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Tecnologia

A fábrica do futuro

A paletização robotizada é uma alternativa viável para ganhar produtividade e precisão ao longo da cadeia produtiva. Além disso, o sistema conta com baixos custos de manutenção e flexibilidade nas linhas

I magine a fábrica do futuro com sistemas inteiramente au- tomatizados. Agora, imagine

robôs e equipamentos fazendo o serviço pesado nas linhas de produ- ção de bebidas. Esse cenário, pelo menos, na etapa de paletização já é possível. Os sistemas robotizados de pale-

Fotos: divulgação

tização permitem substituir o trabalho manual por equipamentos sofisticados e altamente eficazes. O desenvolvi- mento dessa tecnologia foi impulsio- nado, principalmente, pelos altos cus- tos dos processos trabalhistas movi- dos em função da LER (Lesão por Esforço Repetitivo), até então comum entre os operadores.

Esforço Repetitivo), até então comum entre os operadores. 4 0 Outro fator que motivou o aperfei-

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Outro fator que motivou o aperfei- çoamento dessa tecnologia foi a cons- tante evolução das máquinas de en- vase, que se tornaram cada vez mais velozes e versáteis. Assim, o trabalho manual não conseguiria acompanhar o ritmo desses equipamentos. As máquinas de paletização so- frem variações de acordo com a performance da linha e o tipo de vasilhame. Essas variações podem ser basicamente divididas em má- quinas de entrada alta, mais utiliza- das em linhas de alta velocidade, e de entrada baixa, mais utilizadas em linhas menos velozes. De acordo com Eduardo Cabral, professor do curso de Engenharia de Controle e Automação do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia, os equipamentos dispo- níveis no mercado podem atingir centenas de operações por minuto. “Essa tecnologia está bastante ma- dura e a tendência é que ela ganhe cada vez mais espaço na indústria de bebidas. Sua aplicação é bastan- te ampla e pode ser empregada em linhas menores também”, afirma Cabral. O robô é uma das partes do sis- tema de paletização. Além dele, é necessário criar um lay-out especí- fico de transportadores de palete para otimizar o tempo de transporte

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da carga. O projeto ainda exige um componente importante que é o ca- beçote, responsável por agarrar e li- berar os pacotes. O desafio para os fabricantes desses equipamentos é que todos os componentes do pro- jeto trabalhem de maneira integra- da. “Essa tecnologia interage de forma mais inteligente com o res- tante da linha de produção. Em pou- cos segundos, o sistema operacional do equipamento consegue detectar as diferenças dimensionais do palete e as corrige automaticamente duran- te o processo”, afirma Vicente Du- razzo, gerente de vendas da KHS Brasil, uma das principais fabricantes de equipamentos para o setor de ali- mentos e bebidas do mundo. Segundo Cabral, para aplicação da tecnologia são necessárias algu- mas adaptações nas linhas de engar-

rafamento, principalmente, no final das linhas, onde ficam os paletiza- dores. “Dependendo do grau de au- tomação das linhas, são necessárias adequações diferentes. As mais co- muns são instalar dispositivos que informem o robô sobre a posição dos pacotes, a implementação de esteiras e a adequação da carga à capacidade do robô. Além disso, também é necessário desenvolver uma programação diferenciada para a atividade que o robô irá execu- tar”, explica o professor. Outras adaptações ainda são ne- cessárias, como o desenvolvimento de ferramentas específicas para a carga que o robô terá que agarrar. “Nem sempre a tecnologia está pronta, as vezes é necessário de- senvolver soluções que permitam um melhor rendimento do projeto e

soluções que permitam um melhor rendimento do projeto e O custo dos equipamentos depende do modelo,

O custo dos equipamentos depende do modelo, capacidade e grau de liberdade da máquina

compensem o investimento”, com- pleta Cabral. Também é necessário ter cuida- do redobrado com a zona de prote- ção das máquinas, já que o sistema, assim como todo equipamento, é suscetível a erros e o deslocamento

