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O espírito por detrás da velha ordem atual

A ORDEM atual de coisas é velha — tem milhares de anos de existência. Durante todos estes milênios, um só espírito permeou a ordem humana de coisas. Será que foi espírito santo? Ninguém contrariaria tanto os fatos da história, ao ponto de afirmar que espírito santo da parte de Jeová Deus é a força invisível que tem ativado toda a sociedade humana nos seus empenhos ou no seu estilo de vida. Se tivesse sido espírito santo que sempre apoiou e motivou esta velha ordem de coisas, os resultados seriam bem diferentes do estado de coisas no mundo atual. Espírito santo da parte de Deus, quando em operação na vida das pessoas, produz frutos que identificam. A julgar pelos frutos que esta velha ordem teve amplo tempo para produzir, ela não está sendo guiada pelo espírito santo de Deus. A massa da humanidade, que acompanha esta velha ordem, mostra ser constituída por pessoas que precisam ser refreadas por leis promulgadas para pessoas de mentalidade criminosa, portanto, por leis que lhes ordenam refrear-se de toda a sorte de transgressões. Há dezenove séculos atrás, houve um homem que deixou de estar sob tal código de leis. Ele escreveu uma carta para mostrar que nós precisamos ter um induzimento melhor, uma força superior atuando na nossa vida, se quisermos ser diferentes da velha ordem atual. Precisamos do espírito, da força ativa, invisível, que procede Daquele que tem moral muitíssimo melhor do que esta velha ordem mundial, muitíssimo melhor do que qualquer legislador da sociedade humana. O escritor da carta indicou a força santa que nos pode ativar de modo certo, dizendo: “Persisti em andar por espírito, e não executareis nenhum desejo carnal. Pois a carne é contra o espírito no seu desejo, e o espírito contra a carne; porque estes estão opostos um ao outro, de modo que as próprias coisas que gostaríeis de fazer, não fazeis. Ademais, se estais sendo conduzidos por espírito, não estais debaixo de lei. “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são fornicação, impureza, conduta desenfreada, idolatria, prática de espiritismo, inimizades, rixa, ciúme acessos de ira, contendas, divisões, seitas, invejas bebedeiras, festanças e coisas semelhantes a estas. Quanto a tais coisas, aviso-vos de antemão, do mesmo modo como já vos avisei de antemão, de que os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus. “Por outro lado, os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei.” — Gálatas 5:16-23; veja também 1 Timóteo 1:8-11. É uma lista bastante grande de contrastes, não é? Os que produzem os frutos do espírito de Deus certamente não praticam as coisas chamadas de “obras da carne”. Todos aguardam o reino de Deus, com o desejo sincero de herdar suas bênçãos. Que dizer, porém, da velha ordem atual? Não é preciso salientar as suas falhas. Isto é feito para nós pelas notícias nos jornais, por artigos nas revistas, pelos anais policiais, pela insegurança geral por causa do aumento dos crimes, pelos hospitais caros para enfermidades mentais, bem como pelas temíveis doenças sociais, pelas tensões políticas junto com a crescente ameaça duma guerra nuclear, global. Inúmeras outras coisas poderiam ser citadas para incriminar a velha ordem como uma que abunda em “obras da carne”. Esta velha ordem nunca ajudará a ninguém a ‘herdar o reino de Deus’. Não tem nenhuma relação com o reino de Deus. Não é permeada, motivada ou apoiada por espírito santo da parte de Deus. De modo algum é santa, nem mesmo aquela parte dela que se chama cristandade. Por que não apoia o espírito de Deus nenhuma parte desta velha ordem? Como chegou a carne humana ao estado em que tem o desejo natural de fazer obras contrárias ao espírito de Deus? A carne humana não era assim no início. Naquele tempo, era motivada pelo espírito de seu Criador. Deus nunca iria dar à recém-casada carne aquilo que é mau ou em oposição a si mesmo. Ele não é a Fonte da maldade. O profeta Moisés, paladino daquilo que era direito, exonerou a Jeová Deus de toda a responsabilidade pelas tendências erradas da carne humana. Moisés disse: “Perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça. Deus de fidelidade e sem injustiça; justo e reto é ele. Agiram ruinosamente da sua parte; não são seus filhos, o defeito é deles.” — Deuteronômio 32:4, 5. O defeito da humanidade não é atribuível a Deus. Ele fez o primeiro homem perfeito, para dar crédito à Sua capacidade criativa. Não há defeito em Deus. Com a cooperação de seu Filho unigênito, Deus fez o primeiro homem “à nossa imagem, segundo a nossa semelhança”. O primeiro homem, Adão, era imagem de perfeição divina, e assim, para ser verdadeira imagem, tinha de ser perfeito. — Gênesis 1:26-28; 2:7, 8.
