DIAGNÓSTICO POR IMAGEM EM MEDICINA VETERINÁRIA

CARMEN L.B.DE GODOY, M.V. Dra.
Professora Adjunta do Departamento de Clínica de Grandes Animais Curso de Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria Santa Maria, RS

LUIZ CARLOS DE PELLEGRINI, M.V.
Professor Adjunto do Departamento de Clínica de Grandes Animais Curso de Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria

INGRITH MAZUHY SANTAROSA, M.Sc.
Professora Substituta do Departamento de Clínica de Grandes Animais Curso de Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria

GIOVANI KROLIKOWSKI, M.V.
Mestrando em Clínica Veterinária - Diagnóstico por Imagem Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria

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Diagnóstico por imagem em medicina veterinária / por Carmen Lice Buchmann de Godoy ... [et al.] – Santa Maria : Ed. da Universidade Federal de Santa Maria, 2007 130 p. : il. (Caderno didático) 1. Medicina veterinária 2. Radiologia 3. Ultra-sonografia 4. Grandes animais 5. Pequenos animais I. Godoy, Carmen Lice Buchmann de II. Pellegrini, Luiz Carlos de III. Santarosa, Ingrith Mazuhy IV. Krolikowski, Giovani V. Série CDU: 619:615.849

Ficha catalográfica elaborada por Luiz Marchiotti Fernandes CRB-10/1160 Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Rurais/UFSM

É proibida a cópia ou reprodução deste caderno didático.

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APRESENTAÇÃO

Este caderno didático tem por objetivo proporcionar um guia para o acompanhamento das aulas de Diagnóstico por Imagem, ministradas aos estudantes do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria. Não deve ser usado como única fonte de estudo, uma vez que a literatura existente é rica e ampliará os horizontes do aluno em busca de conhecimento.

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.......... CAPÍTULO X: Radiologia do Crânio ........................................................................................................ CAPÍTULO IV: Sistema Reprodutor ................................................................................................................... Formou-se engenheiro mecânico em Zurich........................................................................ CAPÍTULO XI: Radiologia da Coluna Vertebral ...... CAPÍTULO VII: Introdução à Ultra-sonografia ........... CAPÍTULO V: Sistema Respiratório .......................... onde também obteve grau de doutor em 1869................... CAPÍTULO XIV: Posicionamentos Radiográficos ............................................................................................................. CAPÍTULO XII: Radiologia do Aparelho Locomotor ... CAPÍTULO IX: Introdução à Radiologia Óssea e Articular .......................................................................................................................... CAPÍTULO XIII: Introdução ao Estudo Radiográfico do Aparelho Locomotor de Eqüinos ........................ CAPÍTULO II: Sistema Digestório ......................................... CAPÍTULO III: Sistema Urinário ....................... CAPÍTULO VIII: Ultra-sonografia do abdome de pequenos animais ........ 4 ................................. CAPÍTULO XV: Anatomia Radiológica ....................... CAPÍTULO XVI: Alterações Radiograficamente Visíveis ..................... CAPÍTULO VI: Coração e Grandes Vasos . Suíça...SUMÁRIO CAPÍTULO I: Introdução à Radiologia .................... 5 11 26 32 36 44 48 51 69 71 77 86 99 99 105 112 CAPÍTULO I INTRODUÇÃO À RADIOLOGIA HISTÓRICO Wilhelm Conrad Roentgen nasceu em 1845 na Alemanha...........................................

medida em miliamperes (mA). é de vidro com invólucro de metal. (Fonte: www.fisica. quando descobriu os raios-X. constatada pela luminosidade produzida num cartão pintado com substância fluorescente (platino cianeto de bário). a impossibilidade de controlar a quantidade e a intensidade da radiação emitida. Roentgen percebeu que mesmo envolvendo a ampola em papel grosso preto (cartolina). PRODUÇÃO DOS RAIOS-X Como visto anteriormente. é aquecido. que ao se chocarem contra o ânodo e contra as paredes do tubo produziam raios-X. desenvolvida por Coolidge uma ampola (fig. Numa das extremidades encontra-se o cátodo (potencial negativo) com filamento de tungstênio em espiral que alimentado por corrente de baixa voltagem. composta por um cátodo (pólo negativo). fornecendo determinado número de elétrons que darão origem 5 .No radiodiagnóstico. porém.ufc.15/09/04) A ampola de Crookes era de vidro. usado para verificar radiações catódicas. IMPORTÂNCIA DOS RAIOS-X EM MEDICINA VETERINÁRIA . esta continuava emanando radiação. que levou o seu nome. Em 28 de setembro de 1895. A ampola. fazia experiências com uma ampola de Crookes (fig. . por exemplo. o qual apresenta uma janela por onde passa o feixe útil da radiação. em cujo interior é produzido vácuo. os raios-X foram produzidos em ampola de Crookes.1. a da mão de sua esposa. no tratamento de tumores.1). 1. então.2). Existia.1. Roentgen apresentou sua descoberta à Sociedade de Física e Ciências Médicas na Universidade de Würzburg e exibiu a primeira radiografia da história. contendo gás no interior. professor do Instituto de Física da Universidade de Würzburg. para o qual eram atraídos os elétrons. pela possibilidade de avaliar estruturas do corpo do indivíduo sem uso de técnicas invasivas como cirurgias exploratórias. Figura 1. a qual é acoplada a comandos que permitem imprimir corrente elétrica adequada aos fatores de exposição a serem empregados em cada caso.Em 1895.Ampola de Crookes. Esta disciplina se restringirá ao radiodiagnóstico. Foi.Na radioterapia. Roentgen. que alimentado por corrente elétrica produzia elétrons e um ânodo (pólo positivo).br/ raiosx.

óleo. Através do circuito de alta voltagem. dissipando mais facilmente o calor (fig. a penetração dos raios. consequentemente.2. fazendo com que os elétrons sejam atraídos pelo ânodo. sendo esta relação denominada miliamperes/segundo (mAs). Figura 1. Já as ampolas de ânodo giratório têm o foco preservado. 6 .Ampola de ânodo giratório (Fonte: Fundamentos de radiografia – Kodak). produz-se entre os pólos positivo e negativo da ampola uma diferença de potencial. semelhantes à luz. diferindo no comprimento de onda (λ). as mesmas apresentam um sistema de refrigeração. produzindo raios-X e calor. O comprimento de onda dos raios-X variam entre 100 e 0. DEFINIÇÃO DE RAIOS-X São ondas eletromagnéticas. Na outra extremidade da ampola encontra-se o ânodo (potencial positivo) apresentando uma pequena placa de tungstênio. em geral.2). colidindo contra o mesmo. Pelo descrito acima pode-se concluir que a miliamperagem é responsável pela quantidade de radiação produzida. medida em quilovolts (kV). evitando deterioração do foco. por ser este bombardeado pelos elétrons em pontos sucessivos. Para absorver o calor nas ampolas de ânodo fixo. A quantidade de raios-X é diretamente proporcional ao tempo.a proporcional quantidade de raios-X.01Å (angstrom). 1. enquanto a quilovoltagem determina a energia e.

... conseqüentemente...... • Efeito foto-elétrico: os raios-X perdem toda sua energia arrancando elétrons. o filme.4Å... 40 a 60 kV.... da espessura e da densidade da substância que compõe o objeto radiografado... menor é a quantidade de raios provenientes do foco que o atinge e...5Å – raios moles 60 a 80 kV...... DENSIDADES RADIOLÓGICAS A imagem radiográfica é determinada por sombras do objeto... O objeto a ser radiografado deve estar o mais próximo possível do filme para que a imagem tenha o tamanho próximo do real.. • Produzem ionização por onde passam por isso impressionam filmes fotográficos (e radiográficos).... Quanto menor o comprimento de onda dos raios-X...... • Estimulam substâncias fluorescentes como o platino cianeto de bário e o sulfato de zinco... quanto maior a quilovoltagem empregada.. A distância ideal entre o foco e o filme está em torno de 70cm.. À medida que se afasta o objeto.4Å – raios duros Acima de 100 kV obtêm-se raios chamados ultra-duros. os raios-X mais empregados estão entre 0.λ = 0.......Em radiodiagnóstico....... RELAÇÃO ENTRE A FONTE DE RADIAÇÃO.. variando do preto ao branco......... na dependência da quilovoltagem empregada. 7 ..... ou seja........ • Podem afetar células vivas....λ = 0.λ = 0. os quais podem emitir radiação de comprimento de onda maior que o dos raios incidentes.... produzindo alterações somáticas e / ou genéticas.. • Efeito Compton: parte da energia da radiação é transferida aos átomos e os raios incidentes continuarão sua trajetória com comprimento de onda maior..... • Por não possuírem massa atravessam os corpos. • Raio Disperso: a radiação é apenas desviada da sua trajetória sem alterar o comprimento de onda.. maior será seu poder de penetração..5 e 0.... produzindo imagem menos nítida..... O OBJETO RADIOGRAFADO E O FILME NA IMAGEM RADIOGRÁFICA A densidade da radiação é inversamente proporcional ao quadrado da distância. na dependência do peso atômico.. passando por vários tons de cinza.. no meio... O posicionamento da estrutura a ser radiografada em relação ao filme e à fonte de radiação é de suma importância para evitar-se a distorção da imagem.. PROPRIEDADES DOS RAIOS-X • Os raios-X se propagam em linha reta e na mesma velocidade da luz....45Å – raios médios 80 a 100 kV....... INTERAÇÃO DOS RAIOS-X COM A MATÉRIA Ao interagir com a matéria os raios-X podem sofrer fenômenos: • Radiações Secundárias: parte da energia da radiação é cedida a átomos do corpo radiografado....

determinando a imagem radiográfica de seus órgãos na dependência da densidade. Ex: Determinado volume de água absorverá mais a radiação do que o mesmo volume de gelo. CONTRASTES Quando a imagem radiográfica não é diagnóstica. não sendo atingida pela radiação. do que um cão de pequeno porte. proporcionando imagem radiopaca (branca). • A espessura também impedirá a passagem da radiação de forma diretamente proporcional. Ex: Dois ossos sobrepostos determinam imagem mais radiopaca que a determinada por um único osso. Quando estruturas de mesma densidade se sobrepõem produzem efeito de adição de imagem. • Maior densidade da matéria requer maior força de penetração dos raios. Ex: Porção do duodeno com gases (radiolucente) sobreposto à imagem do fígado (radiopaco). à base de iohexol utilizado para mielografia. Por outro lado.• Quanto maior o peso atômico. impedindo a chegada da mesma ao filme. Ex: Composto à base de sulfato de bário utilizado para estudo do sistema digestório. o ar que enche os pulmões. Num mesmo animal verificam-se várias densidades radiológicas. não se reduz à prata metálica ao ser mergulhada no revelador. podendo-se usar óxido nitroso ou dióxido de carbono. Ex: Pneumocistografia. Contrastes positivos: são radiopacos. Quando estruturas de densidades diferentes se sobrepõem determinam efeito de subtração de imagem. absorverá a radiação. pois a radiação impressiona os sais de prata da emulsão. Contrastes negativos: são radiolucentes. 8 . tendões e sangue (menos radiopaca que o osso) e a densidade gordura (menos radiopaca que a densidade água). o brometo de prata que compõe a emulsão que envolve a película radiográfica. a primeira será atravessada pela radiação produzindo imagem radiolucente (cinza escuro). o segundo. entende-se porque aquelas estruturas imprimem imagem radiopaca na radiografia. Entre a densidade osso (radiopaca) e a densidade ar (radiolucente). Usualmente utiliza-se ar. constituem-se basicamente de cálcio. maior dificuldade terão os raios para ultrapassar o material. que são substâncias administradas ao paciente no intuito de melhor definir ou delimitar estruturas. determina. densidade menos radiopaca que a característica deste órgão. no ponto de sobreposição. Já. entre outros. oferece menor resistência à passagem das radiações. existe a densidade água que corresponde aos músculos. Considerando-se que esta substância absorve os raios-X. por exemplo. espessura e peso atômico dos mesmos. fazendo com que se reduzam a prata metálica quando o filme é imerso no revelador. à base de amidotrizoato de sódio e amidotrizoato de meglumina utilizado para estudo do sistema urinário e angiografia. pode-se recorrer ao uso de contrastes. Ex: Radiografando-se uma rolha de cortiça e um cilindro de chumbo com o mesmo diâmetro. determinando imagem radiolucente. Os ossos. Ex: Um cão de porte grande requererá maior poder de penetração dos raios para imprimir imagem no filme.

No momento da interpretação radiológica. Lateral flexionada – efetuada com flexão da estrutura avaliada (membros. Obliquadas – são incidências complementares. VD. Skyline – O feixe de radiação incide tangencialmente à estrutura em estudo. VD Ventro-dorsal – o feixe incide no ventre e emerge dorsalmente. são impressos no filme. DV. ou seja. DP Dorso-palmar ou PD Palmo (ou pálmaro)-dorsal – usado para membros a partir de carpo/tarso inclusive. Quando a incidência for frontal. Os raios incidem na superfície frontal e emergem na superfície mandibular e vice-versa.NOMENCLATURA PARA POSICIONAMENTOS Ao posicionar o paciente com o propósito de efetuar uma radiografia. FM ou MF a marca deve ser colocada no lado direito do paciente. DLPMO – Dorsolateral-palmaromedial obliquada/ Dorsolateral-plantaromedial obliquada. com tipos de chumbo afixados no chassi no momento da radiografia ou com identificador eletrônico na câmara escura. data do exame. Quando radiografados os dois membros. para a extremidade. PD. atingindo o filme. após a radiografia. coluna cervical). emergindo na superfície caudal do crânio. a marca deve ficar em local que não atrapalhe a imagem. levando em conta a face do corpo do animal onde incide e a face onde emerge a radiação. FM ou MF – Fronto-mandibular ou Mandíbulo-frontal (crânio). o filme deve ser colocado no negatoscópio com a identificação para o lado esquerdo do radiologista. LE Lateral esquerdo Crânio-caudal e caudo-cranial – usado para membros de proximal até a extremidade distal de rádio e ulna/tíbia e fíbula. membro E ou D (quando necessário). L ou LL Lateral ou Látero-lateral – o feixe incide em um lado e emerge no outro (não especifica o lado). deve-se dar nome a este posicionamento. LD Lateral direito – o feixe incide no lado esquerdo e emerge no direito. Nada impede que se coloque as letras D e E respectivamente. PMDLO – Palmaromedial-dorsolateral obliquada/ Plantaromedial-dorsolateral obliquada. Ao negatoscópio. coloca-se a região cranial do corpo do animal para a esquerda do radiologista. PLDMO – Palmarolateral-dorsomedial obliquada/ Plantarolateral-dorsomedial obliquada. a marca deve ser colocada no direito. DP. Assim: DV Dorso-ventral – o feixe de raios incide no dorso e emerge no ventre do animal. Usadas com maior freqüência em extremidades de eqüinos: DMPLO – Dorsomedial-palmarolateral obliquada/ Dorsomedial-plantarolateral obliquada – o feixe de raios incide no ângulo formado pelas superfícies dorsal e medial e emerge no ângulo formado pelas superfícies palmar e lateral/ plantar e lateral do membro. 9 . Em incidências laterais. IDENTIFICAÇÃO DE RADIOGRAFIAS A identificação do paciente (nº da ficha e / ou nome). Rostro-caudal – A radiação incide cranialmente à face do paciente.

a radiografia toda. em geral. para o chão. INTERPRETAÇÃO RADIOLÓGICA Observa-se. sempre. protegerse atrás de biombo de chumbo ou paredes espessas e fazer controle hematológico periodicamente (6 em 6 meses). onde deve estar a estrutura a ser estudada. 10 . dirigindo-o. usar avental. radiografias perpendiculares entre si.3). Especificação das estruturas a serem radiografadas. • Quando solicitado exame contrastado. utilizando-se a maior quilovoltagem e a menor miliamperagem. • Radiologistas. óculos e protetor de tireóide plumbíferos e dosímetro para medir a radiação recebida durante determinado período de tempo (normalmente mensal). inicialmente. idade. Preencher os sulcos do casco (pode ser com massa de modelar). Quando possível. • Efetuar. indicada. já que a radiografia não proporciona imagem tridimensional (não dá noção de profundidade) (fig. técnicos e auxiliares devem. Detém-se. • • • CUIDADOS ANTES E DURANTE O EXAME PARA ADEQUADO ESTUDO RADIOGRÁFICO • Para exame de abdome fazer a limpeza do trato digestório. Descrição sucinta da história clínica.. sempre que possível. luvas. pelo clínico. então. • Verificar se pele e pêlos estão limpos e livres de pomadas. se possível.. • Solicita-se ao cliente (proprietário) que auxilie na contenção do paciente. livres de ferraduras para exame de 3ª falange.. • Colima-se o feixe de radiação através de cones ou diafragmas. sempre. avaliando-se o padrão radiográfico e o posicionamento.PROTEÇÃO RADIOLÓGICA Considerando-se que a radiação é nociva à saúde. REQUISIÇÃO Na solicitação do exame radiológico é importante que conste: A identificação do paciente: Nome. sempre que as condições do paciente o permitirem. 1. procura-se proteger ao máximo as pessoas envolvidas no exame. • Os cascos dos eqüinos devem ser escovados e. à região central do filme. fazer exame simples antes.

Recomenda-se que o clínico abra a boca do paciente. Variação no contorno ou forma.Figura 1. na face lateral do membro. emite-se o diagnóstico. em busca de lesões na língua. Ex: bexiga com divertículo.3 – Radiografias em projeção lateral e crânio-caudal de rádio e ulna de um cão. em geral. Ex: rarefação óssea. Variação no tamanho. LAUDO RADIOLÓGICO Na elaboração do laudo radiológico descreve-se as alterações observadas. Mudança na arquitetura. 11 . Ex: Rim afuncional (evidenciado na urografia excretora). fazendo a inspeção. A outra demonstra que está sob a pele. ou declara-se não haver alteração detectável ao exame radiológico. CAPÍTULO II SISTEMA DIGESTÓRIO CAVIDADE ORAL Esta estrutura. primeira do sistema digestório. gengiva. A primeira sugere que o projétil se encontra entre os dois ossos. Ex: neoplasias ósseas. Alteração na densidade. corpos estranhos entre os dentes. nas estruturas avaliadas. • • • • • • Atenta-se para: Mudança de posição de um órgão ou parte dele. Ex: cardiomegalia. dispensando raios-X. Alteração na função. por tumoração na cavidade abdominal. palato. é avaliada através de exame direto. se possível. Ex: alças intestinais desviadas para um lado.

Seta descontínua aponta as cartilagens da laringe.1). Começa dorsal à traquéia. passando para o lado esquerdo da mesma na porção cervical caudal. em geral. O esôfago não é distinguido ao exame radiográfico simples. As radiografias são efetuadas em posicionamento lateral. Corpos estranhos. Imagem que não deve se repetir em radiografias sucessivas. epiglote e hióides. FARINGE Nesta região. ESÔFAGO Esta estrutura estende-se da altura da 2ª vértebra cervical à 10ª torácica. normalmente. até a entrada do tórax. onde volta a ser dorsal. TÉCNICA RADIOGRÁFICA 12 . colapsado. ESOFAGOGRAMA É o exame contrastado do esôfago para o qual usa-se contraste positivo.cáries ou dentes quebrados ou frouxos. fazem parte do capítulo de sistema ósseo. É importante o conhecimento das estruturas normais. sulfato de bário. continuidade ou densidade. facilitando a identificação de alterações. dentes e periodonto. 2. onde se une ao cárdia. não apresentando ar ou conteúdo em sua luz.1 – Faringe de um cão evidenciando palato mole (seta fina preta). As estruturas ósseas que limitam a cavidade oral. Discreta porção de ar (radiolucente) poderá. mais esclarecedor e dorsoventral ou ventro-dorsal. chegando ao abdome. Recomenda-se composto orgânico em caso de suspeita de solução de continuidade de parede do órgão. sendo estes últimos de pouca ajuda pela sobreposição das vértebras. ser observada na porção inicial do esôfago. epiglote (seta grossa preta) e hióides (setas brancas). levando em conta alteração de volume. quando presentes. linfonodo aumentado e neoplasias são alterações passíveis de serem detectadas ao exame radiográfico. deve-se analisar a anatomia da mesma (fig. palato mole. Figura 2. pois encontra-se. eventualmente. determinando a mesma densidade dos tecidos moles da região do pescoço e do mediastino.

Os primeiros são visualizados ao exame radiográfico simples. dilatando a luz do mesmo cranialmente ao corpo estranho. No gato. coloca-se o paciente em decúbito lateral sobre o filme e efetua-se a radiografia. ou a visualização da mesma até o terço médio do tórax. 13 . 2. existem pregas transversais além das longitudinais. Imagem normal de esôfago de cão (A). 2. Figura 2. 2. quando haverá interrupção parcial ou total da coluna de contraste na trajetória do esôfago.2 A). anterior à base do coração (pelas estruturas da região) e na porção terminal do esôfago (pela limitação proporcionada pelos pilares do diafragma). 6) ou periesofágicas (ex: neoplasia adjacente ao esôfago.5). Imediatamente. no terço caudal do esôfago. deixando resíduos entre as pregas do esôfago. via oral. Sinais clínicos: dificuldade de deglutição. para avaliar o padrão da radiografia e descartar a presença de alteração detectável sem contraste. o contraste passará imediatamente para o estômago.3). A não detecção da coluna de contraste. Nota: Sempre realizar o exame simples antes do contrastado. 2. já os últimos necessitam de esofagograma para sua identificação. intramurais (ex: nódulos de Spirocerca lupi. 2. fig.2 – Esofagograma. 5 a 10ml de sulfato de bário. quando preenchidas por contraste (fig. Isto se deve à passagem livre e rápida do contraste para o estômago (fig. fig. Os pontos onde mais freqüentemente se instalam os corpos estranhos são: porção terminal de esôfago cervical (pela resistência à distensão na entrada do tórax). de gato (B). fig.3).2 B). determinando imagem de linhas longitudinais que se estendem até a entrada do abdome ou próximo a este ponto. eventualmente. ou radiolucentes (Fig. não caracteriza alteração. 2.4). regurgitação e. determinando uma imagem semelhante a espinha de peixe. ALTERAÇÕES As alterações de esôfago classificam-se em intraluminais (ex: corpo estranho. sem dilatação do esôfago. IMAGEM Na ausência de alterações. tosse. OBSTRUÇÃO ESOFÁGICA POR CORPO ESTRANHO Os corpos estranhos podem ser radiopacos (Fig. 2.Com auxílio de seringa administra-se.

Figura 2. 14 .5). 2. Exame simples (A) e esofagograma (B). hipertrofia ou neoplasia de timo. ou massas adjacentes ao esôfago (fig.4 – Imagens de corpo estranho radiolucente (setas) em esôfago de um cão.3 – Imagens radiográficas de corpos estranhos radiopacos em esôfago de cão. COMPRESSÃO ESOFÁGICA Pode ocorrer por aumento de volume de linfonodos mediastinais. Figura 2.

Pode levar a espessamento da parede em casos crônicos ou demonstrar irregularidade nas pregas do esôfago. Figura 2. como uma saculação.6) são as causas de estenose esofágica. Exame simples (A) e esofagograma (B). Pode ser congênito ou adquirido. RUPTURA DE ESÔFAGO Quando ao exame radiográfico simples for evidenciado ar nos tecidos adjacentes ao esôfago. DIVERTÍCULO ESOFÁGICO Não produz sinal clínico. Utiliza-se. a menos que seja muito grande. deve-se suspeitar de ruptura ou perfuração do mesmo. composto orgânico para confirmar o diagnóstico.Figura 2. Ocorre redução da luz por espessamento da parede.6 – Nódulo de Spirocerca lupi em esôfago de cão (setas). tumoração na parede do esôfago ou nódulos de Spirocerca lupi (fig. produzindo estenose. 15 . Aparece. então. Contraste impedido de progredir livremente (seta branca). o que será demonstrado por extravasamento do contraste para fora da luz esofágica. ESOFAGITE Diagnóstico pouco comum pelo estudo radiográfico.5 – Massa comprimindo o esôfago cervical (setas pretas). ESTENOSE ESOFÁGICA Fibrose após lesão. 2. ao esofagograma.

2. Uma das causas mais comuns é o arco aórtico direito persistente (fig. em gatos.NEOPLASIAS Não são comuns em cães.8). a ausência de qualquer imagem correspondente ao estômago na cavidade abdominal (fig. lateralmente ao esôfago. embora raramente. produzindo uma dilatação esofágica. A segunda. A hérnia pode ser axial ou paraesofágica. baço e pâncreas. também. Ao esofagograma é possível visualizar o padrão pregueado da mucosa do estômago na luz do esôfago. Figura 2. quando parte do estômago penetra no tórax pelo hiato. 16 . sendo diagnosticadas.7). em determinado ponto. Observa-se. ocorrerá dilatação do órgão até este ponto. HÉRNIA DE HIATO Esta alteração ocorre quando uma porção do estômago passa pelo hiato esofágico e penetra no tórax. A imagem radiográfica demonstra irregularidade da parede do esôfago. evidenciada ao esofagograma. que apresentará densidade alterada na porção terminal. eventualmente.7 – Esofagograma demonstrando intussuscepção gastro-esofágica em cão. DILATAÇÃO PARCIAL DE ESÔFAGO Devido à constrição ou obstrução do esôfago. A primeira ocorre quando parte do estômago escorrega intermitentemente para o tórax através do hiato. INVAGINAÇÃO GASTRO-ESOFÁGICA O estômago invagina para o interior do esôfago e. leva junto porção do duodeno. 2.

