Você está na página 1de 68

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Olá, meu amigo! Como vão seus estudos? Espero que eles estejam a todo vapor!. Nesta aula 7, falaremos sobre sintaxe de concordância. Essa expressão nada mais significa do que a relação estabelecida, como regra geral, entre o verbo da oração e o sujeito dela; entre o artigo, o adjetivo, o numeral adjetivo, o pronome adjetivo e o substantivo a que se referem. O primeiro tipo de relação é mais conhecido nos manuais de gramática e nas salas de aula como concordância verbal; o segundo, como concordância nominal. Existem muitas regras específicas, detalhes, exceções envolvendo esse assunto. Aqui, tentarei abordar um número suficiente de casos. Começarei pelos casos de concordância verbal. Vamos a eles!

Casos Gerais de Concordância Verbal

O verbo e o sujeito de uma oração concordam em número e

pessoa.

"O outono é mais estação da alma

"Todas estavam ainda verdes." (C. D. A.)

" (C. D. A.)

1

No

mundo

moderno

em

que

vivemos,

é

certamente

difícil reconstituir

as

sensações,

as

impressões

que

tiveram

os

primeiros homens

em

contato

com

a

natureza.

A

imensa

4

variedade

de

corpos

e

acontecimentos

que

nos

envolvem

gerou as

noções

de

matéria,

 

de

espaço

e

de

tempo,

fundamentalmente entrelaçadas no conhecimento das coisas. [

]

José Leite Lopes. Tempo = espaço = matéria. In: Adauto Novaes (Org.). Tempo e História. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 167 (com adaptações).

1. (Cespe/Antaq/Especialista – Economista/2009) Preservam-se a coerência da argumentação e a correção gramatical do texto ao se substituir “A imensa variedade de” (L.3-4) por Os inúmeros.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Comentário – Proceda à substituição: Os inúmeros corpos e acontecimentos

que nos envolvem gerou

Agora, o termo que funciona como sujeito do verbo “gerou” tem como núcleo o substantivo plural “inúmeros”. Antes, o núcleo do sujeito era o substantivo singular “variedade”. Tal transformação deve levar o verbo a flexionar-se em terceira pessoa do plural: geraram, o que não ocorreu. Resposta – Item errado.

Notou a incorreção gramatical? É isso mesmo!

2. (Cespe/MRE-IRB/Bolsas-prêmio/2009) Considerando que o fragmento apresentado constitui parte de um texto de Jamil Chade (O Estado de S. Paulo, 18/12/2008), julgue-o quanto à correção gramatical.

O jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung divulgou as novas previsões do Ministério da Economia da Alemanha que indicam que o maior mercado da Europa sofrerão uma queda de pelo menos 3% em 2009. O encolhimento da economia poderá ser ainda maior se a recessão atingir outros países.

Comentário – O trecho apresenta erro de concordância verbal. Não há concordância entre o sujeito simples “o maior mercado da Europa” e a forma verbal “sofrerão”, flexionada na terceira pessoa do plural. Eis a forma correta:

“o maior mercado da Europa sofrerá”. Resposta – Item errado.

 

[

]

Dados

da

Comissão

de

Relações

Exteriores

e

Defesa

Nacional

mostram

que

a

entrada

do

 

país

resultará

em

um

bloco

com

mais

de

250

milhões

de

habitantes,

 

área

de

13

12,7

milhões

de

km2,

PIB

superior

a

U$

1

trilhão

(aproximadamente

comércio global superior a US$ 300 bilhões. ]

[

76%

do

PIB

da

América

do

Sul)

e

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Maria Clara Cabral. Folha de S. Paulo,18/12/2008.

3. (Cespe/MRE-IRB/Bolsas-prêmio/2009) A forma verbal “mostram” (l.11) está no plural porque concorda com “Relações Exteriores” (l.10).

Comentário – O verdadeiro núcleo do sujeito simples “Dados da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional” é o termo “Dados”, que pode ser representado pelo pronome “eles”, terceira pessoa do plural. Por isso a forma verbal “mostram” está no plural. Resposta – Item errado.

4. (Cespe/DPU/Agente Administrativo/2010 – adaptada) O trecho seguinte é adaptado do editorial do Jornal Zero Hora (RS) de 20/4/2010. Julgue-o quanto à correção gramatical.

A campanha eleitoral que se aproxima estará marcada definitivamente pelo uso das facilidades de comunicação que a Internet põem à disposição de partidos, candidatos e eleitores. Haverá a difícil e desafiadora obrigação de manter todo o processo dentro de padrões civilizados, impedindo que os radicais e irresponsáveis contaminem a disputa.

Comentário – Conseguiu encontrar o erro? É a forma verbal “põem”, flexionada incorretamente na terceira pessoa do plural. O sujeito “Internet” (simples e no singular) obriga o verbo pôr (note a manutenção do acento circunflexo para diferenciá-lo da preposição por) a se flexionar na terceira pessoa do singular: “a Internet põe”. O examinador tentou tirar proveito da semelhança existente nas pronúncias de põe e põem. Resposta – Item errado.

5. (Cespe/SAD-PE/Analista Contábil/2010) “‘Buscamos levar mais informação às pessoas e aos profissionais de saúde para mudar a cultura que existe sobre transplantes. O aumento é um reflexo dessa mudança; dos

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

investimentos feitos pela SES, que tem priorizado a CTPE; e do trabalho feito nos hospitais’, afirma.”

Se a expressão das operações de transplante fosse incluída logo após ‘aumento’, a forma verbal ‘é’ deveria, necessariamente, ser flexionado no plural.

Comentário – Vejamos como ficaria: O aumento das operações de

transplante

aumento, certo? Sendo assim, o verbo ser deve continuar flexionado na terceira pessoa do singular. Resposta – Item errado.

Então, qual é o núcleo desse termo? O substantivo singular

qual é o núcleo desse termo? O substantivo singular [ ] 6. (Cespe/Instituto Rio Branco/Diplomata/2011) No

[

]

qual é o núcleo desse termo? O substantivo singular [ ] 6. (Cespe/Instituto Rio Branco/Diplomata/2011) No

6. (Cespe/Instituto Rio Branco/Diplomata/2011) No primeiro período, que resume a ideia principal do texto, o emprego, na oração principal, da forma verbal “tem” (l. 2), no singular, é exigido pelo sujeito dessa oração.

Comentário – Note a concordância entre sujeito e verbo: “O fato [

]”. [

tem

O grande detalhe fica por conta da ausência do acento circunflexo na

]

forma verbal. Lembre-se de que somente no plural o acento deve ser

empregado. Exemplo: “Os fatos [ Resposta – Item certo.

]

têm [

]”.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

] [

ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA ] [ ] [ 7. (Cespe/AL-ES/Cargos de Nível Médio/2011)

] [

7. (Cespe/AL-ES/Cargos de Nível Médio/2011) Na linha 31, a forma verbal “completa” poderia ser flexionada no plural, para concordar com a expressão “duas décadas”.

Comentário – Como regra geral, o verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito. O termo “duas décadas” funciona como adjunto adverbial (expressa circunstância de tempo). Então a concordância que o examinador indicou é completamente errada. O sujeito da forma verbal “completa” é o termo “o processo de amadurecimento do cérebro”, cujo núcleo (em negrito) está no singular. Resposta – Item errado.

(em negrito) está no singular. Resposta – Item errado. ] [ 8. (Cespe/EBC/Cargos de Nível Médio/2011)

] [

8. (Cespe/EBC/Cargos de Nível Médio/2011) Prejudica-se a correção gramatical do período ao se substituir “têm sido” (L.2-3) por são.

