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Quadrinhos na educação e filosofia 1

Nei de Souza Teixeira 1 Rafael Menari Archanjo 2

Resumo: Desconhecimento, senso comum, ou preconceito, são alguns dos motivos para grande parcela da opinião popular associar histórias em quadrinhos (HQs) - os gibis brasileiros - à cultura de massa e a artefato de conteúdo infantil destinado especificamente às crianças, sem nenhuma finalidade educacional. Em contrapartida inúmeros livros, artigos e publicações acadêmicas, de maneira gradativa, têm tratado este assunto com maior seriedade. O presente artigo objetiva uma didática destas questões iniciais, por meio de uma orientação filosófica, em que ao mesmo tempo aprofunda o tema apresentando as visões e apontamentos de autores e acadêmicos integrados ao meio quadrinista. O texto oportuniza uma reflexão sobre a arte literária e as possibilidades culturais das tão populares e tão perturbadoras histórias em quadrinhos (HQs).

Palavras-chave: Histórias em Quadrinhos. Educação. Filosofia.

1 Nei de Souza Teixeira. Especializando em Ensino de Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP), Polo de Rio Claro (SP). Licenciado em Filosofia pela mesma instituição. E-mail: <neimaca- tuba@yahoo.com.br>.

2 Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP). Licenciado em Letras pela mesma instituição. Docente da área de Literatura do Colégio São José de Batatais (SP). E-mail: <nucleomonografia@claretiano.edu.br>.

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1. INTRODUÇÃO

Com esta questão tocamos um tema muito vasto. Por ser vasto, permanece indeterminado. Por ser indeterminado, podemos tratá- lo sob os mais diferentes pontos de vista e sempre atingiremos algo certo. Entretanto, pelo fato de, na abordagem deste tema tão amplo, se interpenetrarem todas as opiniões possíveis, corremos o risco de nosso diálogo perder a devida concentração. Por isso devemos ten- tar determinar mais exatamente a questão. Desta maneira, levaremos o diálogo para uma direção segura. Procedendo assim, o diálogo é conduzido a um caminho. Digo: a um caminho. Assim concedemos que este não é o único caminho. Deve ficar mesmo em aberto se o caminho para o qual desejaria chamar a atenção, no que se segue, é na verdade um caminho que nos permite levantar a questão e respondê- la. (HEIDEGGER, 1983, p. 13).

Em “Que é isso – A Filosofia?” – investigação aguda acerca da “an- tologia do ser”, publicado em 1955, Heidegger esclarece sobre o quanto se pode indagar da filosofia em seus múltiplos caminhos, quando, embo- ra diversos, todos conduzam a um fim. Com ênfase, adverte o pensador:

uma vez escolhido o caminho, a questão levantada deverá ser respondida (HEIDEGGER, 1983). Sem a mínima pretensão de desvendar a filosofia é suficiente para a presente proposta entendê-la como o pensar do homem por meio da re-

flexão, mas uma reflexão profunda, rigorosa e de conjunto, ou seja, de am- plos conteúdos (ARANHA; MARTINS, 1995). Ainda segundo Aranha

a filosofia propriamente dita tem condições

e Martins (1995, p. 74) “[

de surgir no momento em que o pensar é posto em causa, tornando-se objeto de reflexão. Mas não qualquer reflexão.”. Vêem-na como radical, rigorosa e de conjunto - se por radical se entender a busca dos conceitos fundamentais do pensar e do agir; rigorosa ao seguir um método com co-

erência e crítica; e de conjunto globalizante, quando unida a várias formas

nada escapa a seu interesse”

de conhecimento humano uma vez que “[ (ARANHA; MARTINS, 1995, p. 75).

]

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É por intermédio desse traço diferencial determinante de conheci- mento da filosofia que se busca entender no presente proposta a união dos “quadrinhos”, ou melhor, das “histórias em quadrinhos”, com a “educação” (no sentido de conhecimento) e a “filosofia”. Elementos comuns no coti- diano, embora aparentemente inconciliáveis. Os chamados “quadrinhos” em suas múltiplas concepções artísti- cas e literárias, – possibilidades que logo serão abordadas – atingiram a “maioridade”, tornando-se tema de discussão em várias áreas de interesse. Por conseguinte, de muitas formas poderiam ser reportados e avaliados e, ainda assim, percebidos apenas sob um ângulo particular ou pré-estabele- cido. Daí esta oportunidade de franco diálogo com a educação e a filosofia – ao seu tradicional espírito – importando ressalvar que se pretende aqui entender deles não propriamente “para que servem”, mas sim “o que são”, de que se fala quando a eles se referem.

