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O documento aborda a importância da compactação de solos em aterros e barragens, destacando suas propriedades hidráulicas e mecânicas. Ele discute a influência da compactação na resistência ao cisalhamento, deformabilidade e permeabilidade dos solos, além de apresentar métodos de análise de fluxo e estabilidade para garantir a segurança em aterros. Referências e ensaios laboratoriais são mencionados para a avaliação das propriedades do solo.

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ATERROS E BARRAGENS:

PROJETOS E EXECUÇÃO
UNIDADE III
ATERROS
Elaboração
Drª Nayára Bezerra Carvalho

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO

UNIDADE III
ATERROS..........................................................................................................................................................................................5

CAPÍTULO 1
PROPRIEDADES HIDRÁULICAS E MECÂNICAS DE SOLOS COMPACTADOS.......................................... 5

CAPÍTULO 2
ANÁLISES DE FLUXO E DE ESTABILIDADE PARA SEGURANÇA EM ATERROS..................................... 12

CAPÍTULO 3
FLUXO EM REGIME PERMANENTE: TRAÇADO DE REDES DE FLUXO..................................................... 18

REFERÊNCIAS.........................................................................................................................................21
ATERROS UNIDADE III

Capítulo 1
PROPRIEDADES HIDRÁULICAS E MECÂNICAS DE
SOLOS COMPACTADOS

1.1. Solo compactado


A compactação do solo é muito importante, especialmente quando o solo é empregado
como material de engenharia em obras de terra como, por exemplo:

Figura 42. Obras sobre solos.

Aterros

Apoio de Barragens de
fundações terra e
enrocamento

Retaludamento
Estradas
de encostas

Muros de
Pontes arrimo

Valas

Fonte: Elaborada pela autora.

A compactação significa, promover a redução do índice de vazios de um solo por meio


de processos mecânicos, buscando homogeneidade e características específicas. Nesse
processo, a massa de solo constituída por partículas sólidas, água e ar reduz o seu índice
de vazios por redução do volume da sua fase gasosa conseguida por meio da aplicação
repetida de cargas. A compactação permite um aumento da resistência ao cisalhamento

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UNIDADE iii | Aterros

e uma redução da deformabilidade e permeabilidade do solo, etambém pode aumentar


a capacidade de suporte dos solos, aumentar o fator de segurança em consequência
de uma possível falha e reduzir características dos solos como a retração e a expansão
(Holtz; Kovacs, 1981; Das, 1990).

Figura 43. Importância da compactação.

Melhoria das
propriedades de
Homogeneização do Resistência ao
engenharia devido ao
solo cisalhamento
aumento do peso
específico do solo

Redução da
Redução de Aumento da
compressibilidade
permeabilidade resistência à erosão
(recalques)

Fonte: Elaborada pela autora.

A compactação deve ser feita em solos com teor de umidade não nulo, sendo possível
remover o ar de uma amostra de solo enquanto o ar contido nos vazios estiver
interligado. Quando os canais de ar forem interrompidos, este não poderá mais ser
removido da amostra compactada. A partir desse ponto, que corresponde ao ponto
de maior eficiência da compactação, qualquer acréscimo de água somente tenderá a
aumentar o espaçamento entre as partículas, com a consequente redução da densidade
seca do solo. Toda a energia aplicada ao solo durante o processo é gasta na redução de
seu volume ou na indução de formações angulares a sua estrutura. Após ser atingida a
densidade máxima para uma determinada energia de compactação e teor de umidade
ótimo, qualquer acréscimo de energia (por exemplo: aumento de número de passadas
do rolo compressor no campo) será empregado apenas em deformar a estrutura do
material, tornando a estrutura do solo cada vez mais alinhada. Ao ultrapassar a densidade
máxima de um material não haverá mais expulsão adicional de ar da estrutura do solo,
logo o grau de saturação de amostras tende a permanecer aproximadamente constante
(Garcia, 2013).

Na figura 44, pode-se observar o efeito da energia de compactação e o teor de umidade


de moldagem na estrutura interna do solo compactado. No ponto A, o solo se apresenta
uma estrutura interna chamada de estrutura flocolada, com o aumento da umidade de
moldagem, o solo tende a uma estrutura interna chamada de estrutura dispersa, ponto
E. O mesmo ocorre com o aumento da energia de compactação.