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O primeiro homem, no paradísico Jardim do Éden, andava segundo o espírito santo de Deus. Ocasionalmente, palestrava com Deus. Deus andava naquele lindo Jardim do Éden dum modo invisível ao olho humano e ainda assim perceptível ao homem Adão. Havia união entre Deus e o homem. Naquele tempo, havia união entre as coisas celestiais e as terrenas. Por quê? Porque o espírito de Deus permeava tudo. Tudo isso fazia Jeová Deus feliz. Ele é o “Deus feliz”. — 1 Timóteo 1:11. Havia ali a base para o desenvolvimento duma ordem perfeita de coisas, que nunca envelheceria ou estaria prestes a desaparecer. Mas, hoje, não temos uma ordem pura, justa e perfeita de coisas. Por que não? Porque houve um pecado contra o espírito santo. Cometido por quem? Por aquele a quem Jesus Cristo identificou quando falou a homens ansiosos para matálo, por ele falar a verdade de Deus. Jesus disse a esses pretensos assassinos: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Esse foi homicida quando começou, e não permaneceu firme na verdade, porque não há nele verdade. Quando fala a mentira, fala segundo a sua própria disposição, porque é mentiroso e o pai da mentira.” — João 8:44.
9 O primeiro que pecou contra espírito santo foi também identificado pelo discípulo de Jesus, chamado João, que escreveu: “Quem estiver praticando pecado origina-se do Diabo, porque o Diabo tem estado pecando desde o princípio.” (1 João 3:8) o praticante do pecado só podia ter por pai espiritual aquele que o iniciou nisso. 10 Chamar-se a este primeiro mentiroso em toda a criação de Diabo indica que a sua mentira foi contra Deus, porque o nome Diabo significa Caluniador. Ele abandonou a verdade e cultivou em si mesmo a disposição de mentir. Em contradição caluniosa contra o que Deus havia dito a Adão, o Diabo disse à esposa de Adão, Eva, que a penalidade por comer da árvore proibida não seria a morte: “Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” (Gênesis 3:1-5) O mentiroso constituiu-se em Diabo, principalmente com respeito a Deus. 8

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O Caluniador de Deus não podia garantir que Adão e Eva não morreriam positivamente por comerem do fruto proibido da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Sua palavra não era mais poderosa do que a de Deus. (Hebreus 4:12; Gênesis 2:16, 17) Mas, é possível que o Diabo pensasse poder manobrar as coisas para levar Jeová Deus a uma situação embaraçosa, em que não seria coerente que Deus entregasse Adão e Eva à morte, especialmente não, se o Diabo pudesse encaminhar o casal pecador para comer da “árvore da vida” antes de se proferir contra eles a sentença divina. — Gênesis 2:9; 3:22, 23. Apesar de todas estas manobras, o Diabo mostrou-se mentiroso. Suas vitimas morreram mesmo como almas humanas, porque Jeová Deus, o Juiz, os sentenciou à morte e impediu que chegassem à “árvore da vida”, por expulsá-los do paradísico Jardim do Éden. (Gênesis 3:17-24) Visto que o Diabo causou desamorosamente a morte do primeiro homem e da mulher deste, ele se tornou “homicida”. Por causa disso, merecia ser morto, segundo a regra declarada pelo Fundador do cristianismo: “Todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem no mar!” (Marcos 9:42, Centro Bíblico Católico) E é exatamente assim; a destruição permanente aguarda o homicida, o Diabo. Tal fim do Diabo foi indicado quando o Juiz de todos, Jeová, o comparou à serpente usada para enganar a mulher Eva, a fim de que ela comesse do fruto proibido, contrário à ordem de Deus. Dirigindo as palavras na realidade à Serpente simbólica, Jeová disse: “Porque fizeste isso, maldita és dentre todos os animais domésticos e dentre todos os animais selváticos do campo. Sobre o teu ventre andarás e pó e o que comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” (Gênesis 3:14, 15) Assim, o Diabo tornou-se o amaldiçoado por Deus. Portanto, cabia a Deus entregar este maldito à morte. Mas, isto não ocorreria antes de a Serpente maldita ter tido a oportunidade de ter um “descendente”, uma descendência em sentido figurativo ou espiritual. Como espírito, o Diabo não tem nenhuma faculdade reprodutiva, inerente, assim como o homem tem. Jeová