2. TEXTOS E IMAGENS EM AÇÃO

Textos e imagens em ação (EISNER, 2001), é como melhor se de- finiria esta forma de mídia também chamada gibi, HQs 3 , nona arte, no Brasil; comics, graphic novel, seqüential art nos Estados Unidos; mangá no Japão; historietas na Argentina; histórias em quadradinhos, banda de- senhada ou BD em Portugal; fumetti na Itália; bande dessinée ou BD na França; tebeo na Espanha etc. São essas algumas das expressões pelas quais globalmente se reconhece este fenômeno de comunicação. Mesmo em seus diferentes formatos, temáticas ou nacionalidades, os quadrinhos têm no binômio “textos-desenhos” seus principais elementos . Operando a partir dessas características básicas as histórias se conduzem numa harmonia quadro após quadro, normalmente da esquerda para a direita – o inverso ocorre nos mangás. O escritor e quadrinista estadu-

3 Histórias em quadrinhos.

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nidense Will Eisner, o primeiro a denominar as histórias em quadrinhos como “arte sequencial”, assim as concebe:

As histórias em quadrinhos são lidas com dois importantes disposi- tivos de comunicação, palavras e imagens. Decerto trata-se de uma separação arbitrária. Mas parece válida, já que no moderno mundo da comunicação esses dispositivos são tratados separadamente. Na ver- dade, eles derivam de uma mesma origem, e no emprego habilidoso de palavras e imagens encontra-se o potencial expressivo do veículo. (EISNER, 2006, p. 13).

Partilha da mesma concepção o quadrinista Scott McCloud (2008, p. 128), quando se refere ao dinâmico equilíbrio entre imagens e textos:

Hoje, com um século de quadrinhos na bagagem, os cartunistas de-

senvolveram uma engenhosa e sofisticada dança entre palavra e imagem, que enfatiza as forças de cada uma, mas também procura, sempre que pos- sível, encontrar o perfeito equilíbrio entre ambas. Na maioria das boas histórias em quadrinhos, esse equilíbrio é dinâmico. Por vezes as palavras assumem a frente, outras vezes são as imagens, mas ambas atuam juntas para impelir a história para frente. De ficção ou não-ficção, para todo efeito é uma união de criatividade

o desenho não pode ser uma repetição do texto, pois, se fosse

assim, transformar-se-ia em mera ilustração da palavra. O importante é a peleja entre palavra e imagem” (ARAÚJO, 2007, p. 53). Assim tem sido ao longo de décadas de quadrinhos, mesmo quando algumas obras mais privilegiem as ilustrações e outras mais as narrativas, ou quando umas ter- ceiras mesclam ainda certo equilíbrio entre si. Completa a linguagem das HQs o apoio de vários elementos secun- dários como os “balões de falas” e “pensamentos”, as legendas indicadoras de lugar e tempo, as onomatopéias representando os sons, e os traços si- nestésicos simuladores de movimentos. A ilimitada criatividade do autor determina as possibilidades de uso de tais recursos visuais e suas metáforas correspondentes. Semelhantes, mas levemente distintas das histórias em

em que “[

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quadrinhos, são as “fotonovelas”, os “cartuns” e as “charges”. Enquanto a fotonovela utiliza fotos em seus quadros, os cartuns e as charges se carac- terizam por ilustrações de breves quadros, normalmente satirizando si- tuações sociais ou políticas – sejam de personalidades reais ou aleatórias. Santos (2002, p. 33), que só separa histórias em quadrinhos de fotonove- la, cartum e charge, por questão didática, distingue charge de cartum:

A força da gag de uma charge, que pode ter uma ou mais vinhetas, é limitada ao momento de sua veiculação, perdendo a graça com o tempo, pois retrata um evento de curta duração. O cartum, ao contrário, perma- nece engraçado mesmo depois de décadas de sua publicação, porque abor- da situações atemporais, privilegiando o comportamento humano e suas contradições.

