% 4.onde a participação das transnacionais é mais destacada.240 Lucros totais (R$ milhões) % do total 100% 41% Nacionais (%) 57% 51% Estrangeiras (%) 43% 49% Fonte: PIA. Máquinas Máquinas. bombas. China.880 % do total 100% 40% 47% 28% Nacionais (%) Estrangeiras (%) 53% 72% 2.572 100% 1.863 8.177 27% 68% 32% 1.740 3. TABELA 11 .974 Estrangeiras 239.843 14. mas há de se levar em conta que a escolaridade média dos empregados nestas empresas tende a ser maior.436 % do total 100% 38% 54% 35% Nacionais (%) 46% 65% Estrangeiras (%) Salário médio (R$) 1.307 68. Japão.736 1.453 Faturamento (R$ milhões) 36.853 2. elaboração própria da equipe do projeto. de ferramenta de uso compresssores uso geral (CNAE específico e eq.736 2.425 116.

48% 62.1 19.32% 583.55% 23.66% 21.10% 303.30% 23.78% 47.5 10.6% 182.39% 4.00% 4.A TABELA 12 a seguir mostra a posição relativa da indústria brasileira de bens de capital.71% 28 .620 46.08% 11.23% 722. Nos países mais maduros.40% 94.224 33. especialmente no tocante à produtividade e aos investimentos.57% 4.011 29.3 25.6 14.6 29.23% 54.0 11.627 -0.54% Inglaterra 7. França Itália e Inglaterra. Nota-se que a indústria brasileira está distante do patamar competitivo de paises como Alemanha.077 3.13% 2.492 -10.62% 169.7 -22. 292 E 294).67% 333.43% 27.7 -33.460 -18.147 -0.97% 510.4 11.23% 22. Aqui. a indústria de bens de capital tem um crescimento no número de empresas e no número de empregados bem menos acentuado do que Brasil. implicando em redução da escala média das empresas e do ritmo de crescimento da produtividade.443.0 116. Por fim.56% 25.5 29.40% 61. INDICADORES ECONÔMICOS DE FIRMAS BRASILEIRAS E EUROPÉIAS: SETOR DE BENS DE CAPITAL (CNAE/SIC 291.5 -24.3 -3.814 15.53% Itália 27.6 -15.5 -7.2 -0.07% 4.859 24. é interessante notar a tendência mundial de redução da parcela dos custos do trabalho na produção.10 -10.4 22.994 -10.75% 27.16% França 8.968.8 -29. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Alemanha 10.6 27. em relação a alguns países europeus. o número de empresas cresce mais rapidamente que o número de empregados.09% 2.98% Brasil* 3.75% Espanha 3.14% 21. TABELA 12 .83% 19.108 -2.2 20.86% 4.7 35.70 191.381 5.872 -7.8 3.8 -14.830 -25.9 13.19% 1.51% 65.40 13.721 39.576 49.2 60.09% 50.4 -0.70% 66.51% 648.52% 18.4 29.026 -1.

50% 257.48% 114.4 11.316 -2.075 -33.3 24.20 69.14% 238.2 39.20 26.65% 3.0 14.7 29.67% 68.101 1.25% 48.88% 22.7 -16.384 -21.07% Brasil* 811 22.26% Itália 3.39% 19.2 10.8 44. BOMBAS.38% 89. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Alemanha 2.28% 24.75% 8.35% 27.90 12.4 -19.44% França 1.MOTORES.7 3.82% 73.8 -2.35% 726.7 44.322 32.86% 19.07% Espanha 794 -12.164 0.2 35.18% 67.6 16.81% Inglaterra 1.17% 112.3 -21. DE TRANSMISSÀO (CNAE 291).9 5.76% 29.17% 6.4 -5.9 -11.9% 72.80% 4.45% 1.40% 29.448.068 42.904 22.43% 55.12% 7.8 32.71% 65.611 3.111 -6.38% 63. COMPRESSORES E EQ.30% 27.92% 5.2 33.63% 18.7 24.087 65.69% 264.696 -6.66% 29 .16% 356.5 -32.09% 37.771 67.695 49.094 -2.80% 93.9 21.41% 16.0 4.445 -1.6 -28.9 9.7% -25.

40% 3.08% 188.8 31.5 12.73% 322.5 14.6% 88.7 30.721 -21.83% 25.2 9.509 12.799 26.50% Brasil* 2.00% Inglaterra 4.82% 571.60% 36.3 -5.6 12.14% 7.4 -3.404 36.559 11.35% 18.565 46.7% -26.49% 25.56% 19.3 -33. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Alemanha 5.987 -25.524 -9.5 24.20% 48.00% 2.448 23.29% 27.1 15.42% 164.1 2.4 49.28% 4.1 2.2 19.67% 23.50% Espanha 2.70% 17.63% 1.239 3.44% 50.32% 66.66% 4 -20.20% 51.62% 63.53% 190.15% 285.2 5.473 32.64% 18.2 -5.2 31.754 -5.24% 65.35% 30 .5 -14.70 108.1 -35.9 44.MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE USO GERAL (CNAE 292).29% 276.899 -1.708 -8.76% 4.50% Itália 20.192 50.63% 26.065.09% 26.715 -0.80 -19.9 29.07% 61.4 0.730 4.80 14.86% 4.01% 91.50% França 5.8 19.777 5.7 12.

7 1.351 12.085 43.744 -10.171 1.60% 35. entre 2000 e 2006. o comércio internacional de bens de capital voltou a crescer.38% 16.15% 28.2% -12.8% em relação a 2000 e 185% em relação a 2002.52% 45.as informações para o Brasil se referem às empresas com mais de 5 empregados.581 -21. 2006 Características das empresas (ano 2006) Número de empresas Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento em máquinas e equipamentos (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Número de empregados Taxa de crescimento 2000-2006 Porte médio (empregados por firma) Faturamento de atividades industriais (milhões de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Produtividade do trabalho (milhares de Euros) Taxa de crescimento 2000-2006 Parcela dos custos do trabalho na produção (%) Taxa de crescimento 2000-2006 Investimento por empregado (milhares de Euros) Alemanha 2. * .1 15.43% -22.9 -43.75% 24.9 1.36% 25.34% 59.0 21.45% 4.87% 15.4 17.6 1.2% 21.80 13. Como se depreende da TABELA 13 .20% 19.23% 144.1 29.44% 11.48% 4.691 -49.20% 59.02% 54.1 Espanha 676 -13.6 10. o setor é relativamente representativo nas exportações e importações (2.40% 4.6 -39.15% 62.9 2.4 2.52% 3.4 12.8 13.7 Taxa de crescimento 2000-2006 -25.96% 2. ainda que tradicionalmente deficitário no Brasil.84% do total exportado e 6. No que tange ao comércio exterior. É interessante notar que.459 -41.1 15.98% 454.74% 44.217 14. as importações e exportações de bens de capital totalizaram praticamente a metade do que eram em 2000.99% 58.40 -14.461 -25.38% 40. A partir de 2003.66% 14.4 -3.97% 133. o período de desaquecimento da economia vivido entre 2001 e 2003 atingiu tanto importações como também as exportações: em 2002.261 -20.95% 14.664 12.95% 15. novamente 31 .098 -0.21% 3.09% 11.15% -28.52% 4.2 -4.7 Inglaterra 1.40 -42.MÁQUINAS-FERRAMENTA (CNAE 294).8 Brasil* 600 36.088 -12.25% 27. elaboração própria da equipe do projeto.9 Itália 3.14% 9.8 9.730 23.08% 29.79% 43.43% Fonte: Eurostat e PIA.52% 50.9 -9.657 0. as importações em 2006 voltaram para o patamar que eram em 2000 enquanto as exportações em 2006 cresceram 44.7 França 855 -4.00% 29.43% do total importado em 2008).

073 594.o setor de motores.643 (CNAE 294) 2005 417 3.566 33.189 2000 2.715 ferramenta 2004 340 3.7 26.0 -829 16.624 270.037 3.142 17.3 10.173 6.421 2001 348 1.4% 10.4 28. de uso 2003 geral (CNAE 2004 771 39.612 350.719 transmissão 2005 2.248 63.510 2002 299 30.5 -485 40.397 46.080 474 3.912 2.462 Total 2004 3.005 2.862 128.966 249.797 2007 1.296 2.952 Motores.093 1.0 -1.1% 6.611 26.3 66.7 5.537 508.156 2002 1. 2000-2007 Valor Quantida Valor Quantidade exportado de importado importada Subsetor Ano (US$ (US$ exportada (ton.284 58.023 6.0 11.832 7.291 3.7 -1.195 65.061 292) 2005 909 83.103 190.5 -2.035 79.4% 7.250 52.916 357.082 4.0 -563 64.016 11.777 2.7 146.6 7.5 6.7 -1.3 -2.173 1.5 -3.733 270.1% 152.4% 111. de uso 2003 específico 2004 678 2.9% 179.597 37.363 3.058 5.176 60.6 -953 34.894 eq.5% 2.291 577.701 44.0% 14.7 -3.570 eq.3% 9.873 495.0% 134.6% 130.2% 8.9 14.505 33.211 70.881 70.3 8.6 -243 34.7% 106.8 -667 11.262 27.162 62.9% 10.4 201.592 2.9 6.8 121.2% 11.0% 16.589 bombas. COMÉRCIO EXTERIOR DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.214 2007 400 2.3 -5.8% 207. 1.984 2005 4.875 1.283 compressor 2003 es e eq.434 1.978 5.562 Fonte: SECEX.1% 3.4% 6.5 7.327 56.004 1.4 176.139 1.5% -946 61.184 563 4.8% 109.9% 19.454 2007 1.6% 23.471 2006 364 2.101 310.2 -385 31.0 10.438 1.0 127.095 41.7 -3.906 6.186 216.9% 13.8 -892 24.4 5.373 2001 340 1.143 256.068 34.165.9% 5.6% -915 27.8 -1.6 -780 36.905 163.6% 184. 2002 1.0% 13.5 -1.516 717.396 1.972 512.901 Máquinas2003 231 2.8 -719 44.3 39.) milhões) milhões) (ton.284 671.0% 336.1 -1.2 -4.827 285.457 20.459 51.391 43.9 42.924 332.5% 9.3% 9.527 33.5% 312.061 1.4 -688 30.457 2006 893 4.4 3.526 830.396 512 2.049 2001 1.507 242.522 315.508 2000 657 101.1 32 .6 19.5 -223 24.274 378.5 17.130 2001 1.4 -773 49.9 21.648 2007 5.496 26.387 1.188 801 5.661 2000 334 8.016 8.641 2.4 8. bombas.358 1. elaboração própria da equipe do projeto.3 5.639 Máquinas e 2002 437 2. respondendo por praticamente metade das exportações e 38% do valor importado.7% -3.369 1.705 849 4.9% 226.336 1.0 -891 29.222 912.028.824 (CNAE 291) 2006 2. Valor Valor Saldo/Corrente unitário de unitário de Saldo de Comércio exportação importação (US$/Kg) (US$/Kg) -7.758 65.2 27.4 -1.459 2000 662 6.7% 41. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) têm o maior peso no comércio internacional de bens de capital.0 -804 18.) 2000 3.561 (CNAE 296) 2005 787 2.6% -1.459 53.117 Máquinas e 457 31.246 2003 2.150 151.076.198 11.2 -1.8 6.841.8 10.3% -340 49.286 2001 157 719 2002 172 1.1 44.719 2.018 617. TABELA 13 .7 -713 44.588 2006 1.216 21.254 345.6 181.623 1.975 309 1.078 2.341 2006 4.382 207.7 6.245 57.635 70.065 5.483 49.307 2.8% 6.2 9.661 1.7% 12.183 2007 2.9 13.7% 123.8 -808 54. De 2004 1.8 -1.4 -2.362 404.

Entretanto. No que tange aos principais produtos transacionados com o exterior. segundo a TABELA 13 .000 10. Entre os três produtos mais exportados em 2007. somente o segmento de máquinasferramenta (CNAE 294) continuou com preços de exportação menores que os de importação .000 -10. durante as décadas de 1980 e 1990 os valores unitários de importação dos bens de capital sempre superam os de exportação.GRÁFICO 4.000 Exportações Importações Saldo 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Fonte: SECEX. encerrou o ano de 2007 como 153. há dois produtos que constavam entre os três 33 . que representava em 2000 61. conforme a TABELA 14 . 2000-2007 (US$ MILHÕES) 15. o valor unitário médio de exportação. todos os segmentos apresentavam valores unitários de exportação menores que os de importação.embora a diferença entre os valores unitários de exportação e importação tenham caído . em 2000.8% deste mesmo valor. Com efeito. no período inicial da análise.000 5. ou seja. Como conseqüência. elaboração própria da equipe do projeto. à exceção das máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296).000 0 2000 -5. Conforme mencionado por Resende e Anderson (1999). COMÉRCIO INTERNACIONAL DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.de forma que o valor unitário das exportações passou a superar o das importações nos outros segmentos. o Brasil manteve cinco produtos (NCM a 8 dígitos) na lista dos 10 produtos exportados mais importantes entre 2000 e 2007. as quais todavia pouco representam no comércio internacional do setor.3% do valor unitário de importação.

DE USO MANUAL OUTROS MOTORES DIESEL/SEMIDIESEL OUTROS PARTES DE COMPRESSORES DE AR/OUTS. que passou de quarto lugar para quinto entre 2000 e 2007).mais importantes em 2000 – os motocompressores herméticos e os virabrequins. Entre 2000 e 2007.798 107.ETC. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO MAQS.E APARS.908. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO SERRAS DE CORRENTE.876. MOTORES DE PISTÃO.DE PAPEL OU CARTAO OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.604 100. 2000 E 2007 Ano NCM 84143011 84831010 84621011 84099990 2000 84392000 84099190 84151090 84798999 84833020 84521000 84798999 84143011 84831010 84818099 84082030 2007 84099190 84099990 Descrição MOTOCOMPRESSOR HERMETICO.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA BRONZES MAQS.CAPACIDADE<4700 FRIGORIAS/HORA VIRABREQUINS (CAMBOTAS) MAQS.818.152 78.P/FABR. DEZ PRODUTOS MAIS IMPORTANTES: EXPORTAÇÃO.317.337 104.262.485 186.484 86. DE IGNIÇÃO POR CENTELHA OUTROS APARS.555. enquanto o item mais exportado em 2007 – outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria – era apenas o oitavo item mais exportado em 2000.870 771.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA MOTOCOMPRESSOR HERMETICO.328. os outros quatro itens mais importantes em 2007 vieram de posições inferiores na lista de 2000 (exceção das “outras partes principalmente destinadas aos motores de pistão. vale notar que três itens figuram em ambas as listas de dez produtos mais importantes de exportação e importação.646. Embora o item mais importante nas importações de 2000 tenha se mantido em 2007.676.FERRAM.544 682. Do lado das importações (TABELA 15 ). elaboração própria da equipe do projeto.C/COMANDO NUMERICO OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO. TABELA 14 . DE IGNIÇÃO POR CENTELHA OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO. evidenciando a importância do comércio intra-indústria de bens de capital. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO.730 94.630.GASES Valor 821.174 112. de ignição por compressão”.DISPOSITIVOS P/CANALIZACOES.DE AR CONDICIONADO. DE CILINDRADA > 2.009 86.655.693.705 91.P/PAREDES/JANELAS OUTROS MAQS.259.544. o Brasil manteve seis itens na lista dos dez mais importantes entre 2000 e 2007.369.198 116.057.500CM³ E <= 3.839.260 91.DE COSTURA DE USO DOMESTICO OUTROS MAQS.903 84678100 84089090 84149039 Fonte: SECEX.558 112.172 110.384 100.E APARS.692 243.089.41 vezes. 34 .640 80.590.P/ESTAMPAR METAIS.500 CM³ OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.CAPACIDADE<4700 FRIGORIAS/HORA VIRABREQUINS (CAMBOTAS) TORNEIRAS E OUTS.E APARS.823. as exportações deste item cresceram 7. Por fim.