A.8 – Esofagograma demonstrando dilatação parcial de esôfago (setas). Megaesôfago pode ser causado por acalasia ou tumor de cárdia. B.Esofagograma demonstrando quantidade insuficiente de contraste devido à grande distensão. 2. MEGAESÔFAGO Observa-se aumento da luz do esôfago em toda a sua extensão. ABDOME 17 .9 A).9 B). Às vezes dispensa o exame contrastado (fig.Exame simples demonstrando as paredes do esôfago (setas) e ar no interior.Figura 2. até a entrada do abdome. Para preenchimento do órgão dilatado. 2. Figura 2. é necessária uma quantidade de contraste bem maior que a recomendada para o esofagograma (fig. por exemplo.9 – Megaesôfago em cão.

ficando a região pilórica à direita.11). dependendo do decúbito. 18 .10 – Abdome normal de cão. Figura 2. aparecendo parcialmente sobreposto ao fígado nas radiografias. Incidência lateral (A) e ventro-dorsal (B). o estômago está localizado em sua totalidade no lado esquerdo.10 e 2. se localizará na região fúndica (decúbito direito) ou na pilórica (decúbito esquerdo). Fígado (seta longa preta). densidade e localização de cada órgão. Em posição VD. é indispensável ter conhecimento da imagem normal do organismo animal (fig. pode ser facilmente identificado por conter.Ao avaliar-se o abdome como um todo. gás no seu lúmen. alça do intestino delgado (seta pequena branca). Ao exame simples. deve-se considerar tamanho. tendo o piloro na linha média. a coleção de gás que tende a subir. no cão. Para detectar-se alteração. 2. usualmente. No gato. estômago (seta grossa branca) e cólon descendente com gases e fezes (seta grossa preta). Na projeção lateral. ESTÔMAGO Este órgão localiza-se na porção cranial do abdome. cárdia e região fúndica do estômago estão localizados à esquerda da linha média. bem como o conteúdo e o grau de repleção das vísceras ocas.

TÉCNICA: Visando avaliação do estômago. Com auxílio de seringa. Cólon descendente (seta fina preta).Figura 2. Nota: É importante que o paciente seja mantido em local tranqüilo. até chegar ao diagnóstico. lateral esquerda. GASTROGRAFIA OU GASTROGRAMA É o exame contrastado do estômago. 15. avaliando-se as imagens obtidas. administra-se o meio de contraste na dose de 5 a 12ml. lateral direita e.kg-1 de peso do animal. sugere obstrução ou espasmo de piloro. Diante de suspeita de perfuração de parede. rins sobrepostos na incidência lateral e rim esquerdo na ventrodorsal (seta grossa preta). efetua-se a primeira radiografia. para que o estresse não interfira na progressão do contraste. 20 e 60 minutos após. se as condições do paciente o permitir. Presença de conteúdo no estômago após jejum. Indica-se incidências VD. junto ao proprietário. via oral. Imediatamente. este deve ser substituído por composto orgânico. se necessário. 19 . preferencialmente. ou através de sonda diretamente no estômago. DV e obliquadas. indica-se jejum de 8 horas previamente ao exame.12).11 – Abdome normal de felino. fígado (seta branca). repetindo-se aos 5. 2. para avaliar a passagem do contraste para o duodeno (fig. sendo o sulfato de bário o meio de contraste indicado rotineiramente.

13 – Dilatação gástrica por obstrução de piloro em um cão. DILATAÇÃO GÁSTRICA O estômago apresenta-se distendido. Plástico e vidro são exemplos de corpos estranhos radiolucentes. com o piloro deslocado de sua posição normal. evidenciado por pequena quantidade de contraste administrada que o envolverá. permanecendo o piloro em sua posição normal (fig. anorexia. Figura 2.13). 2. desidratação e fadiga. Este quadro caracteriza emergência.ALTERAÇÕES São sinais de desordem gástrica: dor abdominal. podendo chegar a temperatura elevada. não sendo indicado o uso de contraste.12 – Imagem do estômago de cão ao exame contrastado. CORPO ESTRANHO Pode ser radiopaco. que será visualizado ao exame simples. TORÇÃO GÁSTRICA O estômago apresenta-se distendido por gases e / ou conteúdo alimentar e líquidos. perda de peso. ou radiolucente. TUMORES E ÚLCERAS 20 . Figura 2. vômito.

Num paciente adequadamente preparado para o exame. 2. na presença de líquido livre na cavidade. para observar a passagem do mesmo do estômago para o duodeno. como em caso de ascite. 21 . por ter densidade radiológica diferente das vísceras. TRÂNSITO INTESTINAL É o exame contrastado das alças intestinais. quando em condições normais. proporciona distinção entre as mesmas. dificultando ou impedindo totalmente a distinção de qualquer estrutura. Três horas após a administração do contraste. peritonite. O mais indicado. todo o intestino delgado estará delineado pelo contraste. Não é de fácil visualização devido às pregas gástricas que podem levar a erros. O diagnóstico radiológico destas últimas é feito pela constatação de contraste preenchendo-as. ou retardado pelo estresse do animal devido à manipulação. para o diagnóstico definitivo. têm imagem do abdome bastante homogênea pela ausência de gordura.14 A e B). pode-se verificar a passagem do mesmo ao cólon e avaliar o esvaziamento do estômago. efetuase a primeira radiografia. Animais muito magros ou jovens. TÉCNICA Após preparo com jejum de 24 horas (água sem restrição).kg-1 de peso do animal.Os tumores gástricos são raros em pequenos animais. Da mesma forma vista na gastrografia. superfície mucosa relativamente lisa e parede fina. haverá uma opacificação homogênea da imagem. Ainda. O trânsito poderá estar acelerado em caso de enterite. especialmente. ao fim da administração do contraste. administra-se via oral ou por sonda gástrica. o preparo será dispensado. novamente. o sulfato de bário na dose de 8 a 12ml. INTESTINO DELGADO EXAME SIMPLES As alças intestinais serão mais facilmente distinguidas ao exame radiológico quando apresentarem gás em sua luz ou conteúdo de densidade diferente dos tecidos adjacentes. já as úlceras ocorrem. causadas pelo uso indiscriminado de antiinflamatórios. Dependendo do quadro clínico. o intestino apresentará diâmetro uniforme. Repete-se a avaliação 15 minutos após e uma hora. é a endoscopia. ou qualquer efusão peritonial. efeito de laxante suave e enema efetuado 6 horas antes do exame. quando em condições normais de saúde (fig. em que o paciente já vem há dias sem se alimentar. Gordura na cavidade peritonial. como em casos de anorexia. hemoperitônio.

Apresenta-se como uma saculação na parede da alça intestinal. diarréia. INTUSSUSCEPÇÃO Poderá produzir obstrução completa ou incompleta. 2. Quando a causa for corpo estranho linear. podendo necessitar contraste para o diagnóstico.15. a imagem radiográfica demonstrará dilatação por gases ou conteúdo alimentar das alças intestinais.A B Figura 2. anorexia. eventualmente.16). o contraste proporcionará imagem de franzimento da alça que o contém (fig. uma imagem de uma estrutura tubular com densidade água. 2. sendo mais comum o conseqüente a corpo estranho. DIVERTÍCULO Pode ser adquirido ou congênito. No primeiro caso. Evita-se a administração de contraste. Quando causar obstrução completa a imagem será semelhante à vista na figura 2. A . OBSTRUÇÃO A obstrução pode ser completa ou parcial. Irregularidade na superfície da mucosa ou estreitamento do lúmen só será observado em casos crônicos.Projeção ventro-dorsal.14 . dando-se preferência ao exame ecográfico em lugar do contrastado. demonstrada por radiolucência.15). desidratação. não haverá retenção significativa de gases. B -Projeção lateral. perda de peso. dor abdominal e /ou melena. 22 . anteriores ao ponto de obstrução (fig.Trânsito intestinal normal em cão. comparada por alguns autores a uma salsicha. ALTERAÇÕES Os sinais clínicos incluem vômito. ENTERITE Radiologicamente diagnosticada pela velocidade aumentada do trânsito intestinal (o contraste passa muito rapidamente) e/ou por significativa quantidade de gases na luz intestinal. No segundo. A invaginação de uma porção da alça em outra determina.

HÉRNIAS As alças intestinais. como fígado.Figura 2. 2. 23 .16 – Trânsito intestinal em projeção ventro-dorsal e lateral. 2. Ex: Hérnia diafragmática (vísceras insinuadas no tórax) (fig. evidenciando corpo estranho linear no intestino de um gato.15 . serão visualizados fora da cavidade abdominal. ou outros órgãos.17 B). Figura 2. útero. hérnia inguinal (na região inguinal) (fig. estômago.Obstrução intestinal em projeção lateral e ventro-dorsal.17 A). com seu conteúdo gasoso ou com contraste.

hérnia perineal (fig. mais megacólon e fecaloma (fig. é identificado no lado direito do abdome em projeção VD. Este último é a estrutura intrapélvica. 2. COLONOGRAFIA OU ENEMA BARITADO É o exame contrastado do intestino grosso. cólon e reto. atresia anal (fig.17 – Hérnia diafragmática. cheio de gás. O ceco no cão. Imediatamente efetuam-se as radiografias. Corno uterino com fetos compõe o conteúdo herniário. A dose indicada é de 5 a 12ml.Perda da linha do diafragma. localizada entre a superfície ventral do sacro e o assoalho da pelve em projeção lateral. Nesta projeção.Hérnia inguinal em uma cadela prenhe. tamanho e conteúdo.18 B).kg -1 de peso. Para exame de duplo contraste. Seringa com bico ou sonda é utilizada para administrar o contraste no reto. proporciona-se a eliminação do contraste positivo e administra-se ar na mesma dose do primeiro. da direita para esquerda e descendente no lado esquerdo. As paredes do cólon delineadas pelo contraste positivo são avaliadas para alterações na mucosa e lesões intramurais. 2. 2.20). com sua forma de “C”. presença de alças intestinais com gases e estruturas radiopacas insinuadas no tórax. INTESTINO GROSSO O intestino grosso inclui ceco. cólon transverso.A B Figura 2. TÉCNICA As incidências e o preparo são os mesmos do trânsito intestinal. descendo até o reto. É aconselhável a sedação para evitar o desconforto do paciente. A . ALTERAÇÕES São as mesmas que acometem o intestino delgado.18 A). B . 24 . observa-se o cólon ascendente no lado direito do abdome.19) e intussuscepção íleo-cólica (fig. 2. Este segmento do intestino é facilmente identificável ao exame radiológico por sua localização.

na junção íleo-cólica. 25 .18 – A.Megacólon com conteúdo fecal. B-Hérnia perineal. na projeção lateral. Alças intestinais distendidas por gases.19 – Atresia anal em felino de 4 dias de vida.A B Figura 2. Contraste usado na colonografia progrediu até o ponto da invaginação.20 – Intussuscepção íleo-cólica em cão. Figura 2. Figura 2. Alças do intestino delgado apresentam-se distendidas por gases. em projeção lateral.

diante de massas que ocupam grande parte do abdome (fig. Figura 2.22). com a finalidade de melhor avaliar a superfície serosa das vísceras.22 – Pneumoperitônio causado por perfuração de alça intestinal em gato. Incidência VD auxilia a localização das massas. Radiolucência distribuída em toda a cavidade será observada. Figura 2. as quais se originam em qualquer órgão ou mesmo no mesentério. 26 . permite a observação do líquido colecionado ventralmente nesta posição.21 – Massa no abdome (tumor no baço) e tórax do mesmo paciente com metástases pulmonares. 2. Imagens cedidas pelas colegas Médicas Veterinárias Cristiane Elise Teichmann e Anelise Réquia.MASSAS TUMORAIS Pode ocorrer o desenvolvimento de massas no abdome. não confundir com efusão pleural. PNEUMOPERITÔNIO Pode ocorrer como conseqüência de perfuração em alças intestinais (fig. 2. É importante. diferentemente das efusões que se distribuem por toda a cavidade. observando o limite que aquelas demonstram. o que é difícil de especificar ao exame radiográfico. PNEUMOPERITONIOGRAFIA É o exame radiográfico no qual se injeta ar ou óxido nitroso na cavidade abdominal.21). bem como incidência lateral em estação.

24). Deslocamento caudal das estruturas adjacentes auxiliam no diagnóstico. determinando boa imagem. perdendo o aspecto afilado de suas bordas.11). de BAÇO Apresenta-se na radiografia como estrutura triangular. Exemplos de causas de hepatomegalia são neoplasias hepáticas. irregularmente côncava em sua borda caudal. o fígado diminuído de tamanho. sendo o decúbito lateral direito preferencial. é característico de cirrose hepática. homogênea. limitado pelo diafragma e parede abdominal ventral. pela posição tomada pelo órgão. cirrose em sua fase aguda. ultrapassando significativamente o limite normal. ultrapassando ligeiramente o último arco costal (fig. as quais aparecem arredondadas. tendo sua borda caudal formando um ângulo bem definido. 2.. com forma convexa limitada pelo diafragma e.10 e 2. fazendo diagnóstico o diferencial.23). duodeno mais à direita e rim direito. em contato com o estômago. poderá aparecer como uma massa deslocando as vísceras adjacentes.21). Quando aumentado de tamanho. 2. proporcionará esclarecimento. O fígado poderá apresentar-se aumentado de tamanho (fig. bem como no baço. Figura 2.23 – Imagem radiográfica hepatomegalia em cão. com a mesma densidade do fígado. carcinoma de ducto biliar.ÓRGÃOS ANEXOS PÂNCREAS Este órgão não é distinguido ao exame radiológico. Em projeção lateral. Com o exame ultra-sonográfico será possível avaliar-se o parênquima e os limites hepáticos. este órgão apresenta forma triangular. na região mais cranial do abdome. situado no lado esquerdo do abdome. 2. FÍGADO Em projeção VD o fígado se apresenta na radiografia como uma estrutura de densidade água. A ultra-sonografia aqui. caudal ao estômago em projeção VD e ventralmente em projeção lateral (fig. intoxicação e congestão por insuficiência cardíaca direita. 2. Poderá estar aumentado de tamanho quando o paciente estiver sob efeito de anestésico. 27 . em geral por pancreatite ou tumor. período pós-vacinal ou em casos patológicos como linfossarcoma (fig. Já.

o mesmo poderá ser sedado. 3. A uretra não é visualizada radiologicamente em condições normais. A bexiga é visualizada sobre o assoalho da cavidade abdominal caudal. que consiste na limpeza do trato digestório. 2 a 3 vezes o tamanho da 4ª vértebra lombar. mais cranialmente se estende (fig. ureteres. No posicionamento VD observa-se que o rim direito se localiza mais cranialmente que o esquerdo. quando há gordura no retroperitônio.5 vezes o comprimento da 2ª vértebra lombar. sendo que os primeiros são melhor distinguidos das demais estruturas da cavidade abdominal. 28 . À medida que se torna cheia. É indicado preparo do paciente com dieta hídrica por 24 horas. No cão. em projeção lateral.24 – Radiografia de abdome normal de cão. bexiga e uretra. laxante suave e.Figura 2. Os ureteres se estendem da pelve renal ao trígono da bexiga. com evidência do baço (seta). enema morno 6 horas antes do exame. para limpeza completa do trato digestório. EXAMES CONTRASTADOS UROGRAFIA EXCRETORA É a técnica utilizada para melhor avaliação radiológica das estruturas do sistema urinário.1). sempre que as condições do paciente o permitir. os rins têm. o que não é imprescindível.5 a 3. apresentando-se parcialmente sobrepostos (fig. na região dorso caudal desta. se necessário. usualmente identificáveis na porção dorsal do abdome. No gato.3. Para maior conforto do animal. em média. CAPÍTULO III SISTEMA URINÁRIO Este sistema compreende rins. necessitando de meio de contraste para serem identificados radiologicamente. mas no canino macho o osso peniano indica a posição terminal desta estrutura. Os rins são móveis. 2. Para adequada avaliação do sistema urinário é necessário o preparo do animal.1). Ao exame radiológico simples apenas rins e bexiga são visualizados. A bexiga depende de seu conteúdo para ser identificada.

Figura 3. Neste exame observa-se primeiramente os rins opacificados. projeção lateral e VD evidenciando rins.kg-1. parcialmente sobrepostos (setas pequenas) e bexiga (seta grande) de gato.kg–1 é injetado para o interior da bexiga via cateter adaptado a uma seringa. Pode-se recorrer a sedação em caso de manifestação de dor. inicia-se o procedimento da urografia excretora: via endovenosa. Figura 3. PNEUMOCISTOGRAFIA Ar ou óxido nitroso na dose de 6 a 12ml.1 – Rins direito mais cranial e esquerdo. seguindo-se de outras aos 2. nas incidências lateral e VD. É 29 . ureteres e bexiga. esta última preenchida por contraste diluído na urina (fig. administra-se composto orgânico específico para vias urinárias.2 – Urografia excretora. onde se inserem e.2). em geral à base de diatrizoato sódico e diatrizoato de meglumina. 3. finalmente. até que o órgão esteja moderadamente distendido. na dose de 3ml. visando conforto do paciente. esta última com defeito de preenchimento causado por neoplasia. Ao término da administração do contraste efetua-se a primeira radiografia. a seguir os ureteres que aparecem como duas linhas radiopacas estendendo-se da pelve renal até o trígono da bexiga. 5 e 10 minutos.Após avaliação do preparo e fatores de exposição através do exame simples.

A B Figura 3. o que requer em torno de 6 a 12ml. A imagem foi delineada por linha pontilhada por ser de difícil visualização.4 – Cistografia. O excesso é removido.kg –1 (fig. em projeção L e VD demonstrando massa tumoral no interior da bexiga de uma cadela.3 – Pneumocistografia evidenciando urólitos radiolucentes e sonda. Diagnóstico comprovado em cirurgia. 3. 30 . 3. Figura 3. ar ou óxido nitroso até obter moderada distensão do órgão. CISTOGRAFIA COM DUPLO CONTRASTE O contraste positivo é introduzido na bexiga em quantidade suficiente para envolver a mucosa vesical. Este exame proporciona boa avaliação da mucosa. CISTOGRAFIA Contraste orgânico é diluído a 5% em solução fisiológica e introduzido na bexiga por meio de uma sonda uretral até que o órgão esteja moderadamente distendido.importante a remoção de toda a urina presente na bexiga antes da administração do contraste negativo (fig. então. administrando-se.3).4 A e B).

3. 3. o outro rim pode ser hipertrofiado para compensar. não opacificadas. NEOPLASIA Poderá ser observado aumento de tamanho do rim ou irregularidade no contorno.5) são alterações passíveis de ocorrer. 31 . o cisto não se destaca do parênquima. é visto como densidade radiopaca no interior da pelve renal. cálculos ou ligadura acidental em cirurgia. haverá necessidade de exame contrastado (urografia excretora) ou ultra-sonográfico para confirmação. Nota: cálculos radiopacos são compostos de fosfato triplo ou oxalato de cálcio. Por conter líquido no interior. Estas alterações são melhor demonstradas pela urografia excretora. ruptura de ureter e hidroureter (fig.ALTERAÇÕES RINS DEFEITOS CONGÊNITOS Entre os defeitos congênitos. Ultra-som é o meio ideal para este diagnóstico. Rim pequeno e nodular poderá sugerir nefrite crônica ou rim terminal. URETERES Cálculo. CISTO RENAL Usualmente causa distorção no contorno do rim. Ao exame radiológico o rim aparecerá como uma grande massa radiopaca de contornos lisos. que pode ser conseqüente a massas abdominais. INFARTO RENAL Áreas de infarto poderão ser demonstradas como não funcionais à urografia excretora. Neste caso. a ectopia e a hipoplasia renal. RUPTURA RENAL Diagnóstico feito pela urografia excretora. NEFRITE Diagnosticada por outros meios que não o radiológico. isto é. podendo ser este rim afuncional. CÁLCULO RENAL Também chamado de urólito. sendo que estas últimas são detectadas ao exame contrastado. esta alteração ocorre por obstrução de ureter (fig. algumas vezes preenchendo a mesma. Se os cálculos forem radiolucentes. onde haverá extravasamento do contraste. enquanto os radiolucentes são formados por urato de amônia ou de cistina.5). HIDRONEFROSE Usualmente. cita-se a aplasia.

se apresentarão um pouco menos radiolucentes que o ar (fig. se poderá observar a trajetória da uretra do macho com acúmulo de cristais. 3.3). CÁLCULOS São comuns em cães. já que os pequenos são facilmente eliminados através da uretra curta. 3. o meio de imagem mais indicado é o ultra-som. uma vez que a mucosa vesical não é distinguível ao exame radiográfico simples e mesmo à cistografia ou pneumocistografia. 3. se não impossível.6). 32 . discreta alteração da mucosa poderá ser imperceptível.Figura 3. Nas fêmeas é comum a presença de poucos cálculos e grandes. BEXIGA CISTITE O meio de imagem indicado para este diagnóstico é o ultra-som. são facilmente observáveis (fig. especialmente na base do osso peniano (fig. À pneumocistografia aparecerá como uma massa radiopaca em contraste com a radiolucência do ar administrado. uma vez que a maior ocorrência é de cristais. Neste caso. de serem observados na radiografia. NEOPLASIA Não é visualizada ao exame simples. Quando radiopacos. 3. 3. poderão depender de contraste negativo para serem evidenciados.6 B). Se radiolucentes.4). imagem semelhante à obtida na urografia excretora (fig. muitas vezes sendo evidenciados na uretra. Em gatos. Nos machos observam-se cálculos de todos os tamanhos e em grande número pela dificuldade de serem eliminados.2). À cistografia a imagem será de uma massa menos radiopaca que o contraste positivo administrado (fig. difícil. Eventualmente.5 – Hidroureter demonstrado por urografia excretora em cão.

7). ESTENOSE 33 . Figura 3. RUPTURA Perceptível apenas ao exame contrastado.7 – Ruptura de bexiga diagnosticada por cistografia. DIVERTÍCULO Pode ser de origem traumática ou ocorrer no ponto onde se fixava o úraco no feto (estrutura que proporciona comunicação entre a bexiga e o saco alantóide). onde o divertículo colecionará sedimento. proporcionando recidivas. a não ser em casos de cistite. quando será visualizado ar ou contraste positivo livre na cavidade abdominal.A B Figura 3. como já comentado (fig. Cálculos grandes na bexiga (A) e pequenos preenchendo a bexiga e a uretra (B). URETRA CÁLCULOS Poderão ser observados na trajetória da uretra de cães e gatos machos. onde o contraste extravasou para a cavidade abdominal.6 B). 3. Contraste positivo é o mais indicado por ser mais facilmente observado ao extravasar (fig.6 – Cálculos radiopacos na bexiga de um cão. Poderá não ter nenhum significado clínico. 3.

Se apresentará aumentada em casos de neoplasia. ou o será parcialmente. 4. 3. CAPÍTULO IV SISTEMA REPRODUTOR MACHO PRÓSTATA Na maioria das raças de cães e nos gatos. URETRA Vista no sistema urinário. Só a ultra-sonografia ou outro meio de auxílio ao diagnóstico poderá fornecer esclarecimento quanto ao diagnóstico. Figura 4. 34 . tem sua visualização.8 – Fratura de osso peniano em cão (seta). Localizada caudalmente à bexiga.8). uma vez que esta puxa a próstata para a frente.1 – Próstata aumentada de volume em cão (seta). nos cães. Figura 3.1). a próstata normal não será identificada na radiografia. quando repleta (fig. prostatite ou hiperplasia prostática benigna. TESTÍCULOS Devem ser investigados por outro meio que não o radiológico. ao redor da uretra. dependente do conteúdo da primeira.Fratura de osso peniano no cão é a causa mais comum desta alteração (fig.

FÊMEA O útero consiste em colo. componentes do sistema reprodutor das fêmeas. se poderá visualizar cabeça. a coluna estará distendida ou suavemente curvada (fig. não haverá deposição de cálcio no esqueleto dos fetos. sendo que. a radiografia possa ser utilizada na falta deste recurso. Após a calcificação dos esqueletos.2) e o crânio apresentará continuidade em seu contorno.2 – Gestação em cadela. podendo levar à confusão com piometra que será discutida adiante. Os ovários estão localizados caudalmente aos rins. estes últimos totalmente dentro do abdome. embora o diagnóstico não possa ser afirmado. mucometra ou hidrometra se caracterizam por 35 . embora. sendo que para este fim. Figura 4. corpo e cornos. conta-se os crânios. A radiografia é um meio confiável para a contagem do número de fetos. poderão ser visualizados como massa densidade água deslocando estruturas adjacentes. É importante ter-se conhecimento da história clínica da paciente. em caso de tumoração. coluna e membros. bem como hemometra. Presença de feto com características normais. PRENHEZ Esta condição está entre os casos passíveis de serem diagnosticados radiograficamente. enquanto o corpo tem parte no abdome e o restante na pelve. ÚTERO PIOMETRA Esta alteração. Estas estruturas. em condições normais. Ultrasonografia é o meio de diagnóstico por imagem indicado para avaliá-las. ALTERAÇÕES OVÁRIOS Quando os ovários estiverem aumentados de tamanho. uma vez que até em torno do 42° dia de gestação na cadela e 39° dia na gata. exceto na região da fontanela. 4. por exemplo. não são identificáveis ao exame radiográfico quando em condições normais de saúde.

homogênea. Figura 4. Durante a involução uterina pós-parto. podendo haver confusão se não for conhecida a história da paciente. conforme o conteúdo do mesmo (fig.Feto enfisematoso. caracterizando fisometra (fig. os fetos mortos apresentarão áreas de radiolucência em seu interior e ao redor. poderá ocorrer evidência só de gás no interior do útero. 4. A coluna se apresentará dobrada ou enrolada e é possível perceber sobreposição dos ossos do crânio (fig. 4. FETO MUMIFICADO Após a morte do feto. fazendo com que a estrutura óssea torne-se muito evidente. ocorrerá reabsorção dos tecidos moles. também se poderá detectar aumento desta estrutura.3).4 A). Setas apontam os cornos uterinos distendidos. A B Figura 4.5) 36 . FETO ENFISEMATOSO Havendo infecção.4 B).aumento do volume uterino. o qual apresenta-se como uma estrutura de densidade água. correspondente ao gás produzido (fig. Havendo morte do embrião e contaminação. não havendo infecção. caracterizado pela radiolucência no interior e em torno do mesmo.4 – Fetos mumificados (A) Seta aponta crânio com ossos sobrepostos. 4. B.3 – Piometra. variando de tamanho. partindo da porção caudal do abdome em sentido cranial. 4.

das cartilagens tiróide. DISTOCIA Situação na qual o parto normal fica impedido.1 A e 5. em condições normais. LARINGE É a estrutura que se segue à faringe (já estudada no sistema digestório).1). se constituem de tumorações. 5. apresentam ar em seu interior determinando radiolucência e evidenciando os cornetos como linhas radiopacas irregulares (fig. 5. como Sticker. demonstrando apresentação ou tamanho dos fetos. contrastando com o ar contido na luz do órgão (fig. 5. CAPÍTULO V SISTEMA RESPIRATÓRIO FOSSAS NASAIS O sistema respiratório inicia nas fossas nasais que.1 B). 37 . ponto onde se bifurca. radiolucente. são alterações passíveis de serem diagnosticadas.4 A). A densidade dos esqueletos se apresentará semelhante a dos mumificados. Ao penetrar no tórax a traquéia inclina-se ventralmente em direção à base do coração (fig. TRAQUÉIA Estrutura tubular preenchida por ar. muito discretamente. As alterações nesta estrutura. originando os grandes brônquios. Calcificação da laringe ou deslocamento e compressão por massas adjacentes. incompatível com parto normal. O exame radiológico é de grande auxílio. 2. sendo identificada radiologicamente pela imagem da epiglote e. em geral.Figura 4.1 C). aritnóide e cricóide. por exemplo (fig. 5 – Fisometra em cadela PRENHEZ ECTÓPICA Caracterizada pela localização dos fetos fora dos cornos uterinos. que se estende da laringe à carina.

