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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

PRÓ-REITORIA PARA ASSUNTOS DO INTERIOR
CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
UNIDADE ACADÊMICA DE ENGENHARIA CIVIL
ÁREA DE ESTRUTURAS
ESTRUTURAS DE CONCRETO PROTENDIDO - ESTUDO DE ELEMENTOS
ESTRUTURAIS DE CONCRETO PROTENDIDO SUBMETIDOS À FLEXÃO
(ECP – N
O
05)
PROFESSOR: JOSÉ GOMES DA SILVA
CAMPINA GRANDE – PARAÍBA
MAIO / 2005
ESTUDO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS DE CONCRETO
PROTENDIDO SUBMETIDOS À FLEXÃO
1.0 - PRELIMINARES:
O estudo de elementos estruturais de concreto protendido submetidos à
flexão é feito de forma semelhante ao do concreto armado. Podemos realizá-lo
através dos seguintes passos:
a) determinação dos esforços solicitantes;
b) dimensionamento;
c) detalhes (disposição das armaduras).
Para a realização destes três itens é necessário o conhecimento e a
determinação de alguns elementos que serão estudados a seguir.
2.0 - AÇÕES E TENSÕES
2.1 – Ações
Na análise estrutural de elementos estruturais de concreto protendido deve
ser considerada a influência de todas as ações que possam produzir efeitos
significativos para a segurança dos mesmos, levando-se em conta os possíveis
estados limites últimos e os de serviço.
Segundo o item 11.2.2 da NBR 6118/03, as ações a considerar classificam-
se, de acordo com a NBR 8681, em:
- ações permanentes;
- ações variáveis;
2
2
- ações excepcionais. .
2.1.1 – Ações permanentes
Ações permanentes são as que ocorrem com valores praticamente
constantes durante toda a vida útil da construção. Também podem ser
consideradas como permanentes as ações que crescem no tempo, tendendo a
um valor limite constante.
As ações permanentes devem ser consideradas com seus valores
representativos mais desfavoráveis para a segurança e podem ser classificadas,
segundo o item 11.3 da NBR 6118/03, em diretas e indiretas.
– Ações permanentes diretas
As ações permanentes diretas são constituídas pelo peso próprio da
estrutura e pelos pesos dos elementos construtivos fixos e das instalações.
Segundo o item 11.3.2 da NBR 6118/03, temos as seguintes ações permanentes
diretas:
peso próprio;
peso dos elementos construtivos fixos e de instalações permanentes;
empuxos permanentes.
Peso próprio: nas construções correntes admite-se que o peso próprio da
estrutura seja avaliado conforme o item 8.2.2 da NBR 6118/03, que admite
para o concreto simples uma massa específica de 2.400 kg/m
3
e para o
concreto armado 2.500 kg/m
3
.
Peso dos elementos construtivos fixos e das instalações
permanentes: as massas específicas dos materiais de construção podem
ser avaliadas com base na NBR 6120 e os pesos das instalações
permanentes são considerados com valores nominais indicados pelos
fornecedores.
3
3
Empuxos permanentes de terra e outros materiais granulosos: são
considerados como permanentes quando forem admitidos não removíveis.
- Ações permanentes indiretas

As ações permanentes indiretas são constituídas pelas deformações
impostas por:
retração do concreto;
fluência do concreto;
deslocamentos de apoio;
imperfeições geométricas: globais e locais;
protensão.
Retração do concreto: conforme já se viu, a deformação específica
devido à retração do concreto deve ser calculada de acordo com o Anexo
A da NBR 6118/03.

Fluência do concreto: as deformações decorrentes da fluência do
concreto também podem ser calculadas conforme o Anexo A da NBR
6118/03.
Deslocamentos dos apoios: só devem ser considerados quando
gerarem esforços significativos em relação ao conjunto das outras ações,
isto é, quando a estrutura for hiperestática e muito rígida.

Imperfeições geométricas: globais e locais: na verificação dos estados
limites das estruturas reticuladas, devem ser consideradas as
imperfeições geométricas dos eixos dos elementos estruturais das
estruturas descarregadas, de acordo com o item 11.3.3.4 da NBR
61118/03.
Protensão: a ação da protensão deve ser considerada em todas as
estruturas protendidas, incluindo , além dos elementos protendidos
4
4
propriamente ditos, aqueles que sofrem a ação indireta da protensão. O
valor da força de protensão deve ser calculado considerando a força
inicial e as perdas de protensão conforme estabelecido no item 9.6.3 da
NBR 6118/03.
2.1.2 – Ações variáveis
As ações variáveis também podem ser classificadas em diretas e
indiretas (segundo o item 11.4 da NBR 6118/03).
2.1.2.1 – Ações variáveis diretas
As ações variáveis diretas são constituídas pelas cargas acidentais
previstas para o uso da construção, pela ação do vento e da água. De acordo
com o item 11.4.1, temos:
- cargas acidentais: cargas verticais de uso da construção;
cargas móveis, considerando o impacto vertical;
impacto lateral;
força longitudinal de frenação ou aceleração;
força centrífuga.
- ação do vento;
- ação da água;
- ações variáveis durante a construção.
2.1.2.2 – Ações variáveis indiretas
As ações variáveis indiretas, segundo o item 11.4.2 da NBR 6118/03, são
constituídas de:
- variações uniformes de temperatura;
- variações não uniformes de temperatura;
- ações dinâmicas: choques, vibrações e fadiga;
5
5
- ações excepcionais.
Destas ações citadas, é claro que algumas sempre ocorrem, qualquer que
seja a estrutura e outras podem ocorrer ou não, dependendo do tipo da estrutura
e do elemento estrutural que desejamos calcular.
2.2 – TENSÕES
As tensões devem ser calculadas para várias situações de carregamento a
que o elemento estrutural estará submetido e não devem ser superiores às
respectivas tensões admissíveis.
A determinação das tensões é feita em serviço, considerando-se o estado
limite de utilização, devendo-se verificar as seguintes etapas:
a) Fase de utilização, antes das perdas progressivas:
Calculamos as tensões com as cargas de serviço (g) e a força de
protensão imediatamente após o termino da operação de protensão (P
o
), antes da
ocorrência das perdas progressivas. Nesta fase, sem levarmos em consideração
os efeitos da carga acidental, geralmente temos máxima tensão de compressão
na região de tração (devido à g) e mínima tensão na região comprimida.
b) Fase de construção:
Quando, por ocasião da protensão, o peso próprio ainda não atua
totalmente, as tensões devem ser determinadas para a parte atuante do peso
próprio mais a protensão antes das perdas progressivas. Nesta etapa temos
tensões de compressão maiores que as da fase anterior, devendo-se para
tensões elevadas, determinar a parcela de P
o
que pode ser aplicada sem causar
danos à estrutura.
6
6
c) Fase de utilização, depois das perdas progressivas:
Determinamos as tensões sob a ação de todas as cargas: permanentes
(g), acidentais (q) e protensão (P

