Você está na página 1de 8

CAPÍTULO

A Relação Stress-Dor e o Uso do Relaxamento como Terapêutica Coadjuvante

12

MARILDA EMMANUEL NOVAES LIPP

A sociedade atual tem como um dos seus principais objetivos melhorar ou manter a quali- dade de vida do ser humano. Tal objetivo envol- ve, entre outras funções, desenvolver métodos de intervenção que possibilitem às pessoas lidar com sintomas muitas vezes debilitantes de patologias que requerem uma terapêutica clínica específica. Tanto o stress como a dor estão entre os fatores que mais afligem, debilitam e incapacitam o ser humano para o exercício do trabalho, para o viver de qualidade e o usufruto da felicidade. A dor, como sintoma secundário de várias doenças, a dor que não responde à medicação, que impede o funcionamento normal do indivíduo, que pro- duz medo e angústia 1 torna-se uma das áreas de maior atenção da Psicologia da Saúde, do mes- mo modo como o stress emocional permanece também como um dos pontos fundamentais das preocupações da atualidade 2 . Há que se atentar para o fato de que muitas vezes os dois fenômenos (dor e stress) estão in- trinsecamente ligados. Existem dois modos es- pecíficos de associação entre dor e stress: o stress como conseqüência da dor e o stress como fator desencadeante ou contribuinte para a etiologia da dor crônica. No que se refere ao primeiro aspecto, não há dúvida de que uma das fontes de tensão e stress pode ser a sensação de dor, seja ela aguda, seja

ela difusa ou crônica. Por exemplo, já em 1979, estudos demonstraram que a dor experienciada por pacientes sujeitos a intervenções aversivas podia ser reduzida através de um procedimento em que as sensações a serem esperadas e os procedimentos a serem implementados eram ex-

plicados ao paciente 3 . Nesse caso, reduzindo-se

o stress, houve uma redução da dor. A relação

inversa foi também analisada, verificando-se que, quando há uma redução da dor, pode haver tam- bém uma redução do stress pós-cirúrgico 4 .

Quanto à segunda possibilidade, ou seja, o stress como fator desencadeante ou contribuinte

para a etiologia da dor crônica, a literatura não é tão conclusiva, não havendo comprovação expe- rimental de que o stress pode levar ao apareci- mento de dor. Porém, embora a literatura não mostre uma relação específica causal entre stress

e desenvolvimento da dor, inúmeros casos clíni-

cos relatam que o stress parece ser capaz de de- sencadear dor em indivíduos com certas características de personalidade ou modos es- pecíficos de reagirem a fatores estressantes. A hipersensibilidade do sistema límbico proposta por Everly 5 como sendo responsável por uma maior vulnerabilidade ao stress emocional talvez contribua para a etiologia da dor crônica através do sistema cognitivo/emocional e seu processa- mento no sistema límbico, envolvendo as amíg-

CAPTULO 12

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

123

dalas e o hipocampo. Cada evento mental pro- duz um correspondente químico no cérebro e, assim sendo, as emoções são capazes de pro- duzir reações psicofisiológicas marcantes. A relação stress-dor, em pessoas predispo- nentes, necessita de maiores averiguações, pois do ponto de vista fisiológico essa relação pode

ocorrer devido ao fato de tanto o stress quanto

a dor terem mecanismos endócrinos e neurais

que, até certo ponto, se assemelham, como, por exemplo, a ativação do eixo hipotálamo-hipófi- se-adrenal e do sistema simpático. Comparti- lhando caminhos e sofrendo a ação de múltiplos feedbacks e medidas de auto-regulação, a pos- sibilidade de uma associação entre esses dois fenômenos se desenvolver deve ser analisada 6 . O stress, através de seus mecanismos de auto-regulação, é capaz de provocar alterações tissulares, bioquímicas e imunológicas capazes de intensificar a dor já existente. Um provável mecanismo por meio do qual o stress poderia estar presente como um dos fatores etiológicos em alguns casos de dor seria a tensão muscular

exagerada que ocorre durante a reação de stress.