3. ARTE E LITERATURA EM QUADRINHOS?

As HQs têm uma identidade própria, um espaço público personali- zado; estão inseridas no campo dos acontecimentos sociais, e a princípio não sugerem um embate. Todavia, basta relacionar os quadrinhos com al- gum método educativo, ou ainda reconhecer neles qualidades artísticas e literárias, para as opiniões se conflitarem. A despeito do significativo volume de publicações e artigos editados nas últimas décadas nos círcu- los acadêmicos, a reação de desconforto ao tratar neste meio temas sobre quadrinhos ainda é perceptível. Sobre a arte e a literatura nas histórias em quadrinhos, destacam-se como ilustração do tema duas apreciações qua- litativas registradas pelo jornalista e escritor Álvaro de Moya. Em um dos casos, Moya refere-se à arte do quadrinista Winsor McCay e seu persona- gem Little Nemo in Slumberland, desenhado em 1905 nos EUA, como “uma obra prima do desenho”, isto é:

um dos pontos mais altos da arte dos quadrinhos. Todos os do-

mingos, no último quadro, Nemo era acordado pela mãe, depois de iluminar a página, em cores, com sonhos deslumbrantes jamais

] [

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igualados, num visual esplendoroso e criativo. Depois da morte de

McCay, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque solicitou os origi- nais à sua viúva, para compensar o silêncio da crítica de arte à sua

com uma luz comparável

aos primeiros quadros da Renascença, a graça do barroco misturada

à art nouveau, com desenhos que lembravam os palácios dos livros

infantis, de perspectivas e paisagens de contos de fadas, tudo coman- dado pelo nonsense do mundo irreal dos sonhos, cujo predomínio é a visão. (MOYA, 1996, p. 27-29).

época. Uma obra-prima do desenho. [

]

Outro registro de Moya, agora ressalvando a parte literária das HQs, é dirigido a Dashiell Hammett, criador do Agente Secreto X-9 (1934):

Um dos últimos trabalhos escritos por Dashiell Hammett foi o roteiro do quadrinho do Agente Secreto X-9, de 22 de janeiro de 1934 a 16 de novembro de 1935, cuja primeira história se chamava O Caso Powers (The Top), publicado no Evening Journal, com belíssimos desenhos

de Alex Raymond. [

E as principais características de Hammett

como escritor florescem, misturando o social aos dramas familiares,

o que levou o escritor André Gide, ao ler Red Harvest, declarar

que Hammett elevara o policial ao nível da tragédia grega. De fato,

a tragédia grega nunca esteve tão próxima de outro meio de ex-

pressão: a vítima, a fatalidade do crime, o castigo inexorável, à revela- ção final, o encaminhamento trágico para o desfecho em que o bem e

a justiça vencem o mal. (MOYA, 1996, p. 83-84, grifo nosso).

]

Tais considerações valorativas poderiam facilmente se confundir com as de um entusiasta do gênero – ainda que arbitrariamente se despre- zasse o currículo do autor – não fossem elas mundialmente partilhadas por centenas de outros estudos e publicações. As qualidades artísticas dos quadrinhos, tanto em criação como em ilustração, são temas de frequen- tes mostras internacionais em muitos países, sobretudo europeus - onde autores e ilustradores conceituados são tratados como artistas e suas obras obtêm a mesma consideração que obras literárias ou cinematográficas de escritores ou diretores de cinema (SANTOS, 2002).

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Mas, se desde as primeiras décadas do século passado já se admira- vam mundialmente as capacidades artísticas deste formato de arte, é a par- tir das últimas décadas que sua expressão literária seria definitivamente afirmada, ainda que uma indagação de muitos, quase como em desafio, persista: “Literatura nos quadrinhos é realmente possível?”. Esta questão merece melhor avaliação. Obras da literatura mundial foram e são quadrinizadas constante- mente. Exemplos fáceis são: Don Quixote de La Mancha – de Miguel de Cervantes; Moby Dick de Hermam Melville; Vinte Mil Léguas Submari- nas – de Júlio Verne, dentre outras. Na literatura brasileira cita-se entre muitos a obra: Casa Grande & Senzala: Em quadrinhos / Gilberto Freyre, adaptada por Estevão Pinto, ilustrada por Ivan Rodrigues e colorizada por Noguchi, ou mesmo, Grandes Clássicos em Graphic Novel: O Alienista de Machado de Assis, por Fábio Moon & Gabriel Sá, publicada pela editora Agir, no ano de 2007. E dezenas de publicações recentes como os clássicos quadrinizados de literatura produzidos pela editora Escala Educacional. Além de outras representações editoriais brasileiras que publicam quadri- nhos de interesse cultural e educacional. Contudo, é por intermédio do gênero quadrinista “graphic novel”, inaugurado por Eisner em 1978 com a obra “Um Contrato com Deus”, que as HQs inquestionavelmente revelariam seu potencial também para o texto. Logo seguiram-se outros autores quadrinistas com expressivo des- taques no meio literário como “Maus: A história de um Sobrevivente” de Art Spiegelman – publicado em 1986; “Gen: pés descalços”, de Keiji Naka- zawa, e seu testemunho dos horrores da II Guerra Mundial – com o ata- que nuclear em Hiroshima, e outros. Em Maus, cujo forte certamente não são os desenhos de Spiegelman, as HQs alcançariam relevante expressão narrativa ao vencer o prêmio estadunidense Pulitzer de literatura – regis- tro estampado na capa frontal da revista, pela Cia. das Letras, São Paulo, 2008. Já Gen, de Nakazawa, após consolidado sucesso em sua terra natal e traduzido em vários idiomas, no Brasil, conforme informado na capa posterior de sua revista publicada pela Conrad em 2002, São Paulo, é ven- cedor do Prêmio HQMix de melhor Álbum Clássico de 1999. Registra-se

