Você está na página 1de 9

A (re)apropriação do Destino Manifesto na Estratégia de Segurança Nacional de George W. Bush.

(2001-2009) Bárbara Maria de Albuquerque Mitchell1

Com os atentados do dia 11 de setembro de 2001, o 43º presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush (2001-2009), deixou evidente, através dos seus primeiros discursos, que o país assumiria uma postura de guerra contra os terroristas responsáveis pelos ataques. Em 20 de setembro de 2002, foi apresentada, pelo ex-presidente, a “Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América” que, de maneira geral, exemplificou as atitudes dos Estados Unidos e seus aliados em relação às políticas internacionais que foram instituídas para casos envolvendo terroristas e países que poderiam estar os beneficiando. A primeira NSS, Nacional Security Strategy, foi concretizada no governo Truman, ficando conhecida como a Doutrina Truman, característica por apontar a necessidade de contenção da expansão soviética. O presidente não precisa ser o único a contribuir na redação do documento; e, diversas vezes o principal autor é o Secretário de Segurança Nacional. A NSS, elaborada pelo ex-presidente George W. Bush, em 17 de Setembro de 2002, tem como discurso primordial a necessidade de um combate imediato, através da força, dos grupos responsáveis pelo terrorismo mundial. Países vistos como ameaças mundiais foram classificados como membros de um eixo do mal – que pode ser visto como a reutilização do termo “Império do mal” cunhado por Ronald Reagan durante a Guerra Fria. São estes: Irã, Iraque, Coréia do Norte, Líbia, Síria e Cuba. Já os Estados Unidos e países aliados se manifestaram como os representantes o lado do “bem”. Em sua autobiografia, Decision Points, Bush descreve o seu primeiro pensamento após os ataques: aqueles que se atreveram a atacar a América irão pagar.2 A violência e a necessidade de causar sofrimento aos culpados pela tragédia em Nova York foram constantemente ressaltadas nos discursos do ex-presidente - assim como na própria Estratégia de Segurança Nacional, que reforça a ação como único meio para alcançar a paz. Eric
1

Bolsista de Iniciação Científica da FAPERJ, graduanda em História do Instituto de História – Universidade Federal do Rio de Janeiro (IH-UFRJ) e pesquisadora do “Núcleo de Estudos de História Comparada das Américas e da Europa Contemporâneas: Política, Cultura e Comunicação” (Coordenação: Prof. Dr. Wagner Pinheiro Pereira), vinculado ao Laboratório de Estudos do Tempo Presente – Universidade Federal do Rio de Janeiro (TEMPO/UFRJ).
2

BUSH, George W.. Decision Points. New York: Crown, 2010. p. 127.

São Paulo: Companhia das Letras. não se caracterizaram por intervenções humanitárias e sim militares. p. não foi conseqüência dos atentados de 11 de setembro de 2001. em outros discursos de Bush. Os Estados Unidos necessitavam participar de uma guerra de tempo indeterminado para saciar suas aspirações econômicas e políticas. Eric J. da doutrina do Destino Manifesto. . Globalização Democracia e Terrorismo. fundamentalmente. homens extraordinários destinados a uma terra abençoada – a Nova Inglaterra – onde havia a possibilidade de se viver dentro das regras e costumes de sua religião. 17. decorrentes dos atentados de 11 de setembro. que. 2007. como em outras vezes. A eliminação do “mal” como dever dos Estados Unidos foi. tem como base a predestinação que os primeiro peregrinos chegados a Nova Inglaterra acreditavam possuir. A existência de uma simbiose entre as indústrias de material bélico e de alta tecnologia. por isso. futuramente representados pela sigla WASP5. sendo proteção sempre assimilada aos Estados Unidos e a luta contra os terroristas como a única saída para restabelecer a paz mundial. São Paulo: Companhia das Letras. a guerra contra o eixo do mal. deixou de buscar as necessidades reais nacionais para atender os anseios desses setores. O Destino Manifesto. 4 HOBSBAWM. 2007. 5 Homens brancos anglo-saxões e protestantes. países acusados de facilitar e financiar o terrorismo. porém foram aceitas mundialmente através de justificativas como a necessidade de eliminar os governos tirânicos existentes nestes países. a base dos discursos da luta contra o terrorismo e da Estratégia de Segurança Nacional. (re)apropriado pelo governo Bush de maneira megalomaníaca4. Eric J. por isso. os homens brancos determinaram que os “selvagens” deveriam ser salvos 3 HOBSBAWM. 2002. Globalização Democracia e Terrorismo. além de.5). p. Palavras como “proteção”.p. Com a consolidação das colônias e os primeiros contatos com os aborígenes. Os homens brancos protestantes. Desta maneira. segundo Luiz Alberto Bandeira. “paz”. não só o país estabelece que tem o dever de ser o líder no combate ao terrorismo. eletrônica e digital e o governo norte-americano também agravou a situação do país. A frente de liderança contra o “eixo do mal” assumida pelos Estados Unidos pode ser observada através da seguinte frase: “The United States welcomes our responsability to lead in this great mission” (BUSH. esta liderança é adquirida com grande entusiasmo. foram abençoados por Deus e eram. 51.Hobsbawm afirma que as guerras contra o Iraque e Afeganistão. começa a ficar evidente a grande relação entre o documento e a (re)utilização neste. 3 Ainda nesse sentido. “terroristas” e “luta” são frequentemente repetidas no documento.

