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Métodos

Eletroanalíticos (ME)

Índice
ME01..................................................................................................1619
ESTUDO DO COMPORTAMENTO VOLTAMÉTRICO E OTIMIZAÇÃO
DOS PARÂMETROS DA VOQ NA ANÁLISE DE SULFAMETOXAZOL
SOBRE ELETRODO DE CARBONO VÍTREO
Giselle Nathaly Calaça, Christiana Andrade Pessoa Karen Wohnrath e Noemi Nagata

ME02..................................................................................................1622
DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE AMODIAQUINA EM LEITE
MATERNO PELO USO DE UM SENSOR A BASE DE HEMINA
Maria de Lara P. M. Arguelho, Cristiane O. Valente, Carlos Alexandre B. Garcia, José do
Patrocínio H. Alves, Maria Valnice B. Zanoni, Nelson R. Stradiotto2

ME03..................................................................................................1625
ESTUDO ELETROQUÍMICO DA OXIDAÇÃO DA MINOCICLINA E SUA
DETERMINAÇÃO EM FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA
Maria de Lara P. M. Arguelho, Michel Rafael S. Souza, Érica C. Costa, Renê H. Tavares dos
Santos, Carlos Alexandre B. Garcia, José do Patrocínio H. Alves

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1603


ME04..................................................................................................1629
ESTUDO SOBRE A DETERMINAÇÃO SIMULTÂNEA DE Zn, Cd, Pb e
Cu UTILIZANDO FILME DE Bi: CALIBRAÇÃO MULTIVARIADA E
SELEÇÃO DE VARIÁVEIS
Licarion Pinto, Sherlan G. Lemos

ME05..................................................................................................1632
ESTUDO SOBRE A OTIMIZAÇÃO SIMULTÂNEA DAS CONDIÇÕES
EXPERIMENTAIS DE DETERMINAÇÃO DE Zn, Cd, Pb E Cu POR
VOLTAMETRIA DE REDISSOLUÇÃO ANÓDICA
Licarion Pinto, Sherlan G. Lemos

ME06..................................................................................................1635
DETERMINAÇÃO eletroanalíticA DE CEFUROXIMA EM
MEDICAMENTOS, LEITE BOVINO E ÁGUA NATURAL
Cristiane Maria Sampaio Forte, Luisa Célia Melo Pacheco, Pedro de Lima-Neto,
Adriana Nunes Correia

ME07..................................................................................................1638
DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA DO HERBICIDA
CLOROTALONIL EM CHÁS COMERCIAIS UTILIZANDO ELETRODOS
DE DIAMANTE
França, R. F., Guedes, P., Miyano, D., Tozatto, V. R., Pedrosa, V. A., de Oliveira, H. P. M.,
Codognoto, L.

ME08..................................................................................................1642
DETERMINAÇÃO DE Cu2+ EM CACHAÇAS INDUSTRIALIZADAS
E ARTESANAIS EMPREGANDO UM ELETRODO DE PASTA DE
CARBONO MODIFICADO COM SÍLICA GEL-2-AMINOTIAZOL
Dayane A. Costa, André L. Santos, Regina M. Takeuchi

ME09..................................................................................................1646
DETERMINAÇÃO DE ESTRONA UTILIZANDO ELETRODO DE
DIAMANTE DOPADO COM BORO
Keliana Dantas Santos , Gabriel Luiz Kreft , Camila Alves de Lima, Almir Spinelli

ME10..................................................................................................1649
ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO APLICADO À
DETERMINAÇÃO DO PESTICIDA FENTION EM FITOTERÁPICO À
BASE DE PASSIFLORA
França, R. F., Pedrosa, V. A., Hueder Paulo M. de Oliveira, Codognoto, L.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1604


ME11..................................................................................................1653
DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DA CAPACIDADE
ANTIOXIDANTE DE EXTRATOS DE GARAPA DE CANA-DE-AÇÚCAR E
POLPA DE MARACUJÁ USANDO O ENSAIO CRAC
Rafael de Queiroz Ferreira, Maria Luiza Zeraik, Tatiana Onofre de Lira, Janete Harumi Yariwake
e Luis Alberto Avaca

ME12..................................................................................................1656
ELECTROANALYSIS OF DAPSONE AND DETERMINATION IN
PHARMACEUTICAL FORMULATIONS USING A GLASSY CARBON
ELECTRODE
Silio Lima de Moura, Ricardo Barbosa de Sousa, José Aroldo Viana dos Santos, Alexandre
Araújo de Souza, José Ribeiro dos Santos Júnior and Marcos Antonio Pereira dos Santos

ME13..................................................................................................1660
DETERMINAÇÃO DE PROCAÍNA EM FORMULAÇÕES
FARMACÊUTICAS UTILIZANDO UM ELETRODO DE PASTA DE
CARBONO MODIFICADO COM HEXACIANOFERRATO DE NÍQUEL
Isabela F. Paiola, André L. Santos, Regina M. Takeuchi

ME14..................................................................................................1663
ESTUDO SIMULTÂNEO DE ÍONS METÁLICOS POR TÉCNICAS
ELETROANALÍTICA E QUIMIOMÉTRICAS
P. D. Marreto, A. M. Zimer, M. A. S. Faria, E. C. Pereira, L. H. Mascaro, R. C. Faria,
S. G. Lemos, W. D. Fragoso

ME15..................................................................................................1666
OXIDAÇÃO ELETROQUÍMICA DE NITRITO EM COMPÓSITO
DE LIGNINA E NANOTUBOS DE CARBONO IMOBILIZADO EM
ELETRODO DE CARBONO VÍTREO
Robson P. da Silva, Rafael B. Martos, Luis C. Cides da Silva, Fernando C. M. de Oliveira,
J. Vinicius Martins, A. William O. Lima, Sílvia H. P. Serrano

ME16..................................................................................................1670
DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA SIMULTÂNEA DE SEROTONINA
E DOPAMINA UTILIZANDO ELETRODO DE CARBONO VÍTREO
MODIFICADO EM SOLUÇÃO DE SEROTONINA
Robson P. da Silva, Rafael M. Buoro, Antônio William O. Lima, Sílvia H. P. Serrano

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1605


ME17..................................................................................................1674
DESENVOLVIMENTO DE SENSOR VOLTAMÉTRICO PARA
DETERMINAÇÃO DA MICOBACTÉRIA M. SMEGMATIS APARTIR DA
REDUÇÃO DE SEUS ÁCIDOS MICÓLICOS
Michelle Fernanda Brugnera, Marcelo Miyata, Clarice Queico Fujimura, Maria Valnice Zanoni
Boldrin

ME18..................................................................................................1677
DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE
FITOESTROGÊNIOS EM PRODUTOS DE SOJA UTILIZANDO
ELETRODO SÓLIDO DE AMÁLGAMA DE PRATA
Daniela Kárin Fogliatto, Valdir Souza Ferreira

ME19..................................................................................................1680
DETERMINAÇÃO DO HORMÔNIO PROGESTERONA EMPREGANDO
ELETRODO DE FILME DE BISMUTO E VOLTAMETRIA DE ONDA
QUADRADA
Camila Alves de Lima, Keliana Dantas Santos, Gabriel Luiz Kreft e Almir Spinelli

ME20..................................................................................................1683
VALIDAÇÃO DE UM NOVO MÉTODO ANALÍTICO PARA A
QUANTIFICAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS LIVRES EM BIODIESEL
Elizabeth Figueiredo, Eliane D’Elia, Eduardo Cavalcanti

ME21..................................................................................................1686
OXIDAÇÃO ELETROQUÍMICA DA RICINA SOBRE ELETRODO DE
CARBONO VÍTREO
Williame F. Ribeiro, Ilanna C. Lopes, Daniel J. E. da Costa, Everaldo P. de Medeiros, Valberes B.
do Nascimento3 e Mário C. U. de Araújo

ME22..................................................................................................1690
CONTROLE DE QUALIDADE DE ASSOCIAÇÕES DE ÁCIDO ACETIL
SALICÍLICO E CAFEÍNA EM FORMULAÇÕES FARMACÊUTICAS POR
TÉCNICAS ELETROQUÍMICAS
Eric O. Faria, Antônio C. V. Lopes, Dênio E. P. Souto, Fernando F. R. Leite, Flávio S. Damos,
Rita C. S. Luz, Wallans T. P. dos Santos

ME23..................................................................................................1694
DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIA VOLTAMÉTRICA
PARA DETERMINAÇÃO SIMULTÂNEA DE ÁCIDO KÓJICO E
HIDROQUINONA EM ELETRODO DE PASTA DE CARBONO (EPC)
Bianca do Amaral, Sandra Stets, Noemi Nagata2 e Christiana Andrade Pessôa

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1606


ME24..................................................................................................1698
A NEW METHOD FOR DETERMINATION OF THE ACID NUMBER OF
FUEL ETHANOL USING COULOMETRIC TITRATION
Fabiano Barbieri Gonzaga, Mary Ane Gonçalves, Sidney Pereira Sobral, Carla de Matos Ribeiro

ME25..................................................................................................1701
DETERMIÇÃO RÁPIDA E DIRETA DE HIDROQUINONA EM
MEDICAMENTOS USANDO BIA COM DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA
Rafael Rodrigues Cunha, Thiago Faria Tormin, Rodrigo Alejandro Abarza Munoz, Eduardo
Mathias Richter

ME26..................................................................................................1704
DETERMINACION DE LAMIVUDINA, DROGA ANTIRRETROVIRAL,
EN UN ELECTRÓLITO SOPORTE ALCALINO, USANDO LA
VOLTAMETRÍA ADSORTIVA DE REDISOLUCION.
Percio Augusto Mardini Farías, Arnaldo Aguiar Castro, Ana Isa Pérez Cordovés

ME27..................................................................................................1707
DETERMINAÇÃO SIMULTÂNEA DE ETANOL E METANOL EM
ÁLCOOL COMBUSTÍVEL USANDO VOLTAMETRIA CÍCLICA E
ELETRODO DE OURO EM MEIO ALCALINO
Polyana F. Pereira, Raquel M. F. Sousa, Rodrigo A. A. Munoz, Eduardo M. Richter

ME28..................................................................................................1710
DETECCIÓN DE METALES SOBRE BISMUTO EN SISTEMAS DE FLUJO
CON LAZO CERRADO
Danny Valera, Hermes Carrero

ME29..................................................................................................1713
SENSORES ELETROQUÍMICOS DE GLICOSE EMPREGANDO
ELETRODOS MODIFICADOS DE COBRE
Amanda Maciel (IC), Franciele Wolfart (PG), Marcio Vidotti (PQ)

ME30..................................................................................................1716
APLICAÇÃO DO ELETRODO COMPÓSITO GRAFITE-POLIURETANA
NA DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DO FÁRMACO
OXITETRACICLINA EM AMOSTRA BIOLÓGICA
Carolina Maria Fioramonti Calixto e Éder Tadeu Gomes Cavalheiro

ME31..................................................................................................1719
DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DE NOREPINEFRINA
UTILIZANDO CONJUNTO DE ULTRAMICROELETRODO DE PLATINA
Diego L. C. Golinelli, Dyovani Coelho, Fernando C. Moraes, Ivana Cesarino,
Sergio A. S. Machado, Valber A. Pedrosa

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1607


ME32..................................................................................................1722
DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE SULFETO USANDO
ELETRODO DE AMÁLGAMA SÓLIDO DE PRATA
Milena N. da Costa (IC), Marco A. Modenes Junior, Djenaine de Souza (PQ), Leonardo L. Paim
(PG), Nelson R. Stradiotto (PQ)

ME33..................................................................................................1725
DETERMINAÇÃO Cu2+ E Pb2+ EM ÁGUAS NATURAIS E DE
ABASTECIMENTO UTILIZANDO UM ELETRODO DE PASTA DE
CARBONO MODIFICADO COM SiO2-2-AMINOTIAZOL
Daiane H. Silva, Regina M. Takeuchi, André L. Santos

ME34..................................................................................................1728
ELECTROCHEMICAL H2S SENSING FOR HIGH TEMPERATURE/
PRESSURE WELLBORE APPLICATIONS
Emma Rogers, Nathan Lawrence, Mauricio Guerrante, Maria Luiza B.Tristao, Ana Paula Martins
de Souza

ME35..................................................................................................1729
ESTUDO ELETROQUÍMICO DO MECANISMO DE REDUÇÃO DO
HALOPERIDOL SOBRE DIFERENTES SUPERFÍCIES ELETRÓDICAS
Francisco Wirley Paulino Ribeiro, Janete Elisa de Sá Soares, Helena Becker,
Djenaine De Souza, Pedro de Lima-Neto, Adriana Nunes Correia

ME36..................................................................................................1732
ESTUDO ELETROQUÍMICO DA OFLOXACINA E SUA
DETERMINAÇÃO EM FORMULAÇÕES FARMACÊUTICAS
Francisco Wirley P. Ribeiro, Sâmeque do N. Oliveira, Helena Becker, Janete E. S. Soares,
Djenaine De Souza, Pedro de Lima-Neto, Adriana N. Correia

ME37..................................................................................................1735
DETECÇÃO DE ACILGLICERÓIS UTILIZANDO VOLTAMETRIA DE
REDISSOLUÇÃO ADSORTIVA COM CORRENTE ALTERNADA
Daniela Ballottin, Nelson Ramos Stradiotto

ME38..................................................................................................1738
APLICAÇÃO DA RESSONÂNCIA DE PLÁSMON DE SUPERFÍCIE
E MICROBALANÇA DE CRISTAL DE QUARTZO ACOPLADAS À
ELETROQUÍMICA NO ESTUDO DO PEDOT
Dênio E. P. Souto, Jussara V. Silva, Ananda X. Oliveira, Wallas T. P. dos Santos, Rita C. S. Luz,,
Lauro T. Kubota e Flávio S. Damos

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1608


ME39..................................................................................................1741
ELECTROCHEMICAL PH SENSING IN UNBUFFERED MEDIA
Nathan Lawrence, Kay McGuiness, Andrew Meredith

ME40..................................................................................................1743
SINERGIA DE TÉCNICAS ELETROQUÍMICAS NO ESTUDO DE
PROCESSOS DE ELETRODO: ANÁLISE IN SITU DE PRODUTOS POR
ELETROFORESE CAPILAR COM DETECÇÃO CONDUTOMÉTRICA
Fernando Silva Lopes, Thiago Nogueira, Claudimir Lucio do Lago e Ivano G. R. Gutz

ME41..................................................................................................1746
DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA DO PESTICIDA THIODICARB
UTILIZANDO ELETRODO DE AMÁLGAMA
Bruno Gabriel Lucca e Valdir Souza Ferreira

ME42..................................................................................................1749
DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA DE SULFADIAZINA E
SULFAMETOXAZOL EM FÁRMACOS COM UM
ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO [1]
Cristine D. Souza, Otoniel C. Braga, Iolanda C. Vieira e Almir Spinelli

ME43..................................................................................................1752
APLICAÇÃO DE UM ELETRODO DE FILME DE BISMUTO
PARA DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA CATÓDICA
DE SULFADIAZINA[1]
Iolana Campestrini, Otoniel C. Braga, Iolanda C. Vieira e Almir Spinelli

ME44..................................................................................................1755
DETERMINAÇÃO DE ALBENDAZOL EM PRODUTOS
FARMACÊUTICOS UTILIZANDO UM ELETRODO DE DIAMANTE
DOPADO COM BORO E VOLTAMETRIA DE PULSO DIFERENCIAL
Marina Baccarin (IC), Bruna C. Lourenção (PG), Roberta A. Medeiros (PG), Romeu C. Rocha-
Filho (PQ), Orlando Fatibello-Filho (PQ).

ME45..................................................................................................1758
DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DE FENÓIS APÓS PROCESSO
DE DEGRADAÇÃO DE BENZENO USANDO SENSOR À BASE DE
NANOTUBOS DE CARBONO-FTALOCIANINA DE COBALTO
Deodato P. Santos, Ivana Cesarino, Fernando C. Moraes, Sergio A.S. Machado

ME46..................................................................................................1761
DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE HIDRAZINA ATRAVÉS DE
SÍLICA MODIFICADA COM PENTACIANOFERRATO DE COBALTO
Bicalho, U.O., Sá, A.C., Cumba, L.R., Do Carmo, D.R. e Silvestrini, D.R.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1609


ME47..................................................................................................1764
DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE IVERMECTINA EM
FÁRMACOS VETERINÁRIOS UTILIZANDO UM ELETRODO DE
DIAMANTE DOPADO COM BORO
Bruna Claudia Lourenção (PG), Roberta Antigo Medeiros (PG), Romeu C. Rocha-Filho (PQ) e
Orlando Fatibello-Filho (PQ)

ME48..................................................................................................1767
EMPREGO DE PERFIS VOLTAMÉTRICOS NA ANÁLISE DE
DIFERENTES BEBIDAS ALCOÓLICAS DE JABUTICABA
Aline de Oliveira Roberth, Daniela Cristina Vinhal, Diego Ives de Vilasboas e Santos, Luísa
Zaiden Carvalho Martins de Sá, Renata Crispim Batista, Roberto Vicente de Araújo, Eduardo
Ramirez Asquieri, Eric de Souza Gil

ME49..................................................................................................1770
IMOBILIZAÇÃO DA ENZIMA POLIFENOL OXIDASE EM
NANOPARTÍCULAS DE OURO/NANOTUBOS DE CARBONO PARA A
DETERMINAÇÃO INDIRETA DE SULFITO EM VINHOS
Elen Romão Sartori, Fernando Campanhã Vicentini e Orlando Fatibello-Filho

ME50..................................................................................................1773
DESENVOLVIMENTO DE UM SENSOR UTILIZANDO NANOTUBOS
DE CARBONO/DHP PARA A DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE
PARAQUAT EM ÁGUAS NATURAIS
Luiz Carlos Soares de Figueiredo Filho, Lívia Luiza Costa Garcia, Geiser Gabriel de Oliveira,
Orlando Fatibello Filho1

ME51..................................................................................................1776
DETERMINAÇÃO VOLTAMETRICA DE Zn, Cd, Pb E Cu EM
EFLUENTES PETROQUÍMICOS
Daniela Domingos,, Maria de Lourdes Ferreira Neta,, Ana Rosa Caribé Massa Góes, Marcio das
Virgens Rebouças e Leonardo Sena Teixeira

ME52..................................................................................................1781
ESTUDOS EM INTERFACE DO TIPO ÁGUA/ÓLEO PARA A DETECÇÃO
DE GLICEROL EM BIODIESEL
Etienne S. Oliveira, Sonia Tomie Tanimoto e Hugo B. Suffredini

ME53..................................................................................................1784
DETERMINAÇÃO DE METILTESTOSTERONA EM AMOSTRAS
AMBIENTAIS UTILIZANDO VOLTAMETRIA DE ONDA QUADRADA
Luciane Miranda, Andressa Galli, Sueli P. Quinaia

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1610


ME54..................................................................................................1787
DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIA ELETROANALÍTICA
PARA A DETERMINAÇÃO DO PESTICIDA GLIFOSATO UTILIZANDO
VOLTAMETRIA DE ONDA QUADRADA
Simone Carla dos Santos, Andressa Galli, Karin Cristiane Justi

ME55..................................................................................................1790
USO DE ELETRODOS TRIMETÁLICOS NA REAÇÃO DE OXIDAÇÃO DE
ETANOL E A QUANTIFICAÇÃO INDIRETA DE DIÓXIDO DE CARBONO
ATRAVÉS DE CLAE
Cláudia Virginia Gomes Guerra Miranda, Fernanda de Almeida Nunes e Isaide Araujo Rodrigues

ME56..................................................................................................1793
DETERMINAÇÃO RÁPIDA E SIMULTÂNEA DE DICLOFENACO
E CODEÍNA USANDO FIA COM DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA
PULSADA
Denise T. Gimenes, Polyana F. Pereira, Thiago F. Tormin, Jhonys M. de Freitas, Rodrigo A. A.
Munoz, Eduardo M. Richter

ME57..................................................................................................1796
DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DE UMA METODOLOGIA
CROMATOGRÁFICA COM DETECÇÃO ELETROQUÍMICA PARA
QUANTIFICAÇÃO DE CORANTES EM AMOSTRA DE GASOLINA
Magno Aparecido Gonçalves Trindade, Maria Valnice B. Zanoni , Frank-Michael Matysik

ME58..................................................................................................1799
DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA E SIMULTÂNEA DE
ANTIOXIDANTES EM BIODIESEL EMPREGANDO ELETRODOS
IMPRESSOS DE CARBONO/NANOTUBOS DE CARBONO
Ricardo Pini Caramit , Tatiane Alfonso Araujo , Magno Aparecido Gonçalves Trindade, Valdir
Souza Ferreira , Luiz Henrique Viana

ME59..................................................................................................1802
OXIDACÃO ELETROQUÍMICA DO BENTAZON SOBRE ELETRODO DE
DIAMANTE DOPADO COM BORO EM MEIO AQUOSO/ORGÂNICO E
PRESENÇA DE SURFACTANTE
Sidel, M. M, Solaliendres, M. O., Fiorucci, A. R. Carvalho, A. E. , Trindade, M.A.G

ME60..................................................................................................1805
ISOTERMAS DE ADSORÇÃO DE CARBENDAZIM EM FARINHAS DE
SOJA, MILHO E TRIGO
Bibiana K. Martini, Marcelina O. Solaliendres, Antonio Rogério Fiorucci

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1611


ME61..................................................................................................1808
ESTUDO VOLTAMÉTRICO DO ANTIOXIDANTE TBHQ EM
MICROELETRODO DE FIBRA DE CARBONO COM SURFACTANTE
Cássia Canaza Fonseca,, Antonio Rogério Fiorucci, Marcelina Ovelar Solaliendres, Edemar
Benedetti Filho

ME62..................................................................................................1811
DETERMINAÇÃO SIMULTÂNEA DE CORANTES ALIMENTÍCIOS
UTILIZANDO DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA DE MÚLTIPLOS
PULSOS ACOPLADA A UM SISTEMA FIA, COM UM ELETRODO DE
DIAMANTE DOPADO COM BORO
Roberta Antigo Medeiros, Bruna Cláudia Lourenção, Romeu C. Rocha-Filho e Orlando Fatibello-
Filho

ME63..................................................................................................1814
ELECTROCHEMICAL OXIDATION OF OXALIC ACID (OA)
AT DIFFERENT ANODE MATERIALS: APPLICABILITY OF
ELECTROANALYSIS FOR MONITORING OA DEGRADATION
Araújo, E.G.; Oliveira, G, R.; Santos, E. V.; Fernandes, N. S.; Martínez-Huítle, C.A.

ME64..................................................................................................1817
APLICAÇÃO DAS TÉCNICAS ELETROANALÍTICAS DURANTE
A OXIDAÇÃO ELETROQUÍMICA DO ÁCIDO FÓLICO USANDO
ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO (DDB)
Danyelle Medeiros de Araújo.; Eliane Gonçalves de Araújo. Gustavo Rodrigues de Oliveira.
Jéssica Horacina Bezerra Rocha1.; Nedja Suely Fernandes

ME65..................................................................................................1820
PERFIL ELETROANALÍTICO DE “VINHOS” EXÓTICOS
Daniela Cristina Vinhal, Luísa Zaiden Carvalho Martins de Sá, Renata Crispim Batista, Aline de
Oliveira Roberth, Diego Ives de Vilasboas e Santos, Eduardo Ramirez Asquieri, Eric de Souza
Gil

ME66..................................................................................................1823
DETERMINAÇÃO DO INSETICIDA PIRIDAFENTION POR
VOLTAMETRIA DE ONDA QUADRADA EM ELETRODO COMPÓSITO
DE GRAFITE-POLIURETANA
Fernanda Ramos de Andrade , Wilson T. L. da Silva 1 e Carlos Manoel Pedro Vaz

ME67..................................................................................................1826
DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA DO FUNGICIDA TIOFANATO
METÍLICO EM AMOSTRAS DE MORANGO E TOMATE UTILIZANDO
ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO
Andressa Galli, Robson Keller Nunes2 e Paulo Rogério Pinto Rodrigues

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1612


ME68..................................................................................................1829
ELETRODO DE PASTA DE CARBONO MODIFICADO COM ÁCIDO
ASCÓRBICO E NANOTUBOS DE CARBONO PARA DETERMINAÇÃO
DE COBRE EM CACHAÇA
Elisângela de Fátima Lisboa Tavares, Meryene de Carvalho Teixeira, Adelir Aparecida Saczk,
Leonardo Luiz Okumura, Maria Das Graças Cardoso, Zuy Maria Magriotis, Marcelo Firmino de
Oliveira

ME69..................................................................................................1832
DETERMINAÇÃO DE L-DOPA EM MEDICAMENTOS UTILIZANDO UM
MICROELETRODO DE OURO
Fernando Roberto Figueirêdo Leite, Flávio Santos Damos, Rita de Cássia Silva Luz, Andréa
Renata Malagutti

ME70..................................................................................................1835
DESENVOLVIMENTO DE UM SENSOR PARA L-DOPA UTILIZANDO
UM ELETRODO DE GRAFITE PIROLÍTICO DE PLANO BASAL
MODIFICADO COM NANOTUBOS DE CARBONO E Co(DMG)2ClPy
Fernando Roberto Figueirêdo Leite, Flávio Santos Damos1 e Rita de Cássia Silva Luz

ME71..................................................................................................1838
DETERMINAÇÃO SEQUENCIAL DE CONTAMINANTES INORGÂNICOS
EM FORMULAÇÕES MINERAIS E FITOTERÁPICAS EMPREGANDO
MÉTODOS VOLTAMÉTRICOS
Carla Simone Sant’Ana, Leandro Machado de Carvalho, Marcelo B. da Rosa, Géssica Domingos
da Silveira, Thaís Dal Molin.

ME72..................................................................................................1841
DESENVOLVIMENTO DE MÉTODO ELETROANALÍTICO PARA A
DETERMINAÇÃO AMPEROMÉTRICA DE ETAMBUTOL EM URINA
Camila Bellei Perantoni, Marcone Augusto Leal de Oliveira e Denise Lowinsohn

ME73..................................................................................................1844
ANÁLISE DE ∆9-TETRAIDROCANABINOL POR VOLTAMETRIA DE
PULSO DIFERENCIAL
Marco Antonio Balbino, Túlio de Castro Agostinho, Matheus Manoel Teles de Menezes, Marcelo
Firmino de Oliveira.

ME74..................................................................................................1847
CARACTERIZAÇÃO E DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DA
PROCIMIDONA POR MÉTODOS VOLTAMÉTRICOS EM MAÇÃ
Ana Carolina da Costa Fulgêncio1 e Leonardo Luiz Okumura

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1613


ME75..................................................................................................1850
“BATCH INJECTION ANALYSIS” COM DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA
PULSADA: APLICAÇÃO EM DETERMINAÇÕES SIMULTÂNEAS
Rodrigo Amorim Bezerra da Silva, Denise Tofanello Gimenes, Thiago Faria Tormin, Rodrigo
Alejandro Abarza Munoz e Eduardo Mathias Richter

ME76..................................................................................................1853
MODIFICAÇÃO DE ELETRODO DE OURO COM L-GLUTATIONA
ANCORADAS SOBRE CAMADAS AUTO-ARRANJADAS DE ÁCIDO
MERCAPTOPROPIÔNICO
Fernando C. M. de Oliveira, Antonio W. O. Lima, Silvia H. P. Serrano

ME77..................................................................................................1856
COMPORTAMENTO ELETROQUÍMICO DO CORANTE DISPERSO
ORANGE 1 SOBRE ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO
Carolina Venturini Uliana, Gustavo Stoppa Garbellini, Hideko Yamanaka

ME78..................................................................................................1859
DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIA ELETROANALÍTICA PARA
A DETERMINAÇÃO DE CARBENDAZIM
Jacqueline Marques Petroni1 e Valdir Souza Ferreira

ME79..................................................................................................1862
DESENVOLVIMENTO DE MÉTODO ELETROQUÍMICO PARA ANÁLISE
VOLTAMÉTRICA DE TETRADIFONA EM ELETRODO DE CARBONO
VÍTREO
Herbert Aleixo1, Leonardo Luiz Okumura

ME80..................................................................................................1865
DETERMINAÇÃO E ESPECIAÇÃO DE ÁCIDOS ORGÂNICOS
VOLÁTEIS EM ÁGUA PRODUZIDA POR VOLTAMETRIA E
CALIBRAÇÃO MULTIVARIADA
Roberta Maciel Toledo de Mattos,, Monica Teixeira da Silva, Eliane D’Elia

ME81..................................................................................................1868
COMPARAÇÃO ENTRE DUAS METODOLOGIAS ENZIMÁTICAS COM
DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA E ESPECTROFOTOMÉTRICA PARA
DETERMINAÇÃO DE GLICEROL EM BEBIDAS COMERCIAIS
Flávia Carvalho de Souza1 (PG), Fábio Jorge1 (IC), Raphael Cyriaco Cabral1 (IC) e Tatiana López
Fernández1 (PQ), Marcus Rodrigues Monteiro2 (PQ), Eliane D’Elia1 (PQ)

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1614


ME82..................................................................................................1871
DETERMINAÇÃO DE TRAÇADOR QUÍMICO PARA USO EM
RESERVATÓRIOS DE PETRÓLEO POR ANÁLISE EM FLUXO E
DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA
Flávia Carvalho de Souza1 (PG), Davi Augusto Izidro da Silva1 (IC),
Maria Aparecida de Melo2 (PQ), Eliane D’Elia1 (PQ)

ME83..................................................................................................1874
DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DE SULFITO USANDO
ELETRODO MODIFICADO COM FILME DE HEXACIANOFERRATO DE
ÓXIDO DE RUTÊNIO
Rodrigo H. O. Montes, Eduardo M. Richter, Rodrigo A. A. Muñoz

ME84..................................................................................................1877
METODOLOGIA ELETROANALÍTICA PARA A DETERMINAÇÃO DO
INSETICIDA FIPRONIL UTILIZANDO ELETRODO GC MODIFICADO
COM NANOTUBOS DE CARBONO
Raquel B. Amaral, Claudia A. Razzino, Sergio A. S. Machado e Luiz H. Mazo

ME85..................................................................................................1880
APLICAÇÃO DE TÉCNICAS COULOMÉTRICAS PARA
DETERMINAÇÃO DE SULFAMETOXAZOL EM MEDICAMENTOS
Márcia M. F. Farias, Éder S. Sá, Otoniel C. Braga2 e Almir Spinelli2

ME86..................................................................................................1883
DETERMINAÇÃO DE Pb(II) EM AMOSTRAS DE LÁGRIMA
Ana P. R. de Souza, Luiza M. F. Dantas, Pollyana S. Castro1 e Mauro Bertotti1

ME87..................................................................................................1886
NOVA METODOLOGIA ELETROANALÍTICA SIMPLES E RÁPIDA
PARA DETERMINAÇÃO DE VIAGRA® EM FORMULAÇÕES
FARMACÊUTICAS POR MPA EM FIA
Antônio C. V. Lopes1 (PG), Eric O. Faria1 (IC), Rita C. S. Luz2 (PQ), Flávio S. Damos2 (PQ),
Lucas F. Ferreira3 (PQ), Wallans T. P. dos Santos1(PQ).

