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1664ISSN 1664-5243

Varal do Brasil e você: Uma amizade duradoura! 3 anos JUNTOS, fazendo da literatura um caminho alegre e descontraído
FELIZ ANIVERSÁRIO!

Varal do Brasil, literário sem frescuras! - Novembro/Dezembro 2012

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1664ISSN 1664-5243

LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, outono de 2012 No. 18
FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO! FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!FELIZ ANVIERSÁRIO!

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EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL NO. 18 - Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e realizado por Jacqueline Aisenman Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com Textos: Vários Autores Colunas: Clara Machado Fabiane Ribeiro Sarah Venturim Lasso Sheila Ferreira Kuno Ilustrações: Vários Autores Foto capa: © Anton Zabielskyi - Fotolia com Foto contracapa: © Ruth Black - Fotolia com Muitas imagens encontramos na internet sem ter o nome do autor citado. Se for uma foto ou um desenho seu, envie um e-mail para nós e teremos o maior prazer em divulgar o seu talento. Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. A revista está gratuitamente para download em seus site e blog. Se você deseja participar do VARAL DO BRASIL NO. 19 envie seus textos até 10 de dezembro de 2012 para: varaldobrasil@gmail.com O tema da edição no. 19 será sobre o Planeta Terra, sobre a vida, a natureza, os animais, o ser humano. Declare o seu amor pelo Planeta! A revista Varal convida você para falar de amor, de paz, de tudo o que se possa desejar na época natalina para desta forma esperar o melhor em 2013! Traga sua mensagem na forma que melhor encontrar! Pensamentos, trovas, haicais, poemas, crônicas, contos, minicontos... Ou outra forma ainda que houver ou mesmo que você inventar! Vamos passar juntos o Natal e o Ano Novo! varaldobrasil@gmail.com 4

COMO PARTICIPAR DO VARAL Solicitar o formulário pelo nosso email. Enviar seus textos, fotos e/ou desenhos acompanhados de uma foto e de uma minibiografia para o e-mail varaldobrasil@gmail.com Toda participação é gratuita

ESPECIAL NATAL E ANO NOVO PARA DEZEMBRO

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Obrigada a você leitor, a você escritor, que nos acompanha e participa conosco!

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Estamos completando três anos de existência. Três anos de participação ativa na literatura de Língua Portuguesa. Não estamos, claro, nos meios intelectuais. Mas estamos no coração de tanta gente que isto é mais do que suficiente para afirmarmos que sim, conquistamos um espaço na divulgação de nossa literatura! Afinal, entre a revista, blog, site, livros, muito mais de quinhentos autores já passaram pelo VARAL DO BRASIL. Já editamos dois livros e estamos com as inscrições abertas para a edição do terceiro volume. Com qualidade e respeito fazemos uma antologia que difere de todas as outras. Já participamos de um dos maiores e melhores Salões Internacionais do Livro, o de Genebra, na Suíça. Um sucesso total. Levamos para o meio internacional aproximadamente duzentos títulos de mais de cento e cinquenta autores! Quatorze escritores estiveram presentes para autografar seus livros vindos do Brasil, Suíça, EUA, Itália e Holanda. Fizemos até mesmo um especial sobre o cordel homenageando Jorge Amado com as participações muito especiais de Valdeck Almeida de Jesus e Marcelo Candido Madeira. Se a Livraria Varal do Brasil fechou seu site e suas vendas diretas pela impossibilidade de continuar com as portas abertas, assim mesmo estamos nos preparando para ir ao 27o. Salão Internacional do Livro de Genebra que ocorrerá em maio de 2013. Mais uma vez, com muita garra e muita vontade de mostrar ao mundo o que temos em nossa bela literatura. Abrimos inscrições e lá vamos nós novamente fazer a festa da literatura brasileira na Suíça. O VARAL DO BRASIL é isto: vontade de ir longe com você, de mostrar seu talento, de unir o leitor com o escritor. Nestes três anos foram vinte e oito revistas, dois livros e mais um em preparação. Foram mais de mil publicações em nossos blog e site; milhares de visitas no blog, site e página Facebook. Inegavelmente, estamos juntos! Aqui, o agradecimento sincero pela fidelidade e pelo carinho sempre demonstrado! E sigamos para mais um ano de sucesso e alegrias com os corações unidos para mostrar o melhor de nós! Jacqueline Aisenman Editora-Chefe do VARAL DO BRASIL

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ALEXANDRA MAGALHÃES ZEINER ALICE LUCONI NASSIF AMELITA SOARES AMILTON MACIEL MONTEIRO ANA ESTHER ANA ROSENROT ANAIR WEIRICH ANDRÉ V. SALES ANGELA GUERRA ANNA BACK ANTÔNIO FIDÉLIS AUDELINA MACIEIRA BETO ACIOLI CARLOS CONRADO CAROLINE BRITO CAROLINE BAPTISTA AXELSSON CESAR SOARES FARIAS CLARA MACHADO CRISTIANE STANCOVIK CRISTINA CACOSSI DANILO A. DE ATHAYDE FRAGA DEANNA RIBEIRO DHIOGO JOSÉ CAETANO DOMINGOS A. RICHIERI NUVOLARI DORA DUARTE EDIANE SOUZA

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ELIANE ACCIOLY ELOISA PORAZZA EVELYN CIESZYNSKI FABIANE RIBERO FELIPE CATTAPAN FERNANDA DE F.FERRAZ FLAVIA ASSAIFE GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA GILMA LIMONGI BATISTA GUACIRA MACIEL HERNANDES LEÃO HIPÓLITO FERRO ISABEL CRISTINA S. VARGAS IVANE LAURETE PEROTTI IVONE VEBBER JACQUELINE AISENMAN JARDEL ELIAS JOANA ROLIM JOSÉ CAMBINDA DALA JOSÉ CARLOS PAIVA BRUNO JOSÉ HILTON ROSA JUAN BARRETO JULIA REGO JUVENAL PAYAYA LÚCIA AMÉLIA BRULLHARDT LUNNA FRANK

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MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA MARCOS TOLEDO MARCOS TORRES MADDAL MARIA ANGELITA HEINZ MARIA SOCORRO MÁRIO OSNY ROSA MARIO REZENDE MERARI TAVARES NILZA ODENIR FERRO ODETE BIN OLIVEIRA CARUSO REGINA COSTA RENATA IACOVINO RODRIGO PEREIRA DOS SANTOS ROSSANDRO LAURINDO ROZELENE FURTADO DE LIMA SARAH VENTURIM LASSO SHEILA FERREIRA KUNO VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO VERA LUCIA PASSOS VINICIOUS LEAL M. DA SILVA VIVIANE SCHILLER BALAU WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS

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WILSON DE OLIVEIRA JASA YARA DARIN

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Ah! Se amar fosse fácil...
Por Amilton Maciel Monteiro

Ah! Se amar fosse fácil, minha amiga, Não haveria gente mal amada, Não teria no mundo tanta briga, Nem crianças largadas na calçada!

É que amar é bem árduo! E há até quem diga Que das fainas é a mais sacrificada, Pois, além de você se dar, fadiga Com tanta incompreensão, sem dizer nada...

Valores
Por Ana Esther

Contudo, sem amar, restam as tristezas... É até pior que a dura incompreensão, Ou o que se sofre com indelicadezas;

Valores?
Pois fomos concebidos para o amor, Que vive bem em nosso coração, Como dispôs o Sumo Criador!

Alguém os viu? Louvados sejam... Oh, não... hoje em dia Renegados são! Esquecidos, abandonados, Sumiram do coração.

Imagem: Delacorr

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Amor em fuga
Por Audelina Macieira

Vem amor! Vem amor Agora tanto faz o anseio é só para te ver Em paz e te dá o que eu tenho

Sombria alma minha maltratas este corpo que por ti chora Se vem para mim assim não quero prefiro fugir dessa agonia quando lá na escuridão interna do semblante perdão imploro por uma bebida quente para esquecer dos seus lábios para não lembrar dos seus abraços para que este alguém onde estiver que partiu e deixou para depois o infinito deste amor que solidão que dor que fazes agora o meu coração que sangra ah! quando lembro que fugiu de mim lembro também do passarinho sem ninho lembro que ao fugir de mim me deixou no chão Meu amor aceite meu perdão e vem me dê a mão A fuga não é o caminho da doce ilusão A fuga é destino de morte Para quem fica E solidão eterna para quem vai

Meu amor, que nunca vai te deixar Esse amor é nossa casa nosso lar Esse amor está em mim mas é seu Amor não fuja de mim Vem logo, e arrependa-se Vem viver o amor.

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Grito Existencial
Por Beto Acioli

Grita um silêncio em meu grão deserto Faz-me arder áridos sentimentos Passo, deveras, longos maus momentos O sofrimento faz meu mundo inquieto

O meu tormento passa-se em secreto Expilo prantos coração adentro Navalho cortes sanguinolentos Retalho a alma em perverso decreto

A fundo peno com meus desatinos Sinto o profundo gosto do veneno Morrendo aos poucos a cada segundo

Decerto seja o maldito mundo Impondo a vida pelo que devemos Ou nos expondo à sorte do destino

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VARAL DO BRASIL NO SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO DE GENEBRA 2013
O Varal do Brasil estará presente com um stand de 12m2 no prestigiado Salão Internacional do Livro de Genebra em 2013. Estão abertas quinze vagas para sessões de autógrafo e trinta e cinco vagas para exposição de livros. Todas as vagas serão preenchidas mediante a seleção de títulos e pagamento de participação cooperativa. As pessoas interessadas deverão escrever para o e-mail varaldobrasil@gmail.com mail solicitando mais informações. Adiantamos que as associadas da REBRA e os associados da LITERARTE, assim como os participantes regulares da revista VARAL DO BRASIL, receberão descontos especiais para suas participações.

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LIA E SEU MUNDO
Por Anair Weirich

Chamava-se lia... e lia - ah! se lia! Tanto lia que seu nome era apologia à leitura. E lia mesmo! lia outdoor, jornal, qualquer anúncio a esmo. Levava a literatura muito a sério. Em cada aposento da casa havia um livro sendo lido, e cada história com seu mistério. Essa era lia... e como lia!

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BOLO DE ANIVERSÁRIO
Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/c

Ingredientes . 1 1/2 xícara (chá) de manteiga . 3 1/4 xícaras (chá) de açúcar . 14 ovos . 3 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo . 1 colher (sopa) de fermento em pó . 250 g de ameixa seca . 1 3/4 de xícara (chá) de água . 8 gemas . 200 g de chocolate amargo Modo de preparo 1. Prepare a massa: bata bem a manteiga com 1 1/2 xícara (chá) de açúcar. Junte 6 ovos inteiros e bata até ficar homogêneo. 2. Acrescente a farinha peneirada com o fermento e misture. 3. Ponha numa forma de 30 cm de diâmetro untada com manteiga e asse em forno, preaquecido, até dourar. 4. Deixe esfriar e desenforme. Repita a receita mais uma vez. 5. Prepare o recheio: retire o caroço das ameixas. Cozinhe-as com 1/4 de xícara (chá) de açúcar e 3/4 de xícara (chá) de água até ficarem macias. 6. Bata as ameixas no liquidificador aos poucos. Corte os bolos e recheie. 7. Prepare a cobertura: cozinhe 1 1/2 xícara (chá) de açúcar e 1 xícara (chá) de água até obter ponto de bala dura. Bata 8 gemas. 8. Junte a calda quente e bata até esfriar. Junte o chocolate e misture. 9. Cubra o bolo e decore.

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AMIZADE SUPREMA GRAÇA DE VIVER

Por Eloisa Porazza
Amizade suprema graça de viver! Verdadeiro tesouro da caminhada, Sentimento que expressa bem querer, Transmite harmonia e felicidade também. Devemos agradecer ao poderoso escultor Pelos Amigos forjados na forja do coração. Amizade um tipo especial de carinho, Que nasce na espontaneidade do viver. Consiste na grande satisfação De, com base na sinceridade, Dizer palavras apropriadas no estender da mão, Seja qual for à situação. Amigo confessor Ouve calados os queixumes, Seca nossas lágrimas, Silencia a voz do pranto E faz-nos sorrir para um novo alvorecer Agasalho da hora certa que aquieta nosso ser, E na magia da existência, retempera o coração.

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Herdeiros *
Ana Rosenrot

Pararam de falar quando eu cheguei me olharam com desprezo como se eu não tivesse direito de estar ali, mas logo recomeçaram a remexer nos objetos, falando alto e discutindo o que caberia a quem. Se eles soubessem que a única coisa que eu queria daquela casa já não existe mais, não precisariam esconder furtivamente as coisas que encontravam. Olho ansiosamente pelos desvãos da sala, na esperança de encontrar pelo menos uma sombra do passado perdido e me deparo com o velho relógio na parede, amarelado pelo tempo, cheio de pontos de ferrugem e ainda trazendo no visor um buraco bem redondinho perto do número oito, resultado de uma pedra mal atirada, como tive medo naquele dia de que ela brigasse comigo pela falta de cuidado, desobedecendo à eterna ordem de brincar lá fora, mas ela sorriu, como sempre, com os lábios e os olhos e disse que o importante era que o relógio ainda marcava as horas, e que assim poderia se lembrar de mim toda vez que olhasse para ele, só que agora nada disso adianta. Caminho da sala para a cozinha, os olhos de todos me seguem em silêncio, vendo com velado prazer que o grande mito familiar era uma mentira, nunca entenderam que algumas pessoas nasceram para correr pelo mundo a procura de uma vida melhor, isso para eles era fuga, covardia, abandono da família; somente ela, em todos os momentos me apoiou, mostrando-se orgulhosa com o tão pouco ou quase nada que eu tinha conseguido nunca me senti tão só e miserável como agora. No corredor examino triste as portas fechadas, o que eu não daria para vê-la sair de uma delas com seu eterno sorriso, tão pequena, a alma tão grande, sempre uma palavra boa a dizer, mas tudo acabou só o que vejo e ouço são coisas sendo reviradas, roupas e lembranças jogadas no chão, a eterna busca por algo valioso; é quando eu vejo atirado ao chão por alguém que não viu nenhum valor naquilo, um pe-

queno retrato, feio, manchado, avermelhado como os retratos antigos são, ali estava aquele sorriso deslumbrante, segurando um grande bebê de bochechas vermelhas e olhos inocentes, eu; naquele momento aquilo valeu mais que todo o ouro do mundo. Corro para pegar o retrato , alguns se assustam, pensando que eu estava tentando me apoderar de algum bem de valor, como se lá existisse isso, pego o retrato e todo um mundo perdido volta a existir em minha mente, ela agora se encontra do meu lado e eu a ouço falar, com voz suave, me ensinando coisas que em nenhum lugar eu poderia aprender, enquanto penteia meus cabelos, ela me fala sobre a vida, a importância da compaixão, de como devemos ser fortes na adversidade e nunca deixar que a maldade e a ganância entrem em nosso coração; um barulho de algo quebrando me chama a atenção, vou ver e descubro que alguém havia derrubado da parede o relógio, que agora se tornou um monte de cacos, molas e engrenagens, vítimas e testemunhas da sanha familiar por lucro, o silêncio volta a reinar, como se o barulho os tivesse despertado de um pesadelo, todos param e se olham, olhares vergonhosos se cruzam pelos cantos, indo de um para o outro, como se assim pudessem ver a si mesmos e vão largando o que haviam recolhido e guardado em bolsas e sacolas, começam a juntar os pedaços do relógio, unidos como nunca foram em nenhum outro momento de suas vidas. Com o retrato nas mãos, vou deixando a casa e aquele mundo para trás, mas posso ouvir vindo da sala, que a conversa agora é amigável, risos e comentários sobre momentos felizes e velhos retratos vão ecoando pelos cantos, agora, é como se ela estivesse novamente ali e para mim ela sempre estará. A única herança que devemos guardar são as boas lembranças.

*Conto vencedor do 2º Lugar no Troféu Jacaré 2010.

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REDEMOINHO
Por Lúcia Amélia Brüllhardt

I A Vida é um redemoinho Que roda com, precisão Tendo o vento como artéria dando vida ao coração II Na roda desse moinho Eu quero me balançar Não quero ser Don Quixote Montado em seu alazão Lutou contra o moinho Pensando ser um dragão III Não perco tempo Esperando Vendo a velhice chegar Na roda desse moinho quero me balançar IV Se é verso, se é rima Repito tempo e lugar Repito que no moinho Eu quero me balançar ...

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Show Imperdível
Por Amelita Soares

“NÃO PERCAM, ÚNICA APRESENTAÇÃO DE SARITA MELO, NESTE SÁBADO NO ESPORTE CLUBE MELINENSE”.

trabalhar direito−, procurei novamente o cartaz, para ver se encontrava alguma informação, mas como choveu forte durante a semana, todos os cartazes tinham desaparecido; sem chegar a uma solução para o meu problema, resolvi ir ao show assim mesmo; quem sabe alguém desista de última hora e me venda o ingresso. No sábado, vesti meu melhor traje e fui para o Esporte Clube−esperando por um milagre−, fiquei parado na porta, observando por um longo tempo, até que um casal de namorados começou a discutir, trocar acusações e cada um foi para um lado; percebi que o rapaz, aborrecido, dirigia -se para o carro com um ingresso nas mãos; corri até ele e pedi, sem nenhum escrúpulo− pouco me importando com sua tristeza por brigar com a namorada−, que ele me vendesse seu ingresso. Ele parou, olhou-me desconfiado, deu a impressão de que iria me dizer alguma coisa, mas desistiu, pediu trezentos e cinquenta reais − que paguei sem regatear− e foi embora, com a aparência bem melhor do que antes. Realizado, transbordando de felicidade, entrei no salão e enquanto o show não começava, fiquei observando os cartazes com a foto de minha adorada Sarita, que cobria as paredes; foi então que pude ler o que dizia o restante do anúncio: “Patrocínio Prefeitura Municipal de Melina – Entrada Franca”. Fiquei tão arrasado por ter sido enganado, que não consegui nem prestar atenção no show. Saí do Esporte Clube com uma certeza: informação é tudo. Já o aluguel deste mês, tornouse uma coisa incerta.

Quando vi este cartaz colado num poste, fiquei tão eufórico, enlouquecido de felicidade que nem consegui terminar de ler, tratei de ir rapidamente a um caixa eletrônico e saquei tudo o que tinha na minha conta− o dinheiro reservado para pagar o aluguel daquele mês−, para comprar o ingresso e assistir ao show da minha vida; nunca fui muito amigo de festas, shows, nem passeios, sempre fui um homem muito caseiro, mas, por minha amada Sarita Melo− a única cantora que gostei de ouvir em toda a minha vida−, sou capaz de fazer qualquer loucura. Peguei meu carro e literalmente voei até o Esporte Clube, para comprar meu ingresso antes que se esgotassem; não consegui encontrar quem me atendesse; o clube estava deserto, mais parecia um túmulo. Comecei a ficar intrigado, será que os ingressos já tinham se esgotado? Desesperado, voltei pra casa e pesquisei na Internet por horas, na esperança de adquirir− mesmo que mais caro−, um lugar, nem que fosse na última fila, mas nada encontrei; corri até a cidade, perguntei a todo mundo, até aos cambistas, que ficavam na praça; ninguém sabia de nada; parecia que o único interessado no show era eu. Derrotado, passei a semana toda pensando num jeito de resolver o meu problema− não conseguia nem

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BOLO DA MAMÃE
(Rendimento: 25 fatias) Ingredientes: Massa - 5 ovos - 2 xícaras (chá) de açúcar - 1 xícara (chá) de leite quente - 2 xícaras (chá) de farinha de trigo - 1 colher (sobremesa) de fermento em pó Recheio - 1 lata de leite condensado - 1 lata de creme de leite - 1/2 litro de leite - 3 gemas - 3 colheres (sopa) de farinha de trigo Cobertura branca - 2 xícaras (chá) de açúcar - gotas de essência de baunilha - 3 claras Cobertura de chocolate - 3 colheres (sopa) de açúcar - 3 colheres (sopa) de chocolate em pó solúvel - 1 colher (café) de manteiga - 2 colheres (sopa) de leite Modo de Preparo: 1. Massa: bata as claras em neve, junte as gemas, o açúcar e continue a bater até obter um creme leve e fofo. Despeje aos poucos o leite e bata mais um pouco. Misture levemente a farinha peneirada com o fermento. Asse em forma redonda (28 cm de diâmetro) untada e enfarinhada, em forno quente (200ºC) por 40 minutos. 2. Recheio: bata todos os ingredientes no liquidificador. Leve ao fogo mexendo sempre até engrossar. Corte o bolo em 2 camadas e recheie com esse creme. 3. Cobertura branca: faça uma calda em ponto de voar com açúcar, 1 xícara de chá de água e as gotas de essência de baunilha. Bata as claras em neve na batedeira e vá despejando a calda fervente sobre elas, batendo até tomar consistência. Cubra a torta com uma camada bem farta. 4. Cobertura de chocolate: leve ao fogo brando uma panela com o açúcar, o chocolate em pó, a manteiga e o leite. Deixe ferver por 5 minutos, mexendo sempre. Passe a cobertura sobre a torta e com uma colher faça movimentos circulares. Sirva gelado de véspera. Fonte: livro “O Doce Brasileiro” do acervo culinário Nestlé

* Receita enviada por Valquíria Gesqui Malagoli, com foto que ilustrou o poema da foto da página anterior

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Declaração de amor
Por Angela Guerra

Harry Potter, com Rowling. Investiguei, com Miss Marple e Poirot, todos os crimes, seguindo as dicas de Agatha Christie! Marquei presença, também, na literatura de língua espanhola, com Cervantes, Borges e Llosa... No momento, me arrisco na italiana, tentando descobrir o segredo das flores, com Diffenbaugh. Só não me disseram que se tratava de uma tradução quando o encomendei... Detesto traduções! Mesmo não compreendendo tudo, só leio os originais, nos idiomas que aprendi/aprendo. Faz-se mister mencionar, também, que me deliciei com a poesia de Robert Frost e Emily Dickinson; com os poemas e o teatro, de Shakespeare... Ainda houve a pintura social, de Dickens...

E, de repente, me vi barata, pelas mãos de Kafka!... Entrei num armário, com Lewis, para descobrir outras Terras, cheias de mistérios... Vivi aventuras incríveis, com Tolkien, em busca de um anel, para salvar o mundo... Depois, me perdi em Avalon, na magia de Bradley, em meio às brumas... Em seguida, me apaixonei pelo vampiro romântico, de Meyer, e me encantei com os Anjos e Demônios, de Brown... Acho que fui a única, no meu curso de Letras (Português-Inglês – porque você deve estar estranhando todos os meus exemplos, de literatura estrangeira...), a ser perseguida por Moby Dick, do início ao final da saga, com Hemingway... Viajei (nos dois sentidos – metafórico e virtual), com Bryson, nos seus relatos das diferenças culturais experimentadas por ele nos EUA e na Inglaterra... Sofri horrores de violência em A filha do General, cujo autor não me recordo, e me desesperei no Afeganistão, na pele daquele pobre menino, com Hosseini... Mais tarde, escrevi minhas memórias de Geisha, com Golden, e lutei contra Voldemort, desde o início de

Todavia, a memória me falha, certamente, pois me lembro de muitas horas mais, esquecidas, em colóquio amoroso com alguma obra...

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Meu Deus, como pude me esquecer de Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco, com que me maravilhei, na Faculdade! Propositalmente, não menciono autores brasileiros porque foram muitos, mas, em sua grande maioria, leitura indicada por algum professor, para realizar algum trabalho... Sempre faço questão de ler o livro antes de assistir ao filme, pois, apesar da capacidade criativa e tecnológica das equipes de efeitos especiais, não há nada tão imbatível como a nossa imaginação, que fica limitada pelo que se vê na tela, caso se inverta a ordem.... A saudável convivência da TV e do computador (e seus desdobramentos), com o rádio, mais antigo, nos assegura que o advento do E-book não nos forçará a abdicar do livro de papel, cujo manuseio nos proporciona tanto prazer, no virar de cada página, na colocação de nosso marcador predileto, demarcando os limites do que já foi lido, no inalar de seu cheirinho característico... Para não falar da felicidade suprema de poder selecioná-lo, entre muitos a reler, na prateleira de nossa própria biblioteca doméstica... Com que amor vamos comprando, um a um, e enfileirando-os na estante; não arrumados militarmente, por área de conhecimento, como nas bibliotecas maiores, mas por tamanho, cor etc – à vontade do freguês... Muitas pessoas são acusadas de não devolver os livros tomados emprestados, e, por isso, talvez, se tenha cunhado o dito: “Livro é como escova de dentes: de uso pessoal e intransferível!” Mas como é gratificante estimular no outro o gostinho pela leitura!

Como fazê-lo, se não, emprestando-lhe aquele ma-ra-vi-lho-so livro, que acabamos de ler, ou reler?!...

Livro de Angela Guerra

ESPECIAL NATAL E ANO NOVO PARA DEZEMBRO

A revista Varal convida você para falar de amor, de paz, de tudo o que se possa desejar na época natalina e esperar para o 2013 que se aproxima. Traga sua mensagem na forma que melhor encontrar! Pensamentos, trovas, haicais, poemas, crônicas, contos, minicontos... Ou outra forma ainda que houver ou mesmo que você inventar! Vamos passar juntos o Natal e o Ano Novo! varaldobrasil@gmail.com

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Infância Esperança
Os irmãos, amigos e cúmplices! Por Anna Back As peraltices eram sempre coletivas. Brincávamos soltos, aos saltos, Minha infância há tanto vivida, Traz à boca sabores diversos, contidos. Gosto de saudade, de doces, pastel, suspiro. Do frescor das frutas, do pé, na hora, colhidas. Carinho de avós, e o gosto de algo que lembro, Mas que não sei o nome, nem se existe... Enfim, sentimentos variados, sonhados, vividos! Todavia, com tanto regalo, Queria eu viver na cidade! Apesar da mesa farta, sortida, Pois quase tudo se fazia em casa. Goiabada, queijos, marmelada, Biscoitos, nata, requeijão... As descobertas do começo da vida. Vida em broto, desabrochando, só. Os causos dos mais velhos, vivências. E lá a encontro, no baú da saudade, De coque de grampos, óculos e avental... Meu anjo em forma de avó. Queria ler mais, ser professora! Ter luz em casa, água encanada, Cor nas paredes, cama com véu. Tantos sonhos para uma criança! Meus pais amados, heróis guerreiros, Contra a pobreza, sempre lutaram. Pensando nos filhos, e nunca em si Mangas arregaçadas, olhar no horizonte. Os vi trabalhar muito, chorar e sorrir. Com orgulho no peito, a quem quis, Os filhos formaram! Conhecer o mar, passear nas ruas... De uma infância pobre em bens, Guardo as melhores recordações. Das coisas e das pessoas simples. Um nome para ela? Posso chamá-la de Esperança! Sentia falta, mais do que pão, Queria conforto, apesar da idade! Balanço na árvore, pra lá, pra cá! Vida no sítio, pomar ao lado, Bichos, flores, crianças e frutas. Vida impregnada de natureza, Parece perfeita, melhor não há.

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A quarta neta

_ Não se bate assim no irmão, Carolina!

A menina ficou mais vermelha que o tapa na bochecha do irmão, e sentida com a vovó: Por Eliane Accioly “Ela protege o Guilherme! Gosta mais dele que de mim! Não zangou dele me arrastar.” Quase chorou, mas no lugar das lágrimas Era uma vez a Carolina, uma menina de sete fechou o rosto, que ficou mais redondo. A boca de Carolina se abriu naquele rosto cor anos. de rosa e redondo, e falou para a vovó: Xereta. Perguntadeira. Desconfiada. Ciumenta. Taurina e loira. Cabeçuda, brava. Neta de alemães pelo lado paterno. E pelo materno, mineirinha de seiscentos anos. Uma mistureba. Carolina gosta muito da vovó Eliane, mas acha que para a vovó mineira, ela é só a quarta neta, “Que mico ser a quarta neta!”, “Não sou mocinha como a Ana Luiza, nasci depois do Gianluca e do Guilherme, e nem sou a caçula, como a Amanda”, pensa. As coisas que Carolina mais detesta são: _Você não manda em mim. Só a minha mãe! Vovó ficou impertinente: _ Avó também educa, Carolina! E querendo ser engraçadinha, vovó continuou: _ E quando a neta vê a vó educar diz: “Obrigada, vovó”.

Carolina sentiu que era um balão e teve medo de estourar e virar pedaços de borracha. Não um balão cheio de gás, um balão cheio de ira por causa da vovó. Até esqueceu o desaforo de ser puxada pelo Guilherme na frente dos colegas. De novo a boca se abre 1- Ser a quarta neta, nem a mais velha, nem no rosto redondo e diz: a caçula. _ Não vou agradecer, vovó! Sou diferente de 2- Quando o irmão, o Guilherme, um ano e toda criança! Não quero mais ir para a casa sete meses mais velho bate nela. da vovó. 3- E quando o Guilherme a arrasta e puxa pela roupa no corredor da escola, na frente dos colegas! Uma vergonha! Mas, Carolina foi para a casa da vovó. Era Por conta de uma arrastada Carolina deu um sexta feira, o dia de vovó pegar Carolina e o tapa merecido e estalado na cara do Guilher- Guilherme no colégio. Passam pelo Super me. O tapa fez plaft, e ficou grudado na bo- Mercado e compram salada. Carolina de brachecha dele, escorrido, um tomate esborra- ços cruzados finge que nem tem avó, mas chado. Vovó Eliane não viu Guilherme arras- anda atrás dela, com medo de ficar perdida. tar a Carolina, só viu o tapa estampar a cara Já ouviu contar de criança perdida, e acha do neto, e desenhar um mapa, ouviu o plaft! uma coisa muito triste. Suspira: “Vida de criança é difícil!” Chegam à casa dos avós. CaE chiou: rolina sente o cheiro de pastel.