A relação funcional entre excesso de tensão e

manifestações psicofisiológicas já foi documen- tada há anos por Jacobson 7 e enfatizada por MCGuigan 8 . O modelo de relação funcional entre

a musculatura esquelética e os outros sistemas

orgânicos prevê que, à medida que a tensão au- menta, a atividade do sistema nervoso central aumenta também. Além disso, ocorre uma acele- ração de várias funções autônomas que podem se cronificar e se tornar patológicas. Uma possí- vel medida terapêutica é utilizar o relaxamento para que os músculos relaxem, o que alivia os espasmos e a dor. McGuigan e cols. 9 sugerem que, considerando o fato de os processos cogni- tivos serem gerados pela interação de vários con- juntos de músculos estriados e regiões cerebrais especificas, então, o controle de cognições po- deria ser facilitado por meio da manipulação de vários circuitos neuromusculares pelo uso progra- mado do relaxamento. Compas e cols. 10 pesquisaram a evidência empírica a favor de vários tratamentos dentro da Psicologia da Saúde que objetivaram, dentre ou- tras metas, o desenvolvimento do manejo da dor crônica. Os procedimentos mais mencionados na literatura se enquadram em: terapia comporta- mental radical, terapia cognitivo-comportamental, terapia psicodinâmica, hipnose e biofeedback. As três modalidades que se mostram mais eficazes na redução da dor foram: a comportamental, a

cognitivo-comportamental e o biofeedback, e a maior parte dos trabalhos pesquisados, embora muitas vezes fazendo uso de procedimentos múltiplos, utilizou também algum tipo de relaxa- mento. Em geral, uma combinação de relaxamen- to muscular progressivo acompanhado de relaxamento mental através de imagens tem sido utilizada. Como a dor não só é um fator incapacitante para o indivíduo que a tem, mas como ela acarre- ta prejuízos para a sociedade em geral, em ter- mos de absenteísmo, queda de produtividade e custos médicos, o interesse no seu controle ad- quire uma dimensão que transcende o pessoal e alcança o âmbito da sociedade como um todo. Desse modo, todo o esforço destinado à desco- berta de tratamentos que sejam genuinamente eficazes para a sua redução ou controle adquire interesse científico e clínico. Embora seja muito difícil quantificar melhora em termos de dor, es- pecialmente devido às enormes dificuldades de mensuração, é fato hoje conhecido que alguns tratamentos psicológicos são eficazes e como o relaxamento aparece na maioria dos procedimen- tos bem-sucedidos; é necessário analisar a ra- zão desta eficácia.

BASE NEUROFISIOLÓGICA DO USO DO RELAXAMENTO COMO TERAPIA COADJUVANTE DO STRESS E DA DOR

Para que possa haver um consenso sobre se o relaxamento, em suas várias modalidades, deve ou pode ser utilizado na terapêutica da dor, im- portante se torna entender um pouco da base neuropsicofisiológica da dor e do relaxamento. Como outros capítulos deste livro cobriram em detalhes definições e explicações do percurso estímulo-ativação talâmico-cortical-percepção de dor, o presente capítulo irá cobrir somente alguns aspectos que se referem ao caminho de ação da dor e do relaxamento, sendo fundamental que se combinem as duas áreas de conhecimento para que uma compreensão profunda seja atingida.

OS CAMINHOS DA DOR

A título de recapitulação, e de modo muito simplificado, que visa facilitar a análise da impor- tância do relaxamento como medida antiálgica, pode-se lembrar que a dor é parte de um sistema de alerta que visa naturalmente à proteção da so- brevivência do organismo, porém, quando ela se torna crônica, sua existência perde essa função.

124

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

CAPTULO 12

A dor é uma experiência multifacetada que inclui

a percepção sensorial e emocional de valor ne-

gativo associada a uma ameaça de dano à in- tegridade tecidual do organismo, real ou não; portanto, a dor é uma sensopercepção. Receptores nociceptivos, que são termina- ções nervosas livres presentes na superfície de toda a pele, reagem indiscriminadamente aos estímulos químicos, mecânicos ou térmicos, de intensidade desagradável, e encaminham impul- sos elétricos. As fibras nervosas mediam a co- municação entre o local onde o estímulo atua e a medula espinhal, por onde as fibras nervosas condutoras da dor passam. Da medula espinhal, essas fibras sobem através do feixe espinotalâ- mico em direção ao primeiro centro receptor da dor, o tálamo. Até chegar ao tálamo, a resposta da dor é simplesmente física, pois, ao chegar a ele, a informação ainda não sofreu interpretação emocional.