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Tecnologia

do robô para outras áreas pode pro- vocar acidentes e danificar o equi-

pamento. Segundo Luiz Fernando Zanutto, gerente de vendas da divisão de ali- mentos e bebidas da Danfoss para

a América Latina, a principal evo-

lução dessa tecnologia, que come- çou na década de 90, está relacio- nada aos avanços na área de enge- nharia de controle, que possibilita- ram novas configurações de forma- ção de paletes. “A partir deste mo- mento, a utilização de robôs em sistemas de paletização começou a se difundir no mercado de bebidas. Isto, principalmente, pelos avanços que possibilitaram maior acesso à tecnologia robótica”, afirma Zanutto. De acordo com Sílvio Rotta, di- retor comercial da Krones do Brasil, fabricante de equipamentos e solu- ções para a indústria de bebidas, o

primeiro paletizador com essa tec- nologia no Brasil foi instalado em uma das unidades da Coca-Cola em

1997. “Antes, essa tecnologia era importada da indústria automobilís- tica. O que havia no mercado para

a indústria de bebidas eram adap-

tações desses equipamentos. Hoje, já existem soluções desenvolvidas

especificamente para este segmento

e direcionadas às suas necessida- des”, afirma Rotta. Os aperfeiçoamentos mais signi-

des”, afirma Rotta. Os aperfeiçoamentos mais signi- Algumas adaptações são necessárias para a integração

Algumas adaptações são necessárias para a integração do sistema com a linha de envase

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ficativos dessa tecnologia para a indústria de bebidas estão relaciona- dos aos cabeçotes. A mo- vimentação e o grau de li- berdade dos robôs conti- nuaram os mesmos, o que mudou foi a programação dos equipamentos, que os tornaram mais flexíveis. “Sem sombra de dúvida o

principal avanço tecnoló- gico em paletização está relaciona- do à construção mecânica com ele- mentos de alta precisão. Esse avan- ço foi acompanhado pelo aperfei- çoamento eletro-eletrônico na dinâ- mica dos equipamentos. Essa evo- lução ganhou espaço na indústria de bebidas a partir da exigência do mercado por equipamentos cada vez mais eficientes e mais precisos na repetição dos movimentos”, comenta José Brancati, do departamento de engenharia da KHS Brasil. Uma das limitações dessa tecno- logia é a relação peso e velocidade. Essa limitação faz com que os equi- pamentos com melhores performan- ces sejam os mais leves, resistentes

e com um design que possibilite for-

mar uma camada de palete com o menor número possível de operações. Algumas das vantagens em ade- rir a essa tecnologia são: a redução no número de funcionários nas li- nhas de produção, a economia de espaço nas plantas industriais, au- mento da produtividade, set up mui- to mais rápido, menos ruído nas fá- bricas, facilidade de reprogramação, confiabilidade, precisão e flexibilida- de na paletização. Aliás, dependendo da disposição

das linhas, apenas esse sistema é possível. “Paletizar consumia tempo

e ocupava um grande número de

trabalhadores. Paletizar automatica- mente, com equipamentos conven- cionais, demandava espaço e um

com equipamentos conven- cionais, demandava espaço e um lay-out que permitisse a entrada e saída de

lay-out que permitisse a entrada e saída de paletes, o que muitas vezes inviabilizava o projeto. A robótica entrou nessa etapa do processo, principalmente, para facilitar a dis- posição da linha e trabalhar com até três produtos simultaneamente, va- riando de acordo com a velocidade das linhas”, afirma Claudemir Siroti, diretor comercial da SEE Sistemas, fornecedora de soluções para a in- dústria de bebidas. Além disso, um robô pode ser empregado em múltiplas funções, como paletizar, despaletizar, encai- xotar e desencaixotar, o que permi- te que um robô faça o trabalho de um sistema com quatro máquinas tradicionais. “O robô de paletização pode ter uma função de alimenta- ção dos paletes, sua garra ser usada como um dispositivo que permita o manuseio dos paletes, o que facilita o lay-out e o fluxo dos materiais pró- ximos às linhas de produção, otimi- zando ainda o uso de empilhadeiras que podem depositar uma coluna de paletes na posição adequada”, com- pleta Siroti. Outros pontos positivos dessa tecnologia estão relacionados à du- rabilidade das máquinas e ao baixo custo de manutenção, já que as pe- ças para reposição são compatíveis com outros equipamentos da linha de envase. Para Zanutto, o custo dessa tec- nologia depende muito das necessida-