comparou o Diabo a uma serpente que se arrasta sobre o ventre e ingere alimento poeirento. Indicou com isso o profundo rebaixamento ao qual o maldito Diabo fora lançado então. Tratando-se da condição mais baixa de existência, foi comparada com o lugar que veio a ser chamado de Tártaro. Com o decorrer do tempo vieram juntar-se a Satanás, neste lugar, outros espíritos, outros anjos, que renunciaram à Paternidade de Deus e adotaram a paternidade do Diabo. Estes espíritos tornaram-se o “descendente” dele. Com referência a esta descendência espiritual da Serpente original, o apóstolo cristão Pedro escreveu: “Deus não se refreou de punir os anjos que pecaram, mas, lançando-os no
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Tártaro, entregou-os a covas de profunda escuridão, reservando-os para o julgamento.” (2 Pedro 2:4) O discípulo cristão Judas referiu-se ao mesmo “descendente” da Serpente, ao escrever: “Os anjos que não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta, ele reservou com laços sempiternos, em profunda escuridão, para o julgamento do grande dia.” — Judas 6. Na ocasião em que o Diabo enganou a esposa de Adão, Eva, para ela se rebelar contra Deus, seu Pai celestial, não havia “descendente” da Grande Serpente. O Diabo agiu sozinho. Não escolheu um companheiro angélico, que se pudesse tornar rival dele em reivindicar o domínio sobre a descendência de Adão e Eva. Ele cobiçava o domínio exclusivo sobre toda a humanidade. Não sabemos com exatidão qual a posição que ocupava antes na organização original de Deus. Muitos estudantes da Bíblia entenderam a profecia de Ezequiel 28:11-19, sobre o rei da antiga Tiro, como se aplicando também a Satanás, o Diabo, e por isso raciocinaram que aquele que se fez Diabo tivesse sido originalmente um “querubim” entre os celestiais “filhos de Deus”. Se for assim, então o grau de seu rebaixamento, como a Grande Serpente, é tanto maior.
17 Os outros anjos que se rebelaram contra Deus, os quais se tornaram “descendente” da Serpente, compartilham com ele a escuridão tartárea, iguais a serpentes malditas. Não mais possuem a luz do favor e do conselho de Deus. Quando se rebelaram, Deus lhes tirou seu espírito santo. 18 O futuro é muito tenebroso para a Grande Serpente e seu “descendente” angélico. Aguarda-os o dia de julgamento por Deus, com a perspectiva de terem ‘a cabeça machucada’. Deus usará o “descendente” de sua “mulher” para fazer o esmagamento. (Gênesis 3:15) A machucadura infligida não é mero arranhão do couro cabeludo. É o esmagamento da cabeça, que resulta na morte da Grande Serpente e de seu “descendente”. Não há margem para malentendidos neste respeito, pois, em Romanos 16:20, escreveu-se aos discípulos de Cristo: “O Deus que dá paz . . . esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” Este é um motivo sólido para Satanás e seu “descendente” terem inimizade ao “descendente” da “mulher” de Deus. Quando Deus mencionou o “descendente” de sua “mulher”, tanto o céu como a terra ficaram confrontados com um mistério. O mistério ou segredo sagrado que então despertava a curiosidade universal era: Quem será o descendente desta mulher? 16

UM “DESCENDENTE” TERRESTRE DA SERPENTE O misterioso “descendente” da “mulher” de Deus não veio a ser o primogênito de Eva, a quem ela chamou Caim. Ser Caim o filho primogênito de toda a humanidade não lhe concedeu o direito de ser este “descendente” prometido. Além disso, o calcanhar de Caim nunca foi machucado pela Grande Serpente, o Diabo. Quanto a Caim machucar a cabeça de alguém, ele assassinou seu irmão Abel, que temia a Deus, possivelmente por dar-lhe um golpe esmagador na cabeça. Em vez de ser abençoado por Deus e receber espírito santo de Deus, Caim passou a ser o segundo a quem a Bíblia chama de “maldito”, sendo o primeiro a Serpente simbólica ou o Diabo. (Gênesis 3:14; 4:11) Desta maneira, Caim constituiu-se parte do “descendente” terrestre da Grande Serpente, o Diabo, a quem imitou por mentir e cometer homicídio. Não amou nem seu irmão, a quem podia ver, nem a Deus, a quem não podia ver. Os seguidores de Cristo são exortados a ser o contrário de Caim, nas seguintes palavras: “Devemos ter amor uns pelos outros; não como Caim, que se originou do iníquo e que matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas próprias obras eram iníquas, mas as de seu irmão eram justas.” (1 João 3:11, 12) “Ai deles, porque foram pela vereda de Caim.” — Judas 11. Caim imitou o Diabo, seu pai espiritual, “o iníquo”, ao pecar contra o espírito santo de Deus. Isto não quer dizer que Caim, primeiro filho de Adão e Eva, alguma vez tivesse tido espírito santo. Seus pais terrenos perderam o espírito santo por deliberadamente violarem o mandamento de Deus. Mas, Caim viu a operação do espírito santo. Quando e como? Isto aconteceu na ocasião em que Caim apresentou a Deus uma oferta da sua lavoura, ao passo que seu irmão mais moço, Abel, apresentou a Deus um sacrifício dentre os animais abatidos de seu rebanho de ovelhas. Eram as apresentações de ambos os irmãos aceitáveis a Deus? Gênesis 4:4-7 nos informa: “Ora, ao passo que Jeová olhava com favor para Abel e para sua oferenda, não olhava com favor para Caim e para sua oferenda. E acendeu-se muito a ira de Caim, e seu semblante começou a descair. Então Jeová disse a Caim: ‘Por que se acendeu a tua ira e por que descaiu o teu semblante? Se te voltares para fazer o bem, não haverá enaltecimento? Mas, se não te voltares para fazer o bem, há o pecado agachado à entrada e tem desejo ardente de ti; e conseguirás tu dominá-lo?”’
22 Naturalmente, Deus não apareceu a Caim e a Abel nesta ocasião. Não somos informados de que modo ele olhou com favor para Abel e para sua oferenda sacrificial. Mas, deve ter havido 21 20 19

alguma evidência visível disso. Era uma operação do espírito santo de Deus. Caim a viu, e, também, que não havia palavra da parte de Deus. Por isso se acendeu a sua ira e seu semblante lhe descaiu. Não reagiu com humildade e arrependimento diante da operação visível de espírito santo da parte do Deus a quem fazia uma oferta inaceitável. Era claro que Caim não fazia o que era direito. A voz de Deus, procedente do invisível, explicou-lhe a situação. Orgulhoso demais para se humilhar, Caim não se arrependeu, nem se voltou para fazer o bem, embora o pecado estivesse como que agachado à entrada de seu lar e tivesse desejo ardente de apanhá-lo como vítima. Ele não quis dominá-lo, não importando o que o espírito santo de Deus lhe indicava. Não querendo elevar seu semblante, tramou contra aquele que foi aprovado por Deus e o matou. Assim pecou contra espírito santo. Isto desagradou a Deus e trouxe sua maldição sobre Caim. Mas, agradou à Grande Serpente, o Diabo, porque este viu então um filho terreno seu, que agiu em verdadeira imitação de seu pai espiritual. O próprio Diabo havia pecado contra espírito santo. Além de ver o próprio Deus, aquele que agora era o Diabo havia visto toda a operação de espírito santo com respeito ao domínio celestial e com respeito à criação da terra e do homem perfeito sobre ela. (Jó 38:7) Durante o tempo em que ficara livre de todo o engodo egoísta, ele mesmo havia tido certa medida do espírito de seu Pai celestial. Sabia o que este espírito santo o habilitara a fazer. Viu também o “espírito de benignidade imerecida” expresso por Deus para com Adão e Eva, ao providenciar que usufruíssem a vida humana perfeita num paraíso terrestre. Contudo, o que fez este celestial ‘filho de Deus’? — Hebreus 10:29. Ele difamou o “espírito de benignidade imerecida”, por dizer a Eva que este era motivado pelo egoísmo da parte de Deus. Também, que a proibição que Deus impusera ao comer da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau era motivada pelo temor de Deus, de que suas criaturas humanas pudessem obter a capacidade de tomar decisões de modo independente dele, decisões quanto ao certo e ao errado, o bom e o mau. Portanto, quando este espiritual ‘filho de Deus’ deliberada e propositalmente deturpou os fatos claros e mentiu para enganar a Eva, para que ela pecasse, ele pecou contra espírito santo, um pecado que não tem perdão. Deixouse engodar pela perspectiva egoísta de ter a soberania sobre a terra e seus habitantes humanos, e então agiu para se apoderar desta soberania. Com isso perdeu o espírito santo de Deus. Os frutos do espírito de Deus, na sua vida, murcharam e morreram. Ele se constituiu em Diabo, apto apenas para ser destruído. — Hebreus 12:29; 6:7, 8.