Existem pessoas que sofrem de hipertimia, ou seja, um estado patognomônico de excitação orgânica que pode ser definido como uma hiper- sensibilidade neurológica 5 . Essas pessoas natu- ralmente estão sujeitas a experimentar todas as sensações neurológicas de modo mais intenso, mesmo que não haja uma interpretação emocio- nal negativa. A partir do tálamo, os impulsos são levados pelas fibras nervosas ao córtex. É no córtex que os impulsos são integrados e interpretados de acordo com a codificação que o sistema límbi- co lhes dá com base em experiência passada.

A partir do momento em que o impulso chega

ao córtex é que a psicologia da dor se inicia. O

sistema límbico media a dor e a reação ao estí- mulo recebido à medida que ele o interpreta e fornece informações quanto a sua seriedade e significado.

Necessariamente, a reação a estímulos do- lorosos varia em magnitude de acordo com a percepção do seu significado que é fornecida pelo sistema límbico. A hipertimia, ou hipersensibilida- de neurológica, quando existente, aliada à inter- pretação emocional gerada pela história de vida da pessoa, poderia explicar, provavelmente, a di- ferença entre as pessoas quanto à percepção

e avaliação da dor. Assim sendo, a reação da dor envolve com- ponentes fisiológicos e emocionais que resultam da percepção e da interpretação de eventos do- lorosos. A percepção da dor é basicamente fisio- lógica, mas a reação à dor é fisiopsicológica. A resposta à dor tem, portanto, face dupla repre-

sentada pela percepção do estímulo nocivo e pela reação a ele. Esta resposta envolve o limiar fisio- lógico e o limiar de tolerância à dor. O primeiro pode ser definido como o ponto de percepção de um evento como doloroso, enquanto o segun- do se refere ao ponto em que o organismo não consegue mais tolerar a dor. A percepção da dor é basicamente fisiológica, mas, embora o limiar fisiológico, ou seja, o de sensação de dor, seja mais uniforme entre os indivíduos, ele pode vari- ar de pessoa para pessoa e de situação para si- tuação. O limiar de tolerância varia com muito maior latitude do que o fisiológico, e é diretamen- te influenciado pela cultura, pela raça, pela idade, pelo sexo, pelas características da personalida- de, pelo nível de ansiedade e pela história de vida da pessoa. A dor, portanto, é mais do que a trans- missão nervosa de impulsos aversivos, ela é o resultado da interação estímulo doloroso e indi- víduo. Uma das variáveis que mais afetam a me- diação da dor pela pessoa é o nível de ansie- dade presente, e, como há anos as pesquisas indicam que o nível de ansiedade pode ser re- duzido por meio do relaxamento 11 , deduz-se que o treino em relaxamento, seja mental, seja físico, possa constituir-se em um elemento de auxílio na redução da dor ou no aumento do limiar de tolerância da mesma. É importante verificar como o relaxamento atua no organis- mo no nível de atividade neuropsicofisiológica de modo que não só ele poderá reduzir o nível de ansiedade presente, mas também reduzir a exci- tabilidade patognomônica característica da pes- soa em determinados momentos.

OS CAMINHOS DO RELAXAMENTO

Muitos autores 12,13 têm postulado a utilidade da indução da resposta de relaxamento como técnica coadjuvante no tratamento de várias do- enças psicológicas e somáticas. Por “resposta de relaxamento” está-se designando um estado psi- cofisiológico de hipoexcitação que pode ser pro- duzido por uma série de técnicas, tais como meditação, respiração profunda, biofeedback, relaxamento muscular, música etc. A resposta de relaxamento se constitui em um esforço geral para diminuir a excitabilidade de um organismo, pois o relaxamento produz uma redução da descarga hipotalâmica-cortical e pro- duz um estado de hipoexcitabilidade. Além dis- so, o relaxamento diminui a excitabilidade do sistema nervoso central e produz uma dessensi-

CAPTULO 12

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

125

bilização do sistema límbico. É, portanto, devido

a esta forma de atuação que o relaxamento pas-

sa a ser uma técnica ideal para uso com aqueles pacientes que exibem um estado patognomôni- co de excitação orgânica ou hipersensibilidade neurológica que reagem a estímulos de modo excessivo. Não só o relaxamento atua no nível fí- sico, mas também suas ações têm sido compro- vadas na redução de estados emocionais negativos.