330. A rigor. É interessante a partir da TABELA 16 notar uma sutil diversificação das exportações.4% em 2007 e pela redução da importância dos principais parceiros nas exportações totais.POR INJECAO.PARTES DE MAQS.776.990.852.449.403.138 183. Cingapura e um parceiro latinoamericano.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA OUTROS MAQS.E APARS.458.673.248 167.685 158.REDUTORES. 2000 E 2007 Ano NCM 84798999 84807100 84082020 84099990 2000 84799090 84431990 84834090 84099190 84159000 84834010 84798999 84099190 84834090 84834010 2007 84099990 Descrição OUTROS MAQS.DE VELOCIDADE OUTROS MAQS.MAQS. destaque deve ser dado à crescente participação da China: em 2000.Reino Unido.546 196.980 779.811.760 186. DE IGNIÇÃO POR CENTELHA PARTES DE MAQUINAS E APARELHOS DE AR CONDICIONADO CAIXAS DE TRANSMISSAO.E APARS.3% das importações 35 . OUTROS ARVORES (VEIOS) DE TRANSMISSAO OUTS.E APARS.915. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO. elaboração própria da equipe do projeto.836 172.125.044 133. três países .288 84089090 84839000 84831090 84224090 84807100 Fonte: SECEX.500 CM³ E <= 2.EIXOS DE ESFERAS/ROLETES OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.EIXOS DE ESFERAS/ROLETES CAIXAS DE TRANSMISSAO.que eram os principais destinos de exportação em 2000 deixaram de sê-lo. DEZ PRODUTOS MAIS IMPORTANTES: IMPORTAÇÃO.429.936 194.REDUTORES.ETC. a China nem figurava entre os dez principais países de origem das importações de bens de capital. enquanto em 2007 já era o quinto colocado nesta lista.POR INJECAO.518 135.P/EMPACOTAR/EMBALAR MERCADORIAS MOLDES P/MOLDAGEM DE BORRRACHA/PLASTICO. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO OUTS.965.MANIVELAS.143.TABELA 15 .217 138. os parceiros comerciais mais tradicionais do Brasil são os EUA e a Argentina. DE CILINDRADA > 1.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.888 184. a Colômbia.ETC.573 160.ETC Valor 1.321.MECANICOS C/FUNCAO PROPRIA MOLDES P/MOLDAGEM DE BORRRACHA/PLASTICO.595.062 136.MANCAIS. expostas na TABELA 17 .816 211.185.DE IMPRESSAO POR OFSET ENGRENAGENS E RODAS DE FRICCAO.574.DE VELOCIDADE OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO. Paraguai e Austrália .560.ETC. para ceder lugar à China.730.819 142. Quanto à origem das importações.ETC MOTORES DE PISTÃO. DE IGNIÇÃO POR CENTELHA ENGRENAGENS E RODAS DE FRICCAO. DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO OUTROS MOTORES DIESEL/SEMIDIESEL PARTES DE ARVORES DE TRANSMISSAO.920.704 209.500 CM³ OUTRAS PARTES PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS MOTORES DE PISTÃO.E APARS.025 177. respondendo por 8.E APARS.662 197. Com relação aos principais destinos de exportação. evidenciada pelo aumento da rubrica “outros países” de 25% em 2000 para 29.

elaboração própria da equipe do projeto.003.046.202 2. Espanha e Coréia do Sul cederam lugar à China e Finlândia entre os dez maiores exportadores para o Brasil.2% 2.7% 12.985.3% 5.249.368 1.484 123.231.7% DEMAIS PAÍSES Fonte: SECEX.7% 3.757. PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.086.3% ITALIA JAPAO 1.5% 29.463.658.4% ESTADOS UNIDOS 1.633.6% 6.607.5% ALEMANHA ALEMANHA 2.7% 2.439.458 4.083.560 356.855.867.259 555.284.9% 9. 2000 E 2007 2000 Origem Valor Valor percentual Origem 2007 Valor 2.886.010 210.6% 2.881.5% 11.662 23.408.2% 2.086.586 142.052.742.054 Valor percentual 18.651.049 261.485 324.3% 5.5% 9.107.257.8% 25.3% 5.9% 18.902 142.0% 2.3% 2.803.440 2.741.046 21.189.598.880 Fonte: SECEX.0% Destino 2007 Valor Valor percentual 18. REPUBLICA 2. elaboração própria da equipe do projeto.6% 3.062 9.8% 4.655 ARGENTINA CINGAPURA MEXICO ALEMANHA VENEZUELA CHILE COLOMBIA CHINA ITALIA DEMAIS PAÍSES 701. PRINCIPAIS PAÍSES DE ORIGEM DAS IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.331 923.154 1.106.588 2.250 78.726 1.8% 14.122.437.938 387.417.2% 18.138 152.501.435 248.669.0% 1.622 968.512.950 79.5% FRANCA SUICA 382.730 13. TABELA 17 .068 68.862.118 12.992.7% SUICA ESPANHA 264.4% 3.7% ESTADOS UNIDOS 2.0% 3.3% ARGENTINA COREIA. TABELA 16 .5% 3.068.484 3.229.712 554.282.604 DA (SUL) DEMAIS PAÍSES 1. 36 .3% FINLANDIA 263.5% CHINA ARGENTINA 506.052 178.956.254.757.108.762.060.816 320.3% 8.0% 2.412.886 332.6% 8.849. 2000 E 2007 2000 Destino ESTADOS UNIDOS ARGENTINA ALEMANHA MEXICO CHILE ITALIA VENEZUELA REINO UNIDO PARAGUAI AUSTRALIA DEMAIS PAÍSES Valor 1.043.736 Valor percentual 31.de bens de capital.229 143.4% SUECIA SUECIA 307.979.318.192 98.2% ESTADOS UNIDOS ITALIA 1.7% JAPAO FRANCA 506.200.5% 2.931.620 4.096.783. Na comparação entre 2000 e 2007.088 2.004 260.699 651.223.

37 . sobretudo quando comparamos com outros países. Embora durante os primeiros anos da década de 2000 o cenário não tenha sido muito diferente. e. estrutura de assistência técnica e pósvenda deficiente. o que dificulta as exportações e permite a importação de equipamentos muitas vezes inadequados. sobretudo nas exportações. o setor de bens de capital no Brasil enfrentou um sério processo de reestruturação durante a década de 90. isto não significa a ausência de desafios a serem suplantados: aumentar a escala produtiva em alguns setores. o que reforça a importância da inovação e acumulação de conhecimento para superar este desafio competitivo. como veremos. deficiência das capacidades inovativas. No entanto. a crise financeira internacional que se configura atualmente promete ter grande impacto negativo sobre o setor. certificação etc). carência de políticas bem definidas para tecnologia industrial básica do setor (normatização. o ciclo de crescimento iniciado em meados de 2003 teve reflexos bastante positivos sobre o setor de bens de capital brasileiro. principalmente. inclusive sobre as exportações. diante da abertura econômica combinada a um cenário macroeconômico de baixo investimento e crescimento. Ademais.Em suma.

89% das firmas do setor têm menos de 50 empregados. segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). EMPRESAS LÍDERES NO SETOR DE BENS DE CAPITAL4 Do ponto de vista estrutural. apenas 1. a análise das empresas se concentra nas empresas com mais de 30 pessoas ocupadas representadas pela amostra da Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC). no qual pequenas empresas familiares convivem com grandes produtores de máquinas e equipamentos que às vezes vendem não apenas o produto. A análise que faremos ao longo desse trabalho será. 5 As empresas com mais de trinta pessoas ocupadas respondem por 98% do faturamento total do setor em 2005. focada nas empresas com mais de 30 funcionários que. representam boa parte do faturamento do setor e praticamente toda a sua atividade tecnológica5. embora representem pouco em termos de número de empresas.236 empresas e empregou 221. ainda que apenas 35% dos empregados dos trabalhe nestas firmas. mas também o projeto de engenharia. que empregaram 183 mil trabalhadores.4. o setor tal qual definido neste relatório contava com 8. 38 .922 trabalhadores em 2007. Com efeito. portanto. Contudo.573 firmas possuem mais de 30 empregados. as firmas produtoras de bens de capital consistem em um setor bastante heterogêneo. de acordo com o IBGE (TABELA 18 ). 4 Nesta seção e no restante do trabalho. De fato.

566 11.383 189 180.820 82.TABELA 18 .954 31.603 412.382 33% 67% 2.994 57% 43% 324 267 57 63.134 1.372 25% 75% 831 34% 66% 33 16 17 19.514 15.927 1.742 10% 90% 458 18% 82% Seguidoras 730 592 138 95.880 28% 72% 1. Subsetor Indicador Tipo de empresa Líderes 122 72 50 41.935 52% 48% 888 44% 56% 2.129 6.955 75.227 99.481 100% 0% 96 100% 0% 985 985 — 28.855 1. POR CATEGORIA DE FIRMA.219 — 3. PARTICIPAÇÃO ESTRANGEIRA.453 14.117 65.025 115. Salário médio (R$) compressores e Nacionais eq.266 93% 7% 261 93% 7% 107 107 — 7.370 36.441 83.120 3.234 246.595 — 383 100% 0% 29 100% 0% Emergentes 60 60 — 7.097 2.262 222.392 42% 58% 1.731 117.341 81.540 85.708 2. de transmissão Estrangeiras (CNAE 291) Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) 39 .166 120. NÚMERO DE FIRMAS.049 2.674 137.559 69% 31% 4.436 54% 46% 1.843 47% 53% 2.853 100% 0% 523 100% 0% 1.049 2.416 54% 46% 1.964 100% 0% 20 100% 0% 793 793 — 31.012 1.240 51% 49% Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salário médio (R$) Nacionais Total Estrangeiras Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Motores.943 15% 85% 683 12% 88% 2.162 199.974 102.853 2.687 35% 65% 2.637 7.572 1.614 41.570 6.338 21.444 368. FATURAMENTO E PESSOAL OCUPADO DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.636 2.954 — 123 100% 0% 7 100% 0% Total 1. PARA EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS: 2005.595 28. bombas.812 100% 0% 115 100% 0% 989 989 — 31.502 66% 34% 2.159 385.557 2.549 50% 50% 1.323 48% 52% 1.631 40% 60% 747 68% 32% Frágeis 660 659 1 35.673 — 654 100% 0% 26 100% 0% 26 26 — 1.325 38.530 2.877 61% 39% 158 118 40 33.

177 68% 32% 1.103 10.060 82% 18% 176 68% 32% 1.722 100% 0 203 100% 0 1.998 77% 23% 144 58% 42% 1.612 58.409 7.227 128.176 100% 0 94 100% 0 77 77 — 2.917 54.816 86.560 — 50 100% 0% 1 100% 0% 578 514 64 52.200 3.336 70.597 72% 28% 788 60% 40% 1.748 — 124 100% 0% 12 100% 0% 15 15 — 772 100% 0 9 100% 0 924 924 — 25.619 109.373 1.225 1.200 2.937 92.402 48.149 36.517 74.249 52% 48% 130 83% 17% 271 271 — 13.391 3.916 62.888 57% 43% 396 61% 39% 73 61 12 5.724 3.844 1.650 2.558 54% 46% 195 65% 35% 262 210 52 30.137 — 75 100% 0 6 100% 0 5 5 — 993 100% 0% 18 100% 0% 1.689 77% 23% 477 63% 37% 2.748 22.709 63% 37% 267 56% 44% 3.477 59.560 25.989 100% 0% 49 100% 0% 1.Máquinas e eq.270 1.397 117.846 969 48% 52% 73 48% 52% 26 22 4 6.736 1.373 — 25.981 56% 44% 338 74% 26% 40 .736 2.425 116.583 3.108 62% 38% 569 66% 34% 181 165 16 16.899 69.361 1.431 129.913 38.137 25.982 1.270 — 22.140 — 38.920 1.030 2.075 115.500 61.140 1.151 81% 19% 1.913 — 1. de uso geral (CNAE 292) Máquinasferramenta (CNAE 294) Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salário médio (R$) Nacionais Estrangeiras Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Nº de firmas Nacionais Estrangeiras Pessoal ocupado total Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Salário médio (R$) Nacionais Estrangeiras Produtividade (R$) Nacionais Estrangeiras Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) Nacionais (%) Estrangeiras (%) 30 18 12 7.056 2.

de modo geral.d. — 47% Fonte: PIA. 100% 53% Nacionais (%) Estrangeiras (%) 62% 53% n. — 19% Estrangeiras (%) Salários totais (R$ milhões) 256 596 175 68 1.d.083 48.d.960 152.472 Estrangeiras 93.021 53.6 Estas firmas seguidoras respondem por 58.583 406 8.d.095 43% 60% n. a maior parte delas (730. significa informação não disponível por respeito ao sigilo estatístico. empresas não exportadoras e com produtividade abaixo da média do seu setor e. 100% 58% 56% 48% n. RAIS e SECEX.Nº de firmas 33 237 205 14 489 Nacionais 16 203 204 14 437 Estrangeiras 17 34 1 — 52 Pessoal ocupado total 7.565 1.906 48. 41 .” (De Negri et al.453 3.835 1.d.288 1. com baixo nível de atualização tecnológica e de inovação.180 44. — 133. ou 46.d.604 n.8% do pessoal ocupado do setor. 100% 65% Nacionais (%) Estrangeiras (%) 57% 40% n. 6 O artigo de De Negri et al.d. A TABELA 18 mostra que.795 79.307 79.661 4.740 uso específico (CNAE 296) Estrangeiras 3.021 68.d.994 n.5% do emprego do setor. Estas são consideradas firmas com “grande capacidade de acompanhar e imitar as mudanças tecnológicas no seu setor e por isso conseguem diferenciar produtos ou realizar mudanças para reduzir seus custos de produção.863 2.472 Produtividade (R$) Nacionais 40. de Salário médio (R$) Nacionais 1. N.940 33.781 1.5% do faturamento e 52.680 24. que seguem rapidamente as empresas líderes e acompanham as mudanças na dinâmica de mercado impulsionadas pela concorrência setorial. 100% 81% Nacionais (%) 42% 23% n. PINTEC.103 4.288 1.423 n.972 11. — 42% Estrangeiras (%) Lucros totais (R$ milhões) 105 604 126 12 847 38% 47% n. 660 empresas (42% do total) foram classificadas como firmas frágeis. 1.4% do total de firmas) foi classificada empresas seguidoras do ponto de vista tecnológico. 33.9% do faturamento e 22. — 35% 2.874 Faturamento (R$ milhões) Nacionais (%) 44% 52% n.d.740 Máquinas e eq. Por seu turno.d.396 58% 77% n. — 3. elaboração própria da equipe do projeto. estas empresas respondem por apenas 6.d.918 1.d..572 empresas com mais de 30 pessoas ocupadas no setor de bens de capital. A despeito do grande número. (2008) detalha a classificação das empresas brasileiras de acordo com a liderança tecnológica.151 1. das 1. 2008).210 n.d.

