Um experimento de avaliação da produção grupal na REBEA

Vivianne Amaral
VAmaral 2009

Julho 2009

As leituras a seguir são produto do trabalho de conclusão do curso de especialização de Formação de coordenador de grupo operativo, realizado no Instituto Pichon-Rivière – SP, em 2007. Têm origem na inquietação originada nas dificuldades encontradas no processos de interação social, comunicação e horizontalização das relações na Rede, durante 10 ano de atuação, sendo 5 como secretaria executiva e 2 como coordenadora do projeto Tecendo Cidadania e 3 como editora do site. Procurei interpretar os fenômenos da Rebea à luz da teoria de grupos operativos de Pichon-Rivière, da Comunicação Pragmática e da teoria das redes. O trabalho desenvolvido foi um experimento de aplicação de indicadores de produção grupal desenvolvidos por Pichon-Rivière.

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Grupos operativos O grupo como um sistema aberto a abordagem interdisciplinar do fenômeno grupal O padrão de relações intra grupo e do grupo com o contexto externo como fenômeno dinâmico, com emergentes , em permanente mudança, com avanços e recuos, com aspectos explícitos e aspectos implícitos. a tarefa como um dos organizadores do grupo Existência em cada um de nós de um esquema referencial (conjunto de experiências, conhecimentos e afetos com os quais o indivíduo pensa e age) que adquire unidade através do trabalho em grupo (Pichon-Rivière, 2000,p 123) atribuição e assunção de papéis A concepção de aprendizagem: capacidade de compreensão e de ação transformadora da realidade. unidade do aprender e ensinar comunicação como atividade geradora Enquadramento: hora, local, periodicidade dos encontros, papéis de VAmaral coordenador e observador. 2009

Redes Operativas a rede como um sistema aberto a abordagem interdisciplinar do fenômeno das redes operativas o padrão de relações entre os participantes da rede e da rede com o contexto externo com um fenômeno dinâmico, com emergentes, em permanente mudança, com avanços e recuos, com aspectos explícitos e aspectos implícitos. Objetivos da rede e tarefas decorrentes para sua realização como organizadores da rede Interesses individuais e benefícios pessoais articulados com objetivos compartilhados e consensuados, expressos em acordos de convivência, imaginário coletivo, agenda comum (tarefas) atribuição e assunção de papéis A concepção de aprendizagem: capacidade de compreensão e de ação transformadora da realidade. unidade do aprender e ensinar “Somos todos aprendizes” Comunicação: atividade recursiva[1] e de sustentação da rede Enquadramento: características das ferramentas de comunicação (assíncrona, síncrona), login, senha, net etiqueta, contrato social da rede, planos de trabalho.

A análise das mensagens sob os seguintes aspectos: - temas tratados nas conversas, - padrões de comunicação, - recepção das mensagens, - tipos de mensagens, - identificação dos emissores, - os cinco vetores: afiliação / pertença; comunicação; cooperação; aprendizagem; pertinência e tele, - expressão de momentos vividos que indiquem presença de confusão, dilemas, insights, problematizações, - papéis funcionais e disfuncionais, - emergentes temáticos, - indícios de alianças, pacto grupal, - descobertas e inovações, saltos de qualidade na produção conjunta.
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Grupo
“Conjunto restrito de pessoas que, ligado por constantes de tempo e espaço e articulados por sua mútua representação interna, se propõe de forma explícita ou implícita uma tarefa, que constitui sua finalidade, interatuando através de complexos mecanismos de assunção e atribuição de papéis.” [1] [1] (Pichon (1985) citado em Liderança, aprenda a mudar em grupo, p22)

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Agrupamento – relações de serialidade, Agrupamento – relações de serialidade, aglomerados de pessoas anônimas que não aglomerados de pessoas anônimas que não tem objetivos comuns e não interagem entre tem objetivos comuns e não interagem entre si. (Sartre) si. (Sartre)

Grupo relações de Grupo -- relações de interação social e interação social e construção de vínculos, construção de vínculos, em permanente em permanente negociação, na negociação, na realização de tarefas e realização de tarefas e objetivos comuns. objetivos comuns.

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Tarefa
É o fazer compartilhado, “o conjunto de ações destinadas à conquista de objetivos comuns. Esse processo direcional, caracterizado como dialética entre sujeitos, rompe a maneira de pensar divorciada do fazer e seu significado mais profundo é a possibilidade de uma intervenção que facilita a mudança”.

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Vínculo
No processo grupal, o vínculo pode ser definido como a relação estabelecida entre as pessoas para realizarem a tarefa. As pessoas se vinculam na tarefa por meio da comunicação e se tornam importantes umas para as outras.

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Indicadores Pichon - Rivière
1. Afiliação e pertença 2. Pertinência 3. Comunicação 4. Aprendizagem 5. Cooperação 6. Tele Indicador em desenvolvimento: 1 - Horizontalidade
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Para Pichon-Rivière, na análise da comunicação devemos perceber não só o conteúdo das mensagens, mas também o como e o quem está enunciando a mensagem. Padrões de comunicação - de um para todos: caracterizando o papel do líder; - de todos para um, quando emerge o bode expiatório no grupo e caracteriza o processo de depositação grupal; - entre todos, quando a comunicação é distribuída e fluída no grupo; - entre dois, caracterizando a situação de sub-grupo; - entre vários simultaneamente – situação de confusão e falas paralelas, o que se denomina VAmaral monólogo paralelo. (Gayotto:1995:92) 2009

