Você está na página 1de 22

BENEFICIAMENTO III

1. Introdução Espessadores são tanques de sedimentação empregados em um tipo particular de separação sólido-líquido, separação esta que é denominada de espessamento. Tais espessadores fazem uso da diferença de massa específica entre a fase líquida e as partículas sólidas que estão suspensas na referida fase líquida. No âmbito da tecnologia mineral, o espessamento é utilizado para aumentar a concentração de sólidos de polpas até valores convenientes para operações subseqüentes, como bombeamento, filtragem ou condicionamento com reagentes de flotação. Deste modo, a função dos espessadores é a de receber uma polpa diluída e gerar um produto (underflow) que exibe maior concentração de sólidos que a alimentação. Um segundo produto, (overflow), exibe concentração de sólidos menor que aquela apresentada pela alimentação. Via de regra, tal produto constitui a fase líquida clarificada. Entre as múltiplas opções oferecidas pela operação de separação de fases, este capítulo restringe-se às suspensões sólido-líquido e aos aspectos relacionados ao projeto e análise do desempenho de alguns equipamentos tradicionais para o espessamento e a filtração. No que se refere ao espessamento, será abordada a sedimentação contínua tanto no campo gravitacional como no campo centrífugo moderado resultante do escoamento da suspensão na configuração geométrica peculiar do hidrociclone. O diâmetro de espessadores industriais é dimensionado através de determinadas técnicas, as quais são baseadas no estudo do comportamento da sedimentação de partículas sólidas no meio aquoso. Tal estudo é executado em bateladas, embora a unidade industrial opere em escala contínua. Essas técnicas, apesar de seu largo uso, apresentam deficiências em função das muitas variáveis do processo de espessamento e, também, da complexidade dos mecanismos de sedimentação de partículas sólidas em meio fluido. O presente trabalho teve por objetivo aplicar três metodologias convencionais (Fluxo de Sólidos ou Metcalf-Eddy, Talmadge-Fitch e Roberts) para validar o dimensionamento de um espessador industrial, que já se encontra em operação, comparando o diâmetro calculado pelas técnicas convencionais com o diâmetro real do equipamento industrial. Tal comparação se justifica, não somente como validação das técnicas tradicionais de dimensionamento, como também para discussão sobre fatores de escalonamento utilizados em projetos de espessadores industriais. A filtração de suspensões, que também será abordada neste capítulo, se restringirá aos filtros prensa e rotativo, na qual se considera a operação descontínua e sob pressão de algumas atmosferas, no primeiro caso, e continuamente e sob vácuo, no segundo. 2. Espessamento É um processo que tem como objetivo a separação das fases líquida e sólida da lama, reduzindo o seu volume e aumentando seu teor de matéria sólida. E por meio da sedimentação o processo de separação sólido-líquido baseia-se na diferença entre as densidades dos constituintes de uma suspensão; a remoção das partículas sólidas presentes em uma corrente líquida se dá pela ação do campo gravitacional,com o intuito de se obter a polpa do sólido extraído com porcentagens adequada do produto, o qual oferece ao processo as características de baixo custo e grande simplicidade operacional. A larga utilização industrial dos sedimentadores promove um crescente interesse no conhecimento do cujo dimensionamento e operação desses equipamentos, com a finalidade de melhorar a sua utilização e eficiência no atendimento aos objetivos operacionais.

Escola Técnica Santa Edwiges

Página 1

BENEFICIAMENTO III
Os livros costumam classificar os sedimentadores em espessadores, produto de interesse é o sólido e são caracterizados pela produção de espessados com alta concentração de sólidos e os clarificadores, os quais têm como produto de interesse o líquido e se caracterizam pela produção de espessados com baixas concentrações de sólidos. No setor industrial, os espessadores são os mais utilizados e operam, geralmente, em regime contínuo. Em linhas gerais, esses espessadores são constituídos por: um tanque; um dispositivo de alimentação da polpa com mínima turbulência; um mecanismo de varredura. Além disso, para aumentar a eficiência do espessamento ( a velocidade da decantação ), são utilizados aditivos denominados de floculizantes, cuja a principal função é a de aglomerar as partículas em suspensão formando flocos que decantam rapidamente. Na extração mineral, os espessadores são largamente utilizados, pois há grandes interesses, principalmente, nos minérios com valor comercial. Esse processo tem as seguintes finalidades: • obtenção de polpas com concentrações adequadas a um determinado processo subseqüente; • espessamento de rejeitos com concentração de sólidos elevada, visando transporte e descarte mais eficazes; • recuperação de água para reciclo industrial; • recuperação de sólidos ou solução de operações de lixiviação, utilizados em processos hidrometalúrgicos. 3. Sedimentação A operação de sedimentação é baseada em fenômenos de transporte, onde a partícula sólida em suspensão está sujeita à ação das forças da gravidade, do empuxo e de resistência ao movimento. O mecanismo da sedimentação descontínua auxilia na descrição do processo contínuo, com o uso do teste de proveta, que é baseado no deslocamento da interface superior da suspensão com o tempo, conforme ilustra a figura abaixo. Durante esse teste pode ser observada, após um tempo, a existência de cinco regiões distintas: a região de líquido clarificado, a de sedimentação livre e a de compactação. Algumas considerações físicas devem ser estabelecidas, a fim de caracterizar cada região: A- Líquido clarificado: no caso de suspensões que decantam muito rápido esta camada pode ficar turva durante certo tempo por causa das partículas finas que permanecem na suspensão; B- Suspensão com a mesma concentração inicial: a linha que divide A e B é geralmente nítida; C- Zona de transição: a concentração da suspensão aumenta gradativamente de cima para baixo nesta zona, variando entre o valor inicial até a concentração da suspensão espessada. A interface BC é, de modo geral, nítida; D- Suspensão espessada na zona de compressão: é a suspensão onde os sólidos decantados sob a forma de flocos se encontram dispostos uns sobre os outros, sem atingirem a máxima compactação, uma vez que ainda existe líquido entre os flocos. A separação entre as zonas C e D geralmente não é nítida e apresenta diversos canais através dos quais o líquido proveniente da zona em compressão escoa. A espessura desta zona vai aumentando durante a operação;

