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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano

Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2

AULA 02: ITENS PATRIMONIAIS: CONTEÚDO, CONCEITOS, ESTRUTURA, FORMAS DE AVALIAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS ITENS PATRIMONIAIS DO ATIVO, DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO; DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS - BALANÇO PATRIMONIAL. NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS - CONTEÚDO, FORMA DE APRESENTAÇÃO E EXIGÊNCIAS LEGAIS DE INFORMAÇÕES. AJUSTES, CLASSIFICAÇÕES E AVALIAÇÕES DOS ITENS PATRIMONIAIS EXIGIDOS PELAS NOVAS PRÁTICAS CONTÁBEIS ADOTADAS NO BRASIL TRAZIDAS PELA LEI Nº 11.638/07 E LEI Nº 11.941/09.

SUMÁRIO

ASPECTOS INICIAIS

2

PASSIVO

3

PASSIVO CIRCULANTE E PASSIVO NÃO CIRCULANTE

3

RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS E RECEITAS DIFERIDAS

3

CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O CICLO OPERACIONAL

4

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DO PASSIVO

5

PROVISÕES

6

PROVISÃO PARA PAGAMENTO DE FÉRIAS:

11

PROVISÃO PARA PAGAMENTO DE 13º SALÁRIO

14

PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS (PDD)

14

CONTINGÊNCIAS PASSIVAS

16

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

19

CONCEITO E ESTRUTURA

19

CAPITAL SOCIAL

19

GASTOS NA EMISSÃO DE AÇÕES

20

RESERVAS DE CAPITAL

20

RESERVA DE ÁGIO NA EMISSÃO DE AÇÕES

22

ALIENAÇÃO DE PARTES BENEFICIÁRIAS E BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO

22

DOAÇÕES E SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS GOVERNAMENTAIS

24

PRÊMIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES

26

AJUSTE DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL

27

AÇÕES EM TESOURARIA

28

RESERVAS DE LUCROS

29

RESERVA LEGAL

30

RESERVAS ESTATUTÁRIAS

31

RESERVA DE CONTINGÊNCIAS

31

RESERVA DE INCENTIVOS FISCAIS

35

RESERVA DE LUCROS A REALIZAR

38

RESERVA ESPECIAL PARA DIVIDENDOS OBRIGATÓRIOS NÃO DISTRIBUÍDOS

41

DIVIDENDOS

41

DIVIDENDOS ADICIONAIS

42

ADIANTAMENTO PARA AUMENTO DE CAPITAL

45

LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS

46

PLANO DE CONTA COMPLETO ATUALIZADO DE ACORDO COM O MANUAL DE CONTABILIDADE

SOCIETÁRIA APLICÁVEL A TODAS AS SOCIEDADES FIPECAFI

47

QUESTÕES COMENTADAS

52

QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

95

GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

107

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ASPECTOS INICIAIS

Olá, meus amigos. Como estão?!

É

com um imenso prazer que estamos aqui, para ministrar mais uma aula para

o

tão esperado concurso de AGENTE FISCAL DE RENDAS DO ESTADO DE

SÃO PAULO.

Esperamos que tenham gostado das aulas precedentes e que gostem ainda mais da que está por vir.

Estamos fazendo o máximo para que vocês atinjam o melhor rendimento possível nesta disciplina.

Nesta aula, trataremos basicamente dos seguintes assuntos:

Aula

Conteúdo

Aula 2

Itens Patrimoniais: conteúdo, conceitos, estrutura, formas de avaliação e classificação dos itens patrimoniais do ativo, do passivo e do patrimônio líquido; Demonstrações contábeis - Balanço patrimonial. Notas explicativas às demonstrações contábeis - conteúdo, forma de apresentação e exigências legais de informações. Ajustes, classificações e avaliações dos itens patrimoniais exigidos pelas novas práticas contábeis adotadas no Brasil trazidas pela Lei nº 11.638/07 e Lei nº 11.941/09.

Hoje, continuaremos a versar sobre o balanço patrimonial, tratando de todas as mudanças que tivemos recentemente na contabilidade, com os principais destaques:

- O material está acordo com a Lei 11.638/07 e 11.041/09. - O material traz tudo o que precisamos saber sobre os CPCs e que pode ser cobrado dentro de uma prova de contabilidade geral (mesmo sem estarem os Pronunciamentos expressamente previsos).

Repetimos que esta é a parte do curso em que aprenderemos todo o necessário sobre a principal demonstração contábil, que é o balanço patrimonial.

Um forte abraço!

Gabriel Rabelo/Luciano Rosa.

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PASSIVO

Dissemos que o passivo representa nada mais do que as obrigações que a sociedade tem perante terceiros. Estudaremos agora os seus aspectos amiúde.

PASSIVO CIRCULANTE E PASSIVO NÃO CIRCULANTE

O passivo exigível basicamente pode ser dividido em passivo circulante e não

circulante. Segundo a Lei das Sociedades por Ações:

Art. 180. As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto no parágrafo único do art. 179 desta Lei.

Como exemplo de obrigações temos: Impostos a pagar, provisão para contingências, salários a pagar, ICMS a recolher, provisão para IR, FGTS a recolher, duplicatas a pagar, fornecedores, entre outros.

RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS E RECEITAS DIFERIDAS

O grupo resultado de exercícios futuros foi extinto com a edição da MP 449 e Lei

11.941/2009.

Em seu lugar, deve ser usada a conta RECEITAS DIFERIDAS. O saldo que porventura existente no REF deve ser reclassificado para receita diferida.

O exemplo clássico explorado pelas bancas de resultado de exercícios futuros

(agora receita diferida, no passivo não circulante) são os aluguéis recebidos antecipadamente. São diversas questões da banca que versam sobre este tema.

É importante ressaltar que, no caso de adiantamentos, se houvesse possibilidade de devolução do valor, deveria ficar classificado no Passivo.

Se não houvesse possibilidade de devolução, aí ficaria classificado no Extinto grupo Resultado de Exercícios Futuros.

O saldo que porventura existir no REF deverá ser classificado para receita

diferida.

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CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O CICLO OPERACIONAL

Segundo o parágrafo único do artigo 179 da Lei das SAs: Na companhia em que

o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a

classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo.

Um primeiro aspecto digno de nota é que esta disposição vale tanto para o ativo como para o passivo.

O ciclo operacional de uma empresa industrial é o prazo que a empresa leva

para comprar matéria-prima, produzir, vender e receber. Para uma empresa

comercial, é o prazo médio entre a aquisição de mercadorias, venda e recebimento dos clientes.

Vamos explicar esta situação por meio de uma questão abordada em 2009, pela FCC, para o concurso de Analista Judiciário do TRT 3ª região:

(FCC/Analista Judiciário/TRT 3ª região/2009) A empresa A é uma indústria e produz máquinas especiais, cujo processo demora 400 dias. Estas máquinas são adquiridas para comercialização pela empresa B que leva aproximadamente 20 dias para comercializá-las, 40 dias para receber o valor das vendas realizadas a prazo, e 30 dias para pagar as máquinas adquiridas. A empresa C é cliente da empresa B e utiliza as máquinas especiais em suas operações. Com base nestas informações, as máquinas especiais serão classificadas nas empresas A, B e C, respectivamente, no

(A)

ativo circulante, no ativo circulante e no ativo imobilizado.

(B)

ativo circulante, no ativo não-circulante e no ativo realizável a longo prazo.

(C)

ativo realizável a longo prazo, no ativo circulante e no ativo imobilizado.

(D) ativo realizável a longo prazo, no ativo realizável a longo prazo e no ativo imobilizado.

(E) ativo realizável a longo prazo, no ativo imobilizado e no ativo realizável a

longo prazo

Comentários

Empresa A: Demora 400 dias para produzir. Portanto, seu ciclo operacional será maior que o exercício social, e as máquinas produzidas ficarão no Ativo Circulante.

Empresa B: Demora 20 dias para comercializar, 40 para receber o valor das vendas e 30 dias para pagar as máquinas adquiridas. Portanto, tudo ocorre a custo prazo, nesta empresa. Ativo Circulante.

Empresa C: Utiliza as máquinas em suas operações. Ativo Imobilizado.

O gabarito, portanto, é a letra a.

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Em qualquer dessas situações, o exercício social continua a ser de um ano.

Se estamos em 31 de dezembro de 2011 (data de término do exercício social) e temos uma fábrica de navios, por exemplo, cujo ciclo operacional seja de 2 anos, teremos que todas as obrigações e direitos que vencerem até 31 de dezembro de 2013 serão consideradas como de curto prazo. A partir deste momento é que haverá que se falar em longo prazo. Repetimos, porém, que o exercício social continua a ter a duração de um ano.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DO PASSIVO

A lei 6404/76 estabelece os seguintes critérios para a avaliação do Passivo:

Critérios de Avaliação do Passivo

Art. 184. No balanço, os elementos do passivo serão avaliados de acordo com

os seguintes critérios:

I - as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive Imposto sobre a Renda a pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a data do balanço;

II - as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial,

serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do

balanço;

III as obrigações, os encargos e os riscos classificados no passivo não

circulante serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados

quando houver efeito relevante. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

As obrigações do passivo não circulante também devem ser ajustadas a valor presente.

Vamos supor que a empresa A compre uma máquina a prazo, no valor de $60.000, com pagamento em 5 parcelas anuais de $12.000. A taxa de juros nessa operação é de 10% ao ano. A empresa A deve contabilizar tal operação como segue:

D

Máquinas (pelo valor presente, no Imobilizado)

45.489

D

Encargos financeiros a transcorrer (retificadora do passivo)

14.511

C

Financiamentos (Passivo)

60.000

(Os valores do Passivo e de Encargos a transcorrer devem ser divididos em circulante e não circulante, conforme o prazo de vencimento. Contabilizamos sem essa divisão para fins didáticos).

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Repare que a máquina foi registrado no ativo pelo valor presente, sem a inclusão dos encargos financeiros.

A conta Encargos a Transcorrer deve ser apropriada ao resultado, como despesa financeira, por competência.

A

planilha de controle fica assim:

 
 

Ano

Valor

Juros 10%

Pagamento

Total

1

45.489

4.549

- 12.000

38.038

2

38.038

3.804

- 12.000

29.842

3

29.842

2.984

- 12.000

20.826

4

20.826

2.083

- 12.000

10.908

5

10.908

1.091

- 12.000

-

1

O

valor final, de -1, refere-se a arredondamento de centavos.

 

PROVISÕES

O Pronunciamento Técnico CPC 25 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos

Contingentes oferece as seguintes definições:

Definições

10. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados

especificados:

Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.

Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos.

Passivo contingente é:

(a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência

será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros

incertos não totalmente sob controle da entidade; ou

(b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é

reconhecida porque:

(i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios

econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade.

Comentários:

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Já estudamos a definição de passivo. Agora, considerando as definições acima, principalmente que Provisão é um Passivo de prazo ou valor incerto, e que Passivo é uma obrigação presente da entidade, vemos que a expressão “Provisão para Devedores Duvidosos” está incorreta.

Vamos supor que a empresa possua um valor a receber de, digamos, R$100.000,00. Com base em experiências passadas, sabe que é mais provável que vá receber R% 97.000,00 (apresenta um índice de inadimplência de 3%).

Esta situação iria gerar o seguinte lançamento:

D

Despesa com devedores duvidosos (resultado)

3.000,00

C

Provisão para Devedores Duvidosos (Ret. Ativo)

3.000,00

Mas esse valor não será pago a ninguém. Não é um Passivo, é apenas uma redução do valor esperado dos recebimentos. Assim, o mais correto seria chamar essa conta de “Perdas Estimadas com Devedores Duvidosos” ou “Ajuste para perdas com devedores duvidosos”, ou outra denominação semelhante.