Figura 5.A B C Figura 5. a tomada radiográfica deve ocorrer na fase expiratória. porque. se tornar paralela à coluna torácica (fig. 6. sendo melhor visualizado em projeção lateral.1 – Fossas nasais de cão sem alteração. Já. podendo se restringir à região cervical ou à torácica. para identificação do colapso da traquéia torácica. se ocorrer excessiva 38 . a radiografia deve ser efetuada durante a inspiração.2) ou cervicais. COLAPSO TRAQUEAL O colapso traqueal usual ocorre no sentido ventro-dorsal. podendo. Projeção fronto-mandibular (FM) (A) e lateral (L) (B). ALTERAÇÕES DESLOCAMENTO TRAQUEAL Pode ocorrer por compressão por massas mediastinais (fig.2 – Desvio traqueal por massa mediastinal em cão.1). às vezes. Tumor de Sticker em fossa nasal de cão (C). Projeção MF. Cuidado deve ser tomado ao posicionar o paciente. Para evidenciar o colapso traqueal cervical. 5. Observar a densidade aumentada (seta) e destruição do vômer. ou por aumento de tamanho do coração.

3 B e 5. O feixe de raios x é centrado na altura da 5ª costela (fig. distinguindo-se apenas os vasos pulmonares que se apresentam radiopacos. evitando a rotação. Qualquer alteração pulmonar que produza perda de ar. 5ª ou 6ª costela. Quando feita a radiografia durante a inspiração.4 B). proporcionam bom contraste para a visualização das estruturas intratorácicas. A radiografia do tórax deve ser feita no final da inspiração. É importante efetuar a radiografia no menor tempo possível. A cabeça é mantida baixa entre os membros anteriores e o feixe de radiação centrado na altura da 6ª costela. com os membros anteriores tracionados cranialmente. como pregas cutâneas e mamilos. quando na expiração. Para a incidência lateral. 39 . como a imagem radiopaca dos vasos pulmonares e do mediastino com coração e grandes vasos. em projeção L (A) e DV (B). para evitar imagem tremida pelo movimento respiratório. o diafragma alcançará 7ª ou 8ª costela. como brônquios. Para o posicionamento DV (fig. o paciente é colocado em decúbito esternal.3 A e 5.extensão do pescoço. deve-se cuidar o posicionamento do paciente. Para uma boa imagem radiográfica. Os membros posteriores são flexionados apoiando os joelhos sobre a mesa. normalmente cheios de ar. O esterno deve ficar no mesmo plano das vértebras torácicas. levando a falso diagnóstico de colapso. As vértebras devem se sobrepor ao esterno. com os membros anteriores puxados para a frente e os cotovelos abduzidos. mas uma imagem radiolucente homogênea. proporcionando melhor evidência das estruturas radiopacas diante da radiolucência do ar. ele é colocado em decúbito lateral sobre a mesa (filme).4 A). fará com que os vasos tornem-se menos evidentes. bronquíolos ou alvéolos. Na imagem radiográfica dos pulmões normais não estão evidentes os espaços aéreos. Estes vasos são vistos como linhas convergentes em pares e de menor calibre na periferia do tórax ou como pontos radiopacos que vão diminuindo de tamanho da região do hilo à periferia. haverá diminuição da luz da traquéia. PULMÕES Os pulmões. Nota: Atentar para imagens radiográficas estranhas à cavidade torácica.3 – Tórax de felino demonstrando pulmões e coração normais. 5. A B Figura 5. evitando falso diagnóstico. 5.

que poderá receber uma classificação mais específica. PADRÃO ALVEOLAR É produzido por fluídos ou secreções que preenchem os espaços aéreos. os espaços aéreos preenchidos por secreção. Aorta (seta branca). 5. traquéia (seta preta). projeção L (A) e DV (B) demonstrando pulmões e coração normais. predominando na radiografia a imagem radiolucente do ar contido nos espaços aéreos. 5. os vasos. sem distinção de brônquios ou bronquíolos. enquanto os livres de secreção continuam com ar em seu interior.A B Figura 5. 5. podem ficar indistingüiveis. que normalmente são evidentes. como intersticial linear ou reticulado (fig. hemorragia (fig. este passa a ser evidente. com formações nodulares.7 B). se observará padrão pulmonar correspondente. pela imagem que apresenta na radiografia. edema pulmonar (fig. PADRÃO INTERSTICIAL O parênquima pulmonar é muito fino. determinando a imagem radiolucente dos pulmões. Quando alguma afecção faz com que o parênquima se torne espesso ou edemaciado ou.9 A) e afogamento são exemplos de afecções que proporcionam padrão alveolar. determinando imagem de manchas radiopacas nos pulmões ou radiopacidade homogeneamente distribuída em todo o campo pulmonar. ALTERAÇÕES PADRÕES RADIOLÓGICOS PULMONARES Dependendo da afecção pulmonar. o que caracteriza o broncograma aéreo ou aerobroncograma (fig. pneumonia micótica. Em caso de doenças que determinam padrão alveolar. proporcionam densidade radiopaca. edema intersticial (fase inicial do edema pulmonar) e neoplasia ou metástases pulmonares.7 A) e nodular (fig. Diante destas imagens que aparecem radiopacas sobre o campo pulmonar. Como dito acima. os espaços aéreos apresentam-se preenchidos por ar. ficando sua imagem evidente.6 A). Pneumonia viral.4 – Tórax de cão. 5. 5.6 B). ainda. em condições normais. 40 . determinam o padrão intersticial.5). Pneumonia bacteriana (fig. 5.

A B Figura 5. 41 .6 – Imagem radiográfica de tórax evidenciando padrão alveolar em paciente com hemorragia pulmonar (A) e pneumonia (B). Diagnóstico de pneumonia bacteriana.Figura 5. Setas apontam broncograma aéreo.7 – Imagens radiográficas de tórax de cães demonstrando (A) padrão intersticial reticulado e (B) padrão nodular.5 – Imagem radiográfica de tórax de cão evidenciando padrão alveolar. A B Figura 5.

PADRÃO VASCULAR Os vasos pulmonares têm uma superfície uniforme e um diâmetro compatível com o tamanho do animal. Em alterações que determinam congestão dos mesmos, como cardiomiopatia e insuficiência da válvula mitral, os vasos tornam-se ingurgitados e tortuosos, determinando o chamado padrão vascular aumentado (fig. 5.8 B). Quando, ao contrário, os vasos tornam-se menos calibrosos, como em caso de hipovolemia, tetralogia de Fallot e desidratação, determinam o padrão vascular diminuído. PADRÃO BRONQUIAL Os brônquios, assim como o parênquima pulmonar, não se distinguem na imagem radiográfica. Quando ocorrer espessamento da parede bronquial (fig. 5.8 A), como em casos de bronquite crônica ou em animais muito velhos, esta se tornará evidente, como estrutura radiopaca circular ou linear, conforme o corte, transversal ou longitudinal.

A

B

Figura 5.8 – A- Imagem radiográfica ampliada da região do hilo pulmonar evidenciando o padrão bronquial (setas). B - Radiografia de tórax demonstrando o padrão vascular aumentado (setas).

PNEUMONIA BACTERIANA É uma infecção que ocorre pelas vias respiratórias, instalando-se o agente na luz destas vias, determinando produção de secreção. Neste caso o padrão pulmonar será o alveolar (fig. 5.5 e 5.6 B), que se distribuirá em todos os lobos ou, o que é mais comum, em maior concentração a partir do hilo, podendo afetar um lobo mais que outros. PNEUMONIA VIRAL Este tipo de infecção determina um padrão intersticial linear ou reticulado (fig. 5.7 A). Na fase inicial da doença ou quando tratada precocemente, é possível que não se observe alteração pulmonar na radiografia. Outras vezes, bactérias oportunistas podem se instalar nas vias aéreas de um pulmão já debilitado pela pneumonia viral, determinando um padrão misto na imagem radiográfica, isto é, intersticial e alveolar. BRONQUITE Esta alteração, quando crônica, determinará padrão bronquial e/ou intersticial.

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PNEUMONIA FÚNGICA Neste caso, os pulmões apresentarão um padrão intersticial nodular, que poderá levar à confusão com metástases pulmonares de pequeno diâmetro e em grande número. Cultura de lavado traqueal e a história do paciente (presença ou não de tumorações em outros órgãos), auxiliarão no diagnóstico. EDEMA PULMONAR Usualmente associado com insuficiência cardíaca esquerda, determina o padrão pulmonar alveolar (fig. 5.9 A). Broncograma aéreo é observado, em geral (fig. 5.6 B). NEOPLASIA PULMONAR Neoplasia pulmonar primária é relativamente rara em cães. Pode ocorrer como um nódulo único ou multifocal, como o carcinoma bronquíolo-alveolar multifocal. Outras condições podem causar densidades nodulares solitárias, como abscesso, infarto, cisto ou granuloma. Metástases pulmonares se caracterizam por múltiplas densidades, com tamanhos variados distribuídas pelo pulmão (fig. 5.7 e 5.9 B). São identificáveis radiologicamente a partir de três a 5mm de diâmetro.

A

B

Figura 5.9 – A- Imagem radiográfica de tórax de cão evidenciando edema pulmonar conseqüente a insuficiência cardíaca esquerda. B- Imagem radiográfica de tórax de cão demonstrando vários nódulos radiopacos, compatíveis com metástases pulmonares (setas).

PNEUMOTÓRAX Alteração, em geral, determinada por trauma, se caracteriza por ar no interior da cavidade torácica, ao redor dos pulmões. É possível visualizar as bordas dos lobos pulmonares devido à retração dos mesmos em relação à parede costal e diafragma. Na projeção lateral há um afastamento do coração em relação ao esterno. Isto se deve ao espaço proporcionado pelo colabamento pulmonar, fazendo com que o coração se desloque (fig.5.10).

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A

B

C

Figura 5.10 – Imagem radiográfica de tórax de cão (A) e gato (B e C) demonstrando pneumotórax.

O pneumotórax pode ser aberto ou fechado: • Aberto, quando há solução de continuidade da parede, entrando o ar exterior para o tórax. • Fechado, o ar contido no tórax é proveniente dos pulmões. Obs: A observação da continuidade ou não da parede é feita clinicamente. ENFISEMA PULMONAR Em caso de enfisema pulmonar a radiolucência estará exacerbada devido ao excesso de ar contido nos pulmões. O tórax torna-se distendido, o espaço intercostal aumentado, determinando imagem semelhante a um barril na radiografia DV e o diafragma deslocado caudalmente, melhor evidenciado na incidência lateral. EFUSÃO PLEURAL Caracteriza-se pela presença de líquido na cavidade torácica determinando radiopacidade homogênea ao redor dos lobos pulmonares radiolucentes (fig.5.11). Em caso de dúvidas, deve-se fazer a radiografia lateral com o paciente em estação, proporcionando que o líquido desça e incidindo o raio no sentido horizontal. O tipo de líquido não é identificado radiologicamente, podendo tratar-se de exsudato, transudato ou transudato modificado. Como causa de efusão pleural, pode-se citar a insuficiência cardíaca congestiva, piotórax, mediastinite, quilotórax, entre outras.

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a distância foco-filme pode ser mantida em 90cm. levando a um aumento da imagem daquele. onde vísceras abdominais se insinuaram no tórax. O formato cardíaco varia nas diferentes raças. CAPÍTULO VI CORAÇÃO E GRANDES VASOS Para avaliar coração.Figura 5.5. ainda. que aparece como uma estrutura radiolucente proveniente da região cervical direcionando-se à base do coração. para obter-se imagem proporcional do órgão em relação ao tórax. se faz necessária por ser o coração volumoso e. ficando a base do mesmo sobre a linha média e o ápice à esquerda desta.11 – Radiografia de tórax de cão evidenciando efusão pleural. Em pacientes de pequeno porte. forma um ângulo agudo com a coluna torácica. Fig. aparentemente grande. Neste posicionamento a traquéia. 5. sejam sugadas para o interior daquele. Esta distância.4) em projeção DV apresenta a borda direita mais arredondada e a esquerda mais aplainada. mas constata-se a sua integridade pelo limite bem definido entre cavidade torácica e abdominal. no centro do tórax. caracterizando a hérnia diafragmática (fig. o ápice cardíaco toca ligeiramente ou nem alcança o esterno. graças à diferença de densidade entre pulmões radiolucentes e fígado radiopaco. com desvio do mediastino para este lado. Na maioria das vezes ocorre um hemitórax. O eixo do coração é dirigido para o lado esquerdo.12 – Imagem radiográfica evidenciando hérnia diafragmática. com distância foco-filme de 1m a 1.12). as projeções recomendadas são lateral direita e dorso-ventral. Quando houver ruptura do diafragma. A imagem cardíaca normal (fig. sendo mais estreito e posicionado mais verticalmente nas raças de tórax profundo e mais arredondado e em contato 45 .2m. como fígado. se desfará a pressão negativa presente no tórax. • Lado indene: padrão pulmonar normal. fazendo com que as vísceras do abdome. melhor identificado em projeção VD ou DV. HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA O músculo diafragma não é visualizado. estômago ou alças intestinais. 5. componente do sistema respiratório. Características do hemitórax: • Lado afetado: desaparecimento da linha do diafragma e áreas de radiodensidade variável. dependendo das estruturas herniadas. Em projeção lateral.

quando comparado aos adultos. eventualmente.1). enquanto o lado esquerdo. podendo-se perceber o cajado aórtico proeminente. Marca-se a borda cranial da 4ª vértebra torácica e. na projeção DV. já que 46. apresentaram imagem cardíaca que seria considerada aumentada. da base.67% dos animais destas raças. cranialmente ao coração e. o coração tomará maior porção da cavidade torácica (fig. • Em projeção DV: a silhueta cardíaca aproxima-se da parede costal bilateralmente. em decúbito direito. estes vasos são pouco visualizados. correndo paralela à coluna vertebral. apresentando. Para avaliação cardíaca pelo exame radiológico. no ponto mais largo do coração. Nas raças YorkshireTerrier e Maltês.com o esterno nas raças de tórax cilíndrico.5 corpos vertebrais. a partir daí.3) é relativamente menor que o de cão e está posicionado mais obliquamente. tem se percebido que esta fórmula não confere resultado fidedigno. a sombra deste vaso sobre a imagem cardíaca. em projeção lateral. 6. estará paralela a esta. Em projeção DV. Na imagem radiográfica. radiografados em experimento em andamento em nossa instituição. a artéria aorta aparece como uma estrutura linear emergindo da parte superior da borda anterior cardíaca. Ultrapassando este número. DILATAÇÃO CARDÍACA DIREITA Em caso de dilatação ventricular direita. corresponde à porção mais caudal e dorsal do mesmo. Cães jovens. dentro da caixa torácica. ALTERAÇÕES DILATAÇÃO CARDÍACA GENERALIZADA Quando o coração apresentar aumento generalizado. ou meios objetivos como o método de Buchanan e Bücheler no qual. ao longo da coluna torácica. incluindo velhas lesões valvulares e doença do miocárdio. corresponde à porção mais cranial e ventral. Lado esquerdo cardíaco perpendicular ao esterno em vez de arredondado. O coração de gato (fig. adota-se meios subjetivos como a experiência do radiologista. considerando-se o tamanho do coração em relação ao tórax. Se somarem até 10. estendendo-se da imagem do átrio esquerdo ao abdome. É importante lembrar que o chamado lado direito no coração dos animais. até o ápice. o coração será considerado aumentado de tamanho. 5. A veia cava caudal ou posterior é visualizada com o mesmo padrão da aorta. lado esquerdo e direito afetados. entre outras. a característica imagem de 46 . Maior contato do lado direito do coração com o esterno. que em lugar de se apresentar formando um ângulo agudo com a coluna torácica. toma-se a distância obtida nas mensurações. com a imagem radiográfica obtida em projeção lateral. considera-se normal o tamanho cardíaco. na borda ventral da carina. mede-se o comprimento do coração. sem sinais clínicos de alteração cardíaca. às vezes. O aumento cardíaco generalizado pode ser resultado de várias condições. São características desta alteração: • Em projeção lateral: deslocamento dorsal da traquéia. até em torno dos 6 meses. porém com menor diâmetro. isto é. Mede-se também a largura. a borda direita estará mais arredondada e próxima à parede torácica. usando-se para isso uma linha perpendicular à primeira. Conta-se o número de vértebras abrangidas. têm o tamanho cardíaco maior em relação ao tórax.

DILATAÇÃO DA AORTA Em projeção lateral aparece como uma proeminência na região do átrio direito. uma vez que desloca o esquerdo dorsalmente.D invertido (fig. A B Figura 6. com diminuição do espaço entre este e a parede costal (fig. Traquéia deslocada dorsalmente (seta).2 B). O aumento do átrio esquerdo (fig.3 A). 6. 6. DILATAÇÃO CARDÍACA ESQUERDA Em projeção lateral a borda caudal do coração apresenta-se perpendicular ao esterno (dilatação ventricular) (fig. Em caso de aumento do átrio as bordas posterior e dorsal do coração formam um ângulo reto e não uma curva.2 A). Na DV causa um aparente aumento no comprimento do coração.3 B). Na projeção lateral. Figura 6. 6. Nesta incidência o átrio esquerdo muito aumentado pode produzir dupla sombra onde se sobrepõe ao ventrículo direito. Dilatação do átrio direito geralmente está associada à dilatação do ventrículo e desloca a traquéia dorsalmente. 47 . como seria normal. Em projeção DV observa-se aumento da região caudal esquerda do coração. 6.1 – Imagem radiográfica de tórax de cão evidenciando dilatação cardíaca generalizada e padrão vascular aumentado. 6.2 – Radiografia de tórax de cão evidenciando dilatação cardíaca direita. a borda cranial do coração se apresentará arredondada e a maior parte do ventrículo direito estará em contato com o esterno (fig. em projeção D-V (A) e L (B).3 C) faz com que os grandes brônquios não apareçam sobrepostos na radiografia.

Dilatação de átrio esquerdo (C). proporcionando que estruturas do abdome se insiram entre o coração e o pericárdio (fig. DILATAÇÃO DA ARTÉRIA PULMONAR Diagnosticada na projeção DV. por exemplo (6.4 – Radiografia de tórax de cão evidenciando dilatação de artéria pulmonar (A). 48 . 6.5). conseqüente a tumor. HÉRNIA PERITÔNIO-PERICÁRDICA Alteração congênita na qual há comunicação entre a cavidade peritonial e o saco pericárdico.A B C Figura 6. onde se observa uma proeminência na porção cranial esquerda do coração (fig. 6. A B C Figura 6.4 A). EFUSÃO PERICÁRDICA O coração apresenta-se globoso pela presença de líquido no interior do saco pericárdico.4 B e C).3 – Radiografia de tórax de cão evidenciando dilatação cardíaca esquerda (A e B). hérnia peritônio pericárdica (B e C).

1 Hz • 1 000 ciclos/s . A profundidade que o som alcança depende da freqüência do transdutor. O transdutor contém um cristal (ou cristais) piezoelétrico que vibra ou pulsa ao receber impulso elétrico. Freqüência de milhões de ciclos/s tem um curto comprimento de onda (essencial para uma boa resolução da imagem). o som atravessa as diferentes interfaces biológicas do mesmo as quais emitem eco que é captado pelo próprio transdutor. também conhecido por sonda ou probe. Em íntimo contato com a pele do paciente. FREQUÊNCIA É definida como o número de vezes que uma onda é repetida (ciclos) por segundo. • 20 000 ciclos/s . A onda sonora (eco) captada é transformada em pulso elétrico. emitindo ondas de ultra-som.1 MHz 49 . um monitor e um software. determinando imagem em pontos sucessivos na tela do aparelho.20 kHz (audível pelo ouvido humano) • 1 ciclo /s .1 kHz • 1. CAPÍTULO VII INTRODUÇÃO À ULTRA-SONOGRAFIA BASES FÍSICAS DO ULTRA-SOM Um aparelho de ultra-sonografia (ecografia) é composto por um transdutor.000 ciclos/s .000.5 – Efusão pericárdica em cão conseqüente a tumor no coração.Figura 6.

1 A e B – Orientação do transdutor correspondente à imagem do plano sagital do paciente. 7. ou transversal (fig.5MHz) são mais indicados para exame abdominal de estruturas superficiais. Ex: Transdutores de alta freqüência (7. ORIENTAÇÃO DA IMAGEM Conforme a posição do transdutor na superfície corporal do animal. será determinada a orientação da imagem. • Hipoecóico-Hipoecogênico: ecos esparsos. enquanto os de baixa freqüência (< 5 MHz) são mais utilizados para cães de porte médio e grande. A profundidade que o som penetra no tecido é inversamente proporcional à freqüência empregada. 7.000 ciclos/s ↔ 2 a 15 MHz COMPRIMENTO DE ONDA É a distância que a onda percorre durante 1 ciclo. 50 . reflexão intermediária (cinza). TERMINOLOGIA • Anecóico-Anecogênico-Transônico: ausência de ecos (preto) • Ecóico-Ecogênico: presença de ecos • Hiperecóico-Hiperecogênico: ecos brilhantes. Esta poderá ser longitudinal (sagital) (fig. Sons de alta freqüência são mais atenuados que sons de baixa freqüência. Ecogenicidade dos tecidos e fluidos corporais em ordem crescente: Bile/ Urina → Medula renal → Córtex renal → Fígado → Baço → Próstata VENTRAL CRANIAL CAUDAL CRANIAL CAUDAL A B DORSAL Figura 7. maior a freqüência e melhor a resolução. estruturas altamente reflexivas (branco).1 A e B). felinos e cães de pequeno porte. A freqüência e o comprimento de onda são inversamente relacionados. atingindo menor profundidade. • Isoecóico-Isoecogênico: estruturas com a mesma ecotextura (aparência superficial e profunda do órgão) ou ecogenicidade. Quanto menor o comprimento de onda.• Ultra-som: 2 a 15.000.2 A e B).

cólon A B Figura 7.VENTRAL LADO DIREITO LADO DIREITO A B Figura 7. determinando a imagem de reverberação desde o topo da imagem ecográfica.Reverberação interna: determinada por gases no interior do corpo do paciente.Reverberação externa: quando o contato entre o transdutor e a pele não é total.4 . 7.3 – Linhas hipo e hiperecóicas alternadas demonstrando a reverberação (setas) externa (A) e interna (B).4 A e B). DORSAL ARTEFATOS REVERBERAÇÃO: Imagem de linhas ecogênicas sucessivas. 7.3 A e B). SOMBRA ACÚSTICA: zona anecóica determinada por estrutura hiperecóica que impede a progressão do ultra-som nos tecidos. refletindo-o completamente (fig. A B Figura 7. 51 . .Sombra acústica suja causada por gases em cólon (A) e limpa. determinadas pela repetição do eco devido a ar ou gás na trajetória do ultra-som (fig.2 A e B – Orientação do transdutor correspondente à imagem do plano transversal do paciente. causada por cálculo vesical (B) .setas brancas. . paralelas à superfície da pele. Ex: Cálculo urinário – hiperecóico (determina sombra limpa). cólon com gases (determina sombra suja).

além da imagem normal. 52 .6). determinando imagem hiperecóica (fig. causada pela refração das ondas sonoras (fig. CAPÍTULO VIII ULTRA-SONOGRAFIA DO ABDOME EM PEQUENOS ANIMAIS BAÇO O baço tem localização intraperitoneal no hipocôndrio esquerdo e geralmente acompanha a curvatura maior do estômago. o diafragma em relação aos pulmões. como por exemplo. Ex: bexiga com urina. altamente reflexiva.5 A e B). O corpo e a cauda são bastante móveis podendo ser visibilizados em diferentes locais do abdome.6 – Sombra de borda (setas). 7. causada por interface arredondada. Figura 7. SOMBRA DE BORDA: sombra acústica distal à estrutura arredondada. o que poderá determinar imagem do fígado posterior ao diafragma. 7. fazendo com que este chegue com muita intensidade nos tecidos posteriores à mesma. pode cruzar a linha média ventral ou estender-se caudalmente para a região da bexiga. Quando está aumentado.5 A e B – Reforço acústico posterior (setas). B A Figura 7. anterior ao mesmo. IMAGEM DE ESPELHO: Imagem dupla de uma estrutura.REFORÇO POSTERIOR: uma estrutura anecóica (conteúdo líquido) conduz muito bem o som.

Possui parênquima homogêneo e é considerado hiperecogênico em relação à cortical renal e parênquima hepático. podendo ser mistas. ESPLENOMEGALIA É a alteração mais freqüente do baço. Infecciosa e/ou Inflamatória: acompanhando afecções sistêmicas. A região do hilo (vasos e nervos) é facilmente visibilizada (fig. intestino delgado.1 B) e por células não neoplásicas (amiloidose). • Congestiva: associada a condições toxêmicas. Raramente é o local de doença primária. distúrbios hematopoiéticos generalizados e alguns distúrbios metabólicos.1 – (A) Baço normal (seta). (B) Neoplasia esplênica em cão. ALTERAÇÕES DIFUSAS DO PARÊNQUIMA ESPLÊNICO Por fazer parte do sistema reticuloendotelial. A esplenomegalia difusa pode ser: • Infiltrativa: causada por células neoplásicas (fig.1 A). lobo esquerdo do pâncreas e rim esquerdo. sólidas ou cavitárias. torção esplênica. ALTERAÇÕES FOCAIS DO PARÊNQUIMA ESPLÊNICO Podem acompanhar ou não esplenomegalia. É triangular em seção transversal e situa-se quase paralelo à curvatura maior do estômago. A ultra-sonografia detecta a presença de lesões difusas ou focais. o baço é envolvido em todas as inflamações sistêmicas. FÍGADO 53 . trombos vasculares. VL: veia lienal. insuficiência cardíaca congestiva direita e hipertensão portal. 8. administração de anestésicos e tranqüilizantes. • Hiperplásica.ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO BAÇO Anatomicamente se relaciona com o estômago. Nos processos crônicos a ecogenicidade pode estar aumentada. 8. Aspecto rendado. As lesões são classificadas como neoplásicas e não neoplásicas e possuem aparência sonográfica variável. O aumento do calibre dos vasos é característico de congestão. O parênquima pode apresentar ecogenicidade normal ou diminuída. O baço é envolto por uma cápsula ecogênica. VL Figura 8.