Escola Técnica Santa Edwiges

Página 2

como distribuição de tamanhos. 4. • a quantidade de sólidos na suspensão. diante das muito finas. Fatores que Afetam o Espessamento A eficiência de um espessador é encontrada pela razão de seu espessamento expressos pela unidade de sólidos espessados por área ao dia e pela qualidade dos produtos obtidos. pois é possível. A zona A aumenta enquanto que a zona D diminui lentamente até a superfície de separação das camadas A e D atingirem o valor. Este valor mínimo não corresponde necessariamente à concentração máxima da suspensão decantada. densidade específica.1. forma. isto é. a suspensão em compressão e o sedimento grosso. implementando melhorias às características de sedimentação da suspensão. • dimensões do tanque de sedimentação. reduzir ainda mais a altura da lama espessada. Natureza das Partículas Partículas esféricas ou com forma aproximada à esférica têm uma maior facilidade de sedimentar do que partículas de mesmo peso com formato irregular. Ao final do processo B e C desapareceram. Pela quantidade de sólidos prestes no “overflow” e no “underflow”. Decantações de suspensões concentradas. propriedades químicas e mineralógicas etc.. Uma alternativa para fazer face às irregularidade e ao pequeno diâmetro de partículas é a floculação. A espessura desta zona praticamente não varia durante o ensaio. com agitação apropriada. Comportamento semelhante é observado na sedimentação de partículas de maior diâmetro. Este é também chamado ponto de compressão. A figura mostra também a evolução da decantação com o tempo. ficando apenas o líquido clarificado. formando aglomerados naturalmente os Escola Técnica Santa Edwiges Página 3 . para auxiliar na sedimentação.BENEFICIAMENTO III E. • pré-tratamento da suspensão. 4. As zonas A e D tornam-se mais importantes. enquanto a zona B diminuiu e C e E permaneceram inalteradas. que promove a aglomeração das partículas resultando em unidades maiores e com forma mais aproximada da esférica. A sedimentação de uma suspensão aquosa de partículas ou flocos pode sofrer a influencia de fatores tais como: • a natureza das partículas. ou ponto crítico.Sólido grosseiro: foram sólidos que decantaram logo no início do ensaio.

que independe da altura de líquido. mas também com as condições físicoquímicas sob as quais ocorreu a floculação. a uma dada taxa de alimentação do mesmo e é importante na determinação da capacidade de clarificação do equipamento. A altura de suspensão no tanque não altera a taxa de sedimentação nem a concentração de sólidos na lama ao final do teste. 4. características como forma e densidade são muito pouco relacionadas com as características das partículas originais. uma delas é a taxa de sedimentação consideravelmente maior do que a da suspensão original. sem que as partículas sejam indevidamente desaceleradas devido ao fundo do tanque. A grande dificuldade na determinação destas variáveis é a sua dependência não apenas com o tipo de floculante utilizado. Escola Técnica Santa Edwiges Página 4 . Para a previsão de novas taxas de sedimentação. fazendo com que a taxa de sedimentação deixe de ser constante para se tornar decrescente. A área da unidade controla o tempo necessário para que ocorra a sedimentação dos sólidos através do líquido. A polpa. geralmente. Tipos de Espessadores A capacidade de uma unidade de espessamento é diretamente proporcional à sua área e é usualmente determinada em função da taxa de sedimentação dos sólidos na suspensão. Pré-Tratamento Suspensões floculadas apresentam diversas características diferentes da suspensão de partículas.2. A altura da unidade controla o tempo necessário para o espessamento da polpa para uma dada taxa de alimentação dos sólidos e é importante na determinação da capacidade de espessamento da unidade. que ainda são determinados por métodos empíricos. Tanque de Sedimentação A geometria e as dimensões do tanque têm influência no processo de sedimentação.BENEFICIAMENTO III A floculação ocorre. Efeito de Concentração Suspensões muito concentradas apresentam características de sedimentação bem diferentes das observadas na sedimentação de uma partícula isolada. Assim. Esse efeito origina o fenômeno da sedimentação impedida. devido à grande quantidade de água que o floco contém nos seus interstícios.3. é importante que o tanque seja alto o suficiente para que o processo de sedimentação aconteça livremente. 4. 5. existem suspensões em que as partículas sólidas já são química ou mineralogicamente apropriadas ao meio iônico da suspensão.4. devido ao efeito da concentração. pela adição de um agente químico que dá ao meio as condições necessárias à floculação. tanto na função de espessador quanto de clarificador. passa através de zonas de concentração de sólidos variável entre a da alimentação e da descarga final. cada partícula encontrará diferentes taxas de sedimentação e a zona que exibir a menor taxa de sedimentação será a responsável pelo dimensionamento da unidade. A capacidade de uma unidade contínua de espessamento está baseada na sua habilidade em processar suspensões. 4. o que é extremamente complexo. porém. consequentemente. na sedimentação. faz-se necessário o conhecimento de um novo fator de forma e valor de densidade. porém se a concentração de sólidos é muito alta. a existência de paredes ou obstáculos no trajeto da partícula promove a redução da taxa de sedimentação. nas zonas intermediárias existentes entre esses limites de concentração.