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des dos fabricantes e da complexibi- lidade do projeto. “Os custos depen- dem muito do modelo, capacidade e grau de liberdade do robô. Quando falamos em robôs, logo associamos ao modelo antropomorfo (no formato de homem), mas existem muitas apli- cações de paletização que estão uti- lizando equipamentos com menor li- berdade de movimento. Estes se pa- recem muito mais com máquinas tra- dicionais, como a utilização de servo- mecanismos que garantem maior pre- cisão às máquinas”, afirma Zanutto. Segundo Cabral, o custo dessa tecnologia está sendo barateado em razão do ingresso de pequenos fa- bricantes nacionais nesse mercado. “Como a tarefa é simples, a tecno- logia está equiparada entre os fabri- cantes, o que faz com que a con- corrência ajude a baratear os pre- ços”, comenta Cabral.

A estimativa dos fabricantes é que o retorno do investimento gire em torno de três anos, dependendo

da complexibilidade do sistema e do grau de automação. Já a projeção para o aumento da eficiência da li- nha de produção com o sistema é de cerca de 20%, aproveitando 98% da capacidade da linha. “Com sis- temas de paletização convencionais,

é impossível que um equipamento

atinja a capacidade de 300 pacotes por minuto e seja suficientemente flexível para trabalhar com mais de

20 tipos de paletizados diferentes. Esses números só são possíveis com

a aplicação da robótica”, afirma Jo-

sé Bernardo Sanmartin, diretor exe- cutivo da Máquinas Sanmartin, um dos principais fabricantes de equi- pamentos do País. De acordo com Cabral, a indús- tria de bebidas conquistou um nível

com Cabral, a indús- tria de bebidas conquistou um nível O robô, além de paletizar, pode

O robô, além de paletizar, pode assumir outras funções nas linhas

de automação e desenvolvimento in- vejáveis. “A indústria de bebidas já conquistou velocidade, precisão e al- ta performance nos equipamentos. De hoje em diante, ela só tem a evo- luir em inspeção e controle de qua- lidade”, finaliza Cabral. Hoje, já é possível integrar a ro-

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O baixo custo da manutenção é uma das vantagens desses equipamentos

bótica até nas enchedoras e mesas de paletização, rompendo antigas limitações mecânicas das linhas de engarrafamento.

Tecnologia

A Sanmartin apostou na flexibi- lidade ao projetar seus equipamen- tos. A nova geração de paletizado- ras da empresa tem capacidade pa-

ra produzir até 300 pacotes por mi-

nuto ou 500 camadas por hora. As máquinas também permitem dife- rentes tipos de configurações (cai- xas plásticas, de papelão, pacotes de PET, latas e fardos). “Com es- ses recursos, estamos dando ao nosso cliente a possibilidade de pa- dronizar suas linhas de acordo com

suas necessidades, conseguindo oti- mizar a capacitação de seus equi- pamentos, reduzindo estoques de peças de reposição e controlando 100% da produção”, comenta José Bernardo Sanmartin. Os equipamentos também per- mitem a adição de outros módulos,

