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Microbiologia Clínica Veterinária VET 3225 ÁREA DE BACTERIOLOGIA 2011-2 UFRGS Microbiologia Clínica Veterinária VET 3225 ÁREA

DE BACTERIOLOGIA 2011-2 UFRGS Gênero Leptospira spp Prof. Marcos Gomes HISTÓRICO Em 1881, em Praga, o Dr. Weiss descreveu uma doença denominada "icterus catarrhalis" que no futuro seria a doença de Weil. Adolf Weil, em 1882 (1886), fez a primeira descrição de uma doença observada em duas ocasiões, envolvendo 4 pacientes, em 1870. Os sinais clínicos eram semelhantes e particulares nestes quatro pacientes. A doença era caracterizada pela icterícia severa, febre e hemorragia com envolvimento renal. Há relatos que sustenta que a leptospirose era reconhecida em 1883 como uma doença ocupacional de trabalhadores de esgotos. Globig, em 1890, descreveu a "Badeepidemie", uma doença que mostrou grande diferença quando comparada à doença de Weil. Em 1891, F. Muller descreveu a "Schlamfieberepidemie", em Schleisen, uma doença com sinais e sintomas semelhantes. Rimpau e colaboradores descreveram "Feldfieber" a qual era o nome que descrevia a leptospirose não ictérica. A leptospirose era conhecida com diferentes nomes, incluindo "Tifo bilioso” por Weil. Outros a chamavam de Doença de Weil ou icterícia infecciosa. O agente foi isolado, pela primeira vez, no Japão, em 1915, por Inada e Ito. Os japoneses isolaram leptospiras de trabalhadores em minas, denominando “Spirochaeta icterohaemorrhagiae". Em 1915, Uhlenhut e Fromme, provaram a existência do agente etiológico, inoculando sangue de soldados suspeitos de doença de Weil, em cobaias. Os animais inoculados morreram e leptospiras foram microscopicamente identificadas, sendo chamada de “Spirochaeta icterohaemorrhagiae”. Em 1917, Miyajima e colaboradores, demonstraram que ratos eram possíveis carreadores de leptospiras, mostrando que 40% deles eram portadores renais.

TAXONOMIA O gênero Leptospira é um dos gêneros da família Leptospiraceae da ordem Spirochaetales. A comparação das seqüências de ARN ribossomais confirmaram os resultados dos estudos fenotípicos que o gênero Leptospira, constitui um grupo distinto

dentro da ordem Spirochaetales. O gênero Leptospira, antes de outubro de 1987, possuía três espécies: a) Leptospira interrogans incluía as cepas patogênicas para os animais e o homem; b) Leptospira biflexa era agrupadas por cepas não patogênicas isoladas da água, da lama e, às vezes, do animal e do homem. c) Leptospira parva incluía espécies não patogênicas isoladas da água, de uma amostra de albumina bovina e do útero de uma porca. Além dos critérios de patogenicidade, as espécies do gênero Leptospira foram organizadas por algumas características fenotípicas: 1- Leptospira interrogans possuem formas esféricas quando as células são colocadas por 2 horas em uma solução de NaCl (1 M) a 20-30°C; não crescem a 13°C e não crescem na presença de 8-azaguanina (225 mg / mL). 2- Leptospira biflexa não possuem formas esféricas quando as células são colocadas por 2 horas em uma solução de NaCl (1 M) a 20-30 ° C, cultivadas a 13 ° C na presença de azaguanina. 3- Leptospira parva são cultivadas a 13°C, mas não na presença de 8 azaguanina. Tanto a Leptospira interrogans e Leptospira biflexa foram, de fato, definidas taxonomicamente, tendo como base algumas características especiais. A Leptospira parva possui traços fenotípicos específicos e estudos de hibridação ADN-ADN confirmaram a validade desta taxonomia. Em 11 de julho de 2005, esta espécie foi reclassificada em um novo gênero (Turneriella) com o nome de Turneriella parva. Em outubro de 1987, os estudos de hibridação ADN-ADN modificaram de maneira radical a taxonomia das Leptospira, mostraram a existência de pelo menos, 5 novas espécies genéticas dentro da espécie L. interrogans e de pelo menos 2 (genomoespécies) novas espécies genéticas na espécie L. biflexa. Esta classificação genômica é apoiada pelas características fenotípicas (pequeno número e difícil de identificar), de modo que Yasuda e colaboradores propôs 7 novas espécies: L. borgpetersenii, L. inadai, L. meyeri, L. noguchii, L. santarosai, L. weilii e L. wolbachii. Em 1992, Ramadass et al. descreveram a espécie L. kirschneri. Em 1998, Pérolat et al. propuseram a espécie L. fainei. Em 1999, Brenner et al. validaram a nomenclatura de L. alexanderi. Em 2006, Levett et al. descreveram a L. broomii. Em 2008, Slack et al. validaram a classificação da L. wolffii. Em janeiro de 2009, Matthias et al validaram a L. licerasiae. Em abril de 2009, Slack et al. validaram a classificação da L. kmetyi. Atualmente (2011), na List of Prokaryotic names with Standing in Nomenclature do pesquisador JP Euzeby há citação de 17 espécies e nenhuma subespécie no gênero

Leptospira spp. Dentre essas 16 espécies, há, pelo menos, 4 genomoespécies ainda não foram nominadas, conforme o site www.bacterio.cict.fr/l/leptospira.html. Grupo 1-São 12 espécies: Leptospira borgpetersenii, Leptospira broomii, Leptospira fainei, Leptospira inadai, Leptospira interrogans, Leptospira licerasiae, Leptospira noguchii, Leptospira santarosai, Leptospira weilii, Leptospira wolffii, Leptospira kirschneri, Leptospira kmetyi que possuem sorovares patogênicos Grupo 2-Leptospira meyeri possui sorovares saprófitas e sorovares patogênicos. Grupo 3-Leptospira alexanderi possui sorovares saprófitas e outros desconhecidos. Grupo 4 -Leptospira biflexa e Leptospira wolbachii contem cepas saprófitas. CLASSIFICAÇÃO O gênero pertence à Ordem: Spirochaetales – com os seguintes 14 gêneros: Borrelia, Brachyspira, Brevinema, Clevelandina, Cristispira, Diplocalyx, Hollandina, Leptonema, Leptospira, Pillotina, Serpulina, Spirochaeta, Treponema e Turneriella. O gênero Leptospira pertence à família Leptospiraceae, distribuídas em 3 diferentes gêneros: Leptospira, Leptonema e Turneriella. Espiroquetas pertencem à ordem Spirochaetales cujos principais gêneros estão distribuídos em importantes gêneros, conforme o Quadro 1. Quadro1. Características entre os gêneros Leptospira, Serpulina, Treponema e Borrelia.

8-Leptospira kirschneri (Ramadass et al. 2009). 4-Leptospira broomii (Levett et al. 1987). 11-Leptospira meyeri (Yasuda et al. 7-Leptospira interrogans (Stimson 1907) Wenyon 1926. 12-Leptospira noguchii (Yasuda et al. móveis graças a dois flagelos (um . 14-Leptospira weilii (Yasuda et al. 6-Leptospira inadai (Yasuda et al. 1999). como mais cepas são estudadas. apresentam extremidades com ganchos. forma fina e espiralada. 1-Leptospira alexanderi (Brenner et al. 1987). 2-Leptospira biflexa (Wolbach and Binger 1914) Noguchi 1918. O gênero está dividido em 16 espécies definidas e mais 4 espécies genéticas com pelo menos. 2008). Esta classificação coexiste com a antiga classificação sorológica na qual o antissoro era utilizado para estabelecer parentesco entre as amostras isoladas.2 mm de diâmetro (microscopia de campo escuro é essencial para a observação) e 6-12 mm de comprimento.1 a 0. 3-Leptospira borgpetersenii (Yasuda et al. Ambas reconhecem espécies patogênicas e saprófitas. o número de espécies tende a aumentar. 5-Leptospira fainei (Perolat et al. CARACTERÍSTICAS GERAIS As leptospiras possuem todas as características da ordem Spirochaetales e da família Leptospiraceae. 1987). 9. 15-Leptospira wolbachii (Yasuda et al. (espécie Tipo do gênero). 1987).Leptospira licerasiae (Matthias et al. São bactérias com 0.Leptospira kmetyi (Slack et al. 13-Leptospira santarosai (Yasuda et al. 16-Leptospira wolffii (Slack et al. 1998). 10. 1987). 1987). Há 2 tipos de classificação. 1992). 2006). 5% de bases não pareadas. pelo menos. 2009). 1987). 70% de parentesco (DNA) e cuja seqüência contem uma divergência de. uma genética e outra baseada nos determinantes antigênicos. Muitos sorovares estudados são representados por somente uma única cepa referência e. As amostras de leptospiras ainda são comumente referidas pelo sorovar.A classificação das espécies do gênero Leptospira está baseada no grau de parentesco do ADN.

