o sonhador que colhe berinjelas na terra das flores murchas (1999 - 2010

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à revelia

3° Edição Revisada– Maio de 2012 – São Paulo – SP – Brasil Revisão: Israel de Sá Capa: Junior Bellé

o sonhador que colhe berinjelas na terra das flores murchas (1999 - 2010)

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Compadre, Não é a toa que o teu Sonhador colhe beringelas na Terra das Flores Murchas. A Beringela, parente do Pimentão, funciona muito bem na regulação da pressão arterial e é sugerida no tratamento de vários males do coração, fígado e estômago. Enfim, ela deixa tinindo todas funções fundamentais para a vida de um poeta boêmio como os de nossa estirpe, e que deve sofrer desgastes demais numa terra de flores já sem vida. A vida - 'esse incômodo sinônimo de dor' - é mesmo um grande exercício de desapego que, perigosamente, pode virar um exercício de desafeto. Mas estou certo de que, mesmo tentados a tanto, não vamos cair nessa armadilha e tornar nossos corações rochas inóspitas. Vamos vivê-la, sofrê-la, sorri-la, bebê-la, comê-la, gozá- la e versificá-la sem medo. Afinal, para poetas, coração partido não significa coração fraco, significa vida, inspira. Este teu livro é mais Poesia do que Poema, as palavras são livres e vivem por si só, como cada um de nós soltos no mundo e, nutridas de tua inspiração, se movem, interagem, renascem em novas formas, traduzem novos sentimentos e recriam os cantos solitários e tristes, os devaneios de saudade, os momentos de tesão e desejo (correspondidos ou não) de, certamente, cada homem que já pisou nessa terra. Agora que já colocaste teu primeiro volume poético no mundo, torço para que a vida - essa moça pouco confiável e muito convidativa - continue a render mais dessas belas cicatrizes de batalha; que os tragos filosóficos e os convivas da boemia nunca te faltem; e que no final, haja sempre mais poesia. Sinceramente, Tiago Lobão

Solstícios e Equinócios

Um dia alguém muito especial me disse que tenho os olhos tristes, bem diferente dos seus Mas de repente se a gente conversar quem sabe não há em nosso olhar algo em comum?

A garota do colégio Se não te beijei outrora agora não te beijo mais Quero namorar em poesia não, não em cantiga antiga que se vinha vinha-se quando só quando podia e só podia com excesso de poesia

A mão norte sul norte sul norte sul norte sul norte

sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul nortesulnortesulnortesulnortesulnorte . . . . ssssuuuulllll

Os tais corações enjaulados Como um rasgo negro em um céu de estertor remoendo cores úmidas num sopro nublado assim vão amando os corações enjaulados: corações daqueles que não desaprendem a amar Na vigília de estrelas como lauréis passados: canto de signos há séculos chorados onde o páramo rabisca entre faíscas as memórias até o alvor inundar as artérias a pequena imensidão toma a maré e o luar e nós os corações enjaulados em algum barco em alguma deriva em algum mar Em um arrepio aceso nos salgados poros abertos pelo carinho feito em sangue de rosas vermelhas no vácuo de uma pálpebra enamorada no silêncio esbravejado de nossos corações emputecidos corações daqueles que leem o amor em letras de saudade Uma gota suja de paixão escorre como um látego em mãos suaves o espelho coxo de nossa melodia

como o algoz de alma cintilante o horizonte em uma torre de diâmetros estelares Rindo uma gotinha suja de paixão c a i dentro da lonjura de pele podre mármore de carne em esculturas de ossos corações com asas pálidas pulsando para o desassossego do vento desenha plantações de pérolas enluaradas madurando logo abaixo do esquecimento E toda manhã o orvalho é suor acinzentado estes somos nós os tais corações enjaulados corações daqueles que bebem sede para hidratar as lágrimas porque nós os corações enjaulados somos fiéis as nossas lágrimas

Em minhas roupas se procurares em minhas roupas algum aroma perfumado algum tom asseguro-te que tentas compor obra em vão nem um sinal de sutileza nenhuma marca de batom não por santa castidade e sim por falta de opção

Almas gêmeas II somos apenas eu e você contra o mundo ou apenas o mundo contra eu e você?

