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A ESTRUTURA D’OS LUSÍADAS

• Apresentação da estrutura d’ Os Lusíadas.

rsn
2006/07
 Os Lusíadas revelam, quer a nível de
estrutura externa,
externa quer a nível de
estrutura interna,
interna uma grande
semelhança com os modelos clássicos
seguidos.
ESTRUTURA EXTERNA

 O poema está escrito em versos


decassilábicos,
bicos com predomínio do
decassílabo heróico (acento na 6ª e 10ª
sílabas). É considerado o metro mais
adequado à poesia épica,
pica pelo seu ritmo
grave e vigoroso. Surgem também alguns
raros exemplos de decassílabo sáfico
(acentos na 4ª, 8ª e 10ª sílabas).
 As estrofes são de oito versos (oitavas) e
apresentam o seguinte esquema rimático
– abababcc.
cc
 As estrofes estão distribuídas por 10
Cantos. O número de estrofes por canto
varia de 87, no Canto VII, a 156 no Canto
X, num total de 1102.
ESTRUTURA INTERNA

 À semelhança dos poemas clássicos, Os


Lusíadas dividem-se em quatro partes:

 PROPOSIÇÃO, ÃO (Canto I, 1-3) - O poeta


apresenta o assunto do poema, que irá
constituir o objecto da sua narração.
 O poeta propõe-se cantar:

 os guerreiros e os navegadores;
 os reis que permitiram dilatação da Fé e
do Império;
 todos os que, pelas suas obras, se
imortalizaram.
 INVOCAÇÃO,ÃO (Canto I, 4-5) - Para os
poetas clássicos, a criação poética era
fruto de uma inspiração concedida por
seres divinos ou sobrenaturais. A
invocação destina-se a pedir o favor das
Musas, divindades inspiradoras a quem o
poeta apela no início do poema e noutros
momentos fulcrais da narração.
 INVOCAÇÃO N’OS LUSÍADAS
 Canto I, 4-5 - às Tágides ou Musas do
Tejo, invocação geral;
 Canto III, 1-2 - a Calíope, (musa da
epopeia);
 Canto VII, 78 e seguintes - às ninfas do
Tejo e do Mondego;
 Canto X, 8-9 - novamente a Calíope.
 DEDICATÓRIA,
RIA (Canto I, 8-18) - É um
elemento facultativo nas epopeias
clássicas.
Camões dedica o seu poema ao rei D.
Sebastião, a quem tece vários elogios e
aconselha novas empresas guerreiras.
 NARRAÇÃO,ÃO Do Canto I (estância 19) até
ao fim do Canto X, vão sendo narrados
acontecimentos no passado (desde as
origens de Portugal até D. Manuel I), no
presente (tempo da acção central do
poema), no futuro (profecias).
Narração – “in medias res”

“Já no largo Oceano navegavam,


as inquietas onda apartando”
(Canto I, est. 19)
 A narração tem início quando a armada já se
encontra no canal de Moçambique, isto é, a
meio da acção. Este procedimento defendido
por Horácio, na sua Arte Poética, tem como
objectivo “prender o leitor à história”, criando
expectativa relativamente aos acontecimentos
que lhe são cronologicamente anteriores.