Comentário – Você entendeu o que leu? Notou que a banca disse “correção gramatical”? Então, nada de “viajar na maionese”! Analise apenas a correção gramatical.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Qual o sujeito da locução verbal “têm sido”? É todo o trecho “Meios de comunicação de massa financiados por dinheiro público e livres do controle privado comercial”. Qual é o núcleo desse sujeito? O termo “Meios”, no plural. É por isso que o verbo “têm” recebeu acento. Portanto a troca pela forma verbal “são” – também no plural – está correta, respeita a concordância. Resposta – Item certo.

respeita a concordância. Resposta – Item certo. 9. [ ] (Cespe/PC-CE/Inspetor de Polícia/2012) Não haveria

9.

[

]

(Cespe/PC-CE/Inspetor de Polícia/2012) Não haveria prejuízo para o sentido do texto se a forma verbal “dizem” (L.2) fosse substituída por dizemos.

Comentário – Questão muito interessante. Merecer todo a nossa atenção. A concordância da forma verbal “dizem” (terceira pessoa do plural) leva em consideração o emprego do pronome indefinido substantivo “Muitos” e a ideia transmitida por ele. Note que o verbo “acreditam” também está flexionado na terceira pessoa do plural. Dessa forma, o enunciador, intencionalmente, exclui-se do grupo daqueles que compartilham a mesma opinião.

O uso da forma dizemos (primeira pessoa do plural) em vez de “dizem” faz com que o enunciador compartilhe a tal opinião a respeito do Estado. Resposta – Item errado.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Quando o sujeito é composto, isto é, possuir mais de um núcleo, verifica-se o seguinte:

1. Representado por pessoas gramaticais diferentes a primeira pessoa (NÓS) prevalecerá sobre as demais, e a segunda (VÓS) terá preferência sobre a terceira (ELES).

Eu, tu e os cidadãos (Nós) saímos. Tu e os cidadãos (Vós) saístes. (norma culta) Tu e os cidadãos (Vocês) saíram. (norma popular – ocorre que os pronomes TU e VÓS, no falar do português do Brasil, são frequentemente substituídos por VOCÊ e VOCÊS, o que leva o verbo para a terceira pessoa)

2. Anteposto ao verbo o verbo ficará sempre no plural (concordância rígida ou gramatical).

Pai e filho conversaram longamente. As imagens e o som não estavam adequados.

 

[

]

7

A

participação

popular

e

o

controle

popular

do

poder

guardam

a

ideia

de

que

o

exercício

da

política

é

coletivo

e

racional,

com

vistas

à

conquista

de

algum

bem.

A

política

10

é

exercida

sempre

que

as

pessoas

agem

em

conjunto.

A política

é

uma

ação

plural. O

voto, nas

eleições, é

modo de

expressão

do

consentimento

dos

cidadãos,

para

que

o

poder

13

seja

exercido

em

seu

nome,

para

que

as

leis

sejam elaboradas

e executadas de modo legítimo. [

]

Daniela Romanelli da Silva. Poder, constituição e voto. In: Filosofia, Ciência & Vida. São Paulo: Escala, ano III, n.º 27, p. 42-3 (com adaptações).

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

10. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Na argumentação do texto, a opção pela estrutura verbal “guardam a ideia” (l.8) cria o pressuposto de ser falsa a afirmação de que “o exercício da política é coletivo e racional” (l.8-9).

Comentário – A estrutura verbal foi empregada na terceira pessoa do plural (“guardam”) porque concorda com o sujeito composto “A participação popular e o controle popular do poder”, que a antecede. É descabido o que afirma o examinador. Pelo pequeno fragmento, já dá para você entender que é verdadeiro o pressuposto de que “o exercício da política é coletivo e racional”. Resposta – Item errado.

11. (Cespe/DPU/Agente Administrativo/2010 – adaptada) O trecho a seguir é adaptado do editorial d’O Estado de S.Paulo de 22/4/2010. Julgue-o quanto às normas gramaticais da língua portuguesa padrão.

Os recursos materiais destinados ao combate da dengue são fundamentais, mas de pouco valem sem ações complementares, de responsabilidade de governos locais e da população. Nos últimos anos, tanto os governos estaduais como a União não poupou recursos financeiros e técnicos para apoiar às prefeituras no combate da dengue.

os

Estamos diante de

sujeito composto cujos núcleos (“governos” e “União”) estão ligados pela

expressão correlativa “tanto

como”. A norma gramatical estabelece que o

governos estaduais como a União não poupou recursos

Comentário – Do último período, vamos destacar a oração “

tanto

”.

verbo vá para o plural quando os núcleos do sujeito composto estiverem

ligados por essa ou por outras expressões afins. Exemplos:

a) “Não

a

nação

mas

também

pobres.” (Alexandre Herculano”

como o Estado

inocentes.” (Alexandre Herculano)

b) “Tanto a Igreja

o

príncipe

estariam

eram até certo ponto

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

c) Tanto ele quanto ela parecem guardar segredo.

Resposta – Item errado.

] [

parecem guardar segredo. Resposta – Item errado. ] [ ] [ 12. (Cespe/TC-DF/Auditor de Controle Externo/2012)

] [

12. (Cespe/TC-DF/Auditor de Controle Externo/2012) A forma verbal “representaram” (L.17) está no plural para concordar com o sujeito composto da oração, cujos núcleos são “fim” (L.15), “século” (L.15) e “ressurgimento” (L.16).

Comentário – O sujeito realmente é composto, o que faz o verbo representar flexionar-se no plural. Porém só existem dois núcleos: “fim” e “ressurgimento”. O substantivo “século” é núcleo do adjunto adverbial “no século XV”. Resposta – Item errado.

3. Posposto ao verbo o verbo poderá ficar no plural (concordância rígida ou gramatical) ou concordará com o núcleo mais próximo (concordância atrativa).

com o núcleo mais próximo (concordância atrativa). Caíram uma flor e duas folhas. (ou “Caiu”, para

Caíram uma flor e duas folhas. (ou “Caiu”, para concordar apenas com “uma flor”)

(ou “Caiu”, para concordar apenas com “uma flor”) Saiu o ancião e seus amigos. (ou “Saíram”,

Saiu o ancião e seus amigos. (ou “Saíram”, para concordar com todos os núcleos)

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA Saíste tu e Pedro. (ou “Saístes”, para concordar

Saíste tu e Pedro. (ou “Saístes”, para concordar com todos os núcleos; ou “Saíram”, de acordo com a norma popular)

ATENÇÃO! Quando há reciprocidade, no entanto, a concordância deve ser feita no plural.

Agrediram-se o deputado e o senador. Ofenderam-se o jogador e o árbitro.

13. (Cespe/TCU/AFCE-TI/2010) “Nas sociedades modernas, somos diariamente confrontados com uma grande massa de informações. As novas questões e os eventos que surgem no horizonte social frequentemente exigem, por nos afetarem de alguma maneira, que busquemos compreendê-los, aproximando-os daquilo que já conhecemos.”

O uso da flexão de terceira pessoa do plural em “afetarem” estabelece a relação desse verbo com “novas questões e os eventos”.

Comentário – O sujeito composto “novas questões e os eventos” foi explicitado na oração principal do período (“As novas questões e os eventos frequentemente exigem”). Na oração subordinada “por nos afetarem de alguma maneira”, a concordância do verbo leva em consideração esse termo. Resposta – Item certo.