o que possibilita ampliar a capaci-

dade das linhas. Além disso, para a

troca dos formatos não é necessá-

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rio selecionar um novo ar- ranjo na interface homem máquina (IHM). “O uso de servomotores, redutores planetários e controladores modulares nos permite ter um controle eficiente de todo o processo de pale- tização”, explica José Ber- nardo Sanmartin. Já a Krones investiu na capacidade de produção ao lançar o modelo Modul- pal 1 ADR. A paletizadora tem capacidade de até 600 camadas por hora, além disso, o equipamento ne- cessita de apenas uma estação de paletização para operar. Segundo Sílvio Rotta, da Krones do Brasil, o diferencial da máquina fabricada pela empresa está na pre- paração do palete. “O equipamento forma a camada e monta o palete agilmente. Além disso, as paletizado- ras agüentam cargas mais pesadas, o que é ideal para a indústria de be- bidas, e trabalham com contrapeso, aumentando a segurança, e com alto grau de liberdade”, afirma Rotta. A KHS optou por investir em sustentabilidade. “O conceito de ro- bótica aplicado nos equipamentos da empresa representam ganhos sig- nificativos para as linhas, apresen- tando equipamentos cada vez mais eficientes e rentáveis. Além disso, a empresa aposta em tecnologias vol- tadas para a redução do consumo de energia e água”, comenta José Brancati, da KHS Brasil. A SEE Sistemas tem investido na redução do custo dessa tecnologia para seus clientes. “Apostamos no aumento do número de aplicações, ampliando o leque de tipos e mode- los de robôs de paletização. Com

esta estratégia, fica mais fácil iden- tificar novas soluções e viabilizar essa tecnologia economicamente. Hoje, temos todos os tipos disponí- veis para paletização para oferecer aos nossos clientes. Nesse mo- mento, nosso foco é a redução do custo dos equipamentos e melhoria da performance, qualidade e con- fiabilidade”, comenta Siroti, da SEE Sistemas. Já a Danfoss oferece converso- res de freqüência capazes de con- trolar motores de construção simi- lares a servomotores, combinando baixo consumo de energia com alta performance. A empresa acredita que essa tecnologia possa ser uma das principais tendências em controle

de

movimento, sendo uma opção pa-

ra

os sistemas atuais de paletização. A SEW-Eurodrive Brasil tam-

bém aposta nessa mesma linha. “A empresa oferece conversores de

freqüência e softwares de posicio- namento. É uma tecnologia simples

e de menor custo comparado ao ro-

bô. No entanto, essa tecnologia exi- ge uma estrutura mecânica maior.

O custo dos acionamentos e auto-

mação varia muito, dependendo do tamanho da carga, mas calculamos que o investimento fique entre 15%

e 20% do investimento do robô, isso

sem contar a estrutura mecânica do

projeto”, explica Maurício Gama, engenheiro de aplicação da SEW- Eurodrive. Gama também explica que o grau

de movimento desse sistema é me-

nor do que o do robô. “Nosso siste- ma trabalha com posicionamento em três eixos, enquanto o robô permite uma gama de movimentos muito maior”, afirma o engenheiro.

Colaborou

Paula Belini Pitondo

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Mercado

Consumidores mais exige inovações na indústria

Lançamentos e investimentos em tendências, como as linhas de produtos mais saudáveis com redução de calorias e açúcar, atraem consumidores para o mercado mais rentável inserido na categoria de bebidas não alcoólicas

rentável inserido na categoria de bebidas não alcoólicas 2 2 Larissa Florencio Fotos: divulgação N o

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Larissa Florencio

Fotos: divulgação

N o Brasil, a produção de re-

frigerantes teve início no

começo do século XX, com

empresas produtoras de refrescos que muitas vezes utilizavam suco de fruta e adicionavam água ao produ-

to. O desenvolvimento econômico e

o crescimento populacional ocorrido no País durante a primeira metade

do século XX, proporcionaram a instalação, nos anos 40, de grandes produtores de refrigerantes no País. Atualmente, a importância do mercado de refrigerantes pode ser comprovada analisando o segmento de não-alcoólicos do Brasil. Segun- do a Associação Brasileira das In- dústrias de Refrigerantes e de Bebi- das Não-Alcoólicas (ABIR), dentre toda a categoria de não-alcoólicos

o mercado de refrigerantes é o mais

representativo e possui o maior fa- turamento da categoria. Dados do Instituto Nielsen com- provam que o segmento de refrige- rantes cresceu em 2007 cerca de 5% em comparação a 2006. Para este ano, o setor está confiante e empresários apostam em mais um ano de crescimento para a indústria

de refrigerantes.