Em vários contextos a eficácia do relaxamen- to tem sido comprovada por pesquisas realiza- das há anos. Por exemplo, foi demonstrado que

o treino do relaxamento auxilia a pressão arterial

a voltar mais rapidamente ao normal após mo-

mentos de grande stress e que, após dez sema- nas de treino de relaxamento, há uma redução significativa na reatividade psicofisiológica 14 . Foi

verificado adicionalmente 15 que pessoas que se submeteram a treino de meditação se recupera- ram mais rapidamente de situações estressantes do que outras que não tiveram tal treino. Não só na área física, mas também na mental, o relaxa- mento produz mudanças, tais como a sensação de calma mental, de estar em controle da situa- ção e de auto-eficácia. Há também evidência quanto à adequação do uso de relaxamento no controle da dor 16,17 .

RELAXAMENTO, STRESS E DOR

Algumas pessoas possuem uma hipersensi- bilidade neurológica do sistema límbico que se configura em um estado patognomônico de exci- tação excessiva do circuito límbico ou de seus eixos neuroendócrinos. Tal hipersensibilidade dá origem a um limiar de excitação baixo. Como a interpretação de estímulos dolorosos é realizada pelo sistema límbico, esta hipersensibilidade é capaz de dar origem à reação exacerbada de stress e de dor. A dor intensa constitui um distúrbio de exci- tação, e como o relaxamento produz uma condi- ção antagônica, que faz com que o organismo experiencie um estado de maior quietude, o uso do relaxamento se torna uma prática lógica no manejo da dor intensa. Adicionalmente, o estado temporária de hipoexcitação gerado pelo relaxa- mento dá ao indivíduo que sofre a dor tempo e oportunidade para readquirir a homeostase ne- cessária à vida. Nesta linha de raciocínio, deduz-se que qual- quer intervenção terapêutica direcionada para a dor deve objetivar dessensibilizar a pessoa neu-

rologicamente e reduzir a atividade global dentro do circuito límbico. Tal pode ser realizado por meio da redução da responsividade adrenérgica, exci- tação neuromuscular e redução da excitação cog- nitiva. A resposta de relaxamento preenche tais necessidades, pois reduz a excitabilidade neuro- lógica através da diminuição da descarga hipo- talâmica-cortical e produz um estado de hipoexcitabilidade.

CUIDADOS ESPECIAIS NO USO DE RELAXAMENTO NO CONTROLE DA DOR

Embora o relaxamento muscular progressivo combinado com o relaxamento mental tenha sido indicado como uma das técnicas úteis para o controle da dor, necessário se torna lembrar al- gumas precauções no seu uso com pacientes que tenham algumas características específicas. Sua utilização deve ser feita levando em consi- deração esses aspectos, pois o seu uso indis- criminado pode gerar alguns efeitos colaterais indesejáveis. Luthe 18 foi um dos primeiros a observar es- ses efeitos colaterais e a sugerir certas precau- ções no uso de relaxamento com pacientes com diagnóstico de psicose, disfunções da tireóide e paranóia. Despersonalizado é um fenômeno que também tem sido identificado no uso clínico des- te procedimento. Os efeitos negativos parecem ocorrer em cerca de 1% das pessoas. Como a incidência é pequena e os efeitos positivos do relaxamento têm sido amplamente comprovados, as dificuldades que às vezes ocorrem devem ser consideradas no contexto dos efeitos positivos. As áreas de maior incidência de problemas são 13 :

Na Perda de Contato com a Realidade

Quando se trata de pacientes psicóticos ou pessoas que fantasiam excessivamente a utiliza- ção de relaxamento mental é contra-indicada. Pode-se, no entanto, fazer uso do relaxamento físico ou de técnicas de biofeedback. Nas interações farmacológicas, o relaxamen- to potencializa os efeitos de vários fármacos, tais como insulina, drogas hipotensoras e sedativos, de modo que o médico deve ser avisado do cus- to do relaxamento.

