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Instituto Superior de Superiores Ciências Complementares e Artes Aplicadas

ISSCCAA

CORROIOS josé gil vicente da beira

com PROPOSTAS para várias RECR(I)EAÇÕES a PARTIR da re/CR(E)IAÇÃO do

AUTO DA VISITAÇÃO (DO VAQUEIRO) de GIL VICENTE
um desafio para a re/cr(e)iação de uma/s peça de teatro ISSCCAA

Instituto Superior de Superiores Ciências Complementares e Artes Aplicadas

CORROIOS 1989 12 - 2012 12
penedo gordo – beja - dezembro de 1989 amora - seixal - corroios - junho de 1996 corroios - 2012

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Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

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josé gil vicente da beira

CORROIOS

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AUTO DA VISITAÇÃO
uma adaptação perversamente livre do MONÓLOGO DO VAQUEIRO O PRIMEIRO AUTO DE GIL VICENTE em 8 de JUNHO de 1502 representado na câmara de D. Maria no nascimento do futuro D. João III Há 510 anos - (É)ERA uma ÉPOCA em que se descobr(em)iam NOVOS MUNDOS e NOVOS CAMINHOS e se abr(em)iam as portas para o (RE)NASCIMENTO dum MUNDO NOVO

OU

penedo gordo – beja - dezembro de 1989 amora - seixal - corroios - junho de 1996 corroios - 2012

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ficha técnica
título 4 autor composição e arranjo gráfico tradautor e auteditor data da 1ª escrita escrita final e impressão nota 1: NATAL NA MINHA RUA - A MAGIA DE TUDO RENOVAR - ou a actualização do AUTO DA VISITAÇÃO DE GIL VICENTE josé gil vicente da beira C× 486-66c + hp 550 + winword JORAGA µ Dezembro de 1989 Outubro - Dezembro de 2012 e @ - todos os direitos reservados ao abrigo da lei, de todas as leis vigentes em todos os países, mesmo daquelas que não existem Este texto, concretamente o que se situa entre as pp. 29 e 44, já foi representado pelo GRUPO AMADOR DE TEATRO - CONTRA MISÉRIAS, no NATAL de 1995, servindo por assim dizer de ensaio geral, para a representação que poderá fazer-se em Dezembro de 1996. Foi encenado e orientado por Fátima Borges, com a intervenção de Lara - Gil Vicente, Paulo Mártires - D. Manuel, Claudine - Rainha Velha, Ana Sofia - Rainha D. Maria, João Pedro - Pajem, Clara - 1º Arauto, Lígia - 2º Arauto; e os jograis: Filipa, Carla, Marta, Tânia, Sílvia, Ana Rita, Raquel e Sara. Com revisão e aprovação da COMISSÃO DO DECÉNIO da ESCOLA SECUNDÁRIA JOÃO DE BARROS – CORROIOS, para implementar um CONCURSO para o aparecimento de uma ou várias peças sobre o 10º ANIVERSÁRIO da Escola, durante o ano lectivo de 1996/97 e decidir sobre a oportunidade de promover a representação completa desta peça, bem como da edição e divulgação deste trabalho. ISSCCAA – Corroios – www.joraga.net

nota 2:

Edição especial em 1996

Edição de 2012

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

NATAL
ou a perversidade inocente de se mudarem as épocas e as personagens...

a magia de tudo renovar...

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Notas para uma APRESENTAÇÃO: ... e eis que, subitamente, o Natal acontece em Junho, por arte e magia de um tal Gil Vicente que alguns dizem que era ourives, mas talvez não o tivesse sido, e vai ficar na história como o fundador do teatro em Portugal! E este é outro golpe de teatro de Mestre Gil: ser fundador de uma coisa que sempre existiu..., antes e depois, mas talvez nunca tenha atingido um tal nível, tanto em quantidade, como em variedade e em diversos níveis de qualidade, centrado num só ‘Mestre’... ... foi, diz-se, tão inesperada e espontânea esta representação - apresentação iniciação - aparição de Gil Vicente e do teatro literário português que se atreveu a irromper pelo palácio e pela câmara da rainha D. Maria a dentro, sem que sentinelas ou armas ou pajens ou aias o conseguissem parar... Era esta rainha D. Maria a venturosa esposa do rei Venturoso o Senhor D. Manuel I, que há dois dias tinha dado à luz o que viria a ser D. João III, e por isso o poeta e dramaturgo genial decretou NATAL...

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Diz-se também, que “...por ser cousa nova em Portugal, a rainha velha gostou tanto desta representação, que pediu ao autor que isto mesmo lhe representasse às matinas do NATAL, endereçado ao nascimento do Redemptor; e porque a substância era mais desviada, em lugar disto fez a seguinte obra.” que foi o AUTO PASTORIL CASTELHANO, endereçado às Matinas do Natal. Destas palavras parece podermos concluir que, devido à intervenção da “rainha velha”, íamos ficando sem o brilhante improviso original que abriu as portas da literatura ao teatro e a Gil Vicente. Valeu-nos a aposta de Gil Vicente que, para responder ao pedido da rainha velha decidiu fazer outro Auto mais adaptado às Matinas do Natal! Parece podermos inferir também que os reis e rainhas aí estão para impedir que o NATAL possa acontecer em Junho ou no Carnaval!... como pode passar pela pobre cabeça de algum tresloucado poeta, artista ou fingidor!!! Atenção portanto senhores artistas e actores ou autores...: nada de subversões perversas! O NATAL não é no dia oito ou no dia seis do mês de Junho! Muito menos no CARNA-

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VAL! Com coisas sérias não se brinca. Os reis, as rainhas, os presidentes e os ministros e os deputados democraticamente eleitos e as autoridades é que podem decretar que a subversão, a revolução e as greves têm de ser devidamente autorizadas e organizadas..., e a seriedade do riso a retratar a angústia, a miséria, os anseios e carências de toda uma multidão tem de ser prévia e devidamente aprovada e a festa do choro e da revolta, deve ser sábia e atempadamente transformada em manifestações espontâneas de júbilo e alegria maduramente ensaiadas e organizadas... e autorizadas! Mas, ainda por aquelas palavras que fomos roubar à introdução do Auto, ficamos sem saber ao certo quem é a “rainha velha” que se vai tornar a padroeira e patrona de Gil Vicente e lhe faz a inesperada encomenda para as Matinas do Natal!? Aqui, uns dizem que poderia ser a mãe de D. Manuel, pois na mesma introdução aparece, como estando presente, a rainha D. Beatriz, que afinal nunca teve o título de rainha mas de Infanta. Afinal, pelo menos é o que vai ficar como voz corrente, é que a “rainha velha” será, sem dúvida a Rainha D. Leonor, viúva de D. João II, a fundadora das Misericórdias e que

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vai ficar também como co-fundadora do teatro através do génio que foi Gil Vicente. Mas a verdade é que esta ilustre Senhora não consta do elenco das ilustres figuras que estavam presentes na primeira representação, como podemos ler na breve introdução ao Auto da Visitação. Quando me atrevi a adaptar / actualizar este Auto do Vaqueiro estamos (estávamos) em 1989. Era Dezembro. Havia Feiras e celebrações de Natal por todas as Escolas e pelos povoados... Como pano de fundo já decorriam as celebrações dos quinhentos anos dos DESCOBRIMENTOS. Bartolomeu Dias já em 1487/88 tinha dobrado o que para ele foi o CABO DAS TORMENTAS e logo se transformou, para El-Rei D. Manuel, no CABO DA BOA ESPERANÇA para as suas aspirações de rei venturoso e afortunado e se transformou em ADAMASTOR tremendo e temeroso ameaçador, para logo se transformar em tímido e atormentado gigante de pedra de coração empedernido pela traição da sua Dóris, a Thetis bem amada…, pela mão do raro génio de Camões! “Enfim, minha grandíssima estatura Neste remoto Cabo converteram Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas, Me anda Thetis cercando destas águas.”

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Estamos ‘agora’ em 1995. Faltam dois anos, 1997, para celebrarmos os 500 anos da partida de Vasco da Gama no que se chamou a Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, mas que não foi Descoberta nenhuma. A verdadeira Descoberta foi a passagem a Sueste feita por Bartolomeu Dias (1487/88) que passou as Tormentas para descobrir o Cabo da Boa Esperança. Vasco da Gama, em 1497, só teve que seguir os caminhos já navegados de um e outro lado do vasto Continente que era a África que não se sabia até onde se estendia, mas nunca tinham sido seguidos de modo contínuo e para fazer uma concorrência arrasadora aos monopólios dos mercadores de Génova e Veneza... Em 1495, há quinhentos anos, parece estar oficialmente reconhecido que já se tinham feito as Descobertas das Américas do Norte, do Centro e do Sul. Insiste-se em que a Descoberta do Brasil é só em 1500, e feita por Pedro Álvares Cabral, mas há quem diga que as três Américas foram alcançadas desde 1448, cinquenta anos antes de Cristóvão Colombo, na sua terceira viagem (1498) permitir que se declarasse Descoberta a América!!! (Ver quadro, p. 37 e Bibliografia, p. 38.)

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Quem há aí que seja capaz de nos desvendar estes mistérios intricáveis da história, em que a verdade só é declarada quando e como convém aos que se consideram donos da história, do mundo e da verdade...? É por isso que nos parece importante e adequado, neste enquadramento histórico, recriar a primeira peça de Gil Vicente que afinal não deve ser a sua primeira peça, mas uma reconstituição da sua primeira peça. E queremos referir-nos ao enquadramento histórico de há quinhentos anos, em que só é verdade aquilo que decidem os poderosos: - as Américas estão descobertas em 1448? ou de certeza que já se conhecem oficialmente em 1495? ou só são descobertas em 1498 com Cristóvão Colombo? ou é verdade que só em 1500 é que Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil? O que é a verdade? O que aconteceu, ou aquilo que ficou registado ao sabor dos cronistas que estavam ao serviço dos que mandavam? E agora? O que é a verdade? Aquilo que acontece? Ou aquilo que é decidido pelos governos mais poderosos e pelos tribunais? Quem matou Kennedy, o John?

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A CIA? Um tresloucado? Um grupo? Quem impediu que saibamos a verdade? Quem matou o Kennedy, o Bob? Quem matou a ex-mulher de O.J. o julgamento do século que manteve Los Angeles, a América e o Mundo em “suspense”, desde Julho de 1994 até à sentença: “not guilt” - “não culpado” em Outubro de 1995!!! ? A quem cabe de facto a honra e glória dos Descobrimentos? De quem o mérito da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia? A Vasco da Gama que comandou a sua realização? A D. Manuel I que o enviou? Ao seu tio D. João II, o Príncipe Perfeito que o adaptou como filho e sucessor depois de ter perdido tragicamente o seu filho e herdeiro e de ter assassinado o Duque de Viseu seu cunhado e irmão de D. Manuel? Já vem tudo preparado desde a célebre Escola de Sagres do Infante D. Henrique que nunca existiu e a quem se fica a dever a glória de ter empreendido a saga dos Descobrimentos!!!? Mais importante do que ele terá sido o seu irmão, o infante D. Pedro, porventura o nosso Marco Pólo, viajante das Sete Partidas e genial diplomata que correu o Mundo em busca de ‘novas do Prestes João’? Ou fica-se a dever tudo, então a D. João I, o Rei de Boa Memória exalta-

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do por Fernão Lopes, que o considera quase uma sombra do seu Condestável do Reino Nuno Álvares Pereira? Ou mais do que a ele, o Mestre da Avis, tudo se fica a dever a sua esposa D. Filipa de Lencastre que educou para a vida e para o Mundo a ínclita geração? Afinal não vem tudo já preparado desde as sábias determinações do fraco rei, o Formoso, D. Fernando que permite o fim da 1ª Dinastia e quase deitava o Reino a perder? Ou vamos atribuir todos os louros já ao Rei Lavrador, o D. Dinis e à Rainha Santa Isabel e aos seus celebrados ‘pinhais de Leiria’ como símbolo de uma visão do Futuro que não era possível prever? Aí temos a História e os seus mistérios... as suas verdades!!! É neste ano de 1995, no decorrer das Celebrações do 5º Centenário dos Descobrimentos que afinal vêm já desde 1927 (1427, Diogo de Silves terá chegado aos Açores Ocidentais e Centrais! abrindo aí a época das Descobertas!) e continua a haver 500 anos para celebrar até muito longe no ano 2000 (Magalhães morre em 1521, sem acabar a sua Viagem de Circum-navegação!).