O padrão é imaterial, é um conjunto de princípios que ordena os fluxos entre os elementos de um determinado sistema. Ele se corporifica na estrutura, que é gerada pelos fluxos que acontecem no sistema.
fluxos princípios estrutura

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O padrão comum: distribuição
Rede de proteínas numa célula Mapa da Internet

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Estes princípios se atualizam em estruturas que suportam fluxos de interações sociais com as seguintes características:

• Comunicação distribuída: de origem plural, gerada em diferentes pontos (o grau de distribuição da comunicação varia, possibilitando classificações), • Emergência, • Auto-organização (potencial), • Insubordinação: relações sociais acontecendo num padrão de autonomia - interdependência e não de subordinação – dominação, • Complexidade (sistemas dentro de sistemas, composição de diferentes), • Equilíbrio Dinâmico.
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Fonte: Baran/ citado por Augusto de Franco/ http://escoladeredes.ning.com/

A ferramenta de comunicação mediada por computador mais utilizada nas redes de EA é a lista de discussão. Seus membros constituem comunidades virtuais temáticas e finalísticas.

Comunidade virtual é um ambiente imaterial onde os membros estão conectados por tecnologia de informação, tipicamente a internet.

A lista de discussão A lista de discussão como ambiente de como ambiente de comunicação é um comunicação é um espaço público dos espaço público dos membros da rede. membros da rede.

A comunicação A comunicação implica em implica em interação social :: interação social pessoas interagindo pessoas interagindo com pessoas. com pessoas.

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APENAS PONTOS?

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Fonte: Martinho, Cássio. Redes: uma introdução... WWF Brasil. Editado.

PONTOS E LINHAS!

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Fonte: Martinho, Cássio. Redes: uma introdução... WWF Brasil. Editado.

As linhas que conectam os pontos são traços de atos comunicativos entre pessoas Pontos = Pessoas /Elos Linhas = Traços da Comunicação / Fluxo de informação / Produção de significados
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Em conversações recorrentes, retroativas, a rede produz a rede que é uma rede de conversações. A rede de conversações é capital social, que por sua vez produz mais redes. A rede de conversações é suportada por uma rede física de computadores conectados produzindo assim uma estrutura física e articulada de comunicação e um ambiente virtual de convivência para os membros da rede. A rede de conversações para ser gerada e se desenvolver necessita de interações sociais que estão baseadas em acolhimento, confiança, pertença e cooperação. A sustentabilidade da rede (sua re-produção e re-novação) depende do acontecimento de interações sociais (comunicação, afiliação e pertença), e da qualidade e teor dessas interações (cooperação, pertinência, aprendizagem). VAmaral
2009

Atos comunicativos na lista da REBEA – março 2007
320 mensagens postadas 52 interações

Conversações derivadas/ postagens
19 mensagens tiveram 2 postagens 11 mensagens tiveram 3 postagens 5 mensagens tiveram 4 postagens 4 mensagens tiveram 5 postagens 1 mensagem tiveram 6 postagens 1 mensagem teve 8 postagens 2 mensagens tiveram 9 postagens – Curso de francês gratuito na internet/ Blog Rebea
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Tipo de comunicação conversas sobre temas ambientais da atualidade ( transgênico, Rio São Francisco, Pan 2007 impactos) coordenação de tarefas REBEA (1 mensagem sobre o VI Fórum) denúncias campanhas online release avisos de pauta clipagem divulgação de revistas eletrônicas divulgação de sites divulgação de textos e livros divulgação de editais divulgação de eventos divulgação de ações governamentais divulgação de cursos repasse de notícias oportunidades de trabalho, empregos
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Tipos de interação resposta de uma solicitação aprovação de um enunciado comentários sobre o tema enunciado solicitação de explicação sobre o tema enunciado questionamento sobre enunciado solicitação informação desligamento lista de discussão

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Conexão ≠ Coesão

Conexão ≠ Interação

Podemos estar conectados e não haver interação e nem comunicação. O ato comunicativo constitui uma sequência, um encadeamento, para que se estabeleça a circularidade de papeis emissor-receptor, essencial para o diálogo.
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Outras questões
- Como não há comunicação distribuída não há geração de clusters (aglomerações, comunidades de prática e aprendizagem), - como não há comunicação distribuída e interações não há agendas compartilhadas gerando ações locais de aprendizagem e mudança, - a rede está prisioneira de estruturas disfuncionais de coordenação como a facilitação nacional, secretaria executiva, eventos de formato tradicional, que não permitem a circulação livre e distribuída da informação e do conhecimento, - há ausência de co-responsabilidade dos integrantes da rede em relação a sua sustentabilidade, - prevalecem uma cultura de adesão, subordinação e o interesse nos benefícios resultantes do acesso a informação estratégica divulgada na lista para suas atividades pessoais, -- a rede se configura como um difusor de informação e não como uma rede social distribuída, com objetivos e agendas compartilhadas, gerando comunidades de aprendizagem, conhecimento e mudança,
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- a recepção passiva que acontece nutre uma circularidade viciada que se alimenta no espelhamento, na identificação segura com o outro que pensa igual, na repetição de temas e práticas gerando isolamento, narcisismo e um fantasioso sentimento de importância da educação ambiental. - temas essenciais para comunidade de educadores ambientais, como a profissionalização do campo, financiamento de projetos e representação política não conseguem se sustentar como pautas nas conversações da rede. - quando há divergências a conversa costuma derivar para ofensas, agressividade e desqualificação dos interlocutores, evidenciando a dificuldade em lidar de forma construtiva com a diversidade de visões e opiniões.

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