ME88..................................................................................................1889
Sensor para Cu(II) a base de bromoisatina-3-oxima
Sakae Y. Neto, Andre da Silva Freire, Adriano B.Oliveira, Edmar P. Marques1 e Aldaléa L. B.
Marques1

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1615


ME89..................................................................................................1892
DETERMINAÇÃO RÁPIDA E DIRETA DE BUTIL-HIDROXI-ANISOL
(BHA) EM BIODIESEL POR ANÁLISE POR INJEÇÃO EM BATELADA
COM DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA
Thiago F. Tormin, Denise T. Gimenes, Eduardo M. Richter, Rodrigo A. A. Muñoz

ME90..................................................................................................1895
ELETRODO INTERDIGITADO DE COBRE COMO LÍNGUA
ELETRÔNICA PARA DISCRIMINAÇÃO DE AMOSTRAS DE ETANOL
COMBUSTÍVEL ADULTERADAS COM ÁGUA
Lígia Bueno, Thiago R.L.C. Paixão

ME91..................................................................................................1898
ANÁLISE VOLTAMÉTRICA DE COCAÍNA UTILIZANDO ELETRODO
DE PLATINA QUIMICAMENTE MODIFICADO COM BASE DE SCHIFF
3-MeO-UO2 Salen
Laura Siqueira de Oliveira, Juliana Munhoz, Fernanda Pereira Domingues, Marcelo Firmino de
Oliveira

ME92..................................................................................................1901
ELECTROCHEMICAL CHARACTERIZATION OF ULTRATHIN FILMS
OF COPPER PHTHALOCYANINE/NATURAL POLYSACCHARIDES AND
DETERMINATION OF DOPAMINE
Silio Lima de Moura, Ionara Nayana Gomes Passos, José Aroldo Viana dos Santos1 and José
Ribeiro dos Santos Júnior

ME93..................................................................................................1911
DETERMINAÇÃO AMPEROMÉTRICA DE DICLOFENACO USANDO
ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO
Denise Tofanello Gimenes, Jhonys Machado de Freitas, Rodrigo Alejandro Abarza Munoz,
Eduardo Mathias Richter

ME94..................................................................................................1914
DETERMINAÇÃO DE Mn APÓS A ADSORÇÃO EM PERLITA
EXPANDIDA POR VOLTAMETRIA DE REDISSOLUÇÃO CATÓDICA
Santos, E.V1., Araújo,E.G1.,Araújo,D.M.,1 Martínez-Huitle,C.A1., Fernandes,N.S1

ME95..................................................................................................1917
AVALIAÇÃO DA CONSTANTE DE INCLUSÃO DO COMPLEXO
BENZALDEÍDO/β-CICLODEXTRINA EM ÁGUA ATRAVÉS DE
VOLTAMETRIA CÍCLICA
Vilar, Márcio e Navarro, Marcelo

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1616


ME96..................................................................................................1920
INVESTIGAÇÃO DO COMPORTAMENTO ELETROQUÍMICO DE
Cd, Pb, Hg e Tl EM CONCENTRADOS SALINOS DE HEMODÍALISE
UTILIZANDO ELETRODOS DE CARBONO VÍTREO E BISMUTO
Ananda Guarda, Bruna Wiethan, Paulo C. Nascimento, Leandro M. de Carvalho

ME97..................................................................................................1923
DESENVOLVIMENTO DE MÉTODO ELETROANALÍTICO PARA
A DETERMINAÇÃO DE GENISTEÍNA NA PRESENÇA DE RUTINA
UTILIZANDO ELETRODO DE PASTA DE CNTs
Isadora Cristina Costa Mendes , Nahiara Marie Lacerda , Aline Carlos de Oliveira , Jonatas
Gomes da Silva , Clarissa Silva Pires de Castro

ME98..................................................................................................1926
ANÁLISE DE TRAÇOS DE MORFOLINA EM INIBIDORES
EMPREGADOS NO CONTROLE DA CORROSÃO DE DUTOS
Sanair Massafra de Oliveira1, Flávia Carvalho de Souza, Álvaro Augusto O. Magalhães, Roberta
Maciel Toledo de Mattos2 e Eliane D’Elia1

ME99..................................................................................................1929
ANÁLISIS POR REDISOLUCIÓN ELECTROQUÍMICA SOBRE
ELECTRODOS MODIFICADOS CON PELÍCULAS BIMETÁLICAS
Danny Valera, Hermes Carrero

ME100................................................................................................1932
EMPREGO DE RECURSOS QUIMIOMÉTRICOS NA OTIMIZAÇÃO DE
UM MÉTODO VOLTAMÉTRICO PARA A DETERMINAÇÃO DE Ag(I)
USANDO UM ELETRODO DE PASTA DE NANOTUBOS
Fernando Campanhã Vicentini, Luiz Carlos Soares de Figueiredo-Filho, Bruno C. Janegitz, Aline
Santiago, Edenir Rodrigues Pereira-Filho e Orlando Fatibello-Filho

ME101................................................................................................1935
QUANTIFICAÇÃO DE ARSÊNIO EM CACHAÇAS DE MINAS GERAIS
UTILIZANDO ELETRODO DE PASTA DE CARBONO CONTENDO
O AGLUTINANTE ÓLEO MINERAL OU RESINA EPÓXI E COMO
MODIFICADORES NANOTUBOS DE CARBONO
Meryene Carvalho Teixeira, Elisângela de Fátima Tavares Lisboa, Adelir Aparecida Saczk,
Leonardo Luiz Okumura, Maria das Graças Cardoso, Marcelo Firmino de Oliveira e Zuy Maria
Magriotis

ME102................................................................................................1938
DETERMINAÇÃO AMPEROMÉTRICA DE CICLOPIROX OLAMINA EM
FORMULAÇÕES FARMACÊUTICAS UTILIZANDO FIA E BIA
Luís Marcos Cerdeira Ferreira, Fabiana da Silva Felix, Marcelo Rabello Rossi1 e Lúcio Angnes

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1617


ME103................................................................................................1941
DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE BENZODIAZEPÍNICOS EM
FORMULAÇÕES FITOTERÁPICAS EMAGRECEDORAS
Mariele Martini, Ana Paula Moreira, Leandro Machado de Carvalho, Paulo C. do Nascimento,
Marcelo B. da Rosa

ME104................................................................................................1944
ESTUDO DA INFLÊNCIA DO SORBITOL OU EDTA NA
ELETRODEPOSIÇÃO DA LIGA Fe-Zn
Leme, Bruno de C., Carlos, Ivani A., Barbosa, Lúcio L., Barbano, Elton P.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1618


ME01

ESTUDO DO COMPORTAMENTO VOLTAMÉTRICO E OTIMIZAÇÃO


DOS PARÂMETROS DA VOQ NA ANÁLISE DE SULFAMETOXAZOL
SOBRE ELETRODO DE CARBONO VÍTREO

Giselle Nathaly Calaça1, Christiana Andrade Pessoa1 Karen Wohnrath1 e Noemi Nagata2

1
Departamento de Química - Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa - PR -
Brasil; 2 Departamento de Química - Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR - Brasil.
gisellecalaca@hotmail.com

RESUMO: Neste trabalho um planejamento fatorial completo 23 (estudo de 3 fatores em 2 níveis) foi empregado para
otimizar os parâmetros instrumentais, com objetivo de obter maior sensibilidade na determinação de sulfametoxazol
(SMX) sobre eletrodo de carbono vítreo (CV) por voltametria de onda quadrada. Os parâmetros estudados foram: a
frequência de aplicação de pulso de potencial (80-100 s-1), a amplitude do pulso de potencial (20-40mV) e o incremento
de potencial (2-4mV). A análise do planejamento evidencia um efeito de interação significativo entre os três fatores
estudados (+0,1972), sendo a maior sensibilidade para determinação do fármaco obtida nas seguintes condições:
100 s-1, 40mV e 4 mV. Nas condições otimizadas, construiu-se uma curva analítica estatística (n=3), na faixa de
concentração de 19,8 µmol L-1 a 79,6 µmol L-1, com boa linearidade (R=0,9971) e limites de detecção e quantificação
de 3,46 µmol L-1 e 11,5 µmol L-1 , respectivamente.
Palavras-chave: Sulfametoxazol, Carbono Vítreo, Voltametria de Onda Quadrada, Planejamento Fatorial.

Introdução

O crescimento populacional exacerbado acompanhado da urbanização mal planejada e o aumento da atividade


industrial vêm causando problemas ambientais, cada vez mais críticos e frequentes, ocasionando alterações na qualidade
do solo, do ar e da água [1]. Para reduzir os impactos ambientais e aumentar a qualidade de vida da população, outros
poluentes, até então negligenciados, vêm chamando a atenção da comunidade científica, estes são os denominados
poluentes emergentes [2, 3]. Os poluentes emergentes são substâncias com características peculiares, ambientalmente
importantes, em razão dos usos e níveis crescentes de utilização e contaminação, mas que ainda não contam com
legislação regulatória correspondente, embora possam apresentar riscos à saúde humana e ao meio ambiente [4].
Dentre os vários poluentes emergentes, maior destaque pode ser dado à classe dos fármacos, os quais, em razão da
massificação do seu uso e da baixa eficiência dos sistemas convencionais de tratamento de esgoto, contaminam águas
superficiais e subterrâneas [5]. Diversos autores têm reportado a presença de antibióticos, analgésicos, antiinflamatórios,
antidepressivos, dentre outros, em águas naturais e residuais, o que representa um alerta e demonstra a necessidade
de se desenvolver metodologias analíticas que possibilitem a quantificação em baixo nível de concentração desses
poluentes em diversos tipos de amostras.
Em função da seriedade que este tipo de controle ambiental reveste, o presente trabalho tem por objetivo empregar
um planejamento fatorial completo 23, a fim de otimizar os parâmetros da voltametria de onda quadrada na obtenção
de uma maior sensibilidade, e então construir uma curva analítica para a determinação de sulfametoxazol utilizando-se
um eletrodo de carbono vítreo.

Procedimento Experimental

As medidas eletroquímicas foram realizadas em um potenciostato/galvanostato µAutolab, com o software GPES


para aquisição dos dados. Utilizou-se um sistema convencional de três eletrodos: eletrodo de referência Ag/AgCl/Cl-
(KCl saturado), contra-eletrodo de platina e eletrodo de carbono vítreo (CV) como eletrodo de trabalho. O eletrólito
suporte utilizado foi o tampão Britton-Robinson (BR) 0,04 mol L-1, sendo os valores de pH ajustados com uma solução
de NaOH 2,0 mol L-1. Verificou-se o comportamento eletroquímico do SMX sobre o eletrodo de carbono vítreo,
através de estudos preliminares por voltametria cíclica (VC) no intervalo de potencial de 0,0 a 1,2 V. Investigou-se a
influência do pH na resposta voltamétrica do SMX em diferentes valores (2,0 a 12,0) por voltametria de onda quadrada
(VOQ). Os parâmetros instrumentais da VOQ, frequência de aplicação de pulso de potencial (f), amplitude do pulso
de potencial (a) e incremento de potencial (∆Es) foram otimizados através de um planejamento 23 com quintuplicata
do ponto central, sendo que as variáveis e os níveis estudados foram: f 80 s-1 (-1) e 100 s-1 (+1); a 20 mV (-1) e 40 mV
(+1) e DEs 2 mV (-1) e 4 mV (+1). Nas condições otimizadas, foram construídas curvas analíticas e, a partir destas, foi
possível calcular os limites de detecção e de quantificação.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1619


Resultados e Discussão

Voltamogramas cíclicos obtidos para o sulfametoxazol sobre eletrodo de carbono vítreo, empregando-se tampão
BR (pH =6) como eletrólito suporte, mostraram a presença de um pico de oxidação irreversível em aproximadamente
+0,95 V. Segundo reportado na literatura [6], o SMX é eletroquimicamente oxidado no grupo amino primário
(-NH2) envolvendo a transferência de dois elétrons. A influência da velocidade de varredura de potencial também foi
investigada, e os resultados indicam que o aumento da velocidade de varredura desloca o pico de corrente para valores
ligeiramente mais positivos (Figura 01-A). Além disso, uma relação linear entre a corrente de pico anódica e a raiz
quadrada da velocidade de varredura (R=0.9958) (Figura 01-B) é obtida, indicando que o processo de transferência de
carga é controlado pela difusão das espécies a superfície do eletrodo.

-4 -1
3.5
8 [Smx] 1,82x10 mol L
10 mV/s
20 mV/s
6 30 mV/s
40 mV/s 3.0
50 mV/s
4 60 mV/s
70 mV/s
80 mV/s 2.5

Ipico (mA)
I (µA)

2 90 mV/s
100 mV/s
0
2.0

-2

-4
1.5 R=0,9958
0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 1.2 3 4 5 6 7 8 9 10
E/V vs. Ag/AgCl V1/2 (mV.s -1 1/2
)
A B
Fig. 01: (A) Voltamogramas cíclicos de SMX (1,82x10-4 mol L-1) sobre eletrodo de CV em tampão BR pH 6,0, para ν
de 10 a 100 mV s-1. (B) Dependência da variação de Ipa com a raiz quadrada da velocidade de varredura.

Avaliou-se a resposta de corrente do SMX em tampão BR nos valores de pH entre 2,0 e 12,0. É possível observar
na Figura 02-A que o sulfametoxazol apresenta resposta voltamétrica do pH 2,0 a 11,0 e os picos de corrente deslocam-
se para valores menos positivos de potencial com o aumento do pH, indicando que a oxidação eletroquímica do SMX
é dependente do pH. Em função do maior sinal de corrente, escolheu-se o pH 6.0 para os demais estudos com este
fármaco (Figura 02-B).

14 14
[Smx] 1,67x10-4 mol/L
BR pH 2.0
12 12
BR pH 3.0
BR pH 4.0
10 BR pH 5.0 10
BR pH 6.0
8
BR pH 7.0
I / mA

BR pH 8.0 8
I / mA

BR pH 9.0
6 BR pH 10.0
BR pH 11.0 6

4 BR pH 12.0
4
SMX
2
2
0
0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 2 4 6 8 10 12
pH
E/V vs. Ag/AgCl
A B

Fig. 02: (A)Voltamogramas de onda quadrada de 1,67 x 10-4 mol L-1 de SMX, em tampão BR (pHs de 2.0 a 12.0) sobre
o eletrodo de CV, com f=100s-1, a = 50mV, ΔEs= 2mV (B) Influência do pH na resposta da corrente.

Com o intuito de obter maior sensibilidade de corrente, os parâmetros instrumentais da voltametria de onda quadrada
foram otimizados, através de um planejamento fatorial completo 23 com quintuplicata do ponto central, sendo que a
replicata realizada foi utilizada para o cálculo da estimativa do desvio (s= 0,0418). O tratamento estatístico evidenciou
que os fatores que obtiveram efeito significativo com 95% de confiança (0,0418 x t95%, n=4 = 0,1161) para os valores
de Ipa foram: frequência de aplicação de pulso de potencial (+ 0,3318), amplitude do pulso de potencial (+1,3456) e
incremento de potencial (+0,5839), assim como a interação entre os três fatores analisados (+ 0,1972). Essa interação
de terceira ordem indica que para a obtenção de uma melhor sensibilidade de corrente os três fatores estudados devem
ser levados em consideração. Para melhor visualização do efeito de interação a interpretação geométrica dos dados é
apresentada na Figura 03. Observou-se que, para qualquer um dos fatores estudados, há um aumento de corrente quando
passamos do nível menor para o nível maior, sendo uma maior sensibilidade de corrente (Ipa=5,23 µA) alcançada no
vértice +++, ou seja, a f = 100 s-1, a = 40 mV e DEs = 4 mV.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1620


Fig. 03: Interpretação geométrica do efeito de interação do planejamento fatorial 23

Utilizando-se os parâmetros voltamétricos otimizados, três curvas analíticas foram construídas no intervalo de
concentração de 19,8 e 79,6 µmol L-1 (Figura 04). Observou-se um aumento linear das correntes de pico com o
aumento da concentração do fármaco, o que possibilitou o cálculo dos limites de detecção (LD) e de quantificação
(LQ), utilizando-se as relações: LD = 3S/b e LQ = 10S/b, onde S é o desvio padrão da média de medidas dos brancos
(n=10) e b é o coeficiente angular das curvas analíticas (n = 3). Desta forma, para o eletrólito puro os valores de LD e
LQ calculados foram 3,46 µmol L-1 e 11,5 µmol L-1 respectivamente.

8 7
19.8 mmol/L
29.6 mmol/L Ipa = 9,085 x10-7 + 0,0765 [Smx]
7
39.2 mmol/L
48.8 mmol/L 6
6
58.3 mmol/L
67.6 mmol/L
5
79.6 mmol/L 5
I (mA)

Ip (mA)

3 4

2
3
1
R= 0,9971
0 2
0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 20 30 40 50 60 70 80
E/V vs. Ag/AgCl [smx] mmol/L
A B
Fig. 04: (A) Voltamogramas de onda quadrada de SMX, em tampão BR (pH=6,0) sobre o eletrodo de carbono vítreo,
com f = 100s-1, a = 40 mV, DEs = 4 mV.(B) Curva analítica.

ConclusÕES

O sulfametoxazol apresentou um pico de oxidação irreversível em aproximadamente 0,95V, dependente do pH do


meio, caracterizado por um processo difusional de transferência de elétrons. Os resultados do planejamento fatorial
evidenciaram que a sensibilidade da voltametria de onda quadrada para determinação de SMX é dependente dos três
fatores estudados. A maior sensibilidade foi obtida nas condições f = 100 s-1, a = 40 mV e DEs = 4 mV. Utilizando-se os
parâmetros instrumentais otimizados foi possível construir uma curva analítica na faixa de 19,8 e 79,6 µmol L-1, com
limites de detecção e quantificação de 3,46 µmol L-1 e 11,5 µmol L-1, respectivamente. O LQ obtido (cerca de 3 mg L-1)
ainda é insuficiente para aplicação da metodologia em amostras de interesse ambiental.

AgradeCimentos: GDEM, UEPG E Fundação Araucária.

Referências

[1] Kunz, A., et al.; “Novas tendências no tratamento de efluentes têxteis”, Química Nova. 25 (1): 78-82, 2002.
[2] Rodrigues, A. S., et al.; Poluentes e Fontes: Orgânicos; http://www.usp.br/gpqa/Disciplinas/qfl3201/pol_
org.pdf, acessado em 13/05/2011.
[3] Barceló, D.; “Emerging pollutants in water analysis”, Trends Anal. Chem. 22: xiv-xvi, 2003.
[4] FarrÉ, M., et al., “Fate and toxicity of emerging pollutants, their metabolites and transformation products in the
aquatic environment”, Trends Anal. Chem. 27 (11): 991-1007, 2008.
[5] Cruz, L. H., et al., “Degradação Fotocatalítica de Sulfametoxazol, Trimetoprima e Diclofenaco Em Solução
Aquosa”, Química Nova. 33 (6): 1270-1274, 2010.
[6] Souza, C. D., et al.; “Electroanalytical determination of sulfadiazine and sulfamethoxazole in pharmaceuticals
using a boron-doped diamond electrode”, Sensors and Actuators B. 135: 66–73, 2008.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1621


ME02

DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE AMODIAQUINA EM LEITE


MATERNO PELO USO DE UM SENSOR A BASE DE HEMINA

Maria de Lara P. M. Arguelho1, Cristiane O. Valente1, Carlos Alexandre B. Garcia1, José do


Patrocínio H. Alves1, Maria Valnice B. Zanoni2, Nelson R. Stradiotto2

1
Departamento de Química, UFS, São Cristóvão – SE – Brasil; 2Departamento de Analítica,
Instituto de Química, UNESP, Araraquara - SP – Brasil. marguelho@bol.com.br

RESUMO: Voltammetric analysis of amodiaquine using a hemin biosensor revealed a well-defined peak at 0.14V (vs.
Ag/AgCl), corresponding to the oxidation of amodiaquine at pH 7.0. The electrodic behavior indicated that the oxidation
process was irreversible, and that it was controlled by diffusion. In addition to advantages such as high selectivity and
sensitivity, the method developed could be used for the analysis of breast milk containing amodiaquine without any
need for prior sample treatment, an important consideration in routine analysis laboratories. Measurements of the
drug contained in breast milk were used to validate the technique. The detection limit for standard solutions was 3.30
mg L-1, and the quantification limit was 11.0 mg L-1.
Palavras-chave: voltametria, sensor, amodiaquina, leite materno.

Introdução

O uso de fármacos por mulheres lactantes representa uma condição especial no que diz respeito aos limites de
segurança da quimioterapia. Face à dinâmica do conhecimento e do surgimento de novas drogas, as informações
necessitam ser constantemente atualizadas, uma vez que o uso de fármacos no período de amamentação é cada vez
maior [1]. Os fármacos podem ser classificados como seguros, moderadamente seguros ou inseguros para lactantes a
depender da sua capacidade de transferência do plasma sanguíneo para o leite materno e do seu nível de toxicidade.
Em relação ao uso de antimaláricos, alguns autores entendem que os antimaláricos devem ser mantidos durante
a amamentação uma vez que a quantidade destas substâncias excretadas no leite materno é pequena. Contudo, o
uso profilático e terapêutico da amodiaquina (Figura 1), um antimalárico aminoquinolínico de segunda geração, tem
sido associado a insuficiência hepática e agranulocitose [2]. Infelizmente, a disponibilidade de informação sobre a
segurança e tolerabilidade da amodiaquina durante a lactação é muito limitada.
A amodiaquina está classificada como fármaco moderadamente seguro para lactentes, o que significa dizer
que, há depender da dosagem, este fármaco pode ultrapassar as barreiras fisiológicas e alcançar o leite materno em
concentrações capazes de causar algum tipo de distúrbio ao lactante. Pesquisas analíticas recentes têm empregado
técnicas cromatográficas para quantificar a amodiaquina e seus metabólicos em plasma humano. Como alternativas
viáveis a análise de fármacos aminoquinolínicos, vários métodos eletroquímicos tem sido desenvolvidos objetivando
a análise direta em concentrações na ordem de mmol L-1 [3].
O objetivo deste estudo foi o desenvolvimento de um método voltamétrico capaz de quantificar a amodiaquina em
leite materno sem qualquer tratamento prévio da amostra, empregando para este fim, um biossensor a base de hemina.

Cl N

HN
N CH3

OH CH3
Figura 1. Estrutura molecular da amodiaquina

Procedimento Experimental

Os compostos amodiaquina e hemina foram fornecidos pela Sigma Chemical Co. e Fluka Chimica, respectivamente.
Os reagentes ácido acético glacial, ácido bórico, ácido fosfórico e hidróxido de sódio utilizados na composição do
tampão Britton-Robinson são provenientes da Aldrich Co. Para desenvolvimento da metodologia eletroanalítica foram
preparadas soluções estoque de amodiaquina na concentração de 0,465 g L-1 em solução aquosa, sendo preparadas
diariamente antes de cada análise. As amostras de leite materno utilizadas na aplicação do método foram coletadas
diariamente antes de cada análise no período matutino e armazenadas sob resfriamento a 10oC. Para a coleta do leite
materno foi utilizada uma bomba de sucção, previamente descontaminada. Para a determinação voltamétrica da
amodiaquina, as amostras de leite materno foram enriquecidas com amodiaquina na concentração de 0,465 g L-1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1622


A pasta de carbono modificada foi preparada pela homogeinização de proporções de hemina entre 5 e 50% em relação
a massa de grafite e o eletrodo foi confeccionado em tubos plástico cuja [área geométrica corresponde a 0,10 cm2. A
superfície do eletrodo foi renovada após cada medição. Os experimentos forma realizados empregando uma célula com
capacidade para 10 mL, eletrodo de referência de Ag/AgCl e eletrodo de carbono vítreo como auxiliar conectados a
um potenciostato Autolab PGSTAT 30.

CH3
H3C
CO2H
N
N Cl
H2C
Fe
CO2H
N
N

H3C CH3
CH2
Figura 2. Estrutura molecular da hemina

Resultados e Discussão

A amodiaquina apresenta um processo de oxidação bem definido em 0,54 V (pH 2,0). O processo eletródico da
amodiaquina indica ser pH-dependente como mostra a figura 3. O aumento do pH causa um deslocamento do potencial
para potenciais menos negativos no intervalo entre 2,0 e 9,0. A corrente de pico apresenta três faixas lineares, as
intersecções entre as faixas acontecem nos pHs 5,0 e 7,0, estes valores correspondem ao pKa experimental da droga.
De acordo com a literatura, a amodiaquina é uma base diprótica fraca que apresenta pKa1 em 7,1 [4]. A faixa ascendente
entre 5,0 e 7,0 tem inclinação igual a 76 mV/pH e corresponde a participação de um próton na etapa determinante
da velocidade de transferência eletrônica. A diminuição da corrente entre 7,0 e 9,0 foi atribuída a diminuição da
solubilidade da espécie desprotonada quando em meio aquoso.
A variação linear da corrente de pico em função da raiz quadrada da frequência de pulso (F1/2) indica que o processo
eletródico é reversível no intervalo de 25 a 200 Hz. Este e outros resultados indicam que o comportamento eletroquímico
da amodiaquina em meio prótico é similar a outros compostos que possuem grupos fenólicos em sua estrutura química.
A porcentagem de agente modificante é um importante parâmetro experimental no desenvolvimento de novos sensores.
Na comparação entre as correntes anódicas da amodiaquina em eletrodos com porcentagens de hemina variando entre
0 e 50% foi encontrado que a proporção ideal de hemina a ser imobilizada corresponde a 10% da massa de grafite
empregada na confecção do eletrodo.
A tabelas 1 apresenta os parâmetros que foram otimizados a partir da melhor resolução do sinal analítico para as
técnicas de voltametria de pulso diferencial e voltametria de onda quadrada.

Tabela 1. Otimização dos parâmetros da análise de amodiaquina pelas técnicas de voltametria de pulso diferencial
(PDV) e voltametria de onda quadrada (WSV)
Parâmetros Intervalo PDV WSV
Hemina, % 5 a 50 10 10
pH 2 a 12 7 7
Velocidade de varredura, mV.s -1
10 a 100 80 40
Amplitude, mV 20 a 200 100 200
Frequência, Hz 20 a 200 ------- 150

Os dados estatísticos resultantes das curvas de calibração obtidas nas duas técnicas voltamétricas indicam que a
técnica de voltametria de onda quadrada apresenta menor limite de detecção e quantificação para amodiaquina. A maior
sensibilidade da técnica de onda quadrada se deve em parte a reversibilidade do processo eletródico da amodiaquina e
ao fato de que o sinal analítico na voltametria de onda quadrada tem uma componente anódica e catódica.
Em nosso estudo a amostra de leite materno foi enriquecida com amodiaquina e alíquotas desta matriz foram
analisadas empregando o método de adição de padrão e a técnica de voltametria de onda quadrada. A figura 4 apresenta
resultados obtidos neste tipo de procedimento. A curva de adição de padrão para amodiaquina (AMQ) em leite materno
apresenta linearidade no intervalo de concentração entre 8,90 mg L-1 and 48,8 mg L-1. O comportamento linear pode
ser descrito pela equação:

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1623


i = 2,1 10-6 + 2,6 10-7 [AMQ] (r = 0,9984; n = 7)

onde r é o coeficiente de correlação linear e n é o número de pontos da reta. Os valores de corrente foram analisados
seguindo o tratamento estatístico descrito pelo INMETRO. Os limites de detecção e quantificação obtidos foram de
3,30 mg L-1 and 11,0 mg L-1 respectivamente. O coeficiente de variação de 1,1 % está dentro do intervalo aceitável para
este nível de concentração do analito.

600 pH 7,0

500
pH 6,0
400
i (nA)

300

200
pH 4,0
pH 2,0
100

-0.4 -0.2 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8


E (V vs. Ag/AgCl)

Figura 3. Variação da corrente de pico da amodiaquina em função do pH para uma solução 0.465 g L-1. Condições:
sensor de hemina a 10%; VPD: DE= 40mV, n= 20mV s-1.

32 a
b
28 c
d
e
24
i (mA)

20

16

12
-0,2 0,0 0,2 0,4
E (V vs Ag/AgCl)

Figura 4. Voltamogramas de onda quadrada da amodiaquina em leite materno. a) amostra enriquecida, b) 8,80 mg L-1,
c) 17,7 mg L-1, d) 33,9 mg L-1 e e) 46,5 mg L-1. Conditions: F = 150 Hz, DE = 200mV, n= 40 mV s-1. Condições: tampão
BR pH 7,0, F = 150 Hz, DE = 200mV, n= 40 mV s-1.

A amodiaquina apresentou em meio aquoso e em sensor de hemina um pico de oxidação em 0,14 V (pH 7,0)
cujo comportamento de corrente expressa um controle difusional do processo eletródico. Este sinal foi empregado no
desenvolvimento de um método voltamétrico de análise. A comparação entre as técnicas de pulso nos permite concluir
que a técnica de voltametria de onda quadrada além de maior rapidez, apresenta maior sensibilidade. O biossensor
contendo 10 % de hemina apresentou o melhor desempenho para a determinação de amodiaquina em amostra de leite
materno. A dependência da corrente de pico com a concentração apresentou linearidade entre 8,90 mg L-1 and 48,8
mg L-1, o limite de detecção de 3,30 mg L-1 e o limite de quantificação de 11,0 mg L-1 foram obtidos nas análises em
meio neutro, empregando amostras de leite materno enriquecido com amodiaquina, sem a necessidade de tratamentos
prévios da amostra.

Referências

[1] HALE T.W., Neoreviews, 5: 164-172, 2004.


[2] World Health Organization Geneve: Poisons Information Monographs (PIMs) 030 Amodiaquine, Internet site
adress: http://www.inchem.org/documents/pims/pharm/amodiaqn.htm. Available form Abr 10, 2011.
[3] ARGUELHO M. L. P. M., ZANONI M. V. B., STRADIOTTO N. R., Anal. Letters, 38: 1415-1425, 2005.
[4] FOLEY M., TILLEY L., Pharmacol. Therap. 79: 55-87, 1998.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1624


ME03

ESTUDO ELETROQUÍMICO DA OXIDAÇÃO DA MINOCICLINA E SUA


DETERMINAÇÃO EM FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA

Maria de Lara P. M. Arguelho1, Michel Rafael S. Souza1, Érica C. Costa1, Renê H. Tavares dos
Santos1, Carlos Alexandre B. Garcia1, José do Patrocínio H. Alves1

1
Departamento de Química, UFS, São Cristóvão – SE – Brasil; marguelho@bol.com.br

RESUMO: Voltammetric analysis of minocycline using a carbon paste electrode revealed a well-defined peak at 0.40V
(vs. Ag/AgCl), corresponding to the oxidation of amodiaquine at pH 4.0. The electrodic behavior indicated that the
oxidation process was reversible, and that it was controlled by diffusion. In addition to advantages such as high
selectivity and sensitivity, the method developed could be used for the analysis of pharmaceutic formulation containing
minocycline without any need for prior sample treatment, an important consideration in routine analysis laboratories.
Measurements of the drug contained in liquid formulation were used to validate the technique. The detection limit for
standard solutions was 0.33 mg L-1, and the quantification limit was 1.11 mg L-1.
Palavras-chave: antibiótico, minociclina, eletroanálise.

Introdução

Desenvolvida na década de 60, a minociclina é um antibiótico bacteriostático da família das tetraciclinas com eficácia
comprovada no tratamento de infecções por clamídea, micoplasma e brucelose, podendo também ser empregada em
tratamento de acne resistente. Seu mecanismo de ação biológica envolve a inibição da síntese proteica nos ribossomos
bacterianos. A minociclina apresenta em sua estrutura química quatro anéis benzênicos e um grupo dietilamino (figura
01) assim como outras tetraciclinas[1].
Pesquisas analíticas recentes têm empregado técnicas cromatográficas para quantificar a minociclina em
medicamentos e fluidos biológicos. Detecção amperométrica em eletrodo de ouro têm sido empregada para análise
de resíduos de tetraciclinas em alimentos obtendo-se limites de detecção em nível de mg L-1[2]. Neste sentido,
metodologias eletroanalíticas têm sido desenvolvidas objetivando a análise direta deste e de outros antibióticos em
diferentes matrizes [3].
O objetivo deste estudo foi o desenvolvimento de um método voltamétrico capaz de quantificar a minociclina
em formulação farmacêutica de uso oral sem qualquer tratamento prévio da amostra, empregando para este fim, um
eletrodo de pasta de carbono.

N(CH3)2 N(CH3)2
OH

CONH2
OH
OH O OH O
Figura 1. Estrutura molecular da minociclina

Procedimento Experimental

A solução estoque de cloridrato de minociclina foi preparada dissolvendo-se o fármaco em água destilada na
concentração de 49,4 mg L-1 . As soluções tamponadas foram preparadas a partir das soluções 0,01 mol L-1
de ácido ortofosfórico, 0,01 mol L-1 de ácido bórico e 0,01 mol L-1 ácido acético em volume apropriado de
0,2 mol L-1 de hidróxido de sódio. A água utilizada no preparo das soluções foi purificada pelo sistema Milli-Q.
A amostra de xarope foi dissolvida em água destilada obtendo-se desta maneira uma concentração de minociclina
de 0,25 g L-1 sendo esta solução empregada no método de adição de padrão. Os experimentos forma realizados
empregando uma célula com capacidade para 10 mL, eletrodo de referência de Ag/AgCl, eletrodo de carbono vítreo
como auxiliar e eletrodo de pasta de carbono na proporção de 1:3 (óleo mineral/grafite). O tratamento estatístico dos
dados analíticos foi realizado conforme parâmetros do INMETRO.

Resultados e Discussão

A oxidação da minociclina apresenta um perfil voltamétrico semelhante ao de outras tetraciclinas, no voltamograma


cíclico (figura 2) é possível observar a presença de um pico de oxidação (1a) em 0,40 V vs Ag/AgCl e na varredura
reversa de potencial dois picos (2a) e (2b) em 0,34 e 0,085 V, respectivamente. Evidências de reversibilidade do processo
de transferência eletrônica como a separação entre os picos catódicos e anódicos de 60 mV e um valor para o parâmetro

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1625


mecanístico Epa - Epa/2 < 59 mV, aliado ao aumento da corrente catódica do pico 1b com o aumento da velocidade de
varredura (n) são algumas observações características observadas nos estudos voltamétricos da minociclina. A análise
do perfil voltamétrico da minociclina segundo estes parâmetros nos permite sugerir que aparentemente, o produto da
oxidação (pico 1a) parece estar sendo consumido. Processos eletródicos deste tipo são frequentemente classificados
como EC, que significa transferência eletrônica acoplada a reação química.
O processo eletródico da minociclina indica ser pH-dependente como mostra a figura 3. O aumento do pH causa um
deslocamento do potencial para potenciais menos negativos no intervalo entre 2,0 e 12,0. A corrente de pico apresenta
diferentes faixas lineares, as intersecções entre as faixas acontecem nos pHs 3,5, 7,0, 8,5 e 10,0. Estes valores podem
ser atribuídos aos vários processos de protonação possíveis, conforme aqueles encontrados em outras tetraciclinas. O
pKa1 em 3,5 é muito discreto, já o pKa2 em pH 7,0 é bastante nítido, ambos correspondem aos hidrogênios ligados
a oxigênio, sendo o pKa3 em 8,5 e pKa4 em 10,0 correspondentes a hidrogênios ligados aos grupos dietilamino. A
inclinação das faixas descendente entre 3,5 e 7,0 e 8,5 e 10,0 têm inclinação de 60 mV/pH o que sugere a participação
de apenas um próton na etapa determinante da velocidade de transferência eletrônica.

1a
0,8 a
b
0,4
i (mA)

0,0
1b
1c
-0,4
-0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6
E (V vs Ag/AgCl)

Figura 2. Voltamograma cíclico de uma solução de minociclina utilizando um eletrodo de pasta de carbono (Condição:
tampão B-R, pH 4,0 e n = 100 mV.s-1 ).

0,5
pKa1 = 3,5
E, V vs Ag/AgCl

0,4

0,3 pKa3 (8,5)

pKa2 (7,0) pKa4 (10,0)


0,2

2 4 6 8 10 12
pH

Figura 3. Comportamento do potencial de oxidação da minociclina em função da variação do pH.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1626


Tendo como base o perfil voltamétrico de oxidação da minociclina, um método quantitativo foi desenvolvido
pelo uso da técnica de voltametria de pulso diferencial. Após a otimização dos parâmetros experimentais foi possível
observar um comportamento linear do pico anódico em função da concentração de minociclina, no intervalo de 1,0 a
11,0 mg L-1 (Tabela 1). O limite de detecção obtido foi de 0,33 mg L-1 e o de determinação foi de 1,11 mg L-1. Valores
muito próximos a estes foram encontrados pelo uso da polarografia para análise da minociclina em comprimidos.