Nos Estados de Pânico

Pacientes com medo de perda do controle não devem ser submetidos a procedimentos que

126

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

CAPTULO 12

envolvam relaxamento mental abstrato. Para es- ses pacientes um relaxamento mais dirigido e mais centrado na tensão muscular é mais indicado.

Na Liberação de Idéias Extremamente Penosas ou Ameaçadoras

Há situações em que a resposta do relaxa- mento leva a pessoa a liberar emoções e pensa- mentos que estavam reprimidos, de modo que o terapeuta deve estar preparado para lidar com este tipo de problema, se ocorrer durante uma sessão de relaxamento.

Na Hipoexcitação Excessiva

Nestes casos, incluem-se situações de queda de pressão arterial, hipoglicemia agu- da e fadiga.

O estudo dos possíveis efeitos negativos do relaxamento é importante, pois se trata de uma técnica poderosa que pode auxiliar de modo sig- nificativo no tratamento da dor. Quando as caute- las necessárias são tomadas, o relaxamento pode ser conduzido de modo seguro e benéfico para

o paciente com dor. Mas, mesmo assim, deve-

se reconhecer que não há um tipo único de rela- xamento que seja bom e eficaz para todas as pessoas. Há que se levar em consideração as características de cada pessoa a fim de se as- segurar o sucesso em sua utilização. No fim deste capitulo, incluíram-se dois roteiros de re- laxamento que temos utilizado na terapia de pa- cientes com dor.

RELAXAMENTO PARA ALIVIAR A DOR 20

Este exercício é indicado a pessoas que so- frem de dores e têm como objetivo aliviar tanto o corpo dos sintomas de tensão como também pro- porcionar um alívio mental ou bem-estar emocio- nal que em muito contribuirá para o alívio da dor. Neste tipo de exercícios é importante focali- zar as funções físicas e, principalmente, as fun- ções mentais. É importante que durante os exercícios de relaxamento a pessoa se concen- tre na parte ou região do corpo que a incomoda.

Para iniciar o exercício, deve-se colocar o pacien-

te em um lugar tranqüilo, sem barulho, com lumi-

nosidade suave, certificando-se de que não haverá interrupções. Pode-se optar por uma mú- sica de fundo, desde que em ritmo constante,

quase monótono. A posição do corpo é impor- tante para se alcançar bons resultados. O paci- ente deve sentar-se numa poltrona ou deitar-se. Mas deve-se verificar se a posição escolhida está deixando o corpo livre de tensões. As roupas de- vem estar folgadas e os olhos fechados. A mente deve permanecer em uma atitude de aceitação, sem expectativas para aceitar o que vai ocorrer.

Relaxamento (roteiro do que é dito ao paciente)

A respiração é fundamental ao relaxamento.

Ela ajuda as pessoas que buscam a cura. Des-

sa forma, conscientize-se da respiração

uma inspiração concentrando-se, imagine o ar

entrando pelas narinas, passando pela gargan- ta, indo para os pulmões, passando por todo

o seu corpo

Passando por todos os seus órgãos

intervalo pensado, consciente, agora uma ex- piração pensada; ao expirar, trabalhe seus es- tados emocionais negativos como a raiva, a tristeza e os medos. Não bloqueie as emoções; quando isso ocorre elas se manifestam no cor- po acarretando a tensão. Portanto, imagine-se expulsando-as através da expiração, depois faça uma pausa respirató- ria pensada, e novamente a inspiração. Continue assim, sucessivamente. A respira- ção é abdominal, rítmica, com o tempo de inspi- ração o mais parecido possível com o tempo de expiração.

Faça um

Faça

Entrando na sua circulação

Neste momento vamos passar para os exer- cícios de relaxamento muscular

Você vai relaxar cada parte do seu corpo

Feche a sua

mão fortemente sentindo a contração. Sinta a tensão no seu braço. Permaneça assim por al- gum tempo. Agora solte o braço ao mesmo tem- po em que abre a mão e sinta a descontração,

Repita agora o mesmo

faça isso lentamente

exercício com o braço esquerdo. Repita três ve- zes com cada braço.