[

]

Como

tentativas

de

acompanhar

essa

velocidade

vertiginosa que marca o processo de constituição

da

sociedade

13

hipermoderna, surge a flexibilidade fluidez das relações interpessoais. [

]

do

mundo

do

trabalho

e

a

Renato Nunes Bittencourt. Consumo para o vazio existencial. In: Filosofia, ano V, n. 48, p. 46-8 (com adaptações).

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

14. (Cespe/MPU/Analista Administrativo/2010) A forma verbal “surge” (l.13) está flexionada no singular porque estabelece relação de concordância com o conjunto das ideias que compõem a oração anterior.

Comentário – Esse verbo concorda atrativamente com o núcleo (em negrito) mais próximo do sujeito composto “a flexibilidade do mundo do trabalho e a fluidez das relações interpessoais”. Resposta – Item errado.

Casos Particulares de Concordância Verbal

1. Verbos impessoais não possuem sujeito, ficando na terceira pessoa do singular.

Choveu muito. Deve nevar muito naquelas regiões. Aqui faz verões terríveis.

Verbos

fenômenos naturais

que

indicam

Deve fazer dez anos que eles chegaram. anos não o vejo. Ia para dez anos que não o via. Já passava de dez horas.

Verbos

tempo decorrido

que

indicam

Poderá haver alunos reprovados.

Verbo “haver” com sentido de “existir”, “acontecer”, “ocorrer”.

15. (Cespe/DPU/Agente Administrativo/2010 – adaptada) O trecho a seguir é adaptado do editorial d’O Estado de S.Paulo de 22/4/2010. Julgue-o quanto às normas gramaticais da língua portuguesa padrão.

O número de brasileiros infectados pela dengue aumentou mais de 70% no primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2009. O maior foco da doença se concentra em Goiás, onde haviam 50 mil casos registrados. Minas Gerais é o estado do Sudeste com maior número

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

de ocorrências (49 mil) e em Mato Grosso o total de doentes chegou a 31.510 pessoas.

Comentário – Observe atentamente a oração “onde haviam 50 mil casos registrados”. Notou a flexão do verbo haver? Como ele foi usado com a sentido de existir, é impessoal, não tem sujeito e deve se manter na terceira pessoa do singular (“havia”). A expressão “50 mil casos registrados” funciona sintaticamente como objeto direto dele. Resposta – Item errado.

16. (Cespe/Sefaz-ES/Consultor do Executivo – Ciências Econômica/2010) “Faz tempo que estava amadurecendo a polêmica sobre esses indicadores — crescimento econômico e emprego.”

Se a palavra “tempo” fosse substituída pela expressão dois anos, a forma verbal “faz” deveria ser substituída por fazem.

Comentário – Nas indicações de tempo, fazer é outro verbo impessoal, sem sujeito, devendo ser mantido invariavelmente na terceira pessoa do singular. Então, mesmo que a palavra “tempo” fosse substituída pela expressão dois anos, a forma verbal “faz” não sofreria variação. Resposta – Item errado.

[

]

A

declaração,

marcadamente

humanista

e

sociopolítica,

não

25

imaginou o neoliberalismo deste fim de século, com sua “des- historicização” do tempo, com sua despolitização da vida, com seu messianismo consumista, com a entronização da economia

28

de mercado como uma “fatalidade” natural, irreversível, fora da qual não há possibilidades, com um laissez faire que significa exclusão.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Francisco Alencar. Para humanizar o bicho homem. In: Francisco Alencar (Org.). Direitos mais humanos. Brasília: Garamond, 2006. p. 17-31 (com adaptações).

17. (Cespe/TRT-21ª

Região/Analista

Judiciário/2011)

Atenderia

à

norma

gramatical a substituição da forma verbal “há” (l. 29) por existem.

Comentário – O verbo haver é impessoal na acepção de existir, por isso fica invariavelmente na terceira pessoa do singular. O termo “possibilidades” funciona como objeto direto. A preferência pelo uso de existir (verbo pessoal) torna esse termo sujeito e obriga que entre ele e o verbo haja concordância número-pessoal: existem possibilidades. Resposta – Item certo.

2. Verbos unipessoais são os que possuem sujeito, ficando na terceira pessoa do singular ou do plural; os principais são acontecer, bastar, caber, constar, convir, faltar, importar, interessar, ocorrer, parecer, restar, urgir, etc.

Basta uma reflexão.

sujeito

Faltam apenas quatro linhas.

sujeito

3. Sujeito oracional se o sujeito for oracional, o verbo da oração principal ficará no singular.

Falta fazer quatro linhas.

sujeito

Urge que tomemos uma atitude radical.

sujeito

4. Pronome apassivador e índice de indeterminação do sujeito

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Dá-se aula. (com verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos, o SE é pronome apassivador e o verbo da oração – “dá” – deve concordar com o sujeito – “aula”)

Dão-se aulas. (pluralizando-se o sujeito – “aulas” –, o verbo deve flexionar-se também no plural – “Dão”; e o “se” continua como pronome apassivador) Precisa-se de professores. (agora, o vocábulo “SE” acompanha verbo transitivo indireto – “Precisa” – e, por isso, denomina-se índice de indeterminação do sujeito, o que força o verbo a ficar na terceira pessoa do singular, situação que se repete com verbos intransitivos, de ligação e verbo transitivo direto + SE + preposição)

1

Falei

de

esquisitices.

 

Aqui

está

uma,

que

prova

ao

mesmo

tempo

a

capacidade

política

deste

povo

e

a

grande

observação

dos

seus

legisladores.

Refiro-me

ao

processo

4

eleitoral.

Assisti

 

a

uma

eleição

que

aqui

se

fez

em

fins

de

novembro.

Como

em

toda

a

parte,

este

povo

andou

em

busca

da

verdade

eleitoral.

Reformou

muito

e

sempre;

esbarrava-se,

7

porém,

diante

de

vícios

e

paixões,

que

as

leis

não

podem

eliminar. [

]

Machado de Assis. A semana. Obra completa, v. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 757.

18. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/2007) Caso a expressão “aqui se fez” (L.4) seja substituída por aqui foi feita, prejudica-se a correção gramatical do período.

Comentário – Não gera prejuízo a troca sugerida pela banca examinadora. Originalmente, tem-se voz passiva sintética; posteriormente, voz passiva

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

analítica. Mas o que deve chamar nossa atenção aqui é a concordância estabelecida entre o verbo e o seu sujeito. Nas duas estruturas, o verbo fazer mantém-se em terceira pessoa do singular para concordar com “eleição”, antecedente do pronome relativo “que” e pelo qual se faz representar na função de sujeito. Caso o termo estivesse pluralizado (eleições), o verbo deveria ser empregado também no plural. Resposta – Item errado.

1

As

diferenças

de

classes

vão

ser

estabelecidas

em

dois

níveis polares: classe privilegiada

e

classe

não

privilegiada.

Nessa dicotomia, um leitor crítico

vai

perceber

que

se

trata

de

4

um corte epistemológico, na medida em

que

fica

óbvio

que

classificar por extremos não reflete a complexidade da sociedade brasileira, apesar de indicar os picos. [ ]

de

classes

Dina Maria Martins Ferreira. Não pense, veja. São Paulo: Fapesp & Annablume, p. 62 (com adaptações).