Tabela 1. Parâmetros operacionais selecionados para a análise da minociclina

Parâmetros Intervalo Parâmetro otimizado


pH 2 a 12 4
n, mV.s-1 20 a 100 30
DE, mV 10 a 100 100
[ ], mg L-1 0,2 a 20 1,0 a 11,4

O comportamento linear da corrente em função da concentração de minociclina pode ser descrito pela equação:
i [mA] = 3,8 10-3 + 4,1 10-2 [AMQ, mg L-1] (r = 0,9990; n = 7)
onde r é o coeficiente de correlação linear ao quadrado e n é o número de pontos da reta.
Para avaliarmos a robustez do método, a análise da minociclina na presença de outros fármacos foi realizada.
Nesses experimentos empregou-se uma solução de minociclina 4,94 mg L-1 na presença de concentrações de outros
fármacos, variando entre 0,49 mg L-1 a 44,0 mg L-1.
De acordo com a tabela 2, os fármacos aciclovir, ciprofloxacina e cloroquina interferem de forma significativa
sobre o sinal analítico da minociclina na faixa de potencial analisada (0,0 a 0,8V). Já o ácido fólico e o cetoconazol
causaram interferência a partir das concentrações mostradas na tabela, devido à proximidade do potencial de oxidação
destes interferentes ao da minociclina. Quanto ao dipiridamol à interferência deve-se a sobreposição do sinal analítico
do dipiridamol em relação ao sinal da minociclina, interferindo portanto em qualquer nível de concentração.

Tabela 2. Resultados da análise de interferentes para minociclina

Interferente Interferência [ ], mg L-1


ácido fólico Sim > 8,6
aciclovir Não -----
cetoconazol Sim > 5,8
ciprofloxacina Não -----
cloroquina Não -----
dipiridamol Sim > 0,5

Para avaliar a aplicabilidade do método desenvolvido uma formulação líquida para uso oral contendo
50 mg mL-1 de minociclina foi analisada nas condições previamente otimizadas. A figura 4 apresenta os voltamogramas
obtidos em uma das determinações realizadas. A recuperação obtida foi de 84%.

1,2

1,0 a
0,8 b
c
i (mA)

0,6 d
0,4 e
0,2

0,0
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6
E (V vs Ag/AgCl)

Figura 2. Voltamogramas de pulso diferencial de minociclina em xarope. a) análise em branco, b) amostra de xarope,
c) 3,7 g L-1, d) 6,8 g L-1 e e) 9,5 g L-1. Cond: tampão B-R, pH 4,0 e n = 30 mV s-1, DE=100 mV.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1627


Os resultados obtidos neste trabalho demonstram que o processo mecanístico de oxidação da minociclina indica
ser reversível nas condições experimentais empregadas e pode ser bastante influenciado pela disponibilidade protônica
do meio. Por sua vez, a seletividade dos processos eletródicos em eletrodo de pasta de carbono aliada a sensibilidade
da técnica de voltametria de pulso diferencial podem ser empregadas com sucesso na determinação da minociclina em
formulação farmacêutica sem qualquer tratamento prévio da amostra, o que representa uma excelente alternativa para
rotina de análise laboratorial.

Agradecimentos: Ao CNPQ pela bolsa concedida a Michel Rafael S. Souza.

Referências

[1] Zhanel, G. G., Homenuik, K., Nichol, K., Noreddin, A., Vercaigne, L., Embil, J., Gin, A.,
Karlowsky, J. A., Hoban, D. J. Drugs 64:63-88, 2004.
[2] Masawat P., Slater, J. M. Sensors and Actuators B 124, 127–132, 2007.
[3] ARGUELHO M. L. P. M., ZANONI M. V. B., STRADIOTTO N. R., Anal. Letters, 38: 1415-1425, 2005.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1628


ME04

ESTUDO SOBRE A DETERMINAÇÃO SIMULTÂNEA DE Zn, Cd, Pb e


Cu UTILIZANDO FILME DE Bi: CALIBRAÇÃO MULTIVARIADA E
SELEÇÃO DE VARIÁVEIS

Licarion Pinto (IC), Sherlan G. Lemos (PQ)

Laboratório de Automação em Química Analítica e Quimiometria, Departamento de Química da


Universidade Federal da Paraíba – UFPB, João Pessoa – PB – Brasil. sherlan@quimica.ufpb.br

RESUMO: O presente trabalho apresenta a determinação simultânea de íons metálicos (Cu2+, Cd2+, Pb2+, Zn2+)
utilizando um eletrodo de carbono vítreo modificado com filme de bismuto. Para os estudos iniciais, foi realizado
um planejamento em arranjo ortogonal O.A.16.5.4.2 e, as concentrações dos íons metálicos variaram de 10 a 100
ng mL-1. A técnica utilizada foi a voltametria de onda quadrada com redissolução anódica. Avaliou-se o emprego do
algoritmo das projeções sucessivas (APS) na seleção de variáveis em conjunto com a regressão linear múltipla (MLR)
e como método comparativo utilizou o método dos mínimos quadrados parciais (PLS).
Palavras-chave: Voltametria de onda quadrada com redissolução anódica, quimiometria, íons metálicos, PLS, APS

Introdução

As atividades antrópicas têm colaborado muito para a contaminação ambiental por metais pesados, os quais podem
ser altamente tóxicos dependendo do binômio espécie química e concentração. Quando se trata de determinações
simultâneas de íons metálicos, uma grande variedade de trabalhos pode ser encontrada na literatura utilizando
diferentes técnicas de determinação, nos mais diversos tipos de matrizes. Entretanto, a maioria dessas técnicas realiza
a determinação do teor total elementar, não permitindo a sua especiação. Nesse sentido, as técnicas eletroanalíticas
surgem como proposta para a utilização como método de determinação simultânea, uma vez que permitem não só esse
tipo de determinação em níveis traços, mas também a resolução de interferências e a especiação em casos em que é
requerida [1,2].
A voltametria de onda quadrada com redissolução anódica (SWASV) permite a determinação de íons metálicos
a níveis traços e a um custo muito menor que as técnicas espectroanalíticas. Porém, quando se propõe o estudo de
quatro íons metálicos simultaneamente por SWASV observa-se que há formação de compostos intermetálicos e que
surgem processos que se encontram sobrepostos no voltamograma, dificultando as análises, e por vezes, tornando
impossível a determinação destes íons metálicos em solução. Contudo, a conjunção da SWASV com técnicas
multivariadas de calibração pode trazer benefícios com relação à minimização de efeitos de matriz e da formação de
compostos intermetálicos na determinação destes íons metálicos. Dessa forma o objetivo do trabalho é o estudo da
determinação simultânea de íons metálicos utilizando a voltametria de onda quadrada com redissolução anódica e
técnicas quimiométricas.

Procedimento Experimental

Para o estudo simultâneo foram utilizados os íons metálicos Cu2+, Cd2+, Pb2+ e Zn2+ e, como eletrodo de trabalho
foi utilizado um eletrodo de carbono vítreo modificado pela deposição de um filme de bismuto. O filme de bismuto foi
depositado em -1,2V (vs. Ag/AgCl) utilizando-se Bi(NO3)3 em uma concentração final de 500 ppb em meio tampão
ácido acético-acetato 0,1 mol.L-1 a pH 4,5 a 25 ± 1°C. Como eletrodo de referência foi utilizado o eletrodo Ag/AgCl
e uma haste de carbono vítreo como contra-eletrodo. A determinação eletroquímica foi realizada por meio da técnica
de voltametria de onda quadrada com redissolução anódica com amplitude de pulso de 25mV, frequência de 50 Hz,
incremento de potencial de 8s, tempo de equilíbrio de 10s, com deposição em -1,2V por 300s e varredura de -1,2V até
0,2V. Todas as soluções foram preparadas utilizando água purificada (Milli-Q®, Millipore, USA) e foram utilizadas
soluções padrões de 1000 mg L-1 de Cu, Pb, Cd e Zn (SpecSol). As medidas eletroquímicas foram feitas em um
potenciostato/galvanostato Autolab® PGSTAT 101 (Eco Chemie).
Os íons metálicos foram avaliados na faixa de concentração de 10 a 100 ng mL-1. O conjunto de dados possuía 32
voltamogramas, sendo 16 amostras com replicatas independentes obtidas a partir de uma matriz ortogonal O.A.16.5.4.2.
As mesmas foram divididas em conjunto de calibração e conjunto de teste sendo selecionadas pelo algoritmo Kennard-
Stone (KS) [3] em ambiente Matlab® 7.8.0.347. A seleção de variáveis foi realizada pelo algoritmo das projeções
sucessivas (APS) [4] e a calibração pela regressão linear múltipla (MLR) também realizadas em ambiente Matlab®
7.8.0.347. A calibração PLS foi realizada no software Pirouette® 4.0. O coeficiente de correlação e o erro quadrático
médio de previsão (RMSEP) foram usados para comparar os modelos obtidos. Os voltamogramas foram centralizados
pela média e validação cruzada foi utilizada na escolha do número de fatores/potenciais. Uma análise de fatores
nos dados organizados de forma a conter em cada linha da matriz o voltamograma e as concentrações utilizadas de

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1629


cada metal foi realizada. Cada metal, portanto, esteve relacionado com um dos quatro fatores iniciais, cujos pesos
rotacionados – rotação Varimax – mostram os potenciais influenciados pela variação da concentração do metal.

Resultados e Discussão

A primeira etapa dos estudos envolveu a determinação individual de cada um dos quatro íons metálicos investigados
no intervalo 10-100 ng mL-1. Após esta etapa, os estudos foram realizados na mesma faixa de concentração para
a determinação simultânea dos quatro íons metálicos. Na Fig. 1 são apresentados os voltamogramas obtidos como
exemplo da complexidade da determinação simultânea. Pode-se observar que uma simples análise univariada, não
pode ser executada, uma vez que os processos eletroquímicos importantes, tais como mudanças de potencial de pico,
pico de sobreposição e aparecimento de novos picos característicos da formação de compostos intermetálicos ocorrem.

Full Data

40

30
Response

20

10

-0.817 -0.328 0.160


Variable

Figura 1: Voltametria de onda quadrada com redissolução anódica para determinação simultânea de íons metálicos
(Cu2+, Cd2+, Pb2+ e Zn2+ ) em meio de tampão acetato pH 4,5; freq = 50 Hz; A = 25 mV; ΔE = -1,2 a + 0,2V; Edep
-1,2V; tdep = 300 s; 500 ppb de Bi.

Diante da complexidade do sistema optou-se por estudar os íons através das análises quimiométricas. Utilizando
um conjunto de dados com 32 amostras, o mesmo foi selecionado pelo algoritmo KS e obteve-se 20 amostras para a
calibração e 12 amostras de previsão. Os resultados estão resumidos na Tabela 1. Como pode ser observado, o SPA-
MLR apresenta um desempenho semelhante ao OSC-PLS na previsão das concentrações dos metais e melhor que o
PLS. Os valores de r e RMSEP apresentaram bons resultados, considerando a complexidade do sistema.

Tabela 1: Valores de RMSEP e correlação (r) para os modelos PLS, OSC-PLS e SPA-MLR.
Métricas Cu Cd Pb Zn
RMSEP 4.1357 12.0524 11.3822 5.4881
PLS r 0.99417 0.96161 0.95859 0.99081
Fatores 2 3 5 10
RMSEP 2.2417 4.0481 4.1943 2.6014
OSC-PLS r 0.99844 0.99655 0.99562 0.99805
Fatores 5 14 13 13
RMSEP 1.649 5.254 4.647 5.967
APS-MLR r 0.99902 0.99345 0.99332 0.99169
Potenciais 16 18 18 18

A análise de fatores comprovou que o APS selecionou potenciais relacionados com os processos de oxidação dos
metais puros e mostrou também que esses processos podem sofrer forte influência da presença relativa dos outros
metais em solução e, por consequência, no filme de bismuto. A Fig. 2 mostra o gráfico de pesos rotacionados para o
fator 1, cuja variável com maior peso (-0,6) é a concentração de Cu2+ enquanto os pesos relacionados às concentrações
dos outros metais eram aproximadamente nulos. Observa-se a região do processo de oxidação do Cu está diretamente
relacionada com a concentração do mesmo em solução, mas influencia e é influenciada de forma contrária nos processos
de oxidação dos outros metais, inclusive do próprio bismuto.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1630


Full Data:PCA:Rotated Loadings

0.1

Rotated Loadings
-0.0

-0.1

-0.2

-0.817 -0.328 0.160


Variable

Figura 2: Gráfico de pesos rotacionados para o fator 1, cuja variável com maior peso é a concentração de Cu2+.

ConclusÕES

Com os resultados eletroanalíticos obtidos pode-se concluir que os íons metálicos selecionados para o estudo
apresentam interações entre si, comprovada pela análise de fatores e pelas variáveis selecionadas pelo algoritmo APS.
Para os resultados quimiométricos pode-se concluir que o SPA-MLR e o OSC-PLS apresentam resultados semelhantes
e melhores que o PLS.

AgradeCimentos: CAPES e CNPq.

Referências

[1] AFKHAMI A, ABBASI-TARIGHAT M, KHANMOHAMMADI H., “Simultaneous determination of Co2+, Ni2+,


Cu2+ and Zn2+ ions in foodstuffs and vegetables with a new Schiff base using artificial neural networks”, Talanta
(77):995-1001, 2009.
[2] MENEGÁRIO A.A, GINÉ M.F., Determinações multi-elementares de metais, sulfato e cloreto em amostras de
águas por espectrometria de massas com fonte de plasma (ICP-MS). Química Nova,21(4):414-417,1998.
[3] GALVÃO R.K., ARAÚJO M.C.U., JOSÉ G.E., PONTES, M. J. C., SILVA, E. C., SALDANHA, T. C. B., A method
for calibration and validation subset partitioning. Talanta.(67):736-740, 2005.
[4] ARAÚJO, M. C. U., SALDANHA, T. C. B., GALVÃO, R. K. H., YONEYAMA, T., CHAME, H. C., VISANI, V.
Chem. Intell. Lab. Systems, 57(2), 65, 2001.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1631


ME05

ESTUDO SOBRE A OTIMIZAÇÃO SIMULTÂNEA DAS CONDIÇÕES


EXPERIMENTAIS DE DETERMINAÇÃO DE Zn, Cd, Pb E Cu POR
VOLTAMETRIA DE REDISSOLUÇÃO ANÓDICA

Licarion Pinto, Sherlan G. Lemos

Laboratório de Automação em Química Analítica e Quimiometria, Departamento de Química da


Universidade Federal da Paraíba – UFPB, João Pessoa – PB – Brasil. sherlan@quimica.ufpb.br

RESUMO: O presente trabalho trata de um estudo sobre a utilização de análise multivariada aplicada à investigação
sistemática das condições experimentais de determinação simultânea de Zn2+, Cd2+, Pb2+ e Cu2+ por voltametria
de redissolução anódica de onda quadrada utilizando um eletrodo de carbono vítreo com filme de bismuto. Três
estratégias diferentes foram empregadas e comparadas para a otimização por meio de planejamento estatístico dos
parâmetros tempo de deposição, tempo de equilíbrio, frequência, amplitude e incremento de potencial. A primeira
baseia-se na utilização das correntes de pico e do coeficiente de variação como respostas ao planejamento. A segunda
baseia-se nos escores da matriz de planejamento submetida a uma análise PCA. A terceira baseia-se no método
ANOVA-PCA, que consiste na decomposição da matriz de planejamento em matrizes relacionadas a cada parâmetro
investigado, as quais são submetidas a uma análise PCA.
Palavras-chave: planejamento experimental, ANOVA-PCA, voltametria de redissolução anódica.

Introdução

O desenvolvimento de qualquer protocolo de análise requer um estudo das condições experimentais associadas ao
mesmo que forneçam o melhor conjunto de características analíticas (sensibilidade, detecção e robustez analítica) a
um menor custo e num menor tempo de análise. Um protocolo analítico apropriadamente planejado permite a obtenção
de sinais de qualidade superior àqueles medidos em um experimento que não foi otimizado. Em análise de traços,
uma das técnicas mais empregadas é a voltametria de redissolução e suas variantes (anódica e catódica) e, portanto, o
grande número de variáveis experimentais que afetam o resultado obtido por meio dessas técnicas requer um processo
de otimização das variáveis. O uso de planejamentos experimentais nos permite explorar racionalmente uma gama
de condições experimentais com um número reduzido de experimentos, sendo capaz de detectar interações entre as
variáveis que poderiam levar a falsas conclusões. Os métodos de planejamento experimental já vêm sendo empregados
com sucesso para a otimização de variáveis experimentais em técnicas eletroanalíticas [1]. Entretanto, os trabalhos
sempre envolvem a otimização baseada em uma única reposta, geralmente corrente de pico associada ao analito.
A otimização de métodos voltamétricos baseada em mais de uma resposta é rara [2] e nenhum trabalho pode ser
encontrado quando o objetivo é a otimização das condições experimentais para a determinação simultânea de mais de
um analito. Observando-se o que é feito para as técnicas espectroanalíticas, a estratégia mais simples adotada para a
otimização simultânea multiresposta é a realização de uma Análise de Variância (ANOVA) para cada resposta avaliada
e posterior inspeção visual das superfícies obtidas. Se o número de variáveis significativas permite a visualização
gráfica dos modelos ajustados, e se o número de respostas não é grande, as superfícies podem ser sobrepostas e as
condições ótimas são encontradas pela inspeção visual [3]. Entretanto, se a melhor condição experimental para uma
resposta tem consequências negativas em outra(s), uma solução conjunta deve ser encontrada. Várias propostas são
encontradas na literatura para tratar este tipo de situação e quantificar o efeito de cada variável experimental sobre as
respostas avaliadas simultaneamente. A prática mais comum aplicada foi proposta por Derringer e Suich [4], a qual foi
denominada “função desejabilidade” ou função utilidade. Consiste em transformar as respostas em funções utilidade
individuais, que são agrupadas em uma função utilidade global. Assim, a otimização simultânea de várias respostas
transforma-se na otimização de uma única função. Outros métodos são baseados na realização de uma análise de
componentes principais (PCA) com o objetivo de reduzir a dimensionalidade dos dados baseada na alta correlação que
existe entre as respostas investigadas, como, por exemplo, em um espectro. Assim, o espectro obtido a partir de uma
dada combinação de variáveis manipuladas obedecendo a um planejamento experimental é reduzido de centenas ou
milhares de repostas (absorbâncias em diversos comprimentos de onda) para uma ou duas (escores de componentes
principais) que mantêm a representatividade de informações do espectro original. Cada nova resposta (escore) é então
submetida a uma ANOVA e a influência das variáveis sobre o comportamento dos escores – e por extensão, dos
espectros – é avaliada. A otimização por meio de escores de componentes principais permite uma redução significativa
no número de superfícies de resposta a ser analisado, além de uma maior compreensão do processo de otimização.
Já a análise de variância – análise de componentes principais (ANOVA-PCA), concebida no campo das aplicações
em proteômica, difere-se do método anterior na medida em que realiza uma análise PCA em matrizes originadas do
conjunto de dados inicial, sendo que cada matriz representa a contribuição de uma única variável ou sua interação com
outra. A ANOVA-PCA avalia a importância de cada variável do planejamento, comparando a variação correspondente

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1632


ao erro residual. Neste trabalho, então, realizou-se um estudo da aplicabilidade dos métodos de otimização multiresposta
citados anteriormente para a otimização das condições experimentais de determinação simultânea de Cu, Pb, Cd e Zn
por voltametria de redissolução anódica utilizando um eletrodo modificado com filme de bismuto. Três estratégias
diferentes foram empregadas e comparadas para a otimização por meio de planejamento estatístico dos parâmetros
tempo de deposição, tempo de equilíbrio, frequência, amplitude e incremento de potencial. A primeira baseia-se na
utilização das correntes de pico e do coeficiente de variação como respostas ao planejamento; a segunda baseia-se nos
escores da matriz de planejamento submetida a uma análise PCA e a terceira baseia-se no método ANOVA-PCA.

Procedimento Experimental

Para o estudo simultâneo foram utilizados os íons metálicos Cu2+, Cd2+, Pb2+ e Zn2+ e, como eletrodo de trabalho foi
utilizado um eletrodo de carbono vítreo (50 µm) modificado pela deposição de um filme de bismuto. O filme de bismuto
foi depositado em -1,2V (vs. Ag/AgCl) utilizando-se Bi(NO3)3 em uma concentração final de 500 ppb em meio tampão
ácido acético-acetato 0,1 mol.L-1 a pH 4,5 a 25 ± 1°C. Como eletrodo de referência foi utilizado o eletrodo Ag/AgCl e
uma haste de carbono vítreo como contraeletrodo. A determinação eletroquímica foi realizada por meio da técnica de
voltametria de onda quadrada com redissolução anódica. Os parâmetros tempo de deposição (TD), tempo de equilíbrio
(TE), frequência (FR), amplitude (AMP) e incremento de potencial (INC) foram submetidos primeiramente à avaliação
por um planejamento fatorial fracionário 25-1, e o estudo foi complementado por um planejamento de metodologia de
superfície de resposta. Os níveis inferior (-1) e superior (+1) de cada parâmetro foram os seguintes, respectivamente:
60s e 300s para TD; 10s e 30s para TE; 25Hz e 50Hz para FR; 25mV e 50mV para AMP e 2s e 8s para INC. Os níveis
foram escolhidos a partir dos valores mais encontrados na literatura em estudos univariados. A concentração dos metais
foi fixa em 30 ppb e buscou-se a otimização das condições experimentais em função da maximização dos sinais para
cada metal simultaneamente. Após o ajuste das variáveis seguindo-se o planejamento experimental, realizava-se uma
varredura de -1,2V até 0,3V. Todas as soluções foram preparadas utilizando água purificada (Milli-Q®, Millipore, USA)
e foram utilizadas soluções padrões de 1000 mg L-1 de Cu, Pb, Cd e Zn (SpecSol). As medidas eletroquímicas foram
feitas em um potenciostato/galvanostato μAutolab® Tipo II (Eco Chemie).
O conjunto de dados possuía 32 amostras, sendo 16 experimentos realizados em duplicata independente. A primeira
estratégia de otimização consiste na utilização das correntes de pico (Ip) e os coeficientes de variação das correntes
de pico de cada metal como resposta na ANOVA. Na segunda estratégia, a matriz de 32 voltamogramas foi submetida
a uma análise PCA e os escores da primeira e segunda componentes principais foram submetidas à ANOVA. Já a
terceira estratégia foi baseada no método ANOVA-PCA, o qual consiste primeiramente da centralização da matriz de
voltamogramas (matriz X). Esta matriz é então usada para calcular uma nova matriz do mesmo tamanho contendo, para
cada amostra, a média para o nível correspondente a primeira variável (matriz fator). Esta matriz é subtraída da matriz
X gerando uma primeira matriz de resíduos, que depois é tratada da mesma forma para calcular uma nova matriz fator
contendo as médias de cada nível da segunda variável experimental. Esta segunda matriz é subtraída da primeira matriz
de resíduos gerando uma segunda matriz de resíduos. O procedimento é repetido até uma matriz de resíduos final
(matriz de erros) ser obtida. A matriz de erros é então adicionada a cada uma das matrizes fator e estas são submetidas
à análise PCA. A hipótese básica do método ANOVA-PCA é que se uma variável experimental é uma fonte dominante
de variação comparado ao erro residual, então a primeira componente principal (PC1) irá caracterizar essa variação e
a segunda componente principal (PC2) refletirá as variações aleatórias [5].

Resultados e Discussão

A Tabela 1 apresenta os resultados da avaliação das correntes de pico como resposta. Em vermelho estão ressaltados
os efeitos significativos a um nível de confiança de 95%. Observa-se que a variável mais importante é o tempo de
disposição, uma vez que ela é significativa para o aumento das correntes de pico de todos os metais. As variáveis
tempo de equilíbrio e amplitude não são importantes para nenhum dos processos de oxidação dentro do intervalo
estudado para essa. A análise dos coeficientes de variação não identificou nenhuma das variáveis investigadas como
influente na reprodutibilidade das medidas e, portanto seus resultados não serão apresentados. Observa-se que todas
as variáveis apresentam efeitos sinérgicos. Dessa forma a utilização da função desejabilidade para a otimização
simultânea é desnecessária. A aplicação dos escores obtidos na análise PCA como resposta ao planejamento levou a
conclusões semelhantes quanto à importância das variáveis. A primeira componente principal (PC1) contém 97% das
informações enquanto a segunda componente (PC2) responde por 6%. A Figura 1(a) apresenta os gráficos de pesos de
cada componente. Observa-se que PC1 apresenta o perfil característico dos processos de oxidação e a avaliação dos
escores por ANOVA resultou que somente as variáveis tempo de deposição, incremento e frequência são significativas
para o aumento dos mesmos. A avaliação dos escores da PC2 mostrou que o aumento da amplitude é significativo para
a alteração dos processos de oxidação, que é vantajosa em comparação com a estratégia anterior, pois não permite
esse tipo de avaliação. A Figura 1(b) apresenta um exemplo da aplicação da ANOVA-PCA à investigação do tempo
de deposição. Observa-se que o aumento do tempo de deposição de 60s para 300s é significativo para o aumento
das correntes de pico, corroborando os resultados obtidos pelas outras estratégias. Observa-se também, pelo padrão

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1633


de espalhamento das medidas que o aumento do tempo também leva a um piora na reprodutibilidade. Resultados
semelhantes foram obtidos para os parâmetros incremento e frequência.

Tabela 1: Resultados da ANOVA para a avaliação das correntes de pico de cada metal.
Cu Pb Cd Zn
Variável
Efeito Valor-P Efeito Valor-P Efeito Valor-P Efeito Valor-P
A:Tempo de deposição 13658 0.0000 4187 0.0000 2927 0.0005 1040 0.0000
C:Frequencia 5864 0.0002 1780 0.0053 1295 0.0757 309.8 0.1127
E:Incremento 8498 0.0000 1998 0.0023 1497 0.0430 364.5 0.0656
AC 4219 0.0030 1077 0.0701 651.6 0.3546 218.6 0.2540
AE 5958 0.0001 1348 0.0270 832.6 0.2406 199.4 0.2966

(a) Full Data:PCA-2:Loadings


(b) 4.000
300
0.3
300
2.000 300 300

Factor2 (E +04)
60
0.2 300
300
300
60
60
0.000 60
60 300
Loadings

0.1 60 60 60 300
60 6060 300 300
60 6060 300 300 300

-2.000 300
-0.0 60
60

300
-0.1
-4.000

-1.000 0.000 1.000


-0.911 -0.514 -0.118 0.279
Factor1 (E +05)
Variable

Figura 1: (a). Gráfico de pesos em função do potencial de medida (PC1: marrom; PC2: vermelho); (b) Gráfico de
escores exemplificando resultado obtido pela aplicação da ANOVA-PCA na avaliação da influência do tempo de
deposição.

ConclusÕES

Pode-se concluir que as estratégias baseadas em análise PCA são mais eficientes na otimização das condições
experimentais, uma vez que permitem a avaliação global das repostas identificando as variáveis importantes para a
melhora das repostas, bem como as variáveis que influem na piora das medidas.

AgradeCimentos: CAPES e CNPq.

Referências

[1] Tarley C.R.T., Silveira, G., dos Santos, W.N.L., Matos, G.D., da Silva, E.G.P., Bezerra, M.A., Miró, M.,
Ferreira, S.L.C. “Chemometric tools in electroanalytical chemistry: Methods for optimization based on factorial
design and response surface methodology”, Microchemical Journal 92, 58–67, 2009.
[2] Ortiz, M.C., Herrero, A., Sanllorente, S., Reguera, C. “Methodology of multicriteria optimization in chemical
analysis. Some applications in stripping voltammetry”, Talanta 65, 246–254, 2005.
[3] Bezerra, M.A., Bruns, R.E., Ferreira, S.L.C. “Statistical design-principal component analysis optimization of a
multiple response procedure using cloud point extraction and simultaneous determination of metals by ICP OES”,
Analytica Chimica Acta 580, 251–257, 2006.
[4] Derringer, G., Suich, R. “Simultaneous optimization of several response variables”, Journal of Quality Technology
12(4), 214-219, 1980.
[5] Sarembauda, J., Pinto, R., Rutledge, D.N., Feinberg, M. “Application of the ANOVA-PCA method to stability
studies of reference materials”, Analytica Chimica Acta 603, 147-154, 2007.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1634


ME06

DETERMINAÇÃO eletroanalíticA DE CEFUROXIMA EM


MEDICAMENTOS, LEITE BOVINO E ÁGUA NATURAL

Cristiane Maria Sampaio Forte1,2, Luisa Célia Melo Pacheco1, Pedro de Lima-Neto1,
Adriana Nunes Correia1

Grupo de Eletroquímica e Corrosão, DQAFQ - UFC, Fortaleza-CE, Brasil; 2Curso de


1

Licenciatura em Química, FACEDI-UECE, Itapipoca-CE, Brasil. crissforte@yahoo.com.br

RESUMO: Este trabalho descreve o desenvolvimento de procedimento eletroanalítico para determinação do


antibiótico cefuroxima (CFX) utilizando eletrodo de gota pendente de mercúrio (HMDE), associado à voltametria de
onda quadrada (VOQ). Os parâmetros experimentais e voltamétricos foram avaliados, com as respostas otimizadas
sendo obtidas em tampão BR pH 2,0, f = 90 s-1, a = 30 mV, ΔEs = 2 mV. Nestas condições, a CFX apresentou dois
processos catódicos em -0,35 V (pico 1) e em -1,03 V (pico 2), com características de processo totalmente irreversível.
O pico 1 foi utilizado para quantificação, porque apresentou maior sensibilidade analítica, obtendo-se LD = 4,92x10-
9
mol L-1 e LQ = 1,64x10-8 mol L-1 e recuperação 109,15% com RSD = 2,39% (n = 3) em eletrólito de suporte. A
metodologia desenvolvida apresentou-se eficiente, possibilitando a quantificação de amostras complexas, tais como
medicamentos, leite bovino e águas naturais, com recuperações variando de 97,18 a 103,80%.
Palavras-chave: Cefuroxima, HMDE, voltametria de onda quadrada, águas naturais, leite bovino

Introdução

Os antibióticos têm sido classificados como “contaminantes emegentes”, denominação devida ao fato desses
fármacos se encontrarem entre substâncias recém identificadas ou não reconhecidas. E também porque, mesmo não
persistindo no meio ambiente, podem causar efeitos nocivos, visto que suas altas taxas de transformação e remoção são
compensadas pelas contínuas introduções no meio ambiente, principalmente nos corpos d’água. Um outro problema
recorrente do uso excessivo de antibióticos é a presença desses fármacos em leite bovino.
As cefalosporinas são considerados um dos antibióticos b-lactâmicos mais importantes por possuírem ampla
atividade contra diversos tipos de bactérias; podem ser classificados como de primeira, segunda, terceira ou quarta
geração dependendo do seu espectro de ação e de sua resistência às b-lactamases. A cefuroxima sódica (CFX), cuja
estrutura química pode ser vista na Figura 1, é um antibiótico do grupo das cefalosporinas de segunda geração, e é
indicada no tratamento de diversos tipos de infecções, tais como amigdalite, faringite e infecções do trato urinário.
O método analítico oficial para determinação de CFX é a cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) com
detecção espectrofotométrica na região do ultravioleta (UV), conforme recomendado pelas farmacopéias americana
e britânica. Entretanto, diversos procedimentos têm sido desenvolvidos e relatados na literatura empregando, por
exemplo, técnicas espectroscópicas. Metodologias eletroanalíticas têm sido desenvolvidas e aplicadas com sucesso
na determinação de fármacos, pois apresentam tempo relativamente curto de análise, ausência de etapas preliminares
de extração e, quando há necessidade do preparo de amostras, são procedimentos relativamente simples e rápidos.
Além disto, são capazes de fornecer baixos limites de detecção e informações que podem caracterizar e descrever
eletroquimicamente os sistemas estudados.
Assim, o objetivo deste trabalho foi desenvolver uma metodologia eletroanalítica com elevada sensibilidade e
seletividade para determinação de CFX sobre eletrodo de gota pendente de mercúrio (HMDE, do inglês “Hanging
Mercury Drop Electrode”), utilizando as técnicas de voltametria cíclica (VC) e voltametria de onda quadrada (VOQ)
com aplicação em amostras complexas tais como formulações farmacêuticas, leite bovino e águas naturais.

Procedimento Experimental

Os experimentos eletroquímicos foram realizados em potenciostato PGSTAT 30 (Autolab) acoplado ao programa


de aquisição GPES-4. Utilizou-se como eletrodo de trabalho, HMDE VA Stand 663 de área 0,52 mm2 (Metrohm).
Como eletrodo de referência e auxiliar foram empregados, respectivamente, Ag/AgCl/Cl- em KCl saturado e carbono
vítreo na forma de cilindro com 65 mm de comprimento e diâmetro de 2 mm (Metrohm). Solução estoque de CFX
(Sigma) 1,0x10-3 mol L-1 foi preparada em água purificada por um sistema Milli-Q (Millipore). Para o desenvolvimento
desse trabalho foram empregadas VC e VOQ. Foi realizada a otimização dos parâmetros experimentais (eletrólito de
suporte e pH do meio) e voltamétricos (frequência de aplicação de pulsos (f), amplitude da onda (a), e incremento de
varredura (DEs)), onde os melhores resultados tanto em sensibilidade analitica quanto em perfil voltamétrico, foram
obtidos em tampão Britton-Robinson (BR) 0,04 mol L-1 pH 2,0, f = 90 s-1, a = 30 mV e DEs = 2 mV. Na sequência foram
levantadas curvas analíticas com concentrações de CFX variando entre 3,74x10-7 e 3,61x10-6 mol L-1. A eficiência da
metodologia foi avaliada por curvas de recuperação, possibilitando a aplicação com sucesso em amostras complexas,

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1635


tais como: medicamentos, leite bovino e águas naturais. As amostras dos medicamentos foram preparadas, conforme
descrito por Ribeiro et al. [2]. As amostras de leite bovino foram obtidas no comércio local da cidade de Fortaleza,
contendo teor de gordura em torno de 5%. Estas foram fortificadas com solução estoque de CFX, tratadas pelo método
salting-out com sulfato de amônio (6 g por 20 mL de leite) [3], centrifugadas durante 15 minutos a 1500 rotações por
minuto e retirado o sobrenadante para análise quantitativa. A amostra de água foi obtida do Açude Gavião, localizado
no Município de Pacatuba-CE, que compõe o sistema de abatecimento público da Região Metropolitana de Fortaleza.
Essa amostra foi filtrada em papel de filtro quantitativo e depois foi adicionada diretamente à célula eletroquímica, sem
nenhuma etapa de pré-tratamento, na proporção de 1 mL da amostra de água para 9 mL de eletrólito de suporte [4].
Todos os ensaios foram realizados em triplicata.