Mas, como já está consagrada a expressão “Provisão para Devedores Duvidosos”, vamos utilizá-la, embora a natureza desta conta não seja de Provisão, e sim de Ajuste.

Conforme o CPC 25:

7. Este Pronunciamento Técnico define provisão como passivo de prazo ou valor incertos. Em alguns países o termo “provisão” é também usado no contexto de itens tais como depreciação, redução ao valor recuperável de ativos e créditos de liquidação duvidosa: estes são ajustes dos valores contábeis de ativos e não são tratados neste Pronunciamento Técnico.

Provisão e outros passivos

A diferença entre as provisões e os outros passivos referem-se à incerteza

sobre o prazo ou o valor do desembolso necessário para sua liquidação.

Assim, as contas a pagar são passivos a pagar por conta de bens ou serviços fornecidos ou recebidos e que tenham sido faturados ou formalmente acordados com o fornecedor. Não há incerteza sobre o prazo ou o valor do pagamento. Portanto, temos Contas a Pagar ou Fornecedores, mas não Provisão para Pagamento de Estoques ou Provisão para Fornecedores.

Da mesma forma, há alguns passivos derivados da apropriação pelo regime de competência (também chamados accruals), que também se constituem em Passivo, e não em Provisão.

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Como exemplo, podemos citar a apropriação das despesas de férias por competência. A cada mês trabalhado, o funcionário adquire direito a 1/12 avos de férias. Portanto, deve ser reconhecido um Passivo, referente a eventos passados (o mês já trabalhado) e de cuja liquidação se espera a saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Assim, essa apropriação por competência deveria ser chamada de “Férias a Pagar”, e não de “Provisão para Férias”.

Embora algumas vezes seja necessário estimar o valor ou prazo desses passivos, a incerteza é geralmente muito menor do que nas provisões.

No caso de Provisão, há incerteza quanto ao prazo de pagamento ou ao valor. Mas, como já é amplamente usado na contabilidade, vamos aceitar as expressões “Provisão para Férias” e “Provisão para 13º”, embora, tecnicamente, sejam incorretas.

Texto do Pronunciamento 25:

Relação entre provisão e passivo contingente

12. Em sentido geral, todas as provisões são contingentes porque são incertas quanto ao seu prazo ou valor. Porém, neste Pronunciamento Técnico o termo “contingente” é usado para passivos e ativos que não sejam reconhecidos porque a sua existência somente será confirmada pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob o controle da entidade. Adicionalmente, o termo passivo contingente é usado para passivos que não satisfaçam os critérios de reconhecimento.

13. Este Pronunciamento Técnico distingue entre:

(a) provisões que são reconhecidas como passivo (presumindo-se que possa ser feita uma estimativa confiável) porque são obrigações presentes e é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja necessária para liquidar a obrigação; e (b) passivos contingentes que não são reconhecidos como passivo porque são:

(i) obrigações possíveis, visto que ainda há de ser confirmado se a entidade tem ou não uma obrigação presente que possa conduzir a uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos, ou (ii) obrigações presentes que não satisfazem os critérios de reconhecimento deste Pronunciamento Técnico (porque não é provável que seja necessária uma saída de recursos que incorporem benefícios econômicos para liquidar a obrigação, ou não pode ser feita uma estimativa suficientemente confiável do valor da obrigação).

Comentários:

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Há, portanto, uma diferença fundamental entre Provisão e Passivo Contingente:

As provisões são contabilizadas, e os Passivos Contingentes não são.

Os Passivos Contingentes não são contabilizados, pois:

1) Ainda há de ser confirmado se a entidade tem ou não uma obrigação presente; 2) ou existe a obrigação presente, mas não é provável que seja necessária uma saída de recursos para liquidá-la; 3) ou não pode ser feita uma estimativa suficientemente confiável do valor da obrigação.

Veremos, a seguir, as condições para que uma provisão seja reconhecida (contabilizada). Conforme o pronunciamento 25:

Reconhecimento

Provisão

14. Uma provisão deve ser reconhecida quando:

(a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como

resultado de evento passado;

(b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam

benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação.

Se

reconhecida.

essas

condições

não

forem

satisfeitas,

nenhuma

provisão

deve

ser

Vamos examinar estas condições através de alguns exemplos:

Exemplo 1 Garantia

Um fabricante dá garantias no momento da venda para os compradores do seu produto. De acordo com os termos do contrato de venda, o fabricante compromete a consertar, por reparo ou substituição, defeitos de produtos que se tornarem aparentes dentro de três anos desde a data da venda. De acordo com a experiência passada, é provável (ou seja, mais provável que sim do que não) que haverá algumas reclamações dentro das garantias.

Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação O evento que gera a obrigação é a venda do produto com a garantia, o que dá origem a uma obrigação legal.

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação Provável para as garantias como um todo. Ou seja, ainda que a possibilidade de um determinado produto quebrar seja pequena, a possibilidade de que alguns quebrarão durante o período da garantia é alta, considerando-se o conjunto de todos os produtos vendidos.

Conclusão A provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos para consertos de produtos com garantia vendidos antes da data do balanço (ver itens 14 e 24).

Exemplo 2A Terreno contaminado é praticamente certo que a legislação será aprovada

Uma entidade do setor de petróleo causa contaminação, mas efetua a limpeza apenas quando é requerida a fazê-la nos termos da legislação de um país em particular no qual ela opera. O país no qual ela opera não possui legislação requerendo a limpeza, e a entidade vem contaminando o terreno nesse país há diversos anos. Em 31 de dezembro de 20X0 é praticamente certo que um projeto de lei requerendo a limpeza do terreno já contaminado será aprovado rapidamente após o final do ano.

Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação O evento que gera a obrigação é a contaminação do terreno, pois é praticamente certo que a legislação requeira a limpeza.

Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação Provável.

Conclusão Uma provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos de limpeza.

Nesse exemplo, é importante ressaltar que, antes da aprovação da legislação requerendo a limpeza, havia um passivo contingente, o qual não era reconhecido contabilmente (não era contabilizado).

A mudança da legislação, exigindo a limpeza, transforma o passivo contingente

em provisão, a qual deve ser reconhecida pela melhor estimativa.

Vejamos, a seguir, um outro aspecto que pode ser cobrado em concursos.

Vamos supor que uma empresa esteja sendo processada por ex-funcionário.

O evento passado já ocorreu: a propositura da ação judicial. Também é possível

estimar a saída de recursos. A questão que se coloca é se esta ação deve ser

contabilizada ou não.

Temos três possíveis situações:

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 1) Se a saída futura de recursos for provável, deve ser contabilizado e divulgado em nota explicativa. 2) Se a saída for possível (mas não provável), não deve ser contabilizado, mas deve ser divulgado em nota explicativa. 3) Se a possibilidade de saída de recursos for remota, não deve ser nem contabilizado e nem divulgado.

4)

A grande dificuldade reside na avaliação da possibilidade de saída de recursos.

Uma vez estabelecido que a saída é provável, possível ou remota, fica simples

estabelecer o correto tratamento contábil.

Para gravar: Se a saída de recursos for:

Provável: contabiliza e divulga Possível: Não contabiliza, mas divulga Remota: Não contabiliza e nem divulga.

PROVISÃO PARA PAGAMENTO DE FÉRIAS:

Entre os direitos dos funcionários, encontra-se o direito às férias, após trabalhar um ano.

Mas, contabilmente, deve ser reconhecido 1/12 por mês, para observar o Princípio da Competência.

A legislação estabelece que o funcionário tem direito às férias, após um ano de

trabalho; se for demitido antes de um ano, a empresa deve pagar férias proporcionais. Ou seja, o funcionário demitido após 9 meses de trabalho tem direito a 9/12 do salário, referente às férias proporcionais.

A provisão de férias é dedutível para efeito de Imposto de Renda, e

calculada individualmente para cada funcionário.

deve ser

A contagem de dias de férias a que o funcionário tem direito na data do enceramento das demonstrações financeiras será efetuada da seguinte forma:

1) Nos casos de períodos completos, após 12 meses de trabalho, o funcionário terá direito a férias na seguinte proporção:

Até 5 faltas 30 dias corridos De 6 a 14 faltas 24 dias corridos De 15 a 23 faltas 18 dias corridos De 24 a 32 faltas 12 dias corridos Acima de 32 faltas perde o direito às férias.

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 2) Período incompleto: deverá ser constituída provisão para pagamento das férias proporcionais, com base em 1/12 avos do salário mais encargos por mês ou fração superior a 14 dias.

Além do salário, devem ser também provisionados os encargos e o adicional de férias (um terço).

Os principais encargos são o INSS e o FGTS.

INSS: Há dois tipos de recolhimentos que as empresas realizam, para o INSS:

1) INSS retido do funcionário: as empresas descontam dos funcionários a contribuição previdenciária sobre o salário recebido, e posteriormente repassa o valor para o INSS. Não é despesa da empresa. Essa parcela do recolhimento ao INSS é devido pelo empregado. A empresa apenas desconta e repassa. O percentual de desconto varia de 8% a 11%, conforme a faixa salarial do funcionário.

Este

empresa.

valor

não

é

incluído na

provisão para férias, pois não é encargo da

Vamos ver como ficaria a contabilização do pagamento de salário no valor de R$ 1.000,00, com retenção do INSS de 9%:

D

Despesa de salário

1.000

C

INSS retido a recolher (Passivo)

90

C

Salários a pagar (Passivo)

910

Pelo pagamento do salário:

D

Salário a pagar

910

C

Caixa

910

Pelo recolhimento do INSS:

D

INSS retido a recolher

90

C

Caixa

90

Como se observa, o INSS não é despesa para a empresa; e também não afeta

o valor das despesas de salários ( a empresa apenas desconta e repassa, nada mais).

2) INSS patronal: Constitui um encargo da empresa, que deve recolher 20% do valor da folha salarial ao INSS.

FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) : Também é encargo da empresa. Corresponde a 8% do valor do salário. O FGTS fica depositado numa

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 conta, em nome do funcionário, e pode ser retirado quando o funcionário é demitido, ou em certos casos: compra de imóvel, doença, etc.

Há ainda outra contribuições, como o Seguro de Acidentes de Trabalho, Sebrae, Sesc, Senai, etc. Algumas são variáveis, como o SAT (seguro de acidente do trabalho), cuja alíquota depende do grau de risco da atividade.

Mas normalmente as questões informam o percentual de encargos sociais que deve ser considerado.

Abono de férias: Ao sair de férias, o funcionário tem direito ao Abono de férias, no valor de 1/3 do salário. O abono deve ser somado ao salário, para calculo dos encargos sociais.

Exemplo: Vamos considerar um funcionário com salário de R$ 1.000 reais e com direito a 10/12 avos de férias, no encerramento do balanço. A provisão de férias, com abono e encargos, ficaria assim (Obs: vamos calcular apenas o INSS patronal, de 20%, e o FGTS, de 8%, como encargos).

Salário

1.000,00

Base para provisão (10/12 avos)

833,00

Abono de férias (1/3)

277,67

Subtotal

1.110,67

INSS (20%)

222,13

FGTS (8%)

88,85

Total Provisão férias

1.421,65

Esse cálculo deve ser feito para todos os funcionários, um a um. A contabilização, para os funcionários da produção, entra como custo de mão-de- obra; para os outros funcionários, como despesa:

Funcionários da produção:

D

Custo de Mão de obra provisão de férias

1.421,65

C

Provisão de Férias (passivo circulante)

1.421,65

Outros funcionários (escritório)

D

Despesa admin. provisão de férias (resultado)

1.421,65

C

Provisão de Férias (passivo circulante)

1.421,65

Observação: A empresa pode contabilizar separadamente cada parcela da provisão de férias (férias, abono, INSS a Recolher, FGTS a recolher) ou pode contabilizar um valor total e manter um controle à parte, extra-contábil.