porém com alguma modificação estrutural de projeto . Este fato é muito atraente industrialmente. o que corresponde ao maior custo do equipamento. Espessador de Alta Capacidade Esse tipo de espessador é bastante semelhante ao contínuo convencional. dispostas lado a lado.3. Os tipos de espessadores variam em função da geometria ou forma de alimentação do equipamento. sem que seja aumentando o seu diâmetro. Devem também ter flexibilidade para suportar diferentes volumes e tipos de cargas impostas. Outra vantagem da configuração lamelar está na rápida sedimentação das partículas sólidas: como o tempo de sedimentação é proporcional à altura de queda vertical.1. diminuindo-se o espaçamento entre as lamelas. entre outras – que promove o aumento da capacidade do equipamento. 5.BENEFICIAMENTO III No projeto das unidades de espessamento. dispositivos para descarga do overflow e do underflow. este tempo pode ser reduzido. considerando fatores como eficiência operacional e projeto mecânico. que também é um espessador de alta capacidade. a relação entre altura e diâmetro é importante apenas para avaliar se o volume do tanque proporcionará um tempo de sedimentação necessário aos objetivos do equipamento. pois a área efetiva de sedimentação é dada pela soma das áreas projetadas de cada lamela. Basicamente são tanques de concreto equipados com um mecanismo de raspagem. Escola Técnica Santa Edwiges Página 5 . além de aumentar a capacidade. formando canais.seja por meio da inserção de lamelas ou modificação no posicionamento da alimentação da suspensão. Espessador Contínuo Convencional O espessador contínuo convencional consiste em um tanque provido de um sistema de alimentação de suspensão e outro de retirada do espessado (raspadores). consiste numa série de placas inclinadas (lâminas). 5. é promover um aumento na área de espessamento. Os braços raspadores são acoplados à estrutura de sustentação do tubo central de alimentação da suspensão e devem ser projetados baseados no torque aplicado ao motor. Espessador de Lamelas Essa unidade de espessamento. para carrear o material sedimentado até o ponto de retirada. A vantagem dessa configuração é a economia de espaço.2. uma vez que a capacidade de sedimentação nesses equipamentos é bem maior que no espessador convencional. maiores detalhes sobre a sua estrutura e mecanismos de operação podem ser vistos no esquema abaixo: Esquema operacional de um espessador contínuo convencional 5. especialmente no que diz respeito ao espaço necessário para a montagem dos mesmos. Esse tipo de espessador contínuo é o mais utilizado industrialmente. Uma das vantagens desse equipamento.

Para que não haja arraste de partículas sólidas na direção do vertedor. bombeado. a suspensão pode ser introduzida diretamente no compartimento de alimentação ou numa câmara de mistura e floculação. a velocidade ascensional do líquido nesta seção limite deverá ser menor do que a velocidade de decantação das partículas. Esquema operacional de um espessador de lamelas 6.A velocidade de sedimentação é função da concentração local : u = f(C). Escola Técnica Santa Edwiges Página 6 .As características essenciais do sólido não se alteram quando se passa para o equipamento de larga escala. Hipóteses: . Q . em seguida. que é. .1.BENEFICIAMENTO III Nesses espessadores.QE = Vazão de líquido claro que sobe pelo decantador nesta seção. formando o material espessado. Dimensionamento de Espessadores u = dz / dθ 6. Os sólidos sedimentam sobre as lamelas e deslizam até o fundo do equipamento. Método de Coe e Clevenger A área de um espessador deve ser suficiente para permitir a decantação de todas as partículas alimentadas.

Traçar a tangente à curva de sedimentação na zona de clarificação. .Traçar a tangente à curva de sedimentação na zona de espessamento. Método de Roberts Permite localizar com exatidão o ponto crítico (entrada em compressão). ⇒ S: Diversos cálculos são realizados com pares de valores de C e u. . CA = Concentração de sólidos na suspensão (Kg/m3). ⇒ C e u: São determinados experimentalmente. . Método de Kynch Consiste em fazer um ensaio que forneça a curva de decantação: .2. CA = Q. 6. 6. traçar log(z-zf). CE = Concentração de sólidos na lama (Kg/m3).4. ⇒ A curva obtida mostra uma descontinuidade no ponto crítico. O maior valor de S será a área mínima do decantador! 6. OBS: Ponto Crítico: linha de separação entre o espessado e o clarificado. CE Onde: S = Área de decantação (m2). u) a partir da curva de decantação.BENEFICIAMENTO III Se a área for insuficiente começará a haver acúmulo de sólidos numa dada seção do espessador e finalmente haverá partículas sólidas arrastadas no líquido clarificado. Método de Talmadge e Fitch (Método Gráfico).3. Escola Técnica Santa Edwiges Página 7 .Calculam-se diversos pares (C. . ⇒ Com os dados do ensaio de decantação.O máximo valor de S será a área do decantador.Calcula-se: .Traçar a bissetriz entre as 2 retas. Esta Seção → Zona Limite.Localizar o ponto crítico. . u = Velocidade de decantação na zona limite (m/s). QA = Vazão volumétrica da suspensão (m3/s). Como QA.C = QE. C = Concentração na zona limite (Kg/m3).

BENEFICIAMENTO III . melhorando a velocidade de filtração.Calcular a área. Filtração A Filtração é um processo unitário que consiste na separação de uma fase sólida de uma fase liquida. denominando-se filtração a vácuo. é compelida a passar através de um meio poroso. quando há forças centrifugas sendo aplicadas no meio filtrante. Viscosidade A viscosidade da polpa a ser filtrada deve ser inversamente proporcional à razão da filtração. a alta viscosidade pode ser reduzida diluindose com um solvente de baixa viscosidade.Localizar: . Fatores que influenciam a filtração 9. Caso esta filtração ocorra sob uma pressão alta em relação à atmosférica será denominada de filtração sob pressão. Neste setor. este denominado meio filtrante. nomeada torta de filtração. Em uma determinada fase liquida. Basicamente uma operação de separação de sólidos presentes em uma polpa na qual a fase liquida chamado filtrado. 9. A filtração é uma importante fase do processamento industrial mineral. Escola Técnica Santa Edwiges Página 8 .Ler θE . ao passo que a fase sólida. . Processos de Filtração No processo de filtração por gravidade ocorre quando o liquido escorre pelo meio filtrante (meio poroso) apenas pelo efeito de pressão hidrostática. firma uma camada sobre a superfície do meio poroso.1. E por fim. a filtração centrifuga.Traçar a tangente à curva de sedimentação passando pelo ponto crítico. 8. conseqüentemente. que por dedução através das 3 equações do método de Roberts resulta em : 7. ou e uma pressão baixa. esta operação é muito utilizada para a recuperação de sólidos e para a obtenção de líquidos clarificados devido aos seus respectivos valores econômicos.