A avaliação do tamanho hepático é subjetiva. 8. A dimensão ecográfica do fígado normal é variável. indicam hepatomegalia.2). a presença dos lobos hepáticos ultrapassando os limites do gradil costal ou o deslocamento caudal do rim direito. ascite. no 7o espaço intercostal na região ventrolateral direita. A vesícula biliar possui parede hiperecogênica que pode medir de 1 a 5mm de espessura. O padrão sonográfico normal é de ecotextura homogênea mais grosseira que do baço. VB A B Figura 8. sedentários ou endocrinopatas (fig. lobo quadrado. 8. A ecogenicidade hepática é avaliada através da comparação com os órgãos de referência (rins e baço). Um achado normal por ultra-som. tornando seu completo exame mais difícil.3 A). idosos. A ultra-sonografia hepática está indicada diante de icterícia e quando há suspeita de ruptura de diafragma. 8. quando repleta. hepatomegalia.2 B). Em cães de tórax profundo o exame deve ser realizado entre os últimos 3 a 4 espaços intercostais. Normalmente é levemente hiperecogênica em relação ao córtex renal e hipoecogênica em relação ao baço. A vesícula biliar se localiza. • Obstrução de vias biliares: nos processos mais avançados pode-se observar uma dilatação da vesícula biliar e região de colo alargada e tortuosa (fig. Achados sonográficos normais não descartam a ausência de obstrução. (B) Vesícula biliar com lama (seta). pesquisa de metástase e para monitorar a evolução de doenças hepáticas crônicas. o fígado é formado por quatro lobos: lobo esquerdo (subdivide-se em sublobo medial e lateral). não exclui doença hepática.O fígado é o maior órgão do abdome. Normalmente o conteúdo é anecogênico (fig. ALTERAÇÕES DA VESÍCULA BILIAR • Litíase biliar: geralmente apresenta sombra acústica. ANATOMIA SONOGRÁFICA NORMAL DO FÍGADO Em cães. entre o lobo medial direito e o quadrado. A superfície cranial do fígado está delimitada por uma linha ecogênica que representa o diafragma (fig.2 A). 54 . lobo direito (subdivide-se em sublobo medial e lateral) e lobo caudato. Linha do diafragma (seta). 8.2 – (A) Fígado canino normal. VB: vesícula biliar. O aumento da distância entre o estômago e o diafragma. contornos lisos e margens de ângulos agudos. Em cães e gatos de pequeno porte o fígado pode ser visibilizado mais facilmente pela localização subcostal. A lama biliar é um achado comum nos animais obesos.

(A) Cirrose hepática e presença de líquido livre no abdome. 8. ALTERAÇÕES FOCAIS DO PARÊNQUIMA HEPÁTICO 55 . diabetes mellitus.3 B). (B) Espessamento da parede da vesícula biliar (seta). linfoma. Seta aponta vesícula biliar com parede irregular e espessada. cirrose e colangiohepatite crônica (fig.4 – Imagem ecográfica de região hepática. hepatopatia por esteróide. linfoma. Alterações difusas hiperecogênicas (aumentam a ecogenicidade do fígado) incluem: infiltração gordurosa.• Espessamento de parede: pode acompanhar colecistite. A B Figura 8. (B) Colangiohepatite. Nas demais patologias o fígado pode se apresentar com dimensão normal ou aumentada. Nesses casos o fígado pode apresentar-se com dimensão normal ou aumentada. Geralmente a colagiohepatite crônica e a cirrose apresentam fígado de tamanho reduzido e contornos irregulares. duto dilatado (seta ).4 A e B). O espessamento focal pode estar associado a neoplasias. hipoalbuminemia ou congestão passiva (fig. leucemia e congestão passiva crônica.3 – (A) Obstrução biliar. hepatite aguda ou crônica e colangiohepatite. ALTERAÇÕES DIFUSAS DO PARÊNQUIMA HEPÁTICO As alterações difusas são de difícil detecção sonográfica por não provocarem grande modificação da arquitetura hepática. 8. A B Figura 8. Alterações difusas hipoecogênicas (diminuem a ecogenicidade hepática) podem caracterizar hepatite aguda.

para que não haja atenuação da onda sonora. Granulomas (tuberculose). Figura 8. hiperplasia nodular. ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO TRATO GASTRINTESTINAL (fig.As alterações hepáticas focais podem ser anecogênicas. O preparo prévio do paciente (jejum alimentar) para diminuir o acúmulo de gás pode ser necessário.4mm. limitando a mensuração de sua parede. 8. A espessura da parede é maior quando comparada ao restante das alças intestinais e varia de acordo com a raça (3-5mm). abscessos.4mm (na região das pregas). A reverberação causada pelo gás pode impossibilitar um exame de planos mais profundos. O baço e a bexiga servem de janela acústica para a visibilização dos demais segmentos intestinais que se localizam na região média do abdome. cistos. Nos gatos varia de 2-2. neoplásica e que alteram a motilidade gastrointestinal. neoplasias e hematomas podem calcificar. exceto em gatos que pode ocasionar evidente contração estomacal (forma de roseta). inflamatória. 8. Nos gatos a média é de 2mm (entre as pregas) e 4. O exame ultra-sonográfico deve ser realizado anteriormente a exames contrastados à base de sulfato de bário. Calcificações hepáticas aparecem como pontos hiperecogênicos que produzem sombra acústica. A avaliação sonográfica da parede do intestino grosso é dificultada pela quantidade de gás.5 . podem ser evidenciadas ultra-sonograficamente. A espessura das demais porções do intestino delgado nos cães é de 2-3mm e nos gatos de 2mm. Já os contrastes iodados. Nos cães o piloro situa-se no lado direito do abdome enquanto nos gatos está na linha média ou próximo a ela. TRATO GASTRINTESTINAL (TGI) Doenças de origem obstrutiva. No peristaltismo normal ocorrem em média de 5 contrações por minuto. hipoecogênicas. Parênquima heterogêneo com áreas hipoecogênicas .5) de origem primária ou metastática. hiperecogênicas ou de ecogenicidade mista e são produzidas por hemorragias. baço e rim esquerdo.6 A e B) O estômago localiza-se no abdome cranial relacionando-se ao parênquima hepático.Neoplasia. hematomas. A espessura normal da parede estomacal varia de 3-5mm nos cães. A porção proximal do duodeno localiza-se na região cranioventral do abdome e relaciona-se com o rim direito e lobos hepáticos direitos. granulomas e neoplasias (fig. não comprometem o exame. 56 .

ALTERAÇÕES DO TRATO GASTROINTESTINAL Neoplasias: São formações hipoecogênicas de tamanho variável em que se tornam indiferenciáveis as camadas da parede gástrica e/ou intestinal. Intussuscepção: A imagem sonográfica se caracteriza por camadas de anéis concêntricos no corte longitudinal e imagem de alvo (conhecido como olho de boi) no corte 57 . (FONTE: CARVALHO. hérnias. 2004). Pregas gástricas (setas). Muscular própria: hipoecogênica E. A. Superfície mucosa: linha hiperecogênica B.7 A e B): A presença de líquido intraluminal pode favorecer a avaliação da parede gástrica. corpos estranhos. Obstrução do TGI: sonograficamente pode haver distensão de alças com aumento do peristaltismo anterior ao ponto de obstrução. 8. Mucosa: hipoecogênica C. IDENTIFICAÇÃO DAS CAMADAS DA PAREDE (do lúmen para fora) (fig. tumores.aderências. Subserosa/serosa: hiperecogênica A B Figura 8. Submucosa: hiperecogênica D.A B Figura 8. etc. Podem ocorrer por causas: • Mecânicas . (B) Plano longitudinal do duodeno identificando as camadas. • Funcionais (denominada íleo funcional) – gastroenterite de origem viral.6 – Sonograma evidenciando a parede de estômago (A) e alças intestinais(B) com líquido intraluminal.7 – (A) Parede do estômago normal de cão.

Inflamações gastrointestinais: presença de espessamento da parede do intestino com preservação de suas camadas e com visibilização da camada submucosa. não pode ser diferenciado de neoplasias através do exame ecográfico.transversal que representam as camadas intestinais. O peristaltismo pode estar ausente. há crescimento dos folículos que deixam a ecogenicidade dos ovários 58 .9). Corpos estranhos: sua identificação é dependente do formato. Nas demais fases estrais. ou discretamente hipoecogênicos (fig. Há espessamento da porção duodenal com preservação das camadas. A B Figura 8. evolução gestacional ou distúrbios na gestação como retenção. morte ou maceração fetal. principalmente durante o anestro (período em que não há atividade ovariana).Imagem do corte transversal de intussuscepção (alvo). Radiografias auxiliam no diagnóstico.8 . características físicas e acúmulo de líquido ou gás intestinal. • Duodenites: em cães geralmente estão associadas a processos inflamatórios no pâncreas (pancreatite).8 A e B). a avaliação sonográfica tornase difícil. (A) em um gato e (B) em um cão. • Gastrites: espessamento difuso da parede do estômago (maior que 7mm) com preservação das camadas. 8. O espessamento localizado. Ocorre comumente em cães jovens com gastroenterite (fig. que ocorre freqüentemente em úlceras. OVÁRIOS ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS OVÁRIOS Devido ao pequeno tamanho e semelhança de ecogenicidade dos ovários com os tecidos adjacentes. Os corpos estranhos lineares são representados por uma linha hiperecogênica intraluminal e pelo pregueamento intestinal no segmento envolvido. 8. SISTEMA REPRODUTOR SISTEMA REPRODUTOR FEMININO A ultra-sonografia do aparelho reprodutor feminino está indicada para pesquisa de alterações ovarianas e uterinas.

ALTERAÇÕES PÓS-OVARIECTOMIA: Granulomas por fio de sutura: decorrem da reação ao fio. viabilidade fetal e estimativa aproximada da idade gestacional. Podem ser únicos ou múltiplos e estar presentes em um ou ambos os ovários.9 . medindo 1cm nas gatas e 2cm nas cadelas. ÚTERO A ultra-sonografia tem importante papel na avaliação uterina principalmente em doenças de grande ocorrência como a piometra.9) se caracterizam por estruturas císticas anecogênicas que podem aparecer separadamente ou como um único cisto. cistos ovarianos e granulomas por fios de sutura. Hidronefrose ou pionefrose: alterações renais conseqüentes a falhas no procedimento cirúrgico.heterogênea (diferindo da ecogenicidade dos tecidos adjacentes). anecogênicas com reforço acústico posterior. As neoplasias são classificadas de acordo com sua origem embriológica. mas na rotina tem-se visto tumores com aspecto de muitos cistos com septação fina entre eles. Ovários policísticos (fig. aproximadamente. como inclusão acidental do ureter no momento de ligar o pedículo ovariano durante a operação. Sonograficamente possuem aparência variável. Na gestação contribui para o diagnóstico precoce. 8. ALTERAÇÕES OVARIANAS As alterações usualmente detectadas nos ovários são: neoplasias. Sua forma é variável. com contornos irregulares ou pouco definidos. por não se perceber os limites de cada um e aumentar o tamanho ovariano.Ovário normal. Os cistos ovarianos possuem aspecto cavitário. hipoecogênico em relação aos tecidos adjacentes (A) e com aspecto multicavitário (B). ocupando considerável porção do abdome. Normalmente são heterogêneos. Apresentam-se como estruturas arredondadas. Pode tomar grandes proporções. Localizam-se próximos ou em contato com o pólo caudal do rim correspondente. A B Figura 8. facilitando sua identificação. 59 .

porque os cornos uterinos não possuem conteúdo em seu lúmen e podem ficar encobertos por gás das alças intestinais. • Piometra: o útero é identificado como estrutura tubular.Útero com conteúdo anecogênico. • HEC: ultra-sonograficamente se apresenta com múltiplos cistos irregulares na parede uterina aumentando seu diâmetro. 60 . ou circular quando a imagem é obtida com cortes transversais. ALTERAÇÕES UTERINAS As alterações mais freqüentes são piometra. em geral.ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO ÚTERO O corpo uterino mede de 2-3 cm e está localizado parcialmente no interior da pelve. devido à ovulação ser induzida pela cobertura. A bexiga distendida serve de janela acústica para localizar e avaliar o corpo uterino. é anecogênico. Em gatas. mucometra e hidrometra. • Endometrite: é caracterizada pelo aumento da parede uterina e mucosa irregular. granuloma e piometra de coto secundários a ovário-histerectomia também ocorrem. Piometra. estendendo-se na direção de cada rim.10) de hemometra. o útero poderá não apresentar conteúdo significativo. hiperplasia endometrial cística (HEC) e endometrite. idade gestacional aproximada e viabilidade fetal são informações que o exame ultra-sonográfico fornece. GESTAÇÃO Diagnóstico precoce de gestação. Quando visibilizado se apresenta como estrutura homogênea hipoecogênica. O exame ecográfico não permite diferenciar piometra (fig. localizados no abdome. Muitas vezes a visibilização do útero normal. Figura 8. com diâmetro menor que 1cm. no plano sagital. não é possível em fêmeas jovens em anestro ou pré-púberes. Na piometra de colo aberto. a data do início da gestação é mais precisa. Os cornos variam de 12-15cm de comprimento. não gravídico. enquanto a gestação de gatas varia de 64-68 dias. Nesta condição a parede uterina possuirá espessura variável. podendo apresentar quantidade variável de pontos ecogênicos. O conteúdo luminal. A ausência de peristaltismo pode diferenciar os cornos uterinos das alças intestinais. 8. monitoração da fêmea prenhe.10 . A gestação das cadelas dura em média 64 dias ± 1. Outras afecções como neoplasia. A quantidade de conteúdo luminal geralmente é pequena.

IDENTIFICAÇÃO DE ESTRUTURAS FETAIS APÓS PICO DE LH: 21-29 dias ..ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA GESTACIONAL As vesículas gestacionais correspondem a formações arredondadas anecogênicas. Nas gatas as vesículas gestacionais podem ser detectadas 11-14 dias após a cobertura. O embrião só é visibilizado a partir do 22-25o dia (período indicado para a realização do exame) e se apresenta como uma estrutura ecogênica homogênea projetada para o interior da vesícula.11 A e B) IG = (6 x DSG) + 20 Onde: IG = Idade Gestacional DSG = Diâmetro do saco gestacional 61 . reduzindo gradativamente até o parto. A morte fetal é caracterizada pela ausência de batimentos cardíacos e perda da movimentação fetal. O sofrimento fetal é caracterizado pela freqüência cardíaca diminuída em relação às medidas citadas ou quando comparada aos outros fetos.). Em cães podem ser detectadas após 17 dias do pico de LH. a freqüência cardíaca média inicial do feto é de 214 bat/min. 238 bat/min. Na espécie felina a freqüência cardíaca dos fetos se mantém quase constante durante toda a gestação (aproximadamente 228 bat/min. 8. podendo ocorrer acúmulo de gás no feto e ao redor do mesmo em caso de contaminação. Aos 40 dias.batimentos cardíacos (15-17 dias em gatas) 33-35 dias – movimentos fetais 30-35 dias – início da mineralização óssea 35 dias – diferenciação em cabeça e tronco 45 dias – sombra acústica formada pela calcificação óssea 50-60 dias – redução acentuada dos líquidos extra fetais Na espécie canina. CÁLCULOS PARA ESTIMAR A IDADE GESTACIONAL Cadelas com menos de 40 dias de gestação: (Fig.

Aproximadamente 24 dias de gestação.12 A e B) IG = (15 x DBP) + 20 IG = (7 x DTA) + 29 IG = (6 x DBP) + (3 x DTA) + 30 Gatas com mais de 40 dias de gestação (variação de ± 2 dias) IG = (25 x DBP) + 3 IG = (11 x DTA) + 21 Onde: IG = Idade Gestacional DBP = Diâmetro Biparietal DTA = Diâmetro Tóraco-abdominal 62 . Cadelas com mais de 40 dias de gestação (variação de ± 3 dias): (Fig. 8. (B) Medida do diâmetro do saco gestacional (DSG).A B Figura 8.11 – (A) Vesícula gestacional.

A linha do mediastino formada pela invaginação da túnica albugínea é hiperecogênica (fig. sendo que a cabeça do epidídimo fica na porção cranial do mesmo. orquites. neoplasias prostáticas e cistos paraprostáticos podem ser identificados. epididimites.12 – (A) Diâmetro biparietal (DBP). Ultra-sonograficamente possuem textura homogênea hipo ou isoecogênica em relação à próstata. prostatites.13). 63 . As túnicas: vaginal visceral e albugínea recobrem os testículos formando uma cápsula fibrosa.63cm. (B) Diâmetro tóraco-abdominal (DTA). SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO Alterações como testículo ectópico. Os epidídimos se situam sobre os testículos.13 – Imagem do testículo com o mediastino evidente (seta) e o epidídimo (+).A B Figura 8. Figura 8. TESTÍCULOS ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS TESTÍCULOS E EPIDÍDIMO Os testículos estão localizados no interior da bolsa escrotal e têm contorno ovalado e medem aproximadamente 3. 8.

atrofiada ou alterada. Sonograficamente podem ter aparência normal. A aparência sonográfica é variada. o tamanho da próstata está diminuído e os lobos prostáticos não são distinguíveis. Nos cães castrados. Figura 8. com ou sem mineralizações. A neoplasia se apresenta com aumento testicular e formação de massa abdominal complexa. • Neoplasias testiculares representam o segundo tipo mais comum de tumor em cães idosos.14 – Hidrocele. medindo de 1. na área inguinal ou no abdome. O testículo inflamado apresenta-se hipoecogênico e com contorno irregular.15 A).14). PRÓSTATA ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DA PRÓSTATA A próstata se localiza na porção retroperitoneal que circunda a uretra. há simetria dos lobos e bordos lisos (fig. 8. respectivamente. Em cães é bilobulada e seu tamanho é variado. na região do colo da bexiga. Seu comprimento é de aproximadamente 1cm e possui pouco significado clínico. No gato a próstata recobre a uretra dorsolateralmente. ecogenicidade normal a diminuída e preservação das características da arquitetura interna. Sonograficamente se apresenta com parênquima de ecogenicidade homogênea e hipoecogênica em relação aos tecidos adjacentes. • Testículos ectópicos: os testículos podem ficar retidos no tecido subcutâneo préescrotal.ALTERAÇÕES DOS TESTÍCULOS E EPIDÍDIMOS • Hidrocele: os achados sonográficos incluem uma imagem hipoecogênica ao redor do testículo determinada pelo líquido que se acumula na bolsa escrotal (fig. • Orquite e epididimite: é a inflamação do testículo e epidídimo. O epidídimo pode demonstrar áreas hipoecogênicas ou hiperecogênicas. 8. Área hipoecogênica ao redor do testículo (setas).3 a 3cm nos três planos (largura/ comprimento e espessura). Testículos atrofiados se caracterizam pela diminuição de tamanho. 64 .

ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS RINS O rim direito localiza-se na fossa renal do lobo caudato do fígado e mantém proximidade com a adrenal direita. resultante de abscesso.• • • • ALTERAÇÕES PROSTÁTICAS HPB (hiperplasia prostática benigna): é a alteração de próstata mais comum em cães. Ultra-sonograficamente há prostatomegalia. Prostatite bacteriana: Na infecção aguda o exame ecográfico mostra áreas cavitárias preenchidas por líquido com imagem hipoecogênica. Externamente são revestidos por uma cápsula fibrosa que 65 . parênquima homogêneo. da dimensão e da arquitetura interna dos órgãos que o compõem. lobo direito do pâncreas e duodeno descendente enquanto o rim esquerdo relaciona-se à grande curvatura do estômago. principalmente com mais de 6 anos de idade. áreas hiperecogênicas focais ou difusas sugestivas de mineralização. A B Figura 8. 8. baço. podendo ser visibilizadas estruturas císticas múltiplas e difusas. (B) Próstata com parênquima heterogêneo e contorno irregular. SISTEMA URINÁRIO A ultra-sonografia do trato urinário permite a avaliação da forma. com conteúdo hipo ou anecogênico. RINS Os rins são órgãos retroperitoneais circundados por tecido adiposo. Cistos prostáticos: são áreas cavitárias focais ou multifocais.15 – (A) Imagem de próstata normal com limites nítidos (setas) e uretra prostática evidente (linha anecogênica). do contorno. correspondente a fluido. Neoplasias: os achados sonográficos incluem parênquima heterogêneo (fig.15 B). Neoplasia prostática. lobo esquerdo do pâncreas e adrenal esquerda.

16 B) e doenças renais terminais. A avaliação da relação córtico-medular. infecção urinária recidivante ou quando a função do rim está ausente na urografia excretora ou alterada em dados laboratoriais. A ultra-sonografia do trato urinário é indicada quando há dor na região renal. servem para indicar alterações renais. bem como a ecogenicidade cortical que é comparada com fígado e baço. Hiperecogenicidade da cortical renal indicando nefropatia (B). ALTERAÇÕES FOCAIS DO PARÊNQUIMA RENAL RINS POLICÍSTICOS Os rins policísticos. 8. A B Figura 8. que são estruturas anecogênicas de forma e tamanho variados. A doença policística renal é mais comum em gatos da raça Persa sendo identificada como doença autossômica dominante (fig. a medular (porção mais interna) hipoecogênica em relação àquela e uma região mais central correspondente à pelve renal que é hiperecogênica.produz eco brilhante quando o feixe sonoro incide perpendicularmente.17 B). Distorção anatômica do rim e presença de várias estruturas circunscritas ou lineares hiperecogênicas com conteúdo anecogênico podem sugerir a presença do verme (fig. apresentam múltiplos cistos. suspeita de massa abdominal ou doença policística.17 A). Em felinos o aumento da ecogenicidade cortical também está relacionado a linfossarcoma difuso. nefrocalcinose (fig. A dimensão renal em cães está relacionada ao peso. peritonite infecciosa felina (PIF) ou pode ser considerado normal em gatos castrados. podendo ser uni ou bilaterais.16 – Imagem de rim de cão sem alteração em corte longitudinal (A). necrose. 66 .8-4. tamanho e condição corpórea. amiloidose. como o nome sugere.0cm são consideradas normais em eixo longitudinal. Porém. 8. ALTERAÇÕES DIFUSAS DO PARÊNQUIMA RENAL A ecogenicidade cortical pode encontrar-se aumentada em patologias como nefrite. O diagnóstico diferencial é feito através de biopsia renal. dimensões entre 6. Felinos têm o comprimento renal variando entre 3. Possui a cortical ecogênica. Na região do hilo são observáveis a veia e a artéria renais e o ureter (fig.16 A). 8. A função renal não está correlacionada com o tamanho ou ecogenicidade dos rins. Dioctofimose: causada pelo verme Dioctophyma renale.4cm em plano longitudinal. hematúria. afeta principalmente o rim direito. 8.0-9. A simetria dos rins é um dado mais útil.

CALCIFICAÇÃO E CÁLCULO RENAL As calcificações podem aparecer em diferentes porções do parênquima renal ou formar linha hiperecogênica na medular ou na junção córtico-medular.A B Figura 8.18). (B) Rins policísticos em felino. Figura 8. NEOPLASIAS 67 .17 – (A) Dioctophyma renale em rim direito de cão. Tanto cálculos radiopacos como radiolucentes são visibilizados no exame ultra-sonográfico e apresentam marcada sombra acústica (fig.18 – Cálculo no rim esquerdo formando sombra acústica (setas). 8.

A espessura normal da parede vesical varia de 0. A ecogenicidade é variável. A bexiga normal apresenta-se como uma estrutura de forma piriforme. útero.19 – Hidronefrose (A) e (B).5cm nos cães e de 0. Lesões focais com menos de 1cm podem não ser visibilizadas. A camada interna (mucosa) deve ser lisa e contínua. Caracteriza-se pela dilatação do sistema coletor.1 a 0. próstata e linfonodos ilíacos. É utilizada como janela acústica para avaliação de estruturas adjacentes como cólon.17cm nos gatos e deve ser considerada com uma distensão moderada. secundariamente à obstrução. ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DA BEXIGA Com o animal em decúbito dorsal. a bexiga é visibilizada cranialmente à pelve. BEXIGA A ultra-sonografia de bexiga deve ser feita com a mesma distendida por conteúdo.20 B). 8. separada por uma linha hipoecogênica.Em cães e gatos a metástase renal é mais freqüente que o tumor primário. Sonograficamente a arquitetura interna do órgão é afetada em maior ou menor grau. A parede é observada como uma camada dupla hiperecogênica.20 A).19 A e B). 8. podendo tornar-se deformada por estruturas vizinhas (fig. Em estágios avançados da doença. Em B ocorreu grande destruição do parênquima. pelve renal (P). sendo a biopsia renal indicada para o diagnóstico definitivo. dependendo da duração da obstrução. (fig.13 a 0. 68 . ALTERAÇÕES DE PELVE RENAL HIDRONEFROSE É a causa mais comum de aumento renal. com conteúdo anecogênico (urina) (fig. P A B Figura 8. 8. os rins podem apresentar-se como um saco de conteúdo hipoecogênico ou anecogênico.