no caso do governo Bush.). salvar um povo de seu governo tirânico. Uma das principais responsáveis pelo fortalecimento do discurso embasado no Destino Manifesto foi Condoleezza Rice. 2007. a idéia de missão e de país modelo se reaviva. Hobsbawm. podia ser definida como um regime de direita radical que buscou “mobilizar os ‘verdadeiros americanos’ contra alguma força externa malévola e contra um mundo que não reconhece a singularidade. por isso. que claramente não desejavam ser “salvos”.. a superioridade e o Destino Manifesto dos Estados Unidos” (HOBSBAWM. (Org. mas também a vitalidade desse imaginário na cultura política desse povo. esse povo não apoiasse ou sequer desejasse a intervenção americana – ao exemplo da Guerra do Vietnã.M. o Destino Manifesto constantemente apareceu (re)apropriado por expresidentes dos Estados Unidos da América em investidas para. R. Bush. Democracia e Terrorismo. v.6 O efeito do “Destino Manifesto” na população norte americana é descrito por Maria Helena Capelato: Em diferentes momentos e circunstâncias. Desde então. Ela consegue sensibilizar grande parte da sociedade norte-americana.52) e. História: Guerra e Paz. p. onde os americanos foram. In: ARIAS NETO. também. p. não só a permanência.pelo menos. ―Guerras produzidas em nome de um 'destino manifesto'‖. publicado pela CAPELATO. supostamente. Londrina: ANPUH. especialmente. M. era extremamente imprevisível e instável. Em uma palestra que realizou e teve seu discurso. esse foi um dos argumentos utilizados para a expansão territorial conhecida como “A Marcha para o Oeste”. o imaginário do “Destino Manifesto” por. continuou cumprindo seu papel de justificativa às expansões territoriais e intervenções militares dos Estados Unidos ao longo dos anos. em Globalização. 2007. mesmo que. . P. combatidos pelos próprios vietnamitas. ressalta que a política Imperialista norte-americana se volta principalmente para dentro e.por aqueles que eram “civilizados” . glorificar as origens da nação. posteriormente.309 6 . 2007. (CAPELATO. assessora de Segurança Nacional de George W. o que demonstra. J. sobretudo em momentos de crise. muitas vezes. . H.309) A respeito da relação do governo e sua política interna. Mesmo não sendo sempre efetivo.

suas palavras são muito mais amenas. Dessa forma. através desta. deixando de levar em conta a opinião da comunidade internacional. não necessariamente através de conflitos armados. e mal – que são todos aqueles contrários aos Estados Unidos e seu modo de vida – reforça a (re)apropriação do Destino Manifesto na fala de Rice. no documento. considerados suficientemente democráticos devem ser enquadrados como possíveis focos de grupos terroristas.“Revista Política Externa”. O unilateralismo considerado por Nelson Jobim como algo vigente nas políticas republicanas. utilizou-se da fragilidade nacional e mundial após o 11 de setembro para fortalecer a força mundial do país de forma agressiva. surgem com mais facilidade em sociedades reprimidas. Rice exalta a Estratégia de Segurança Nacional. supostamente. há a assimilação de que só haverá vitória contra os . É possível notarmos que. e. assim reconheceu a invasão ao Afeganistão como uma resposta norte americana. e. é curioso notarmos que. unilateral. afirmando que. A procura por alianças internacionais no período são vistas por Cristina Pecequilo como breves. Cristina Pecequilo colabora com esta idéia ao defender que o governo norte americano não só assumiu uma postura unilateral. no discurso de Condoleezza. a paz seria estabelecida em decorrência de alianças internacionais. A necessidade de democratização global é o grande foco da ex-assessora de Segurança Nacional. que. a política consolidada pelo governo de Bush é vista como. com objetivo de eliminar. Bush estabeleceu três principais pilares: “a defesa da paz com a oposição e a prevenção à violência de terroristas e de regimes ilegais”. já os países que não sejam. o período multilateral em sua política só durou até a guerra do Afeganistão. os Estados Unidos regressaram a uma política unilateral ao defender a guerra contra o Iraque. por mais que seu discurso seja a respeito da Estratégia de Segurança Nacional.63). (RICE.P. em adicional. juntou-se com ideais religiosos nacionais. graças aos benefícios conseguidos com acordos internacionais. Jobim alerta que seria inviável para uma superpotência como os Estados Unidos assumirem posturas isolacionistas. Esta agressividade foi disseminada para a população. por mais que Bush procure ressaltar a importância de seus aliados durante a NSS. Em contrapartida. governos que não respeitem a liberdade de sua população. 2002. tradicionalmente isolacionistas. simbolizado pela democracia. A comunidade internacional se comoveu diante à brutalidade do 11 de setembro. majoritariamente. Enquanto. pelos Estados Unidos. posteriormente. Entretanto. Porém. preservação da paz “com o fomento das boas relações entre as grandes potências mundiais” e a propagação da paz “buscando prolongar os benefícios da liberdade e da prosperidade ao mundo inteiro”. modificou a sua postura. A separação entre bem.

