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HISTÓRIA DO CEARÁ CÓDIGOS DE POSTURAS- SÉCULO XIX ARQUIVO PUBLICO DO ESTADO

Relatório de Visita

Na visita ao Arquivo Publico fomos atendidas pela Sr.ª Idalina que nos repassou alguns documentos da Câmara Municipal de Fortaleza do século XIX. Verificamos a correspondência expedida da câmara municipal da capital para os presidentes e vice-presidentes da província adequado aos anos de 1846 à 1877. Nestes textos estariam contidas diversas informações a respeito da política, das leis e das condutas que deveriam ter os habitantes do Ceará. Porém a leitura não pode ser realizada. Todos os documentos encontravam-se impróprios para pesquisa e necessitando de restauração. Fomos auxiliadas então pelo Sr. André Frota, um pesquisador autodidata que tem como objeto de estudo a história do Ceará. Ele nos contou que os códigos de costume da época eram inseridos nas leis aos poucos, durante as reuniões da câmara. Dentre os livros que pesquisamos separamos alguns trechos da primeira parte da obra Compilação das Leis Provinciais do Ceará, uma edição de livros com leis que incluem os códigos de postura. Depois da coleta de alguns dados na pesquisa optamos por expor no trabalho as leis dos códigos de postura para a cidade de fortaleza. Tais leis mostram de maneira clara como os cidadãos deveriam se portar diante de inúmeras situações e tratam do valor das multas ou dos dias de prisão para o caso de infringirem as normas. Enquadramos as normas de conduta que encontramos nos livros do arquivo publico dentro das seguintes temáticas: transporte, limpeza urbana, segurança pública, construção de imóveis e uso das águas. Segue em anexo as fotos dos livros como um registro imagético da pesquisa.

Os códigos de postura da capital no século XIX Compilação das Leis Provinciais do Ceará – Dr.José Liberato Barroso

CONSTRUÇÃO DE IMÓVEIS

1838 Parte 1 pág 169 Publicado pelo presidente Manoel Felizardo de Souza Mello

Cap.22

Aprovando artigos de posturas da câmara municipal da capital

Art. 67. Pessoa nenhuma poderá chegar suas cercas ao lugar destinado pelas casas, excepto aquellas que tiverem afora do terreno, ficando livre a estas chegar até o meio do quarteirão. Os que pelo contrario obrarem, serão multados em dez mil réis além de ser derribado a cerca à sua custa; e na mesma incorreção aquelles que, dentro do prazo de oito dias da publicação desta, não recuarem as cercas, não tendo aforado o terreno.

Art. 68 As casas de palha que se acharem encravadas em terrenos aforados por outros, quando não se convencionem os donos dessas mesmas coisas com os foreiros, serão avaliadas por árbitros na forma das leis em vigor para serem demolidos, pagando-as o foreiro pela avaliação.

USO DA ÁGUAS

1838 Parte 1 pas. 177 Lei N.141 de 10 de Setembro de 1838 Publicada pelo presidente Manoel Felizardo de Souza e Mello Cap. 28 Aprovando um artigo de postura d câmara municipal da capital, n.69

Art.69. Ficarão proibidos, durante o tempo da seca, as tapagens do rio Maranguape da passagem do corredor de João Rodrigues para cima, pelo mal que causão semelhantes represas à serventia publica: os infratores da presente postura pagarão a multa de oito mil réis, ou sofrerão oito dias de prisão e o duplo nas reincidências.

1844 – Parte I pág. 368 Lei n.328 de 19 de Agosto de 1844 Publicada pelo presidente José Maria da Silva Bittancourt

Cap. 25 Aprovando artigos de posturas da câmara municipal da capital, ns. 70 à

74

Art. Único. Ficarão aprovados

os

 

arts.

de postura seguintes

da câmara

municipal desta capital, contrarias.

de

n.70

a

t4,

e revogadas

todas as disposições

Art.70. Fica proibido a qualquer pessoa apresentar-se nua, das seis horas da manhã às seis da tarde, nos lagos ou riachos desta cidade, sob qualquer pretexto que seja. Os contraventores sofrerão a multa de quatro mil réis, ou oito dias de prisão.