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Vamos fingir que estamos a celebrar, desde há oito anos, os verdadeiros quinhentos anos de algo importante como a Descoberta da passagem a Sudeste da África dobrada por Bartolomeu Dias entre finais de 1487 e princípios de 1488. Isto permite-nos ficar ansiosos pela celebração dos quinhentos anos da Viagem de Vasco da Gama, lá para Abril / Maio de 1997!!! (em 2012 já vão 115!) Para celebrar tudo isto, parece-nos oportuno apostarmos na re/criação, evocação daquele Auto da Visitação ou do Vaqueiro que mudou aquele Natal do ano de 1502 para o dia oito de Junho!!! Quatrocentos e noventa e três anos depois, (em 2012, 510) e seguindo o pedido da “velha rainha” vamos pedir ao autor que “isso mesmo lhe representasse às Matinas do Natal, endereçado ao Nascimento do Redentor” mas, como é evidente, nós vamos tentar situá-lo a quinhentos anos de distância, a viver os problemas que nos rodeiam em finais de 1995, ou 2012... A partir de quadros evocativos do Natal que devem estar espalhados por diversos locais, Presépios com figuras tradi-

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cionais, desenhos e pinturas, reconstruções estilizadas da Gruta de Belém com a sua manjedoira onde, de tempos a tempos, poderão entrar figuras animadas a fazer de figuras fixas!!!... S. José/s, Virgem/s, Menino/s Jesus/es, um/ns Burro/s, uma/s Vaquinha/s... uns reis Magos que podem ser sucessivos grupos de Gaspar/es, Baltazar/es e Belchior/es... pastores e pastoras, ovelhas, carneiros e cordeiros... quanto baste...
...e assim, temos o ambiente preparado para a grande celebração!!!

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Em vez das figuras do Presépio tradicional delicadamente colocadas naquele cenário que será uma gruta, um curral de recolha de animais, uma estrumeira... ...pode-se, de vez em quando, por artes mágicas, mudar as figuras em Reis e Rainhas - mães e Rainhas - velhas e Infantas, transformando aquele curral em câmara real onde, D. Maria, acompanhada do seu real esposo D. Manuel I, por sua vez acompanhado de sua mãe a Infanta D. Beatriz, que por sua vez está ao lado da rainha velha, D. Leonor, a das Misericórdias, a viúva do imortal Príncipe Perfeito D. João II que, apesar de já desaparecido, ali podemos pôr como evocação, para que tudo fique completo...

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... e a partir daqui, depois da transformação das figuras tradicionais em figuras históricas, nada nos impede de viajar pelas diversas épocas e figuras... e, porque não, colocar ali as figuras ilustres e não só, da nossa actualidade real, realista e risível ou possivelmente ridícula?!!! Com esta contribuição, pretendemos que a Escola que se descobre como Cultural, objecto e agente de Cultura, neste Natal de 1995, a cinco passos da viragem do milénio, que nos abre insuspeitadas portas de um possível reNascimento de um Mundo Novo; (ou em 2012) nesta época em que a Escola toma consciência de entidade integrante e interveniente na Sociedade em transformação, sem ignorar as raízes Culturais que lhe dão identidade... ...vamos, senhoras e senhores, re/criar, para recrear, o Auto da Visitação ou o Auto do Vaqueiro de Mestre Gil Vicente. Para que seja devidamente conseguido, antes, vamos ficar com uma panorâmica, do Homem - Gil Vicente, da OBRA, da sua Época e da Bibliografia...

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GIL VICENTE Algumas NOTAS sobre a 1. VIDA 2. OBRA e Dados históricos 3. ÉPOCA - os “Reinados” de GV 4. Algumas datas sobre os DESCOBRIMENTOS São elementos, que parecem indispensáveis para uma possível LEITURA ACTUAL de GV e dos seus AUTOS... 1 - GIL VICENTE - VIDA ....................... 188
2. - OBRAS DE GIL VICENTE ................... 25 3. – ÉPOCA ......................................... 299 4. - OS DESCOBRIMENTOS: Algumas datas e nomes para referências... .......... 336 5 – BIBLIOGRAFIA usada ........................ 35

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1 - GIL VICENTE - VIDA
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O que se pode dizer da vida deste Homem?!... Como acontece com grande número de nomes ilustres da nossa Literatura e da nossa História, pouco se sabe, ao certo, da vida de Gil Vicente. Costuma ser divertido discutir-se se será o mesmo mestre Vicente, ourives artista, que assina a célebre custódia de Belém. Mais importante do que isso, será útil ter em conta alguns dados mais importantes da época em que ele viveu, para o podermos situar no espaço e no tempo. Gil Vicente terá nascido entre 1460, 1465, ou 1470. Onde? Muitas terras reivindicam a sua naturalidade sob os mais diversos pretextos. Em Guimarães? Na Beira? Na Covilhã? Não é possível saber. Os do futebol teimam em considerar que é de Barcelos que já produziu outros fenómenos como o “galo” e a Rosa Ramalho! Claro que também pode ser de Lisboa, ou pode ser considerado como um dos muitos portugueses, já, naquele tempo!, oriundos da provín-

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cia, que se vai tornar famoso junto da corte, em Lisboa. A Imprensa de Gutenberg data de 1450, e, embora só para muito poucos, como agora, desde essa altura, só existe e tem valor o que fica registado pela escrita! Viveu em pleno a época áurea dos Descobrimentos, tendo ele próprio a sua época áurea, no reinado de D. Manuel I, o rei Venturoso e/ou Afortunado que, não só realizou o sonho máximo dos Descobrimentos, como pôde reinar em paz!!!, reinstalando o absolutismo que havia de ser um dos factores que haviam de travar a dinâmica, possivelmente utópica, lançada pela generosidade e genialidade dos Homens de Quinhentos, do Renascimento, do Humanismo, de toda uma Revolução no sistema e métodos do conhecimento e da maneira de estar no Mundo!!! Terá morrido cerca de 1536, em Évora, onde possivelmente jaz, sepultado no mosteiro de S. Francisco. Mais um dado incerto!!! Morre entretanto, já afastado dos favores da Corte; e já com a ansia-

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da Inquisição, afanosamente pedida pelo seu pupilo D. João III, que nascera com o seu nascimento para o teatro!, a chegar com toda a sua corte de injustiças, julgamentos sumários, arrogância, prepotência, abusos discricionários, crimes... Mais um factor a travar a caminhada que a Humanidade tinha encetado!!! Viveu, pois, nos reinados de D. João II (1455, rei de 1481 a 1495 - teria GV 35? 25 anos)!, a quem chama o “domado” (no sentido de estimado, querido); e viveu sobretudo na corte de D. Manuel (1469 - rei de 1495 a 1521 - a plenitude da maturidade de GV); e viveu ainda no reinado de D. João III, no nascimento de quem vai representar o Auto da Visitação (1502 e rei de 1521 a 1557), mas durante o qual entra em declínio e é afastado da corte! De qualquer maneira, estes são os dados suficientes para nos permitir perceber que vive em cheio a transição da Idade Média para o Renascimento com todo o seu cortejo de ambiguidades e confusões!... viveu,

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em posição privilegiada a empolgante aventura do auge dos Descobrimentos com o início do estabelecimento da expansão colonial! Assiste assim à reinstalação do ‘poder absoluto’ em Portugal após a esperançosa e eufórica experiência das Cortes com a presença do Povo (vide Revolução de 1383/85); e, nos últimos anos, vai viver a sinistra espera da chegada oficial da Inquisição a Portugal, que é finalmente autorizada no ano da sua morte!!! Com isto, podemos talvez ver o Mestre Gil Vicente e a sua Obra, com todas as suas marcas de uma Época de transição, como possivelmente é a nossa e muitas outras. Por um lado, ainda vive, mesmo que já fortemente contestada e rejeitada pelas elites, toda a ingenuidade, espontaneidade e refinada malícia da Idade Média, com toda a sua iluminada obscuridade teocêntrica e o seu predomínio do religioso e das crendices, sustentada pela segurança da infalibilidade do “Magister dixit” tanto para a Religião

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como para a Ciência; com toda a magia das tradições sociais rurais, e espontaneidade da linguagem popular “analfabeta”!... Vivendo, ao mesmo tempo, a passagem para o Renascimento, Classicismo, Humanismo, com as suas referências mitológicas alargadas; com o exercício do seu poder crítico sobre os problemas sociais e religiosos. Podemos assistir, com ele, à transição possivelmente perigosa e violenta da contestação da Ciência Dogmática do princípio da Autoridade, para a grande aventura da Ciência Experimental. Ou seja, ao aparecimento de um Novo Espírito Científico, baseado na dúvida, na investigação e na prova. É aliás, este novo espírito científico, que anima, ainda hoje, passados quinhentos anos, os pioneiros do progresso da Humanidade que, como diz Carl Sagan, obedece a duas regras fundamentais. A primeira consiste em tomar consciência de que não existem verdades absolutas ou sagradas. Todas as asserções devem ser cuidadosamente examinadas com espírito crí-

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tico. Os argumentos de Autoridade deixam de ter valor. Nada provam. Segunda é complementar desta. Tudo aquilo que esteja em contradição com os factos tem de ser rejeitado ou revisto. Não se pode confundir aquilo que gostaríamos que fosse, com aquilo que é na realidade. Como se verificou, muitas vezes, ao longo dos tempos, aquilo que parecia óbvio e evidente, estava e está errado; e o insólito e inesperado, é verdadeiro... É ver (um século mais tarde) a famosa frase de Galileu (1564 - 1642): “E pur si muove”. Mesmo que não tenha sido pronunciada no célebre dia 21/22-061633, nem por isso deixa de ser uma terrível verdade e um violento protesto, ainda actual, contra toda a forma de autoritarismo e arrogância das Doutrinas e das Ciências instaladas nos seus cómodos dogmatismos. Enfim, Gil Vicente fica na História da Literatura, como o fundador do Teatro Português de nível literário. Fundador e pioneiro e genial mestre em praticamente todas as verten-

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tes, como actor, encenador, e autor de valiosa, variada e contestada obra... inicia a sua obra de comediógrafo com o Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação que ele próprio representou, dois dias após o nascimento do que havia de ser o rei D. João III, e vai deixar-nos pelo menos, mais de quatro dezenas de peças teatrais, coligidas mais tarde por seu filho Luís, divididas em Autos, Mistérios religiosos, Milagres, Moralidades e Tragicomédias...

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2. - OBRAS DE GIL VICENTE
e alguns dados históricos para possível enquadramento no CONTEXTO... Ano Gil Vicente (GV e nº obras 1-49) / Dados da Época (DE) 1450 1460 1481 1483 84
DE GV DE 25

Aparecimento da IMPRENSA de Gutenberg. 65?70? - Nascimento de Gil Vicente Morte de D. Afonso V, o Africano. Reina D. João II.
Lutas de D. João II com a nobreza. Execução do Duque de Bragança em Évora, e D. Diogo, duque de Viseu, irmão do futuro rei D. Manuel I, cunhado do rei, é apunhalado pelo próprio rei. A rainha D. Leonor (a Rainha Velha de Gil Vicente) funda um Hospital em Caldas da Rainha (futuro das Misericórdias).

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DE DE DE

Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança. Primeira impressão de um livro em Lisboa.?
Morte do príncipe herdeiro D. Afonso, filho de D. João II, que entretanto casara com D. Isabel, filha dos reis católicos de Espanha. Foi um profundo golpe para o rei e para o seu sonho de unificação ibérica...

1492

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Cristóvão Colombo chega à América, lançando a confusão da chegada à Índia pelo Ocidente...
Tratado de Tordesilhas que divide o Mundo entre Portugal e Espanha, de pólo a pólo, por um meridiano imaginário a 370 léguas a Ocidente do Arquipélago de Cabo Verde. Hábil manobra dos enviados de D. João II que detém conhecimentos únicos sobre a existência da América e do Brasil... cartografia... e métodos de orientação... O Breviarium Bracarense, fica a marcar o aparecimento da imprensa em Portugal...

1494

DE

1495

DE

Aclamação de D. Manuel I que dois anos depois casa com a viúva de seu primo (D. Afonso) D. Isabel, pretendendo dar conti-

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nuidade ao sonho Ibérico do Príncipe Perfeito... Partida da Armada de Vasco da Gama para a Índia... em Maio / Julho. Chegada de Vasco da Gama a Calecut. D. Leonor funda as Misericórdias. Descoberta oficializada do Brasil. D. Manuel casa com a infanta D. Maria de Castela. Diogo de Gouveia é reitor na Universidade de Paris... Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação (c) Auto Pastoril Castelhano (c) Aparecimento do segundo Diário da segunda viagem de Vasco da Gama à Índia... Auto dos Reis Magos (c) Auto de S. Martinho (c) Sermão feito à rainha D. Leonor (c) Na Índia, Afonso de Albuquerque conquista Ormuz Auto da Índia (1519?) (p) Auto da Sibila Cassandra (c) Afonso de Albuquerque empreende a formação do império português na Índia Auto da Fé (bilingue) Auto da Fama (1521?) (p) Auto dos Quatro Tempos (c) O Velho da Horta (p) Auto dos Físicos (c)
Mais de 1200 portugueses embarcam para a Índia e muitos por lá ficam...

DE 1513 1514 DE
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Célebre embaixada de D. Manuel ao Papa Leão X... Exortação da Guerra (1513?) (p)

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Construção da Torre de Belém... Quem tem Farelos (1505?) (bilingue) Cancioneiro Geral de Garcia de Resende... Auto da Barca do Inferno (1512?) (p) Auto da Barca do Purgatório (p) Auto da Alma (1508?) (p) Auto da Barca da Glória (c)
Fernão Magalhães atravessa o estreito que fica com o seu nome...