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PROVISÃO PARA PAGAMENTO DE 13º SALÁRIO

É semelhante à provisão para férias. Deve ser apropriado 1/12 avos do salário por mês, mais encargos.

A fração igual ou superior a 15 dias de trabalho será considerada como mês

integral.

A provisão para 13º é contabilizada como custo, para os funcionários da

produção; e como despesa, para os outros funcionários.

Os encargos (INSS e FGTS) também devem ser provisionados.

PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS (PDD)

Registra as perdas esperadas com as contas a receber. Embora não seja mais dedutível para imposto de renda, deve continuar sendo calculada e contabilizada, para que as contas a receber não constem no balanço por valores superiores aos futuros benefícios econômicos.

Embora continue sendo chamada de Provisão, o nome tecnicamente mais correto seria “Perdas Estimadas com devedores duvidosos”, ou, se formos mais rigorosos, “Perdas Estimadas com Créditos de Liquidação Duvidosa”.

A

PDD não é mais dedutível para efeito de Imposto de Renda. Atualmente, só

as

perdas efetivas são dedutíveis, conforme o disposto pela Lei 9.430/1996:

Perdas no Recebimento de Créditos

Dedução

Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo.

§ 1º Poderão ser registrados como perda os créditos:

I - em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário;

II - sem garantia, de valor:

a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis

meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu

recebimento;

b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança

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administrativa;

c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano,

desde

que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu

recebimento;

III - com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das

garantias;

IV - contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a

pagar (

).

Contabilmente, a empresa deve continuar reconhecendo as perdas prováveis pela melhor estimativa técnica, ainda que não seja dedutível para o IR. Tais valores são ajustados no Lalur.

Exemplo: a empresa KLS possui duplicatas a receber no total de R$ 100.000,00, AM 31.12.X1. O nível de inadimplência é de 4%. A conta provisão para Devedores Duvidosos apresenta saldo de R$ 1.500,00 reais.

O total da PDD deve ser de R$ 100.000 x 4% = R$ 4.000. Como a conta já

possui um saldo de R$ 1.500,00, podemos usar dois métodos de contabilização:

1) Reverter o saldo e constituir nova provisão:

Pelo reversão do saldo:

D

PDD (retificadora do Ativo)

1.500

C

Reversão de provisão (receita resultado)

1.500

Pela constituição da nova provisão:

D

Despesa com devedores duvidosos

4.000

C

PDD (retificadora do Ativo)

4.000

2)

Complementar a provisão:

Neste caso, aproveitamos complemento.

o

Pela complementação:

saldo

da

conta

PDD

e

só contabilizamos o

D

Despesa com devedores duvidosos

2.500

C

PDD (retificadora do Ativo)

2.500

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 No balanço patrimonial, a conta PDD aparece no Ativo, embora tenha saldo credor (é retificadora do Ativo):

Ativo

Caixa

Bancos

Duplicatas a Receber

100.000

Provisão para Devedores Duvidosos

(4.000)

As baixas por inadimplência serão suportadas pela Provisão. Por exemplo, a baixa de uma duplicata no valor de R$ 500,00 seria contabilizada assim:

Baixa de duplicata:

D

PDD

500

C

Duplicatas a Receber

500

Se as perdas com inadimplência superarem o valor da provisão, o excesso deverá ser contabilizado em resultado, como “perdas com clientes inadimplentes”.

Exemplo: Após a constituição da PDD no valor de R$ 4.000,00, a empresa KLS teve um total de perdas de R$ 5.000,00, durante o ano.

Contabilização:

D

PDD (Ret. Do ativo)

4.000,00

D

Perdas com clientes (resultado)

1.000,00

C

Duplicatas a receber (Ativo)

5.000,00

CONTINGÊNCIAS PASSIVAS

Não são dedutíveis para o IR, mas devem ser reconhecidas contabilmente. O ponto mais importante, nesse tópico, refere-se à diferenciação entre Provisão para Contingência e Reserva para Contingência.

A Provisão para Contingência deve ser contabilizada quando for provável que

ocorra a saída de recursos. Além disso, deve ser possível fazer uma estimativa

confiável do valor da obrigação.

A

Provisão para Contingência refere-se, sempre, a fatos já ocorridos, e diminui

o

Resultado do Exercício.

Exemplo: Provisão para ações trabalhistas, no valor de R$ 1.000,00, cuja saída de recursos é considerada provável:

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D

Despesa com ações trabalhistas (Resultado)

1.000

C

- Provisão para Contingências ações trabalhistas (Passivo)

1.000

Já a Reserva de Contingência refere-se a fatos que ainda não ocorreram, mas que podem resultar numa diminuição do lucro em período futuro. A sua constituição não afeta o lucro do exercício, pois é constituída a partir dos Lucros Acumulados.

Para maiores explicações, vamos reproduzir, abaixo, a Nota Explicativa da Instrução CVM 59/86:

“Reservas para Contingências - São constituídas com o objetivo de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda com probabilidade de ocorrer, sendo tal perda passível de ser monetariamente mensurada (art. 195 da LEI Nº 6.404/76).

A ocorrência de tal perda poderá importar, para a sociedade, uma substancial

redução de seu lucro ou mesmo o ingresso em uma faixa de prejuízo.

Prudentemente, a constituição dessa reserva, prejudicando a distribuição do dividendo obrigatório, busca evitar uma situação de desequilíbrio financeiro, que ocorreria caso se distribuíssem os dividendos em um exercício, face à probabilidade de redução de lucros ou mesmo da ocorrência de prejuízos em exercício futuro, em virtude de fatos extraordinários previsíveis.

Por configurar uma postergação no pagamento de dividendos, a constituição dessa reserva deve obedecer o § 1º do artigo 195 da LEI Nº 6.404/76, isto é, a proposta feita pelos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda e justificar, com as razões de cautela devidamente fundamentadas, a constituição dessa reserva.

A utilização dessa reserva é até recomendável no caso de determinados ramos

de negócios, diretamente sujeitos a fenômenos naturais ou cíclicos, tais como:

geadas, secas, inundações. É o caso, também, de empresas que, por outra razões definidas, operam com períodos fortemente lucrativos, seguidos de períodos com baixa lucratividade ou mesmo prejuízos, desde que seja previsível tal situação.

Também pode ser constituída nos casos de suspensão temporária (anormal, extraordinária) de produção e, conseqüentemente, perdas devido à paralisação não recorrente, não repetitiva, em virtude de substituições ou reformas de equipamentos causadas por danos, greves, falta de suprimentos de matérias- primas, por períodos relativamente extensos.

Há, todavia, casos em que o aplicável é a constituição de provisão para contingências e não de reserva para contingências.

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Com o objetivo de dissipar eventuais dúvidas quanto à aplicabilidade da constituição de reservas ou de provisão para contingências, estabelecemos a seguir as características de cada uma. Os principais fundamentos para constituição da reserva para contingência são:

1.

dar cobertura a perdas ou prejuízos potenciais (extraordinários, não repetitivos) ainda não incorridos, mediante segregação de parcela de lucros que seria distribuída como dividendo;

2.

representa uma destinação do lucro líquido do exercício, contrapartida da conta de lucros acumulados, por isso sua constituição não afeta o resultado do exercício;

3.

ocorrendo ou não o evento esperado, a parcela constituída será, em exercício futuro, revertida para lucros acumulados, integrando a base de cálculo para efeito de pagamento do dividendo e a perda, de fato ocorrendo,

é

registrada no resultado do exercício;

4.

uma conta integrante do patrimônio líquido, no grupamento de reserva de lucros.

é

Quanto à provisão para contingências suas particularidades são:

1. tem por finalidade dar cobertura a perdas ou despesas, cujo fato gerador já ocorreu, mas não tendo havido, ainda, o correspondente desembolso ou perda. Em atenção ao regime de competência, entretanto, há necessidade de se efetuar o registro contábil;

2. representa uma apropriação ao resultado do exercício, contrapartida de perdas extraordinárias, despesas ou custos e sua constituição normalmente influencia o resultado do exercício ou os custos de produção;

3. deve ser constituída independentemente de a companhia apresentar, afinal, lucro ou prejuízo no exercício;

4. visto que o evento que serviu de base à sua constituição já ocorreu, não há, em princípio, reversão dos valores registrados nessa provisão. A pequena sobra ou insuficiência é decorrente do cálculo estimativo feito à época da constituição;

5. ( )

6. finalmente, se a probabilidade for difícil de calcular ou se o valor não for mensurável, há necessidade de uma nota explicativa esclarecendo o fato e mencionando tais impossibilidades.

São exemplos: indenizações contratuais, contingências fiscais ou trabalhistas, etc. “

A

contabilização da Reserva fica assim:

D

Lucros acumulados

1.000

C

Reserva de Contingência (PL)

1.000

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Lembramos que a constituição da Reserva de Contingências afeta o valor dos dividendos.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

CONCEITO E ESTRUTURA

O patrimônio líquido, como há muito estamos dizendo, é considerado como sendo o capital dos sócios (capital próprio) empregado nas atividades empresariais.

De acordo com a Lei 6.404/76:

Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.

III

patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes

de

avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos

Antes de prosseguirmos, façamos a comparação entre como era e como está agora o patrimônio líquido:

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

 

ANTES LEI 11.638/07

APÓS

LEI

11.638/07

E

LEI

11.941/09

 

Capital Social

Capital Social

 

(-) Capital a Realizar

(-) Capital a Realizar

 

Reserva de Lucro

Reserva de Lucro

 

Reserva de Capital

Reserva de Capital

 

Reserva de Reavaliação

Ajuste de Avaliação Patrimonial

+ - Lucro ou Prejuízo Acumulado

(-) Prejuízo Acumulado

 

(-) Ações em Tesouraria

(-) Ações em Tesouraria

 

CAPITAL SOCIAL

É a conta do PL composto pelas ações subscritas na constituição da sociedade

ou com o aumento de capital. É dividido em capital social e capital social a

realizar. A lei das S.A´s dispõe que:

Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada.

EXEMPLO 1:

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Constituição da sociedade X, com R$ 100.000,00 em dinheiro.

Lançamento:

D

Caixa

100.000,00

C

Capital Social

100.000,00

EXEMPLO 2:

A sociedade X é constituída com ações no montante de R$ 100.000,00, sendo

apenas R$ 50.000,00 depositados imediatamente para o início do negócio,

lançaremos:

D

Caixa 50.000,00 (Ativo)

D

Capital Social a Realizar (- PL) 50.000,00

C

Capital Social (PL) 100.000,00

Segundo a Lei 6.404, o capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro.

A constituição da companhia depende do cumprimento dos seguintes requisitos

preliminares:

I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto;

II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço de

emissão das ações subscritas em dinheiro;

III - depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro estabelecimento bancário

autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado

em dinheiro.

GASTOS NA EMISSÃO DE AÇÕES

Os gastos com emissão de ações, a partir de 2008, não mais podem ser tratados como despesas do período. Passam a figurar como redução do valor obtido do capital social.

RESERVAS DE CAPITAL

Reservas são valores que representam elementos patrimoniais sem qualquer característica de exigibilidade atual ou futura.

As reservas de capital são valores recebidos pela empresa (dos sócios ou de

terceiros) que não se configuram como receita, isto é, não transitam pelo resultado do exercício, sendo contabilizadas diretamente à conta de Patrimônio Líquido.

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Com espeque no artigo 182 da Lei das S.A´s:

§ 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem:

a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar

o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações

sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes

beneficiárias;

b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;

O item a corresponde à chamada “Reserva para ágio na emissão de ações”.