não necessitam de aminoácidos para o crescimento. Ela é 12 vezes menos letal para camundongos quando comparado ao LPS da E. Ela é estrutural e imunologicamente semelhantes ao LPS das outras bactérias Gram negativas. quimiorganotróficas. incapazes de metabolizar os açúcares. catalase positivas. aeróbicas estritas. na maioria dos testes da atividade endotóxica. mas é muito menos tóxica. oxidases negativas. o LPS. As leptospiras possuem a mesma estrutura de parede celular das bactérias Gram negativas típicas. Quadro 1 Características diferenciais entre as espécies do gênero Leptospira . Dentro da membrana externa.em cada pólo da célula). que não se sobrepõem no centro da célula. constitui o principal antígeno e o principal componente de superfície. mas com a camada de peptidioglicano aderido a membrana citoplasmática interna e sobreposto pela membrana externa. Esta propriedade tem facilitado a purificação da membrana externa pela extração com detergente comum. coli. capazes de utilizar os ácidos graxos de cadeia longa como a única fonte de carbono e energia. As leptospiras não incorporam bases de pirimidina e a adição de 5-fluorouracila (100 mg / mL) foi utilizado como meio de cultivo parcialmente seletivo.

tanto por seu número e organização em comparação à outras bactérias como a E. coli. um de 3. Na verdade.Os genes codificantes para o rRNA são originais. eles são poucos (2 cópias do gene rrs (codifica para rRNA 16S).850 a 5.O genoma é composto de 2 cromossomos circulares. Este último contém um gene asd que codifica a enzima aspartato-betasemi aldeído-desidrogenase. essencial na biosíntese de aminoácidos e parede celular. 2. sendo qualificado como pequeno cromossomo.450 kb e outro de 350 kb.Estudos genéticos de algumas cepas revelaram as seguintes características: 1. A composição antigênica das cepas de leptospiras usadas como propósitos taxonômicos abaixo da espécie é o sorovar. 2 cópias do gene rrl (codifica para rRNA 23S) e uma cópia do gene rrf (codifica rRNA 5S) e distribuídos separadamente no cromossomo. O método padrão para determinação do sorovar é a .

O lipídio celular não contém glicolipídios. A conformação helicoidal é para o lado direito (molas de relógio). No meio mais viscoso são observados movimentos de serpenteio e rolamento sinuosos. bioquimicamente inativas. os sorovares relacionados antigenicamente foram organizados em sorogrupos. No meio líquido. mas diferem quanto ao aspecto sorológico e epidemiológico. As leptospiras patogênicas estão distribuídas em 23 sorogrupos e aproximadamente 260 sorovares ou sorotipos. As leptospiras são espiroquetas uniformes quanto ao aspecto morfológico e fisiológico.4. CARACTERÍSTICAS MORFOTINTORIAIS São fracamente coradas pelos corantes anilínicos. principalmente em laboratórios especializados ou de referência. Por conveniência. O tempo de geração é de 4 a 5 horas para os sorovares saprófitas e de 8 a 12 horas para os sorovares patogênicos. As células não coradas são visíveis pela microscopia de contraste ou pela microscopia de campo escuro. A determinação do sorogrupo e/ou sorovar de uma amostra isolada requer muita experiência. Colônias difusas são formadas abaixo da superfície do meio com 1% de ágar e colônias turvas em meio com agar a 2%. havendo.45 m de diâmetro. infecções latentes sem evidência clínicas de sua presença. em torno de 26-30ºC e pH 7. O ácido diaminopimélico presente no peptidoglicano é alfa. Existe 2 flagelos periplasmáticos (fibrila axial e endoflagelo) que ocorre em cada extremidade. As doenças resultantes de infecções por leptospiras variam entre formas fulminantes que resultam em morte e a forma passiva sem sinais clínicos visíveis. Temperatura ótima é de 28-30ºC. Possuem em uma ou nas duas extremidades ganchos típicos. utilizando ácidos graxos ou alcoóis graxos. algumas vezes. São resistentes à ação inibitória do 5-fluorouracila. sendo realizado. possui movimentos característicos com rotação alternada ao longo do eixo e translação em direção à extremidade sem gancho.2 e 7. O gênero é quimiorganotrófico. possuindo 15 ou mais átomos de carbono como fonte de energia. Podem atravessar membranas filtrantes de 0. . São oxidase e catalase positivas. épsilon diaminopimélico. multiplicam-se melhor a temperatura. As leptospiras desenvolveram uma relação eficiente com o hospedeiro. O cultivo de leptospiras é longo e difícil.aglutinação microscópica com absorção de aglutininas cruzadas. Soro ou albumina sérica é necessário para o crescimento. O gênero não cresce em TSB sem adição de soro ou albumina. As leptospiras são aeróbias. mas raramente se sobrepõe na região central. Não utiliza carboidratos ou aminoácidos como fonte de energia.

Na2HPO4) e Fletcher (Peptona. contendo soro incluem: o meio de Korthof (Peptona. embora polimixina B. Algumas cepas são muito lentas e podem exigir ainda mais tempo de incubação. pelo menos. Esta sobrevivência pode chegar a até seis meses. uma salinidade baixa e na ausência de radiação ultravioleta (sorotipos são patogênicos 3-5 vezes mais sensível à radiação UV do que sorovares saprófitas). O crescimento no cultivo semi-sólido atinge uma concentração numa zona abaixo da superfície do meio. KCl. são muito sensíveis ao pH ácido. Os cultivos geralmente podem ser mantidos por repetidos subcultivos ou estocagem em meio semisólido. Os meios podem tornar-se seletivos pela adição de vários antimicrobianos. formulações comerciais estão disponíveis no comércio. NaCl. Agar deve/pode ser adicionado. sendo o mais comum: a 5-fluoruracila e sulfado de neomicina. As leptospiras são pouco resistentes. e agar).1-0. KH2PO4. mas eles sobrevivem na água ou no solo lamacento para pH levemente alcalino. por anos. em baixas concentrações (0. é aconselhada a manutenção das linhagens em nitrogênio liquido. embora elas possam sobreviver em cultivo líquido (deixado parado) por meses e. Os cultivos devem ser checados para a presença de contaminantes. NaHCO3. Meios líquidos e semi-sólidos. As leptospiras são cultivadas em meios artificiais. em pouco tempo. geralmente obtidos dos Tweens.4. extrato de carne. Temperaturas entre 50 a 60ºC as destroem. CaCl2. O EMJH adiciona 1% de albumina sérica bovina e Tween 80 (fonte de ácidos graxos de cadeia longa).Utilizam ácidos graxos de cadeia longa. algumas vezes. 13 semanas antes de serem descartados. RESISTÊNCIA No ambiente externo. NaCl. vitaminas B1 e B12. Este crescimento está relacionado com a tensão de oxigênio ideal que é conhecido como um anel de Dinger ou disco. são rapidamente destruídas pela desidratação. ferro ferroso e íons de amônio como fonte de nitrogênio. Entretanto. O meio utilizado é o Tween-albumina ou meio EMJH (Ellinghausen-McCullough modificado por Johnson e Harris) que é comercializado. que se torna cada vez mais turva com a incubação. contendo 10% de soro de coelho ou 1% de albumina sérica bovina com adição de ácidos graxos de cadeia longa e pH 6. são destruídas .8– 7. O crescimento das leptospiras é lento no isolamento primário e esses cultivos devem ser mantidos durante. são catalase e oxidase positiva. contendo hemoglobina. rifampicina e vancomicina possam ser utilizados.2%). O crescimento é avaliado pela observação dos cultivos ao microscópio de campo escuro. A temperatura ótima para seu crescimento está entre 28°-30°C. após 3–4 dias e subcultivadas após 7–21 dias. tanto pela produção de vacinas ou em estudos experimentais que requerem a manutenção da virulência. A resistência aos desinfetantes químicos não é grande. as leptospiras patógenos não se multiplicam.

L. quase não são documentados. plantas. aleitamento materno). Bratislava para eqüinos e suínos. doentes ou não. javalis. HABITAT Os sorovares patogênicos alojam-se nos animais hospedeiros. via transplacentária. especialmente nos túbulos renais e no trato genital. principalmente contaminado pela urina de animais infectados). As leptospiras e leptospirose ocorrem em todo o mundo. entretanto alguns sorovares como Pingchang. Esta especificidade do hospedeiro não é sorovar exclusiva e muitos animais podem ser hospedeiros de vários sorovares. são inibidas em pH abaixo de 6. A infecção de peixes. EPIZOOTIOLOGIA Os mecanismos pelos quais as leptospiras danificam o tecido do hospedeiro não estão bem definidos. bem como bovinos (América do Norte). Sichuan e Ranarum foram isoladas de rãs saudáveis. O habitat das leptospiras inclui: água estagnada. A base molecular da virulência ainda é pouco compreendida. segundo os sorovares: L. répteis e invertebrados aquáticos. Hardjo para bovinos e ovinos.0 e temperatura abaixo de 10ºC ou acima de 36ºC. Os animais portadores perpetuam a infecção aos seus descendentes pela transmissão direta (via genital. por via indireta (contato com o ambiente externo. L. o componente específico responsável pela atividade investigada não foi identificada. No entanto. L. As leptospiras são inativas bioquimicamente. Grippotyphosa para ratazanas. mesmo experimentalmente. Pomona para porcos. O homem pode contrair leptospirose como hospedeiro acidental. foi impossível infectar aves adultas. A Leptospirose foi evidenciada em muitas espécies de mamíferos. incluindo o homem. O hospedeiro do agente é variável. anfíbios. ela não parece existir nas aves e. L. matéria orgânica em decomposição. Animais de vida livre no solo. Canicola para os caninos. primariamente infectando animais domésticos e silvestres os quais atuam como reservatórios. água doce ou do mar. solo úmido.0 ou acima de 8. principalmente devido à ausência de ferramentas genéticas para a manipulação de leptospiras. Icterohaemorrhagiae para os ratos (Rattus norvegicus).pelo suco gástrico em 30 minutos. L. . Há relatos. As amostras não saprófitas causam leptospirose. vivendo em associação com hospedeiros. podem infectar o homem pelo contato direto e contaminam outras espécies animais e o homem. animais e o homem. mas em quase todos os casos.