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também em suas páginas iniciais: “[

]

a primeira história em quadrinhos

japonesa a ser publicada nos Estados Unidos, onde foi incluída em uma lista de livros recomendados para escolas públicas.” (2002, p. 07). Na recente reedição de “Um Contrato com Deus” – publicada em onze idiomas – Eisner (2007, p. 13-14, grifo nosso) diria:

Passei uma longa carreira - que atravessa oito décadas - combinando

e refinando palavras e imagens. Meus primeiros trabalhos em tiras

de jornais e revistas em quadrinhos me permitiram entreter milhões

de leitores semanalmente, mas sempre achei que havia mais coisas

a dizer. Eu fui o pioneiro no uso dos quadrinhos em manuais de

instrução para soldados americanos, cobrindo três guerras impor- tantes e, mais tarde, usei os quadrinhos para educar crianças na escola primária. Foram dois compromissos estimulantes que assumi seriamente. Mas ainda queria fazer algo mais com essa mídia. Com uma idade em que poderia ter me “aposentado”, escolhi, em vez disso, criar quadrinhos literários, na época um termo paradoxal. A aceita- ção nem sempre foi fácil, mas já a vi chegar na minha vida. Tem sido muito gratificante ver a graphic novel e muitos dos seus excepcionais criadores gradualmente tornarem-se um elemento reconhecido do mundo dos livros.

4. CULTURA DE MASSA, CULTURA POP E CRIANÇAS

Embora se tenha até aqui apontado alguns caracteres das revistas em quadrinhos que as nivelam a parâmetros artísticos e literários, há uma par- cela considerável de argumentos desfavoráveis que classificam-nas como “produto comercial”. Entendimento este relativo à “cultura de massa”, ori- ginado do conceito da “indústria cultural” – no clássico entendimento de Adorno & Horkheimer na obra Dialética do Esclarecimento, 1947. Tal concepção entende as artes reprodutivas como disseminadoras, em larga escala, de fragmentos de clássicos destinados à consumidores acríticos e

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“coisificados”: quando a arte autêntica desaparece diante do apelo popu- lar e os consumidores, por sua vez, sem opções artísticas qualitativas, se veem encerrados e alienados neste círculo vicioso de baixa cultura – mais por costume que por real apreciação estética. No presente estudo, as HQs não são entendidas dentro deste conceito de “cultura de massa”. Prefere-se adotar, para os quadrinhos, a denominação empregada por Santos (2002, p. 45) de “Cultura Pop” (Pop Culture), que, harmonizada com a expressão “nona arte” – no uso europeu desde os anos 60 (séc. XX) – considera o fenômeno como uma espécie de fusão entre “cultura popular” e “cultura de massa”. Santos (2002, p. 43-45, grifo nosso) aponta:

A relação do público com os produtos massivos e com os da “arte

elevada” mudou, e as divisões extremamente rígidas entre produtos culturais considerados eruditos, populares e de massa foram abala- das. Segundo Umberto Eco, as diferenças entre essas manifestações

artísticas foram reduzidas ou anuladas. [

produtos culturais, por seu turno, assume novas características: cada pessoa que faz parte do público que consome um produto cultural o percebe de maneira diferente. Um bem cultural vai ter alguma signifi- cação (ou talvez não tenha nenhuma) para o receptor, dependendo da forma como for percebido, incorporado ao imaginário e retrabalhado pelo indivíduo. Silvia Borelli contextualiza o papel do receptor (leitor ou espectador), que não pode ser considerado passivo, iludido ou alien- ado, mas deve ser encarado como um participante ativo na decupagem das mensagens, dos produtos e de seus diversos gêneros, para apropriar- se deles e “transformá-los em referências, ao mesmo tempo, particulares e universalizantes.