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Obra da Geração Humana Auto de Deus Padre, Justiça e Misericórdia Morte de D. Manuel e aclamação de D. João III Cortes de Júpiter (p) Comédia de Rubena (bilingue) Romance à morte de D. Manuel Oração dos Grandes depois de enterrado El-Rei Romance à Aclamação de D. João III Palavras dos Senhores ao Beijar da Mão Pranto de Maria Parda (p) Trovas ao Conde de Vimioso Farsa de Inês Pereira (p) Auto Pastoril Português Frágua de Amor (bilingue) Comédia do Viúvo (1514?) (c) O Juiz da Beira (bilingue) Auto das Ciganas (1521?) (c) Tragicomédia de D. Duardos (c) Nascimento de Camões (a data mais provável) Templo de Apolo (bilingue) Auto da Feira (p) Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra (bil.)

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Auto das Fadas (bil.) Nau de Amores (bil.) Farsa dos Almocreves (1526?) (p) Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela (p) Breve Sumário da História de Deus (seguido de...) Diálogo dos Judeus sobre a Ressurreição (p) Auto da Festa (p) Trovas a D. João III Triunfo do Inverno (c) O Clérigo da Beira (p) Tremor de terra em Lisboa e em 1531 Pedido da Inquisição em Portugal Fala de Gil Vicente aos Frades de S. Francisco em Santarém, defendendo os cristãos novos Carta de Gil Vicente sobre a atitude dos frades Jubileu dos Amores (representado em Bruxelas em castelhano) Auto da Lusitânia (bil.) Romagem de Agravados (p) Aderência do Paço (desaparecido?) Vida do Paço (desaparecido) Auto de Amadis de Gaula (c)
André de Gouveia é eleito Reitor da Universidade de Paris...

DE 1534 1536
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Auto da Cananeia (p) Auto da Mofina Mendes (p) Floresta de Enganos (bil.) Estabelecimento da Inquisição em Portugal. Morte de Gil Vicente (?)

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3. – ÉPOCA

Os primeiros reinados da 2ª Dinastia e os Reis com quem Gil Vicente viveu. Mais alguns dados históricos da ÉPOCA VICENTINA para uma possível compreensão do que passava há 500 anos e como tentativa para tentar perceber a nossa...
D. João I

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Décimo rei de Portugal, dá início à segunda Dinastia, após a primeira série que começara em Afonso Henriques e terminou com D. Fernando e a crise de 1383/85.
Viveu de 1357 a 1433. Reinou de 1385 (Cortes de Coimbra) a 1433. Filho bastardo de El-rei D. Pedro e de Teresa Lourenço. Em 1364, ainda menor de sete anos é investido como Mestre de Avis, com a formação religiosa, militar e cultural inerentes a esta função.

D. Duarte

Foi protagonista com Álvaro Pais, João das Regras e Nuno Álvares Pereira da Crise de 1383/85. Aí as lutas com Castela, o Cerco de cinco meses de Lisboa, a aclamação como rei nas Cortes de Coimbra, a Batalha de Aljubarrota, o casamento com D. Filipa de Lencastre, matriz fecunda da “ínclita geração de altos infantes” donde sobressaem o futuro rei, D. Duarte, D. Henrique, D. Fernando e D. Pedro, o das sete partidas... Reinou de 1433 a 1438. Filho mais velho e herdeiro de D. João I e D. Filipa de Lencastre, nasceu em 31 de Outubro de 1391. Reinou breves cinco anos mas deu continuidade à obra de seu pai e deixou o caminho preparado para o seu sucessor como prova a ‘Lei Mental’ publicada pelo seu filho D. Afonso V. Deixou-nos obras literárias como “Ensinança de bem Cavalgar Toda a Sela” e “Leal Conselheiro”. Ficou marcado pelo envolvimento nas desastrosas empresas de Ceuta e de Tânger, onde ficou o seu

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D. Afonso V

irmão D. Fernando. Aconteceu, durante o seu reinado o escândalo do Concílio de Basileia, a continuação do Cisma do Ocidente com a existência do Papa de Roma e do de Avinhão e depois, até à divisão da Igreja por três Papas... 1438 - 1481. Tendo nascido em 1432, foi logo proclamado Rei com apenas seis anos e idade devido à morte prematura do pai alanceado pelo desastre de Tânger e vítima da peste endémica do Reino. Este período é marcado por uma grave crise e pela guerra civil. Esta crise é acalmada durante a regência sábia, de sete anos, de D. Pedro, em nome do rei menino, (1438 - 1445) logo é reacendida em 1446 indo culminar com o trágico desfecho da Batalha de Alfarrobeira, em 1449, onde morre o tio regente D. Pedro, pai de D. Isabel, com quem D. Pedro tinha casado... Por sua vez, estes vêm a ser pais de infanta Santa D. Joana, e de D. João II que virá a ser o Príncipe Perfeito... Reinado desastroso de trinta e dois anos, é salvo, pela positiva, pelo continuado trabalho do seu tio D. Henrique que continuava a saga dos Descobrimentos, e por fortuitas vitórias em África que lhe valeram o cognome de “Africano”...
Deu-se, em 1453, a queda de Constantinopla e o terror da ameaça do Grão-Turco... Foi feliz na expedição a África e chegou a ser senhor de Ceuta, de AlcácerSeguer, Arzila e Tânger o que lhe deu o direito de acrescentar ao título de “Rei de Portugal e dos Algarves”, o de “D’Aquém e d’Além - Mar em África”. Apesar disto, este tumultuoso reinado, é também o preâmbulo do século áureo da Cultura Portuguesa da Renascença, que se vai manifestar nos reinados de D. João II, D. Manuel, e mesmo D. João III que haviam de produzir um Gil Vicente, Pedro Nunes, Garcia de Orta, António Ferreira, D. João de Castro, Luís de Camões...

D. João II

Nasceu em 1455 e reinou de 1481 a 1492. O Príncipe Perfeito, como ficou conhecido na história, vai dar continuidade à grande Obra de seus tios, os in-

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fantes D. Henrique e D. Pedro, desvirtuada pelos desvarios aventureiristas de seu pai D. Afonso V, a ele se deve o empenhamento de Portugal, como nação e Governo, no grandioso empreendimento dos Descobrimentos, como um projecto solidamen31 te baseado em estudos rigorosos, escolas de investigação e registos, e em dados científicos, continuada depois na exploração sistemática, programada e rigorosamente orientada... como empresa pioneira e genial, de interesse nacional e de toda a Humanidade, na linha das grandes explorações actuais do Espaço e do Cosmos. Reinado de grandes convulsões internas, vai ser preciso dominar as ambições da Nobreza, saída da hipotética Revolução de 1383/85. Senhor de uma excepcional Cultura, inteligência e sentido de governo político, este rei, filho de primos..., tendo-se empenhado, desde os dezasseis anos, nos negócios do reino, e sobretudo no empreendimento dos Descobrimentos, que o seu pai, na sua inércia, felizmente lhe confiava..., determinou o desenvolvimento dos estudos da Geografia, Cosmografia, Astronomia e Matemática, e outras áreas de Cultura até então obscuras universalmente... Dispondo de um escol de experientes navegadores, pilotos, marinhagem, técnicos e sábios nas ciências da Geografia e arte de marear, cosmógrafos, cartógrafos, matemáticos e navegadores..., procurou, por exemplo, localizar o famoso Prestes João que, depois de grandes e impressionantes viagens, foi identificado como o Negus da Abissínia por Pêro da Covilhã que, no regresso das suas viagens, ali ficou cativo até à morte, mas só depois de ter feito chegar a D. João II todas as informações que haviam de abrir os caminhos para a Grande Viagem da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, que
havia de permitir o Encontro da Humanidade na sua diversidade de Culturas, Raças e Credos...

A sua escola de pajens - onde, além da educação nos serviços internos da Corte e de intenso treino

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desportivo de futuros cavaleiros, com equitação, manejo de armas, jogos de tavolado, caça de monte e falcoaria, incluía aprendizagem de maneiras cortesãs, música, dança, com especial interesse por estudos de cartografia, rudimentos de astronomia para navegação pelas estrelas, prática de instrumentos de bordo como astrolábios, leitura e traça de cartas e portulanos... Era nesse tempo, e parece que poderá ser nos tempos de hoje, considerada o modelo de ESCOLA inserida no âmago dos problemas do Homem do Meio, tentando responder às principais questões do seu tempo e virada para o Futuro... Lisboa era o centro vital da Europa e do Mundo Civilizado. Era pioneira da Astronomia Náutica, “Mestra” da construção naval e arte de navegar, com grande prática de tabelas e de instrumentos náuticos, trato de comércio e de convívio com povos bárbaros e exóticos - tudo isto forçado ao mais rigoroso sigilo para evitar a concorrência alheia... Mantinha contacto com sábios de todo o Mundo, e por ironia, assim foi o rei que se estabeleceu como senhor absoluto e promotor da tremenda Inquisição em Portugal... Deixou enfim, tudo preparado para a Grande Viagem, cujos louros viriam coroar o Rei Venturoso ou Afortunado ...

D. Manuel I

Nasceu em 1469 e reinou de 1495 a 1521.
26 mais 26 anos !).

(Curioso binómio de

D. Manuel I, Duque de Beja, primo e cunhado de D. João II, irmão do Duque de Viseu, assassinado pelo próprio rei para pôr termo a mais uma conspiração, é considerado herdeiro do trono, por ter morrido desastrosamente, da queda de um cavalo, o príncipe D. Afonso, único filho varão de D. João II, que se casara entretanto com D. Isabel, filha dos reis católicos de Espanha, os seus adversários mais directos na saga dos Descobrimentos, sonhando a realização da unificação da Península sob o comando de Portugal, que abriria os caminhos do Mundo a descobrir...

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É este sonho que D. Manuel vai prosseguir, casando logo com D. Isabel, a viúva do seu primo, em 1497, que entretanto morre de parto, antes que seja conhecido o êxito retumbante da gloriosa Viagem de Vasco da Gama à Índia. 33 Casa depois, em segundas núpcias, com a Infanta D. Maria, irmã de D. Isabel, de quem terá dez filhos, a começar pelo príncipe herdeiro que virá a ser D. João III. É o nascimento deste que vai servir de pretexto a Gil Vicente para dar a conhecer as possibilidades do seu génio como comediante e homem de Teatro... D. Manuel casou ainda, no fim da vida, com a infanta de Castela D. Leonor, de quem terá a filha D. Maria, já no ano da sua morte, em 1521.
E pode ser este o resumo do reinado do Rei Venturoso ou Afortunado que, mercê das circunstâncias, pôde reinar em regime de puro absolutismo, herdando uma Nobreza dócil e temerosa, devido à intervenção dura e inflexível do Príncipe Perfeito! e herdando todas as condições e impulsos já dados para as grandes realizações que permitiriam a grande glória do seu reinado e o fulgor deslumbrante da sua Corte...

Este deslumbramento! não terá afectado somente o rei e a sua corte, mas com certeza o povo que governava e que somos... “Pertenço a um género de portugueses / Que depois de estar a Índia descoberta / Ficaram sem trabalho.” Isto veio a dizer Fernando Pessoa, disfarçado de Álvaro de Campos, in Opiário, estância 27, que termina assim: “A morte é certa./ Tenho pensado nisto muitas vezes.” Mas, já na estância 13, tinha dito o poeta que escrevia no Canal de Suez: “Eu acho que não vale a pena ter / Ido ao Oriente e visto a Índia e a China.”; e na 14, “Por isso tomo ópio. É um remédio. / Sou um convalescente do Momento. / Moro no résdo-chão do pensamento / E ver passar a Vida fazme tédio.”... Será esta a leitura do Poeta da Mensagem do século XX, sobre o grande Rei Venturoso ou Afortunado e os grandes acontecimentos de Quinhentos?

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D. João III
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Nasceu em 1502 e reinou de 1521 a 1557. Saudado logo a dois dias do seu nascimento por Gil Vicente com o Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação, no dia 8 de Junho de 1502, ainda nos Paços do Castelo de Lisboa, na câmara da Rainha parturiente, perante o rei e toda a sua corte, bem podemos dizer que, com o futuro D. João III, nascia também o teatro português, como diz Hernâni Cidade e Carlos Selvagem no 6º volume da Cultura Portuguesa. Coube a este rei dar continuidade à epopeia dos Descobrimentos que vinha sendo preparada desde o início da segunda Dinastia especialmente pelos trabalhos desenvolvidos pelo Infante D. Henrique e por seu irmão o Infante D. Pedro, os da ínclita geração, mas tratava-se agora de consolidar o vasto império onde nunca o sol se punha, e pôr cobro aos desmandos da cobiça, do desgoverno e dos abusos que se cometiam longe das vistas e do poder imediato do Rei. Pode dizer-se que o império e a expansão portuguesa atingiam o seu auge, bem como a Cultura do Renascimento fazia florir os nomes e as Obras mais ilustres e, afinal, todo este esplendor, já estava minado pelo vírus da destruição. Estávamos no século em que Rabelais, logo no seu início, concebera os homens em seu triunfo olímpico, engendrando no seio das próprias deusas os super-homens que imporiam ao mundo inteiro o império da sua lei, inventando a abadia de Thélème; e em 1572, cantava Camões nos seus Lusíadas a Ilha dos Amores onde Gama e os seus Argonautas, depois de dominarem as forças da Natureza, fruíram a satisfação dos apetites nos frutos abundantes, nas cores variadas, nos encantos das Ninfas e descobriam a insaciável curiosidade da inteligência, na visão da “Máquina do Mundo - o Cosmos mostrado por Tétis em ante-Visão apontando assim o AMOR UNIVERSAL como META e solução para os problemas da Humanidade.