As empresas líderes possuem indicadores de 42 . As transnacionais são.2%) do segmento. em média. em média). seguidoras e frágeis. Como escala de produção é um fator-chave de competitividade para o setor de bens de capital. Por fim. além de pagarem melhores salários.8 empregados. Do ponto de vista de escala de produção.9% do emprego do setor se devem às empresas líderes. mas não são ainda líderes tecnológicos. nem exportam tampouco possuem produtividade acima da média de seu setor. há 50 empresas estrangeiras entre as líderes. estão localizadas entre as frágeis e as seguidoras. embora seja no subsetor de máquinas-ferramenta onde as firmas líderes têm maior participação no número de empresas (14. oferecendo produtos homogêneos a preços mais competitivos. o porte dessas empresas é substancialmente maior do que a média do setor: elas possuem. São firmas que são líderes tecnológicas ora por diferenciar seus produtos – e com isso obter um preço diferenciado pelos mesmos – ora por serem líderes tecnológicos em custo. tanto em faturamento (R$ 11 milhões/ano) quanto em pessoal ocupado (113.9% do total).8% do faturamento total e 22.8%) e no faturamento (52. Ainda de acordo com a TABELA 18 . existe um grupo de 60 empresas classificadas como emergentes do ponto de vista tecnológico. uma participação expressiva (40. A distribuição setorial das firmas transnacionais é relativamente equânime. Essas empresas investem continuamente em P&D ou inovam produto novo para o mercado mundial ou possuem laboratórios de P&D (departamentos de P&D e que tem mestres/doutores ocupados em P&D). Nada menos que 30. que são empresas que as empresas mais competitivas e tecnologicamente avançadas do setor. maiores e mais produtivas.8 milhões ao ano. 320 funcionários e um faturamento de R$ 94. em média. Os indicadores de salário médio e de produtividade também refletem as diferenças entre líderes.No outro extremo competitivo há as 122 empresas líderes.

fundidos de grande porte em geral. Empresa Transnacional (parte do conglomerado Voith). Metso Atlas Schindler Não. México. Weg Motores elétricos. escadas e esteiras rolantes Equipamentos. Não. Empresa Transnacional. sistemas industriais. TABELA 19 . cervejarias. Sim. Sim (Nível novo mercado da Bovespa). Transformadores para instrumentos de média.produtividade acima da média e pagam salários bem superiores às demais. Areva T&D Brasil. Não. Não. PRINCIPAIS EMPRESAS DE BENS DE CAPITAL NO BRASIL. Não. China e Portugal). alta e extra-alta tensões. Sim. Caldeiras. estruturas e montagens industriais para o setor de óleo e gás. Não. Máquinas-ferramenta. Não. além de guindastes para o setor portuário e equipamentos mecânicos para o setor hidrelétrico. automação e controle. Maquinário para as atividades de mineração e construção (equipamentos para britagem. Não. Empresa Transnacional (de propriedade da Areva). Não. Não. Gevisa Motores elétricos. É de capital nacional? É internacionalizada? Sim (fábricas na Argentina. onshore e off-shore. Não. 43 . Empresa Transnacional (parte da General Electric). Dedini Sim. Indústrias Romi Sim. fundidos para diversos setores. SEGUNDO A PUBLICAÇÃO VALOR 1000 DE 2008 Empresa Atuação Possui ações negociadas em Bolsa no Brasil? Sim (Nível novo mercado da Bovespa). Não. Máquinas para plásticos. Não. Não.) Elevadores. peneiramento etc. Voith Paper Máquinas voltadas para o segmento de papel e celulose. Empresa Transnacional. Usiminas Mecânica Sim (faz parte do grupo Usiminas). Frágeis e emergentes têm níveis de produtividade abaixo da média. Fonte: Valor 1000 de 2008 e pesquisas na internet. plantas completas principalmente para usinas de açúcar e álcool.

7% é maior que o das seguidoras (18. a Romi (401º). em média. Com efeito. No tocante ao comércio exterior. Ainda de acordo com a publicação “Maiores e Melhores” da Revista Exame. a Usiminas Mecânica (319º). a Voith Paper (417º). a Areva T&D Brasil (465º). também está entre as 150 melhores empresas se trabalhar no Brasil. a Atlas Schindler (287º). chegando a 28% nos setores de máquinas-ferramenta (CNAE 294) e máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296). a maior parte das exportações e importações se deve às firmas seguidoras (57% e 61%). 44 . O desempenho geral de comércio exterior do setor é bastante influenciado pelo segmento de motores. as firmas líderes exportem e importem mais que as seguidoras (TABELA 20 ). embora. Dedini (215º). e a Gevisa (496º).Algumas empresas de bens de capital constam entre as 500 maiores empresas do Brasil. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291).2%). a Weg. Com efeito. em média o coeficiente de exportação das firmas líderes de 22. do jornal Valor Econômico. a Metso (251º). São elas a Weg (99º). o coeficiente de exportações (importância das exportações no faturamento) é o maior neste setor entre os setores analisados. segundo com a publicação Valor 1000 de 2008. importações e do saldo das líderes e seguidoras. uma das cinco maiores produtoras mundiais de motores elétricos. que respondem por mais da metade das exportações.

9 % 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Exportação Máquinas e eq.5% 496. POR SUB-SETOR E CATEGORIA DE FIRMAS: 2005.6 905.7 24.4 % 57% 61% 52% 48% 47% 49% 94% 89% 115% 17% 52% -81% 61% 61% 62% Total Valor 2. Subsetor Fluxo de comércio Exportação Importação Total Saldo Coeficiente de exportação Motores.0 22.TABELA 20 .1 366.355.3% 212.5% 176.4 93.6% 632.5 321.9 -45.8% exportação Fonte: PIA. 45 .8 809.6 101.6% 388.0 150.0 239. elaboração própria da equipe do projeto.2% 1.4 409.2 399.1 27.8 80.9 357.2 1.497.2 110.6 647. INDICADORES DE COMÉRCIO EXTERIOR DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.0% 28. de uso específico Importação (CNAE 296) Saldo Coeficiente de 28.7 14.6% 19.0 17.7% 776.5 146.6 577.3% 21.7 75.5 156.3 42.1 242. de uso geral (CNAE 292) Importação Saldo Coeficiente de exportação Exportação Máquinasferramentas (CNAE 294) Importação Saldo Coeficiente de exportação Líderes Valor 1.5 56.838.613.6% 467. de transmissão (CNAE 291) Exportação Importação Saldo Coeficiente de exportação Exportação Máquinas e eq.2% 721.6 687.2 1.5 400.4 12.1 5.1 392.483.224.6 -14. RAIS e SECEX. compressores e eq. PINTEC.5 % 43% 39% 48% 52% 53% 51% 6% 11% -15% 83% 48% 181% 39% 39% 38% Seguidoras Valor 1.0 18.6 708.0 23.8% 243.8% 35.8 96.7 27.0 18.3 7.

Contudo. a demanda é previsível. o modo como os bens de capital são idealizados e produzidos é importante para a dinâmica de aprendizado tecnológico. Rosenberg (1963) nota que as inovações no setor de bens de capital têm uma característica especial com respeito às inovações dos outros setores: elas não apenas podem induzir movimentos ao longo da curva de possibilidades de produção. as firmas do setor de bens de capital são os specialised suppliers por excelência. e o setor de bens de capital possui características produtivas bem especiais. quase sempre inovações de produto ou processo requerem a aquisição de máquinas e equipamentos (Varum e Monteiro. elas podem alterar a própria fronteira em si.5. a indústria de bens de capital catalisa inovações – de fato. a indústria de bens de capital é importante porque. que em verdade pode ser pensada como um continuum de possibilidades. Sari (1981) classificou os processos produtivos das empresas de acordo com o papel e o grau de influência dos pedidos dos consumidores. 2003):  Make to stock (MTS): neste sistema de produção. Sem embargo. Segundo a célebre taxonomia de Pavitt (1984). Sua classificação. 2007). em última instância. Além disso. é ela que determina a produtividade da economia (Rosenberg. 1976). é composta por quatro pontos de referência (Tseng e Piller. INOVAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS FIRMAS COM O SISTEMA DE INOVAÇÃO Como já mencionado. substituindo fatores de produção. bem como o processo produtivo. Os ciclos de produto são 46 .

motores elétricos. Neste sistema produtivo. que neste caso é totalmente customizado às suas necessidades. a interação com os consumidores é mínima e não raro as firmas enfrentam elevados custos de estocagem. A firma produz para estocar. Devido à necessidade de uma maior interação com os clientes. Há a possibilidade de modificações marginais do produto final. mas a montagem destes produtos é feita apenas depois do recebido o pedido. Assim. e o prazo de entrega é considerado médio ou longo. 74).  Assemble to order (ATO): no sistema ATO. A despeito do tempo de entrega do produto ser minimizado. dependendo da complexidade das adaptações e do volume de pedidos. Há um nível mais alto de interação com os clientes.  Make to order (MTO): as firmas que adotam o sistema MTO mantêm um estoque de matérias-primas e componentes. é mantido um estoque de produtos semi-acabados.  Engineer to order (ETO): a diferença do sistema ETO para o MTO é que o cliente interfere no próprio projeto do produto. compressores em geral e outras máquinas e 47 . há alguma margem para customização do produto final às necessidades do cliente. 2003. e o cliente consome os produtos deste estoque. o grau de interação com os clientes é o mais alto possível. p. a indústria de bens de capital tipicamente adota os processos MTO no caso de máquinas-ferramenta.longos e estáveis. de modo que a fabricação do produto só se inicia após o pedido. Um bom exemplo deste sistema de produção é a produção de microcomputadores (Tseng e Piller. bombas. baseados em “famílias” pré-definidas de produtos. mas em geral estas têm apenas natureza cosmética.

(iv) por isso. 1984) -. os países não conseguem aumentar a produtividade da economia a ponto de elevar a taxa de poupança. Ainda que seja muito comum a ocorrência de economias típicas de escala. (iii) mesmo que a escala fosse eficiente. haveria problemas para iniciar a produção. E esta possibilidade é determinada pelo tamanho da demanda. e adota processos ETO para bens de capital nãoseriados e sistemas mais complexos. Entretanto. o tamanho do mercado para os bens de capital – dado pelo tamanho da economia e pelo ciclo de investimento influencia sobremaneira a acumulação de conhecimento na indústria de bens de capital de um país. situação que ocorre quando um leque relativamente pequeno de produtos é produzido a partir dos mesmos insumos. em oposição aos países desenvolvidos. o tamanho do mercado determina a velocidade do aprendizado tecnológico – seja ele operacional (que representa redução de custo) ou criativo (que representa novas tecnologias) (Sahal.equipamentos mais simples. a explicação passa pelo desenvolvimento do setor de bens de capital. sendo escassos no fator capital. que desenvolveram tecnologias poupadoras de mão-de-obra. 48 . pois a própria produção de bens de capital é capital-intensiva. realimentando o próprio ciclo. a despeito de ser considerada uma indústria do tipo specialised suppliers. independentemente da rota tecnológica escolhida. Neste sentido.7 7 A motivação original do artigo de Rosenberg (1963) era explicar porque os países em desenvolvimento. Rosenberg (1963) nos lembra a célebre frase de Adam Smith: “a divisão do trabalho está limitada pelo tamanho do mercado”. não lograram desenvolver tecnologias poupadoras deste fator escasso. a produção de bens de capital tem escala ineficiente. A armadilha dos países em desenvolvimento consiste no seguinte: (i) os países em desenvolvimento têm baixas taxas de poupança. o desenvolvimento de capacidades inovativas fica prejudicado. capaz de alterar a fronteira de produção. Segundo o autor. Rosenberg (1963) defende a existência de economias de especialização no setor de bens de capital. o que faz com que estes países tenham baixo desenvolvimento tecnológico em geral. Além disso. (ii) por conseqüência.

As firmas produtoras de bens de capital enfrentam riscos de natureza macroeconômica. Segundo estes autores. Firmas são mais propensas a inovar e ter sucesso Modo DUI Baseado no conhecimento informal e baseado na experiência. comercial e financeira. Uso e Interação (DUI). Tecnologia e Inovação (STI). Neste sentido. do tipo “know-what” and “knowhow” Firmas estáticas e sem aprendizado Falta de qualquer estratégia de aprendizado Modo STI/DUI Tensão entre os dois modos. além de riscos relativos ao processo produtivo. Mais uma vez.5. baseado na produção e no uso de conhecimento científico e tecnológico codificado. e outro. Conhecimento tácito e global. TABELA 21 . mais informal. boa parte das firmas de bens de capital na Europa combinam os métodos. chamado de Ação. O quadro a seguir mostra estas possibilidades. gerenciar o processo de inovação torna-se um desafio.1 O PROCESSO E O GERENCIAMENTO DA INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL Varum e Monteiro (2007) apontam dois modos de inovação: (i) o modelo baseado em Ciência. mas com viés para o modo STI. do tipo “know-how” and “know-who” Fonte: Varum e Monteiro (2007). MODOS DE INOVAÇÃO E APRENDIZADO Modo STI Baseado na produção e uso de conhecimento científico e tecnológico codificado. esta distinção serve para referenciar a discussão. baseado na experiência. 49 . Conhecimento global. na prática os melhores resultados são atingidos quando as firmas combinam os dois modos de inovação.

não sendo necessariamente previstas no plano original. De todo modo.  Aprendizado: nesta abordagem o projeto pode ser ajustado às mudanças de ambiente. a maior parte dos projetos é administrada a partir da abordagem do instrucionismo.  Selecionismo: o selecionismo é um processo de tentativa e erro. seja em sua forma “pura” ou combinada com estratégias de aprendizado ou de seleção de projetos. 50 . é muito comum nos estágios iniciais do projeto de inovação haver concorrência de projetos para posterior seleção daquele que se mostrar mais promissor. é importante destacar que não apenas o tamanho do mercado como também a incerteza afetam sobremaneira o grau de inovatividade no setor. Segundo estes autores. e estes ajustes são baseados em informações obtidas durante o processo de desenvolvimento do projeto. mais conservadores serão os projetos de inovação (isto quando existentes). Com efeito. É uma abordagem que funciona muito bem desde que os riscos possam ser identificados e seus impactos sobre o projeto possam ser previstos.Pich et al. em que uma variedade de soluções é gerada e é escolhida a solução que provê os melhores resultados. Quanto maior o grau de incerteza. (2002) notam que existem basicamente três abordagens para o gerenciamento de projetos de risco:  Instrucionismo: o instrucionismo se baseia na elaboração e execução de um plano por uma equipe de projeto. contingências e flexibilidades são previstas.

Em segundo lugar. o aprendizado tecnológico no setor de bens de capital apresenta as seguintes características: (i) Inovação e inovatividade são altamente pró-cíclicas. uma vez que ela influencia no grau de ousadia dos projetos de inovação. Este aprendizado é também condicionado pela incerteza. 51 . Em primeiro lugar. em países onde o setor é desenvolvido as firmas devem atribuir alta importância ao P&D para a inovação. São os ciclos de investimento e o tamanho do mercado que determinam a velocidade do aprendizado tecnológico.8 (iii) Como o processo de inovação no setor é enviesado para STI. (ii) Os clientes das firmas de bens de capital têm papel crucial no processo de inovação.Em suma. 8 Lee (1996) reporta que não raro clientes do setor de bens de capital se envolvem no processo de inovação a tal ponto que eles mesmos passam a produzir máquinas e equipamentos. maior a necessidade do envolvimento dos clientes na produção e no desenvolvimento de novos bens de capital. Isto deve se refletir nas pesquisas de inovação na forma acordos formais de cooperação com clientes ou mesmo como alta importância atribuída aos clientes como fontes de informação para a inovação. são seus planos de investimento que criam a base para a dinâmica de inovação das firmas de bens de capital. diante do acima exposto. quanto maior grau de especialização do fornecedor de bens de capital. bem como a acordos formais de cooperação com universidades e centros de pesquisa.

o grau de inovatividade da indústria brasileira de bens de capital não é alto. no agregado da indústria de bens de capital) se deve aos altos gastos em aquisição de outros conhecimentos e aquisição de máquinas e equipamentos por parte de firmas líderes transnacionais em 2005. vemos que a taxa geral de inovação na indústria de bens de capital no Brasil é semelhante à dos países europeus. mas ela caia sensivelmente quando se trata das inovações de produto novo para o mercado. seguindo o padrão da indústria brasileira em geral.5.2 INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA DE BENS DE CAPITAL. Em segundo lugar. a partir das informações dispostas na TABELA 22 nota-se que. que cremos não se repetirem no futuro.2%. as baixas taxas de inovação de produtos novos para o mercado e o baixo nível de investimentos em P&D indicam que. a pesquisa de inovação tecnológica conduzida pelo Eurostat. ao P&D) tem-se que a indústria de bens de capital no Brasil investe bem menos que os países europeus. em geral. As duas próximas tabelas trazem informações acerca da performance inovativa dos países europeus mais relevantes para a indústria de bens de capital e que participaram do Community Innovation Survey de 2004 (CIS4). analisaremos não apenas o desempenho inovativo do setor de bens de capital no Brasil. 52 . em que pesem diferenças com respeito ao corte de pessoal ocupado e ao escopo setorial9. 9 10 Veja a nota de rodapé da tabela 22. o alto volume de gastos em atividades inovativas em geral como proporção do faturamento (5. Como será visto mais adiante. o Escritório Europeu de Estatísticas. A PARTIR DAS PESQUISAS DE INOVAÇÃO Nesta seção. em todos os países. Com relação aos investimentos em inovação (em especial. Em primeiro lugar. as taxas de inovação são maiores no setor de bens de capital do que para a indústria em geral. como compararemos este desempenho com firmas situadas nos outros países.10 Portanto.