Partes beneficiárias são títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social, criados a qualquer tempo pela sociedade por ação. As partes beneficiárias conferirão aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, consistente na participação nos lucros anuais no máximo 10% (LSA, art. 46, caput, e §1º).

Por seu turno, os bônus de subscrição são títulos de credito emitidos no limite do capital social autorizado no estatuto e dão aos titulares o direito de subscrever ações da companhia.

Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para:

I - absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único);

II - resgate, reembolso ou compra de ações;

III - resgate de partes beneficiárias;

IV - incorporação ao capital social;

V - pagamento de dividendo a ações preferenciais,

quando essa vantagem lhes for assegurada (artigo 17, §

5º).

Parágrafo único. A reserva constituída com o produto da venda de partes beneficiárias poderá ser destinada ao resgate desses títulos.

Com as modificações recentes ocorridas na contabilidade (Leis 11.638 e 11.941) AS DOAÇÕES E SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO E OS PRÊMIOS NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES NÃO SERÃO MAIS CLASSIFICADOS COMO RESERVAS DE CAPITAL, devendo ser registrados como receitas do exercício, de acordo com o Princípio da Competência.

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Estudemos as reservas de capital pormenorizadamente:

RESERVA DE ÁGIO NA EMISSÃO DE AÇÕES

Ágio, em linguajar comum, é o valor cobrado a maior por algo. Nas sociedades por ações o estatuto social deve definir o valor do capital social, o número de ações em que o capital se divide e se elas terão ou não valor nominal.

A ação tem um valor pré-definido, o valor do capital social subscrito dividido

pelo número de ações emitidas.

O ágio na emissão de ações é o valor da contribuição do subscritor que

ultrapassar o valor nominal das ações por ele adquiridas. No caso de emissão de ações sem valor nominal, o ágio na emissão de ações será o valor da contribuição do subscritor que ultrapassar a importância destinada ao capital social. Na conta capital social, as ações só podem figurar por seu valor nominal.

O excesso é

denominação.

levado a

uma conta de

reserva de capital, que recebe essa

Suponha-se que a empresa X possua um capital social de R$ 100.000,00, configurando 100.000,00 ações a R$ 1,00 cada. Mostrando-se uma empresa extremamente lucrativa, decide expandir o seu negócio oferecendo ao mercado mais 100.000,00 ações. Todavia, cobra dos novos sócios não mais o aporte de R$ 1,00, mas, sim, de R$ 1,50. Mesmo assim, as ações foram rapidamente vendidas e mais R$ 150.000,00 ingressaram aos cofres da empresa. O lançamento é o seguinte:

D

Caixa

150.000,00 (Ativo)

C

Capital Social

100.000,00 (PL)

C

Reserva de capital Ágio na emissão de ações

50.000,00 (PL)

ALIENAÇÃO DE PARTES BENEFICIÁRIAS E BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO

Segundo a Lei das S.A´s:

Art. 46. A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social, denominados "partes beneficiárias".

§ 1º As partes beneficiárias conferirão aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, consistente na participação nos lucros anuais (artigo

190).

Vê-se que as partes beneficiárias são estranhas ao capital social. Diferem das ações, pois não dão direito a uma parte do patrimônio da companhia, nem o de

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 participação da administração. Não se confundem também com as debêntures, uma vez que não dá direito creditório contra a companhia para os que as possuem.

O direito a lucro é eventual. Esta é a palavra chave. A emissão das PB´s é

exclusivo de cias fechadas (LSA, art. 47). Como já dito, a participação nos lucros deve ser menor do que 10%.

As partes beneficiárias poderão ser alienadas pela companhia, nas condições determinadas pelo estatuto ou pela assembléia-geral, ou atribuídas a fundadores, acionistas ou terceiros, como remuneração de serviços prestados à companhia (LSA, art. 47). Somente a alienação onerosa das partes beneficiárias gera lançamento contábil.

Assim, se os administradores de uma companhia, que tanto contribuíram para o seu crescimento, resolvem aposentar, e os novos administradores, como forma

de reconhecimento deste trabalho, alienam partes beneficiárias a esses antigos

administradores, por R$ 100.000,00. O lançamento é o que se segue:

D

Caixa 100.000,00 (Ativo)

C

Reserva de Capital Produto de alienação de partes beneficiárias

100.000,00 (PL).

A LSA dispõe que:

Art. 200. Parágrafo único. A reserva constituída com o produto da venda de partes beneficiárias poderá ser destinada ao resgate desses títulos.

Falamos sobre as partes beneficiárias.

Veremos agora os bônus de subscrição. Segundo a LSA, art. 75, a companhia poderá emitir, dentro do limite de aumento de capital autorizado no estatuto (artigo 168), títulos negociáveis denominados "bônus de subscrição". Os bônus de subscrição conferirão aos seus titulares, nas condições constantes do certificado, direito de subscrever ações do capital social, que será exercido mediante apresentação do título à companhia e pagamento do preço de emissão das ações. Os antigos acionistas detêm a preferência para aquisição de novas ações emitidas por uma companhia. Todavia, o bônus de subscrição retira este direito relativamente a algumas ações. Vejamos:

Art. 172. O estatuto da companhia aberta que contiver autorização para o aumento do capital pode prever a emissão, sem direito de preferência para os antigos acionistas, ou com redução do prazo de que trata o § 4o do art. 171, de ações e debêntures conversíveis em ações, ou bônus de subscrição, cuja colocação seja feita mediante:

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I - venda em bolsa de valores ou subscrição pública; ou II - permuta por ações, em oferta pública de aquisição de controle, nos termos dos arts. 257 e 263.

Se a empresa X emite R$ 100.000,00 em bônus de subscrição, o lançamento é

o

que se segue:

D

Caixa 100.000,00

C

Reserva de Capital

Produto da alienação

de bônus de subscrição

100.000,00

DOAÇÕES E SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS GOVERNAMENTAIS

As doações e subvenções para investimentos governamentais (tão-somente, excluem-se as privadas) eram contabilizadas como reserva de capital. Contudo, com as alterações da Lei das S/A, são agora consideradas receitas, que transitam pelo resultado, podendo ser registradas (depois da apuração do resultado) em uma reserva de lucros (de incentivos fiscais).

No caso de doações em dinheiro, o lançamento é o que se segue:

D

Caixa 10.000,00 (Ativo)

C

Receitas Doações 10.000,00 (Resultado)

O

CFC 1.143/08 que rege o tema dispõe que:

12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido.

Exemplificando: uma subvenção que transfira a propriedade definitiva de um terreno pode ter como condição a construção de uma planta industrial e é apropriada como receita na mesma proporção da depreciação dessa planta. Poderão existir situações em que essa correlação exija que parcelas da subvenção sejam reconhecidas segundo critérios diferentes.

Vejamos como contabilizar com uma questão cobrada no concurso para Agente

Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo, em 2009: A Cia. Poente recebe da prefeitura do município X um terreno avaliado em R$ 1.000.000,00, assumindo

o compromisso de instalar nessa propriedade um parque fabril modular no valor

de R$ 15.000.000,00, com vida útil estimada em 10 anos.

Primeiro passo, quando saberemos se uma subvenção será registrada? São dois

os requisitos estatuídos pelo CPC 07, a saber:

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7. Subvenção governamental, inclusive subvenção não monetária a valor justo, não deve ser reconhecida até que exista segurança de que:

(a) a entidade cumprirá todas as condições estabelecidas; e (b) a subvenção será recebida.

Na questão, o governo efetuou a doação à empresa, mas com condições. A empresa deve instalar um parque fabril.

Como o terreno ainda não pertence à empresa, pois ela deve instalar um parque fabril, não podemos reconhecer esta subvenção (doação) no resultado. Se a empresa não instalar o parque fabril, ela deverá devolver o terreno.

O

lançamento do REGISTRO INICIAL é o que se segue:

 

D

- Imobilizado - Terreno

R$

1.000.000,00

C

- Passivo - Doações e subvenções

R$

1.000.000,00

16. É fundamental, pelo regime de competência, que a receita de subvenção governamental seja reconhecida em bases sistemáticas e racionais, ao longo do período necessário e confrontada com as despesas correspondentes. Assim, o reconhecimento da receita de subvenção governamental no momento de seu recebimento somente é admitido nos casos em que não há base de alocação da subvenção ao longo dos períodos beneficiados.

A receita de subvenção deve ser apropriada conforme vai ser realizando, e não

numa única etapa. Na maioria dos casos essa correlação pode ser feita, e a subvenção é reconhecida em confronto com as despesas correspondentes.

Semelhantemente, subvenção relacionada a ativo depreciável deve ser reconhecida como receita ao longo do período da vida útil do bem e na mesma proporção de sua depreciação.

Esse item 17 é importantíssimo para a prova: A subvenção não deve ser reconhecida de imediato em seu recebimento. A receita deve ser correlacionada com as despesas correspondentes.

Vamos supor que a empresa tenha instalado o parque fabril (ao custo de

Após a instalação, a

empresa "ganhou" o terreno (cumpriu a condição necessária).

15.000.000, e com vida útil estimada em 10 anos).

Assim, deve ser feita a seguinte contabilização:

D

- Passivo - Doações e subvenções

1.000.000

C

- Receita diferida (PNC)

1.000.000

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Após cumprir as condições, o valor da doação passa para receita diferida (já pertence à empresa). Mas o reconhecimento da receita deve ser realizado por competência.

Após um ano, a empresa terá reconhecido como despesa de depreciação da unidade fabril o valor de $ 1.500.000. E deverá reconhecer também a receita da subvenção (doação do terreno), na mesma proporção.

Portanto:

Pela depreciação da fábrica:

D

- Depreciação (resultado)

1.500.000

C

- Depreciação acumulada (ANC)

1.500.000

Pelo reconhecimento da receita de subvenção (1/10 do total)

D

- Receita diferida (PNC)

100.000

C

- Outras receitas (resultado)

100.000

E

assim por diante, até reconhecer toda a receita em 10 anos.

PRÊMIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES

O Prêmio na emissão de debêntures era classificado como reserva de capital. Com o advento da Lei n° 11.638 e 11.941, ele passou a ser apropriado ao resultado como receita, conforme o regime de competência.

As debêntures são títulos exclusivos das sociedades anônimas. É uma forma alternativa ao lançamento de ações no mercado e aos empréstimos bancários, para captação de recursos. Não podem ser confundidas com as ações, pois não são títulos de propriedade. Não se confundem também com os empréstimos, uma vez que oferecidas ao público, não sendo captados junto a instituições financeiras.

Quando o preço da debênture supera o seu valor nominal, teríamos, à visão da legislação antiga, uma reserva de capital a ser registrada, chamada Reserva de Prêmio na Emissão de Debêntures. Isso ocorre quando as condições como juros, garantias e outras vantagens forem atraentes para os investidores.

Se uma empresa lançasse debêntures a R$ 1,00, num vulto de 10.000 debêntures, com resgate em 10 anos encontrando investidores que pagassem R$ 1,50 pelo referido título, lançaríamos:

D

Caixa

15.000 (Ativo)

C

Debêntures a pagar

10.000,00 (PNC)

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C Reserva de capital prêmio na emissão de debêntures 5.000,00 (PL)

Contudo, essa reserva de capital deixou de existir e a mesma situação é agora registrada da seguinte forma:

D

Caixa 15.000 (Ativo)

C

Debêntures a resgatar 10.000,00 (PNC)

C

Receitas recebidas antecipadamente - 5.000,00 (PNC Receitas diferidas)

Assim, exemplificando, se o resgate dessas debêntures se dará em 10 anos, deveremos apropriar ao resultado (utilizando-se do método linear) R$ 500,00 por ano, através do seguinte lançamento:

D

- Receitas recebidas antecipadamente - 500,00 (PNC Receitas diferidas)

C

Receitas financeiras 500,00 (Resultado)

O

valor apropriado ao resultado pode ser destinado à formação de reserva

específica de prêmios de debêntures, para evitar a tributação pelo Imposto de

Renda (Lei 11.941/09).