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Mal floria a Idade de Oiro, e já se viam os Sinais que a fariam murchar, denunciados por Camões, Sá de Miranda, Gil Vicente, João de Barros... D. João de Castro. Marcam o reinado deste rei, o abandono das ‘pra-35 ças-fortes’ do Norte de África por inúteis e dispendiosas... O estabelecimento da Inquisição em Portugal e a Vinda da Companhia de Jesus... Começa o descalabro do Império do Oriente onde tinham sido enviados Governadores e Vice-Reis íntegros e enérgicos como Vasco da Gama, Nuno da Cunha, D. João de Castro... Expande-se a Colonização em África, Angola e Moçambique e sobretudo a colonização do imenso território do Brasil desde o Recife ao Rio da Prata... Este Rei veio a morrer sem herdeiro directo, deixando como sucessor um neto de três anos: o “Desejado”, D. Sebastião, que levaria o reino ao desastre de Alcácer Quibir e à perca da independência em 1580, quando Camões, na agonia, se lamentava: “Ao menos, morro com a Pátria.”

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4. - OS DESCOBRIMENTOS: Algumas datas e nomes para referências...
1394 1411 1419 1420 1427 1432 1434 1441 1443 Infante D. Henrique (5º filho de D. João I e Filipa de Lencastre. (04/03/1394 - 1460) Organiza a frota e toma parte importante na tomada de Ceuta Redescobrimento português de Porto Santo Madeira Diogo de Silves terá chegado aos Açores Ocidentais Descoberta e colonização metódica dos Açores Gil Eanes chega ao Bojador, Serra Leoa O Infante envia Antão Gonçalves ao Rio do Ouro Pode dizer-se que é incentivada a descoberta da Costa de África a Sul do Bojador, - Arguim - foz de Senegal - Rio do Ouro Cabo Verde... Cabo dos Mastros... (com o interregno de Alfarrobeira... e intrigas da Corte...) Descoberta das Américas do Norte, Centro e Sul (prováveis) Bula de Nicolau V ao Infante “outorgando-lhe em exclusivo a posse, ocupação e apropriação de todas as terras, portos, ilhas e mares de África... Morte do Infante D. Henrique 1460? 1465? 1470 - Nascimento de Gil Vicente Bartolomeu Dias descobre a passagem do Sueste - Cabo da Boa Esperança Tratado de Tordesilhas Descoberta das Américas... já confirmadas. Cristóvão Colombo, 3ª viagem, ao Continente americano Fernão Magalhães realiza a Viagem de Circum - navegação Morte de Gil Vicente

1448 1454

1460 1487 1494 1495 1498 1519 1536

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5 – BIBLIOGRAFIA usada
Autores SELVAGEM, Carlos e CIDADE, Hernâni Títulos e Ed. CULTURA PORTUGUESA, Empresa Nacional de Publicidade, Ed. especial patrocinada 37 pela Direcção - Geral da Educação Permanente, 1971, em especial os volumes: 2, 3, 4, 5 e 6, dos 18 da colecção. OBRAS DE GIL VICENTE, Tomo I, 1907, Tomo II, 1912, Tomo III, 1914, volumes XI, XV e XVII da Colecção Subsídios para o Estudo da História da Língua Portuguesa, Coimbra, França Amado, Editor. OBRA POÉTICA DE FERNANDO PESSOA, POESIAS DE ÁLVARO DE CAMPOS, Publicações Europa América, Mem Martins, !985?, 86? FARSA DE INÊS PEREIRA DE GIL VICENTE, Porto Editora, Porto, 1976. GIL VICENTE E O FIM DO TEATRO MEDIEVAL, Livraria Bertrand, 3ª ed., 1981, com prefácio de Paris de Outubro de 1965 e cujo ensaio serviu de tese de doutoramento, publicado em 1942. TEATRO DE GIL VICENTE, Portugália Editora, 5ª Ed. s/d. AS ASSINATURAS DE VASCO DA GAMA, UMA FALSA ASSINATURA DO NAVEGADOR PORTUGUÊS, CRÍTICAS, COMENTÁRIOS E DOCUMENTOS, da Academia Nacional de Belas Artes, Conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 1934. ENCICLOPÉDIA LUSO BRASILEIRA DE CULTURA, Ed. Verbo, especialmente nos temas Descobrimentos, Infante D. Henrique... GIL VICENTE E O FIM DO TEATRO MEDIEVAL, Bertrand, 3ª ed., Lisboa 1983 IINTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO TEATRO PORTUGUÊS, Guimarães Editores. Lisboa,1983 A CULTURA EM PORTUGAL – teoria e História – Livro II primeira Época: A Formação – edição de GRADIVA – PuBLICAÇÕES,

REMÉDIOS, Mendes dos (Revisão, Prefácio e notas)

QUADROS, António (Introdução, organização e biobibliografia) SOARES, Albano Monteiro (Estudo, Análise, Notas, Vocabulário e Questionários) SARAIVA, António José

SARAIVA, António José (Apresentação e leitura) KEIL, Luís

Vários – Verbo Ed.

SARAIVA, António José CRUZ, Duarte Ivo

SARAIVA, António José

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Ldª , Março de 1991

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Será longa a lista de dados para perceber plenamente o CONTEXTO de um pequeno AUTO de Gil Vicente, mas não pretendem ser senão algumas pistas de LEITURA, para perceber a sua OBRA, o Renascimento, o que fomos e o que SOMOS COMO POVO.

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AUTO da VISITAÇÃO ou AUTO do VAQUEIRO de

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GIL VICENTE
com PROPOSTA para a re/cr(e)iação e várias recreações do mesmo AUTO

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O espaço onde vai acontecer esta representação deve ser, se possível ao ar livre, ou num espaço suficientemente amplo onde já esteja armado, em lugar de destaque, um Presépio tradicional com as figuras tradicionais, que rapidamente se podem retirar, transformando o dito presépio - curral de animais - onde o Menino nasceu, numa Câmara real onde terá nascido o mui alto e excelente Príncipe D. João, o terceiro em Portugal... Para maior impacto de toda esta representação, pode ser que os actores e encenadores queiram optar por fazer um cenário mais complexo, deixando o dito Presépio, por exemplo do lado direito; e construindo uma recriação da possível câmara real do lado esquerdo, ficando esse cenário e figuras, representadas por actores ou fabricadas, desde o princípio até ao fim. Assim, ficaria um equivalente espaço central, entre as duas cenas de Nascimentos, - o real, que dizem ter sido o do Nascimento do Redentor: um curral com manjedoira e animais, mais o José, Maria e o Menino...; num tempo em que faria frio e neve e se celebra em Dezembro, próximo do dia mais curto do ano em Luz solar, e teria sido no ano um da nossa Era, mas devia ter sido no ano zero!; e o outro mesmo real, uma câmara de um palácio real, onde teria

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nascido o excelente Príncipe que nos vai brindar com a Inquisição, e aconteceu a seis de Junho de 1502, num tempo em que já faria calor com a aproximação do Verão, a quinze dias do maior dia com Luz solar do ano, da mesma Era! - para as

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outras possíveis re / criações e re / creações!!!

Criadas pois as condições ideais que terão levado muito tempo e muito trabalho a preparar mas deve-se fingir de tal maneira que tudo isto parece ter aparecido de um modo mais ou menos improvisado, entra um arauto, que pode ser um pajem ou um escriba, ou um cronista como Fernão Lopes, ou até talvez um exemplar conselheiro real como aparece em quase todas as histórias que metem reis e rainhas e príncipes e princesas..., e talvez seja conveniente ir acompanhado por uma dama que pode ser uma aia ou confidente da rainha..., ou uma condessa ou duquesa ou até marquesa estudiosa e letrada, o que era uma raridade no tempo, mas com a presença de dotes que são e foram sempre intemporais, porque sempre sedutores!!!... e anuncia(m):

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AUTO DA VISITAÇÃO
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e, sem mais, lê ou lêem a introdução do anunciado Auto no possível Português antigo que nos resta para dar a ideia que é feita pelo próprio Gil Vicente. “Porquanto a obra de devação seguinte procedeu de hua visitação, que o autor fez ao parto da muito esclarecida Rainha Dona Maria, e nascimento do muito alto e excelente Principe Dom João, o terceiro em Portugal deste nome; se põe aqui primeiramente a dita Visitação, por ser a primeira coisa, que o autor fez, e que em Portugal se representou, estando o mui poderoso Rei Dom Manoel, e a Rainha (...) D. Beatriz sua mãe, e a Senhora Duquesa de Bragança, sua filha, na segunda noite do nascimento do dito Senhor. E estando esta companhia assim junta, entrou um vaqueiro, dizendo:”
(In Obras de Gil Vicente, com revisão prefácio e notas de Mendes dos Remédios, Tomo Terceiro, França Amado - Editor, Coimbra, 1914.)

Esta é a introdução que aparece como introdução a este Auto de Gil Vicente.

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Quem a fez? O autor, ou o seu filho Luís, que depois da sua morte tratou de editar as suas obras, em 1562, vinte e tal anos depois da morte do pai e já com os esbirros da Inquisição a tentarem impedila, não fosse a intervenção da já viúva do senhor D. João III!? Que erros tem? Porque chama Rainha à mãe de D. Manuel que nunca teve esse título? É por isso que nos atrevemos a tirar as aspas e apresentar de novo a mesma INTRODUÇÃO já com emendas permitidas pelas obras consultadas e estudos feitos. Porquanto a obra de devação seguinte procedeu de hua visitação, que o autor fez ao parto da muito esclarecida Rainha Dona Maria (a segunda esposa do Rei D. Manuel), e nascimento do muito alto e excelente Principe Dom João, o terceiro em Portugal deste nome; se põe aqui primeiramente a dita Visitação, por ser a primeira coisa, que o autor fez, e que em Portugal se representou, estando o mui poderoso Rei Dom Manoel, e a Rainha (que seria D. Leonor a rainha velha, viúva de D. João II, o Príncipe Perfeito, e a Infanta) D. Beatriz sua mãe, e a Senhora Duquesa de Bragança, sua filha, na segunda noite do

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nascimento do dito Senhor. E estando esta companhia assim junta, entrou um vaqueiro, dizendo:
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Feitas estas pequenas mas subversivas alterações, o vaqueiro não entra, que nós não deixamos, e faltam ainda outras APRESENTAÇÕES. Apresentado o cenário em que terá acontecido este Auto da Visitação para celebrar o nascimento do muito alto e excelente Príncipe Dom João, falta-nos apresentar o cenário onde terá nascido o Redentor da Humanidade. O nascimento de Jesus, S. Lucas, 2, 8 e pode ir até 20 com os anjos e pastores). “E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todas as pessoas se recenseassem. (Este primeiro recenseamento foi feito sendo Cirénio presidente da Síria.) E todos iam recensear-se, cada um à sua própria cidade. E subiu, também, José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à

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cidade de David, chamada Belém (porque era da casa de David), A fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. E aconteceu que, estando ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogénito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.” Estão feitas as APRESENTAÇÕES dos NATAIS que aconteceram no passado. Um que terá acontecido em seis de Junho de 1502; e o outro que, por não se saber, se celebra na noite de 24 para 25 de Dezembro dum suposto ano UM.
E a APRESENTAÇÃO para a nossa REPRESENTAÇÃO?

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Em finais do século XX ou já no limiar ou em pleno século XXI, no NATAL deste ano (2012…), no país ou na cidade ou na vila ou aldeia ou bairro ou escola ou zona em que vivemos... é possível supor várias situações, tal como Mestre Gil faria, se se visse na emergência de preparar cuidadosamente um brilhante improviso para fazer uma representação... para divertir... criticar... e pôr a pensar...

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tão ilustre Assembleia... como é esta corte aqui reunida.
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(De repente, à última hora, tudo, cenários e figurantes, e tudo o que eles simbolizam, pode mudar subitamente, e deixar campo livre para a criatividade e improvisação!!!. Podem também manterse os dois cenários fixos, e aproveitar o espaço livre, central para a recriação ou para a recreação. Para os “artistas” que representam e para os “artistas” que ouvem, assistem ou participam..., fica um vasto campo para o sonho, para a fantasia e para a arte.) (Entra finalmente um ARAUTO que já não é o apresentador e vai ter o encargo de apresentar estas e outras representações e ANUNCIA:) Senhoras e senhores! Meninos e Meninas! Alunos e professores! Assessores e funcionários E outros auxiliares! Ilustres autoridades! Visitas e convidados! Senhores espectadores e presentes nesta sala...