199 65.873 7% 13% 11% Setor de Bens de Capital (CNAE 29) Espanha França Itália 1.00 1.957 28. * As tabulações a partir da CIS 4 abrangem empresas com mais de 10 pessoas ocupadas e não é possível uma desagregação setorial a três dígitos.27% 4.d.70% externo) Fonte: CIS 4. limitamos nosso estudo para empresas brasileiras com mais de 30 empregados e às CNAEs 291.30% 3. 294 e 296.60% Brasil Espanha 80.80% inovativas (prop.285 32% 965 24% Alemanha 7.23% 2.502 20% Inglaterra Gastos em atividades inovativas (prop.46% Alemanha Espanha França Itália Gastos em atividades 7. PIA e PINTEC elaboração própria da equipe do projeto.742 Brasil 1.446 42% 7. Da RLV) Gastos em P&D (interno + externo) n.05% n. de forma que as informações se referem à CNAE 29 como um todo.565 5% Brasil 5.76% Indústria total 2. Como já mencionado.896 65% 26.716 13. da indústria de bens de capital com as da indústria de transformação 53 .667 46% 824 23% 792 22% Indústria total França 86. 2.60% Inglaterra 3.00 5.835 81% 2. 292.561 44.319 32% 2.d.15% 3.00% 1. TAXAS DE INOVAÇÃO E ESFORÇO INOVATIVO NA INDÚSTRIA E NO SETOR DE BENS DE CAPITAL BRASILEIRO EM COMPARAÇÃO COM PAÍSES SELECIONADOS: 2005 (BRASIL) E 2004 (DEMAIS PAÍSES).19% n.00 3.730 18% Alemanha 5.967 52% 2. desagregadas pelos subsetores.d.547 28.438 34% Setor de bens de capital (CNAE 29) Espanha França Itália 9.548. n.089 26% 17.740 29% Itália 121.977. Inglaterra Alemanha 101. a TABELA 23 compara as taxas de inovação.68% 1.TABELA 22 .938 13% 13. do Eurostat.26% 5.66% 1.38% 1.412 27% Inovadoras de produto novo para o mercado 17. 0.160 36% 15.596 1.601 27% 2.821 14% 10.* Indicadores Número de empresas Inovadoras Inovadoras de produto Inovadoras de produto novo para o mercado Indicadores Número de empresas Inovadoras Inovadoras produto de Inglaterra 85.613 3.76% 1.118 34% 13.876 4. Por sua vez.23% 2.211.20% 0.788 25% 1.572 810 52% 603 38% 173 11% Brasil 31.629 43% 23.d.040 16% 5.698 47% 846 23% 572 16% 1.170 32% 11.879 47% 1.176 36. Da RLV) Gastos em P&D (interno + 3.

de (CNAE transmissão 292) (CNAE 291) 324 578 172 53% 129 40% 58 18% 132 41% 5 2% 309 53% 224 39% 46 8% 210 36% 30 5% Máquinasferramenta (CNAE 294) 181 100 55% 73 40% 25 14% 64 35% 6 3% 23.39% 0. seguidoras. frágeis e emergentes no que tange à inovação firmas.572 810 52% 603 38% 173 11% 530 34% 49 3% Motores. conforme comentado anteriormente. As taxas de inovação não variam substancialmente entre os subsetores.565 5% 10. Máquinas bombas.9 P&D / Faturamento (%) 0.0 0.25% Número de empresas (total) Inovadoras Inovadoras de produto Inovadoras de produto novo para o mercado Inovadoras de processo Inovadoras de processo novo para o mercado 31. de compresssores e uso geral eq.em geral. Indústria de transformação Bens de Capital Total 1.24% Fonte: PIA. Contudo.81% Outras máq.446 42% 7. A TABELA 24 mostra que as empresas líderes e emergentes se destacam em todos os tipos de inovação em 54 . Com relação aos investimentos em P&D.6 0. e eq. TAXAS DE INOVAÇÃO E ESFORÇOS INOVATIVOS NA INDÚSTRIA BRASILEIRA E NO SETOR DE BENS DE CAPITAL NAS EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS: 2005.66% 0. há muitas diferenças entre firmas líderes.788 25% 1.823 132.980 35% 834 3% Investimento em P&D (R$ milhões) 7. vê-se que a indústria de bens de capital fica abaixo da média nacional em todos os setores analisados à exceção do segmento de máquinas-ferramenta. PINTEC. de uso específico (CNAE 296) 489 229 47% 177 36% 44 9% 124 25% 8 2% 20. TABELA 23 . as taxas de inovação tanto de processo quanto de produto caem substancialmente quando se considera a novidade da inovação para o mercado. De fato. Naturalmente.8 66.716 13. RAIS e SECEX.3 22. o volume investido em P&D na indústria de bens de capital representa apenas 1.7% do total da indústria de transformação. e eq. elaboração própria da equipe do projeto. se situando sempre acima da média da indústria nacional.48% 0.

respectivamente.572 809 51% 602 38% 173 11% 530 34% 49 3% 42 3% Motores. A maior parte das firmas líderes e emergentes que inovaram para o mercado mundial atuam.todos os subsetores. compressores e eq. TABELA 24 . TAXAS DE INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. de Nº de inovadoras transmissão (CNAE 291) de produto 33 33 100% 33 158 92 58% 58 107 21 20% 15 26 26 100% 23 324 172 53% 129 55 . bombas. Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Total de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial 122 122 100% 122 100% 120 98% 55 45% 9 7% 23 19% Seguidoras 730 431 59% 316 43% 8 1% 260 36% 17 2% 1 0% Frágeis 660 196 30% 107 16% 9 1% 172 26% 22 3% 0 0% Emergentes 60 60 100% 57 95% 36 60% 43 72% 1 2% 18 30% Total 1. no setor de máquinas de equipamentos para uso específico (CNAE 296) e no de motores. Nº de empresas bombas. se situando em torno da média da indústria nacional. Outro fator que chama a atenção é que a taxa de inovação de processo para as firmas líderes no setor não é alta. POR CATEGORIA DE EMPRESA (EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS): 2005. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291). 19% das firmas líderes e 30% das emergentes lançaram produto novo para o mercado mundial. Sem embargo.

de uso geral (CNAE 292) de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Máquinasferramenta (CNAE 294) de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Máquinas e eq.100% de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Máquinas e eq. de uso específico (CNAE 296) Nº de empresas Nº de inovadoras de produto 33 100% 26 79% 4 12% 5 15% 30 30 100% 30 100% 30 100% 10 33% 0 0% 2 7% 26 26 100% 26 100% 24 92% 10 38% 4 15% 1 4% 33 33 100% 33 37% 7 4% 65 41% 1 1% 0 0% 262 165 63% 129 49% 0 0% 105 40% 8 3% 0 0% 73 39 53% 22 30% 0 0% 24 33% 2 3% 0 0% 237 135 57% 107 14% 1 1% 18 17% 0 0% 0 0% 271 99 37% 50 18% 8 3% 84 31% 22 8% 0 0% 77 29 38% 19 25% 0 0% 29 38% 0 0% 0 0% 205 47 23% 23 88% 17 65% 23 89% 0 0% 17 65% 15 15 100% 15 100% 8 53% 11 73% 0 0% 0 0% 5 5 100% 5 100% 1 20% 1 20% 0 0% 1 20% 14 14 100% 14 40% 58 18% 132 41% 5 2% 22 7% 578 309 53% 224 39% 46 8% 210 36% 30 5% 2 0% 181 99 55% 72 40% 25 14% 64 35% 6 3% 2 1% 489 229 47% 177 56 .

PINTEC.9% da RLV em P&D interno e externo. De fato. as firmas emergentes apresentam características diferenciadas de investimentos em inovação. a despeito do pequeno número e da reduzida escala de produção. 57 . respectivamente. ESFORÇO INOVATIVO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL.2%. mas distante do nível alemão. número próximo à Itália. elaboração própria da equipe do projeto. RAIS e SECEX. em torno de 0. frágeis e emergentes investem cada uma 0. TABELA 25 . POR CATEGORIA DE EMPRESA (EMPRESAS COM MAIS DE 30 PESSOAS OCUPADAS): 2005.e P&D interno e externo em particular – novamente firmas líderes e emergentes se destacam entre as demais. de 3.9% e 2. Como sabido.de produto novo para o mercado de processo 100% 33 100% 45% 1 0% 11% 0 0% 100% 10 71% 36% 44 9% 124 25% 8 2% 16 3% 9 66 41 8 27% 28% 20% 57% 1 6 0 1 de processo novo para o mercado 3% 3% 0% 7% 15 1 0 0 de produto novo para o mercado mundial 45% 0% 0% 0% Fonte: PIA.6% de seu faturamento em P&D interno e externo. As firmas líderes deste segmento investem 1. firmas líderes e emergentes do setor investem. Do ponto de vista setorial. França e Espanha. o setor que mais investe em P&D como proporção da RLV é o de máquinas-ferramenta (CNAE 294). enquanto as seguidoras.5% 0.6%. Com respeito aos investimentos em atividades inovativas em geral .

4% (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) Motores.836 84 3.8% 10 1.775 5.1% 8.5% 0.1% 1. PINTEC.4% 11 Total 34.6% 2 2.1% 1.3% 0. Estes gastos chegam a influenciar a média para toda 58 .Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes RLV Total 10. elaboração própria da equipe do projeto.044 56.5% 95 0.7% 89 0.0% 31 1.8% 2 0. RAIS e SECEX.7% 94 0.5% 37 0.6% 17 2.0% 50 12 25.5% 2.7% 7.6% 13.127 154 2.7% Fonte: PIA.173 19 1.481 89 1.4% 1.1% 4 Emergentes 644 49 7.236 350 1.6% 45 0.714 341 2.5% 7.2% 31 0.8% 6 0.188 56 1.7% 941 45 4.4% 2 2.095 179 2.0% 14 Frágeis 3. bombas.662 157 1.320 12.234 1.9% 6.166 21 1.0% 0 0.193 14.8% 0 0.4% 8 Seguidoras 20. de uso específico (CNAE 296) (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) 0. de uso geral (CNAE 292) (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV Máquinasferramenta (CNAE 294) (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV Máquinas e eq.2% 48 0.6% 123 4 3.2% 122 0 0.5% 398 29 7.492 52 3.0% 74 2 3.9% 43 0. de transmissão (CNAE 291) RLV (R$ milhões) Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV Máquinas e eq.378 1.446 1.9% 1. compressores e eq. Os elevados gastos em atividades inovativas em geral como proporção da RLV por parte das firmas líderes se devem ao setor de Máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296).2% 2.2% 207 0.2% 369 3 0.5% 28 1.1% 4.531 32 2.455 88 2.7% 9.0% 1.0% 2 4.850 1.6% 1 0.

1. Os números equivalentes para empresas seguidoras e emergentes são substancialmente menores: 0.4% da RLV em atividades inovativas. quando é feita uma desagregação entre firmas nacionais e estrangeiras. PESSOAL OCUPADO EM P&D NO SETOR DE BENS DE CAPITAL BRASILEIRO.3% do pessoal ocupado trabalha exclusivamente em atividades de P&D. percebe-se que há firmas líderes transnacionais .3%. GRÁFICO 5. um valor certamente muito alto.2% dos funcionários está diretamente envolvido em atividades de P&D (GRÁFICO 5). Estes investimentos.a influenciar este resultado.as quais investiram um alto montante em aquisição de máquinas e equipamentos e aquisição de outros conhecimentos .8% e 0. cerca de 0. respectivamente.7% dos funcionários de uma empresa são dedicados a esse tipo de atividade. 11 Sem embargo. Nas empresas líderes e emergentes. Na indústria brasileira como um todo. novamente há diferenças substanciais com respeito à distribuição destes profissionais entre as diversas categorias de empresas. Entretanto. POR CATEGORIA DE EMPRESAS: 2005.11 Outro indicador relevante do esforço tecnológico das empresas é o número de pessoas envolvidas diretamente e com dedicação exclusiva em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento. Na CNAE 296. trata-se de firma ou conjunto de firmas que iniciou suas operações em 2005. Contudo.20% da RLV. as 16 firmas líderes nacionais presentes neste subsetor investiram apenas 3. não devem se repetir no futuro.7 e 2.a indústria. No setor de bens de capital. 2. Provavelmente. as firmas líderes declararam gastar 56. 59 . que é de 5. COMO PROPORÇÃO DO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. contudo.4% do faturamento em atividades inovativas.

5% 0. emprega 52% dos profissionais envolvidos em P&D no setor de bens de capital. por sua vez.5% 1. De acordo com o GRÁFICO 6. GRÁFICO 6. são responsáveis por 8% dos profissionais envolvidos em atividades de pesquisa.2% 0. RAIS e SECEX.3% do total da mão-deobra empregada no setor.0% 0.3% 1. PINTEC. elaboração própria da equipe do projeto.9% do emprego no setor. PESSOAL OCUPADO EM P&D NO SETOR DE BENS DE CAPITAL.5% 2. embora responda por apenas 22.7% 2.0% 1.8% 0. o grupo das empresas líderes. POR CATEGORIA DE EMPRESAS: 2005. As empresas emergentes. embora menores e respondendo por apenas 4.0% nt es re s ra s ei s Fr ág Lí de do Em er ge gu i To ta l 2.0% 2.Pessoal total ocupado em P&D: (%) do total 3. Se 60 .3% Fonte: PIA.

Neste segmento.4% 8% Líderes Seguidoras 52% Frágeis Emergentes 36% Fonte: PIA. Com respeito à distribuição setorial do pessoal ocupado em P&D (GRÁFICO 8). bombas.6% dos empregados trabalham em P&D. 61 . nas firmas líderes do setor de máquinas-ferramenta (CNAE 294) 4. PINTEC. elaboração própria da equipe do projeto. cabe apenas comentar que ela segue a distribuição do faturamento e do emprego. RAIS e SECEX. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) e máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292). com primazia dos setores de motores. Com efeito. É no setor de máquinas-ferramenta (CNAE 294) que as firmas líderes empregam maior parcela dos profissionais envolvidos em P&D (GRÁFICO 7). 82% dos pesquisadores trabalham em firmas líderes do ponto de vista tecnológico.

2005 14% 12% 40% Motores. RAIS e SECEX. de uso específico (CNAE 296) Fonte: PIA. POR CATEGORIA DE EMPRESAS: 2005 8% 0% 10% Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes 82% Fonte: PIA. de transmissão (CNAE 291) Máquinas e eq. GRÁFICO 8. elaboração própria da equipe do projeto. DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DO PESSOAL OCUPADO EM P&D: SETOR DE BENS DE CAPITAL. bombas. compressores e eq. RAIS e SECEX. PINTEC. 62 .GRÁFICO 7. PESSOAL OCUPADO EM P&D NO SETOR DE MÁQUINAS FERRAMENTA. PINTEC. elaboração própria da equipe do projeto. de uso geral (CNAE 292) Máquinas-ferramenta (CNAE 294) 34% Máquinas e eq.