21 – (A) Parede vesical espessa. A cistite aguda pode não causar alterações sonográficas na parede vesical.22). NEOPLASIA Os tumores se apresentam como espessamentos focais de parede que se estendem para o lúmen vesical ou de forma difusa que causam espessamento uniforme e generalizado 69 . Machos são mais acometidos por possuírem uretra mais longa e estreita. (B) Distorção no formato da bexiga causado pela presença de útero com conteúdo. promove movimento do conteúdo com formação de redemoinhos compostos de pontos hiperecogênicos flutuantes (fig. 8. 8. 8.A B Figura 8. São observados como estruturas hiperecogênicas que produzem sombra acústica (fig. Sonograficamente os cálculos são visíveis independentemente do tamanho e da composição. Cistite. CÁLCULO VESICAL (UROLITÍASE) Os cálculos urinários possuem forma e tamanho variados (2mm a 10cm). (B) Sedimento vesical após balotamento.21 B). ALTERAÇÕES DA BEXIGA CISTITE Características como irregularidade na camada mais interna da bexiga e espessamento da parede com presença de sedimento podem ser observadas (fig.21 A). O ato de sacudir o conteúdo vesical com o transdutor (balotamento). A B Figura 8.20 – (A) Bexiga normal. Causam obstrução urinária ou lesão traumática na mucosa.

da parede. O papiloma é a neoplasia benigna mais comum. Sua porção abdominal é adjacente ao músculo psoas. ALTERAÇÕES URETERAIS HIDROURETER OU DILATAÇÃO URETERAL Obstrução por ligaduras acidentais durante a ovário-histerectomia e compressões tumorais são as causas mais comuns de dilatação. A administração via 70 . Podem ser móveis ou aderidos à parede vesical. A sobreposição de alças intestinais com gás pode impossibilitar a visibilização do trajeto total dos mesmos. URETER ECTÓPICO E RUPTURA DE URETER São mais facilmente identificados pelo exame de urografia excretora. Sonograficamente são irregulares. sendo pesquisado em sua topografia habitual (fig.Cálculo vesical (C) formando sombra acústica (Imagem cedida pela M. Sua característica isoecóica à gordura circundante dificulta sua visibilização. URETERES ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS URETERES Os ureteres normalmente não são visibilizados ecograficamente devido ao seu pequeno diâmetro. duodeno. PÂNCREAS ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO PÂNCREAS O pâncreas situa-se adjacente à curvatura maior do estômago. Ecograficamente o ureter dilatado apresenta-se com paredes bem definidas e tortuosas que podem ter luz de 2-3cm de diâmetro. Adriane Ilha). Ultrasonograficamente apresenta-se como formação ecogênica homogênea.22 . Figura 8. cólon ascendente e transverso. não formam sombra acústica e têm ecogenicidade mista. similar à cistite crônica. neoplasias. COÁGULOS Geralmente ocorrem após traumas.V. 8. infecções ou alterações sangüíneas.23).

pode contribuir por deslocar o gás do piloro. é contra-indicada em animais com suspeita de pancreatite. Além de fornecer informações diagnósticas permite acompanhar a evolução do caso clínico. podendo induzir ao vômito. até que as reações ósseas alterem a 71 .oral de líquido. Algumas afecções necessitam de um razoável tempo para se manifestarem radiologicamente. Figura 8. ALTERAÇÕES PANCREÁTICAS PANCREATITE As mudanças sonográficas causadas pela pancreatite permitem sua identificação.23 – Imagem de pâncreas sem alteração. Normalmente há aumento do órgão e a ecogenicidade é variável dependendo da gravidade e cronicidade da afecção. porém. CAPÍTULO IX INTRODUÇÃO À RADIOLOGIA ÓSSEA E ARTICULAR A radiografia é um exame complementar essencial para o estudo das afecções que acometem tanto o sistema ósseo quanto articular.

1 – Membro de animal jovem (5 meses de idade) apresentando as fises abertas (setas) .2) (Quadro 1) e nos gatos. Figura 9. duas epífises (extremidade proximal e distal) e entre elas as metáfises (fig. principalmente nos castrados. mais tardiamente. D – diáfise. Nos cães. Quando as cartilagens estiverem totalmente substituídas por tecido ósseo. 9. Em animais jovens. ESTRUTURA ÓSSEA Os ossos longos consistem de diáfise (corpo do osso que contém a medula óssea).densidade do tecido. 9. o crescimento se completa em torno do 10° ao 14°mês de idade (fig. M – metáfise. A cortical é a região periférica e mais radiopaca dos ossos e a medular é a região central. o crescimento cessa. mesmo o paciente apresentando sinais clínicos precoces.1). ambos promovem o reparo e a consolidação óssea. separam as epífises das metáfises. E – epífise.linhas radiolucentes. as cartilagens ou placas epifisiárias (linha radiolucente). O periósteo recobre a cortical externamente (exceto nas superfícies articulares) enquanto o endósteo a envolve internamente. 72 .

Idade de fechamento epifisário em cães. Estrutura Tuberosidade Escapular Úmero Proximal Úmero Distal Rádio Proximal Rádio Distal Ulna Proximal (olécrano) Ulna Distal Metacarpianos e Metatarsianos 1a e 2a Falanges Pelve: .2 – Desenvolvimento em dias do membro anterior de cão em projeção dorsopalmar. desuso. infecção e neoplasia. (FONTE: SCHEBITZ & WILKENS. Quadro 1 .Crista Ilíaca .Figura 9. doença metabólica.Acetábulo . Alterações radiograficamente identificáveis ocorrem a partir de 50% de perda de conteúdo mineral dos ossos. 2000).Tuberosidade Isquiática Fêmur Proximal (cabeça) Fêmur Distal Tíbia Proximal Tíbia Distal Tuberosidade Tibial Fíbula Proximal Fíbula Distal Tuberosidade Calcânea Idade de Fusão 4-7 meses 10-13 meses 6-8 meses 6-11 meses 8-12 meses 6-10 meses 8-12 meses 5-7 meses 4-5 meses 5-6 meses 1-2 anos 8-10 meses 7-11 meses 8-11 meses 6-11 meses 8-11 meses 6-12 meses 8-12 meses 7-11 meses 3-8 meses TIPOS DE RESPOSTAS ÓSSEAS DIMINUIÇÃO DA DENSIDADE (OSTEOPENIA): a reabsorção ou destruição óssea podem resultar de traumas. AUMENTO DA DENSIDADE: está associado a neoformações ósseas ou aumento na 73 .

cirúrgica ou via hematógena. CAPÍTULO X RADIOLOGIA DO CRÂNIO O crânio. Ex. ou induzida cirurgicamente por artrodese. é recomendável que a mesma esteja o mais próximo possível do filme. elevação do periósteo e neoformação subperiosteal. determinando um ângulo. Ex. decorrente de ferimentos de origem traumática. Braquicéfalos: animais com esta característica possuem a cabeça achatada no sentido antero-posterior. são requeridas no mínimo duas projeções perpendiculares entre si. EXOSTOSE: é uma proliferação óssea mais acentuada que a periostite podendo ser lisa (estacionária) ou irregular (proliferativa). O uso de sedativos.: Dobermann. dentro do sistema ósseo e articular. dentro destas.mineralização. Ex. ANQUILOSE: é a fusão de duas ou mais estruturas ósseas. Correspondem a aproximadamente 75% das raças caninas. OSTEÓFITOS: são proliferações ósseas em forma de espículas. principalmente. à grande variação entre espécies e. deixando a impressão que a cabeça é estreita em relação ao comprimento. OSTEOMIELITE: é um processo inflamatório e ou infeccioso com envolvimento da cortical e medular.: Boxer e Bulldog. LUXAÇÃO: é o deslocamento completo entre as superfícies articulares. as características raciais. com perda do padrão trabecular normal e reação periosteal. deixando a impressão de que a cabeça é larga em relação ao comprimento. Mesocéfalos: são cães com a medida proporcional de largura e comprimento da cabeça. FRATURA: é a solução de continuidade de uma estrutura óssea. sendo intermediária em relação aos anteriores. constitui uma das partes que oferece maior dificuldade na interpretação radiográfica. desde que o estado físico do paciente permita. tanto em pequenos quanto em grandes animais. TRIÂNGULO DE CODMAN: ocorre em processos neoplásicos e inflamatórios. quando há lesão com destruição de cortical. O crânio dos felinos tem características uniformes em sua maioria. Radiograficamente observa-se lise e esclerose óssea. OSTEÍTE: é uma reação inflamatória do osso sem o envolvimento da medular. PROJEÇÕES Para a análise radiológica precisa. incidências obliquadas e skyline contribuem eventualmente. mas algumas raças 74 . PERIOSTITE: é uma reação inflamatória do periósteo determinando irregularidade em sua superfície. tranqüilizantes ou anestesia geral pode tornar-se necessário para um posicionamento correto. Dolicocéfalos: nestes animais o diâmetro antero-posterior da cabeça é longo. a dificuldade dentro de uma mesma espécie é a diferença entre cães dolicocéfalos.: Rottweiler e Labrador. Para a obtenção de boa imagem de uma lesão. mesocéfalos e braquicéfalos. devido. sendo que projeções com articulações flexionadas. podendo ser provocada por reação inflamatória e / ou infecciosa. o que pode ser referido como esclerose óssea na imagem radiográfica. Por exemplo. SUB-LUXAÇÃO: é o deslocamento parcial entre as superfícies articulares.

para evitar artefatos como sujidades ou pomadas iodadas. Afecções relacionadas a esta região incluem um aumento de radiopacidade. Radiografias nasais de boa qualidade ajudam a definir a localização e extensão das lesões.1 e fig. PREPARO • Sempre que possível limpar a região a ser radiografada. 10.apresentam características braquicéfalicas. • Mandíbulo-frontal. para avaliar seios frontais. As alterações mais comuns são os processos inflamatórios. sem alterações. • Lateral: com a boca aberta ou fechada. como os Persas. • Trans-oral com boca aberta para avaliar bulas timpânicas. não são diferenciáveis entre si radiograficamente. porém. 75 .1 – Projeção lateral de crânio de cão (A). os quais diminuem a radiolucência da cavidade nasal. A cavidade nasal e os seios frontais são facilmente identificados pela sua radiolucência.2) A B C Figura 10. alteração no padrão trabeculado e destruição ou proliferação óssea. Os posicionamentos principais são: • Fronto-mandibular. • Obliquados. • Quando necessário se faz uso de sedação ou até anestesia geral. por exemplo. é necessário que os animais estejam anestesiados. • Skyline. POSICIONAMENTOS Para as incidências de maxila ou mandíbula com boca aberta e trans-orais. 10. infecciosos. enquanto o septo nasal divide a cavidade em duas porções simétricas (esquerda e direita). conferem uma imagem trabeculada de linhas finas radiopacas no meio radiolucente normal. Projeção fronto-mandibular de crânio de cão (B) e gato (C). ANATOMIA RADIOGRÁFICA NORMAL (fig. Os ossos turbinados das conchas nasais. hemorrágicos e tumorais. A projeção fronto-mandibular com o filme intraoral permite visualizar a região trabeculada da cavidade nasal sem interferência de sobreposição com a mandíbula.

A B Figura 10. Aumento da radiopacidade da região craniana de um cão. deficiências visuais. A B Figura 10. Os principais sinais clínicos estão relacionados a estado mental alterado.3) refere-se ao acúmulo de líquido na região do neurocrânio. ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS AFECÇÕES CONGÊNITAS HIDROCEFALIA Enfermidade congênita. por excesso de produção de líquido cérebro espinhal ou decréscimo na absorção do mesmo. Radiograficamente será observado aumento de radiopacidade e homogeneidade na região do neurocrânio. disfunção motora e desenvolvimento retardado.2 – Projeção mandíbulo-frontal com boca aberta evidenciando a cavidade nasal (A) e projeção Skyline demonstrando os seios frontais radiolucentes (B). a hidrocefalia (fig. AFECÇÕES TRAUMÁTICAS 76 . braquicéfalos e Beagles. Afeta principalmente raças toy. podendo ser adquirida. 10. adelgaçamento do osso e retardamento no fechamento das suturas ósseas.3 – Hidrocefalia. Projeção lateral (A) e fronto-mandibular (B). com convulsões. aumento do vértice craniano.

neste caso. por exemplo.FRATURA As fraturas (fig. Osteodistrofia renal ou Mandíbula de Borracha. A luxação da articulação têmporo-mandibular. AFECÇÕES DE ORIGEM METABÓLICA E / OU NUTRICIONAL HIPERPARATIROIDISMO SECUNDÁRIO RENAL Também conhecido como Osteíte fibrosa renal. como projéteis que apresentam densidade de metal. que poderá ser confundida com outras afecções. caudal ou lateral. podem ocasionar reação inflamatória e. podem provocar enfisema subcutâneo e / ou processos hemorrágicos. Os radiolucentes nem sempre são visíveis. enquanto em cães jovens se deve às nefropatias congênitas.4). mas. Em animais velhos a causa principal é a doença renal crônica. CORPO ESTRANHO Corpos estranhos podem ser radiopacos ou radiolucentes. resulta de traumatismo e caracteriza-se por uma instabilidade palpável da articulação. Na região do crânio e face observam-se luxações na articulação têmporo-mandibular e na sínfise mandibular. nas fossas nasais. Várias incidências radiográficas podem ser necessárias para obtenção do diagnóstico. Os radiopacos são facilmente observados. podendo estar associadas a fraturas na mandíbula. Projeção lateral com boca aberta em canino com fratura de ramo mandibular (seta) (B) . caracteriza-se radiograficamente pelo afastamento do processo condilóide da mandíbula do seu local anatômico que é a fossa mandibular do osso temporal. Em geral decorrem de traumas e quando se estendem à cavidade nasal ou seios frontais. 10. são de difícil observação. podendo ser uni ou bilateral e ter deslocamento cranial. Raquitismo renal.4 – Fratura craniana em felino (A) com formação de linha radiolucente (cabeça de seta). LUXAÇÃO A luxação. geralmente. A B Figura 10. resultando em desmineralização 77 . mostrar determinada área com aumento de radiopacidade. são facilmente evidenciadas. porém. determinada por deslocamento entre as estruturas articuladas. dependendo da localização. pela sobreposição das estruturas. sobretudo na cabeça. as pequenas. quando grandes.

Nos cães. sendo geralmente. a sinusite é mais freqüente. mas é mais lenta. ABSCESSO APICAL OU PERIAPICAL É uma afecção associada aos dentes que pode resultar de fraturas. Com o desenvolvimento da enfermidade. A desmineralização no restante do esqueleto. AFECÇÕES PARASITÁRIAS 78 . lise ou esclerose adjacente ao ápice do dente e aumento do espaço periodontal ao redor da raiz (halo radiolucente). a sinusite é pouco comum. afetando maxila e mandíbula que têm a radiopacidade diminuída. as bulas timpânicas e os ramos da mandíbula. Osteopatia Crâniomandibular ou Periostite da Mandíbula. cirúrgica ou hematógena. Osteomielite (rarefação óssea) pode ocorrer nos ossos adjacentes. típica também de processos infecciosos. O diagnóstico diferencial de neoplasia deve ser considerado. primeiramente no crânio. esta afecção é uma osteopatia proliferativa de cães jovens. o que justifica a expressão “mandíbula de borracha”. Radiograficamente evidencia-se áreas características de rarefação (lise) e esclerose óssea. as radiografias demonstrarão densidade radiológica aumentada nestas estruturas. OSTEOMIELITE É uma lesão inflamatória e / ou infecciosa que pode ter origem traumática. Radiograficamente observa-se aumento de radiopacidade de um ou ambos os seios frontais. Geralmente é progressiva. que radiograficamente apresenta neoformação óssea envolvendo o osso occipital. Radiograficamente evidencia-se uma área de radiolucência circunscrita. ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E / OU INFECCIOSAS SINUSITE As projeções mandíbulo-frontal. A parede da bula poderá estar espessada. bilateral. a mandíbula torna-se maleável. cáries ou doença periodontal. mas nos casos de otite crônica. lateral ou rostro-caudal permitem a avaliação dos seios frontais. AFECÇÕES DE ORIGEM DESCONHECIDA OSTEOARTROPATIA TÊMPORO-MANDIBULAR Também chamada de Osteopatia Têmporo-mandibular. principalmente. OTITE O conduto auditivo e a bula timpânica são radiolucentes. tendo maior freqüência nesta região os processos neoplásicos. Já nos gatos.óssea. Os dentes parecem soltos na radiografia devido à absorção da lâmina dura e a respiração pode estar dificultada devido ao colapso dos ossos da região das fossas nasais. pode ocorrer. há reabsorção radicular.

ocasionada pelo Coenuros cerebralis. 10. AFECÇÕES DEGENERATIVAS CALCIFICAÇÃO DE BULA TIMPÂNICA A calcificação da bula timpânica (fig. em que as larvas de Oestrus ovis podem localizar-se nas fossas nasais. com formação de cistos intracranianos.5) decorre de otite crônica média e interna. e é evidenciada pelo aumento da radiopacidade da região.5 – Calcificação (aumento da radiopacidade) da bula timpânica (setas). A B Figura 10. Radiograficamente pode ocorrer elevação periosteal e rarefação óssea em casos de tumores malignos (fig. AFECÇÕES NEOPLÁSICAS As neoplasias de crânio surgem mais comumente a partir de tecidos moles. demonstrando na película de raios-X. a não ser em casos crônicos. é difícil a observação. se propagando e destruindo os ossos adjacentes. sendo o osteossarcoma (maligno) e osteoma. que normalmente é radiolucente. CENUROSE Enfermidade que atinge a região do cérebro em ovinos principalmente.6) e aumento da 79 .OESTROSE Afecção comum em ovinos. 10. O diagnóstico poderá ser radiológico através de exame contrastado. Ao exame radiográfico simples. como a arteriografia cerebral. ou através da tomografia computadorizada ou da ressonância magnética. quando pode-se encontrar rarefação óssea da calota craniana. Projeção mandíbulofrontal (A) e trans-oral (B). um aumento de radiopacidade. mieloma e tumor venéreo transmissível (benignos). A maxila e a mandíbula são os locais mais acometidos. seios frontais ou ambos. compatível com imagem de sinusite. os mais comuns. Neste e em outros casos sempre é indispensável exame e história clínicos.

A radiologia é fundamental como apoio diagnóstico ao clínico. no tamanho. lombar (7 vértebras).6 – Radiografia craniana de felino em projeção lateral com tumor nasal. PREPARO PRÉVIO • Limpeza da região a ser radiografada • Coluna lombo-sacra: limpeza do trato digestório. sacral (3 vértebras) e coccígea ou caudal (6 a 20 vértebras). Observar a destruição óssea (seta). POSICIONAMENTOS • Ventro-dorsal 80 . são elas: cervical (7 vértebras). CPÍTULO XI RADIOLOGIA DA COLUNA VERTEBRAL As alterações de coluna vertebral tanto em pequenos quanto em grandes animais. Figura 10. A visibilidade da medula espinhal não é obtida pela radiografia simples. A angiografia cerebral (exame contrastado) pode auxiliar no diagnóstico. torácica (13 vértebras). na densidade e no alinhamento das vértebras. são relativamente freqüentes. são os sinais radiográficos fornecidos pelo exame. O uso de anestesia geral permite um posicionamento simétrico do paciente para uma interpretação radiográfica apropriada. Alterações na forma.radiopacidade e circunscrição nos tumores benignos. Algumas poderão ser congênitas outras adquiridas. que devem ser radiografadas separadamente. A coluna vertebral é dividida em 5 porções. Geralmente os tumores cerebrais não são visualizados pela radiografia simples. sendo necessária a mielografia.

hemorragias).3) classificam-se em: extradural (coágulos. As lesões de medula espinhal (fig.2) é um exame contrastado da coluna e está indicada quando a radiografia simples não for conclusiva.Mielografia A mielografia (fig. 11.• Lateral • Obliquadas (eventualmente) ANATOMIA RADIOGRÁFICA NORMAL DA COLUNA Projeção lateral (fig.2 – Projeção lateral evidenciando as colunas paralelas de meio de contraste e o posicionamento adequado da agulha para mielografia lombar. 11. 11. prolapso de disco intervertebral. A interpretação envolve a avaliação do espaço subaracnóide preenchido com meio de contraste positivo (colunas de contraste) que pode demonstrar alterações situadas extra ou subduralmente no canal vertebral (como tumores.Osteovenografia (pouco utilizada) Consiste na injeção de contraste especifico no corpo vertebral. edemas. Observar as linhas epifisiárias abertas (setas). Figura 11. intradural-extramedular (neoplasias) e intramedular (neoplasias. prolapso de disco intervertebral ou do núcleo pulposo ou ainda hematomas).1 – Coluna lombar de filhote de cão em projeção lateral. fraturas consolidadas. neoplasias).1) Figura 11. . 81 . TIPOS DE EXAMES PARA COLUNA VERTEBRAL • Exame Simples • Exames contrastados .

sendo posteriormente. Radiografias simples em projeção ventro-dorsal evidenciam melhor a alteração através da comparação das vértebras normais craniais e caudais às alteradas.Figura 11.5ml. O meio de contraste utilizado para o procedimento é à base de iohexol. Os sinais clínicos são compatíveis com alterações da coluna em segmento L4-S3. podendo ocorrer também ausência ou hipoplasia do processo espinhoso dorsal. ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS ALTERAÇÕES CONGÊNITAS HEMI-VÉRTEBRA As hemivértebras (fig. iopamidol ou metrizamide na dose de 0. incompletas e geralmente em forma de cunha. sua aplicação é feita na cisterna magna ou no espaço subaracnóide entre L4-L5 ou L5-L6. Ocorre devido a um defeito no desenvolvimento embrionário o qual resulta na não fusão do arco vertebral dorsal em uma ou mais vértebras. submetidos à anestesia geral. sacral ou coccígea. Cães das raças Pug. dependendo da orientação da mesma. podendo causar desvios da coluna vertebral. 1999) O preparo prévio dos pacientes é feito com jejum líquido e sólido de 12 horas. ESPINHA BÍFIDA Afecção com etiologia desconhecida com alta incidência em cães da raça Bulldog e rara nas demais. ioversol.4-A) resultam de uma falha na formação de parte do corpo vertebral. (Fonte: WHEELER & SHARP. Bulldog e Boston Terrier são as mais comumente afetadas por esta alteração. sendo que as vértebras torácicas e coccígeas estão mais freqüentemente envolvidas. Com a realização da mielografia pode-se evidenciar o extravasamento de contraste para fora do 82 .3 . que se apresentam radiograficamente menores. 11.Representação esquemáticas das lesões medulares.250. geralmente em porção caudal da coluna lombar.Kg-1 de peso vivo.

4 – Hemivértebra (A). podendo também ser causada pela ausência ou ruptura dos ligamentos atlantoaxial e transverso. em projeção lateral. Instabilidade Vertebral Cervical. ausência de processo transverso (uni ou bilateral) de L7. meningomielocele (protusão de partes da meninge e medula espinhal através da falha na coluna vertebral) ou ainda mielocele (protusão de porções de medula para fora do canal medular em função de um defeito na formação das meninges. em que a vértebra une-se com a pelve (chamado de sacralização de L7). meningocele (coleção de líquido cefalorraquidiano em uma saculação em forma de bolsa na pele). O termo síndrome de Wobbler é usado para nomear uma afecção específica. Acomete principalmente Poodle miniatura. Radiograficamente observa-se. Exemplos: radiograficamente evidencia-se ausência de uma ou ambas as costelas de T13 (chamado de lombarização de T13). um aumento da distância entre o arco do atlas e a espinha dorsal do axis além da ausência total ou parcial do processo odontóide do axis (fig. A forma adquirida decorre de traumas que provocam fratura ou separação do processo odontóide. 11.4-B). Um processo transverso poderá assumir a aparência de costela ou vice versa. dor e quadriplegia. A forma congênita está associada à mal formação da articulação com agenesia total ou parcial do processo odontóide.5-A). Mielografia demonstrando comunicação do canal medular com o meio esterno (B). podendo resultar em compressão da medula espinhal. onde a medula espinhal é lesionada por uma combinação de anomalias da coluna vertebral cervical. Os sinais clínicos são variáveis e incluem incoordenação. Geralmente essa afecção não possui significado clínico. Vértebra em formato de cunha em porção cervical. Síndrome de Wobbler e Mal Articulação Vertebral Cervical.espaço subaracnóide ou para o exterior. SUB-LUXAÇÃO ATLANTOAXIAL Além de congênita poderá ser também adquirida. Pode-se dizer que é uma questão 83 . Caracteriza-se por instabilidade e sub-luxação vertebral. A B Figura 11. a qual permite excessiva flexão da região. falta de equilíbrio. VÉRTEBRA EM TRANSIÇÃO É a denominação dada àquela vértebra que assume características anatômicas de sua adjacente. ALTERAÇÕES LIGADAS AO DESENVOLVIMENTO ESPONDILOMIELOPATIA CERVICAL Também chamada de Espondilopatia Cervical. além do defeito nos corpos vertebrais) (fig. 11. Yorkshire Terrier e Chihuahua.

11. Essa afecção é observada mais freqüentemente na coluna cervical e lombar. Aumento da distância entre o processo espinhoso do axis e arco dorsal do atlas (A). hipertrofia ligamentosa.multifatorial. hérnia de disco.7-B).Fusão de 4ª e 5ª vértebra lombar. 11. mas. observando-se uma imagem de fusão de dois ou mais corpos vertebrais. Mielografia cervical com interrupção da coluna de contraste. luxações (fig. As radiografias simples nem sempre mostram a estrutura do canal vertebral. podendo ser congênita ou adquirida. As vértebras C5.5-B) são as mais comumente afetadas e poderá haver protrusão de disco intervertebral associada.7-A) e subluxações ocorrem comumente 84 . A Figura 11. 11. C6 e C7 (fig. com freqüência mostram sub-luxação vertebral da região cervical.5 – Subluxação Atlantoaxial. como causa primária. formando um bloco. Este quadro é comum aos pequenos animais e especialmente em eqüinos.6). Subluxação de C7 com elevação da porção cranial do corpo vertebral para dentro do canal medular (B). Alguns fatores importantes que contribuem para o aparecimento desta síndrome. quando se trata de grandes animais. BLOCO DE VÉRTEBRAS Poderá ser congênito ou adquirido. ALTERAÇÕES TRAUMÁTICAS FRATURA.6 . necessitando de mielografia. são estenose do canal vertebral e instabilidade vertebral e. proliferação da cápsula articular e produção de osteofitos. como causa secundária. LUXAÇÃO E SUB-LUXAÇÃO As fraturas (fig. 11. Radiograficamente há uma parcial ou total ausência do espaço intervertebral entre as vértebras envolvidas (fig. A B Figura 11.

ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E / OU INFECCIOSAS ESPONDILITE Processo inflamatório e ou infeccioso que atinge os corpos vertebrais. acomete gatos que recebem dieta com excesso de vitamina A. descontinuidade do canal vertebral e linhas de fratura dos corpos vertebrais. Os sinais radiográficos incluem descontinuidade de estruturas ósseas. (B) Fratura de corpo vertebral em L3. podem causar compressão de medula espinhal. fazendo com que os ossos tenham uma densidade semelhante à musculatura. Fraturas patológicas (fratura em talo verde) ocorrem. HIPERPARATIREOIDISMO SECUNDÁRIO NUTRICIONAL Também chamada de Osteodistrofia Nutricional. A B Figura 11. ocasionando eventualmente compressão das raízes dos nervos espinhais. sendo que ao afetar os corpos vertebrais. processos articulares e apófises. movimentação restrita do pescoço e compressão de medula e raízes nervosas. esta enfermidade se caracteriza por uma rarefação óssea em todo o esqueleto. causado pela 85 . Osteodistrofia Juvenil ou Osteoporose Nutricional. Os sinais clínicos mais evidentes são: dor. (A) Luxação em coluna torácica assemelhando-se a um degrau (seta).7 – Radiografias em projeção lateral. ALTERAÇÕES DE ORIGEM NUTRICIONAL E / OU METABÓLICA HIPERVITAMINOSE A DOS FELINOS Também chamada de Osteodistrofia felina. A imagem radiográfica caracteriza-se por extensa exostose principalmente na coluna cervical ventral e torácica formando anquilose dos corpos vertebrais. desarticulação completa das superfícies articulares (luxação). encontrada principalmente na alimentação caseira constituída predominantemente por fígado. A manipulação dos pacientes mesmo anestesiados deve ser cuidadosa para não causar novos danos durante o estudo radiográfico. pois o excesso dessa vitamina provoca a formação de exostoses na porção ventral das vértebras cervicais e torácicas. Poderá ocorrer a fusão das vértebras.em pequenos animais devido a acidentes (atropelamentos por carro) e podem causar compressões do cordão espinhal e raízes nervosas subseqüentes. que apresenta cortical delgada. pequeno desalinhamento entre vértebras e / ou facetas articulares (sub-luxação).

Mais comumente envolve a porção ventral e lateral do corpo vertebral.8). caracteriza-se pela formação de placas ósseas na dura-máter e acomete cães de grande porte. Infecção discal intervertebral e Espondilite intervertebral. Com a progressão do processo pode surgir uma margem esclerótica com proliferação óssea ventral de grau variável. perda do padrão trabecular. raramente associada a sinais clínicos. sendo chamada espondilose deformante / anquilosante. sendo melhor visualizada nos espaços intervertebrais 86 . Staphylococcus aureus e alguns tipos de leveduras. formando uma anquilose. A mielografia permite estabelecer se há ou não compressão de medula. As regiões cervicotorácica. Espondilose Anquilosante (fig. 11. Pode ocorrer associada a Brucela canis. tóracolombar e lombossacra são os locais mais acometidos. com destruição dos corpos vertebrais. Figura 11.8 – Radiografia lateral de um cão com discoespondilite em L4-L5 evidenciando irregularidade e esclerose das extremidades dos corpos vertebrais. As características radiográficas incluem lise de uma ou ambas as faces articulares dos corpos vertebrais (placas das extremidades vertebrais). ALTERAÇÕES DEGENERATIVAS ESPONDILOSE Também chamada de Espondilo-artrose. Discite. Os sinais clínicos dependem do grau de comprometimento da medula espinhal e raízes nervosas. 11. Radiograficamente aparece como uma linha radiopaca imediatamente acima e paralelamente à base do canal medular. Quando atinge o canal vertebral pode causar mielite e meningite. Caracteriza-se por crescimentos ósseos em forma de espículas (osteófitos) que se desenvolvem nas extremidades dos corpos vertebrais.infecção bacteriana e / ou fúngica dos corpos vertebrais.9) é um achado radiográfico comum em cães idosos atingindo mais freqüentemente as vértebras torácicas e lombares. reação periosteal e esclerose do osso circunjacente. PAQUIMENINGITE A Ossificação da dura-máter. Metaplasia óssea da dura-máter ou Ossificação dural como também é denominada. DISCOESPONDILITE Também chamada de Osteomielite intradiscal. lise óssea. podendo se fusionar. seguidos de diminuição do espaço intervertebral (fig. Radiograficamente assemelha-se à osteomielite. A origem é hematógena e resulta numa infecção do disco intervertebral de origem não vertebral.

SÍNDROME DA CAUDA EQÜINA Também chamada de Estenose lombossacra. De origem congênita ou adquirida.9 – Espondilose anquilosante (pontes ósseas) na coluna torácica e lombar (setas). neoplasias ou infecções. crescimentos ósseos no interior do canal medular. dor à palpação. proliferação de tecidos moles (ligamentos e cápsula articular). A cauda eqüina corresponde à porção caudal do cordão espinhal e suas raízes adjacentes estão localizadas nos corpos vertebrais de L5-L7. Figura 11.(fig. instabilidade articular entre L7 e sacro. S1S3 e Cc1-5.10 – Detalhe evidenciando calcificação da duramáter na base do canal medular entre os corpos vertebrais. além de protrusão de disco intervertebral Hansen Tipo II. 11. osteocondrose de sacro e comprometimento vascular. é um complexo de sinais neurológicos causados pela compressão das raízes nervosas da espinha lombossacra. Os sinais radiográficos estão associados com a causa de compressão da cauda eqüina que podem ser: fraturas. relutância ao exercício. luxações. claudicação. 87 . variando de acordo com o tipo de alteração anatômica. Animais de grande porte são acometidos com maior freqüência e demonstram como sinais clínicos a incontinência urinária e fecal. A localização da extremidade caudal do cordão espinhal varia de acordo com o tamanho dos cães e gatos. espondilose anquilosante entre L7 e sacro.10). A B Figura 11. Instabilidade ou Espondilose lombossacra. Projeção lateral (A) e ventrodorsal (B). Compressão de cauda eqüina.

11-A) ou aparência de cunha do espaço do disco intervertebral. ou pode ocorrer também somente calcificação do núcleo pulposo do disco intervertebral. CALCIFICAÇÃO DE DISCO INTERVERTEBRAL A imagem é melhor observada em radiografias laterais de coluna. quando fibrosados não serão observados nas radiografias. presença de material mineralizado no forame intervertebral e compressão medular demonstrada pela mielografia. segmentos curtos da coluna devem ser radiografados separadamente. 11. mas deve-se ter o cuidado de não confundir com sobreposição de apófises transversas ou costelas. podendo também causar compressão medular. fraturas patológicas (por compressão). Ao exame radiográfico simples e sem alterações. Os tumores poderão ser primários ou secundários e é difícil serem distinguidos de espondilite ou discoespondilite. seguidas de degeneração tanto do núcleo pulposo quanto do anel fibroso. os sinais radiográficos da doença de disco intervertebral incluem calcificação de um ou mais discos. tumores como linfoma podem ocorrer em gatos jovens. esses espaços intervertebrais são radiotransparentes e seu tamanho é aproximadamente igual em toda a extensão da coluna vertebral. A mielografia fornece dados como localização do tumor e sua posição no canal vertebral.HÉRNIA DE DISCO INTERVERTEBRAL Os discos intervertebrais ocupam os espaços entre uma vértebra e outra desde C2-C3 até S1. porém o diagnóstico é definido somente através da biopsia. Para se evitar distorções da aparência dos espaços intervertebrais. A afecção ocorre pela extrusão (Hansen tipo I) ou protrusão (Hansen tipo II) de disco intervertebral independente de estar ou não fibrosado ou calcificado. De modo geral. Na extrusão (mais comum em raças condrodistróficas como Basset e Bulldog): radiograficamente observa-se calcificações precoces. Caso o anel fibroso se rompa. Cada disco é composto de um anel externo fibroso e laminado e um núcleo central chamado de núcleo pulposo. 11. A B 88 . ALTERAÇÕES NEOPLÁSICAS As neoplasias de coluna afetam mais comumente cães idosos. Observa-se aumento de radiopacidade entre os corpos vertebrais. Os discos poderão estar fibrosados ou calcificados (fig.11-B). Suas principais características radiológicas são: lise óssea. estreitamento (fig. porém. Na protrusão (nas demais raças): as alterações fibróides progridem lentamente à medida que o animal envelhece. o anel fibroso origina uma saliência (prolapso) sem romper-se. o material do núcleo se deslocará com muita força podendo causar compressão medular. crescimentos ósseos desordenados e alteração na radiopacidade óssea. destruição das placas terminais vertebrais. Nesse caso.

É importante o conhecimento da posição dos centros de ossificação e o período em que as linhas epifisárias se fecham. Estes exames poderão ser realizados com contraste positivo denominando-se artrografia. sendo esta última a mais aconselhada. associando os dois meios de contraste que se chama artrografia de duplo-contraste.. CAPÍTULO XII RADIOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR Para a avaliação apropriada da condição óssea e articular. A radiografia desempenha importante papel na avaliação das fraturas nas seguintes etapas: pré. anti-sepsia e sedação ou anestesia. com contraste negativo denominando-se pneumoartrografia ou. alinhamento. tricotomia.. 12. Caracterizam-se pela presença de solução de continuidade óssea (fig. Calcificação de disco intervertebral L6-7 (seta) (B).11 – Diminuição do espaço intervertebral entre T12-13 (A).1). animais jovens apresentam consolidação mais rapidamente que os 89 . pode-se efetuar exames contrastados quando os simples não forem esclarecedores. meniscos. FRATURAS Poderão ser traumáticas ou patológicas (espontâneas). etc. com deslocamento dos côndilos femorais caudalmente. Incidências obliquadas e flexionadas podem contribuir. Para realização desses exames deverão ser seguidas as normas de preparo prévio: limpeza da região. ainda. Com relação ao reparo ósseo. dorsopalmar/ dorso-plantar e médiolateral) são necessárias. pelo menos duas projeções.Figura 11. realizadas em ângulo reto uma em relação à outra em incidências padronizadas (crâniocaudal. ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS ALTERAÇÕES DE ORIGEM TRAUMÁTICA LUXAÇÃO E SUB-LUXAÇÃO Alterações já descritas. trans e pós-procedimento terapêutico. Radiograficamente observa-se sub-luxação da articulação fêmoro-tibial.. permite avaliar a eficácia do método realizado e a terceira etapa faz o acompanhamento do processo de cicatrização ou reparo ósseo. Durante o procedimento terapêutico. em casos iniciais e artrose em casos mais avançados. como sua extensão. superfícies articulares. excesso de esforço físico ou ainda por excesso de força na tração. RUPTURA DO LIGAMENTO CRUZADO Ocorre por traumatismo. A primeira etapa comprova a fratura e avalia os diversos aspectos relacionados à mesma. Ao avaliar-se articulações. Poderá ocorrer edema de tecido mole intra-articular.. Estas técnicas poderão ser utilizadas para observação de cápsula articular. etc.

observando-se o encurvamento da ulna causando a deformidade do membro com desvio lateral ou valgus.2-A). Poderá ocorrer o desvio medial ou varus. devido à posição medial do rádio no carpo que força o membro lateralmente enquanto o seu crescimento continua. Fratura distal de metáfise de fêmur (B). Aparecimento de doença articular degenerativa é uma possível conseqüência dessa enfermidade. EXOSTOSE CARTILAGINOSA MÚLTIPLA Também denominada Osteocondromatose e Exostose Hereditária Múltipla. A B Figura 12.1 – Fratura de colo femoral direito (A). com aumento de radiopacidade. Radiograficamente caracteriza-se pela imagem de exostoses circulares e regulares. No rádio ocorre arqueamento cranial podendo tornar-se severo durante a evolução do quadro. podendo levar à sub-luxação da articulação do úmero com a ulna. principalmente em ossos longos e menos freqüente na coluna. esta afecção de etiologia desconhecida. Às vezes poderão ser confundidas com neoplasias. os osteomas. É uma doença que afeta também outras espécies. poderá ocorrer em todo o esqueleto. LUXAÇÃO PATELAR A luxação de patela pode ser medial ou lateral (fig. Esta alteração poderá ocorrer em qualquer placa epifisária. A lesão óssea poderá não ser percebida na radiografia. Quando ocorre uma exostose cartilaginosa isolada. esta é denominada osteocondroma. como por exemplo. com bordas escleróticas. ALTERAÇÕES LIGADAS AO DESENVOLVIMENTO E / OU DE ORIGEM DESCONHECIDA FECHAMENTO EPIFISÁRIO PRECOCE Principal causa são os traumas. 12. O método de imobilização da fratura (talas e pinos) e a presença de doença local ou metabólica afetam a velocidade de consolidação óssea. embora os osteomas não sejam múltiplos com freqüência. As projeções 90 . Por isso torna-se necessária biópsia para diagnóstico diferencial. mas o local mais comum é a linha de crescimento distal da ulna. As lesões são freqüentemente múltiplas. se ocorrer lesão na linha epifisária do rádio.velhos. podendo ser císticas ou proliferativas. principalmente eqüinos.

podendo haver fragmentação da mesma. Radiograficamente se caracteriza como áreas circunscritas com radiopacidade de tecido ósseo. 12. esta enfermidade ocorre geralmente em raças de pequeno porte. em crescimento. Radiograficamente a patela se encontrará deslocada lateral ou medialmente. médiolateral e skyline da articulação fêmorotíbio-patelar. encurtamento de colo femoral (fig. a patela poderá estar posicionada em seu local anatômico no sulco troclear. CALCINOSE CIRCUNSCRITA Também chamada de Calcinose Tumoral e Gota Cálcica nesta alteração ocorre deposição de sais de cálcio de aspecto amorfo no tecido mole. alterações degenerativas secundárias. causando dor e dificuldade de movimentação. inclui fatores hereditários. dependendo do estágio da enfermidade. Na incidência médio-lateral. OSTEOARTROSE OU MOLÉSTIA ARTICULAR DEGENERATIVA Observa-se formação de osteófitos em superfícies periarticulares. no momento do posicionamento para o exame. pela diminuição da amplitude do movimento articular. rotação e curvatura da porção proximal da tíbia e angulação anormal da articulação fêmoro-tibial. geralmente unilateral. NECROSE ASSÉPTICA DE CABEÇA DO FÊMUR Também conhecida como Doença de Legg-Perthes.Luxação lateral de patela observada em projeção skyline (A). Doença de Legg-Calvé-Perthes ou Necrose Avascular da Cabeça Femoral. ou seja. pele e proeminências ósseas.2 . pressão intracapsular e infarto da cabeça do fêmur. Pode-se observar. conformação anatômica. OSTEOCONDROSE Caracteriza-se por um distúrbio na ossificação endocondral que leva a formação de 91 . osteoartrose. A etiologia. Necrose asséptica da cabeça do fêmur.radiográficas indicadas são a crânio-caudal. hormonais. Ao exame radiográfico evidencia-se uma densidade óssea da cabeça do fêmur diminuída (rarefação óssea). Outras anormalidades ósseas poderão estar presentes como sulco troclear raso. lado esquerdo (B). Caso a luxação seja intermitente. ainda não bem esclarecida. tecido subcutâneo. A B Figura 12. a patela não se encontra no sulco troclear e está sobreposta aos côndilos femorais.2-B).

a genética. Fechamento epifisiário precoce (seta) (A). sexo. Poderá ocorrer perda do padrão trabecular normal do osso. Radiograficamente observa-se área de rarefação óssea circunscrita na região subcartilaginosa (cisto ósseo) (fig. A confirmação do diagnóstico pode ser feita através da artrografia (fig. mais evidente próximo ao forame nutrício.3-B). podendo às vezes ocorrer erosão de cartilagem articular e formação de osteófitos periarticulares.4). 12. fêmoro-tíbio-patelar e tarso de cães jovens com crescimento rápido. passa a denominar-se osteocondrite dissecante. A etiologia é multifatorial incluindo o manejo.um cisto subcartilaginoso. Artrografia sem alteração.3 – Articulação escápulo-umeral de cão jovem com osteocondrose.3-A). PANOSTEÍTE EOSINOFÍLICA Alteração também conhecida como Panosteíte Canina e Panosteíte ocorre em cães jovens e tem etiologia desconhecida. fatores hormonais e nutrição. 92 . Na imagem radiográfica observa-se aumento de radiopacidade na medula dos ossos longos. 12. Freqüentemente é bilateral e afeta as articulações escápulo-umeral. A B Figura 12. Há casos em que as lesões são tão intensas que chegam a tomar por completo a cavidade medular. geralmente. podendo desaparecer de um membro e aparecer em outro. úmero-rádio-ulnar. Área radiolucente na cabeça do úmero. 12. Clinicamente os animais apresentam claudicação sem história de lesão. Quando há avulsão de um flap de cartilagem no local do cisto. Espessamento endosteal e reação periosteal regular poderão aparecer independentemente da opacidade da medula (fig. o qual pode sofrer mineralização.

a atingir as superfícies articulares. Aumento de radiopacidade do canal medular da tíbia (seta). alguns autores citam vários fatores como responsáveis pela referida enfermidade (fig. 12. Características radiográficas incluem grande proliferação periosteal perpendicular à cortical. 12. a qual permanece íntegra.6). geralmente simétrica e generalizada. Clinicamente os animais afetados apresentam edema na região distal dos membros.5 – Afecção pulmonar crônica (A) pode causar osteopatia pulmonar hipertrófica. DISPLASIA DA ARTICULAÇÃO DO COTOVELO A etiologia não está bem definida.4 – Panosteíte. associada a enfermidades pulmonares (fig. não chegando. Observar o novo tecido periosteal formado (B). contudo. Quando a lesão pulmonar é tratada com sucesso. as alterações ósseas regridem rapidamente. esta doença está. A reação óssea do tipo osteofitose ou espículas. OSTEOARTROPATIA HIPERTRÓFICA PULMONAR Também chamada Acropaquia ou Osteopatia Hipertrófica Pulmonar. afeta ossos longos (fig. doença pulmonar crônica. demonstrando dor à palpação e claudicação. porém.5-B) e pode estender-se até as cápsulas articulares.Figura 12. Membros anteriores de cão. A B Figura 12. como: a) Processo coronóide medial fragmentado 93 .5-A) como neoplasias e tuberculose. neoplasias vesicais ou prostáticas e alterações metabólicas. geralmente. 12.

Deve haver perfeita simetria entre as asas do ílio e forames obturadores. b) Osteocondrose Enfermidade já descrita. crescimento rápido. forma elíptica anormal e curvatura diminuída da chanfradura troclear ficam evidenciadas pelo aumento do espaço articular úmero-radial. As alterações radiológicas perceptíveis são: separação do fragmento ósseo na região caudal do epicôndilo. Alteração vista somente na projeção lateral flexionada do cotovelo.7. d) Não União do epicôndilo medial do úmero Esta situação é a menos freqüente dentre as demais relacionadas.Radiograficamente observa-se alteração articular degenerativa secundária progressiva e.6 – Não-união do processo ancôneo. 94 . O diagnóstico definitivo para o Pastor Alemão. sabe-se que está ligada a fator hereditário. excesso de exercícios físicos. cabeça de fêmur e colo femoral. Mastif. distúrbios hormonais. Na projeção lateral. cabeça de fêmur redonda ou esférica. é necessário que estejam incluídas na radiografia as asas do ílio e a extremidade distal dos fêmures. fratura do processo medial. Freqüentemente com o tempo desenvolve-se doença articular degenerativa (osteoartrose). afetando cães de raças grandes. na maioria das vezes. Fila Brasileiro. A displasia caracteriza-se por uma instabilidade articular ou sub-luxação da articulação. os fêmures devem estar paralelos e as patelas posicionadas nos sulcos trocleares. Dogue Alemão e demais raças gigantes. Para posicionamento ideal para a avaliação da articulação coxofemoral representado na figura-12. sendo assim descrita como de etiologia multifatorial. podendo estar envolvidos nesta enfermidade: acetábulo. a) Os animais normais apresentam: Acetábulo profundo. colo femoral delgado. Figura 12. raramente. este é feito com 1 ano e seis meses. DISPLASIA COXOFEMORAL Não existe uma única etiologia definida. c) Não União do processo ancôneo Radiograficamente observa-se uma linha radiolucente evidenciando a separação do processo ancôneo da porção proximal da ulna. Labrador é feito com 1 ano de idade enquanto que para Rottweiler.

até plano. • perda da congruência ou seja imagem de sub-luxação acentuada. 95 . • cabeça de fêmur poderá estar facetada. e) Displasia de grau grave (fig. • colo de fêmur geralmente curto e engrossado. achatada. 12. em forma de cogumelo.8-B): • acetábulo pouco profundo.8-A): As características são: “Ângulo de Norberg” maior que 100o e menor que 105o. • “Ângulo de Norberg” inferior a 90o (só medido em ausência de artrose). • “Ângulo de Norberg” maior que 90o e menor que 100o. 12.7 – Posicionamento adequado para avaliação de displasia coxofemoral. • aparecem os primeiros sinais de artrose. achatada. Sem sinais de artrose.. • cabeça de fêmur poderá estar afilada. Figura 12.. • artrose geralmente evidente.8-C): • acetábulo pouco profundo. c) Displasia de grau leve (fig. etc. etc. d) Displasia de grau médio (fig. • colo de fêmur poderá estar levemente engrossado. • poderá apresentar sub-luxação ou até luxação completa. b) Animais em fase de transição: São animais que apresentam boa articulação e o ângulo levemente inferior a 105 o ou animais em que a articulação é ligeiramente incongruente e tem o ângulo maior ou igual a 105o. 12.articulação com perfeita congruência e “Ângulo de Norberg” igual ou superior a 105o.

OSTEOPENIA POR DESUSO Ocorre principalmente devido à inatividade do membro. Radiograficamente observa-se diminuição da densidade óssea localizada (fig. OSTEOCONDRODISPLASIAS São anormalidades do crescimento e / ou desenvolvimento cartilaginoso ou ósseo. Radiograficamente é observada como um cone invertido. radiolucente na metáfise distal da ulna. alterações de número de dedos. 96 .. resultando em uma deformidade do membro. Displasia em grau grave demonstrando subluxação e grande deformidade de cabeça femoral. engrossamento de colo femoral e artrose – osteófito (seta) (C). Aqui se enquadram: nanismo.A B C Figura 12. etc. Displasia em grau médio com deformidade de cabeça femoral (facetada) e leve engrossamento de colo femoral (B). como rotação externa ou arqueamento cranial. podendo estar associada a problemas vasculares da região metafisária da ulna. arrasamento de acetábulo. RETENÇÃO DE NÚCLEOS CARTILAGINOSOS ENCONDRAIS Ocorre na metáfise distal da ulna de cães jovens de raças grandes e gigantes.9) devido à desmineralização por reabsorção óssea.. Sem etiologia definida.8 – Diferentes graus de displasia coxofemoral. 12. Sua persistência causa encurtamento da mesma em relação ao rádio. Displasia em grau leve (A).

Pode haver osteopenia por desuso no membro afetado. claudicação e diminuição da amplitude dos movimentos articulares. calor. Osteodistrofia Nutricional. sendo comum a metalose. Observam-se alterações no padrão ósseo com áreas de rarefação e perda dos padrões trabeculares. áreas de neoformação óssea periosteal.9 – Osteopenia por desuso. As articulações do carpo e tarso são as mais freqüentemente atingidas. aproximadamente 50% do cálcio do osso deve estar reduzido. E para que essas alterações tornem-se radiograficamente evidentes. A lesão mais evidente é a progressiva destruição do osso subcondral na inserção da membrana sinovial. situação freqüentemente observada. osteomielite é o processo inflamatório da medular e cortical óssea. situação que leva à rarefação óssea na articulação. dor. nas reduções de fraturas com pinos transfixados. Poderá ocorrer estreitamento ou alargamento do espaço articular que é decorrente da erosão da cartilagem articular e destruição do osso subcondral. OSTEOMIELITE NÃO SUPURATIVA É uma reação inflamatória não infecciosa ocasionada freqüentemente por reação do organismo a implantes metálicos. A característica radiológica da metalose é lise óssea em torno do implante. Com o desenvolvimento do processo observase reação periosteal nos ossos adjacentes e destruição das cartilagens articulares. Osteodistrofia Juvenil (no homem e pequenos animais) 97 . periostite. a qual pode ocorrer por feridas cirúrgicas ou traumáticas. lise óssea. ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E/ OU INFECCIOSAS ARTRITE INFECCIOSA Esta infecção ocorre via hematógena ou por de feridas punctórias. Ocorre devido à invasão bacteriana na estrutura óssea.Figura 12. Poderá ocorrer osteomielite nos ossos adjacentes. pequeno alargamento do espaço articular. ALTERAÇÕES DE ORIGEM METABÓLICA E NUTRICIONAL Anormalidades metabólicas podem ser refletidas nos ossos e provocar graves alterações. HIPERPARATIREOIDISMO SECUNDÁRIO NUTRICIONAL Esta enfermidade também chamada de Osteodistrofia Fibrosa. OSTEOMIELITE SUPURATIVA Segundo a definição. Osteoporose Nutricional. sendo aparentemente de ordem imunológica. presença do “Triângulo de Codman” e poderá ocorrer presença de seqüestro ósseo. e reação periosteal intensa. Nos estágios iniciais da enfermidade há um espessamento da membrana sinovial. Clinicamente se observa aumento de volume articular. ou via hematógena. esclerose. ARTRITE REUMATÓIDE É uma enfermidade não infecciosa. distensão da cápsula articular. devido ao aumento de volume e pressão no interior da articulação. Deve-se suspeitar de causa metabólica quando ocorrem alterações em todo o esqueleto e não lesões isoladas.

na extremidade distal do rádio. em contrapartida pouca quantidade de alimento volumoso. A epífise e a cartilagem epifisária aparecem normais. contudo. RAQUITISMO Afecção não muito freqüente na clínica veterinária. observa-se certo grau de desmineralização óssea e. Sua etiologia é discutida. cortical delgada e possivelmente fratura patológica chamada de fratura em “talo verde”. linha epifisária e metáfises aumentadas de largura.10 – Radiografias de um cão jovem demonstrando diminuição generalizada da densidade óssea e adelgaçamento de cortical presente na osteodistrofia fibrosa. Nas radiografias das regiões metafisárias de rádio e ulna. associada a fatores nutricionais. não há fratura completa (fig. podendo estar associado ao desequilíbrio dos níveis de vitamina D e Cálcio. OSTEODISTROFIA IDIOPÁTICA Ocorre em animais na fase de crescimento de raças de grande porte. A falta de exposição ao sol também pode ser fator determinante no processo. Radiograficamente manifesta-se por rarefação óssea generalizada.e. Clinicamente os animais parecem bem nutridos apesar de apresentarem dificuldade de locomoção. observa-se discreto aumento de opacidade na metáfise (esclerose) e irregularidade de periósteo. Fratura em talo verde (seta) (B). no eqüino de Osteomalácea ou “Cavalo da Cara Inchada”.10). pelo desequilíbrio na relação cálcio-fósforo. É comum que cadelas e gatas recuperadas apresentem distocia na idade adulta em função do estreitamento da cintura pélvica ocorrida durante o curso da doença quando jovens. No caso dos eqüinos. Radiograficamente além do “Rosário Raquítico”. proporcionando aspecto de cálice invertido. passam a receber uma quantidade de grãos maior que a adequada. sendo um mecanismo compensatório para manter a calcemia. onde a cortical óssea dobra. quando estes são desmamados. 12. Esta afecção ocorre em animais em crescimento como cães e gatos jovens e eqüinos. defecação e dor à palpação. Ingestão de corpos estranhos para suprir carência alimentar (A). iniciando o desequilíbrio. A B Figura 12. 98 .