Ressaltamos que é uma faculdade da empresa. Ela pode ou não constituir tal reserva. Se não constituir, será tributada pelo IR.

A reserva específica de prêmio de debêntures é reserva de lucro, eis que esse

valor transitou pelo resultado do exercício.

AJUSTE DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL

Antes das alterações da Lei das S.A´s, havia no patrimônio líquido a conta Reserva de Reavaliação. Esta conta foi suprimida, surgindo então o ajuste de avaliação patrimonial. Contudo, não se trata de mera alteração de nome.

A reavaliação que se aplicava aos bens tangíveis do ativo permanente e que

poderia ser ou não realizada, a bel-prazer dos acionistas, deixou de existir.

Ademais, o ajuste de avaliação patrimonial serve tanto para aumentar como para reduzir valores de ativos e de passivos, enquanto que a reavaliação servia apenas para o aumento de bens do permanente. A nova redação prescreve o

seguinte:

Art. 183, § 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177.

AÇÕES EM TESOURARIA

São as ações da empresa adquiridas pela própria empresa e mantidas na tesouraria. O limite do saldo da conta ações em tesouraria é o saldo de lucros acumulados e reservas, exceto a reserva legal (estudada a seguir).

A CONTA AÇÕES EM TESOURARIA É REDUTORA DO PL.

Art. 182. § 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição.

O CESPE explorou este assunto em prova, da seguinte forma:

(Cespe) A contabilização da aquisição de ações da própria empresa reduz o valor do disponível e também do patrimônio líquido. O oposto ocorre quando os sócios resolvem aumentar o capital da empresa em dinheiro.

O

item está correto. O lançamento, pela aquisição, é o seguinte:

D

Ações em tesouraria (Redutora do PL)

C

Caixa (- Ativo)

Pela alienação, lançamos o seguinte:

D

Caixa (Ativo)

C

Ações em tesouraria (PL)

Se a alienação se der com lucro, este lucro deve ser registrado à conta de RESERVA DE CAPITAL, pelo seguinte lançamento:

D

Caixa 2.000

C

Ações em tesouraria 1.000

C

Reserva de capital lucro na alienação de ações em tesouraria

Esse é o mais importante para concursos.

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RESERVAS DE LUCROS

As reservas de lucros são retenções de parcelas provenientes de ganhos do período, com o objetivo de preservar o Patrimônio Líquido de uma sociedade, com o objetivo de posterior destinação. São, em suma, lucros que a empresa não entrega aos acionistas, mas guarda para si, seja para investir em projetos, seja para resguardar o capital social.

Segundo a Lei das S.A´s:

Artigo 182, §4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia.

Ao final do exercício social as contas de resultado (receitas e despesas) são zeradas. O saldo, lucro ou prejuízo, é transferido para o PL. No PL, podemos ter três destinações:

1) Dividendos (para os sócios); 2) Reservas de lucros; 3) Aumento do capital social.

Assim, se a empresa tem receitas de 2.000, despesas de 1.000, terá um lucro de 1.000 (2.000 1.000). Esse lucro pode ser distribuído para os sócios, para aumento do CS ou pode ir para reserva de lucros (se atendidos os requisitos legais).

Com a alteração da lei das S.A´s a conta antigamente denominada lucros ou prejuízos acumulados passa a ser denominada prejuízos acumulados, ou seja, haverá de existir uma destinação para este lucro, não podendo ficar em conta específica do PL.

As reservas de lucros hoje existentes são as seguintes:

- Reserva Legal;

- Reservas Estatutárias;

- Reservas para Contingências;

- Reserva de Incentivos Fiscais;

- Reserva de Retenção de Lucros;

- Reserva de Lucros a Realizar;

- Reserva Especial de Dividendo Obrigatório Não Distribuído;

- Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures.

Existe um limite máximo para essas reservas, a saber:

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Art. 199. O saldo das reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o capital social. Atingindo esse limite, a assembléia deliberará sobre aplicação do excesso na integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos. (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007)

A Lei 11.941/2009, art. 19, incluiu, entre as reservas acima, a reserva específica de prêmio de debêntures.

Assim, gravemos:

RESERVAS DE LUCROS (EXCETO RIF, CONTINGÊNCIAS, LUCROS A REALIZAR E PRÊMIO DE DEBÊNTURES) < CAPITAL SOCIAL

Isso equivale a dizer:

RESERVA LEGAL + ESTATUTÁRIA + RETENÇÃO DE LUCROS + RESERVA PARA INVESTIMENTOS + NÃO PAGAMENTO DE DIVIDENDO OBRIGATÓRIO < CAPITAL SOCIAL.

Na verdade, podemos dizer que é menor ou igual, pois se for igual não há ultrapassagem.

Falemos agora sobre cada uma dessas reservas:

RESERVA LEGAL

Segundo a lei das S/A´s:

Art. 193. Do lucro líquido do exercício, 5% (cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20% (vinte por cento) do capital social.

§ 1º A companhia poderá deixar de constituir a reserva

legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital de que trata o § 1º do artigo 182, exceder de 30% (trinta por cento) do capital social.

§ 2º A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital.

Esquematizemos:

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Reserva legal 5% do LLE Limitado a 20% do capital social.

Trata-se a reserva legal da única reserva de constituição obrigatória para a empresa.

Vejam a sua finalidade: manter a integridade do capital social.

Saber também da sua utilização é também extremamente importante para concursos: somente poderá ser utilizada para COMPENSAR PREJUÍZOS OU AUMENTAR O CAPITAL SOCIAL.

Existe também um limite facultativo para a constituição da reserva legal, qual seja, quando ela, somada às reservas de capital, atingir o montante de 30% do capital social. Grave-se!

RESERVAS ESTATUTÁRIAS

As reservas estatutárias são reservas constituídas com base no lucro líquido da companhia. E devem estar previstas no estatuto. Segundo a LSA:

Art. 194. O estatuto poderá criar reservas desde que, para cada uma:

sua

finalidade;

II - fixe os critérios para determinar a parcela anual dos

I -

indique,

de

modo

preciso

e

completo,

a

lucros líquidos que serão destinados à sua constituição;

III - estabeleça o limite máximo da reserva.

RESERVA DE CONTINGÊNCIAS

A assembléia-geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado (LSA, art. 195).

A proposta dos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda prevista e justificar, com as razões de prudência que a recomendem, a constituição da reserva (LSA, art. 195, §1º).

A reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram a sua constituição ou em que ocorrer a perda (LSA, art. 195, §2º).

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 O termo contingência, em contabilidade, quando usada sem nenhuma qualificação (como ativa ou passiva), é usado para se referir a problema previsto, sobre o qual existe dúvida acerca de sua ocorrência.

As reservas de contingências, especificamente, objetivam salvaguardar o capital social, de modo que se posteriormente algo acontecer, decorrente de perda julgada provável cujo valor possa ser estimado, a companhia esteja preparada.

Exemplo extraído do Manual de Contabilidade Societária FIPECAFI (pág. 350):

Podem ser constituídas reservas de contingências para:

- Geadas ou secas, que podem atingir empresas com plantações, criações ou estoques nessas áreas, ou ainda as que dependem desses produtos para suas operações, como no caso de empresas comerciais ou industriais que utilizem tais produtos como matérias-primas em seu processo produtivo.

- Cheias, inundações e outros fenômenos naturais que podem ocorrer ciclicamente nas áreas onde se localizam estoques ou instalações da empresa, gerando prejuízos efetivos por perdas de bens, por paralisação temporária das operações.

Suponhamos que tal perda provável possa ser estimada em um montante de R$ 100.000,00. A empresa, então, lançará:

D

Lucros acumulados

100.000,00

C

Reserva para contingências

100.000,00

Se essa perda vier realmente ocorrer, havendo um prejuízo no exercício subseqüente no montante de R$ 100.000,00, o patrimônio líquido ficará da seguinte forma:

Patrimônio Líquido Capital Social 1.000.000,00 Reserva para contingências 100.000,00 Prejuízos acumulados (100.000,00) Total 1.000.000,00

Veja que a reserva para contingências realmente salvou o nosso capital social. Se não tivéssemos constituído a reserva a empresa ficaria com um PL de 900.000,00 (1 milhão 100.000). Entretanto, como houve a prudente constituição, o capital social permanecerá intacto.

O

lançamento de compensação da reserva com o Prejuízo é:

D

Reversão da Reserva para contingências 100.000,00

C

Lucros/Prejuízos acumulados 100.000,00

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Importante distinção é a que devemos fazer entre a reserva para contingências da provisão para contingências. Vamos explicar por uma questão

(Contador/Cia Potiguar de Gás/2006/FGV) Analise as afirmativas a seguir e assinale com C ou E:

I. A provisão para contingências corresponde a perdas já incorridas, mas ainda não desembolsadas. II. A reserva para contingências corresponde a perdas já incorridas, mas ainda não desembolsadas. III. Provisão para contingências e reservas para contingências são sinônimos.

Comentários

Uma excelente explicação sobre a diferença está nesta nota explicativa da CVM:

Diferença entre Reservas para contingências e Provisões para contingências (nota explicativa CVM)

1. Reservas para Contingências - São constituídas com o objetivo de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda com probabilidade de ocorrer, sendo tal perda passível de ser monetariamente mensurada (art. 195 da LEI Nº 6.404/76).

A ocorrência de tal perda poderá importar, para a sociedade, uma substancial

redução de seu lucro ou mesmo o ingresso em uma faixa de prejuízo. Prudentemente, a constituição dessa reserva, prejudicando a distribuição do dividendo obrigatório, busca evitar uma situação de desequilíbrio financeiro, que ocorreria caso se distribuíssem os dividendos em um exercício, face à probabilidade de redução de lucros ou mesmo da ocorrência de prejuízos em exercício futuro, em virtude de fatos extraordinários previsíveis.

Por configurar uma postergação no pagamento de dividendos, a constituição dessa reserva deve obedecer o § 1º do artigo 195 da LEI Nº 6.404/76, isto é, a proposta feita pelos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda e justificar, com as razões de cautela devidamente fundamentadas, a constituição dessa reserva.

A utilização dessa reserva é até recomendável no caso de determinados ramos

de negócios, diretamente sujeitos a fenômenos naturais ou cíclicos, tais como:

geadas, secas, inundações. É o caso, também, de empresas que, por outra razões definidas, operam com períodos fortemente lucrativos, seguidos de períodos com baixa lucratividade ou mesmo prejuízos, desde que seja previsível tal situação.

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Também pode ser constituída nos casos de suspensão temporária (anormal, extraordinária) de produção e, conseqüentemente, perdas devido à paralisação não recorrente, não repetitiva, em virtude de substituições ou reformas de equipamentos causadas por danos, greves, falta de suprimentos de matérias- primas, por períodos relativamente extensos.

Há, todavia, casos em que o aplicável é a constituição de provisão para contingências e não de reserva para contingências.