Não saíram do papel Dele herdaram apenas as traças [e quando acabar o papel] [como oficializarão minha consciência?] Vou deixar minha alma ao vento pra ver se ela sobre como a pipa [quem é o coração que sonha no seu sonho?] Coração – a palavra amor não tem sentido algum tanto que a passo no pão [para o café da manhã] Coração – seu sentido é o sangue não se doa pelo impulso parado Coração a alma é o verde dos campos e é por isso que o progresso é urbanização [mas alma mas coração] Sonhem! Pois o sonho é necessário Assim como necessária é a desilusão

Amante não acordo ao cantar do galo com seu canto vou dormir pois se a noite é uma criança a madrugada minha infâmia é nela que descubro o quanto a luz escurece meus pensamentos do silêncio que se apossa das cantigas mais baladas dos poemas que se tornam poesias distraídas e atrapalhadas concentro-me enquanto o sono não vem vou gozando a quieta serenata sua escura aura e o demorado despertar meu amor é o ocaso minha amante a madrugada fogosa e desconcertante atraente e mal vestida despida das ganâncias naturalmente me atrai e meu amor figura apenas como sua demorada preliminar

? a flor de lótus ESTÀ grávida e a árvore elefante leva seus pés de coelho ao gengivista para tirar uma chispa mas o que os papéis de fígado extraterrestre dos letárgicos-simples não transam NORMAL o umbigo demétrio do pingo anis esverdeado é roliço e vomita gasolina em escala cinza na geologia geográfica da palmilha radioativa entre A placenta da cortina dona fezes e o chicle de esferas triangulares de POÉTICA mono/stereo da (?) vó do cu do mundo escatologicamente por enquanto freetando os verbos no chulé dos peidos vernáculos para fauna peristáltica do léxico de merda ontologicamente

Poesia simpática Se fores a um enterro Não te esqueças de falar Que aqui jaz um morto Bem mais morto que o de lá Se o tal corpo apodrecendo O meu a decantar Ao tal espírito o horizonte Meu horizonte a se verticalizar De meu espírito, nem te conto... Liquido, vendo, consigno Troco por aquilo que vier Está menorzinho Cintilando Cintilando Na pontinha do dedinho do pé

Ainda não sei Estou em um mundo tão cc+-/cccoonff%$fUusoo#oo E me perco numa Em um estrada beco Em uma carteira de cigarros Em um escarro em meus pensamentos Estão de um lado tão primárioE não entendo porque daquilo (Porque do azul) ... (porque mais brilho) Porque tristeza ... porque escuro Porque porque (...) PORQUE Estou na sutiliza Estou no HHHHHÁÁÁescÁrNioÁÁÁÁÁÁ E me descarto No primeiro raio ... do deserto No primeiro estrondo ... do advérbio ... (...) ... E me perco Eu só me p r e c o Porque disso (...) giratória

Licença poética para o livro das perguntas Pode o cavalo jogar a cavalaria? Por que algumas rosas são tão pálidas? O universo está sempre de luto? A pomba faz as pazes dos ventos? O Cruzeiro do Sul inveja o Norte? Pode a tinta rebelar-se do papel? A luz escurece os pensamentos? A tristeza é onda que umedece a praia Ou correnteza que afoga o oceano? E estas pessoas que vivem muito bem tão mal? E quando alegria é significado de solidão? E nossa paixão é sexo ou masturbação?