Escorbuto Esquelético. demonstrando dor à palpação. Radiograficamente. determinada por uma zona radiolucente irregular paralela à fise (fig. As lesões são simétricas e bilaterais. aparenta linha fisária dupla. principalmente. Clinicamente os animais afetados apresentam aumento de volume nas metáfises. ulna e tíbia. Displasia Metafisária e Doença de Moeller-Barlow.OSTEODISTROFIA HIPERTRÓFICA Também chamada de Escorbuto Canino. 12. 99 .11 – Osteodistrofia hipertrófica.11). Osteopatia Metafisária. A B Figura 12. cuja etiologia permanece incerta. esta afecção. de rádio. Linha radiolucente paralela a fise (seta) (A). Há edema de tecidos moles próximo à metáfise e calcificação justacortical ao redor da metáfise. causa destruição das trabéculas metafisárias de ossos longos de cães de grande porte com crescimento rápido.

As raças caninas mais atingidas são as de grande porte como Pastor Alemão. São Bernardo. 12. por isto. tíbia e mandíbula. As raças caninas mais afetadas são o Pastor Alemão e o Boxer. coração. Sua evolução é extremamente rápida. Não tem etiologia definida. 100 . 7 . atingindo principalmente ossos longos. CONDROSSARCOMA É o segundo tumor ósseo mais encontrado nos cães e gatos. rins e linfonodos regionais. os quais poderão apresentar calcificação. ocorrendo em animais de meia idade. Deve-se levar em consideração que outras lesões como osteomielite. neoformação óssea e possível progressão para os tecidos moles adjacentes. Labrador.12) e o efeito “Sunburst”. se faz necessário uma biópsia para diagnóstico definitivo. por exemplo. embora acredite-se que agentes químicos (salicato de zinco e berílio). vértebras e ossos da pelve. O triângulo de Codman é uma elevação do periósteo sobre a neoformação óssea. ALTERAÇÕES NEOPLÁSICAS TUMORES MALIGNOS OSTEOSSARCOMA Este é o mais freqüente. O efeito “sunburst” é causado pela proliferação óssea com aspecto que lembra raios de sol ou explosão. vértebras. A idade média de aparecimento dos osteossarcomas é de 7. Dinamarquês. Já nos felinos os locais de maior aparecimento são a escápula. maxilar e ossos da pelve.7 anos. representando 50% dos tumores ósseos dos caninos e felinos. As metástases ocorrem em aproximadamente 18% dos casos e se localizam nos pulmões. escápula e costelas. Doberman e Collie. Boxer. tendo como locais mais comuns a região nasal. As alterações radiográficas mais importantes do osteossarcoma dos ossos longos são: destruição da cortical óssea. Em felinos.Fechamento prematuro da epífise da ulna causado por trauma ocasionando o encurvamento do rádio (B). podendo ocorrer também em ossos do crânio. poderão ser confundidas com tumor. radiação e implantes metálicos (placas e pinos intramedulares) possam estimular. O exame radiológico revela um tecido tumoral infiltrativo com destruição cortical irregular e extensão parcialmente mineralizada com os tecidos moles adjacentes. os locais de maior aparecimento da doença são ossos longos.8 anos. Freqüentemente se encontra fratura patológica no osso atingido e metástases nos pulmões que são achados em quase a totalidade dos casos. As características mais evidentes destes tumores são o “triângulo de Codman” (fig. crânio. vírus (vírus do sarcoma de Moloney). ou seja. costelas.

Geralmente aparecem nas extremidades dos ossos 101 . FIBROSSARCOMA Ocorre geralmente em animais velhos. A neoplasia apresenta características de um processo benigno crônico. Podem ocorrer fraturas patológicas. nos metacarpos e metatarsos. Pode ser único ou múltiplo. Não há reação periosteal nos ossos adjacentes. na superfície dos ossos. aparecem no crânio de cães e gatos. Na maioria dos cães e gatos. Observar a destruição e proliferação óssea. usualmente assintomático. tornando esta mais delgada com a evolução do processo. quando múltiplo é denominado Osteocondromatose. a destruição óssea já é intensa na ocasião do diagnóstico. Possui crescimento lento e tem a característica de invadir os espaços articulares adjacentes. Exostose Cartilaginosa Múltipla ou Exostose Hereditária Múltipla. Estes tumores têm a característica de causar expansão da córtex óssea. há tumefação dos tecidos moles e provoca reação osteolítica dos ossos subjacentes. TUMORES BENIGNOS OSTEOMA São achados radiográficos que. Distal de fêmur (B) e proximal de tíbia (C). OSTEOCONDROMA É um tumor benigno composto de cartilagem e tecido ósseo. geralmente. ENCONDROMA O Encondroma é freqüente encontrado nas extremidades dos membros dos cães. Aproximadamente 60% destes tumores estão associados a ossos do crânio (maxila. Ao exame radiográfico.12 – Neoplasia de carpo e distal de rádio (A). Metástases são raras.A B C Figura 12. Radiograficamente os osteomas aparecem em forma de uma massa radiopaca arredondada. mandíbula e osso nasal) e. geralmente. esclerótica e de consistência dura de contorno regular. 30% ocorrem em ossos longos. Triângulo de Codman elevando o periósteo (seta) e efeito Sunburst (explosão óssea) (A).

As radiografias da falange distal e navicular requerem que todo e qualquer fragmento ou excesso de casco seja aparado. O osteocondroma tem córtex e cavidade medular comunicada com a cavidade medular do osso no qual se originou. sendo o sulco da ranilha limpo e preenchido com material de densidade de tecidos moles (sabão ou massa de modelar) a fim de evitar imagem radiolucente do ar. bloqueio anestésico ou sedação. sendo necessário. juntamente com a anamnese e exame físico. anatomia básica e as principais alterações detectáveis radiograficamente. Pode estar ligeiramente associado à intumescência do tecido mole. os posicionamentos de rotina. que o médico veterinário dispõe para diagnosticar alterações no aparelho locomotor de eqüinos. Sua patofisiologia é incerta e quanto à etiologia. geralmente. CAPÍTULO XIII Introdução ao estudo radiográfico do aparelho locomotor eqüino O estudo radiográfico é um importante instrumento. Radiograficamente apresenta-se como uma exostose situada na metáfise óssea perpendicular à córtex. A ferradura deve ser removida. a limpeza eficaz da região é suficiente. contudo esta não é uma característica marcante. No caso de projeções dorso-palmar e palmaroproximal-palmarodistal obliquada. sobreposta à terceira falange. acredita-se estar ligada a fatores genéticos com transmissão hereditária.longos e costelas. ela pode interferir com o osso e tecidos moles adjacentes causando claudicação. CAPÍTULO XIV 102 . eventualmente. sempre que possível. um túnel (caixa de madeira ou acrílico) é utilizado para proteger o chassi. Este capítulo tem por objetivo descrever o preparo da região a ser radiografada. elevando o mesmo do solo. Ainda que a lesão seja insignificante. Nas demais regiões do aparelho locomotor. As radiografias em projeção lateral da terceira falange e navicular devem ser obtidas usando um suporte ou bloco de madeira para apoiar o casco.

POSICIONAMENTOS RADIOGRÁFICOS Nomenclatura para posicionamentos (fig. 14.1-A e 14.1-B).

A
Figura 14.1 - Nomenclatura para posicionamentos.

FALANGE DISTAL Dorso-palmar Existem três variações recomendadas da projeção dorso-palmar. Na primeira, denominada dorsoproximal-palmarodistal obliquada, o casco fica posicionado na vertical, com a pinça colocada num bloco de madeira com o sulco da ranilha encostado no filme (fig. 14.2-A). O raio é centrado na coroa do casco perpendicularmente ao filme. Este posicionamento proporciona boa visualização do corpo, margem da sola e processo palmar da falange distal. Na segunda, efetua-se a radiografia em projeção dorsopalmar com uma visualização de cima em relação à coroa, sendo que o animal deverá permanecer em estação, com a sola sobre o chassi protegido. O raio incidirá com um ângulo dorsoproximalpalmarodistal de aproximadamente 65º em relação à linha horizontal, centrado na coroa do casco (fig. 14.2-C). Outra posição é a dorsopalmar que consiste na colocação da pata sobre um bloco de madeira sendo que o raio é centrado horizontalmente entre a coroa do casco e superfície da sola, seguindo uma linha traçada entre os bulbos, garantindo uma posição dorsopalmar correta (fig. 14.2-B).

103

A

B

C

Figura 14.2 - Variações da projeção dorso-palmar (plantar). Dorso-palmar com o casco em pinça (A), dorso-palmar com feixe de raios-x na horizontal (B) e dorso-palmar 65ºobliquada (C).

Palmaroproximal-palmarodistal obliquada Está indicada para a visualização do processo palmar da terceira falange e osso navicular, particularmente em suspeita de fratura ou separação da lâmina da parte posterior do casco. O casco a ser radiografado deverá ficar mais caudal que o contralateral, sobre o chassi protegido e a ampola é posicionada caudalmente ao membro com o raio centrado entre os bulbos. O ângulo de incidência do feixe de radiação em relação ao chassi é de 45° a 70° dependendo da inclinação da quartela e do posicionamento do casco, cuidando para que o boleto não se sobreponha ao processo palmar da terceira falange (fig. 14.3-B). Lateromedial Na projeção lateromedial com a pata sobre um bloco de madeira o feixe principal de radiação é direcionado na horizontal e centrado na falange distal, próximo à inserção do tendão flexor profundo perpendicular ao filme (fig. 14.3-A). As variações do processo extensor ou apófise piramidal, pequenas opacidades ósseas na porção proximal da terceira falange e, principalmente, rotação de falange distal, podem ser avaliadas nesta projeção. Outras projeções Osteofitos e irregularidades da face dorso-medial e dorso-lateral da falange distal são melhor vistas em projeções obliquadas flexionadas onde há abertura da articulação interfalangeana distal. A extremidade do casco é colocada em bloco com o osso navicular a fim de que a sola se aproxime da posição vertical, e incide-se o feixe de radiação com uma projeção 45ºdorsolátero-palmaromedial 65º obliquada (fig. 14.3-C) e 45º mediopálmaro-dorsolateral 65º obliquada. NAVICULAR Lateromedial (idem à falange distal) Dorsopalmar com o casco em pinça (idem à falange distal) Dorsoproximal 65º-palmarodistal Obliquada (DPr65º-PaDiO) (idem à falange distal) Palmaroproximal-palmarodistal Obliquada (PaPr-PaDiO) (idem à falange distal)

104

FALANGE PROXIMAL E MÉDIA Lateral (idem à falange distal) Dorsopalmar Dorsolátero-palmaromedial Obliquada Dorsomédio-palmarolateral Obliquada BOLETO (fig. 14.4 e fig. 14.5) Lateromedial - estendida e flexionada Dorsopalmar Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO) Lateroproximal-mediodistal obliquada (LPMDO) ou (MPLDO) Dorsopalmar 125º obliquada ou skyline (estendida e flexionada)

A
Figura 14.3 - Projeção lateral (A), (B) palmaroproximal-palmarodistal obliquada (PaPrPaDiO) e projeção 45ºdorsolátero-palmaromedial 65º obliquada (C).

A

B

C

D

Figura 14.4 - Projeção dorsopalmar (A), (B) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO), (C) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO) e lateral flexionada (D).

105

14.Projeção lateral flexionada (A). 106 . CARPO (fig.7) Lateromedial . 14.Projeção dorsopalmar (A). A B C D Figura 14.Projeção lateral estendida (A). lateral estendida (B). camada proximal dos ossos do carpo (C) e camada distal dos ossos do carpo (D).7 .5 . (C) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO). dorsopalmar 125º obliquada estendida (B) e flexionada (C) e (D) lateroproximal-mediodistal obliquada (LPrMDiO).A B C D Figura 14.estendida e flexionada Dorsopalmar (DP) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO) Dorsoproximal-dorsodistal ou skyline (rádio. (D) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO).6 . camada proximal e camada distal) A B C D Figura 14.6 e fig. skyline ou dorsoproximal-dorsodistal obliquada (DPrDDiO) da extremidade distal do rádio (B).

8) Lateromedial (lateral) Dorsoplantar (DP) Dorsolátero-plantaromedial obliquada (DLPMO) Dorsomédio-plantarolateral obliquada (DMPLO) ARTICULAÇÃO ÚMERO-RÁDIO-ULNAR E ESCÁPULO-UMERAL (fig.11) • Projeção lateromedial • Projeção cranioproximal-craniodistal obliquada ou skyline Projeção caudal 30º lateral-craniomedial obliquada Projeção caudo-cranial A B C D Figura 14. dorsoplantar (B).TARSO (fig.9) • Médio-lateral • Crânio-caudal (cotovelo) • Craniomedial-caudolateral obliquada (escápulo-umeral) ARTICULAÇÃO FÊMORO-TÍBIO-PATELAR (FTP) (fig.10 e fig. 14. 14. 14. (C) dorsolátero-plantaromédio obliquada (DLPMO) e (D) dorsomédio-plantarolateral obliquada (DMPLO).Projeção lateromedial (A). 14. 107 .8 .

B Figura 14. FONTE (B): SCHEBITZ & WILKENS.Projeção médio-lateral (A).Projeção tangencial (skyline) da articulação FTP em estação (A) e (B) e em decúbito (C). B Figura 14. caudal 30º lateral-craniomedial obliquada (B) e caudo-cranial (C).11 . al. FONTE (A e C): BUTLER et. CAPÍTULO XV ANATOMIA RADIOLÓGICA FALANGE DISTAL (fig. 15.10 .1) 108 . 2000.Figura 14. crânio-caudal (B) da articulação úmero-rádio-ulnar e médio-lateral da articulação escápulo-umeral (C)..9 . 2000.Projeção lateromedial (A).

Figura 15. 109 . sulco solar (h).2) O sesamóide distal também chamado osso navicular. processo extensor da falange distal (f). localiza-se na face palmar da articulação interfalangeana distal.upei. (B) dorso-palmar 65ºobliquada. 15. FONTE: http://www. Legenda: falange proximal (a). (C) dorso-palmar com o casco em pinça. falange média (b). nas projeções: (A) lateral. (D) dorso-palmar com feixe de raios-x na horizontal. por sua forma ser semelhante a um navio. margem solar (i) e canais vasculares (j). falange distal (c).1 – Anatomia radiológica da falange distal.ca/equinelimbs/html OSSO NAVICULAR (fig. processo palmar da falange distal (e). É comum se encontrar uma série de forames nutrícios na borda inferior do osso navicular. os quais aumentam de tamanho com a idade e aparecem na radiografia como uma borda bastante irregular. estando em contato com as falanges média e distal. navicular (d). superfície dorsal da falange distal (g).

embora existam diferenças anatômicas entre estas estruturas. carpo intermédio. METACARPO E METATARSO (fig. A segunda linha é distal e constitui-se dos ossos: segundo carpiano localizado medialmente.Figura 15. Na imagem radiográfica o sesamóide lateral tem forma triangular. 15. em forma de bico de flauta e carpo acessório. falange distal (e) e processo extensor da falange distal (f). processo palmar da falange distal (c).upei. 15.3) Didaticamente não se difere metacarpo de metatarso. CARPO (fig.3) Os sesamóides proximais têm a face crânio-proximal articulada com os metacarpianos ou metatarsianos e a face crânio-distal com a falange proximal. terceiro carpiano e quarto carpiano localizado caudolateralmente. 110 . 15. enquanto que o sesamóide medial possui uma forma mais arredondada.2 – Anatomia radiológica do osso navicular em projeção lateral (A) e dorso-palmar com o casco em pinça (B). localizado lateralmente. medular óssea (b).ca/equinelimbs/html FALANGES MÉDIA. o carpo intermédio localiza-se levemente proximal em relação ao carpo radial. localizado medialmente. Em projeção lateral flexionada. falange média (d). Legenda: cortical flexora (a). localizado na face palmar do carpo ulnar e intermédio. divididos em duas linhas. A primeira é proximal e constitui-se dos ossos: carpo radial. FONTE: http://www. PROXIMAL E ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGIANA OU METATARSO-FALANGIANA (BOLETO) (fig. carpo ulnar.4) A articulação do carpo é constituída de sete ossos.

ca/equinelimbs/html . 111 . Legenda: 3ºmetacarpiano (a). lateral flexionada (C) e dorsoláteropalmaromedial obliquada (DLPMO) (D).Figura 15.upei. sesamóide lateral (c) e falange proximal (d) FONTE (E e F): http://www. lateral estendida (B). sesamóide medial (b).3 – Anatomia radiológica da articulação do boleto em projeção dorsopalmar (A).

upei.4 – Projeção dorsopalmar (A). sesamóide proximal lateral (b). 2ºmetacarpiano (e).Figura 15. lateral (B) e (C) dorsomédio-palmarolateral obliquada. Legenda: 3ºmetacarpiano (a). 2ºcarpiano (g) e 3ºcarpiano (h). FONTE: http://www. 4ºcarpiano (f).ca/equinelimbs/html 112 . sesamóide proximal medial (c) e 4ºmetacarpiano (d).

ca/equinelimbs/html 113 . Legenda: rádio (a). 2º metacarpiano (j) e 4º metacarpiano (k). (C) dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO). 2º carpiano (f). (B) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO). carpo ulnar (d).4 – Anatomia radiológica do carpo em projeção dorsopalmar (A).upei. FONTE: http://www.Figura 15. carpo radial (b). lateral (D) e lateral flexionada (E) dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO). 3ºcarpiano (g). acessório do carpo (e). 3º metacarpiano (i). intermédio do carpo (c). 4º carpiano (h).

central do tarso (e). FONTE: http://www. 4º metatarsiano (i). (b) talus (tarso tibial). 1º e 2ºtarsianos (m) e tróclea lateral (n).ca/equinelimbs/html 114 .5) Figura 15.upei. Legenda: tíbia (a). 3ºtarsiano (f).TARSO (fig. 3ºmetatarsiano (g). 2ºmetatarsiano (h). 4ºtarsiano (d). (c) calcâneo (tarso fibular). maléolo medial (j) e maléolo lateral (k).5 – Anatomia radiológica do tarso em projeção dorsoplantar (A). (C) dorsolátero-plantaromedial obliquada (DLPMO) e (D) dorsomédio-plantarolateral obliquada (DMPLO). lateral (B). 15.

ulna (f). em projeção médio lateral.6 – Anatomia radiológica. ápice da patela (l). eminência intercondilar lateral da tíbia (f).upei. côndilo lateral do fêmur (d). côndilo medial do fêmur (c). 15. traquéia (b). Legenda da articulação escápulo-umeral: escápula (a).ca/equinelimbs/html ARTICULAÇÃO FÊMORO-TÍBIO-PATELAR (fig. Legenda: fêmur (a). fossa intercondilar (g). FONTE: http://www. fíbula (h).6) Figura 15. Legenda da articulação úmerorádio-ulnar: úmero (a). rádio (g).ARTICULAÇÃO ÚMERO-RÁDIO-ULNAR E ESCÁPULO-UMERAL (fig. eminência intercondilar medial da tíbia (e).7) Figura 15.ca/equinelimbs/html 115 . tuberosidade da tíbia (j). olécrano (e). úmero (d) e tubérculo maior (e). epicôndilo medial do úmero (b). 15. cabeça do úmero (c).7 – Anatomia radiológica em projeção caudo-cranial (A) e lateral (B) da articulação fêmoro-tíbio-patelar. epicôndilo medial do fêmur (b). patela (k). FONTE: http://www. côndilo do úmero (d). da articulação úmerorádio-ulnar (A) e escápulo-umeral (B).upei. tíbia (i). base da patela (m) tróclea lateral (n) e tróclea medial (o). epicôndilo lateral do úmero (c).

observar a irregularidade da superfície solar da falange distal (B). ligamento ou cápsula articular. os sinais clínicos devem ser usados para determinar se uma margem radiograficamente irregular é um indicador de doença antiga ou recente. 16. Lesões antigas que levam a torções de ligamentos ou tendões e estiramento de cápsula articular resultam em hemorragias ou efusão estimulando crescimento ósseo. a osteíte podal (fig. Reação periosteal focal pode ser provocada por lesões de tendão.1-B) se caracteriza por presença de espículas ósseas na borda da falange distal em projeção dorso-palmar.ca/equinelimbs/html . podendo ter largura aumentada dos canais vasculares e desmineralização óssea. OSTEÍTE PODAL Radiograficamente.1. 116 . FONTE (A): http://www. 16.Crescimento ósseo periosteal na parede dorsal da falange distal (A). As causas podem ser determinadas pela avaliação da extensão e localização específica da lesão.1-A).upei.CAPÍTULO XVI ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS CRESCIMENTO ÓSSEO PERIOSTEAL DA MARGEM DORSAL DA TERCEIRA FALANGE Esta lesão é vista em projeção lateral e indica tensão crônica no periósteo e resulta em pequena proliferação periosteal (fig. irregularidade difusa criando um aspecto inacabado com aparência rendada quando vista em projeção lateral ou 65° dorsopróximo-palmarodistal obliquado podendo ser indicativo de lesão crônica ou breve resposta inflamatória. onde há freqüentemente pequena alteração na irregularidade fisiológica do contorno da margem da sola. Outra alteração comum refere-se ao remodelamento da margem solar da falange distal. Assim. Osteíte Podal. Algumas vezes a osteíte podal apresenta-se inativa. A B Figura 16. A uniformidade da margem e a extensão da lesão periosteal podem ser usadas para determinar a agressividade e cronicidade da lesão.

A B Figura 16. portanto.2B). embora neoformação usualmente esteja presente (fig. osteófitos. AUMENTO DE RADIOPACIDADE SUBCONDRAL Este achado é indicativo de esclerose. Raramente o desequilíbrio cálciofósforo causa desmineralização do esqueleto apendicular identificável na radiografia. estreitamento do espaço articular devido à destruição da cartilagem. 16. A infecção do casco é comum e com pouca freqüência atinge a terceira falange. FONTE (A): http://www. envolve a superfície solar ou dorsal da falange. geralmente.DIMINUIÇÃO DA RADIOPACIDADE DA FALANGE DISTAL Em uma radiografia os fatores de exposição sempre têm que ser avaliados a fim de verificar se não são os responsáveis pela densidade diminuída. DOENÇA DEGENERATIVA ARTICULAR (DDA) A origem desta afecção pode ser.upei. observar área de radiolucência na borda da falange distal (setas).ca/equinelimbs/html. a infecção deste osso é chamada osteíte infecciosa e não osteomielite. podendo causar desmineralização. Osteíte infecciosa (B) da falange distal.2 – Doença degenerativa articular (A). artrite infecciosa. a qual pode ser evidenciada por radiolucência e irregularidade na margem. onde um espaço articular diminuído. possivelmente causado por início de doença degenerativa articular (DDA) por instabilidade crônica. necrose do osso subcondral. havendo raramente esclerose circundante. múltiplos pontos radiolucentes subcondrais. Uma diminuição difusa da radiopacidade da terceira falange pode ocorrer por desuso. As alterações ósseas representam osteomielite. Quando presente ela. 16. 117 . ferimento punctório. e intra-articulares podem ser vistos em DDA avançada. ou conformação pobre. observar crescimentos ósseos (setas). OSTEÍTE INFECCIOSA A falange distal não tem cavidade medular e. Dentre as características radiológicas de DDA crônica (fig. osteófitos peri-articulares. infecção adjacente (abscesso de tecido mole) via hematógena ou iatrogênica (nos casos de artrocentese ou terapia intra-articular com corticóides). trauma prévio.2-A) e severa pode-se citar. estreitamento irregular do espaço articular e esclerose óssea.

de tração e com pata ampla. A ossificação completa é raramente vista podendo estender-se proximalmente até a articulação inter-falangeana. Considera-se presente quando a ossificação estende-se além da margem proximal do navicular. tratamentos com antibióticos resultam em abscessos com pus espesso originando-se da terceira falange. Figura 16. Um extenso grau de ossificação pode não ter significado clínico se o animal não demonstra dor à palpação. 16. As projeções lateral (lateromedial) e dorso-palmar devem ser feitas para diagnosticar com exatidão a extensão da alteração. As anormalidades radiográficas podem aparecer quatro semanas após o início da lesão. especialmente na junção da linha branca e casco. A aparência do navicular também deve ser avaliada. Ocorre especialmente em cavalos velhos. A calcificação assimétrica pode indicar aumento de estresse na porção mais ossificada (fig. com drenagem recorrente localizada na coroa do casco ou superfície solar e está associada a vários graus de claudicação. sendo um achado comum em radiografias da falange distal de animais adultos. Fraturas da cartilagem calcificada ocorrem e causam 118 . Com a progressão da infecção ocorre comprometimento do suprimento sanguíneo da área podendo ou não apresentar seqüestro. a qual inicialmente é vista como uma área radiolucente no osso em projeção dorso-palmar com o casco em pinça. a qual aparece como protusões ósseas estendendo-se em direção caudal ao processo palmar da terceira falange. causando uma radiolucência bem definida. CALCIFICAÇÃO DAS CARTILAGENS ALARES (COLATERAIS) DA FALANGE DISTAL Ocorre mais comumente em raças pesadas. parecendo uma lesão cística.3). geralmente. A osteíte infecciosa pode ser crônica quando estes ferimentos penetrantes são profundos na sola. indica a junção entre a periferia do centro de ossificação separado e a porção da cartilagem alar que está calcificada. Uma linha radiolucente dividindo a imagem da cartilagem ossificada. pois a ossificação da cartilagem alar pode estar acompanhada de uma lesão degenerativa significante nesta estrutura. Às vezes.Ferimentos penetrantes através da sola podem resultar em osteíte infecciosa.3 – Calcificação das cartilagens complementares da falange distal em projeção dorso-palmar com o feixe da radiação horizontal (esquerda) e dorso-palmar com o casco em pinça (direita).

sem paralelidade das linhas em B. podendo levar a osteoartrite secundária da articulação interfalangeana distal. edema perivascular e shunt arteriovenoso da coroa do casco. penetração da mesma (fig. microtrombose. A rotação da terceira falange resulta na perda da paralelidade da falange distal e a parede do casco. 16. o peso do animal age como alavanca forçando o deslocamento do osso que também é puxado pelo tendão flexor digital profundo combinado à força mecânica proveniente da parede do casco. a ponto de aproximar o osso da sola do casco ocorrendo. normalmente fazendo autocura. ROTAÇÃO DA TERCEIRA FALANGE O desvio da terceira falange é comum na ocorrência de laminite crônica. sendo que os sinais radiográficos de laminite têm sido descritos quando um aumento na espessura do tecido mole dorsal à falange distal é visto em projeção lateromedial. A origem mecânica pode variar conforme a causa inicial e tempo de duração dos estágios agudos.claudicação aguda. a alteração passa a ser mais importante. Figura 16. ou ossificação incompleta desta estrutura. Quando a superfície articular está envolvida. Uma resposta dolorosa a uma pressão digital aplicada na coroa do casco justamente na área onde se suspeita de fratura ajuda a diferenciar esta de uma calcificação incompleta. são consideradas causas possíveis. um incompleto desenvolvimento e / ou separação do centro de ossificação. como vasoconstrição das veias digitais. aumento do número de canais vasculares 119 . O resultado da isquemia e necrose da lâmina do casco leva à perda do suporte da superfície dorsal da terceira falange. FONTE : http://www.upei. Seu significado deve ser avaliado como sinal clínico de pouca importância.4).ca/equinelimbs/html . uma vez que as alterações radiográficas persistem após a resolução da claudicação. que com a perda da junção laminar. à vezes. causando rotação. Por esta condição poder ser bilateral. IRREGULARIDADE DO PROCESSO EXTENSOR Um defeito na base do processo extensor ou fragmentação proximal ao processo pode indicar fratura.4 – Linha da superfície dorsal da muralha do casco (1) paralela com linha da superfície dorsal da terceira falange (2) sem rotação em A e com rotação. A laminite caracteriza-se pelas seguintes alterações radiográficas na terceira falange: desvio palmar. Um variável número de causas tem sido proposto. superfície solar irregular. A linha formada pela ossificação geralmente é irregular e pode ter alteração de radiopacidade e estrutura trabecular do osso subjacente. Fraturas podem ocorrer devido a anormalidades de tensão do tendão extensor digital comum ou hiper-extensão da articulação inter-falangeana distal.