Com o objetivo de dissipar eventuais dúvidas quanto à aplicabilidade da constituição de reservas ou de provisão para contingências, estabelecemos a seguir as características de cada uma. Os principais fundamentos para constituição da reserva para contingência são:

a) Dar cobertura a perdas ou prejuízos potenciais (extraordinários, não

repetitivos) ainda não incorridos, mediante segregação de parcela de lucros que seria distribuída como dividendo;

b) Ocorrendo ou não o evento esperado, a parcela constituída será, em

exercício futuro, revertida para lucros acumulados, integrando a base de cálculo para efeito de pagamento do dividendo e a perda, de fato ocorrendo, é

registrada no resultado do exercício;

c) É uma conta integrante do patrimônio líquido, no grupamento de reserva de

lucros.

d) Representa uma destinação do lucro líquido do exercício, contrapartida da

conta de lucros acumulados, por isso sua constituição não afeta o resultado do exercício;

2. Quanto à provisão para contingências suas particularidades são:

a) tem por finalidade dar cobertura a perdas ou despesas, cujo fato gerador

já ocorreu, mas não tendo havido, ainda, o correspondente desembolso ou perda. Em atenção ao regime de competência, entretanto, há necessidade de se efetuar o registro contábil;

b) representa uma apropriação ao resultado do exercício, contrapartida de

perdas extraordinárias, despesas ou custos e sua constituição normalmente

influencia o resultado do exercício ou os custos de produção;

c) deve ser constituída independentemente de a companhia apresentar, afinal,

lucro ou prejuízo no exercício;

d) visto que o evento que serviu de base à sua constituição já ocorreu, não há,

em princípio, reversão dos valores registrados nessa provisão. A pequena sobra ou insuficiência é decorrente do cálculo estimativo feito à época da constituição;

e) não está sujeita à atualização monetária patrimonial (art. 185, LEI Nº

6.404/76) e sim à decorrente da natureza do evento que a originou;

f) finalmente, se a probabilidade for difícil de calcular ou se o valor não for

mensurável, há necessidade de uma nota explicativa esclarecendo o fato e

mencionando tais impossibilidades.

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São exemplos: devedores duvidosos, indenizações contratuais, contingências fiscais ou trabalhistas, etc.

Vamos, finalmente, analisar a questão

I. A provisão para contingências corresponde a perdas já incorridas, mas ainda não desembolsadas. II. A reserva para contingências corresponde a perdas já incorridas, mas ainda não desembolsadas. III. Provisão para contingências e reservas para contingências são sinônimos.

O item I está correto. Na provisão para contingências a perda já ocorreu,

contudo, ainda não houve o pagamento.

O item II está incorreto. As perdas não ocorreram ainda na reserva para

contingências.

O item III está incorreto, haja vista que reserva e provisão para contingências

não são sinônimos.

RESERVA DE INCENTIVOS FISCAIS

Falemos um pouco sobre esta nova reserva

Dissemos anteriormente que as doações e subvenções governamentais, antes do advento das mudanças contábeis, eram registradas à conta de reserva de capital. Pois bem, agora essas doações são registradas como receita (lembrem-

se de que as receitas são contas de resultado).

Inobstante o valor do lucro líquido recebido com doações e subvenções governamentais tenha deixado de figurar como reserva de capital, a companhia poderá deliberar por formar com esse montante uma reserva de lucro, chamada reserva de incentivos fiscais.

Art. 195-A. A assembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei).

Assim, se o poder público faz uma doação de um terreno, no montante de R$ 100.000,00, para a empresa Alfa, o lançamento para registro é o seguinte:

D Terrenos 100.000,00

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C - Outras Receitas Doações do poder público 100.000,00

O resultado (confronto das receitas com as despesas) deve ser encerrado ao fim do exercício. Como esse controle (das receitas e despesas) é feito em uma demonstração separada do Balanço Patrimonial, demonstração esta chamada Demonstração do Resultado do Exercício, devemos transferir o valor do lucro ou prejuízo para o Balanço Patrimonial, no grupo Patrimônio Líquido.

Supondo que tivemos um lucro de R$ 2.000.000,00. A transferência para o Balanço Patrimonial se dá do seguinte modo

D

Lucro Líquido do Exercício 2.000.000,00

C

- Lucros/Prejuízos Acumulados 2.000.000,00

Ok? A transferência desta parcela para a reserva de incentivos fiscais se dará do seguinte modo:

D

Lucros/Prejuízos Acumulados 100.000,00

C

Reserva de Incentivos Fiscais 100.000,00.

Vejam que o saldo do lucro no balanço será de 1,9 milhões, valor este que terá outras destinações.

A FCC abordou este tema na prova para ACE, do TCE GO, 2009.

(FCC/ACE/TCE/GO/2009) Suponha que a Cia. ABC tenha recebido em 31.12.08 uma subvenção, na forma de um terreno, para expandir as suas operações. No

entanto, esta subvenção está atrelada à obrigação da Cia. de permanecer no município por mais três anos. No final do terceiro ano, a Cia. reconhece a receita referente a esta subvenção e caso não distribua a parcela do lucro líquido decorrente dessa subvenção, na forma de dividendos, constituirá

Reserva

(A)

Legal.

(B)

de Capital.

(C)

de Lucros a Realizar.

(D)

de Incentivos Fiscais.

(E)

para Contingências

COMENTÁRIOS:

Antes das alterações na contabilidade, esta operação seria contabilizada assim:

D

Terreno Ativo imobilizado

C

Reserva de incentivos fiscais Reserva de Capital

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Com as alterações, as subvenções devem transitar pelo resultado do exercício, quando efetivamente ganhas.

Portanto, atualmente, a contabilização completa da subvenção fica assim:

Em 31.12.08: a empresa “ganhou” o terreno, mas deve cumprir uma condição para ter a posse definitiva: deve ficar três anos no município. Portanto, devemos reconhecer o Imobilizado e em contrapartida um passivo. Pois se não cumprir a condição, a empresa deverá devolver o terreno. Portanto:

D

Terreno - Ativo Imobilizado

C

- Doações em curso de aquisição Passivo.

Após três anos, a empresa ganhou em definitivo o terreno, e deve reconhecer a

receita:

D

Doações em curso de aquisição Passivo

C

Receita com incentivos fiscais doações (resultado)

Com isso, o valor do resultado aumenta. Portanto, o IR e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido também aumentariam. Para não penalizar a empresa, com impostos maiores, a empresa pode constituir uma reserva de lucro (pois vem do resultado) denominada “Reserva de incentivos fiscais”. Com isso, o valor do incentivo não é distribuído como dividendos e nem tributado.

No

encerramento

Acumulados:

do

exercício,

o

resultado

é

transferido

D

Resultado do exercício (resultado)

C

Lucros acumulados (PL)

para

Lucros

Após, pode ser constituída a Reserva de Incentivos Fiscais:

D

Lucros Acumulados (PL)

C

Reserva de Incentivos Fiscais (PL)

Ressaltamos que a CONSTITUIÇÃO DA RESERVA DE INCENTIVOS FISCAIS NÃO É OBRIGATÓRIA, constitui uma opção da empresa. Se não for constituída, a empresa irá pagar Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o valor da subvenção apropriado como receita no exercício.

Gabarito D.

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RESERVA DE LUCROS A REALIZAR

No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos termos do estatuto ou do art. 202 da Lei das S/A, ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido do exercício, a assembléia-geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar.

Desta forma, à opção da companhia, poderá ser constituída a reserva de lucros

a realizar, mediante destinação dos lucros do exercício, cujo objetivo é

evidenciar a parcela de lucros ainda não realizada financeiramente, apesar de

reconhecida contabilmente, pela empresa.

Imagine-se, então, uma empresa que, em 2010, só tenha efetuado vendas para recebimento em 2012. Seria justo, assim, que procedesse esta empresa ao pagamento de dividendos (remuneração dos sócios) em 2011? Talvez, não seria viável financeiramente, pois nada entrará no caixa desta sociedade.

É este o intuito da reserva de lucros a realizar: evitar que a companhia pague dividendos sobre receitas/lucros que ainda foram realizados, que não entraram

no caixa.

Um aspecto deveras importante é anotar que a constituição desta reserva é

FACULTATIVA.

Assim, vamos exemplificar.

Uma empresa X tem a seguinte situação no exercício de 2010:

- Lucro derivado das vendas de curto prazo (recebimento em 2011): R$

100.000,00

- Lucro derivado das vendas de longo prazo (recebimento em 2012 ou posteriormente): R$ 200.000,00. - Dividendos obrigatórios a pagar: R$ 150.000,00.

Neste caso, podemos considerar que os dividendos que teremos de pagar aos sócios ao termo de 2011 são maiores do que o entrou no meu caixa durante o exercício. Teríamos R$ 50.000,00 (150.000 100.000,00) desacobertados de recursos para pagamento deste dividendo.

Nesta hipótese, uma alternativa viável é constituir a reserva de lucros chamada de reserva de lucros a realizar nesse valor (R$ 50.000,00) para pagamento em 2012 ou quando houve o recebimento de lucros posteriores. Temos uma questão da FCC que exemplifica muito bem este assunto, de modo prático. Vamos ver?

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(FCC/Analista Judiciário/Contabilidade/TRT 2ª/2008) Considere as informações abaixo, extraídas da contabilidade da Cia. Carandiru, relativas ao exercício findo em 31/12/2007.

Lucro líquido do exercício

520.000,00

Resultado positivo na equivalência patrimonial

270.000,00

Acréscimo à reserva legal

26.000,00

Reversão de reservas para contingências

14.000,00

Lucro com realização financeira a ocorrer em 2009

20.000,00

O estatuto da companhia é omisso com relação ao pagamento de dividendos. De acordo com o disposto nos artigos 197 e 202 da Lei das Sociedades por Ações, ela poderá constituir, nesse exercício, reserva de lucros a realizar no valor, em R$, de

(A)

40.000,00.

(B)

36.000,00.

(C)

30.000,00.

(D)

24.000,00.

(E)

18.000,00.

Comentários

No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos termos do estatuto ou do art. 202 da Lei das S/A, ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido do exercício, a assembléia-geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar.

Desta forma, à opção da companhia, poderá ser constituída a reserva de lucros a realizar, mediante destinação dos lucros do exercício, cujo objetivo é evidenciar a parcela de lucros ainda não realizada financeiramente, apesar de reconhecida contabilmente, pela empresa.

Evita-se distribuir dividendo obrigatório sobre essa parcela de lucros que, apesar de existente, não está realizada financeiramente no caixa da empresa.

Assim, na questão, devemos primeiramente calcular os dividendos. Os dividendos podem ser fixados livremente pelo estatuto. Caso o estatuto seja omisso, devemos aplicar um percentual de 50% sobre o lucro líquido ajustado. No nosso caso, o estatuto é omisso?! SIM! Como o estatuto é omisso, deve-se aplicar o percentual de 50% de lucro ajustado. E como fazer este ajuste?

BASE DE CÁLCULO DIVIDENDOS = LUCRO LÍQ. DO EXER. R. LEGAL R. CONTINGÊNCIAS + REVERSÃO R. CONTINGÊNCIAS R. INCENTIVOS FISCAIS [FACULTATIVO] RESERVA ESPECÍFICA DE PRÊMIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES [FACULTATIVO]

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Na questão,

BC dividendos = 520.000 26.000 + 14.000 = 508.000

Assim, os dividendos devidos são 50% de 508.000 = 254.000

A Lei das SAs diz que se consideram lucros não realizados OS RESULTADOS

POSITIVOS NA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL (INVESTIMENTOS EM COLIGADAS/CONTROLADAS/EMPRESAS DO MESMO GRUPO) E RECEITAS AUFERIDAS PARA RECEBIMENTO A LONGO PRAZO (LSA, art.

197).

Desta forma, o lucro realizado é calculado da seguinte forma:

Lucro Líq. do Exerc. - Resultado positivo na equivalência patrimonial - Lucro com realização financeira de Longo Prazo Lucro realizado = 520.000 270.000 20.000 = 230.000

Portanto, de acordo com a LSA a companhia poderá constituir Reserva de Lucros a realizar no valor de R$ 24.000 (R$ 254.000 R$ 230.000)

Gabarito: Letra D.