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Aterros | UNIDADE iii

Figura 44. Efeito da compactação na estrutura interna do solo.


Peso específico aparente seco ϒs

ϒs, max
Ramo úmido

Ramo seco

Curva de saturação
S=100%

S = 90%
S = 80%

h, ótimo Teor de umidade (h)

Fonte: Adaptado de Lambe e Whitman (1969).

A curva de compactação poder ser observada na figura 45:

Figura 45. Curva de compactação de solos moles.


Peso específico aparente seco ϒs

ϒs, max
Ramo úmido

Ramo seco

Curva de saturação
S=100%

S = 90%
S = 80%

h, ótimo Teor de umidade (h)

Fonte: Adaptado de Pinto (2000).

O estudo da microestrutura e macroestrutura do solo é fundamental para entender o seu


comportamento, por meio da interpretação qualitativa do comportamento hidráulico
e geomecânico determinado a partir de ensaios de laboratório e/ou campo. O estudo
da estrutura do solo pode ser realizado usando microscópios óticos e eletrônicos. Para
estudar a microestrutura do solo, a porosimetria por intrusão de mercúrio, a microscopia
ótica em lâminas delgadas, a microscopia eletrônica de varredura e a microscopia
eletrônica de transmissão são as mais frequentemente utilizadas pelos engenheiros
geotécnicos (Garcia, 2013).

Os solos argilosos e siltosos apresentam uma estrutura aleatória ou floculada no ramo seco
da curva de compactação e no ramo úmido da curva de compactação, produz-se uma maior
orientação de partículas conhecida como estrutura dispersa. Argilas compactadas com

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UNIDADE iii | Aterros

3% abaixo da umidade ótima apresentam uma orientação aleatória em pacotes de caulim


enquanto as amostras de solo compactadas 3% acima da umidade ótima mostram um
alto grau de orientação. Argilas e siltes compactadas por impacto por meio de difração de
raios-x e microscópio eletrônico apresentam um pequeno grau de orientação preferencial
de partículas normal ao eixo de compactação, com pequenas diferenças para as amostras
compactadas com umidades acima da ótima. Solo fino compactado apresentam magnitude
dos esforços cisalhantes induzidos pelo equipamento de compactação. Se o equipamento
não penetra no solo, pode-se formar uma estrutura alinhada de partículas ou grupos de
partículas em planos horizontais. Por outro lado, na compactação no ramo úmido que
usualmente é feita com equipamentos de compactação que penetram no solo, pela falha da
capacidade de carga do solo em baixo do equipamento, apresenta-se um alinhamento de
partículas ao longo da superfície de falha. O arranjo ou a estrutura dessa zona é resultado
de como foram os golpes do equipamento de compactação, podendo-se formar uma
estrutura dobrada e curva (Garcia, 2013).

1.2. Propriedade hidráulica


A viscosidade e a massa específica do fluido influenciam a condutividade hidráulica e
variam em função da temperatura. Quanto mais viscoso é o fluido, maior é a dificuldade
para percolar entre as partículas do meio poroso e menor será a condutividade hidráulica.
No entanto, o efeito gravitacional sobre a massa do fluido é um dos fatores que causa
movimento, tendo a massa específica do fluido uma relação direta com a condutividade
hidráulica (Alonso, 2005).

Figura 46. Fatores que afetam a condutividade hidráulica do solo.

Tamanho das
partículas

Grau de saturação
do solo
Índice de vazios

Natureza do
Estratificação liquido
percolado

Composição
granulométrica e Índice de vazios
mineralógica

Fonte: Elaborada pela autora.

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Aterros | UNIDADE iii

Quanto menores forem as partículas do solo, menores serão as dimensões dos canais de
fluxo e menor será a condutividade hidráulica. Assim sendo, solos constituídos de areias
finas apresentam vazios relativamente pequenos, acarretando uma baixa permeabilidade
e solos constituídos de areias grossas, apresentam vazios relativamente grandes, levando
a uma alta condutividade hidráulica.

Alonso (2005) relatou em seu estudo que a redução da condutividade hidráulica é mais
pronunciada quando as condições de compactação passavam do ramo seco para o
ramo úmido. Este comportamento pressupõe a influência da estrutura interna do solo
compactado. As amostras estudadas apresentaram menores valores da condutividade
hidráulica quando a compactação é realizada no teor de umidade ótima ou um pouco
acima do ótimo.