). Nesta fase, quando atuam todas as cargas,
temos tensão máxima de compressão na região comprimida e mínima na região
de tração.
2.3 – Observações
- Perdas de protensão
Devemos considerar todas as perdas de protensão que possam ocorrer
durante a vida útil do elemento estrutural: atrito, encurtamento elástico do
concreto, perdas nas ancoragens, retração e fluência do concreto, relaxação e
fluência do aço.
- Segurança à ruptura
Devemos verificar a segurança à ruptura de peça. O momento resistente
(calculado com os esforços resistentes) deve ser igual ou maior que o momento
de cálculo:
M
resist.
≥ M
Rd
3.0- SEÇÕES TRANSVERSAIS
3.1 – Valores das seções transversais
Nos cálculos dos elementos estruturais de concreto protendido, as
características das seções transversais a serem consideradas são as seguintes:
7
7
- Seção bruta: A
c
A seção bruta corresponde à área da seção transversal total da peça, sem
descontarmos as áreas das bainhas e das armaduras passivas (se houver), é
utilizada para cálculos aproximados.
A antiga NBR 7197, item 9.1.5, sugeria que, quando se consideram
solicitações normais, não é necessário deduzir a área dos furos correspondentes
às bainhas dos cabos de protensão, se esta área não ultrapassar 2% da área da
seção transversal geométrica da peça (área bruta).
- Seção líquida: A

A seção líquida é igual à área bruta (A
c
) menos a área das armaduras
(A
b
), e deve ser usada para o cálculo das tensões antes da injeção da nata nos
cabos de protensão. Temos:
A

= A
c
- A
b

- Seção homogeneizada: A
h

A seção homogeneizada corresponde à área líquida (A

) mais a área
homogeneizada das armaduras existentes (armadura ativa, A
p
, e armaduras
passivas, A
s
). Temos:
A
h
= A

+ α
p
A
p
+ α
s
A
s

Sendo:

c
p
p
E
E
· α

c
s
s
E
E
· α
8
8
A seção homogeneizada é usada para o cálculo das tensões após a
injeção da nata nos cabos de protensão.
A área da seção homogeneizada (A
h
) também pode ser calculada pela
fórmula (mais usada):
A
h
= A
c
+ (α
p
– 1) A
p
+ (α
s
– 1) A
s
3.2 - Exemplo:
Calcular as áreas características da seção transversal da Figura 1.
Figura 1 – Seção transversal
Dados:
A
s
= 10,20 cm
2

s
= 7,60 cm
2
A
p
= 79,14 cm
2
α
p
= 6,5
α
s
= 7,0
9
9
Resolução: dividamos a seção em 3 partes: 1, 2 e 3.
Temos:
A
1
= 15 x 100 = 1500 cm
2
A
2
= 20 x 100 = 2000 cm
2
A
3
= 60 x 25 = 1500 cm
2
- Área bruta:

A
c
= A
1
+ A
2
+ A
3
= 1500 + 2000 + 1500 A
c
= 5000 cm
2
- Área líquida:
A

= A
c
- A
b
A
b
= A
p
+ A
s
+ A´
s
= 79,14 + 10,20 + 7,60 ∴
A
b
= 96,94 cm
2
Logo:
A = 5000 – 96,94 ∴
A

= 4.903,06 cm
2
- Área homogeneizada:
A
h
= A

+ α
p
x A
p
+ α
s
x A
s
Logo:
A
h
= 4.903,06 + 6,5 x 79,14 + 7,0 x 17,8 ∴
A
h
= 5.542,07 cm
2

Também podemos calcular A
h
pela fórmula:
10
10
A
h
= A
c
+ (α
p
– 1) A
p
+ (α
s
– 1) A
s

Temos:
A
h
= 5000 + (6,5 – 1) 79,14 + (7 – 1) 17,8 ∴
A
h
= 5.542,07 cm
2
3.3 - Observações:
a) As armaduras passivas (A´
s
e A
s
) por terem áreas pequenas em face
das demais, podem ser desprezadas nos cálculos anteriores.
b) Os cálculos das solicitações e deformações das peças são, geralmente,
feitos com as áreas brutas das seções.
c) Os cálculos das tensões normais na seção de concreto devem ser feitos
com as áreas líquidas das seções. Este cálculo tem maior importância
na fase de protensão, afim de se evitar excesso de compressão do
concreto que envolve as bainhas dos cabos de protensão.
d) Os vazios devido às bainhas transversais, destinadas à passagem de
cabos de protensão, podem ser desprezados no cálculo de tensões
normais em serviço.
e) Os vazios longitudinais, após a injeção da nata de cimento, podem ser
considerados como reintegrados à seção de concreto, para o cálculo
das tensões normais, neste caso, a seção homogeneizada pode ser
tomada igual à seção bruta acrescida de (α - 1) ou apenas (α) vezes as
áreas das armações. Alguns autores preferem desprezar o material de
enchimento das bainhas, tomando a seção homogeneizada igual
à seção líquida acrescida de (α - 1) ou (α) vezes a área das armações.
f) Para cargas de longa duração as deformações do concreto aumentam
por efeito de fluência, daí, resulta um módulo de elasticidade aparente
menor, tendo-se para (α) um valor aparente maior, dado por:
11
11

( )
[ ]
to t
c
e
E
E
,
1 φ α + ·
sendo:
φ
(t,to)
– coeficiente de fluência do concreto, entre o período de
início do carregamento (t
o
) e o instante t.
3.4 – Rendimento Geométrico
O rendimento geométrico, ρ, de uma seção transversal, é definido pela
relação adimensional dada a seguir. Seja a Figura 2
Figura 2
Temos:

2 1
Y Y A
I
c
· ρ
onde:
I – momento de inércia da seção bruta;
A
c
– área bruta da seção;
Y
1
e Y
2
– distância ao c.g. (centróide) da seção das fibras inferiores
e superiores, respectivamente.
Quanto maior for o rendimento geométrico de uma seção, mais
econômico é o seu cálculo à flexão, neste caso a seção possui uma inércia maior
para uma área menor.
12
12
- Exemplo: calcular os rendimentos geométricos das seções seguintes:
- seção retangular: seja a Figura 3:
Figura 3 – Seção retangular
Temos:
,
2 12
2 1
3
h
Y Y
bh
I bh A
c
· · · ·
Logo:

33 , 0
~
3
1
2 2
12 /
3
− ∴ ·
⋅ ⋅
· ρ ρ
h h
bh
bh
- seção circular: seja a Figura 4:
Figura 4 – Seção circular
Temos:

2 4 4
2 1
4 2
d
Y Y d I d A
c
· · ÷ · ⋅ ·
π π
Logo:
13
13

25 , 0
2 2 2
4 /
2
4
· ∴ ·
⋅ ⋅
· ρ
π
π
ρ
d d d
d
- Valores aproximados para vários tipos de seção:
- Tipo de seção:
Rendimento geométrico (ρ)
circular 0,25
retangular 0,33
T 0,35 a 0,45
Ι 0,55 a 0,65
4.0 – GRAU DE PROTENSÃO
Originalmente, o concreto protendido foi concebido como sendo um
material homogêneo (todas as seções transversais ficariam totalmente
comprimidas, eliminando-se as tensões de tração através da força de protensão),
não sendo necessário o uso de armaduras suplementares (segundo a escola
francesa, que tinha à frente Eugéne Freyssinet).
Posteriormente, outros engenheiros passaram a encarar o concreto
protendido como um material de natureza análoga ao concreto armado, com
características melhoradas pelo esforço de protensão, passou-se a estudar o seu
comportamento sob a ação de cargas crescentes.
Em ensaios de vigas, sob a ação de cargas crescentes, verificou-se que,
para carregamentos situados entre a fissuração e a ruptura, o comportamento das
vigas protendidas é análogo ao das vigas de concreto armado.
Atualmente, o concreto protendido e o concreto armado são considerados
como o mesmo material, sendo o primeiro acrescido, do efeito favorável da
protensão.
Verifica-se que em uma viga, se são utilizadas armaduras ativas
(protendidas) e armaduras passivas, ambas as armaduras participam da
resistência da peça (tanto para a limitação das aberturas das fissuras, como para
a resistência à ruptura).
14
14
O grau de protensão pode ser definido como sendo a relação entre a
resistência da armadura ativa e a resistência da armadura total, temos:

s s p p
p p
p
f A f A
f A
+
· λ
Onde:
A
p
- área da armadura protendida;
A
s
- área da armadura passiva;
f
p
- resistência de projeto da armadura protendida;
f
s
- resistência de projeto da armadura passiva.
Verifica-se que quando A
s
= 0, temos λ
p
= 1,0; neste caso só trabalha a
armadura ativa (protensão completa).
Podemos considerar: f
p
= f
po,1
– tensão correspondente à deformação
residual de 0,1%.
Nos projetos de elementos estruturais protendidos com protensão limitada
ou parcial utiliza-se uma quantidade mínima de armadura passiva, para limitar a
abertura de fissuras, nestes casos o grau de protensão fica entre 0,90 a 0,95. O
projetista pode escolher o grau de protensão a ser usado, ou seja, a percentagem
do momento resistente de ruptura a ser absorvido pela armadura de protensão.
5.0– ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DAS SEÇÕES DE CONCRETO
PROTENDIDO
5.1 - Preliminares
A análise do comportamento das seções de concreto protendido fornece
os elementos essenciais para o projeto das vigas. Ao analisarmos o
comportamento das vigas de concreto protendido temos interesse em estudar
duas grandezas: tensões e deformações:
15
15
- tensões normais (σ), tanto no concreto como no aço;
- deformações unitárias longitudinais (ε), no concreto e no aço.
5.2– Cálculo das tensões
Nos estágios iniciais de carga o concreto está totalmente comprimido e a
viga funciona como um corpo elástico homogên-eo, onde é obedecida a Lei de
Hooke, e são válidas as fórmulas da Resistência dos Materiais. As tensões variam
linearmente com as deformações unitárias. As tensões são calculadas pela Lei de
Navier. Temos:
y
I
M
· σ
onde:
M - momento atuante na seção;
I - momento de inércia da seção.
Estudemos a seção de uma viga submetida a um carregamento externo e à
força de protensão, Figura 5.
Figura 5
5.2.1 - Efeito do carregamento externo
16
16
Consideremos a seção transversal de uma viga submetida ao momento
fletor M devido ao carregamento externo, Figura 6.

Figura 6

Temos:
y
I
M
c
· σ

1
1
1
1 1
y
I
W
W
M
y
I
M
c
· · · σ

2
2
2
2
y
I
W
W
M
I
M
c
· · · σ

onde:

c
σ
- tensão no concreto numa seção distante y do centróide;
I – momento de inércia da seção;

1 c
σ
- tensão na fibra inferior da seção de concreto;

2 c
σ
- tensão na fibra superior da seção de concreto.
5.2.2 - Efeito da protensão:
17
17
Consideremos a seção transversal de uma viga submetida à força de
protensão P aplicada com uma excentricidade e
p
, Figura 7.

Figura 7
O efeito da força de protensão é obtido da resultante de dois diagramas:
a) força P atuando no centro de gravidade da seção (compressão
centrada):

c
A
P
· σ
b) Efeito da excentricidade e
p
da força P em relação ao centróide da seção
bruta de concreto ( momento igual à P.e
p
):

1
1 1
W
e P
y
I
e P
p p
ep

·

· σ

2
2 2
W
e P
y
I
e P
p p
ep

·

· σ
18
18
A tensão devido à protensão, em um ponto qualquer da seção transversal
é:
y
I
e P
A
P p
c
p

t · σ
As tensões nas fibras extremas, causadas pela protensão, são:
na fibra inferior:

,
`

.
|
+ ·
1
1
1
W
e
A
P
p
c
P
σ
na fibra superior:

,
`

.
|
− ·
2
1
2
W
e
A
p
p
c
p
σ

Nestas fórmulas adotamos: compressão: +
tração: -
Observação:
Nas estruturas isostáticas, as solicitações provocadas pelas cargas
externas e pela protensão são determinadas de forma simples, pelas equações
de equilíbrio da estática. Nas estruturas hiperestáticas a determinação destas
solicitações depende das deformações dos elementos estruturais, sendo que nos
estágios que precedem a fissuração, as solicitações são calculadas em regime
elástico, pelos processos já conhecidos da hiperestática. Após a fissuração da
estrutura há redução da rigidez e deformações inelásticas das seções, então as
solicitações, podem ser calculadas por meio das teorias da hiperestática
inelástica.
6.0 - FORÇA DE PROTENSÃO
6.1 – Generalidades
19
19