26 Este primeiro pecador contra espírito santo fez de si mesmo um demônio. Os angélicos “filhos de Deus”, que mais tarde se juntaram a ele em rebelião contra Deus, tornaram-se demônios iguais ao Diabo. Esses demônios tornaram-se o “descendente” da Grande Serpente, e o Diabo tornou-se assim o “governante dos demônios”, que veio a ser chamado Belzebu. (Mateus 12:24-27) Estes são os promotores do demonismo, a fim de desviar as pessoas da adoração do único Deus vivente e verdadeiro, Jeová. São classificados como “espíritos impuros”. (Mateus 10:1, 8; 12:43-45) A prática do espiritismo, sob a influência desses demônios, só pode resultar em impureza espiritual para o praticante, e torná-lo impuro aos olhos de Deus. A prática do espiritismo é uma das obras da carne decaída e impede que a pessoa tenha participação no reino de Deus e nas suas bênçãos. Os espíritos impuros opõem-se ao espírito santo de Deus, e ele condena a pessoa por ter algo que ver com espíritos impuros. — Deuteronômio 18:9-14; Gálatas 5:19, 20; Revelação 9:20, 21; 21:8. 25 24 23

A ESPÉCIE DE “ESPÍRITO” DE QUE SE TRATA Para nós, é da mais alta importância saber dessas coisas. Por saber delas, podemos entender o motivo da situação atual da humanidade. Aqui estamos nós, hoje, em nosso século vinte, o qual começou de modo tão promissor, do ponto de vista humano. Pela contagem do tempo, segundo as Escrituras Sagradas, já avançamos praticamente seis mil anos desde quando o egotístico ‘filho de Deus’ se rebelou contra a soberania universal de Jeová e induziu Adão e Eva a uma desobediência similar a Deus. Depois de estes dois rebeldes humanos terem sido expulsos do paraíso do Éden, estabeleceu-se uma nova ordem humana na terra, diferente daquilo que Deus, seu Criador, intencionara para nosso planeta Terra. Portanto, já devemos poder saber que espécie de espírito está por detrás da ordem que agora já é velha. Com “espírito”, referimo-nos a uma força ativa invisível, uma força animadora, avivadora e ativadora, que move a sociedade humana em comum. Influencia seu proceder na vida. Move-a em certa direção comum. As pessoas, em geral, levam assim uma vida bastante uniforme, quase que inconscientemente, sem realmente pensar muito nisso. As coisas que fazem tornam-se quase que instintivas, sendo movidas por um impulso íntimo a seguir uma rotina regular e a desenvolver certo padrão de vida. Pode haver pequenas variações, dependendo de diferenças individuais na personalidade, mas a vida e seus objetivos possuem um aspecto comum, que o classifica como caraterístico da sociedade humana agora no atual sistema de coisas.
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Tal espírito por detrás da velha ordem atual de coisas foi grandemente influenciado por personalidades sobre-humanas, invisíveis, que dominam esta ordem de coisas e assumiram sua administração. Não pode haver dúvida quanto a quem é aquele que predomina, que controla toda esta ordem. Já dentro do quinto milênio da velha ordem, Jesus Cristo declarou que Satanás, o Diabo, é o “governante deste mundo”, com o qual ele não tinha tratos amigáveis. Na última noite de sua vida na terra, como homem, Jesus Cristo disse aos seus apóstolos: “O governante do mundo está chegando. E ele não tem nenhum poder sobre mim.” (João 12:31; 14:30; 16:11) Satanás, o Diabo, não está sozinho no exercício da governança invisível da humanidade. Ele tem anjos demoníacos associados consigo, como soberano deles. Todos estes poderes demoníacos intervieram nos assuntos da atual velha ordem da sociedade humana.