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ntes impulsionam de refrigerantes

Indicadores da ABIR referentes a 2008 demonstram que entre os meses de janeiro a setembro, houve um crescimento de 4,04% no volume de litros vendidos em relação ao

mesmo período do ano anterior, sen- do agosto o mês em que o volume atingiu seu maior crescimento, 7,93% a mais que o mesmo mês de 2007.

Já o faturamento do setor entre

os meses de janeiro a setembro

deste ano, atingiu um crescimento de 9,05%, sendo que janeiro foi o mês em que a indústria apresentou o maior cresci- mento chegando a 14,17% em relação ao mesmo período de

2007.

tram também a participação das em- presas no segmento de refrigerantes em 2008 e segundo os indicadores a Coca-Cola representou até o mês de setembro deste ano, 56,2% do mercado, ou seja, mais do que a so- ma da participação de todas as outras empresas fabricantes. Em seguida está a AmBev com 17,6%, Pepsi Cola 6,9%, Schincariol 3,3% e 15,9% de participação para os pequenos fabricantes. Fernando Rodrigues de Bairros, presidente da AFRE- BRAS (Associação dos Fabri- cantes de Refrigerantes do Brasil), comenta que o merca- do está extremamente compe- titivo, dificultando a sobrevi- vência dos pequenos fabri- cantes. “A Associação co- mo entidade representati-

va, prepara o terreno para

as empresas menores te- rem melhores condições para sobreviverem. Te- mos projetos em anda- mento com o objetivo de auxiliar o setor nas ven-

das em 2009, porém ain-

da não podem ser divul-

gados”, afirma o Presi- dente ao comentar que para janeiro do próximo ano as empresas podem esperar por mudanças em relação à tributação. E quando o assunto é

a crise na economia

à tributação. E quando o assunto é a crise na economia Ainda segundo os indica- dores,

Ainda segundo os indica-

dores, se compararmos o faturamento dos meses de abril e maio deste ano com 2007, houve queda no volume de vendas, porém foi registrado aumento no faturamento do setor.

A participação das

embalagens na indústria de refrigerantes, de- monstra uma tendência elevada para o consumo de PET, que atualmente já representa 80% das vendas, seguido do vidro com 10,5%, enquanto as latas consomem 7,9% do mercado, segundo dados da ABIR, que demons-

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2 4 mundial, o cenário ainda é obs- curo. Ainda segundo Fernando, a crise deixa os

mundial, o cenário ainda é obs- curo. Ainda segundo Fernando, a crise deixa os empresários apreen- sivos com o futuro do setor. “Nós ainda estamos vivendo uma situação confortável, mas como a economia encontrava-se estável e de repente surgiu a crise, nos preocupa saber se o consumidor reduzirá as compras no final do ano”, comenta.

Estratégias para alavancar as vendas

Pequenos fabricantes sofrem, principalmente, por dois motivos: falta de investimentos para construir a marca e falta de gestão de produtos nos canais. “São duas faces da mesma moeda”, comenta Roberto Maccioni. Para o especialista, as pequenas empresas não conseguem ter uma marca que qualifique o produto e por esse motivo, tornam-se dependentes de preços baixos. “Transformando o preço no seu único patrimô- nio, a situação se agrava, pois o benefício não é intrín- seco a um benefício desejado pelo consumidor”, explica Roberto Maccioni da IMAIS9PRUMO, empresa especializada em comunicação mercadológica. Em alguns casos a situação para os pequenos fabricantes pode ser delicada. Um exemplo disso ocorre na situação em que uma grande marca de refrigerantes desenvolve uma ação ou realiza uma campanha de preços, afetando diretamente as marcas mais populares, que por sua vez, param de vender. Segundo o especialista, o mercado para as empresas menores está difícil, mas há estratégias que podem ser adotadas para melhorar a imagem da marca e alavancar as vendas, como inovar em embalagens; trabalhar com mix maior de produtos, criando alguns com baixo volume e maior margem; criar promoções de giro rápido e fidelidade como as ‘envie e ganhe’e trabalhar forte- mente no ponto-de-venda para conquistar espaço na gôndola. Diretor superintendente da Co- roa, empresa que está no mercado há 75 anos, Ademar Bragatto diz que a companhia prima pelo aten- dimento, qualidade e serviços. “Te- mos uma equipe sendo treinada o tempo todo para atender os pontos-

