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Tópicos para a prova de Direito Penal II

I. Aplicação da Pena. • Atividade exclusivamente judicial- ato discricionário juridicamente vinculado: o juiz está preso aos parâmetros aos parâmetros que a lei estabelece. • Pressuposto da pena: culpabilidade • Sistema adotado pelo Brasil para a aplicação da pena privativa de liberdade: trifásico • Na primeira fase o juiz fixa a pena base considerando as circunstâncias judiciais do art. 59; na segunda fase analisará as circunstâncias agravantes e atenuante e na terceira fase as causas de aumento e diminuição de pena. As duas últimas podem existir ou não. • Para Alberto Silva Franco, a reforma da Parte Geral do Código Penal pela Lei 7.209/84, embora acolhendo o sistema trifásico, foi além: criou uma quarta fase, ou seja, a substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos ou pela pena pecuniária. • Sistema adotado pelo Brasil para a aplicação da pena de multa: sistema bifásico. • Na primeira fase o juiz fixa o número de dias –multa considerando a gravidade do delito; na segunda fixa o valor de cada dia-multa considerando a situação econômica do réu. • Elementares são fatores que compõem a estrutura da figura típica, integrando o tipo fundamental. • Circunstâncias são os dados que se agregam ao tipo fundamental para o fim de aumentar ou diminuir a quantidade da pena para o fim de aumentar ou diminuir a quantidade da pena, tais como o “motivo torpe” e o “motivo de relevante valor

art. 61 e 62. bons ou ruins. na Parte Especial (exemplo: arts.) e também na legislação especial ( por exemplo: Lei 11. 33. 59 do CP. na Parte Especial ( exemplo: art. 155. etc. São as qualificadoras. objetiva e subjetivamente.§ 2º. etc. 40. obrigatórias ou facultativas.343/2006 – Drogas. 157. Todos os acontecimentos que não são os indicados na folha de . etc). • Circunstâncias judiciais.taxativamente. qualificadora e privilégio no homicídio doloso.§ 1º. • Antecedentes são os dados atinentes à vida pregressa do réu na seara criminal. 155. estão previstas na Parte Geral ( ex. 121. 16. e na legislação especial ( Lei 11.343/2006. arts. 21. • As agravantes genéricas são previstas na Parte Geral do Código Penal. as atenuantes e agravantes genéricas e causas de aumento e diminuição de pena. Dizem respeito a todos os fatos e acontecimentos que envolvem o seu passado criminal. etc.arts. 73 e 74).). • A presença de agravantes e atenuantes não autorizam o juiz fixar a pena acima do máximo ou abaixo do mínimo legal e aplicamse na segunda fase da dosimetria da pena. • As atenuantes são previstas na Parte Geral. in fine. respectivamente. • As causas de diminuição de pena. art.moral”. 65 e 66 exemplificativamente. • As causas de aumento de pena. 71. § 1º. etc. • Circunstâncias legais são as previstas no Código Penal e pela legislação penal especial. § 4º. e alcançadas pela atividade judicial.Drogas.).arts. art. 70. caput.º 2º. obrigatórias ou facultativas situam-se na Parte Geral ( exemplo: arts.) • A presença de causas de aumento e diminuição de pena autorizam o juiz a fixar a pena acima do máximo e abaixo do mínimo previsto em lei. são as relacionadas ao crime .