Resultados e Discussão

O comportamento eletroquímico da CFX sobre HMDE em meio de tampão BR 0,04 mol L-1 foi avaliado entre -0,1
V e -1,2 V por VC com velocidade de varredura de 100 mV s-1 por dez ciclos sucessivos. Observou-se a presença de
processos catódicos em -0,35 V (pico 1) e em -1,03 V (pico 2), não sendo verificado processo anódico, caracterizando
o processo redox como totalmente irreversível. Na sequência, notou-se uma diminuição da intensidade da corrente de
pico nos dois processos, mantendo-se praticamente constante a partir do quinto ciclo. Esse comportamento é atribuído
à adsorção de produtos e/ou reagentes na superfície eletródica, o que diminui a área eletroativa do eletrodo impedindo,
assim, que mais moléculas sofram redução.
A Figura 2 apresenta as componentes de corrente, obtidas por VOQ, pela qual se pode observar que as correntes
direta e reversa se apresentam no mesmo sentido. Este comportamento sugere que o pulso de potencial no sentido
reverso não consegue oxidar o produto da reação e que continua ocorrendo a redução de CFX. Isso também está
associado à difusão lenta dos produtos de redução.
Após a otimização dos parâmetros experimentais e voltamétricos, foram construidas curvas analíticas para CFX
pelo método da adição de padrão, no intervalo de concentração de 3,74x10-7 mol L-1 a 3,61x10-6 mol L-1, como
apresentado na Figura 3.

0,0
0,00

-0,05
I / mA

-0,2
-0,10
I/ mA

direta 0,25
reversa 0,20
-0,15
- Ipico / mA

resultante 0,15
pico 1
pico 2

-0,4 0,10
-0,20 0,05 pico 1
pico 2 pico 2 0,00
0 1 2 3 4
pico 1
-0,25 [CFX] / m molL-1
-0,6
-1,2 -0,8 -0,4 0,0 -1,2 -0,8 -0,4 0,0
E/V E/V

Figura 2: Componentes de correntes para CFX 1,0x10- Figura 3: Voltamogramas de VOQ para CFX em tampão
5
mol L-1 sobre HMDE em meio de tampão BR pH 2,0. BR pH 2,0 sobre HMDE, com f = 90 s-1, a = 30 mV, DEs =
f = 100 s-1, a = 50 mV e ∆Es = 2 mV 2 mV. Concentrações de CFX variando entre 3,74x10-7 e
3,61x10-6 mol L-1. Inserção: dependência linear entre Ipico
e [CFX].

As curvas analíticas indicaram aumento linear de corrente de pico em função do aumento da concentração, porém
o pico 1 foi escolhido para quantificação de CFX por apresentar melhor sensibilidade, além de potencial de redução
menos negativo que o pico 2. Assim, a equação da reta para o pico 1 é dada por Ipico = (1,61± 0,16) x10-10 + (0,0574 ±
0,0016) [CFX]. Os valores de limite de detecção (LD = 4,92x10-9 mol L-1 (2,19 µg L-1)) e de quantificação (LQ = 1,64
x 10-8 mol L-1 (7,32 µg L-1)) foram calculados utilizando-se as relações matemáticas recomendadas pela IUPAC[5].
A precisão e exatidão da metodologia desenvolvida foram avaliadas por meio de experimentos de repetibilidade
e de reprodutibilidade. A repetibilidade foi testada considerando dez medidas sucessivas realizadas em uma mesma
solução, contendo CFX 1,11x10-6 mol L-1, nas condições otimizadas, obtendo-se o desvio padrão relativo entre
as medidas (RSD) de 1,33% (n = 10). A reprodutibilidade também foi avaliada na mesma concentração de CFX,
considerando cinco medidas em soluções diferentes, apresentando RSD de 2,74% (n = 5). Para avaliar a eficiência da
metodologia desenvolvida, foram realizados testes de recuperação em eletrólito de suporte, e foi encontrada uma taxa
de recuperação igual a 101,38% com RSD = 1,23% para n = 3.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1636


A potencialidade da metodologia desenvolvida foi avaliada na determinação de CFX em amostras complexas,
tais como formulações comerciais nas apresentações comprimido e suspensão, leite bovino e água natural. O método
da adição de padrão foi usado tanto no teste de recuperação em eletrólito puro como nas amostras complexas. Os
resultados obtidos estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1: Resultados obtidos para curvas de recuperação de CFX em meio de tampão BR pH 2,0 sobre HMDE por
VOQ, com f = 90 s-1, a = 30 mV, DEs = 2 mV.

Zinnat® Zinnat®
Leite Água
comprimido suspensão
Dosagem nominal (mg) 250 250 - -
Massa recuperada (mg) 259 241 - -
CFXadic. (µg mL-1) 0,496 0,496 0,893 0,496
CFXrec (µg mL-1) 0,513 0,478 0,866 0,504
Erro relativo (%) 3,43 3,63 3,02 1,61
Recuperação(%) 103,80 95,32 97,19 129,40
RSD (%) 2,79 2,88 1,75 0,60

Observando os dados da Tabela 1 é possível afirmar que a metodologia desenvolvida pode ser aplicada para
determinação de CFX em medicamentos e, principalmente, os resultados mostram que os valores obtidos para
recuperação nas amostras de leite e água são satisfatórios indicando a potencialidade do método para monitoramento
de CFX em matrizes complexas.

ConclusÕES

Os resultados obtidos utilizando HMDE aliado à VOQ apresentaram uma excelente sensibilidade, caracterizada
pelos baixos valores de LD e LQ. Os valores de recuperação obtidos em eletrólito puro e nas amostras complexas tais
como, formulação comercial, leite bovino e amostras de água foram satisfatórios. Portanto, a metodologia desenvolvida
neste trabalho apresentou uma excelente sensibilidade, estabilidade e reprodutibilidade, tornando-a uma potencial
alternativa para a determinação de traços de CFX sem a necessidade de etapas complexas de preparação ou pré-
concentração das amostras, minimizando os custos e os tempos de análises.

AgradeCimentos: UFC, UECE, CNPq, FUNCAP, CAPES-PROCAD (processo nº 2424/2008) e FINEP.

Referências

[1] El-SHABOURY S. R. , SALEH G. A., MOHAMED F. A., RAGEH A. H., “Analysis of cephalosporin antibiotics”,
Journal of Pharmaceutical and Biomedical Analysis. 45(1): 1-19, 2007.
[2] RIBEIRO F. W. P., CARDOSO A. S., PORTELA R. R., LIMA J. E. S., MACHADO S. A. S., LIMA-NETO P., DE
SOUZA D., CORREIA A. N., “Electroanalytical determination of promethazine hydrochloride in pharmaceutical
formulations on highly boron-doped diamond electrodes using square-wave adsorptive voltammetry”,
Electroanalysis. 20(18): 2031-2039, 2008.
[3] CHEN B., MA M., SU X., “An amperometric penicillin biosensor with enhanced sensitivity based on co-
immobilization of carbon nanotubes, hematein, and b-lactamaseon glassy carbon electrode”, Analytica Chimica
Acta 674(1): 89-95, 2010.
[4] MELO L. C., SALAZAR-BANDA G. R., MACHADO S. A. S., LIMA-NETO P.; DE SOUZA D., CORREIA, A.
N., “A simple and sensitive detection of diquat herbicide using a dental amalgam electrode A comparison using the
chromatographic technique”. Talanta 79(5): 1216-1222, 2009.
[5] MOCAK, J.; BOND, M.; MITCHELL, S.; SCOLLARY, G.; “A statistical overview of standard (iupac and acs) and
new procedures for determining the limits of detection and quantification: application to voltammetric and stnpping
techniques”. Pure And Applied Chemistry, 69 (2): 297-328, 1997.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1637


ME07

DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA DO HERBICIDA


CLOROTALONIL EM CHÁS COMERCIAIS UTILIZANDO ELETRODOS
DE DIAMANTE
França, R. F.1, Guedes, P2., Miyano, D2., Tozatto, V. R.2, Pedrosa, V. A.3, de Oliveira, H. P. M.4,
Codognoto, L.2

1
Universidade Camilo Castelo Branco –UNICASTELO, São José dos Campos - SP – Brasil;
2
Universidade Federal de São Paulo - Campus Diadema - UNIFESP - SP- Brasil; 3 Departamento
de Química e Bioquímica, UNESP, Botucatu, SP – Brasil; 4 Universidade Federal de Pelotas –
UFPel – RS - Brasil. luciacodognoto@gmail.com

RESUMO: O comportamento eletroquímico do herbicida clorotalonil (CTL) foi avaliado sobre o eletrodo de diamante
dopado com boro (BDD), utilizando a técnica de voltametria de onda quadrada. O CTL apresentou, em pH 8, dois
picos de redução em torno de -1,07 V e -1,2 V vs Ag/AgCl sobre o eletrodo de BDD, com características de processos
irreversíveis controlados pela adsorção das espécies. A curva analítica foi obtida no intervalo de concentração de
1,2x10-7 a 4,0x10-6 mol L-1, com sensibilidade e linearidade de 0,28 A/mol L-1 e 0,997, respectivamente. O valor obtido
para o LOD foi de 4,0x10-8 mol L-1 (13 mg L-1) e o valor de LOQ foi de 1,2x10-7 mol L-1 (30 mg L-1). A potencialidade
da metodologia proposta foi avaliada na quantificação de CTL em amostras de chás comerciais, sendo que os valores
de porcentagem de recuperação ficaram entre 98,0 e 103,0 %, para uma concentração de CTL de 1,00x10-6 mol L-1,
utilizando amostras dos chás capim cidreira, hortelã, pomar e morango
Palavras-chave: pesticida, eletrodo de diamante, clorotalonil.

Introdução

O clorotalonil (CTL), Figura 1, é um pesticida empregado na aplicação foliar de diversas culturas como citros,
maçã, banana, mamão, morango, tomate, uva, alface, etc. De acordo com a Agencia Nacional de Vigilância Nacional
(ANVISA)1, o limite máximo de resíduos (LMR) para o CTL tem valores entre de 0,1 e 10,0 mg / kg, dependendo do
tipo de cultura [1]. Resíduos deste composto podem causar riscos à saúde e ao ambiente e, na maioria das vezes, não
é imediatamente aparente ou conhecido. Assim, há a necessidade de um intenso empenho da comunidade científica no
desenvolvimento de procedimentos analíticos eficientes, rápidos e de baixo custo para o monitoramento de pesticidas
em águas naturais e alimentos.

CN
Cl Cl

Cl CN
Cl

Figura 1: Fórmula estrutural do CTL

As técnicas eletroanalíticas podem ser uma alternativa viável para a quantificação de pesticidas, principalmente
aliadas a utilização do eletrodo de diamante dopado com boro (BDD) [3].
O eletrodo DDB tem despertado o interesse de eletroquímicos de todo o mundo, devido à superioridade de suas
propriedades eletroquímicas em relação aos outros alótropos do carbono, como o carbono vítreo e o pirolítico Este
material apresenta várias propriedades atrativas, que incluem uma larga janela eletroquímica de potencial em meio
aquoso e não aquoso, alta estabilidade em meios agressivos e baixa sensibilidade ao oxigênio dissolvido [3]. Desta
forma, o eletrodo de BDD, está sendo cada vez mais utilizado no desenvolvimento de metodologias eletroanalíticas
para a determinação de compostos orgânicos e inorgânicos, em diversas matrizes.O crescente número de trabalhos
citados na literatura é um indicativo de que o eletrodo de DDB pode ser convenientemente empregado no estudo
eletroquímico de diferentes classes químicas de compostos orgânicos, inclusive pode ser uma alternativa viável para o
estudo eletroquímica de clorotalonil.
Desta forma, neste trabalho uma metodologia para a quantificação de clorotalonil, utilizando o eletrodo de BDD,
foi desenvolvida e a sua potencialidade avaliada para a quantificação deste fungicida em chás comerciais (capim
cidreira, hortelã e pomar).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1638


Procedimento Experimental

Reagentes: Foram utilizados reagentes de pureza analítica (PA), e todas as soluções foram preparadas com água
purificada, em sistema Milli-Q, (Milipore Corporation). Como eletrólito de suporte utilizou-se solução de Na2HPO4 0,1
mol L-1. O clorotalonil utilizado para o preparo das soluções foi obtido da Sigma-Aldrich (99,0 %).
Instrumentação: Para as medidas eletroquímicas foi utilizado o potenciostato/galvanostato AUTOLAB
PGSTAT128N (ECO CHEMIE, Holanda). A aquisição dos dados e o gerenciamento do potenciostato foram realizados
por um microcomputador (Dell) e mediante software (GPES).
Eletrodos: O eletrodo de referência utilizado nos experimentos, constituiu-se de um fio de prata imerso em uma
solução saturada de AgCl e KCl 3 mol L-1 em meio aquoso, cujo o valor de potencial é de 0,222 V em relação ao eletrodo
reversível de hidrogênio. O eletrodo de trabalho utilizado foi o eletrodo de diamante dopado com boro (8000 ppm) com
área geométrica de 0,5 cm2. Para a realização dos experimentos os eletrodos de BDD foram inicialmente submetidos
a um tratamento anódico (polarização à +3,0 V vs Ag/AgCl por 10 min) para a remoção do filme hidrofóbico que
recobria sua superfície. Após a retirada do filme hidrofóbico o eletrodo foi submetido a uma nova polarização por 10
minutos com potencial de -3,0 V vs Ag/AgCl (tratamento catódico), para a ativação e condicionamento da superfície
[4]. Adicionalmente, após o tratamento inicial sempre que necessário para a recuperação da superfície eletródica o
eletrodo era submetido somente ao tratamento catódico (-3,0 V) por um tempo de 30 segundos. O tratamento catódico
foi utilizado porque melhores resultados para o CTL foram obtidos após este tratamento. Com eletrodo auxiliar foi
utilizado um fio de platina.
A voltametria de onda quadrada (SWV) foi utilizada no estudo eletroquímico do clorotalonil. Para a realização
das medidas adicionou-se à célula eletroquímica 10 mL do eletrólito suporte e então purgou-se esta solução durante 2
minutos com nitrogênio super seco, utilizou-se um tempo de equilíbrio de cinco segundos.
Amostras: Foram utilizadas amostras de chás comerciais obtidas no comércio local. As curvas de recuperação
foram obtidas para o CTL em amostras de infusos obtidos dos seguintes chás comerciais:
- Morango, composição: frutos de maçã (Pyrus malus L.), flores de hibisco (Hibiscus sabdariffa L.), frutos de
morango (Fragaria spp.) e aroma idêntico ao natural de morango.
- Capim cidreira, composição: folhas de capim-cidreira (Cymbopogon citratus, Stapf).
- Hortelã, composição: folhas e ramos de hortelã (Mentha piperita, L.).
- Pomar, composição: Flores de hibisco, folhas de capim cidreira, flores de rosa silvestre, maçã, casca de laranja,
casca de limão e aromas idênticos aos naturais de maçã, cereja e laranja.
Os infusos foram utilizados na obtenção do eletrólito suporte (tampão BR 0,1 mol L-1 e pH = 8,0) e as amostras
foram fortificadas com CTL na concentração de 1,0x10-6 mol L-1, as medidas foram realizadas em triplicada e curva
analítica obtida pelo método de adição de padrão.

Resultados e Discussão

Os estudos eletroquímicos do clorotalonil também foram realizados sobre o eletrodo de BBD e utilizando-se a
voltametria de onda quadrada. Para o clorotalonil foram observados dois picos de redução em potenciais superiores a
-1,0 V vs Ag/AgCl (pH = 8,0).
Estudos preliminares realizados mostraram que o CTL apresenta dois picos de redução com potenciais de pico
em torno de -1,07 V e -1,2 V vs Ag/AgCl sobre o eletrodo de BDD, no intervalo de varredura de -0,80 a -1,35 V vs
Ag/AgCl e pH igual a 8,0, com características de processos irreversíveis e controlados pela adsorção das espécies a
superfície eletródica (Figura 2).

Resultante
-1,0 Direta
Reversa
-0,8
I / mA

-0,6

-0,4

-0,2

0,0
-0,8 -1,0 -1,2 -1,4
E / V vs Ag/AgCl

Figura 2 – Voltamogramas de onda quadrada do CTL 2,5x10-5 mol L-1 em Na2HPO4 0,1 mol L-1, pH 8,0, f = 100
s-1, a = 50 mV e ∆Es = 2mV. (a) corrente resultante, (b) corrente direta, (c) corrente reversa.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1639


Foi observado que o pH do meio influencia na resposta voltamétrica do CTL, de modo que não foram observados
picos de redução para o CTL em valores de pH menores que 4,0, isto ocorre porque para valores de pH inferiores
a reação de redução da água se sobrepõe ao sinal do CTL, devido a alta corrente proveniente da decomposição do
eletrólito suporte.Para pH superior a 8,0 foi observado outro sinal em torno de -1,4 V vs Ag/AgCl. No entanto, para
fins analíticos foi selecionado o pH igual a 8,0 e utilizou-se o sinal em -1,07 V vs Ag/AgCl.
Estabelecidas as melhores condições para a determinação do CTL em termos de pH (8,0), freqüência da onda
quadrada (100 s-1), incremento de varredura (2 mV) e amplitude da onda quadrada (50 mV), a curva analítica
foi construída e encontra-se na Figura 3. O intervalo linear de concentração foi de 1,2x10-7 a 4,0x10-6 mol L-1. A
sensibilidade e a linearidade foram de 0,28 A/mol L-1 e 0,997, respectivamente (dados obtidos do pico de redução em
-1,07 V vs Ag/AgCl. O valor obtido para o LOD (LOD = 3SB/b, onde b é a inclinação da curva analítica e SB é o desvio
padrão da regressão linear da curva analítica) foi de 4,0x10-8 mol L-1 (13 mg L-1) e o valor de LOQ (LOQ = 10SB/b) foi
de 1,2x10-7 mol L-1 (30 mg L-1). O desvio padrão relativo (RSD) para uma concentração de CTL de 2,0x10 -6 mol L-1
foi de 1,5 % (n = 10).

Ip / mA = 0,13 mA + 0,28 A / mol L-1 [CTL]

-1,2 1,2 r = 0,997

1,0

0,8
-1,0
-Ip / mA

0,6

0,4

-0,8 0,2

0,0
I / mA

0 1 2 3 4
Concentração CTL / 10-6 mol L-1
-0,6

-0,4

-0,2

0,0
-0,6 -0,8 -1,0 -1,2
E / V vs Ag/AgCl
Figura 3 – Voltamogramas de onda quadrada obtidos para o CTL em função da concentração (,Na2HPO4 0,1 mol
L-1, pH 8,0, a = 50 mV, f= 100s-1 e ∆Es = 2mV). Inserção: Dependência da intensidade da corrente de pico com a
concentração de CTL.

A avaliação da potencialidade da metodologia desenvolvida foi realizada utilizando-se diferentes amostras de chás
naturais encontrados no comércio local. Os infusos de cada tipo de chá foram preparados, contaminados com CTL na
concentração de 1,0x10-6 mol L-1 e utilizados na preparação do eletrólito suporte, o qual foi utilizado na construção da
curva analítica por meio da adição de padrão de CTL. Nestas condições foi considerada a máxima interferência, já que
os infusos foram utilizados diretamente na preparação do eletrólito suporte.
Na Figura 4, encontram-se os voltamogramas de onda quadrada e a curva analítica obtida por meio de adição de
padrão para os estudos de recuperação, realizados com amostras infusos de capim cidreira, fortificado com CTL na
concentração de 1,0x10-6 mol L-1. Os estudos com as demais amostras de chás e os resultados obtidos foram semelhantes.

-0,4 0,4

0,3

-0,3
-Ip / mA

0,2

0,1

-0,2
I / mA

0,0
-2 -1 0 1 2 3
Concentraçao CTL / 10-6 mol L-1

-0,1 amostra
1,5x10-6 mol L-1 CTL
2,0
2,5
0,0 3,0

-1,0 -1,1 -1,2 -1,3 -1,4 -1,5 -1,6


E / V vs Ag/AgCl
Figura 3 - Voltamogramas de onda quadrada e curva analítica, obtidos para a determinação CTL em infuso de capim
cidreira.. Concentração de CTL adicionado intencionalmente 1,0x10-6 mol L-1 (Na2HPO4 0,1 mol L-1, pH 8,0, f =
100 s-1, a = 50 mV, ∆Es = 2 mV). Inserção: Curva analítica obtida para o CTL por adição de padrão.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1640


Na Tabela 1 estão sumarizados os resultados do estudo de recuperação para o CTL nas diferentes amostras de chás
(capim cidreira, hortelã, pomar, morango), a fortificação com CTL foi na concentração de 1,0x10-6 mol L-1 e todas as
medidas foram realizadas em triplicata. Pode-se observar que os resultados de recuperação ficaram entre 98,0 e 103,0
%, indicando que os componentes presentes nas amostras de chá não interferem significativamente na quantificação de
CTL utilizando o eletrodo de BDD e a voltametria de onda quadrada.

Tabela 1: Resultados das curvas de recuperação para o CTL, obtidos em amostras infusos, utilizando o eletrodo de
BDD.
Amostras de chás Adicionado / (10 -6 mol L-1) Recuperado / (10 -6 mol L-1) Porcentagem (%)
Hortelã 1,00 1,03 ± 0,03 103,0
Capim cidreira 1,00 1,00 ± 0,02 100,0
Pomar 1,00 0,98 ± 0,02 98,0
Morango 1,00 1,01± 0,01 101,0

CONCLUSÕES
Observou-se que o eletrodo de BDD pode ser convenientemente empregado para a determinação de clorotalonil
em infusos de capim cidreira, hortelã, pomar e morango, com porcentagens de recuperação entre 98,0 e 103,0 %, para
uma concentraçao de CTL de 1,00x10-6 mol L-1

AgradeCimentos: FAPESP (processo no. 2008/50588-6), CNPq.


Referências
[1] www.who.int (site acessado em 11/04/2010).
[2] Codognoto, L.; Zuin, V.G.; de Souza, D.; Yariwake, J.H.; Machado, S.A.S.; Avaca, L.A.; Microchemical Journal,
v. 77, p. 177-184, 2004.
[3] Pleskov, Y.; J. of Anal. Chem., v. 55, n. 11, p. 1165-1171, 2000.
[4] Suffredini, H. B.; Pedrosa, V. A., Codognoto, L.; Rocha-Filho, R. C.; Machado, S. A. S.; Avaca L. A.; Electrochim.
Acta, v. 49, p. 4021-4026, 2004.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1641


ME08

DETERMINAÇÃO DE Cu2+ EM CACHAÇAS INDUSTRIALIZADAS


E ARTESANAIS EMPREGANDO UM ELETRODO DE PASTA DE
CARBONO MODIFICADO COM SÍLICA GEL-2-AMINOTIAZOL

Dayane A. Costa, André L. Santos, Regina M. Takeuchi*

Faculdade de Ciências Integradas do Pontal - FACIP-UFU, Ituiutaba - MG - Brasil.


takeuchi@pontal.ufu.br

RESUMO: Neste trabalho, cobre foi quantificado em cachaças industrializadas e artesanais por voltametria de
redissolução anódica empregando-se um eletrodo de pasta de carbono modificado com sílica organofuncionalizada
com grupos 2-aminotiazol. Parafina sólida foi utilizada como aglutinante visando a obtenção de eletrodos estáveis
em misturas hidro-alcoólicas, permitindo que a etapa de pré-concentração fosse realizada diretamente na amostra
de cachaça. Sob as condições otimizadas, obteve-se um limite de detecção de 1,8 mmol L-1, valor consideravelmente
abaixo do teor máximo de cobre permitido em cachaça (79 mmol L-1). Quatro amostras de cachaça foram analisadas
pelo método proposto e pelo método oficial (NBR-13921). Os resultados foram analisados estatisticamente utilizando
os testes F e t com 95 % de grau de confiança. Verificou-se que a precisão dos métodos é equivalente e que os teores
de cobre fornecidos pelos dois métodos não diferem estatisticamente, indicando que não existem evidências de erros
sistemáticos no método proposto.
Palavras-chave: Voltametria de redissolução anódica, Eletrodos de pasta de carbono, Sílica organofuncionalizada,
Cobre, Cachaça.

Introdução

A aguardente ou cachaça é um produto genuinamente brasileiro, cuja produção, em 2008, movimentou cerca de
R$ 3,3 bilhões [1], o que demonstra a importância desta bebida para a economia brasileira. Apesar da importância da
cachaça no mercado nacional, apenas cerca de 1 % da produção anual é exportada. Esse fato revela que a cachaça tem
um grande potencial de mercado, podendo ser mais um produto da agroindústria brasileira a se destacar no mercado
internacional. Entretanto, para que isso aconteça é necessário que a cachaça atenda aos rigorosos critérios de qualidade
impostos pelo mercado externo. O teor de cobre tem sido considerado uma potencial barreira técnica imposta à cachaça
brasileira. Este metal é introduzido na bebida durante o processo de destilação, geralmente conduzido em destiladores
ou alambiques de cobre. Geralmente, maiores teores de cobre são encontrados em cachaças produzidas artesanalmente.
Alambiques de cobre são amplamente empregados, pois este metal confere melhores propriedades organolépticas à
cachaça [2], sendo capaz de reduzir a acidez, os teores de aldeídos e de compostos sulfurosos, os quais prejudicam
tanto o sabor quanto o aroma da bebida. Apesar de melhorar qualidade da cachaça, o excesso de cobre pode ser
prejudicial à saúde humana comprometendo a comercialização da bebida. A legislação brasileira, estabelece o teor
máximo permitido para cobre em cachaça em 5 mg L-1 (79 µmol L-1) [3], no entanto, alguns países são ainda mais
restritivos e regulamentam o teor máximo de cobre em 2 mg L-1 (32 µmol L-1) [2]. Assim, o desenvolvimento de
métodos analíticos capazes de quantificar cobre em cachaça de maneira confiável e com baixo custo é algo muito
importante e que pode contribuir significativamente para a economia nacional.
Dentre as técnicas capazes de quantificar íons metálicos, as técnicas voltamétricas de redissolução estão entre as
mais sensíveis, mais rápidas e mais baratas, o que sugere que possam ser empregadas com sucesso para a quantificação
de cobre em amostras de cachaça. Dentre os eletrodos de trabalho utilizados em voltametria de redissolução, os
eletrodos de pasta de carbono (EPC) têm se destacado devido à uma série de características atrativas, tais como:
facilidade de preparação, de renovação da superfície e de modificação química; baixo custo; amplo intervalo útil
de potencial; baixas correntes de fundo; etc. Os mais recentes avanços no desenvolvimento e aplicação dos EPC
foram recentemente revisados por Svancara et al. [4]. Apesar do sucesso dos EPC em eltroanálise, a utilização destes
eletrodos em meio não aquoso é inviabilizada, pois o óleo mineral, que é o aglutinante de EPC convencionais, é instável
em presença de solventes orgânicos. Recentemente, Takeuchi et al. [5] demonstraram que a parafina sólida é um
aglutinante alternativo capaz de produzir eletrodos estáveis em meio de etanol. Este trabalho demonstrou também que
EPC preparados com parafina sólida como aglutinante e quimicamente modificados com sílica organofuncionalizada
com grupos 2-aminotiazol foram muito eficientes para a determinação de cobre em amostras comerciais de etanol
combustível.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho é empregar EPC preparados com parafina sólida e quimicamente
modificados com sílica organofuncionalizada com grupos 2-aminotiazol (EPC-SiAt) para quantificar cobre em
amostras de cachaças industrializadas e artesanais.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1642


Procedimento Experimental

As soluções estoque de cobre foram preparadas a partir de diluições apropriadas de uma solução padrão de Cu2+
1000 mg L-1 (Fluka). Os estudos de otimização e de calibração foram realizados em uma mistura hidro-alcoólica
contendo 40 % de etanol P.A. e 60 % de água ultra pura. Como eletrólito de suporte, foi empregado tampão acetato 0,1
mol L-1. Os EPC-SiAt foram preparados de acordo com o procedimento descrito na literatura [5]. Um potenciostato/
galvanostato mAUTOLAB foi empregado em todos os experimentos eletroquímicos. Um eletrodo de Ag/AgCl/KClsat
(Ag/AgClsat) foi utilizado como eletrodo de referência e um fio de Pt enrolado em espiral foi empregado como eletrodo
auxiliar. Como eletrodo de trabalho, foram empregados os EPC-SiAt na seguinte proporção em massa: 40 % parafina
sólida, 40 % pó de carbono e 20 % de SiAt (EPC-SiAt(20%)).
O procedimento analítico desenvolvido envolveu três etapas: pré-concentração em condições de potencial controlado,
registro do voltamograma de redissolução anódica na modalidade pulso diferencial, regeneração eletroquímica da
superfície do eletrodo. Uma das vantagens do método proposto é que todas as etapas são realizadas diretamente na
amostra contendo tampão acetato, o que torna a análise muito simples e rápida. Quatro amostras de cachaça (duas
industrializadas e duas artesanais) foram analisadas pelo método proposto. Como método comparativo, empregou-se a
técnica de espectrofotometria de absorção atômica com atomização por chama, sendo adotado o procedimento descrito
na norma técnica NBR 13921 que estabelece o método oficial para determinação de cobre em cachaça. Estes estudos
comparativos foram realizados empregando-se um espectrofotômetro de absorção atômica SHIMADZU modelo AA-
680.

Resultados e Discussão

Inicialmente, a resposta voltamétrica para o cobre obtida com o EPC-SiAt(20%) foi comparada com
a resposta voltamétrica fornecida por um EPC contendo 20 % em massa de sílica não funcionalizada
(EPC-Si(20%)). Os voltamogramas de pulso diferencial obtidos nestes estudos são apresentados na Figura 1.

21
18
15 C
I / mA

12 B
9
A
6
3
-0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
E / V vs. Ag/AgClsat
Figura 1 - Voltamogramas de pulso diferencial registrados em tampão acetato 0,1 mol L-1 preparado em mistura
etanol:água (40:60 v:v) (A) EPC-SiAt(20%) e contendo 25 μmol L-1 de Cu2+ (B) EPC-Si(20%) e (A) EPC-SiAt(20%).
Condições voltamétricas: DE = 50 mV, tp = 25 ms, n = 10 mV s-1, Eredução = -0,3 V e tredução = 180 s.

A Figura 1 mostra que tanto o EPC-SiAt(20%) quanto o EPC-Si(20%) apresentam um pico voltamétrico em +0,30
V relativo à redissolução anódica do cobre. Observa-se que o EPC-SiAt é mais eficiente para a determinação de
cobre, pois apresentou um pico voltamétrico consideravelmente mais intenso. Um segundo pico voltamétrico em
+0,45 V é observado com ambos os eletrodos tanto na presença quanto na ausência do analito. Este pico pode estar
associado a processos de adsorção inespecífica do cobre ou mesmo a processos redox envolvendo a sílica ou impurezas
presentes nesta. Não foram realizadas investigações adicionais sobre a natureza deste pico voltamétrico, pois este não
é apropriado para fins quantitativos e não interferiu no pico em +0,30 V.
Os EPC-SiAt foram empregados no desenvolvimento de um método voltamétrico para a quantificação de
cobre em cachaça. Todos os parâmetros envolvidos no método proposto foram otimizados, sendo estes estudos
realizados em uma amostra comercial de cachaça contendo tampão acetato 0,1 mol L-1 e enriquecida com
2,0 µmol L-1 de Cu2+. O primeiro parâmetro otimizado foi o potencial de redução (Ered) empregado na etapa de pré-
concentração, o qual foi avaliado no intervalo de -0,5 a -0,1 V. Os resultados obtidos mostraram que o potencial de -0,2
V foi o mais apropriado. O segundo parâmetro otimizado foi o tempo de pré-concentração, sendo constatado que 180
s apresentou a melhor relação entre intensidade de sinal e tempo de análise. Os parâmetros da técnica de voltametria

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1643


de pulso diferencial também foram otimizados, sendo encontrados os seguintes valores otimizados: DE = 50 mV, tp =
25 ms, n = 10 mV s-1.
Após a otimização dos parâmetros do método analítico, foram realizadas sucessivas medidas voltamétricas
em presença na amostra enriquecida com 2,0 μmol L-1 de Cu2+. Estes estudos mostraram um aumento gradativo
do sinal do cobre durante as medidas sucessivas, demonstrando que nem todo o metal é removido da superfície
do eletrodo durante a varredura anódica. Diante deste resultado, uma etapa de limpeza eletroquímica, na
qual o eletrodo foi mantido a +0,35 V durante 60 s foi introduzida no método proposto. Verificou-se que este
procedimento foi muito eficiente, aumentando consideravelmente a repetitividade de medidas sucessivas.
Empregando-se as condições otimizadas e a etapa de limpeza eletroquímica, construiu-se uma curva analítica
para cobre em uma mistura etanol:água (40:60 v:v) contendo tampão acetato. Foi verificada uma relação linear
entre a corrente de pico (ip) e a concentração de cobre no intervalo de 0,3 a 5 mg L-1, conforme a equação:
ip(mA) = -0,14 + 5,6 CCu2+ (mg L-1), com coeficiente de correlação linear (R) igual a 0,9997. O limite de detecção obtido
foi de 0,11 mg L-1 (1,8 µmol L-1). Para avaliar o desempenho do método proposto em amostras reais, o teor de cobre
em quatro amostras comerciais de cachaça (duas artesanais e duas industrializadas) foi determinado utilizando-se o
método de adição de padrão. Os componentes do tampão foram adicionados diretamente à amostra, evitando que esta
sofresse diluição significativa, pois foram adicionados apenas 58 µL de ácido acético glacial e 136 mg de acetato de
sódio tri-hidratado a 10 mL de amostra. Os resultados destas determinações foram comparados com aqueles fornecidos
pelo método oficial de análise estabelecido pela norma NBR 13921, sendo a comparação apresentada na Tabela 1.