A forma de fruição desses

]

Evoluídos os modos clássicos de entender arte – melhor afinados com uma visão pós-positivista – considera o professor Gian Danton o sur- gimento da possibilidade de investigá-la com maior abrangência, inclusive por meio das histórias em quadrinhos, como contribuinte para novas for- mas de conhecimento:

Atualmente, filósofos e cientistas começam a concordar que existem

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outras formas de explicar o mundo tão importantes quanto a ciência. Uma dessas formas, ainda um tanto desvalorizada, é a arte. Em filmes, quadros, livros e até histórias em quadrinhos pode estar a chave para compreender o homem e o mundo em que vivemos. (DANTON, s.d., p. 47, grifo nosso).

Como apontado inicialmente por Heidegger (1983), os caminhos escolhidos em direção a uma verdade podem ser múltiplos, mas escolhi- do algum em particular, se elegerá este dentre os outros, em busca dos fundamentos pretendidos. De tal modo, tendo-se admitido “arte” como uma das formas de “conhecimento”, adquire importância “desvelar conhe- cimento”. No entanto, não é tarefa oportuna para este espaço, mas cujo cerne dentro do contexto pode ser expresso pela visão de dois pensadores:

pelo pré-renascentista inglês, Francis Bacon e pelo contemporâneo educa- dor brasileiro, Paulo Freire. Francis Bacon (1561-1626), que protagonizou a transição da Idade Média para a Idade Moderna deparando-se com as contradições sobre “o que seria o conhecimento”, optou por estudar “como é o conhecimento”:

“Saber é poder!”, afirmaria ele seguidamente em suas obras (BACON apud ANDRADE, 1973, p. 14). Por sua vez, o contemporâneo educador brasileiro Paulo Freire (1561-1997) associa conhecimento à “liberdade”. Freire não fala de saberes certos e saberes errados, diz sim de “diferentes saberes”. Saberes que libertam. Diante dessas considerações pode-se admitir o conhecimento como algo de natureza livre, agente libertador e atualmente manifesto de muitas formas, uma delas na condição de quadrinhos. Estes por sua vez, como produto da Cultura Pop, engendram uma espécie de arte com possibili- dades reais, assim como têm as ciências, de explicar o mundo. Seguem-se deste pressuposto novas indagações, fio condutor da filosofia, agora relati- vas a eventuais capacidades educativas das HQs, e também quanto ao fato de elas serem capazes de agregar conhecimento a adultos: uma vez que em um olhar superficial sejam idealizadas e produzidas para crianças. Ignorando parte do já visto até o momento, é imperativo avaliar a

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veracidade desta questão e premissa popular que diz: “Quadrinhos são coisas para crianças!” Premissa que, formulada diferente, poderia inda- gar: “Seriam os quadrinhos produzidos somente para crianças?”. Cuja melhor resposta é não, pois basta um breve olhar em revistarias e bancas distribuidoras de HQs para se deparar com vários títulos e conteúdos de- finitivamente inapropriados ao público infantil. Sendo assim, por que en- tão paradoxalmente na opinião de muitas pessoas – e dentre elas adultos supostamente esclarecidos – as revistas em quadrinhos sejam entendidas como produto destinado apenas ao público infantil? Esta contradição exi- ge melhor análise. Diante da premissa “Quadrinhos são coisas para crianças!” nada há a refutar, exemplos espocam a todo o momento. Um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, datado de 22 de maio de 2009, assinado pelos professores e escritores Paulo Ramos e Waldomiro Vergueiro, evidencia exatamente esta questão. Trata-se do equivocado episódio envolvendo um órgão de educação do governo de São Paulo ao adquirir obras quadrinistas de conteúdo adulto para serem entregues à alunos do ensino fundamen- tal. Reparado o erro em tempo e recolhidos mais de mil exemplares, o governador do estado, em uma entrevista televisiva, classificou a obra um “horror” e de “muito mau gosto” – registra o texto. Os autores observa- ram mais tarde na reportagem da edição noturna da emissora SPTV (TV Globo) o mesmo tema iniciando dessa maneira: “as histórias são em qua- drinhos, mas o conteúdo não tem nada de infantil”. Evidente reforço do conceito popular: “Quadrinhos são coisas para crianças!”.