qualidade e serviços. “Te- mos uma equipe sendo treinada o tempo todo para atender os pontos-

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de-venda, bares, restaurantes entre outros. O preço é um fator impor-

tante, mas o atendimento e o geren- ciamento dos produtos, estoque e gôndolas nos pontos-de-vendas, ainda é primordial”, afirma Ademar.

O diretor completa dizendo que em

2007 o faturamento da empresa foi

de aproximadamente R$ 41 milhões

e para 2008 estima um aumento de 20%. “Esse crescimento pode ser explicado pela elevação normal dos preços, mas principalmente pela mudança no portfólio da Coroa, que conta atualmente com uma linha de produtos com maior valor agre- gado”, diz. Investir para conquistar espaço nos pontos-de-venda e a preferência dos consumidores também é meta para a Poty, fabricante de bebidas. “Estamos ampliando nossa área de

atuação, pulverizando ainda mais nossa presença, além dos 30 mil

pontos de vendas que temos”, afir- ma Valnei Gomes, diretor comercial da empresa.

Já as grandes fabricantes vivem

uma situação mais confortável. Com a entrada de 20 milhões de consumidores na camada C, nos úl- timos dois anos, o mercado tem ala- vancado as vendas da categoria. “As marcas estão no aspiracional e os consumidores estão com dinheiro para gastar. Juntou a sede com a vontade de beber”, comenta Rober- to Maccioni.

Saúde em alta

A questão da saudabilidade tem

afetado o mercado de alimentos e bebidas como um todo.

tem afetado o mercado de alimentos e bebidas como um todo. A versão zero dos refrigerantes

A versão zero dos refrigerantes

Coroa ganhou um selo comemorativo dos 75 anos da marca

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Mercado

Mercado Atualmente, as bebidas zero, light e diet, que possuem a subs- tituição total ou parcial
Mercado Atualmente, as bebidas zero, light e diet, que possuem a subs- tituição total ou parcial

Atualmente, as bebidas zero, light e diet, que possuem a subs- tituição total ou parcial do açúcar e baixas calorias, são cada vez mais procuradas por um determinado público consumidor preocupado com a questão da saúde e qualidade de vida. Como o mercado está aqueci- do para a venda destes produtos, os fabricantes devem ficar atentos para acompanhar as tendências. A procura por bebidas mais saudáveis e de baixas calo- rias fez nascer um novo ni- cho de produtos e, por con- seqüência, novas oportunida- des para os fabricantes. Além disso, o desenvolvi- mento da indústria de aditi- vos para alimentos tem de- sempenhado um papel fun- damental para a evolução

das bebidas menos calóricas e sem açúcar. Para o especialista da IMAIS9 PRUMO, Roberto Maccio- ni, os lançamentos mais relevantes do mercado de refrigerantes estão vinculados, principalmente, à linha zero e aos refrigerantes que se aproximam à linha de águas sabo- rizadas. “Não existem lançamentos totalmente diferenciados, mas sim produtos que tendem a dar mais volume de vendas às linhas de pro- dutos saudáveis”, afirma. Seguindo a tendência de mer- cado, a Coroa investiu na linha de bebidas zero. Além do guaraná Coroa, produto tradicional para os capixabas e carro-chefe da em- presa, o sabor cola também sofreu alteração na formulação e foi adaptado para esta linha. “Temos tradição em guaraná e por esse