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Ainda está zangada, mas, o cheirinho de pastel... A menina come um monte de pastel _ Não, meu amor. Agora cresci e tenho uma de queijo, os que gosta. Vovó pede para neta chamada Carolina, estou com ela aqui

Néia fritar tantos quantos a neta quiser. Para no meu colo. o Guilherme tem pastel de carne. Carolina pensa que inventou gostar de pastel de quei- _ Vovó, você viu o Guilherme me arrastar no jo, porque precisa ser diferente do Guilherme. “Graças a Deus a vovó agrada nós dois”, pensa a pequena mastigando um pastel cro- _ Não vi. Foi por isso que você deu o tapa cante. Estão na mesa quatro pessoas, dois adultos, vovó e vovô, e duas crianças, Carolina e o Guilherme. A raiva fica amarrada ao pé da mesa. Carolina está feliz de não ter explodido como um balão. Continua inteira. Toma sorvete de sobremesa e considera, “Quem sabe a quarta neta também tem lugar no coração da vovó?”. Mas, nesse pedaço Carolina fica muito triste, e começa a chorar de soluçar. Vovó senta a neta no colo e pergunta o que está acontecendo: Diz Carolina, ainda sentada no colo da vovó. Vovó levanta de mãos dadas com ela. Vão para o sofá, e quando a quarta neta vê, vovó _ É por causa da vovó que você chora? Eliane está contando uma história: _ Desculpo, vovó. _ Então, peço desculpas. Você me desculpa, Carolina? _ Foi. nele? Porque ele arrastou você? colégio?

_ Não, vovó, é por causa da mamãe e do pa- “Era uma vez a Carolina, uma menina de sepai. Mamãe viaja muito. Está na Venezuela e te anos: só volta amanhã. Papai viaja muito, está em Brasília, e volta hoje de noite. Eu fico muito triste e tenho pesadelo. Xereta. Perguntadeira. Desconfiada. Ciumenta”. _ Ah! A vovó entende você porque já fui criança, também ficava triste quando meus pais É a história que Carolina acaba de viver. A saiam de noite e eu ficava em casa. Me lem- menina se aconchega na avó e pensa: bro até hoje, vejo agora quando você fala dos seus pais, é como eu me sentia. “Essa minha avó! Sei não!!!!!!!!!!!!”

_ Você quer ficar perto dos seus pais, vovó?

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AMOR
Por Caroline Baptista Axelsson

Um ícone de paixão que está de cara por ar Como vaga-lume, acende e apaga, acende e apaga As vezes pode ser visto, as vezes não O medo de perder encolhe a alma Mas o corpo erguido se entrega Pisando em terra firme batida por rodas, sapatos e passos É simplesmente desejo conservado em lata e sem cheiro de nada

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Poeta
Por Renata Iacovino

Ainda bem que recrio Cada personagem dentro de mim Pois só assim sobrevivo Ao verdadeiro que grita Em meus escombros E suaviza minha passagem Nessa incógnita estrada De mudez assustada.

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O VARAL DO BRASIL estará presente com um stand de 12m2 no prestigiado Salão Internacional do Livro de Genebra de 1º a 5 de maio de 2013. Estão abertas quinze vagas para sessões de autógrafo e trinta e cinco vagas para exposição de livros. Todas as vagas serão preenchidas mediante pagamento de participação cooperativa. As pessoas interessadas deverão escrever para o e-mail varaldobrasil@gmail.com solicitando mais informações. Adiantamos que as associadas da REBRA e os associados da LITERARTE, assim como os participantes regulares da revista VARAL DO BRASIL, receberão descontos especiais para suas participações.

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FINITUDE
Por Julia Rego

saborear este fascinante e paradoxal sentimento... Numa sofreguidão há muito não experimentada, entregava meu corpo, despindo-me languidamente diante do meu algoz. Mas as horas, os minutos, os segundos corriam desesperadamente como a querer apagar as sensações, o gosto e o cheiro do amor impregnados no meu ser. Despertei de susto, ou de medo, e quando olhei para dentro de mim ele já caminhava, longe, sem sequer olhar para trás, sem culpa, sem dor e sem lágrimas, por uma desconhecida estrada que insiste em levar embora os nossos amores. Senti o dia acordar rapidamente, sem que o meu coração pudesse planejar uma fuga. Eu não entendia que tudo deveria permanecer na fugacidade que insiste em tudo arrastar, sem deixar marcas, e sofri! A luz matinal já ofuscava o brilho dos olhos, anunciando uma jornada angustiante de descobertas e perdas. Por que sempre teria que acabar assim... Ocorreu-me que nada foi tacitamente ajustado. Quem disse que as mãos ficariam entrelaçadas para sempre, quem disse que os lábios deveriam estar sempre vermelhos e molhados, prontos para obedecer a um só chamado... Um único e aprisionador chamado... Comecei a entender tudo muito tarde... Apenas quando a estrada que o levou embora acenou, sorrindo, para mim.

Comecei a entender tudo muito tarde. Estávamos no meio da madrugada a olhar o silêncio que vinha da rua deserta, enquanto transbordávamos o ápice extravasado. Ninguém a nos espreitar, só o vento frio do final de agosto acariciava nossos ouvidos, fazendo-nos despertar das nossas divagações. Como pude entregar-me mais uma vez... Ainda me recordo daquelas palavras doces, invadindo e entorpecendo todo o meu ser, ao tempo em que me envolvia numa aura amorosa deliciosamente cálida. Ao fundo, as notas de uma arrebatadora canção arrastavam-nos para os encantos do amor, fazendo-nos acreditar que o universo, naquele momento, deixaria de girar e, cúmplice, aplaudiria o encontro de dois seres apaixonados. É incrível como a música tem o mágico poder de transformar alguns encontros em histórias únicas e inesquecíveis. A bebida nos inebriava, despertando nossos desejos mais recônditos num misto de torpor e prazer. Calma e surpreendentemente começamos a dançar num ritmo suave e frenético como se quiséssemos seduzir a nós mesmos. Não falávamos nada naquele momento, não precisava, os olhos e as batidas do coração falavam por nós. Corpos colados pelo suor que se desprendia dos nossos poros completavam o diálogo improvisado do amor. Estava apaixonada e não sabia. E não queria. Mas o que seria a vida sem paixão? O que seria de nós se passássemos pela vida sem

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Não aguentamos mais!!
Por Marcelo de Oliveira Souza Não aguento mais! Tiro na esquina Ferindo o rapaz, A noite se ilumina O clarão da chacina Morre uma menina Chuva e choro De dia... À noite tudo se repete Nada mais prevalece A bala come o rosto, Rosto sofrido de dor Caído na vala, no esgoto Muita dor e agonia... Ninguém sabe ninguém viu O estouro da bomba deflagrada, Num flagrante da rapaziada Não tem festa, não tem nada O couro come na madrugada Choro, morte e mais nada... E mais um corpo despejado No quintal da estrada. Não aguento mais Drama, grito e desespero Tudo pelo dinheiro O povo precisa de PAZ No cemitério o povo Jaz... Sofrimento, ferida, rapaz Não aguento mais Não aguentamos mais! Som

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AMOR SEM LIMITE
Por Lunna Frank

Ao tocar seu amor A flor linda nasceu no jardim Começou a desabrochar Quando inesperadamente Foi colhida com tanto carinho Tamanho era o seu amor O milagre aconteceu Teve vida e calor . E o pássaro feliz Não parava de cantar Voando de flor em flor Para seu néctar saborear . Hoje o pássaro e a flor estão juntinhos Num campo de jardins floridos Provando a todos Que a vida só tem sentido com amor . Quem tem uma só flor no jardim Nunca pense que chegou ao fim Comete um ledo engano O pássaro e a flor Hoje vivem juntinhos livres Cultuando as belezas naturais do amor e da vida

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BOLO DE ANIVERSÁRIO COM DOIS RECHEIOS

batedeira e adicione o leite. Desligue e adicione a farinha, as castanhas moídas e o fermento e misture delicadamente. Despeje em forma redonda (28cm de diâmetro), untada e polvilhada. Leve ao forno médio-alto (200° preaquecido, por cerca de 30 miC), nutos. Retire do forno e espere amornar. Reserve. 1º recheio: Recheio de Chocolate: Em uma tigela, aqueça o Creme de Leite NESTLÉ® em banho-maria e misture o Chocolate picado. Mexa até formar um creme homogêneo. Reserve. 2º recheio: Recheio de Baba de Moça: Em uma panela, misture o LEITE MOÇA® com o leite decoco e as gemas e leve ao fogo baixo, mexendo sempre. Assim que ferver cozinhe por cerca de 1 minuto, para engrossar. Retire do fogo e espere esfriar. Reserve. Cobertura: Em uma panela, misture o açúcar com meia xícara (chá) de água e leve para ferver, sem mexer, até obter uma calda em ponto de fio. Enquanto a calda se forma, bata as claras em neve. Não desligue a batedeira e despeje a calda em fio quando estiver no ponto. Bata até que a tigela da batedeira esfrie. Montagem: Desenforme e corte o bolo em três partes iguais. Sobre uma das partes, espalhe o recheio de Chocolate e cubra com a outra parte da massa. Espalhe o recheio de baba de Moça e cubra com a ultima parte da massa. Espalhe o marshmallow sobre todo o bolo e cubra com castanha-do-Pará moída. Dica: Decore com morangos ou frutas vermelhas e hortelã.

INGREDIENTES Massa 8 ovos 1 xícara (chá) de açúcar 1 xícara (chá) de leite 2 xícaras (chá) de farinha de trigo 1 xícara (chá) de castanha-do-pará moída 1 colher (sopa) de fermento químico em pó manteiga para untar farinha de trigo para polvilhar 1º recheio 1 lata de Creme de leite Nesté 1 tablete de chocolate meio amargo 2º recheio 1 lata de Leite moça 1 vidro de leite de coco (200ml) 4 gemas Cobertura 4 claras 1 xícara (chá) de açúcar castanha-do-pará moída, para decorar Modo de Preparo

MASSA: Em uma batedeira, bata os ovos até dobrarem de volume. Adicione o açúcar e bata mais um pouco. Diminua a velocidade da

Fonte: http://www.nestle.com.br

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Livro
Por José Hilton Rosa

Às vezes penso Às vezes leio Às vezes procuro Às vezes relembro Às vezes deixo para depois Às vezes procuro na estante Às vezes leio o que está sobre a mesa Tanto tenho para ler Um livro me leva às vezes, para onde nunca estive O livro me ensina Com letras diferenciadas nas suas formas Uma imagem nos deixa sem ter nenhuma figura O livro é a arte de aproximar as pessoas O livro é o sinônimo do saber, de ser educado O livro em qualquer lugar em que esteja, desperta-me o desejo de conhecê-lo

Na foto, o autor com um de seus livros

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Meus Mestres e eu

Por Alexandra Magalhães Zeiner

Em um dos momentos mais difíceis da minha vida, tive a benção de conhecer meus mestres de yoga. Um casal de yogis e Sanyasis, ou seja, pessoas que abriram mão de tudo na vida para se dedicar a pratica da yoga. Mathaji (pronúncia Matagi) e Swameji (pronúncia Suamegi), seguiam os ensinamentos de Swami Satyananda Saraswati. Meu mestre aprendeu tudo diretamente com o Swami Satyananda Saraswati, iniciador da Escola Bihar de Yoga, que possui centros no mundo inteiro. Mathaji era responsável pelas lições de yoga. Sua mensagem foi clara desde nosso primeiro encontro em 2010, a prática da yoga serviria como uma ferramenta, a cura viria através da disciplina e fé que existia em cada um. O amor e a simplicidade emanada deles me inspiraram profundamente desde o primeiro momento. Os ensinamentos desta ciência milenar continuam a guiar pessoas, no mundo inteiro, desde sua difusão. Passados dois anos desde o inicio da minha prática diária ensinada pacientemente por Mathaji, recebi a noticia que eles retornariam a Europa, para dar continuidade ao trabalho iniciado no inicio do ano 2000. A coordenadora responsável por eles na Áustria me convidou para junto a ela organizar eventos na Alemanha, pois tínhamos mudado de Viena para Sul da Alemanha. Quando olho para trás vejo claramente o quanto os ensinamentos dos meus mestres se tornaram parte essencial da minha vida. Aceitei o convite e propus a eles que se hospedassem no nosso apartamento em Viena, onde eu os acompanharia na semana que estivessem atendendo novos e antigos alunos. No aeroporto de Viena a organizadora estava bastante nervosa e me perguntava a cada instante como eu conseguia manter a calma. Eu disse apenas que minha felicidade era maior que o nervosismo. A viagem de Bangalore (Sul da Índia) até Viena foi longa, mesmo assim eles chegaram bem-dispostos para a idade avançada(ele já passava dos 80 e ela beirando os 80).

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A semana seguinte foi intensa para todos nós. Eles mal tiveram tempo de descansar e já tinham uma agenda cheia durante o dia inteiro. Eu fazia minha parte, preparando refeições, roupas e fazendo o trabalho diário no apartamento. A convivência foi maravilhosa, como uma reunião de família. Notando a recuperação lenta dos dois, depois da longa jornada, resolvi conversar com a organizadora local para adiar a próxima viagem para o interior da Áustria. Na minha opinião eles deveriam ficar em Viena por mais uma semana. Infelizmente ela não entendeu meu ponto de vista e foi brusca, não havia opção neste caso, e frisou que eu seria responsável quando eles estivessem na Alemanha. Como ela organizou tudo anteriormente, resolvi aceitar a situação e manter certa distância. No entanto, sentia no peito algo estranho, que não conseguia explicar. Decidi conversar com eles e tentei colocar em palavras a minha preocupação e meus sentimentos sobre a viagem. Mathaji me respondeu: -« Não se preocupe, já sabemos, nos adaptaremos, faz parte da nossa missão ». Meu marido, sempre apaziguador, me pediu para ter paciência, brincando com meus mestres, sugerindo horas extras no programa de yoga que eu seguia. Mas como eu poderia negar aquele sentimento no peito? Só me restava insistir com eles, caso algo aconteça, no sul da Áustria, eles poderiam voltar ao apartamento de Viena ou ir para o sul da Alemanha. A viagem até o povoado distante próximo as montanhas, foi longa, mas impressionante pela beleza das paisagens da região. Mathaji sempre ao meu lado, conversando alegremente sobre todas viagens feitas por este mundo, sempre levando os ensinamentos da yoga para gente de todas as idades e crenças. Foi com o coração pesado que nos despedimos. Não gostei do lugar nem da casa alugada pela coordenadora, consegui a muito custo evitar um conflito maior e tentei me comportar na presença dos meus mestres. Eles sabiam dos meus sentimentos e afagaram meus cabelos carinhosamente. Chorei, me ajoelhei e confessei: eu os amava de cora-

ção. Meu marido e meu filho também repetiram as mesmas palavras. Esta foi a última vez que vi Mathaji. As semanas seguintes foram um pesadelo para todos nós. Depois de duas semanas Swameji adoeceu e foi hospitalizado. Mathaji ficou no pequeno hospital com ele, mas segundo o próprio Swameji me revelaria depois, parou de se alimentar. Entrou em coma e foi transferida para um hospital maior em Salzburg, onde faleceu uma semana depois. Enquanto Mathaji estava em coma, Swameji foi liberado do pequeno hospital e fomos buscá-lo pessoalmente porque a coordenadora da Áustria não tinha nervos para lidar com a situação. Ele passou muito mal durante a viagem, preocupados telefonamos com urgência para nosso medico, que ficou estarrecido com tudo que ouviu e viu ao examiná-lo. Ele foi imediatamente hospitalizado na nossa cidade, e mesmo contra sua vontade sobreviveu. Depois ele me confessou já saber da partida de Mathaji dias antes, quando ela se despediu dele durante uma meditação. Graças a contatos do meu marido, um jatinho ambulância o levou de volta para Bangalore, onde está se recuperando desde então… Mathaji estará sempre presente no nosso coração, eu já a reencontrei em sonhos… Meu filho de seis aninhos me pediu para parar de chorar porque ela já está no céu.

Agradeço a oportunidade de registrar minha experiência neste Varal Mágico, canal de expressão para todos, especialmente para os brasileiros residentes no exterior. Obrigada Jacqueline!

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Vozes
Por Felipe Cattapan A voz distante de um amigo de infância me atinge metálica por telefone: monofônica divaga... polifônica evoca... uma vaga península itálica na nostalgia de uma Antiguidade esquecida... onde a poesia só era lida quando declamada cantada exaltada - em voz alta vivenciada.

repetimos aos espelhos as crenças que já perdemos nas teses em que nos perdemos; sufocamos em pigarros os derradeiros desejos dos últimos suspiros soluçados com lirismo na fumaça do romantismo dos cigarros pós-modernos; evocamos paixões contidas e distorcidas em velhas gravações de canções antigas

relembrando em solitária litania - em uma desbotada boemia que algo de saudoso se perdeu, que a melodia da nossa voz

O passar dos séculos nos decantou... amadurecidos, emudecemos: a necrose do tempo nos sedando, nos silenciou - (o que algum dia foi canção hoje é abstração ou mania).

desapareceu ao desencantarmos a poesia...

- “O mio bambino caro”, “Ne me quitte pas”!...

Afônicos sem som nem saudade sem ritmo nem timbre proclamamos a liberdade vociferando-a em versos livres: cantamos sem vibrato as vibrantes aventuras que não vivemos e todas as outras que jamais ousaremos;

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Como é o meu amor

Por Maddal

Te amo tanto tanto tanto... Como amar mais? Tu és meu ideal companheiro. Cúmplice em todos assuntos. Meu apoio. Olhas nos meus olhos mergulhas no meu ser e funde-se comigo nas profundezas do viver. Amo-te de qualquer jeito sem condição sem porem sem medida. Ah, meu amor cara metade... som que embala minha alegria poesia que me fala ao coração imagem que busco ver em toda parte. Onde anda você?

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MUSA

Por Hernandes Leão Lá estava ela... como no sonho; estava maravilhosa! Era simplesmente, um exemplar único, de uma beleza estonteante Uma mulher inigualável, de uma aparência magnífica e frondosa Que encantava, e nos fascinava; com um mero olhar exuberante Como poderia ela, ostentar tanta magnitude e perfeccionismo de beleza? Seu rosto, com aquela tez alva, e olhos cor de esmeralda; me enfeitiçava Sua boca, exibia lábios carnudos e sensuais; ao observá-la, ficava excitado com certeza Vê-la pessoalmente, concretiza o sonho, e me deixa a comprovação, do que imaginava Seu corpo, era um misto de formosura e volúpia em pessoa; exalava um perfume suave e doce Sua voz, transparecia uma música angelical de melodia inconfundível; um canto de sereia... Que deixava-nos atônitos, prendendo nosso olhar àquela Dama encantadora e precoce Até aquele momento, não divisava o futuro, deixava o barco à deriva; mas agora tinha uma eclusa Passado a entropia, que deixava meu coração em ebulição de energia Pensei e percebi; que doravante, eu não poderia mais viver sem minha Musa...

Poesia contida no livro: PAPIROS D'ALMA E OS PERGAMINHOS DO TEMPO – em homenagem à sua esposa.

Imagem: normal_©Jessica_Galbreth_FairyOfInspiration_Fairy_visions

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Raízes
Por Maria Socorro Semelhante éden, efêmero desumano Segreda malícia nos olhos espiral encanto Premissa bela à sombra seduz tanto Amor flutuante de complexo engano Drama de raízes oculta a grandeza Dama graciosa cálice do meu pecado Permite sagaz antídoto amado Almíscar as veias vício de sútil fraqueza Súdito ao fascínio a beleza da alma Prélio desejo oprime lábios nativo Aflige esvairado olhar que tua boca acalma Divina raízes a ti sou cativo Põe-me à prova... Sou plágio n"alma Amo-te em delírio meu amor sedativo.

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EMOÇÕES

Por Mário Rezende

Sentir emoção é chorar uma falta, dar a volta por cima e se achar. Sentir emoção é cantar uma vitória, é festejar uma glória. Sentir emoção é um chute na bola, é o grito de gol. Sentir emoção é corar de vergonha por deslize inesperado. É olhar nos olhos de alguém e encontrar os teus. É receber a criança que chega e se despedir de quem vai. Sentir emoção é olhar ao redor e encontrar todo mundo; é amar o filho, o pai, a mãe, o irmão, o cônjuge, o amigo. Sentir emoção é amar o que ainda não nasceu e também o que já morreu. Sentir emoção é ter amor no coração. Sentir emoção é ganhar e perder. Sentir emoção é dar topada, é cantar no chuveiro. Sentir emoção é puxar o peixe que vem na linha, é comer a toda hora, é não ter o que comer. Sentir emoção é ver o sol que brilha, é brilhar sem ver o sol. Sentir emoção é observar a chuva que chora, é ter o universo aqui, ao alcance das mãos. Sentir emoção é despertar de um sonho, é namorar, brigar, separar e reatar. Sentir emoção é pisar na grama,

saltar e cair rolando de rir. Sentir emoção é viver com pouco dinheiro e ter despesa de sobra. Sentir emoção é dar leão quando jogou na cobra. Sentir emoção é botar pra fora, xingar, gritar, gargalhar e aplaudir. Sentir emoção é engolir, calar, pensar e chorar. Sentir emoção é chegar ao orgasmo. Sentir emoção é tudo aquilo enfim, que mexe, assim, de repente, com o ânimo da gente.

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INTROSPECÇÃO

Por Guacira Maciel

Sou eu quem em mim mesma habita sou quem arde em abissais limites quem transita em meus mistérios mergulhada sou quem me planta, rega e colhe sou quem por desígnio ou desdita sob a superfície trilha labirintos sou quem perdida e sem certezas busca e se agarra à cálida orvalhada sou o som e a escuta das pegadas na pálida luz da madrugada sou quem iça velas como asas frágeis de cristal de porto em porto pairo entre os adeuses em busca da tepidez nômade da esperança mas sou quem me convence e surpreende a mim me reinventa e acende sou quem espanta o tédio das sombras sobre março quem como a lagarta lenta, voraz, silenciosa devora e regurgita aquele amor vencido sou quem se envolve nas dobras frias do cetim ardendo lentamente em fogo brando quem me vela à pálida tez da lua pelo acalanto da noite embalada em frio e solitário abrigo sou quem reacende a própria chama...

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REGULAMENTO VARAL ANTOLÓGICO 3
DA SELEÇÃO E DA PARTICIPAÇÃO 1.1. O Varal Antológico é promovido pelo VARAL DO BRASIL ®, revista literária eletrônica realizada na Suíça (ISSN 1664-5243). 1.2 Serão consideradas abertas as inscrições a partir de 20 de julho até 20 de dezembro de 2012. Caso o número de participantes ideal seja atingido, as inscrições poderão ser encerradas mais cedo. 1.3. Poderão participar da antologia todas as pessoas físicas maiores de 18 anos, ou menores com permissão do responsável, de qualquer nacionalidade ou residentes em qualquer país, desde que escrevam na língua portuguesa. 1.4. A coletânea terá tema livre e será composta por diversos gêneros literários, o escritor podendo enviar contos, poemas, trovas, haicais, sonetos e crônicas ou outros.

portuguesa, com tema livre, em formato A4, espaços de 1,5, fonte Times New Roman de tamanho 12 e que não ultrapassem quatro páginas. Os textos deverão vir acompanhados dos dados de inscrição (ver abaixo).

2.2. Não serão aceitos textos que pertençam ao universo de personagens já existentes criados por outro autor. Também não serão aceitos textos politica ou religiosamente tendenciosos, que expressem conteúdo racista, preconceituoso, que façam propaganda política ou contenham intolerância religiosa de culto ou ainda possuam caráter pornográfico. Também não serão aceitos textos que possam causar danos a terceiros ou que divulguem produtos ou serviços alheios. 2.3 Os textos não deverão ter ilustrações ou gráficos 2.4 Serão recusados os textos que não vierem na formatação requisitada, assim como os textos que chegarem colados no corpo do e-mail. 2.5. Os textos recebidos serão examinados por uma banca formada pela equipe do VARAL DO BRASIL ® e alguns escritores e/ou críticos convidados. A avaliação se dará com base nos seguintes critérios: criatividade e originalidade do texto, assim como a qualidade do mesmo.

DA ACEITAÇÃO DOS TEXTOS 2.1. Serão aceitos textos em língua

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2.6 Os textos deverão vir acompanhados de uma pequena biografia. A biografia, escrita na terceira pessoa, deverá conter no máximo cinco linhas (A5, letra Times New Roman 12, espaço 1.5). Lembre-se sempre que numa biografia, como em muito na vida, menos é mais. 2.7. Os textos devidamente formatados deverão ser enviados para o e-mail: varaldobrasil@gmail.com, juntamente com os dados de inscrição e demais documentos de autorização. 2.8. Ao se inscrever na Antologia o autor autoriza automaticamente a veiculação de seu texto, sem ônus para a revista VARAL DO BRASIL ® nos meios de comunicação existentes ou que possam existir com a intenção de divulgar a antologia.

de acordo com as regras estabelecidas neste regulamento, fornecer o formulário anexo preenchido. 3.3. Só serão aceitas inscrições através dos procedimentos previstos neste regulamento. Os dados fornecidos pelos participantes, no momento das inscrições, deverão estar corretos, claros e precisos. É de total responsabilidade dos participantes a veracidade dos dados fornecidos à organização da Antologia. 3.4. Todo autor é proprietário dos direitos autorais dos textos por ele enviados para publicação no livro e cuja autoria seja comprovada pela declaração enviada; 3.5. Em caso de fraude comprovada, o texto será excluído automaticamente da antologia. Cada autor responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao direito autoral. 3.6 Todo autor é livre para divulgar, preparar lançamentos, noites de autógrafos, individuais ou em conjunto, do livro VARAL ANTOLÓGICO 3, desde que se responsabilize por todas as despesas - preparativos para lançamento, custos administrativos e convites, compra de exemplares a mais do que os recebidos pela participação – pertencendo também ao participante o valor das vendas dos livros em questão. Para tanto, o participante apenas deverá entrar em contato com a revista através do e-mail varaldobrasil@gmail.com para que o número de exemplares lhe seja enviado mediante pagamento (preço da editora / remessa), notando-se aqui a antecedência requerida. O VARAL DO BRASIL® reserva-se o direito de estar ou não presente nos lançamentos organizados pelo autor.

3) SOBRE AS INSCRIÇÕES PARA A SELEÇÃO: 3.1. As inscrições para a Antologia serão abertas no dia 20 de julho 2012 e encerradas no dia 20 de dezembro de 2012, podendo ser encerradas antes, caso o número de textos recebidos e avaliados sejam aprovados antes da data, no formato e padrão já descritos. O livro será publicado em 2013. As inscrições só poderão ser feitas pelo email varaldobrasil@gmail.com OS NOMES DOS SELECIONADOS SERÃO DIVULGADOS: A PRIMEIRA PARTE NO DIA 20 DE SETEMBRO DE 2012 E A SEGUNDA PARTE NO DIA 10 DE JANEIRO DE 2013 POR EMAIL. 3.2. Para participar os candidatos deverão, além de enviar um ou mais textos

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3.7. Os participantes concordam em autorizar, pelo tempo que durar a antologia com a editora, que a organização faça uso do seu texto, suas imagens, som da voz e nomes em mídias impressas ou eletrônicas para divulgação da Antologia, sem nenhum ônus para os organizadores, e para benefício da maior visibilidade da obra e seu alcance junto ao leitor.

autor. 4.4. O pagamento parcial do valor cooperativo não dá direito à participação no livro. Caso o autor não termine o pagamento acordado, será substituído por outro participante e comunicado através de e-mail. 4.5. No dia 27 de fevereiro de 2013 considerar-se-á o livro fechado. 4.6. O (s) depósito (s) deverá (ão) ser feito (s) em nome de: Informações no e -mail: varaldobrasil@gmail.com

4)

DO PAGAMENTO PELO SISTEMA DE COTAS

4.1. A participação se dará no sistema de cotas, sendo que cada autor deverá proceder ao pagamento da seguinte forma: (a) Cada autor pagará o valor de R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) que podem ser pagos à vista ou (b) em duas parcelas de R$ 290,00, sendo o primeiro pagamento até 31 de janeiro de 2013 e o segundo e último pagamento até 25 de fevereiro de 2012. (c) O pagamento deverá ser feito no caso do autor receber comunicação comprovando a aprovação do (s) seu (s) texto (s) 4.2. A cada depósito o comprovante deve ser enviado para o e-mail varaldobrasil@gmail.com 4.3. O recebimento do pagamento total dá ao autor a garantia de sua participação na coletânea. O não recebimento de nenhuma parcela até o dia 27 de fevereiro de 2013 anula a participação do

4.7. Não haverá prorrogação dos prazos de depósito em respeito a todos os participantes selecionados. Pequenos atrasos podem ser considerados desde que avisados através do e-mail varaldobrasil@gmail.com e em acordo com a equipe organizadora. 4.8. Os participantes receberão um total de 10 exemplares da Antologia por participação. O livro terá aproximadamente 250 páginas no formato padrão (14 x 21 cm) Capa nas medidas 14 x 21 cm fechado; Laminação BOPP Fosca (Frente); Capa em Supremo 250g/m² com 4 x 0 cores; Miolo Fechado em Pólen Soft 80g/m² com 1 x 1 cores Os serviços prestados serão de editoração completa: Leitura e seleção Revisão Projeto gráfico criação de capa ISBN e ficha cartográfica impressão 4.9. A presente antologia será editada pela Design Editora com o selo editorial Varal do Brasil, será registrada e receberá ISBN , mas cada autor é responsável por registrar suas obras.

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4.10. A remessa dos exemplares para o endereço do autor que não se encontrar presente quando do lançamento do livro será paga pelo mesmo, independente do valor pago pela participação. A remessa acontecerá após o lançamento do livro e o autor deverá solicitar o valor do frete pelo e-mail atendimento@designeditora.com.br

da) e pelos correios em média vinte a trinta dias após o lançamento (O autor se responsabilizará por pagar o frete caso deseje receber seus livros pelos correios). Será oportunamente discutida uma noite de autógrafos organizada pela revista VARAL DO BRASIL ® 5.7 Em caso de, por motivos de força maior, não puder ser realizado um lançamento físico do livro VARAL ANTOLÓGICO 3, os livros poderão ser requisitados pelos autores através do e-mail atendimento@designeditora.com.br após aviso por parte do VARAL DO BRASIL ® e um ou mais lançamentos virtuais poderão ser realizados. 5.8. Os livros ficarão à disposição na editora para serem solicitados por TRÊS meses após o lançamento e/ou aviso aos autores por parte do VARAL DO BRASIL ®. Após esta data considerar-se-á que o autor não deseja receber os livros e os mesmos poderão ser doados a alguma escola, biblioteca ou outros. 5.9. O fórum para qualquer recurso é situado em Genebra, Suíça.