5-A e 16. SÍNDROME NAVICULAR Também chamada de “Doença do Navicular”.upei. podem-se realizar radiografias com intervalos regulares para monitorar este progresso.direcionados à superfície dorsal. causando alterações na superfície flexora fibrocartilaginosa. As lesões por queratomas podem reaparecer após vários anos. mais rápido for o progresso. Com a extensão desta para a sola pode se estabelecer um ponto de contaminação causando osteíte infecciosa. Possui desenvolvimento progressivo e crônico. no tendão flexor digital profundo. mas são raras. Este tipo de neoplasia pode ocorrer em qualquer porção do casco. Pode provocar claudicação quando for ampla e às vezes está associada a infecções secundárias.5 – Lesão neoplásica benigna (setas) (A) e maligna (B). na bursa do navicular.ca/equinelimbs/html . O grau de rotação tem sido usado para fornecer um prognóstico para animais com laminite. FONTE: http://www. causando claudicação e dor. Outras neoplasias (fig. com claudicação intermitente bilateral nos membros anteriores. bem 120 . visto em projeção dorso-palmar com o casco em pinça ou projeção dorso-palmar obliquada. com contorno uniforme e dificilmente há neoformações ósseas associadas. É geralmente encontrada na margem solar do osso. NEOPLASIA O queratoma é o tipo mais comum de neoplasia encontrado na terceira falange. remodelamento da falange distal e aparência alongada e elevada da falange distal. esta alteração possui patofisiologia multifatorial. fratura patológica. pior será o prognóstico e dificilmente o animal retornará à sua função atlética. causando deformação da parede. A crena não deve ser confundida com este tipo de lesão. aparecendo como uma chanfradura semicircular. Com o passar do tempo esta área torna-se mais radiolucente dando uma aparência de gás na região. inicialmente representando uma secreção serosa colecionada entre a derme e lâmina epidérmica. geralmente.5-B) podem aparecer. podendo ocorrer ocasionalmente em membros posteriores. O aumento do tamanho desta linha indica a progressão da rotação ou necrose laminar. pois quanto mais marcante for a rotação. 16. Inicia-se. como os neurofibromas. sola e linha branca. Com o progresso da lesão pode aparecer uma leve linha radiolucente entre a falange e a parede do casco. Quando há suspeita de rotação progressiva. A B Figura 16. a qual é vista em radiografias de alta qualidade. fibrossarcomas.

alteração nas invaginações da borda distal (fig. as quais permitem visualizar a patela em posição anormal. 121 . ou seja. irregularidades na borda proximal (fig.6-a). mas poderá ser reduzida manualmente.como inserção de ligamentos e cápsula articular. em potros com conformação aparentemente normal. 16. mas tem sido relatado em raças puro sangue e árabes. Figura 16.6 – Representação esquemática das principais alterações encontradas na síndrome navicular. Em adultos a luxação é provavelmente de origem traumática. O exame contrastado da bursa do navicular. Também é causa de luxação a hipoplasia da tróclea lateral. Esta afecção é mais comumente vista em raças miniatura. As patelas podem ser palpadas em um posicionamento lateral anormal. mas ser luxada intermitentemente. • Grau 3: a patela geralmente está luxada. A luxação lateral de patela em potros é considerada uma herança genética causada por um gene recessivo. erosões no córtex flexor e mineralização do tendão flexor digital profundo. bem como eliminação de outras causas de claudicação. formações císticas (fig. a qual também é chamada de patela ectópica. bem como. Grau 2: a patela geralmente está no sulco troclear. Classificação da luxação patelar: Grau 1: a patela pode ser manualmente luxada e facilmente reduzida. Podem ainda aparecer pequenos fragmentos ósseos na borda distal. pode ser utilizado para confirmação das lesões evidenciadas no exame simples.6-c1) e esclerose na medular do osso navicular (fig. caudolateral à borda anterior da tróclea lateral e não no local normal que é o sulco troclear. Dentre os principais sinais radiográficos encontrados na síndrome navicular estão: osteófitos nas bordas lateral e medial do osso navicular (fig. Em função de a tróclea medial ser maior.6-b1).6-c2). 16. FONTE: DOUGLAS & WILLIAMSON. LUXAÇÃO DE PATELA Anormalidades congênitas são raras na articulação femuro-tíbio-patelar. 16. Não há sinal clínico patognomônico ou teste específico para o diagnóstico. apenas um trauma severo poderá induzir o deslocamento medial. localização da dor e sinais radiográficos de alterações do osso navicular. denominado bursografia. demonstrar outras lesões antes não percebidas.6-b2). caudal à borda anterior da tróclea lateral. 16. 1975. sendo este realizado através das características do passo do animal. 16. porém a mais comum é a luxação. • Grau 4: a patela estará luxada e não poderá ser manualmente reduzida. A confirmação do diagnóstico é através de radiografias caudocraniais e craniopróximo-craniodistal obliquada (skyline).

7) é uma desordem relativamente comum no animal jovem. como a necrose da cortical óssea. manifestada por fragmentação da cartilagem e ápice ósseo da patela.7 – Osteocondrose na face dorso-medial da falange proximal A osteocondrose por ter sua borda espessa e arquitetura cística. É um achado acidental em cavalos velhos. deve ser feito exame radiográfico do membro contralateral. não sendo detectados radiograficamente quando houver pequeno grau de alteração subcondral. Uma causa potencial destas alterações é a instabilidade e estresse na porção distal da patela causada por desmotomia medial da patela. Um ligeiro achatamento da face anterior da tróclea lateral não precisa ser acompanhado de indício clínico. do aparelho locomotor eqüino. Não pode ser confundido com condromalácea da patela. seqüestro e defeito congênito. Quando se apresenta mais afastado da superfície articular radiolucente se caracteriza como uma área circular ou ovalada de densidade radiolucente e contorno regular que muitas vezes é cercada por uma borda radiopaca ou esclerótica. Há falência na maturação da cartilagem. Por ser freqüentemente bilateral. Projeções obliquadas são importantes para a avaliação destas lesões. onde a substituição de tecido cartilaginoso por tecido ósseo não é completa. OSTEOCONDROSE (CISTOS ÓSSEOS) A osteocondrose (fig.Radiografias pré-operatórias devem ser feitas para avaliar o grau de DDA. Radiograficamente estão presentes pequenos fragmentos ósseos no ápice da patela. Figura 16. Graus variáveis de claudicação são evidenciados sendo que movimentos de flexão pioram os sinais. muitas vezes combinado com lise do osso subcondral e tornando-se irregular ou com osteofitos na superfície cranial do ápice da patela. deve ser distinguida de outras lesões que causam radiolucência circunscrita no corpo da falange. e é ocasionalmente visto com esclerose do osso subcortical. 16. FRAGMENTAÇÃO DA PATELA Esta alteração é geralmente associada à fixação muito proximal da patela. RUPTURA DE LIGAMENTO CRUZADO 122 . Cistos ósseos podem ocorrer em vários locais.

A exostose é uma reação periosteal exuberante. Uma discreta radiopacidade cranial e proximal ao local de inserção pode indicar lesão do ligamento. Na maioria das vezes apresenta forma discreta com tamanho pequeno. com envolvimento do periósteo. de origem inflamatória. Na periostite irregular há ruptura de periósteo. 16.9-A). Radiografias evidenciam a lesão como uma massa de contorno distinto no tecido mole. 123 . porém pode ocorrer em outras situações. 16.8-c e 16. Didaticamente denomina-se de osteíte quando um processo inflamatório determina grande reação óssea. Dentre as alterações radiográficas estão as fraturas da eminência intercondilar da tíbia. PERIOSTITE E EXOSTOSE A periostite é uma reação do periósteo. como osteomielites. deslocamento cranial da tíbia com a ruptura do ligamento cruzado cranial e osteoartrite ou mineralização do ligamento associada a lesões crônicas. CALCINOSE CIRCUNSCRITA A calcinose circunscrita ou calcinose tumoral pode aparecer como um nódulo duro. Quando lisa dificilmente tem ruptura de periósteo.9-B) ou irregular do tipo Sunburst (fig.As lesões no ligamento cruzado cranial ocorrem quando há hiperextensão ou rotação súbita com o membro flexionado. existindo a possibilidade de ser proliferativa e tomar proporções que pode atingir estruturas adjacentes como ligamentos e tendões. também tem origem inflamatória e difere da periostite apenas pelo seu grau de desenvolvimento. associada a traumas ou defeitos de aprumos. A reação tipo Sunburst geralmente é exuberante e sua aparência radiográfica se assemelha à imagem de uma explosão. O trauma direto na articulação ou alteração degenerativa no ligamento são alterações que podem ocorrer nos eqüinos. localizado aleatoriamente. reabsorção ou fragmentação óssea na inserção dos ligamentos cruzados no fêmur. 16.9-d).8-b e 16. A exostose pode ser lisa (fig. A claudicação pode estar presente ou não. As reações periosteais podem ser classificadas como periostite laminar (fig. OSTEÍTE A osteíte é uma reação inflamatória do córtex ósseo. de opacidade irregular com pequenos grânulos amorfos de grande opacidade. Periostite e exostose são características de osteíte. lesões em ligamentos adjacentes. neoformação óssea cranial à eminência intercondilar. laminar ou lisa de densidade radiopaca. freqüentemente encontrada em metacarpianos e / ou metatarsianos. também denominada de sobreosso. mas o melhor posicionamento é o lateromedial flexionado. Sem etiologia definida os animais afetados geralmente não claudicam. 16. sem alterar a medular.8-a) e periostite irregular (fig. neoplasias e consolidação de fraturas. As lesões do ligamento cruzado cranial são mais comuns que do ligamento cruzado caudal. o qual é visto em projeção lateromedial. sendo demonstrada na radiografia como uma pequena área irregular. geralmente ocasionada por trauma direto.

Figura 16.8 – Representação esquemáticas dos tipos de reação periosteal. FONTE: OWENS, 1982.

A

B

C

Figura 16.9 – Imagem radiográfica de periostite em metacarpiano acessório (A), porção distal de terceiro metacarpiano (B) e exostose em face palmar de falange proximal (C).

ARTRITE A causa mais comum em potros é pela via umbilical, nas onfaloflebites, já em animais adultos pode ocorrer por traumas perfurantes ou infiltrações articulares sem os devidos cuidados de assepsia. A imagem radiográfica de artrite consiste em irregularidade de superfícies articulares, acompanhada freqüentemente de edema e calor (fig. 16.10-A). OSTEOMIELITE Este termo se aplica aos processos inflamatórios e ou infecciosos, que envolvem a cortical e a medular, podendo ser causados por traumas, fraturas expostas, feridas punctórias, cirúrgicas, ou via hematógena. A osteomielite pode ser supurativa ou não, dependendo da via de infecção e do agente. Os locais mais comuns são os ossos longos, tarso, carpo, cabeça e mandíbula. Radiograficamente caracteriza-se por perda da trabeculação e padrão ósseo, áreas de lise e destruição óssea, diminuição da densidade, neoformações ósseas, seqüestro e esclerose nas bordas.

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EPIFISITE OU FISITE Também denominada Displasia Fisária, refere-se a alterações na linha epifisária ou placa de crescimento e pode ter origem inflamatória, metabólica, traumática ou, ainda, infecciosa. Geralmente ocorre em animais jovens em preparo para competição, sendo o local mais comum a epífise distal do rádio. Apresenta-se na radiografia como uma fise ampla, irregular com bordas escleróticas. Em alguns casos podem ser evidenciados osteófitos, nas extremidades da linha epifisária (fig. 16.10-B).

A

B

Figura 16.10 – Imagem radiográfica de artrite na articulação matecarpofalangeana (A) e epifisite distal de rádio (B).

SESAMOIDITE Esta afecção é evidenciada, com maior clareza de detalhes, em projeções obliquadas, DLPMO ou DMPLO. Geralmente está associada a alterações degenerativas no ligamento suspensório e remodelamento de fraturas distais do 2º metacarpiano e 4º metatarsiano, podendo haver lesão em um ou ambos os sesamóides de uma ou mais articulações. Os sinais clínicos e radiológicos não são proporcionais, ou seja, a gravidade do sinal clínico não corresponde ao grau de severidade do radiográfico. Sinais de doença degenerativa articular podem estar presentes na forma de osteófitos. Radiograficamente é demonstrada por alteração da densidade óssea na superfície não articular proximal dos sesamóides. Estas alterações com densidade radiolucente podem ser lineares ou císticas, sendo classificadas em três tipos (fig. 16.11) de acordo com a forma na imagem: na sesamoidite do tipo I as lesões são lineares em número de 1-2 e com largura menor ou igual a 1mm; na do tipo II as lesões são em número de três ou mais também com amplitude menor ou igual a 1mm; na sesamoidite do tipo III as lesões têm largura maior do que 1mm ou apresentam forma cística e irregular.

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A

B

C

Figura 16.11 – Sesamoidite tipo I (A), tipo II (B) e tipo III (C). FONTE: http://www.upei.ca/equinelimbs/html.

HIGROMA DO CARPO O higroma é uma formação sinovial, também chamada de bursite, localizada na face dorsal do carpo, resultante de pequenos traumas os quais levam ao desenvolvimento de uma bolsa com líquido sinovial em seu interior. O aumento de volume e calor local são os principais sinais clínicos, podendo ocorrer dor e claudicação. O diagnóstico é feito com radiografias em projeção lateral estendida e flexionada, onde se evidencia um aumento de volume com densidade água, sem envolvimento ósseo. A injeção de meio de contraste positivo, à base de iodo, confirma o diagnóstico e descarta outras alterações articulares, como a formação de massas, por exemplo. CARPITE Também chamada de Artrite Traumática do Carpo, esta afecção é uma resposta inflamatória, aguda ou crônica, na articulação do carpo. Geralmente, compromete a cápsula articular, ligamentos colaterais e ossos que compõem a articulação. A etiologia mais comum é o trauma direto na região da articulação, sendo que os animais de salto e corrida são os mais atingidos. Dentre os sinais clínicos geralmente encontrados estão: a dor, claudicação, aumento de volume e calor na região. O diagnóstico radiológico pode ser confirmado através de radiografias em projeção lateral estendida e flexionada, dorsopalmar, DLPMO e DMPLO. Radiograficamente, nos estágios iniciais, a carpite se apresenta como uma artrite serosa, com pequena reação periosteal e aumento de densidade radiológica articular. Com a evolução do quadro desenvolve-se uma osteoartrite severa com maior aumento de volume e aumento de densidade radiológica, osteófitos, exostoses, além de neoformações ósseas fora das superfícies articulares como locais de inserção de ligamentos e cápsula articular, sinais estes característicos de doença degenerativa articular. É comum encontrar fratura dos ossos carpo radial e terceiro carpiano. SINOVITE VILONODULAR A sinovite vilonodular (fig. 16.12-B e 16.12-C) é um processo proliferativo crônico da cápsula sinovial, que geralmente ocorre nos membros anteriores, onde os principais sinais clínicos são dor à palpação, claudicação e aumento do volume da articulação, aumento este caracterizado por ser firme e não flutuante. A demonstração radiográfica se dá em projeção lateral e a confirmação é feita através de artrografia com meio de contraste positivo, pela
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no chute ou coice ou ainda no momento do salto.upei. Radiograficamente as fraturas se apresentam como linhas radiolucentes na estrutura óssea radiografada. Podem ocorrer em qualquer estrutura óssea e ter as mais diferentes conformações (fig.12 – Imagem radiográfica da articulação sem alteração (A). já que sua porção distal está conectada à tuberosidade da tíbia. pois sua inserção é feita na face proximal da patela além de agir como alavanca para extensão da articulação. Quanto mais grave for a fratura e / ou quanto mais importante for a região fraturada.13-A a 16. As fraturas de patela são incomuns e geralmente são resultados do trauma direto do membro flexionado. Em alguns casos pode se observar mineralização da inserção na porção proximal da cápsula articular. Os sinais clínicos mais comuns são edema de 127 .13-G). 16. dependendo do grau de desenvolvimento da afecção. o qual se forma devido à necrose que ocorre em função da pressão exercida pela massa vilonodular (seta). sinovite vilonodular em exame simples (B) e com artrografia (C). A B C Figura 16. sendo uma porção vital para o grupo muscular quadríceps. Quando o trauma direto ocorre. Na radiografia evidencia-se grau médio a severo de erosão da porção dorsal distal do 3ºmetacarpiano ou metatarsiano. imediatamente após local de inserção da porção proximal da cápsula articular. FRATURA DE PATELA A patela é o maior sesamóide do corpo. FRATURAS As fraturas no aparelho locomotor dos eqüinos advêm de acidentes em competições. FONTE:http://www. o mais comum é que a fratura seja sagital no aspecto medial da patela. Estas massas podem aparecer em outros locais do espaço articular. em função de que a tróclea medial é mais proeminente que a lateral. trabalho no campo e traumas nas mais diversas situações. Fraturas cominutivas e transversas também podem ocorrer. menos favorável será o prognóstico.injeção de composto orgânico.ca/equinelimbs/html. Com a artrografia se visualiza uma área radiolucente na porção interna dorsal do espaço articular que corresponde à massa vilonodular que ocupa espaço e é quase totalmente circundada pelo meio de contraste (setas).

não existe probabilidade de avulsão.tecidos moles. FRATURA DA TUBEROSIDADE DA TÍBIA A tuberosidade da tíbia é uma estrutura relativamente exposta e suscetível à fratura por trauma direto. As fraturas por avulsão da tuberosidade da tíbia são melhor vistas em projeção caudolateral-craniomedial obliquada. Deve-se ter cuidado para não confundir a fabela com fraturas. Por mais que a inserção do ligamento cruzado cranial seja cranial à eminência. Deve-se cuidar para não interpretar as linhas radiolucentes normais da fíbula como fraturas. como saltos que acertam as cercas. Fragmentos da articulação fêmoro-patelar são mais comumente vistos na porção distal da tróclea lateral em projeção lateral ou lateral flexionada. feridas punctórias ou coices. mantendo a articulação flexionada. em cavalos com menos de três anos de idade. Linhas de fratura tendem a correr obliquamente de um lado a outro na fíbula. localiza-se nesta região. geralmente. embora os ligamentos patelares quase sempre estejam envolvidos. já que esta estrutura. com história de trauma agudo. O diagnóstico é confirmado pelas radiografias em projeções caudo-cranial e lateral flexionada. FRATURA E FRAGMENTAÇÃO DA FACE ANTERIOR DAS TRÓCLEAS E CÔNDILOS FEMORAIS Esta lesão geralmente é resultado de traumas externos diretos. por coice ou colisão com cercas. com pequenos fragmentos na face cranial proximal a grandes fraturas estendendo-se distal à crista da tíbia a proximalmente na articulação fêmoro-tibial. Fraturas da face caudal dos côndilos do fêmur podem ser demonstradas em projeção lateromedial obliquada e. onde se evidenciam fragmentos ósseos de vários tamanhos no interior do espaço articular. Estas fraturas são descritas como fraturas por avulsão da inserção do ligamento cruzado cranial. crepitação e dor na flexão. FRATURA DE FÍBULA As fraturas da fíbula podem causar claudicação de elevação. e a skyline é necessária para avaliar a presença de fraturas de patela. lateromedial. lateral flexionada. Ocorre uma variedade de configurações desta fratura. Estas projeções são importantes na avaliação das fraturas cominutivas. efusão articular e graus variados de claudicação. Estas fraturas podem ocorrer em função de trauma no côndilo medial do fêmur e eminência intercondilar. tendo seu prognóstico reservado. para não confundir fraturas com a linha de crescimento. FRATURA DA EMINÊNCIA INTERCONDILAR DA TÍBIA A eminência intercondilar medial da tíbia é mais larga e pontiaguda que a lateral. transversas e sagitais. Estas fraturas não parecem estar associadas com a placa de crescimento da tuberosidade da tíbia ou com avulsões da inserção de ligamentos patelares. e skyline. Há claudicação súbita moderada a severa. A projeção caudo-cranial é importante para identificar o posicionamento dos fragmentos. ocorrem com outras lesões da articulação. Radiograficamente a avaliação deve incluir projeções caudo-cranial. Os animais podem caminhar apenas com o outro membro. efusão articular. quando presente. 128 . Deve-se ter cuidado.

primeira falange (C). FONTE: http://www. láteromedial e palmaroproximal-palmarodistal obliquada para ser demonstrada. mas sete a dez dias após.ca/equinelimbs/html.13 – Fratura de terceira falange (A e B). Uma fratura no processo extensor é melhor evidenciada na projeção lateral. por exemplo. tíbia (F) e úmero(G).Estas fraturas são causadas por trauma direto. A linha de fratura é melhor vista quando o feixe de radiação é direcionado em linha com o plano da mesma. Pela comparação cuidadosa das projeções oblíquas ligeiramente diferentes é possível estabelecer se a fratura é simples ou cominutiva. pressão e choque do casco. sua identificação é possível. uma separação do centro de ossificação ou uma mineralização 129 . Clinicamente este tipo de lesão na falange distal causa claudicação aguda com dor. pode requerer uma projeção médio-lateral. pode ser necessário um número maior de projeções obliquas. o animal apresenta claudicação moderada a severa e o diagnóstico é feito radiograficamente com projeção caudo-cranial.upei. que é a mais usada. São melhor visualizadas em projeção dorso-palmar com o casco em pinça. embora as fraturas do processo palmar possam primeiro ser identificadas em projeção lateral. onde um pequeno fragmento radiopaco próximo ao processo extensor pode representar uma lesão recente. Figura 16. FRATURA DE TERCEIRA FALANGE As fraturas do corpo e processo palmar podem ser de difícil visualização nas radiografias. uma fratura antiga. Quando se suspeita de uma fratura. em função da rarefação que ocorre na linha de fratura. a fim de que se possa visualizar claramente uma ou mais linhas. Uma fratura de processo palmar. sesamóides proximais (D). terceiro metacarpiano (E).

podendo não ter significado clínico. A confirmação do diagnóstico é realizada através de radiografias em projeções: lateral. não articulares do processo palmar (tipo I). nas articulações intertarsiana distal e tarsometatarsiana. que consistem. Figura 16. As fraturas são classificadas em sete tipos (fig.14) em função da configuração que apresentam. mas aparecem ocasionalmente. al. cominutivas (tipo V) e da margem da sola (tipo VI). dorsopalmar. Em casos mais graves poderá ser evidenciado 130 . o que resulta em prognóstico muito reservado. Os sinais clínicos mais comuns são dor e claudicação. não há consenso a respeito da etiologia. Existe ainda um outro tipo de fratura (tipo VII). animais com problemas de desenvolvimento e ainda estresse articular devido ao treinamento precoce ou muito rigoroso. dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO) e dorsomédiopalmarolateral obliquada (DMPLO).15) a afecção que causa uma osteoartrite progressiva. As alterações de conformação e animais com “jarrete de vaca”. com periostite e exostose. indicam etiologia hereditária. contudo. As causas mais comuns são traumatismos.14 – Esquemas representando os tipos de fraturas da falange distal. do processo extensor (tipo IV). podendo também ser evidenciado aumento de volume local. FONTE: BUTLER et. distúrbios nutricionais. oblíquas articulares estendendo-se da linha média à lateral na margem solar medial (tipo II). 16. localizadas geralmente na face medial da extremidade proximal do terceiro metatarsiano e a face medial do terceiro tarsiano e central do tarso. em ser não articulares. pois elas se originam e terminam na margem da sola. 16. podendo ter apresentação e prognóstico variável. comumente resultando em anquilose. médio-sagitais envolvendo ou não a articulação (tipo III). ESPARAVÃO ÓSSEO Denomina-se esparavão ósseo (fig. Fraturas cominutivas da terceira falange não são comuns. Uma lesão penetrante no casco pode resultar em fratura de qualquer tipo. do processo palmar diferindo do tipo I. 2003. a configuração da fratura e determinar a possibilidade de envolvimento articular.distrófica dentro do tendão extensor. com precisão. As fraturas tipo IV podem ser articulares e as do tipo V podem ser secundárias à osteíte infecciosa e seqüestro. São demonstrados osteófitos e ou exostose. Muitas projeções radiográficas podem ser requeridas para se estabelecer. enquanto as do tipo I são transversas e completas no processo palmar.

ca/equinelimbs/html.upei.15 – Imagem radiográfica de osteoartrite de tarso em três diferentes graus de lesão. FONTE: http://www.anquilose destas articulações. Figura 16. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 131 .

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