uma vez que só se considera o réu culpado após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. • Reincidência. 63 do CP: “ Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime.art. em curso ou arquivados. isto é. por esse crime. representa um antecedente negativo no aspecto criminal. Além disso. ainda que estivessem em curso. caput. seja pela condenação anterior ter sido por crime militar próprio ou político ( art. ou de ação penal. Esta posição restou consolidada na Súmula 444 do STJ: “ É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena –base”. no País ou no estrangeiro. mesmo sem condenação transitada em julgado.antecedentes. também circunstância judicial previst ano art. e. I). do CP. com trânsito em julgado. a tendência do STF é mudar sua jurisprudência. • No STJ prevalece o entendimento de que responder a processo criminal não significa ter maus antecedentes. • Contudo. Isto porque uma anotação criminal não surge imotivadamente na vida de alguém. no plano histórico sempre entendeu que inquéritos policiais e ações penais contidas nas folha de antecedentes do réu poderiam caracterizar maus antecedentes. em andamento ou com a pretensão punitiva julgada improcedente por insuficiência de provas. o agente não pode ser prejudicado pela simples existência de inquéritos policiais. e c)prática de novo crime. 64. seja finalmente pelo fato de o novo crime ter sido cometido antes da condenação definitiva por outro delito. 64. 59 . depois de transitar em julgado a sentença que. devem ser analisados no âmbito da conduta social. o tenha condenado por crime anterior”. seja pelo decurso do prazo de 5 anos após a extinção da pena ( art. • Requisitos: a) um crime. II). cometido no Brasil ou em outro país. pois ultimamente tem decidido que maus antecedentes são unicamente as condenações definitivas que não caracterizam reincidência. b)condenação definitiva. . quando existente. é dizer. • O que são maus antecedentes ? O STF.

ou no Brasil. Como regra geral. É a circunstância que mais prepondera. por qualquer crime. Penal Contrav. No que diz respeito às agravantes ao se exige a correlação entre a acusação e a sentença.688/1941. De qualquer modo. A acusação não precisa descrever uma agravante na peça acusatória. Réu reincidente que reparou os danos: pelo CP deve preponderar a circunstância subjetiva ( reincidência).• Crime e contravenção pena: relação para fins de reincidência Estabelece o art. mesmo que não tenha sido narrada na denúncia ou queixa. . Penal Crime Contrav. Mas a razoabilidade de cada caso concreto é que define efetivamente a pena. O que mais vale é a razoabilidade. por motivo de contravenção. • E se as circunstâncias se equivalem? Uma anula o efeito da outra. portanto. 7º do Decreto. Infração penal anterior Crime Contrav. a menoridade é fator preponderante. motivos e reincidência). Se temos então uma circunstância agravante objetiva e uma atenuante.lei 3. Penal Crime penal Resultado Reincidente Reincidente Reincidente Primário • Concurso entre circunstâncias agravantes e atenuantes. Pode o juiz considerar uma agravante comprovada nos autos.Por força do art. Por quê? Porque o agente nessa etapa ( entre dezoito e vinte e um anos) conta com personalidade em desenvolvimento. no Brasil ou no estrangeiro.Lei das Contravenções Penais : “Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado. 67 do CP preponderam as subjetivas ( personalidade. uma anula o efeito da outra. • Agravante não articulada na denúncia ou queixa: sem problema. • Menoridade. Penal Infração posterior Crime Contrav. o juiz está livre para valorar tudo isso em caso concreto.

por ocasião da aplicação da pena. parágrafo único. É perfeitamente possível cumprir as condições de um sursis. §§ 1º e 2º. ao mesmo tempo em que o condenado efetua o pagamento da prestação pecuniária. por outro . O concurso material pode ser homogêneo ( prática de crimes idênticos) ou heterogêneos ( prática de crimes não idênticos).• Em relação ao concurso entre causas de aumento e diminuição de pena. pratica dois ou mais crimes. com uma restritiva de direitos. mediante mais de uma ação ou omissão. do CP. parágrafo único. 69. outra da O juiz aplicará as duas Parte Especial diminuições • Concurso Material de crimes: Quando o agente . • O art. temos: Concurso entre causas de aumento Ambas da Parte Geral O juiz aplicará os dois aumentos ( embora a hipótese seja raríssima) Ambas da Parte Especial O juiz poderá aplicar a causa que mais aumente ( art. com suspensão condicional da pena ou mesmo regime aberto ( prisão albergue domiciliar). 68. deve ser punido pela soma das penas privativas de liberdade em que haja incorrido. 68. quando o juiz reconhecer o concurso material.estabelece a viabilidade de se cumular . outra da O juiz aplicará os dois aumentos Parte Especial Concurso entre causas de diminuição Ambas da Parte Geral O juiz aplicará as duas diminuições Ambas da Parte Especial O juiz poderá aplicar a causa que mais diminua (art. do CP) Uma da Parte Geral. Não é cabível. do CP) Uma da Parte Geral. uma pena privativa de liberdade .

