Você está na página 1de 6
 
Fórum Central Civel João Mendes Júnior - Processo nº: 583.00.2008.180472-9  parte(s) do processo local físico andamentos súmulas e sentenças  Processo CÍVEL Comarca/Fórum Fórum Central Civel João Mendes Júnior Processo 583.00.2008.180472-9 Cartório/Vara 20ª. Vara Cível Competência Cível  Nº de Ordem/Controle 1607/2008 Grupo (GA) Cível Ação Declaratória (em geral) Tipo de Distribuição Livre Distribuído em 08/08/2008 às 17h 15m 59s Moeda Real Valor da Causa 44.030,69 Qtde. Autor(s) 2 Qtde. Réu(s) 1
PARTE(S) DO PROCESSO
 [Topo] Requerente CLEIDE DO N G V Advogado: 115186/SP HEMNE MOHAMAD BOU NASSIF Requerido COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCARIOS EM SÃO PAULO LTDA - BANCOOP Requerente PEDRO T A V Advogado: 115186/SP HEMNE MOHAMAD BOU NASSIF
LOCAL FÍSICO
 [Topo] 14/06/2012 Serviço de Máquina
ANDAMENTO(S) DO PROCESSO
 [Topo] 14/06/2012 Recebimento de Carga sob 587220 21/05/2010 Despacho Proferido Recebo a apelação de fls. 517/582, nos efeitos suspensivo e devolutivo e apenas no efeito devolutivo quanto à tutela antecipada. Às contrarrazões. Após, remetam-se os autos ao Egrégio Tribunal de Justiça
 – 
 Seção de Direito Privado. 22/04/2010 Despacho Proferido Fls. 504/508: não acolho os embargos, porque a sentença não contém contradição.
 
19/03/2010 Sentença Proferida Sentença nº 672/2010 registrada em 19/03/2010 no livro nº 713 às Fls. 27/31: Vistos. Trata-se de ação judicial promovida por PEDRO T A VIEIRA e CLEIDE DO A N G VIEIRA em face de COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS EM SÃO PAULO
 – 
 BANCOOP. Em apertada síntese, alegam os autores que, em 25 de outubro de 2000, celebraram contrato com a ré
 para a aquisição de unidade habitacional no empreendimento imobiliário “Altos do Butantã”. Afi
rmam que foram imitidos na posse do imóvel, em 31 de maio de 2003 e que quitaram as obrigações assumidas no dia 1º de setembro do mesmo ano. Narram, ainda, a aquisição de uma vaga extra de garagem, que ainda não foi construída. Sustentam a ilegalidade e a abusividade da conduta da ré que exigiu o pagamento complementar dos valores de R$ 28.331,69 e R$ 2.380,25 (quanto ao apartamento e a vaga extra de garagem) a título de aporte de caixa e que acabaram pagando indevidamente duas parcelas para não serem excluídos do quadro de cooperados. Pretendem, assim, seja declarada a inexigibilidade dos valores cobrados a título de aporte de caixa, reconhecendo-se a quitação das obrigações contratuais, a declaração da rescisão do contrato para a aquisição de vaga de garagem extra, bem como seja a ré condenada à devolução dos valores de R$ 896,07, R$ 802,71 e R$ 11.472,18. A petição inicial, emendada, foi instruída com documentos. Deferido o pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Citada, a ré ofereceu contestação. Sustenta, em resumo, que na qualidade de cooperativa propicia a seus associados a aquisição de casa própria a preço de custo. Defende que o que existe é mera estimativa, pois o valor real só poderá ser efetivamente apurado após o término da obra, sendo certo que, em caso de déficit, imperioso o rateio entre os cooperados. Só com o pagamento destes valores poderão ser expedidos os termos de quitação. Réplica dos autores. É o relatório. Decido. Possível o julgamento antecipado da lide nos termos do artigo 330, I, do Código de Processo Civil. O julgamento do caso deve ser baseado nas disposições do Código de Defesa do Consumidor. Embora ré consista em cooperativa, forçoso reconhecer que age como verdadeira incorporadora. Independentemente da denominação dada ao instrumento pelo qual os autores aderiram ao plano habitacional, o ajuste tem natureza de compromisso de compra e venda de imóvel. Ademais, não há como aceitar a alegação de relação entre cooperados, pois resta claro o propósito dos autores de adquirir um bem  por intermédio da cooperativa e não de compor uma cooperativa. Neste sentido, confira-se o acórdão proferido no julgamento da Apelação nº 268.683-4, pela 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, do qual foi relator o De
sembargador Vicentini Barroso: “No caso dos autos,
analisando-se o liame estabelecido entre as partes, verifica-
se que a ‘affectio’ era
exclusivamente a obtenção da casa própria, ou melhor dizendo, a aquisição de um imóvel. Alcançado esse objetivo, os cooperados se desligariam logo em seguida da cooperativa. Dessa forma, o contrato assemelha-se mais a uma compra e venda, ou a um consórcio, como já explanado pelo Des. OLAVO SILVEIRA, no julgamento da Apelação nº 166.154, nesta Câmara, e também na Apelação n° 304.806 4/0-00, de São Paulo, Rel. Des. BERETTA DA
SILVEIRA ‘um tipo de associação que muito mais se aproxima dos consórcios
do que propriamente de cooperativa, até porque, via de regra, nem sempre ê o
 