10. no caso de especificação do sólido ou para a recuperação máxima de filtrado. causando a floculação de partículas finas e formação de aglomerados. desde que esta esteja estável. 9. A velocidade de lavagem da torta do filtro é inversamente proporcional à espessura da desta torta.3. O objetivo desta operação é remover ou reduzir em nível desejado o volume de filtrado residual e/ou sólidos retidos na torta. (Figura caso seja necessário) Escola Técnica Santa Edwiges Página 9 . para resultados com melhores taxas de filtração. Em determinadas situações. concomitantemente. inicia-se a operação de lavagem utilizando-se água nova ou outro liquido compatível com o sistema. nas quais a presença de partículas finas compromete sensivelmente a velocidade de filtração. A eficiência de lavagem muitas vezes não é afetada pela espessura da torta. O método de filtração mais empregado para o dimensionamento de filtros contínuos industriais é o teste de folhas (“leaf test”). Para se evitar a redução de tamanho das partículas deve-se evitar a ação violenta da bomba e sua agitação. Temperatura A velocidade de filtração de polpa é marcante com o efeito da temperatura. 9. após a etapa de filtração. acém de justificar a utilização de um fator de segurança no calculo da capacidade do filtro. utiliza-se pré-condicionamento da suspensão. Porém. 9. temperatura viscosidade estão intimamente relacionadas nos trabalhos de filtração. De um modo geral. principalmente para filtros a vácuo. 9. de modo que possa encontrar um tecido com abertura suficiente para evitar entupimentos e. Lavagem Com a torta retida no leito filtrante. viabilizando e facilitando a filtração. Para estes ensaios são necessário equipamentos relativamente simples. principalmente relacionando-se com a viscosidade.7. Espessura A espessura é de extrema importância no dimensionamento de um filtro e dela depende o ciclo de operação. por exemplo. pois é praticamente impossível prever o comportamento de um determinado produto a ser filtrado. utilizam-se suspensões com maiores concentrações de sólidos. Concentração de sólidos Teoricamente. o tempo necessário para se depositar uma dada massa de sólido varia inversamente com relação entre massa de sólidos e do filtrado. pois o efeito do tamanho da partícula é significativo sobre as resistências da torta e do tecido do filtro. Em grande parte dos líquidos. de pequena escala e de fácil montagem. através de tratamento químico.BENEFICIAMENTO III 9. 9. conseqüentemente. o efeito do entupimento sobre esta é bastante considerável que se torna usualmente justificativa para substituição do tecido. vazamentos excessivos de partículas finas. O meio filtrante Ao escolher o meio filtrante deve-se manter o compromisso entre a abertura do tecido e o tamanho da partícula. o aumento de temperatura provoca certo decréscimo da viscosidade dando maior eficiência na filtração. Geralmente.4.6. Teste em escala de laboratório É de grande necessidade realizar ensaios em escala de laboratório para determinar as condições de um filtro para uma dada situação. pois a velocidade média de filtração para uma dada quantidade de filtrado ou de torta é inversamente proporcional ao quadrado da espessura da torta no final da filtração. O tamanho da partícula É de extrema importância o controle do tamanho de partícula na polpa de alimentação do filtro. Fazendo uma relação com a velocidade de filtração. em alguns casos leva à melhor eficiência de lavagem.2. já que a redução do tamanho da partícula faz com que a velocidade de filtração diminua e aumentando a retenção de umidade na torta.5.

concentração de sólidos em suspensão. teor de unidade de torta e o nível de vácuo. Deve-se iniciar um programa de ensaios de filtragem com uma série de ensaios preliminares. o comportamento da torta na secagem. Recipiente com a suspensão aquosa As condições geralmente estudadas nos ensaios são: temperatura da polpa. massa de torta formada. Os testes de folhas são empregados na necessidade de se prever o desempenho de filtros de tambor ou de discos e filtros planos. por isso devem ser conduzidos de forma a simular com detalhes a operação destes equipamentos. a ocorrência de rachaduras na torta. além da velocidade e a eficiência de lavagem. a compatibilidade química do meio filtrante e a tendência do filtrado a formar espuma.BENEFICIAMENTO III Figura – Primeira etapa do ensaio de teste de folha (formação da torta). visando observar a ordem de grandeza do tempo de formação da torta e de desaguamento ou secagem e o nível de vácuo e seleção dos meios filtrantes que possam fornecer os resultados desejados. as características de descarga. volume de filtrado. Escola Técnica Santa Edwiges Página 10 . lavagem e outros fatores que venham ser de interesse. Figura – Segunda etapa do ensaio de teste de folha (secagem). Dados adquiridos nos testes de folha são: tempo total de filtração. É necessário que todos os ensaios sejam executados em situações que simulem as condições de operação em escala industrial. o pH do filtrado. tratamento prévio da polpa. espessura e uniformidade da torta. nível de vácuo.