5) OUTRAS INFORMAÇÕES 5.1. Dúvidas relacionadas a esta antologia e seu regulamento poderão ser enviados para o email varaldobrasil@gmail.com 5.2. Todas as dúvidas e casos omissos neste regulamento serão analisados por uma comissão composta pela equipe organizadora e sua decisão será irrecorrível. 5.3. Para todos os efeitos legais, o participante da presente Antologia, declara ser o legítimo autor dos textos por ele inscritos, isentando os organizadores e a editora de qualquer reclamação ou demanda que porventura venha a ser apresentada em juízo ou fora dele. 5.4. O VARAL DO BRASIL ® reserva-se o direito de alterar qualquer item desta Antologia, bem como interrompê-la, se necessário for, fazendo a comunicação expressa aos participantes. 5.5. A participação nesta Antologia implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento. 5.6. A data prevista para a entrega dos exemplares do livro VARAL ANTOLÓGICO 3 é durante o lançamento do mesmo em 2013 (data a ser agenda-

Capa do volume 1 de 2011

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Abstrato da alma II
Por Yara Darin

Desmoronou o castelo Se desfez a magia Tudo se perdeu ! Pra você, foi só fantasia Pra mim, um amor sonhado Tão esperado!

Restou em mim a nostalgia Adormeci no calor da dor Entristeceu o meu sonho de amor Tão sincero ,no desejo de ter você.

Vou juntando os cacos do meu coração Este vazio em minh'alma, não acalma E dispersa no meu pensamento abstrato Me resta só a esperança de fato, De um dia te reencontrar.

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Um Ser Amor
Por Maria Angelita Heinz

Você veio inteiro Veio como o dia Livre como o vento Numa tarde fria Com o olhar brilhante Brilho de diamante Um coração quente Feito um vendaval em mim Varreu as nuvens Da minha solidão E eu Me apaixonei perdidamente por você Agora sou Bem mais que sei Um ser amor Amar alguém É viajar pra terra onde ninguém vai Amar alguém É deixar fluir os sentimentos Ser capaz de amar Amar simplesmente

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BOLO DE CHOCOLATE PARA ANIVERSÁRIOS
Fonte: http://www.almanaqueculinario.com.br/

ingredientes
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Massa: 3 colheres (sopa) de manteiga 2 xícaras (chá) de açúcar 4 ovos

1 xícara (chá) de leite 1 xícara (chá) de farinha de trigo 1 xícara (chá) de chocolate em pó solúvel 1 colher (sopa) de fermento em pó Recheio de Cobertura: 200 gramas de manteiga sem sal 8 colheres (sopa) de chocolate em pó solúvel 3 colheres (sopa) de açúcar 2 latas de creme de leite Para decorar: chocolate granulado cerejas.

Modo de preparo
Massa: Bata na batedeira, a manteiga, o açúcar e as gemas até obter um creme Misture aos poucos o leite, a farinha de trigo, o chocolate e o fermento Mexa delicadamente Bata as claras em neve e incorpore à massa Unte uma fôrma com manteiga e polvilhe farinha de trigo e despeje a mistura Leve para assar em forno pré aquecido. Recheio e cobertura: Bata a manteiga na batedeira até obter um creme Despeje em um recipiente e misture o chocolate em pó, o açúcar e o creme de leite até obter uma massa homogênea. Retire o bolo do forno, desenforme e depois de frio, corte-o ao meio Recheie o bolo e cubra com o creme de chocolate. Decore com chocolate granulado e cerejas.

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CANTO A DUAS VOZES
Por Regina Costa

flores jogadas no chão lendas num cartão postal chave largada no jarro cartas emboladas lençol de linho bordado dobrado de amor finito suflê de abóbora com queijo no forno esbraseado armários pela metade cds espalhados ...e um mamão partido ao meio... sua voz ressoa entre os móveis, talheres e taças sem tempo, sem volta... tantas voltas nos voltaram tantas pautas nos ligaram momentos de alegria nos retratam espocados jogo tudo fora seu pijama cor de cravo vinte anéis de uma ilusão chuva fina cai e chora relógio marca o compasso amor equacionado no bilhete ao pé da porta rebuliço de palavras por mais raras, fascinantes magia lua amante vou seguindo adiante, com a viola em contracanto estou ralada de saudade.

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NOITE DE LUAR
POR SARAH VENTURIM LASSO

Era uma noite de luar, e ela estava debruçada em sua janela no terceiro andar. Estava com o olhar fixo na lua e sentia todo seu brilho penetrando seu sua pele, em seus cabelos e em suas pupilas. Quem passava na rua, se contorcia de curiosidade sobre os pensamentos da bela menina da janela, que estava ali perdida em si mesma e no mundo. Não viu o tempo passar nem as pessoas saírem da rua e esta ficar deserta. Quando estava cheia da luz do luar e com o corpo carregado de energia, se inspirou e saiu da janela. Foi escrever um conto.

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Naquela rua
Por Vera Passos Naquela rua marquei os passos desta caminhada Os primeiros amigos, a mangueira, o jardim... O caminho da escola, a praça, o cinema... O primeiro amor, a mais linda flor, o cheiro do jasmim Naquela rua olhei estrelas, pulei janela, segui a estrada Corri atrás do trem, quebrei a cabeça, descobri meu bem Sentei no batente, fiquei contente quando vi alguém Naquela rua vi nascer, vi morrer, vi partir Vi amigo chorar, outro sofrer e outro sorrir Naquela rua eu plantei uma flor e pus no meu cabelo Adocei a alma ouvindo estórias e lições de amor Pulei corda, cantei cantigas de roda, joguei bola Conheci a escola, descobri nos livros, tantas emoções Naquela rua arranquei o véu, descobri o céu, empinando pipa... Pulei fogueira, rasguei bandeira, desatei a dor Conquistei amigos, ganhei bombons, ganhei uma flor...
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HOMENS

Por Isabel C S Vargas

“Homens e mulheres devem ser iguais no direito à oportunidade de desenvolver plenamente suas potencialidades, mas, definitivamente não são idênticos nas capacidades inatas.” Allan e Barbara Pease

Eles tinham que ter o olho aguçado, certeiro para conseguir abater a caça e trazer o alimento para a família. Inclusive sob pena de desmoralização se não o fizessem. Em contrapartida, elas deveriam alimentar a prole, vestir, plantar, cuidar dos idosos, zelar para que os remanescentes no local não se perdessem ou se afastassem enquanto os homens estavam fora, considerando que um descuido poderia resultar em um ataque de animal feroz, captura por inimigo ou outras coisas desastrosas pelas condições inóspitas dos lugares de outrora. Aos homens cabia uma função diferente das funções femininas o que implica, invariavelmente, em desenvolvimento de habilidades diversas. Responsabilidades diferentes, porém não menos importantes. O erro que persiste até a atualidade é supervalorizar um em detrimento do outro e atribuir valores diferentes aos gêneros. O ideal, o correto e justo é igualdade nas diferenças. Isto implica em respeito. Com a revolução industrial, acesso ao mercado de trabalho pelas mulheres, divisão de tarefas, a conduta masculina vem se modificando. Com isto já não se vê mais as típicas e simplórias expressões: “Isso é coisa de homem” ou “Isso é coisa para mulheres”. Os homens deixaram de se enquadrar naquele estereótipo durão que não chora, e outras tantas coisas tolas. Homem chora sim, cuida de filho, troca fralda, faz mamadeira, vai ao parquinho, penteia cabelo das suas filhas, ouve suas reclamações, conta historinha, brinca de boneca ou de superheróis e ainda encontra tempo para descansar a armadura e andar de quatro no chão para o filho montar em suas costas. Nos intervalos entre a tarefa profissional, o ser pai e ser marido, ainda é capaz de passar aspirador de pó na casa, ir ao super ou fazer um churrasquinho no final de semana para aliviar a esposa. Há os que ainda levam flores, chocolate ou perfume. Enfim, desenvolveram a sensibilidade e as potencialidades femininas. Sem qualquer ironia ou gozação nisso, creio que as pessoas, independente de sexo, quando amadurecem desejam viver bem e isso inclui despojar-se do egoísmo natural.

Quando discorremos sobre homens ou mulheres, não é raro começar a apontar falhas, defeitos, ou ter atitudes discriminatórias. O que ocorre muitas vezes é a falta de percepção ou não reconhecimento de características próprias de cada um, que não implicam em defeito ou sinal de menos inteligência ou valor. Torna-se necessário buscar as origens para tentarmos entender os fatos, o aqui e o agora e estabelecermos uma percepção que nos permita uma visão mais clara para não incorrermos em constantes erros ou falácias. Valho-me de opiniões de autores abalizados para fundamentar meu posicionamento. Os autores supra citados falam no uso dos hemisférios para justificar diferenças óbvias entre homens e mulheres. Um usa a racionalidade, o outro a emoção. Içami Tiba os denomina de homemcobra e mulher- polvo. Isto baseado nas características inatas de cada um. Já viram homens fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo? Nada excepcional. Coisas tipo cuidar do almoço no fogão, colocar roupas na máquina de lavar, atender ao telefone e ainda olhar o tema da escola do filho que pede socorro e atenção, tudo isto simultaneamente? Impossível não é? Mas não se trata de má vontade, burrice ou falta de atenção com a esposa ou companheira. É preciso entender as características que ao longo dos séculos se incorporaram à genética.

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Daí surge essa atitude de companheirismo e partilha. Evidentemente não somos tolos de achar que isto é unanimidade, pois ainda temos uns tantos brutamontes que se não tivessem um resquício de temor da lei, ainda arrastariam as suas mulheres pelos cabelos como na época das cavernas. Há aqueles que em função do álcool ou das drogas, espancam a cada bebedeira, namoradas, filhos, esposas, mães e pais idosos. Ora, racionalizemos, então. Bons e ruins, santos ou demônios, traiçoeiros ou fiéis, crápulas ou honestos são adjetivos que cabem em qualquer ser humano, independente de gênero. Assim sendo, dá para darmos um voto de confiança aos homens, cuja cotação no mercado feminino geralmente se encontra em alta.

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LENDÁRIOS CÂNTICOS
Por Gilma Limongi Batista

Na solidão daqui de baixo Respirei estrelas lá de cima No silêncio chuvoso da rua deserta Os postes de ferro choravam amarguras Com folhas em douradas Lágrimas de luz Na serenidade do lago em volta Emudeci angústias No raio de luar sonhei subir e descer Como índia naquela lenda transformar – me Na aparência e na essência Poder reinaugurar – me na vida para Ser Só Vitória - régia.

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A melodia da escrita
Por Alice Luconi Nassif

É na primeira página Que deve surgir o cheiro e o gosto Das páginas seguintes Sagrando o estimulo saboroso Jamais o tédio nauseante Que obriga a desistir

É no som da solidão Que ouço a canção (da pura essência) Que me liberta dos Condicionamentos Daquela aparência Que me veste tão mal.

Da magia da escrita

Esta música vence Os espectros aleijados Das linguagens enganosas Desviadas de vivências Discursos falsos e vazios Desprovidos de potência São abissais e nada dizem.

Nesta solidão nascem as palavras Do som das minhas sensações (experiências fidedignas) Melodia legitima Da minha autenticidade.

E,

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Caminhar
Por Jardel Elias

Me escondo em sonhos errados; Sonhos nunca esperados. Chego a me jogar ao chão; me busco em um sentimento chamado solidão. Onde está meu recomeço; procuro por minha atitude nem sei o que eu mereço. Será que devo arriscar; que chão devo pisar. Na insegurança de um sonho; vivo em busca. Busca da felicidade; em cada esquina em cada cidade. Penso que nada posso realizar; se longe Você estar. Já sei o que vou fazer; vou te encontrar; custe o que custar Segurar em Tua Mão; Na qual Você me mostrará a direção. Sei que Contigo no amor; vou trilhar. E toda minha vida transformar.

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O Terreno Baldio

partilhada. Surgia também que os terrenos baldios despertavam certa função em determinado grupos de garotos, o formato e a grandeza e a localização, sua peculiaridade a sua vizinhança tudo isso tem um papel determinante para o seu desenvolvimento ou sua extinção e abandono, que pode ter uma variação muito grande dependendo dos próprios garotos ou do dono ou locatário que pode construir algo para um determinado fim é um jogo de força entre o lúdico o imaginário coletivo e a concretização do concreto de um projeto. Havia na pequena cidade quando o êxodo rural, ainda mostrava-se seu germe de crescimento lentamente e as aglomerações de casas e as pessoas ainda eram esparsas, a liberdade de escolhas por parte dos garotos para elegerem alguns terrenos baldios como pontos verdadeiramente de crescimento em suas pequeninas vida eram um triunfo e um trunfo para os garotos em sua tenra idade e energia de sobra para as suas realizações. Entre as escolhas ou quando aparece espontaneamente um na paisagem como o lócus especifica adquire certo status entre os garotos, que pode algumas vezes formar certa e irregular hierarquia de valores que muita das vezes acaba adquirindo uma senha de acesso entre eles seja pela força física ou talento ou agilidade e ate certa malícia por parte de alguns. Um terreno baldio localizava-se em uma esquina era um pouco elevado acima do nível da rua já asfaltada, naqueles tempos, perto do centro se é que uma cidade pequena o próprio centro é ele mesma isso facilita a sua auto comunicação; em um determinado período o terreno baldio foi lugar de passagem de grupos de pessoas que desejavam facilitar o trajeto ou simplesmente mudar a sua rota, que com o passar dos calendários anuais formava trilhas estreitas, de acesso de um determinado ponto ao outro, será que a menor distancia entre dois pontos é uma reta ou uma trilha, o terreno também possuía uma nostalgia natural e o microcosmo abundante de sua botânica era cercado de duas arvores de porte magnífico chamada de figo de benjamim de folhas pequenas e a sua cor verde

Por Hipólito Ferro

O quadro diante da parede lisa e branca moldava aquele espaço que não aparentava nenhuma vivacidade e também não havia naturalidade, as pessoas passavam diante da moldura indiferente e apressadas devido ao trabalho em seus respectivos departamentos, mas não notara nada mais que uma peça exposta. A fotografia do quadro de tamanho médio, era uma evolução do registro de uma imagem e o seu deslocamento por diversas paisagens e ângulos diferentes e a criatividade do homem para registrar fatos e acontecimentos, a foto do quadro era uma fotografia aérea de uma pequena cidade do interior mostrava as pequenas casas e os seus estabelecimentos, as ruas toda sua peculiaridade e seu traçado, as cores e a suas diferenças e tonalidades, a praça central, a igreja matriz uma pessoa ali ou acolá o tempo estava moldado naquele retângulo, mas o que chamava a atenção na foto para um determinado garoto, havia no meio daquele quadro pequenos espaços não preenchidos pela ação do homem, formavam pequenos pontos espalhados diante da imagem. Eram os famosos terrenos baldios lugares abandonados que ainda não tinha um fim especifico. Com os anos a própria urbanização e a especulação imobiliária preenchem essas lacunas que modela os quadrículos de uma cidade. Acontece que havia no garoto e em seus amigos de fazer do terreno baldio pontos estratégicos para desenvolverem o seu lado lúdico, a formarem suas amizades e rivalidades, as suas marcas e as pegadas registradas no temporal, chamava popularmente o chão batido do terreno baldio, no seu saber e a fazer disso como autênticos ritos de passagem de uma fase para outra na vida. Era uma instituição não oficializada entre eles os garotos de portas sempre abertas é claro, bastava estar presente ali e mostrar algum talento ou outra coisa qualquer para ser com-

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escura, em que preenchia todo o seu tamanho considerável e seus frutos de coloração diferente, em sua copa se produzia uma sombra reconfortante e de grandes proporções e dimensões e em seu tronco era visível às sinalizações em que o tempo foi o seu verdadeiro escultor. Geralmente em locais de fácil acesso ou mesmo distante de um centro de uma cidade que produz um magnetismo nos garotos, para produzirem e desenvolverem sua imaginação além da previsibilidade dos adultos. Aconteceu que o encontro de vários garotos no local do terreno longe do olhares de seus pais ou responsáveis; irrompeu ali cena memorável para que ficasse registrada nas terras daquele chão. Em uma determinada tarde em que o silencio nas pequenas cidades em bem audível devido ao fim da sesta e a morosidade de seus transeuntes, era o mês dos ventos e também a época em que caem as folhas das arvores, no local as folhas do figo de benjamim eram de um tamanho colossal, formavase um tapete espesso de folhas secas já acumuladas dos anos anteriores que declinava e caia suavemente ate o seu destino na rua ao lado. Depois de suas atividades lúdicas em que a energia dos garotos é dissipada para aquilo que estão fazendo e o seu objetivo de apenas brincar e disputar alguma coisa. Cessado o jogo lúdico naquela tarde, dois garotos não havia gasto toda a sua energia no momento da recreação entre eles. Então o encontro foi fulminante e digno, os dois possuíam o mesmo nome de um imperador da antiguidade Alexandre, um baixo de cabelos liso e ralo o outro de altura maior e magro por genética e de olhos penetrantes e objetivo. A grande maioria já havia dispersado e foram para as suas casas ou para outro terreno baldio, ficaram apenas uns poucos garotos por ali à toa ou vagueando nos seus pensamentos. Com isso quando a sua energia ainda estava acumulada em seus corpos, os dois Alexandres se trombaram e entreolharam por algum motivo desconhecido de natureza que somente os garotos sabem e mais ninguém. Devido à altura ser desproporcional o encontro corporal entre os dois a sua bata-

lha inicial que começou em pé por alguns minutos por alguns instantes modificou completamente mudando de direção, o começo foi no nível do terreno baldio, depois os dois estavam já estavam no solo ali começou a fotografia memorável eles partiram um para cima do outro formando um só corpo estenderam na vertical e ali deslizaram e rolaram suavemente entre as folhas secas de benjamim ficaram um longo tempo ali entres as folhas em que às vezes o que predominava era seus corpos ou muitas das vezes as folhas que cobriam uma parte de seus membros e com isso uma alternância constante entre o humano e a botânica, isso duraram entre o crepúsculo da tarde e o começo da noite, todos os restantes dos garotos já havia definitivamente embora ficando apenas os dois Alexandres. No outro dia correu um boato na pequena cidade, rapidamente a população inteira ficou sabendo, que os dois garotos haviam desaparecido por algum tempo e não sabia o motivo do desaparecimento cada um alegando algo, mas sem saber o motivo principal e com isso as especulações tomavam proporções catastróficas. Sabe-se que com o tempo as pessoas relembram de um fato importante ou a amnésia coletiva predomina em suas memórias, foi o que aconteceu o esquecimento foi parcial em um primeiro momento e com o tempo foi total. A vida continua sempre é sua força geradora por si mesma tem seu próprio mecanismo. Os terrenos baldios foram ficando cada vez mais escassos por diversos motivos e o crescimento urbano é predominante, porem naquele terreno baldio em que havia duas arvores e dois garotos um dia que lutaram, também havia desaparecido e tomara no seu lugar uma ampla casa de esquina de uma família. Certo dia um pequeno garoto do interior viajou com uma excursão de sua escola para um centro urbano movimentado e atraente para os pupilos, e uma de suas visitas programática era uma visita em centro de exposição de artes um salão muito amplo e nobre e um quadro de aquarelas com cores fortes magnetizou o garoto a cena do quadro dois homens lutando debaixo de uma imensa arvore 61

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com folhas espalhadas por todos os lados, o garoto ficou ali parado observando aquilo e ao mesmo tempo fascinado enfim olhou e aproximou do quadro e viu um nome no canto interior e abaixo a direita do quadro o nome: Alexander o nome do quadro da exposição: cena bíblica quadro número 7: A luta de Jacó.

AGENDA DO VARAL

Desde primeiro de outubro estamos recebendo inscrições para o Salão Internacional do Livro de Genebra (exposição de livros e sessões de autógrafos) 2013 Até dez de novembro estaremos recebendo as colaborações para a revista especial de Natal e Ano Novo Até trinta de novembro estaremos recebendo os textos (prosa ou poesia) para o concurso “orelha” do livro Varal Antológico 3

Até dez de dezembro estaremos recebendo textos para a revista Varal de janeiro (com tema Planeta Terra: fale sobre o planeta, sobre a natureza, os animais, os seres humanos, a vida) Até vinte de dezembro estaremos recebendo textos para a seleção para o livro Varal Antológico 3 Dia dez de janeiro serão anunciados os úl mos selecionados para o livro Varal Antológico 3 e também o vencedor do concurso da “orelha” do livro.

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Canção II Por Walnélia Corrêa Pederneiras

O músico foi descobrindo aos poucos... O poeta também. Harmonia, convém.

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BOLO COM CREME CROCANTE Ingredientes
. 7 ovos . 3 xícaras (chá) de açúcar . 5 1/2 xícaras (chá) de leite . 3 colheres (sopa) de margarina . 2 xícaras (chá) de farinha de trigo . 1 colher (sopa) de fermento em pó . 3 colheres (sopa) de chocolate em pó . 1/2 xícara (chá) de açúcar de confeiteiro . 4 colheres (sopa) de amido de milho . 1 xícara (chá) de água . 1 1/2 xícara (chá) de amendoim tostado e sem pele . 4 colheres (sopa) de conhaque . Chantili a gosto

Modo de preparo
1. Bata 4 claras em neve. Continue batendo e acrescente uma a uma as 4 gemas. 2. Junte 1 xícara (chá) de açúcar, 1/2 xícara (chá) de leite, a margarina, a farinha de trigo e o fermento. 3. Divida a massa em duas partes e em uma delas misture o chocolate em pó. 4. Coloque as massas em formas separadas de 20 cm de diâmetro cada, untada com margarina e enfarinhada. 5. Asse no forno, preaquecido, a 200 ºC até firmar, aproximadamente 25 minutos. Deixe amornar e desenforme. 6. Prepare o creme: em uma panela, misture 3 xícaras (chá) de leite, 3 gemas passadas na peneira, o açúcar e o amido de milho. 7. Leve ao fogo brando, mexendo sem parar até engrossar. Deixe esfriar. 8. Prepare o crocante: em uma panela, misture 2 xícaras (chá) de açúcar, a água e leve ao fogo brando, sem mexer, deixe ferver até formar uma calda em ponto de fio. 9. Desligue o fogo e misture o amendoim. 10. Espalhe sobre uma superfície lisa untada com margarina. 11. Deixe esfriar e desgrude com uma espátula. Pique o crocante e misture ao creme. 12. Prepare a calda: misture 2 xícaras (chá) de leite e o conhaque. 13. Corte os bolos ao meio e umedeça com a calda. 14. Em um aro, alterne camadas de bolo e creme. Leve a geladeira até firmar. 15. Na hora de servir, retire do aro, cubra com chantili e decore com raspas de chocolate.

Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/
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DEPRESSÃO
Por Juvenal Payayá

A cachoeira é traiçoeira, Astuta, arma uma arapuca E de repente o rio dolente Cai sobre a rocha bruta E a pedra lava, lixa e limpa As manchas turvas da estação; Apesar da queda livre, o rio Não machuca o braço Nem sofre escoriação, O rio voa sem asa e pena Tomando proveito na decida – o rio não tem subida – E o pulmão suspira o ar, O gás que sai da mata ciliar, Furtivo no perfume dela Canta, rola, rindo devagar; Depois da queda o rio é outro, De fato, a vida do rio é plena Até receber o primeiro esgoto E cai em depressão – é pena!

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Despretensiosamente
Por Caroline Brito

Deixa eu viver de sonhos Insistir nas ilusões Ser feliz de uns momentos Em despretensões Fingir toda a verdade Nas mentiras que criei Não será, pois a vida Conversão de tudo que inventei? Segue, olha o horizonte Ao longe, na enseada Edifica toda uma vida Nas areias, na estrada E cantar, vamos cantar... Baladas de verso e refrão Seguir tal qual as belas músicas Das notas, ser composição

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Varal do Brasil, literário sem frescuras! - Novembro/Dezembro 2012

Por Fabiane Ribeiro
Conto 6 - O veneno e o antídoto bel nunca visitara o mar; mas, através do relato de Dalila, ela sentia que o oceano era um velho conhecido, que há muito também habitava seus próprios sonhos. Através das experiências compartilhadas na reunião, ela sentia que aprendera um pouco mais sobre si própria... Lembrou-se de Jonatas e seu sonho com a prisão. Maria Isabel quase se sentiu sufocada ao pensar no pesadelo do rapaz... Pesadelo que, como em toda existência, tornara-se um lindo sonho, pois ele soube libertar-se... Ele tirou as próprias algemas e tornou-se uma águia, linda e dona de si, a voar pelo céu. Emocionante também havia sido o soPrólogo: “Então, ela pegou um dos frascos por nho do rapaz com a rosa da noite escura... Maentre os dedos e, suavemente, ergueu-o no ar, ria Isabel lembrava-se de suas palavras: embriagando-se com o seu perfume...” “Aquela rosa parecia anunciar ao vento do deserto, sob a luz do sol ou sob a escuridão da noite fria, que qualquer jardim regado a dois é Maria Isabel chegou em casa aquela noi- mais florido”. te, sentindo um misto de emoções. A reunião Era o amor, presente em cada sonho, em semanal do grupo de deficientes visuais que cada existência. Sempre. ela comandava, havia sido muito produtiva. Mais que nunca, ela sentia-se ligada ao mundo. Apesar da ausência da visão, a mulher gostava de manter sua casa sempre cheia de flores. O mosaico de cores em sua sala não lhe passava despercebido. E os perfumes então... E foi em meio a seus vasos preferidos que ela lembrou-se do primeiro relato da reunião daquele dia. Havia sido o relato de Frederico a respeito de seu sonho com o cavalo branco. Ele havia percorrido gramados maravilhosos. Tudo, no sonho, saltava frente a seus olhos e um belo e calmo riacho percorria aquelas terras infinitas, como se fosse um espelho de sua alma. Então, havia sido a vez da doce menina Dalila, que compartilhara com o grupo seu sonho junto ao mar. Apesar da idade, Maria IsaEntão, Maria Isabel apanhou o livro em braile que possuía, no qual havia a Lenda dos Olhos e da Saudade... Aquela lenda, mais que tudo, lhe comprovava que, no fim, é sim, sempre o amor... A causa... a razão de tudo... o pecado original, e a salvação. O veneno e o antídoto. A mulher foi para seu pequeno laboratório improvisado em casa. Ela ganhava a vida fabricando perfumes, a partir de extratos de suas plantas preferidas. Começara o trabalho apenas há alguns anos, quando perdera a visão e sentira que os cheiros podiam trazer um significado novo e especial para seus dias. Ainda tinha poucos frascos fabricados, entretanto, cada um era especial, único... 67

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Então, ela pegou um dos frascos por entre os dedos e, suavemente, ergueu-o no ar, embriagando-se com o seu perfume. Ela conhecia profundamente o segredo de cada um daqueles aromas. Cada um deles era como um antídoto para o veneno da amargura que quisera tomar conta de seu coração quando as luzes do mundo se apagaram a ela, há alguns anos... Eles salvaram a fabricante de perfumes. Eles, de certo, salvariam o coração daquele a quem seriam destinados. Pois eram únicos. Eram o próprio amor. O próprio veneno. Acima de tudo... a salvação. O antídoto.

Momentos de Prazer
Por Flávia Assaife

Quando estou com você... ... Corpos misturados... ...Sabores adocicados... Pensamentos apimentados... Sempre que o sorriso nasce em tua face Sempre que o brilho surge em teu olhos Sempre que a lágrima rola faceira Quando a boca diz besteira! Voltamos à infância Com a pureza das crianças Voamos nas asas da imaginação Sendo guiados pelo coração...

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OS GANSOS. AS RIPAS.

ziguezague comandado e obedecido à risca pelos gansos faceiros e barulhentos sob o comando que os protegia.

Por Joana Rolim

Era uma imagem inédita, ofuscante pela beleza do gansos e destreza do comando. Desciam em direção à lagoa, onde a água límpida? aguava a

Conj.2010 . Um balcão, uma atendente em seu computador. Sala de paredes amarelas, desprovidas de qualquer outro elemento. O colorido e o som da televisão me atraíram, na falta de qualquer outra opção de distração, já que fechar os olhos e me envolver em pensamentos seria impossível. Um ardoroso grafólogo. Uma apresentadora. Um texto para análise . Nela todo o caráter e a índole de um repórter se revelando na letra dele. Nada contra. Mas não me bate. Acabei aprendendo que a letra ‘o’ tem o ‘poder’ de definir o esbanjador e o pão-duro. Uma vez detectada a anomalia na letra, pode-se, simplesmente, inverter o adjetivo que imprime o perfil da pessoa, simplesmente mudando o formato da letra. O esbanjador se torna pão-duro e vice-versa. ‒ Ah!Ah! Que fácil! ‒ comentei com a atendente também atenta.

grama e ondeava a cada ganso que nela mergulhava. O Homem foi entrevistado. Por acaso um jornalista por ali passava! ‒ Eles produzem mais quando são levados a passear pelas ruas. Nenhum foi atropelado! Ele disse. Está dito! Essa imagem valeu! Guardei a imagem! Que imagem! Um homem, uma ripa e centenas de gansos ‒ poderiam ser milhares, não ser gansos, poderiam ser milhões ou bilhões de homens ‒ mulheres inclusas. O homem poderia ser alguns homem ensandecido pelo poder, ou muitos, ou máfias, ou chefes de estado, conquistadores, terroristas, líderes enlouquecidos pela ganância e poder ou ... briga por inveja, briga por dinheiro briga por poder, briga pela sua própria loucura. Gritos, balbúrdia, mortos. A ripa balançava, agredia, machucava e ma-

Quebrando a sequência do quadro, uma cena me calou: gansos, centenas, enfileirados tal qual uma procissão ou desfile, sob o comando de um homem e uma ripa ‒ comprida, larga, bem equilibrada nas mãos calejadas? que mantinham a marcha dos gansos, escuros como o asfalto quebrado , pela rua dividida com carros, carroças, caminhão. Alguns paravam respeitando a marcha em

tava!

Uma ripa para centenas de gansos. Uma ripa, uma arma, centenas de armas, centenas de balas, uma forca, instrumentos de tortura... Quais? Para o corpo ou para a mente? Ou para o corpo e para a mente.