efetivo espírito cooperativo que predomina nessas ent
idades’ Ademais, ‘o
associado que a ela adere apenas para o efeito de conseguir a aquisição de casa  própria, dela se desliga e se desvincula uma vez consumada a construção. Isso posto, não há como negar aplicação ao Código de Defesa do Consumidor  para o ca
so, conforme tem reconhecido a jurisprudência.’ A ré não demonstrou
ter convocado os autores para a assembléia em que foi deliberado o rateio entre os cooperados dos valores necessários à conclusão das obras, como era necessário, conforme termo de adesão à cooperativa. Desse modo, os autores não tinham ciência do porquê estavam sendo cobrados, o que traduz violação às garantias de boa-fé e segurança contratuais e não pode ser admitido. Há apenas a afirmação sobre a existência de diferença, sem respaldo em qualquer elemento idôneo. Soma-se a isso o fato da ré pretender cobrar resíduo, decorridos quase quatro anos da data em que deveriam ter sido outorgadas as cartas de quitação, especialmente porque o imóvel dos autores já havia sido entregue, o que é inaceitável. Por isso, os valores indicados a título de aporte de caixa devem ser declarados inexigíveis, como em diversos outros casos envolvendo a mesma cooperativa, sendo que as parcelas indevidamente quitadas, nos valores de R$ 896,07 e R$ 802,71, deverão ser devolvidas. De outro lado, sendo inexigível a dívida cobrada pela ré e tendo os autores pago integralmente o preço avençado, o que não foi contestado, cumpre à cooperativa outorgar-lhes as respectivas cartas de quitação. Finalmente, o contrato relativo à rescisão do direito de uso da vaga extra de garagem deve ser declarado rescindido. Os autores pagaram o preço ajustado nos prazos especificados pela cooperativa, contudo não puderam fazer uso do espaço, porque a unidade em que estaria localizado sequer foi iniciada. Nem se diga que os autores deveriam esperar até o fim do empreendimento, como tenta impor a cláusula quinta do termo de fl. 150, pois coloca consumidor em situação de extrema desvantagem, não podendo prevalecer. Sendo assim, o valor relativo às parcelas pagas para o uso dessa vaga extra também deverá se devolvido. Ante o exposto, julgo procedente a ação para: (i) declarar rescindido o contrato relativo à aquisição do direito de uso da vaga extra de garagem; (ii) declarar inexigibilidade dos valores cobrados a título de aporte de caixa; (iii) reconhecer a quitação das obrigações contratuais dos autores. Condeno a ré ao pagamento das quantias de R$ 896,07 e R$ 802,71, corrigidas pela tabela prática do Tribunal de Justiça de São Paulo desde os respectivos desembolsos. Pagará, ainda, as parcelas relativas à aquisição do direito de uso da vaga extra de garagem, corrigidas pela tabela prática do Tribunal de Justiça de São Paulo e acrescidas de juros de mora de 1% ao mês, desde a citação. Torno definitiva a liminar anteriormente concedida. Em razão da sucumbência, deverá a ré arcar com as custas e despesas incorridas pelos autores, bem assim com os honorários advocatícios que fixo em 10% sobre o valor da condenação. P.R.I. São Paulo, 19 de março de 2010 Tom Alexandre Brandão Juiz de Direito
576648e32a3d8b82ca71961b7a986505