19. (Cespe/MPU/Analista Administrativo/2010) O uso da forma verbal “se trata” (l.3), no singular, atende às regras de concordância com o termo “um corte epistemológico” (l.4) e seriam mantidas a coerência entre os argumentos e a correção gramatical do texto se fosse usado o termo no plural, cortes epistemológicos, desde que o verbo fosse flexionado no plural: se tratam.

Comentário – O verbo tratar-se é, quanto à regência, transitivo indireto e possui sujeito indeterminado. Portanto o termo “de um corte epistemológico” é o objeto dele e nenhuma concordância entre eles deve ser mantida. Resposta – Item errado.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

] [

que

fragiliza

e

subordina

economias

nacionais.

Não

é

admissível que

grupos

privados

transnacionais

não

mais

do

19

que

três centenas —, com negócios que

vão do setor produtivo

industrial ao

setor

financeiro,

passando

 

pela

publicidade

e

pelas

comunicações,

sejam,

na

verdade,

o

verdadeiro

governo

do

22

mundo,

hegemonizando

governos

e

nações,

derrubando

restrições alfandegárias, impondo seus interesses particulares.

] [

Francisco Alencar. Para humanizar o bicho homem. In: Francisco Alencar (Org.). Direitos mais humanos. Brasília: Garamond, 2006. p. 17-31 (com adaptações).

20. (Cespe/TRT-21ª Região/Analista Judiciário/2011) A correção gramatical do texto seria mantida caso o trecho “Não é admissível” (l. 17-18) fosse substituído por Não se admitem.

Comentário – Na redação original, o verbo ser está na voz ativa e concorda

na terceira pessoa do singular com o sujeito oracional “que grupos privados

transacionais

proposta, o sujeito continua o mesmo. Por ser oracional, ele faz com que o novo verbo, admitir (na voz passiva sintética), também se flexione na terceira

pessoa do singular: Não se admite. Portanto não há razão para que o verbo admitir se flexione na terceira pessoa do plural. Resposta – Item errado.

o verdadeiro governo do mundo”. Na redação

sejam

5. Coletivo O verbo concordará com o substantivo coletivo, estando próximo a ele; mas, se estiver distante, o verbo poderá ficar no singular ou no plural, conforme se queira destacar mais a ideia dos indivíduos.

O povo não revelou nada.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

O grupo se dividiu; mais adiante, porém, se reuniram (ou reuniu).

6. Expressão partitiva quando o sujeito é formado por uma expressão

metade de

, no plural, o verbo pode ficar no singular ou no plural.

parte de

partitiva (parte de

, etc.) seguida de substantivo ou pronome

a maior

o grosso de

,

a maioria de

, grande número de

,

,

A maioria das crianças não mente. (conc. rígida ou gramatical)

das crianças não mente. (conc. rígida ou gramatical) A maioria das crianças não mentem. (conc. atrativa)

A maioria das crianças não mentem. (conc. atrativa)

A maioria das crianças não mentem. (conc. atrativa)   [ ] A reação dos indicadores de
 

[

]

A

reação

dos

indicadores

de

atividade

na

zona

do

euro,

que

não

eram

4

robustos

ou

mesmo

convincentes,

é

agora

algo

semelhante

à

paralisia.

Os

Estados

Unidos

da

América

cresceram

a

uma

taxa

superior a 3%

em

12

meses, mas

a maioria dos analistas aposta

7

que a economia americana perderá força no segundo semestre.

 

[

]

Valor Econômico, Editorial, 6/7/2010 (com adaptações).

21. (Cespe/MPU/Técnico Administrativo/2010) Se o verbo da oração “mas a maioria dos analistas aposta” (L.6) estivesse flexionado no plural — apostam —, o período estaria incorreto, visto que, de acordo com a prescrição gramatical, a concordância verbal, em estrutura dessa natureza, deve ser feita com o termo “maioria”.

Comentário – Quando o sujeito é representado por expressões partitivas (a maioria de, um grande número de, por exemplo) seguido de substantivo no plural, o verbo pode flexionar-se no singular ou no plural. Resposta – Item errado.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

7. Quantidade aproximada quando houver uma quantidade aproximada

,

o

etc) seguida

(perto de

de

,

cerca de

o

coisa de

mais de

menos de

,

,

,

substantivo,

verbo

obrigatoriamente

concordará

com

substantivo.

verbo obrigatoriamente concordará com substantivo . Cerca de dois mil candidatos passaram no concurso.

Cerca de dois mil candidatos passaram no concurso. (concordância rígida ou gramatical)

ATENÇÃO! Com a expressão mais de um, devemos ter mais cuidado. O verbo só vai para o plural quando há ideia de reciprocidade ou quando a expressão surge repetida.

Mais de uma máquina estava parada. Mais de um casal se agrediram. Mais de uma flor, mais de uma folha foram arrancadas.

8. Pronome relativo que se o sujeito for o pronome relativo que, o verbo concordará com o antecedente.

Fui eu que cheguei por último.

com o antecedente . Fui eu que cheguei por último. Foste tu que chegaste por último.

Foste tu que chegaste por último.

cheguei por último. Foste tu que chegaste por último.   [ ] Não precisamos usar a
 

[

]

Não

precisamos

usar

a

22

superfície para

explicar

o

mundo,

porque

ela

mesma

é

parte

do

mundo

que

exige

explicação.

Ela

é

um

dado

da

realidade

ao

qual

nos

relacionamos.

A

superfície

pode

25

ter uma aparência ou ser mais, a própria verdade.

Márcia Tiburi. Uma filosofia da superfície. In: Cult, ano 11, p. 42 (com adaptações).

22. (Cespe/TCE-AC/Analista de Controle Externo/2009) A forma verbal “exige” (L.23) apresenta flexão de singular para concordar com o pronome “ela” (L.22), que, por sua vez, retoma, por coesão, “superfície” (L.22).

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Comentário – De fato, o pronome pessoal “ela” faz referência ao substantivo “superfície”. Entretanto, o sujeito da forma verbal “exige” é o pronome relativo “que”, representante semântico da expressão “parte do mundo”, que – por encontrar-se no singular – obriga o verbo a se mantaer também no singular. Resposta – Item errado.

 

[

]

Tempo,

espaço

e

matéria

são,

pois,

ideias

que

13

penetram

o

nosso

conhecimento

das

coisas,

desde

o

mais

primitivo,

e

que

evoluíram

por

meio

das

especulações

filosóficas

até

as

modernas

investigações

científicas,

que

as

16

integraram

em

um

nível

mais

profundo

de

síntese,

uma

unificação que levou milênios para ser atingida.

José Leite Lopes. Tempo = espaço = matéria. In: Adauto Novaes (Org.). Tempo e História. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 167 (com adaptações).

23. (Cespe/Antaq/Especialista – Economista/2009) Na organização das ideias no texto, o pronome “que” (L.14) retoma “nosso conhecimento das coisas” (L.13).

Comentário – É importante perceber que, ao se admitir como verdade a assertiva da banca examinadora, surge instantaneamente um erro de

concordância entre o sujeito e o verbo: nosso conhecimento das coisas

evoluíram

pessoa do singular (ELE) e que isso obriga o verbo a flexionar-se igualmente em número e pessoa (EVOLUI), o que não acontece. Então, qual é o verdadeiro antecedente do pronome relativo? Acertou se você disse “ideias”, de acordo com a linha argumentativa do texto e em observância às normas gramaticais. Resposta – Item errado.

Note que o núcleo do sujeito faz-se representar pela terceira

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

 

[

]

O

que

 

são

relações

de

10

poder

heterogêneas

e

em

constante

transformação.

O

poder

é, portanto, uma prática social constituída historicamente.