“O óbvio: quadrinhos não são só para crianças” é o título do artigo aqui referido. Escrevem os autores: “Por trás dessa questão parece estar um olhar ainda estreito sobre as histórias em quadrinhos, herdado das dé-

O mesmo discurso tende a ver os quadrinhos

cadas de 1940 e 1950. [

de forma infantilizada ou não séria” (RAMOS; VERGUEIRO, 2009, p. 22). Neste curto e esclarecedor artigo, os autores evidenciam o quanto ainda é necessário discutir nos meios educativos questões sobre esta mídia chamada “histórias em quadrinhos”. No capítulo I de seu livro sobre os 100 anos dos quadrinhos, Patati &

]

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Braga (2006, p. 12) escrevem: “Produtos contemporâneos como MAUS de Art Spiegelman, a Mônica de Maurício de Souza 4 ou a saga do Incal, de Moebius e Jodorowsky, não buscam o mesmo público” 5 . Certamente que não será a presença do sufixo diminutivo “inho”, empregado no subs- tantivo “quadrinhos”, que fará de uma HQ uma publicação estritamente voltada para crianças. Subtende-se que talvez a influência do revestimento desta conotação infantil faça com que os quadrinhos acabem por ser rotu- lados como “não-arte” e “não-literatura”, ou mesmo ser entendidos como “produtos destinados só às crianças”. Julgamentos desta esfera acabam por legitimar o preconceito em relação aos quadrinhos, que, partindo dos ar- gumentos já aqui inferidos, são resultado do desconhecimento.

5. SENSO COMUM, HQS E EDUCAÇÃO

Uma vez que preconceitos são gerados pelo desconhecimento, é necessário ainda – a fim de manter o assunto em terreno firme – algu- mas considerações sobre o que se entende por “opinião geral” e “opinião acertada”. Sobre o “rigor”, o “radicalismo” e a “universalidade” da reflexão filosófica já se abordou, certo? Veja-se então a questão das “opiniões” e dos “palpites acertados”, dos quais – como já dito por Descartes – cada qual julga ter os melhores e deles sequer questiona. Opinião que os antigos filó- sofos gregos expressavam por ‘doxa’, equivalente ao atual ‘senso comum’. Aranha e Martins (1995, p. 35) reportam ao senso comum como

4 No dia 12 de maio de 2001, Maurício de Souza entra para a história como primeiro quadrinista a entrar para a Academia Paulista de Letras, ocupando o lugar do poeta Geraldo de Camargo Vidigal, morto em agosto de 2010 (BRENDLER, 2011).

5 Mônica uma brava menininha urbana com seis anos de idade, inspiração de Maurício de Souza, vive as aventuras de criança em companhia de sua turminha cujos principais amigos são: Cebolinha, Cascão, Magali e Sansão, o inseparável coelho de pelúcia. MAUS é um relato adulto em que Art Spiegelman reproduz de forma estilizada (substitui rostos humanos por de animais: ratos, cachorros, gatos etc.) os hor- rores sofridos por seus pais judeus, ao passarem pelos campos de prisioneiros alemães durante a II Guerra Mundial. Já Incal é uma saga fantástica, criada pelo chileno Alexandro Jodorowsky em parceria do francês Moebius. Série em HQ criada nos anos 80 contém elementos de ficção científica, guerreiros galáticos e um conflito inter-planetário. Tudo inicia com o inexpressivo detetive John Difool e um artefato misterioso: o Incal.

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algo irrefletido e ligado às crenças e preconceitos, tornado assim “[

]

um

conhecimento ingênuo (não-crítico), fragmentário (porque difuso, assis- temático e muitas vezes sujeito a incoerências) e conservador (“resiste às mudanças”). Para as autoras isso não desclassificaria o saber do homem comum – distante do saber científico ou do saber da filosofia – uma vez que tal conhecimento evolua desta primeira visão, avançando em crítica e coerência, para o “bom senso”:

O senso comum precisa ser transformado em bom senso, este entendido

como a elaboração coerente do saber e como explicitação das inten- ções conscientes dos indivíduos livres. Segundo o filósofo Gramsci,

o bom senso é o “núcleo sadio do senso comum”. Qualquer pessoa,

não sendo vítima de doutrinação e dominação, e se for estimulada na capacidade de compreender e criticar, torna-se capaz de juízos sábios porque vitais, isto é, orientados para sua humanização. (ARANHA; MARTINS, 1995, p. 35).