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A Mudança
Por Sheila Ferreira Kuno Ele olhou pela janela do apartamento de numa rua movimentada de são Paulo, tudo era novo e assustador. Ignácio morava em Luanda quando o pai chegou com a grande novidade, eles iriam para o Brasil. O pai de Ignácio trabalhava numa grande construtora brasileira, que o havia contratado para trabalhar em uma obra Saneamento Básico de Luanda. Ele demonstrou tanta competência que foi convidado para trabalhar na matriz da empresa que ficava no Brasil. A família de Ignácio não vivia mal em Luanda, mas António, seu pai, considerou uma boa oportunidade para seu crescimento profissional. O impacto não seria muito grande para o filho, uma vez que os dois países falavam português. Era certo que haveria um impacto cultural, mas seria muito importante para o filho esta experiência de vida. Ele sabia que a esposa se adaptaria rápido, pois era uma mulher destemida. Ignácio estava apavorado, ele tinha apenas 8 anos e já havia presenciado na escola que frequentava em Luanda, como alunos estrangeiros eram recepcionados. Um grupo de garotos faziam chacota, xingavam e se os novos garotos tentassem se defender, eles eram surrados. Ignácio conversou com o pai sobre seus medos, António tentou tranquilizá-lo sem su-

cesso, dizendo que estaria atento a qualquer problema que Ignácio viesse a ter e que estaria sempre preparado para defendê-lo. Nada disso acalmava seu coração, ele tinha saudades de tudo que deixara para traz. Olhava pela janela e via uma rua movimentada, rodeada de prédios altos, ao contrário da rua onde morava na periferia de Luanda, que era repleta de crianças brincando; aqui ele brincaria apenas dentro do condomínio. Desde que chegou, há três dias, Ignácio não quis sair de casa, mesmo com a insistência dos pais. Ele estava apavorado só de pensar que no dia seguinte teria que ir à escola nova. Ignácio queria fugir, voltar para Luanda, mas como? Desejou ficar doente para não ir. A noite foi terrível, ele não conseguiu dormir, ficou vendo fotos dos lugares e amigos que deixou, pensou tristemente se um dia voltaria a vê-los. No dia seguinte, sua mãe o levou de metrô até a escola, pois eles ainda não tinham comprado um carro. Ignácio ficou perplexo com esse meio de transporte, ele estava acostumado a utilizar as candongas, o transporte mais popular em Luanda.

Imagem: http:// www.multiculturas.c om/a

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Na escola, a professora Ana apresentou com entusiasmo Ignácio à turma e anunciou que hoje seria uma aula especial, pois eles estudariam sobre o país onde Ignácio nasceu. Durante a aula, a professora pedia que um dos alunos veteranos comentasse sobre um determinado assunto e depois chamava Ignácio para contar como era em Luanda. No inicio, Ignácio estava tímido e com medo de ser vaiado, mas percebeu que as outras crianças estavam interessadas em ouvi-lo, então ele perdeu o medo e se soltou. Na hora do lanche, ele fez amizade com um garoto de sua classe, que morava perto de sua nova casa e o convidou para jogar vídeo game. Ignácio voltou animado para casa, percebeu que poderia ser feliz durante o período que morasse no Brasil, mas era certo, mesmo que demorasse ele queria voltar para sua terra natal.

INFANCIA ( IN)FELIZ
Por Ivone Vebber

LEMBRO DA MÃE COLOCANDO MEU SAPATO PRETO E DIZENDO: NINGUÉM TEM PENA DE MIM....

LEMBRO DOS MEUS SEIS PRIMEIROS ANOS, NA CHÁCARA, DE PÉ NO CHÃO COLHENDO, NO PÉ, FRUTAS ,LEGUMES,PINHÃO...

ELA SOFRIA, HEROÍNA, TAMBÉM O MAU CASAMENTO E 10 FILHOS DE AUMENTO.....

LEMBRO DA PRAIA EM QUE FOMOS .... A FAMILIA TODA NA ÁGUA LAVANDO MAUS FLUÍDOS

LEMBRO DOS SETE ANOS EM DIANTE, DA TORTURA DIÁRIA AO IR PRA ESCOLA E SOFRER " BULLYNG" DE COLEGAS SEM DÓ , COMO ESMOLA....

LEVANDO ALEGRIA AO CORAÇÃO AINDA INTEIRO, NÃO DESTRUÍDO.....

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Uma ripa para centenas de homens? Número inexato? Qual seria o exato? Bilhões de pessoas marchando obedientes, sem atropelamento. Mas são homens (mulheres inclusas). A farsa monumental refém de medos extravagantes. Mas nelas, de repente, um (ns) descontrolado (s), um (ns) desobediente (s), outro (s) com fome, um (ns) revoltado (s), tambores tocando, drogas drogando, assassinato assassinando, crianças assassinas se assumindo, condutores atropelando...

mulheres assassinadas por seus próximos, contra a pedofilia, crianças desaparecidas, contra mulheres seviciadas ou seduzidas pela máfia da pornografia... pelos jovens a quem foram negadas uma educação de qualidade, nem marcha de trabalhadores pelo seu direito ( a dos sindicados não contam, trabalham por eles mesmos). E as mulheres? Sem marcha! Conformadas.

Assim caminha a humanidade, os sinos dobram para o maior espetáculo da Terra: no palco, o entretenimento, para o corpo e para mente, que os mantém dentro do espaço protegido pela ripa, que

Marcha de homens e mulheres para a câmara de gás! Marcha de homens e mulheres para as fogueiras acesas pelos representantes de “Deus”! Marcha de homossexuais querendo seus direitos... (alguém os negou?)! Marcha da maconha nos lábios clamando pela liberdade da fumaça... E estupro em cadeia... Marcha de mulheres seminuas, ou quase nuas, reivindicando: ‘eu dou pra quem eu quero’! Ouviu-se não? Marchas implorando pela liberdade. Déspotas metendo a ripa! Marcha de mulheres cobertas, tendo os olhos e as mãos livres. Ou ficaram cegas ou suas mãos tombaram ensanguentadas. Mas não há marcha contra a corrupção, com políticos politiqueiros, contra o afogamento por impostos excessivos, contra os ‘quarenta e cinco mil

mantém os ‘gansos’ na plateia, aplaudindo. Sem água límpida aguando a vegetação. Entrada livre. Saída paga. Às vezes com uma vida.

Que imagem linda! A dos gansos. Que imagem feia! A dos homens.

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O meu amor
Por Cristiane Stancovik

Meu amor independente Não brevidade Perene Amor sem veneno Isso eu não quero Mas quero morrer Amor que não troca Que não vende Que dá Que toca Sem ganhar Sem perder Amor amor Amor diferente E igual Eu quero infinito Arco-íris de amor Amor por qualquer um Por qualquer coisa Sem obstinação Amor de coração Amor em voz alta Sem ensurdecer Amor pra sempre merecer Pra sempre Meu eterno amor.

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PONTO AZUL BRILHANTE
Por Odenir Ferro Vivendo dentro deste gigantesco maravilhoso intenso imenso Tropical País - chamado Brasil! Com as suas dimensões continentais - nas quais eu me deparo a pensar, - sobre este tópico, - dentro deste momento feliz em que agora eu me encontro. Acordei inspirado, hoje de manhã! Praticamente de madrugada. E, quando já estava na estrada, pude rever renascer o nosso tão imensurável e belíssimo espetáculo, juntamente com toda a magia que há em torno de si: - O nascer do Sol! Quanta beleza, cercada de puro lirismo, poesia e até um profundo e milenar mistério a perdurar pela ordem natural de tudo e de todos os movimentos que nos circundam e nos envolvem plenos pela dinâmica da Vida... E por mais que a Ciência tente, não há um solução exata para todos estes fenômenos naturais que nos acolhem e nos amparam com as suas radiantes belezas, momento a momento. Essas essenciais belezas carismáticas, são fenômenos divinais que compõem todos os contextos da Vida. São geradas, e mantidas dentro do saboroso teor envolto num profundo e indesvendável mistério! Pude perceber o aconchego do sol, sentindo-o, a elevar-se numa intensidade rápida - pleno de uma coloração vermelho rubro - contrastando com o intenso e infinito azul anil do céu claro e ausente de nuvens. Eu me situei agradecido naqueles instantes de mágicos momentos! Sentindo-me amparado por um profundo encanto que se emanava do encontro entre o fim da madrugada, com o despertar de mais um novo dia. Tomei a ciência emocional dentro de mim, de que mais uma vez, o milagre de bilhões e bilhões de anos se repetia. E a Vida, novamente, caminhava refluindo-se em todos os lugares do Planeta Terra! Quanta beleza há nisto tudo. Nesta misteriosa mágica extraída da metafísica alquímica que rege a foça dos Planetas - aonde o Planeta Terra - também reina silencioso enquanto a noite está de um lado, e mais ruidoso, quando o sol renasce; trazendo calor, energia pura de vida, à outra parte do Planeta que existe acontecendo dentro deste mila-

gre operacional, constatado como dia! Noites e dias! Quanta harmonia coerente se faz presente, nisto tudo! Melhor ainda, - podemos, notoriamente, concluirmos: - Tudo sempre fez, se faz, e se fará parte nisto tudo, compondo-se com exímia exatidão, como se fosse um gigantesco quebra-cabeças. Os Ciclos das Estações, os dias, os meses, os anos, os séculos, as Eras Planetárias... Vivemos dentro de um Planeta encantador! Riquíssimo, antiquíssimo!... Arquibilionário em idade. A sua riqueza é indescritível! Vivemos cercados por uma natureza nobre e exuberante. E até podemos sentirmo-nos livres, somente pelo fato de existirmos dentro deste belíssimo contexto. Fico pensando em quanto de luz, o Sol já envolveu a Terra! Com os seus brilhantes raios, vindo e acontecendo nas temperaturas certas. Momento a momento! Impulsionando as engrenagens da Vida,... E que permanecem quase indecifráveis; com os seus inúmeros segredos que ainda estão por ser desvendados. Oriundos desde os primórdios dos Códigos da Criação, até os nossos dias atuais. Sempre se renovando, sempre se multiplicando, muito embora sempre mantendo-se igual e inalterável, dentro dele mesmo. Numa expressividade contínua, - aonde a linha dinâmica da existência perdura, - recriando-se dentro da mistério natural que atua na realidade de si mesma. Acredito que exista uma comunicação de milhões de anos, já estabelecida, inconscientemente configurada dentro dos parâmetros estabelecidos entre todas as regras sociais com os seus devidos direitos e deveres - dentro de cada Cultura, de cada população, de cada tribo, de cada país... O nosso exuberante Planeta Terra - se olhado a milhares de quilômetros de distância, - se apresenta apensa como sendo um minúsculo ponto azul brilhante! Circulando errante em torno de si mesmo, - e dos demais planetas, - dentro das imensas ondas de negruras da Via Láctea! Formando um equilíbrio sensacional, com os demais planetas e tudo o que os cercam... Mas, o nosso Planeta Terra, tal qual o vivenciamos no decorrer do Tempo, - é impregnado de muitas ondas de energias transcendentais, metafísicas, químicas e físicas, - além de muitas outras ondas desconhecidas por nós, até agora - e que se renovam momento a momento!

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A composição do nosso planeta é feita de radiante beleza atemporal! No nosso Planeta, estão presentes as forças Espirituais que superam todos os demais estados de belezas que nos são perceptíveis - por quase nós todos - até o presente momento! Em todos os lugares, em todos os instantes, o Quasar Magnético da Vida, pulsa a linha magnética e imortal da nossa realidade existencial. Impulsionando-nos todos, ao rumo do futuro que se faz presente em cada instantâneo do segmento desta realidade vivencial - espiritual ou física - mas, existencial e substancial: - E que é o Milagre da Vida!

JACQUELINE AISENMAN LIVROS

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Amigo bicho
Por César Soares Farias

É com desespero que anuncio o desaparecimentode minha cachorra, um pincher de pequeno porte. Ela é marrom clara, bem magrinha, pesa cerca de1,5 kg. Tem orelhas pontudinhas, rabinho curto, três anos de idade. Ela se perdeu na praia de Ipanema no dia 16 de fevereiro, terçafeira de Carnaval por volta das 11:00 h. Estamos procurando todos os dias. Temos uma criança que sofre muito com o desaparecimento. Fizemos buscas na praia e continuamos procurando. Se alguma família estiver com a cachorrinha, por favor devolva nosso bichinho. Desde já, agradecemos qualquer informação.

cussões naquele lar. O seu rabinho balançava em movimentos ultrarrápidos toda vez que ela simplesmente ouvia a voz de alguém, como se estivesse de fato entendendo cada palavra pronunciada. Buscava os olhares daquelas pessoas da mesma forma que a margarida branca dos campos retorce-se para aproveitar o sol. Lembravam duas minúsculas e brilhantes pedras de quartzo aqueles olhos ternos, meigos e vívidos. Brincava com qualquer objeto colocado ao seu alcance, desde chinelos e pantufas no chão até novelos de lã, jornais e garrafas pet largadas em cima de cadeiras ou mesas. Essa faceta sapeca despertou a antipatia de um único membro da família, que não tolerava, em hipótese alguma, ver a casa desarrumada. Lígia fulminava a cachorrinha com olhares de rancor toda vez que encontrava o pátio de pernas para o ar. Vassoura caída, havaianas desaparecidas, meias rasgadas, tudo isso irritava-a com uma profundidade espantosa. Fazia uma tempestade em copo d’água, estressando-se facilmente enquanto os outros reagiam com bom humor diante das peripécias do bichinho. Gisele, sua irmã, no auge do desespero e inconformada com o sumiço de Chiquita, suspeitou dela como a possível mentora intelectual do desaparecimento, reparando que parecia tranquila demais para aquele momento tão desolador. Tal desconfiança abalou sensivelmente a relação entre as duas, que se tornaram praticamente estranhas e não mais confidenciavam segredos uma para a outra. Nem mesmo as refeições faziam juntas, parecendo a cada dia mais distantes. De fato, encaravam de maneiras diferentes a perda de um mero animalzinho de estimação.

Gisele Abreu Machado, Ipanema

Diário Gaúcho 23/02/2010

Em seu programa matutino na Rádio 104 FM, nos dias 22 e 23 de fevereiro, o comunicador J. Crow também noticiou o extravio daquele pequeno animal de estimação. Ambas as tentativas, no entanto, não

surtiram o efeito esperado, fazendo cair em depressão todos naquela casa, exceto Lígia. A ausência de Chiquita, a personalida“Água mole em pedra dura, tanto bate de canina em questão, deixou um vazio inaté que fura”, e as lágrimas de saudade derversamente proporcional ao seu tamanho. ramadas por Gisele e a filha Páti acabaram Era uma cadelinha bastante amorosa, que abrindo uma brecha nas sólidas paredes do costumava roçar-se nas pernas dos donos coração de Lígia. Por essa brecha penetraaté receber carinho. Deitava-se de barriga pra cima e com olhos suplicantes induzia-os ram lembranças que a fizeram refletir. Após a alisar-lhe com os pés, desde o ventre até o mergulhar no passado e posteriormente compescoço. Uma vez atendida, protestava a ca- parar o ontem com o hoje, desejou, acredite, da interrupção da carícia, pondo-se de pé e ver a casa novamente desarrumada. Lamenarranhando-lhes com delicadeza as pernas. tou em seu íntimo não ter percebido antes o Era alegre ao extremo e sua alegria contagia- quanto a cadelinha fazia falta naquele lar. va-os tanto que eram raras as brigas e dis-

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A possibilidade de nunca mais ouvir aqueles latidos finos e sentir o arranhar daquelas frágeis patinhas em busca de carinho, assustou-a. Passou então a acompanhar sua irmã, o cunhado e a sobrinha nas buscas intermináveis que faziam diariamente pelos quatro cantos do bairro Ipanema. Em casa, á noite, levantava abruptamente da cama toda vez que ouvia lá fora latidas semelhantes à da pequenina. Corria afoita até a janela da frente e abria as duas folhas de madeira com pressa, recebendo em cheio no rosto a aragem fria da madrugada. Voltava então, frustrada, ao seu quente e aconchegante leito e de tanto repetir esse vai-vem, acabou contraindo um resfriado que lhe fez arder em febre durante uma semana inteira. Tão logo se recuperou, prosseguiu com determinação redobrada a sua tarefa investigativa. Foi incansável na procura, movida pela saudade e o arrependimento que aumentavam a cada dia. Chegava do trabalho por volta das 18:30 e sem pausa para um banho ou descanso lançava-se a novas buscas, guiando lentamente o seu Ford KA azul marinho. Percorreu Pet Shops, escolas, praças e até botecos na esperança de obter pistas que levassem-na a achar aquela agulha no palheiro. Na data em que completaram exatos dois meses do desaparecimento, ao final da tarde, quando voltava pra casa visivelmente transtornada, Lígia entrou em uma lancheria para tomar água mineral com gás. Fazia um calor quase insuportável em pleno outono gaúcho e a temperatura elevada parecia derreter-lhe o ânimo. Sentou-se na única cadeira vazia do balcão e por um instante arrependeu-se de entrar num lugar tão barulhento e cheio de gente. Como estava cansada demais e sem pique para procurar um outro bar, quedou-se ali mesmo, permanecendo com um olhar perdido em direção a um quadro na parede. A pintura artística reproduzia com fidelidade, em todos os seus detalhes, uma paisagem à beira-mar. No som MP3 do estabelecimento tocava, em volume razoável, um sucesso do cantor e compositor carioca Seu Jorge. O swing da música lhe reanimou o semblante e a letra, que dizia coisas como “É importante manter a paz interior, e não deixar morrer a chama

do amor...”, lhe trouxe de volta o equilíbrio e disposição para seguir adiante. Ao seu lado, durante todo o tempo naquele balcão e sem tirar os olhos dela, um rapaz aproveitou o promissor momento para paquerá-la. Apresentou-se como um fã do Seu Jorge e disse que tinha todos os Cd’s dele em casa. Depois, acrescentou uma lista de artistas e músicos da sua preferência, o que atraiu o interesse de Ligia, fazendo-a finalmente reparar nele. A começar pelos gostos musicais, descobriram várias afinidades entre si e os assuntos pareciam não ter fim. As horas passaram voando e, apenas quando perceberam que o balcão e as mesas estavam já praticamente vazios, deram-se conta que a lancheria se preparava para encerrar o expediente. Mauricio morava num apartamento a duas quadras dali e convidou-a para uma visita de cortesia. Ela recusou o convite, pois temia que as coisas acabassem rolando rápido demais entre os dois, prometendo, contudo, que se encontrariam novamente. Ele então, simulando um certo desapontamento na voz, disse-lhe como frase de despedida:

-- Então ta... Não vais ficar conhecendo a minha ratinha... -- Ratinha? Não acredito que tu cria uma rata em casa... O rapaz explicou então que recentemente tinha achado na praia uma minúscula cadelinha com laço rosa na coleira branca. Ficou com pena de vê-la ali com frio, tremendo, toda assustada com o barulho dos carros na avenida, e levou-a sem qualquer dificuldade, no colo, pra casa. Lígia, eufórica, mudou de ideia e quis acompanhá-lo para confirmar o que a sua intuição parecia querer dizer-lhe. A noite estava com uma temperatura agradável e convidativa para passeios. Levaram menos de dez minutos até chegarem ao prédio 1018 da Avenida Tramandaí, onde Mauricio morava no 5º andar. No elevador ela mentalmente perguntava a si própria se o destino haveria mesmo de recompensá-la duplamente ao final daquele dia de buscas.

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Acharia a desaparecida e ainda, de quebra, um novo amor? A sorte realmente parecia estar ao seu lado e naquela mesma noite Chiquita retornou com ela para os braços de Gisele, filha e marido. Foi um grande estardalhaço entre todos quando a miniatura de quatro patas reapareceu, trazida por sua exopositora. Páti, a guriazinha que chorara praticamente todos os dias com saudade da cachorrinha, aninhou-a em seus braços e beijou-a com ternura, reação esta tão espontânea e pura que emocionaria até o mais insensível dos mortais. “Cadê a minha pikurruxa... Cadê a coisinha mimosa da mamãe...”, repetia sem cessar a não menos enternecida Gisele. A pequena Chiquita também, por sua vez, dava claras demonstrações de euforia. Estava um pouco mais magra, pois apesar dos cuidados de Mauricio, perdera o apetite com saudades da família. Emitiu um grunhido diferente, semelhante a um grito de desabafo. Em seguida, correu como uma louca por toda a casa e suas patinhas velozes faziam-na praticamente flutuar sobre o piso. Quando cansou, começou a latir, olhando para um e para outro, faceira com aquele reencontro. Gisele pegou-a no colo e acariciou as suas orelhinhas pontudas, o que a fez fechar os olhos de tanto contentamento. Depois, deslizou os dedos, desde a cabeça até a ponta do seu focinho, deixando-a paralisada de prazer. Abraçou-a de encontro ao rosto, recebendo em troca varias lambidas que acabaram-lhe fazendo cócegas. Já era tarde da noite, mas mesmo assim todos sentiram fome, já que nas últimas semanas ninguém conseguira comer regularmente. A tristeza abatera-se naquela casa de tal forma que até a comida perdera o interesse para eles. Ali, entretanto, no auge daquele final feliz, os seus estômagos roncaram reclamando em coro, fazendo Gisele deslocar-se às pressas até o galinheiro. Quando lá chegou foi recebida por uma franga de penas vermelhas, parada na entrada da portinhola de tela. Como em outras tantas vezes, estava ali para catar no chão os generosos punhados de milho que a moça jogava para engordá-la. A ave nutria pela mãe de Páti uma afeição toda especial e

sentia-se protegida na sua presença. Nos dias de frio buscava o seu calor humano, tal como o pinto refugia-se na quentura da mãe. Recebia, algumas vezes, carinho em seu pescoço e em tais momentos arrepiavase do bico até o rabo. Tinha penas brilhantes e macias, o que lhe dava um saudável aspecto, deixando-a diferente das demais galinhas. Tranquilizava-se quando escutava música e quanto mais identificava-se com a melodia mais ela colocava ovos. Gisele buscou então o seu pescocinho, só que desta vez com intenções diferentes. Agarrou-o com as duas mãos, ergueu o roliço corpinho dela no ar e girou-o varias vezes, com movimentos circulares. O osso do pescoço não suportou o esforço por muito tempo e fez “TRACK”, fraturando-se ao meio. O bicho sentiu uma dor indescritível e ainda olhou uma última vez, confusa, para a dona da Chiquita.

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ainda quente, deixe a forma esfriar, lave, seque, unte e faça o segundo bolo. Atenção: não corte o pão-deló quente!

BOLO TROPICAL DE ANIVERSÁRIO Fonte: http://panelinha.ig.com.br/

Ingredientes para os dois bolos (massa de pão-de-ló): Preparo do recheio de coco: - 10 ovos Coloque o coco ralado numa frigideira e leve ao fofo baixo, mexendo bem. Continue mexendo até que o - 300 g de açúcar coco comece a ficar mais escuro, mexa mais rapida- 300 gramas e farinha de trigo mente e tire do fogo. Numa panela média, misture o leite, o leite de coco e o coco ralado e leve ao fogo - Manteiga e farinha de trigo para untar brando até ferver, mexendo sem parar. Adicione açú- Fôrma de mais ou menos 23 cm de diâmetro car a gosto e continue mexendo até que a mistura engrosse. Retire do fogo quando estiver com consistência parecida com a do brigadeiro. Deixe esfriar. Ingredientes para o recheio de coco: -200 ml de leite de coco - 400 ml de leite - 200 gramas de coco ralado seco sem açúcar - açúcar a gosto Ingredientes para o recheio de maracujá -360 ml de polpa de maracujá batida e coada -340 g de açúcar -300 g de manteiga sem sal -8 ovos -20 g de amido de milho Ingredientes para a cobertura: - 2 claras de ovo - 150 g de açúcar - 1 tampinha de essência de baunilha Montagem do bolo: - Corte cada bolo ao meio. Recheio os bolos nessa ordem: primeiro, uma camada de cobertura de mara- tiras ou lascas de 1 coco fresco (é só pedir na barra- cujá; uma camada de cobertura de coco e por fim uma camada de cobertura de maracujá. ca de coco na feira que eles cortam ) -polpa de 1 maracujá batida no liquidificador com 2 colheres de sopa de açúcar. - Com a ajuda de uma espátula, passe a cobertura sobe o bolo. - Enfeite o bolo com lascas ou tiras de coco. - Leve a mistura de polpa de maracujá e açúcar ao Preparo dos bolos: fogo e mexa até que engrosse um pouco. Retire do Para este bolo, é preciso assar dois bolos de pão-de- fogo e pingue algumas gotinhas dessa calda sobre o ló. Faça uma massa de cada vez, asse, desenforme bolo. e só então prepare e asse o segundo bolo. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Unte uma forma de 23 cm de diâmetro e cubra o fundo com um disco de papel manteiga untado e polvilhado com farinha. Bata 5 ovos com 150 gramas de açúcar na batedeira até que tripliquem de volume. Teste o ponto: coloque um pouco da mistura numa colher de chá. A mistura não deve cair da colher. Retire a mistura da batedeira, passe para uma tigela e incorpore a farinha peneirando. Coloque a massa na forma e leve ao forno por cerca de 30 minutos. O pão-de-ló estará bom quando você apertar a massa com os dedos e ela ceder ao toque sem ficar marcada. Desenforme o pão-de-ló Preparo da cobertura: Misture as claras de ovos, o açúcar e a baunilha e cozinhe em banho-maria, mexendo até o açúcar dissolver. Despeje essa mistura quente numa batedeira e bata até que quadriplique de volume (entre 10 e 15 minutos). Preparo do recheio de maracujá: Numa panela, junte a polpa de maracujá, metade do açúcar e cozinhe até ferver. Bata no liquidificador os ovos com o açúcar restante e o amido de milho. Coloque essa mistura numa tigela e despeje aos poucos a mistura de maracujá quente sobre essa mistura de ovos. Volte tudo à panela e cozinhe, mexendo sem parar, até ficar grosso, sem deixar ferver. Retire do fogo e deixe esfriar.

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Varal do Brasil, literário sem frescuras! - Novembro/Dezembro 2012

AMOR ETERNO AMOR
Por Wilson de Oliveira Jasa

Amor eterno amor que no meu peito, vai batendo bem forte de emoção; amor sublime, real e sem defeito, que sinto incandescer no coração.

Amor eterno amor de tão perfeito, que mais parece sonho de paixão; mas por ser verdadeiro e eterno feito, nem é preciso ter explicação.

Amor eterno amor da minha vida, tu és a primavera mais florida, porque tu és botão de rosa flor.

Outro amor igual a este não existe, pois o único que obstáculos resiste, é somente este amor eterno amor...

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Varal do Brasil, literário sem frescuras

CASTELINHO MOLHADO

areia, que encobria meu short, achei aquilo engraçado e comecei a jogar mais areia em cima de mim.

Por Marcos Toledo

Quanto mais areia eu jogava em cima de mim, ficava mais quentinho, devido ao xixi que

Estava na praia brincando de correr, resolvi parar para fazer um castelo de areia, sentei puxei o balde para perto de mim, comecei a puxar areia para cima de mim fazendo um monte enorme, fui até à água, arrastei meu balde sob a água e puxei para cima, ele voltou cheio. Com o balde cheio de água, fui até o monte que tinha feito e comecei a jogar a água sobre o monte de areia, fazendo com que o monte amolecesse, deixando-o mais fácil para moldar meu castelo. Sentei na areia, enquanto montava meu lindo castelo, de repente me deu uma vontade de fazer xixi, mas me segurei porque já estava quase acabando de montar o castelinho e não queria parar bem no final. A vontade apertava a cada mão cheia de areia que colocava sobre o monte, que nessa altura já tinha o formato que eu estava esperando. Já não dava mais para aguentar, o que me fez resolver, que faria ali mesmo sentado na areia, olhei para os meus pais, eles estavam bem distraídos, meu pai lia o jornal, nem olhava para mim, minha mãe estava deitada de costas para o sol, essa mesmo que não estava vendo nada. Puxei um pouco de areia para cima do meu short, encobrindo ele por inteiro e deixei soltar o xixi que tanto me incomodava. Ah! Que alivio, já não aguentava mais me segurar, olhei para baixo e vi o xixi, aparecer na

não parava de sair, senti que já tinha terminado e agora não estava mais quentinho como antes. Comecei a tirar aquela areia molhada de cima de mim e comecei a jogar outras mais quentinhas do sol. Estava mesmo muito distraído com tudo aquilo. Castelo, areia, água, xixi, eram tantas as preocupações que me distrai completamente. Quando ouço alguém me chamar, bem ao longe, era uma voz feminina, igual a da minha mãe, olhei para o lado e minha mãe ainda estava tomando banho de sol de costas, então não poderia ser ela, quem poderia ser? A voz vai ficando mais alta, aos poucos comecei a entender o que ela estava falando, resolvo virar para trás para ver quem era e o que ela queria comigo. Quando vejo que era minha mãe que dizia. - Mijou na cama de novo menino, olha só o lençol todo molhado enrolado em você. AMEM -

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Varal do Brasil, literário sem frescuras

A abelha, uma lição
Por Nilza

Era período de férias. Saí da cama bem cedo, tomei o café da manhã e fui chamar meus primos para virem brincar comigo no quintal de nossa casa. Durante toda a manhã, ficamos tão envolvidos nas brincadeiras de pular corda, subir em árvores, jogar bolaqueimada, que, quando tive sede, não quis ir pegar um copo dentro de casa, pois achei uma perda de tempo. Abaixei-me e bebi a água diretamente da torneira do filtro, que ficava a um canto da área dos fundos - algo que mamãe não permitia, por ser muito antihigiênico. Minha desobediência foi punida de imediato: uma abelha que se encontrava na dita torneira me picou a língua. Corri, gritando, para dentro de casa, desesperada de dor, com a língua inchando a olhos vistos. Mamãe tirou o ferrão, que ainda estava lá, e fez uma compressa de fumo com álcool. O gosto que ficou em minha boca foi horrível! Passei o dia só resmungando, quase não podia falar. A língua inchou tanto, que quase não cabia na boca. Querendo me distrair, sentei em uma cadeira de vime na varanda, para ficar apreciando o movimento da rua. Pouco depois, chegou o verdureiro Setenta (esse era seu apelido) em sua carroça e, ao ver-me de língua de fora, perguntou a mamãe o que havia acontecido. A par do ocorrido, pôs-se a rir e a zombar de mim. Acho que foi a primeira vez que tive ódio de uma pessoa, um sentimento muito ruim! E marcou tanto, que jamais consegui esquecer o que senti naquele momento. Minha vontade era espancá-lo, não tinha o direito de caçoar de mim! Senti-me pequenina como um grão de areia, humilhada e ainda sendo a atração de todos. Corri para dentro chorando e recolhi-me em meu quarto, onde fiquei o dia todo remoendo aquele sentimento que, naquela hora, estendia-se também a minha mãe: ela não tinha nada que ter contado a outras pessoas o que acontecera, em especial ao Senhor Setenta! No dia seguinte, porém, acordei em paz comigo e com o mundo... Minha língua havia voltado ao normal, e meus sentimentos também já haviam se acalmado.