As leptospiras patogênicas interagem com muitos componentes da matriz extracelular do hospedeiro e algumas adesinas que facilitam a invasão e colonização. lesão hepato-pulmonar. particularmente dos pequenos vasos sanguíneos. assim como hemorragias e icterícia são comuns nos casos graves. . ela pode cicatrizar. A infecção inicial é seguida pela bacteremia que persiste por um período de incubação de 1 a 2 semanas. A ativação do processo de coagulação em cascata é um achado freqüentes na leptospirose humana. A lesão primária é devido ao dano ao endotélio vascular. mas a adesina não foi identificada. mas ausente na variante avirulenta isogênica e de outra cepa saprófita. através da pele ou mucosas. interrogans. As leptospiras. fígado). com o tempo de geração entre 8 a 16 horas e menor nas cepas virulentas que causam doença aguda fulminante. mesmo que o dano tenha longa duração. Uma proteína ligante à fibronectina de 36 kDa foi identificada na L. embora o mecanismo exato subjacente a essa resistência não tenha sido definida. resultando em coagulação intravascular disseminada. Ela ocorre na infecção aguda de animais suscetíveis. especialmente nos rins de suínos e caninos. A lesão tecidual pode tornar-se reversível e ser seguida pela reparação (rim. é exposta ao sistema inato de defesa celular e humoral que geralmente desarmam e removem as cepas invasoras menos virulentas. miosite e placentite. Qualquer órgão pode ser atingido na leptospirose aguda. durante a fase de leptospiremia tentam evitar a destruição mediada pelo complemento A capacidade das leptospiras patogênicas em resistir à via alternativa do complemento foi considerada como um fator de virulência. A L. interrogans é bastante resistente a ativação da via alternativa do complemento que está associado à ligação do fator H à membrana externa bacteriana. a degradação da convertase C3 e C3b e inibição à formação do complexo de ataque de membranas. A L. interrogans sorovar Icterohaemorrhagiae. após a entrada no hospedeiro. sugerindo o envolvimento direto de componentes celulares e/ou toxinas ligadas às leptospiras. onde são conhecidas como “manchas brancas” Não há evidências para a secreção de exotoxinas nas leptospiras. após o aparecimento de anticorpos circulantes. As leptospiras são removidas da circulação e dos tecidos por opsonofagocitose. A multiplicação nos hospedeiros suscetíveis é rápida. A lesão endotelial no rim de cobaias experimentalmente infectadas foi associada à presença de leptospiras intactas ou seus componentes. Capacidade de invasão das linhagens Vero e J774A. Essas duas propriedades são perdidas rapidamente quando subcultivadas “in vitro”.Leptospiras patogênicas e não patogenicas se aderem às células epiteliais tubulares renais cultivadas.1) foram associadas à virulência. levando à isquemia localizada e resultando em necrose tubular renal. após o início da doença aguda. meningite.1 e indução de apoptose em macrófagos (Linhagem J774A. Estas lesões podem ser visualizadas macroscopicamente.

incluindo a hemolisina SphH formadora de poros. As leptospiras patogênicas possuem LPS. mas não o TLR4. A atividade hemolítica tem sido relatada em vários sorovares. interrogans ativa macrófagos. As bacterinas comerciais não impedem a patologia dos imunizados ou impedem a colonização do rim e eliminação pela urina. Em hamsters imunizados com bacterina contra L. sugerindo que o α. tais como IL-4 e IL-10 em resposta à infecção pela L. interrogans 1 a 4 dias pós-infecção. o fato que camundongos e ratos sobrevivam a infecção aguda e tornem-se portadores renais por toda a vida. mortalidade em camundongos. Se essa atividade reduzida é devido a algumas das propriedades do lipídio A. mas a recente disponibilidade de seqüências genômicas de leptospira patogênicas e saprófitas juntamente com o desenvolvimento de sistemas de . glicolipídios e lipoproteínas. Seria o LPS e não a lipoproteína o componente predominante na sinalização de macrófagos pela via TLR2. O LPS é muito menos ativo nos testes padrão para a atividade da endotoxina. A importância de outras esfingomielinases Sph na patogênese não foi determinada experimentalmente. em parte. É possível que essa diferença possa explicar. Não houve diferença observada em camundongos com deficiência para IL-4. Constituintes da membrana externa da L.O LPS do gênero Leptospira assemelha-se tanto quimicamente quanto imunologicamente ao LPS das outras bactérias Gram negativas. incluindo pelo menos 7 genes “sphA–like” dentre as leptospiras patogênicas. Entretanto não há informações sobre os receptores TLR em outras espécies animais. tais como o teste da pirogenicidade em coelhos. os níveis de γ-IFN e α-TNF estão correlacionados com a gravidade da infecção e da patologia pulmonar. através do CD14 e “Toll-like receptor 2” (TLR2). mas possui algumas características incomuns. como em todas as infecções tem um papel no resultado da infecção. A resposta do hospedeiro na leptospirose. É difícil acessar a atividade pro-inflamatória frente às proteínas da membrana das leptospiras por causa do efeito de pequenas quantidades de LPS em preparações com Triton X-114 que podem não ser completamente excluídas. Hamsters infectados experimentalmente expressam citocinas antiinflamatórias. O receptor TLR2 é predominante nas células humanas enquanto que tanto o TLR2 e TLR4 são os receptores nas células de camundongo. O agente pode persistir e causar re-infecção de tempos em tempos mesmo em rebanhos imunizados. estruturas que determinam a virulência e o alvo principal da imunidade. A endotoxina derivada da membrana externa de leptospiras patogenicas pode ser o possível mecanismo para a patogenia da leptospirose e foco da pesquisa no assunto. ela ainda permanece desconhecida.TNF é importante no controle da infecção precoce. Muitas espécies de Leptospira contem uma série de genes que codificam a produção de esfingomielinases celulares ou extracelulares. A infecção de camundongos com receptores deficientes para α-TNF resultou em grave inflamação renal. um componente para o reconhecimento do LPS de bactérias Gram negativas na resposta celular. reação de Schwartzman (Reações tóxicas às endotoxinas bacterianas em que ocorre coagulação intravascular local ou sistêmica) e mitogenicidade de células B. interrogans sorovar Autumnalis.

A importância e papel dessas proteínas de superfície na patogenia ainda permanecem indefinidos. biflexa contribui para o papel na patogenia dessas enzimas assim como na obtenção de nutrientes no ambiente. A principal proteína de superfície é a LipL32 que liga-se tanto à laminina. A ausência de genes para esfingomielinase na L. mas identificaram vários genes que codificam proteínas similares aos receptores TonB dependentes. É surpreendente que a inativação. a sua presença é alegada na L. biflexa. que possui semelhança estrutural e funcional para endostatina dos mamíferos e que se ligam tanto ao fator H regulador do Complemento quanto à laminina do hospedeiro. corroborando com os dados experimentais que demonstraram . A estrutura cristalizada da LipL32 foi recentemente obtida. incluindo sais de ferro ferroso e de sais férrico. A importância de heme como ferro “in vivo” não surpreende já que o gene hemO possui um papel na virulência embora não seja essencial. Um mutante dessa lipoproteína (loa22) foi atenuado em cobaias e hamsters. biflexa (baseada na produção de anticorpos). Há um conjunto de 6 proteínas de superfície. utilizados como modelos de leptospirose aguda. O seu papel na virulência pode ser indireto ou talvez ajudando a estabilizar a membrana externa das leptospiras.mutagênese permitiram uma investigação dos mecanismos genéticos (celular e molecular) na patogênese da leptospirose. O gene hemO que codifica a enzima hemeoxigenase foi mostrada ser essencial para o gênero Leptospira obtenha ferro da hemoglobina. mas uma homóloga da Loa22 foi encontrada na L. A fonte mais abundante de ferro é o grupo heme ou proteínas contendo o grupo heme. Duas proteínas ligadas a hemina foram descritas em leptospiras patogênicas. as quais são capazes de utilizar várias fontes de ferro. denominadas Len-ABCDEF. mas não lactoferrinas. mas leptospiras foram isoladas da urina corroborando com a noção de que enquanto o grupo heme é a maior fonte de ferro “in vivo”. mas não é alegada pela seqüência genômica. uma via comum para aquisição e transporte de ferro em bactérias Gram negativas. O primeiro fator de virulência genético reconhecido no gênero Leptospira foi a lipoproteína de superfície Loa22. tanto a LenB ou LenE não tenha efeito sobre a virulência para hamsters. exceto LenA ligam-se à fibronectina. Hamsters quando infectados com o gene mutante hemO mostraram um aumento da sobrevivência com redução ou eliminação de alterações patológicas. Entretanto. algum crescimento no tecido do hospedeiro pode ser mediado por outras fontes menos abundantes. A LipL32 mostrou homologia estrutural às adesinas que ligam-se à componentes da matriz extracelular. Ferro é essencial para o crescimento leptospiras saprófitas e patogênicas. A análise genômica não mostrou evidências de síntese ou secreção de siderófilos. incluindo uma proteína com 44 kDa identificada como LipL41. A função do Loa22 permanece desconhecida. ao colágeno e à fibronectina do hospedeiro. Todas as proteínas de superfície.