A composição mineralógica é um importante fator na permeabilidade de um solo. Solos


argilosos com argilo-minerais como as montmorilonitas (partículas com maior área de
superfície específica que as caulinitas e maior capacidade de troca iônica) apresentam
condutividades hidráulicas menores que solos com argilo-minerais como as caulinitas
(Alonso, 2005).

O grau de saturação do solo é outro fator que desempenha influência direta na


condutividade hidráulica. A condutividade hidráulica deve aumentar com o aumento do
grau de saturação. Há também uma tendência de decréscimo do valor da condutividade
hidráulica com o aumento da plasticidade (Garcia, 2013).

Os ensaios de laboratórios apresentam algumas vantagens quanto aos ensaios de campo:


controle nas condições de contorno (saturação, nível de tensões efetivas, carga hidráulica
e direção de fluxo), possibilidade de medidas de anisotropia, tempo de ensaio e custo.
Por outro lado, os ensaios de campo sofrem um menor efeito escala, pois o volume
de solo ensaiado é maior que em laboratório. Existem variações nas determinações
de campo e em laboratório, causadas principalmente por problemas de amostragem
(Daniel, 1984).

A condutividade hidráulica em laboratório pode ser medida por diversos procedimentos


e empregando diferentes equipamentos. Normalmente, utiliza-se algum tipo de
permeâmetro. Existem, de um modo geral, dois tipos de permeâmetros: permeâmetro
de parede rígida e permeâmetro de parede flexível, contando com diversas variações
para cada um deles. A escolha do equipamento a ser utilizado depende das condições
de contorno a serem adotadas, assim como do tipo de material a ser ensaiado, das
condições de pressão e do fluido percolante.

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UNIDADE iii | Aterros

Figura 47. Permeâmetro tipo molde de compactação com anel de prolongamento (a),
permeâmetro que utiliza amostrador de parede fina (b), permeâmetro que utiliza material
selante entre o CP e a parede (c) e permeâmetro de parede flexível (d).
Pressurização
da câmara
Saída do
Entrada de Ventilação Ventilação fluxo
fluxo

Topo
Topo
Anel de
Expansão
Câmara de
pressão
Corpo
Pistão de de Amostrador
carga Prova de parede fina

Corpo
de Prova
O’ring O’ring
Base
Base

Disco Disco
poroso poroso

Saída do Entrada de
fluxo Ventilação fluxo

(a) (b)
Ventilação Saída de
fluxo Ventilação

Topo
Cabeçote
Tubo
acrílico

Material Corpo Tubo


Selante de
Prova
rígido
Disco
poroso
Corpo
de
O’ring Drenagem Prova Drenagem
base base
Base

Disco
poroso

Entrada de Pedestal
fluxo O’ring
Drenagem Drenagem
topo topo

(c) (d)
Fonte: Daniel (1984).

1.3. Propriedade mecânica


A compressibilidade é uma relação entre variação de volume e tensão efetiva, em função
principalmente do tipo de estrutura do solo. Ao serem submetidos a carregamentos de
compressão, solos com estrutura dispersa (ramo úmido), apresentam um comportamento

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Aterros | UNIDADE iii

linear de deformação, sem apresentarem variações bruscas no coeficiente de


compressibilidade. Por sua vez, solos compactados abaixo da umidade ótima (estrutura
floculada) apresentam uma variação no coeficiente de compressibilidade (Lambe, 1958).
Conforme Pinto (2000), a compressibilidade é menor quanto menor for a umidade de
compactação, consequentemente, solos compactados com teores de umidade abaixo da
umidade ótima apresentam menor deformação após serem submetidos a carregamentos.

Um ensaio muito utilizado para obtenção dos parâmetros de compressibilidade é


o adensamento edométrico, que consiste na compressão de uma amostra de solo
confinada num anel metálico, compactada ou indeformada, com a aplicação de valores
crescentes de tensão vertical, sob a condição de deformação radial nula, sendo que a
resistência ao cisalhamento de um solo depende da tensão normal efetiva aplicada no
plano de cisalhamento e do grau de orientação das partículas. A tensão normal efetiva é
função da poropressão, sendo esta a função do índice de vazios, do grau de orientação
e da estrutura do solo de acordo com Pinto (2006).

Figura 48. Ensaio de adensamento edométrico.