De acordo com o item 9.6.1.1 da NBR 6118/03, a força média na
armadura de protensão na abscissa x e no tempo t, P
t
(x), é dada pela expressão;
P
t
(x) = P
0
(x) - ∆P
t
(x) = P
i
- ∆P
0
(x) – ∆P
t
(x)
onde:
P
i
– força máxima aplicada à armadura de protensão pelo
equipamento de tração;
P
0
(x) = P
i
- ∆P
o
(x) – força na armadura de protensão no tempo
t = 0, na seção de abscissa x;
∆P
0
(x) – perdas imediatas de protensão,medidas a partir de
P
i
, no tempo t = 0, na seção de abscissa x;
∆P
t
(x) – perdas de protensão na seção de abscissa x, no
tempo t, calculada após t = 0 (perdas progressivas).
6.2 – Valores limites da força na armadura de protensão

6.2.1- Prellminares

Segundo o item 9.6.1.2 da NBR 6118/03, durante as operações de
protensão, a força de protensão na armadura ativa não deve superar os valores
decorrentes da limitação das tensões no aço correspondentes a essa situação
transitória. Após o término das operações de protensão, as verificações de
segurança devem ser feitas de acordo com os estados limites últimos e de serviço
(segundo o item 10 da NBR 6118/03). Portanto, temos dois casos a estudar:
determinação dos valores limites por ocasião da operação de protensão e
determinação dos valores limites ao término da operação de protensão.

6.2.2 - Valores limites por ocasião da operação de protensão
20
20
Segundo o item 9.6.1.2.1 da NBR 6118/03 os valores limites a serem
considerados por ocasião da protensão são os dados a seguir.
6.2.2.1 – Armaduras pré-tracionadas

Por ocasião da aplicação da força P
i
, a tensão
pi
σ
da armadura ativa na
saída do aparelho de tração deve respeitar os limites:
para aços RN:

¹
¹
¹
'
¹

pyk
ptk
pi
f
f
90 , 0
77 , 0
σ

para aços RB:

¹
¹
¹
'
¹

pyk
ptk
pi
f
f
85 , 0
77 , 0
σ
Sendo:

pi
σ
- tensão na armadura ativa imediatamente após a aplicação da
protensão;

pyk
f
- valor característico da resistência ao escoamento
convencional da armadura ativa, e

ptk
f
- valor característico da resistência à tração da armadura
ativa.
6.2.2.2 – Armaduras pós-tracionadas
Por ocasião da aplicação da força P
i
, a tensão
pi
σ
da armadura ativa do
aparelho de tração, deve respeitar os limites:
para aços RN:

¹
¹
¹
'
¹

pyk
ptk
pi
f
f
87 , 0
74 , 0
σ

21
21
para aços RB:

¹
¹
¹
'
¹

pyk
ptk
pi
f
f
82 , 0
74 , 0
σ
Para aços CP-85 e CP-105, fornecidos em barras, os limites passam a ser:
0,72 f
ptk
e 0,88 f
ptk
.
6.2.3 – Valores limites ao término da operação de protensão
Ao término da operação de protensão, a tensão
) (x
po
σ
da armadura
ativa pré-tracionada ou pós-tracionada, decorrente da força obtida após o
término da operação de protensão, P
0
(x), não deve ultrapassar os limites:
para aços RN:

¹
¹
¹
'
¹

pyk
ptk
po
f
f
x
87 , 0
74 , 0
) ( σ

para aços RB:

¹
¹
¹
'
¹

pyk
ptk
po
f
f
x
82 , 0
74 , 0
) ( σ
Sendo:

) (x
po
σ
- tensão na armadura ativa correspondente a P
0
(força na
armadura de protensão no tempo t = 0), na seção de
abscissa
x
.

- Observação:
O esforço de protensão é calculado pela seguinte fórmula:
P = A
p
x σ
p
onde:
P – esforço de protensão;
A
p
– área da armadura de protensão;
22
22
σ
p
– tensão na armadura de protensão
.
6.2.4 – Tolerância de execução
Segundo o item 9.6.1.2.3 da NBR 6118/03, por ocasião da aplicação da
força P
i
, se constatadas irregularidades na protensão, decorrentes de falhas
executivas nos elementos estruturais com armaduras pós-tracionadas, a força de
tração em qualquer cabo pode ser elevada, limitando a tensão
pi
σ
aos valores
dados no item 9.6.1.2.1-b da NBR 6118/03, majorados em até 10%, até o limite
de 50% dos cabos, desde que seja garantida a segurança da estrutura,
principalmente nas regiões das ancoragens.
6.3 – Valores Representativos da Força de Protensão
6.3.1 – Valores médios da força de protensão
Os valores médios da força de protensão são calculados de acordo
com o item 6.1 da NBR 6118/03, ou seja:


P
m,t
(x) = P
i
– ∆P
0
(x) - ∆P
t
(x)
Estes valores podem ser empregados no cálculo dos valores
característicos dos efeitos hiperestáticos da protensão.
6.3.2 – Valores característicos da força de protensão
Para as obras em geral, o item 9.6.1.3 da NBR 6118/03, admite que os
valores característicos P
k,t
(x) da força de protensão possam ser considerados
como iguais aos valores médios, quando a perda máxima for menor ou igual a
35% da força aplicada pelo aparelho de tração, temos:
23
23
P
k,t
(x) = P
t
(x),
quando: ∆P
0
(x) +∆P
t
(x) < 0,35 P
i
.
Nos casos de estruturas em que a perda máxima, [∆P
0
(x) + ∆P
t
(x)]
max.
, for
maior que 0,35P
i
, e em obras especiais que devem ser projetadas de acordo com
normas especificas, que considerem os valores característicos superior e inferior
da força de protensão, devem ser adotados os seguintes valores:
[P
k,t
(x)]
sup
= 1,05 P
t
(x) ;
[P
k,t
(x)]
inf
= 0,95 P
t
(x) .
6.3.3 – Valores de cálculo da força de protensão
Segundo o item 9.6.1.4 da NBR 6118/03, os valores de cálculo da força de
protensão no tempo t e na seção de abscissa x são dados por:
P
d,t
(x) = γ
p
P
t
(x)
Sendo:
P
d,t
(x) - valor de cálculo da força de protensão no tempo t, na
seção de abscissa x;
γ
p
– coeficiente de ponderação da força de protensão.
O coeficiente de ponderação
p
γ
é dado na Tabela 11.1 da NBR 6118/03
(ver o item 11.7 da NBR 6118/03), temos:
γ
p
= 1,2 – quando o efeito da força de protensão é desfavorável;
γ
p
= 0,9 – quando o efeito da força de protensão é favorável.