Após os atentados de 11 de setembro. p. os norte-americanos assumiram uma postura de repúdio em relação a todos aqueles que pudessem ser vistos como ameaça aos Estados Unidos. Globalização Democracia e Terrorismo. Eric J. São Paulo: Companhia das Letras. progressivamente. em A Era do Radicalismo. e. passou a atribuir aos países natais dos terroristas a mesma classificação que o seu governo estabeleceu ao “inimigo”. As constantes notícias a respeito de possíveis atentados terroristas atreladas ao uso da figura do povo árabe como o novo vilão a ser combatido pelos Estados Unidos – frequentemente presentes em filmes e desenhos – auxiliou a fixação desta imagem no imaginário popular norte-americano. Condoleezza procura manter um tom mais comedido. pelos povos de língua hispânica. 2002. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Como nos mostra Hobsbawm em Nações e Nacionalismo. no final dos anos 80. 7 HOBSBAWM. principalmente. sejam uma das maiores responsáveis pelo rápido fortalecimento da discriminação com aqueles vindos do Oriente Médio. Cass Sustein. de certa maneira. não só para os norte-americanos como para o mundo. em que os norteamericanos protestavam por uma lei em que se instituísse o Inglês como a única língua dos Estados Unidos. Acreditamos que as informações divulgadas. A associação do mal com a figura do terrorista só fez o ódio pelo “outro” aumentar entre a população norte-americana. um claro repúdio às grandes ondas imigratórias encabeçadas. estabelece que grupos com idéias já enraizadas tendam. que. porém a força do xenofobismo já era grande antes mesmo dos atentados. com isso. houve um período. tornaremse cada vez mais convictos de que estão corretos. Eric.7 Com os atentados.197 HOBSBAWM. os terroristas fossem classificados como uma ameaça quase apocalíptica8 . porém acreditamos que este comportamento foi apenas uma conseqüência da radicalização dos movimentos xenófobos já existentes nos Estados Unidos.136 8 . facilitou que o governo conseguisse o apoio nas guerras do Iraque e do Afeganistão. em especial pela mídia responsável por tablóides. o novo foco de protesto tornou-se os descendentes e pessoas vindas do Oriente Médio. explicando os perigos das nações tirânicas para. a.similar aos comunistas na Guerra Fria. Nações e Nacionalismo: Desde 1780. 2007.terroristas se estes forem diretamente combatidos pelos exércitos norte-americano e de seus aliados. ao ter estes pensamentos reforçados por novos argumentos favoráveis disseminados por instâncias midiáticas. logicamente. p. justificar as ações defendidas pela Estratégia de Segurança Nacional que possam encontrar resistências em camadas mais pacíficas da sociedade. Para que Bush pudesse executar uma nova Estratégia de Segurança Nacional foi preciso que.

