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ROSEMAR ARRAIS ALENCAR MENDES - rosimaralencar@hotmail.com

SECADI - Curso de Educação Ambiental - CEA - Maranguape Fortaleza, Junho de 2012.

DESAFIO DOS RECURSOS HÍDRICOS NO CEARÁ

  • 1. INTRODUÇÃO

Mais do que uma necessidade a água, é um direito á vida; os rios da região nordeste, em destaque, o Estado do Ceará, apresentam um nível pluviométrico inferior ao esperado, dificultando a situação do povo sertanejo, que sofre com a economia de subsistência. Neste trabalho acadêmico, trataremos dos diversos desafios da gestão hídrica, onde o governo federal, estadual, empresas privadas, e sociedade são convocados para um despertar coletivo. Será mencionado, alguns rios e açudes da região, bem como, a polêmica gerada pela transposição do rio São Francisco, de modo, à suprir as necessidades da população, que acabam privando ao uso da água. O impacto ambiental foi analisado, como uma constante em nosso contexto histórico, levando em consideração que a escassez da água é algo vivenciado desde o período imperial, quando Pedro II, ordena a criação do primeiro açude na região, outras iniciativas foram tomadas, por diversos governantes, com a finalidade de minimizar ou dizimar, essa terrível situação da seca, mas as mesmas medidas interferem, em nossos ecossistemas, provocando sérios problemas de ordem socioeconômica, ambiental e cultural. Espera-se despertar o leitor para um processo de conscientização, reconhecendo os principais desafios da gestão integrada de recursos hídricos, bem como, analisar as condições do nosso semiárido brasileiro, inserido na Região Nordeste, criando mecanismos eficientes, que suplantem a escassez da água, viabilizando uma melhor qualidade de vida para o povo, nos aspectos: socioeconômico, ambiental e cultural; e trazendo a tona, para uma visão crítica e participativa, sobre questões inerentes ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, estimulando modificações em hábitos e costumes, gerando uma mentalidade, onde o direito de um, seja o privilégio de todos.

  • 2. A HIDROLOGIA DO ESTADO DO CEARÁ

Com um clima predominantemente semiárido, marcado por secas periódicas, teve o primeiro grande impacto social ocorrido em nosso estado em 1877- 1879, com

uma grande seca, que assolou o povo nordestino. Para minimizar essa situação, Pedro ll, ordenou a construção do AÇUDE DE CEDRO, localizado a 175 km, da cidade de Fortaleza no município de Quixadá, esse projeto teve início em 1882, e o período entre o primeiro projeto e a inauguração foi 25 anos após. Podem ser destacados, alguns rios significativos de nosso Estado, tais como; JAGUARIBE, PACOTI, COREAÚ, CHORÓ, PIRANGI, dentre outros. Alguns desses, considerados como rios intermitentes, levando em consideração sua baixa densidade, nos períodos de estiagens, e mesmos os rios perenes, incluindo o famoso São Francisco, têm se mostrado incapazes de atender quantitativamente a todos os usuários, ao longo de seu curso, durante ciclos hidrográficos mais secos. Os problemas socioeconômicos e ambientais são constantes, devido ao crescimento populacional, atrelada a má distribuição de renda em nosso contexto histórico. Em 1987, foi criada a SECRETÁRIA DOS RECURSOS HÍDRICOS (SRH), com a finalidade de contribuir para que o governo atuasse ativamente no estabelecimento dos instrumentos técnicos, jurídicos e institucionais, com a finalidade, da implementação de uma nova política de recursos hídricos, sendo elaborado, o PLANO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS (PLANERH), entre os anos de 1988 e 1991. O primeiro grande PROGRAMA DE RECURSOS HÍDRICOS DE CEARÁ foi criado em 1993, em parceria com o Banco Mundial, para viabilizar a estruturação do sistema estadual de recursos hídricos, ampliando a infraestrutura, dando suporte ao abastecimento humano, com a criação de diversos açudes, dos quais podemos citar o de CEDRO, ORÓS, CASTANHÃO, sendo esse último, construído sobre o leito do rio Jaguaribe, e sua barragem está localizada em JAGUARIBARA, embora atinja outros municípios, sua obra teve início em 1995, durante o governo de Tasso Jereissati, sendo concluída em 23 de dezembro de 2002. É importante salientar que várias medidas foram tomadas em paralelo, tais como; perfurações de poços, construções de cisternas, açudes, e transposição do Rio São Francisco, que desviará o curso de água do rio em Pernambuco para a Bahia, Rio Grande do Norte, e Ceará, beneficiando aproximadamente doze milhões de pessoas com abastecimento de água, após a conclusão de sua obra. Essa transposição teve início em 2007, sendo avaliada em sete bilhões de Reais, uma verdadeira obra faraônica.