A relaxação das pernas é feita executando

uma flexão da planta dos pés e dos dedos, for- çando com os dedos. Solte relaxando e sinta a descontração. Repita o exercício três vezes com cada perna.

Os ombros. Levante o ombro direito como se quisesse encostá-lo na orelha. Force bastante. Solte, sentindo a descontração. Repita com o ombro esquerdo.

Pense no seu braço direito

CAPTULO 12

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

127

Passe agora para o seu rosto, contraia os lá- bios fortemente um contra o outro, feche os olhos, aperte, imite um sorriso bem forçado. Sinta todos os músculos do seu rosto se contraírem e solte lentamente. Permaneça com os olhos fechados, os dentes afastados, lábios semi-abertos. De agora em diante não pense em nada, res- pire bem calmamente, sinta o ar limpando e revi-

sinta seu corpo

pesado. Pense no seu abdômen, nas coxas, nos pés, nos dedos, nas suas juntas. Pense em todo

o seu corpo. Nos seus órgãos, coração, pulmões,

Sinta-se

todo relaxado. Permaneça com os olhos fechados e deixe que sua atenção se focalize suavemente na res- piração. Sem forçar, mantenha tudo leve e cal- mo. Mantenha a sua atenção na sua respiração e não nos pensamentos. Atentamente agora vamos percorrer todo o corpo com suavidade. Inicie com o couro cabe- ludo, observe se tem sinais de tensão e com cal- ma deixe que ela se vá.

Siga agora sua atenção pela testa, sobran-

estômago, intestinos, no seu cérebro

gorando todo o seu corpo

celhas, olhos, lábios, maxilar, pescoço, costas, ombros, braços, mãos, peito, abdômen, pernas,

e assim por diante, até os dedos dos pés. Fique

atento aos sinais de tensão e solte-a lentamente, sem pressa

Procure visualizar seu corpo leve, funcionan- do em harmonia, sem sinais de tensão.

Neste momento com a mente relaxada, visu- alize o que lhe dá calma, paz e serenidade. Ima- gine seu coração batendo lentamente, sua respiração leve, mas plena, sua circulação sua- ve, o sangue percorrendo todo o seu corpo, seu estômago descontraído, a garganta fresca. Sinta

a respiração suave a energizar seu corpo. Pense

em todo o seu corpo, nos músculos, nas juntas, no intestino, no fígado, nos rins

E diga suave- Sinta o seu cor-

Sinta-se leve

po leve Use agora a sua imaginação e visualize a parte de seu corpo que lhe causa desconforto ou causa dor ou aquela que é a responsável pelo seu problema de saúde. Concentre-se nesta par- te do seu corpo e imagine-a completamente rela-

mente RELAXE

Pense em todo o seu corpo

xada, solte a região em volta dessa parte, relaxe

e imagine-a funcionando em harmonia

ze um feixe de luz azul muito claro, mas intenso,

Visuali-

banhando essa parte do seu corpo

uma temperatura agradável

Uma luz com

Essa luz penetra

todo o seu corpo internamente, provocando alí- vio e uma sensação plena de bem-estar Visualize, com a mente relaxada. Usando sua

Visualize

Um lindo jardim com

árvores, flores

canteiro de flores amarelas e sinta a cor amarela

invadir e ocupar toda a sua mente

lize um canteiro de flores violeta e deixe penetrar

Caminhe com os pés

descalços sobre a grama verde e fofa do jardim,

sinta o fres-

cor da grama nos pés

céu

mente e preencher todo o seu corpo de azul

A luz do sol

suavemente acariciando seu corpo e seu rosto

Ouça

o som dos pássaros

monia com seu mundo interno

Sinta que todo o seu corpo trabalha em perfeita

harmonia

sentir uma pessoa saudável, feliz

cena do passado em que você achou muita gra-

Imagine-

se rindo muito

Agora repita mentalmente, pausadamente “Eu estou me sentindo bem”, “Minha saúde está cada vez melhor”, “Meu corpo está saudável”. Visualize a palavra — SAUDÁVEL — imagine que