Devemos tomar, quando for o caso, o valor mais desfavorável entre [P
k,t

(x)]
sup
e [P
k,t
(x)]
inf
.
24
24
7.0– DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO
7.1- Preliminares
Tendo em vista o grande número de variáveis envolvidas, as formas das
seções transversais, e as diferentes solicitações nas fases de carregamento a
considerar, não é possível se efetuar um dimensionamento direto de elementos
estruturais de concreto protendido de forma que atenda à todas as condições
estipuladas pelo cálculo e pelas normas.
Na realidade, devemos determinar as dimensões da seção transversal do
elemento estrutural que atendam, para todas as hipóteses possíveis de carga
(incluindo-se a protensão), às tensões limitadas pelas normas. Freqüentemente,
chegamos a esta solução após efetuarmos reajustes sucessivos nas dimensões
da seção transversal e no valor da excentricidade do cabo.
O cálculo de elementos estruturais lineares de concreto protendido pode
ser feito em duas etapas:
a) pré-dimensionamento;
b) dimensionamento.
7.2 – Pré-dimensionamento
7.2.1 - Preliminares
No pré-dimensionamento de um elemento estrutural de concreto
protendido são arbitradas e/ou determinadas, por processos aproximados, certas
dimensões da seção transversal em estudo. Após o cálculo ser efetuado, ao se
verificar as tensões nas diversas fases de carregamento, pode ser necessário
alterar algumas dimensões da seção.
Para o pré-dimensionamento são conhecidos o vão e as solicitações de
carga útil (sobrecarga). As solicitações de cargas permanentes dependem do
peso próprio da viga, o qual depende das dimensões da seção transversal,
admite-se, então, um valor estimado para o peso próprio. Após serem
25
25
determinadas as dimensões necessárias para a seção transversal, o peso próprio
pode ser calculado com maior precisão, então, repetem-se os cálculos do pré-
dimensionamento, com os valores corrigidos das solicitações.
Quando a diferença entre o peso próprio arbitrado e o peso próprio
calculado é menor ou igual a 5% do peso próprio arbitrado, sugere-se que não
sejam feitas correções nos cálculos realizados com o peso próprio arbitrado.
Para resolvermos o problema do pré-dimensionamento de elementos
estruturais de concreto protendido nos deparamos com as seguintes variáveis:
- características geométricas da seção transversal do elemento
estrutural;
- seção da armadura ativa (A
p
);
- excentricidade da armadura ativa (e
p
).
7.2.2 – Características geométricas da seção transversal do elemento
estrutural
As características geométricas da seção transversal do elemento
estrutural dependem do vão a ser vencido, das cargas que atuam sobre a peça e
do tipo de protensão.
A escolha econômica das dimensões da seção poderá ser feita atendendo
às seguintes recomendações:
- relação altura/vão: no mínimo: 1/30;
recomendável: 1/20;
- relação largura/altura: no mínimo: 1/3;
- relação largura/vão: no mínimo: 1/50.
Analisemos algumas dimensões da seção transversal da Figura 8.
26
26
Figura 8 - Seção transversal
Temos:
b
f
– pode ser determinada de acordo com o item 14.6.2.2 da NBR
6118/03;
h
f
– deve atender às condições de projeto e aos limites das alturas
das lajes, dadas no item 13.2.4 da NBR 6118/03;
b
'
f
e h
'
f
- devem permitir a colocação das armaduras ativas e
passivas e a concretagem da região inferior da viga;
b
w
– é determinada tendo-se em vista a facilidade de concretagem
da nervura e da mesa inferior e permitir a passagem da
armadura ativa.
h – para estimarmos o valor de h, podemos seguir as
recomendações:
- comparação com projetos semelhantes já executados e que
tenham o vão e as cargas da mesma ordem de grandeza;
- avaliação por meio de fórmulas empíricas;
- cálculo aproximado no estado limite último como se o elemento
estrutural fosse de concreto armado, submetido à flexão
simples.
27
27
7.2.3 – Seção da armadura de protensão (A
p
)
A seção da armadura de protensão deve ter um valor tal que não seja anti-
conômica e também seja de fácil colocação no elemento estrutural. O seu valor
pode ser determinado por tentativas, a partir dos esforços solicitantes devido ao
carregamento externo e à excentricidade inicialmente arbitrada. A armadura de
protensão deve ser colocada na região mais afastada da linha neutra desde que
sejam atendidos os espaçamentos mínimos fixados na NBR 6118/03.
7.2.4 – Excentricidade da armadura de protensão (e
p
)
A posição do cabo resultante da armadura de protensão deve ser tal que a
sua excentricidade (e
p
), em relação à linha neutra da seção transversal, tenha o
maior valor possível, desde que sejam respeitados os limites construtivos fixados
na NBR 6118/03
7.2.5 – Pré-dimensionamento no regime elástico
O pré-dimensionamento de um elemento estrutural de concreto protendido
pode ser feito em regime elástico, considerando-se as cargas de serviço. Seja a
Figura 9.
Figura 9

28
28
Onde:
F
c
– força de compressão resultante no concreto;
F
t
– força de tração resultante na armadura ativa.
Temos:

serv t c
M z F z F · · . .


F
c
= F
t
=
z
M
serv
Como:
. F
t
=
p p
A σ .
;
F
c

2
.
c c
A σ


A
c
=
c
c
F
σ . 5 , 0

Podemos tomar para
z
um valor prático:
h z . 65 , 0 ≅
, vem:
F
c
= F
t
=
h
M
seerv
. 65 , 0

Logo:
A
c
=
c
serv
h
M
σ . 5 , 0
1
.
. 65 , 0

De acordo com o item 17.2.4.3.2 da NBR 6118/03, a tensão máxima de
compressão na seção de concreto não deve ultrapassar 70% da resistência
característica f
ckj
prevista para a idade de aplicação da protensão (é a idade
fictícia do concreto a j dias).
No pré-dimensionamento de elementos estruturais de concreto protendido,
considerando-se as cargas de serviço, a área da seção transversal deve atender
à seguinte desigualdade:
29
29