ah! era tão bom entrar naquela igreja sem ter religião

dormir em frases curtas rezar sem devoção

ah! era tão bom

Palavras Ainda não veio aquela inspiração que me faz sentir como um caracol quadrado e até como um sentimental no leite morno Pois me arrepiam as palavras que só existem “entre aspas” E outras mais as quais se sente somente (entre parênteses) Estão cá também as tais que cheiram a limão com sabor de chocolate leia-se num sussurro, protagonistas das entrelinhas

[e aquelas que morreram caladas para que sua herança não seja apenas um legado mudo]

Serra dos espinhos quero soltar o grito preso me esconder atrás do ar nas angústias e sombras do vento

nos tesouros que não são riquezas

Bruma de vários milhões de dinheiros As idiotias verborrágicas repimpam-se em seu píncaro prosaico imersas em superlativos pífios donde flanam sem verve alguma Porém, hão de ser interpeladas por um visceral petardo a perpetrar sua débâcle numa escarpa digna de tamanha letargia oh isto deveras me apetece oh toadas e melopeias seminais Ponto(.)Permuta linguística(.)Ponto Enquanto isso, os robôs produtores de robôs da Fábrica Mundo de Robôs... [observação primeira: a Fábrica Mundo de Robôs pede moratória desde que o mundo é Mundo] ... lançaram seu mais antigo slogan de sua mais corriqueira campanha: “Você não busca informações polidas e lapidadas. As informações buscam você, cara pálida”

O suicida ao homicida Era uma vez...

o sonhador que colhe berinjelas na terra das flores murchas onde vossa miséria é ourives do mundo então, enquanto a rosa colora de roxo todo ouro impune lá no alto, no píncaro dos pícaros, onde língua é afiada a facão lê-se em violetas gigantescas: ESQUECEU QUE PARA UM SONHO DE VERDADE SE PERDE A VIDA INTEIRA? e no instante em que dos olhos desaparece a cor desaparecida nos olhares a orquídea rega a beleza com o sonho esquecido é a alma procurando-se entre os destroços entre a carne, entre os ossos entre a obscura pálpebra do coração em que a bromélia vasculha os desejos pois é no útero estéril da ignorância que se ilumina a grande fertilidade dos tolos junto da líquida papoula que voa o seu maldito e delicioso disparo de enganos assim o lírio oficial chora uma última assinatura uma última mentira de envelope em seu envelope de mentiras e ainda persiste este incômodo sinônimo de dor que é a vida e prospera o transeunte girassol em seu magma púrpuro cortejando a lua num lamaçal de estrelas

Exórdio Infelizmente tenho de respeitar o seu direito de ser um idiota mas para minha felicidade as regras não são réguas da honra É um beijo de morango com sabor de anestesia e efeito depressivo E você com seu olhar bovino marchando com a manada vai pastando o lixo heroico que te vendem pra engorda Infelizmente é cada um com a sua hipocrisia e concedo-me o direito de chafurdar na minha

Oração para desesperados Puta que o pariu, deus! Tu tá cego, caralho? Desbunde esse rabo misericordioso dessa poltrona divina e livra a gente dessa merda, porra!

Elegia Na dobra do vento lenta a saudade fogem os caminhos de instinto cinza escarlate o abismo de histórias acorrenta p r o f u n d i d a d e s rios de memória choram para que o passado não volte em apenas 50% OFF

Esperança: deveria existir uma primavera para cada dúvida.

burocracia como diria bellé, de tanto exigirem papéis, oficializaram as traças

A tua e a minha um dia, meu amor, vou pra vida em linha reta caminhar em tuas pernas pra lembrar da curva tua e nessa estrada sem esquina untar o universo com a tua na minha saliva e no fogo úmido e alto da tua vagina assear minha fantasia

Um isqueiro um cinzeiro e uma paixão Chega aqui, carinho, me deixa queimar em teus dedos e arde comigo só arde comigo até me dichavar a baforadas Passa essa língua esse lábio essa boca me rebolando nessa sua bruma e deixa ela suingar no meu reggae de seda