Carga

Cabeçote
Anel
Tubo de
drenagem Anel

Base

Amostra

Pedra porosa

Fonte: Adaptado de Pinto (2006).

A deformabilidade dos solos, por sua vez, é um parâmetro de extrema importância,


comparando-se com a importância dos parâmetros de resistência, uma vez que o estado
limite de serviço de uma determinada obra pode ser alcançado antes do estado limite
último (Garcia, 2013).

Confira diferentes tipos de ensaios em solo e os equipamentos mais utilizados:

[Link]

[Link]
o-ensaio-e-as-energias-de-compactacao/68/.

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Capítulo 2
ANÁLISES DE FLUXO E DE ESTABILIDADE PARA
SEGURANÇA EM ATERROS

2.1. Análise de fluxo


De acordo com Berrantes (2013), a água experimenta grandes variações de velocidade ao
longo do seu percurso, justificadas pelos sucessivos estrangulamentos e alargamentos
dos poros entre as partículas dos materiais; intuitivamente, percebe-se, que quanto
menores forem as partículas do solo, menores serão as dimensões dos canais de fluxo e,
consequentemente, menor será a permeabilidade.A percolação de certa quantidade de
água é inevitável e, até certo ponto, desejável (Sandroni, 2012). O fluxo pode acontecer
de duas maneiras: em fluxo transiente, e em fluxo permanente ou estacionário, em
condição saturada.

O fluxo permanente ou estacionário ocorre quando a percolação se dá em condição


saturada e sem variações volumétricas, considerando que tanto o esqueleto de partículas
sólidas quanto a água contida nos vazios sejam incompressíveis. A força de percolação
é a força aplicada pela água que percola no solo para o arrastre das partículas sólidas
na direção do fluxo. Em uma análise de fluxo permanente, as poropressões em qualquer
ponto da geometria do projeto permanecem constantes no tempo, vale dizer que na
análise o tempo tende a infinito. Contudo, no fluxo transiente, a percolação se dá com
variações volumétricas e ou com variações do grau de saturação. Podendo ocorrer
adensamento ou expansão, drenagem ou inchamento a volume constante e transiente. A
diferença do fluxo permanente para o fluxo transiente é que a vazão que passa através de
uma superfície de um elemento de solo em um tempo unitário que varia com o tempo;
assim também as poropressões e velocidades mudam no tempo durante a ocorrência
do fluxo que vai acompanhado da mudança de nível de água (Berrantes, 2013).

A equação de continuidade é satisfeita na zona de saturação, portanto a rede de fluxo


pode ser projetada. O coeficiente de permeabilidade de solos saturados (k) foi definido
por Darcy, tem proporção direta com a velocidade de percolação do fluido através
dos poros do solo, que até representa a velocidade de percolação quando a gradiente
hidráulica é igual a 1,0. Para análises de fluxo, assume-me que o valor da permeabilidade
é constante e o coeficiente de permeabilidade para um mesmo solo pode variar em
função de diversos fatores (Berrantes, 2013).

Um dos fatores que influem na permeabilidade é o efeito do processo de compactação


que evidencia a anisotropia com relação a permeabilidade, apresentando maior
coeficiente de permeabilidade na direção horizontal do que na vertical. Durante o
processo de compactação, a umidade influi na conformação da estrutura do solo

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Aterros | UNIDADE iii

que a sua vez influi na permeabilidade. A permeabilidade também se vê diminuída


segundo o nível de tensões, daí tem se permeabilidades menores no trecho central
da barragem, devido aos elevados níveis de tensão que ocorrem nesta região. O que
também acontece na região da fundação, situada sob o eixo central da barragem, e
maiores valores de permeabilidade nas proximidades do pé da barragem. A redução
de permeabilidade durante o período construtivo se dá ao adensamento do material,
sob efeito do carregamento imposto pela construção do aterro. Conclui-se que a
redução de permeabilidade durante o período construtivo se deve ao adensamento do
material, sob efeito do carregamento imposto pela construção do aterro, e o incremento
da permeabilidade nas proximidades do pé do talude foi atribuída a deformações
horizontais de cisalhamento, que ocorrem com maior intensidade nesta região próxima,
que tendendo a provocar uma expansão volumétrica no solo (Berrantes, 2013).

A permeabilidade influencia a taxa de recalque de um solo saturado quando sob


carga quando:

Figura 49. Fatores que influenciam a taxa de recalque.