30 O efeito de seu domínio sobre-humano foi prejudicial. Isto é atestado pela profecia escrita pelo apóstolo João, com respeito à então futura expulsão dos demônios dos santos céus. Esta profecia, encontrada em Revelação 12:7-12, reza:

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“E irrompeu uma guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam com o dragão, e o dragão e os seus anjos batalhavam, mas ele não prevaleceu, nem se achou mais lugar para eles no céu. Assim foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada; ele foi lançado para baixo, à terra, e os seus anjos foram lançados para baixo junto com ele. . . . ‘Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira sabendo que ele tem um curto período de tempo.” Uma das coisas para as quais o Enganador, Satanás, o Diabo, tem desencaminhado toda a terra habitada é a adoração prestada a ele mesmo. Pessoas sinceras, mas enganadas, talvez fiquem chocadas diante de tal exposição, mas Revelação 13:4 diz a respeito daqueles que se entregam à política do mundo: “Adoravam o dragão porque dera autoridade à fera, e adoravam a fera.” Temos também as palavras do apóstolo Paulo neste sentido, de que o Diabo é o principal personagem adorado pelo mundo da humanidade, quer esta o saiba, quer não. Paulo disse: “Agora, se as boas novas que declaramos estão de fato veladas, estão veladas entre os que perecem, entre os quais o deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4:3, 4) Este sistema de coisas tem um “deus”. A divindade deste e o domínio que exerce sobre o mundo certamente devem estar afetando o espírito por detrás da atual velha ordem de coisas. Perto do começo da história humana, aquele que agora é “o deus deste sistema de coisas” induziu a queda de nossos primeiros pais humanos. Adão e Eva foram pressionados a desobedecer ao seu Criador. Isto aconteceu antes de nós nascermos. Todos nós sentimos os maus efeitos disso. Em Romanos 5:12, o apóstolo Paulo diz a verdade quando escreve: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” Passamos a estar sob a condenação divina à morte por causa da imperfeição, da pecaminosidade e da corrução moral que herdamos por natureza. Nós estávamos, a bem dizer, mortos. Para Deus, não vivíamos. Naturalmente, éramos herdeiros da ira de Deus, “filhos do furor”. Estávamos “apartados da vida que pertence a Deus”. (Efésios 4:18) E conforme diz também Colossenses 1:21: “Vós . . . outrora estáveis apartados e éreis inimigos, porque as vossas mentes se fixavam nas obras iníquas.” Por causa desta situação, e naquele tempo, Jeová Deus não operava em nós. Ora, então quem ou o que o fazia? Em resposta a esta pergunta, somos informados pelas palavras em Efésios 2:1-5, escritas a cristãos convertidos: “Vós estáveis mortos em vossos delitos e pecados. Neles vivíeis outrora, conforme a índole deste mundo, conforme o Príncipe do poder do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência [que ainda atua nos rebeldes]. Com eles nós também andávamos outrora, nos desejos de nossa carne, satisfazendo as vontades da carne e os seus impulsos, e éramos por natureza como os demais, filhos da ira. Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em nossos delitos . . .” — A Bíblia de Jerusalém; Liga de Estudos Bíblicos; Taizé.