[ ]

Maria da Penha Nery. Vínculo e afetividade: caminhos das relações humanas. São Paulo: Ágora, 2003, p. 108-9 (com adaptações).

24. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Respeitam-se as relações de coerência e coesão gramatical do texto se a forma verbal “há” (R.9) for substituída por existe.

Comentário – Você já sabe que o verbo haver pode substituir o verbo existir, e vice-versa. O detalhe é que o primeiro é impessoal (não tem sujeito)

e o segundo, pessoal (possui sujeito, com o qual deve concordar em numero e

pessoa). Para saber se a forma existe pode mesmo substituir a forma “há”, você precisa identificar que termo funcionará como sujeito daquele verbo. Sintaticamente, o pronome relativo “que” é o sujeito. Diz a regra gramatical

que, nesse caso, a concordância deve ser feita com o antecedente do relativo:

o pronome demonstrativo “O” (= Aquilo), terceira pessoa do singular. Resposta – Item certo.

25. (Cespe/DPU/Agente Administrativo/2010 – adaptada) O trecho a seguir é adaptado do editorial d’O Estado de S.Paulo de 22/4/2010. Julgue-o quanto às normas gramaticais da língua portuguesa padrão.

Chuvas e calor acima da média, além da volta da circulação da dengue do tipo 1, são fatores que determina o aumento do número de casos. Mas é inegável que, diante de bons resultados dos programas realizados anteriormente, houve certa acomodação por parte dos segmentos encarregados do combate a dengue.

Comentário – Antecipo a você que meu comentário, aqui, se restringirá ao que diz respeito à concordância, em virtude do propósito desta aula.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Observe o segmento “são fatores que determina o aumento”. Agora atente para a oração (subordinada adjetiva restritiva) iniciada pelo pronome relativo “que”: “que determina o aumento”. Responda-me qual é o sujeito da forma verbal “determina”. Sua resposta deve ter sido o pronome relativo “que”, certo? O que diz mesmo a regra de concordância quando o sujeito for o pronome relativo que? Ela diz que, nesse caso, a concordância deve ser feita com o antecedente do relativo: o substantivo plural “fatores”. Portanto o verbo determinar deve ser flexionado na terceira pessoa do plural:

“são fatores que determinam o aumento” Resposta – Item errado.

] [

13

Os

EUA

tornaram-se

o

saco

de

pancadas

nessa

cúpula.

Raúl

Castro

não

foi

o

único

a

responsabilizar

os

EUA

e

o

que

chamou

de

seu

modelo

neoliberal

pela

crise

do

16

crédito, que está comprometendo muitas outras economias.

 

] [

Alexei Barrionuevo. The New York Times. In: O Estado de S. Paulo, 18/12/2008 (com adaptações).

26. (Cespe/MRE-IRB/Bolsas-prêmio/2009) A forma verbal “está” (l.16) vem no singular porque concorda com “modelo neoliberal” (l.15).

Comentário – A concordância é feita com a expressão “crise do crédito”, semanticamente substituída pelo pronome relativo “que”. Resposta – Item errado.

1 Vale

a

apena

rever

certas

crenças

que

multiplicado a respeito das chamadas emoções negativas. [

]

se

têm

Planeta, jan./2010, p. 64-5 (com adaptações).

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

27. (Cespe/Inca/Cargos de Nível Superior/2010) A substituição de “se têm” (l.1) por tem altera as relações entre os argumentos do texto, mas preserva sua coerência e correção gramatical.

Comentário – Primeiramente, vamos entender o porquê do acento na forma original. Pergunte-se o que tem sido multiplicado: “certas crenças”. Esse termo é substituído pelo pronome relativo “que”, o qual exerce a função sintática de sujeito do verbo ter. Já disse anteriormente que, nos casos semelhantes, a

o

antecedente está no plural, o verbo ter também vai para o plural. O plural desse verbo é indicado pelo acento circunflexo (que foi mantido pelo novo Acordo) para diferenciar da forma singular: (ele) tem. Portanto a troca sugerida pela banca (“certas crenças que se tem multiplicado”) traz prejuízos ao texto. Resposta – Item errado.

o

concordância

deve

ser

feita

com

antecedente

do

relativo.

Como

] [

deve ser feita com antecedente do relativo. Como ] [ ] [ 28. (Cespe/TJ-ES/Analista Judiciário/Letras/2011) Na

] [

28. (Cespe/TJ-ES/Analista Judiciário/Letras/2011) Na linha 7, é obrigatória a flexão de plural em “englobam” porque o sujeito da oração, o pronome relativo “que”, refere-se a “fontes”.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Comentário – Aplicação simples da regra. Quando o sujeito é o pronome relativo que, a concordância é feita com o termo referente (ou substituído). Resposta – Item certo.

29. (Cespe/Câmara dos Deputados/Analista Legislativo/2012) O último período do texto poderia ser corretamente reescrito da seguinte maneira:

Se forem desconsiderados os fatores causadores da tragédia por força de ocorrência astronômica ou geográficos sobre os quais os homens poder nenhum tem, as disposições naturais são as únicas que apresentam possibilidade de alteração substancial.

Comentário – Você e eu não precisamos do texto para notar um erro de concordância envolvendo o verbo ter. Observe atentamente: “os homens poder nenhum tem”. Fazendo aquela tradicional pergunta ao verbo (“Quem não tem poder?”), descobrimos rapidamente que o termo “os homens” (= eles, terceira pessoa do plural) funciona como sujeito dele. Portanto o verbo ter deve receber acento circunflexo: os homens poder nenhum têm (agora, também na terceira pessoa do plural, em concordância com o seu sujeito). Resposta – Item errado.

9. Pronome relativo quem o verbo concordará com o antecedente ou ficará na terceira pessoa do singular.

10.

Fui eu quem cheguei por último.

pessoa do singular . 10. Fui eu quem cheguei por último. Fui eu quem chegou por

Fui eu quem chegou por último.

quem cheguei por último. Fui eu quem chegou por último. Um concordando com um , ou

Um

concordando com um, ou na terceira pessoa do plural, concordando com os (dos = de + os).

verbo ficará na terceira pessoa do singular,

dos

que

o

Você é um dos que fala/falam menos. O Amazonas é um dos rios que corta/cortam a floresta equatorial.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

ATENÇÃO! Quando houver idéia de exclusão necessária, o verbo ficará no singular.

É uma das tragédias de Racine que se apresentará hoje no teatro. Ela é uma das candidatas que preencherá a vaga.

11. Pronome indefinido, interrogativo ou demonstrativo + de (dentre) nós, vós ou vocês o verbo concorda com o pronome (sujeito); mas, se este estiver no plural, o verbo poderá concordar com o pronome pessoal.

Algum dentre vós sairá antes?

com o pronome pessoal . Algum dentre vós sairá antes? Quais de nós sairão (sairemos) antes?

Quais de nós sairão (sairemos) antes?

vós sairá antes? Quais de nós sairão (sairemos) antes? Falo com aqueles dentre vós que trabalham
vós sairá antes? Quais de nós sairão (sairemos) antes? Falo com aqueles dentre vós que trabalham

Falo com aqueles dentre vós que trabalham (trabalhais).

12. Cada um o verbo ficará no singular.

Cada um de nós estudará para o concurso. Cada um de vocês passará.

[

]

Além

16

disso, cada uma das ideologias em que se fundamentam essas teorias políticas e econômicas constitui uma visão dos fenômenos sociais e individuais que pretende firmar-se em uma

19

descrição verdadeira da natureza biológica, psicológica ou espiritual do humano.