na segunda parte doa RT. ao mesmo tempo em que se estabelece outra. a pena ficaria em 6 anos de reclusão e 2 . resultando em 7 anos. pouco importando quantos delitos vai praticar. provoca dois ou mais resultados típicos. valendo-se da regra do art. nessa hipótese. Tradicional exemplo nos fornece Basileu Garcia: se o agente enfileira várias pessoas e com um único tiro. Nesse caso. de prestação de serviços a comunidade. o agente tem em mente uma só conduta. mediante mais de uma ação ou omissão. da Lei de Drogas [ atual art. A intenção do legislador. na mesma sentença. a fixação de uma pena em regime fechado. deve ser punido pela pena mais grave. 70 divide-se em duas partes. é retirar o benefício daquele que. ou seja. 70 está previsto o concurso formal imperfeito: as penas devem ser aplicadas cumulativamente se a conduta única é dolosa e os delitos concorrentes resultam de desígnios autônomos. a pena mínima seria de 6 anos. são somadas as penas. salientando-se que não há mais pena de prisão para o sujeito nessa situação. e 16. se idênticas. Por isso. cometer crimes com uma só ação ou omissão. pois agiu com desígnios autônomos. conforme Lei 11. • Concurso formal perfeito e imperfeito. aumentada de um sexto até a metade Dá-se o concurso formal homogêneo quando os crimes forem idênticos e heterogêneo quando os delitos forem não idênticos.343/2006]. • Entretanto. 155. 28. Ex. comprimidos psicotrópicos quando realiza faxina ( concurso forma dos arts. 70 ser imperiosa a aplicação do concurso material. em concurso formal. Se fosse aplicada a pena seguindo a regra do concurso material. Na primeira. • Concurso material favorável ou benéfico: Determina o parágrafo único do art. Se o réu está respondendo por homicídio doloso e lesões culposas. caso seja mais favorável que o formal. Ex. tendo por fim deliberado e direto atingir dois ou mais bens jurídicos. de arma potente. do CP. o preso subtrai para si. por isso recebe a pena do mais grave com o aumento determinado pelo legislador. o agente pratica duas ou mais infrações penais por meio de uma única conduta. O art. ou por uma delas. • Concurso formal: quando o agente.pelo homicídio simples-acrescida de 1/6. prevê-se o concurso formal perfeito . 70. consegue matá-las ao mesmo tempo.lado. não merece o concurso formal.

meses de detenção. II. pratica dois ou mais crimes da mesma espécie. crimes da mesma espécie são aqueles tipificados pelo mesmo dispositivo legal. 157 do CP (são crimes do mesmo gênero). privilegiada ou qualificada. Os crimes precisam possuir a mesma estrutura jurídica. • É a forma mais polêmica de concurso de crimes. caput. ou seja. embora previstos no art. mediante mais de uma ação ou omissão. não são crimes da mesma espécie b) A outra posição sustenta serem crimes da mesma espécie aqueles que tutelam o mesmo bem jurídico. Ex. deve ser aplicada a pena como se fosse concurso material. 71. consumados ou tentados. Nesse sentido. Suspensão Condicional da Pena . maneira de execução semelhantes cria-se uma suposição de que os subseqüentes são uma continuação do primeiro. A doutrina e a jurisprudência se dividem sobre o assunto. É a posição amplamente dominante no âmbito jurisprudencial. Furto e estelionato. seja na forma simples. • Crime continuado e unidade de desígnios: a) Teoria objetivo. pouco importando se estão ou não previstos no mesmo tipo penal. • Crimes da mesma espécies. a) Para uma primeira posição. roubo e latrocínio. Reclama-se também a unidade de desígnio. 71 do CP. sito é. do CP. devem ser idênticos os bens tutelados. Pouco aceita pelos tribunais. • Crime continuado: Quando o agente. b) Teoria objetiva pura ou puramente objetiva: Basta a presença dos requisitos objetivos elencados pelo art. formando o crime continuado. desde a natureza jurídica até a conceituação de cada um dos requisitos que o compõem. Mas não basta. Portanto. amplamente consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça.subjetiva: Não basta a presença dos requisitos objetivos previsto no art. já que o concurso formal é um benefício ao réu. lugar. proporcionando inúmeras divergências. em condições de tempo. os vários crimes resultam de plano previamente elaborado pelo agente.