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Tenho eu grande prazer E grande honra também De poder anunciar Que o cenário vai mudar Nada mudando afinal Daquilo que estão a ver!... (Deve dar algum tempo para que se interiorize o ESPANTO geral que se gerou na sala e... solenemente anuncia:) É que agora vai entrar Perante o espanto geral Que ora deve acontecer Em cada um que nos vê E nos ouve, está bem claro, Um tal Mestre Gil Vicente Que na Era de Quinhentos Se atreveu a Apresentar Lá no palácio real Onde paria a Rainha Uma Comédia mui séria Que a todos fazia rir... E transformava os Senhores, Reis, Rainhas e Infantes, Infantas e Servidores, em personagens de Drama, de Tragédia, de Teatro... Para que, ao verem-se em cena Se rissem dos próprios actos

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Que vão vivendo na vida... E rindo de si e dos outros Depois se vão transformar De acordo com os princípios E os valores que defendiam Ou descobrem Quando falam e discursam Mas logo deles se esquecem Quando agem e decidem... Assim, Senhoras, Senhores E todos os espectadores..., O Menino que ali vedes Não é Jesus, nem João... O que vai ser o terceiro Desse nome em Portugal Lá para ano vinte e um Do século décimo sexto É Manuel ou Malaquias Ou é José ou António Duma Era de Quinhentos A Regressar ao Futuro Desta Era que vivemos... Nossa Senhora é Maria. Também o é a Rainha A esposa já segunda Do grande Rei Venturoso, Como todas as Marias Mesmo sem ter esse nome...

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S. José é D. Manuel Ou outro nome qualquer Como o Rei afortunado Que reinou em Portugal Naquele tempo cobiçado Em que ouro era a granel... Depois, no resto dos quadros, Com anjos reis e pastores E Infantas e Duquesas E com burros e vaquinhas E ovelhas e carneiros Podeis ver os figurantes Do teatro que é a vida Desse tempo e deste tempo... Podem aparecer Camões, João de Barros, Albuquerque/s, D. Teresa/s; e Urraca/s D. Inês/es, Isabel/eis ou outros nomes que tais... Sá/s de Miranda, os Cabral/ais, Vasco/s da Gama, D. Pedro/s, Os Infante/s D. Henrique/s,... E até o/s Desejado/s D. Sebastião - Encoberto Que vai aparecer prazenteiro Num dia de nevoeiro!!! Mas para quê buscar figuras

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De passado tão distante? Podeis ali ver sentados Ou de pé em pose erecta No espaço de sobejo Deste palco que é a vida E a infinda imaginação As figuras do presente Que governam o País A Escola ou a Cidade A Vila ou a Freguesia. Homens, mulheres e crianças Rodando a roda da vida Em constante corrupio... Ou virando o bico ao prego O palco passa para aí Onde está a assistência E, por arte ou por magia, Os actores deixam de o ser E todos aqui presentes São os actores a viver As suas vidas de sempre Vulgares e habituais Com mil mentiras e truques E gestos lassos, banais... E assim vamos à cena... À cena, à cena, Senhores Entrem em cena os actores Anunciem-se os autores Que o Auto vai começar

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Com a cena mais banal Que acontece afinal Aos milhares, todos os dias Em toda a roda do Mundo... Uma mulher vai ser mãe Dar à luz uma criança Que ao dar o primeiro grito Um vagido intraduzível Tem pela frente uma vida Onde cabe toda a esperança... É o momento, senhoras, Senhores e espectadores De aparecer Gil Vicente O próprio, em carne e osso... Não se deixem enganar Pelos disfarces que traz Seja Homem ou Mulher Pois a arte do Teatro É fazer o que lhe apraz Como quem e quando quiser... Vem agora disfarçado De Pastor ou de Vaqueiro Entrando qual furacão Pelas portas do Palácio D’El-Rei Manuel, o primeiro Que olhava o seu herdeiro Acabado de nascer E em breve viria a ser

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Em Portugal o terceiro Com esse nome João...
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E entrando aos tropeções Temperados com uns palavrões Com empurrões e punhadas Entre dadas e levadas Logo fica deslumbrado Quando o deixam descansado Por ser louco sem conserto Olhando tanta riqueza, Tanta beleza afinal... Como pode viver bem A Nobreza em Portugal...
Aí está. Entra o VAQUEIRO Não se deixem enganar Minhas senhoras, senhores com este falar estranho pois ele fala castelhano uma língua vicentina de raiz também latina um português mal falado que não há em nenhum lado:

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

Pardiez! siete arrepelones Me pegaron á la entrada, Mas yo di una puñada Á uno de los rascones. Empero, si yo tal supiera, No viniera, Y si viniera, no entrára, Y si entrára, yo mirára De manera, Que ninguno no me diera. Mas andar, lo hecho, es hecho: Pero todo bien mirado, Ya que entré, neste abrigado, Todo me sale en provecho. Rehuélgome en ver estas cosas, Tan hermosas, Que está hombre bobo en vellas: Véolas yo; pero ellas, De lustrosas, A nosotros son dañosas. (Falla à Rainha) Si es aqui adonde vo? Dios mantenga si es aqui: Que yo no sé parte de mi, Ni deslindo donde estó.

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Nunca vi cabaña tal, En especial Tan notable de memoria: Esta debe ser la gloria Principal Del paraiso terrenal. Ó que sea, o que no sea, Quiero decir á que vengo, No diga que me detengo Nuestro consejo e aldea. Enviame á saber acá, Si es verdá Que parió Vuestra Nobreza? Mi fé si; que Vuestra Alteza Tal está, Que señal dello me dá. Muy alegre y placentera, Muy ufana y esclarecida, Muy prehecha y muy lucida, Mas mucho que dantes era. Oh qué bien tan principal, Universal! Nunca tal placer se vió! Mi fe, saltar quiero yo. He, zagal! Digo, dice, salté mal? Quien quieres que no reviente De placer y gasajado! De todos tan deseado

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

Este príncipe excelente Oh qué Rey tiene de ser A mi ver Debiamos pegar gritos: Digo que nuestros cabritos Dende ayer E no curan de pacer. Todo el ganado retoza, Toda laceria se quita; Com esta nueva bendita Todo el mundo se alboroza. Oh que alegria tamaña! La montaña Y los prados florecieron, Porque ahora se complieron En esta misma cabaña Todas las glorias de España. Qué gran placer sentirá La gran corte castellana! Cuan alegre e cuan ufana Que vuestra madre estará, Y todo el reino à monton! Con razon. Que de tal rey procedió El mas noble que nació: Su pendon No tiene comparacion. Qué padre, qué hijo y qué madre!

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Oh qué aguela y qué aguelos! Bendito Dios de los cielos, Que le dió tal madre y padre! Qué tias, que yo me espanto! Viva el príncipe logrado! Quel es bien aparentado! Juri á Sanjunco santo. Si me ora vagára espacio, Y de prisa no veniera, Juri á nos que yo os diera Cuenta de su generacio. Será rey don Juan tercero, Y herdero De la fama que dejaron En el tiempo que reinaron, El segundo y el primero, Y aun los outros que passaron. Quedáronme allí detras Unos treinta compañeros, Porquerizos y vaqueros, Y aun creo que son mas; Y traen para el nacido Esclarecido Mil huevos y leche aosadas, Y un ciento de quesadas; Y han traido Quesos, miel, lo que han podido.

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

Quiérolos ir à llamar: Mas segun yo vi las señas, Hanles de mesar las greñas Los rascones al entrar. Entrárão certas figuras de pastores e offerecérão ao Principe os ditos presentes. E por ser cousa nova em Portugal, gostou tanto a Rainha velha desta representação, que pedio ao autor que isto mesmo lhe representasse ás matinas do Natal, endereçado ao nacimento do Redemptor; e porque a substancia era mui desviada, em lugar disto fez a seguinte obra.

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E logo a seguir vem o

Auto Pastoril Castelhano
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O AUTO PASTORIL CASTELHANO é um auto em que entra um Gil, um pastor inclinado à vida contemplativa e anda sempre solitário... logo aparece outro, o Braz, que o repreende disso... Aparecendo de seguida o Lucas, o Silvestre, o Gregório e o Mateus... Não o vamos introduzir aqui... porque já chega de transcrever Gil Vicente. Vamos usá-lo só em mímica para ser percebido só por quem já o conhece e despertar interesse aos que o não conhecem para o virem a ler... Trata-se agora de dar uma devida encenação a esta parte final do AUTO DA VISITAÇÃO que, em vez de apontar para um final desinteressante e confuso, com desfiles e pequenas representações e declamações mais ou menos bem improvisadas, será, terá de ser, um primeiro ponto culminante num gráfico que está ainda em crescendo. Trata-se, portanto, fundamentalmente, de conseguir organizar o caos, a confusão, o movimento delirante em perfeita sintonia com o Cosmos que gera a vida, a estabilidade e a perpétua renovação no ciclo permanente patente nas estações e na sucessão sempre renovada do dia e da noite e da morte e da VIDA. Assim, ao mesmo tempo que começa um desfile, estilo procissão, cortejo de homenagem,

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

que se encaminha e desfila perante o futuro Rei D. João III e a família real; e em que tudo é possível, a variedade de presentes, o seu simbolismo, a dança, a mímica o canto, representações e declamações individuais e em grupos, uns grandes, outros pequenos... ...paralelamente, e com muitos dos mesmos personagens que já desfilaram e vão desfilar perante o Rei, passam-se cenas semelhantes ou diametralmente opostas do outro lado do Presépio propriamente dito diante do Deus Menino. Estudar os presentes, o seu simbolismo e representatividade; e que podem ser tudo, de animais a objectos a gestos e formas simbólicas..., preparar quem e a forma como são levados e apresentados... será todo um trabalho colectivo de um grupo coeso e dinâmico que tem de estar em sintonia com o seu meio social, com o ambiente e com as preocupações dominantes de toda uma região e duma geração... É o momento do espectáculo global. Se possível, os actores e grupos de actores, hão-de descobrir a forma de fazer passar toda a assistência diante dos dois recém-nascidos que nascem, um em Belém de Lisboa, outro em Belém de Judá no Oriente... Ainda durante este desfile, ao mesmo tempo, e depois de terem desfilado provavelmente pelos dois presépios, no espaço central, mas sem o ocuparem, e mais inclinados para o lado do Presépio que é curral de animais, em Belém de Judá, vai-se organizando o grupo que terá representado em 1502 o Auto Pastoril Castelhano.

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À boca da cena, senta-se o pastor sonhador, o Gil, “inclinado à vida contemplativa”, que sucessivamente e simultaneamente vai sendo rodeado pelos restantes personagens do Auto: o Braz, o Lucas, o Silvestre, o Gregório e o Mateus... Representam só através de mímica. Embora só o possa entender bem quem o conhece, será importante fazer passar o essencial para todos perceberem um pouco o Auto Pastoril Castelhano. Para que tudo isto entre numa dinâmica de apoteose contida e ainda em crescendo, toda esta sucessão de cenas, quadros e desfiles e representações simultâneas, terão como suporte, um, dois ou três Grupos Corais - Orquestra, que vão, uns após outros, cantando os Cânticos de Natal mais tradicionais, religiosos, profanos e em várias línguas..., alguns dos quais aparecem em anexo no final deste trabalho. À medida que o palco se vai esvaziando, pois as pessoas regressam aos seus lugares, porque o espectáculo vai continuar, ou recomeçar..., os cânticos vão cedendo lugar à música de fundo, e por sua vez, vai também chegando ao fim a simulação do Auto Pastoril Castelhano mimado pelos seis pastores... Nesta altura, dum lado e doutro, sobretudo do lado de Belém Ocidental, aparece o Rei D. Manuel a cumprimentar e a felicitar o Mestre Gil Vicente que é Vaqueiro, e a sua esposa que confia o menino a uma ama, e a Duquesa de Bragança... José e Maria, vão timidamente esboçar uns breves agradecimentos ao autor e aos intervenientes... e ao público.

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

Tudo isto é, evidentemente, sempre muito aplaudido pelo público, mesmo que se tenham de fazer cartazes para saberem o quê e quando o devem fazer...!!! (Talvez seja importante avisar insistentemente que deve rir e rir bastante...) Assim a pouco e pouco, vão saindo todos, e no espaço Central, que nesse momento já está praticamente livre, aparece muito solene e digna a “Rainha Velha” a falar com Gil Vicente..., e embora o público ainda não tenha percebido bem o que se passa, pois pensa que vai, como os outros, receber os aplausos do público, A “Rainha Velha” pede com um gesto o silêncio e a atenção do respeitável público, pois a sua ida ali é: - Para felicitar o Sr. Gil Vicente por isto “ser cousa nova em Portugal...” e a desafiá-lo para novas aventuras...