Estabilidade das Estabilidade dos


Dimensionamento
estruturas de terra e taludes (slopes) e
está condicionado à
murros de contenção estruturas de retenção
permeabilidade dos
de terra sujeitos à podem ser
solos usados
força de percolação severamente afetadas
pela permeabilidade
de solos envolvidos
Filtros construídos
com solos são
Eventual variação da
dimensionados com tensão efetiva
base na
permeabilidade Barragens de terra

Fulcral para resolver


Permeabilidade é
problemas referentes
fundamental para
ao bombeamento de
avaliar a quantidade
água subterrânea das
de percolação
escavações da
subterrânea
construção

Fonte: Elaborada pela autora.

2.2. Análise da estabilidade


Os métodos para análise da estabilidade usuais são baseados na hipótese de haver
equilíbrio numa massa de solo, tomada como corpo rígido-plástico, na iminência de
entrar em um processo de escorregamento.

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UNIDADE iii | Aterros

Figura 50. Métodos de análise de estabilidade.

Círculo de atrito

Softwares que auxiliam


a interpretação e o Cunha
cálculo

Morgenstern- Fellenius
Price

Bishop
simplificado

Fonte: Elaborada pela autora.

Há uma grande importância na verificação dessas áreas de risco seja em campo ou


laboratoriais, pode meio de:

Figura 51. Métodos de verificação de áreas de risco.

Mapas geológicos e
topográficos

Levantamento de Fotografias
fatores ambientais aéreas e de
satélites

Exploração do Evidências no
subsolo (sondagens terreno
e ensaios)

Estudo de
estruturas
geológicas
Fonte: Elaobrada pela autora.

De acordo com Silva (2019), o fator de segurança pode ser definido pela equação:

𝐹𝑆 = 𝜏𝑟𝑒𝑠/ 𝜏𝑚𝑜𝑏 (4)

Onde: 𝐹𝑆 é o fator de segurança em relação a resistência; 𝜏𝑟𝑒𝑠 é a tensão cisalhante


resistente; 𝜏𝑚𝑜𝑏 é a tensão cisalhante mobilizada;

14
Aterros | UNIDADE iii

Existem dois tipos de abordagem para determinar o fator de segurança do ponto de


vista determinístico: teoria do equilíbrio limite e análise de tensões. Barbosa (2014)
afirma que o método mais utilizado é o do equilíbrio limite devido a sua simplicidade.
Seu mecanismo de análise procura a resistência máxima suportada antes da ruptura, de
modo que as tensões aplicadas sejam inferiores às tensões resistentes. Este método leva
em consideração as incertezas através de um coeficiente global de segurança admitindo
que a estabilidade dar-se-á desde que o fator de segurança seja superior a 1.

É definido fator de segurança de no mínimo de 1,50 para projetos executados em


locais com grau de segurança alto, 1,30 para projetos executados em locais com grau
de segurança médio e 1,15 para projetos executados em locais com grau de segurança
alto, e devem ser levados em consideração:

Figura 52. Considerações de acordo com o grau de segurança.

Locais com • Onde há proximidade imediata de edificações habitacionais,


instalações industriais, obras de arte, condutos, linhas de
necessidade de transmissão de energia, torres de sistemas de comunicação,
obras hidráulicas de grande porte, estações de tratamento de
alto grau de água de abastecimento urbano ou esgoto sanitário, rodovias e
ferrovias dentro do perímetro urbano de cidades de grande porte,
segurança vias urbanas e rios e canalizações pluviais em áreas urbanas
densamente ocupadas e situações similares;

Locais com • Todos os casos citados anteriormente quando houver, entre o


talude e o local a ser ocupado, espaço de utilização não
necessidade de permanente considerado coma área de segurança. Também no
caso de haver proximidade de leito de ferrovias e de rodovias fora
médio grau de do perímetro urbano, corpo de diques de reservatórios de águas
pluviais com habitações próximas e rios em áreas imediatamente
segurança a jusante do perímetro urbano de cidades de grande porte sujeitas
a inundações;

Locais com
necessidade de • Locais onde sejam instituídos procedimentos capazes de prevenir
acidentes em rodovias, tuneis em fase de escavação, minas,
baixo grau de bacias de acumulação de barragens e canteiros de obras em
geral.
segurança
Fonte: Adaptado de Barbosa (2014).

