PUGNA

Busquei alguém que pugnasse contra mim em favor desta terra

O caráter missionário da Igreja versus o Relativismo contemporâneo

“Disse-lhe Pilatos: „ O que é a verdade? ‟” (Jo 18,38). Acima, obra de Antonio Ciseri (1821-1891), Ecce Homo

E

m mundo pluralista, de diferentes culturas e credos, a evangelização dos povos sempre teve seus desafios e dificuldades. Muito além de serem geográficas, culturais ou políticas, as principais barreiras ao êxito da Verdade são: o Mundo, o Demônio e a Concupiscência da Carne. Suas conseqüências variaram no decorrer dos tempos: heresias, cismas, divisões, ideologias, dentre outros contratestemunhos. Em síntese: frutos do Pecado Original. Por outro lado, o apelo de nosso Senhor, "Ide por todo e mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15), sempre foi e continuará sendo válido junto ao cumprimento

de Sua promessa: enviar aos Apóstolos (e a toda a Igreja) o Espírito Santo (Jo 14,16-17). O Paráclito, “protagonista da missão” (CIC. 852), que tem ensinado e conduzido a nossa Igreja a mais de dois mil anos, encoraja e sempre dá novo alento aos cristãos, revigorando o chamado de todo batizado: anunciar Cristo às nações. (1Cor 15,58). Mas hoje, um dos principais ataques dos inimigos de Cristo vem de uma forma avassaladora e cruel, como a erva daninha que chega aos poucos e toma conta da plantação sem que muitos se dêem conta do que esteja acontecendo. Referimo-nos ao terrível Relativismo.

BOLETIM - SOCIEDADE DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA – Nº Iv – ANO mmxii

A pior maneira de corromper, pois contamina por dentro, ataca as mentalidades, muitas vezes, incautas. Mas, o que é mesmo Relativismo? Aquela idéia que diz: tudo é relativo, “não existe verdade”. Apresenta-se como relativismo moral, religioso, cultural ou filosófico. Fica evidente que tal doutrina é desprovida de razão, ou melhor, é uma distorção dessa última. Seria também um abuso da subjetividade que se transforma em subjetivismo. Teve impulso filosófico com Kant, no século XVIII, mas nunca foi tão atual... Possivelmente você, caro leitor, já deve ter ouvido: “Religião não salva ninguém”; “Cada um sabe de si, faz o que quiser e tem a sua fé”; “É politicamente incorreto falar de Jesus Cristo, pois, está sendo intolerante com quem não crê”; “A crença é válida desde que quem creia esteja se ‘sentido bem’”. Infelizmente, ouvimos expressões desse tipo vindas, inclusive, de cristãos católicos. Ora, percebe-se que o Relativismo vem, muitas vezes, revestido de uma falsa aparência de tolerância. É mais próximo ao comodismo que à bondade, onde o principal ato é não querer aprofundar no conhecimento dos fatos e fazer pouco caso da veracidade dos mesmos. Afinal, cada um tem a sua ‘verdade’ como bem entender. Todavia, se não existe Verdade, logo, a afirmação de que “não existe verdade” é falsa: o Relativismo nega-se a si mesmo por falta de lógica. A necessidade da ‘Distinção’ Há muita confusão entre os termos Ecumenismo, Diálogo Inter religioso, Sincretismo religioso e Tolerância Religiosa. Ecumenismo: É quando há uma possibilidade de interação entre as Igrejas ditas cristãs, por fazerem ou terem algo em comum (porém, com os devidos cuidados), e nunca perdendo a identidade. O verdadeiro ecumenismo leva a união com a Igreja Católica, a exemplo do que aconteceu com a histórica volta de Anglicanos à Igreja Católica em 2009. Diálogo inter-religioso: como o próprio nome diz, entre religiões diferentes com o fim mútuo de compreensão. Exemplo, o diálogo entre cristãos com judeus, maometanos, hindus ou outros credos. Recordando que: “A Igreja Católica não rejeita absolutamente nada daquilo que há de verdadeiro e santo nessas religiões”. Considera com sincero respeito esses modos de agir e de viver, esses preceitos e doutrinas que, embora em muitos pontos estejam em discordância com aquilo que ela afirma e ensina, muitas vezes refletem um raio daquela Verdade que ilumina todos os homens.” Na mesma linha, segue a Igreja no empenho eclesial de anunciar Jesus Cristo, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6) (Declaração Dominus Iesus).

E, “O mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado. A resposta a cada interrogação, e particularmente às suas questões religiosas e morais, é dada por Jesus Cristo”. Sincretismo Religioso: Pode ser uma espécie de relativismo onde pouco importa se eu creio em Cristo, mas recorro aos Orixás; batizo minha família na Igreja, mas creio em reencarnação ou horóscopo... Ou seja, a falta de distinção, comum entre, por exemplo, espíritas que se dizem católicos. Pode ser também uma certa mistura de “religiosidade popular” desprovida de reta formação doutrinária ou mesmo uma ignorância com relação a fé católica misturando-a com outros credos. O sincretismo a exemplo do relativismo em geral, causa muito dano às almas. (Apo. 3,14-16) Tolerância Religiosa: É tolerância para com a pessoa que professa um credo diferente; o que não significa aceitar tal credo e muito menos concordar com a doutrina que ele traz. Exemplo: um bom relacionamento de um católico com colegas que são protestantes. Seria um sobressair da caridade cristã para com o próximo que não compreendeu a reta fé, o sadio convívio entre povos próximos que professam credos diferentes. Mas isto não significa esconder a fé ou imaginar que ninguém deva se aproximar mais da Igreja de Cristo e seus sacramentos. Até porque a verdadeira caridade é corretiva e prima pela Verdade e não pode negá-la. Lembremo-nos do que dissera-nos Cristo: “Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória...” (Luca 9,26). Nas palavras de Cristo está o caráter missionário da Igreja. “A quem iremos nós? Tu Senhor tens palavras de vida eterna”. (João 6,69).

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