Humberto Maturana. Biologia do fenômeno social: a ontologia da realidade. Miriam Graciano (Trad.). Belo Horizonte: UFMG, 2002, p. 195 (com adaptações).

30. (Cespe/MPU/Analista Administrativo/2010) Na linha 16, na concordância com “cada uma das ideologias”, a flexão de plural em “fundamentam”

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

reforça a ideia de pluralidade de “ideologias”; mas estaria gramaticalmente correto e textualmente coerente enfatizar “cada uma”, empregando-se o referido verbo no singular.

Comentário – a flexão de plural em “fundamentam” decorre da concordância com “essas teorias políticas e individuais”, sujeito da forma verbal. A expressão “cada uma das ideologias” concorda com o verbo “constitui”. Resposta – Item errado.

31. (Cespe/TCU/AFCE-TI/2010) “A cada um deles correspondem maneiras pessoais de agir e sentir, um habitus social que o indivíduo compartilha com outros e que se integra na estrutura de sua personalidade.”

A flexão de plural em “correspondem” mostra que, pela concordância, se estabelece a coesão com “maneiras”; mas seria igualmente correto e coerente estabelecer a coesão com “cada um”, enfatizando este termo pelo uso do verbo no singular: corresponde.

Comentário – Novamente entrou em cena a expressão cada um. Como ela não integra o sujeito da oração e constitui o objeto indireto do verbo “correspondem”, é impossível a concordância com ela. Se você reescrever o período na ordem direta (sujeito, verbo e objeto), notará melhor as relações entre os termos da oração: Maneiras pessoais de agir e sentir, um habitus social que o indivíduo compartilha com outros e que se integra na estrutura de sua personalidade, correspondem a cada um deles. Parece que em 2010 a banca “brincou” com essa expressão (repare a questão anterior). Resposta – Item errado.

13. Pronome de tratamento o verbo concordará sempre na terceira pessoa do singular ou do plural. Vossa Excelência é muito digno.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Vossas Senhorias são muito exigentes.

14. Fração rigorosamente, o verbo concorda com o numerador; havendo parte inteira, o verbo concordará com ela.

Um terço dos alunos foi embora. Dois inteiros e um quarto dos alunos passaram.

ATENÇÃO! É possível ainda usar o verbo no plural quando o número fracionário vier seguido de substantivo no plural. Essa posição é sustentada, por exemplo, pelo mestre Cegalla (Novíssima gramática da Língua Portuguesa, 48ª edição, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 2008, página 470)

“Um quinto dos homens eram de cor escura.”

Recomendo que você observe atentamente todas as opções apresentadas pelo examinador.

15. Porcentagem o verbo concorda, a rigor, com o numeral.

Um por cento dos alunos recusou-se a colaborar. Vinte e cinco por cento dos candidatos faltaram. Apenas 1,78% votou nesse candidato.

ATENÇÃO! Bechara (Moderna gramática portuguesa – 37ª edição revista, ampliada e atualizada conforme o novo Acordo Ortográfico – Rio de Janeiro:

Nova Fronteira – 2009 – página 566) nos ensina que “Nas linguagens modernas em que entram expressões numéricas de porcentagem, a tendência é fazer concordar o verbo com o termo preposicionado que especifica a referência numérica”.

“Trinta por cento do Brasil assistiu à transmissão dos jogos da Copa.”

Trinta por cento dos brasileiros assistiram aos jogos da Copa.”

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Aqui também recomendo que você observe atentamente todas as opções apresentadas pelo examinador, que pode considerar corretas as duas possibilidades de concordância.

16. Substantivos sinônimos (ou quase sinônimos) e substantivos em gradação o verbo concorda gramaticalmente com todos os núcleos ou atrativamente com o mais próximo.

todos os núcleos ou atrativamente com o mais próximo . Medo e temor me assusta/assustam.  

Medo e temor me assusta/assustam.

com o mais próximo . Medo e temor me assusta/assustam.   Uma palavra, um movimento, um
 

Uma

palavra,

um

movimento,

um

simples

gesto

causava/causavam-lhe medo.

 
 

O que é o que é?

 

1

Se

recebo

um

presente

dado

com

carinho

por

pessoa

 

de

quem

não

gosto

como

se

chama

o

que

sinto?

Uma

pessoa

de

quem

não

se

gosta

mais

e

que

não

gosta

mais

da

4

gente — como se chama essa mágoa e esse rancor? [

]

Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p. 199.

32. (Cespe/IRB/Diplomata/2009) É gramaticalmente correto flexionar no plural a forma verbal em “como se chama essa mágoa e esse rancor?” (L.4), tendo como resultado como se chamam [

Comentário – Notou que temos uma construção característica de voz passiva sintética em “como se chama essa mágoa e esse rancor?” Essa passagem equivale-se a seguinte estrutura de voz passiva analítica: “como é chamada essa mágoa e esse rancor?”. Pois bem, você sabe que toda voz passiva possui sujeito, certo? Analise o trecho com mais calma e perceba que a expressão “essa mágoa e esse rancor” constitui o sujeito composto da forma verbal

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

“chama”. Perceba ainda que os núcleos “mágoa” e “rancor” são substantivos sinônimos, o que permite ao verbo manter-se no singular em concordância atrativa com o núcleo mais próximo, ou se flexionar para concordar com todos os núcleos: “como se chamam essa mágoa e esse rancor?” ou “como são chamados essa mágoa e esse rancor?”. Resposta – Item certo.

17. Aposto resumitivo se o sujeito composto for resumido por um aposto (pronome indefinido), o verbo concordará com o aposto.

Alunos, professores, diretores, ninguém chegava a um acordo.

sujeito composto

aposto resumitivo

Pelé, Garrincha, Didi, todos foram campeões mundiais.

sujeito composto

aposto

resumitivo

18. Infinitivos antônimos ou determinados verbo no plural.

Discordar e apoiar são próprios da democracia. O andar e o nadar fazem bem à saúde.

ATENÇÃO! Se os infinitivos não forem antônimos ou não estiverem determinados, o verbo ficará no singular.

Andar e nadar faz bem a saúde. Sujar a roupa de giz e passar a noite corrigindo prova nunca desanimou os professores.

1

Imagine

que

um

poder

absoluto

 

ou

um

texto

sagrado

 

declarem

 

que

quem

roubar

ou

assaltar

será

enforcado

(ou

terá

a

mão

cortada).

Nesse

caso,

puxar

a

corda,

afiar

a

faca

ou

4

assistir

à

execução

seria

simples,

pois

a

responsabilidade

moral

do veredicto não estaria conosco. [

]

Contardo Calligaris. Terra de ninguém – 101 crônicas.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

São Paulo: Publifolha, 2004, p. 94-6 (com adaptações).

33. (Cespe/PF/Agente/2012) No período “Nesse caso (

estaria conosco”

(l.3-5), como o conector “ou” está empregado com sentido aditivo, e não, de exclusão, a forma verbal do predicado “seria simples” poderia, conforme faculta a prescrição gramatical, ter sido flexionada na terceira pessoa do plural: seriam.

)

Comentário – Realmente a conjunção “ou” possui valor semântico aditivo, pois não exclui a possibilidade de “assistir à execução”. Entretanto os infinitivos não são antônimos nem estão determinados: “puxar a corda, afiar a faca ou assistir à execução”. Portanto o verbo deve permanecer no singular. Resposta – Item errado.