Tabela 1 - Resultados da determinação de cobre em quatro amostras de cachaça.

Oficial/ Proposto/
Amostra RSD F2/2b tc
mg L-1a mg L-1a
Industrializada I 0,51 + 0,01 0,52 + 0,01 1,6 % 1 0,11
Industrializada II 0,73 + 0,01 0,73 + 0,01 1,5 % 1 0,15
Artesanal I 3,10 + 0,02 3,17 + 0,07 2,2 % 12 0,83
Artesanal II 1,17 + 0,02 1,09 + 0,10 9,2 % 25 0,68
a
Resultados expressos como média + sd (N=3). F2/2crítico = 39. tcrítico com P = 0,05 e 5 graus de liberdade = 2,78.

Os resultados apresentados na Tabela 1 mostram que, para nenhuma das amostras analisadas o valor de F superou
o valor crítico, demonstrando que ambos os métodos apresentam precisões equivalentes. Os valores de t também
não excederam o valor crítico, mostrando que, considerando um grau de confiança de 95 %, não existem diferenças
estatísticas entre os teores de cobre fornecidos por ambos os métodos. Esse resultado mostra que não existem evidências
da presença de erros sistemáticos no método proposto.

ConclusÕES

Este trabalho demonstrou que os EPC-SiAt(20%) são estáveis em soluções hidro-alcoólicas contendo 40 %
de etanol e em amostras de cachaça, o que permitiu que a etapa de pré-concentração fosse realizada diretamente
na amostra analisada, tornando a análise simples e rápida. Quatro amostras de cachaça foram analisadas pelo
método proposto, sendo os resultados obtidos comparados com os fornecidos pelo método oficial de análise.
Análises estatísticas demonstraram que os resultados fornecidos por ambos os métodos são equivalentes,
indicando que o método proposto pode ser empregado com êxito para a quantificação de cobre em amostras
comerciais de cachaça. Os resultados obtidos nestes estudos demonstraram ainda que todas as amostras
analisadas atendem à legislação brasileira que estabelece o teor máximo de cobre permitido em cachaça em
5 mg L-1. Das quatro amostras analisadas, três atendem ainda às legislações internacionais mais restritivas que
regulamentam o teor máximo de cobre em cachaça em 2 mg L-1.

AgradeCimentos: FAPEMIG (proc.: 00291/09), PIBIc/UFU/CNPq, propp-ufu, facip-ufu. Ao Prof.


Dr. Nelson R. Stradiotto (IQ-UNESP-Araraquara) e ao Prof. Dr. Pedro M. Padilha (IB-UNESP-Botucatu).

Referências

[1] Anônimo, “Cachaça - Mercado de aguardente espera um novo boom” (2008). Disponível em: <http://www.g21.
com.br/materias/materia.asp?cod=20378&tipo=noticia>. Acessado em 13/04/2011.
[2] Nascimento R.F.N., Cardoso D.R., Lima-Neto B.S., Franco D.W. and Farias J.B., “Influência do material do
alambique na composição química das aguardentes de cana-de-açúcar”, Quím. Nova 21(6):735-739, 1998.
[3] BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO. Portaria 276 de 24 de setembro de 2009.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1644


[4] Svancara I., Walcarius A., Kalcher K. and Vytras K., “Carbon paste electrodes in the new millennium”, Cent.
Eur. J. Chem. 7(4):598-656, 2009.
[5] Takeuchi R.M., Santos A.L., Padilha P.M. and Stradiotto, N. R., “Copper determination in ethanol fuel by
differential pulse anodic stripping voltammetry at a solid paraffin-based carbon paste electrode modified with
2-aminothiazole organofunctionalized silica”, Talanta 71(2):771-777, 2007.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1645


ME09

DETERMINAÇÃO DE ESTRONA UTILIZANDO ELETRODO DE


DIAMANTE DOPADO COM BORO

Keliana Dantas Santos , Gabriel Luiz Kreft , Camila Alves de Lima , Almir Spinelli

GEPEEA - Grupo de Estudos de Processos Eletroquímicos e Eletroanalíticos - Departamento de


Química, Universidade Federal de Santa Catarina, 88040-900, Florianópolis, SC, Brasil
kelianads@hotmail.com

RESUMO: Neste trabalho o eletrodo de diamante dopado com boro foi empregado na determinação eletroanalítica de
estrona em manteiga por voltametria de onda quadrada. A estrona é um hormônio sexual feminino e, por apresentar
atividade estrogênica, é classificada como desregulador endócrino. Sua presença em matrizes alimentares e ambientais
é de grande preocupação por se tratar de uma questão de saúde pública, portanto, a quantificação deste e de outros
desreguladores, se faz necessária. O desenvolvimento de metodologia eletroanalítica para determinação de estrona
é o objetivo deste trabalho. As melhores condições experimentais foram obtidas em solução de NaOH (pH 12,0),
frequência 60 Hz, amplitude 50 mV e incremento 4 mV. A curva analítica foi linear na faixa de 4,0 x 10-8 a 1,0 x 10-5
mol L-1 com um limite de detecção de 1,3 x 10-8 mol L-1. A recuperação desse hormônio em manteiga variou de 105,2
a 108,9%.
Palavras-chave: estrona, diamante dopado com boro, voltametria de onda quadrada.

Introdução

Um dos principais enfoques científicos internacionais da última década diz respeito a um grupo específico de
compostos químicos caracterizado pela capacidade de simular ou alterar a atividade hormonal de humanos e de outros
animais. Essas substâncias mimetizam a ação de hormônios naturais, inibindo-os ou alterando as funções regulares
normais dos sistemas imunológico, nervoso e, principalmente, endócrino, e são chamadas de desreguladores endócrinos.
A exposição a essas substâncias pode ocorrer a partir de uma variedade de fontes, de forma voluntária ou não. Assim,
seres humanos e animais estão expostos a muitos desreguladores endócrinos sintéticos e naturais ao utilizar produtos
comerciais, como produtos de limpeza, pesticidas, aditivos alimentares, cosméticos e também na água, ar e alimentos
[1].
A estrona [3-hidroxi-1,3,5(10)-estratien-17-ona: E1] é um dos três principais estrógenos que ocorrem naturalmente.
Entre outros estrógenos naturais se incluem o estradiol e o estriol. A estrona é produzida primariamente a partir de
androstenediona originada no córtex adrenal ou gônadas [2]. Por ser solúvel em gordura, altos níveis podem estar
presentes em carne, peixe, ovos e derivados do leite. A contaminação de alimentos pode vir do fato de que alguns
hormônios, entre eles a estrona, são aplicados na criação de animais e, consequentemente, consumidos na alimentação
humana [3].
Nos últimos anos, vários métodos analíticos foram relatados para a determinação de desreguladores endócrinos.
Esses métodos, majoritariamente, estão relacionados ao uso de técnicas cromatográficas. O presente trabalho propõe
metodologia de determinação eletroanalítica do hormônio sexual estrona utilizando um eletrodo de diamante dopado
com boro associado à técnica da voltametria de onda quadrada. Parâmetros experimentais foram investigados para a
obtenção da melhor resposta do eletrodo usando a voltameria de onda quadrada e foram usados na determinação de
estrona em amostra de manteiga.

Procedimento Experimental

As medidas eletroanalíticas foram realizadas utilizando-se um potenciostato/galvanostato Voltalab PGZ 100,


acoplado a um microcomputador utilizando o programa Voltamaster 4. Foi utilizado um sistema eletroquímico
convencional constituído de três eletrodos dos quais, o eletrodo de trabalho foi um eletrodo de diamante dopado
com boro (área 0,23 cm2), uma placa de platina foi utilizada como contra-eletrodo e como eletrodo de referência, um
eletrodo de prata-cloreto de prata (Ag/AgCl). Para ativação do eletrodo de trabalho, em célula separada, aplicou-se um
potencial de -3,0 V por 3 minutos em H2SO4 0,5 mol L-1.
Soluções de estrona utilizadas nos experimentos foram obtidas a partir de uma solução estoque com concentração
de 4,0 x 10-3 mol L-1 (em etanol). Solução de NaOH com pH 12,0 foi usada como eletrólito suporte. A curva analítica
foi obtida após sucessivas adições de estrona ao eletrólito suporte. A amostra de manteiga foi preparada com etanol/
água (2:2) e centrifugada por 30 minutos a 3000 rpm. A gordura, proteínas hidrolisadas e excipientes não dissolvidos
ficavam depositados no fundo do recipiente e, em seguida, uma alíquota era retirada do sobrenadante.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1646


Resultados e Discussão

Inicialmente, a voltametria cíclica foi usada para investigar o comportamento eletroquímico do hormônio sobre o
eletrodo de diamante dopado com boro. Observou-se que a estrona 5,0 x 10-5 mol L-1 em NaOH (pH 12,0) apresentou
somente um pico de oxidação em torno de + 0,43 V, característico de um processo irreversível. Em seguida, a voltametria
de onda quadrada foi selecionada e utilizada para o desenvolvimento da metodologia proposta. Um passo importante
é a otimização dos parâmetros experimentais que possam influenciar na resposta voltamétrica do eletrodo. Assim,
foi realizado estudo da influência dos parâmetros freqüência (f), amplitude (a) e incremento (ΔEs) relacionados à
voltametria de onda quadrada. Outro parâmetro importante é o pH da solução. Neste sentido, ensaios foram realizados
utilizando tampão Britton-Robinson com pH variando de 2,0 a 12,0). Observou maior resposta de corrente para o pH
12,0, sendo este, portanto, o pH de trabalho escolhido. Diferentes tipos de soluções apresentando o pH previamente
escolhido (NaOH, KOH, LiOH e os tampões Britton-Robinson e Ringer) foram utilizadas com intuito de perceber a
influência do eletrólito suporte sobre o pico de oxidação do estrona. A Figura 1 mostra os resultados deste este estudo
utilizando eletrodo de diamante dopado com boro. Observa-se pequeno deslocamento, para valores mais positivos, do
potencial de oxidação partindo da solução (e) tampão Ringer para a solução (a) hidróxido de sódio, apresentando maior
resposta e um pico de oxidação mais bem definido esta última. Desse modo, foi selecionada a solução de hidróxido de
sódio (pH 12,0) para os estudos posteriores e desenvolvimento da metodologia.

20

e (a) NaOH
j (mA cm-2)

d (b) LiOH
c
10 (c) Tampão Britton-Robinson
b (d) KOH
a (e) Tampão Ringer

0
0 200 400 600 800
E (mV vs Ag/AgCl)

Figura 1: Voltamogramas cíclicos (v = 100 mV s-1) da estrona 5,0 x 10-5 mol L-1 em diferentes soluções (pH 12,0)
usando eletrodo de diamante dopado com boro.

A avaliação dos parâmetros de voltametria de onda quadrada mostrou que as melhores respostas são obtidas quando
são usadas f = 60 Hz; a = 50 mV e ΔEs = 4 mV.
Empregando as melhores condições experimentais, a curva analítica para a estrona apresentou linearidade no
intervalo de concentração de 4,0 x 10-8 a 1,0 x 10-5 mol L-1, com inclinação (b) de 0,224 μA/mol L-1 cm-2 e coeficiente
de correlação (r) de 0,9989 (Figura 2A).

0.30
Dj (mA cm-2)

0.25

-8.0x10-7 -4.0x10-7 0.0 4.0x10-7 8.0x10-7


[estrona] (mol L-1)

(A) (B)
Figura 2: Voltamogramas de onda quadrada (A) para a estrona em NaOH (pH 12,0): (a) branco; (b) 4,0x10-8 mol L-1;
(c) 8,0x10-8 mol L-1; (d) 4,0x10-7 mol L-1; (e) 6,0x10-7 mol L-1; (f) 8,0x10-7 mol L-1; (g) 2,0x10-6 mol L-1; (h) 6,0x10-6 mol
L-1 ; (i) 8,0x10-6 mol L-1 ; (j) 1,0x10-5 mol L-1 usando eletrodo de diamante dopado com boro ( f = 60 Hz; a = 50 mV;
ΔEs = 4 mV). Abaixo, inserida na figura, a curva analítica. (B) Determinação eletroanalítica de estrona em amostra de
manteiga utilizando eletrodo de diamante dopado com boro.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1647


O limite de detecção obtido foi de 1,3 x 10-8 mol L-1 e o limite de quantificação 3,8 x 10-8 mol L-1. O estudo de
repetibilidade foi determinado a partir de medidas sucessivas (n=5) de diferentes concentrações de estrona da faixa da
curva analítica e foi obtido um desvio padrão relativo de 2,7 %.
A recuperação desse hormônio em amostra de manteiga foi realizada (n=5) e o teor obtido variou de 105,2 a
108,9 % (Tabela 2) indicando ausência significativa de efeito de matriz. Para avaliar a aplicabilidade da metodologia
proposta, amostra de manteiga foi analisada utilizando o método de adição múltipla de padrão (Figura 2B) nas
condições previamente otimizadas da voltametria de onda quadrada. A concentração de estrona na amostra analisada
foi de 1,5 x 10-6 mol L-1, a qual é concordante com o valor encontrado pelo método comparativo do radioimunoensaio
que apresentou valor de 1,4 x 10-6 mol L-1, representando erro relativo de 6,7%. Testes estatísticos (t e F) também
mostraram não haver diferenças significativas entre os valores encontrados por ambos os métodos.

Tabela 1: Recuperação da estrona (mol L-1) em manteiga

Recuperação
Adicionado Encontrado
(%)

4,00x10-8 4,39x10-8 108,88


8,00x10-8 8,68x10-8 107,83
4,00x10-7 4,22x10-7 105,21
6,00x10-7 6,37x10-7 105,81
8,00x10-7 8,46x10-7 105,44

CONCLUSÃO

De acordo com os resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que a metodologia proposta apresentou um
intervalo de concentração e limite de detecção compatíveis com técnicas convencionais de análise de estrona. Os
valores apresentados pelo método proposto também estão concordantes com os valores apresentados pelo método
comparativo, portanto, isso confere à metodologia proposta credibilidade na determinação de estrona em amostras de
manteiga.

AgradeCimentos: CAPES, CNPq, PPGQ/UFSC

Referências

[1] CASTRO, C.M.B. “Perturbadores Endócrinos Ambientais: Uma Questão a Ser Discutida”, Rev. Eng. San.
Amb. 7: 4-5, 2002.
[2] LARSEN, P. R. et al. Williams Textbook of Endocrinology. 10a. ed. Philadelphia: Elsevier Science, 2003.
[3] PICKERING, A. D. and SUMPTER, J. P. “Comprehending endocrine disrupters in aquatic environments:
additional projects arose from a three-year, multinational, multidisciplinary research program in the
European Union”, Environv. Science & Techno.1:331-336, 2003.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1648


ME10

ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO APLICADO À


DETERMINAÇÃO DO PESTICIDA FENTION EM FITOTERÁPICO À
BASE DE PASSIFLORA

França, R. F.1, Pedrosa, V. A.2, Hueder Paulo M. de Oliveira3, Codognoto, L.4

1
Universidade Camilo Castelo Branco –UNICASTELO, São José dos Campos - SP – Brasil;
2
Departamento de Química e Bioquímica, UNESP, Botucatu, SP – Brasil; 3Universidade Federal
de Pelotas – UFPel – RS - Brasil; 4 Universidade Federal de São Paulo - Campus Diadema -
UNIFESP - SP- Brasil. luciacodognoto@gmail.com

RESUMO: O comportamento eletroquímico do pesticida fention (FEN), que é um pesticida organofosforado usado
em culturas de maracujá, foi avaliado sobre o eletrodo de diamante dopado com boro (BDD), utilizando a técnica de
voltametria de onda quadrada. O FEN apresentou um único de oxidação sobre o eletrodo de BDD em torno de 1,27 V
vs Ag/AgCl com características de processos irreversíveis controlados pela difusão das espécies. A curva analítica foi
obtida no intervalo de concentração de 0,25x10-6 a 10,0x10-6 mol L-1, com sensibilidade e linearidade de 0,38 A/mol L-1
e 0,995, respectivamente. O valor obtido para o LOD foi de 1,0x10-7 mol L-1 (30 mg L-1) e o valor de LOQ foi de 3,0x10-
7
mol L-1 (91 mg L-1). Estudos com tintura de passiflora indicaram a possibilidade de quantificação deste pesticida,
sem sinais de interferentes da matriz no voltamograma de onda quadrada, no intervalo de potencial estudado e com
porcentagem de recuperação no intervalo de 98,0 a 107,0%.
Palavras-chave: pesticida, eletrodo de diamante, fitoterápicos.

Introdução

É crescente a preocupação com a utilização de pesticidas em plantas medicinais, que poderão servir para a produção
de fitoterápicos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para a necessidade de regulamentação desses limites,
à semelhança do que se pratica para os alimentos, tendo em vista a possibilidade de uso continuado de drogas vegetais
e produtos fitoterápicos [1]. Nos últimos anos houve um aumento na comercialização de fitoterápicos com indicação
para os transtornos mentais, como por exemplo, a Passiflora edulis e a P. incarnata. Dentre os pesticidas existentes,
o fention possui registro no Mistério da Agricultura para a aplicação em culturas de maracujá, que pertence à família
Passifloraceae. As espécies de Passiflora L., principalmente Passiflora edulis Sims. F. flavicarpa Deg. (maracujá-azedo)
e Passiflora alata Dryander (maracujá-doce), são largamente utilizadas pela população e indústrias brasileiras para
diversas finalidades. Entre elas, a Passiflora alata Dryander (folhas) está descrita na Farmacopeia Brasileira devido
às suas propriedades ansiolíticas e tranquilizantes, e é uma das plantas medicinais de estudos prioritários segundo o
Ministério da Saúde [2].
A maioria das metodologias disponíveis para a fiscalização e para o controle de qualidade de medicamentos utiliza
métodos cromatográficos. Estes métodos são precisos, sensíveis e seletivos, mas requerem um grande investimento
inicial e, geralmente, são trabalhosos e envolvem várias etapas de preparo da amostra [3].
As técnicas eletroanalíticas surgem, portanto, como uma alternativa para a determinação de diversos compostos
orgânicos, pois além de simples e de baixo custo, elas oferecem a possibilidade de se determinar a concentração do
composto de interesse diretamente na amostra, sem pré-tratamentos ou separações prévias. Neste sentido, o eletrodo
de diamante dopado com boro (BDD), em função de suas propriedades únicas, está sendo cada vez mais utilizado no
desenvolvimento de metodologias eletroanalíticas para a determinação de compostos orgânicos e inorgânicos, em
diversas matrizes [4,5].
Desta forma, o objetivo deste trabalho foi desenvolver uma metodologia eletroanalítica, utilizando a voltametria de
onda quadrada e o eletrodo de BDD, para a determinação de fention em amostras de fitoterápicos a base de passiflora
(tinturas).

Procedimento Experimental

Reagentes: Foram utilizados reagentes de pureza analítica (PA), e todas as soluções foram preparadas com água
purificada, em sistema Milli-Q, (Milipore Corporation). Como eletrólito de suporte utilizou-se solução de Na2HPO4
0,1 mol L-1.
Instrumentação: Para as medidas eletroquímicas foi utilizado o potenciostato/galvanostato AUTOLAB
PGSTAT128N (ECO CHEMIE, Holanda). A aquisição dos dados e o gerenciamento do potenciostato foram realizados
por um microcomputador (Dell) e mediante software (GPES).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1649


Eletrodos: O eletrodo de referência utilizado nos experimentos, constituiu-se de eletrodo de Ag/AgCl, cujo o valor
de potencial é de 0,222 V em relação ao eletrodo reversível de hidrogênio. Como eletrodo auxiliar, utilizou-se platina.
O eletrodo de trabalho utilizado foi o eletrodo de diamante dopado com boro (8000 ppm).
Amostras: Foram utilizadas amostras de tintura de Passiflora alata, obtidas em comércio local. Para a realização dos
testes de recuperação as amostras de tintura de passiflora foram contaminadas com FEN nas concentrações de 5,0x10-5
e 8,0x10-5 mol L-1. Para a obtenção da curvas analíticas, utilizando-se o método de adição de padrão, uma alíquota de
0,5 mL das amostras fortificadas foram adicionadas a célula eletroquímica que continha 9,5 mL do eletrólito suporte
(Na2HPO4 0,1 mol L-1 e pH 4,0), sendo que a concentração final de FEN na célula eletroquímica foi de 2,5x10-6 mol L-1
e 4,0x10-6 mol L-1, respectivamente. Todas as medidas foram realizadas em triplicata.

Resultados e Discussão

Os estudos iniciais do pesticida fention (FEN) sobre o eletrodo de BDD foram realizados utilizando-se a voltametria
cíclica. Na Figura 1 encontra-se um voltamograma cíclico para o FEN, e pode-se observar a presença de único pico
de oxidação, no intervalo de potencial avaliado, em torno de 1,27 V vs Ag/AgCl, com características de processos
irreversíveis.

30
25
20
15
I / mA

10
5
0

0,8 1,0 1,2 1,4


E / V vs Ag/AgCl
Figura 1 - Voltamograma cíclico obtido para o FEN na concentração de 5,0 10-5 mol L-1 sobre o eletrodo de BDB em
Na2HPO4 0,1 mol L-1, pH 4,0 e velocidade de varredura de 100 mV s-1.

Para a otimização das condições experimentais foi realizado o estudo da influência da variação do pH do meio. Foi
selecionado o pH de 4,0 como pH de trabalho devido a intensidade da corrente obtida. Posteriormente, a voltametria
de onda quadrada foi empregada para a determinação eletroquímica do FEN. O primeiro passo foi a otimização dos
parâmetros envolvidos na voltametria de onda quadrada. Na tabela 1 estão apresentados as condições selecionadas para
o estudo do FEN.
Tabela 1 – Condições experimentais otimizadas para a determinação do FEN sobre o eletrodo de BDD.
Condição Valor
Eletrólito suporte Na2HPO4 0,10 mol L-1
pH 4,0
Freqüência da onda quadrada / s-1 100
Amplitude da onda quadrada / mV 50
Incremento de varredura / mV 2

Após a otimização das condições experimentais para a oxidação do FEN sobre o eletrodo de BDD, a curva analítica
foi construída intervalo linear de concentração foi de 2,50x10-7 a 10,0x10-6 mol L-1, a sensibilidade e a linearidade
foram de 0,38 A/mol L-1 e 0,995, respectivamente,. Os voltamogramas de onda quadrada e a curva analítica encontram-
se na Figura 2. O valor obtido para o LOD foi de 8,0x10-8 mol L-1 (21 mg L-1) e o valor de LOQ foi de 2,5x10-7 mol L-1
(70 mg L-1). O desvio padrão relativo (RSD) para uma concentração de FEN de 5,0x10 -6 mol L-1 foi de 1,8 % (n = 10).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1650


3,5 4,0 -1
Ip / mA = 0,010 mA + 0,38 A mol L [fEn]
3,5
3,0
3,0 2,5

Ip / mA
2,0

2,5 1,5
1,0
0,5
2,0
I / mA

0,0
0 2 4 6 8 10
Concentração de fention / 10-6 mol L-1
1,5

1,0

0,5

0,0
0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4
E / V vs Ag/AgCl

Figura 2 – Voltamogramas de onda quadrada obtidos para o FEN em função da concentração (Na2HPO4 0,1 mol
L-1, pH 4,0, a = 50 mV, f= 100s-1 e DEs = 2mV). Inserção: Dependência da intensidade da corrente de pico com a
concentração de FEN.

Foi realizado um teste preliminar para avaliar a viabilidade da determinação de fention em tintura de passiflora alata,
comprada no comercio local. Pode-se observar que no intervalo de varredura avaliado, o extrato de passifora (foi
adicionado 1 mL da tintura em 10 mL do eletrólito suporte), apresentou dois picos bem definidos nos potenciais de
0,50 V e 0,87 V vs Ag/AgCl. Após a adição de fention na concentração de 1,0x10-6 mol L-1, pode-se observar o sinal
dos componentes da amostra (0,50 V e 0,87 V vs Ag/AgCl) e do fention com potencial de pico em 1,27 V vs Ag/AgCl
(Figura 3), indicando a possibilidade da determinação de FEN sem interferência dos sinais obtidos para a matriz.
3,5 Passifora
Passiflora + 1,0x10-6 mol L-1 fEn 2
1,0x10-6 mol L-1 fEn
3,0
2,5
2,0
I / mA

1,5
1
1,0
0,5 3

0,0
0,0 0,4 0,8 1,2
E / V vs Ag/AgCl

Figura 3 - Voltamogramas de onda quadrada obtidos para o extrato de passiflora na ausência e na presença de fention,
e para o fention na concentração de 1,0x10-6 mol L-1 (Na2HPO4 0,1 mol L-1, pH 4,0, a = 50 mV, f= 100s-1 e DEs = 2mV).

A potencialidade do método desenvolvido foi avaliada para determinação de FEN em fitoterápico obtidos em no
comercio, tintura de Passiflora alata. As amostras foram utilizadas sem separações prévias, sendo que 0,5 mL das
amostras contaminados intencionalmente com o FEN foram adicionados a célula eletroquímica. A Figura 4 mostra
os voltamogramas obtidos por adição de padrão e a curva analítica, obtidos para a amostra contaminada com FEN na
concentração de 2,5x10-6 mol L-1 (na célula eletroquímica).

12 amostra
10 1,0x10-6 mol L-1
10 8 2,0
4,0
Ip / mA

6
8 8,0
4
12,0
2

6 0
I / mA

-4 -2 0 2 4 6 8 10 12
Concentração de fEn / 10-6 mol L-1

0
0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6
E / V vs Ag/AgCl

Figura 4: Voltamogramas de onda quadrada e curva analítica, obtidos para a determinação FEN em amostra de tintura
de passiflora.. Concentração de FEN adicionado intencionalmente 2,5x10-6 mol L-1 (Na2HPO4 0,1 mol L-1, pH 4,0, f =
100 s-1, a = 50 mV, DEs = 2 mV). Inserção: Curva analítica obtida para o FEN por adição de padrão.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1651


Os ensaios de recuperação foram realizados para as amostras fortificadas com FEN nas concentrações de: 2,5x10-
6
mol L-1 e 4,0x10-6 mol L-1, respectivamente. Os resultados estão apresentados na Tabela 2, todas as medidas foram
realizadas em triplicata. Pode-se observar que a porcentagem de recuperação ficou entre 98,0 e 112,0 % e estão dentro
da faixa recomendada (70 a 120 %).

Tabela 2: Resultados das curvas de recuperação para o FEN, obtidos em amostras de tintura de passiflora, utilizando
o eletrodo de BDD.
*Adicionado *Recuperado Porcentagem
Amostras
(10 -6 mol L-1) (10 -6 mol L-1) (%)
Amostra 1 2,5 2,4 ± 0,3 98,4 ± 3,1
Amostra 2 2,5 2,5 ± 0,3 100,0 ± 3,2
Amostra 3 2,5 2,8 ± 0,2 112,0 ± 2,5
Amostra 4 4,0 4,3 ± 0,3 107,5 ± 3,2
Amostra 5 4,0 4,0 ± 0,2 100,0 ± 2,3
*concentrações na célula eletroquímica.

Os bons resultados obtidos nos ensaios de recuperação corroboram a aplicabilidade da eletroanalítica para análise
de fitofármacos conforme proposto. Assim, o uso da voltametria de onda quadrada e do eletrodo de BDD mostrou-se
bastante eficiente, para a quantificação de FEN em amostras de tinturas de passiflora. Os estudos estão em andamento
para a avaliação da metodologia para a quantificação de FEN em infusos e sucos de maracujá.

CONCLUSÕES

Os estudos indicaram que a voltametria de onda quadrada e o eletrodo de diamante dopado com boro podem ser
convenientemente utilizados para a determinação de fention em amostras de tintura de passiflora, sendo que os valores
de recuperação ficaram entre 98,0 e 112,0 %.

AgradeCimentos: FAPESP (processo no. 2008/50588-6), CNPq.

Referências

[1] www.who.int (site acessado em 11/04/2010).


[2] FARMACOPÉIA BRASILEIRA. Passiflora Alata Ait. 3. ed. São Paulo, Andrei, 1977, p. 839.
[3] ZUIN, V. G.;YARIWAKE, J. H.; BICCHI, C.; Journal of Chromatography, v. 985, p. 159-166, 2004.
[4] Codognoto, l.; Zuin, v.g.; de Souza, d.; Yariwake, j.h.; Machado, s.a.s.; Avaca, l.a.;
Microchemical Journal, v. 77, p. 177-184, 2004.
[5] PLESKOV, Y.; J. of Anal. Chem., v. 55, n. 11, p. 1165-1171, 2000.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1652


ME11

DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DA CAPACIDADE


ANTIOXIDANTE DE EXTRATOS DE GARAPA DE CANA-DE-AÇÚCAR E
POLPA DE MARACUJÁ USANDO O ENSAIO CRAC

Rafael de Queiroz Ferreira (PQ)1,2, Maria Luiza Zeraik (PG)2, Tatiana Onofre de Lira (PG)2,
Janete Harumi Yariwake(PQ)2 e Luis Alberto Avaca (PQ)2

1
Departamento de Química - UFES, Vitória - ES - Brasil; 2 Instituto de Química de São Carlos -
USP, São Carlos - SP - Brasil. rafael.q.ferreira@ufes.br

RESUMO: O CRAC (ceric reducing/antioxidant capacity) é um ensaio eletroquímico recentemente desenvolvido


para avaliação quantitativa da capacidade antioxidante de amostras nativas. Este método emprega o elétrodo de
diamante dopado com boro (DDB) em conjunto com medidas cronoamperométricas para quantificar a habilidade
de amostras, com caráter antioxidante, em reduzir espécies de Ce4+ apenas pela transferência de elétrons. Nesse
trabalho, foram investigadas as capacidades antioxidantes de extratos metanólicos de garapa de cana-de-açúcar e
de polpa de maracujá, além de soluções padrões dos antioxidantes rutina e resveratrol. Os resultados obtidos foram
comparados com os obtidos pelo método DPPH● (radical 2,2-difenil-1-picrilahidrazila), um ensaio espectrofotométrico
amplamente usado na determinação da capacidade antioxidante via redução direta por transferência de elétron e/ou
transferência de átomo de hidrogênio. Ambos apresentaram a mesma hierarquia (rutina > resveratrol > maracujá
> cana-de-açúcar), porém com ordens de grandeza distintas que sugerem o emprego de diferentes mecanismos de
redução por parte de cada ensaio.
Palavras-chave: capacidade antioxidante, CRAC, DDB, cana-de-açúcar, maracujá.