Imagem do site Baixaqui

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Jazigo da Esperança

Por Oliveira Caruso

Certa manhã, antes duma aula, tu me convidaste a um jantar, o que me felicitou bastante. Todavia, em resposta, ainda relutei, alegando ter outra importante aula a começar justamente no horário em que iniciar-se-ia tal confraternização. Embora minha recusa se dotasse de autenticidade, mal tinha ciência eu de que este jantar seria comemorativo a teu aniversário. Logo que soube, não titubeei em minha pronta resposta a teu doce pedido, o qual se revestira de um olhar quase intimativo. Estava certo de contar com tempo disponível para voltar à minha casa, na capital, mas precisava estudar neste intervalo até a noite, atitude esta a mais prudente. Este foi o motivo pelo qual decidi não trocar meus trajes veraneios por algo mais apropriado à ocasião. Após a primeira aula do horário noturno, desci então ao térreo da faculdade, onde já se encontravam alguns colegas. Ainda não havias chegado, motivo pelo qual resolvi telefonar a ti, com a Esperança de que te apressasses um pouco. Como parecias assim não fazer, mantive-me em minha prosa com o pessoal conhecido nosso. Tão logo chegaste, resolveste procurar por mim, enquanto conversavas com todos. Demoramos um pouco a rumarmos à pizzaria, visto que nos encontrávamos envoltos a agradáveis assuntos. Uns se dirigiram de carro até lá; nós dois e alguns outros deslocamo-nos de ônibus, mas não sem que antes tu me puxasses pelo braço. Uma vez alcançado o estabelecimento, após um breve intervalo, resolvemo-nos por adentrar o mesmo. Eu tinha noção acerca da possibilidade de alguns dos presentes serem igualmente interessados em transpassar o “mero terreno” da amizade no que a ti respeitava. Por conseguinte, tratei de, tão logo quanto possível, apossar-me de uma cadeira. Não

se tratava de qualquer cadeira, mas a situada justamente a teu lado esquerdo, respeitada aquela destinada a teu irmão, sita à tua direita. Consegui de fato meu intento, mas não por muito tempo; o número de convidados que compareciam cresceu, o que fez com que nos deslocássemos todos a outro grupo de mesas, com vistas a melhor todos se acomodarem. Desta feita, optei pela discrição; sentei ao fim da junção das mesas. Já tu, acomodaste-te no meio da mesma. Passei a noite a dividir-me entre parcas fatias de pizza, fartas conversas e chacotas com colegas, além de mais fartos olhares para ti. Por algumas vezes correspondeste-me aos olhares, o que fez com que me arrependesse de não buscar novamente um assento a tal lado. A ocasião foi deveras ditosa, uma vez que brincadeiras se sucederam e de lá saí com farto sorriso nos lábios no que respeitava a ti. Na quarta-feira da semana seguinte, fizeste questão de me dizer que teu irmão, o responsável pela carona até parte de meu trajeto para casa, havia me considerado uma pessoa “ legal” . Na terceira e última vez que ouvi estes dizeres, não vacilei: “digo o mesmo a respeito dele, mas prefiro a irmã” . Tua réplica então deu-se a aprovar meus dizeres. Quando desta prosa, estávamos caminhando junto a outros três colegas pelo calçadão praiano de Icaraí. Tomei certa dose de audácia e perguntei se voltarias à tua terra no fim de semana (situada na região metropolitana do estado), ao que me respondeste normalmente fazer, mas permanecerias em Niterói desta vez. De supetão, convidei-te a sair no sábado, ao que aceitaste prontamente. No dia seguinte, após a segunda aula noturna, interrompida por uma festa na faculdade (onde uma banda executava suas músicas aos poucos expectadores), busquei confirmar sobre a saída acertada contigo. Todavia, contrariando a resposta que me fora dada na noite anterior, questionaste-me quanto a meus reais sentimentos e intenções. Diante de minha amiga romanesca

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Varal do Brasil, literário sem frescuras

Esperança, trataste de uma vez de golpeá-la no coração. Um golpe tão potente que pôs minha amiga inconsciente. Ainda socorri-a, mas despedi-me de ti então como bom amigo, visto que me mantive frio diante da negativa inesperada, embora se tivesse dado de modo tão gélido. Contudo, não compreendi o porquê de tanto afeto teu demonstrado antes, se não desejavas algo mais! Retornei a pé até a barca, adentrei-a e em seguida ingressei no ônibus para casa sem em momento algum colocar nos ouvidos os fones com os quais sempre ouvia minhas canções. Permaneci atônito ao me lembrar da frieza polar de teus olhos, que se puseram indiferentes às informações captadas por teus ouvidos. Em meu regresso para casa, não prossegui só. Comigo estavam Esperança, a qual já mencionara, e Orgulho. Minha amiga Esperança fora de tal monta golpeada por ti que tratei de supetão de erguê-la nos braços durante o trajeto de volta. Orgulho então fitava, dotado de cólera intensa, minha amiga, como quem desejava dela se livrar, visto como sempre a considerara tola. Uma vez em minha cama, adormeci com facilidade extrema, o que não ocorrera nas três noites anteriores, devido à aguardada conversa que teria contigo – a conversa relatada três parágrafos acima. Mal sabia eu que esta viria a ser tão curta e desagradável ...De repente, sucedeu-se neste período algo que na manhã posterior far-se-ia a mim confessado. Enquanto aproveitava meu sono profundo, também não tinha consciência do que Orgulho fazia num outro quarto por perto. Esperança ainda se encontrava demasiado fadigada, mas Orgulho caminhou sorrateiramente em direção a ela. Então, sacou dum travesseiro e, dotado de frieza ainda maior que a tua, começou a pressioná-lo contra o rosto da pobre Esperança. Ele usou de força descomunal. Ela, sem imaginar como se defender ou ter ao menos força para tal, balançava os braços. A ineficácia de sua reação, destarte, colaborou para sua repentina morte, cadáver que eu mesmo ajudei a ocultar. O ditado popular acabou não se confirmando...

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O Poder do Deserto
Por Mário Osny Rosa

Torna o deserto mais lindo.

Esta terra benção de Deus O homem que a rejeita. Tudo que Ser Supremo deu Ynso – Poeta Itinerante Sempre é mal aceita.

Do Chile aquele deserto Onde o verde ignora. Um solo pouco esperto Aguardando sua hora.

A semente resistente Dorme naquele chão. Nem a seca ressente Momento de sua ação.

Com a chuva tudo crescer Na solidão a espera. O deserto vai florescer A chuva em nova era.

O dia que começa chover Cresce aquela plantinha. O verde se volta a ver Surge a verde folhinha.

A semente no deserto Depois de anos dormindo. Volta ter vida e concreto

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Noturno para Franz
Por Danilo Augusto de Athayde Fraga

Quando o espírito farfalha E a vontade estremece abandonada ao vento E a derradeira porta se entreabre – e a sabemos - (Essa esperança não é para nós) E se tem o coração, mas já não o sente Entre dois espasmos E se tem olhos que estão como nublados Ou completamente anoitecidos E a mão desiste, e a palavra desiste na iminência E mesmo o pensamento se amedronta E mesmo o leve gesto queda ao lado: vencido E a música descansa no silêncio – talvez para sempre Ele nos lembra em sua doce paciência E sua modéstia convicta Que talvez a pena não valha - e mesmo O poema não valha e certamente A Rendição se atrasará. Mas, mesmo assim E apesar de tudo Existe tanta vida e por todos os lados Acontecendo incessante e explode em um segundo E sequer o pensamento e sequer a mais longa música poderá apaziguar E mesmo que a gente esteja doente ou deseje a morte de forma sincera E mesmo depois de tudo o que acontece Somos num instante rendidos por coisas tão pequenas Por este mínimo incessante que existe em tudo Por esta vida que existe - demasiadamente

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Ode à Leitura
Por Rossandro Laurindo

Com escrivaninhas vazias nos encontramos No lugar, tecnologia por cuja qual Logo amantes nos tornamos

Sons e imagem nos atraem mais Que o prazer da antiguidade Queria poder com maestria Da caneta em punho Traçar meus caminhos de viver Meus sentidos controlar Com uma simples escrita mover Saudade de minha imagem Em lugares isolados, em silêncio Natureza em minha alma O que está em livros fazemos de vida Seguimos caminhos de letras que ensinam Somos livros abertos, mas sem letras Páginas em branco que respiram Infinito fosse o tempo Quando ao tocar um livro Tique, tique nunca taque, um minuto Como folhas sobre mesas Brancas, transparentes Sem sequer uma imagem Esperando o carimbo de letras Que conosco interagem Mortiça é minha mente sem saber Meu espírito, miserável o meu ser Entendimento é ouro puro Conhecimento, tu és poder Tudo escuro em nossa mente Enquanto longe de páginas letradas Mais letrados do que gente Maldade emerge de trevas, do vazio Os ácaros empoleirados Sobre os livros empoeirados Das estantes enfileiradas Ler, alimento que preenche Vácuo preenchido pelo leite abundante Luz, estado que atingimos Trevas extintas por O que houve com a tinta de nossas canetas? Culturalidade de estudantes Poderoso não é quem tem Mas quem anseia conhecer Nada mais que a leitura, o momento O elevar das letras aos meus olhos, suave incenso Páginas e páginas nunca são demais Transborda-nos de saber, felicidade

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BOLO DE ANIVERSÁRIO
PARA O BOLO: 1 1/2 xícara de manteiga (300grs) 1 1/2 xícara de açúcar 6 ovos 3 1/2 xícaras de farinha de trigo 1 colher de fermento em pó Esta receita deve ser repetida duas vezes. Para o recheio: 250 grs de ameixa seca, sem caroço 1/4 de xícara de açúcar 3/4 de xícara de água Para a cobertura: 1 1/2 xícara de açúcar 1 xícara de água 8 gemas 200grs de chocolate meio amargo derretido

água e cozinhe até as ameixas ficarem macias. Bata no liquidificador, aos poucos, e recheie o bolo. Prepare a cobertura : Numa panela, coloque o açúcar e a água. Leve ao fogo até ferver e formar uma calda em ponto de bala dura. Teste, pegando um pouco de calda morna entre os dedos. Deverá formar uma bola que mantem a forma. Bata as gemas até ficarem esbranquiçadas e dobrarem de volume. Acrescente a calda quente, caindo em fio, e continue batendo ate esfriar. Junte o chocolate e bata até misturar. Leve para gelar por 30 minutos. Cubra todo o bolo com o creme de chocolate. Rende 40 fatias.

Modo de preparo: Bata a manteiga com o açúcar ate obter um creme de cor clara e leve. Fonte: http://janss1959.blogspot.ch/ Junte os ovos, um a um, batendo sempre ate obter um creme homogêneo. Acrescente a farinha peneirada com o fermento em pó e misture delicadamente. Coloque numa fôrma de 30 cm de diâmetro untada com manteiga. Leve para assar em forno quente (200ºC), preaquecido, ate dourar ou até, que enfiando um palito, ele saia limpo. Retire do forno, deixe esfriar e desenforme. Faça outra receita da massa do bolo. Prepare o recheio: Numa panela pequena, coloque as ameixas, o açúcar e a

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JÁ VI TUDO
Por Gilberto Nogueira de Oliveira Tudo o que eu vi está guardado em mim. Não esqueço nunca de tudo o que vivi: Já vi um homem virar bicho, Já vi mãe chorar pelo filho, Já vi a fome chorar pela morte. Já vi tudo na vida, até a própria vida Querer tornar-se morte. Quase que vi a morte. Já quis morrer de amor. Foi aí que aprendi o significado da vida. Queria até viver. Já vi bicho virar homem, amando-se mutuamente Como fazem os bichos que pensam que são homens, E os homens que pensam que são bichos. Já vi sangue inocente correndo sem razão, Quase vi o homem comer a outra metade do pão. Já vi Cristo ensinando o amor entre irmãos, Mas o homem interveio e disse, não! Já vi a paz nascer numa mulher da madrugada, Já vi o sol morrer nos braços de minha amada, Já vi um homem morrendo aflito e envenenado, Pelo desespero da fome, pelo alimento minguado. Já vi tudo ou quase tudo, E penso que não vi nada, Que não vivi quase nada.

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OLHOS DE AURORA

ção e postou-se de pé ao meu lado. Como não reparar em seus olhos castanho-amarelados e na boca que pare-

Por Deanna Ribeiro

cia pronta para o beijo? Fui por todo o trajeto tentando disfarçar meu embasbacamento com tanta beleza. Não sei se tive sucesso, entretanto. Ela era meu conceito vivo do Belo. A Plenitude, o Sublime, o Superior. Uma musa! Desde esse dia, ia tentando descobri-la em algum ponto do coletivo lotado. Ficava à espera de que subisse, e quando isso acontecia, fitava o olhar para que enxergasse. Por vezes, os passageiros, que eram muitos, se encarregavam de escondê-la de mim. Via seus olhos de aurora por entre cabeças e rostos aleatórios. Um pedaço de boca, um tantinho de cabelos, um quê de ombros. Assim, aos pedaços, eu a admirava; e cuidava de juntá-los todos na mente. Montava meu quebra-cabeças perfeito. A moça dos olhos de aurora povoava meus sonhos, era minha primeira lembrança ao acordar. Esperava por ela a cada manhã, e a tristeza me assaltava, se ela perdia a hora e o 209. Viajava cabisbaixo, capturando trechos de conversas misturados à recordação do sol nascente. também me

Seis e meia da manhã. Todos os dias a essa hora eu estava a esperar o ônibus. Como de costume, ele dobrava a esquina já muito cheio; eu, então, me espremia entre as pessoas até chegar lá atrás e encontrar um lugar razoavelmente confortável. Não sei se

“confortável” é a palavra, acho que “ocupável” cai melhor. Bem, eu enraizava meus pés nesse espaço e assim permanecia até mais da metade do caminho, quando, enfim, conseguia sentar. Ia escutando música ou as conversas alheias para

me distrair. De tanta rotina, acabei decorando alguns rostos e nomes, além dos pontos nas quais eles desciam, claro! – era o mais importante. Algumas conversas eram entediantes; outras, me aborreciam. Os dias no 209 eram agitados, apesar da aparente repetitividade dos acontecimentos. Vez ou outra, algo inusitado acontecia naquele “busão dos infernos”, como eu costumava chamálo, com certo carinho. Numa manhã igual às outras, entre vozes, música e aperto, ela surgiu: veio em minha dire-

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Ainda buscava por ela -

ansioso ram com satisfação: - Ô, má sorte! Ainda bem que amanhã me livro do 209! Tentei disfarçar o desapontamento com um riso sem jeito, fingindo aprovação ao que acabara de ouvir. Aurora não sabia, mas, quando

– na esperança de tê-la deixado escapar à vista num primeiro instante. Às vezes ficava dois ou três dias sem vê-la. E minha felicidade acumulada fugia por todos os poros no dia seguinte, ao ver os raios solares adentrando o coletivo. Quase me escapava o

sorriso instalado bem lá dentro da al- fosse crepúsculo, a escuridão se abolema, quando desses momentos. Será taria em mim. Talvez para sempre. E o que alguém me viu escancarar os lá- sol só ressurgiria nesses momentos em bios? Pensava, preocupado. Por milési- que a retiro do fundo da lembrança e mos de segundos, no entanto, pois trago à superfície do pensamento. mais importante era a presença de Aurora (assim a chamei), que me preenchia. Durante meses até as manhãs mais escuras se radiavam. Radiou-se a minha existência; nimbos se abriam num clarão. Não havia mais ninguém ali, além de nós dois. Tinha a sensação de lugar vazio de gente, totalmente ocupado por ela. Só percebia ser ilusão quando os passageiros a escondiam inocentemente com seus cabeções. Mas em mim, só havia Aurora. Certa manhã, rompeu-se um cabo do motor e o ônibus não pôde seguir viagem. Entre reclamações e xingamentos, descemos todos do coletivo, e foi aí que puxei assunto com a dona dos meus pensamentos. Eis a minha desgraça. Aqueles lindos lábios dissewww.varaldobrasil.com

VARAL DE JANEIRO
Na revista Varal do Brasil de janeiro nós vamos falar do Planeta, do amor ao Planeta, do ser humano, dos animais, plantas…! Nós vamos falar da vida! Par cipe! Envie seu texto até dez de dezembro para varaldobrasil@gmail.com

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A casa desbotada
Por Varenka de Fátima Araújo

A luz do sol desapareceu o céu escureceu como tinta sépia tão escuro, manchas em contrastes um atalho que não se apresenta tal como é, sigo na ousadia olhando tantas manchas esfumaçadas um clarão se fez, o breu se desfez no trilho vou equilibrando me ele não via meu rosto em desejos queria momentos prazerosos despida seguiu seu rumo sem olhar para traz aquela casa amarela, uma propriedade em ruínas foi meu abrigo solitário passei a noite olhando às telhas velhas desbotadas em vermelho e marrom, pretas a telha de plástico incolor levantava descia com a ventania durante horas meus olhos desenhavam seu corpo em vão

Imagem - fonte: http://yaagob.blogspot.com/2010/06/reliquias-da-casa-velha.html

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CONSUMAÇÃO
Por Carlos Conrado A minha distração não demorou muito para ser interferida por uma voz suave e com cheiro de vinho bem perto do meu ouvido esquerdo. Neste instante o meu sangue começou a ferver. Ela me deixava cada vez mais dependente do seu ser. Ela estava sentada ao meu lado, e logo movimentou as suas mãos ao encontro das minhas. Ao tocar-lhe as carnes dos dedos pude perceber a grandeza da sua energia. Ao tocar-lhe desnudei-a em meus devaneios e dei ênfase a uma nostalgia que nutri em mim por vários tempos. Percebendo-me incomodado por senti-la mais próximo, ela investe um beijo ardil e molhado no canto esquerdo do pescoço. Ela sobe a sua boca lasciva até o glóbulo de uma de minhas orelhas e, morde-me a atiçar os mais loucos suspiros. Era certo, o meu desejo era recíproco. Descontrolado agarrei-lhe a nuca e beijei-a de forma a parecer uma fera arfando o seu desejo após horas no cio. Sua pele branca, seus cabelos ruivos e seus lábios carnudos faziam dela uma mulher de beleza ímpar. Mesmo que existissem outras brancas de cabelos ruivos, nenhuma delas seria tão bela e desejada quanto à Anne. Beijar-lhe o colo era como despir a ternura. Arremessei o seu cachecol vermelho ao chão de forma branda e lenta como a compor uma canção New Age. Tirei-lhe a camisa e seu jeans que bem contornava as suas belas formas. Desci-lhe minhas mãos por suas curvas a estudar-lhe como uma das formosas esculturas de Rodin. O ritmo agora estava mais frenético... gostava de ouvila sussurrar em meus ouvidos pedindo-me para ser consumida. Aos pouco fui tirando o seu sutiã e desvendando-lhe mais e mais o íntimo. Seus seios eram como peras sedentas para serem mordidas. Não tinha como resistir... nem era preciso resistir pois a presa ansiava ser devorada!... Molhei-lhe os bicos e, por instantes, sentir-me como uma criança novamente. Sua pele tinha um gosto doce, talvez fosse o gosto de algumas flores, mas sim, havia cravo e hortelã em sua composição. Deitei-lhe no sofá. Ela não soltava os braços de mim a ponto de ferir-me com as unhas de suas mãos. Olhando atentamente em meus olhos, ela movimentou os braços e começou a tirar a minha camisa de botão de forma voraz e arremessou sobre o sofá. Mordeu-me os lábios e num riso sedutor anunciou que iria me morder do pescoço ao meio com intenção de me deixar mais louco ainda... Escorregando suas finas mãos sobre o meu corpo não muito atlético, mordidas famintas desceram rumo a minha calça. Ao chegar ao meio, ela soltou o botão e desceu o zíper da minha veste. Despido também diante da amada, ela agarrou-me com suas mãos e com sua boca desvelou-me por inteiro. Ajoelhada diante de mim, olhou para cima a tentar visualizar o meu rosto e dizer-me atentamente, que era minha, somente minha. Agarrei-lhe os braços e a fiz subir. Logo lhe tirei a calcinha e abri espaço entre suas pernas para que eu pudesse me encaixar. Naquele momento sentir-me o deus Heros a cravar-lhe sem dó a minha espada!... Não tínhamos a preocupação de que alguém pudesse nos observar ou até mesmo, vetar a nossa tão esperada consumação. Ela acreditava estar provida da segurança, pois só havia eu, ela, e um homem bêbado e desmaiado debaixo de uma ducha no banheiro do escritório. Estávamos sim seguros.
Imagem: Pintura de Carlos Conrado

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De que adianta
Por Vinicius Leal M. da Silva De que adianta Ter tudo que queremos Se o rosto na qual me encanta Se nem poder, acho que podemos De que adianta Ver a água cair da fonte E não ver teu rosto no horizonte Namorar na praça ainda é tudo Beijar tua boca Faz-me ter certeza que tenho tudo Sem eu realmente achar que estou louca Não sei o que pensar Sou uma dama Sou poetisa... Mais será que sou seu ar? Eu sou apenas eu Querendo apenas em pranto querendo me afogar...

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Os filmes de minha vida
Por Norália de Mello Castro Na década de 90, quando instalaram TV a cabo em Belo Horizonte, fiquei eufórica e de imediato fiz a assinatura, uma reação bem natural para quem era e é fissurada em cinema. A TV a cabo me colocaria num mundo ampliado, sem precisar viajar, e me permitiria ver filmes dentro de casa. Foi uma sensação de felicidade intensa. Aí, começou uma curtição pela TV jamais sentida. Pouco tempo depois, uma ligeira frustração: a maioria dos filmes que apresentavam já tinha sido vistos. Felizmente, criaram as locadoras de filmes e eu pude superar esta lacuna. Certo dia, conscientizei: ficar frustrada por ver só filmes repetidos, não dá! Afinal, sempre fui curtidora de cinema, demais até. Amava entrar naquelas salas às escuras e ver histórias e mais histórias com imagens vivas. A TV a cabo não está me correspondendo em filmes, porque fui uma “ratazana” de cinemas. Passadas duas décadas de TVs a cabo, continuo nos meus programas preferidos: filmes, cinema. Uma distração que leva a gente a transpor distâncias físicas, se jogando num mundo meio mágico e meio real. Curto mesmo uma televisão. Só que hoje, uma diferença se apresenta: o mundo mudou, os filmes mudaram, continuam apresentando os mais novos e os antigos; e sendo considerados velhos filmes com apenas cinco anos de idade. E os artistas?... Uau... estes mudaram prá valer! Aparecem poucos mitos. Quase não conheço os novatos: são tantos, incontáveis, até! Aqueles ídolos de antes

desapareceram. Os ídolos de hoje são como um meteorito, aparecem e desparecem velozmente; poucos permanecem como inspiradores, melhor dizendo, como exemplos. Entram e saem nas telas com cifrões altos, sem se fixarem. Posso citar como exemplos por grandes desempenhos: uma Meryl Streep, um Michael Douglas. Uma Helen Mirren ou Renée Zellweger. Dos antigos e/ ou novos, muitos, muitos mesmos se fixaram para sempre, por histórias magistrais e artistas sensacionais, jamais esquecidos. Adoro rever os filmes que permanecem na história do cinema.

Penso que herdei de meu pai esta paixão por cinema, porque ele era apaixonado por filmes e suas máquinas criativas. Amava fotografar e filmar. Durante a nossa infância, ele nos levava, a mim e meus irmãos, aos domingos, a matinês das 10 horas, para vermos filmes de humor, onde a criançada se divertia e os adultos também. Vi muitos humoristas considerados de primeira linha, historicamente citados até hoje. Confesso que não gostava deles: os Três Patetas, sempre fazendo maldades entre eles; e nem do gordo e magro, um humilhando o outro. Se ria, era porque acompanhava o riso que se fazia em toda a plateia. Talvez eu não pudesse ainda entender tais filmes. Só sei que é difícil até hoje gostar de um filme de humor. Mas, o passeio ao cinema valia naquelas manhãs domingueiras.

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Mas, um filme, numa matinê de domingo, ficou para sempre em minha lembrança, jamais saiu e me fez amar o cinema. Definitivamente. Pássaro Azul (1940) com a fantástica Shirley Temple, menina prodígio que marcou toda uma geração. Conquistou o mundo com seus cabelos dourados e cacheados e seu grande talento, todo expresso na história comovente de Mytyl, uma garotinha mal humorada, que sai de casa com seu irmão para conhecer e conquistar o mundo, atrás do pássaro azul, o pássaro da felicidade. E por entre caminhos, retorna à casa paterna, onde o pássaro azul é visto na janela de sua casa. Que história comovente! Que beleza de interpretação! Tudo em preto e branco, com cenários maravilhosos.

a verdadeira felicidade está na nossa casa, junto dos seres mais próximos e amados. Podemos conquistar muita coisa além, mas o nosso lar é nosso reduto, o nosso protetor, o nosso mundo especial; somos fruto dele e dele dependemos para outras conquistas. O nosso lar é o espaço mais sagrado, pequeno, minúsculo, mas nosso aconchego diferencial. A busca de nossa felicidade está no lar, dele, para ele e por ele, mesmo que, muitas vezes, ele não nos dê todas as respostas que precisamos ou desejamos, mas ele é completitude da nossa felicidade. Nas minhas divagações cinematográficas de hoje, me perguntei: “Quais os filmes que lhe marcaram? Quais os que ficaram em você?” Afinal, ver um filme é como colocar uma sobrepele no próprio corpo, é inserir imagens e falas no pensamento, é refletir sobre a vida e suas nuances, é muito mais do que simples diversão de ver fotos de outras pessoas representando ali na frente, é entranhar no mundo e deixar-se ser entranhada por ele. Então, decidi retirar as peles sobrepostas pelo cinema e fazer uma rememória dos filmes que foram absorvidos, uma vez que me lembrei do primeiro filme que me tocou sobremaneira – Pássaro da Felicidade. Vamos lá:

Saí superemocionada do cinema, de mãos dadas com meu pai e irmãos, caminhando pela avenida principal de nossa cidade que, àquela época, era cheia de árvores de ficus. Minha emoção, que queria me levar ao choro, encontrei forma de manifestá-la. De mãos dadas com meu pai, fui catando bolinhas vermelhas das árvores, caídas no chão, e eu as esmagava. Cheguei em casa, mesmo tendo esmagado tantas bolinhas, com um mal humor danado: Eu queria ser Shirley, ter cabelos encaracolados, mas os meus eram terrivelmente lisos. A grande lição que ficou foi que

Charles Chaplin me conquistou com seu humor sutil, cheio de ternura e sempre com uma mensagem. Carlitos me fazia rir e chorar; gargalhava diante de suas cenas cômicas. Uma das cenas que ficou para sempre, foi a de Carlitos se encontrando com uma criança de rua; no final, ele estende a mão para a criança e, de mãos dadas, seguem os dois pela rua.

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Carlitos, com seus passos gingados com aqueles pezões e a criança saltitante, filmados por detrás, com as sombras e luzes destacando os dois, e a filmadora se afastando lentamente. Este afastar foi só no filme, pois em mim permanece a emoção e o gesto de amor do Carlitos, o vagabundo. Em Luzes da Cidade (1933), quando o Carlitos, o vagabundo, se encontra com a florista cega e ela o confunde com um ricaço saindo de um carro, quer dizer-lhe que se enganou, mas quando percebe a cegueira da moça, a expressão de ternura do ator, a mais linda expressão de ternura que já vi, quer no cinema ou na vida real, transforma toda a tela num grande gesto de amor: seus olhos brilham como estrelas solares, seus gestos ampliam sua emoção e eu choro todas as vezes que vejo esta cena, só igualada quando ouço a música do Luzes da Ribalta (1953).

Uma simbiose bem constante e definida foi adentrando em mim. Por vezes, filmes me levavam a escolher tema para leitura, ou a leitura me levava a escolher um filme. Um dos filmes que me levaram a procurar o criador do enredo foi Por Quem os Sinos Dobram (1943). Magistral. Deslumbrante. Em preto e branco, com Ingrid Bergman e Gary Cooper, o par romântico, narrando um episódio da guerra civil espanhola. Mas, o personagem que me marcou mesmo foi Pilar, uma guerrilheira mística, determinada, que tomava as decisões que precisavam ser tomadas. A intérprete, atriz grega, ganhou Oscar de coadjuvante e fez crescer mais ainda o valor deste filme, me fez refletir sobre a morte, a vida e a guerra. E, no final do filme, aquela grande frase de Ernest Hermingway: “Não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.” Saí do cinema com o coração disparatado. Com a sensação que a cada badalada do sino, eu morria também. A cada dia vivido, era um badalar do sino. A cada entardecer, o sino tocava para mim. A urgência de viver intensamente se fazia necessário. E viver bem, diante da luz diurna, para ser refletida na luz lunar.

Com Carlitos ou Charles Chaplin, passei a gostar do humor crítico com mensagem construtiva, não aquele humor de estardalhaço vão. Em Tempos Modernos (1940) e no Grande Ditador (1936), com todo seu gestual cômico nessas sátiras, não perdeu a ternura que sinto em todos os seus filmes. Falar de Chaplin, para uma não crítica de cinema, é quase impossível, pois ele foi um dos maiores gênios do cinema. Grandioso. Soberbo. Que me ensinou que precisamos observar e conservar a ternura até nas críticas, sejam quais forem. A delicadeza na Arte, o respeito ao tratar um tema. E que aprendizagem difícil... muito difícil... ainda aprenderei um dia...

Dizem que esta frase não é de Ernest, é de um poeta renascentista. Sendo dele ou não, para mim, será de Hemingway, que fui ler. Um escritor de raro talento narrativo.

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O romantismo que vivenciei em muitos filmes como Folhas ao Vento, com Dorothy Malone, década de 50, a Ponte de Waterloo (1940), Casablanca (1942), Sublime o Amor (1978), histórias deliciosas de amores finalizados pela guerra, morte, desencontros, desajustes, foram ficando para trás. A marca maior veio com o Diário de Anne Frank, baseado no diário de uma jovem que durante dois anos se escondeu dos nazistas, passou fome, medo, frio, mas encontrou ainda uma razão maior de viver: o amor. Morreu num campo de concentração nazista.