comparecimento mensal ao fórum para justificar as atividades) • Requisitos para a concessão: fixação de pena privativa de liberdade não superior a dois anos ( quatro anos. • Espécies de sursis: há o simples (as condições são prestação de serviços à comunidade ou limitação do fim de semana) e o especial ( as condições são: proibição de freqüentar determinados lugares. São todos os efeitos provocados por uma sentença penal condenatória. São três possibilidades: a) dois a quatro anos. se a pena for superior a dois e limitada a quatro. § 1º do CP. 78. a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. .• Suspensão Condicional da Pena.é medida de política criminal. 78. 79do CP). constituindo forma alternativa de cumprimento da pena privativa de liberdade. caso se trate de contravenção. §2º. que fica suspensa. c) um a três. b) quatro a seis. por crime culposo ou contravenção. ser inviável a substituição da a substituição por pena restritiva de direitos. ou deixar de reparar o dano à vítima. bem como os secundários. se descumprir as condições do art. se a pena não for superior a dois anos. não reincidente em crime doloso. proibição de ausentar-se da Comarca sem autorização do juiz. Se o réu for condenado irrecorrivelmente por crime doloso. condições pessoais favoráveis. decorrência naturais do primeiro ( geração de reincidência e maus antecedentes. Revogação facultativa. se frustrar o pagamento da multa. enquanto o condenado cumpre as condições estabelecidas pelo juiz em liberdade. embora podendo fazê-lo. III. • Período de provas. se o réu for maior de 70 anos ou enfermo). durante determinado período. dividindo-se em penais e extrapenais. se for irrecorrivelmente condenado. Há o principal. • Revogação obrigatória. que é a imposição de pena e o seu cumprimento. lançamento do nome do réu no rol dos culpados). • Efeitos penais. Se o réu descumprir qualquer outra condição ( art.Efeitos da condenação.

perda do direito de dirigir veículo.Medida de Segurança. que obriga o sentenciado a comparecimento periódico ao médico para acompanhamento de sua enfermidade. pode ser aplicada internação ou tratamento ambulatorial.) • Efeitos extrapenais. autores de fato típico e antijurídico. etc. . sem prazo máximo definido. que são automáticos ( formação do título executivo para ser cobrada reparação do dano na esfera cível. e específicos . tutela ou curatela. a internação será obrigatória. São a internação em hospital de custódia e tratamento ambulatorial. perda do poder familiar. pelo mínimo de 1 a 3 anos. • É uma espécie de sanção penal destinada aos inimputáveis e. aos semi-imputáveis. devendo ser submetidos a internação ou a tratamento ambulatorial. condutos de produtos e instrumentos ilícitos do crime). embora a lei tenha previsto que.revogação do benefício do sursis ou o livramento condicional. excepcionalmente. que devem ser expressamente declarados a sentença ( perda de cargo. IV. O juiz deveria escolher livremente entre elas. função ou emprego público e mandato eletivo. mas sim de periculosidade. embora não podem ser considerados criminosos. por não sofrerem o juízo de culpabilidade. para infrações penais sujeitas a pena de reclusão. • Espécies de medida de segurança. Provocam conseqüências fora do âmbito do Direito Penal e dividem –se em genéricos. quanto as infrações sujeitas a pena de detenção.