Introdução

Nos últimos anos os compostos antioxidantes presentes em alimentos naturais e derivados, tais como polifenóis,
carotenoides e vitaminas, têm recebido crescente atenção devido à sua capacidade de minimizar a ação dos radicais
livres. Tal fato se reflete no crescente número de publicações relatando a capacidade antioxidante de diversas plantas
e alimentos [1]. No Brasil, podemos destacar duas culturas típicas de países tropicais: a cana-de-açúcar e o maracujá.
Estudos anteriores mostraram que ambas são ricas em compostos fenólicos, principalmente flavonas O- e C- glicosídeos
[2, 3]. Tal fato permite uma possível classificação dessas culturas como alimentos funcionais. No entanto, devido à
complexa composição desses matrizes, separar cada componente antioxidante e estudá-los individualmente, é um
processo caro e ineficiente, não obstante as possíveis interações sinérgicas entre os compostos antioxidantes em uma
amostra nativa.
A determinação da capacidade antioxidante total usando reações químicas parece ser complicada e pouco realista.
Em seu artigo de revisão Frankel e Meyer [4] apontam toda a problemática envolvida no uso de ensaios com base em seus
mecanismos antioxidantes (transferência de elétron e/ou transferência de átomo de hidrogênio) para avaliar alimentos
multifuncionais e antioxidantes biológicos. Eles sugerem que os métodos usados na determinação quantitativa da ação
antioxidante devem ser baseados na identificação de diferentes mecanismos antioxidantes sob condições variáveis,
refletindo assim suas propriedades multifuncionais nos processos oxidativos. Por outro lado, MacDonald-Wicks et al.
[5] sugerem uma seleção de ensaios para medir a capacidade de redução das amostras antioxidantes. Nesse sentido,
Sánchez-Moreno [6] consideram o ensaio DPPH● (radical 2,2-difenil-1-picrilahidrazila) um método fácil e preciso
para o uso em extratos de sucos de frutas e vegetais. No entanto, a interpretação do resultado é prejudicada quando as
amostras contem compostos que apresentam espectros que se sobrepõem a 515 nm, como, por exemplo, carotenoides.
Portanto, outro ensaio antioxidante deve ser usado para complementar os resultados obtidos com o ensaio DPPH●, que
é usado em muitos casos como ensaio padrão.
Nesse contexto, recentemente, Ferreira e Avaca [7] desenvolveram um ensaio eletroquímico que emprega o eletrodo
de diamante dopado com boro (DDB) em conjunto com medidas cronoamperométricas para determinar a capacidade
antioxidante de amostras nativas. Esse ensaio recebeu o nome de CRAC (ceric reducing/antioxidant capacity) e utiliza
a equação de Cottrell para acompanhar o declínio da concentração de uma espécie oxidante de Ce4+ apenas pela
transferência de elétrons. Devido ao elevado potencial redox do par Ce4+/Ce3+, este sistema permite medir uma grande
variedade de compostos antioxidantes. Além disso, os ensaios cronoamperometricos são simples, rápidos e não sofrem
interferência por parte da cor e turbidez da amostra.
Portanto, o objetivo deste estudo é avaliar a capacidade antioxidante de extratos metanólico de caldo de cana-de-
açúcar (Saccharum officinarum L.) e polpa de maracujá (Passiflora edulis f. flavicarpa Degener), além de compostos
antioxidantes padrões (rutina e resveratrol) usando o ensaio CRAC e comparar os resultados obtidos com o ensaio
espectrofotométrico (DPPH●).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1653


Procedimento Experimental

Neste trabalho foram usados como padrões os antioxidantes rutina e resveratrol, em metanol absoluto e ambos
na concentração de 4,28 x 10−3 mol·L−1 (9,78 x 10−1 g·L−1). Uma solução estoque de trolox em metanol absoluto na
concentração de 4,25 x 10−3 mol·L−1 (1,06 g·L−1) foi usado como padrão na determinação do trolox equivalent (TE), e
uma solução estoque de Ce(SO4)2.4H2O 1,03 × 10−3 mol·L−1 em H2SO4 0,5 mol·L−1 (CRAC reagente) foi empregada
como oxidante no ensaio CRAC [6]. Utilizou-se também uma solução metanólica de DPPH● na concentração de 2,50 x
10−2 g·L−1. Extratos metanólicos de garapa de cana-de-açúcar e polpa de maracujá foram obtidos pela extração, com 10
mL de metanol para cada 100 mL de amostra, usando um banho de ultra-som por 5 minutos, à temperatura ambiente.
Logo em seguida as amostras foram centrifugadas a 10000 rpm por 20 minutos, também à temperatura ambiente, e o
sobrenadante (cerca de 30 mL) foi coletado para aplicação na determinação da capacidade antioxidante e determinação
da concentração por secagem. Com esses sobrenadantes foram preparadas soluções estoques em diferentes intervalos
de concentração: 35,0 − 195,0 g·L−1 para a garapa de cana-de-açúcar e 1,00 - 80,00 g·L-1 para a polpa de maracujá.
Alíquotas de 100 μL dessas soluções estoques foram empregadas nos ensaios cronoamperométricos.
Nos ensaios cronoamperométricos subsequentes, adicionou-se 10 mL de CRAC reagente (CFinal = 1 × 10−3 mol·L−1)
e 100 μL de extratos metanólicos das amostras de cana-de-açúcar e maracujá em diferentes concentrações à cela
eletroquímica. Esse mesmo procedimento foi realizado com as soluções metanólicas de resveratrol e rutina em um
intervalo de concentração de 0,06 – 9,78 x 10−1 g·L−1 e 6,10 x 10−3 – 3,05 x 10−2 g·L−1, respectivamente, e com 50
x 10−6 mol·L−1 (1,20 x 10−2 g·L−1) para a solução metanólica de trolox. O aparato experimental utilizado consiste
em uma célula convencional de vidro Pyrex® de compartimento único (30 mL), com orifícios para encaixe de três
eletrodos e capilar para desoxigenação da solução; um eletrodo auxiliar de placa de platina usado em conjunto com
um eletrodo de referência de Ag/AgCl (KCl 3,0 mol·L−1) e com um eletrodo de trabalho de diamante dopado com boro
(DDB/8000 ppm). Um potenciostato/galvanostato PGSTAT30 da AUTOLAB® foi usado para realização dos ensaios
eletroquímicos.
A metodologia proposta por Ferreira e Avaca [7] consiste em determinar cronoamperometricamente a concentração
das espécies de Ce4+, antes e após 4 minutos de reação com a amostra antioxidante. A equação de Cottrell:
1
nFACOo DO 2 −1
It = 1 1
=b
t 2

π 2t 2
, fornece os subsídios para essa determinação. A partir dela podemos obter uma correlação
linear entre a corrente (I) e o tempo (t−1/2). O valor do coeficiente angular dessa curva (coeficiente angular de Cottrell,
b) após a adição do antioxidante é então usado na determinação da capacidade antioxidante, variando em função
da concentração, cinética e ação antioxidante. O monitoramento do decaimento da concentração das espécies Ce4+
foi então realizado partindo-se do potencial de circuito aberto do sistema (E1 ≈ 1,29 V) durante 2 segundos, seguido
pela aplicação de um salto de potencial de redução a um potencial final (E2 = 0,8 V) durante 10 segundos e pelo
registro da variação da corrente com o tempo. Cada amostra foi analisada em triplicata e os resultados experimentais
foram expressos em função da [Ce3+] produzida (CRAC value) e do TE. O ensaio DPPH● foi realizada empregando a
metodologia descrita por Brand-Willians et al. com algumas modificações [8].

Resultados e Discussão

Após a caracterização eletroquímica preliminar das amostras nativas por voltametria cíclica, determinou-se a curva
padrão do oxidante (Ce4+) observando a dependência da I com t–1/2 a partir da equação de Cottrell. A equação de
regressão da curva padrão (bexp = (0,19 ± 0,10) mA·s1/2 + (3,46 x 104 ± 1,11 x 102) mA·s1/2 / mol·L−1 x [Ce4+] mol·L−1) foi
então empregada na determinação do CRAC value. Esse parâmetro correlaciona o coeficiente angular de Cottrell (b) ao
CRAC value −3 bAO − 0,19
poder de redução da amostra antioxidante e é dado por: ([ C = 1 × 10 −
e 3+
] / mol ⋅ L−1 ) 3,46 × 10 4 . Por fim, o valor de TE
CRAC Value AO
TE =
foi obtido a partir da equação: CRAC ValueTrolox .
O TE é um valor adimensional bastante usado no ensaio CRAC e em outros ensaios antioxidantes. Porém,
diferentemente do ensaio DPPH●, o ensaio CRAC não quantifica a concentração de amostra necessária para reduzir
50% do oxidante, pois, em muitos casos, seria necessário realizar uma extrapolação das linhas de Cottrell. Portanto,
essa comparação foi feita a partir da avaliação dos coeficientes angulares das curvas (TE vs [Amostra]). Esse coeficiente
fornece a dimensão de quanto uma amostra é superior a outra em termos de ação antioxidante. A Figura 1 apresenta
os resultados decorrentes da determinação da capacidade antioxidante por meio dos ensaios CRAC e DPPH●, para
as amostras estudadas. Inicialmente, pode-se observar apartir dos coeficientes angulares das figuras 1A e 1B (TE
vs [Amostra]) e pelo valor do EC50 nas figuras 1C e 1D que ambos os ensaios apresentaram a mesma hierarquia
antioxidante: rutina > resveratrol > maracujá > cana-de-açúcar.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1654


Figura 1: Curvas experimentais empregadas na determinação da capacidade antioxidante das amostras de resveratrol,
rutina, cana-de-açúcar e maracujá pelos ensaios: (A e B) CRAC - Trolox Equivalent (TE) vs concentração de amostra
([Amostra]) e (B e C) DPPH● - Porcentagem de DPPH● consumido (%DPPH) vs concentração de amostra ([Amostra]).

Deste modo, pode-se concluir a partir da figura 1B que a polpa de maracujá apresenta uma capacidade antioxidante
dez vezes superior a da garapa de cana-de-açúcar. Por outro lado, a Figura 1D apresenta a porcentagem de radical
DPPH consumido por diferentes concentrações das amostras de extratos metanólicos de garapa de cana-de-açúcar e
polpa de maracujá avaliadas a partir do ensaio DPPH●. Segundo esse ensaio, que é monitorado por espectrofotometria
(515 nm) durante 60 minutos, as curvas (% DPPH vs [Amostra]) são empregadas na determinação da quantidade de
amostra necessária para reduzir a concentração inicial do radical DPPH em 50% (EC50). No entanto, os valores de EC50
revelam que a polpa de maracujá apresenta uma capacidade antioxidante apenas três vezes superior à da garapa de
cana-de-açúcar, sendo esta relação bastante inferior à apresentada pelo ensaio CRAC.
A diferença entre a relação da capacidade antioxidante da polpa de maracujá e da garapa de cana-de-açúcar em
ambos os ensaios se deve, provavelmente, à concentração dos compostos antioxidantes presentes nesses extratos
(fenilpropanóides, flavonóides etc.). Porém, a diferença dimensional entre a capacidade antioxidante apresentada pelos
ensaios CRAC e DPPH● pode ser explicada em função do mecanismo de desativação radicalar dominante.

ConclusÕES

Pode-se observar que ambos os ensaios demonstraram que a capacidade antioxidante da polpa de maracujá é
superior à dos extratos de garapa de cana-de-açúcar. Porém, no ensaio DPPH● esse valor é aproximadamente três vezes
maior, enquanto que no ensaio CRAC esse valor é dez vezes maior. A diferença significativa entre a dimensão desses
valores pode ser atribuída às diferentes condições experimentais de cada ensaio, como: tempo de reação, solvente e
pH. Além disso, estes resultados sugerem fortemente que o mecanismos de transferência de elétrons é o principal
responsáveis pela capacidade antioxidante das amostras estudadas.

AgradeCimentos: Os autores agradecem à FAPESP, CAPES e CNPq pelo auxílio financeiro.

Referências

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antioxidant capacity (CRAC) assay”, Electroanalysis.20(12):1323-1329, 2008.
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activity”. LWT-Food Sci. Tech., 28(1): 25-30, 1995.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1655


ME12

ELECTROANALYSIS OF DAPSONE AND DETERMINATION IN


PHARMACEUTICAL FORMULATIONS USING A GLASSY CARBON
ELECTRODE

Silio Lima de Moura1*, Ricardo Barbosa de Sousa1, José Aroldo Viana dos Santos1, Alexandre
Araújo de Souza1, José Ribeiro dos Santos Júnior1 and Marcos Antonio Pereira dos Santos1.

1
Bioelectrochemistry Group - UFPI, Teresina - PI - Brazil. siliosilicio@hotmail.com

ABSTRACT: Dapsone (4,4-diamino-biphenyl-sulfone) is the main drug available for treatment of leprosy, as recommended
by the World Health Organization (WHO), in combination with rifampicin and clofazimine [1]. It can also be used in the
treatment of tropical diseases such as malaria [2]. Dapsone (DDS) was quantified in samples of pharmaceutical products
using cyclic voltammetry. The analytical signal was obtained by oxidation rather than reduction of dapsone on glassy
carbon electrode (d = 3.0 mm). The electroanalytical determination was performed in solution acid 0.1 molL-1 pH 1.0.
The irreversible oxidation of dapsone were observed at 1.50 V vs. Hg/HgCl. The calibration curve was obtained in the
concentration range between 3.0 to 5.5 mmolL-1 (r2 = 0.9987) and detection limit was 23.2 x 10-5 molL-1. For a sample, the
recoveries were between 95.2 and 101.1%, indicating that the matrix composition does not interfere with analytical results.
Keywords: dapsone, leprosy, tropical diseases, cyclic voltammetry.

INTRODUCTION

The Electrochemistry is a branch of Chemical Physics and currently has multiple applications due to the wide
variety of instrumental techniques developed and validated. Among these applications, some stand out for their
versatility, such as processes of selective oxidation and reduction of organic compounds (electroorganic synthesis) [1],
electrochemical reactions that have the light energy as a product (electrochemiluminescence), stimulation of light in
transfers charges on the electrolyte-electrode interfaces (electrochemical photonics) [2] pharmaceutical and chemical
analysis [3].
In particular, this latter application, other instrumental techniques are used more widely than the
electrochemical techniques, are these: chromatographic analysis, spectrophotometric and radiometric. For
historical reasons, the relative neglect in the use of electrochemical techniques due to the lack of trained
operators and a more exaggerated dependence on commercial instrumentation compared to other techniques [3].
However, numerous problems of pharmaceutical chemical analysis could be solved with accuracy and precision using
electrochemical techniques suitably [3].
The square wave voltammetry is an electrochemical pulse techniques has been emphasizing that more quantitative
analysis, because it can provide results as sensitive as those obtained by spectroscopic or chromatographic techniques.
There is also the application of this technique in high-growth analysis of pesticides, however due to the complexity of
the theory involved in the electrode processes, the study of kinetic and mechanistic parameters of the molecules is more
easily performed by cyclic voltammetry [4].
During the development of voltammetric techniques, various materials have been tried in order to obtain electrodes
and covering wide ranges of working potential cathodic and anodic. The streaming mercury electrodes, traditionally
used, have the advantage of high reproducibility and renewable surface, but only cover bands cathodic potential,
besides presenting toxicity. Thus, platinum, nickel, copper, gold, palladium, cobalt and various forms of carbon have
been experienced as working electrodes for the determination of several compounds, including organic.
The carbon-based materials, in particular, have several advantages compared to other solid electrodes, such as low
background current and presenting a working range of potential wider. Moreover, they are lower cost, mechanically
stable and present in various forms such as vitreous carbon, carbon paste, carbon fibers, diamond, pyrolytic graphite,
reticulated vitreous carbon, fullerenes, carbon nanotubes, resistors and other [5].
The carbon-based electrodes used in most analytical laboratories is the glassy carbon (GC) due to its favorable mechanical
and electrical characteristics, experimental setup is easy, easy sanding, has strong compatibility with a wide variety of
solutions and supporting electrolytes, and allows modification of electroactive surface, according to the application by
means of chemical adsorption of a modifier or by electropolymerization [6]. Other advantageous properties of glassy carbon
electrodes are low resistance, enough to be neglected and the amorphous structure, full of pores (see Figure 1) which does
not allow the passage of bulks of solvent, with studies reporting the entry of surface ions electrolyte in the pore surface [7].

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1656


Figure 1: Micrograph of reticulated vitreous carbon.

We can verify the existence of several studies in the literature which employ sensors glassy carbon modified or
unmodified prior to the determination of organic compounds in pharmaceutical samples and environmental importance.
Among these, we mention the quantification of ganciclovir in pharmaceutical samples by the techniques of differential
pulse voltammetry and square wave voltammetry [6] the classical determination of the organophosphate insecticide
parathion by cyclic voltammetry using a glassy carbon electrode surface modified by adsorption of a bismuth film [8],
quantification of metabisulfite in pharmaceutical samples modified by adsorption of cobalt porphyrin tetraruthenated
among others [9].
Dapsone, a drug used in combination with rifampicin and clofazimine in the treatment of leprosy, can be characterized
and quantified by cyclic voltammetry, which is the purpose of this work.
Dapsone, also called dapsonum, diafenilsulfona, sulfonildianilina, 4,4 ‘-diaminodifenilssulfona and referred to
as DADPS or DDS, presents itself as a white crystalline powder or yellowish, no odor, very slightly soluble in water
(0.0099 mgmL-1), with molecular formula C12H12N2O2S and molar mass 248.302 gmoL-1. It is soluble in alcohol,
methanol, acetone and hydrochloric acid [10]. The structural formula of dapsone is shown in Figure 2.

Figure 2: Structural Formula of Dapsone.

EXPERIMENTAL PROCEDURE

Electroanalytical measurements were performed in a potentiostat/galvanostat AUTOLAB PGSTAT30, using a


glass cell with three electrode compartment, as well as entry and exit of gas. A glassy carbon electrode (d = 3.0 mm)
was used as working electrode, a platinum plate was used as counter electrode, while the reference was the saturated
calomel electrode (SCE).
Under experimental conditions, a solution of DDS was added and the electrochemical cell bubbling nitrogen for
10 minutes to remove dissolved oxygen under conditions of agitation. The glassy carbon electrode was treated in two
ways in order to obtain reproducible results: (1) mechanical polishing on velvet cloth with a suspension of alumina,
and (2) electrochemical treatment by applying a potential of 1.5 V for 4 s in the same solution in which measurements
were taken. The electrode cleaning procedures were performed for each experiment and this pre-treatment requires
only 5 min. The analyte solution was prepared at a ratio of 1:9 with the amount of analyte and appropriate solution and
total volume was kept constant (10 mL).
Measurements were performed using cyclic voltammetry to study the reaction mechanism. The cyclic voltammetry
was employed for the analytical study at pH 1.0. Exactly 9 mL of 10% sulfuric acid in 50% aqueous ethanol and 1 mL
of ethanol solution of DDS were performed in 15 mL of normal cell studies. The total volume of analyte was always
kept at 10 mL. Background values were
​​ recorded and subtracted.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1657


RESULTS AND DISCUSSION

Cyclic voltammograms of DDS under conditions of pH 1.0 showed a well-defined anodic peak potential of 1.5 V,
over the concentration range from 3.0 to 5.5 mmol.L-1 at a scan rate of 50 mVs-1 (Figure 3).
2.5x10-5

2.0x10-5

1.5x10-5
Current, Acm-2

1.0x10-5

5.0x10-6

0.0

-5.0x10-6

-1.0x10-5
0.0 0.5 1.0 1.5 2.0
Applied potential, V vs. SCE

Figure 3: Cyclic voltammogram of 3.0 x 10-3 molL-1 DDS at pH 1.0 to 50 mVs-1.

The study by cyclic voltammetry with the scan increased from 25 to 150 mVs-1, a fixed concentration of DDS is
observed that: (i) changes in the anodic peak potentials, (ii) increases the current intensity is constant, (iii) the peak
current Ip as a function of v1/2 features almost constant. This reveals that the oxidation is diffusion controlled. If the
polishing of glassy carbon electrode was not done between two changes in scan rate, then a decrease in peak current is
observed. This indicates the possibility of adsorption (Figure 4).
The stability test consists of applying a potential range for several successive cycles (Figure 4). After the first cycle,
the peak current decreases drastically and approaches the current background, indicating the adsorption behavior of
the analyte.
-5
8.0x10

-5
6.0x10

-5
4.0x10
-2
Current, Acm

-5
2.0x10

0.0

-5
-2.0x10

0.0 0.5 1.0 1.5 2.0

Applied potencial, V vs. SCE

Figure 4: Cyclic voltammogram of 5.0 x 10-3 molL-1 DDS containing 20 successive cycles at pH 1.0, with scan rate
50 mVs-1.

The anodic peak currents were recorded for different concentrations of DDS. The treatment of the data set by linear
regression resulted in the calibration curve, which can be seen in Figure 5.

5.5x10-5
Anodic peak current, Acm-2

5.0x10-5

4.5x10-5

4.0x10-5

3.5x10-5

3.0x10-3 3.5x10-3 4.0x10-3 4.5x10-3 5.0x10-3 5.5x10-3


Concentration, molL-1

Figure 5: Linear relationship between Ipa vs c for the glassy carbon electrode in the detection of DDS.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1658


Table 1 shows the calibration equations, correlation coefficients (R) and the values ​​of the limit of detection (LOD)
[11]
found for the glassy carbon electrode under the conditions studied.

Table 1: Equations of calibration, the correlation coefficient (R) and limit of detection (LOD) for the testing for DDS.

Electrode Calibration equation R LD (molL-1)


Glassy Carbon Ipa (μAcm-2) = 10,88 + 7,95 x 103 C 0,998 2,32 x 10-4

With a tablet containing 100 mg of dapsone, dilutions made with


​​ the intention to be within the concentration studied
(3.0 to 5.5 mmolL-1).
Based on the results, the determination of dapsone in pharmaceutical formulations occurred with good accuracy.
For the sample, the recoveries were between 95.2 and 101.1%, indicating that the matrix composition does not interfere
with analytical results. This study may lead to optimization of devices for analytical applications.

CONCLUSIONS

The study of electrochemical activity of DDS in acidic (pH = 1.0) showed that its oxidation around 1.5 V is
controlled by diffusion. Because it is a highly irreversible, although we can confirm the character of adsorption on the
surface of the electrode, a fact that requires making a pre-treatment on the electrode in order to eliminate all active
species on the surface of each analysis .
Therefore, with the regression coefficient obtained, the determination of DDS in pharmaceutical formulations was
quantitative precision and accuracy.

ACKNOWLEDGEMENTS: By CNPq, FINEP, FAPEPI and UFPI.

REFERENCES

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Thomson, 2005. cap. 23, p. 676.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1659


ME13

DETERMINAÇÃO DE PROCAÍNA EM FORMULAÇÕES


FARMACÊUTICAS UTILIZANDO UM ELETRODO DE PASTA DE
CARBONO MODIFICADO COM HEXACIANOFERRATO DE NÍQUEL

Isabela F. Paiola, André L. Santos, Regina M. Takeuchi*

Faculdade de Ciências Integradas do Pontal - FACIP-UFU, Ituiutaba - MG – Brasil


takeuchi@pontal.ufu.br

RESUMO: Neste trabalho, um eletrodo de pasta de carbono modificado com hexacianoferrato de níquel foi
empregado para quantificar procaína em formulações farmacêuticas por voltametria de pulso diferencial. Após
a otimização de parâmetros, obteve-se um intervalo linear de 2,5 a 100 µmol L-1, com limite de detecção de
0,3 µmol L-1. Uma formulação farmacêutica contendo 50 mg mL-1 de procaína, foi analisada pelo método
proposto, sendo a quantificação realizada por adição de padrão. O teor de procaína encontrado foi de
(51 + 7) mg mL-1, N=3, com desvio padrão relativo (RSD) de 5,9%. Estes resultados mostram que, com 95% de grau de
confiança, não existem diferenças estatísticas entre o teor de procaína encontrado e o nominal, pois este está contido
no intervalo de confiança obtido. Estes resultados mostram que a precisão e exatidão do método são satisfatórias,
permitindo que este seja empregado com êxito para quantificar procaína em formulações farmacêuticas.
Palavras-chave: Eletrodos de pasta de carbono, Hexacianoferrato de Níquel, Procaína, Eletrodos quimicamente
modificados.

Introdução

A procaína (2-dietilaminoetil p-aminobenzoato) (Figura 1) é um dos mais antigos anestésicos locais produzidos
pelo homem, tendo sido sintetizada pela primeira vez em 1905 [1]. Atualmente, este fármaco ainda é muito utilizado
principalmente devido à sua rápida ação e menor toxicidade comparado a outros anestésicos.
HN
2

O
N CH
3

O
H C
3

Figura 1 - Estrutura química da procaína.

O desenvolvimento de métodos analíticos para a quantificação de fármacos é extremamente importante e desejável,


pois contribui diretamente para o controle de qualidade mais eficiente dos medicamentos consumidos pela população.
Existe grande interesse no desenvolvimento de métodos eletroanalíticos para a determinação de fármacos, pois as
técnicas eletroquímicas apresentam uma série de características que as tornam vantajosas, tais como: elevada
sensibilidade, baixo tempo de resposta, além de extrema simplicidade e baixo custo. Dentre as estratégias empregadas
para a determinação eletroanalítica de procaína, pode-se citar o uso de eletrodos modificados com nanotubos de
carbono [1], a detecção amperométrica em FIA empregando eletrodos impressos [2] e o uso de eletrodos de pasta de
carbono (EPC) quimicamente modificados [3].
Uma estratégia promissora para o desenvolvimento de métodos eletroanalíticos para a quantificação de fármacos
é a utilização de eletrodos quimicamente modificados com hexacianoferratos de metais de transição. Estes compostos
apresentam uma série de propriedades atrativas, tais como: facilidade de síntese, insolubilidade tanto da forma reduzida
quanto oxidada, elevada estabilidade química e atividade eletrocatalítica para a eletro-oxidação de vários compostos
orgânicos. Estas características têm justificado a ampla utilização dos hexacianoferratos na construção de eletrodos
para os mais diversos fins, incluindo a eletroanálise de fármacos.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho é avaliar o desempenho de um EPC quimicamente modificado com
hexacianoferrato de níquel (EPC-NiHCF) para a quantificação de procaína em formulações farmacêuticas.

Procedimento Experimental

As soluções de procaína foram obtidas pela dissolução de procaína (Aldrich) diretamente na solução de eletrólito
de suporte. Todas as soluções utilizadas neste trabalho foram preparadas com água ultrapura (ASTM Tipo I, com
resistividade de 18 MΩ cm), obtida via um ultrapurificador da marca Megapurity®. Todos os reagentes empregados
foram de grau analítico e utilizados sem qualquer procedimento de purificação.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1660


Os EPC foram preparados com parafina sólida (Synth) como aglutinante, cuja porcentagem em massa foi mantida
sempre em 40%. Para a obtenção dos EPC-NiHCF, realizou-se a modificação do pó de carbono (Aldrich) com NiHCF,
seguindo um procedimento semelhante ao adotado por Ricci et al. [4]. Para isso, 1 g de pó de carbono foi suspenso em
10 mL de uma solução 0,1 mol L-1 de K4Fe(CN)6 preparada em HCl 0,01 mol L-1. À esta mistura, foram adicionados,
sob agitação constante, 10 mL de uma solução 0,1 mol L-1 de NiCl2 em HCl 0,01 mol L-1. A mistura foi mantida sob
agitação por 20 min a temperatura ambiente. Posteriormente, a suspensão foi filtrada a vácuo, sendo o sólido obtido
lavado com três porções de 10 mL de água ultrapura. Após a filtração, o sólido resultante foi mantido em dessecador
por 24 h.

Resultados e Discussão

Inicialmente, o comportamento ciclo-voltamétrico da procaína sobre um EPC não modificado foi comparado ao
comportamento observado sobre EPC contendo diferentes porcentagens em massa do pó de carbono modificado com
o NiHCF. Os voltamogramas cíclicos obtidos nestes estudos são apresentados na Figura 2.

Figura 2 - Voltamogramas cíclicos registrados em KCl 1,0 mol L-1 contendo 1,0 mmol L-1 de procaína,
ν = 100 mV s-1. (---) Não modificado. (A) 1%, (B) 5%, (C) 10% de pó de carbono modificado com NiHCF.

A Figura 2 mostra que os EPC-NiHCF apresentam um par de picos voltamétricos com potencial médio de +0,8
V, os quais aumentam com o aumento da porcentagem de NiHCF no eletrodo. Estes picos podem ser atribuídos ao
par Ferricianeto/Ferrocianeto, pois o Ni2+ não pode ser reduzido ou oxidado neste intervalo de potencial [5]. A Figura
2 mostra ainda que a procaína é oxidada sobre todos os eletrodos empregados, originando um pico voltamétrico em
+1,25 V, o qual é atribuído à oxidação do grupo amina [1-3]. Os voltamogramas cíclicos mostram que os eletrodos
com 1 e 5% de pó de carbono modificado com NiHCF fornecem maiores correntes de oxidação da procaína do que o
EPC não modificado. O maior ganho de sinal foi obtido com o eletrodo de 5%, sendo esta composição utilizada nos
experimentos subsequentes. O ganho de sinal com este eletrodo em relação a um EPC não modificado pode ser mais
bem visualizado por meio da Figura 3.

40

30
I / mΑ

20

10

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4
E / V vs. Ag/AgClsat
Figura 3 - Voltamogramas de pulso diferencial registrados em KCl 0,1 mol L-1 contendo 1,0 mmol L-1 de procaína. (---)
EPC. (__) EPC-NIHCF(5%). Condições voltamétricas: ΔE = 50 mV, tpulso = 25 ms, ν = 10 mV s-1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1661


Avaliando as correntes de pico (ip) dos voltamogramas de pulso diferencial apresentados na Figura 3, constata-se
que houve um aumento de 27% quando o EPC-NiHCF(5%) é usado (ip = 47 µA) em relação ao valor de ip obtido
com o EPC não modificado (ip = 37 µA). Este ganho é significativo e demonstra que o EPC-NiHCF(5%) fornecerá
maior sensibilidade para a procaína do que um EPC não modificado. Este ganho de sinal não ocorre segundo o
mecanismo de mediação eletroquímica normalmente observado quando hexacianoferratos são empregados como
modificadores químicos para a determinação de compostos orgânicos [5]. No mecanismo mediado, o ferricianeto
gerado eletroquimicamente oxida quimicamente o composto orgânico regenerando a forma reduzida (ferrocianeto)
que pode, então, ser reoxidada eletroquimicamente. O efeito deste mecanismo é a intensificação das correntes anódicas
do par Ferricianeto/Ferrocianeto e o quase completo desaparecimento das correntes catódicas, quando voltamogramas
cíclicos são registrados em presença do analito. Conforme mostra a Figura 2, a razão ipc/ipa do par de picos relativo ao
sistema Ferricianeto/Ferrocianeto é próxima a 1 na presença de procaína, sendo que a presença do fármaco não tem
qualquer efeito sobre as intensidades destes picos. Uma possibilidade para o ganho de sensibilidade obtido com o EPC-
NiHCF(5%) seria um mecanismo com a participação do íon Ni3+, o que também promoveria intensificação do sinal via
oxidação química do fármaco, no entanto, estudos adicionais são necessários para avaliar esta hipótese.
Uma vez constatado que o desempenho analítico do EPC-NiHCF(5%) é superior ao de um EPC não modificado,
iniciaram-se os estudos de desenvolvimento de um método analítico para a procaína baseado na técnica de voltametria
de pulso diferencial. Foram realizados estudos de otimização do eletrólito de suporte e das condições voltamétricas,
sendo observado que o melhor eletrólito de suporte foi uma solução 0,1 mol L-1 de KCl. As melhores condições
voltamétricas encontradas foram: ΔE = 100 mV, tpulso = 5 ms e ν = 10 mV s-1, sendo estas otimizações realizadas em KCl
0,1 mol L-1 contendo 10 µmol L-1 de procaína. Foi observada uma queda gradativa dos valores de ip para voltamogramas
registrados sucessivamente em presença de 50 µmol L-1 de procaína. Este é um comportamento tipicamente observado
para a procaína e tem sido atribuído à adsorção de produtos da oxidação do fármaco na superfície do eletrodo. A
literatura tem mostrado que o uso de condições hidrodinâmicas é suficiente para remover estas espécies que estão
fracamente adsorvidas [2]. Baseado, nesta informação, um pré-tratamento foi introduzido para a regeneração do sinal
relativo à procaína. O procedimento de pré-tratamento adotado consistiu em aplicar -1,0 V durante 10 s sob agitação
constante. O objetivo deste procedimento foi gerar, repentinamente, grande quantidade de H2(g) o qual ao se desprender
da superfície do eletrodo pudesse remover os produtos adsorvidos. Este procedimento mostrou-se eficiente para evitar
a perda de sinal durante medidas sucessivas, sendo incorporado ao método analítico após cada medida.
Uma curva analítica foi construída para a procaína empregando-se as condições previamente otimizadas, sendo
obtido um intervalo linear de 2,5 a 100 µmol L-1, com limite de detecção de 0,3 µmol L-1. O método foi empregado
para quantificar procaína em uma formulação farmacêutica, cuja concentração nominal de procaína era de 50 mg mL-
1
. A determinação foi realizada em triplicata e pelo método de adição de padrão. O teor de procaína encontrado foi
de (51 + 7) mg L-1, sendo o intervalo de confiança determinado com N = 3 e com grau de confiança de 95%. Assim,
verifica-se que, considerando um grau de confiança de 95%, não existem diferenças estatísticas entre o teor de procaína
encontrado e nominal. A precisão do método foi muito satisfatória, uma vez que este forneceu um RSD de 5,9%.

ConclusÕES

Este trabalho demonstrou que os EPC-NiHCF(5%) fornecem maior sensibilidade para procaína do que um EPC
não modificado. O procedimento adotado para o preparo destes eletrodos foi bastante simples, rápido e de baixo custo.
O método foi empregado para a determinação de procaína em uma formulação farmacêutica, sendo que análises
estatísticas mostraram que não existem diferenças entre o teor nominal de procaína no medicamento e o teor fornecido
pelo método proposto. Este resultado mostra que não são encontradas evidências da presença de erros sistemáticos no
método proposto e que, portanto, este pode ser empregado com êxito para a quantificação de procaína em formulações
farmacêuticas.

AgradeCimentos: FAPEMIG (proc.: 00291/09), PIBIc/UFU/CNPq, propp-ufu, facip-ufu. Ao Prof.


Dr. Nelson R. Stradiotto (IQ-UNESP-Araraquara).

Referências
[1] Zhang X., Zhao D., Feng L., Jia L. and Wang S., “Electrochemical sensor for procaine based on a glassy carbon
modified with poly-amidosulfonic acid and multi-walled carbon natotubes”, Microchim. Acta. 169:153-159, 2010.
[2] Bergamini M.F., Santos A.L., Stradiotto N.R. and Zanoni M.V.B., “Flow injection determination of procaine in
pharmaceutical formulation using a screen-printed carbon electrode”, J. Pharm. Biomed. Anal. 43:315-319, 2007.
[3] Wang C.Y., Hu X.Y., Jin G.D. and Leng Z.Z., “Differential pulse adsorption voltammetry for determination of
procaine hydrochloride at a pumice modified carbon paste electrode in pharmaceutical preparations and urine”, J.
Pharm. Biomed. Anal. 30:131-139, 2002.
[4] Ricci F., Gonçalves C., Amine A., Gorton L., Palleschi G. and Moscone D., “Electroanalytical study of prussian
blue modified glassy carbon paste electrodes”, Electroanalysis 15(14):1204-1211, 2003.
[5] Prabakar S.J.R. and Narayanan S.S., “Amperometric determination of hydrazine using a surface modified nickel
hexacyanoferrate graphite electrode fabricated following a new approach”, J. Electroanal. Chem. 617:111-120, 2008.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1662


ME14

ESTUDO SIMULTÂNEO DE ÍONS METÁLICOS POR TÉCNICAS


ELETROANALÍTICA E QUIMIOMÉTRICAS

P. D. Marreto1, A. M. Zimer1, M. A. S. Faria1, E. C. Pereira1, L. H. Mascaro1, R. C. Faria2,


S. G. Lemos3, W. D. Fragoso3

LIEC, Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica; 2LABIE, Laboratório de


1

Ambiental, Bioanalítica e Eletroanalítica; Departamento de Química da Universidade Federal


de São Carlos – UFSCar, São Carlos, SP, Brasil; 3Departamento de Química da Universidade
Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa, PB, Brasil. ernesto@ufscar.br

RESUMO: O presente trabalho apresenta a determinação simultânea de íons metálicos (Cu2+, Cd2+, Pb2+, Zn2+ e
Co2+) utilizando um microeletrodo de fibra de carbono modificado com filme de mercúrio. Para os estudos iniciais,
foi realizado um planejamento em arranjo ortogonal O.A.16.5.4.2 e, as concentrações dos íons metálicos variaram
de 10 a 100 ng mL-1. A técnica utilizada foi a voltametria de pulso diferencial com redissolução anódica. Avaliou-se
o emprego do algoritmo das projeções sucessivas (APS) na seleção de variáveis em conjunto com a regressão linear
múltipla (MLR) e como método comparativo utilizou o método dos mínimos quadrados parciais (PLS).
Palavras-chave: Voltametria de pulso diferencial com redissolução anódica, quimiometria, íons metálicos, PLS, APS.