19. Um e outro verbo no singular ou no plural. Um e outro jogador foi/foram expulsos.

ATENÇÃO! Havendo ideia de reciprocidade com a expressão um e outro, o plural é obrigatório.

Um e outro insultaram-se.

20. Um

majoritária indica o

singular; todavia esses casos suscitam divergências entre consagrados autores:

ou

outro; nem

um

nem outro

a corrente

Um ou outro jogador fez gols. Nem um nem outro garoto brigou na rua.

a) Cunha e Cintra: “As expressões um ou outro e nem um nem outro, empregadas como pronome substantivo ou como pronome adjetivo, exigem normalmente o verbo no singular: Nem um nem outro havia idealizado previamente este encontro.” Prosseguem os mestres: “Não é rara, porém, a construção com o verbo no plural quando as expressões se empregam como pronome substantivo: Nem um nem outro desejavam questionar.” (Nova

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

gramática do português contemporâneo, 5ª edição, Rio de Janeiro: Lexikon, 2008, página 527);

b) Pasquale e Ulisses: “Com as expressões um ou outro e nem

um nem outro, a concordância costuma ser feita no singular, embora o plural

Não há uniformidade no tratamento dado a essas

expressões por gramáticos e escritores.” (Gramática da língua portuguesa, São Paulo: Scipione, 1998, página 486);

também seja praticado. [

]

c) Bechara: “Com nem um nem outro é de rigor o singular para o substantivo e verbo: Nem um nem outro livro merece ser lido.” (Moderna gramática portuguesa, 37ª edição revista, ampliada e atualizada conforme o novo Acordo Ortográfico, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, página 548);

d) Cegalla: “O sujeito sendo uma dessas expressões [um e outro e nem um nem outro], o verbo concorda, de preferência, no plural. Exemplos:

Nem uma nem outra foto prestavam [ou prestava]” (Novíssima gramática da língua portuguesa, 48 a . edição revista, São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008, páginas 556 e 557).

ATENÇÃO! Recomendo que você mantenha certa flexibilidade ao encarar questões desse tipo.

21. Sujeitos ligados por ou ou nem o verbo ficará, normalmente, no plural; mas, se houver ideia de exclusão obrigatória ou sinonímia, o verbo ficará no singular.

Nem Paulo, nem Ana reclamaram do salário. Pedro ou Paulo sairão mais cedo. José ou Pedro casará com ela. (apesar de tudo, uma pessoa só pode casar com outra, e não com outras ao mesmo tempo – risos) Dida ou Júlio César será o goleiro titular. (somente um goleiro pode ser titular em um jogo; o outro é o reserva)

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

“A Línguística ou Glotologia é a ciência que estuda a evolução da linguagem humana.”

ATENÇÃO! Se houver idéia de retificação, o verbo concordará com o mais próximo.

O ladrão ou os ladrões, não sei ao certo, assaltaram o banco. Os ladrões ou o ladrão, não sei ao certo, assaltou o banco.

22. Sujeitos ligados por com o verbo fica no plural, dando ênfase a todos os sujeitos.

O professor com o aluno montaram o equipamento.

ATENÇÃO! Na oração “O professor, com o aluno, montou o equipamento”, a expressão “com o aluno” é, na verdade, adjunto adverbial de companhia; por isso o verbo fica no singular.

23. Haja vista essa expressão, no singular, está sempre certa; porém pode variar se o seu referente estiver no plural:

Haja vista o caso. Haja(m) vista os casos. Haja vista dos (aos) casos. (aqui, a preposição impede que a expressão varie)

24. Títulos de obras e nomes próprios de lugar a concordância é feita levando-se em conta a presença ou a ausência de artigo.

Os Lusíadas pertencem a Camões. Os Estados Unidos perderam muitos troféus. Minas gerais ganhou todas as competições.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

ATENÇÃO! Quando o sujeito for título de obra, o verbo poderá concordar com o sujeito ou com o predicativo.

Os Lusíadas são/é a obra máxima de Camões.

, o verbo poderá concordar com o sujeito ou com o predicativo . Os Lusíadas são
, o verbo poderá concordar com o sujeito ou com o predicativo . Os Lusíadas são

25. Concordância do verbo ser em muitas situações, esse verbo deixa de concordar com o sujeito para concordar com o predicativo; em outras, pode concordar com um ou com outro, de acordo com o termo que se quer enfatizar:

a) O termo que indica pessoa tem precedência sobre coisa/objeto.

Maria era as esperanças de todos.

O mundo são os homens.

b) O pronome pessoal tem precedência sobre o nome. Os culpados éramos nós. “O Estado sou eu”.

c) O pronome pessoal ou nome têm precedência sobre qualquer outro pronome. Quem és tu? Tudo são flores.

ATENÇÃO! No segundo caso, quando o sujeito é representado pelos pronomes tudo, nada, isto, isso, aquilo, considera-se possível também a concordância com o pronome.

Tudo é flores.

d) O plural tem precedência sobre o singular.

A casa eram umas folhas.

A sua paixão eram filmes de terror.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

e) O verbo SER mantém-se na terceira pessoa do singular nas expressões que indicam preço, valor, medida, peso.

Dois quilos é pouco. Vinte mil cruzeiros é demais. Três metros é mais do que preciso.

f) Nas indicações de distância, horas e datas, o verbo SER concordará com estas.

Da Tijuca à Barra são oito quilômetros. Era uma hora e cinquenta e nove segundos. Hoje são 21 de maio.

34. (Cespe/SAD-PE/Analista Contábil/2010) “O maior destaque foram os transplantes renais, que passaram de 150 para 162 cirurgias feitas.”

Uma vez que a regra geral de concordância com o verbo ser estabelece que ele deve concordar com o sujeito, a forma verbal “foram” poderia ser alterada para foi, em concordância com “O maior destaque”.

Comentário – Você prestou atenção na letra “d”? Ela representa o fundamento para a resposta certa. Resposta – Item errado.

26. Concordância com a expressão é que leia o que os ilustres gramáticos Cunha e Cintra têm a nos dizer a esse respeito:

“A locução é que é invariável e vem sempre colocada entre o sujeito da oração e o verbo a que ele se refere. Assim: ‘José é que trabalhou, mas os irmãos é que se aproveitaram do seu esforço.’”

Mas todo cuidado é pouco! Continue a ler as lições de Cunha e Cintra:

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

“[A expressão ‘é que’] é uma construção fixa, que não deve ser confundida com outra semelhante, mas móvel, em que o verbo ser antecede o sujeito e passa, naturalmente, a concordar com ele e a harmonizar-se com o tempo dos outros verbos. Compare-se, por exemplo, ao anterior o seguinte exemplo:

‘José é que trabalhou, mas foram os irmãos que se aproveitaram do seu esforço.’ Ou este:

Foi José que trabalhou, mas os irmãos é que se aproveitaram do seu esforço.’.”

27. O verbo PARECER pode relacionar-se de duas maneiras distintas com o infinitivo:

Os dias parecem voar. a forma verbal parecem é verbo auxiliar de voar; Os dias é o sujeito da oração.

Os dias parece voarem. aqui houve uma inversão da ordem dos termos: Parece voarem os dias. Neste caso, o verbo parece é o verbo da oração principal, cujo sujeito é a oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo voarem os dias. Se desenvolvermos essa oração, teremos: Parece que os dias voam.

ATENÇÃO! Quando a construção for feita no singular, as duas análises são possíveis.