Conforme Massad (2003), os métodos de equilíbrio limite devem considerar se o solo se


comporta como material rígido-plástico, ou seja, rompe bruscamente sem se deformar;
se as equações de equilíbrio estático são válidas até a iminência da ruptura, quando o
processo passa a ser dinâmico; e se o coeficiente de segurança é constante ao longo
da superfície de ruptura.

Em função da hipótese adotada por cada método, é maior ou menor o atendimento


às condições de equilíbrio dos esforços e dos momentos. A escolha do método a
aplicar deve ser função da forma de ruptura esperada (Eletrobras, 2003). Conforme
Ferreira (2012), a aplicação do método das fatias consiste em arbitrar uma superfície
de deslizamento, e efetuar o cálculo do equilíbrio da massa de solo por meio das

15
UNIDADE iii | Aterros

equações da estática mediante a divisão do solo acima da linha de ruptura em fatias


de faces verticais.

Na Tabela 4 são apresentadas algumas características de alguns métodos de Equilíbrio


Limite de autores diferentes.

Tabela 4. Considerações dos diferentes métodos de equilíbrio limite.

Tipo de superfície equilíbrio


Métodos Hipóteses
de forças
Fellenius (1927) Não considera forças entre fatias (Circular)
(Circular) – FS é determinado
Resultante das forças entre fatias é
Bishop simplificado (1955) a partir da consideração de
horizontal
equilíbrio de momentos.
Resultante das forças entre fatias é (Qualquer) – FS é determinado a
Janbu simplificado (1968)
horizontal. partir do equilíbrio de forças.
(Qualquer) – FS determinado a
Localização da força normal entre fatias
Janbugeneralizado (1968) partir do equilíbrio de forças e de
definida por uma linha de empuxo arbitrária.
momentos.
Direção das forças entre fatias definidas, (Qualquer) – fatias são de
Mongenstern-Price (1965)
usando uma função arbitrária f(x). espessura infinitesimal
(Qualquer) – método semelhante
Resultante das forças entre fatias tem
Spencer (1973 ao de Morgenstern-Price com
inclinações constantes pela massa do solo.
f(x)=1

Fonte: Adaptado de Ribeiro (2015).

Diante das análises supracitadas, a gestão de risco deve ser dividida e interpretada
conforme figura 53.

Figura 53. Processo de gestão de risco.

Estabelecimento do contexto

Processo de avaliação de riscos

Identificação de riscos

Monitoramento e
Comunicação e
Análise de riscos análise crítica
consulta

Avaliação de riscos

Tratamento de riscos

Fonte: Adaptado da NBR ISO 31000 (ABNT, 2009).

16
Aterros | UNIDADE iii

Análise de estabilidade de taludes de barragens de terra: Uma aplicação do Método


de Equilíbrio Limite. Lucas Manassés Viterbino Neto e Géremy Carlos Freitas.
Disponível em: [Link]

17
Capítulo 3
FLUXO EM REGIME PERMANENTE: TRAÇADO DE
REDES DE FLUXO

O estudo de fluxo de água nos solos é de vital importância para o engenheiro, pois a
água, ao se mover no interior de um maciço de solo, exerce em suas partículas sólidas
forças que influenciam o estado de tensão do maciço. Os valores de pressão neutra
da água juntamente com os valores de tensão efetiva na estrutura granulada em cada
ponto do maciço são alterados em decorrência de alterações de regime de fluxo. As
redes de fluxo permitem:

Figura 54. Aplicações das redes de fluxo.

Determinar a vazão Levantamento


percolada hidráulico

Adotar medidas de
Calcular a pressão da
prevenção contra o
água dos poros
piping (erosão
(pressão neutra)
interna)

Avaliar o risco de
Calcular a tensão
ocorrência de
efetiva em cada ponto
acidentes resultantes
do maciço
de quick condition

Fonte: Adaptado de Barbosa (2014).

Conforme descrito por Berrantes (2013) em capítulo anterior, o fluxo permanente ou


estacionário ocorre quando a percolação se dá em condição saturada e sem variações
volumétricas. O estudo dos fenômenos de fluxo de água em solos se apoia em três
pilares: conservação da energia (Bernoulli), permeabilidade dos solos (Lei de Darcy) e
conservação da massa.

