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RETA FINAL - MG Disciplina: Direito Processual Civil Prof. Renato Montans Aula nº 01 DIREITO

RETA FINAL - MG Disciplina: Direito Processual Civil Prof. Renato Montans Aula nº 01

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

1. EXECUÇÃO

As leis 11.232/05 e 11.382/06 modificaram substancialmente a estrutura do processo de execução. Essas modificações tiveram por finalidade criar mecanismos mais efetivos para que o credor obtenha o direito estampado no título. Assim, as recentes reformas tiveram por escopo permitir, por um procedimento mais eficiente, formas de racionalizar a prestação jurisdicional e concretizar de maneira mais segura a cumprimento da execução.

Como grande característica das duas recentes leis foi a modificação da estrutura procedimental de ambas. Antes, tanto a execução de título judicial como de extrajudicial possuíam identidade procedimental com mesmas características de atos, prazos e formas de constrição.

A

reforma, em boa hora modificou o procedimento conferindo trato distinto as duas modalidades, vejamos;

2.

EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL (CUMPRIMENTO DE SENTENÇA)

Com o intuito de tornar a execução mais célere a L. 11.282/05 trouxe algumas inovações no sistema da

execução:

a) a execução não se instaura mais com a propositura de uma ação, mas sim como uma fase posterior à fase

de conhecimento, tudo dentro do mesmo processo (o que a doutrina convencionou em chamar de sincrético). Esta modificação tem relevante papel na prática uma vez que se torna desnecessária a apresentação de petição inicial, bastando mero requerimento como se verificará adiante.

b) sendo a execução (ou cumprimento como diz a lei) uma fase instaurada no mesmo processo, deixa de ser

necessária uma nova citação, bastando a intimação do executado na pessoa de seu advogado. Na ausência de advogado constituído pela parte, a intimação se dará na pessoa do próprio devedor.

c) com a nova regra o executado tem o prazo de 15 dias para o pagamento da obrigação sob pena do

pagamento de multa de 10% (dez por cento). Diverge a doutrina ainda acerca do prazo inicial para a fluência

destes 15 dias. Ao que tudo indica a jurisprudência vem acolhendo aquela em que, após o trânsito em julgado da decisão, o executado será intimado pelo Poder Judiciário para o cumprimento do mandado. Com o transcurso do prazo in albis, nasce ao exeqüente o direito subjetivo de apresentar seu requerimento para que

o

devedor pague a obrigação acrescida de multa.

d)

o requerimento, além do pedido de pagamento já com a multa, deverá conter pedido para que se expeça

mandado de penhora e avaliação. De acordo com a lei, o oficial de justiça além de proceder à constrição do

bem, também determina sua avaliação, salvo quando depender de conhecimentos técnicos quando então o juiz nomeará um avaliador de sua confiança.

e) O credor deve formalizar o requerimento em até seis meses sob pena de arquivamento do feito (não

extinção do processo). Importante que se deve observar a regra da prescrição intercorrente (Sumula 150,

STF) da qual prescreve o direito de executar no mesmo prazo que se teria para ajuizar a ação.

executar no mesmo prazo que se teria para ajuizar a ação. RETA FINAL MG – Direito

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f) poderá o executado se defender na execução por meio da impugnação. A impugnação é a nova

denominação dos antigos ‘embargos’ (que ainda se mantém na execução de título extrajudicial). O prazo para

a impugnação é de 15 dias contados da intimação do mandado de penhora e avaliação devidamente cumprido.

IMPORTANTE:

Assim como no regime anterior é necessária ainda a garantia do juízo. Todavia duas modificações substanciais foram formalizadas. A primeira é a ausência de efeito suspensivo. Assim a impugnação não obsta o prosseguimento da execução. Poderá o executado, todavia requerer a concessão do efeito desde que demonstre o relevante fundamento e grave dano de difícil ou incerta reparação. A segunda é que o recurso cabível contra a decisão da impugnação será obrigatoriamente o agravo de instrumento, salvo se a impugnação for julgada procedente e esta procedência acarretar a extinção do processo, quando então o recurso cabível será a apelação.

g) as matérias veiculáveis na impugnação vêm previstas no artigo 475-L do CPC. Via de regra a impugnação

vem autuada em autos apartados, salvo quando o devedor obtiver efeito suspensivo, quando será

processada nos mesmos autos.

DICAS IMPORTANTES:

i) os títulos judiciais vêm previstos no artigo 475-N

ii) a competência para formular o requerimento será sempre do juiz da causa (competência funcional).

Poderá, todavia, optar o exeqüente pelo novo domicílio do executado ou domicílio em que se situam os bens, à luz do artigo 475-P. esta regra tem por objetivo afastar o incômodo de proceder a constrição patrimonial por

meio de Carta Precatória, permitindo que a execução se processe no juízo próximo dos bens do executado. iii) se a sentença for ilíquida (sem quantum debeatur) a parte poderá instaurar antes da execução o procedimento de liquidação de sentença, cujo objetivo é atribuir valor certo à execução. Poderá ser tanto por arbitramento (quando se nomeia um perito para fixar o valor) ou por artigos (quando houve r a necessidade de se provar fato novo posterior à sentença).

3. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL

As reformas que se procederam na execução de título extrajudicial, a despeito de serem mais numerosas, não modificaram tão substancialmente a estrutura da execução como aconteceu com os títulos judiciais. Vejamos as principais modificações:

a) ao contrário do que acontecia no regime anterior o executado não é mais citado para pagar em 24 horas ou

nomear bens á penhora. O prazo de pagamento é de três dias e não há mais a alternatividade para nomear

bens. Quem os nomeia agora é o credor ou o oficial de justiça. Todavia nada impede que o executado nomeie, podendo até o magistrado determinar (art. 652, §3º).

b) o executado será citado (e não intimado) para pagar, pois ao contrário do cumprimento, não houve prévio

processo de conhecimento. No mandado de citação o juiz já fixará os honorários (e se a obrigação for

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cumprida na data aprazada, o devedor pagará apenas metade dessa verba) e determinará que o não pagamento acarretará a expedição de mandado de penhora e avaliação.

c) na execução de títulos extrajudiciais não se mudou a estrutura dos atos. A forma de acessar o judiciário

requerendo a expropriação de bens do devedor continua sendo por petição inicial e a forma do executado se

insurgir contra a execução continuam sendo os embargos.

d) os embargos, todavia tiveram modificações no seu procedimento. O prazo atualmente é de 15 dias

(contados da citação), será distribuído por dependência e autuado em autos apartados. Questão é importante é a não mais exigibilidade de se garantir o juízo. Assim, afeiçoou-se muito com a contestação.

e) a exemplo da impugnação os embargos não vêm mais dotados de efeito suspensivo. Todavia o executado

poderá requerê-lo desde que demonstre o relevante fundamento tal qual exigido no cumprimento de sentença. Entretanto a lei estabelece um plus: é necessário – se requerer a suspensividade – a garantia do

juízo.

Não esquecer! As matérias dos embargos estão veiculadas no artigo 745, CPC.

matérias dos embargos estão veiculadas no artigo 745, CPC. RETA FINAL MG – Direito Processual Civil

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