Apontam elas como um dos obstáculos para esta superação (de senso comum para bom senso) elementos sociais e elementos políticos, veicula- dos sobremaneira para artifícios discursivos, diferenciados em sociedades

não-democráticas quando “[

em todas as camadas sociais e nem todos têm igual possibilidade de consu- mir e produzir cultura” (ARANHA; MARTINS, 1995, p. 35). O Brasil estaria sujeito à parcela destas dificuldades. Ainda observado pelas autoras que mesmo nas escolas, onde tais di- ferenças deveriam ser inexistentes, uma separação se dá entre as formações humanísticas e científicas - preparando uns para o trabalho intelectual e outros para o trabalho manual. Assim, não só trabalhadores manuais en- contram dificuldades na superação dos sensos, como também:

as informações não circulam igualmente

]

muitos executivos, funcionários de empresas, empresários, espe-

são vítimas deste

pensar [

das, quando sucumbem à ação massificante dos meios de comunica-

cialistas de qualquer área, inclusive cientistas [

quando se acham presos a preconceitos, a concepções rígi-

] [

]

]

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ção de massa. (ARANHA; MARTINS, 1995, p. 35).

Dentre estas questões centrais sobre as HQs tratadas aqui, como:

seus elementos básicos, seu alcance artístico, os públicos destinatários e as opiniões diversas, cabe ainda abordar suas possibilidades educativas, mais diretamente nas escolas – embora a proposta inicial abstivesse tratativas utilitaristas, esta exceção se justifica quando é justamente neste ambiente que muitas dúvidas são levantadas.

A história e a vida de personalidades nacionais retratadas em HQs

como ferramentas didáticas é de uso normal em vários países como os Estados Unidos, Portugal, Espanha, Países Baixos, Japão etc. Embora em menor proporção, isso também ocorre no Brasil. Djota Carvalho, em seu livro “A Educação está no Gibi” (2006), exemplifica ainda outras inúmeras abordagens das histórias em quadrinhos em salas de aulas contemplando- as em várias disciplinas. No início do VI capítulo, escreve o autor:

Após a apresentação da história e dos vários tipos de HQs, proponho a utilização delas em sala de aula, de duas formas: como ferramenta (para)didática, em exercícios e exemplos das mais diversas disci- plinas, ou como exercício multidisciplinar, na criação de HQs. [ ] Uso os quadrinhos até mesmo em aulas de teorias da comunicação, na universidade, para discutir o alcance e a influência da mensagem dos meios de comunicação de massa. (CARVALHO, 2006, p. 61).

O criador da “Turma da Mônica”, Maurício de Souza, tem ao lon-

go do tempo produzido HQs infantis com intenções didáticas, recente- mente também na forma de mídia eletrônica. Exemplo de publicações deste gênero é a coleção “Você sabia? Turma da Mônica”. Em suma, são “quadrinhos” de 36 páginas em formato com seus personagens regulares reproduzindo temáticas de história (como Proclamação da República, In- dependência do Brasil, Descobrimento da América), de personalidades nacionais (Santos Dumont, Heitor Villa Lobos, Aleijadinho, Oswaldo Cruz), da cultura nacional (Folclore, Carnaval, Festas Juninas, Futebol) e muitas outras - incluso uma HQ com o título “A História das Histórias em Quadrinhos”, publicada em 2004.

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Maurício, que aos seis anos foi alfabetizado por sua mãe por meio de

gibis, dos quais tanto lhe admiravam as figuras, conforme registrou Sidney Gusman (2006) em “Maurício: Quadrinho a Quadrinho”. Esta afirmativa

é parecida com a de Moya no livro História da História em Quadrinhos

sobre Tristão de Athayde 6 ao falar da revista “O Tico-Tico”, marco inicial

de publicações infantis no Brasil, no ano de 1905: “O Tico-Tico foi mi- nha iniciação literária” (ATHAYDE apud MOYA, 1996, p. 35). Também

o poeta Carlos Drummond de Andrade registra na capa posterior deste

mesmo livro: “[

minha croniqueta sobre saudosa revista em que, de certo modo, aprendi

a ler e a ver figuras, no ano lendário de 1910.” (ANDRADE, 1996, p.

214).