TRANSPOSIÇÃO NO RIO SÃO FRANCISCO PARA O CEARÁ Diante essa polêmica social, criaram-se argumentos contrários ou

TRANSPOSIÇÃO NO RIO SÃO FRANCISCO PARA O CEARÁ

Diante essa polêmica social, criaram-se argumentos contrários ou favoráveis ao projeto, de um lado, o governo afirma que a Integração do São Francisco é a única obra viável, econômica e geograficamente, garantindo segurança hídrica da população semiárido, de outro, pesquisadores garantem que o montante investido pelo governo é desperdício de dinheiro público, segundo os mesmo, a solução para o semiárido, não estaria em obras caras, devido a esse tipo de iniciativa governamental, foi assinado por dezenas de entidades civis um manifesto ao País contra a transposição do Rio São Francisco, divulgado em novembro de 2004. Pesquisadores argumentam que o problema do nordeste não é carência de água, mas a má gestão na distribuição e alegam que: são possíveis diversas alternativas á transposição, como integração de reservatórios, água represadas com adutoras, por meio de canalização, assim como o reuso da mesma, construção de cisternas, utilização das águas do subsolo, ou ainda, dessalinização. Segundo informações retiradas do site CONCIÊNCIA, o Nordeste tem potencial de recursos hídricos para se abastecer, garante o engenheiro e estudioso de recursos hídricos, JOÃO SUASSUNA, da FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO, no Recife (PE), a água em açudes atende o dobro da demanda atual. Atualmente, existem cerca de setenta mil reservatórios e quatrocentos açudes públicos que acumulam trinta e sete milhões de metros cúbicos de água, é o maior volume de água represado em regiões semiáridas do mundo; a maior represa do Nordeste também está localizada no Ceará, o AÇUDE DE CASTANHÃO, com seis

milhões e setecentos mil metros cúbicos de água, que seria capaz de abastecer a grande Fortaleza, por várias gerações.

milhões e setecentos mil metros cúbicos de água, que seria capaz de abastecer a grande Fortaleza,

AÇUDE DE CASTANHÃO

Outro aspecto a ser levado em consideração é a questão cultural, pois, para todas as regiões, seja das tradições Judaicas cristãs, seja das africanas ou orientais; a água é um fator de unificação da divindade; todas as regiões pelas quais o rio passa, desde a nascente em Minas Gerais até a foz em Alagoas, são cercadas de celebrações, rituais e procissões. O que é importante ressaltar nessa pesquisa é que situações que levaram a ocorrências tão impactantes, como as grandes obras na região sejam no combate a secam ou de construção de hidroelétricas, sempre privilegiaram os interesses de grandes grupos econômicos e latifundiários, onde um dos caminhos para conter a deteorização do rio é explorar turisticamente a diversidade cultural da região. Deve ser salientado, que é preciso que as populações das cidades, tomem consciência de seu papel de cidadania, com uma visão mais crítica e participativa, no contexto social que estar inserida.