sentindo-se humilhada após o 11 de setembro. através do ódio. ou seja. Além disso. por terem ousado atacar o “coração” do “maior e melhor país do mundo”. de certa forma. as forças militares e as de inteligência. No primeiro parágrafo do discurso de abertura da Estratégia de Segurança Nacional. mais valiosa para este estudo do que as resoluções propriamente ditas. Bush afirma que é preciso uma mudança nas estratégias de segurança. Bush deixa claro que a guerra contra os terroristas pode demorar tempo indeterminado. Além disso. é exaltada a democracia e liberdade que será defendida pelos Estados Unidos em todos os continentes. desejou a retaliação imediata de seus inimigos. seriam utilizadas por terroristas e a necessidade de salvar as populações oprimidas por ditadores . o expresidente Bush já deixa clara a missão civilizatória que cabe aos Estados Unidos: proteger os valores de liberdade.Após consolidar este imaginário . Primeiramente. Para que os Estados Unidos possam libertar as populações e proteger a sua. e que os .os Estados Unidos conseguiram mobilizar. tendo em vista que o expresidente Bush consegue sintetizar. pelas proporções de suas ameaças. A Estratégia de Segurança Nacional é um documento síntese da Doutrina Bush. encontrou uma “causa nobre” – utilizando-se fortemente do Destino Manifesto – para as guerras que iria começar. que. Bush conseguiu a exaltação do nacionalismo entre a população norteamericana. a sua população no embate entre o bem contra o “eixo do mal”. caracteriza os Estados Unidos como o único capaz de salvá-lo. E para esta missão ser concretizada se faz necessária a associação entre a Indústria Bélica. haverá o encorajamento para que nações com governos tirânicos aliarem-se aos Estados Unidos e instalarem uma comunidade de pensamentos livres e abertos. além disso. George W.utilizando como principais argumentos as armas de destruição em massa do Iraque que. com a vitória decisiva das “forças da liberdade” contra os agentes totalitaristas (BUSH. p.de que o mundo sofre uma inimaginável ameaça -. que foram garantidos ao mundo. ao mesmo tempo em que carrega uma atmosfera catastrófica .3) Consideramos a introdução à Estratégia de Segurança Nacional. aquilo que chamamos de Doutrina Bush. estabeleceu como justificativa para as intervenções no Iraque e no Afeganistão a necessidade de “salvar” às suas populações. 2002. já que. em seu pequeno discurso de abertura. ao mesmo tempo em que Bush fomentou o ódio entre os norte-americanos para receber seu apoio. que a paz será conquistada através da aliança entre as principais nações para o combate dos terroristas. e. já que os novos inimigos conseguem representar uma grande ameaça sem possuírem grandes armas ou indústrias. possivelmente.

We will actively work to bring the hope of democracy. ou seja. Yet poverty. like Afghanistan.4)10 Ao finalizar seu discurso. por isso.p. Bush alerta que os Estados Unidos irão usar de toda sua capacidade bélica. deve ser implantado em todo o mundo através 9 Tradução da autora. há a exposição de que. Bush exalta que não se pode defender os países aliados apenas esperando pelo melhor. Após alertar sobre a gravidade da ameaça terrorista. é necessário o combate armado dos inimigos. através de mecanismos de defesa de última tecnologia. Os eventos de 11 de Setembro de 2001 nos ensinaram que estados fracos. “a história julgará severamente aqueles que viram este iminente perigo e falharam em agir”9 (BUSH. os Estados Unidos ficam satisfeitos em aceitar a liderança desta missão de combate aos terroristas e tiranos. inclusive construindo mísseis de defesa. para se garantir a paz e a segurança.2002. 10 Extend the benefits of freedom across the globe. o ex-presidente determina que a liberdade é um bem que nasce com cada ser humano e é. podem representar um grande perigo para nações consideradas fortes estados. Poverty does not make poor people into terrorists and murderers. and free trade to every corner of the world. Ainda assim a pobreza. Após esta breve descrição do documento. The events of September 11. Afirmando que os inimigos declararam interesse em armas de destruição em massa.p. weak institutions. Bush afirma que o modo de governo representado pelos Estados Unidos é o único que respeita as reais necessidades dos seres humanos e. 2001. Mesmo com as medidas de precaução que são tomadas. é possível notarmos alguns elementos da Doutrina Bush refletidos no discurso do ex-presidente. para impossibilitar as ações dos criminosos. taught us that weak states. A pobreza não transforma pessoas pobres em terroristas e assassinos. can pose as great a danger to our national interests as strong states. (Tradução da autora) . como o Afeganistão. desta forma. dos mercados livres e da livre troca para cada canto do mundo. and corruption can make weak states vulnerable to terrorist networks and drug cartels within their borders. 2002. instituições fracas e corrupção podem tornar um estado fraco vulnerável à redes terroristas e associações de tráfico de drogas. (BUSH. obrigatória. Em primeiro lugar. As intervenções no Iraque e Afeganistão devem ser vistas como chances de espalhar o triunfo da liberdade por toda parte. development. Nós iremos trabalhar ativamente para trazer a esperança da democracia. Bush declara que os Estados Unidos utilizarão este momento de guerra para: Extender os benefícios da liberdade por todo o planeta.Estados Unidos se disponibilizam a ajudar todos aqueles que precisarem de auxílio para eliminá-los. liberdade que ao longo da história sempre vem sendo ameaçada por guerras e pelo terror. George W. free markets.4). Com isso.