existe à sua frente uma tela enorme toda branca. Deixe essa imagem tomar conta da sua mente. Agora imagine-se escrevendo bem grande em letras coloridas a palavra — SAUDÁVEL — à me- dida que for escrevendo, sinta-se leve e relaxa-

da

Deixe que essa palavra tome conta de toda a

Imagine uma

Sinta-se em perfeita har-

Olhe para cima e veja o

o violeta na sua mente

Agora visua-

muito verde à sua volta

Visualize o

imaginação com uma visão interior

Acaricie uma flor

descarregando a energia na terra

Azul

Deixe esse azul penetrar em sua

Sinta o ar passando pelo seu rosto

As folhas e flores balançando lentamente

Sinta calma

Traga a sua mente a sensação de se

ça e torne-a o mais presente possível

Muito

Feliz e segura

sua mente

Permaneça assim pelo maior tempo

possível

Depois, lentamente, comece a pensar no local onde você se encontra e a pensar em vol-

Co-

mece a movimentar lentamente as mãos, os

pés, gire a cabeça lentamente de um lado para

o outro

Abra os olhos lentamente e permaneça por mais um tempo nessa posição até se acostumar com

o local Volte para o ambiente onde você está com a palavra SAUDÁVEL ocupando toda a sua mente. Espreguice bastante, como se fosse um gato

tar para ele. Faça isso demoradamente

Vire-se de lado e encolha as pernas

e levante-se, alongue-se com a sensação de bem- estar presente. No seu corpo e na mente.

128

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

CAPTULO 12

OUTRO TIPO DE RELAXAMENTO (ROTEIRO DO QUE É DITO AO PACIENTE)

Exercícios autógenos que combinam respi- ração, repetição de frases tranqüilizantes e ima- gens de peso e calor ajudam a reduzir a intensidade da dor. Este exercício faz uso de vi- sualização e autogenia e leva ao auto-equilíbrio através de imagens mentais e auto-sugestões.

I. Esquentando as mãos e os pés

• Sente-se confortavelmente com as mãos no colo, ombros soltos e olhos fechados e adote uma atitude passiva de receptivida- de. Tente imaginar tudo o que está no ro- teiro tão vividamente quanto possível. Lembre-se de que você pode decorar o ro- teiro, pedir que alguém o leia para você ou gravá-lo para usar quando necessário.

• Respire profundamente pelo nariz, enquan- to conta até 5, e expire vagarosamente pela boca, contando até 8. Repita mais uma vez. Enquanto expira, imagine que a dor está saindo do seu corpo

• Imagine que seus pés e suas mãos estão ficando quentes. Diga para si mesmo: “Mi- nhas mãos e pés estão esquentando.” Re- pita esta mensagem três vezes.

• Veja em sua mente seus pés e mãos envol- tos em um cobertor bem quentinho. Sinta o prazer de estar com os pés e mãos bem

Diga para si mesmo mais três

vezes: “Meus pés e mãos estão ficando bem

” Imagine bem vivida-

Pense

enrolados

quentes e relaxados

mente o cobertor envolvendo você

“estou confortável e relaxado”

• Sinta o calor se espalhar pelo seu braço de modo muito relaxante; é um calor prazero- so que tranqüiliza e acalma. Faz lembrar de momentos de conforto e de proteção quan- do nada afetava você. Relaxe

• Uma sensação de paz e calma está come- çando a ocorrer

• Repita para si mesmo: “Meus pés e mãos

eu estou me sentindo ”

minha dor está indo

“Minha

estão esquentando

confortável

protegido

tranqüilo

dor está diminuindo ”

embora

“Estou sentindo tranqüilidade”.

• Sinta o calor se espalhar agradavelmente

mi-

posso adminis-

Não vou mais ficar ansioso se

pelo seu corpo e pense: “Estou bem

nha dor está suportável

trá-la bem

tomei as providências que podia ”

tranqüilo

Estou

• Quando eu abrir meus olhos, vou continuar

a me sentir bem, sabendo que estou cal-

mo, a dor ou foi embora ou está suportável. Sei lidar com isto

• Abra os olhos e continue a se sentir calmo, tranqüilo e bem disposto. Não se esqueça de verificar e tratar a causa da dor.