Menos freqüentes em eqüinos. O agente pode ser isolado do sangue. As infecções crônicas nos animais. o quadro clínico é dominado por abortos. apresentando sinais clínicos com menor freqüência. geralmente são mais comuns do que aguda ou subaguda e a maioria das infecções é assintomática. tanto na leptospirose aguda do hamster quanto na colonização do rim em ratos. As infecções clínicas estão presentes em caninos. Elas estão presentes somente em espécies patogênicas e essa expressão é perdida pelo subcultivos sucessivos com perda de virulência. entretanto a forma septicêmica está mais restrita aos animais jovens e o aborto está mais relacionado com a leptospirose nos animais adultos. Nos cães. e do rim e urina (leptospirúria). assim como crescimento normal “in vitro” e sobrevivência na água. durante a segunda fase. b) a forma hepática c) a forma renal Estas formas podem ocorrer nos bovinos e suínos. Tanto LigA quanto a LigB ligam-se à fibronectina e sua expressão é regulada pela osmolaridade fisiológica. Ratos e animais silvestres são portadores de Leptospira spp.função semelhantes da LipL32. Os resultados dos estudos indicaram um alto grau de redundância com as proteínas envolvidas na adesão. sobrevivência “in vivo” e colonização renal. Resultado semelhante foi relatado para as proteínas Lig expostas na superfície. nefrite e hemoglobinúria. Outras espécies de hospedeiros são sensíveis à infecção. nefrite intersticial e em algumas espécies de infertilidade e uveíte. A maioria das infecções possui curso assintomático. Entretanto. hepatite. caprinos e raramente nos gatos. o quadro de leptospirose possui três formas clínicas. O papel dessa proteína enigmática na patogenia permanece desconhecido. Nas formas subagudas. Nas formas crônicas. os sinais clínicos são menos intensos e os abortos são freqüentes. bovinos e em suínos. a inativação da LigB não afetou a virulência para hamsters nem na colonização renal de ratos. . A LipL32 é exclusiva e altamente conservada entre as leptospiras patogênicas. A forma aguda é caracterizada por septicemia. na primeira fase (leptospiremia). Uma mutante da LipL32 mostrou um fenótipo normal de virulência na leptospirose aguda ou crônica. II) Leptospirúria que pode persistir por 2 a 3 meses. Entretanto ela não é necessária. A leptospirose pode ser transmitida de animal para animal e para o homem. sugerindo que pode ser difícil identificar e definir os fatores de virulência com a estratégia de inativação de um único gene. incluindo: a) a forma septicêmica. A leptospirose é caracterizada clinicamente em 2 fases distintas: I) Leptospiremia e febre por aproximadamente 7 dias.

através da urina.Nos roedores e marsupiais. podendo ser eliminadas vivas. podem infectar outros animais domésticos ou o homem. as leptospiras localizam-se nos túbulos renais. A doença possui um componente econômico importante por prejuízos diretos e indiretos sobre a produção animal. água e concentrado. c) subaguda ou urêmica d) a forma inaparente . O homem pode se infectar pelo contato direto (animais de estimação. b) ictérica. Nos caninos. Quadro 2. através da urina por várias semanas. há quatro síndromes reconhecidas que incluindo: a) hemorrágica aguda. através do ambiente (água. Principais espécies e seus sorovares nas leptospiroses animais. secreções uterinas e fetos abortados. solo). trabalhos em granjas ou matadouros) ou indiretamente. A fonte de infecção é o animal infectado que contamina o pasto. exposição direta aos fluidos e secreções animais.

a espécie de L. Canicola. especialmente os trabalhadores do departamento de limpeza pública. Oftalmia periódica ou abortos podem ocorrer após o pique febril. PEQUENOS RUMINANTES Nos ovinos. Icterohaemorrhagiae e Tarassovi. icterícia. principalmente pela água contaminada. vômitos e diarréia ou constipação. contagem celular alta. infertilidade. Os sorovares mais freqüentes são: Grippotyphosa. Os estágios iniciais da doença nestas formas são clinicamente indistinguíveis. incluindo mortalidade e. urina ou conteúdo uterino. Nos casos agudos. Nos suínos. mas os sinais clínicos são alterações reprodutivas. Veterinários . Nos Bovinos. a infecção é subclínica ou assintomática. hemoglobinúria. sobretudo abortamentos. Pomona. HOMEM Um dos achados importantes na leptospirose é sua transmissibilidade ao homem. A incidência de reagentes à prova de aglutinação de pessoas com grande contato com animais infectados é surpreendentemente baixa e casos clínicos nos homens incomuns. abatimento. icterícia. febre e anorexia. Icterohaemorrhagiae e Canicola. O homem pode ser infectado. Na forma crônica. anorexia. a infecção conduz a icterícia. Abortamento tardio e. os animais apresentam anorexia. a doença é caracterizada por febre. Os sinais clínicos específicos de cada síndrome aparecem pouco depois. interrogans sorotipo Hardjoprajitno estão adaptados aos bovinos e associados à duas condições respectivamente 1) Síndrome reprodutiva: caracterizada por abortos. anemia e meningencefalites. hemoglobinúria. elas são caracterizadas por: depressão. durante as enchentes. borgpetersenii o sorotipo Hardjobovis e a L. Nas cabras. depressão. anemia e mortalidade alta (cordeiros). 2) Síndrome da queda brusca na produção leiteira: caracterizada pela flacidez de úbere com queda súbita da produção leiteira e com leite de coloração semelhante ao colostro. terneiros fracos e infertilidade da vaca por mortalidade embrionária.As primeiras duas formas são causadas primariamente. A leptospirose é uma doença ocupacional acometendo magarefes. muitas vezes. Ocasionalmente. Sejroe. anorexia e icterícia. o quadro de nefrite é observado. A infecção humana ocorre. a infecção assintomática é mais freqüente. fazendeiros ou veterinários. Nos eqüinos. Os principais sorovares associados com a infecção / doença são: Grippotyphosa. são observados sinais de metrites. natimortos. o único sinal clínico da doença. pela Leptospira Icterohaemorrhagiae enquanto que as duas últimas são causadas pela L. geralmente raros. abortamentos e a uma taxa de mortalidade alta nos animais jovens.

. mas à época confundidos com parvovirose. Eles foram causados por leptospiras. Na década de 1980. Hardjo e Bataviae. Em um estudo sobre uma população de cães assintomáticos 6. em menor freqüência. Autumnalis. Bratislava. Ballum. Existe 4 síndromes identificados na leptospirose canina: ictérica. Os cães representam uma fonte comum de infecção para o homem. oligúria e halitose devido à presença de úlceras na boca. icterícia. icterícia. icterícia (notadamente com o sorovar Bratislava). por apresentar hepatite severa e por uma síndrome urêmica. Os problemas respiratórios estão associados à hemorragia pulmonar observados na necropsia. durante sua primeira semana. geralmente fatal em filhotes de 3 a 6 meses.9% das amostras cultivadas de urina foi positiva e todos os isolados foram geneticamente caracterizados como sorovar Canicola pelo teste de seqüenciamento de multilocus (MLST). A infecção pelo sorovar Icterohaemorrhagiae se caracteriza por uma síndrome hemorrágica aguda ou subaguda. não resistindo à pasteurização. Australis. As infecções devido a outros sorovares conduzem a apresentação renal (lesão dos túbulos renais com glicosúria) e. uremia causada por insuficiência renal. incluindo vômito. Pomona. foram registrados casos de gastrenterite aguda. vômito. uma trombocitopenia e uma elevação nas enzimas hepáticas da bilirrubina da uréia e creatinina. A infecção do sorovar Canicola é a origem da nefrite intersticial crônica e aproximadamente 15% dos casos apresentam hepatite.podem ser infectados pelo manuseio de vísceras ou urina de porcas que abortaram pela L. O exame de sangue revela uma leucocitose. urêmica (doença de Stuttgart) e reprodutiva (aborto e filhotes prematuros ou fraco). O sorovar Bratislava pode ser responsável por abortamentos e infertilidade. as formas clássicas são devido aos sorovares Canicola e Icterohaemorrhagiae. interrogans sorotipo Pomona. algumas vezes. no quadro agudo da doença. Doença de Stuttgart é a apresentação urêmica da leptospirose canina. Os animais apresentam abatimento. Apesar da presença de leptospiras no leite por poucos dias. sua permanência é curta. polidipsia. Nos caninos. hemorragias e mortes. gastrenterite hemorrágica. hemorrágica. febre e mialgias. coagulação intravascular disseminada. Abortos ou nascimento de filhotes fracos que geralmente morrem são menos comuns. A leptospirose típica em cães inclui febre. Grippotyphosa. durante o período febril. Essas formas clássicas são atualmente menos freqüentes. CARNÍVOROS Os principais sorovares associados às infecções de carnívoros são: Canicola e Icterohaemorrhagiae e. diarréia. Copenhageni. mas não raro. pois esses dois sorovares estão incluídos nas bacterinas.