O dia parece voar. não sabemos se aqui o verbo parece é auxiliar do verbo voar, ficando no singular por concordar com o sujeito O dia, ou se a ordem está invertida: Parece o dia voar, sendo a oração o dia voar sujeito do verbo Parece.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

Para finalizar a parte de concordância verbal, proponho a questão seguinte, que envolve verbo no infinitivo.

1

A

ideia

de

democracia

tem

seu

nascedouro

nas

 

cidades-Estados

gregas

e

consubstancia-se

na

tomada

de

decisões

mediante

a

participação

direta

dos

cidadãos.

Como

se

4

pode

depreender,

o

conceito

era

restrito,

pois

excluía,

por

exemplo,

as

mulheres

e

os

escravos.

Na

trajetória

da

Grécia,

com

sua

experiência

de

democracia

primária

ou

de

assembleia,

7

ao

mundo

moderno,

alguns

fatores

se

apresentaram

como

inviabilizadores

da

participação

política

direta:

número

de

cidadãos,

extensão

territorial

e

tempo

(noção

cada

vez

mais

10

modificada diante dos avanços tecnológicos).

 
 

Diante

da

impossibilidade

de

reunião

de

todos

os

 

envolvidos

aqueles

que,

 

de

alguma

forma,

sentem

os

13

reflexos

das

decisões

tomadas

e

sendo

cada

vez

mais

urgente

a

tomada

de

decisões

em

tempo

recorde,

identificou-se

a

necessidade

de

eleger

representantes.

Assim

nasceu

a

16

democracia representativa, com seus prós e contras.

 
 

A

rigor,

em

uma

sociedade

composta

de

milhares

de

 

pessoas,

apenas

mediante

a

representação

por

um

grupo

19

escolhido

é

possível

que

os

diferentes

interesses

se

façam

presentes

no

momento

de

decidir;

porém,

é

certo

que

nem

sempre

esse

grupo

representa

os

interesses

do

todo

e

nem

22

sempre

todos

os

interesses

de

uma

sociedade

plural

chegam

a

ter

representantes,

ficando

alguns

alijados

do

processo

decisório.

Um

governo

que

se

propõe

como

democrático

busca

25

estabelecer

mecanismos

para

que

sejam

garantidas

ao

máximo

as

possibilidades

de

os

cidadãos

participarem

das

decisões

políticas,

mas

um

“lado

sombrio”,

identificado

por

Robert

28

Dahl

nos

seguintes

termos:

“sob

um

governo

representativo,

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

 

muitas

vezes

os

cidadãos

delegam

imensa

autoridade

arbitrária

para

decisões

de

importância

extraordinária.”.

Segundo

o

autor,

31

as

eleições

periódicas

garantem

certo

compromisso

dos

representantes

com

os

representados,

obrigam

as

elites

a

“manter

um

olho

na

opinião

do

povo”.

Apesar

do

“lado

34

sombrio”,

a

democracia

alicerçada

sobre

o

pilar

da

eleição

periódica

de

representantes

é

a

única

viável

nos

Estados

contemporâneos.

Tatiana de Carvalho Camilher. O papel da defensoria pública para a inclusão social rumo à concretização do estado democrático e direito. Internet: <www.conpedi.org> (com adaptações).

35. (Cespe/DPU/Analista Técnico Administrativo/2010) Considerando as estruturas do texto, assinale a opção correta no que diz respeito à concordância.

A) A inserção da forma verbal manterem no lugar de “manter”, em “manter um olho na opinião do povo” (l.33), acarretaria prejuízo sintático ao texto.

B) A oração existia alguns fatores inviabilizadores parafraseia de modo gramaticalmente correto o trecho “alguns fatores se apresentaram como inviabilizadores” (l.7-8).

C) Ainda que o vocábulo “necessidade” (l.15) estivesse flexionado no plural, a forma verbal “identificou” (l.14) deveria permanecer no singular.

D) A alteração de “sejam garantidas” (l.25) para seja garantido não interfere na correção gramatical do período.

E) As formas verbais “garantem” (l.31) e “obrigam” (l.32) concordam com “eleições periódicas” (l.31).

Comentário – Alternativa A: a forma verbal em negrito foi usada no infinitivo pessoal, por isso ela se flexionou para concordar em número e pessoa com o sujeito “as elites” (l. 32). Sobre a flexão do infinitivo, cabe aqui uma explicação ampliada. Em geral, podemos seguir as orientações abaixo.

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

I. Flexiona-se o infinitivo quando há sujeito claro, explícito na

mesma oração em que surge o verbo no infinitivo.

Não é necessário [vocês chegarem cedo].

sujeito

II. Mesmo não estando explícito o sujeito, pode-se flexionar o

infinitivo para evitar ambiguidade.

Está na hora [de começar o trabalho]. (Quem: eu, você?) Está na hora [de (nós) começarmos o trabalho].

III. Quando o sujeito do infinitivo for diferente do sujeito da

oração anterior, também ocorrerá a flexão.

[Vejo] [(vocês) estarem atrasados novamente].

IV. Sendo os sujeitos iguais, a flexão é facultativa.

[Reunir-nos-emos com eles] [para apresentar/apresentarmos os problemas da empresa]. – o sujeito comum das orações é nós.

V. Atente agora para a estrutura formada por PREPOSIÇÃO A

+ INFINITIVO, pois o Cespe aceita tanto a flexão como a não flexão.

O rapaz ajudava as garotas a se superar/superarem

O rapaz ajudava as garotas a se superar / superarem sujeito VI. Com a voz passiva

sujeito

VI. Com a voz passiva, a flexão é obrigatória.

As tarefas a serem feitas são essas.

Conclui-se, então, que não há prejuízo sintático para o texto. Alternativa B: O verbo existir é pessoal (diferentemente do verbo haver usado no mesmo sentido). Sendo assim, ele tem sujeito, com o qual deve concordar em número e pessoa. Conforme a proposta da banca examinadora, esse sujeito é o termo “alguns fatores inviabilizadores” (terceiras

PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DA ÁREA ADMINISTRATIVA DO TJDFT PROFESSOR ALBERT IGLÉSIA

pessoa do plural = eles). Isso leva o verbo existir a flexionar-se da seguinte maneira: “existiam” (terceira pessoa do singular). Portanto a opção está errada.

Alternativa C: o verbo identificar está na voz passiva sintética, auxiliado pelo pronome apassivador “se”. Toda voz passiva possui sujeito (mas pode não possuir agente da passiva). No texto, o substantivo “necessidade” é o núcleo desse termo sintático. A pluralização dele deve levar, também, o verbo para o plural: “identificaram-se as necessidades”. Com a voz passiva analítica, é mais fácil perceber a necessidade de concordância entre sujeito e verbo: “as necessidades foram identificadas”. Logo o item está errado.

Alternativa D: estamos às voltas com a voz passiva, mas agora é a analítica (verbo auxiliar flexionado + verbo principal no particípio): “sejam garantidas”. O verbo auxiliar flexiona-se em número é pessoa para concordar com o sujeito; o verbo principal flexiona-se em gênero e número pelo mesmo

Talvez, a

posposição do sujeito ao verbo tenha dificultado sua análise. É bom ficar

atento! A alteração indicada pelo Cespe causa incorreção gramatical. Alternativa E: sim, nada mais natural do que a concordância de número e pessoa entre sujeito e verbo. Resposta – E

motivo. Repare bem: “

sejam

garantidas

as possibilidades

”.

1

É

evidente

 

que

vivemos

em

um

momento

prodigioso

da técnica, com transformações profundas das noções de

espaço

e tempo; mas

a

política

do