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Fala a Rainha Velha, D. Leonor: Senhor, Mestre Gil Vicente, Ainda que de Vaqueiro Disfarçado se apresente e represente Este auto Genial Cousa nova em Portugal... Eu, a viúva d’El-Rey, Que foi o Príncipe Perfeito E teve o nome João O Segundo em Portugal... Como avó deste Menino Que vai ser João Terceiro

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Que não neto verdadeiro Porque o nosso filho herdeiro Tragicamente morreu Escolhendo como filho D. Manuel o Venturoso Que o sonho realizou De chegar ao Oriente E é pai deste meu neto que o não é como se sabe... Eu, a “Velha Rainha” Como o povo me nomeia, Estou aqui para dizer Em seu nome e no do Povo E em meu nome para valer, Que o que está a acontecer, Neste espaço, neste tempo É qualquer coisa de novo Nunca vista em Portugal... E tem de ter, é fatal, Ressonância universal! Senhor Mestre Gil Vicente, Não acha, que este Auto, Aqui, ora, apresentado, Fica um tanto deslocado Diria: é mal empregado Ou talvez exagerado Perder tempo a alimentar Os anseios e esperanças De um povo que já viveu

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

Os mil sonhos nhou...???

que

so-

Já chegou ao Oriente A Índia, já conquistou... Já chegou a Ocidente E as Américas tomou... Vir aqui, para exigir Desta criança nascida Que vá ‘inda mais Além Do que já foi este povo Pela mão e por vontade “D’El-Rei D. João Segundo” Para Além do “Mar sem fundo”?.. E já foi até à Índia Pelo sonho e pelo mando D’El-Rei, D. Manuel I?!!! Não será exigir muito? Não será o querer demais? Senhor Mestre, Gil Vicente, Ouça bem o meu conselho De sábia “Velha Rainha” Que mui sofreu e viveu... Não esbanje o seu talento Em apostas sem futuro Pedindo a este menino Acabado de nascer Que faça todos os sonhos

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Que um Povo tem para viver...
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Isto aqui realizado Cheio de esperança ideal De um povo pequeno e só que se lançou para o Mar... Faça-o, sou eu que peço, P’rás Matinas do Natal Endereçado ao nascimento Do Divino Redentor Que veio para salvar Os Povos de todo o Mundo Fazendo deles um só Povo A abarcar o Cosmo todo... Fala então o Mestre Gil, disfarçado de Vaqueiro: Isso que pedis, Senhora É tarefa de tal monta Que não posso, por meu mal, Dar VOS resposta cabal... Para fazer este Auto Eu fui buscar o teatro que o Povo sabe fazer... Mas depois do que eu já fiz E a Arte sabe fazer Com ciência e inteligência

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Prudência e ponderação... Uma Obra dessa Arte A buscar a solução Para os novos problemas De toda uma geração... “Que depois de achar a Índia ficou assim deslumbrado, pasmado e desempregado sem nada o que fazer!!!” Para arriscar tal empresa?!!! Só se o Povo a encontrar Com todo o seu “Cabedal” E experiência acumulada De novo reanimada Com a força do Futuro Que medra na Juventude... Isso que estais a pedir De repetir este Auto Nas Matinas do Natal No final deste Milénio O segundo Universal Que anuncia o terceiro A começar em dois mil... Isso que estais a pedir Não é a mim, ó Senhora, Rainha de Portugal Que me o deveis pedir... Essa loucura Utopia Deveis pedi-la, Senhora,

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Aos jovens de Portugal Aos jovens de todo o Mundo... Aos que estão nesta sala E a todos que por eles Vão ouvir esta mensagem... Aquilo que fui capaz De inventar para o Natal Que Vossa Alteza pediu Já vistes ali mimado Por aquele Gil sonhador E seus amigos pastores... O que agora me pedis Não é já da minha arte Não vos posso responder... Talvez a Arte, que é Arte Tenha a resposta devida... Dirigi as vossas falas Para o Povo desta sala E p’rós outros que não estão... Esses vos responderão... (Sai Gil Vicente e portas do fundo que não fazer e dizer e entra o companheira para que nue...) a Rainha pelas têm mais o que arauto e a sua a Festa conti-

“Meus amigos,

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

É esta a questão: Quereis ficar aí à espera Que venha o rei ou governo A dizer-vos que fazer?!!! Ou que venha o “Encoberto num dia de nevoeiro” trazer-vos a salvação?!!! Quereis eleger deputados Que vos dêem solução Daquilo que pretendeis... Ou vamos nós procurá-la E dar a resolução Àquilo que nos aflige... Procurar a Liberdade A possível Igualdade A irmã Fraternidade A simples Felicidade...? A possível nesta vida?!!! Vamos então à função... Já temos erros que cheguem de génios e salvadores que ora se enganam no verbo “Penso, logo existo...” Ora: existo, logo penso... ou então o erro é outro e trocaram o pronome: ...uni-vos em vez de unidos... Dizer: vós, em vez de nós É um erro muito caro

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que fez perder gerações!!! Ali, no mesmo lugar em vez daqueles personagens que lá estavam e não estão podeis agora ver outros com a luz da imaginação... Está vazio o palco, agora, para que nele caiba tudo o que quisermos... “A vida toda é teatro onde nós representamos cada um o seu papel...” O palco não é ali!... É aí na assistência!!!... Não. Isso não é verdade... O palco é fora, na rua, na escola, no trabalho, no emprego, em nossa casa... no trabalho e no descanso em férias e fora delas... Vamos ali pôr então para rir e pr’a chorar aqueles que mais estimulam a nossa imaginação... Aqueles que até aparecem em sonhos e pesadelos e ao vermos televisão quer os queiramos ou não…

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São presidentes, ministros, deputados, secretários... o nosso da Educação... O Conselho Directivo... ou então o da Gestão... Alunos e professores... Enfim: O NOSSO RETRATO POSTO ALI NO TEATRO para aprendermos no palco a pisar forte na VIDA... Então, depois de se decidir enfim, se o palco fica vazio ou fica cheio... E se fica cheio, com quem ou/e com o quê... podem então seguir-se uma ou várias representações, mais ou menos glosando o Monólogo do Vaqueiro, adaptado às mais diversas circunstâncias, com maior ou menor oportunidade... Vamos criticar a Escola? Vamos personalizar mais ou menos? A título de sugestão, fica aqui um registo para que o improviso possa parecer mesmo a sério...

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Entra então um personagem que pode ser um estudante ou um professor ou uma professora, ou uma funcionária ou funcionário da escola, ou até um convidado ou convidada, conforme o resultado do concurso que tinha sido lançado uns meses antes para representar este papel e os anteriores... E pode até ir destrajado de Gil Vicente que ia destrajado de Vaqueiro... ou daquilo que a fantasia e as circunstâncias indicarem... ou pode ir tal e qual costuma andar na vida real, porque afinal, na vida real é que a maior parte das pessoas andam mascaradas... então, para sermos diferentes e chamar a atenção, vamos ali representar parecendo que andamos na vida real... Chega ao palco depois de ter atravessado toda a plateia aos tropeções, com empurrões de um e outro lado... e as intervenções e interjeições inerentes a tão difícil quão arrojada tarefa... barafustando..., implicando..., respondendo..., defendendo-se..., interpelando..., e, sempre... sempre... saudando e cumprimentando e agradecendo à respeitável assembleia, sobretudo se é das assembleias

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que estão habituadas a pagar e têm com o quê... ... e, mesmo de papel na mão, se não teve tempo de o decorar, diz: Eu vim aqui, a mandado de meu senhor, Mestre Gil, de Vicente apelidado, que não pôde vir, coitado!, porque ficou sem ceitil... e já esticou o pernil vai para uns quinhentos anos! e jaz p’rali sepultado esquecido e desprezado na cripta de S. Francisco em Évora que é cidade Património Universal!!! De pedras e de muralhas De templos e catedrais Pois as gentes!? pouco importam... Passam... Desaparecem... Esse senhor, Mestre Gil, Mandou-me certo recado De saber, de perguntar, - Quem pergunta não ofende! De saber se ainda havia Por aqui algum dobrado Desses que vinham da Índia Ou das costas do Brasil?!!!
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- ‘Stá visto. É só penúria?! Disse-me ele meio a rir! - Agora, quem faz teatro Não é querido da rainha, Nem de reis nem de ministros... Pró fazer tem de pagar E no fim, a agradecer, Leva dois chutos no cu E uma sapatada... Bem feita que é para aprender A não meter o nariz Aonde não é chamado!!! - Mas não era encomendado? - Era. A peça. Não a cabeça. ... e tentando depois decalcar, mais ou menos o AUTO muito bem “improvisado” por Gil Vicente, na câmara da mui alta e nobre rainha D. Maria, no dia oito de Junho de mil quinhentos e dois, dois dias após o nascimento do mui alto nobre e excelente príncipe dom João que havia de ser o terceiro desse nome em Portugal, e que, para nossa salvação e redenção, nos havia de trazer a Santa Inquisição... Por Deus! Ó gente estimada, Levei ali à entrada Uns dez ou doze encontrões Daqueles que são guardiões

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De vossas altas senhorias... Mas eu dei uma punhada A um desses figurões Fanfarrões Que os outros debandaram e andam por aí aos sacões Pelos salões À procura dos chefões... A gritar: - Aqui ladrões! Oh! mas se eu soubesse Que só a minha presença Tanto engodo vos causava Eu não entrara Nem tal coisa pela cabeça Me passara... E se passasse e viesse E prevenido viesse Eu havia de arranjar Depois de muito bem olhar A maneira de passar Por í dentro sem parar De vagar, discretamente, Sem que ninguém me topasse ou arriasse... Mas vamos. O feito é feito E vendo bem o que vejo Desde que entrei nesta sala Toda vestida de gala Vejo-me só rodeado De figuras de alto a’preço

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Tanto que eu nem mereço Pisar sequer a entrada!!!
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Ver tantas damas formosas Tantos Doutores e Doutoras Tanto Mestre doutorado Em Ciência, Educação... Tanto saber ilustrado Iluminado!!! Fica tonto o coração... E, ao ver tanto canudo Fico até a pensar Só, cá para os meus botões Se estamos no Natal Ou se me terei enganado E estamos no Entrudo Ou se terá chegado o Verão Ou só estamos no Outono?! (E dirigindo-se à nobre Assembleia ou ao seu representante maior:...) Será aqui o lugar? Será isto que eu procuro? Serão as pessoas certas Para eu representar O papel que encomendaram? OH! Valha-me a Virgem Santa! Que eu não tenho mão em mim Nem sei o que hei-de dizer! É verdade!!!

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Nunca vi Escola igual! Parece uma catedral A maior que eu já vi Nos reinos de Portugal E nos mundos que corri! Mas, Quer seja, quer não seja Quero dizer ao que venho Não digam que esqueci O recado que trazia... Valha-me Santa Maria! Querem ver que se varreu Da cabeça aquele recado Que as gentes lá do meu bairro Da rua e da freguesia Do concelho e da cidade... E até da minha aldeia...
... ...

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Com tanta força e empenho Me encarregaram de dar A tão ilustre Assembleia!? Varreu-se-me da ideia!?? Não. A incumbência que tenho Das gentes da minha aldeia É de ver com estes dois Com os olhos da cara e da mente Com toda a arte e engenho Sé é verdade O que se diz por aí... E o que dizem? Dizem tal...

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Dizem bem... E dizem mal... Dizem com grande mistério Que agora o ministério Chamado de Educação Vai trazer a solução Que vai salvar Portugal Do atraso universal Que é sua sina e condão Desde que foi ao Ceilão Para a Índia descobrir... E já estava descoberta... E como era grande e rica! Duma cultura infinita... Desde então, e por má sina Diz o poeta engenheiro Que disse que aprendia Com o poeta pastor - O Guardador de rebanhos Que descoberto esse atalho Do ouro e das riquezas Muitos de nós portugueses Ficámos sem ter trabalho De puxar pela cabeça! Vivemos dos rendimentos E dos melhores sentimentos... Somos povo de poetas Que sem “o” ficam só petas!!! Mas vejo que me enganei... Ao ver tudo isto aqui Parece que estou a entrar

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No Olimpo terreal
Tão real

Que nem um palácio real. São salas e são salões Laboratórios, balcões,
Pavilhões

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Para correr e saltar E cantos para aprender De tudo um pouco e do muito E muito de algum pouco Para fazer especialistas Do presente e do futuro... Que vejo eu afinal? Uma Escola tão sabida Tão sábia e instruída Tão dotada e tão feliz Que quem entra logo diz: - Isto é gente esclarecida Da mais culta e erudita Do país... Nunca tal aconteceu Desde que o mundo apareceu E, por isso Cantemos louvores ao céus! Graças a Deus!!! Vamos cantar e bailar Que apareceu a céu aberto Em dia de nevoeiro Aquele que estava encoberto E já se chamou Roberto

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E até Veiga Simão E já se chamou Cardia Mas agora se diz Grilo Ou outro nome de bicho E veio p’ra nos salvar Da ignorância ancestral Proverbial Que é vista por um canudo Muita vez sem conteúdo!!! Mas agora que é chegado O que foi mais desejado Em Portugal Vamos dormir descansados E sonhar mesmo acordados Vivendo como nababos. Vamos lá ver se é quem é Este príncipe excelente. Vamos lá ver se sabemos Quem somos e o que somos... Que valemos? Vamos lá ver se é verdade Ou não passa de mentira O sucesso apregoado E mostrado ao Universo E à UE. Vamos lá fazer a prova Se o Sistema Escolar Funciona como o Solar Com o Sol que lhe dá vida Sempre, sempre em movimento

Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

Com raízes no passado E os olhos sempre em frente Como um Regresso ao Futuro A assumir tudo o que somos Para sermos o que queremos... É tempo de festejar O sucesso que já temos E mostrar que já sabemos Dançar, cantar e saltar... Pois nós vamos descobrir E mostrar Ao mundo que está p’ra vir Que pode viver, sorrir E achar Tudo o que há para encontrar E usar Tudo o que nos é devido... É uma festa tão gira Que toda a terra se agita E a Natureza grita De prazer e alegria... Até, no campo, os cabritos Saltam, pulam e dão gritos E deixaram de comer... O feito é de tal monta Que os zagais ficam aflitos E prudentes Põem alerta os sentidos. Pois que nova será esta?