Art.71. Fica Proibida a lavagem de roupa ou de qualquer objeto, que concorra para putrefação das águas, nos lugares que não tem esgotadouros que offereção uma corrente perene. Os contraventores soffrerão a multa de mil réis, ou dois dias de prisão.

Art.72. Ficão prohibidas as arcas e plantações em roda das aguadas publicas, bem como a edificação de casas, quando a distância das mesmas às margens das ditas aguadas não exceda pelo menos sessenta palmos. Os contraventores, além da demolição de tudo à sua custa, soffrerão a multa de quatro mil réis, ou oito dias de prisão.

Art. 73. Fica prohibido o uso de machados nos talhos públicos, devendo ser substituídos por serrotes próprios para este fim; e as pessoas que o empregarem neste serviço serão obrigados a conserva-los sempre com a maior limpeza. Os contraventores soffrerão a multa de dez mil réis, ou oito dias de prisão.

Art.74. Toda e qualquer pessoa que fizer rifa, sem haver participado ao fiscal da câmara a qualidade do objeto rifado e seu preço, soffrerá a multa de seis mil réis, ou três dias de prisão.

TRANSPORTES

Leis do Ceará Tomo III-1856 a 1861 Ex.1 Página: 134 a 135 –Parte I

Lei Nº.828 de 16 de Setembro de 1857 Publicada pelo presidente João Silveira de Souza

Aprovado artigos de posturas da câmara municipal da capital ns.1 a 8.

Art.1. Toda a pessoa que tiver carro de luxo pagará anualmente por cada um doze mil e oitocentos réis.

Art.2 O dono de carro que entrar nesta cidade carregado de algodão, couro, solla, madeira, aguardente e outros gêneros, pagará por cada vez, trezentos e vinte réis, ficando isento deste imposto quando entrar carregado de tijolo, telha, barro e lenha.

Art.3. Por cada carga que entrar com os referidos generos pagará o dôo quarenta réis quando trouxer fructas e capim.

Art.4. A presente anteriores.

postura não prejudica os

impostos creados

por outros

Art.5. A câmara padrões de grades para fabrico de tijolo, e telha, as pessoas que quiserem fabricar estes materiais serão alguns a aferirem suas grades pelas dos padrões da câmara, os contraventores serão multados em quatro mil réis, ou sofrerão oito dias de prisão.

Art. 6. Os proprietários de casas, no praso de trinta dias, depois de avisados pelo fiscal, serão obrigados a calçarem as testadas destas, ainda mesmo com tijolo, devendo as calçadas serem de nove palmos, e das travessas de sete a nove, conforme a largura dellas o que será regulado pelo fiscal; os contraventores soffrerão a multa de dous mil réis mensaes para darem principio à obra até a sua completa conclusão.

Art.7. De ora em diante não poderão transitar os comboios no município desta cidade sem que os animaes estejão ligados uns aos outros; o comboeiro que não cumprir a disposição da presente postura a multa de dous mil réis para as despezas municipais, ou sofferá quatro dias a prisão.

Art.8. Ficão revogadas as disposições em contrários.

Lei n.876 de 16 de setembro de 1858 Publicada pelo presidente João Silveira de Souza 34 (pág 234-235)

Art.6. Prohibe-se absolutamente o transito de carros pau, que ora se usão, nas ruas que estiverem calçadas ou em princípios de calçamento.Os infractores soffrerão a multa de quatro mil réis, ou oito dias de prisão, e na reincidência o duplo.

Art.7. É inteiramente prohibido, depois da publicação da presente postura, a entrada nesta cidade de carros de pau, dos que presentemente se usão na província. Os contraventos soffrerão a multa de vinte mil réis, ou dez dias de prisão, e na reincidência o duplo.