possuindo peso molecular e de 52 kDa. A uveíte do cavalo independente de sua origem é um defeito inaceitável. opacidade da córnea e opacidade do cristalino). Eqüinos com ERU também aumentaram os títulos de anticorpos para Leptospira em seu humor vítreo comparados aos do soro. Quando a infecção é clinicamente expressa. A leptospirose crônica é normalmente detectada em eqüinos com uveíte recorrente. . Autumnalis. mas a patogenia dessa infecção resulta da reação imune pela presença de antígenos da Leptospira interrogans sensu lato e dos tecidos oculares (cristalino e córnea). Eqüinos naturalmente ou experimentalmente infectados com L. Muenchen. Nos cavalos acometidos de uveíte. Mecanismos imunológicos locais contribuem na patogênese da ERU. Icterohaemorrhagiae. EQUINOS A infecção nos eqüinos é geralmente assintomática e os anticorpos são freqüentemente detectados nos animais hígidos. Kennewicki (Estados Unidos). os sorovares principais incluem: Pomona. Bratislava. uma forma recorrente desta uveíte era conhecida como “fluxão periódica” dos olhos que os ingleses denominam hoje de "equine periodic ophthalmia". ela é a origem de problemas de visão e de lesões do globo ocular (atrofia da íris. Depois de 1988. as leptospiras são isoladas do humor aquoso. Grippotyphosa. lesão hepática e lesão generalizada em potros. Os principais sorovares são: Pomona. a leptospirose é menos freqüente ou não diagnosticada. O sorovar Pomona e Bratislava estão mais adaptados aos suínos. ela se traduz por abortamentos. Reações cruzadas entre antígenos da córnea. Nas leptospiras essa proteína localiza-se no interior da célula. Esta uveíte denominada de "uveíte isolada do cavalo" não apresenta características particulares. Canicola. Ballum e Canicola. Hebdomadis/Sejroe.8 % das amostras de humor vítreo com ERU foram positivas para o cultivo de Leptospira e 71% foram positivas pela PCR. Grippotyphosa. A sorologia demonstrou o papel do sorogrupo Icterohaemorrhagiae seguido do Australis. Os sinais clínicos são comparáveis aos observados nos cães. Tarassovi. a forma clínica mais importante é uma uveíte que experimentalmente aparece após 12 a 24 meses da inoculação de leptospiras. o sorovar Sejroe e Hardjo (em criações a campo) parece menos freqüentes. Icterohaemorrhagiae e. do cristalino e leptospiras foram detectadas pelo Western blot. Tarassovi. Pomona. ocorrendo ocasionalmente no homem. interrogans desenvolveram uveíte clínica ou ERU ("equine recurrent uveitis") após 1-2 anos da infecção. Sejroe e Bratislava (o cavalo seria um reservatório deste sorovar). lesão renal. mas se ela persiste ou recidiva. Um estudo revelou que aproximadamente 52. Os sorovares identificados são: Icterohaemorrhagiae.Nos gatos. sugerindo uma infecção ocular persistente com Leptospira. mas não é exclusiva desta espécie. SUÍNOS Nos suínos. Algumas vezes. em menor grau.

Icterohaemorrhagiae e Tarassovi tem sido detectados em todo o mundo. mumificação fetal e mortes. formas severas (febre. no líquido cefalorraquidiano (LCR) e nos tecidos. formas moderadas (febre. Pomona. mas os anticorpos foram demonstrados em suínos. Leptospirose provoca perdas econômicas significativas na suinocultura. mortes fetais. contaminação dos leitões por via transplacentária). logo após o nascimento. Em 1994. na Nova Caledônia e Vietnam. Este sorovar é o único representante do sorogrupo Hurstbridge e. Os animais de engorda podem apresentar fraqueza. A imunidade que se instaura depois da cura é sólida e específica para o sorotipo. Nos suínos. Anticorpos para leptospiras dos sorovares Bratislava. que são dirigidos. nos leitões recém-nascidos. principalmente IgM podem ser detectados por muito tempo (anos) após a cura. DIAGNÓSTICO a) Métodos diretos O exame direto pode demonstrar leptospiras no sangue. O sorovar Pomona está associado aos abortos. natimortos. Ballum e Grippotyphosa. as leptospiroses se expressam sobre diversas formas. hematúria. Os anticorpos protetores são do tipo IgM e IgG. Nova Caledônia e no Vietnam. icterícia. formas subclínicas (nefrite intersticial crônica que conduz a um quadro de insuficiência renal). leitões fracos. no homem foi detectado na Austrália. O portador renal pode existir. Entretanto pode ocorrer abortamento repetido em vacas com infecção para L. A doença. a leptospirose causa aborto. incluindo formas inaparentes. em 1998. foi identificado um novo sorovar. geralmente na segunda semana pós-infecção. mas também tem sido uma importante fonte de transmissão para o homem. Os sinais clínicos mais comuns são consistentes com as alterações reprodutivas (infertilidade. hardjo. Pomona. na França e Indonésia.Autumnalis. O desenvolvimento de criações a campo aumentou o número de reagentes positivos observados depois de 1994. Nos suínos. baixo desenvolvimento). na França. principalmente para os antígenos da estrutura externa. As leptospiras podem ser visualizadas por meio . anorexia. na ausência de anticorpos ou pode desaparecer antes do desaparecimento dos anticorpos. Os sorovares Bratislava e Icterohaemorrhagiae estão ligados aos natimortos. ficou demonstrado que o sorovar Hurstbridge constituía uma nova espécie a qual foi denominada de Leptospira fainei. abortamentos tardios. Este sorovar foi identificado na Austrália. letargia e icterícia. não sendo indicativo do estado imune nem do estado de portador. especialmente na produção de carne. hemorragias e mortes). na urina. A cura da leptospirose aguda coincide com suspensão da bacteremia e aparecimento de anticorpos circulantes. Os anticorpos aglutinantes. nos bovinos foi demonstrado na Austrália. Canicola. parto prematuro e nascimento de leitões fracos que se desenvolvem pouco ou não sobrevivem. o sorovar Hurstbridge. icterícia e morte. inclui hemorragias subcutâneas.

ela utiliza alta tecnologia e de grandes investimentos. Essa técnica é mais sensível e específica que a reação de soraglutinação. 10-2. Essas técnicas são pouco sensíveis e pouco específicas. através das técnicas de coloração como as do Giemsa. Os resultados obtidos com estas técnicas ampliam a capacidade de detecção das leptospiras íntegras ou fragmentadas. É um teste trabalhoso que ainda é considerado teste referência para o diagnóstico da enfermidade. Stuart. Técnicas recentes na pesquisa de leptospiras em fluidos têm sido aperfeiçoadas. A técnica de reação em cadeias pela polimerase (PCR) poderá melhorar a capacidade de resolução das técnicas consideradas diretas. IgG e IgA. 10-4. os soros que apresentarem reação igual ou superior a este título devem ser reavaliados frente ao sorotipo reagente em diluições seriadas de razão 2. Entretanto. 10-5 e 10-6) em meios apropriados para o cultivo. Tween-albumina. detectando anticorpos específicos da classe IgM pela técnica do ELISA. O isolamento pode ser realizado inoculando os materiais (amostras). modificados por Johnson e Harris (EMJH). a qual está baseada na reação de soraglutinação microscópica frente a uma coleção de antígenos vivos. O agente é detectado com o auxílio de anticorpos específicos marcados com enzimas como peroxidase ou com fluoresceína. na detecção de imunoglobulinas específicas da classe IgM. Vermelho Congo ou impregnação pela prata (Levaditi ou WarthinStarry). O ponto de corte (“cut off”) é a diluição de 1/100 e. através do teste de aglutinação microscópica (TAM) conhecida com a denominação inglesa de “MAT”. A demonstração de aglutininas é a técnica mais empregada no diagnóstico da infecção. A técnica de ELISA é uma técnica de valor. b) Métodos indiretos A pesquisa de anticorpos específicos pode ser realizada. visto que as leptospiras são passíveis de serem confundidas com fibrina e com outras estruturas celulares. Korthof. 10-3.da microscopia de campo escuro ou contraste de fase. em diluições seriadas (10-1. Há pesquisa de IgM no LCR pela técnica de ELISA e o emprego da saliva para o diagnóstico rápido da leptospirose. da ocorrida no passado. possibilitando a distinção da infecção recente. tais como Fletcher. com uma única amostra de soro.21 dias para que se possa caracterizar a conversão sorológica. O isolamento pode ser realizado pela inoculação intraperitonial em animais de laboratório como: hamster ou cobaia. a fim de seja obtido um título de aglutininas. através do teste de ELISA de captura ou pela imunoistoquímica (IHQ). É importante e desejável que se proceda a uma análise comparativa (amostras pareadas) de 2 amostras de soro colhidas a intervalo de 10 . Noguchi. tanto no soro quanto no líquido cefalorraquidiano (LCR). Ellinghausen-McCullough. Trabalhos com bovinos evidenciaram que esta técnica é capaz de detectar de 5 a 10 leptospiras / mL de urina. .