CONCLUSÃO

Devido aos fenômenos naturais, a questão climática, e a falta de conscientização na utilização e preservação da água, este trabalho expôs medidas que interferiram de forma impactante na vida do povo Nordestino, com destaque, ao estado do Ceará, ocasionando mudanças socioeconômica e cultural. Cabe ressaltar que durante todo nosso contexto histórico, o Ceará tem passando por situações adversas, referente ao processo de estiagem, onde os rios são intermitentes e as chuvas esporádicas, ou seja, essa região, sempre sofreu com a seca, precisando da interferência de políticas públicas, através de iniciativas, como: perfurações de poços, construções de cisternas e açudes, dentre outras. Também pode se destacar a inacabada transposição do Rio São Francisco, com bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional, esse projeto permeia de longas datas, pois, a seca é uma questão que aflige o governo e a sociedade, por isso, esse debate sobre a transposição é tão antigo quanto polêmico. De um lado o governo afirma que essa integração seria favorável as populações atingidas com a escassez de água, gerando emprego e renda, abastecendo mais de doze milhões de pessoas, sendo a única obra viável, econômica e geograficamente, garantindo a segurança hídrica da população do semiárido. Pesquisadores e estudiosos afirmam que, essa iniciativa seria um desperdício do dinheiro público, onde, a saída não está em obras faraônicas, mas sim, na conscientização e multiplicação de pequenas obras, onde o sertanejo conhece melhor do que ninguém. De que adianta mais um megaprojeto, se amanhã essas águas, irão beneficiar basicamente grupos empresariais que recebem uma infraestrutura, totalmente preparada, pelo Estado á custo zero. É importante salientar, que haveria um maior êxito social, se fosse investido parte desse dinheiro em pequenas propriedades e cooperativas, dando a comunidade simples do sertão cearense, o direito a uma participação crítica, onde os mesmos pudessem trabalhar em algo, que sabem e gostam de fazer, garantindo uma economia favorável, que não precisassem sair de suas terras, para superlotar as cidades, respeitando questões culturais, gerando emprego e renda, e contribuindo de forma significativa para uma economia de subsistência, onde a preocupação maior fosse um desenvolvimento sustentável.

Concluo essa pesquisa compartilhando a emissão de um vídeo, que foi sugerido como uma das referências desse trabalho, com a bela música do saudoso Luiz Gonzaga, (RIACHO DO NAVIO), onde o mesmo, retrata a vida pacata, saudável e prazerosa do homem do campo, mostrando com certa saudade, que o progresso, e o desenvolvimento, voltado para um sistema capitalista, invadiu e transformou, através dessa mensagem poética de Luiz Gonzaga, existe um desabafo social, clamando para que a degradação não aconteça desnecessariamente, que haja uma maior atenção a nossa mãe natureza, com seus lugares belíssimos, encantadores, onde haja preservação e respeito ao curso natural dos rios e da vida, valorizando nossos ecossistemas. Há uma discrição minuciosa de cada detalhe e originalidade das paisagens, em sua memória, de um tempo que com certeza ficou para trás. Preservar, utilizar de forma consciente, crítica e participativa, é uma forma de educar para vida, em prol de um mundo mais equilibrado, onde haja direito de escolhas, onde o papel de cidadania seja mais, que um mito social, tendo uma visão crítica e participativa, não aceitando decisões impostas, mas analisadas, debatidas, refletidas, sendo o homem protagonista de sua própria história.

BIBIOGRAFIA

CAMPOS, J. D. Desafios do Gerenciamento dos Recursos Hídricos nas Transferências Naturais e Artificiais Envolvendo Mudança de Domínio Hídrico. Tese Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005. (p. 188 217) Acessado em 09 de junho de 2012. [Link]

CBHSF COMITE DA BAIA HIDROGRÁFICA DE SÃO FRANCISCO. Acessado em 11 de junho de 2012. [Link]

CONCIÊNCIA. Reportagem: Quais os impactos socioambientais da transposição do rio São Francisco?. Acessado em 10 de junho de 2012. [Link]

CONCIÊNCIA. Reportagem: Risco da Transposição. Acessado em 10 de junho de 2012. [Link]

CPRM SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Atlas Digital dos Recursos Hídricos Subterrâneos do Estado do Ceará. Acessado em 09 de junho de 2012. [Link]

GONZAGA, L. Letra da Música “Riacho do Navio”. 1955 Acessado em 05 de junho de 2012. [Link]

MORAIS, R. SUDENE: À serviço das oligarquias. Acessado em 10 de junho de 2012. [Link]