Estou falando mais de filmes estrangeiros. E os filmes brasileiros? Vi muitos. Na minha juventude predominavam as chanchadas, que eu não curtia. Mas, Floradas na serra(l954), baseado num romance homônimo de Dinah Silveira de Queiroz, e Menino do Engenho(1970), de Walter Lima Jr, me tocaram sobremaneira.. E o meu filme predileto, aquele que me tocou mais? Pergunto-me hoje. Ah! O meu filme... O grande e magistral preto e branco Hiroshima, Mon Amour (1959). Fui assistilo sozinha, numa tarde. Enfrentava questionamentos existenciais, procurava respostas de como direcionar todas as indagações, que atitudes tomar. Fui ver este filme. E, lá, vi o casal de amantes, se amando, se separando por imposições de uma terrível guerra. Na primeira vez que o vi, eu chorei tanto que não soube contar para colegas o que vira no filme. Voltei dias depois. Voltei mais e mais vezes. O que me prendia neste filme? A alegria do encontro dos amantes e a tristeza da separação imposta?

Novamente, a reflexão da morte se impôs, a velocidade do passar do tempo se fez mostrar. Aqui, então, entram duas artistas que revolucionaram costumes e indicaram mais e mais a pressa do viver intensamente. Brigitte Bardot e Marilyn Monre. Ambas encararam uma nova forma de enfrentar amores desiludidos: uma liberdade mais ampla para as mulheres. Sensuais, mostraram o lado mais amplo da sexualidade feminina. Ambas se tornaram MITOS. Suas imagens falam mais do que seus filmes, mas delas me ficaram o Desfolhando a Margarida (1956) e As Cataratas do Niágara (1953). As duas são citadas e relembradas sempre por autores.

Percebi, a certa altura, que todo o sofrimento estava diluído no fantástico diálogo do filme, escrito por Marguerite Duras, que ganhou prêmio máximo por seu roteiro. Os diálogos eram precisos, concisos. O jogo de sombra e luz dos mais primorosos e envolventes. A cena dos amantes, caminhando ao léu, sem saber que decisão tomar diante da separação imposta por uma guerra cruel - ele, japonês e ela francesa - enquanto flashbacks são utilizados, levando a jovem até Nevers, sua terra natal, invadida pelos inimigos e ela é agredida por eles.

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O amor pode ser destruído por uma guerra nazista, japonesa, espanhola, qualquer outra guerra, até mesmo com a nossa guerra pessoal diante de preconceitos, limitações, raivas, ódios, desencontros mal resolvidos, impasses profissionais... sempre se encontra uma justificativa para um caso de amor mal resolvido e é triste enfrentar o desamor. Mas, são as histórias de amores infelizes que sobrevivem em livros e filmes, são eles que marcam. Hiroshima me levou a buscar os livros de Maguerite Duras. Se não li todos, quase todos. Escritora internacionalmente reconhecida por sua escrita singular, sucinta e precisa. O cinema sempre me encantou com sua capacidade de em menos de uma hora ou pouco mais de hora, conduzir o espectador a vivenciar emoções das mais diferenciadas, em narrativas curtas entre passado, presente e futuro com poucas palavras, levando-o às mais diferentes paisagens e tempo. A fotografia diz muito e, por vezes, mais do que as palavras. Esta capacidade de síntese sempre me instigou e Duras faz nos seus livros um cinema escrito. Em 1984, ela lançou o seu livro O Amante, que depois foi filmado.

levando o leitor a não querer largar o livro até o final da história. Dizem que o livro que levantou o maior prêmio literário da França é autobiográfico. Que seja! Mas é uma lição de vida para adolescentes e para os amantes de uma boa leitura. Nele, encontramos amor, paixão, sobrevivência necessária, traição, busca de ser feliz. Há pouco tempo, um escritor, leu um texto de uma colega e declarou que gostara tanto do texto lido, que gostaria de ele ter escrito o referido texto. Achei que o escritor foi de uma autenticidade única, até humilde. O texto da colega é realmente um grande texto, li-o depois. E chegando ao final deste meu texto, me pergunto: “Qual filme eu gostaria de ter feito?” Nenhum! Não seria nunca uma cineasta! “Qual artista gostaria de ter sido?” Nenhuma! Não dou para arte cênica! Ao contrário, minha timidez se apresenta ao falar em público. Mas... “Qual livro gostaria de ter escrito?” Para esta pergunta, tenho resposta afirmativa. Ernest Hemingway viajava pelo mundo para buscar suas histórias; um andarilho. Duras viveu na Indochina e sobreviveu a guerras. Eu não enfrentei guerras, nem fome, nem saí andando pelo mundo. Fui e sou um andarilho de livros e filmes. Confesso que o livro que eu gostaria de ter escrito é O Amante. Naturalmente.

Li o livro em francês e em português e vi o filme. Ao ler o livro, mais admirei esta autora, como ela conseguiu, num romance pequeno, curto, colocar tanto tempo narrativo, com tamanha intensidade de emoções,

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TUDO COMPLETO

Por Antonio Fidelis

Seus pensamentos estão em mim Suas mãos, seu corpo e. Sua alma quente está em mim Não consigo sentir outra coisa A não ser, a falta que o seu corpo. Sua maneira de agir Sua forma de pensar, me faz... Não imagino como vou ficar sem você No momento és minha estrela guia. E rege minha vida Fazendo-me sentir um homem Desejado, querido, amado. Quero apenas você. Ser amigo, amante. Ouvir apenas o barulho da sua voz Ouvir apenas o toque da sua mão Sentir o gosto de sua língua na minha boca E seus órgãos quentes dentro de mim E eu compensando tudo Tudo que sinto, todo prazer, tudo.

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A ARTE INCONDICIONAL DE AMAR
Por Dhiogo José Caetano

O amor é a maior força que existe no mundo. Aqui falo de amor no sentido lato e não só do sentimento que pode existir entre dois seres. O amor total é uma forte de energia que não utilizamos o suficiente. O amor é uma plenitude que no envolve até nos momentos de raiva, pois a raiva ou ódio é a antítese do amor, ou seja, o amor que está doente. Portanto, aja sempre com amor e terá sucesso na sua existência. O amor está na base de todas as grandes descobertas e grandes invenções que tiveram lugar, têm lugar e terão lugar na história da humanidade. Sem amor, não podemos construir nada de grande. O amor é simplesmente a essência que nos mantém vivos. Se os homens projetaram enormes templos, igrejas, mosteiros, sinagogas, mesquitas, foi por amor ao ser supremo: o seu salvador aquele conhecido com regente de todas as coisas que existe no universo. Se os homens fizeram descobertas em todos os domínios, foi para melhorar a vida dos seus amados irmãos. Seja no domínio da medicina, da tecnologia, do dia a dia ou da melhoria das condições de vida, no fundo, os investigadores, os cientistas, os médicos e os grandes exploradores agiram sempre para o bem da humanidade. O amor vence tudo, a sua supremacia sobrepõe todas as coisas. Aqueles que tentaram, tentam ou tentarão praticar o mal serão sempre vencidos, porque a força do amor é maior do que a força do ódio. Esta pode causar muitos estragos, mas será sempre vencida no fim! Meus amados irmãos, convindo vocês para praticar a arte do amor no dia a dia. Não só irá atingir mais depressa os seus objetivos, mas também praticará o bem à sua volta. Obterá sempre uma recompensa moral ou material. Será um ministro que prega o amor e que é sempre amado. Em suma, cultive a atitude de amar incondicionalmente e não por interesse ou esperando receber uma recompensa. Coloque um amor incondicional nas suas palavras, pensamentos e atos, assim a sua vida plenamente será rega com muito sucesso, clarividência e paz. Amar nunca é demais!

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Seu gesto
Amo todas as noites de luar. Por Domingos Alberto Richieri Nuvolari Incertezas não existem. Inesperados já não acontecem. Gosto do seu gesto simples, Alegria não falta se em Intrigante, calado e sereno como o Todas as tardes e em todas as Luar de uma noite tão linda. Noites, que vivo, me lembro dos Seus olhos me fitando. Rondo todas as noites somente E poder olhar para eles, todos os Em busca e você, para poder Instantes que estou com você. Encontrar você num dia qualquer. Rapidamente viajo pelas ideias absurdas, Inesperadamente olhar para você e Rasgando as fronteiras do pensamento. Inquieto dizer do meu pranto. Incerto de tudo, volto a mim e Começo então a pensar na grande Começo a pensar em você. Herança do seu amor grandioso. Costumo a ouvir você dizer e digo Enfim entro pelas portas do mundo, Em vão, aqui está o som da Com toda certeza e toda Harpa mais bem tocada, que é a Convicção de encontrar sempre você. Canção que tua voz exala. Intacto ouço-a e fico a Incerto caminho por nuvens Imaginar o futuro tão distante. Ricas de tantas alegrias e Risos de um canto eterno. Espero um dia nesse futuro te Encontrar a mesma que você é hoje, Inspirado em você, vejo Rindo seu riso nesse rosto Este mundo todo feito pra mim. Lindo, e dizer que mesmo Sinto tanta alegria ao ver Incerto desse futuro tão distante, que Nascer um dia, que com Gosto de uma coisa em você, de você. Toda força me leva a você.

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Miscelânea de Mim
Por Ediane Souza Sou uma mistura de tudo, sou menina, sou mulher. Sou aquela que sonha, que trabalha duro, que espera com fé. Nasci católica, da Bíblia sempre me aproximei. Busco conhecer a cultura umbandista, pelo Espiritismo me encantei. Tudo o que é do bem é obra de Deus. Creio em santos, sei que há anjos, o meu, o seu. Medito em tudo que me aquieta a alma. Busco o colo de Maria, o amparo de Jesus me acalma. Sou uma mistura de tudo, sou menina, sou mulher. Se fosse animal, um gorila seria, o seu olhar me transmite o orgulho de ser quem é. Gosto dos cavalos pela beleza, pelo passo certo, por sua força e poder. Dos sapos, aprecio a beleza dos saltos, buscando alcançar o que deseja ser. Sou uma mistura de tudo, sou menina, sou mulher. Sou masculino no feminino, o futebol não posso perder. Da novela aos suspenses, da comédia ao seriado. Vejo drama, esportes, romances e me encanta o desenho animado. Sou uma mistura de tudo, sou mulher, sou menina. Tenho medo escuro, o vazio me persegue, solidão é minha sina. Para vencer o monstro do silêncio, trago sempre a luz acesa. A música é sempre o meu alento, espanta a minha tristeza. Sou uma mistura de tudo, sou mulher, sou menina. Trago na voz um dom, já ouvi dizer que meu canto fascina. Sou romântica, gosto de flores, de afago, de aconchego. Adormeço buscando o abraço que espero e nunca vejo. Sou uma mistura de tudo, sou mulher, sou menina. Acendo velas, meus incensos, busco a prece, a oração me ilumina. A minha mistura de tudo me inspira a querer o bem. A menina ainda sonha, a mulher acredita que um grande amor ainda vem.

Foto de Ediane Souza

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MINHA PRIMEIRA BONECA
Por Dora Duarte

Ah como era feia a minha boneca!!!!! Feia muito feia mesmo! Não era uma boneca qualquer como as das lojas: de porcelana, rosada com um belo vestido, ou aquelas de marcas famosas de um material róseo cheirando a coisa nova, era sim, comprada na feira. Uma boneca de pano grosseiro, ou seja, de algodão cru, vestido de chita, mais era a minha boneca querida. Chamava-se Hosana, minha amiguinha inseparável. Não tinha os olhos azuis brilhantes nem cílios longos, tinha os olhos pretos, boca vermelha feitos da linha de bordado, já tão desbotados, mas era a minha boneca, a boca então, não tinha traços delicados. As pernas eram compridas; sem curvas, sem joelhos, sem pé, portanto não tinha dedos. Os braços então, tais quais as pernas, mas era a minha boneca. Seu corpo desengonçado sem formas perfeitas, mas era a minha boneca que eu gostava. Ah e como disso eu me orgulhava! Pensava...já que ela não tem beleza, vou fazer mais e mais vestidos de retalhos de tecidos finos para vez em quando transformá-la. Ganhei uma caixa usada de charutos, usei como baú para suas roupinhas. Em pouco tempo já era uma coleção. Troca daqui, troca dali, enfeitava Hosana , mas era só isso que eu conseguia...Enfeitá-la. O tempo passou, outras bonecas mais vistosas eu ganhei, mas nunca abandonei àquela boneca feiosa. Um fatídico dia, vendo bonecas que dormiam e choravam nos braços de ricaças meninas, pensei numa ideia tampouco brilhante.. (.A minha não chora e nem dorme, mas posso faze-la beber) E foi com esse pensamento inocente, que eu vi mais que de repente, a minha primeira boneca “ morrer”. A carinha de mofo pintada, portanto mais feia estava, mas era a minha boneca!!! Perdi...a enterrei numa cova no fundo do meu quintal, com toda honra e choros e um adeus a minha primeira boneca.

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Varal do Brasil, literário sem frescuras! - Novembro/Dezembro 2012

Por Sheila Ferreira Kuno

Inteligência que encanta
Desta vez vou deixar as esquisitices dos profissionais da informática de lado e vou falar da inteligência. Nessa área, como em qualquer outra, existem vários profissionais inteligentes, mas a inteligência de um deles me encantou. Mário, um rapaz de estatura média, pele branca, cabelos castanhos, anelados e longos, sempre preso em um rabo. Usava barba e bigode fartos. Não era uma pessoa vaidosa, muitas vezes mal penteava os cabelos e a barba dificilmente estava alinhada. Filho único, sua mãe uma mulher muito moderna e animada, seu pai um português, que pelo pouco contato que tive com ele, posso concluir que é muito inteligente. Ele viveu alguns anos na África com seu pai, onde trabalhou e viajou pelo mundo, o que lhe proporcionou um conhecimento cultural incrível. Embora ele não tivesse formação de nível superior, Mário era respeitado por sua inteligência e criatividade. Ele participava de todas as decisões importantes dos projetos. Uma pessoa sensível e carinhosa, sempre disposto a ajudar os amigos. Pai de duas meninas, Mario tinha um amor incondicional por elas. Hoje ele não trabalha mais conosco e com certeza, quem o conheceu sente falta de sua presença marcante. Eu sinto falta das nossas conversas, pois Mário é o tipo de pessoa que conhece tudo, uma enciclopédia ambulante, não tinha assunto que ele ficasse de fora, na verdade, ele sempre se destacava em tudo, seja política, história, religião, informática, enfim, qualquer assunto.

Mario também tinha suas esquisitices, mais que eram ofuscadas por sua inteligência

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Receita e ingredientes do Bolo de Chocolate:

Fonte: http://www.qvinho.com.br

Massa: • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo; • 2 xícaras (chá) de açúcar; • 1 xícara (chá) de chocolate em pó (amargo); • 1 xícara (chá) de água morna; • 1 colher (sopa) de óleo de canola; • 1 colher (sopa) de fermento; • 6 ovos. Recheio: • 1 lata de leite condensado; • 2 caixinhas de morangos; • 1 pote de creme de leite fresco (Nata). Cobertura: • ½ xícara (chá) de açúcar; • 1 lata de creme de leite; • 200g de chocolate em barra para cobertura. Modo de preparo: Para preparar a massa bata as claras em neve e reserve. Numa batedeira adicione as gemas com a água morna, em seguida coloque os ingredientes secos passando por uma peneira e bata até ficar uma massa lisa. Depois acrescente as claras em neve e mexa devagar. Por último a coloque o fermento e leve ao forno numa forma redonda untada com manteiga, por aproximadamente 35 minutos. Enquanto a massa está assando prepare o recheio. Coloque a lata de leite condensado numa panela de pressão, adicione água até cobrir a lata, e deixe cozinhar por 45 minutos. Enquanto isso bata a nata até o ponto de chantilly. Depois de atingido o ponto, coloque 2 colheres (sopa) de açúcar e os morangos cortados em fatias. Misture bem e reserve. Retire da forma a massa do bolo e, com muita delicadeza, corte-o em duas camadas. Na primeira delas espalhe o creme de nata e morangos; capriche nos morangos já que esse creme deixará a massa bem molhadinha. Na segunda camada espalhe o leite condensado cozido. Para finalizar prepare a cobertura. Leve ao fogo uma panela e dissolva o açúcar com o creme de leite e a barra de chocolate já ralado. Misture bem (cuidando para não ferver), e depois que estiver bem homogênea espalhe por cima do bolo, ajustando as laterais para não ficar com falhas. Para decorar e dar um toque especial cubra com lascas de chocolate amargo e morangos inteiros.

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Eu ou Quem?
Por Fernanda de Figueiredo Ferraz

Hoje eu acordei esquisita, talvez porque ontem fui dormir esquisita. O sonho era esquisito. O que é esquisita? Se eu soubesse usaria qualquer outra palavra ao invés de esquisita. Eu tento definir, mas só sei achar que sou esquisita, arrisco: é uma sensação assim...como se estivesse fora de mim e de repente não fosse mim mesma, fosse outra “mim”. Quantas “mim” eu devo ter? Talvez eu não tenha contado quantas por ser tarefa difícil, ou talvez não tenha contado por medo. Eu tenho uma “mim” que adoro, a que me alegra, sorri por dentro, me eleva. Nos dias desta “mim”, fico apta a tudo, de visitas ao pet shop a “shots de tequila”. Por fora este mim está sempre ali, mas no meu interior eu sei que não. O “eu” esquisito, ou um deles, quer chorar, descabelar, ou perguntar para Deus, Universo, Estrela ou você aí: por quê e mais por quês. O mais esquisito é que numa audácia este mesmo “eu” tenta responder e divaga sobre questionamentos infindáveis e se abstrai do trânsito; da conversa da festa; da aula de step; esquece de trancar a porta, ou deixa o cachorro para fora, pois meu “eu” está quase chegando a conclusões e não pode se distrair com as tarefas básicas. Este “eu” encontra um certo aconchego numa taça de vinho e ouve a mestres como Toquinho e Vinícius que lhe respondem: A vida é uma grande ilusão mal nasce começa morre Sim! É isto que quero saber! E quero saber mais, porque eu sou eu e não você? Nesses dias, deste “eu” é como se “eu” vivesse no mundo da terra, que atrapalha suas andanças no mundo da lua onde tudo é mais profundo, atormentador e real para este. A terra se transforma num grande palco para atuar e realizar tarefas assim: iguais. O outro “eu” é o mais comum, racional, presente, mas o igualmente distraído, porque está fazendo a lista do supermercado na reunião com o chefe e pensando na reunião quando está pagando no caixa registradora. Esta sou o meu eu, meus “eus” amado(s), tanto desligado (s), mas nada despreocupado (s). Aliás despreocupada é que não sou, em nenhum dos meus “eus”. Mas: Uma vida não questionada não merece ser vivida. (PLATÃO) E quem sou eu ou o outro eu para dizer o contrário! Questiono mesmo, nem que não queira, a mente é inquieta, se isso me faz esquisita, então assim sou e nos outros dias sou “normal”, sou e sou quantas forem nascendo e crescendo.

Fonte imagem: http:// beta.arabia.msn.com/l

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Amor Sublime
Por Viviane Schiller Balau

Amor sublime! Que sinto por você Que me deixas louca, Por não amar-me Tanto como queria Ser amada por ti; Sem saber o que pensar, Quando não sei o que vai dizer ou fizer Para calar meu coração... Que sofre pela sua falta de carinho Que se faz presente, Quando nosso amor é cheio de paixão e desejo Que nós faz acalentamos nossos momentos num simples gesto de amor.

Imagem: Loving Eye by elektrake

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Sarah Venturim Lasso

...O ILUMINADO?
Fãs de terror e Stephen King, tremei! O autor mais conhecido por suas histórias de tirar o sono de qualquer um, anunciou a sequência do clássico O Iluminado, lançado em 1977. Se você não conhece, não perca a chance de ler esse clássico imperdível de terror, onde um menino e seus pais ficam presos em um hotel no inverno... Claro que qualquer detalhe a mais pode ser considerado um spoiler, mas prepare-se para uma série de pulos na cadeira, e pesadelos. Para os mais apressadinhos, o filme faz jus ao livro. Super recomendado!

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RETRATO
Por Marcos Torres O poço secou. Não há sequer uma gota d’água para molhar a memória. Agora, apenas uma fotografia em preto e branco congelada num tempo esquecido.

Um dia um jornal dizia que a fotografia em preto e branco ia congelar o tempo. Aí ficaríamos tentando escolher o passado ou futuro. O presente é uma ilusão de ótica.

Naquele papel o mundo ficava congelado numa fotografia em preto e branco, olhando o seu próprio retrato paralisado numa parede fria. Hoje, o tempo, as horas, as imagens, não podem ser congelados. Então, a fotografia em preto e branco é o atual objeto de desejo: Paralisa um tempo que anda para trás.

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O Livro – O Golo Do Escritor
Por José Cambinda Dala Imagina um papel branco e um escrito. Qual deles nos dá mais impacto na mente? Com certeza que é o escrito, ao vê-lo temos a curiosidade de saber o que lá está gravado. Podemos conhecer quem a transcreveu, mas muitas das vezes desconhecemos quem escreveu, o verdadeiro autor. Assim, ficamos também alheios as dificuldades que ele passou para dar a luz, o livro – o golo do escritor. É admirável vermos uma página cheia de letras, palavras, frases, períodos formando parágrafos. E quando a lemos, aprendemos, retemos qualquer coisa nem que seja ao menos conhecer a escrita de algumas palavras. Com isso, de uma ou de outra forma estamos a render homenagem ao grande autor que a escreveu.

das vezes têm de se associarem para se conseguir um bom número de textos e formarem uma obra repartindo-se assim os custos. Portanto, as dificuldades não são só financeiras. Por fim, caso consegue-se lançar o livro tem que ser vendido por um preço módico que muitas das vezes não compensam os desembolsados. Então, o escritor é um autor deficitário. Mas, sem dúvidas é um homem feliz, pois não está muito preocupado com os custos e sim com a obra publicada e posta a disposição do público, os leitores, são esses que lhe darão o devido reconhecimento, o respeito, a admiração para a satisfação dele.

O livro é uma grande fonte de transmissão Não imaginam o grande favor que os escri- cuja mensagem é definitiva, não se apaga e semtores, aqueles que perdem momentos e noites para pre que a desejamos rever é só desfolhá-la. lançar um livro no mundo da literatura. Num liO livro liberta a consciência do leitor, insvro, podemos além de lindos textos encontrar pirando-lhe para qualquer coisa, até mesmo para mensagens boas que sirvam de fontes de inspiracomentar ou escrever outro texto e publicá-lo mais ção, para escrever, mudar de vida, mudar a forma tarde. de pensar, de se relacionar, etc. Tudo! Tudo é transmitido por meio do livro. Na verdade, o livro é uma pasta na memória interna do autor, onde estão guardadas e publiÉ fácil obtermos um papel, é só tirar a árcados vários pensamentos, conselhos, inclusive vore da floresta, levá-la para indústria de transforuma matéria visando a satisfação das necessidades mação que lhe tornará em madeira e consequentedas sociedades. mente daí teremos o papel. E esse papel pára por aí? Não! A grande tarefa agora é compor, escrever O livro é uma grande riqueza que é distritextos nele, o que tem sido tarefa árdua para os buída a todo mundo, seja vendido ou não. Todos escritores, sejam eles cronistas, poetas, pensado- são convidados a ler e partilhar dum livro em res, ou outro. qualquer lugar e tempo. Com certeza, os autores escritores passam por muitas dificuldades, que merecem o nosso respeito, para se atingir ao livro. Primeiro é que o autor tem que se concentrar num assunto a escrever, que não é fácil. Depois tem que se preocupar com um revisor literário antes de se editar o livro, que também não é nada muito acessível. Muitas

E falando do livro nunca devemos nos esquecer que o grande livro, o maior e mais importante de todos é a Bíblia Sagrada, a palavra de Deus que tudo nos dá para explicarmos ou vermos as coisas, até divinas.

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VOCÊ SABIA?
A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores pelos cinco continentes! Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL! E-mail: varaldobrasil@gmail.com Site: www.varaldobrasil.com Blog: www.varaldobrasil.blogspot.com

Se você não leu os números anteriores, peça através do nosso e-mail ou faça download na página do VARAL. É gratuito!

Se você deseja ajudar os animais que todos os dias são abandonados, atropelados, maltratados e não sabe como, vai aqui uma dica: Procure uma associação de proteção aos animais, um refúgio, uma organização ou mesmo uma pessoa responsável em sua cidade ou estado. As colaborações podem ser feitas através de tempo, dedicação, ajudas financeiras, divulgação. Há pessoas por todos os cantos ajudando aqueles que não sabem como ajudar a si mesmos. Seja mais um, faça destes bichinhos a sua causa!! AJUDE A AJUDAR, SEJA HUMANO!

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Creio
Por José Carlos Paiva Bruno

Creio num Homem projeto, muito além de objeto... Em vida, repleto: em morte, discreto... Bilhete secreto! Creio atômica avaliação múltipla, astúcia de muitos pontos... Lusos do começo, novos baianos em apreço... Sou tamanho e momento, alegria e lamento; movimento... Cepo sem acento, acepipe d’alquimia convento... Simples convenção; forma da fórmica, sofisticação... Creio em plantas e cores, diversidades amores! Creio em delicados licores, pétalas em flores... Amálgama em geração, fusório embriagada explosão... Creio firula efeito folhetim, tintim por tintim... Aventura pandora sim, assim leque de Berlim! Assanhadas palavras, saracoteando estradas, jornadas... Jornais de um tempo inteiro, sagas gorjetas do feiticeiro... Creio druida truques de vida, versus araques do fim... Assim arautos de um novo Jardim, coloridas maçãs de mim! Creio no improviso, mímica emergência do aviso... Clemência da amazona, fogo de lua, química nua... Creio num ir e voltar, quase criança engatinhar... Passada que mostra pegada, marca de caminhar! Sendo sempre começo, sou o fim que mereço... Creio na estação do preço: se subo ou se desço... Aroma de um lado belo, lençol apito que revelo... Com ela me atrelo, creio não no fim, trem de jasmim! Imanentes versos da imaginação, linhas da liberdade, Beijo você beldade, curvas loucuras de paixão e amizade... Existência do que simplesmente creio: começo, fim e meio... Devaneio...

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CONVERSANDO COM CLARA MACHADO
papel porque tudo aquilo estava dentro de você e quem tinha colocado lá foi você mesmo. Então você tem o poder de transmutar Neste artigo vou falar da doença do nosso todo o negativo da sua vida em positivo e século, a depressão que tem acometido tanpense nisso, somente você tem esse poder. tas pessoas. E nós nos perguntamos porque Segundo momento, faça uma reflexão sobre nossa sociedade esta adoecendo? Aí eu penso, vocês já ouviram aquela frase. "me o que realmente você quer na sua vida, o sinto só no meio da multidão?", as pessoas que te faz feliz, qual o seu papel aqui no têm se sentido sozinhas , desestimuladas, mundo, para que você veio, encontre o seu fracassadas e sem energia para identificar o PORQUÊ na sua vida e escreva em um paque realmente as faz vivas aqui no nosso pel em branco e durante um mês leia o seu porquê ou antes de dormir ou na hora que planeta e quando elas não encontram essa resposta elas coloca ma culpa nos seus rela- você acordar, mais faça isso com Fé e detercionamentos ou na falta deles, ou na sua in- minação, você vai perceber que como em satisfação pessoal e profissional. E a partir um passe de mágica sua vida vai melhorar daí elas não querem mais nada a não ser se muito e sua depressão vai embora e você vai deitar em uma cama, dormir por horas e es- se transformar em uma pessoa livre e saudável e ADEUS DEPRESSÃO. perar a morte chegar. Porque as pessoas deprimidas pensam que que sua única saída um abraço com carinho. é a morte e que quando esta chegar aquela sensação de tristeza, desânimo, vai desapa- Clara Machado. recer e ele (a), vão acordar do pesadelo e não vão ter essas sensações tão desagradá- www.claramachado.com.br veis causadas pela depressão.

Depressão

Mas como pesquisadora do comportamento humano venho aqui para te ajudar a sair dessa depressão, sem dependência de remédios e sem a saída da morte. A grande saída para a depressão é primeiro parar um minuto com você e identificar: o que estou sentindo? E por que estou sentindo todo esse mal estar? Anote isso em uma folha de papel em branco então leia e releia três vezes e depois queime e faça uma meditação olhando para o fogo e dizendo que você tem a capacidade de queimar e se libertar de tudo aquilo de ruim que você colocou no
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O MAR CHEGOU
Por Juan Barreto

-É! No telefone. Ela agora sim acordou de verdade. Sempre que o telefone toca de madrugada, o ‘alarme -de-coisa -ruim’ toca dentro da gente. Ainda mais quando se tem pai idoso.

-Alô, seu Juliano? O que aconteceu? (...) Ah, meu Deus, meu Deus! E como foi isso? (...) Ela estava naquele estágio aonde a gente Mas ele está bem? (...) Qual o hospital que vai agachando lentamente na banheira do ele está? (...) Certo então, olha, eu vou só sono cheia com seu líquido morninho e vadeixar o Daniel na casa do pai dele e depois pores cheirosos. vou direto pra ai. (...) Certo (...) Certo, muito A água lambendo carinhosamente suas per- obrigado por tudo seu Juliano, até já! nas, barriga e seios. Lentamente progressiEla se sentiu meio tonta, apoiou o corpo com va, chegando ao pescoço, queixo e por fim uma das mãos no braço do sofá enquanto a beijando-lhe a boca, mas ainda não estava completamente imersa, as orelhas estavam outra limpava o suor condensado na testa. ‘A noite vai ser longa!’. – Respirou fundo e de fora mantendo a vigília, permitindo que olhou para o filho sentado no primeiro deconseguisse perceber o que acontecia ao redor, mesmo que os sons chegassem muito grau da escada olhando pra ela com uma apreensão ingênua e fofa. distantes e distorcidos dando a deliciosa sensação de quando nada parece ser com a -Daniel, filho, o vovô sofreu um acidente, nagente, mesmo assim, ainda não era um sono da demais, ele só caiu da janela e a mamãe REM e isso era ruim. tem que ir ao hospital ver como ele está. Três puxõezinhos curtos na manga da cami- Agora sobe lá no quarto põe cueca, camisa, calção e a escova de dente na sua mochila e sa. Intervalo curto. Mais três puxõezinhos curtos e rápidos deram descarga na banhei- calça a chinelinha que eu vou te deixar na casa do papai. Amanhã a mamãe pega você ra de água quente e a luz no fim do ralo se depois do almoço, tá bem docinho? Vai filho! chama vida real. Rapidão, rapidão! Ela digitou o número do ex -marido com as mãos trêmulas enquanto o Ela ensaiou uma abertura de olho. Ainda com a visão embaçada pode ver com olhos filho subia os degraus de dois em dois. semicerrados uma figura pequenininha em -----------------------------------------------------------widescreen. -Mãe! -Hum...Quê? Daniel? O que aconteceu queri- Ele estava sentado num cogumelo gigante, admirando um lindo nascer do sol que se inido? Por que você não está dormindo? ciava. O sol como uma gema gigante, se esDaniel abraçava a cabeça solitária de ‘Golfe’, premia entre o horizonte e o céu. Ele converseu ursinho polar de pelúcia, contra o peito. sava literalmente consigo mesmo. Era um diálogo entre sua boca normal e uma outra Cabeça literalmente solitária, rasgada e com boca inusitada que ficava na sua testa. fiapos brancos de costura saindo. O corpo de Golfe jazia como troféu na casinha do ca- De repente, no meio de uma divagação qualchorro da vizinha. Foi triste na época, mas quer da boca comum, a boca da testa interDaniel nem achava mais tão ruim assim. Fi- rompe com uma voz que não era a sua chacara com a melhor parte, ficara com a parte mando um nome que era o seu: que conversava. - É o amigo do vovô no telefone. Ele quer falar com você. -O que? Amigo do seu avô? “Juliano!” – Intervalo curto... Outra vez: “Juliano!”. Juliano acordou.