Sua positividade em amostras do humor aquoso permite realizar o diagnóstico das complicações oculares. especialmente a técnica de amplificação de uma seqüência do gene rrs. As dificuldades do diagnóstico bacteriológico clássico e do diagnóstico sorológico permitiram o desenvolvimento do diagnóstico molecular. mas ela não é por si só. TRATAMENTO PREVENTIVO a) Afastamento das causas (restos de alimento e água). Ela permitiu o diagnóstico rápido (36 horas). meyeri congrega sorovares saprófitas e sorovares patogênicos e que a L. c) Eliminação dos portadores. entretanto soro hemolisado de coelho deve ser incorporado ao meio de cultura. 2) Sorovar Canicola. fainei pertence a um grupo de leptospira patogênicas. Os antígenos são multiplicados em meio de Stuart. suficiente na prevenção da infecção/doença.Manutenção de culturas: As leptospiras são sensíveis ao peróxido de hidrogênio. . através do PCR. Outras técnicas de amplificação foram propostas. Pode-se associar penicilina à estreptomicina. CONTROLE E PREVENÇÃO A imunização constitui um meio importante no controle da leptospirose. podendo ser positivo a partir do primeiro dia de evolução da doença em amostras clínicas de sangue e urina. As bacterinas encontradas no mercado possuem geralmente os seguintes sorovares: 1) Sorovar Icterohaemorrhagiae. específico do gênero Leptospira. As culturas estoque devem ser mantidas em EMJH e Fletcher semi-sólido. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO O tratamento consiste na aplicação parenteral de estreptomicina (25-30 mg / Kg) uma a duas vezes. Kortoff ou EMJH líquido. Esta técnica permitiu detecção de cepas patogênicas no meio externo. b) Controle de roedores. provocando um sinergismo de ação antimicrobiana na eliminação do portador. O tratamento com antimicrobiano pode diminuir a resposta imune para a doença e torná-lo suscetível ao mesmo sorovar ou sorotipo. evidenciou que a L. permitiu a hibridização por uma sonda complementar desenvolvida pelo Instituto Pasteur de Paris. A ampliação de uma seqüência de 331 pb do gene rrs. mas utilizando dois conjuntos de primers diferentes: um conjunto específico para cepas patogênicas e um conjunto específico para cepas saprófitas. detectou amostra patogênica em amostras clínicas.

especialmente em suínos. Bacterinas podem incluir sorovares Grippotyphosa e Pomona além dos sorovares tradicionais. desde os anos 50. Os prejuízos econômicos e reprodutivos são associados aos abortos. . mas a transmissão do sorovar Icterohaemorrhagiae de cães imunizados para o homem já foi relatado. Nos caninos existe bacterinas bivalentes. A doença possui diagnóstico complexo e difícil pela perda de sinais clínicos característicos. tendo como base. contendo os sorovares Canicola e Icterohaemorrhagiae estão no mercado. contendo membrana externa a qual mostrou proteção em ensaios com hamsters desafiados com um sorovar Canicola. Mostraram que somente proteção para os sorovares específicos. os cães vacinados podem estar infectados com sorotipos diferentes daqueles contidos em vacinas comerciais (Prescott. Existe também o sorovar Bratislava. contendo os sorovares Canicola e Icterohaemorrhagiae. LEPTOSPIROSE BOVINA INTRODUÇÃO A leptospirose nos bovinos. Brunner e Meyer (1950) imunizaram caninos e hamsters com uma bacterina. Sorovares são identificados. O gênero foi recentemente reorganizado e as leptospiras patogênicas são agora. os antígenos de superfície do microrganismo. é uma zoonose bacteriana associada. identificadas e distribuídas em 12 diferentes espécies. 2008). Há mais de 200 sorovares de leptospiras patogênicas identificadas em todo o mundo. As bacterinas geralmente protegem contra a doença e o estado de portador renal sob as condições experimentais. 5) Sorovar Pomona 6) Sorovar Autumnalis. 4) Sorovar Hardjo.3) Sorovar Grippotyphosa. bovinos e eqüinos e o sorotipo Bratislava mais 5 sorotipos. assim como na maioria dos animais domésticos. Os primeiros estudos realizados por Broom mostraram que os hamsters podiam ser protegidos com cultivos (sorovar Canicola) tratados pelo fenol. pela dificuldade de diagnóstico. natimortos e queda na produção de leite. A leptospirose é uma infecção/doença causada por espiroqueta do gênero Leptospira spp. Além disso. principalmente com infertilidade e baixa produção. Alguns desses imunógenos são bacterinas de subunidades. pela relação complexa entre agentehospedeiro e pelas mudanças no padrão de infecção. As leptospiras patogênicas eram classificadas como membro da espécie Leptospira interrogans. em resposta ao aumento da incidência da infecção canina com estes sorovares.

ETIOPATOGENIA As leptospiras invadem.DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A maioria dos sorovares possui uma determinada distribuição geográfica. Após um período variado de incubação (3-20 dias). olhos e SNC. A infecção de hospedeiros acidentais é geralmente indireta. multiplica-se no fígado. nos Estados Unidos. Recentemente. Anticorpos aglutinantes podem ser detectados. estando associados com um ou mais hospedeiros (natural ou de manutenção). DADOS EPIDEMIOLÓGICOS A prevalência (anticorpos aglutinantes com título superior a 100) entre bovinos. A transmissão da infecção de um hospedeiro acidental para outro é. algumas vezes. geralmente é uma espécie silvestre e. pelo contato com urina dos hospedeiros de manutenção. geralmente é eficiente e a incidência da infecção é relativamente alta. TRANSMISSÃO A transmissão da infecção entre os hospedeiros de manutenção. O hospedeiro natural. 19% para o sorovar Icterohaemorrhagiae e 11% para o sorovar Canicola. 23% para o sorovar Pomona. envolvendo o contato com urina infectada. das infecções pelo sorovar Pomona. as leptos circulam pela corrente sangüínea. O aparecimento de anticorpos circulantes coincide com a eliminação de leptospiras dos órgãos. coincidindo com o declínio. Hospedeiros acidentais não são importantes reservatórios da infecção e a incidência de transmissão é baixa. As leptospiras podem permanecer nos rins e . baço. A sobrevivência das leptospiras é favorecida pela umidade. trato reprodutor. está estimada em 29% para o sorovar Hardjo. pela temperatura moderadamente quente (28ºC). AMBIENTE As condições ambientais são críticas na freqüência da transmissão indireta. ocorrendo no outono-inverno nos climas temperados e na estação das chuvas nos países tropicais. a infecção pode ser transmitida por via venérea ou via transplacentária. Durante este período. pela água estagnada neutra. em áreas infectadas. em importância. a infecção com o sorovar Hardjo tornou-se crescente. relativamente rara. A transmissão entre os hospedeiros de manutenção é direta. rins. após ser depositada nas membranas mucosas ou . Diferentes sorovares de leptospiras são mais prevalentes em determinadas regiões. Além disso. animais domésticos. DISTRIBUIÇÃO A leptospirose bovina possui distribuição mundial. Sua sobrevivência pequena e breve em solos secos ou a temperatura inferior a 10ºC ou superior a 34ºC. fluidos placentários ou leite. os quais servem como reservatórios da infecção. concomitantemente com as leptospiras presentes na corrente sangüínea.

estando associada a altos títulos de anticorpos aglutinantes e um curto estado de portador renal. Os sorovares de maior importância são Hardjo e Pomona. de uma maneira geral. natimortos e nascimento de . no líquido cefalorraquidiano e no humor vítreo. Austrália e Nova Zelândia. Isto é chamado "milk drop syndrome". A doença causada por outros sorovares é menos freqüente. mesmo sem qualquer tipo de terapia. particularmente em fêmeas vazias ou lactantes. congestão pulmonar. A leptospirose aguda ou subaguda está mais associada com infecções nos hospedeiros acidentais. SINAIS CLÍNICOS Os sinais clínicos associados à leptospirose variam. icterícia. particularmente o sorovar Pomona. em animais prenhes. A forma crônica da infecção pelo sorovar Hardjo e Pomona está relacionada à infecção fetal. com doença renal crônica. Nos hospedeiros de manutenção. as leptospiras podem persistir no trato genital. Os sinais clínicos variam com a susceptibilidade do hospedeiro e com o sorovar infectante. afetando vacas em sua 1ª . Nas vacas lactantes. a leptospirose é caracterizada por baixa resposta sorológica. queda brusca na produção leiteira. que apresentam: abortos. infectadas com sorovar Hardjo na ausência de outras evidências clínicas de infecção. A forma de "milk drop syndrome" varia de uma infecção epizoótica em um rebanho não exposto (envolvendo mais da metade do rebanho durante um período de 1 . Nos hospedeiros acidentais. discretos sinais na doença aguda e prolongado estado de portador renal que pode ser associado. Esta forma de infecção ocorre comumente na infecção do sorovar Hardjo tipo Hardjoprajitno. dependendo do sorovar e do hospedeiro. Muitas infecções são subclínicas. A forma subclínica da “milk drop syndrome” pode ocorrer em vacas lactantes.2 meses) até a infecção endêmica. especialmente na América do Norte. Nos hospedeiros de manutenção. a leptospirose é causa de severa doença. ocasionalmente meningite e morte. Os sinais clínicos incluem: febre alta.trato urinário ou podem ser eliminadas por semanas a meses. após a infecção. hemoglobinúria. O úbere apresenta textura uniformemente macia. O leite apresenta consistência de colostro com coágulos espessos de coloração amarelada e contagem alta de células somáticas.2ª lactação com recuperação. a qual pode perdurar de 2 a 10 dias. mas também por outros sorovares. Os sinais clínicos associados às infecções crônicas (sorovar Hardjo) são caracterizados por abortamentos e natimortos. anemia hemolítica. A doença severa pode ocorrer em terneiros (bezerros) infectados com sorovares acidentais. Animais jovens são. sendo somente detectada pela presença de anticorpos ou lesões de nefrite intersticial. discretos sinais clínicos. América do Sul. as infecções acidentais estão geralmente associadas à agalaxia (leite tingido de sangue) e recuperação prolongada. mais seriamente afetados do que adultos. A forma aguda em vacas leiteiras inclui febre transitória. em matadouro. geralmente em torno de 10 dias. enquanto que Hardjo na Europa.