LIMPEZA

Lei n 1007 de 11 de setembro de 1861 Publicada pelo presidente Manoel Antonio Duarte de Azevedo

36

Art.1. Ninguém poderá fazer nas ruas e travessas desta cidade, traçadores de barro, cal e cimento, nem depósito de mandeira de construção ou marcenaria, telha , barro, tijollo, ou outro qualquer material sem licença prévia da câmara, declarando-se na petição o fim para que sob pena de oito mil réis de multa.

Art.2. Ainda com licença da câmara ninguém poderá ter ou depositar nas ruas e travessas os objectos de que trata o artigo antecedente, senão defronte e na extensão somente de sua casa até o meio da rua, alumiado com lampeão as noites escuras até meia noite, sob pena de oito mil réis de multa, e o duplo na reincidência.

Art.3. Finda a obra ou tirado este depósito é o proprietário obrigado a limpar a calçada e calçamento na parte ocupada, sob pena de oito mil réis de multa.

Art.4. Os entulhos de reparos e concertos de casas, e calçadas, lançadas nas ruas e travessas serão limpos em quarenta e oito horas, devendo a limpeza ser simultânea quando os entulhos forem continuados por dias, sob pena de oito mil réis de multa.

Art.6. As casas térreas que se constituem dentro dos milites da cidade, terão pelo menos vinte palmos de altura na frente, entre as soleiras das portas e a base da cornija. As portas, quando de verga direita ou de verga semicircular ou gothica aberta, terão as portas doze palmos de altura até a imposta do arco.

Art.9. As cabras, ovelhas, carneiros, e porcos que forem encontrados vagando nas ruas desta cidade, assim como couros salgados estedidos na rua serão recollhidos no depósito da câmara, e não serão entregues a seus donos. Sem apresentarem conhecimento de terem pago a multa de quatro mil réis por cada

cabeça de cabra e ovelha, de oito mil réis por cada porco, e a já estabelecida por couros salgados.

SEGURANÇA PÚBLICA

Lei Nº. 855 de 26 de Agosto de 1858 Publicada pelo presidente João Silveira de Souza Pagina 214 e 215

13

Approva artigos de posturas da câmara municipal da cidade de Fortaleza, criando oito guardas municipaes ns. 1a5.

Art.1. Ficão creados no municipio da cidade de Fortaleza oito guardas municipaes, que serão especialmente empregados em zelar a conservação das arvores publicas, a limpeza e asseio das fontes, matadouro, e policia do mercado publico. (1) Continúa em vigor pelo art.10 da Lei Nº. 905 de 3 de Setembro de 1859.

Art.2. Ficão immediatamente sujeitos dos fiscais da camara, e cumprirão suas ordens em tudo que for a bem do serviço publico. Art.3. Os referidos guardas perceberão do cofre da municipabilidade o ordenado ou diária que a camara municipal marcar com tanto que exceda a seiscentos réis diários, incluisive o fardamento.

Art.4. Para a boa execução da presente Lei

a referida camara

dará

o

regulamento ncessario a qual depois de approvado provisoriamente pelo

presidente da província será logo posto em execução.

ANEXO

ANEXO
ANEXO
ANEXO
ANEXO
ANEXO
UECE - CENTRO DE HUMANIDADES CIÊNCIAS SOCIAIS HISTORIA DO CEARA 2º SEMESTRE CÓDIGOS DE POSTURAS- SÉCULO

UECE - CENTRO DE HUMANIDADES CIÊNCIAS SOCIAIS HISTORIA DO CEARA 2º SEMESTRE

CÓDIGOS DE POSTURAS- SÉCULO XIX ARQUIVO PUBLICO DO ESTADO

Ana Lais Lima Nunes Maia Flasângela Nágera Silveira

Fortaleza, 17 de abril de 2009

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