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Que terá acontecido Pois é bem certo e sabido Que todos estão em Festa. A alegria é tamanha Que as montanhas e os prados floresceram... Pois aqui aconteceram Tais façanhas Que todos emudeceram... Que prazer não vão sentir Todos quantos isto virem E ouvirem E a mudança sentirem Do passado p’ró provir... Salta alegre o coração Com razão Pois nasceu de novo a esperança De vivermos a mudança Com segurança Que dá vida à toda a Vida. Que Que Que Que
... ...

pais! Que filhos! Que mães! avôs! Que avós! E que netos! professores! Professoras! ministros! Secretários!

Que instalações e espaços! Tudo isto é um espanto Que não cabe neste canto!

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Quem há aí que não cante Esta mudança que vem Transformar a nossa vida Em Alegria! É hora de encantamento Celebrar este momento Que vem aí, quem diria Encher (nos) de contentamento! Se agora tivesse tempo E vós paciência de ouvir Tudo o que está para vir Nas asas do pensamento Desta mudança a devir... Eu nunca mais acabava E deixava De contar o já sabido Acontecido E sonhava Transformar o Mundo Antigo Livrando-o de todo o mal Com que nos pode chagar. Um Mundo nunca sonhado Sem muros e sem fronteiras Onde caíssem barreiras De tudo o que impede o sonho De voar, realizar... O mundo com tirania Onde reina a hipocrisia A prepotência, arrogância O atraso, a ignorância

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Bania-o para bem longe Para ficar à distância Como da noite p’ró dia... Eu daria Fim a toda a intolerância! E como sinal de esperança Desses tempos que hão-de vir E nós vamos descobrir E com as mãos construir... Vamos fazer uma dança Numa roda sem findar E cantar De mão na mão Olhos nos olhos As canções mais inspiradas Do Natal E do nosso cancioneiro P’ra dizer ao Mundo inteiro: Somos nós os construtores Do Mundo que há-de vir... E então, p’ra começar, P’ra tudo ser a preceito E de tudo ter proveito Mandemos agora entrar Os meus trinta companheiros... Serão talvez inda mais... Os padeiros Os futuros engenheiros E doutores E também os lavradores

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Que hão-de cuidar a terra Com amor e com carinho Técnicos, comerciantes Pais e mães, jovens amantes Que constroem o futuro... Estes serão os primeiros Que aqui vão apresentar E a dançar Nos vão mostrar, sem dinheiro, Sem interesse, O que o Mundo tem p’ra dar No futuro Construído no saber E no Amor. ... ... e vai entrando o número possível de representantes de todas as profissões e trabalhadores do presente e do futuro, tentando mostrar o que uma Escola devia fazer para preparar a juventude para o Mundo que os espera... até contadores de histórias e declamadores... dançarinos, artistas do palco e do circo... poetas... enfim... um estímulo para todos os presentes, se possível, passarem pelo palco ou pelo espaço onde só costumam passar os actores..., fazendo circular tudo até o palco ser plateia e a plateia teatro... A lista das actividades e performance que se poderá realizar a partir daqui é infin-

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dável e incontável... e aplicável a qualquer circunstância e espaço.
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José Gil Vicente da Beira Penedo Gordo, Natal de 1989 Amora, Corroios, Natal de 1995, Junho de 1996.

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...PARA UMA PARTICIPAÇÃO NUM ESPECTÁCULO TOTAL...

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LISTA de alguns provérbios, representações ou AUTOS, CANÇÕES, poemas, textos, contos e... DE NATAL que pretendem ser sugestões para a participação de todas as Turmas? /Anos?/Grupos?/Clubes... no final da PEÇA...

um desafio para a criação de canções ou ??? sobre o 10º aniversário da

ESCOLA SECUNDÁRIA
JOÃO DE BARROS

CORROIOS

28/11/1986 - 28/11/1996
... logo que possível tentaremos fazer uma separata com a maior parte deste material e do que nos sugerirem até finais de Outubro...

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alguns PROVÉRBIOS DA ÉPOCA DO NATAL
86 - Pelo Santo André (30/11), agarra o porco pelo pé. - Quem apanha a azeitona antes de Santo André, fica o azeite no pé. - Em Dezembro lenha e dorme. - Tudo lembra no seu tempo, até o nabo no Advento. - Tudo se quer no seu tempo, até o nabo no Advento. - Ande o frio por onde andar, no Natal cá vem parar. - Caindo o Natal à segunda-feira, tem o lavrador de alugar a eira. - Depois que o Menino nascer, tudo cresceu. - Do Natal a Santa Luzia (13?), cresce um palmo o dia. - Tempo de Santa Luzia, cresce a noite, mingua o dia. - Do Menino a Tomé (21), três dias é. - Mal vai a Portugal, se não há três cheias, antes do Natal. - Se queres a desgraça de Portugal, dá-lhes três cheias, antes do Natal. - No dia de Natal têm os dias mais um salto de pardal. - Pelo Natal, bico de pardal. - Pelo Natal, sacha o faval. - Pelo Natal, se houver luar, senta-te no lar; se houver escuro, semeia tudo. - Pelo Natal, semeia o teu alhal; se o quiseres cabeçudo, semeia-o pelo entrudo. - Quem quer bom alhal, semeia-o pelo Natal. - Pelo Natal, tenha o alho, ponta de pardal. - Quem varejar antes do Natal, deixa o azeite no olival. - Dos Santos ao Natal é Inverno natural. - Dia de S. Silvestre, não comas bacalhau que é peste. - Quem vai a S. Silvestre, vai num ano vem noutro e não se despe. Beira Baixa Beira Baixa

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uma LISTA de usos, costumes, tradições... REPRESENTAÇÕES de NATAL... Título Santos relacionados com a Consoada (24/12), e o Natal (25) Breve descrição
S. André (31/11); S. Nicolau (06/12); Imaculada Conceição (8); Santa Luzia (13/12); S. Tomé (21); S. Estevão(26); S. João Evangelista (27); S. Silvestre (31)

Fonte/s
Almanaques, Borda D’Água, O Povo Português ... Vol. I e II, 87 Teófilo Braga, (1ª ed. Livraria Ferreira, Lx. 1885), actualizada, Publ. Dom Quixote, Lx., 1986; Obras de José Leite de Vasconcelos. O Povo Português ... Vol. II, Teófilo Braga, (1ª ed. Livraria Ferreira, Lx. 1885), actualizada, Publ. Dom Quixote, Lx., 1986, p. 225. O Povo Português ... Vol. II, Teófilo Braga, (1ª ed. Livraria Ferreira, Lx. 1885), actualizada, Publ. Dom Quixote, Lx., 1986, p. 225. O Povo Português ... Vol. II, Teófilo Braga, (1ª ed. Livraria Ferreira, Lx. 1885), actualizada, Publ. Dom Quixote, Lx., 1986, p. 226. Obras de José Leite de Vasconcelos - etnografia Portuguesa, VII vol..s O Povo Português ... Vol. II, Teófilo Braga, (1ª ed. Livraria Ferreira, Lx. 1885), actualizada, Publ. Dom Quixote, Lx., 1986, p. 227 As mesmas e ETNOGRAFIA da BEIRA, Jaime Lopes Dias, XI vol.s, Livraria Ferin. Lx., anos 1940 a 60 O Povo Português ... Vol. II, Teófilo Braga, (1ª ed. Livraria Ferreira, Lx. 1885), actualizada, Publ. Dom Quixote, Lx., 1986, p. 226. Era o cenário para representações de colóquios, Autos pastoris... Reminiscências dos presentes dos pastores e dos Reis Magos

Quendas (Calendas) ou Requendas Festa do O ou Festas dos Os (Senhora do O ou Bom Parto, 18/12). CONSOADA

“designam os doze dias antecedentes e seguintes ao Natal, nos quais os supersticiosos vêem os representantes dos doze meses do ano.” Merendas, pitanças ou comezainas donde terá vindo a CONSOADA. Eram as merendas, nos 7 dias antes do Natal, em que na Igreja se cantavam as 7 antífonas começadas por O. Véspera do NATAL, especialmente celebrada pela ceia familiar. cada região tem receitas e uma ementa especial (jejum)... bacalhau, bolos, filhoses, sonhos, fatias douradas (paridas), rabanadas...

MISSA DO GALO

Missa da Meia Noite de 24 para 25 de Dezembro...

MADEIRO DO NATAL (Fogueiras) NATAL

Tradição de acender uma fogueira no largo da Igreja na maior parte das terras... Festa relacionada com o solestício do Inverno, - a luz vai outra vez crescer, festa que tem equiparações em todas as regiões e religiões... Representações do lugar (Gruta Manjedoira) onde Cristo terá nascido, que vai dos mais simples e criativos aos luxuosos... Sapatinho, Meia, prendas do Menino Jesus, o Pai Natal, Árvore do Natal... Ano N. começo do Ano (Natal), Reis, 06/01; Janeiras cânticos de porta em porta para dar e pedir Boas Festas

PRESÉPIO ou LAPINHAS PRENDAS DE NATAL ANO NOVO, REIS, JANEIRAS

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algumas REPRESENTAÇÕES
Título OS QUATRO PASTORES BRUTOS PRÁTICA de TRÊS PASTORES AUTO DOS PASTORES BRUTOS NATAL NA PRAÇA
Breve descrição
Um Auto popular com 5 personagens: Almeno, Albino, Alceu, Frondoso e Anjo. Um auto popular ou de autor desconhecido, possivelmente dos finais do sé. XVI, início XVII, um herdeiro do espírito vicentino (Auto para representar nas Matinas do Natal), com música,

Fonte/s - Autor/es
TESOUROS da LITERATURA POPULAR PORTUGUESA, org. de Antó-

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coros etc., a comparar com o recolhido ? por Couto Viana

nio Manuel Couto Viana, Ed. Verbo, Lx., 1985, pp. 177190 PRÁTICA DE TRÊS PASTORES, C/ prefácio, notas e glossário de Augusto César Pires de Lima, Ed. Domingos Barreira, Porto, s/d. Sant’Iago PREZADO, Lisboa, 1926 Henri GHÉON, tradução de Mário da Silva, livraria AGIR editora, Rio de Janeiro 1962,

Um auto moderno representado por uma companhia de actores ambulantes de origem cigana, para representar na rua ou
na praça..., com o povo a assistir que são público e actores...

peça estreada em Paris em 1935, editado por André Blot éditeur, Paris.

Carolina de Michaëlis cita 9 Autos de NATAL portugueses:
N º 1 2 3 4 5 6 7 8 Data 1502 1600 1600 1600/7 00 Autor Gil Vicente Baltasar Dias António Pires Gonge Clemente Lopes Francisco Lopes Manuel Nogueira de Sousa Sor Francisca de la Coluna Francisco Rodrigues Lobo 1678 Pedro Vaz Quintanilla Título Auto çado Auto Auto Auto Pastoril Castelhano endereàs matinas do Natal do Nascimento de Cristo do Nascimento de Cristo do Nascimento

Auto e Colóquio do Nascimento de Cristo Auto do Nascimento de Cristo Comédia ao Nascimento de Cristo Auto del Nascimiento de Christo y Edicto del Emperador Augusto Cesar Auto do Nascimento de Christo Nosso Senhor

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Adaptação do AUTO DA VISITAÇÃO de Gil Vicente - NATAL - a magia de tudo RENOVAR...

Lista de alguns AUTOS POPULARES recolhidos citados ou inéditos... Breve descrição Fonte/s e / ou localidade Título 89 Uma reprodução incompleta e Monografia do Concelho de Auto de Natal deturpada e um auto popular Loulé, p.290, Porto, 1905, rePresépio
Natal ou Auto de
que era representado numa aldeia do Algarve. Fragmentos ou possível recolha de um Auto Popular que não é representado há cerca de 50 anos... (inf. de 1980) Auto Popular que não era representado Há cerca de 40 anos e foi representado no Natal de 1995 por um Grupo de Teatro da Casa do Povo. QUADRO VIVO em que figuravam Nª Senhora, S. José, O Menino... Três ou quatro Pastores, uma vaca e um burro... presentado em Tôr ou Atôr, freg. Querença, Loulé Junta de Freguesia ou Grupo de Teatro de Santa Clara do Louredo (BOAVISTA), Beja. Casa do Povo e Junta de Freguesia da Aldeia de S. Matias, Beja

PRESÉPIO

ou AUTO POPULAR DE NATAL

ao NASCIMENTO DO MENINO JESUS EM BELÉM AUTO SACRAMENTAL DO PRESÉPIO PRESÉPIO

LOAS, FAMAS AVISOS, RAMOS, EMBAIXADAS... LOAS de S. Miguel, Açores

Um Auto representado pela última vez em 1835 em Serpa, recolhido por Azinhal Abelho, no IV vol. do seu Teatro Popular Português. Designação dada por J. Leite de Vasconcelos, a diversas recolhas, de pequenos autos que eram representados de casa em casa por um grupo... Outro tipo de pequenas representações para contar em diversas oportunidades... festividades, Natal, Ano Novo, Reis, Pequenos poemas, de Décimas a um conjunto de várias estrofes para contar junto ao presépio...