Num isqueiro um cinzeiro e uma paixão mas é na tua ponta que me acendo então me puxa me suga me enche o peito e do seu jeito me assopra no ar

Bakunin se um dia eu te encontrar numa barricada de estrelas em um universo paralelo qualquer me dê a honra de te pagar uma cerveja no boteco da esquina ou numa taberna lunar só não estranhe quando eu te abraçar e bêbado “gosto de você pra caralho” é do fundo da alma que espalho estas palavras me leva no teu cometa visionário pra mais uma peleja libertária sigo teu corcel na gravidade adentro na tua barba afora hasteando um trapo rubro-negro pelo cosmos ordenhando a liberdade na teta das galáxias e festejando e festejando

Augusta caminhando pela augusta puta linda e absurda quando a lua infla no céu é o céu anestesiado da boca na boca e o canino amortece e o pó é só o pó branco dos olhos ruivos e ruivos demais no samba da fumaça nos alvéolos e as cervejas rolam e os compadres mambos e a augusta nossa la bossa baby a calçada pequena de gente feliz e bêbada e feliz e feliz e toda noite te moo no dichavador do meu coração e enrolo teu glamour decadente em três guardanapos vagabundos pra tragar fundo a tua aura inteira e teu meio fio com os compadres chapados enlouquecidos lindos geniais e mais e muito mais augusta sua puta nossa bruma intensa de pecado e redenção teu chão pisoteio pisoteamos pistoleiros loucos da madrugada e vamos porque é inebriante que deve ser eé e antes era deles amante e glória agora é nossa e assim e assim é nossa augusta cósmica

Compadres hoje saí do trabalho e passei no mercado troquei meu fardo num fardo de cerveja dichavei 20g de maconha e enrolei em sedas longas

respirei

chega aqui em casa meu bem aproveitar a vida de antes e antes que ela se aproveite de nós deita teus lábios nessa big size e puxa nesse sonho minha saliva

agora estou com os compadres aqui do lado me emprestam o fogo e acendo o entusiasmo dividem o trago e a algumas velhas lágrimas na brasa de um e outro abraço e admiro cada um destes canalhas por santos chapados e bêbados de tanto e tanto mundo que amo e amam e escrevem os versículos da porra da bíblia da minha vida por onde rezo e esbarro e inspiro estes safados marotos de rock de samba de bossa de versos e reversos destilados de cá de lá do coração em frente

Daquilo que já foi Um dia nossa noite já foi dia nossa prosa, poesia nosso samba, rockstar. Lupicinio por meus lábios assovia ainda longe do mar pampeano aos pobres moços intangível judiaria mas na camiseta Sandinista look here what d’you think you’re gonna be doing next year. Sabina da nossa distorção el mediodía insurrecto grito nas jovens tardes de rebeldia um refrão que era nosso e ninguém sabia

cantar.

O que há do outro lado da tragada? têm olhos de jornal obviamente familiar enxerga manchetes andando vivas e queimando dúvidas e desesperanças de pedra rolada do concreto da cidade de concreto cimento e aço duro reerguerão um novo futuro segundo havia lido ontem estará no lugar que desabito onde se escondem homens perdidos dentre a chama de plástico de açoite e cicatriz de tinta negra espreita entre todas as escolhas de merda existência de nada uma geração e meia na mesma calçada para agora como manada seguir em fuga sem saber até quando errar demais ainda satisfará os derrotados que somos esquecidos pelo caminho que dizia felicidade e já não importa para alguns ódio para outros piedade

Haverá um depois depois de nós nascemos estrela e morreremos buraco negro e então já bastante humano confundirá gravidade com egoísmo e solitário esfriará conosco no maior de todos os invernos

seria mais fácil - se não soubesse o sentido da vida – a existência da palavra vida – se não houvesse a palavra sentido – o sentido da palavra vida – se nem imaginasse a existência da palavra existência – se não fizesse sentido a palavra sentido – nem a existência no sentido da palavra vida – este é o dilema do átomo

a pior poesia que já escrevi justo eu que sempre disse de peito estufado e otimista que se apaixonar é fácil instinto simples como estava enganado percebo agora profundamente triste quando te espero às vezes te busco noutras te escuto e num sussurro te sonho meu amor seria nosso o romance do desencontro?