∴ ≥
) 7 , 0 ( 5 , 0 ). 65 , 0 (
ckj
serv serv
c
f h
M
A


h f
M
A
ckj
serv serv
C
228 , 0


7.3 – Estados limites
Na verificação da segurança dos elementos de concreto estrutural devem
ser considerados os estados limites últimos e os estados limites de serviço.
7.3.1 – Estados limites últimos
O estado limite último (ELU) é um estado relacionado ao colapso, ou à
qualquer outra forma de ruína estrutural, que determine a paralisação do uso da
estrutura.
Segundo o item 10.3 da NBR 6118/03, a segurança das estruturas de
concreto deve sempre ser verificada em relação aos seguintes estados limites
últimos:
- estado limite último de perda do equilíbrio da estrutura, admitida
como um corpo rígido;
- estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da
estrutura, no seu todo ou em parte, devido às solicitações normais e
tangenciais, admitindo-se a redistribuição de esforços internos;

- estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da
estrutura, no seu todo ou em parte,considerando os efeitos de segunda
ordem;
- estados limites últimos por solicitações dinâmicas;
- estado limite último de colapso progressivo;
- outros estados limites últimos que eventualmente possam ocorrer em
casos especiais.
7.3.2 – Estados limites de serviço
30
30
Estados limites de serviço (ELS) são os estados relacionados à
durabilidade das estruturas, aparência, conforto do usuário e à boa utilização
funcional das mesmas, seja em relação aos usuários, seja em relação às
máquinas e aos equipamentos utilizados.
Segundo a NBR 6118/03, item 10.4, a segurança das estruturas pode
exigir a verificação de alguns estados limites de serviço conceituados no seu item
3.2, seguintes:

- estado limite de formação de fissuras (ELS-F): é o estado em que
começa a formação de fissuras. Este estado é atingido quando a tensão
de tração máxima no concreto for igual à resistência à tração do concreto
na flexão (f
ct,f
);
- estado limite de abertura das fissuras (ELS-W): este estado é atingido
quando as fissuras se apresentam com aberturas iguais aos máximos
especificados no item 13.4.2 da NBR 6118/03;

- estado limite de deformações excessivas (ELS-D): estado em que as
deformações atingem os valores limites estabelecidos para a utilização
normal da estrutura, conforme o item 13.3 da NBR 6118/03;

- estado limite de descompressão (ELS-D): no qual em um ou mais
pontos da seção transversal a tensão normal é nula, não havendo tração
no restante da seção;

- estado limite de descompressão parcial (ELS-DP): estado no qual se
garante a compressão na seção transversal, na região onde existam
armaduras ativas, essa região é definida no item 3.2.6 da NBR 6118/03.
- estado limite de compressão excessiva (ELS-CE): em que as tensões
de compressão na seção transversal das peças atingem o limite
convencional de 0,7 fckj;
- estado limite de vibrações excessivas: é o estado em que as vibrações
atingem os limites estabelecidos para a utilização normal da construção.
7.4 - Elementos lineares submetidos à solicitações normais - Estado Limite
31
31
Último (ELU)
7.4.1 - Hipóteses básicas
Segundo o item 17.2.2 da NBR 6118/03, na análise dos esforços
resistentes de um seção de viga ou pilar, devem ser consideradas as seguintes
hipóteses básicas:

a) as seções transversais se mantêm planas após a deformação;
b) a deformação das barras passivas aderentes ou o acréscimo de
deformação das barras ativas aderentes em tração ou compressão
deve ser o mesmo do concreto em seu entorno;
c) as tensões de tração no concreto, normais à seção transversal, podem
ser desprezadas, obrigatoriamente no ELU;
d) a distribuição de tensões no concreto se faz de acordo com o diagrama
parábola-retângulo, definido no item 8.2.10 da NBR 6118/03, com
tensão de pico igual a 0,85 f
cd
. Este diagrama pode ser substituído
pelo retângulo de altura 0,8x (onde x é a profundidade da linha
neutra), com a seguinte tensão:
- 0,85 f
cd
, no caso da largura da seção, medida paralelamente à linha
neutra, não diminuir a partir desta para a borda comprimida;
- 0,80 f
cd
, no caso contrário;
e) a tensão na armadura deve ser obtida a partir dos diagramas tensão-
deformação, com seus valores de cálculo.
f) encurtamento máximo do concreto: na flexão:
%; 35 , 0
lim ,
·
c
ε

32
32
na compressão:
%. 2 , 0
lim ,
·
c
ε

g) alongamento máximo da armadura passiva,
lim , c
ε
, e variação do
alongamento da armadura ativa além do alongamento inicial da
protensão:

% 0 , 1
lim , lim ,
· ∆ ·
p s
ε ε

7.4.2 - Estado limite último no ato da protensão
7.4.2.1 - Generalidades
Na verificação do estado limite ultimo no ato da protensão, segundo o item
17.2.4.3.1 da NBR 6118/03, além das hipóteses básicas vistas no item anterior,
devem ainda ser respeitadas as seguintes hipóteses:
a) considera-se como resistência característica do concreto f
ckj
aquela
correspondente à idade fictícia j (em dias), no ato da protensão, sendo
que a resistência de f
ckj
deve ser claramente especificada no projeto;
b) para os coeficientes de ponderação, com as cargas que efetivamente
atuarem no ato da protensão, são admitidos os seguintes valores:

2 , 1 ·
c
γ
;

15 , 1 ·
s
γ
;

0 , 1 ·
p
γ
, na pré-tração;

1 , 1 ·
p
γ
, na pós-tração;

0 , 1 ·
f
γ
, para as ações desfavoráveis;

9 , 0 ·
f
γ
, para as ações favoráveis.

7.4.2.2 - Verificação simplificada
33
33
Segundo o item 17.2.4.3.2 da NBR 6118/03, a segurança em relação ao
estado limite último no ato da protensão pode ser verificada no estádio I (concreto
não fissurado e comportamento elástico linear dos materiais), desde que as
seguinte condições sejam satisfeitas:
a) a tensão máxima de compressão na seção de concreto, obtida
através das solicitações ponderadas de
p
γ
= 1,1 e
f
γ
= 1,0 não
deve ultrapassar 0,7 f
ckj
;
b) a tensão máxima de tração do concreto não deve ultrapassar 1,2 vez
a resistência à tração do concreto (f
ctm
), correspondente ao valor de f
ckj
especificado;
c) quando nas seções transversais existirem tensões de tração, deve
haver armadura de tração calculada no estádio II, a força nessa
armadura pode ser considerada igual à resultante das tensões de
tração no concreto no estádio I e não deve provocar, na armadura
correspondente, acréscimos de tensões superiores a 150 MPa no
caso de fios ou barras lisas e a 250 MPa em barras nervuradas.
7.5 – Dimensionamento
Após efetuarmos o pré-dimensionamento, onde arbitramos e/ou
verificamos os valores de A
C
, e
p
e P, o dimensionamento do elemento estrutural
linear de concreto protendido pode ser realizado através de cálculos no estado
limite último e de verificações de segurança nos estados limites de serviço, e,
também, levando-se em consideração o tipo de protensão adotado.