não há uma única técnica recomendada para uso em todas as situações. em condições satisfatórias. No Canadá. É aconselhável contactar o laboratório de diagnóstico. ele foi responsável por metade dos abortos em bovinos. principalmente dos rins e trato genital de vacas portadoras. Cada um dos procedimentos diagnósticos possui um número de vantagens e desvantagens. Por esta razão. O . Na Austrália e Nova Zelândia. Os testes utilizados no diagnóstico da leptospirose podem ser classificados naqueles aplicados na detecção de anticorpos contra o organismo ou que visam detectar o organismo ou seu ADN. animais infectados e fracos. mas algumas vezes. DIAGNÓSTICO CLÍNICO O diagnóstico da leptospirose é dependente de uma boa história clínica. em situações problema pode ser necessário consultar laboratórios de referência ou laboratórios regionais que possuam especialistas no diagnóstico desta infecção. Animais infectados. em tecidos e fluidos. mais importante que o sorovar Pomona por causar tanto doença endêmica. mas aparentemente saudáveis podem nascer. Alem disso. antes do envio de amostras. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL A coordenação entre o diagnóstico laboratorial e o veterinário é necessária para maximizar a chance de fazer um diagnóstico seguro. sendo hoje. O sorovar Hardjo tipo hardjo-prajitno parece ser mais virulento que o Hardjo tipo hardjo-bovis. provavelmente pela vacinação. onde o tipo Hardjo-bovis é prevalente. A retenção de membranas fetais pode estar associada com aborto pelo sorovar Hardjo. Alguns dos ensaios sofrem com a perda de sensibilidade e outros. assegurando que as mesmas sejam colhidas e que cheguem ao laboratório. pode está relacionada com episódio da doença. o sorovar Hardjo causou cerca de 6% dos abortos e abortos causados pelo sorovar Pomona não foram reconhecidos. Abortos e natimortos são as únicas manifestações da infecção. quanto doença esporádica. da vacinação. onde ocorre o sorovar mais virulento (Hardjo-prajitno). a infecção pelo sorovar Hardjo não é comumente identificada como causa de falha reprodutiva em bovinos. nestas últimas décadas. O tipo Hardjo-prajitno foi isolado da maioria dos fetos abortados enquanto que o tipo Hardjo-bovis foi isolado. Abortos e natimortos devidos ao sorovar Hardjo são mais comuns. há mais de 6 semanas (sorovar Pomona) ou 12 semanas (sorovar Hardjo). propensos a problemas com a especificidade. A infertilidade não tem sido bem documentada concentrando-se na localização de leptospiras no útero e oviduto de bovinos infectados pelo sorovar Hardjo. O uso de testes combinados permite uma maior sensibilidade e especificidade no diagnóstico. A infecção é comum em bovinos e a incidência de infecções humanas associadas com bovinos infectados é relativamente alta. da disponibilidade de testes laboratoriais e de pessoal com experiência no diagnóstico da leptospirose. Num estudo realizado na Irlanda do Norte.prematuros. O aborto causado pelo sorovar Pomona tem diminuído de importância.

após o começo dos sinais clínicos. O sangue é útil para cultivo. drena mais leptospiras na urina e dilui a urina. Cultivo ou exame bacteriológico: O isolamento do sangue. em aproximadamente. mas não devemos nos basear como diagnóstico definitivo ou para eliminar a leptospirose de diferentes diagnósticos. O conjugado fluorescente. Os laboratórios de diagnóstico. na fase inicial da doença aguda. A utilidade desse teste está aumentando. A interpretação pode ser difícil e requer um técnico qualificado. A visualização direta do organismo é problemática. ele é rápido. estando em uso no Canadá e Reino Unido e alguns laboratórios de pesquisa. mas o isolamento permite a identificação definitiva do sorovar infectante. nem sempre presentes. A furosemida aumenta a taxa de filtração glomerular. Histopatologia: . O cultivo de leptospiras é difícil. A vantagem da microscopia de campo escuro é a velocidade e a desvantagem inclui baixa especificidade e sensibilidade. 10 dias. A urina para cultivo deve ser coletada após aplicação de furosemida. A leptospiremia ocorre no inicio do curso clínico (curta duração e pequeno número). demorada e requer meio de cultivo especializado. para uso geral. DETECÇÃO DE LEPTOSPIRAS Direto ou Microscopia de campo escuro: A microscopia de campo escuro tem sido utilizada como teste de triagem (screening test) rápida na identificação de leptospiras na urina. nos primeiros dias de doença clínica e antes da terapia antimicrobiana. não é sorovar específico. Imunofluorescência: A imunofluorescência pode ser utilizada na visualização de leptospiras nos tecidos. É importante entender que as leptospiras estão presentes na urina em graus variáveis e. O conjugado sorovar específico foi desenvolvido. As leptospiras estão presentes na urina. da urina ou tecido é o método definitivo para o diagnóstico da leptospirose. A microscopia de campo escuro. pois artefatos presentes em fluidos corporais são difíceis de identificação mesmo para pessoas experientes. Poucos laboratórios particulares podem conduzir tais testes. em mãos experientes. aproximadamente 105 leptospiras / mL de urina devem estar presentes para serem detectadas. contendo 1% de albumina sérica bovina. A sensibilidade da microscopia de campo escuro é baixa. exame sorológico do animal é necessário para identificar o sorovar infectante. raramente cultivam as amostras. aumentando a sobrevivência dos microrganismos. sangue ou sedimento urinário. sangue e tecidos para isolamento devem ser rapidamente diluídas em meio de transporte. Amostras de urina.teste sorológico é recomendado em cada caso combinado com uma ou mais técnicas na identificação do organismo em tecidos ou fluidos corpóreos. tem boa sensibilidade e pode ser aplicado em amostras congeladas. pode se útil no diagnóstico preliminar da leptospirose.

nos túbulos renais.O uso de corantes especiais pode ser eficaz na identificação de leptospiras em tecidos animais. O sorovar infectante não pode ser determinado pela histopatologia e estudos sorológicos devem ser conduzidos. Esta técnica comum de diagnóstico é a única que pode ser utilizada em tecidos fixados pelo formol. O teste tem sido utilizado para o diagnóstico da leptospirose em animais. A maioria dos ensaios de PCR é capaz de detectar a presença de leptos. Geralmente a sonda de ADN não é utilizada pela perda de sensibilidade e pelas dificuldades técnicas no seu uso. incluindo os rins. Tecidos. Diferentes protocolos de PCR estão disponíveis e cada laboratório escolhe o seu melhor. particularmente na leptospirose crônica. sendo baseados na ampliação do ADN. mas não são capazes de detectar o sorovar infectante. o processo é complexo e extremamente sensível à contaminação com ADN exógeno (leptospira). no adulto e placenta. envolvendo a mistura. Baixa sensibilidade é a desvantagem desta técnica diagnóstica. razoavelmente sensível e amplamente aplicada. O teste de aglutinação microscópica e os vários testes de ELISA são os testes mais utilizados. fígado e rins em casos de aborto podem utilizar esta técnica diagnóstica. pelo PCR em tecidos e fluidos corporais. permite a detecção de leptospiras ou antígenos destes. pois freqüentemente. fígado. A presença de anticorpos é indicada pela aglutinação de leptospiras. o PCR da urina é mais útil do que dos tecidos. . contem inibidores que podem causar resultados falsos positivos. Testes Moleculares ou Detecção de DNA: Técnicas mais recentes permitem a detecção do ADN das leptospiras em amostras clínicas. O PCR pode ser uma técnica sensível e específica para o diagnóstico da leptospirose. As leptospiras não são visíveis nos tecidos processados pelos corantes rotineiros. O teste de aglutinação microscópica é utilizado em todo o mundo. O processamento de amostras (tecidos) é mais difícil. TESTES SOROLÓGICOS Testes sorológicos são utilizados no diagnóstico da leptospirose nos animais. podendo causar reações falsopositivas É muito importante que os resultados de PCR possam ser interpretados com total conhecimento da qualidade dos procedimentos e controles utilizados no laboratório. de soro e leptos vivas (sorovares + prevalentes nesta região). em diluições apropriadas. pulmões. Infelizmente. pulmão ou placenta. Estes testes incluem teste de sonda de ADN que detectam ADN de leptospiras diretamente. Leptospiras estão freqüentemente presentes em pequeno número nos tecidos afetados. no interstício do rim. A sorologia é barata. em cortes de tecidos. Em geral. entretanto as lesões hepáticas são discretas e menos específicas. mas a inflamação característica pode ser observada nos rins afetados. A aplicação de corantes à base de prata ou corantes imunoistoquímicos.