13. há a alternativa de se utilizar um auxiliar de filtração que é um material granular ou fibroso. 10. Para se obter uma boa filtração. Meios Filtrantes A escolha do meio filtrante é de grande importância para que se possa obter uma operação de filtração satisfatória. Equipamentos de Filtração Escola Técnica Santa Edwiges Página 11 . Os materiais em que se encontram fabricados os meios filtrantes são: algodão. ou utilizálos misturados à polpa a ser filtrada para que as partículas que apresentarem dificuldades de filtração sejam retidas numa torta permeável. Um meio filtrante adequado deve contemplar sua capacidade de retenção dos sólidos a serem separados do liquido durante um período aceitável e sua compatibilidade com o meio no qual irá trabalhar. troca de tecidos. g) Baixo custo. Para isso basta-se observar as seguintes características ao selecionar um meio filtrante: a) Redução máxima da passagem de sólidos através dos poros no inicio da filtração. permite o cálculo da área do filtro necessária para processar e obter uma capacidade diária de uma determinada escala de produção. evitando assim a passagem de partículas finas que eventualmente possam passar ao filtrado. vidro. manutenção e previsão de expansão (Chaves. c) Ter compatibilidade química com o meio.BENEFICIAMENTO III Os resultados obtidos nos testes de folha são expressos em peso de sólido seco ou volume de filtrado. por unidade de área ou por ciclo. que é a razão de filtragem. o algodão continua ser o material que mais se usa em virtude de seu baixo custo. metal e outros materiais que formem fibras. o grupo dos tecidos de polímeros sintéticos vem superando o algodão como meio filtrante devido à sua maior resistência a produtos químicos e a tolerância a temperaturas mais elevadas. da variedade de tipos de tecidos encontrada comercialmente e sua versatilidade. No cálculo do ciclo da filtragem. capas de formar no filtro uma torta permeável que incorpore os sólidos que geram problemas. descarga. Essa grandeza.1. geralmente partículas finas ou flocos deformáveis. f) Possuir facilidade para descarregar a torta. polímeros sintéticos. entupimento do meio filtrante e filtrado com turbidez insatisfatória em determinados processos de filtração. 12. ter capacidade de produzir tortas permeáveis e ser quimicamente inerte em relação ao meio. b) Apresentar a mínima resistência à passagem do liquido. 1996). d) Apresentar resistência mecânica para agüentar a pressão de operação. e) Apresentar mínimo desgaste mecânico. é necessário que um bom auxiliar de filtração apresente as seguintes características: baixa densidade para minimizar a tendência à deposição. A função dos auxiliadores de filtração é basicamente proteger o meio filtrante utilizando-se este como pré-revestimento por meio da formação de uma camada do material sobre o meio filtrante. devem ser considerados os tempos de carga. amianto. No entanto. multiplicada pelo número de ciclos por dia. Porém. Auxiliadores de Filtração Situações-problemas relativos à velocidade de filtração. alta porosidade.

2. Filtro Prensa Os Filtros-prensa foram introduzidos por volta do século XIX e foram utilizados por muitos anos principalmente na separação de lamas servidas. entre duas placas extremas. diafragma. como a pressão de operação imposta por uma bomba de êmbolo. parafusos. O tipo fechado consiste num canal por onde passa o filtrado que percorre todo o comprimento do filtro até um tudo de descarga na extremidade. 13. Eles eram considerados máquinas de trabalho intensivo. b) Filtro de pressão descontinua dificilmente se adaptam a processo contínuo e sua operação é de alto custo. O conjunto de placas e quadros é apoiado.1. sobre um par de suportes paralelos fixos na estrutura do filtro.BENEFICIAMENTO III O filtro de pressão do tipo prensa em batelada e os filtros contínuos a vácuo são os de maior uso nas usinas de tratamento de minerais. b) Possuem grande área de filtração por unidade de área física ocupada. Consiste num conjunto alternado de quadros ocos nos quais a torta é retida durante a operação de filtração e placas maciças que possuem superfícies preparadas com sulcos ou furos que permitem a drenagem do filtrado. Vantagens ao se utilizar os filtros de pressão: a) A aplicação de altas pressões permite aumentar a velocidade de filtração e viabilizar separações sólido-liquido consideradas difíceis que seriam proibitivas de outra maneira. orientados para obter bolos de baixa umidade que descarregam automaticamente e permitem a lavagem do pano ao término do ciclo de filtração. Para proceder à operação de filtração. para um reservatório na parte inferior do tubo. O meio filtrante geralmente um tecido. É o modelo mais simples dos filtros de pressão e o de maior utilização industrial. recobre ambas as faces da placa. Em um filtro prensa a descarga do filtrado pode ser do tipo fechado ou do tipo aberto. 13. devido ao longo ciclo de operação. Desenho esquemático de um filtro Escola Técnica Santa Edwiges Página 12 . ou engrenagem pinhão ou macaco hidráulico. de modo vertical. Filtros de pressão São filtros que operam acima da operação atmosférica. As figuras a seguir demonstram o diagrama esquemático de um filtro prensa e de um filtro prensa de placas e quadros. Desvantagens: a) Filtro de pressão continua são muito caros e apresentam pouca flexibilidade. as placas e quadros pendurados no suporte são comprimidos até o ponto de se evitar o vazamento entre elas. uma fixa e outra que se move através de um sistema de alavanca. já o de tipo aberto consiste de um filtrado que é drenado através de torneiras individuais localizadas em cada placa. por um custo relativamente baixo. c) Os filtros de pressão em batelada possuem maior flexibilidade que outros filtros. Isto ocorreu até meados dos anos 60 quando esta imagem mudou pela introdução de mecanismos avançados. centrifuga ou ainda por corrente proveniente de um reator pressurizado. conseqüentemente não encontraram muita aceitação nas indústrias de processo sofisticada e altamente automatizada. Por isso as considerações apresentada se limitarão a estes filtros.