Introdução

O impacto ambiental causado por íons metálicos, Cu2+, Co2+,Cd2+, Pb2+ e Zn2+, é extensivamente estudado e relatado
na literatura[1-2]. Além disso, alguns destes íons metálicos causam sérios danos à saúde e ao meio ambiente. Frente a
estes problemas descritos, os órgãos de controle ambiental sugerem técnicas espectrométricas e espectroscópicas para
análises dos mesmos. Ressalta-se que as técnicas sugeridas pelos órgãos de controle ambiental carregam consigo um
alto custo para as análises, e dessa forma, uma alternativa de baixo custo e portabilidade seria a utilização de técnicas
eletroanalíticas. Na literatura [3-4], alguns autores relatam que técnicas como espectrometria de massa por plasma
acoplado indutivamente (ICP-MS), espectrometria de emissão óptica por plasma acoplado indutivamente (ICP-OES)
e espectrometria de absorção atômica (AAS) têm sido utilizadas para determinação de íons metálicos com baixas
concentrações em vários meios e que os efeitos de matriz são os principais problemas no uso de tais técnicas.
Para uma técnica analítica ser útil em análises de meio ambiente é necessário que ela tenha sensibilidade, acurácia,
precisão, baixo limite de detecção, facilidade de automação, facilidade na preparação da amostra, aplicabilidade em
um grande número de amostras e capacidade de determinar mais de uma espécie química. As técnicas baseadas na
voltametria são detentoras destes requisitos especialmente a voltametria de redissolução anódica (ASV). Sendo assim,
a voltametria de pulso diferencial com redissolução anódica (DPASV) surge como uma alternativa para determinação
simultânea de íons metálicos.
A DPASV permite a determinação de íons metálicos a níveis traços e a um custo muito menor que as técnicas
espectroanalíticas. Porém, quando se propõe o estudo de cinco íons metálicos simultaneamente por DPASV observa-se
que há formação de compostos intermetálicos e que surgem processos que se encontram sobrepostos no voltamograma,
dificultando as análises, e por vezes, tornando impossível a determinação destes íons metálicos em solução. Contudo,
a conjunção da DPASV com técnicas multivariadas de calibração pode trazer benefícios com relação à minimização
de efeitos de matriz e da formação de compostos intermetálicos na determinação destes íons metálicos. Dessa forma
o objetivo do trabalho é o estudo simultâneo de íons metálicos utilizando a voltametria de pulso diferencial com
redissolução anódica e técnicas quimiométricas.

Procedimento Experimental

Para o estudo simultâneo foram utilizados os íons metálicos Cu2+, Cd2+, Pb2+, Zn2+ e Co2+ e, como eletrodo de
trabalho foi utilizado um microeletrodo contruído de fibra de carbono (50 µm) modificado pela deposição de um filme
de mercúrio. Sobre o microeletrodo foi depositado um filme de mercúrio em -1,2V (vs. Ag/AgCl) por 300s a partir de
uma solução de HgNO3 10 mmol.L-1 com 1,0 mol.L-1 de KNO3 a pH 1,0. Como eletrodo de referência foi utilizado o
eletrodo Ag/AgCl e um fio de platina como contra-eletrodo. A determinação eletroquímica foi realizada por meio da
técnica de voltametria de pulso diferencial com redissolução anódica com amplitude de pulso de 25 mV e velocidade
de varredura de 10 mV.s-1, com pré-concentração em -1,2V por 60s e varredura de -1,2V até 0,2V em tampão acetato
pH 4, a 25 ± 1°C. Todas a soluções foram preparadas utilizando água destilada pelo Sistema de Osmose Reversa
marca Quimis (Q-342) e foram utilizadas soluções padrões de 1000 mg L-1 de Cu, Co, Pb, Cd e Zn (SpecSol). As
medidas eletroquímicas foram feitas em um Autolab potenciostato/galvanostato modelo PGSTAT 30 (Eco Chemie) e
um software da GPES 4.9.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1663


Os cinco íons metálicos, acima citados, foram escolhidos para serem analisados devido à forte interferência mutua,
e a faixa de concentração estudada foi de 10 a 100 ng mL-1. Os voltamogramas obtidos foram centrados na média. O
conjunto de dados possuía 26 amostras, sendo 16 amostras obtidas a partir de uma matriz ortogonal O.A.16.5.4.2[5]
e 10 amostras preparadas com valores de concentração aleatórios no mesmo intervalo de concentração. As mesmas
foram divididas em calibração, validação e conjunto de teste sendo selecionadas pelo algoritmo denominado conjunto
de amostras de particionamento com base no conjunto X e nas distâncias y (SPXY)[6] em ambiente Matlab® 7.8.0.347.
A seleção de variáveis foi realizada pelo algoritmo das projeções sucessivas (APS)[7] e a calibração pela regressão
linear múltipla (MLR), ambas também obtidas em ambiente Matlab® 7.8.0.347. A calibração PLS foi realizada no
Pirouette® 4.0. O coeficiente de correlação e o erro quadrático médio de previsão (RMSEP) foram usados para comparar
os modelos obtidos.

Resultados e Discussão

A primeira etapa dos estudos envolveu a determinação individual de cada um dos cinco íons metálicos investigado
no intervalo 10-100 ng mL-1. Após esta etapa, os estudos foram realizados na mesma faixa de concentração para a
determinação simultânea dos cinco íons metálicos. Na Fig. 1 é apresentado os voltamogramas obtidos como exemplo
da complexidade da determinação simultânea. Pode-se observar que uma simples análise univariada, não pode ser
executada, uma vez que os processos eletroquímicos importantes, tais como mudanças de potencial de pico, pico de
sobreposição e aparecimento de novos picos característicos da formação de compostos intermetálicos ocorrem . Observa-
se na inserção da Figura 1, a faixa entre-0.2V e 0.2V mostra o alargamento do pico de cobre ou de seu deslocamento
para potenciais mais negativos ou mais positivos, dependendo da concentração de outros íons, principalmente Co2 + e
compostos intermetálicos entre Cu2 + e Zn2 + redissolvem no mesmo intervalo. Em -0.8V há o aparecimento de um novo
pico de corrente, que pode ser atribuído à formação de um composto intermetálico entre Co2 + e Zn2 +.

Figura 1: Voltametria de pulso diferencial com redissolução anódica para determinação simultânea de íons metálicos
(Cu2+, Cd2+, Pb2+, Zn2+ e Co2+) em meio de tampão acetato pH 4,0; v = 10 mVs-1; A = 25 mV; ΔE = -1,2 a + 0,2V; Edep
-1,2V; tdep = 60 s; 10 µL de Hg.

Diante da complexidade do sistema optou-se por estudar os cinco íons através das análises quimiométricas.
Utilizando um conjunto de dados com 26 amostras, o mesmo foi selecionado pelo algoritmo SPXY e obteve-se 15
amostras para a calibração, 5 amostras para validação e 6 amostras de previsão. Os resultados estão resumidos na
Tabela 1. Como pode ser observado, o SPA-MLR apresenta um desempenho semelhante ao PLS na previsão das
concentrações de Cd2+, Pb2+ e Zn2 +. No entanto, seu desempenho é consideravelmente melhor sobre as previsões para
Cu2+ e Co2+. Os valores de r e RMSEP apresentaram bons resultados, considerando a complexidade do sistema.

Tabela 1: Valores de RMSEP e correlação (r) para os modelos PLS e SPA-MLR.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1664


PLS SPA-MLR
Metal
RMSEP r RMSEP r
Cu2+ 22,6 0,880 7,88 0,943
Cd 2+
7,20 0,983 9,52 0,935
Co 2+
29,6 0,306 24,0 0,912
Pb2+ 11,4 0,950 14,1 0,982
Zn 2+
33,3 -0,00230 40,1 -0,290

ConclusÕES

Com resultados eletroanalíticos obtidos pode-se concluir que os cinco íons metálicos selecionados para o estudo
apresentam fortes interações entre si e possíveis formações de intermetálicos. Para os resultados quimiométricos pode-
se concluir que é possível validar externamente quatro íons através do algoritmo SPA-MLR. O mesmo apresentou
resultados mais robustos frente aos obtidos pelo PLS.

AgradeCimentos: FAPESP, CAPES e CNPq.

Referências

[1] AFKHAMI A, ABBASI-TARIGHAT M, KHANMOHAMMADI H., “Simultaneous determination of Co2+, Ni2+,


Cu2+ and Zn2+ ions in foodstuffs and vegetables with a new Schiff base using artificial neural networks”, Talanta
(77):995-1001, 2009.
[2] MCGAW E.A, SWAIN G.M., “A comparison of boron-doped diamond thin-film and Hg-coated glassy carbon
electrodes for anodic stripping voltammetric determination of heavy metal ions in aqueous media”, Analytica
Chimica Acta (575):180-189, 2006.
[3] MENEGÁRIO A.A, GINÉ M.F., Determinações multi-elementares de metais, sulfato e cloreto em amostras de
águas por espectrometria de massas com fonte de plasma (ICP-MS). Química Nova,21(4):414-417,1998.
[4] BAKKALI K, MARTOS NR, SOUHAILl B, BALLESTEROS E. Characterization of trace metals in
vegetables by graphite furnace atomic absorption spectrometry after closed vessel microwave digestion. Food
Chemistry,116(2):590-594, 2009.Miller B., “Electrocatalytic activity of platinum alloys for methanol oxidation”,
Proc. 6th Australian Electrochem. Conf., Geelong, Australia, pp. 91-95, 1984
[5] HEDAYAT, A.S., SLOANE, N.J.A, STUFKEN, J. Orthogonal arrays, theory and applications. New York:
Springer-Verlag, 1999, 416p.
[6] GALVÃO R.K., ARAÚJO M.C.U., JOSÉ G.E., PONTES, M. J. C., SILVA, E. C., SALDANHA, T. C. B., A method
for calibration and validation subset partitioning. Talanta.(67):736-740, 2005.
[7] ARAÚJO, M. C. U., SALDANHA, T. C. B., GALVÃO, R. K. H., YONEYAMA, T., CHAME, H. C., VISANI, V.
Chem. Intell. Lab. Systems, 57(2), 65, 2001.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1665


ME15

OXIDAÇÃO ELETROQUÍMICA DE NITRITO EM COMPÓSITO


DE LIGNINA E NANOTUBOS DE CARBONO IMOBILIZADO EM
ELETRODO DE CARBONO VÍTREO

Robson P. da Silva, Rafael B. Martos, Luis C. Cides da Silva, Fernando C. M. de Oliveira,


J. Vinicius Martins, A. William O. Lima, Sílvia H. P. Serrano

Instituto de Química – USP, São Paulo - SP – Brasil robsonps@iq.usp.br

RESUMO: Lignina kraft (LK) extraída de licor negro por precipitação com ácido sulfúrico foi homogeneamente
solubilizada em acetonitrila/ácido sulfúrico e após adição de nanotubos de carbono de paredes múltiplas um
compósito foi obtido em meio orgânico (NTCLK). Esta suspensão foi imobilizada sobre a superfície de carbono vítreo
previamente ativada eletroquimicamente. A eletro-oxidação da lignina originou grupos hidroquinona/quinona com
características redox. Este eletrodo mostrou considerável capacidade para a oxidação de ânions nitrito. Voltametria
de Pulso Diferencial foi utilizada para determinação de nitrito no intervalo de 4,0 x 10-6 - 8,0 x 10-3 mol L-1, com uma
sensibilidade de 0,18 A mol-1L cm-2 e limite de detecção de 2,5 x 10-6 mol L-1. O eletrodo modificado mostrou resistência
a efeitos de envenenamento e boa sensibilidade e seletividade a nitrito, retendo cerca de 87% de sua atividade após
armazenamento em tampão fosfato (pH 7,4) a 23 ºC por oito dias.
Palavras-chave: Eletrodo de carbono vítreo, Lignina, Nanotubos de carbono, Nitrito.

Introdução

Nitrito (NO2-) é um importante precursor na formação de N-nitrosaminas que podem possuir elevada carcinogenicidade
à saúde humana [1]. É ubíquo, podendo ser encontrado no ambiente, bebidas, em produtos alimentícios como
conservante (embutidos e queijos) e componente natural em vegetais. A maioria dos métodos analíticos usados para
a detecção e quantificação de NO2- inclui técnicas espectroscópica (Griess reaction), cromatográfica, eletroquímica
(EQ) e eletroforese capilar [2]. Os métodos EQ são os preferidos visto que são rápidos, baratos e simples. Entretanto,
muitos métodos EQ, baseados na redução do NO2- possuem baixa sensibilidade, estão sujeitos a interferências e poucos
trabalhos enfocando a oxidação EQ de NO2- foram publicados [3]. Esta abordagem EQ oferece uma vantagem: nenhuma
interferência do íon NO3- e do O2 molecular, que são substâncias limitantes na determinação catódica de NO2-, mas ao
contrário, envolve um potencial relativamente elevado e transferência de elétrons lenta. Os eletrodos modificados têm
sido desenvolvidos para minimizar esses problemas e, até aumentar o intervalo de detecção nas determinações analíticas.
Um dos artifícios que pode ser utilizado é o uso de nanotubos de carbono (NTC) que promovem a redução de potenciais
elevados de oxidação e facilitam, efetivamente, a transferência de elétrons [4]. A lignina (LK), principal constituinte
não-carboidrato da madeira, é um complexo polifenólico formado pela polimerização, mediada por desidrogenases,
de três monômeros fenilpropanóides, os álcoois coumarílico, coniferílico e sinapílico [5]. Durante o processo de
polpação há a introdução de várias funcionalidades químicas permitindo a formação de LK solúveis. Baseado no fato
de que a LK, quando imobilizada sobre a superfície de carbono vítreo e é oxidada, produz eletroquimicamente grupos
quinoides [Q], oriundos de seus grupos metoxi-fenil que são reversíveis na redução [hidroquinonas-HQ] formando
um filme polimérico com características redox. As propriedades dos NTC associadas às da LK podem originar um
compósito (NTCLK) imobilizado na superfície de um ECV que apresenta área superficial maximizada e atividades
eletrocatalíticas, que pode ser empregado na construção de um eletrodo quimicamente modificado para a quantificação
de traços de NO2- utilizando Voltametria de Pulso Diferencial (VPD).

Procedimento Experimental

A suspensão de NTC foi preparada seguindo procedimento de Milczarek [6], com modificações. Lignina kraft
(1,0 g L-1), extraída de licor negro por precipitação com ácido sulfúrico, foi homogeneamente solubilizada usando
acetonitrila: ácido sulfúrico 0,5 mol L-1 (1:1, v/v) como solvente. Em 5,0 mL desta solução, adicionaram-se 2,5 mg de
NTC de parede múltipla, agitou-se e submeteu-se a mistura a um banho ultrassônico durante 30 min. Após centrifugação
(6.000 rpm) foi separado do compósito NTCLK da solução de LK. Este processo foi repetido por cinco vezes até
eliminação total da LK fracamente ligada. Secou-se este material em estufa a 60 ºC. O pó obtido foi redisperso em
dimetilsulfóxido e permaneceu estável. Desta suspensão, tomaram-se 10 mL que foram colocados sobre a superfície
de um ECV, posteriormente seco em estufa a 60 ºC. O ECV foi previamente polido em alumina (1,0 e 0,3 µm) sobre
feltros metalográficos, lavado com água, sonicado por 5 min em etanol: água (1:1, v/v) e ativado eletroquimicamente em
tampão fosfato 0,1 mol L-1 pH 7,4 (TF) por voltametria cíclica (VC) entre -0,2 e 1,7 V a n = 100 mV s-1 até obtenção de
sinais voltamétricos estáveis. Este eletrodo foi lavado com água e, para a obtenção de um compósito oxidado, ciclado
entre -0,2 e 0,8 V em TF, pH 7,4 a n = 20 mV s-1 até estabilização da linha base. Volumes da suspensão maiores que

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1666


10 mL foram, parcialmente, lixiviados. As medidas EQ foram realizados em um potenciostato AUTOLAB PGStat
20 da EcoChemie acoplado à interface IME663. A célula EQ consistiu de um sistema de três eletrodos onde o ECV
modificado (A = 0,045 cm2) foi usado como eletrodo de trabalho (ET), uma haste de platina como contra-eletrodo e
Ag/AgCl, KCl(sat.) como eletrodo de referência. Todos os experimentos foram conduzidos à temperatura de 23 ± 2 ºC,
sem deaeração. Testes de permseletividade foram efetuados em solução de KCl 0,1 mol L-1 contendo 5 x 10-3 mol L-1
de K3Fe(CN)6 ou Ru(NH3)6Cl3 usando voltametria cíclica (VC). As medidas EQ para NO2- foram realizadas por VC,
voltametria de varredura linear (VVL) e VPD em TF usando eletrodos limpo (ECV) e modificado (ECV-NTCLK). O
ajuste de pH da solução tampão fosfato 0,1 mol L-1 foi feita pela adição de ácido fosfórico 0,1 mol L-1 ou de hidróxido
de sódio 2,0 mol L-1. Todas as soluções foram preparadas usando reagentes de grau analítico em TF preparado com
água triplamente deionizada.

Resultados e discussão

1. Propriedades eletroquímicas do eletrodo de carbono vítreo modificado com nanotubos de carbono e lignina

A fig. 1A mostra as curvas voltamétricas contínuas de um ECV-NTCLK. No primeiro ciclo há uma oxidação em 480
mV da LK adsorvida em virtude da demetilação dos metoxifenil livres contida no biopolímero produzindo o-quinona
[Q.] [7,8]. Nos ciclos subsequentes, estabeleceu-se um processo quasi-reversível entre [Q]/[HQ] com as correntes de
pico diminuindo, sucessivamente, até a estabilização dos voltammogramas. O par de picos [Q]/[HQ] possui um DE/2
= 68 mV. Na fig. 1B, uma série de VC do ECV-NTCLK foram obtidos variando-se a velocidade de varredura (n). Os
picos de corrente foram diretamente proporcionais à n e pode-se supor que a velocidade de transferência de elétrons
é rápida entre a superfície do eletrodo e os centros redox do compósito. Estes resultados são similares aos obtidos por
Milczarek [6].

Figura 1. (A) Voltamogramas cíclicos (VC) contínuos de um ECV-NTLK. n = 20 mV s-1; (B) VC contínuos de um ECV-
NTLK oxidado. n = 10, 20, 30, 40, 50, 75, 100 e 150 mV s-1. Eletrólito em (A) e (B): TF 0,1 mol L-1, pH 7,4.

Superfícies que possuem o par redox [Q]/[HQ], normalmente, são excelentes condutores de elétrons entre o
eletrodo e as espécies em solução e, assim podem ser usadas em sistemas que possuem cinética de transferência de
elétrons lenta e/ou sobrevoltagem. Por outro lado, há polímeros eletroativos que, quando eletrodepositados em um
eletrodo, podem suprimir ou inibir muitos processos redox de espécies em solução. Ambas as propriedades podem ser
aplicadas em muitos processos tecnológicos. Assim, para a obtenção de informações sobre a natureza do compósito de
NTCLK o ECV-NTCLK foi testado em alguns processos EQ bem conhecidos como [Fe(CN)6]3-/4- e [Ru(NH3)6 ]3+/2+ para
verificar a possível aplicação em eletroanálise. Em ECV-NTCLK, nenhum efeito eletrocatalítico foi observado para o
par [Q]/[HQ], obtendo-se, ainda um aumento na diferença de potencial na separação entre os picos anódico e catódico,
indicativo de uma reação quasi-reversível. Este efeito pode ser explicado pela característica aniônica do compósito
de NTCLK, devido aos grupamentos carbonílico e hidroxílico da estrutura lignínica que impede a interação entre a
superfície do ECV-NTC e o [Fe(CN)6]3-/4-. Ao contrário, o complexo de rutênio (III), que é catiônico, não é afetado pela
camada aniônica de NTCLK. Por ser um complexo de esfera externa é insensível à modificação superficial dentro da
camada e pode trocar elétrons com o eletrodo por tunelamento [10].
O íon nitrito foi oxidado no ECV-NTCLK apresentando apenas um pico irreversível de oxidação, Epa, com corrente
controlada por difusão, cujo potencial variou com o pH de acordo com: i) de 2,0 a 4,0 – deslocamento de Epa para
valores menos positivos; ii) 4,0 a 8,0 – Epa foi praticamente, independente do pH e iii) em valores de pH maior que
8,0 – deslocamento de Epa para valores mais positivos de potencial. Observou-se diminuição de corrente, em valores
de pH menores que 3,0 e maiores que 7,0, fatos atribuídos à decomposição gradativa do NO2- [8] e à falta de H+ no meio
para redução de NO2- à partir do estado protonado, respectivamente.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1667


2. Intervalo linear de detecção de nitrito, estabilidade, reprodutibilidade e interferentes

Figura 2. (A) Valores dos Ipa obtidos por VPD para concentrações crescentes de nitrito (NO2-), nas [4,0 x 10-6 a 1,0 x
10-2 mol L-1], com ECV-NTLK, em TF 0,1 mol L-1, pH 7,4; (B) VPD obtidos durante a detecção de NO2- nas mesmas
concentrações anteriores; (C) Curva analítica para NO2- no intervalo de 4,0 x 10-6 – 8,0 x 10-5 mol L-1. n = 10,0 mV s-1;
amplitude de pulso = 50 mV; largura de pulso = 70 ms;E1 = 0,6 V; Ef = 1,0 V.

As correntes de pico de oxidação (Ipa), do ânion NO2-, foram obtidas em 730 mV, usando o ECV-NTCLK por DPV
e utilizadas para construir a curva analítica no intervalo de 4,0 x 10-6 a 1,2 x 10-2 mol L-1 (Fig. 2A) e seus respectivos
voltamogramas são apresentados na Fig. 2B. Relação linear foi obtida entre Ipa vs [NO2-], no intervalo de 4,0 x 10-6 – 8,0 x
10-5 mol L-1. (Fig. 2B e 2C). A equação de regressão linear obtida foi I(µA) = ((2,0 ± 7,0) + (8,0 ± 0,2)) x 10-3 [NO2-] (µmol
L-1), com um coeficiente de determinação (r2) igual a 0,9937 e limite de detecção (s/n = 3) de 2,5 x 10-6 mol L-1. O
desvio padrão relativo de resposta a NO2- do ECV-NTCLK, para cinco medidas repetitivas, foi de 2,6% indicando uma
boa precisão operacional. Medidas realizadas durante oito dias demonstraram uma boa reprodutibilidade e atividade
de 87% mantida durante o armazenamento em TF à temperatura de 23 ºC. Possíveis interferentes para a detecção de
NO2- (5,0 x 10-4 mol L-1) sobre o ECV-NTCLK foram investigados por VPD por adição de vários íons e moléculas, na
mesma concentração de NO2-, em solução TF pH 7,4. Íons não interferentes: nitrato, cálcio, fluoreto, potássio, cloreto,
sódio, fosfato diácido, bifosfato e fosfato; com capacidade interferente menor que 10%; magnésio, sulfito, brometo,
amônio; menor que 35%: ferroso, bicarbonato; menor que 55%: iodeto e cúprico e as biomoléculas ácido úrico e ácido
ascórbico apareceram com uma capacidade interferente de 7% e 28% respectivamente.

CONCLUSÕES

Resposta EQ significativa a traços de nitrito pode ser obtida utilizando-se um eletrodo de carbono vítreo modificado
com nanotubos de carbono de paredes múltiplas e lignina kraft. O desempenho deste eletrodo se deve, provavelmente,
a área maximizada e às propriedades inerentes dos materiais constituintes do compósito. O eletrodo modificado
proporcionou o desenvolvimento de um método sensível para a detecção de nitrito e pode evitar as interferências
proporcionadas pelo ânion nitrato e oxigênio molecular. Comparando-se com outros eletrodos desenvolvidos para
determinação de nitrito, este eletrodo apresentou estabilidade, seletividade, linearidade e limite de detecção baixo.

AGRADECIMENTOS: FAPESP (2009/18223-0), CAPES e CNPq.

REFERÊNCIAS

[1] LIJINSKI, W., EPSTEIN, S.S., “Nitrosamines as environmental carcinogens”, Nature 225(3):21-23, 1970.
[2] MOORCROFT, M.J., DAVIS, J., COMPTON, R.G., “Detection and determination of nitrate and nitrite”, Talanta
54:785-803, 2001.
[3] ROCHA, J.A.R., KOSMINSKY, L., PAIXÃO, T.R. L.C., BERTOTTI, M., “Anodic oxidation of nitrite at a
molybdenum oxide layer”, Electroanalysis 13(2):155-160, 2001.
[4] NUGENT, J.M., SANTHANAM, K.S.V., RUBIO, A., AJAYAN, P.M., “Fast electron transfer kinetics on multiwalled
carbon nanotube microbundle electrodes”, Nano Lett. 1(2):87-91, 2001.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1668


[5] LEWIS, N.G., “A 20th century roller coaster ride: a short account of lignifications”, Curr. Opin. Plant Biol. 2(2):153-162,
1999.
[6] MILCZAREK, G., “Kraft lignin as dispersing agent for carbon nanotubes”, J. Electroanal. Chem. 638:178-181,
2010.
[7] ZAWADZKI, M., RUNGE, T.M., RAGAUSKAS, A.J., “Facile detection of ortho- and para-quinone structures in
residual kraft lignin by 31P NMR spectroscopy”, J. Pulp Paper Sci. 26(3):102-105, 2000.
[8] GIERER, J., “Chemistry of delignification”, Wood Sci. Technol. 19:289-312, 1985.
[9] ROSCA, V., DUCA, M., de GROOT, M.T., KOPER, M.T.M., “Nitrogen cycle electrocatalysis”, Chem. Rev.
109:2209-2240, 2009.
[10] YANG, H.-H., McCREERY, R.L., “Effects of surface monolayers on the electron-transfer kinetics and adsorption
of methyl viologen and phenothiazine derivatives on glassy carbon electrodes”, Anal. Chem. 71:4081-4087, 1999.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1669


ME16

DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA SIMULTÂNEA DE SEROTONINA


E DOPAMINA UTILIZANDO ELETRODO DE CARBONO VÍTREO
MODIFICADO EM SOLUÇÃO DE SEROTONINA

Robson P. da Silva, Rafael M. Buoro, Antônio William O. Lima, Sílvia H. P. Serrano

Instituto de Química - USP, São Paulo - SP - Brasil; robsonps@iq.usp.br

RESUMO: Eletrodos de carbono vítreo foram modificados eletroquimicamente em solução de serotonina (5-HT).
Estudos voltamétricos demonstraram que esta superfície, após etapa de pré-condicionamento a 1,5 V por 20 s,
apresentou atividade catalítica para detecção de neurotransmissores como a serotonina, além de impedir a adsorção
dos produtos de oxidação, evitando os efeitos de envenenamento. Esta superfície permitiu a detecção simultânea de
5-HT em presença de possíveis interferentes, como ácido ascórbico e neurotransmissores adrenérgico, encontrados
no sistema nervoso central. Houve boa separação dos picos de oxidação com DEp mínimo de 130 mV. As correntes de
pico obtidas por voltametria de pulso diferencial foram proporcionais a concentração de 5-HT e dopamina (DA) para a
faixa de concentração de 0,2-2,0 mmol L-1, com limites de detecção de 2,8 x 10-8 (R2 0,993) e 1,3 x 10-7 mol L-1 (R2 0,973),
respectivamente, para 5-HT e DA durante a determinação simultânea dos dois neurotransmissores.
Palavras-chave: Serotonina, Dopamina, Neurotransmissores e Eletrodos quimicamente modificados.

Introdução

Serotonina (5-HT) é um importante neurotransmissor, derivado do triptofano (Trp), está relacionado a diversas
doenças como distúrbios de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão e estresse pós-traumático [1]. A
dopamina (DA), outro importante neurotransmissor, intermediário da conversão de tirosina (Tyr) em adrenalina (EP) e
noradrenalina (NE), desempenha diversas funções do sistema nervoso central, e está envolvida nos processos como a
esquizofrenia e doenças degenerativas motoras, como o mal de Parkinson [2]. Um dos problemas associados à detecção
eletroquímica e quantificação simultânea de DA e 5-HT é a proximidade entre os potenciais de pico correspondentes à
oxidação de ambos, bem como a coexistência de outros neurotransmissores e outros interferentes, como ácido ascórbico
(AA), em amostras biológicas. Outro problema encontrado na determinação destes analitos é a forte adsorção dos
produtos de oxidação na superfície dos eletrodos causando envenenamento [3]. A determinação eletroquímica destes
compostos tem sido realizada em conjunto com outras técnicas, como a cromatografia, eletroforese capilar e FIA [4,5].
A utilização de eletrodos quimicamente modificados vem se apresentando como alternativa na determinação destes
neurotransmissores [3] e eletrodos modificados por filmes poliméricos foram utilizados na determinação de 5-HT e
DA em presença de interferentes [5,6]. Neste trabalho, descreve-se um método alternativo rápido, barato, sensível e
preciso para detectar, simultaneamente, DA e 5-HT, utilizando voltametria de pulso diferencial (VPD), com eletrodo
de carbono vítreo modificado por um filme gerado eletroquimicamente em solução de 5-HT.

Procedimento Experimental

Reagentes e Soluções: ácido L-ascórbico (Mallinckrodt), cloridrato de dopamina (Avocado Research Chemicals),
adrenalina, noradrenalina, serotonina, tirosina e triptofano (Sigma) foram utilizados sem purificação prévia. Soluções
estoques de 5-HT e de DA 1,0 x 10-2 mol L-1 foram preparadas por dissolução de massa apropriada das respectivas
substâncias em tampão fosfato 0,1 mol L-1 (TF), pH 6,5. Todas as soluções foram preparadas momentos antes das
medições voltamétricas.

Equipamentos e Eletrodos: Todas as medidas voltamétricas foram efetuadas utilizando Potenciostato/ Galvanostato
PG STAT30 da Eco-Chemie acoplado ao software GPES versão 4.9005b. Utilizou-se um sistema constituído por três
eletrodos: carbono vítreo – ECV (trabalho), Ag/AgCl, KClsat. (referência) e espiral de platina (auxiliar)
Modificação do eletrodo - Detecção de Serotonina e Dopamina: ECV foi polido em feltro metalográfico com
alumina, lavado e mantido em banho de ultrassom (4 min.), submetido a tratamento eletroquímico em NaOH 0,1 mol
L-1, aplicando-se 1,5 V por 120 s, sob agitação. O filme polimérico foi formado aplicando ao ECV um potencial de 1,5
V por 120 s, sob agitação em solução 5-HT (1,0 x 10-4 mol L-1) em TF, pH 4,0. A detecção simultânea de 5-HT e DA foi
efetuada em solução TF, pH 2,0 - 10, em concentrações de 2,0 x 10-6 mol L-1. VPD foram registrados no branco usando
pré-concentração a 1,5 V por 20 s, n = 10 mV s-1; amplitude de pulso de 50 mV; duração de pulso de 70 ms, intervalo
-0,2 V à 0,7 V. Para obtenção das curvas analíticas variaram-se as concentrações dos analitos de interesse, em TF, pH
6,5, nas mesmas condições experimentais acima descritas. Três voltamogramas consecutivos foram registrados para
cada valor nominal de concentração.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1670


Resultados e Discussão

AFigura 1, apresenta oVC obtido com eletrodo limpo (ECV) em solução 1,0 x 10-4 mol L-1 de 5-HT em TF 0,1 mol L-1, pH 6,5.
Observou-se um único pico (Ep = 410 mV, Ip = 0,9 mA), atribuído à oxidação da serotonina. Utilizando o eletrodo modificado
(ECV-5HT), este pico deslocou-se para regiões menos positivas de potencial (31 mV) e os níveis de corrente triplicaram
(Ep = 379 mV, Ip = 3,1 mA), indicativos de efeito catálitico. Há também uma diminuição na largura de pico, indicando
que o filme polimérico de 5-HT aumentou a velocidade do processo de transferência eletrônica. As correntes deste pico
variaram linearmente com n1/2 (r = 0,993), sugerindo um processo eletroquímico controlado por difusão [4]. Com o
aumento de n (25 – 900) mV observou-se um deslocamento de Ep para valores mais positivos. O eletrodo modificado,
mostrou ainda a existência de outros processos anódicos e catódicos, com maior destaque para o processo redox com
Ep,c = -135 mV e Ep,a = -95 mV, atribuído ao par Quinona/ Hidroquinona, gerado durante a oxidação da serotonina.
Estes produtos adsorvem fortemente à superfície do eletrodo, fato comprovado pela variação linear das correntes de
pico com o aumento de n. Resultados similares foram obtidos por Sarada et al. [4].

Figura 1. VC registrados em solução de 1,0 x 10-4 mol L-1 de 5-HT em TF 0,1 mol L-1, com ECV-5HT e ECV. A) VC subtraído
de seu respectivo branco. B) VC normal com seu respectivo branco (linha pontilhada).
Ei = -0,2 V; Einv = 0,7 V; Ef = - 0,2 V e v = 50 mVs-1.