9% do investimento em inovação para P&D e 32. Com efeito.3% para P&D. Ainda assim. os líderes tecnológicos destinam 33. caso se desconsiderassem estes gastos em aquisição de outros conhecimentos destas empresas transnacionais (em torno de R$ 400 milhões).3 ESTRATÉGIAS DE INOVAÇÃO É tradicional na indústria brasileira a dependência da aquisição de máquinas e equipamentos como principal forma de atividade inovativa.6% dos gastos em atividades inovativas para a aquisição de máquinas e equipamentos.8% dos gastos em atividades inovativas para a aquisição de máquinas e equipamentos e 9.5. mesmo com o expurgo das líderes transnacionais da CNAE 296.7% para a aquisição de máquinas e equipamentos.5% para a aquisição de máquinas e equipamentos.1% dos gastos em atividades inovativas para P&D. as firmas líderes parecem destinar uma parcela menor de seus gastos em inovação para P&D do que as seguidoras.5% dos gastos em inovação para a aquisição de outros conhecimentos. Contudo. de acordo com a TABELA 26 . 63 . no agregado as firmas líderes da indústria de bens de capital destinaram 34. estes números são bem diferentes do padrão médio dos líderes tecnológicos: para a indústria como um todo. enquanto destinam apenas 6. As firmas seguidoras destinam 19. Deste modo.1% do montante para P&D. Por isso. e 55. Sem embargo. Na indústria de bens de capital não é diferente. a TABELA 26 mostra que mesmo as firmas líderes destinam 42. deve-se lembrar que os gastos em inovação das firmas líderes se encontram afetados pelo alto volume investido em máquinas e equipamentos e aquisição de outros conhecimentos por firmas transnacionais no setor de máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296). as empresas líderes passariam a destinar 64.

7% dos gastos em atividades inovativas para P&D. compressores e equipamentos de transmissão (CNAE 291) e 53% e máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292). Assim. conforme demonstrado na seção anterior. em média. As empresas gastam em atividades inovativas praticamente o triplo da soma do que gastam as outras categorias de empresas. Em média.2 milhões em atividades de inovação. como conseqüência. bombas. estas firmas destinam 32. Pela sua natureza. este foi também o setor que mais investe em P&D com respeito à RLV. as emergentes gastam R$ 48. as firmas frágeis investiram em média R$ 85 mil em 2005 em inovação. no total. Por fim. há de se considerar que o volume de dispêndio tanto em atividades inovativas em geral quanto especificamente em P&D das líderes é maior do que em qualquer outra categoria de empresa.6 milhões mesmo sendo apenas 60 empresas. este número sobe para 55% nos setores de motores. as firmas emergentes constituem a categoria de firmas que mais investe em P&D. Para comparação. quase 10 vezes mais – R$ 810 mil. R$ 56. no qual as firmas líderes destinaram em 2005 50. dentre os tipos de investimentos em inovação. cabe destacar o baixo volume de investimentos em atividades inovativas efetuado pelas firmas frágeis. 64 . e elas são responsáveis por praticamente metade (47%) do P&D do setor. Os padrões descritos acima se repetem em todos os subsetores à exceção do setor de Máquinas-ferramenta (CNAE 294).4% dos investimentos em inovação para P&D. Setorialmente.No entanto. enquanto as emergentes investiram. As 660 firmas frágeis gastam.

3% 0.1 5.8 1.2% Total 1.6 0.0 0.2 2.9 0.9 19.2 3.7% 0.0% 15.8 1.0% 0.5% 0.4 55.1 3.8% 178.0% 85.4 42.3% 9.7% 0.8 7.0 0.5% 562.8 53.0% 40.4% 17.0% 194.0% Subsetor 65 .8 4.6 55.1% 0.3 19.0% 66.2 6.0% 80.3% 116.0 4.6% 3.0 0.4 0. de transmissão Aquisição de máquinas e equipamentos (CNAE 291) Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial Tipo de empresa Líderes 1.1% 59.5 100.3 2.4% 0.2 0.0% 169.0% 66.3% 0.2 16.3 76.7 15.3 7.7 5.0 64.8% 25.7 1.8 3.5 100.8 48.9 100.7 42.7% 1.6% 51.5 6.4% 3.4% 154.1% 76.6 100.4% 1.5% 37.3 9.0 1.6 14.6 4.1 4.5% 819.0% 4.2% 8.5% 0.6 16.8 32.2 2.1% 1.0 46.4% Seguidoras 350. Aquisição de outros conhecimentos compressores e eq. POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005.3% 0.6% 455.3% 0.9 100.9 10.5% 28.7% 9.0 100.5% 4.8% 0.2 100.9 6.8% 340.8 1.0% 5.3 8.1 15.319.1% 27.2% 0.2 4. bombas.0% 1.1 7.2 100.1% 1.9% 14.8% 0.5% 36.0% 0.5% 45.0 1.9% 2.0 1.8 100.TABELA 26 .5 100.4% 2.6% 11.1% 10.9% 96.775.5 11.6% 103.5 55.1% 470.7% 1.4% 3.0 0.0% 23.0% 25.7% 164.4 5.0% 2.4% Emergentes 48.9 3.4 22.0 5. Tipo de investimento em atividades inovativas Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Aquisição de outros conhecimentos Total Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Motores.0 0.3% 25.0% 0.3% 54.4 7.8 19.6% Frágeis 56.5 3.7 34.0% 0.1% 8.8% 14. VOLUME E DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS GASTOS EM ATIVIDADES INOVATIVAS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.3% 63.4 9.0% 2.4 25.9 26.1 1.0 2.

0% 0.0% 0.4 5.0% 0.2% 3.0 0.2 2.0% 0.4% 0.4% 0.2 19.0% 0.0 0.0% 0.2 100.0 1.3% 15.3% 5.0% 30.9 2.4 3.0% 10.1 100.9% 6.0 0.1 100.0 0.2 0.0 100.8% 1.5 42.5 19.9 4.2 13.1 11.0 80.6 4.4% 2.8 46.0% 1.2% 3.3% 35.3 0.0% 0.3 12.2% 4.0% 26.0% 0.3 2.4% 52.8% 10.2 42.2% 6.9% 4.0% 1.8 3.5 2.4% 1.0% 0.5% 1.2% 1.0 0.6 56.4% 6.0% 0.4 2.1 0.4 50.0% 29.4 2.8 4.8 3.8 1.7% 22.0 0.0% 0.0 100.0% 157.7% 4.2% 21.0% 2.0% 7.7% 0.2% 83.4% 0.8% 2.7% 88.2% 0.3 53.9% 0.0% 0.0 20.5% 4.0% 0.5 100.0% 42.8% 10.0 0.7% 1.2 29.0% 2.9% 0.0% 9.0% 1.0 0.2 6.4 14.8% 3.6% 12.0 0.1 7.4 2.1 4.7 3.1% 0.6% 0.2 17.9 2.4 100.3% Máquinasferramenta (CNAE 294) 66 .2% 0.4 0.7 100.7 2.5% 73.Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Máquinas e eq.3 49.8 8.0 0.3% 0.7% 19.8% 0.6% 0.8 4.0% 0.7 27.2% 1.8 4.5% 0.5% 0.2 7.1 9.5 35.0% 0.5 100.1 100.2 1.0% 2.2 6.0 8.7 3.1% 25.2% 12.0 78.9% 37.2 100.5% 0.4 4.7 1. de uso geral (CNAE 292) Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial 45.5 34.9 8.

7% 0. PINTEC.3 100.8 37.8 32.7% 0.3% 439. elaboração própria da equipe do projeto.7 7.9% 91.3% Fonte: PIA.193.0% 9.0 0.0% 1.0% 0.9% 1.4 72.7 2. 67 . percebe-se um padrão bem distinto.9% e 22.3 1.5% 14.6% 5. de uso específico (CNAE 296) Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Treinamentos Gasto em introdução das inovações Projeto industrial 1.3% para a aquisição de máquinas e equipamentos.8 2.6% 4.2 0. seja para a indústria como um todo.4 100.3 bilhões de Euros.3% 14.0% 31. pelo volume de P&D investido no setor de máquinas e equipamentos (5.6% 11.6 13.1% 1.3 0.5% 450.1 42.5% 3.8 6.1 0.0% 12.2 0.2 0.1% do total de gastos em atividades inovativas) e a França. seja para o setor de máquinas e equipamentos em específico.5%.5 100.5% 0. por destinar 81.0% 1.2% 44.7% 46.7% 22.5% 12.8% 545. No setor de bens de capital.3 4.043.0% 23.3 45.Gastos em atividades inovativas (R$ milhões) Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Máquinas e eq.1% 450.3% 0.9% 3.2% 89.7 1. os números equivalentes são 60.2 88. Destacam-se a Alemanha.6 0.9 3.3 14. ou 62.0% 5.7 100.2% 4.6 29.2% dos investimentos em inovação para P&D.1% 1.5 43.2% 1.6 64.2 8.4 1. RAIS e SECEX.0 1.0% 3.8 50.1% 56.0 0.1 100.0 2.6% 1.8 11. Além de gastarem mais em atividades inovativas como proporção do faturamento.3 4. Quando se compara esta distribuição dos gastos inovação com a dos países europeus selecionados. as empresas européias em geral destinam pouco mais de 50% dos investimentos totais em inovação para P&D e 24.7% 0.8 33.7% 0.

TABELA 27 . VOLUME E DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS GASTOS EM ATIVIDADES
INOVATIVAS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL E DA INDÚSTRIA EM GERAL EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004.

Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Tipo de investimento em atividades inovativas (em milhares de Euros) Gastos em atividades inovativas Gastos em P&D interno Gastos em P&D externo Aquisição de outros conhecimentos Aquisição de máquinas e equipamentos Alemanha Espanha 8.536.000 410.816 100,00% 100,00% 5.298.000 270.051 62,10% 65,70% 497.000 31.915 5,80% 7,80% 194.000 1.681 2,30% 0,40% 1.537.000 91.405 18,00% 22,20% França 1.025.098 100,00% 832.106 81,20% 68.098 6,60% 18.251 1,80% 106.641 10,40% Itália 2.491.552 100,00% 1.190.753 47,80% 174.813 7,00% 57.277 2,30% 1.068.709 42,90% Total 12.463.466 100,00% 7.590.910 60,90% 771.826 6,20% 271.209 2,20% 2.803.755 22,50%

Indústria em geral Tipo de investimento em atividades inovativas (em milhares de Euros) Gastos em atividades inovativas Alemanha Espanha França Itália 75.526.000 6.775.967 30.074.025 16.493.480 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% Gastos em P&D interno 36.051.000 2.723.665 20.684.648 6.003.078 47,70% 40,20% 68,80% 36,40% Gastos em P&D externo 6.781.000 1.308.537 5.966.672 1.242.547 9,00% 19,30% 19,80% 7,50% Aquisição de outros conhecimentos 2.054.000 183.005 491.496 880.757 2,70% 2,70% 1,60% 5,30% Aquisição de máquinas e equipamentos 17.973.000 1.997.470 2.931.208 8.367.098 23,80% 29,50% 9,70% 50,70% Fonte: CIS4, do Eurostat, elaboração própria da equipe do projeto. Total 128.869.472 100,00% 65.462.391 50,80% 15.298.756 11,90% 3.609.258 2,80% 31.268.776 24,30%

No que tange à cooperação para a inovação, as 122 empresas líderes do setor de bens de capital são empresas que apresentam uma “taxa de cooperação” um pouco abaixo da média nacional para este tipo de empresa, que é de 37,5% (De Negri et al., 2008). Em segundo lugar na cooperação para a inovação vêm as firmas emergentes; 28% delas mantiveram algum acordo de cooperação para a inovação em 2005. Sem embargo, a TABELA 28 mostra que todas as categorias de empresas parecem cooperar muito pouco para a inovação - apenas 15% das empresas inovadoras do setor têm algum acordo -, e a forma de cooperação mais utilizada pelas empresas é a cooperação com os fornecedores; 14% das

68

empresas líderes 22% das empresas emergentes que inovaram fizeram este tipo de cooperação.

Como sabido, uma importante forma de cooperação pouco utilizada pelas empresas brasileiras é a cooperação com universidades. Em especial, conforme comentado anteriormente, o setor de bens de capital poderia se beneficiar grandemente da cooperação com a academia. Porém, no Brasil apenas 10% das empresas líderes, 8% das emergentes e 3% do total de empresas lançaram mão deste tipo de cooperação. Estes números são ligeiramente superiores à média nacional para estas categorias de empresas, que é de 8,8% para as líderes e 4,4% para as emergentes, com média 2,1% para a indústria como um todo. TABELA 28 . COOPERAÇÃO PARA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL, POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005.
Tipo de empresa Subsetor Tipo de acordo Líderes Acordos de cooperação Com clientes e consumidores Com fornecedores Total Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras Acordos de cooperação Motores, bombas, compressores e eq. de transmissão (CNAE 291) Com clientes e consumidores Com fornecedores Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras 38 31% 14 11% 17 14% 8 7% 12 10% 122 100% 17 52% 3 9% 7 21% 6 18% 5 15% 33 100% Seguidoras 41 10% 9 2% 15 3% 7 2% 6 1% 431 100% 14 15% 1 1% 5 5% 2 2% 1 1% 92 100% Frágeis 22 11% 20 10% 22 11% 0 0% 2 1% 196 100% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 21 100% Emergentes 17 28% 8 13% 13 22% 0 0% 5 8% 60 100% 3 12% 3 12% 0 0% 0 0% 0 0% 26 100% Total 118 15% 51 6% 67 8% 15 2% 25 3% 809 100% 34 20% 7 4% 12 7% 8 5% 6 3% 172 100%

69

Máquinas e eq. de uso geral (CNAE 292)

Máquinasferramenta (CNAE 294)

Máquinas e eq. de uso específico (CNAE 296)

8 15 22 9 54 27% 9% 22% 60% 17% 0 5 20 5 30 Com clientes e consumidores 0% 3% 20% 33% 10% 0 6 22 9 37 Com fornecedores 0% 4% 22% 60% 12% 1 3 0 0 4 Com outra empresa do grupo 3% 2% 0% 0% 1% 2 3 2 0 7 Com universidade / centro de capacitação 7% 2% 2% 0% 2% 30 165 99 15 309 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% 7 1 0 0 8 Acordos de cooperação 26% 3% 0% 0% 8% 6 0 0 0 6 Com clientes e consumidores 22% 0% 0% 0% 6% 5 1 0 0 6 Com fornecedores 19% 3% 0% 0% 6% 1 0 0 0 1 Com outra empresa do grupo 4% 0% 0% 0% 1% 3 0 0 0 3 Com universidade / centro de capacitação 11% 0% 0% 0% 3% 26 39 29 5 99 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% 6 11 0 5 22 Acordos de cooperação 18% 8% 0% 36% 10% 5 3 0 0 8 Com clientes e consumidores 15% 2% 0% 0% 3% 5 3 0 4 12 Com fornecedores 15% 2% 0% 29% 5% 0 2 0 0 2 Com outra empresa do grupo 0% 1% 0% 0% 1% 2 2 0 5 9 Com universidade / centro de capacitação 6% 1% 0% 36% 4% 33 135 47 14 229 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% Fonte: PIA, PINTEC, RAIS e SECEX, elaboração própria da equipe do projeto. Acordos de cooperação

Novamente, esta é uma realidade distinta da européia. Em geral, 21% das firmas do setor de máquinas e equipamentos e 19,5% das empresas industriais que mantiveram atividades inovativas em 2004 realizaram algum tipo de cooperação para a inovação. Em especial, respectivamente na Alemanha e na França, 25% e 35% das firmas do setor de máquinas e equipamentos realizam algum tipo de cooperação, e 19% e 17% das firmas do setor mantêm acordos de cooperação com universidades, conforme a TABELA 29 .