Operação intermitente. Podem ser de operação continua ou em batelada. Desvantagens: .Flexibilidade (pode aumentar ou diminuir o número de elementos para variar a capacidade).Não tem partes móveis.Apenas substituição periódica das lonas. . o liquido de lavagem é introduzido nas faces de placas alternadas permitindo que o liquido passe através de toda a espessura da torta escoando sobre a superfície das outras placas que mantêm os canais de descarga abertos para o escoamento de solução de lavagem que deixa o filtro.Alto custo de mão-de-obra.Filtro-prensa de placas e quadros É comum fazer a lavagem da torta retida no filtro depois da operação de filtração. alem do fato de que a principal justificativa para o emprego de filtração a vácuo é sua fácil adaptação a operações continuas.BENEFICIAMENTO III Figura . Para a lavagem completa.Manutenção simples . a fim de retirar a solução agregada à torta ou solubilizar impurezas sólidas presentes. .Grande área filtrante por área de implantação. . Vantagens: • Operação contínua (à exceção do filtro de Nutsche) Escola Técnica Santa Edwiges Página 13 . . 13. maior que as demais espécies de filtros.3. limitando-se a usos específicos. Filtros a vácuo São filtros que operam sob baixa pressão. Os filtros a vácuo contínuos possuem elevada capacidade de processamento. utilizando-se como principal ferramenta a bomba de vácuo por ser a fonte motriz de filtração. o liquido de lavagem usa o mesmo sistema de alimentação da polpa e descarte do filtrado.Lavagem da torta é imperfeita e demorada. Para a primeira. Vantagens: .Trabalha com altas pressões. . Na prática há duas técnicas de lavagem que são bastante utilizadas: a lavagem simples e a lavagem completa. basicamente operando-se sob pressões inferiores à atmosférica. . robusta e econômica. .Construção simples. já o uso de o uso de filtros a vácuo em batelada é bastante restrito.

disco (ou vertical) e horizontais (tipos de mesa. Características: .BENEFICIAMENTO III • Recuperação ou remoção dos contaminantes solúveis do bolo pela lavagem em contracorrente (especialmente nos filtros de correia horizontal. onde se descarrega a torta por meios mecânicos ou pneumáticos. de bandeja inclinada e de mesa) • Permite polir soluções (em um filtro de pré-revestimento) • Acesso conveniente ao bolo para atividades do operador ou retirada de amostragem • Controle fácil de parâmetros operacionais tais como relações da espessura ou da lavagem do bolo • Grande variedade de materiais de construção Desvantagens: • Umidade residual mais elevada no bolo • Uma construção de difícil vedação para permitir presença de gases • Difícil de limpar (principalmente no grau necessário para aplicações com produtos alimentícios) • Consumo elevado de potência pela bomba de vácuo 13. lavagem e secagem da torta. de bandeja inclinada e de mesa) • Produção de filtrados relativamente limpos usando uma porta para o turvo ou uma bacia de sedimentação (nos filtros de correia horizontal. . Filtros contínuos a vácuo Classificam-se em três categorias: Tambor rotativo.Apresentam uma válvula que regula a pressão abaixo da superfície de filtração nos diferentes estágios de seu percurso permitindo a drenagem do filtrado. de bandeja e de correia). Escola Técnica Santa Edwiges Página 14 . É necessário considerar os seguintes aspectos ao escolher o tipo de filtro a ser empregado: características da polpa. retornando novamente ao ponto de alimentação da polpa.Possuem uma superfície filtrante na qual a torta se deposita por efeito do vácuo no ponto de entrada da polpa e se move até o ponto de remoção da torta. operações às quais a torta deve ser submetida e aspecto econômico. O ciclo de operação deste filtro é na realidade uma série de etapas descontinuas muito próximas que simulam um processo continuo.4.

Na maioria das vezes. Escola Técnica Santa Edwiges Página 15 . O tecido deve conter as seguintes características: boa resistência mecânica. que deve ser selecionado em função do tipo do material a ser filtrado. quando a torta é removida por um jato de ar comprimido. os tipos de operação poderão ser feitas num mesmo filtro.BENEFICIAMENTO III Operação do filtro rotativo a vácuo Os filtros contínuos a vácuo podem operar. uma lamina ou um arame para facilitar a descarga. tanto conta a gravidade – quando a superfície filtrante girar dentro de um tanque de polpa. o meio filtrante utilizado em filtros a vácuos contínuos para a separação sólido/liquido é um tecido. porém. a lavagem só é feita em superfícies horizontais pouco inclinadas. em função de sua alimentação. pode utilizar o auxilio da gravidade. quanto a favor da gravidade – quando polpa é alimentada sobre esta superfície. As unidades de alimentação por baixo são indicadas para polpas que podem ser mantidas na forma de uma suspensão homogênea. A operação de desaguamento pode ser realizada em qualquer tipo de superfície. Quando um filtro opera contra a gravidade diz-se tratar de unidade de alimentação por baixo e no caso contrário são unidades de alimentação por cima. O mecanismo de descarga da torta num filtro a vácuo continuo. a descarga é feita contra a gravidade quando podem ser correntes metálicas. Na operação de secagem da torta é comum o uso de corrente de ar quente ou vapor. cilindros em movimento ou parafuso sem fim. Opcionalmente. As outras unidades são mais usadas para polpas contendo sólidos de granulométrica grosseira. Dependendo da configuração da superfície de filtração. possuir abertura maior possível para favorecer a velocidade de filtração e fechado o suficiente para evitar passagem de partículas finas. não entupir facilmente.