7.5.1 - Elementos estruturais com protensão completa
34
34
Nos elementos estruturais de concreto protendido com protensão
completa todas as seções transversais estarão submetidas a tensões de
compressão, não sendo permitido o aparecimento de tensões de tração.
Considerando-se conhecidas (através do pré-dimensionamento) a seção
transversal do elemento estrutural, a força de protensão e a sua excentricidade, o
dimensionamento será feito por meio da verificação dos seguintes estados limites:
- estado imite de descompressão: para a atuação da carga permanente
(g) mais a carga acidental (q) e mais a força de protensão (p), (g+q+p),
devemos ter protensão completa, ou seja, a tensão de compressão na
fibra inferior deve ser: 0
1
≥ σ .
- Estado limite último no ato da protensão: podemos adotar a
verificação simplificada descrita no item 7.4.2.2 (item 17.2.4.3.2 da
NBR 6118/03), temos:
a) tensão máxima de compressão no concreto (estado limite de
compressão excessiva): a tensão máxima de compressão no
concreto,
1
σ , no ato da protensão, devido à atuação da carga
permanente e da força de protensão, deve atender à seguinte
desigualdade:

p
p
g
f 1 1 1
σ γ σ γ σ + ≥


onde:

0 , 1 ·
f
γ
;

1 , 1 ·
p
γ
;

g
1
σ - tensão na fibra inferior (tracionada), devido à carga
permanente;

p
1
σ - tensão na fibra inferior (comprimida) devido à força de
protensão.
35
35

Logo, temos:

ckj
p g
f 7 , 0 1 , 1
1 1 1
≤ + ≥ σ σ σ

b) tensão máxima de tração no concreto: no ato da protensão, quando
atuam a carga permanente e a força de protensão, a máxima tensão de
tração,
2
σ , que pode atuar na seção transversal deve atender à:

ctm
p g
f 2 , 1 1 , 1
2 2 2
≤ + ≥ σ σ σ
onde:

g
2
σ - tensão na fibra superior (comprimida), devido à carga
permanente;

p
2
σ - tensão na fibra superior (tracionada), devido à força de
protensão;

ctm
f
- tensão de tração média no concreto correspondente ao
valor de f
ckj
especificado.
Quando existem tensões de tração (casos de protensão limitada ou
parcial), deve haver armadura de tração calculada com a hipótese de ser nula a
resistência à tração do concreto.
7.5.2 - Estruturas de concreto estrutural com protensão limitada ou parcial
O dimensionamento de elementos estruturais de concreto protendido
submetidos a protensão limitada ou parcial é feito de forma semelhante à do
concreto armado, considerando-se as peculiaridades devido às armaduras
protendidas, isto é, caso estas ainda tenham capacidade de resistir à esforços de
tração podem ser consideradas no cálculo, desde que seus alongamentos não
ultrapassem os limites permitidos pelas normas.
36
36
8.0 - Verificação no estado limite último
8.1- Preliminares
Como já vimos, o estado limite último corresponde a uma situação em
que a estrutura ou parte dela não pode mais ser utilizada, por ter sofrido colapso
ou deformações plásticas excessivas. Além das verificações feitas com as cargas
de serviço no item anterior, as seções transversais dos elementos estruturais
também devem ser verificadas quanto ao estado limite último.
A verificação no estado limite último é feita calculando-se o momento
resistente de cálculo, M
Rd
, da seção transversal em estudo e comparando-o com
o momento fletor de cálculo, M
d
, devido às cargas permanentes e acidentais. A
verificação da segurança no estado limite último estará satisfeita quando for
atendida a seguinte desigualdade:
M
Rd

d
M ≥

A determinação do momento resistente de cálculo é feita atendendo-se
às hipóteses básicas do estado limite último, vistas no item 7.4.1.
8.2 - Fórmulas empíricas para a determinação do momento resistente de
cálculo, M
Rd

8.2.1 - Seção retangular
O momento resistente de cálculo de seções retangulares pode ser
determinado por meio de fórmulas empíricas. Na Figura 10 temos o caso de uma
seção retangular de um elemento estrutural submetido a um momento fletor de
cálculo, M
d
, cujo efeito deve ser combatido pela armadura protendida, A
p
, e pela
armadura passiva, A
s
.
37
37

Figura 10
O braço de alavanca interno, z, pode ser calculado pela fórmula empírica:
z = d(1 - 0,6
p
ω
)

onde:

c
p p
p
f
f . ρ
ω ·

sendo:

d b
A
p
p
.
· ρ - porcentagem mecânica da armadura protendida;
f
p
= f
ptd

,
`

.
|

c
ptd
p
f
f
ρ 5 , 0 1
;
onde:
f
ptd =
p
ptk
f
γ
;
f
c
= 0,85 f
cd
=
c
ckj
f
γ
85 , 0

.
38
38
O momento resistente de cálculo, M
Rd
, para seção retangular sub-armada
pode ser calculado por:
M
Rd
= (f
p
.A
p
+ f
s
.A
s
)z = R
c
.z


M
Rd
=(f
p
.A
p
+ f
s
.A
s
).d.(1 - 0,6
)
p
ω

O valor de “d” é determinado da seguinte forma:
A
p
.f
p
.d
p
+ A
s
.f
s
.d
s
= (A
p
.f
p
+ A
s
.f
s
)d



d =
s s p p
s s s p p p
f A f A
d f A d f A
. .
. . . .
+
+

Podemos também calcular o momento resistente de cálculo em função de
d
p
e d
s
, temos:
M
Rd
= (A
p
.f
p
.d
p
+ A
s
.f
s
.d
s
).(1 - 0,6
)
p
ω


8.2.2 - Seções Ι
OU
T


Na determinação do momento resistente de cálculo para seções Ι

ou T
devemos considerar dois casos:
- a linha neutra passa pela mesa;
- a linha neutra não passa pela mesa
8.2.2.1 - Caso em que a linha neutra passa pela mesa
Para a determinação do momento resistente de cálculo, nos caso em que
a linha neutra se encontra na mesa da seção transversal do elemento estrutural,
adotamos um procedimento idêntico ao da seção retangular visto no item anterior
(a seção em Ι ou T, para a região de compressão, funciona como seção
retangular), com largura igual a b
f
, ver a Figura 11.
39
39