70

244 100% França 5.093 19% 5.0% 35.383 10.6% 631 3.0% 1.266 100% 8.6% 1.481 100% Espanha 3.945 7.339 9.490 8.5% 15.434 25% 786 13% 718 12% 536 9% 1.7% 10.6% 3.7% 7.027 8.7% 3.732 12% 985 7% 1. do Eurostat.905 11.991 21% 1.4% 3. Tipo de acordo Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha 1.967 100% Total 2. 71 .981 38.410 15.416 4.2% 2.7% 3.550 11.6% 857 5.1% 713 2.890 25.777 8.800 19.2% 3.215 18.9% 100.3% 5.0% 1.459 10% 1.0% 17.756 5.769 11.667 100% Itália 555 11% 164 3% 332 7% 145 3% 225 5% 4.698 100% França 584 35% 390 23% 411 25% 238 14% 286 17% 1.835 100% Espanha 418 25% 119 7% 271 16% 66 4% 112 7% 1.5% 2.198 20.TABELA 29 .4% 32.435 100% Itália 3. elaboração própria da equipe do projeto.976 6. COOPERAÇÃO PARA A INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL E NA INDÚSTRIA EM GERAL EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004.7% 855 5.2% 1.546 Acordos de cooperação Com clientes e consumidores Com fornecedores Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras Fonte: CIS4.167 100% Acordos de cooperação Com clientes e consumidores Com fornecedores Com outra empresa do grupo Com universidade / centro de capacitação Total de empresas inovadoras Tipo de acordo Indústria em geral Alemanha 6.002 5.383 4.426 100% Total 19.716 12% 14.3% 1.

Além da cooperação formal, sujeita no Brasil aos conhecidos problemas de apropriabilidade da inovação, fraca articulação das redes de informação, dificuldades de financiamento etc, a importância das fontes de informação para inovação fornece alguns indícios acerca das relações menos formais das empresas do setor com o sistema nacional de inovação. Neste quesito, de acordo com a TABELA 30 percebemos a importância dos clientes e consumidores como fonte de informação para a inovação.

A interação entre clientes/consumidores e fabricantes de bens de capital é fundamental, conforme já comentado, e ocorre devido às características do próprio processo produtivo do setor – um caso extremo é a produção do tipo ETO, ou a produção dos bens de capital não-seriados. Particularmente, 68% das empresas líderes do setor de bens de capital usam seus clientes e fornecedores como uma fonte muito importante para a inovação. Setorialmente, tal percentagem nunca é menor que 63% (setor de máquinas-ferramenta, CNAE 294). Em segundo lugar de importância como fonte de informação para a inovação vêm os fornecedores de máquinas e equipamentos e de insumos: 33% das empresas em geral e 38% das firmas líderes apontaram este elo do sistema de inovação como muito importante para a inovação. Considerando o viés dos gastos de inovação para a aquisição de máquinas e equipamentos, este era um resultado previsível no Brasil. Novamente, universidades e centros de pesquisa não figuram entre as fontes de informação mais importantes para a inovação, denotando a fragilidade da articulação universidade-empresa, mesmo que informal.

72

TABELA 30 .

NÚMERO DE EMPRESAS INOVADORAS QUE CONSIDERAM ALTAMENTE

IMPORTANTE AS FONTES DE INFORMAÇÃO PARA A INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL, POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005.

Subsetor

Fonte de informação

Tipo de empresa Líderes 33 27% 43 35% 122 100% 83 68% 46 38% 32 26% 31 25% 12 10% 20 16% 4 3% 12 10% 8 7% 122 100% Seguidoras 79 18% 180 40% 449 100% 215 50% 102 24% 74 17% 46 11% 26 6% 24 6% 17 4% 27 6% 14 3% 431 100% Frágeis 0 0% 71 35% 201 100% 110 56% 79 40% 57 29% 4 2% 7 4% 16 8% 3 2% 8 4% 4 2% 196 100% Emergentes 33 55% 15 25% 60 100% 26 43% 36 60% 7 12% 0 0% 4 7% 4 7% 0 0% 4 7% 5 8% 60 100% Total 145 17% 309 37% 832 100% 434 54% 263 33% 170 21% 81 10% 49 6% 64 8% 24 3% 51 6% 31 4% 809 100%

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário

Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Concorrentes Total Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras

73

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 8 24% 18 55% 33 100% 24 73% 8 24% 12 36% 7 21% 1 3% 7 21% 3 9% 4 12% 4 12% 33 100% 21 21% 49 49% 100 100% 51 55% 25 27% 23 25% 16 17% 10 11% 4 4% 5 5% 9 10% 2 2% 92 100% 0 0% 4 18% 22 100% 7 33% 8 38% 4 19% 0 0% 5 24% 0 0% 1 5% 1 5% 1 5% 21 100% 9 35% 6 23% 26 100% 3 12% 17 65% 3 12% 0 0% 3 12% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 26 100% 38 21% 77 43% 181 100% 85 49% 58 34% 42 24% 23 13% 19 11% 11 6% 9 5% 14 8% 7 4% 172 100%

Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Motores, Concorrentes bombas, compressores e eq. de transmissão Outra empresa do grupo (CNAE 291) Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras

74

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 12 40% 9 30% 30 100% 21 70% 10 33% 4 13% 14 47% 8 27% 6 20% 0 0% 1 3% 0 0% 30 100% 31 18% 67 39% 172 100% 70 42% 39 24% 26 16% 14 8% 13 8% 9 5% 2 1% 12 7% 10 6% 165 100% 0 0% 33 33% 99 100% 57 58% 30 30% 6 6% 4 4% 2 2% 16 16% 2 2% 7 7% 0 0% 99 100% 13 87% 4 27% 15 100% 9 60% 13 87% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 15 100% 56 18% 113 36% 316 100% 157 51% 92 30% 36 12% 32 10% 23 7% 31 10% 4 1% 20 6% 10 3% 309 100% Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Máquinas e eq. de uso geral (CNAE 292) Concorrentes Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras 75 .

Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 8 30% 8 30% 26 100% 17 63% 13 48% 6 22% 1 4% 3 11% 1 4% 0 0% 3 11% 3 11% 26 100% 2 5% 11 28% 39 100% 17 44% 13 33% 5 13% 4 10% 0 0% 3 8% 4 10% 5 13% 0 0% 39 100% 0 0% 5 17% 29 100% 19 66% 24 83% 29 100% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 29 100% 1 20% 0 0% 5 100% 4 80% 1 20% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 5 100% 11 11% 24 24% 99 100% 57 57% 51 51% 40 40% 5 5% 3 3% 4 4% 4 4% 8 8% 3 3% 99 100% Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Concorrentes Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras Máquinasferramenta (CNAE 294) 76 .

as empresas brasileiras de bens de capital parecem utilizar mais a articulação informal entre 77 . De fato. elaboração própria da equipe do projeto. PINTEC. (iv) universidades e centros de capacitação. a TABELA 31 traz o número de empresas européias nos países selecionados que consideram muito importante as fontes de informação para inovação (i) clientes e consumidores. (iii) outra empresa do grupo.Fontes internas à empresa Departamento de P&D Outros Total de empresas que respondem todo o questionário 5 15% 8 24% 33 100% 21 64% 15 45% 10 30% 9 27% 0 0% 6 18% 1 3% 4 12% 1 3% 33 25 18% 53 38% 138 100% 77 57% 25 19% 20 15% 12 9% 3 2% 8 6% 6 4% 1 1% 2 1% 135 0 0% 29 57% 51 100% 27 57% 17 36% 18 38% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 3 6% 47 10 71% 5 36% 14 100% 10 71% 5 36% 4 29% 0 0% 1 7% 4 29% 0 0% 4 29% 5 36% 14 40 17% 95 40% 236 100% 135 59% 62 27% 52 23% 21 9% 4 2% 18 8% 7 3% 9 4% 11 5% 229 100% Fontes externas à empresa Clientes e consumidores Fornecedores Máquinas e eq. Para comparação. RAIS e SECEX. de uso específico (CNAE 296) Concorrentes Outra empresa do grupo Instituições de teste Aquisição de licença Centro de capacitação Empresa de consultoria Universidade Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% Fonte: PIA. (ii) fornecedores.

895 4.866 Fornecedores 23% 27% 20% 22% 23% 19. TABELA 31 .784 519 458 643 3. o setor de bens de capital brasileiro é. tal qual a indústria brasileira como um todo.636 3.426 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% Fonte: CIS4. mas as firmas européias tendem a utilizar muito mais outras empresas do grupo como fontes de informação para a inovação que as brasileiras.944 432 616 998 4.167 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 100% Indústria em geral Fontes de Informação Alemanha Espanha França Itália Total 14. Além disso.990 Clientes e consumidores 50% 25% 37% 20% 35% 976 474 138 675 2. seja em comparação com firmas semelhantes em países europeus.698 1.930 11. Com respeito aos elos com o sistema nacional de inovação. Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha Espanha França Itália Total 2.627 3. elaboração própria da equipe do projeto.435 32.645 7.079 22. as firmas do setor – e isto é válido também para os líderes tecnológicos .018 7. Fontes de Informação Em resumo.499 939 875 2.874 Outra empresa do grupo 55% 44% 51% 37% 47% 1.404 Universidade / centro de capacitação 5% 3% 3% 2% 3% 35.133 4.967 14.001 3.263 Fornecedores 17% 28% 8% 14% 16% 3. NÚMERO DE EMPRESAS INOVADORAS QUE CONSIDERAM ALTAMENTE IMPORTANTE AS FONTES DE INFORMAÇÃO PARA A INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL E NA INDÚSTRIA EM GERAL EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004. mesmo as firmas líderes investem muito pouco em P&D.481 17.783 26.413 7.421 7. do Eurostat.266 100.306 Clientes e consumidores 39% 21% 25% 15% 26% 8. seja em comparação com as firmas líderes da indústria brasileira como um todo.878 46.244 15.835 1.667 4.726 Outra empresa do grupo 60% 55% 52% 49% 55% 503 53 134 68 758 Universidade / centro de capacitação 9% 3% 4% 3% 5% 5. bastante dependente dos fornecedores de máquinas e equipamentos para a inovação.tendem a manter relações informais com clientes/consumidores e fornecedores de máquinas e 78 .clientes e fabricantes que as firmas européias.

79 . contudo. especialmente com universidades e centros de pesquisa.equipamentos como fonte de informação para inovação. nesta seção analisaremos diferenças e semelhanças dos padrões e estratégias de inovação entre empresas nacionais e estrangeiras. vê-se que tanto nacionais quanto estrangeiras possuem taxas de inovação bastante semelhantes. A TABELA 32 mostra as taxas de inovação das firmas nacionais e estrangeiras. Por isso. por categoria de empresas. as taxas gerais de inovação são maiores para as empresas transnacionais. Contudo. Este quadro impõe restrições e desafios a serem superados para a elevação do nível de inovatividade do segmento no Brasil. 5. a fim de que ele se torne efetivamente um setor no vértice do sistema nacional de inovação e difusor de inovações para o resto da economia brasileira. carecem de relações mais formais de cooperação. restando apenas uma firma frágil entre as empresas de capital majoritariamente estrangeiro.4 DISTINÇÕES ENTRE EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS Considerando a alta participação das empresas transnacionais no setor de bens de capital no Brasil. quando se comparam líderes e seguidoras. Cabe notar que as transnacionais se concentram entre firmas líderes e seguidoras.

De toda forma. Tipo de empresa Indicador Líderes Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Total Empresas nacionais de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial Nº de empresas Nº de inovadoras de produto Total Empresas estrangeiras de produto novo para o mercado de processo de processo novo para o mercado de produto novo para o mercado mundial 72 72 100% 72 100% 69 96% 35 49% 4 6% 9 13% 50 50 100% 50 100% 50 100% 20 40% 5 10% 14 Seguidoras Frágeis Emergentes 592 348 59% 257 43% 5 1% 212 36% 6 1% 1 0% 138 83 60% 59 43% 3 2% 48 35% 11 8% 0 659 196 30% 107 16% 9 1% 172 26% 22 3% 0 0% 1 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 60 60 100% 57 95% 36 60% 43 72% 1 2% 18 30% 0 — — — — — — — — — — — Total 1.TABELA 32 . de acordo com a TABELA 33 as líderes nacionais investem mais recursos em P&D do que as líderes transnacionais. TAXAS DE INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. mas as seguidoras investem um pouco menos. RAIS e SECEX. elaboração própria da equipe do projeto. EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005.383 676 49% 493 36% 119 9% 462 33% 33 2% 28 2% 189 133 70% 109 58% 54 29% 68 36% 16 8% 14 7% 28% 0% 0% — Fonte: PIA. os valores investidos em P&D são baixos relativamente à realidade 80 . PINTEC. No tocante aos investimentos em inovação como proporção da RLV.

88% 37 0. TABELA 33 .356 7. EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005. convém lembrar que os gastos em atividades inovativas das líderes transnacionais são influenciados pelos gastos em aquisição de máquinas e equipamentos e outros conhecimentos realizados por líderes transacionais da CNAE 296 (máquinas e equipamentos de uso específico).62% 2.739 124 4. Contudo.167 15. quando efetuamos o expurgo dos gastos em aquisição de outros conhecimentos das líderes transnacionais desta CNAE 296.européia. Mais uma vez.932 1.71% Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) RLV (R$ milhões) Total Empresas Estrangeiras Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Gastos em P&D interno e externo (R$ milhões e % da RLV) Fonte: PIA. elaboração própria da equipe do projeto.514 419 2.60% 0 0 — 0 — Total 16. ESFORÇO INOVATIVO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL.157 191 1.55% 17 2. RAIS e SECEX.58% 17.59% 57 0. as firmas líderes transnacionais passam a destinar 6.54% 96 0.89% 6 0.52% 36 1. Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes RLV (R$ milhões) Total Empresas Nacionais Gastos em atividades inovativas (R$ milhões e % da RLV) Seguidoras 10.21% 214 0 — 0 — Emergentes 644 49 7. PINTEC.079 160 1.639 1. e estes gastos não devem se repetir no futuro.28% 54 0. cabe lembrar que o alto volume de gastos em atividades inovativas por parte das transnacionais se deve a altos gastos em aquisição de máquinas e equipamentos e aquisição de outros conhecimentos por parte de transnacionais do setor de máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 296).975 56 1.36% 10.56% 111 0.7% dos gastos 81 . percebe-se que as firmas líderes nacionais destinam fatia maior dos gastos em atividades inovativas para P&D do que as estrangeiras. Quando se observa a distribuição dos gastos em atividades inovativas (TABELA 34 ).57% Frágeis 2.30% 7. Novamente.