Por fim, à medida que esses lucros estiverem sendo realizados, entrando em caixa, deveremos acrescer o lucro agora realizado ao dividendo a pagar. A reversão deve-se dar no primeiro dividendo declarado após a realização.

As reservas de lucros a realizar só podem ser utilizadas para dois fins:

pagamento de dividendos ou absorção de prejuízos! Gravem.

O

lançamento para constituição da reserva é o seguinte:

D

Lucros acumulados XXXX

C

Reserva de Lucros a realizar XXXX

A doutrina majoritária (incluindo-se o FIPECAFI) entende que quando da realização de lucros o lançamento é o seguinte:

D

Reserva de Lucros a realizar XXXX

C

Lucros acumulados XXXX

Sendo o dividendo destinado posteriormente pelo seguinte lançamento:

C Dividendos a pagar (Passivo) XXXX

D Lucros acumulados XXXX

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RESERVA

DISTRIBUÍDOS

ESPECIAL

PARA

DIVIDENDOS

OBRIGATÓRIOS

NÃO

Segundo a Lei das Sociedades por Ações:

Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ( )

Portanto, a regra é a distribuição de dividendos ao final de cada exercício social. Contudo, como todo negócio está sujeito a risco, pode acontecer de a empresa possuir lucro, mas não possuir situação financeira ou patrimonial que permita o pagamento de dividendos, como, por exemplo, quando a empresa tem um volume extraordinário de empréstimos a serem quitados, ou quando está em recuperação judicial ou extrajudicial. Tal situação está prevista na Lei da SAs da seguinte forma:

§ 4º O dividendo previsto neste artigo não será obrigatório no exercício social

em que os órgãos da administração informarem à assembléia-geral ordinária ser ele incompatível com a situação financeira da companhia. O conselho fiscal, se em funcionamento, deverá dar parecer sobre essa informação e, na

companhia aberta, seus administradores encaminharão à Comissão de Valores Mobiliários, dentro de 5 (cinco) dias da realização da assembléia-geral, exposição justificativa da informação transmitida à assembléia.

§ 5º Os lucros que deixarem de ser distribuídos nos termos do § 4º serão

registrados como reserva especial e, se não absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes, deverão ser pagos como dividendo assim que o

permitir a situação financeira da companhia.

É só isso! Esse montante não distribuído fica incorporado ao patrimônio líquido em reserva especial, sendo pago quando a situação permitir. No nosso exemplo, com a quitação do empréstimo ou com a extinção da recuperação judicial ou extrajudicial.

Acabamos de falar, portanto, sobre as reservas de lucros.

DIVIDENDOS

Segundo a Lei das Sociedades por Ações:

Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ( )

Portanto, a regra é a distribuição de dividendos ao final de cada exercício social, pelo lançamento seguinte:

D Lucros acumulados (PL)

C – Dividendos a pagar (passivo) Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios

C Dividendos a pagar (passivo)

Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2

Lembre-se, contudo, que, como todo negócio está sujeito a risco, pode acontecer de a empresa possuir lucro, mas não possuir situação financeira ou patrimonial que permita o pagamento de dividendos, como, por exemplo, quando a empresa tem um volume extraordinário de empréstimos a serem quitados, ou quando está em recuperação judicial ou extrajudicial. Tal situação está prevista na Lei da SAs da seguinte forma:

§ 4º O dividendo previsto neste artigo não será obrigatório no exercício social

em que os órgãos da administração informarem à assembléia-geral ordinária ser ele incompatível com a situação financeira da companhia. O conselho fiscal,

se em funcionamento, deverá dar parecer sobre essa informação e, na companhia aberta, seus administradores encaminharão à Comissão de Valores Mobiliários, dentro de 5 (cinco) dias da realização da assembléia-geral, exposição justificativa da informação transmitida à assembléia.

§ 5º Os lucros que deixarem de ser distribuídos nos termos do § 4º serão registrados como reserva especial e, se não absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes, deverão ser pagos como dividendo assim que o permitir a situação financeira da companhia.

Esse montante não distribuído fica incorporado ao patrimônio líquido em reserva especial, sendo pago quando a situação permitir. No nosso exemplo, com a quitação do empréstimo ou com a extinção da recuperação judicial ou extrajudicial.

Reprise-se, outrossim, a base de cálculo para pagamento dos dividendos caso o estatuto seja omissão quanto ao percentual de sua distribuição.

BASE DE CÁLCULO PARA ESTATUTO OMISSO:

Lucro líquido do exercício

- Reserva legal

- Reserva para contingências

+ Reversão da reserva de contingências

-

Reserva de incentivos fiscais (facultativamente)

Reserva esp. de prêmio na emissão de debêntures (facultativamente) LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO X 50% = DIVIDENDO DEVIDO

-

Falaremos sobre os dividendos adicionais

DIVIDENDOS ADICIONAIS

Os dividendos mínimos obrigatórios devem figurar no passivo, na data do balanço.

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Quanto aos dividendos adicionais, serão contabilizados ou não, dependendo da data em que forem declarados. Ou seja, se a empresa fechar as demonstrações contábeis em 31.12.X1, e declarar dividendos adicionais em janeiro ou fevereiro de X2, tais dividendos não serão contabilizados no balanço de 31.12.X1. Serão apenas divulgados em Nota Explicativa.

Por outro lado, os dividendos adicionais que forem declarados pela assembleia geral ou outro órgão competente antes da data base das demonstrações contábeis, atendem aos requisitos de obrigação presente e, portanto, devem figurar nas Demonstrações Contábeis da entidade.

A parcela do dividendo mínimo obrigatório, que se caracterize efetivamente como uma obrigação legal, deve figurar no passivo da entidade. Mas a parcela da proposta dos órgãos da administração à assembléia de sócios que exceder a esse mínimo obrigatório deve ser mantida no patrimônio líquido, em conta específica, do tipo “dividendo adicional proposto”, até a deliberação definitiva que vier a ser tomada pelos sócios. Afinal, esse dividendo adicional ao mínimo obrigatório não se caracteriza como obrigação presente na data do balanço, já que a assembléia dos sócios ou outro órgão competente poderá, não havendo qualquer restrição estatutária ou contratual, deliberar ou não pelo seu pagamento ou por pagamento por valor diferente do proposto.

Portanto, a contabilização dos dividendos fica assim:

TRATAMENTO DOS DIVIDENDOS 1) Dividendos obrigatórios: ficam contabilizados no Passivo, na data do fechamento das demonstrações contábeis. 2) Dividendos adicionais:

2.1) Declarados após o período contábil: Não são contabilizados, sendo apenas divulgados em Nota Explicativa. 2.2) Declarados antes do período contábil: ficam no Patrimônio Líquido, até a aprovação pela Assembléia, quando são transferidos para o Passivo.

A FCC, pioneira, abordou o assunto através da seguinte questão:

(Analista Judiciário/TRT 4ª/2011/FCC) Em conformidade com a ICPC-08, os dividendos

(A) declarados, após o período contábil e antes da aprovação pela assembléia dessas demonstrações, devem ser reconhecidos no passivo como dividendos a pagar. (B) que forem declarados pela assembléia geral, ou declarados e pagos, de acordo com as formalidades previstas no estatuto social, quando não pagos devem figurar no passivo da entidade como uma obrigação.

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(C) mínimos obrigatórios devem ser registrados como uma obrigação, na data

do encerramento do exercício social a que se referem as demonstrações contábeis. (D) adicionais ao mínimo obrigatório devem ser todos contabilizados no passivo. (E) decorrentes de distribuição de resultado, após a data do balanço e antes da data da autorização de emissão dessas demonstrações, não gerará registro no passivo da entidade na data do balanço.

Comentários

(A) declarados, após o período contábil e antes da aprovação pela assembléia

dessas demonstrações, devem ser reconhecidos no passivo como dividendos a pagar. Alternativa INCORRETA, os dividendos declarados após o período contábil não são contabilizados.

(B) que forem declarados pela assembléia geral, ou declarados e pagos, de

acordo com as formalidades previstas no estatuto social, quando não pagos devem figurar no passivo da entidade como uma obrigação.

Alternativa INCORRETA. Veja esse trecho da Instrução Técnica ICPC 08:

Pelos itens precedentes, os dividendos que forem declarados pela assembleia geral ou outro órgão competente, ou declarados e pagos, de acordo com as formalidades previstas no estatuto social ou equivalente, antes da data base das demonstrações contábeis, atendem aos requisitos de obrigação presente e, portanto, se não pagos devem figurar no passivo da entidade como uma obrigação

Na alternativa B, faltou a frase “antes da data base”, o que a torna incorreta.

(C) mínimos obrigatórios devem ser registrados como uma obrigação, na data

do encerramento do exercício social a que se referem as demonstrações contábeis.

Alternativa CORRETA, os dividendos mínimos obrigatórios devem ser registrados no passivo.

(D) adicionais ao mínimo obrigatório devem ser todos contabilizados no passivo.

no

Alternativa

INCORRETA,

os

dividendos

adicionais

ficam

contabilizados

Patrimônio Líquido até sua aprovação pela Assembléia.

(E) decorrentes de distribuição de resultado, após a data do balanço e antes da data da autorização de emissão dessas demonstrações, não gerará registro no passivo da entidade na data do balanço.

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Alternativa INCORRETA, os dividendos adicionais declarados após a data do balanço não são contabilizados, mas os dividendos obrigatório são contabilizados no passivo.

ADIANTAMENTO PARA AUMENTO DE CAPITAL

Falaremos do adiantamento para aumento do capital social, que é o recurso recebido pela empresa de seus sócios/acionistas para ser utilizado no aumento do capital social.

Suponha que determinada empresa tenha recebido R$ 100.000,00 de determinado sócio como adiantamento para um futuro ingresso na sociedade.

Nesta hipótese, como fazer a classificação?! O lançamento é o seguinte:

D

- Bancos 100.000 (Ativo)

C

- Adiantamento para aumento de capital 100.000 (Passivo)

Mas por que passivo? Não é um sócio que está integralizando capital próprio?

Vejam, meus caros, que, na verdade, não está havendo integralização, mas somente um adiantamento para uma FUTURA entrada do sócio, o que, de fato, ainda não se concretizou.

Repito, classifica-se no passivo por se tratar de uma OBRIGAÇÃO da empresa perante terceiros, haja vista que ainda não é integrante do quadro societário.

Quando houver a formalização da entrada do sócio, lançaremos:

D

- Adiantamento para aumento de capital 100.000 (reduzindo o passivo)

C

- Capital social 100.000 (patrimônio líquido)

É

este o lançamento EM REGRA.

Digo em regra, porque esses adiantamentos também poderão ser classificados no patrimônio líquido, numa única hipótese: quando os recursos forem recebidos com cláusula de absoluta condição de permanência na sociedade, não havendo, assim, por que considerá-los como exigíveis. Nesta hipótese, o valor adiantado deve ser considerado como destacado do capital social total da empresa.

Portanto, ficamos assim:

ADIANTAMENTO PARA AUMENTO DE CAPITAL REGRA ----> PASSIVO EXIGÍVEL EXCEÇÃO ----> QUANDO NÃO HOUVER HIPÓTESE DE RESTITUIÇÃO = PL

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LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS

A conta lucros ou prejuízos acumulados é uma conta do PL.

A conta lucros acumulados não pode mais constar no Balanço Patrimonial, quando do fechamento da demonstração. Não é mais possível, com as mudanças recentes advindas na contabilidade, que a empresa retenha lucros injustificadamente. Alguns autores afirmam, erroneamente, que esta conta deixou de existir. Tal afirmação está inconsistente, posto que a conta lucros acumulados pode ser utilizada temporariamente (antes do fechamento do balanço), sendo que a partir dela distribuímos os lucros do exercício as mais diversas finalidades. Sendo uma conta de PL, o seu saldo é credor.