Um novo conceito a ser estudado para compreensão do fluxo é o de energia total de


um fluido, formulado por Bernoulli, e demonstrada na equação (5) na qual a energia
total ou carga total em um ponto do fluido é expressa em termos de energia/peso:

𝑢𝑢 𝑣𝑣²
ℎ = 𝑧𝑧 + 𝛾𝛾 + 2𝑔𝑔 (5)
𝑎𝑎

18
Aterros | UNIDADE iii

Onde:

ht – energia (carga) total do fluido;

z – carga altimétrica: diferença entre ponto considerado (cota) e nível de referência;

u – pressão neutra (da água);

v – velocidade de fluxo da partícula de água;

g – aceleração da gravidade;

γα– peso específico da água.

Na maioria dos problemas envolvendo fluxo de água nos solos, a parcela referente à
energia cinética pode ser desprezada. Logo considera-se a equação de carga total igual a:

𝑢𝑢
ℎ = 𝑧𝑧 + 𝛾𝛾
𝑎𝑎
(6)

Sendo o gradiente hidráulico determinado pela razão ℎ e o comprimento 𝐿, pode-se


observar (figura 55) a relação da velocidade com o gradiente para diferentes tipos de
fluxo e seu risco.

Figura 55. Variação do gradiente de velocidade com o gradiente hidráulico.

Fluxo turbulento Pode ocorrer em rochas fraturadas,


(III) cascalho/seixo e areias muito grossas

Fluxo transiente
(II)
Velocidade, v

Fluxo laminar
(I)
Em maior parte dos solos, a
velocidade é proporcional ao
gradiente hidráulico

Gradiente hidráulico, i

Fonte: Adaptado de Das (2012).

A rede de fluxo consiste em desenhar, dentro de uma região em que ocorre o fluxo,
dois conjuntos de curvas conhecidas como linhas de fluxo e linhas equipotenciais. Os
métodos de traçado de rede de fluxo para a determinação das redes de fluxos são
oriundos de soluções analíticas (resultantes da integração da equação diferencial do
fluxo), solução gráfica (método mais rápido e prático) e soluções numéricas (resultantes

19
UNIDADE iii | Aterros

da utilização de recursos computacionais por meio de métodos dos números,como os


de “diferenças finitas”; “métodos dos elementos finitos”, entre outros). Na figura 56,
podemos ver alguns exemplos de traçados de rede de fluxo:

Figura 56. Traçado de redes de fluxos para diferentes sistemas.

Impermeável Impermeável

Impermeável
Impermeável

Impermeável Impermeável

Fonte: Adaptado (ANA, 2019).

20
REFERÊNCIAS

AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS – ANA. Segurança de barragens no Brasil. YouTube, 3 jul. 2014. Disponível
em: [Link] Acesso em: 10 out. 2021.

ALMEIDA, M. S. S.; MARQUES, M. E. S. Aterros sobre solos moles: Projeto e desempenho. 2. ed. São
Paulo: Oficina de Textos, 2010. 256p.

ALMEIDA, M. S. S. Aterros Sobre Solos Moles – da concepção à avaliação do desempenho. Rio de


Janeiro: Editora UFRJ, 1996.

ALMEIDA, M. S. S.; RICCIO, M. Ground improvement of extremely soft soils in Rio de Janeiro.
International Conference on Ground Improvement and a Ground Control. University of Wollongong.
Austrália. 2012.

ALONSO, T. P. Condutividade hidráulica de solos compactados em ensaios com permeâmetro


de parede flexível. 2005. 137 f. Dissertação (Mestrado em Geotecnia) – EESC/USP,2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉNICAS – ABNT. NBR 12.553 – Geossintéticos. Rio de Janeiro:
ABNT, 2003.

AZEVEDO, M. P. N. Barragem de Terra: Sistemas de Drenagem Interna. 2005. 96 f. Trabalho de Conclusão


de Curso (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2005.

BAPTISTA M. Hidráulica Aplicada. 2. ed. Porto Alegre: ABRH, 2011.

BAPTISTA M.; LARA M. Fundamentos da Engenharia Hidráulica. 4. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2016.

BARBOSA, C. J. R. Análise de Fiabilidade de Taludes em Solos. 2014. 116 f. Dissertação (Mestrado em


Engenharia Civil) – Departamento de Engenharia Civil. Universidade do Minho – UMINHO, Guimarães, 2014.

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