acordo com sono e discordo como um amanhã em nosso amanhã acendo o cigarro e sinto o gosto louco dos porquês peco pouco e escarro na sorte da noite pois era dia quando ela me fez esquecer de velejar-te no mar da minha história atrita agora essas duas rochas vadias que palpitam e sangram e nas faíscas dessas horas dessas fodas nessa brasa esquenta teu peito e no fogo alto de nossos corpos queima a última fogueira de nós dois

O Amor em Dois Atos O Primeiro Amor: fodeu, amor, fodeu, tu e eu, deu, amor, deu, tu e eu, amor, fodeu. Amor Segundo o Amor: me dá carinho, caralho, latejando, eu to carente, daqueles lábios, sugando, teu carinho, meu caralho.

Rente a palavras busco estrelas por que entre estrelas busco palavras junto palavras busco estrelas por que junto estrelas e risco palavras arrisco palavras entre estrelas condeno estrelas ao outono das palavras curiosamente palavras e estrelas têm algo em comum: nós

Amiga

estou com vontade de lembrar de você você que ama: mas não a mim você que é: de vez em quando porém triste, muito triste com leminski num copo de vodca dois dedos amargos de nossos idos de escola bons tempos, me diz os piores, contesto você: admirada pelos padres a mocidade cristã entre os mais populares eu: discos do nirvana legião urbana poetas malditos os primeiros porres e no intervalo alguns gramas de maconha os anos e a distância já nos borraram muito mas quando penso naquele começo de milênio só me sobra a vontade dos seus olhos verdes de amizade nos meus platônicos e selvagens que em mim hoje já não reconheço

15/06/2004 – 0h14 queria voar por entrelinhas, ambígua, caretas. não poesia retilínea, estúpida pretensão que obriga à rima, imperfeita, suburbana, subversiva – ah, profana. a cafonice é tão bela quando se está apaixonado, loucuras parecem escritas em diários, tudo devidamente assinado, para contrariar-nos, gramáticos, por aquilo que parece deliciosamente oficioso. no sono que vem vindo, pela noite que só espera pra passar, o dia de ponto insiste, teimoso em retornar. de pé cedo amanhã, pois poesia também se faz de amanhã

as livres possibilidades do amor ele ela ele ela ele ela ele ela ela ele ele ela ele ele ele ela ele ela ele ela ela ela ele ela eleelaelaeleeleeleelaela ela ele ele ela ela ela

Lírios ou Rosas

quando abrir sua cortina e mostrar ao mundo seu jardim de lírios

antes tenras rosas ruivas chama no encosto da janela os segundos largos mergulhados na sutileza a sós e silenciosa uma gota antes geada tateia a pétala de li za e s c o r r e

IBIS REDIBIS NON PERIBIS IN ARMIS algo de errado está errado em todas as partes as espadas cruzam os olhares se cruzam dementes rogam o sangue se espalha tribulam-se almas surpresas esperam bocas aflitas a dor aloja-se talvez sonhos procurando farelos desvendado e o que foi nada um dia tateio nos passos entre tantos batalhões os vestígios das estátuas esculpidas em carne movimentos perdidos há um presente nalgum lugar estranho em todos os mitos as pedras partem marés em gritos como lanças no escuro diferentes lutos a mente se engaja em neblina e sal presentes rotineiros emudecem ainda mais nas gerações com medo ainda busquem cais entre migalhas cinzas queimadas de repente corrompeu do deserto e exércitos do que ainda resta deportadas a força e osso alertam que chega de longe