Um dos muitos quadros vivos representados no Teixoso ao longo do Ano (Inês de Castro, Assunção...) ETNOGRAFIA da BEIRA, Jaime Lopes Dias, vol. VII, p. 177 in TEATRO POPULAR PORTUGUÊS, colg. José Leite de Vasconcellos, Cord. A. Machado Guerreiro, vol. I, Coimbra, 1976, 391. in TEATRO POPULAR PORTUGUÊS, colg. José Leite de Vasconcellos, Cord. A. Machado Guerreiro, vol. I, Coimbra, 1976, pp. 395 sg. in TEATRO POPULAR PORTUGUÊS, colg. José Leite de Vasconcellos, Cord. A. Machado Guerreiro, vol. I, Coimbra, 1976, pp. 433..., 679... 727..sg SÃO MIGUEL - FONTE DE TEATRO POPULAR - Vol. I, A. Machado Guerreiro, INIC, Lisboa, 1990, pp. 167..., 397...

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lista de CANÇÕES
Título 90 Entrai, Pastores, entrai Língua Port. Origem/ Autor/ Popular/Alentejo
Fonte CPP, MGiacometti, CL, Lx.,1981, 44 aCPP, LGraça, PEA, MMrt. 1974, 102 EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx.
1944, 165

Ó meu menino Jesus José embala o Menino O Menino está dormindo Eu hei-de dar ao Menino
Natal d’Elvas /Arre burriquito / Olhei para o Céu...

Port. Port. Port. Port.

Pop/Portalegre BB Pop/ Monsanto BB

EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx.
1944, 157

aCPP, LGraça, PEA, MMrt. 1974, 53
CANTAR - Caderno policp.Guarda, 4ª ed. 1960, 156.

Pop. G. Cartaxo, Évora, AAlt. Pop.
Figueira da Foz

CPP, MGiacometti, CL, Lx.,1981, 42 CANTAR - Caderno policopiado Guarda, 4ª ed. 1960, 142 aCPP, LGraça, PEA, MMrt. 1974, 100 aCPP, LGraça, PEA, MMrt. 1974, 101 Vamos Cantar..., MTino, Ped., s/d, 106 Vamos Cantar..., MTino, Ped., s/d, 106 Vamos Cantar..., MTino, Ped., s/d, 107 Vamos Cantar..., MTino, Ped., s/d, 107
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 190 e196.

Olé, Rapazes Pimpões Oh, BENTO AIROSO Ó meu menino... Bem pudera Deus nascer Ai, ó Meu Menino Jesus Ó meu Menino Jesus Assim que nasceu... Oh! Vinde todos à porfia

Port. Port. Port. Port. Port. Port. Port. Port.

Pop. Paradela
Tr.M

Pop. Minho Pop.TrM. Pop. Beiras Pop. Alentejo adapt. de estr. Popular

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Canções de NATAL em Língua estrangeira, a maior parte com tradução ou adaptação em Português Fonte Título Língua Origem/ Autor/ 91 LIBER USUALIS, S.Sedis Glória in excélsis Déo Latim Gregoriano Hódie Chrístus nátus est Adeste Fidelis... Stille Nacht! Silent night! Voici Noël Noite Feliz... Noite de Paz The little Drummer Boy O pequeno Tambor White Christmas Natal Branco Jingle Bells... Toca o Sino pequenino God rest you merry, Gentlemen Oh Tannenbaum Christmas Tree Mon Beau Sapin Ó meu Pinheiro de Natal Schlaf’, mein Kindchen Lullaby Berceuse
Dorme depressa meu bem

Latim Latim Alemão Inglês Francês Port. Inglês Port. Berlim Inglês

Gregoriano D. João IV
Tx. J. Mohr (1792-1848) Weise: F. Gruber (1787 - 1863)

ASRCT, Parisis, Tornaci, Romae, 1950, 402 LIBER USUALIS, S.Sedis ASRCT, Parisis, Tornaci, Romae, 1950, 402 in CD MOVIEPLAY, Natal, 1995 DAS GOSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG ??

??? adpt. MTRGaspar ? ? Pierpont ? Traditional

in CD MOVIEPLAY, Natal, 1995 Canções em Inglês do Longman Group Ltd. 1. pbl. 1979 e 6. impr. 1986, nº 63 Canções em Inglês do Longman Group Ltd. 1. pbl. 1979 e 6. impr. 1986, nº 63 DAS GOSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG Caderno Musical - Beja???

Inglês

Alemão Inglês Francês Port.

Tx. E. Anschütz (1780-1861) u. J.A. Zarnack (1777-1827) Weise: Westfalen um 1800

WAMozart (1756-1791)

Noite linda de Natal Lullaby little man Berceuse Já nasceu em Belém Rudolf, the Red-Nose Reindeer The First Noel Un Flambeau Sleigh Ride / Santa Claus is coming to Town Alle Jhare

JBrahms (1833-1897)

Caderno Musical - Beja???

Tx. W. Hey

DAS GOSSE WEI-

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Morgen kommt der Weihnachtsmann O du fröhliche

Kling, Glöckchen...

(1790-1854) Weise: F. Silcher (1789 1860) Tx. H. von Fallersleben (1798-1874); Wolksweise (trad.) Tx. J. Falk 81768-1826) Weise Sizil. Wolkslied. Tx u. Weise: B. Widmann

HNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG DAS GOSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG DAS GOSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG DAS GOSSE WEIHNACHTS BUCH, INTERPRESS VERLAG, HAMBURG

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Janeiras e Reis
‘Inda agora aqui cheguei ‘Inda agora aqui cheguei Janeiras lindas janeiras Boas noites, Boas noites (Naquela relvinha...) Viva lá... (Naquela relvinha...) Esta noite é de Janeiras Esta Noite é de Janeiras Quem são n’os Três Cavalheiros
Vamos dar as Boas Festas
CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed . 1960, 162 CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 152 93 CANTAR - Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 154

Vale de Lobo, BB

EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx.
1944, 159

Valezim Sazes, BA Mértola, Beja Alt. Serpa Serpa Port. Pop. Covilhã, BB

Alegrias Populares, JPPereira, ed. autor 1967 (Cancioneiro da BA), 21 CPP, MGiacometti, CL, Lx.,1981, 46 Cancioneiro de Serpa, M. Rita O. Pinto Cortez, Ed. CMSerpa, Nov. 1994, 366 Cancioneiro de Serpa, M. Rita O. Pinto Cortez, Ed. CMSerpa, Nov. 1994, 368 CsPP, rec. Rodney GALLOP, 2ª ed., IAC, Lx, 1960, 83.

Siglas usadas
aCPP CL CPP CsPP ENP EtB IAC JLD MMrt PEA S.Sedis ASRCT A CANÇÃO POPULAR PORTUGUESA CIRCULO DE LEITORES CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS CANTARES DO POVO PORTUGUÊS EMPRESA NACIONAL DE PUBLICIDADE e depois TORRES & Cta LIVRARIA FERIN ETNOGRAFIA DA BEIRA INSTITUTO DE ALTA CULTURA Dr. Jaime Lopes Dias Mem Martins PUBLICAÇÕES EUROPA AMÉRICA S. Sedis Apostolicae et Sacrorum Rituum Congregationis Typographi

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lista de POEMAS Título
94 Natal... Num meio dia de fim de Primavera À Encarnação do Verbo Eterno soneto CXXVII A Cristo Nosso Senhor no Presépio soneto CXXVIII Natal, e não Dezembro Natal Dia de Natal Balada da Neve Presentinho de Natal Dia de Ano Bom História Antiga Presépio Madeiro do Natal A Bairrada em Noite de Natal Santos Reis Soneto da Visitação

Autor
Fernando Pessoa Alberto Caeiro Luís de Camões

Obra
Obras Completas
Guardador de Rebahos, VIII

Obras Completas

Luís de Camões

Obras Completas

David M. Ferreira Sidónio Muralha António Gedeão Augusto Gil Matilde Rosa Araújo Eugénio de Castro Miguel Torga Espínola de Mendonça Cândido Guerreiro Fialho de Almeida António Sardinha António Sardinha

As Lições do Fogo poemas Máquina de Fogo Luar de Janeiro O Livro de Tila Cravos de Papel Diário I Gerânios
Às Tuas mãos Misericordiosas

Pasquinadas Epopeia da Planície Epopeia da Planície

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lista de TEXTOS Título
A Ceia de Natal O Desarmar o Presépio Natal Nortenho

Autor
Júlio Dinis Júlio Dinis Guilherme Felgueiras Evangelho de S. João rec. Jaime Lopes Dias

Obra
Morgadinha dos Canaviais 95 Serões da Província Mensário

Ego sum pastor bonus... (Latim) A Confusão das Portas (lenda da Beira Baixa)

Biblia vulgata
Novo Método de Latim, AABorregana, Lisboa Editora, 1995, 219

Etnografia da Beira, Ivol., 2ª ed., Empresa Nacional de Publicidade,Lx. 1944. Contos, Resomnia Editores, Braga,427 in Almanaque de Santo António, 1952, pp.275 CONTOS IMORTAIS, Publicações Europa América, 1944, pp.86s. O Livro das Lendas, Ed. Livros do Brasil, Lx, s/d., pp111s. Hiistórias Maravilhosas, Editorial Minerva, Lx. 1952, pp.29s. Hiistórias Maravilhosas, Editorial Minerva, Lx. 1952, pp.43s Hiistórias Maravilhosas, Editorial Minerva, Lx. 1952, pp.71s

Um Milagre
gre)

(O suave Mila-

Eça de Queirós Charles Dickens José Maria Gaspar Hans Christien ANDERSEN Selma LAGERLÖF

Um conto de Natal O Natal de Jesus A Menina dos Fósforos

A Lenda da Rosa do Natal O Poço dos Três Reis Magos As Crianças de Belém

Selma LAGERLÖF

Selma LAGERLÖF

A Fuga para o Egipto

Selma LAGERLÖF

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OUTRAS IDEIAS

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Índice
Org. 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 2 2.1 2.2 2.3 3 Título ou assunto Notas para uma APRESENTAÇÃO GIL VICENTE Algumas NOTAS sobre a VIDA OBRA e Dados históricos ÉPOCA - os “Reinados” de GV Algumas datas sobre os DESCOBRIMENTOS BIBLIOGRAFIA consultada para esta parte O AUTO DA VISITAÇÃO ou do VAQUEIRO Apresentação do AUTO O AUTO DO VAQUEIRO de 1502 o desfile dos companheiros do Vaqueiro ... “por ser cousa NOVA em Portugal”... o desafio da “Rainha Velha” a Gil Vicente, à Escola, ou à Juventude?... O AUTO PASTORIL CASTELHANO (SÓ MIMADO) e o fim do 1º desfile. Fala da Rainha Velha - elogio a Gil Vicente e desafio... Fala de Gil Vicente - desafio à Juventude... os ARAUTOS anunciam a resposta ao desafio... uma tentativa de GLOSA, tradução, subversão do AUTO APRESENTAÇÃO AUTO DA VISITAÇÃO ou do VAQUEIRO, 1996 Desfile dos companheiros ANEXOS - LISTA de material diverso sobre o Natal Provérbios Usos, costumes e tradições Algumas representações /Autos publicados em Portugal 9 autos mencionados por Carolina Miachaëlis Lista de alguns AUTOS POPULARES recolhidos, citados ou inéditos... lista e fontes de Canções em Português, Latim, Francês, Inglês, Alemão lista de Poemas sobre o Natal Lista de Contos ou pequenos textos de autores diversos IDEIAS ÍNDICE Pág. 5 97 13 18 29 36 38 43 47 53 58

3.1 3.2 3.3 3.4 4 4.1 4.2 4.3 5 5.1 5.2

58 61 64 71

72 83 84 85 86 87 87 88 89 90 92 95 97

5.3

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trabalho acabado de escrever e realizar em WinWord C× 486-66 por @ JORAGA Penedo Gordo, Beja Amora - Corroios 1996/97

JORAGA
em viagem...

Edição especial com revisão e aprovação da COMISSÃO DO DECÉNIO, para celebrar o 10º ANIVERSÁRIO da ESCOLA SECUNDÁRIA JOÃO DE BARROS, que iniciou as suas actividades em 28 de Novembro de 1986, e pretende celebrar este ANIVERSÁRIO ao longo de todo o ANO LECTIVO 1996/97.

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joraga - Edição do autor – em Dezembro de 2008 – Novembro de 2012 – www.joraga.net