Figura 11
8.2.2.2 - Caso em que a linha neutra não passa pela mesa


Nos casos em que a linha neutra não passa pela mesa, ou seja, encontra-
se localizada na nervura das seções em Ι ou T, a determinação do momento
resistente de cálculo pode ser feita através da forma empírica apresentada a
seguir, ver a Figura 12.
40
40
Figura 12
Inicialmente devemos verificar se a linha neutra passa pela mesa ou pela
nervura da seção transversal.
Para que a linha neutra passe pela mesa devemos ter:
h
f
≥ 1,4.d.
p
ω

Com:

c
p
p p
f
f
. ρ ω ·

Sendo:

d b
A
p
p
.
· ρ
41
41
Se tivermos: h
f
< 1,4.d.
p
ω
, significa que linha neutra passa pela nervura,
logo, o dimensionamento da seção transversal será feito como seção em Ι ou T.
Neste caso o momento resistente de cálculo pode ser determinado pela fórmula:
M
Rd
=
[ ]
]
]
]

− − +
]
]
]
]

,
`

.
| −
− + −
2
) (
.
6 , 0 1 . ) (
f
f f c
c
p pf p
s s p pf p
h
d h b b f
f
f
d b
A A
d f A f A A
ω
ω

Sendo:
A
pf
=
( )
p
c
f
f
f
h b b
ω


O valor limite do momento resistente de cálculo é dado pela fórmula
seguinte:
M
Rd,lim

,
`

.
|
− − + ·
2
) .( . . . 28 , 0
2
f
f c w c
h
d h b b f d b f
ω

Devemos ter: M
Rd
≤ M
lim , Rd
Para que seja verificada a segurança no estado limite último também
devemos ter:
M
d
≤ M
Rd

9.0 - DETALHAMENTO DOS CABOS DE PROTENSÃO
Os cabos de protensão devem ser colocados nos elementos estruturais
de forma que as suas distribuições longitudinais e transversais atendam ao
disposto no item 18.6 da NBR 6118/03 e permitam condições para a realização de
uma boa concretagem.
No dimensionamento de elementos estruturais de concreto protendido,
os esforços nas armaduras ativas podem ser considerados concentrados no
centro de gravidade correspondente, desde que seja atendido o disposto no item
42
42
17.2.4.1 da NBR 6118/03: a distância do centro de gravidade ao ponto da seção
de armadura mais afastada da linha neutra , medida normalmente a esta, deve
ser menor que 10% de h.
9.1 - Arranjo longitudinal dos cabos de protensão
9.1.1 - Traçado
O traçado da armadura ativa (cabo de protensão) pode ser feito de modo
que atenda aos diagramas de esforços solicitantes, aos critérios construtivos e
econômicos. Assim sendo, a armadura de protensão pode ser retilínea, curvilínea,
poligonal ou de traçado misto, ou seja, deve-se adotar o traçado que melhor se
adapte ao caso em estudo.
9.1.2 - Curvatura das armaduras de protensão
As curvaturas das armaduras de protensão devem atender aos valores
mínimos dos raios de curvatura fixados no item 18.6.1.2 da NBR 6118/03, que
prescreve: o estabelecimento dos raios mínimos de curvatura pode ser realizado
experimentalmente, desde que decorrente de investigação adequadamente
realizada e documentada, dispensa-se justificativa do raio de curvatura adotado
quando forem atendidos os seguintes limites:
raio de curvatura ≥ 4 m - para fios;
raio de curvatura ≥ 8 m - para barras;
raio de curvatura ≥ 12 m - para cordoalhas.
9.1.3 - Curvaturas nas proximidades das ancoragens
Nas regiões próximas das ancoragens, os raios mínimos de curvatura do
item anterior podem ser reduzidos, desde que devidamente comprovado por
43
43
ensaios conclusivos, e que sejam garantidas nessas regiões a resistência do
concreto em relação ao fendilhamento e a manutenção da posição do cabo.
9.1.3 - Extremidades retas dos cabos de protensão
As extremidades dos cabos de protensão devem ser em segmentos retos
que permitam o alinhamento de seus eixos com os eixos dos respectivos
dispositivos de ancoragem. Estas extremidades devem ter prolongamentos que
se estendam além das ancoragens ativas, com comprimentos adequados à
fixação dos macacos.
9.1.4 - Emendas das armaduras de protensão
Segundo o item 18.6.1.7 da NBR 6118/03, as barras das armaduras de
protensão podem ser emendadas, desde que as emendas sejam apenas por
rosca e luva. São permitidas também emendas individuais de fios, cordoalhas e
cabos, através de dispositivos especiais de eficiência consagrada pelo uso ou
devidamente comprovada por ensaios conclusivos. Os tipos e as posições das
emendas das armaduras de protensão devem estar perfeitamente caracterizados
no projeto estrutural.
9.2 - Arranjo transversal dos cabos de protensão
9.2.1 - Agrupamentos de cabos na pós-tração
Em elementos estruturais de concreto protendido com armaduras ativas
pós-tracionadas, estas armaduras devem estar suficientemente afastadas entre
si, de modo a ficar garantido o seu perfeito envolvimento pelo concreto.
Os cabos alojados em bainhas podem ser constituídos de grupos de dois,
três e quatro cabos nos trechos retos, desde que não ocorram disposições em
linha com mais de dois cabos adjacentes. Nos trechos curvos os cabos podem
ser dispostos apenas em pares, cujas curvaturas estejam em planos paralelos, de
modo a não existir pressão transversal entre eles.
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Os afastamentos na direção horizontal visam permitir a livre passagem do
concreto e, quando for empregado vibrador de agulha, permitir a sua introdução e
operação. Na Figura 13, obtida da Tabela 18.1 da NBR 6118/03, estão indicados
os valores mínimos dos espaçamentos dos cabos isolados e dos grupos de cabos
(feixes), no caso de pós-tração.

Figura 13 - Espaçamentos mínimos - Caso de pós-tração
9.2.2 - Agrupamentos de cabos na pré-tração
Sabemos que nos elementos estruturais de concreto protendido com
armaduras pré-tracionadas não empregamos bainhas, os cabos constituídos de
fios ou cordoalhas estão em contato direto com o concreto.
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Neste caso os espaçamentos mínimos entre os fios (ou grupos de fios) e
as cordoalhas (ou grupos de cordoalhas) estão indicados na Figura 14, obtida da
Tabela 18.2 da NBR 6118/03.
Figura 14 - Espaçamentos mínimos - Caso de pré-tração
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