lobos camuflados rosnam ao meu lado e vão misteriosos sem avisar [sobre o alinhamento caótico de cada posição] e aquele silêncio mórbido [e a sua ingratidão] que então revida pelo ontem [o que lamento integro] era antes mártir [e não tardaria incrédulo aos que lhe tentam] quando piso entediado em teu nome [e resgato indecisão em piedade] num insulto que aqui deixastes qual a benção [que veneras tarde mas não tarda] pois inquietos gritam por deslumbre [já chega arbitrária em teus contrastes] que reges em orquestras quando regas mortalhas [e repudia a ânsia promiscua que irás sepultar] no penão de serpente a gritar rijo e ardente [suas sombras a clamar] horrores estalando cedo as mágoas arrastadas [a correntes de pó] silencia teu pranto [homem impuro] pois não honrastes tua corja amada [e nem agora ouve os ecos] de tua história soar

no nosso peito bate um órgão muito falso e no nosso corpo a defesa é muito frágil pele corada mas doentia sorriso mordo mas rotina rosto e fadiga já se completam é tal a distância em seu olhar o infinito é só uma esperança que de tão estúpida chega a nos confortar

.um fantasma ronda a poesia.

Minha mão está seca e meus lábios também nada adianta sequer sêmen de desdém vou tirar meus bagos e te dar pra adubo ser popular com cereal de hormônio tomando laxante pra cagar o coração debaixo da sua cama adiantando a pulsação

Teoria Antropocêntrica das Imagens Enluaradas bocas movidas à pilha esperanças queimando em velas de sétimo dia espirros de suor e peitos de aço cartas em latim arcaico sobre castelos de papel líquido e seus filósofos analfabetos para-raios no chão e espelhos em espadas o ar sente-se livre embriagado a venda de indulgências está novamente na moda mas agora com passaporte e carimbo a democracia burguesa é a nova simonia da plebe sempre foi assim poeira e deserto flutuando no concreto religiões complexas e seus lençóis de histeria estaca aberta no braço alcança arde e repudia está no pântano no pântano de estranhos e também na arca na arca incendiada parece câncer crescendo em prantos parece unha calejada está chorando vê! mas não sente nada enlouquece! segue lenta e embalsamada a alma em sua nau que enfim ateu em retirada

,T,r,o,p,e,ç,o,,n,a,s,,v,í,r,g,u,l,a,s,,c,o,m,o,,t,r,o,p,e,ç,o,,n,a,,v,i,d,a,

Nestes versos bobos, me faz um favor: não briga comigo, me faz um carinho, me diz sem cinismo “eu sou seu amigo”. Me conta uma estória, meu conto de fadas me faz cafuné, massagem no pé acalma minh'alma com seu coração Não rebusque as palavras, nem busque palavras esqueça as lágrimas e algumas vírgulas e na minha ferida assopre amor

Preciso dar ao delírio, quantidade ao amor, profundidade à vida, delírio e amor Preciso dar aos beijos, romance ao desejo, uma chance dar sexo à liberdade Preciso dar ao bem um tanto de mim ao mal um pouco de sim ao futuro, quem sabe

Tenho um plano: vamos para o campo e deixar pra trás o tempo só foder no frio da cachoeira debaixo da ameixeira escutar Belchior vendo os cachorros correrem soltos ao redor da esperança mansa que ainda resta do que nunca fomos. Nós. Você tardou no pecado dos apaixonados meu bem e amou. Eu amei ainda mais a paixão pode ser cafajeste com o coração de um bom rapaz quando sussurra volátil e vulgar sua prece voraz: “é o amor que pode esperar”

chegou nu o horário certo mas nós estávamos na rapidinha da manhã deixa o sacana esperando alguns carinhos cronometrados e bebe com capricho meu orgasmo esquece às sete os ponteiros do tempo e faz da segunda-feira nosso cobertor sobe e desce como a temperatura aqui de dentro e sussurra de cor os versos que invento meu amor

o passo de fora num caminho capenga na dobra do vento faz a curva minha saudade diante das masmorras de barro mas deita tua pálpebra em meus lábios e beija e me beija amor descalço palavras disfarçados sentidos que escrevo no vento: “esse lamento defeituoso de eternidade” de esperanças pro alto deitado na rede a lua em seus braços dorme comigo amor pois no seu tempo já me falta espaço

para poesia e para puta dou meu nome verdadeiro e um beijo molhado de esperança . dou meu amor derradeiro e só peço que me leve as lembranças .