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motivo resolvemos adaptar o pro- duto à categoria zero”, afirma Ade- mar Bragatto, ao dizer

que a empresa está investindo em pesqui- sas para lançamento de novos produtos sem adição de açúcar

e com vitaminas agre-

gadas voltados ao pú- blico infantil. Ademar

também adianta infor- mações sobre o próxi- mo lançamento da

Coroa. “O próximo produto será a Água Campinho Lemon e esperamos inserí-la no

mercado no verão”, comenta ao in- formar que durante essa temporada

a empresa aumenta as vendas em

cerca de 30% em relação aos ou- tros meses do ano. O grupo Schincariol também não ficou de fora e migrou sua linha light para a linha zero. Atualmente, a empresa dispõe de produtos desen- volvidos a partir dos sabores gua- raná (regular e zero), limão e cola (regular e zero), cola com limão, laranja, uva e citrus (mix de limão, laranja e maçã). “Estamos inves- tindo em um segmento que cresce 5% ao ano, enquanto a linha de re- frigerantes Schin cresce 10%”, diz Marcel Sacco, diretor de marketing da Schincariol ao comentar que o setor de refrigerantes é bastante re- presentativo e faz parte da estraté-

gia da companhia. Empenhados em desenvolver refrigerantes mais

saudáveis, a Bebidas Poty investe em pes- quisas com laborató- rios dos Estados Uni- dos para desenvolver

sabores mais atraen- tes sem deixar de lado

o prazer agregado ao

refrigerante. Este ano,

a empresa lançou os

refrigerantes Roller

Zero, Poty Zero e também apostou no segmento de águas aromatizadas com o lança- mento da Tiss H2O. “Todos os pro- dutos seguem a linha sem calorias, mas com sabor suave, que não

lembra adoçantes ou produtos light e diet, tudo isso com o objetivo de atender os consumidores que bus- cam hábitos mais saudáveis”, afirma Valnei Gomes, diretor comercial. De acordo com dados do balan-

ço trimestral da AmBev, o setor de

refrigerantes e não alcoólicos teve um crescimento se comparado com

o último trimestre de 2007. O

volume total de vendas de refrige- rantes cresceu durante este ano 6,1% entre os meses de julho e setembro se comparado com o mesmo período de 2007. Dados demonstram uma curva ascendente no crescimento da venda de refri- gerantes da AmBev e a tendência para o verão é continuar crescendo. A empresa que já tem em seu portfólio a linha de produtos zero, light e diet das marcas Pepsi, Sukita, Soda e Guaraná, lançou no mercado no começo deste ano a nova versão da Sukita, e o refrigerante já pode ser encontrado no sabor uva.

Pioneira na categoria inau- gurada pela H2O!, a AmBev traz um novo produto para

inau- gurada pela H2O!, a AmBev traz um novo produto para “O preço é um fator

“O preço é um fator importante, mas o atendimento e o gerenciamento dos

produtos, estoque e gôndolas nos pontos- de-vendas, ainda é primordial”, afirma Ademar, da Coroa

dos produtos, estoque e gôndolas nos pontos- de-vendas, ainda é primordial”, afirma Ademar, da Coroa Novembro/08

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fazer parte da família Guaraná. O Guarah, lançado no começo do

semestre, chegou no mercado para fazer parte da categoria das bebidas mais saudáveis. Guarah une a re- frescância com a fór-

mula do Guaraná An- tarctica, além de ser

levemente gaseificado

e zero açúcar. A novi- dade tem como prin-

cipal destaque o líqui- do, que mesmo con- tendo extrato de gua- raná em sua fórmula,

é incolor. O produto

tem uma composição

totalmente diferente dos refrigerantes regulares, com 99% de água em sua formulação e metade da gaseificação da linha tradicional. Quando questionado a respeito da possibilidade da linha de águas saborizadas ou produtos similares invadir o setor, tomando parte do fa- turamento de refrigerantes, o espe- cialista Roberto Maccioni, afirma que esses mercados chamados de sucedâneos ainda são pequenos, mas tendem a crescer e por isso é necessário regular este crescimento. “Como os grandes players também atuam no mercado de refrigerantes, eles acabam por regular o cresci- mento da categoria. Mas é inevitá- vel uma perda a médio prazo, o que não será ruim: novas categorias com preço mais elevado vão terminar por agregar valor às empresas e melhorar seus resultados”, afirma .