0 18.9% 6.6 1.8 — — Aquisição de outros conhecimentos Total – 37. esta percentagem sobe para 16% .2 36. Tipo de empresa Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes 123.3% 16.0% 100.4 6.8% 1.para P&D interno.1 159.3% Empresas 63.0 1.9% 13.4% 44.3%).5% 47.0% 1.4 11.1 35.5% 98.6 — — Gastos em P&D externo 0.196.4 Projeto industrial 10.0% 82. RAIS e SECEX.2% — — 50.5% 19.2 Aquisição de outros conhecimentos Total 1.9 7.8 57.5 1.0 100.5% 32.8 190. VOLUME E DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS GASTOS EM ATIVIDADES INOVATIVAS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.9 Gasto em introdução das inovações 2.0 0. TABELA 34 .8 3.4% 5.8 Aquisição de máquinas e Nacionais equipamentos 51.8 0.4% — — 45.7% 48.8 3.2 48. quando se expurgam tanto os gastos em aquisição de outros conhecimentos quanto as aquisições de máquinas e equipamentos.9 2.8 Gastos em P&D interno 24.2% 576.7% — — Empresas 498.1 25.1% 3.8 — — Treinamentos 3. Quanto às empresas seguidoras.5% 0.1% 464.0% 87. os líderes tecnológicos na indústria nacional destinam 33.6% 61.5% 64.9% do investimento em inovação para P&D.3% 82 .7% 6.2 1.9 15.7% 18.3% 18.0 25.5 10.4% 0.7% — — 3.0% 30.5% 9.4 1.8% 3. elaboração própria da equipe do projeto.0% 53.8% 1.1 100.0 20.4 — — Aquisição de máquinas e estrangeiras equipamentos 41.8 0.0 1. Subsetor Indicador Total 419.8 77.9 1.3 10. PINTEC.6% 1.356.9 1.5 — — Gastos em P&D interno 4.6% 242.8% 8.4% 5.7% 3.3 34.4 2.1 — — Gasto em introdução das inovações 7.1% 28.7% 1.1% 2.7 2.0 10. Como referência.9% 11.5% 10. EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005.9 0.7% 2.8 117.4 0. não há distinções relevantes entre as empresas nacionais e transnacionais no que tange à distribuição dos gastos em inovação.3% 19.8% 1.0% 100.em todo caso menor do que os números equivalentes para as líderes nacionais no setor de bens de capital (24.0% — — 50. em média.6% 1.3 5.0 Gastos em P&D externo 4.0% — — 453.6 56.9 31.8 — — Projeto industrial 4.9% 0.1% — — 93.4 4.6 Gastos em atividades inovativas 100.2% 2.7 2.1% 3.1 7.5 Treinamentos 4.9% — — Fonte: PIA.2 42.2% 58.6 4.0 Gastos em atividades inovativas 100.1% 6.3% 4.0% 100.0% 100.1% 5.0 5.2 3.

a TABELA 35 traz informações acerca da cooperação para inovação de empresas nacionais e estrangeiras. RAIS e SECEX. contra 36% das líderes nacionais. EMPRESAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS: 2005. Subsetor Tipo de acordo Acordos de cooperação Tipo de empresa Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes Total 92 19% 40 8% 56 12% 2 0% 20 4% 485 100% 26 27% 11 12% 11 12% 13 14% 5 5% 95 100% 20 33 22 17 36% 14% 15% 37% 5 7 20 8 Com clientes e consumidores 9% 3% 13% 17% 8 13 22 13 Com fornecedores Total 14% 6% 15% 28% Empresas 1 1 0 0 Nacionais Com outra empresa do grupo 2% 0% 0% 0% 7 6 2 5 Com universidade / centro de capacitação 13% 3% 1% 11% 56 234 149 46 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 18 8 0 0 Acordos de cooperação 55% 13% — — 9 2 — — Com clientes e consumidores 27% 3% — — 9 2 — — Com fornecedores Total 27% 3% — — Empresas 7 6 — — Estrangeiras Com outra empresa do grupo 21% 10% — — 5 0 — — Com universidade / centro de capacitação 15% 0% — — 33 62 0 0 Total de empresas inovadoras 100% 100% — — Fonte: PIA. tanto firmas nacionais e estrangeiras seguidoras parecem cooperar muito pouco para a inovação. não foram encontradas diferenças significativas. as firmas líderes transnacionais cooperaram mais que as nacionais: 55% das líderes de capital estrangeiro mantinham algum acordo de cooperação. elaboração própria da equipe do projeto. COOPERAÇÃO PARA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL.Por fim. 83 . PINTEC. Com respeito às firmas seguidoras. TABELA 35 . E isto é verdadeiro também para todas as principais formas de cooperação. Em geral.

as líderes tendem a patentear mais nos setores de máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292) e específico (CNAE 296) . No setor de bens de capital. A TABELA 36 apresenta as estratégias de apropriação dos ganhos da inovação adotadas pelas firmas brasileiras do setor de bens de capital. Entretanto. que é de 9%. O patenteamento.34% das líderes nestes setores solicitaram patentes de invenção. As empresas líderes são as que mais recorreram a métodos de apropriação: no total. Estes números estão em linha com o comportamento médio das firmas líderes na indústria como um todo. Como ocorre com o resto da indústria. 19% recorreram ao segredo industrial e 12% solicitaram patente no exterior. Ainda assim. 41% solicitaram o reconhecimento de marcas. e 30% delas recorreram a marcas como forma de proteção. caso a firma seja bem-sucedida em inovar. 17% das firmas seguidoras que inovaram solicitaram patente de invenção. segredo industrial ou o lead-time diante dos concorrentes são algumas estratégias possíveis para a apropriação destes ganhos. o número absoluto de firmas seguidoras que recorre a alguma estratégia de apropriação dos ganhos da inovação supera o das firmas líderes.5 APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO Finalmente. Setorialmente. o recurso a estratégias de proteção cai bastante entre líderes e seguidoras. o registro de marcas. como há muito mais firmas seguidoras que líderes. 29% das firmas solicitaram patente de invenção. a proporção de seguidoras que solicitam registro de patente é maior que a média nacional desta categoria de firmas. 84 . ela deverá decidir como se apropriar dos ganhos da inovação e se proteger da imitação.5. enquanto no setor de máquinas-ferramenta (CNAE 294) as líderes querem ser reconhecidas pelos consumidores através de suas marcas (58% das firmas recorrem às marcas para apropriarem-se dos ganhos de inovação).

ESTRATÉGIAS PARA A APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. Subsetor Método de apropriação dos ganhos da inovação Utilizou patentes de invenção Utilizou patentes de modelo de utilidade Utilizou registro de desenho industrial Utilizou marcas Utilizou complexidade no desenho Total Utilizou segredo industrial Utilizou tempo de liderança Solicitou depósito de patente no exterior Dispõe de patente no exterior Total de empresas inovadoras Utilizou patentes de invenção Utilizou patentes de modelo de utilidade Utilizou registro de desenho industrial Utilizou marcas Motores. de Utilizou segredo industrial transmissão (CNAE 291) Utilizou tempo de liderança Solicitou depósito de patente no exterior Dispõe de patente no exterior Total de empresas inovadoras Utilizou patentes de invenção Máquinas e eq. POR CATEGORIA DE FIRMA: 2005. Utilizou complexidade no desenho compressores e eq. bombas.TABELA 36 . de uso geral (CNAE 292) Utilizou patentes de modelo de utilidade Utilizou registro de desenho industrial Utilizou marcas Tipo de empresa Líderes 35 29% 17 14% 15 12% 50 41% 7 5% 23 19% 22 18% 15 12% 23 19% 122 100% 8 23% 7 20% 1 3% 11 32% 3 10% 6 19% 8 25% 2 6% 5 15% 33 100% 10 34% 6 19% 4 12% 10 34% Seguidoras 74 17% 78 18% 44 10% 130 30% 36 8% 40 9% 17 4% 11 3% 30 7% 431 100% 13 14% 16 18% 6 6% 26 28% 5 5% 11 12% 2 2% 2 2% 11 12% 92 100% 32 20% 34 21% 23 14% 41 25% Frágeis 23 12% 21 10% 18 9% 35 18% 23 12% 6 3% 0 0% 0 0% 0 0% 196 100% 4 17% 5 22% 2 11% 8 36% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 0 0% 21 100% 20 20% 16 16% 16 16% 16 16% Emergentes 5 8% 8 14% 8 14% 20 33% 0 0% 8 14% 15 25% 0 0% 0 0% 60 100% 0 0% 0 0% 0 0% 3 12% 0 0% 0 0% 3 12% 0 0% 0 0% 26 100% 0 0% 4 26% 4 26% 4 26% Total 137 17% 124 15% 86 11% 235 29% 65 8% 78 10% 54 7% 26 3% 53 7% 809 100% 24 14% 28 16% 9 5% 47 27% 8 5% 17 10% 14 8% 4 2% 16 9% 172 100% 62 20% 60 19% 47 15% 71 23% 85 .

Utilizou complexidade no desenho 40 13% 22 7% 18 6% 5 2% 9 3% 309 100% 12 12% 4 4% 3 4% 41 41% 6 6% 7 7% 4 4% 3 3% 9 9% 99 100% 39 17% 33 14% 27 12% 76 33% 11 5% 31 13% 19 8% 14 6% 18 8% 229 100% 86 . elaboração própria da equipe do projeto. Utilizou complexidade no desenho 4% 5% 7% 0% de uso específico 8 16 3 4 Utilizou segredo industrial (CNAE 296) 23% 12% 7% 25% 5 6 0 8 Utilizou tempo de liderança 15% 4% 0% 57% 10 4 0 0 Solicitou depósito de patente no exterior 31% 3% 0% 0% 12 6 0 0 Dispõe de patente no exterior 38% 4% 0% 0% 33 135 47 14 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% Fonte: PIA. PINTEC.1 20 19 0 3% 12% 19% 0% 6 10 2 5 Utilizou segredo industrial 19% 6% 2% 31% 6 8 0 4 Utilizou tempo de liderança 19% 5% 0% 26% 0 5 0 0 Solicitou depósito de patente no exterior 0% 3% 0% 0% 0 9 0 0 Dispõe de patente no exterior 0% 6% 0% 0% 30 165 99 15 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 6 5 0 1 Utilizou patentes de invenção 24% 13% 0% 20% 0 3 0 1 Utilizou patentes de modelo de utilidade 0% 6% 0% 20% 0 2 0 1 Utilizou registro de desenho industrial 0% 6% 0% 20% 15 21 0 5 Utilizou marcas 58% 54% 0% 92% 1 5 0 0 Utilizou complexidade no desenho Máquinas4% 12% 0% 0% ferramenta 4 3 0 0 (CNAE 294) Utilizou segredo industrial 14% 9% 0% 0% 3 1 0 0 Utilizou tempo de liderança 12% 3% 0% 0% 3 0 0 0 Solicitou depósito de patente no exterior 10% 0% 0% 0% 6 4 0 0 Dispõe de patente no exterior 22% 9% 0% 0% 26 39 29 5 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% 11 24 0 4 Utilizou patentes de invenção 34% 18% 0% 25% 5 24 0 4 Utilizou patentes de modelo de utilidade 15% 18% 0% 25% 10 13 0 4 Utilizou registro de desenho industrial 32% 9% 0% 25% 14 42 12 8 Utilizou marcas 44% 31% 25% 57% 1 6 3 0 Máquinas e eq. RAIS e SECEX.

em todos os países a proporção das firmas inovadoras que solicitam patente no setor de máquinas e equipamentos é maior que no resto da economia. isto é uma questão para estudos futuros. Se isto é um indicador de maior grau de inovatividade do setor naqueles países – no sentido em que quanto mais relevante a inovação. EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004.094 36% 5.451 24% 14.967 100% Total 5.690 34% 718 14% 700 14% 4. talvez indicando um maior grau de inovatividade das inovações neste setor. maior o incentivo a protegê-la da imitação – ou se consiste em um indício do menor custo para proteger a inovação na Europa. considerando os demais indicadores de inovação mostrados neste trabalho. pode-se suspeitar que esta elevada proporção de firmas que solicitam patentes seja uma combinação destes dois fatores citados acima.798 20% 3. TABELA 37 . Métodos de apropriação Patentes submetidas Projetos industriais registrados Marcas Registradas Total de empresas inovadoras Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha 2. Segundo. ESTRATÉGIAS PARA A APROPRIAÇÃO DOS GANHOS DA INOVAÇÃO NO SETOR DE BENS DE CAPITAL E NA INDÚSTRIA EM GERAL. mais de 40% das firmas do setor que inovaram solicitaram patentes. a TABELA 37 mostra o uso dos métodos de apropriação dos ganhos da inovação em países europeus.551 39% 2.341 23% 2. Por exemplo.698 100% França 705 42% 448 27% 390 23% 1.835 100% Espanha 390 23% 291 17% 267 16% 1. na Alemanha e na França.167 100% 87 .Para comparação.667 100% Itália 1.766 47% 1. Primeiro. até mesmo quando se toma por referência as firmas líderes. Contudo. chama a atenção o fato de que no setor de máquinas e equipamentos a proporção de firmas que solicitaram patentes é maior do que no Brasil.

076 12% França 4.516 23% Itália 5. Devemos lembrar que.236 16% Total 22.004 28% Espanha 2.8% do faturamento total da indústria (GRÁFICO 9). os investimentos em ativos tangíveis realizados pela indústria brasileira (pelas empresas com mais de 30 pessoas ocupadas) chegaram a 5. na PIA. de 44. do Eurostat. Nesta seção.4% do faturamento do setor.435 32.903 9% 5. Contudo. estes investimentos foram destinados em maior parte para a aquisição de máquinas e equipamentos (72.832 21% Total de 35.Métodos de apropriação Patentes submetidas Projetos industriais registrados Marcas Registradas Indústria em geral Alemanha 10. focalizamos os investimentos das firmas do setor de bens de capital em inovação e especialmente em P&D. em torno de 5.27% do investimento total).1%.928 31% 8.691 24% 10. ainda segundo o GRÁFICO 9.463 17% 2. Em 2005. esses investimentos foram um pouco menores.481 17. elaboração própria da equipe do projeto.970 23% 20. No setor de bens de capital.244 15. os investimentos em ativos tangíveis são divididos em quatro categorias: i) terrenos e edificações. analisaremos os investimentos gerais em ativos tangíveis realizados por estas empresas.266 100.394 14% 3.035 20% 20.440 20% 2.001 32% 3. um percentual bem maior que a média da indústria. 5. e também a fonte de financiamento deste investimento. ii) máquinas e equipamentos. iii) 88 .6 INVESTIMENTO E FINANCIAMENTO AO INVESTIMENTO E ÀS EXPORTAÇÕES Até o momento.426 empresas 100% 100% 100% 100% 100% inovadoras Fonte: CIS4.185 27% 5.

a partir da TABELA 38 . A grande participação da aquisição de máquinas e equipamentos nos investimentos do setor provavelmente indica que o setor aproveitou a conjuntura favorável para priorizar os investimentos na atualização tecnológica e modernização do parque produtivo em relação à ampliação da capacidade produtiva.10% 60. o que teria denotado uma participação maior dos terrenos e edificações no investimento total. INVESTIMENTOS COMO PROPORÇÃO DO FATURAMENTO E INVESTIMENTOS EM MÁQUINAS COMO PROPORÇÃO DO INVESTIMENTO TOTAL: INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO E SETOR DE BENS DE CAPITAL: Investimento/Faturamento 5. GRÁFICO 9.00% Indústria total Indústria total Bens de Capital Bens de Capital 5.80% 5.meios de transporte. 89 .40% 5.39% Investimento em máquinas e eq. elaboração própria da equipe do projeto.00% Indústria total Indústria total Bens de Capital Bens de Capital Fonte: PIA.60% 5.00% 40.00% 44.27% 80.00% 0. PINTEC.20% 5. RAIS e SECEX. Percebe-se.00% 20. A TABELA 38 detalha os indicadores de investimentos por setor e por categoria de firmas.80% 5. iv) outros investimentos. que as empresas líderes não apenas foram as que mais investiram em média – em torno de R$ 5 milhões. até mesmo devido ao maior porte – como também são também as que mais investiram em máquinas e equipamentos em relação ao total investido (a única exceção setorial é o setor de Máquinas-ferramenta).% do total 72. .

751 14. É interessante notar que as empresas emergentes.717 5. o único setor que se diferencia dos demais pela alta participação das seguidoras no total investido (85%) é o setor de Máquinas e equipamentos de uso específico (CNAE 292).225. ou R$ 602 mil em média.266.280.181 738.637.518.930.485.441 443.053 4.294 384.70% 11.639.171 4.843 5.1 milhões.205 1. A este respeito.6% do total e as firmas frágeis e emergentes.631.611 653.790.495 5.172.648 331.048. o volume de investimentos em máquinas e equipamentos (R$ 16.572 11.312 30.937 613.879.087.629.159.568. realizaram 4% e 2.545 20.483 1.99% 4.896 6% 95.801.905.446 42% 158 7.50% 2.079.349.777 21.264 3.8 milhões) segundo a Pintec.97% 235.911 361. 8 milhões) segundo a PIA é praticamente o mesmo dos investimentos em P&D (R$ 15.26% 5.809 856.842.815 6.988. % do faturamento compressores Investimento médio por e eq.213 72% 33 6.941 3.555 48% 107 383. nas quais os investimentos em ativos intangíveis e em P&D são bastante relevantes.52% 4.121.382.97% 1.062.369 80% 1.56 bilhões investidos pelo setor em 2005.025 16.694.053 343.93% 5.657 36.833 307.608 36.227 46% 26 997.Com efeito.43% 51.759 851. Investimento Total (R$) bombas. TABELA 38 .823.026. INVESTIMENTOS DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL.864.39% 3.272 71% 602.880.894 62.134.262. Quando se consideram os investimentos totais.930 228.571 4% 2.043. respectivamente.172.372.626. as emergentes investiram R$ 36. as 122 líderes tecnológicas do setor respondem por 39% do total de R$ 1.108 45% 90 .477. As 730 seguidoras responderam por 54.742.442 54% 324 Total 122.549. de firma (R$) transmissão Investimento em (CNAE 291) máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total 122 Seguidoras 730 Frágeis 660 Emergentes 60 Total 1.657.3% do investimento do setor.224. POR CATEGORIA DE EMPRESA: 2005 Tipo de empresa Subsetor Indicador Líderes N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total N° de firmas Faturamento (R$) Motores.