36 Quem é este “espírito que ainda atua nos rebeldes”? É o original rebelde de todos os rebeldes contra Jeová Deus, a saber, o Diabo, “a serpente original”. Mas, devemos observar que aqui, em Efésios 2:2, a palavra “espírito” é encarada por alguns tradutores da Bíblia como se referindo a algo impessoal. Encaram-no como sendo uma força ativa, invisível, que está sob o controle do “Príncipe do poder do ar” e que opera naqueles que são desobedientes a Jeová Deus. Por exemplo, a edição revista e corrigida da Versão Almeida reza em Efésios 2:2: ”Em que 35 34 33 32 31

noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.” (Veja também a versão da Imprensa Bíblica Brasileira.) Tal “espírito” impessoal estaria sob o domínio do iníquo que usa o “ar”. Ativaria aqueles que se comportam “segundo o sistema de coisas deste mundo”, desobedecendo a Deus. Onde podemos obter alguma idéia específica sobre qual é o espírito por detrás da atual velha ordem de coisas ou sobre como se manifesta? Pois bem, examinemos aquilo que o apóstolo João escreveu. Advertindo os cristãos contra esse espírito mundano, ele escreveu: “Não estejais amando nem o mundo, nem as coisas no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo — o desejo da carne, e o desejo dos olhos, e a ostentação dos meios de vida da pessoa — não se origina do Pai, mas origina-se do mundo. Outrossim, o mundo está passando, e assim também o seu desejo.” — 1 João 2:15-17. Por conseguinte, o espírito da velha ordem induz os mundanos a desejar as coisas que são tão atraentes aos seus olhos e a desejar aquilo que acham ser tão bom para a carne; e, logicamente, tais desejos levam a ações egoístas. Por desejarem tanto, egoistamente, aquilo que agrada aos olhos e à carne decaída, esses mundanos acumulam uma porção de coisas que constituem seu meio de vida, para usufruírem a vida. No seu orgulho com a posse dessas coisas, gostam de fazer ostentação de seus meios de vida, para impressionar os outros. Isso induz aqueles que não têm tais meios a também querê-los para si mesmos.
39 Lá no primeiro século de nossa Era Comum, havia judeus que preferiram estar imbuídos do espírito que há por detrás da ordem mundial de coisas. O templo construído pelo Rei Herodes ainda se erguia na sua capital nacional, Jerusalém, e eles estavam familiarizados com o código da Lei dada por meio do profeta Moisés. Não queriam receber o espírito de Deus, expresso no cristianismo puro que então estava sendo proclamado em toda a terra habitada. Por isso, Jeová Deus deixou que seguissem seu caminho, assim como o Israel apóstata da antiguidade. Com que resultado para eles? Em Romanos 1:26-32, o apóstolo Paulo nos informa, dizendo: 38 37

“É por isso que Deus os entregou a ignominiosos apetites sexuais, pois tanto as suas fêmeas trocaram o uso natural de si mesmas por outro contrário à natureza; e, igualmente, até os varões abandonaram o uso natural da fêmea e ficaram violentamente inflamados na sua concupiscência de uns para com os outros, machos com machos, praticando o que é obsceno e recebendo em si mesmos a plena recompensa, que se devia ao seu erro. E assim como não aprovaram reter Deus com um conhecimento exato, Deus entregou-os a um estado mental reprovado, para fazerem as coisas que não são próprias, já que estavam cheios de toda a injustiça, iniqüidade, cobiça, maldade, cheios de inveja, assassínio, rixa, fraude, disposição maldosa, sendo cochichadores, maldizentes, odiadores de Deus, insolentes, soberbos, pretensiosos, inventores de coisas prejudiciais, desobedientes aos pais sem entendimento, pérfidos nos acordos, sem afeição natural, desapiedados. Embora estes conhecessem muito bem o decreto justo de Deus, de que os que praticam tais coisas merecem a morte, não somente persistem em fazêlas, mas também aprovam os que as praticam “ Naquela era apostólica do primeiro século E. C., proclamava-se a verdadeira fé cristã, e, assim, com a divulgação do cristianismo, não substituiria o espírito santo de Deus, aquele espírito que estava por detrás da velha ordem de coisas? E não se daria isso em especial depois do estabelecimento da cristandade, pelo imperador romano Constantino, o Grande, no quarto século E. C.? Não se infundiu então na sociedade humana em progresso um espírito novo, moralmente puro e religiosamente santo? Não, não segundo o que o encarcerado apóstolo Paulo escreveu, por volta do ano 65 E. C. Na sua última carta, dirigida ao seu companheiro de longa data, Timóteo, ele predisse: “Nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder; . . . De fato, todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos.” — 2 Timóteo 3:1-5, 12. 42 Toda esta mencionada série de qualidades expressa o espírito que motiva a massa da humanidade em geral, ao passo que esta apoia a velha ordem de coisas. É este o tipo de espírito que desejamos ter como força impelente e orientadora na nossa vida? Não; não a julgar pelos frutos de seu espírito, que os apoiadores da velha ordem colhem agora! Desejamos sinceramente ter um espírito diferente, ativo, a favor duma ordem melhor de coisas. Requer que tenhamos o único outro espírito que há — espírito santo.
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