Tendência:

sumo e variantes de produtos princi- pais para valorizar a categoria, o que já faz o mercado de sorvetes há anos”, afirma Roberto Maccioni. Pensando nisso, próximo da tem- porada de verão a

Schincariol apostou no estilo retrô para comemorar os 54 anos da marca, com o lançamento da Itubaí- na Retrô. A versão com um toque da dé- cada de 50 e com vi- sual moderno, dispo- nível em long neck 355ml, retrata um

movimento que come- çou no Brasil há alguns anos e que busca incorporar o novo com grande valorização do antigo. Segundo Marcel Sacco, diretor de marketing do grupo, a Itubaína traz em seu DNA o saudosismo da infância e com a versão retrô inovaram com um produto jovem, sofisticado e di- ferenciado, que preserva o conteú- do original com forma moderna e

que preserva o conteú- do original com forma moderna e “As marcas estão no aspiracional e

“As marcas estão no aspiracional e os

consumidores estão com dinheiro para gastar. Juntou a sede com a vontade de beber”, comenta

Roberto Maccioni.

a sede com a vontade de beber”, comenta Roberto Maccioni. produtos sazonais “A tendência para o

produtos sazonais

“A tendência para o merca- do de refrigerantes é lançar produtos sazonais para valo- rizar as marcas, criar opor- tunidades distintas de con-

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Mercado

Mercado atualizada. Para marcar o seu diferencial no mercado de refrigerantes a nova versão da Itubaína

atualizada. Para marcar o seu diferencial no mercado de refrigerantes a nova versão da Itubaína será comercia-

lizada com exclusividade em alguns locais como bares e restaurantes conceituados. Quando o assunto é expectativa, a situação também é positiva para as Bebidas Poty. O diretor comer- cial da empresa está confiante nas vendas que virão com a temporada de verão. “A expectativa é boa, com o aumento da temperatura a tendência de consumo de líquidos aumenta muito. No verão, vende- mos em média 25% mais que a média do ano”, comenta de forma entusiasmada. Em comemoração aos 75 anos da Coroa, foi lançada a Promoção Sonho Real, que consiste no sorteio de prêmios aos consumidores par- ticipantes. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, já foram

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realizados quatro sorteios num total de 110 mil cartas. Como em cada uma das cartas é necessário ter três vedantes de produtos Coroa, isso significa um consumo de pelo menos, 330 mil unidades de refri- gerantes. A promoção que é válida somente até o final do mês de novembro, terá seu último sorteio no dia 29, no qual será sorteado além de outros prêmios, uma casa mo- biliada com um carro na garagem.

prêmios, uma casa mo- biliada com um carro na garagem. A Schincariol também lançou no mês

A Schincariol também lançou no mês de outubro uma promoção cha- mada “Toda família tem Schin”, com a participação do goleiro Ro- gério Ceni, do São Paulo Futebol Clube ao lado de Luciano Huck, apresentador. Segundo Marcel Sacco, diretor de Marketing do Grupo, os dois farão uma brinca- deira sobre o grau de parentesco, o que combina com a proposta da promoção. A participação dos consumidores está vinculada ao envio do código promocional im- presso em latas ou embalagens de PET 2L de Schin Refrigerantes, além do envio da resposta de uma pergunta sobre a marca. O prêmio final será disputado no programa Caldeirão do Huck e o vencedor poderá ganhar uma casa com carro na garagem.

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