me dê a mão vamos dançar na beira do penhasco não precisamos mais chorar o que foi e o futuro está no próximo passo nosso cadafalso para tudo e para sempre lá embaixo as incertezas e os medos perdem as cores nas lentes do ar pousa seus dedos em meus ombros e sente os meus firmes na sua cintura rodopiamos de olhos fechados e sussurro em nossa história a canção da morte eu só quero beijar teus lábios quando cair definitivamente

o cigarro me fumava e a cerveja me bebia enquanto eu ia e enquanto ia evaporando-me em você a solidão pluralizava e a poesia me ardia e seguia e eu seguia embriagando-me em você a paixão serpenteava e a serpente me mordia e eu sentia e sentia sabotando-me em você a saudade me esquecia e o esquecimento me saudava e eu ia e eu ia exorcizando-me em você o futuro me espreitava e o tempo me passava e eu corria e corria volteando-me em você o céu distanciava e o inferno me doía enquanto eu ia e enquanto ia envelhecendo-me em você o anjo me chupava e o diabo emputecia e eu fodia e fodia emprenhando-me em você o coração me bobeava e o sonho valseava e eu ria e eu ria aceitando-me em você

oh ida que me vinha oh vinda que me ia e eu seguia e seguia sendo-me em você

só, curtindo minha estratégia estúpida do flerte frente à melancolia, o sabor doce da decepção, eu sei, é uma paixão por dia, aquela que desafia a constância fria, e má, desavisada, vazia e regrada, marca rasgada na palma, da mão, negativa vazão na carne, então, da pletora das minhas veias, pulsa a cor pessimista, que parte de sua vista, até o mórbido anseio insistente, quer tornar-se novamente, ato da vida matando a vida, e das letras, cantando mortes.....................................................................

Encontro Marcamos em um bar sossegadinho e eu bebendo aqui sozinho esperei sem te encontrar Era uma noite em que o mundo estava escuro o amor, tão inseguro insinuei no meu olhar Meu bem esse seu jeito não é sério e eu que gosto de mistério cansei de desvendar Te remeti uma mensagem de carinho e no meio do caminho me arrependi de me doar Eu sei que entre tantos desavisos fui apenas improviso história fora de lugar Entendo aqueles beijos de algum jeito sempre cheios de desejo já se vão pra não ficar

Uma garota em mim partia Olha só, coração, como escorre do meu peito uma lágrima sem jeito de rolar por teu amor. E nosso tempo carregado e desatento me diz desassossegos e não temos mais direito de voltar. Pelo atalho deste afeto que se umedece incendeio com a lágrima ardendo e assim não olho atrás. Descanso minhas mágoas no ombro de um amigo embebedados pelo vinho pelos nãos, cervejas e o bar. Na esquina logo em frente uma moça se entristece nossa dor lá dentro se parece e eu já nem sei quem bebe mais. Pois tropeço em suas pernas nego, choro, desamparos moça dói, antes demais. Mas agora, meu amor, como tudo isso é vago aquela cena, aquele trago todo aquele despedaço que a moça juntou em mim.