Ressalve-se, contudo, que a conta prejuízos acumulados diminui o PL, tendo, assim, saldo devedor.

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PLANO DE CONTA COMPLETO ATUALIZADO DE ACORDO COM O MANUAL DE CONTABILIDADE SOCIETÁRIA APLICÁVEL A TODAS AS SOCIEDADES FIPECAFI

CONTAS PATRIMONIAIS

ATIVO

ATIVO CIRCULANTE

1. DISPONÍVEL

Caixa Depósitos bancários à vista Numerários em trânsito Equivalentes de caixa - aplicações de liquidez imediata

2. CLIENTES

Duplicatas a receber (-) Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa (-) Ajuste a valor presente Faturamento para entrega futura Saques de exportação

3. OUTROS CRÉDITOS

Títulos a receber Cheques em cobrança Dividendos a receber Bancos - conta vinculada Juros a receber Adiantamentos a terceiros Créditos de funcionários Antecipação de salários, empréstimos a funcionários Tributos a compensar e recuperar (-) Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa (-) Ajuste a valor presente

4. INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS

Aplicação temporária em ouro Títulos e valores mobiliários (-) Perda estimada para redução ao valor recuperável (-) Perda estimada

5. ESTOQUES

Produtos acabados Mercadorias para revenda Produtos em elaboração Materiais de acondicionamento e embalagem Materiais auxiliares Materiais semiacabados

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Contabilidade Geral para o ICMS SP Teoria e exercícios comentados Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa Aula 02/Parte 2 Manutenção e suprimentos gerais Mercadorias em trânsito Mercadorias entregues em consignação Importações em andamento Almoxarifado Adiantamento a fornecedores (-) Perda estimada para redução ao valor recuperável (-) Ajuste a valor presente

6.

DESPESAS DO EXERCÍCIO SEGUINTE PAGAS

ANTECIPADAMENTE

Prêmios de seguros a apropriar Encargos financeiros a apropriar Assinaturas e anuidades a apropriar Comissões e prêmios pagos antecipadamente Aluguéis pagos antecipadamente

 

ATIVO NÃO CIRCULANTE

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO

1.

CRÉDITOS E VALORES

Bancos - conta vinculada Clientes Títulos a receber Créditos de acionistas - transações não recorrentes Créditos de diretores - transações não recorrentes Crédito de coligadas e controladas - transações não recorrentes Adiantamentos a terceiros (-) Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa Impostos e contribuições a recuperar Empréstimos compulsórios Aplicações financeiras de longo prazo (-) Ajuste a valor presente

2.

INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS A LONGO PRAZO

Aplicações em instrumentos patrimoniais de outras sociedades (-) Perdas estimadas para redução ao valor recuperável

3.

DESPESAS ANTECIPADAS

Prêmios de seguros a apropriar Outros custos e despesas pagos antecipadamente

4.

TRIBUTOS DIFERIDOS

IR e CS diferidos

INVESTIMENTOS

1.

PARTICIPAÇÕES PERMANENTES EM OUTRAS

SOCIEDADES

Avaliadas por equivalência patrimonial Avaliadas pelo valor justo Avaliadas pelo custo

2. PROPRIEDADES PARA INVESTIMENTO

3. OUTROS INVESTIMENTOS PERMANENTES

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IMOBILIZADO

1.

BENS EM OPERAÇÃO

Terrenos Obras preliminares e complementares Instalações Máquinas, aparelhos e equipamentos Equipamentos de processamento eletrônico de dados Sistemas aplicativos (software) Móveis e utensílios Veículos Ferramentas Peças e conjuntos de reposição Florestamento e reflorestamento Benfeitorias em propriedades de terceiros

2.

(-) DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO, EXAUSTÃO, PERDA

POR REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL

3. IMOBILIZADO ARRENDADO

4. (-) DEPRECIAÇÃO ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS

5. IMOBILIZADO EM ANDAMENTO

Construções em andamento Importações em andamento Adiantamentos a fornecedores do imobilizado Almoxarifado de materiais para construção de imobilizado

INTANGÍVEL

Marcas Patentes Concessões Goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura - só no balanço consolidado) Direitos autorais Direitos sobre recursos minerais Pesquisa e desenvolvimento (-) Amortização acumulada e perdas estimadas por redução ao valor recuperável

PASSIVO

CIRCULANTE

1. SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS

Ordenados e salários a pagar 13o a pagar Férias a pagar INSS a pagar FGTS a recolher Honorários a pagar Comissões a pagar Participações no resultado a pagar

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Retenções a recolher

2.

FORNECEDORES

Fornecedores nacionais (-) Ajuste a valor presente Fornecedores estrangeiros

3. OBRIGAÇÕES FISCAIS

4. EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS

Parcela a curto prazo dos empréstimos e financiamentos Credores por financiamentos Financiamentos bancários a curto prazo Duplicatas descontadas Adiantamentos de contratos de câmbio Títulos a pagar (-) Encargos financeiros a transcorrer (-) Custo de transação a apropriar Juros a pagar de empréstimos e financiamento

5.

DEBÊNTURES E OUTROS TÍTULOS DE DÍVIDA

Conversíveis em ações Não conversíveis em ações

6.

OUTRAS OBRIGAÇÕES

Adiantamento de clientes Faturamento para entrega futura Contas a pagar Arrendamento operacional a pagar Ordenadas e salários a pagar Juros sobre o capital próprio a pagar (-) Ajuste a valor presente

7.

PROVISÕES

Provisões fiscias, previdenciárias, trabalhistas e cíveis Provisão para benefícios a empregados Provisão para garantias Provisão para reestruturação

 

NÃO CIRCULANTE

1. EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS

2. DEBÊNTURES E OUTROS TÍTULOS DE DÍVIDA

3. RESGATE DE PARTES BENEFICIÁRIAS

4. RECEITAS A APROPRIAR

5. SUBVENÇÕES DE INVESTIMENTO A APROPRIAR

 

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

1. CAPITAL SOCIAL

Capitual subscrito Capital autorizado (-) Capital a subscrever (-) Capital a integralizar (-) Gastos na emissão de ações

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2.

RESERVAS DE CAPITAL

Ágio na emissão de ações Alienação de bônus de subscrição (-) Gastos na emissão de outros valores patrimoniais

3. OPÇÕES OUTORGADAS RECONHECIDAS

4. RESERVAS DE LUCROS

Reserva legal Reservas estatutárias Reservas para contingências Reservas de lucros a realizar Reservas de lucros a apropriar Reservas de lucros para expansão Reservas de incentivos fiscais Reserva especial para dividendo obrigatório não distribuído

5.

LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (não é mais posível a

retenção de lucros injustificados)

6. DIVIDENDO ADICIONAL PROPOSTO

7. (-) AÇÕES EM TESOURARIA

8. AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL

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QUESTÕES COMENTADAS

1.

(FCC/TRT

2ª/Analista

contábeis, é correto afirmar:

Judiciário/Contabilidade/2008)

Sobre

reservas

(A) Significam o mesmo que provisões, pois ambas reduzem o valor dos lucros

da entidade.

(B) Todas representam destinação de lucros retidos, ou seja, aquela parcela do

lucro líquido do exercício que não foi distribuída aos sócios ou aos acionistas.

(C) As reservas de capital não podem ser utilizadas para absorver prejuízos

contábeis, somente para aumentar o valor do capital.

(D) A constituição de reservas de reavaliação foi proibida para as sociedades

por ações a partir de 1o de janeiro de 2008.

(E) A reserva legal não pode exceder 15% do capital social da entidade.

Comentários

A letra “A” está incorreta. Provisões e reservas são termos distintos.

Provisão é uma reserva de um valor para atender a despesas que se esperam.

A provisão visa a cobertura de um gasto já considerado certo ou de grande possibilidade de ocorrência. As provisões representam expectativas de perdas de ativos ou estimativas de valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos geradores contábeis já ocorridos.

Por outro lado, as reservas representam a diferença entre o patrimônio líquido e o capital, sendo resultantes de valores entregues pelos titulares do capital que não representam aumento de capital, ou representam acréscimos de valor de elementos do ativo, ou ainda se originam de lucros não distribuídos aos sócios ou acionistas.

A letra “B” também peca, pois as reservas de capital são constituídas com valores recebidos pela empresa e que não transitam pelo resultado, por não se referirem à entrega de bens ou serviços pela empresa.

Segundo a lei das SAs (art. 200), as reservas de capital podem ser utilizadas para absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros; resgate, reembolso ou compra de ações; resgate de partes beneficiárias; incorporação ao capital social; pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada. A alternativa C está, pois, incorreta.

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A letra D está correta. A conta Reserva de Reavaliação deixou de existir com a

vigência da Lei 11.638/07. A partir de 1/1/2008 ela não mais existirá, devendo os saldos já existentes nesta conta ser estornados até o final de 2008 ou até a sua completa realização. Segundo a LSA, art. 178, §2º, III, o patrimônio líquido será dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.

A letra E está incorreta. Do lucro líquido do exercício, 5% (cinco por cento)

serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva

legal, que não excederá de 20% (vinte por cento) do capital social (LSA, art.

193).

2. (FCC/TRT 2ª/Analista Judiciário/Contabilidade/2008) Considere as informações abaixo, extraídas da contabilidade da Cia. Carandiru, relativas ao exercício findo em 31/12/2007.

Lucro líquido do exercício

520.000,00

Resultado positivo na equivalência patrimonial

270.000,00

Acréscimo à reserva legal

26.000,00

Reversão de reservas para contingências

14.000,00

Lucro com realização financeira a ocorrer em 2009

20.000,00

O estatuto da companhia é omisso com relação ao pagamento de dividendos.

De acordo com o disposto nos artigos 197 e 202 da Lei das Sociedades por Ações, ela poderá constituir, nesse exercício, reserva de lucros a realizar no valor, em R$, de

(A)

40.000,00.

(B)

36.000,00.

(C)

30.000,00.

(D)

24.000,00.

(E)

18.000,00.

Comentários

No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos termos do estatuto ou do art. 202 da Lei das S/A, ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido do exercício, a assembléia-geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar.

Desta forma, à opção da companhia, poderá ser constituída a reserva de lucros a realizar, mediante destinação dos lucros do exercício, cujo objetivo é evidenciar a parcela de lucros ainda não realizada financeiramente, apesar de reconhecida contabilmente, pela empresa.

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Evita-se, assim, distribuir dividendo obrigatório sobre essa parcela de lucros que, apesar de existente, não está realizada financeiramente no caixa da empresa.

Na questão, devemos primeiramente calcular os dividendos. Como o estatuto é omisso, deve-se aplicar o percentual de 50% de lucro.

BASE DE CÁLCULO DIVIDENDOS = LUCRO LÍQ. DO EXER. R. LEGAL R. CONTINGÊNCIAS + REVERSÃO R. CONTINGÊNCIAS RESERVA DE INCENTIVOS FISCAIS RESERVA PARA PRÊMIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES

BC dividendos = 520.000 26.000 + 14.000 = 508.000

Assim, os dividendos devidos são 50% de 508.000 = 254.000

A Lei das SAs diz que se consideram lucros não realizados os resultados positivos na equivalência patrimonial e receitas auferidas para recebimento a longo prazo (LSA, art. 197).

Desta forma, o lucro realizado é calculado da seguinte forma:

Lucro Líq. do Exerc. - Resultado positivo na equivalência patrimonial - Lucro com realização financeira de Longo Prazo

Lucro realizado = 520.000 270.000