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A escuridão do quarto entrou em foco e a silhueta de uma pessoa sentada na janela aberta contra a luz do poste da rua também, justificando o vento frio que recheava o ambiente. Aquela voz rascante outra vez. A voz da segunda boca era a mesma da silhueta.

medo era real e era outro que não o resfriado. O amigo recomeçava a falar efusivamente, gesticulando largamente com os braços e ele preferiu não se levantar da cama pra não deixar o outro mais nervoso.

-Quando se está no começo da vida é como -Juliano, acorde! se acordássemos numa praia deserta e o nosso objetivo é o mar, mas estamos loooon-Eu já estou acordado, mas que diabos! ge, longe pra caralho dele. O mar é um mero Caio? É você? risquinho azul ou verde, nem dá pra saber ao -Claro idiota! Um ladrão chamaria seu nome? certo! A cada passo que se dá a areia pesa absurdamente e tosta nossos pés até que -Poderia ser um fantasma! – Juliano sentoucom o tempo vamos nos acostumando, pese na cama endireitando o corpo devagar, gando o jeito de caminhar. A praia vai se entateou no escuro em busca da luminária que chendo de pessoas seminuas, conchinhas, ficava sobre o criado-mudo ao lado da cama. guarda-sóis coloridos e cheiro de comidas e – Mas o que diabos você está fazendo nessa ai o mar já nem importa mais. O passeio se janela? torna o objetivo, já que ficou agradável! O mar vira meramente um horizonte agora. Pois -Você sabe o que é ser velho? bem, eu já cheguei ao mar e agora? Eu sinto -Er... Eu acho que sei! Velhice só é relativa a água já no meu umbigo Juliano, e agora? – até os sessenta anos. Daí pra frente passa a Ele chorava de escorrer, chorava de soluçar. ser um fato: Você é velho! E eu já tenho sePassou os dedos nos olhos molhados e estenta e três... tendeu a palma da mão pra frente para o amigo. -Ser velho é não ter mais o que desejar! -O quê? Não seja ridículo! – Procurando os óculos na mesinha. – Que bobagem é essa? Eu mesmo estou desejando nesse exato momento que você desça dai e feche essa janela antes que nós dois peguemos uma pneumonia. -Quando se é criança, dizemos que queremos viver pra sempre, ai crescemos mais um pouco e substituímos por algo mais plausível: "Quero viver o máximo que eu puder! Quero morrer de velhice!”. É o que todos dizem! Mas e quando você chega à velhice Juliano? O que se deseja agora? Morrer de mais velhice? Que merda é essa? - A voz dele transparecia uma agonia entre a indignação e a melancolia. -Caio meu amigo, vamos conversar melhor aqui dentro, ande. Ai você vai pegar um resfriado. Juliano falava tranquilamente, mas seu - Vê? Água salgada! O mar chegou! O mar chegou aqui! O mar chegou em mim! -Caio... -Não quero mais ficar dentro d’água, já estou enrugado o bastante. – Passou as pernas para o lado de fora num gesto brusco e sumiu no ar frio em dois andares de vácuo. -SOCOOORRO! SOCOOORRO! ALGUÉM!! MEU COLEGA DE QUARTO CAIU DA JANELA! Juliano apertava o botão ao lado da cama freneticamente. Luzes acesas no corredor, burburinho de pessoas acordando, barulho de passos apressados.

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ADOTE UM LIVRO - UM PROJETO DE VIDA
Por Ivane Laurete Perotti

de muitas nuvens mágicas para dar conta do trajeto percorrido pelo alto escalão das histórias. Mas a preocupação aqui é outra: algumas nuvens mágicas escondem-se em pequenas folhas que estão à deriva, esperando por uma adoção que lhes permita saltitar pelas avenidas dos pensamentos desbloqueados.

Eu, Ivane Laurete Perotti penso que, se as palavras andassem sozinhas, talvez os livros não passassem de uma caricatura enviesada das antigas caixinhas de rapé. Ficariam nos bolsos compridos, esperando para liberar o pó do espirro, ou do entendimento, ou da alegria, ou da tristeza. Se as palavras andassem sozinhas teríamos sido descartados há muito tempo enquanto operários da língua, fabricantes de sentidos e materializadores de histórias. E quero acreditar que as histórias chegaram antes das palavras, envolvidas em nuvens mágicas que se permitiam liberar ou não. As nuvens carregavam senhas, códigos de mão dupla: um sinal ia e outro voltava. Abriam caminho deslizando para dentro do coração daqueles que fechavam os olhos da boca. Boca fechada, história contada. Porém, uma multidão crescente de bocas abertas apoderou-se vagarosamente das nuvens mágicas, e as histórias foram trancafiadas atrás do meio-fio do pensamento. O tempo tomava conta das histórias, mas elas aprenderam a dobrar a vontade de seu guardião e cada uma por si foi saltando para fora, em gotículas de saliva que cobravam o carregamento pesado. Dessa cobrança surgiram as palavras, trôpegas, algumas mais rechonchudas do que outras, e impuseram-se às altas taxas de trafegabilidade cobradas das nuvens mágicas recheadas pelas histórias da vida. Você quer adotar uma história? Eu conto algumas que precisam ser adotadas. As palavras que se escondem nas histórias escritas precisam passar de mão em mão, estão carentes de olhos curiosos, de bocas politicamente corretas, de avenidas largas. As palavras desejam ser levadas de um para outro, sem dono, sem rumo, sem hora para se mostrarem vivas e inteiras na forma de livros a serem gratuitamente distribuídos. Esta é uma caixa de rapé. Parece um projeto, possui título "ADOTE UM LIVRO", mas é uma caixa de rapé. Dentro dela, o pó de várias histórias espera para ser condensado em livros livres, livros que irão abrir-se entre mãos de todos os tamanhos e cores. Livros sem preço para as palavras que carregam e que terão asas para voar para onde desejarem.

E "isso" tudo não é um sonho, é uma necessidade vital. Sem nuvens mágiHoje, as palavras não têm pre- cas, as palavras agarradas às páginas preciço, mas as nuvens mágicas que carregavam sam buscar outras e outras e outras palavras as histórias soltas e livres condensaram-se para sobreviverem e fazerem sobreviver os em folhudas páginas, acreditando ensinar às que dela se valem: nós todos! bocas humanas a hora certa de saboreá-las. Você adota uma história? Se Daí os livros reunirem-se em grupos distintos, sindicalizados, de alta patente e poder e não estiver seguro de seu interesse, leia a peso. Bem, essa é outra história e precisaria "forma" formal e material do que parece um

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projeto - dentro do qual outras caixinhas de rapé estão esperando para sair. Mas adote, adote uma história que tem a ver com a sua nuvem mágica. Fora da caixa, podemos abrir muitos olhos apertados pela ilusão das antigas tarifas cobradas pelas línguas demasiadamente compridas. Quer saber o que está embaixo, por baixo e de baixo dessas metáforas? Leia o PROJETO ADOTE UM LIVRO, na íntegra, por inteiro (ou quase) no blog "PALAVRAS EM BANHO-MARIA", ivaneperotti.blogspot.com.

TÍTULOS DOS LIVROS E TEMÁTICA:

Mesmo que você não queira levar para casa uma caixinha de pó de rapé, 1. Pão de Queijo e Café Preto – construção permita que alguém descubra que elas estão de valores, contexto, cultura, relação entre o por aí, sem pai e sem mãe, esperando para “novo” e o “elemento herdado” . condensarem-se em novas nuvens mágicas. 2. Laelia Purpurata - a fada florista – uma ADOTE!!! noção sobre "tipos” e formação de preconceiAs palavras CRIAM!!!! PROCRI- tos, valores, convencimento, julgamento social. AM! RECRIAM!!! E nesse ritmo fecundam o AGORA que se avizinha... se avizinha...se 3. Maria Fumaça – prosa poética cujo objeto avizinha... é a Locomotiva Maria Fumaça que é mantida São 32 possibilidades de adoção. em São João Del Rey-MG. Veja abaixo o quadro dos títulos que esperam 4. O homem que perdeu o sapato - temátipor você. Você pode participar da distribuico sobre as perdas, a morte, a singularidade, ção, do lançamento, da campanha dentro e as histórias de cada um. fora do Brasil. Pois, quanto mais "adotadores" se juntarem, mais crianças poderão ter em 5. A enchente das goiabas – meio ambienmãos a nuvem mágica das histórias contate, sustentabilidade. Na visão de uma criança das. Você mesmo pode decidir para quem vítima das chuvas. Texto narrativo. enviar o livro adotado, uma vez que pode es6. O catador de latinhas – temáticas sobre a colher a sua recompensa e distribuí-la para formação dos sentidos na linguagem e na soonde e quem desejar com o seu nome na ciedade. contracapa: 7. Meu amor de profe, meu primeiro amor – texto digressivo sobre a visão infantil da primeira escola EU, ___ (fulano de tal______________________________ ADOTEI ESTE LIVRO). Os países lusófonos estão carentes de magia escrita. Juntos, podemos começar por aqui e alcançar outros lugares: Guiné, Angola, Moçambique... 8. Tapetes de Rua - cultura e costumes, construção dos Tapetes de Rua durante a Semana Santa, valorização do meio ambiente, reciclagem, criatividade. 9. Como o Mundo me parece – fenomenologia, leitura de mundo e observações sobre a construção das “verdades” pessoais.

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23. O cachorro que falava inglês – a natu10. Mãe! O espelho está me copiando... sobre os clichês e formação de opiniões, so- reza e a expressão da tristeza, depressão e bre a estereotipia infantil e as relações com o melancolia na fase inicial da adolescência. “diferente”, sobre a curiosidade infantil 24. Também vou à escola - narrativa sobre 11. Pelos trilhos do trem - história e cultura a inclusão, diferenças, limites e superação envolvem as noções de progresso, avanço e pessoal. harmonia entre o ontem e o “hoje”. Ideias de 25. A fonte de três pratos - narrativa sobre formação do cooperativismo. a construção da história pessoal, individual, 12. Sapatilhas douradas - depressão infantil a partir do contexto familiar. e dança se misturam em um universo de su26. Tia Lu, minha tia sapequinha - relacioperação e encontro com a beleza estética e namento familiar, diferenças, pequenos atrisubjetiva. tos, noções veladas sobre a formação de laços dentro da família atual. 13. O monstro e a libélula- sobre a formação dos medos na infância. 27. Pikuá Piracuca – narrativa sobre a chamada "loucura", a “normalidade”, a exclusão, 14. Maria Cotovelo - texto digressivo trata a violência que a indiferença promove. sobre as primeiras impressões na criança. 28. Miudinho - temática sobre a construção 15. Em uma terra com nome de santo – cultura, gastronomia, conceitos, valores, arte- dos pares verdade/mentira, o repasse dos axiomas, o aprendizado por modelagem e sãos, e formação de opinião. exemplificação. 16. Airam, minha avó Maria - temática sobre a vida e a participação das avós na histó- 29. Arco-íris invisível - resiliência infantil, ria infantil, valores que englobam a ideia de superação. “velhice”, solidão e abandono. 30. Mentira tem pernas curtas – contos infantis. 17. A fazedora de Bonecas - a relação da criança sobre a construção de histórias, o ato de contar e o “fazimento” de universos para- 31. A menina e os animais – sobre os cuilelos no mundo infantil, a independência em dados com os animais, adoção e trabalho em fases de crescimento, os medos criados e os comunidade. medos reais. 32. Causos aumentados - histórias ficcionais sobre os tropeiros na Região de Minas 18. Pé de moleque – prosa poética cujo obGerais. jeto é um “arquétipo” do menino mineiro. 19. O menino azul – diferenças, “síndrome de down”, formação de valores, inserção social, e a construção dos “falatórios”. 20. O vendedor de palavras - narrativa sobre o "agenciamento" das palavras e a formação dos sentidos em contexto árido 21. Jô, o caranguejo. Aventuras de um caranguejo macho- meio ambiente, natureza, ecologia, marezeiros, a cata do caranguejo, a luta pela sobrevivência. 22. Cida, a lagartixa Aparecida – temática sobre as lagartixas e suas impressões no contexto humano. Relações de medo, interação, metáforas sobre formação do sujeito social, político e interativo.
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MOTIVAÇÃO
Por Cristina Cacossi

Eu, como escritor que sou, estava precisando de motivação extra para iniciar um novo livro. Pensei muito e resolvi : vou conhecer o mundo. Descobrir tudo o que há de belo. As sete maravilhas existentes dentro dele, e, além delas, as escondidas, as que não saem em postais. Para tal realização eu precisava de muito dinheiro, pois ficaria, sei lá, talvez anos sem trabalhar. Só observando. Essa ideia foi ganhando força dentro de mim e não medi esforços para a tal realização. Num determinado dia, fui. Estando diante da natureza vi belezas estonteantes : o cume das montanhas, os mares, a neve, a chuva, a diversidade das matas, a candura e o colorido das flores, a simplicidade dos animais, a formosura da mulher ... degustei também, os sabores e senti os aromas. Voltei. Após tudo ver, ouvir, cheirar, degustar, tatear, senti fome. Fome de permitir que ouras vozes se expressassem através de mim, de redimir almas com minha poesia, de escrever os sonhos humanos, de saciar os significados. Também de colocar bocas, sorrisos, palavras, preces, desaforos. Emprestar o corpo a corpos desconhecidos. De colocar olhos no cego. Incorporar o conflito que não me pertence. Apreender o conceito, o sentido mais oculto e até desconcerto. Fome de ser o maná e alimentar todas as inquietações. De chover nos corações e também aquecê-los. De ser palavras que estão por detrás das palavras, que falam, mas em segunda voz. Fome de romper o lacre e os limites do convencional. De mostrar a cicatriz depois do corte. De obedecer os desatinos. Minha alma estava faminta! Percebi naquele momento, que dentro de mim eu não havia procurado nada para a minha motivação. Disforme, eu procurara as belas formas do lado de fora. Então, sem ver, ouvir, cheirar, tatear, degustar, descobri que alguém habitava meu ser, que dele vinha uma fragrância estonteante. Aspirei-a e suspirei por ela. Encontrei assim, a luz, a verdade, a paz, a beleza maior e a ... motivação. Tarde a descobri, mas ... descobri !!

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CONCURSO
O livro VARAL ANTOLÓGICO 3, terceira coletânea organizada pela revista VARAL DO BRASIL, sediada em Genebra, Suíça, será realizado pela Design Editora, de Santa Catarina (Brasil). Terá como prefaciador o escritor e jornalista baiano Valdeck Almeida de Jesus e terá o poema de abertura escrito pela talentosa escritora piauiense Rita de Cássia Amorim Andrade. Hoje saiu a lista dos primeiros vinte selecionados. Já foi dar uma olhada nos incríveis selecionados? Dia dez de janeiro sairá a segunda e última lista! (peça nosso regulamento aqui: varaldobrasil@gmail.com ou encontre em nossos site e blog) Agora estamos fazendo um pequeno concurso: quem fará o poema ou o pequeno texto (dez a quinze linhas) que estará numa das orelhas do livro? Que tal se fosse você? Envie seu poema ou seu texto sobre o VARAL DO BRASIL para varaldobrasil@gmail.com e vamos ver... Quem sabe será mesmo você! O vencedor estará presente na orelha do livro e terá direito a receber cinco exemplares do livro (mediante o pagamento do frete caso não se encontre no lançamento do mesmo). Prazo para envio dos textos: 30 de novembro.

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PERDI AS PALAVRAS
Por Rodrigo Pereira dos Santos Perdi meus escritos memórias e momentos Perdido sem minhas palavras mágicas minhas dores e alegrias em papel Perdi minha voz materializada meus sentimentos em registros minha literatura não aprendida gravações e sinônimos Os livros vivos as poesias sedutoras as palavras andantes... Buscarei as palavras em sonhos e vida no céu e na alma transparente no momento e no instante no perdido e no presente...

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Quem sou?
Por Rozelene Furtado de Lima

Sou nuvem ou chuva Dependo do tempo Sou pé ou asa Dependo do vento Sou vida ou morte Dependo da sorte Sou tudo ou nada Dependo da fada Sou triste ou feliz Dependo do meu nariz Sou fé ou porquê Dependo de você Sou como o mar Sempre a mudar Ou como noite de lua No quarto crescente Sou um pedacinho de gente Sou pequena flor no jardim Dependo de quem cuida de mim

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Banco 24 horas
Por Evelyn Cieszynski

Saca. Saca. Saca. E nunca repõe. Faz empréstimos. Tira. Armazena. Sem devoluções. Bombeia. Pulsa. Saca outra vez. Apita o aparelho. Saldo diário em débito. Negativado. Falência em 24h e zero minuto.

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SÓ ESTÁ CANSADO
Por Odete Bin

Cabeça inclinada pelo cansaço A bem da verdade, vencido Óculos pesam sobre o nariz Músculos tensos e reprimidos.

Por cima da armação antiga Um par de óculos embaçados Para quem o vê : - mal enxerga Mas tudo vê; só está cansado !

Enxerga além do que vemos Tudo percebe o que o rodeia É com os olhos da sabedoria Que faz imagens e se norteia.

As fantasias na realidade O tempo roubara-lhe duramente Através de lutas e batalhas E o sono no rosto transparente.

Já não possui avidez à luta Parado, pelo tempo espera Saudade só tem do que vai longe E os anos repassam; são tantas primaveras !

Gritar para quê? Já não adiantaria É melhor cantar mesmo com a voz rouca Porque existe sol todos os dias Acha ainda que a vida é pouca.

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Viajando e Conhecendo o Outro Lado do Mundo
Por Merari Tavares

Sobre esse tema, principio citando a minha frase, cuja autoria me pertence: “A leitura de um bom livro nos proporciona viajar e conhecer o outro lado do mundo”. Por que na maioria das vezes quando autografo um livro, utilizo essa frase? Porque para mim, ao realizar a leitura de um bom livro, você está enriquecendo o seu vocabulário, expandindo o seu conhecimento de mundo e muito mais que isso, está viajando e conhecendo o outro lado do mundo, culturas diferentes! Muita das vezes, você possui um determinado sonho, aquele sonho de conhecer uma determinada cidade, país ou até mesmo, curiosidade de saber sobre uma cultura específica, porém, não lhe sobra tempo ou até mesmo condições financeiras para que você viaje até lá. O livro, nesse momento, é o nosso melhor amigo, pois nos proporciona realizar uma magnífica viagem, sem sair de casa! Já parou para pensar nesse privilégio? O livro é um objeto mais que precioso. Você pode levá-lo para qualquer lugar, a qualquer momento. Quem nunca parou para ler enquanto estava aguardando a fila quilométrica numa consulta médica? No ônibus, quando fazia sua rotina para o trabalho? No sofá de casa, na cama, quando o silencio da noite se fazia presente... E até mesmo, quem nunca leu enquanto estava usando a toalete? É mesmo de se admirar as infinitas situações em que o livro se faz presente em nossas vidas. Não apenas a presença, mas ele nos proporciona um prazer incontável. Uma leitura de um gênero que nos agrade faz com que leiamos horas e horas e nem nos damos conta. Quando a leitura consegue prender o leitor, a sede parece não se esgotar. Mais o leitor quer beber daquela água cristalina, que tanto bem lhe faz. O livro é o nosso melhor amigo. Aqui vai outra frase minha: “São nos livros onde encontramos consolo, quando mais ninguém nos ouve”. Frase verdadeira esta também não? Sim, pois há momentos em nossas vidas, que nem nossos melhores amigos, aqueles que compreendem nossas angústias, algumas vezes, estes não nos compreendem quando passamos por determinadas situações. É neste momento, que recorremos ao nosso ombro amigo, o livro, pois nele, teremos o livre arbítrio para escolhermos o autor, a história, a mensagem perfeita para curar a nossa ferida. Livro é cultura! Livro é liberdade de expressão! Portanto leia, pois a viagem é garantida!

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A CRUZ ERA O SINAL
Por Jacqueline Aisenman

Fez o sinal várias vezes com as mãos. Mas não encontrou soluções, não ouviu respostas para suas interrogações silenciosas. Era o sinal da cruz que havia aprendido brevemente em um curso de catecismo. Repetiu. E mais ainda. Nada. Ergueu os olhos para a grande cruz que decorava a igreja onde estava e levantou-se irrequieto. Aquela cruz era o sinal. Precisava confiar menos no absurdo e mais em si mesmo. Saiu em direção à porta e deixou para trás velhos hábitos e um pedaço dele mesmo que não precisaria mais.

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A Obra de Câmara Cascudo em suas Dimensões Singular e Universal
Por André Valério Sales
Aluno Especial do Doutorado em Sociologia (PPGS/UFPB)

I. INTRODUÇÃO: A motivação deste artigo partiu do convite da União Brasileira de Escritores/RN para participarmos de uma Mesa-Redonda, a ocorrer em outubro de 2012, sobre o tema da universalidade da obra do etnógrafo potiguar Câmara Cascudo (1898-1986), a ser constituída por: Anna Maria Cascudo (filha dileta do mestre), Diógenes da Cunha Lima (Presidente da Academia de Letras do RN) e eu, como estudioso premiado neste tema e com vários livros publicados sobre o célebre professor em questão. Decidi que minha parte na mesa, transformada no presente texto, deveria trazer como termos para comparação uma discussão sobre os escritos singulares e universais de Luís da Câmara Cascudo. Em 2009, no Mestrado em História da UFRN foi defendida uma dissertação cujo autor demonstra não entender o porquê de Câmara Cascudo ser um homem-memória, como escreve Jacques Le Goff em seu livro História e Memória (1990: 371); o escritor da dissertação demonstrava não compreender porque Cascudo foi um documento-vivo em sua época, e porque foi tornado monumento pelos seus amigos e pela sua cidade natal! De acordo com a dissertação, o pesquisador parece acreditar que é um “erro” ou uma “falha” de nós potiguares, de modo geral, monumentalizamos o nosso autor maior, Câmara Cascudo (maior em quantidade de livros e crônicas publicadas, e em termos de suas contribuições para a preservação da Cultura e da cultura popular, tanto potiguar, quanto brasileira, moura, judia, etc.). Logo de início, afirmo que minha posição é a de que essa monumentalização da figura e da obra de Luís da Câmara Cascudo é absolutamente legítima. O objetivo aqui, portanto, é comprovar que tal monumentalidade não é um erro, ao contrário, Cascudo é e deve ser monumentalizado porque tudo o que ele escreveu sobre nossa terra e outras terras, outros continentes (estudando sempre as culturas de Portugal, África, etc.), tem validade, tem valor, e é útil a muitas pessoas, muitos pesquisadores, de diversas áreas do saber, como História da Cultura, Sociologia da Cultura, dentre outras. Apresentando alguns exemplos atuais que comprovem a universalidade e a importância da obra cascudiana na contemporaneidade, lembro que a Revista

de História da Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro: Sabin) cita textos e livros de Cascudo, lembrando apenas dos dois anos mais recentes, nos exemplares de: outubro de 2010; fevereiro de 2011 (em três lugares diferentes na mesma Revista); julho e agosto de 2011; e outubro de 2011 (por três vezes, em diferentes espaços, inclusive em um artigo sobre a Inquisição e os Judeus; e noutro, sobre a História da Alimentação). Já em 2012, a obra de Câmara Cascudo é citada nos exemplares de janeiro (em artigo sobre o cordelista paraibano Leandro de Barros), fevereiro, julho, agosto (em dois lugares diferentes; num deles, em artigo do “imortal” da ABL, Ivan Junqueira, sobre o personagem Dom Quixote, de Miguel de Cervantes) e em setembro também. Afora estes exemplos, no livro preparado pelo Governo Federal (Silva, 2008), voltado especialmente para o ensino de cultura popular em todas as escolas do Brasil (Cultura Popular e Educação: Salto para o Futuro, Brasília: MEC/TV Escola), dos 27 textos sobre o tema, a ser trabalhado pelos professores em sala de aula, 8 utilizam Câmara Cascudo como referência. Corroborando uma anterior observação de Margarida Neves (2002), mesmo que os textos escritos por Cascudo especificamente voltados para a História (alguns deles de caráter singular, de interesse restrito) tragam ainda o ranço positivista e rankeano, advindos da História clássica – quando se buscava nos documentos históricos “a verdade”, sem questioná-los – segundo Neves é “sem dúvida como estudioso da cultura e das tradições populares que Cascudo merece ser lido”, e precisamente esses “textos que se referem ao povo e suas práticas e à história das coisas miúdas, ao anedótico, que em uma de suas chamou de micro história são, juntamente com o sempre consultado Dicionário do Folclore Brasileiro, os mais interessantes e instigantes para o historiador de hoje” (grifo original). Sabemos que Câmara Cascudo foi um pesquisador, incansável, que nunca deixou que os estereótipos impostos pelas elites de nosso país à Cultura Popular e aos estudiosos dela, conhecidos até hoje sob o bordão pejorativo de “folcloristas”, impondo-os sempre que possível às margens da História, o impedissem de levar adiante seu imenso trabalho etnográficoantropológico. Mesmo assim, é sob o termo “folclorista que Cascudo ficou rotulado em nível nacional e internacional, e nós, hoje, não podemos fugir disto. É um fato consumado pela História! Câmara Cascudo é conhecido, junto com Mário de Andrade, como um dos “dois maiores folcloristas [brasileiros] do século XX” (Moraes, 2010: 27). As recomendações da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), desde a sua 25ª Reunião da Conferência Geral, em 1989, são, dentre outras: Folclore e Cultura Popular são equivalentes; “Folclore é o

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Varal do Brasil, literário sem frescuras conjunto das criações culturais de uma comunidade baseado nas suas tradições, expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social; Constituem-se fatores das manifestações folclóricas: Aceitação Coletiva, Tradicionalidade, Funcionalidade e Dinamicidade” (Severino Vicente, In. Alberto, 2006: 28; ver também: D’Amorim e Araújo, 2003: 16). Desse modo, tanto o Dicionário de Língua Portuguesa do lusitano Caldas Aulete (2004: 850) apresenta Cascudo como “Folclorista e etnólogo potiguar de reputação nacional”, quanto o Dicionário de Antonio Houaiss (2004: 813) afirma que Câmara Cascudo foi “jornalista, pesquisador e autoridade nacional em folclore, desde cedo se dedicou às pesquisas de campo sobre as tradições, hábitos, crendices e superstições nas áreas rurais e urbanas. Na África, pesquisou sobre a influência africana na alimentação brasileira, de que resultou a História da Alimentação no Brasil”. çam à dupla classificação que elegi: há trabalhos de caráter universal, que versam sobre questões de nível nacional ou internacional; e outros, que têm alcance singular, abrangendo, segundo o exemplo, estudos sobre a cidade do Natal, berço do referido etnógrafo, sobre outros municípios potiguares, sobre o Estado do Rio Grande do Norte, etc.