No cenário político, um episódio histórico ocorrido em 1949 no Congresso Nacional se deveu à influência das histórias em quadrinhos. Na época os quadrinhos eram acusados de, entre outros prejuízos, causa- rem “lerdeza mental”, “alienação” e “criar hábitos estrangeiros” nas crian- ças e nos adolescentes (CARVALHO, 2006). Convocou-se então uma comissão para avaliar o grau de nocividade das HQs que ao final resultou em parecer favorável aos quadrinhos. Sobre este caso, registra Carvalho (2006, p. 34):

Falar em Tico-Tico, fiquei lisonjeado ao ver transcrita

]

O relator da comissão, ninguém menos que o sociólogo, escritor e

autor de Casa grande e senzala, deputado Gilberto Freire, chegou a

conclusões bastante positivas em relação aos quadrinhos. As princi- pais delas:

as HQs, em si, não são boas nem más, dependem do uso que se faz delas;

as HQs ajudam na alfabetização;

por meio de seus enredos, elas ajudam os leitores a ajustar suas per-

6 Tristão de Athayde é o pseudônimo do intelectual brasileiro Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), nascido em Petrópolis (RJ). Formado em Direito, foi jornalista (cerca de 4.000 artigos publicados), católico atuante, crítico político, professor de literatura, autor de 80 livros e também membro da Academia Brasileira de Letras.

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sonalidades à época e ao mundo; as HQs preenchem a necessidade de histórias e aventuras da mente infantil.

Citando em sua obra uma pesquisa de nível nacional, realizada em 2001 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Carva- lho (2006, p. 38) aponta algumas avaliações, mais recentes, sobre a relação entre educação e revistas em quadrinhos:

“Retrato da Escola 2”, realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) em dez estados do Brasil, tam- bém em 2001, comprovou que alunos que lêem gibis têm melhor desempenho escolar do que aqueles que usam apenas o livro didático - entre os estudantes da 4ª série da rede pública, a HQ aumenta sig- nificativamente a performance do aluno: entre os que acompanham quadrinhos, o percentual das melhores notas nas provas aplicadas foi de 17,1%, contra 9,9% entre os que não lêem.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme sabiamente observado em 1949, pelo então deputado

Gilberto Freyre (apud CARVALHO, 2006, p. 34), “[

não são nem boas nem más”, dependem das escolhas e do uso aplicado a elas. Como existem livros, filmes e músicas bons ou ruins – o mesmo se dá com os quadrinhos. Contudo, muitas das apressadas afirmativas contra as histórias em quadrinhos se justificam pela desinformação e pelo pre- conceito oriundos do senso comum. Um destes prejuízos é a estabelecida concepção de sua impossível relação com os meios acadêmicos.

as HQs em si,

]

As melhores histórias de super-heróis abordam temas que sem-

pre nortearam os seres humanos, mas algumas implicam perguntas de uma nova natureza, que poderemos fazer no futuro próximo. [ ] Como você reagiria se tivesse a oportunidade de alterar a genética e

] [

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supercarregar seu bebê em seus primeiros estágios embrionários, de modo que ele fosse capaz de fazer um grande bem ou um terrível mal? A pesquisa genética e a nanotecnologia podem em breve trazer ao mundo algumas questões que as histórias de super-heróis vêm abor- dando há um certo tempo. Sob o ponto de vista filosófico, estamos preparados para um futuro radicalmente melhorado? Podemos lidar com as escolhas que um dia teremos de fazer? Talvez precisemos pon- derar um pouco mais as lições dos super-heróis. (IRWIN; MORRIS; MORRIS, 2006, p. 11-12).

No entanto, para diferenciá-las entre si é indispensável inicialmente conhecê-las, saber do que são feitas e de que forma podem se articular, positiva ou negativamente, com os demais saberes. Daí a importância de estudos como o que ora se apresenta. Esse exercício se buscou realizar no percurso deste breve esforço de entender e avaliar os quadrinhos em con- sonância com a educação e a filosofia. Do que resulta as HQs possuírem simultaneamente, via estética e narrativa, capacidades para entreter, informar, ensinar, questionar e – na óbvia maturidade de cada indivíduo – levar crianças, adolescentes e adul- tos a uma reflexão apurada sobre o princípio de realidade.

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Title: Comics, Education and Philosophy. Authours: Nei de Souza Teixeira; Rafael Menari Archanjo.

ABSTRACT: Unknowing, common sense or prejudice, are some reasons for a large portion of popular opinion to associate comics (comic books) - Brazilian comics - mass culture artifact and children’s content designed specifically for children with no educa- tional purpose. On the other hand numerous books, articles and academic publications, gradually, have treated this subject more seriously. The brevity of this paper aims at first an initial teaching of these issues through a philosophical orientation, while at the same time deepens the theme and presenting the views of authors and academic appointments included the comic medium. The text nurtures a reflection on the literary arts and cultu- ral possibilities of the so popular and so disturbing comics (comic books). Keywords: Comics. Education. Philosophy.

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