retroescavadeiras hidráulicas. existindo. facilitando a manobra dos caminhões. equipamentos também utilizados nas minas do exterior. Operações auxiliares A excavação e carga é feito por escavadeiras a cabo. o que ainda é. equipamentos de maior porte são encontrados com maior freqüência. devido à posição do cabo elétrico. Escola Técnica Santa Edwiges Página 16 . São muito pouco utilizadas as calhas metálicas que são colocadas no piso. Essa dificuldade criada para o desempenho do trabalho tem sido a desculpa freqüente de não se carregar pelos dois lados. escavadeiras hidráulicas. é imperativo que as escavadeiras sejam sempre operadas fazendo o carregamento dos caminhões de ambos os lados. carregadeiras sobre pneus ou esteira. assim. dragas e monitores hidráulicos. apesar de aconselhável. próximo das escavadeiras para proteção do cabo. torna-se inviável. prática pouco comum. em função da cultura de desenvolvimento de mina estabelecida em nosso país. não permitindo praças adequadas para essa operação. Para se obter melhor produtividade no carregamento.BENEFICIAMENTO III Instalação com filtro rotativo a vácuo 14. A razão principal é que não se toma o cuidado de manter a adequada largura das bancadas e não se garante fácil acesso aos dois lados da máquina. Nas minas externas. nas minas do Brasil. Tal prática. na maioria das vezes.moto scrapers. um número superior de escavadeiras a cabo de grande porte.

a retroescavadeira trabalha sobre a pilha desmontada. com menor investimento. Na mina da Fosfértil. os cabos nacionais nem sempre estão disponíveis. podem trabalhar em terrenos de menor resistência à compressão. a de maior porte no Brasil. Uma aplicação também adequada delas é feita na minas de fatias do Pará e Rio Grande do Sul. Apesar de possuírem menor custo de aquisição do que os similares importados. é crescente o número dessas máquinas nas minas do Quadrilátero. o que permite um controle em tempo real da quantidade e qualidade lavrada. As pás carregadeiras L1800 existentes em Itabira e Carajás já possuem também os recursos de pesagem. a utilização de retroescavadeiras e pás carregadeiras é mais freqüente por se adequarem melhor aos caminhões menores. por terem suas caçambas mais compatíveis com as aberturas dos britadores primários instalados. muitas vezes inadequadas. As retroescavadeiras são especialmente indicadas nas operações de pedreiras. carregando os caminhões com ciclo menor. como acontece nas minas externas. como aconteceu em muitas situações. Nas operações contratadas. em Tapira. e serem mais baratas. obrigando a aquisição de similares importados. Um novo projeto de cobre está sendo implantado em Carajás. desde o Escola Técnica Santa Edwiges Página 17 . Por serem mais leves. se faça maior opção pelas escavadeiras hidráulicas que poderiam em muitas situações ser mais aplicadas. sendo também de mais fácil locomoção. Somente em Carajás e Itabira está sendo seguida uma tendência muito moderna de instalação de GPS e pesagem nas escavadeiras. Será necessário ainda que. Felizmente.BENEFICIAMENTO III Os cabos de escavação fabricados no Brasil já possuem a necessária qualidade para permitir um número maior de horas de trabalho. onde está sendo prevista a aquisição de escavadeira tipo PH 4100 de 42jc. para movimentação do estéril. permitindo a renovação de máquinas a cabo de menor porte. no planejamento de nossas minas. Em algumas pedreiras. Carajás é também a única mina que utiliza escavadeira PH 2800.

Transporte De modo geral. 15. também nessa mina.BENEFICIAMENTO III início foram utilizadas as escavadeiras Marion 151M. quando se analisa a diminuição da capacidade resultante ao se paralisar uma unidade de grande porte. Recentemente. A população de caminhões existentes no Brasil acima de 95t ultrapassa uma centena de unidades. Estes caminhões possuem células de pesagem. caçambas fabricadas em aço especial. resultando num ciclo de carregamento maior (mais passes por carga). Deverá ser dada muita atenção também às drenagens e manutenção das estradas eliminando-se Escola Técnica Santa Edwiges Página 18 . muitas minas ainda convivem com uma combinaçãoinadequada escavadeira x caminhão. a atividade transporte interno concentra o maior custo operacional das nossas minas. A tendência de se utilizar sempre maiores unidades em menor número. A componente econômica é a principal determinante desta prática. permite minimizar estes custos. que permitiram aumentar o volume para 13jc. Como os caminhões cresceram mais rapidamente do que as escavadeiras em termos de capacidade. por outras fabricadas em chapa especial permitiu passar a caçamba original de 12jc para 18 jc. diesel ou diesel elétricos. que foram aumentadas para 278st (toneladas curtas). Todos os caminhões das outras minas brasileiras são menores do que 190t. Somente a CVRD em Itabira e Carajás introduziu caminhões fora de estrada com capacidade nominal de 240st. Os raios de curva das estradas necessitam ser sempre bem estudados nas nossas minas por melhorarem a vida dos pneus dos caminhões. Essa afirmativa tem sido contestada por muitos. a troca das caçambas de aço fundido das escavadeiras PH 1900 adquiridas. melhorando a produtividade por exigir menor número de passes para carregar o caminhão de 190t. comparada com o efeito causado pela paralisação de uma unidade menor.

com desvantagens. é ainda o melhor exemplo de lavra a custo baixo utilizando correias transportadoras nas frentes.BENEFICIAMENTO III totalmente as poeiras. o que poderá prolongar sua vida útil. o que encarece nossas operações. Até agora não tivemos nenhum projeto que justificasse o uso de caminhões diesel elétricos com trolley nas vias permanentes. Para os caminhões fora de estrada de capacidade supeior a 190t. com economias significativas. não há disponibilidade de pneus adequados localmente e depende-se sempre da importação. gerando as mesmas dificuldades. com destaque para Itabira e Carajás que possuem os tipos mais modernos. Necessariamente no nosso clima. Minas Gerais. Quase todas as nossas minas de GP e MP já estão equipadas com sistemas modernos de direcionamento (dispatching) de caminhões para escavadeiras nas minas. Este exemplo precisa ser mais aplicado nas minas brasileiras. A operação da Samarco em Mariana. Um ponto importante a ressaltar e que já vem sendo feito em algumas minas brasileiras é a disposição de se modernizar os caminhões elétricos mais velhos. Os caminhões modernos possuem muitos elementos de controle de que ainda não se tem fabricação local. que estes equipamentos de grande porte precisam sempre de uma manutenção rigorosa. estes caminhões fora de estrada de capacidade superior a 100t precisam ter cabines climatizadas. Uma vez que há poucas britagens nas cavas. É importante salientar . para dar maior conforto aos operadores.ainda. o transporte por caminhões nas nossas minas tem sido muito longo. sem improvisações. o que vem permitindo significativa redução no número de unidades necessárias. Escola Técnica Santa Edwiges Página 19 .