II. ABRINDO UM PARÊNTESIS:

Antes de adentrar ao tema em si, é preciso abrir um parêntesis a fim de citar quatro opiniões críticas acerca da obra cascudiana, procedentes de quatro autores diferentes, que foram também os impulsionadores desse meu escrito. Noutras palavras: foi a partir das citações que faço a seguir, sem questionar nenhuma delas, já que explico suas graves falhas em um de meus liPor tudo o que foi aqui exposto, determinei que vros (ver Sales, 2007a), que decidi escrever esse trapara tratar da contribuição da obra do professor Câma- balho: ra Cascudo no tocante às suas dimensões singular e a) Em seu livro A Invenção do Nordeste e Ouuniversal, que vem contribuindo até hoje para o cotras Artes, Albuquerque Júnior imagina que Câmara nhecimento em diversas áreas do saber, é necessário classificar ou dividir o tema em duas partes, em duas Cascudo adota uma “visão estática” do elemento folcategorias essenciais, a singularidade e a universalida- clórico; que seus trabalhos estão “longe de fazer uma de, com a finalidade de distribuir o assunto no texto de analise histórica ou sociológica do dado folclórico”, e modo que ele venha a ser entendido pelo leitor da me- são apenas, segundo Júnior, “verdadeiras coletâneas lhor forma possível. Desse modo: 1º) trato de escritos de materiais referentes à sociedade rural, patriarcal e cascudianos de caráter singular, por exemplo, quando pré-capitalista do Nordeste”. Ou seja, nesta errônea referem-se à cidade do Natal ou ao Estado do Rio avaliação de Albuquerque Júnior (2006: 77), Cascudo Grande do Norte; e 2º) discuto mais amplamente os e outros “folcloristas” mais: “Embora se apresentem como defensores do material folclórico, são paradoescritos universalistas elaborados por Cascudo. O assunto em questão será então trabalhado a xalmente estes [mesmos] folcloristas os seus maiores partir dos conceitos de singularidade e universalidade inimigos e detratores, ao marginalizá-lo, impedindo (ver Sales, 2012a) com base nos estudos do filósofo a criatividade em seu interior, cobrando a sua permahúngaro Georg Lukcás (1885-1971), no seu livro In- nência ao longo do tempo, o que significa sua obsotrodução a uma Estética Marxista: Sobre a Categoria lescência” (ver minha crítica aos deslizes cometidos da Particularidade, de 1959. A ênfase de meu discur- por este tipo de análise em: Sales, 2007a: 102-109, so recai sobre os interesses da História e da Sociolo- 116 e 139-147). gia. O contato de Lukács com a Sociologia não era b) Já Andrea Chiachi, em seu texto “Eles, os superficial; ele foi amigo dos sociólogos Georg SimOutros: Considerações sobre Identidades e Diversidamel, Max Weber, Karl Mannheim, Tönnies, dentre des Culturais” (2004: 71), declara que o que “está auoutros (Frederico, 1998: 9); participou dos cursos de sente” nos estudos de Folclore, assim como também Simmel na Universidade de Berlim, entre 1909-1910, “de boa parte da obra de Câmara Cascudo”, é “o Brachegando a ser “o aluno favorito de Simmel e assíduo sil das relações de trabalho, ou seja, o Brasil das clasfreqüentador da sua casa” (Paulo Netto, 1981: 11); ses sociais”. A crítica que aos erros de avaliação deste todos estes autores participavam de grupos de estudo autor já foi feita por mim antes (Sales, 2007a: 98 a (Schiur – seminário particular), aos domingos, nas 101). casas uns dos outros. c) Raimundo Arrais, numa seleção de crônicas Voltando ao nosso interesse aqui, a obra de cascudianas dos anos 1920, material que o próprio Cascudo será dividida, para melhor compreensão e Arrais ajuda a divulgar, dissertando sobre um trecho explicitação do tema, a partir destes dois conceitos da crônica de Cascudo intitulada “Larico Pellado”, explicitados com maestria por Lukács, o singular e o escrita em 1928, afirma que, em termos de Hisuniversal. tória, nesse texto cascudiano da juventude já Para desenvolver o assunto aqui proposto, en- “aparecem as grandes linhas que orientam a volve iniciá-lo pelos trabalhos de Cascudo que obedewww.varaldobrasil.com

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abordagem do passado por Câmara Cascudo: a sociedade é esvaziada de suas tensões, seu movimento, suas rupturas”, e em se tratando de Folclore e Etnografia, Arrais ainda critica – equivocadamente – que nesta crônica citada, “em contrapartida”, o “tratamento folclórico” do assunto por Câmara Cascudo demonstra que ele “concebe o passado da cidade [do Natal] como o domínio de uma cultura popular imobilizada, esvaziada de toda manifestação dissonante, na qual o folclorista [Cascudo] nada mais vê senão uma doce ingenuidade” (Arrais, 2005: 44). A equivocada crítica deste autor já foi avaliada anteriormente por mim (Sales, 2007a: 108 a 117). d) Hilário Franco Júnior analisa, por sua vez, o livro de Cascudo: Contos Tradicionais do Brasil (também publicado em francês), no Dicionário Crítico – Câmara Cascudo (2003), organizado por Marcos Silva. Em sua crítica, Franco Jr. observa que Cascudo produziu “uma ampla obra”; recolheu, sistematizou e interpretou materiais etnográficos “muito vastos e dispersos”; era “dono de uma enorme erudição”, porém, de uma erudição “predominantemente livresca, fato curioso para folcloristas”, e ainda afirma, erroneamente, que Cascudo “não deixou o Brasil, salvo uma única pesquisa de campo na África portuguesa, em 1963”. E ainda acrescenta Franco Jr. “pode ser dito” de Cascudo que ele foi “um etnógrafo de gabinete”, e conclui: Cascudo “pode ser dito” também como sendo “pouco aparelhado lingüisticamente” (2003:47). As avaliações incorretas deste autor foram por mim esclarecidas, em detalhes (Sales, 2007a: 79 a 88), além de ter publicado um livro somente sobre o preparo cascudiano: Câmara Cascudo e seu erudito preparo lingüístico no romance “Canto de Muro” (Sales, 2012).

História e Sociologia da Cultura. Começo então a tratar do assunto que é central nesse trabalho: fazendo citações à obra de Câmara Cascudo que demonstram as dimensões singulares e universalizantes de diversos livros seus. A partir de agora, vou fazer comentários de trabalhos de sua lavra que possuem apenas um caráter singular, passando em seguida às de caráter universal, buscando, com essa diferenciação, proporcionar um melhor entendimento tema:

III. Singularidade:

O Dicionário Houaiss, considerado por muitos como “o melhor” do Brasil, conceitua o universal enquanto algo que é “comum, relativo ou pertencente ao universo inteiro”, algo “comum a todos os componentes de determinada classe ou grupo” (2009: 1907); e o singular refere-se àquilo que “se aplica a um único sujeito” (id.: 1750).

Já de acordo com o filósofo escolhido para definir o singular e o universal, Georg Lukács, é preciso então esclarecer que existe uma relação de complementaridade entre e singularidade e a universalidade. As duas são noções correlatas, há reciprocidade entre elas, porém, são coisas bastante diferentes. Há uma “tensão” entre estes dois pólos, e é uma tensão “constantemente” transformada “em ato” (Lukács, 1978: 111). Isto significa que o universal só existe a partir das diversas partes singulares que o compõem; do mesmo modo, tudo que é singular é composto de Considerando que fica um tanto claro que ne- centelhas do universal nhum dos quatro autores citados tenham ainda conseSegundo a classificação por mim elaborada, os guido entender a importância da vida e obra de Câmara livros escritos por Câmara Cascudo que possuem caráCascudo; além da distância psicológica que eles mantêm de uma obra que não foi produzida por conterrâneo ter singular, referentes, portanto, a temas natalenses ou seu; e tendo em vista que quem não precisou ainda tra- norte-rio-grandenses, de modo geral, e demais livros, balhar nenhuma temática em que a obra de Cascudo lançados por outros autores, que se utilizam da obra lhe seja valiosa, em algum ponto, também não conse- cascudiana, são: gue entender a importância de seus escritos (seja para 1. Estudos sobre a História do Rio Grande do tratar do lado singular de sua obra, seja para trabalhar Norte: com outros temas mais universais – como, por exemplo, Folclore, etnografia brasileira, africana, estudos *Luís da Câmara Cascudo: História do Rio judaicos, etc.); as críticas acima aludidas me moveram Grande do Norte. Rio de Janeiro: MEC, 1955. a escrever essa classificação, sobre alguns livros de Cascudo, além de citar outros autores que escreveram sobre a contribuição de suas pesquisas, com a finalidaA partir desta contribuição, vários autores utilide de demonstrar o valor dessas investigações, tanto zaram esse livro de Cascudo na construção de outros em uma dimensão singular à nossa cidade do Natal e saberes, sobre diversos temas, por exemplo (em ordem ao nosso Estado do Rio Grande do Norte, quanto em aleatória): sua dimensão universalista, que traz elementos que ajudam na produção do conhecimento em várias áreas - José Lacerda Felipe e Edilson Carvalho: Atlas Escodo saber acadêmico, como, por exemplo, nas já citadas lar do Rio Grande do Norte.

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3. Estudos sobre o Folclore Norte-Rio- José Lacerda Felipe, Edilson Carvalho e Aristotelina Grandense: Rocha: Atlas Escolar, Rio Grande do Norte: Espaço Geo-Histórico e Cultural. Neste sentido, a obra cascudiana inspirou: - Tarcísio Medeiros: Aspectos Geopolíticos e Antropo- - Deífilo Gurgel: Espaço e Tempo do Folclore Potilógicos da História do Rio Grande do Norte. guar. - Olavo de Medeiros Filho: Aconteceu na Capitania - Veríssimo de Melo: A Obra Folclórica de Cascudo do Rio Grande e Notas Para a História do Rio Gran- como Expressão do Movimento Modernista no Brasil. de do Norte. 4. Estudos sobre a “Ditadura de 1964” no - Carlos Henrique Noronha: Rio Grande do Norte: Rio Grande do Norte: Tempo & Espaço. Câmara Cascudo é lembrado por Mailde Pinto - Fátima Martins Lopes: Índios, Colonos e MissionáGalvão, no artigo: “Uma Experiência de Cultura Porios na Colonização da Capitania do Rio Grande do pular” (In. Isaura Rosado Maia: Cascudo: Guardião Norte. das Nossas Tradições), como tendo sido ele um grande ajudador da Cultura Popular na época da gestão do - Marlene Mariz & Luiz Eduardo Suassuna: História Prefeito de Natal, depois cassado, Djalma Maranhão do Rio Grande do Norte. (1915-1971), de quem ela foi secretária. - Denise Monteiro: Introdução à História do Rio 5. Estudos da História e Arquitetura da CiGrande do Norte. dade do Natal: - Sérgio Trindade & José Albuquerque: Subsídios para o Estudo da História do Rio Grande do Norte. - Bernard Alléguède: Os Franceses no Rio Grande do Norte.

*Câmara Cascudo: História da Cidade do Natal. 3ª ed. Natal: IHG/RN, 1999. Este denso e precioso livro inspirou;

- Eduardo Gosson: Sociedade e Justiça: História do - Carina Melo & Romero Silva Filho: Centro HistóriPoder Judiciário do Rio Grande do Norte. co de Natal. - Márcia Oliveira & Maria Cristina Araújo: Rio Gran- Jeanne Nesi: Natal Monumental (um livro clássico) e de do Norte: Geografia e Paisagens Potiguares. Caminhos de Natal. - Tarcísio Gurgel et al.: Introdução à Cultura do Rio Grande do Norte: Literatura, Artes Plásticas, Folclo- - Pedro de Lima: Luís da Câmara Cascudo e a Questão Urbana em Natal. re. - Marcos Silva: Câmara Cascudo, Dona Nazaré de 2. Estudos sobre Etimologia e Toponímia Souza & Cia (Guerras do Alecrim). Potiguar: - Raimundo Arrais: Crônicas de Origem: A Cidade de *Câmara Cascudo: Nomes da Terra: Geo- Natal nas Crônicas Cascudianas dos Anos 20 e Arrais grafia, História e Toponímia do Rio Grande do Nor- et al.: O Corpo e a Alma da Cidade: Natal entre 1900 te. Natal: FJA, 1968. e 1930. Este livro é tão citado, por tantos autores potiguares, singularmente no que diz respeitos à toponí6. Estudos da História da Colaboração de mia e história de vários municípios do Rio Grande do Natal na 2ª Guerra Mundial: Norte, que não cabe aqui tantos nomes de autores e livros. Mais adiante, damos alguns exemplos de muni*Câmara Cascudo: História da Cidade de cípios cuja História foi estudada por Cascudo em seu Natal. 3ª ed. Natal: IHG/RN, 1999. . Nomes da Terra.

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A importante participação de Cascudo na defesa civil fico. de Natal, na época da 2ª Guerra, dentre outros detalhes da história daquela época, são citados por: - Gilberto de Mello Freyre: “Luiz da Câmara Cascudo: Antropólogo Cultural”. In. Província 2. - Lenine Pinto: Os Americanos em Natal. - Vânia Gico: Luís da Câmara Cascudo: Itinerário de - Flávia de Sá Pedreira: Chiclete eu Misturo com Bana- um Pensador. na: Carnaval e Cotidiano de Guerra em Natal (1920- Diógenes da Cunha Lima: Câmara Cascudo: Um 1945). Brasileiro Feliz. - André Sales: 2ª Guerra Mundial: o torpedeamento do Cruzador Bahia pelos nazistas e a história de um herói - Isaura Rosado Maia (Org.): Cascudo: Guardião das potiguar. Nossas Tradições. 7. Estudos sobre a História de Municípios do RN: Câmara Cascudo contribuiu para pesquisas sobre vários municípios do Rio Grande do Norte; incontáveis, tais como: Mossoró, Santana do Matos, Goianinha, Boa Vista, Martins, Arez, dentre vários outros, principalmente em seus livros História do Rio Grande do Norte e Nomes da Terra. É desnecessário, portanto, citar aqui esta enorme quantidade de autores potiguares que se referem a Cascudo em seus respectivos livros. 8. Biografias e Críticas de Pesquisadores acerca de Câmara Cascudo: - Zila Mamede: Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de Vida Intelectual (1918-1968). (Um clássico). - Gildson Oliveira: Câmara Cascudo: Um Homem Chamado Brasil. - REVISTA CONTINENTE DOCUMENTO – CÂMARA CASCUDO, A VIDA DENTRO DA OBRA. - André Sales: Câmara Cascudo: Sua Teoria Folclórica, o Método de Pesquisa e sua Relação Política com as Classes Populares.

- Marcos Antonio Silva (Org.): Dicionário Crítico – Não fosse a consagração nacional e internacio- Câmara Cascudo. nal de Cascudo (e seu casamento com Dhália Freire), esses artigos e livros não existiriam; como por exem- - Itamar de Souza: Câmara Cascudo: Vida & Obra. plo: Finalizando esta parte do assunto, quero lembrar - Jorge Amado: “Mestre Cascudo, Tão Jovem”. In. que para esta mesma classificação dos livros de Cascudo que fiz acima, Manoel Onofre Júnior (2012: 51-64) Província 2. denomina-os de escritos regionais. - Pedro Bloch: “Pedro Bloch Entrevista Câmara CascuPasso agora à discussão sobre a dimensão unido”. In. Província 2. (Publicado também na Revista versal da obra elaborada por Câmara Cascudo. Manchete, nº 619, de 29/2/1964).

IV. Universalidade:
- Dorian Gray Caldas: “Cascudo: o Universal e o Particular”. In.. MAIA, Isaura A. Rosado (Org.). Cascudo: Guardião das Nossas Tradições. - Fernando Luís da Câmara Cascudo: “Confissões do Filho”. In.. MAIA, Isaura A. Rosado (Org.). Cascudo: Guardião das Nossas Tradições. - Anna Maria Cascudo-Barreto: O Colecionador de Crepúsculos – Fotobiografia de Luís da Câmara Cascudo; Coronel Cascudo: O Herói Oculto e Teotônio Freire: Fragmentos de um Legado. - Américo de Oliveira Costa: Viagem ao Universo de Câmara Cascudo – Tentativa de Ensaio BiobibliográSegundo o filósofo Georg Lukács, antes já citado, o universal é tudo aquilo que diz respeito aos “interesses de toda a sociedade” (1978: 76), a universalidade está sempre “em uma contínua tensão com a singularidade”. Ou seja, as relações entre singular e universal (deixando de lado as explicações sobre a particularidade) são sempre múltiplas e contraditórias, e quanto mais autêntica e profundamente os nexos da realidade, suas conexões e contradições, “forem concebidos sob a forma da universalidade”, de modo mais exato e mais concreto “poderá ser compreendido também o singular” (id.: 104).

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Varal do Brasil, literário sem frescuras De acordo com a classificação elaborada por mim para este momento, a obra de Câmara Cascudo em sua di2. Estudo sobre Folkcomunicação: mensão universalista, que se refere a temas que transcendem Natal e o Rio Grande do Norte, abrangendo Esta é uma nova área do conhecimento, relatiassuntos que interessam a todo o Brasil, além, de Por- vamente recente, que também utiliza as contribuições tugal, Espanha, África, estudos judaicos, etc., pode ser da obra universalista de Cascudo, como, por exemplo, apenas para citar o fundador da nova disciplina: assim distinguida: - Luiz Beltrão: Folkcomunicação: Um Estudo dos 1. Estudos sobre o Folclore e a Cultura Po- Agentes e dos Meios Populares de Informação de Fapular no Brasil: tos e Expressão de Idéias. *Câmara Cascudo: Dicionário do Folclore 3. Estudos sobre os Mártires de Cunhaú e Brasileiro - Edição Revista, Atualizada e Ilustrada. Uruaçu (em Processo de Canonização): 12a ed. São Paulo: Global, 2012. Nos estudos sobre nossos possíveis “santos _____. Civilização e Cultura – Pesquisas e potiguares”, a contribuição de Cascudo também está Notas de Etnografia Geral. São Paulo: Global, 2004. lá, por exemplo, em: _____. Folclore do Brasil. 2ª ed. Natal: FJA, - Auricéia Lima. Terras de Mártires. - Francisco de Assis Pereira: Protomártires do Brasil. 4. Estudo sobre a Raça Negra e sua Religião no Brasil e na África:

1980.

_____. Literatura Oral no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. (Coleção Documentos Brasileiros, n° 186).

_____. Geografia dos Mitos Brasileiros. 2a ed. Rio de Janeiro: José Olympio/MEC/INL, 1976. Câmara Cascudo nunca negou seu interesse em trazer à luz a História de personagens normalmente excluí(Coleção Documentos Brasileiros, v. 52). dos pela sociedade, como, por exemplo, os judeus e a _____. Contos Tradicionais do Brasil Para raça negra. Comprovam isso, em relação aos estudos afro-brasileiros ele deixou escritos os livros: Crianças. São Paulo: Global, 2003. *Câmara Cascudo: Meleagro: Pesquisa do Neste quesito, Câmara Cascudo é citado por Catimbó e Notas da Magia Branca no Brasil. 2ª ed. autores brasileiros, de modo geral, e bastante utilizado, Rio de Janeiro: Agir, 1978a. por exemplo, nas Universidades do país: _____. Made in África – Pesquisas e Notas. - Antonio Augusto Arantes: O Que é Cultura Popular. 5ª ed. São Paulo: Global, 2001b. - Carlos Rodrigues Brandão: O Que é Folclore. - René Marc Silva (Org.): Cultura Popular e Educação: Salto para o Futuro. Especificamente acerca dos seus estudos africanos, seus livros influenciaram, dentre outros:

- Roberto Emerson Benjamin: A África Está em Nós: - Mário de Andrade: Macunaíma, O Herói Sem Ne- História e Cultura Afro-Brasileira. nhum Caráter e O Turista Aprendiz. - Augusto Mesquitela de Lima. “Portugal e África na Sabemos pelas cartas trocadas entre Câmara Obra de Câmara Cascudo”. In.. MAIA, Isaura A. RoCascudo e Mário de Andrade (Moraes, 2010), que sado. Cascudo: Guardião das Nossas Tradições. Cascudo ajudou no feitio do famoso livro andradeano Macunaíma, contribuindo, em duas célebres passagens, ambas esclarecendo a Mário as diferenças entre 5. Estudos sobre a História dos Judeus no Brasil: algumas rendas de bilros nordestinas/potiguares citadas pelo autor do célebre romance (Andrade: 2008: 34 *Câmara Cascudo: Mouros, Franceses e Judeus: Três Presenças no Brasil. 3ª ed. São Paulo, Global, e 156). 2001c.

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Como já antes citado, em relação aos estudos judaicos - Elvira D’Amorim & Dinalva Araújo: Do Lundu ao brasileiros, referem-se aos estudos de Cascudo, por Samba: Pelos Caminhos do Coco. exemplo: - Eduardo Escalante: A Festa de Santa Cruz da Aldeia - Olavo de Medeiros Filho: Velhas Famílias do Seri- de Carapicuíba no Estado de São Paulo. dó. 7. Estudo do Período Chamado de “Brasil - Egon Wolff & Frieda Wolff: Natal: Uma Comuni- Holandês” (1630 a 1654): dade Singular. *Câmara Cascudo: Os Holandeses no Rio - João Dias Medeiros: Nos Passos do Retorno: DesGrande do Norte. Natal: Departamento de Imprencendentes dos Cristão-Novos Descobrindo o Judaíssa, 1949. mo de seus Avós Portugueses. _____. Geografia do Brasil Holandês – Pre- André Sales: Lugares e Personalidades Históricas sença Holandesa no Brasil: Bahia, Sergipe, Alagode Arez/RN. as, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. 6. Estudos de Antropologia e Etnografia: *Câmara Cascudo: Ensaios de Etnografia Os dois livros citados são de importância inBrasileira – Pesquisas na Cultura Popular do Bradiscutível para a História do tempo chamado de sil. Rio de Janeiro: MEC/INL, 1971. (Coleção Con“Brasil Holandês”, independente de seu caráter singusulta Científica, nº 2). lar ou mesmo, regional, o tema interessa, concomitan_____. Geografia dos Mitos Brasileiros. 2a temente, ao Brasil e a Holanda. Sua contribuição ao ed. Rio de Janeiro: José Olympio/MEC/INL, 1976. assunto, da qual o Geografia do Brasil Holandês tor(Coleção Documentos Brasileiros, v. 52). nou-se um clássico, inspirou: _____. Civilização e Cultura – Pesquisas e - José Antônio Gonsalves de Mello: Tempo dos FlaNotas de Etnografia Geral. 2ª ed. Belo Horizonte: mengos: Influência da Ocupação Holandesa na Vida Itatiaia. 1983. e na Cultura do Norte do Brasil. (O livro clássico considerado o mais importante sobre a época da ocu_____. Dicionário do Folclore Brasileiro - pação holandesa em nosso país). Edição Revista, Atualizada e Ilustrada. 10a ed. São Paulo: Global, 2001. - Pedro Puntoni: “Geografia do Brasil Holandês”. In.. SILVA, Marcos Antonio (Org.). Dicionário Crítico – _____. História da Alimentação do Brasil – Câmara Cascudo. Pesquisas e Notas. 2ª ed. São Paulo: Global, 2010b. - Evaldo Cabral de Mello: Rubro Veio: O Imaginário _____. Contos Tradicionais do Brasil para da Restauração Pernambucana. Crianças. São Paulo: Global, 2003. (Coleção Tradição Popular, vol. 5). - Olavo de Medeiros Filho: No Rastro dos Flamengos. Quando o assunto é etnografia, pode-se dizer que Cascudo estava imerso, completamente em seu - André Sales: Câmara Cascudo: O Que é Folclore, principal elemento. Seus livros sobre antropologia/ Lenda, Mito e a Presença Lendária dos Holandeses no Brasil. etnografia influenciaram: 8. Estudos sobre a “Revolução de 1817” no - Maristela Oliveira de Andrade: Anotações Sobre a Nordeste: Obra Etnográfica de Câmara Cascudo e Tradição e Cultura Nordestina: Ensaios de História Cultural e Intelectual. *Câmara Cascudo: Movimento da Independência no Rio Grande do Norte. Natal: FJA, 1973. - Altimar Pimentel: Boi de Reis.

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Genealogia. Brasília: Senado Federal: 2008a.

_____. A Casa de Cunhaú: História e Escrita e do Pensamento Nômade.

- Ilza Matias de Souza: Câmara Cascudo: Viajante da

- Humberto Araújo (Org.): Histórias de Letras: PesA “Revolução de 1817” ocorreu apenas no quisas Sobre a Literatura no Rio Grande do Norte. Nordeste do Brasil, mas é uma temática, indubitavelmente, universalista. Os livros de Câmara Cascudo 11. Estudos sobre Ecologia e Biologia: acima citados são clássicos sobre o assunto, ainda que eu não haja procurado, em Recife ou em João Pessoa, *Câmara Cascudo: Canto de Muro – Ropor exemplo, outros escritos que tratem desta que foi mance de Costumes. 4ª. ed. São Paulo: Global, 2006. uma das primeiras revoluções brasileiras pela nossa independência de Portugal. Além do interesse universalista desse livro cascudiano, seu único romance, acredito que ele mere9. Estudos sobre a “Guerra de Canudos”: cesse até mesmo uma tradução para o inglês, que é a língua mais universal do Ocidente. A importância da *Câmara Cascudo: “Biblioteca: J. C. Pinto erudição e do aparato linguístico comprovadamente Dantas Jr. ‘O Barão de Geremoabo’”. A República. utilizados pelo autor, inspirou os seguintes escritos: Natal: IOE, Ano XLIX, nº 2454, 30/05/1939. - Telê Ancona Lopez: “Canto de Muro”. In: SILVA, _____. “O Barão de Jeremoabo”. A Tarde. Marcos Antonio (Org.). Dicionário Crítico – Câmara Salvador/BA, 01/08/1939. Cascudo. _____. “Euclides da Cunha em Natal”. Re- - André Sales: Câmara Cascudo e seu erudito preparo vista Bando. V. 5. Natal: Sebo Vermelho, no 9-10, lingüístico no romance “Canto de Muro”. 2002. 12. Estudos sobre a Internacionalidade da Ocorrida na Bahia, a História da Guerra de obra de Câmara Cascudo: Canudos, cujo livro clássico é Os Sertões, de Euclides da Cunha, é tema de interesse nacional e internacional; Ainda que o tema da História dos judeus e da a tradução do livro de Euclides para várias línguas África sejam de interesse internacional, os escritos de estrangeiras é prova disso. Cascudo também deixou Cascudo publicados noutros países, além de México, sua modesta contribuição sobre a epopeia militar con- Japão, Cuba, etc., serviram de tema para os seguintes tra o povoado humilde de Canudos, tendo contribuído, livros: por exemplo, para o livro de: - Francisco Fernandes Marinho: Câmara Cascudo e o - André Sales: Canudos, Os Sertões e a História de I Congresso Luso-Brasileiro de Folclore e “Câmara um Herói Potiguar. Cascudo e a Península Ibérica”. In.. CASCUDO, Daliana (Org.). Câmara Cascudo: 20 Anos de Encantamento. 10. Estudos na Área da Literatura: *Câmara Cascudo: Literatura Oral no Bra13. Autobiografias do autor e estudos sobre sil. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. suas memórias: (Coleção Documentos Brasileiros, n° 186). _____. Canto de Muro – Romance de Costu*Câmara Cascudo: Prelúdio e Fuga do Remes. 4ª. ed. São Paulo: Global, 2006. al. Natal: FJA, 1974. De modo algum, os estudos literários de Câmara Cascudo, incluindo seu romance único, Canto de Muro, de 1959, são de interesse singular. Nesta área do conhecimento é inclusive notória sua contribuição, dentre outros, aos escritos do modernista Mário de Andrade. Além disso, seus livros ainda serviram de inspiração para os seguintes estudos: _____. Pequeno Manual do Doente Aprendiz – Notas e Maginações. 2ª ed. Natal: EdUFRN, 1998b. _____. Canto de Muro – Romance de Costumes. 4ª. ed. São Paulo: Global, 2006. _____. O Tempo e Eu: Confidências e Proposições. 2ª ed. Natal: EdUFRN, 2008.

- Mário de Andrade: Macunaíma, O Herói Sem Ne_____. Viajando o Sertão. 4ª ed. São nhum Caráter e O Turista Aprendiz. Paulo, 2009.

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Sendo um assunto atualmente de máxima relevância, os livros autobiográficos de Cascudo têm interessado pesquisadores de vários estados brasileiros, e VI. REFERÊNCIAS: talvez até de outros países lusófonos. Como exemplo, cito: ALBERTO, Jóis. “Cultura Local em Época de Globali- Margarida de Souza Neves: “Artes e Ofícios de um zação”. In.. Brouhaha. Natal: FJA, n° 4, trimestral, Provinciano Incurável”. Revista Projeto História abril-maio- junho de 2006. (PUC/SP) – Artes da História & outras linguagens; “Literatura: prelúdio e fuga do real”. Revista Tempo e ALBUQUERQUE JÚNIOR. Durval Muniz. A Inven“O Artesanato da Memória: Luís da Câmara Cascudo e ção do Nordeste e outras Artes. 3ª ed. São Paulo: Cora Narrativa Autobiográfica” In. PASSEGI, M. C.; tez, Recife: FJN/Massangana, 2006. BARBOSA, T. M. N. Narrativas de Formação e Saberes Biográficos. ALLÉGUÈDE, Bernard. Os Franceses no Rio Grande do Norte. 2ª ed. Natal: Sebo Vermelho, 2005. 14. Estudos Críticos à obra Cascudiana: AMADO, Jorge. “Mestre Cascudo, Tão Jovem”. In. Os estudos críticos que a obra de Cascudo ins- Província. Natal: FJA, nº 2, 1968. pirou, poderiam ser classificados como de interesse singular, mas, como são todas elas publicações de nível ANDRADE, Mário (1893-1945). Macunaíma, O Herói nacional, devem ser compreendidos como escritos uni- Sem Nenhum Caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008. versalistas. Por exemplo: _____. O Turista Aprendiz. Belo Horizonte: Itatiaia: - Durval Muniz Albuquerque Jr: A Invenção do Nor- 2002. (estabelecimento do texto: Telê Porto Ancona Lopez. IEB/USP). deste e outras Artes. - Andrea Chiacchi: “Eles, os Outros: Considerações ANDRADE, Maristela Oliveira. Anotações Sobre a sobre Identidades e Diversidades Culturais”. In.. BUO- Obra Etnográfica de Câmara Cascudo. Natal: IHG/ NFIGLIO, Maria Carmela. Políticas Públicas em RN, 1999. Questão: O Plano de Qualificação do Trabalhador. _____. Tradição e Cultura Nordestina: Ensaios de - Raimundo Arrais: Crônicas de Origem: A Cidade de História Cultural e Intelectual. 2ª. João Pessoa/ Salvador: Manufatura/FJFC, 2000. Natal nas Crônicas Cascudianas dos Anos 20.

Acredito, por fim, que meus objetivos iniciais foram aqui cumpridos com a maior seriedade possível. A partir de uma ampla bibliografia, que com certeza é bastante conhecida pelos estudiosos do tema, demonstrei que além de seus escritos de dimensão singular, existem livros de dimensão universal presentes na obra de Câmara Cascudo (que ultrapassa mais de 100 livros publicados) que são de importância inequívoca para a compreensão da História e da Sociologia das culturas humanas. È preciso ratificar que esta universalidade refere-se, mais especificamente, aos escritos cascudianos que versam sobre a Cultura universal e sobre as Culturas Populares, tanto no Brasil, como na África, em Portugal, Espanha, etc.

- Marcos Antonio Silva (Org.). Dicionário Crítico – ARANTES, Antonio Augusto. O Que Cultura Popular. 12ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. Câmara Cascudo. - Hilário Franco Jr.: “Contos Tradicionais do Brasil”. ARAÚJO, Humberto Hermenegildo (Org.). Histórias In: SILVA, Marcos Antonio (Org.). Dicionário Crítico de Letras: Pesquisas Sobre a Literatura no Rio Grande do Norte. Natal: Scriptorin Candinha Bezerra/ – Câmara Cascudo. Fundação Hélio Galvão, 2001. V. CONCLUSÕES:

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Varal do Brasil, literário sem frescuras! - Novembro/Dezembro 2012 Revista Varal do Brasil A revista Varal do Brasil é uma revista bimensal independente, realizada por Jacqueline Aisenman. Todos os textos publicados no Varal do Brasil receberam a aprovação dos autores, aos quais agradecemos a participação. Se você é o autor de uma das imagens que encontramos na internet sem créditos, façanos saber para que divulguemos o seu talento!

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