502.591 317.907 36% 33 2.715 19.093.445.137.087.601 194.287 16. elaboração própria da equipe do projeto.774.995 30.832 38.074 5.45% 22.577.014 3.122 56% 205 15 75.850 47% 489 8.576 26.696 2.027 0.598 12% 5 49.430 3.80% 3.365.794 70% 237 73.941 4.148.027 100% 14 578 10.634 104.338.525. Em média.279 74% 73 1.454.022 3.991 157.817 41. PINTEC. cabe salientar o pequeno volume de investimentos das firmas frágeis. pode impor uma restrição à atualização tecnológica destas firmas.377.103.663 6.826 5.492 1.668.163.477 15. é interessante notar como estes investimentos são financiados. de uso específico (CNAE 296) 4.851 63.57% 89.26% 662.326.836.333.507.558.675 29. O BNDES é uma importante fonte de 91 .702 4.953.031 56% 84% 50% 39% % do investimento total Fonte: PIA.919 342.689.722.491. Sem dúvida.55% 1. estas firmas investiram apenas R$ 95 mil. de uso geral (CNAE 292) N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) % do investimento total N° de firmas Faturamento (R$) Investimento Total (R$) % do faturamento Investimento médio por firma (R$) Investimento em máquinas e equipamentos (R$) 30 969.07% 525.273 70% 181 2.947 143.055 34.301 3.980.03% 1.396.757 321.630 10.236 135.758.29% 28.836. RAIS e SECEX.930 46% 26 1.359. aliado às deficientes capacidades inovativas.129 372.045 262.819 78.521 87.108.580.886.186 4.983.249.564 1.249.583.862 235.211.68% 644.Máquinas e eq.808.077. Este baixo nível de investimentos.70% 1.176.257.566.174 11.29% 1.465 53% 77 123. dos quais 48% foram destinados às máquinas e equipamentos.794 90.411.579.109 32.253 0.878 3.310.605 143.55% 749.211 60% Máquinasferramenta (CNAE 294) Máquinas e eq.474.534.003.367.107.099.640 406.873. Por fim.62% 657.93% 7.691.887.971 3.781.477 149. Além da análise dos investimentos em si.008 262 271 7.96% 3.

e as maiores empresas do setor estão classificadas exatamente como líderes ou seguidoras. e mais alta para as líderes (63%) e seguidoras (49%). quando se desagrega esta cobertura por categoria de empresa. pode-se afirmar que o BNDES provê cobertura ao setor relativamente de acordo com a média da indústria: 39% das empresas do setor obtiveram financiamento junto ao BNDES entre 1996 e 2006. dada a tradição do BNDES de financiar empresas de grande porte. Este era um resultado esperado. Porcentagem de empresas financiadas 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes Total 25% 15% 63% 49% 39% 92 . o que naturalmente estimula a demanda do setor.financiamento para a indústria brasileira e. A partir do GRÁFICO 10. a indústria de bens de capital tanto utiliza o BNDES para financiar seu próprio investimento quanto os seus clientes financiam seus investimentos junto ao banco. especialmente. enquanto a média das empresas industriais é de 38%. Contudo. GRÁFICO 10. vê-se que é a cobertura do BNDES é mais baixa para as firmas frágeis (25%) e emergentes (15%). PERCENTUAL DAS EMPRESAS DO SETOR DE BENS DE CAPITAL QUE RECEBERAM FINANCIAMENTO DO BNDES: 1996-2006.

que correspondem a 66% do montante total destinado ao setor. PINTEC.8 Emergentes Total Fonte: BNDES.7 Líderes Seguidoras Frágeis 131.8 3065. PIA. Este padrão se repete em todos os setores exceto no setor de máquinas e equipamentos de uso geral (CNAE 292).6 1413. A tabela a seguir detalha a distribuição dos empréstimos junto ao BNDES entre as categorias de firmas e os setores. RAIS e SECEX. 93 . elaboração própria da equipe do projeto.Valor contratado 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Milhares 4646. Com efeito. Tanto a TABELA 39 quanto o GRÁFICO 10 mostram que as firmas líderes contrataram valores maiores junto ao banco. especificamente neste setor as firmas seguidoras captaram 87% dos recursos destinados ao setor pelo BNDES. segmento no qual as firmas seguidoras tem destacada presença no investimento total do setor.7 35.

0% 33 26 78% 1.547 Total 1. RAIS e SECEX.513 6.436 Total % do total contratatado 59.413. compressores % do total de firmas e eq.8% 107 28 26% 5.764 2.0% 262 104 40% 178.231 100% 489 215 44% 1.9% 77 17 22% 9.162.4% 158 89 56% 661.721 0. PIA. 94 .065.3% 271 47 17% 8. DISTRIBUIÇÃO DOS EMPRÉSTIMOS JUNTO AO BNDES ENTRE AS CATEGORIAS DE FIRMAS E OS SETORES.604 1.835.3% 33 16 48% 959.3% 30 14 46% 18.312 100% 578 165 29% 205.234 36.837 100.131 Frágeis 660 167 25% 35.124 3.714 30.646. de uso geral % do total de firmas Valor contratado (CNAE 292) (R$mil) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Máquinasferramenta (CNAE 294) Nº de firmas com acesso ao BNDES % do total de firmas Valor contratado (R$mil) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Nº de firmas com Máquinas e eq.0% 324 145 45% 1.836 86.587 92.TABELA 39 .272 0.2% 26 21 81% 925.722 Emergentes 60 9 15% 131.9% 73 44 61% 67.691 0.602. acesso ao BNDES bombas.6% 0.003.637 66.857 100% 181 86 48% 1.572 611 39% 4.8% 26 3 10% 6.1% 14 3 18% 124.115 63. acesso ao BNDES de uso % do total de firmas específico Valor contratado (CNAE 296) (R$mil) Tipo de empresa Líderes 122 76 63% 3.8% 7.0% 5 4 80% 526 0.4% 15 0 0% 0 0. Subsetor Indicador N° de firmas Nº de firmas com acesso ao BNDES % do total de firmas Valor contratado (R$mil) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Nº de firmas com Motores. de Valor contratado transmissão (R$mil) (CNAE 291) % do total contratatado pelo setor N° de firmas Nº de firmas com acesso ao BNDES Máquinas e eq.0% 205 75 36% 12. elaboração própria da equipe do projeto. 1996-2006.037 Seguidoras 730 359 49% 1.7% 237 122 52% 506.898 9. PINTEC.8% 31.8% 100% pelo setor Fonte: BNDES.

RAIS e SECEX. elaboração própria da equipe do projeto. De fato. as firmas inovadoras do setor financiam mais de 90% de seus gastos em P&D com recursos próprios. ficando com 88. são as menos apoiadas pelo governo no que tange ao financiamento de P&D. GRÁFICO 11.6% 95% 5% 3% Líderes Seguidoras Próprio Privado Frágeis Público Emergentes Fonte: BNDES.. Isto evidencia a falta de mecanismos – tanto públicos quanto privados – para financiar projetos inovadores. novamente.3% do total destinado pelo governo para P&D no setor.6% de seus gastos em P&D contam com apoio público. POR CATEGORIA DE EMPRESA (%): 2005. esta realidade se repete. as seguidoras são as empresas que conseguem a maior cobertura do setor público para P&D: 8%. pois apenas 0. FONTE DOS RECURSOS INVESTIDOS EM INOVAÇÃO DAS EMPRESAS INOVADORAS NO SETOR DE BENS DE CAPITAL. As firmas líderes.É sabido que na indústria brasileira as firmas dependem sobremaneira dos recursos próprios para inovar. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Milhões 99% 92% 97% 8% 0. No setor de bens de capital. respectivamente. PIA. 95 . firmas frágeis e emergentes.4% 0. receberam apoios do governo equivalentes a 5% e 3% dos gastos totais em P&D. que financiam 99% do seu P&D com recursos próprios. Por seu turno. Por outro lado. PINTEC. como mostrado no GRÁFICO 11.

167 5.698 1. É interessante notar como a distribuição das firmas beneficiadas pelo programa Proex financiamento em relação ao porte das empresas é relativamente 12 Ambas as modalidades de financiamento ocorrem na fase pós-embarque. por parte do Tesouro Nacional. O setor só perde para o segmento de agribusiness. EMPRESAS INOVADORAS QUE RECEBERAM SUPORTE PÚBLICO PARA A INOVAÇÃO. e 24-26% dos recursos do programa Proex equalização. Apesar de não ser diretamente comparável com as estatísticas brasileiras.366 23% 28% 24% 48% 32% 14.011 14. esta é uma realidade bem diversa da vivida nos países europeus.435 32. EM PAÍSES EUROPEUS SELECIONADOS: 2004.244 15. por exemplo. que responde pela grande maioria das operações de crédito.835 1. da diferença maior entre os encargos pactuados com o financiador e os custos de operação semelhante no mercado internacional. Financiamento do Governo Total 29.324 467 394 2.134 Empresas apoiadas 18% 28% 26% 44% 35. do Eurostat. elaboração própria da equipe do projeto.551 1. TABELA 40 . mais de 20% das empresas do setor de máquinas e equipamentos contaram em 2004 com suporte público para a inovação.266 Total de empresas inovadoras 100% 100% 100% 100% Fonte: CIS4.426 100% No tocante ao financiamento das exportações. a TABELA 40 mostra que na Alemanha e na França.332 29% 100.840 4. Financiamento do Governo Empresas apoiadas Total de empresas inovadoras Setor de máquinas e equipamentos (CNAE 29) Alemanha Espanha França Itália Total 4. Por sua vez.667 4.967 100% 100% 100% 100% 100% Indústria em geral Alemanha Espanha França Itália 6. e pode ocorrer tanto na modalidade de supplier’s credit (financiamento ao exportador) quanto na de buyer’s credit (financiamento ao comprador no exterior).481 17. o Proex equalização consiste no pagamento.12 Ao setor de máquinas e equipamentos foram destinados 12% em 2007 e 13% entre janeiro e setembro de 2008 dos recursos totais do programa Proex financiamento. os gráficos a seguir trazem informações sobre o Proex nas categorias Financiamento e Equalização.347 4.Mais uma vez. O Proex financiamento é uma operação ordinária de crédito para exportação a taxas de juros comparáveis com o mercado internacional. 96 .

DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS DO PROEX FINANCIAMENTO DE ACORDO COM OS SETORES: 2007 E 2008 (ATÉ SET). DISTRIBUIÇÃO DO PORTE DAS EMPRESAS BENEFICIADAS PELO PROEX FINANCIAMENTO. DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS DO PROEX FINANCIAMENTO DE ACORDO COM OS SETORES: 2007 E 2008 (ATÉ SET). GRÁFICO 13. Fonte: MDIC 97 . GRÁFICO 14. GRÁFICO 12.equânime entre grandes. DE ACORDO COM OS SETORES: 2008 (ATÉ SET). médias e pequenas empresas no setor de máquinas e equipamentos.

em última instância. e pudemos constatar que naqueles países a indústria de bens de capital apresenta um desempenho inovativo acima da média.6. e investindo mais em P&D do que os outros setores. que ela dispõe nas economias mais inovadoras e desenvolvidas. mas parcerias estratégicas com os clientes e fornecedores. pela própria dinâmica produtiva do setor. interagindo com universidades. seja do ponto de vista da inovação. soube aproveitar em certa medida o ciclo de investimentos e de redução da volatilidade econômica vivido a partir do segundo semestre de 2003 até o segundo semestre de 2008. liderando projetos em inovação. a indústria brasileira de bens de capital.COMENTÁRIOS FINAIS E IMPLICAÇÕES DE POLÍTICAS PARA O SETOR Do ponto de vista produtivo e do posicionamento de mercado.T&I. sabemos que a indústria brasileira de bens de capital não tem a mesma relevância. Deste modo. 98 . os fornecedores especializados são catalisadores da inovação em toda a economia. os investimentos em P&D e parcerias com universidades são cruciais para a elevação do grau de inovatividade do setor. após um período de profunda reestruturação produtiva nos anos 90. seja do ponto de vista produtivo. tivemos o cuidado de comparar a indústria brasileira de bens de capital com a realidade do setor em países europeus. Todavia. Ao longo deste relatório. do ciclo de investimentos ou de promoção às exportações -. também são fundamentais. eles alteram a curva de possibilidades de produção e ocupam o vértice do sistema nacional de inovação. Como o modelo de inovação no setor em países onde esta indústria é relevante se baseia em C. Nestes países. para investir em inovação como arma competitiva? Vimos que na indústria de bens de capital a escala de produção é importante para a acumulação de conhecimento – e esta depende. a pergunta que norteou este relatório foi: as empresas de bens de capital no Brasil aproveitaram o bom momento econômico para investir em estratégias que levem à acumulação de conhecimento.

da média nacional. a despeito de algumas empresas terem reconhecida liderança mundial e realmente competirem com base em inovação e diferenciação de produtos. as líderes tecnológicas do setor acreditam mais na inovação como estratégia competitiva que a média nacional. e antecipação de créditos tributários incidentes sobre investimentos foram instituídas pela chamada “Lei do Bem” e outros dispositivos legais. As políticas públicas voltadas para o segmento se tradicionalmente se baseiam no trinômio financiamento. Com respeito ao último ponto.No Brasil. a resposta à indagação que motivou este relatório é. data de 1964. É pouco para um setor supostamente difusor das inovações e indutor do progresso técnico. Com efeito. 99 . Neste sentido. mas elas não se destacam com respeito às líderes na indústria brasileira como um todo. sobretudo para firmas tipicamente exportadoras. qualquer política voltada para a modernização produtiva ou ampliação dos investimentos estimula o setor de bens de capital. o fato é que a performance de inovação e os investimentos em atividades inovativas estão de acordo com. O setor figura entre as prioridades da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Contudo. tributação e proteção à indústria doméstica. o setor investe em média 0.o Finame do BNDES. medidas hoje atualmente no âmbito da PDP estipulando a depreciação acelerada. esta ainda subsiste em menor grau devido às políticas de extarifário. Com respeito à tributação. Nos últimos anos. Ao longo de sua história econômica o Brasil sempre teve políticas públicas voltadas para o setor de bens de capital . por exemplo. infelizmente. Naturalmente. pois estimula sua demanda. Por exemplo. não. o Brasil vem empenhando diversos esforços para desonerar investimentos.66%) e responde por menos de 2% do total dos investimentos em P&D no Brasil.39% da receita líquida de vendas em P&D (a média nacional é de 0. quando não abaixo.

tanto para a produção quanto para a comercialização. no futuro. mas na produtividade e inovação de toda a economia. que o resto dos setores industriais. este tem melhorado sensivelmente nos últimos anos. Como mostramos. Quanto ao financiamento. devido à ampliação da oferta de crédito. Contudo. pois isto terá um impacto não só neste setor. o escopo dos beneficiários das medidas é muito limitado. Assim. deixando o apoio à inovação em segundo plano ou a cargo de políticas horizontais. um salto competitivo neste segmento tão importante para a inovação. 100 . em muitos casos. Sem embargo. deve-se estimular especificamente o acúmulo de capacidades inovativas e desenvolvimento de projetos. o Brasil ainda é conhecido como um país que tributa investimentos e exportações. o apoio governamental historicamente se concentrou no apoio à produção e comercialização dos bens de capital. vimos também que o setor tem participação considerável nos recursos do Proex. este setor é especial no sistema nacional de inovação. Não deve ser assim. No tocante às exportações. Acumular tais capacidades pode representar. no que tange ao aprendizado tecnológico.o êxito destas políticas tem sido parcial. à queda nas taxas de juros e orientação do governo – a ampliação e reestruturação do Finame é um exemplo. o setor de bens de capital padece das mesmas carências. em parte devido à estrutura tributária em cascata.

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