evitando-se os lançamentos e diminuindo também o nível dos ruídos do desmonte. os mesmos equipamentos que as suas congêneres do exterior. o que dificulta a melhor manutenção das estradas. eles poderão até substituir o desmonte por explosivo. A exceção que se faz é a falta ainda em algumas minas de quebradores de matacos eletrohidráulicos. as operações de mina a céu aberto externas utilizam reduzida mão de obra se comparado com o que se pratica no Brasil. inclusive. em algumas minas de MP E GP.BENEFICIAMENTO III 16. maior incômodo. Outra aplicação importante dos quebradores hidráulicos será sua utilização para regularizar os taludes finais dos bancos lavrados. Mão de Obra De modo geral. uma tendência da atividade no mundo e que também Escola Técnica Santa Edwiges Página 20 . podem causar. ainda. por terem operação continuada. Em muitas frentes. Convive-se. de maneira geral. As motoniveladoras de grande porte são ainda pouco numerosas nas nossas operações de MP e GP. montados em braços de retroescavadeiras hidráulicas. e caminhões tanques irrigadores de grandecapacidade. Os rompedores. Muitas de nossas minas não se modernizaram ainda o suficiente a ponto de terem já adquirido os instrumentos mais modernos para levantamentos topográficos e softwares para planejamento. Tem sido correta a política das empresas de utilizar mão de obra somente onde ela é necessária. aplicação que também está sendo considerada no momento em operações no exterior. Os quebradores de matacos já estão em uso de forma mais generalizada nas pedreiras urbanas das grandes cidades. A aplicação nas minas dos equipamentos de maior porte traz economia para as operações. Equipamentos auxiliares As minas brasileiras possuem. 17. com pequenos carros-pipa alugados de terceiros.

de custo elevado. apesar de treinados para tal. servindo como ferramentas bastante úteis no treinamento dos operadores. como exemplo a falta de catadores de pedras soltas nas vias e muitas vezes também nas praças de lançamento de estéril. na ânsia de economizar mão de obra. na medida do possível. A sua capacitação demanda a cooperação dos fabricantes e deve fazer ser integrante das condições de aquisição dos equipamentos. Nossos operadores de caminhões e de outros veículos que circulam nas minas nem sempre possuem a determinação de parar o veículo e remover as pedras ou chamar assistência para atender às situações que se apresentam. Às vezes. Os seguintes métodos de lavra a céu aberto serão discutidos a seguir: · Encosta · Cava · Fatias · Lavra por dissolução Escola Técnica Santa Edwiges Página 21 .BENEFICIAMENTO III está sendo seguida aqui no Brasil. prejudica-se o custo da operação. Já vêm sendo utilizadas com sucesso em muitas minas as modernas técnicas de comunicação visual. Um acidente provocado por pedras soltas poderá resultar na perda total de pneus de caminhões fora de estrada. exigindo freqüente treinamento no trabalho por meio de instrutores muito bem preparados. contudo. Procura-se também aqui dar à mão de obra empregada as melhores condições de segurança e higiene no trabalho. Cita-se. Todas as atividades envolvendo pessoas precisam ser muito bem monitoradas. A mão de obra de manutenção mecânica e elétrica tem um papel importante na mineração quando se visa alcançar as disponibilidades exigidas nestes equipamentos modernos de alto custo.

pdf http://w.L. 1980.htm http://w. pois muitos dos produtos industriais são suspensões de sólidos em líquidos.htm FRANÇA. principalmente. Rio de Janeiro.br/~lair/Pagina-OPUNIT/Filterpress. Cap. & MASSARANI.541-577. Pontifícia Universidade Católica de Rio de Janeiro.htm http://w.aguasdoalgarve.com. http://w. entre outras. resíduos e. Nas operações auxiliares toda essa etapa é de suma importância onde o custo na movimentação da lavra ate o cliente. 2 ed.A. ou uma parcela de líquido com baixíssimo teor de sedimentos.BENEFICIAMENTO III 18.ufsc. 2004. no processamento de alimentos.S. p.com/trab_estudantes/trab_estudantes/fisico_quimica/fisico_quimica_ trabalhos/processosseparmisturas. BHAPPU.ufrn.php?c=105 http://w.br/disci/eqa5313/Filtracao. Referencias bibliográficas SANT’ANA.notapositiva. Separação Sólido-Líquido em Tratamento de Efluentes: decantação e filtração. tratamento de água.C.27. R.pt/content. S. o custo é muito alto. 60% é com movimentação de minerais e estéril. KING. Mineral processing plant design. onde todo o gasto de lavra na mina. Ministério da Ciência e Tecnologia.br/portugues/pdf/mausa007. Escola Técnica Santa Edwiges Página 22 . no beneficiamento de minérios. New York: SME. A.B.mausa.B. entre elas: a indústria química. CETEM – Centro de Tecnologia Mineral. a separação de uma polpa diluída vem intimamente relacionada à ação da gravidade. G..enq. objetivando obter um produto com concentração elevada de sólidos. Capítulo 14: Separação Sólido-Líquido. Conclusão A etapa de separação sólido-líquido está entre as operações de sedimentação mais importantes que hoje são empregadas em indústrias. Nos processos mineralógicos. H. Departamento de Ciências dos Materiais e Metalurgia – Tratamento de Efluentes Industriais. 19.L Thickeners. D.ufrnet. In: MULLAR.

Interesses relacionados