perda de consenso entre o título de anticorpos e os indicativos de infecção ativa.600. Isto é verdadeiro na investigação de abortos causados por infecções de hospedeiros acidentais. dentro de uma mesma espécie. após a vacinação. O teste no soro fetal é mais útil no aborto e natimorto. . em áreas do mundo em que a vacinação é comum. A detecção de altos títulos de anticorpos em animais suspeitos pode ser suficiente no estabelecimento do diagnóstico. alguns animais desenvolvem altos títulos após a vacinação e embora esses altos títulos diminuam com o tempo. produzindo resultados positivos e confusos ao teste. Entretanto. nos hospedeiros de manutenção. Em alguns casos. os bovinos desenvolvem baixos níveis de anticorpos aglutinantes (100 a 400) em resposta à vacinação e. na qual o título de anticorpos. utilizando um número de diferentes preparações antigênicas e protocolos de ensaios. na época do aborto os títulos de anticorpos podem estar bem baixos ou negativos nos hospedeiros de manutenção. Os anticorpos produzidos no animal. estes títulos permanecem por um a três meses. uma vaca infectada com um único sorovar. A difusão da imunização de bovinos com vacinas em muitas partes do mundo complicaram a interpretação da sorologia. no início do curso da infecção aguda. padrões de reações cruzadas variam bastante. embora as diluições devam partir de 1:10. provavelmente tenha anticorpos para mais que um sorovar no teste de aglutinação. eles podem persistir por seis meses ou mais. pois alguns animais vacinados desenvolvem títulos tanto para IgM quanto para IgG. freqüentemente reage (reação cruzada) com outro sorovar de Leptospira. tendo como base. Nestes casos. Estes fatores incluem: reações cruzadas. Geralmente o sorovar infectante é assumido como o sorovar para o qual aquele animal desenvolve o maior título. particularmente o sorovar Hardjo em bovinos. em contraste. Freqüentemente. com os testes realizados nos adultos em a diluição de partida é 1:100.O teste imunoenzimático (ELISA) foi desenvolvido. Em geral. Infelizmente. após a vacinação. entre as espécies animais e entre indivíduos. os animais infectados mostram uma resposta aglutinante pequena para a infecção. As reações paradoxais podem ocorrer com o teste de aglutinação. Entretanto. em resposta à infecção com um dado sorovar de Leptospira. com uma acentuada resposta de anticorpos aglutinantes para um sorovar outro que não o infectante. o seu parentesco entre os vários sorovares do gênero Leptospira. títulos de anticorpos induzidos por vacinação. na mãe é superior ou igual a 1:1. O ensaio que estima a quantidade de IgM anti-leptospira é útil na detecção da infecção recente. esse padrão de reação cruzada é previsível. O uso deste ensaio é complicado. a resposta sorológica do rebanho à infecção é mais importante do que a resposta individual no estabelecimento do diagnóstico. DIFICULDADES A interpretação dos resultados de testes sorológicos é complicada por inúmeros fatores. Entretanto.

durante 3 dias) ou tetraciclinas (10-15 mg / kg 2 X ao dia. determina o diagnóstico de leptospirose. O diagnóstico da leptospirose baseado numa única amostra deve ser realizado com cautela e com total consideração do quadro clínico e histórico de vacinação. um título baixo de anticorpos não necessariamente. Um título aglutinante superior ou igual a 100 é considerado significante por muitos. a leptospirose é causa de morbidade e perdas dentro da população bovina e. na dose de 15 mg / kg com 2 injeções (48 h de intervalo) pode substituir a estreptomicina no tratamento das infecções crônicas. à tiamulina e à tilosina. após a infecção ou recuperação. O programa de controle/prevenção da leptospirose bovina poderia ter dois objetivos: a) A prevenção de portadores renais e b) Prevenção da doença clínica. os programas de controle são aplicados nos bovinos para controlar a leptospirose nos seres humanos com ênfase de prevenção de animais eliminadores pela urina. programas de controle são instituídos para reduzir essas perdas com ênfase na prevenção da doença clinica.5 mg / kg 2 X ao dia. a doença nos animais causada pelo sorovar Hardjo é um problema menor comparado com a alta incidência da infecção humana. durante 3 . Em algumas áreas.5 dias). como na Nova Zelândia e Holanda. O ponto de corte ou “cut-off” pode ser excessivo em animais vacinados e pode não ser alcançado. As leptospiras podem ser suscetíveis à eritromicina. na dose de 20 mg / kg ou amoxacilina. Entretanto os hospedeiros de manutenção estão eliminando leptospiras com títulos 1:100. . Nessas circunstâncias. Uma única dose de estreptomicina (25 mg / kg) poderia remover o portador renal crônico causado pela Leptospira Pomona e outros sorovares. Na leptospirose aguda. Por isso. As infecções crônicas pela Leptospira Hardjo tipo Hardjo-prajitno podem resistir ao tratamento. O tratamento com estreptomicina pode ser combinado com ampicilina ou com grandes doses de penicilina G. Oxitetraciclina injetáveis de longa duração. Títulos de anticorpos podem persistir por meses. CONTROLE E PREVENÇÃO O objetivo do controle na leptospirose é flexível em diferentes partes do mundo. TRATAMENTO Animais com leptospirose aguda podem ser tratados com estreptomicina (12.O terceiro fator complicador na interpretação dos testes sorológicos é causado pela perda de consenso do que é "significante" para o diagnóstico da infecção. embora esses ATMs não tenham como objetivos o tratamento de portadores renais. o aumento de título na ordem de quatro vezes superior é freqüentemente observado em amostras pareadas. mas há um declínio gradual nos títulos com o tempo. Em outras regiões. na infecção de hospedeiro de manutenção.

A leptospirose pode ser erradicada de um rebanho ou região. após 4 semanas e. VACINAS A imunidade é sorovar específica. A vacinação de animal infectado não impedirá a eliminação de leptospiras pela urina. eventualmente desaparecer. Alem disso. através da compra de animais infectados. Diferentes vacinas variam em eficácia e falhas vacinais podem ocorrer. contendo os sorovares mais endêmicos para esse rebanho ou região. IM. dada às condições domésticas. duas doses com intervalo de 10 dias). IM. adequado procedimentos de quarentena devem ser realizados para prevenir a introdução dos sorovares Hardjo e Pomona no rebanho. Esforços devem ser efetuados para limitar o contato direto e indireto entre bovinos e portadores de infecções incidentais como o controle de vetores ao redor de galpões. pois nem sempre é possível. Nos rebanhos fechados estão indicadas a vacinação anual de todos os bovinos com bacterinas apropriadas. A comercialização de reprodutores fica prejudicada e os animais impedidos de serem utilizados na inseminação ou exportados quando são reagentes (títulos baixos) e o tratamento. imunizados com uma dose anual única. Os bezerros devem ser vacinados com idade acima de 4-6 meses e reforço. Alem disso. As vacinas utilizadas em determinada região do mundo são vendidas para outra. só então. geralmente não altera esses títulos. mas essa abordagem depende de controles firmes com respeito à introdução de novos animais. IM. 2 doses com intervalo de 48 horas) para eliminação da maioria dos portadores renais crônicos. 2-Vacinação e 3-Tratamento seletivo. cercas ao redor de pântanos e córregos. podendo não causar proteção contra o sorovar local. A vacinação pode ser combinada com o tratamento ATMs se houver risco de surto. A imunização deverá ser realizada com bacterina anualmente. Vacinas polivalentes estão disponíveis no mercado. ou 2 vacinações anuais em rebanhos abertos. . Oxitetraciclina de longa ação (20 mg / kg. podendo progressivamente reduzir e. mas aumenta os títulos de anticorpos. Animais novos introduzidos no rebanho devem ser vacinados antes de sua entrada e tratados com dihidroestreptomicina (25 mg / kg. A desvantagem da erradicação é que torna o rebanho suscetível à infecção por leptospiras introduzidas pelos hospedeiros naturais (animais domésticos ou silvestres). pois a resposta aglutinante é de curta duração e de baixos títulos. duas doses com intervalo de 10 dias) ou amoxacilina (15 mg / kg. algumas bacterinas podem conter sorovares não associado com a enfermidade na região. associando a identificação dos portadores e tratamento com ATMs. O controle de uma maneira geral está baseado: 1-Prevenção da exposição.

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