devido ao grau da ameaça representada pelos terroristas. tendo em vista que Bush tenta se valer. possibilitando o ataque a qualquer país que seja classificado como uma ameaça aos interesses norte americanos. pois constantemente afirma que o mundo está em perigo e que estes homens têm acesso a armas de destruição em massa – que nunca foram encontradas. Atualmente. já que. Na Estratégia de Segurança Nacional Bush determina que o país deve assumir uma postura de eliminação do inimigo antes que este consiga efetivar seu ataque. independentemente de ser rica ou pobre. Para Newton Carlos. Bush argumenta que antigamente os inimigos eram rapidamente identificados. países com maior e melhor produção armada. A importância de instituir uma guerra sem fim. inapropriadamente. Contudo.de missões de salvação de populações ameaçadas por tiranos. assim não representam a ameaça descrita pela ONU. os terroristas podem surgir de qualquer nação. assim. o país supostamente responsável por originar a verdadeira civilização. Fica evidente que o ex-presidente garante aos terroristas uma capacidade de destruição semelhante aos discursos da Guerra Fria. segundo o ex-presidente. os Estado Unidos tentam implantar assim uma “lei da selva”. Sendo assim. utiliza-se de sua posição como uma das principais potências mundiais para agirem como juízes . A grande importância da Indústria Bélica na história dos Estados Unidos também pode ser identificada através da afirmação do ex-presidente Bush de que é necessário um grande investimento no segmento para que. a única forma de proteger o mundo. Sendo assim. possa ser possível o combate desta nova força que ameaça o mundo. os Estados Unidos entram em uma busca obsessiva pela paz mundial. salvar aqueles que ainda vivem meio à barbárie. defendida constantemente por Bush no documento. e. uma grande (re)apropriação do Destino Manifesto. em que a vontade do país deve prevalecer. de fato. determinando que sua superioridade militar é elemento fundamental para que todos temam ações retalhadoras em caso de descontentamento norte americano. os terroristas não fazem parte de um exército nacional ou enviam avisos antecedendo os seus ataques. é. é na NSS que os Estados Unidos afirmam como legítimo o uso de ataques preventivos. da autorização da ONU que garante a possibilidade do uso de ataques preventivos em situações de ameaça à paz internacional. Com a doutrina de ataques preventivos legitimada pela Estratégia de Segurança Nacional. portanto. Nelson Franco Jobim. autor de “Bush 2: A Missão” afirma que o presidente acaba por instaurar uma “anarquia nas relações internacionais”. conseguimos detectar. caberia aos Estados Unidos.

podendo a qualquer momento figurar a lista do “eixo do mal”. com a Guerra do Iraque. que evidentemente são o juiz indiscutido. alegando estar salvado seu povo. o ex-presidente encontrou justificativas em causas humanitárias para invadir o Afeganistão. mas mantêm na mira de tiro os próprios aliados relutantes. em primeiro lugar. se limitam no máximo a balbuciar embaraçadas defesas ou justificações.. é claro. alegar que é dever dos Estados Unidos. (LOSURDO. em alguns países que se aliaram aos Estados Unidos. os países tratados como bandidos por Washington. Bush criou.p.. Além disso. internacionalmente. até mesmo. como nação mais desenvolvida do mundo. pelo menos em estado potencial.mundiais. Todos passam a ser julgados dentro da ótica norte America. (. Todo ano o departamento de Estado publica um relatório sobre o respeito aos direitos humanos no mundo e em cada país do planeta. dos Estados Unidos. com efeitos potencialmente devastadores.) Estes decretos de excomunhão. os quais. sem colocar em discussão a autoridade moral de seus acusadores. enquanto todos os outros são réus.22) Como conseguiu instaurar o pânico entre os norte-americanos e. 2010. Sendo assim. . um cenário de iminente ameaça global que precisava ser impossibilitada pelos Estados Unidos. podemos classificar a Doutrina Bush característica de duas principais ações: internamente gerar o caos entre a população norte-americana para conseguir o apoio em ações bélicas por tempo indeterminado e. atingem. salvar aqueles que são reféns de governos tirânicos e de terroristas. com exceção. utilizando-se de argumentos baseados no Destino Manifesto.