E sumiu na tarde cinza uma garoa assim chovia uma garota em mim partia disritmia e solidão. E o meu e o seu coração não bateram como antes velhos amantes agora tristes e quando o meu ainda insiste bate, resiste, bate, desiste reincide no mesmo desespero de lembrar de teu cheiro do teu hálito caralho, me deixa em paz.

olhos lameados insistentes no olhar sob o prisma um tanto aquoso num lacrimejar nebuloso pelas ambições de antes e de nunca mais

Ontem, coração, você era um virgem inocente que deflorado e desprezado por seu amante emputeceu

Hoje é um puto arregaçado que cansado de gozarem em e gozarem de sua alma entristeceu

Mas amanhã, coração, você será o derradeiro cafetão que a vadia da vida e suas vadias um dia (a)marão

o corpo cresce diluindo o espaço mas minha alma se mantém pequena quando na impureza existia encanto e nossa indiferença nos manteve íntegros o tempo passava e não passa lento aprisionando o que parecia certo Estamos velhos e sem experiência Porém, qual é a diferença? já fomos jovens e não sabemos ficamos velhos ainda meninos regurgitando as mesmas teses enfeitadas com ideais esculpindo os pulmões em cinza resumidos em ideologias não estou nessa de deixar estar mil novecentos e oitenta e quatro & ½

confio no amor a ponto de saber que ele não é confiável fio meus horizontes e dou um nó e só

e só

desfaz as malas e volta pra cama que eu vou deitar no pôr do sol da nossa treva que renascerá não vem dizer que falta tempo já pela manhã você se demora

nos teus lençóis fui descobrir na mágoa que ela deixou no meu sofá porque coei teu café num outono agora no próximo verão

Não honro mais o laurel poetero pois não sei quem é ela que me chupará num verso ereto Quem cavalga em minhas pernas? Qual o tamanho dos seios? São grandes? Ou pequenos? Têm cheiro de suor ou de sonho? Ou milhões de verões em dois melões inteiros? Quais bicos mordisco e aperto? Diante de que bunda ajoelho e rezo entre as abóbodas austrais que guardam apertado o mais visceral dos pecados? Esperarei em cada linha de minhas poesias escritas com sêmen presente de minha amante nietzschiana Sasha Grey

Serafim negro Lembro que alguém se aproximava vestido de nuvem eu relampejava num inverno lento e nebuloso mas via e ouvia a tempestade do outro lado com seu furacão nervoso feito de anjos apressados também o vermelho intermitente que julgo ser da morte iluminava os mantos brancos e realçava o rubro borrifado nas asas dos mais agitados não sei se cheguei aqui caminhando ou se despenquei do alto da montanha rotineira para um voo inédito e solitário tudo que agora minha memória consegue processar é dor cálculo sádico do insuportável numa biologia empírica para o futuro simbiótico da mais adaptável das espécies e por isso a menos inocente humanos, sempre tão indefiníveis somos intempestivos e calculistas somos bandidos cósmicos com aura de indolência inocente 38 anos, branco, B negativo, não entendi a última palavra gritada por uma espécie de serafim negro de longo cabelo cacheado e sotaque de trovoada com urgência desbainhou sua navalha e encostou-a em minha garganta perguntava por coisas e essas coisas não eram respostas apertou a ponta ameaçadora e senti um fio de sangue e s

c o r r e n d o berrou o mais alto que pode as trombetas do desespero mas seu idioma alado era rápido e desconhecido demais para um humano renegado e caído olhando profundamente em meus olhos abertos e serenos cravou fundo a lâmina, por fim, na raiz de minha traqueia um golpe certeiro e fugaz que fez escapar ar por um tubo do tempo e numa única lufada de vida me guiou veloz por um túnel iluminado de asfalto irregular, lombadas e curvas até um devaneio onírico por onde circulava cada gota de um líquido da cor do sonho que pingava desde um recipiente acima da minha cabeça e atravessava minha veia como uma ponte afiada entre dois desfiladeiros atirei-me sem medo no mais escuro deles e despertei na realidade e num susto em que um anjo negro de cabelos cacheados dava choques em meu peito e então me beijava

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