CONCLUSÃO

O stress pode surgir como uma resposta à dor, sendo, portanto, neste caso, uma conse- qüência da mesma ou pode também contribuir, juntamente com inúmeros outros fatores, para o desenvolvimento e exacerbação da mesma. A ação auto-regulatória do stress que acarreta um número grande de transformações no organismo, sejam elas imunológicas, sejam de base tecidu- al, parece estar intimamente ligada a um padrão de resposta sensorial, afetiva, cognitiva e com- portamental envolvida na experiência da dor 19 . Como o stress emocional é acompanhado da es- timulação dos músculos estriados, que, uma vez tensionados, contribuem para a sensação dolo- rosa, o relaxamento promete ser um procedimento coadjuvante útil na terapêutica não só do stress, mas também da dor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Sasdellli EN, Miranda EMF. Ser: o sentido da dor na urgência e na emergência. In: V. A Angerami-Camon (Org). Psicossomática e a Psicologia da Dor. São Paulo: Pioneira Thomson Learning,

2002.

2. Lipp MEN. O stress do professor. Campinas: Papirus, 2002.

3. Turk DC, Genest M. Regulation in pain: the application of cognitive and behavioral techniques for prevention and remediation. In:

Kendall PC, Hollen CD (eds). Cognitive Behavioral Intervention, p. 287. New York: Academic Press, 1979.

4. Kehlet H. Effect of pain relief on the surgical stress response. Regional Anesthesia 21, pp. 35-37, 1996.

5. Everly GS Jr. A Clinical Guide to the Treatment of the Human Stress Response. New York: Plenum Press, 1998.

6. Melzack R. Pain and Stress: A new Perspective. In: Gatchel RJ, Turk DC (eds). Psychosocial factors in Pain: Critical Perspectives. NY: The Guilford Press, pp.89-106, 1999.

7. Jacobson E. Progressive Relaxation. Chicago: University of Chicago Press, 1929.

8. McGuigan FJ. Managing internal cognitive and external environmental stress through progressive relaxation. In F.J. McGuigan FJ, Sime WE, Wallace JM (eds). Stress and tension Control. New York: Plenum Press, pp.3-11, 1998.

9. McGuigan FJ, Sime WE, Wallace JM. Stress and tension Control. New York: Plenum Press, 1998.

10. Compas BE, Haaga D, Keefe F, Leitenber H, Williams D. Sampling of empirically supported psychological treatment from health Psychology: Smoking, chronic pain, cancer, and bulimia. Journal

of Consulting and Clinical Pscyhology, 66(1)89-112, 1998.

11. Brown BB. Stress and the art of biofeedback. Nova York: Bantan Books, 1977.

CAPTULO 12

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

129

12. Benson H. The Relaxation Response. Nova York: Morrow, 1975.

13. Lipp MN, Malagris LN. O Manejo do stress. In Bernard Rangé (org). Psicoterapia Comportamental e Cognitiva Campinas:

Editoral Psy II, 1995.

14. English E, Baker T. Relaxation training and cardiovascular response to experimental stressors. Health Psychology, 2, pp. 239-259, 1983.

15. Allen R. Controling stress and tension. Journal of School Health, 17, pp. 360-364, 1981.

16. Goleman D, Schwartz G. Meditation as an intervention in stress reactivity. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 15, pp. 110-111, 1976.

17. Blanchard EB Appelbaum KA, Nicholson NL et al. A controlled evalutation of addition to cognitive therapy to a home-based biofeedback and relaxation treatment of vascular headache.

Headache, 30, pp. 371-376, 1990.

18. Luthe W (ed). Authogenic Therapy. Nova York: Grune e Straton,

1969.

19. Figueiró JAB. Dor e Stress. In: Lipp MEN (orgs). Mecanismos. Neuropsicofisiológicos do Stress. Teoria e Aplicações Clínicas. São Paulo: Casa do Psicológo, p. 149-154, 2003.

20. Tanganelli MS. Relaxamento para aliviar a dor. In: Lipp MN (org.) Relaxamento para Todos:Controle o seu Stress. Campinas: Ed. Papirus, 1998.

130

© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA

CAPTULO 12