Para estabilizar os níveis corrente obtidos com o ECV-5HT em solução de 2,0 x 10-5 mol L-1 de 5-HT em TF
6,5, no intervalo -0,3 a 0,7 V foram aplicados os seguintes potenciais de pré-condicionamento (Econd): -0,3; 0,2; 0,4
e 0,7 V. O processo de envenenamento superficial do eletrodo para o pico oxidação de serotonina aumentou com o
aumento de Econd . Comparando os terceiros voltamogramas obtidos em cada série, observou-se que quando o potencial
de condicionamento variou no sentido negativo de potencial houve diminuição de 86% nos níveis de corrente, com
variação de Ip de 1,79 a 0,25 mA, deslocamento de Ep no sentido positivo (Ep 0,36 → 0,40 V) e alargamento de pico.
No entanto, ao se aplicar 1,5 V por 20 s observou-se, em relação ao Econd de - 0,3V, deslocamento de Ep de 40 mV
no sentido negativo, aumento e estabilização nos níveis de corrente e diminuição na largura de pico (Ep = 0,32 V, Ip
= 2,45 mA). Resultados similares foram obtidos com ECV-limpo, porém os efeitos de envenenamento foram mais
pronunciados.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1671


Figura 2. (A) V.P.D. registrados com ECV-5HT em solução de DA e 5HT no intervalo de 2,0x10-7 a 2,0x10-6 mol
L-1 em TF pH 6,5. Ei = 0,0 V; Ef = 0,6 V e tempo de pré-concentração a 1,5 V por 20 s, ν = 10,0 mV s-1; amplitude
de pulso = 50 mV; largura de pulso = 70 ms. (B) Curva analitica simultânea obtida a partir dos valores de Ipa vs [DA]
e de Ipa vs [5HT].

VPD foram obtidos com ECV-5H em solução 2,0 x 10-5 mol L-1 de 5-HT e DA em TF na faixa de 2,0 ≤ pH ≤ 10.
Obtiveram-se variações lineares para Ep vs pH, com R2 0,997 e 0,973, e inclinações de -61 e -52 mV/pH para DA
e 5-HT, respectivamente. Estes valores estão de acordo com os encontrados na literatura, pois ambos os processos
anódicos envolvem dois prótons e dois elétrons [4,5]. Maiores valores de Ip foram obtidos para 5-HT e DA em pH 6,5
e 4,0, respectivamente, com diminuição brusca de sinal para valores de pH ≥ 8,0. Optou-se pela realização das demais
medidas em pH 6,5, pelos maiores valores de corrente obtidos e menores valores de Ep observados para 5-HT.
Eletrodos ECV-5HT foram utilizados para contrução de curvas analíticas a partir de soluções contendo concentrações
crescentes de DA e 5-HT, com detecção isolada e simultânea dos dois analitos no intervalo de 2,0 x 10-7 a 2,0 x 10-6 mol
L-1. A Fig. 2A, apresenta os VPD registrados após cada adição de mesma concentração para DA e 5-HT. Foram realizadas
quatro curvas consecutivas, com sete valores de concentração em cada uma, e para cada valor de concentração, os VPD
foram registrados em triplicata. Cosiderando o branco, foram registrados 128 VPD, sem a necessidade de renovação de
superfície. Grandes variações de Ip não foram observadas para cada valor de concentração. A Fig. 2B apresenta os valores
médios de Ip para cada concentração, bem como seus respectivos desvios, para as quatros curvas. Obteve-se relação linear
Ipa vs [5-HT], para as curvas simultanêas e isoladas, com as seguintes equações I(µA) = -0,012 + 0,17 [5-HT] (µmol L-1)
e I(µA) = (-0,008 + 0,204 [5-HT] (µmol L-1), coeficientes de determinação (r2) igual a 0,993 e 0,994 e limite de detecção
(s/n = 3) de 2,8 e 2,9 x 10-8 mol L-1, respectivamente. A relação de Ipa vs [DA], também foi linear com I(µA) = 0,077 +
0,367 [DA] e I(µA) = 0,040 + 0,69 [DA] (µmol L-1), r2 igual a 0,973 e 0,962 e limite de detecção (s/n = 3) de 1,3 e 1,7
x 10-8 mol L-1, respectivamente. Os resultados obtidos para ambos os analitos se mostraram similares para as detecções
realizadas simultaneamente ou isoladas e os limites de detecção foram de mesma magnitude ou mais baixos aos encontrados
na literatura [4,5].
Interferentes encontrados no sistemas nervoso central como ácido ascórbico (AA), tirosina (Tyr) e seus derivados
adrenérgicos, (DA, EP e NE) foram investigados por VPD por adição destes derivados em concentração mais elevadas
de 5-HT (1,0 x 10-5 mol L-1). A Tabela 1 apresenta os valores de Ep destas destes derivados, bem como a variação de
potencial (DE) em relação a 5-HT. Pode-se inferir, pelos resultados apresentados na Tabela 1, que seria possível realizar
a determinação de baixas concentrações de 5-HT, em presença destes neurotransmissores ou AA, visto que a menor
separação entre os picos foi de 130mV.

Tabela 1: Dados de potencias de pico (Ep) e diferença de potencial em relação a 5-HT (DE), de possíveis
interferentes como: ácido ascórbico, neurotransmissores e seus precursores, obtidos por VPD em TF pH 6,5,
Ei = -0,2 V; Ef = 0,9 V*.

Analitos 5-HT AA DA EP NE Tyr Trp


[Analito]** / mmol L-1 10,0 500 20,0 20,0 20,0 50 50
Ep / mV 340 120 200 220 210 720 720
DE (Ep5-HT-Epanalito) -220 140 160 150 130 380 380
* Demais condições vide figura 2 **Concentrações de medida

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1672


ConclusÕES

Neste trabalho demonstrou-se a possibilidade da utilização de eletrodos modificados eletroquimicamente


em solução de serotonina como método analítico na detecção simultânea de baixas concentrações de serotonina e
dopamina. A superfície apresentou atividade catalítica para detecção de neurotransmissores como a serotonina,
além de impedir a adsorção dos respectivos produtos de oxidação, evitando os efeitos de envenenamento.
Utilizando o próprio analito como agente modificador, obteve-se um eletrodo quimicamente modificado por
um método simples, rápido e de baixo custo. Nas medidas realizadas em pH próximo ao valor fisiológico, o
ECV-5HT, apresentou boa sensibilidade, estabilidade, seletividade e linearidade, caracteristicas fundamentais para
medidas diretas em matrizes biológicas e para o desenvolvimento de métodos automatizados e miniaturizados na
determinação de neurotransmissores em outras matrizes.

AgradeCimentos: FAPESP (2009/18223-0), CAPES e CNPq.

Referências

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[2] Robinson H. R., Hood, S. D. M.J., Bell, C. J., Nutt, D. N., “ Dopamine and social anxiety disorder”, Rev
Bras Psiquiatr. 28(4):263-264, 2006.
[3] Wei, J., He, J-B, Caob, S-Q, Zhua, Y-W, Wanga, Y. Hanga, G-P., “Enhanced sensing of ascorbic acid,
dopamine and serotonin at solid carbon paste electrode with a nonionic polymer film”, Talanta 83:190-196, 2010.
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[6] LI, Y. HUANG, X. CHEN, Y., WANG, L., LIN, X. , “Simultaneous determination of dopamine and serotonin by use
of covalent modification of 5-hydroxytryptophan on glassy carbon electrode” Microchim. Acta 164:107-112, 2009.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1673


ME17

DESENVOLVIMENTO DE SENSOR VOLTAMÉTRICO PARA


DETERMINAÇÃO DA MICOBACTÉRIA M. SMEGMATIS APARTIR DA
REDUÇÃO DE SEUS ÁCIDOS MICÓLICOS

Michelle Fernanda Brugnera1, Marcelo Miyata2, Clarice Queico Fujimura2, Maria Valnice Zanoni
Boldrin1

1
Instituto de Química- UNESP, Araraquara- SP – Brasil; 2 Departamento de Ciências Biológicas
- UNESP, Araraquara- SP – Brasil. boldrinv@iq.unesp.br

RESUMO: O presente trabalho descreve um sensor voltamétrico para determinação de ácidos micólicos provenientes
de Mycobacterium smegmatis, os quais apresentam um sinal de redução em -0.73 V vs. Ag/ AgCl utilizando-se eletrodo
de carbono vítreo modificado com poli- lisina (PLL). Utilizando-se as condições otimizadas foi possível obter uma
curva analítica para determinação da micobactéria M. smegmatis no intervalo de concentração de 1,4×102 a 1,4×103
UFC mL-1 utilizando voltametria de onda quadrada. O método permitiu obter um limite de detecção de 5,9× 101 UFC
mL-1 e um desvio padrão 2,5% comparando-se 10 medidas de 7,0x102 UFC mL-1 de M. smegmatis. O método foi
aplicado para determinação de M. smegmatis em água de torneira.
Palavras-chave: M. smegmatis, ácido micólico, sensor voltamétrico.

Introdução

Micobacterium smegmatis são micobactérias de crescimento rápido não patôgena a pessoas com sistema
imunológico normal, mas pode ser tornar muito perigosa para aqueles com baixa resistência, presentes em fontes
de água e no solo [1]. A remoção de micobactérias de águas residuais tem sido um grande problema, devido a suas
características ambiguas como formação de biofilme e sua parede celular rica em ácidos graxos, que as torna resistente
a tratamentos como a cloração e ozonição [2]. Os ácidos micólico (AM) são ácidos graxos α-alquil β-hidroxilado
presente como componente majoritário da parede celular do grupo das micobactérias [3]. Sua formula estrutural é
R2CH(OH)CHR1COOH, cuja cadeia R1 é composta de 20- 24 carbonos com alquenos. A cadeia R2 é composta por
aproximadamente 30 a 60 carbonos e constitui de estruturas químicas mais complexas, tais como ligações duplas, anéis
ciclopropeno, grupos funcionais metil e oxigenados (–C=O, –CH2OCH=, –COOH). A estrutura dos ácidos micólicos é
específica para cada micobactéria pertencente ao grupo. Adicionalmente, tem-se uma relação linear entre o número de
unidades formadoras de colônia (UFC) e a concentração de ácidos micólico que constituem as mesmas [4].
Diversos métodos são descritos na literatura para identificação e quantificação das micobactérias, dentre eles
podemos destacar a reação em cadeia de polimerase [5], contagem de colônias e culturas [6], métodos baseados em
resposta imunologicas. Contudo, esses métodos exigem extensivo tempo de análise e processos complexos. Assim,
métodos alternativos tem sido propostos, a maioria baseado na análise dos ácidos micólicos, tais como cromatografia
em camada delgada, CG-MS e CLAE [7]. O uso de biossensores também tem sido descrito através de imunosensores
voltamétricos e genosensores. Contudo, o uso de cromatografia requer derivação da amostras, implicando em longo
tempo de preparação e alto custo, e o uso de imunosensores requer anticorpos específicos e longo tempo para preparaçao
dos eletrodos.
O presente trabalho tem por objetivo construir e aplicar eletrodos químicamente modificados por filmes do poli
aminoacido poli- L- lisina (PLL) [8] na determinação de ácidos micólicos provenientes da M. smegmatis, utilizando-se
interações entre o grupo carboxílico dos ácidos micólicos e grupo amino presentes na poli-L-lisina.

Procedimento Experimental

Preparação do eletrodo de trabalho


O eletrodo de carbono vítreo (diâmetro = 2 mm) foi polido com alumina (0,3 mm), lavado e seco a temperatura
ambiente. Uma aliquota de 10 mL de solução aquosa do PLL 1% m/v (MM 77300) foi colocada na superfície do
eletrodo polido e o mesmo foi seco em estufa a 80 °C por 2 min. Após evaporação, o eletrodo foi lavado com água e
imerso na solução.
Reagentes e soluções
Metanol e clorofórmio de grau cromatográfico foram utilizados (J. T. Baker, USA). Tampão Britton-Robinson (BR)
e tampão fosfato foram utilizados como eletrólito.
A micobactéria não patogenia de crescimento rápido Mycobacterium smegmatis cepa ATCC 19420, foi utilizada
como micobactéria modelo para investigação da classe de micobactérias, gentilmente doados por Dr. C.Q.F. Leite,

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1674


clinicamente isoladas do Instituto Adolfo Lutz de Ribeirão Preto. A bactéria foi mantida em meio agar Lowenstein-
Jensen a 37 °C.
Extração do ácido micólico da M. smegmatis
Para as medidas eletroquímicas utilizou-se um extrato purificado dos ácidos micólicos extraídos da micobactéria
M. smegmatis (2 alçadas) obtidos através do aquecimento da mesma em meio Lowenstein- Jensem com 2 mL do
reagente de saponificação ( KOH 25% em uma mistura água- metanol (1:1, v/v)) em auto- clave a 121 °C por 1 h. Após
resfriamento a temperatura ambiente, 2 mL de clorofórmio foi adicionado, juntamente com 1,5 mL de solução aquosa
de HCl (1:1 m/v), realizando-se a extração líquido- líquido. A camada orgânica (mais densa) foi removida a outro
frasco e evaporada por aquecimento de 85 a 105 °C. Está solução foi então resuspendida em metanol.
Estudo voltamétrico dos ácidos micólicos
As medidas eletroquímicas foram realizadas em um potenciostato/galvanostato AUTOLAB modelo PGSTAT 30,
acoplado a um microcomputador e gerenciado pelo software GPES 4.9 para aquisição dos dados. Utilizou-se uma
célula eletroquímica convencional de 10,0 mL, na qual foi inserido um eletrodo de carbono vítreo modificada com
filme de PLL como eletrodo de trabalho, um fio de platina como eletrodo auxiliar e um eletrodo de referência de Ag/
AgCl.
Procedimento para estudo das condições experimentais e obtenção da curva analítica
As medidas eletroanalíticas foram conduzidas transferindo-se uma alíquota de 10,0 mL de eletrólito suporte e
quantidades apropriadas de ácido micólico a célula voltamétrica. A curva analítica foi obtida após registro do
voltamograma sobre eletrodo de carbono vítreo modificado com filme de PLL, sendo o filme renovado a cada medida
pelo borbulhamento de nitrogênio por 5 min.
Procedimento para quantificação de M. smegmatis em amostras de água
A quantificação de M. smegmatis em água portável, coletada em Araraquara-SP, Brasil foi realizada utilizando-se
1 mL de água de torneira fortificada com 1,4x103 UFC mL-1 de M. smegmatis e diluída com 9,0 mL de solução de
eletrólito suporte. A amostra foi analisada antes e depois fortificação, após a fortificação a amostra foi aquecida por 2h
a 100 °C, extraída com clorofórmio, evaporada, resuspendida em metanol e transferida para a célula eletroquímica.
A quantificação M. smegmatis na matriz foi realizada pelo método da adição de padrão de solução estoque de ácido
micólico extraído.

Resultados e Discussão

A redução eletroquímica de ácidos micólicos dissolvido em metanol não apresenta nenhum sinal no intervalo de
potencial de 0,0 a -1,1 V vs Ag/ AgCl em tampão B-R pH 6,0 utilizando-se eletrodo de carbono vítreo. Entretanto,
utilizando-se eletrodo modificado com filme de poli- L- lisina tem-se um pico bem definido em potencial de -0.73
V vs Ag/ AgCl. Os voltamogramas obtidos por voltametria linear são mostrados na Figura 1 (I), para eletrodo não-
modificado (curva a) e modificado (curva b) para ácidos micólicos extraídos de 4,2 x 104 UFC mL-1 de M. smegmatis.
A redução eletroquímica de grupos carboxílicos geralmente ocorre em potencial maior que -1,5 V vs Ag/ AgCl.
Contudo, na presença do filme de PLL os gupos carbonil da amida gerados devido a interação entre os grupos amina
do filme de PLL e os grupo carboxilico do ácido micólico, levam a geração de uma ligação peptídica, como mostra
na Figura 1 (II). A redução da ligação peptídica –CO-H=N-, permite a detecção e quantificação indireta dos ácidos
micólicos, confirmadas pela contagem de colônias da micobactéria M. smegmatis. O processo catódico é irreversível,
pois nenhum sinal de corrente é observado na varredura reversa no intervalo de velocidade de 10- 500 mV s-1.
Para desenvolvimento do método eletroanalítico três técnicas foram testadas para a redução dos ácidos micólicos
utilizando-se os eletrodos modificados: voltametria linear (VL), pulso diferencial (VPD) e onda quadrada (VOQ).
Comparando-se os valores de corrente das técnicas, um valor muito maior foi observado para VOQ, a qual foi utilizada
para os demais experimentos.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1675


Figura 1. (I) Voltamogramas de varredura linear obtidos para redução de ácido micólico (M. smegmatis 4,2 x 104
CFU mL-1) em tampão BR pH 6 em eletrodo não modificado (a) e modificado com poli – L- lisina (b). u= 100 mV
s-1. (II) Reação entre o ácido micólico e PLL com geração da ligação peptídica.

As melhores condições experimentais de análise utilizando-se VOQ foram definidas após estudo do pH entre 2 a
12, freqüência (ƒ) 15 a 150 mV, amplitude de pulso (ΔEs ) entre 1 a 10 mV, amplitude potencial (Esw) entre 10 a 200 mV,
obtendo-se melhor sinal em: pH 7 utilizando-se tampão fosfato, ƒ de 50 HZ, ΔEs de 8 mV e Esw de 50 mV.
A curva analítica obtida com as melhores condições de trabalho utilizando-se eletrodo de carbono vítreo modificado
com PLL apresentou resposta voltamétrica linear para quantificação de M. smegmatis no intervalo de concentração de
1,4x102 a 1,4x103 UFC mL-1, LD = 5.95x101 UFC mL-1 e LQ= 1.98 x102 UFC mL-1. A repetibilidade do sensor proposto
foi de 2,5% para redução de 7,0 x102 UFC mL-1 de M. smegmatis.
O método foi aplicado para quantificação de M. smegmatis em amostras de água de torneira, permitindo obter uma
recuperação de 93,5 a 99,2% (n=3 repetições), evidenciando a precisão do método proposto. Os cálculos estatísticos
para os resultados obtidos sugerem boa precisão do método voltamétrico. De acordo com o test-t, não há diferente
significativa entre o os valores recuperados e obtidos a um nível de confiança de 95% (t= 1,83). Desta forma, estes
resultados sugerem que o método proposto é uma excelente alternativa para a determinação analítica de M. smegmatis
em amostras de água.

ConclusÕES

Eletrodos de carbono vítreo modificados com filmes de PLL mostraram ser uma ferramenta promissora para
quantificação de M. smegmatis baseado na redução do ácido micólico, um dos componentes de sua parede celular. O
método permite a quantificação da micobactéria em água de torneira sem tediosos métodos de preparação de amostra,
através do método da adição de padrão, adicionalmente permite a contagem em pequeno intervalo de tempo. Assim,
o método apresentou excelentes resultados, permitindo a obtenção de limites de detecção inferiores aos descritos por
métodos cromatográficos, é uma técnica barata e limpa.

AgradeCimentos: FAPESP (2009/09403-5), CAPES e CNPq.

Referências

[1] Von Reyn C.F., Waddell R.D., Eaton T., J. Clin. Microbiol.31 (12): 3227- 32230, 1993.
[2] Shannon M.A., et al., Nature 452 (7185): 301- 310, 2008.
[3] Riviere M., Cervilla M., Puzo G., Anal. Chem 57 (13): 2444- 2448, 1985.
[4] Hagen S.R., Thompson J.D., J. Chromat. A 692 (1-2): 162- 172, 1995.
[5] Tibi A., Steinmetyz A. C., Goury V., Decool A. e Darbord J. C., J. Microbiol. Methods 15 (3):199- 206, 1992.
[6] Nishiuchi Y., Baba T., Yano I., J. Microbiol. Methods 40 (1): 1-9, 2000.
[7] Butler W. R., Guthertz L. S., Clin. Microbiol. Rev. 14 (4): 704-736, 2001.
[8] Pereira F. C., Fogg A. G., Zanoni, M. V. B. . Talanta 60 (3): 1023- 1032, 2003.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1676


ME18

DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE


FITOESTROGÊNIOS EM PRODUTOS DE SOJA UTILIZANDO
ELETRODO SÓLIDO DE AMÁLGAMA DE PRATA

Daniela Kárin Fogliatto1 (PG), Valdir Souza Ferreira1 (PQ)

1
Departamento de Química - UFMS, Campo Grande - MS - Brasil.

RESUMO: O comportamento eletroquímico dos fitoestrogênios, daidzeína e genisteína, foi estudado pela técnica de
voltametria de onda quadrada (VOQ) em eletrodo sólido de amálgama de prata. O uso de BCTA (2,55.10-4 mol L-1)
possibilitou uma melhora significativa nos picos de redução da daidzeína e genisteína, permitindo a análise destas
espécies em tampão fosfato:metanol [8:2, v/v (0,04 mol L-1)], em pH 7,5, com a posterior otimização da metodologia
pelo ajuste dos parâmetros instrumentais. Nestas condições, bons limites de detecção e quantificação foram obtidos,
sendo de 4,77x10-7 mol L-1 e 1,59x10-6 mol L-1 para daidzeína e de 5,60x10-7 mol L-1 e 1,87x10-6 mol L-1 para genisteína,
respectivamente. Esta metodologia forneceu sensibilidade e seletividade adequadas para a determinação destes
fitoestrogênios, simultaneamente, em produtos de soja.
Palavras-chave: daidzeína, genisteína, soja, voltametria de onda quadrada, eletroanalítica.

Introdução

Os fitoestrogênios são moléculas polifenólicas de origem vegetal, não esteroidal, que podem induzir respostas
biológicas devido a sua semelhança com o hormônio 17-β-estradiol e a sua capacidade de vincular-se aos receptores
de estrogênio [1]. Dentre os fitoestrogênios existentes na natureza, as isoflavonas se destacam por serem componentes
encontrados em quantidades significativas em grãos de soja. A propriedade fitohormonal destes compostos confere um
importante papel na prevenção de cânceres de mama e próstata, alívio dos sintomas da menopausa, redução do risco de
doenças cardiovasculares e osteoporose [1, 2].
Na soja estão contidos 12 compostos isoflavônicos, no entanto, a genisteína e a daidzeína têm sido alvo de
muitos estudos por serem as responsáveis pelos comprovados efeitos biológicos [1]. Portanto, a importância de tais
compostos e a necessidade de um controle de qualidade que atenda as regulamentações vigentes leva a necessidade do
desenvolvimento de novas metodologias que permitam a determinação destas isoflavonas.
O uso de métodos eletroanalíticos para a determinação de diversas substâncias orgânicas e inorgânicas cresce
constantemente com a obtenção de limites de detecção compatíveis com diferentes regulamentações, sendo aplicadas
em diversos tipos de amostras, como ambientais, biológicas e farmacêuticas [3].
Os trabalhos em eletroanálise se direcionaram cada vez mais a estudos de novos sensores voltamétricos utilizando
nanomateriais, enzimas, polímeros condutores, líquidos iônicos, entre outros materiais eletródicos e modificadores que
buscam simplificar ou otimizar as técnicas eletroanalíticas comumente empregadas [4]. Neste sentido, o emprego de
eletrodos sólidos de amálgama tem crescido de maneira intensa nos últimos anos por se apresentarem como alternativa
ao uso dos eletrodos de mercúrio, que são cada vez menos aceitos pela elevada toxicidade. Além disso, os eletrodos
de amálgama apresentam uma ampla estabilidade eletroquímica na faixa de potenciais negativos, elevada razão sinal-
ruído, estabilidade mecânica que possibilita análises de sistemas em fluxo e resistência a proces­sos de passivação da
superfície eletródica [5].
Diante do exposto, este trabalho tem por objetivo o desenvolvimento de uma metodologia para determinação
simultânea de daidzeína e genisteína em produtos de soja utilizando a técnica de VOQ e o eletrodo sólido de amálgama
de prata.

Procedimento Experimental

As medidas eletroquímicas foram realizadas utilizando-se um potenciostato/galvanostato Autolab PGSTAT 128N


(Metrohm) equipado com um software GPES para aquisição dos dados. O sistema de multi-eletrodos consistiu em um
eletrodo sólido de amálgama de prata como eletrodo de trabalho, um fio de platina como eletrodo auxiliar e o eletrodo
de Ag/AgCl (3,0 mol.L-1) como eletrodo de referência.
O eletrodo sólido de amálgama de prata foi confeccionado em laboratório mediante o uso de um tubo cilíndrico,
no qual foi inserido o nanopó de prata (Sigma, partículas < 100 nm), juntamente com um fio de platina para contato
elétrico. O tubo cilíndrico, com o nanopó de prata compactado e o fio de platina, foi mergulhado em um pequeno
poço de mercúrio obtendo a amalgamação após um período de 4 dias em capela. Obtida a solidificação do amálgama,
a superfície foi polida em lixa d’água 600 e submetida ao tratamento eletroquímico em KCl (0,2 mol L-1), aplicando
potencial de -2,0 V vs. Ag/AgCl por 10 min, para uniformidade e ativação da superfície.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1677


As medidas eletroquímicas foram realizadas em uma célula contendo 10 mL do eletrólito suporte, seguida da
desaeração com N2 por 10 min. A varredura de potencial foi realizada na direção negativa de -1,0 V a -1,8 V vs.
Ag/AgCl na presença do eletrólito suporte e, posteriormente na presença de surfactantes e/ou analitos (daidzeína e
genisteína), registrando-se os respectivos voltamogramas.

Resultados e Discussão

A redução eletroquímica das principais isoflavonas da soja, daidzeína e genisteína, foi realizada simultaneamente
através da técnica de VOQ, utilizando o eletrodo sólido de amálgama de prata. Na Figura 1 são apresentados os perfis
voltamétricos de redução da daidzeína e da genisteína, em tampão fosfato:metanol (8:2, v/v - 0,04 mol L-1), pH 7,5,
comparando as respostas quanto ao uso do surfactante catiônico brometo de cetiltrimetilamônio (BCTA).
As respostas de redução das isoflavonas agliconas, na ausência de surfactante, apresentaram picos próximos a
descarga do eletrólito suporte, com baixa intensidade de corrente, dificultando o desenvolvimento de uma metodologia
nestas condições. Ao incluir o surfactante catiônico BCTA nestas análises, observou-se o deslocamento positivo dos Epc
da daidzeína (-1,45 V vs. Ag/AgCl) e da genisteína (-1,56 V vs. Ag/AgCl), fornecendo um aumento considerável das
Ipc, além de promover uma boa definição e separação entre os picos das duas isoflavonas (∆Epc = 110 mV).

-30 -8
DAIDZEÍNA
-7 GENISTEÍNA
-25

-6
-20

Ipc / mA
I / mA

-5

-15
Genisteína -4

-10 Daidzeína -3

-5 -2

-1
0

0
-1.2 -1.3 -1.4 -1.5 -1.6 -1.7 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
E/ V vs. Ag/AgCl pH

Figura 1: Voltamogramas de redução da daidzeína Figura 2: Influência do pH sobre a corrente de pico


e genisteína (1,05.10-5 mol.L-1), (−.−) na ausência do de redução da daidzeína e genisteína (1,17.10-5 mol.L-1)
surfactante BCTA e (—) na presença do surfactante BCTA na presença do surfactante BCTA (2,47.10-4 mol.L-1) +
(2,47.10-4 mol.L-1). Branco: (---) tampão fosfato:metanol eletrólito tampão BR:metanol (8:2, v/v – 0,04 mol.L-1).
(8:2, v/v – 0,04 mol.L-1), pH7,5.

O estudo de pH foi realizado em diferentes eletrólitos de suporte no intervalo de pH 3,5 a 11,0 e na presença de
2,47.10-4 mol.L-1 de surfactante BCTA. Na Figura 2 observa-se as respostas de Ipc para a daidzeína e genisteína com
a variação de pH. Através destes gráficos e dos voltamogramas obtidos, o pH 7,5 foi estabelecido como ótimo para o
prosseguimento da metodologia. A concentração de BCTA foi avaliada e as melhores respostas de corrente, separação
e definição dos picos das isoflavonas se deram em torno de 2,55.10-4 mol.L-1.
Além do estudo da influência do pH e de surfactantes na redução das isoflavonas, outros parâmetros de suma
importância na técnica de VOQ foram estudados, como tempo de acúmulo (tacc), potencial de acúmulo (Eacc), frequência
de aplicação dos pulsos (f), amplitude (Esw) e incremento de varredura (∆Es), buscando, desta forma, o melhor sinal
analítico. Os parâmetros obtidos, após a otimização, são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1: Parâmetros instrumentais selecionados para análise de daidzeína e genisteína através da VOQ.

Parâmetros Instrumentais Parâmetros selecionados

Tempo de acúmulo (tacc) 60 s


Potencial de acúmulo (Eacc) 0V
Amplitude do pulso (Esw) 30 mV
Freqüência do pulso (f) 60 Hz
Incremento de varredura (∆Es) 5 mV

Estabelecidas as melhores condições para a determinação simultânea da daidzeína e genisteína, as curvas analíticas
para ambas isoflavonas foram construídas no intervalo de concentração de 1,4x10-6 a 1,1x10-5 mol.L-1. Os voltamogramas
de onda quadrada para cada concentração da daidzeína e da genisteína são apresentados na Figura 3 (A). Observa-se

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1678


que a corrente de pico aumenta proporcionalmente com o aumento da concentração e que praticamente não ocorrem
deslocamentos nos potenciais de pico. A Figura 3 (B) apresenta as curvas analíticas para a daidzeína e para genisteína
com ótima linearidade no intervalo de concentração estudado.
Os limites de detecção (LD) e quantificação (LQ) foram calculados a partir das curvas analíticas construídas por
VOQ. O LD e o LQ obtidos para a daidzeína foram de 4,77x10-7 mol.L-1 e 1,59x10-6 mol.L-1, respectivamente. Para a
genisteína o LD foi de 5,60x10-7 mol.L-1 e o LQ foi de 1,87x10-6 mol.L-1.

-10 -10
r = 0,998 r = 0,998
-15
-8 -8
GENISTEÍNA
I / mA

Ipc /mA
Ipc /mA
-10 i
h -6 -6
DAIDZEÍNA
h

g
f
i e
h
g d -4 -4
-5 c
f
e b
d
c a
-2 -2
b
0 a

0 2 4 6 8 10 0 2 4 6 8 10
-1.3 -1.4 -1.5 -1.6 -1.7 -1 -1
E/ V vs. Ag/AgCl [Daidzeína] / mmol.L [Genisteína] /mmol.L
(A) (B)

Figura 3: (A) Voltamogramas de redução da daidzeína e genisteína em tampão fosfato:metanol (8:2, v/v) - pH7,5, na
presença de BCTA (2,55.10-4 mol.L-1); onde: (a) 1,4.10-6, (b) 2,7.10-6, (c) 4,1.10-6, (d) 5,4.10-6, (e) 6,8.10-6, (f) 8,1.10-6,
(g) 9,4.10-6, (h) 1,1.10-5 mol.L-1. Parâmetros: tacc = 60 s, Eacc = 0 V, f = 60 Hz, Esw = 30mV, ∆Es= 5 mV. (B) Gráficos da
dependência de Ipc com as concentrações de daidzeína e de genisteína.

ConclusÕES

A metodologia proposta em eletrodo de amálgama de prata através da VOQ mostrou-se promissora, tanto em
seletividade quanto em sensibilidade, para a análise simultânea de daidzeína e genisteína em diversos produtos de
soja. Os bons resultados obtidos e a possibilidade de aplicação deste método deve-se de maneira essencial ao uso
do surfactante catiônico BCTA, pois proporcionou uma melhora significativa nas correntes de pico, tal como na
definição e na separação dos picos da daidzeína e da genisteína. Com a otimização do valor de pH, eletrólito de suporte,
concentração de surfactante BCTA e parâmetros instrumentais envolvidos na técnica de VOQ, a daidzeína apresentou
um Epc em -1,44 V vs. Ag/AgCl e a genisteína em -1,56 V vs. Ag/AgCl. Os limites de detecção e quantificação obtidos
foram, respectivamente, de 4,77x10-7 mol.L-1 e 1,59x10-6 mol.L-1 para daidzeína e de 5,60x10-7 mol.L-1 e 1,87x10-6
mol.L-1 para genisteína.

AgradeCimentos: UFMS, CAPES, FUNDEct e CNPq.

Referências

[1] Kuhnle G.G.C., Dell’aquila C., Low Y.L., Kussmaul M. and Bingham S.A., “Extraction and Quantification
of Phytoestrogens in Foods Using Automated Solid Phase Extraction and LC/MS/MS”, Analytical Chemistry,
79:9234-9239, 2007;
[2] Cassidy A., Bingham S. and Setchell K.D., “Biological effects of a diet of soy protein rich in isoflavones on the
menstrual cycle of premenopausal women”, American Journal of Clinical Nutrition, 60:333–340, 1994.
[3] Codognoto L., Machado S.A.S. and Avaca L.A., “Square wave voltametry on boron-doped diamond electrodes
for analytical determinations”, Diamonds and Realated Materials, 11:1670-1675, 2002.
[4] Shvedene N.V., Chernyshov D.V. and Pletnev I.V., “Ionic liquids in electrochemical sensors”, Russian Journal
of General Chemistry, 78(12):2507–2520, 2008.
[5] Souza D., Melo L.C., Correia A. N. e Lima-Neto P., “Utilização de eletrodos sólidos de amálgama para a
determinação analítica de compostos orgânicos e inorgânicos”, Química Nova, 34(3):487-496, 2011.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1679


ME19

DETERMINAÇÃO DO HORMÔNIO PROGESTERONA EMPREGANDO


ELETRODO DE FILME DE BISMUTO E VOLTAMETRIA DE ONDA
QUADRADA

Camila Alves de Lima, Keliana Dantas Santos, Gabriel Luiz Kreft e Almir Spinelli

GEPEEA - Grupo de Estudos de Processos Eletroquímicos e Eletroanalíticos


Universidade Federal de Santa Catarina, 88040-900, Florianópolis - SC - Brasil
cami_delima@hotmail.com

RESUMO: A progesterona é um hormônio esteroide vital para a manutenção da saúde humana e animal. Este
hormônio, assim como alguns outros esteroides, é responsável pelas características sexuais dos mamíferos. Uma nova
metodologia analítica foi desenvolvida para quantificação da progesterona em uma solução capilar empregando o
eletrodo de filme de bismuto (EFBi) e a voltametria de onda quadrada. As melhores condições experimentais foram
obtidas utilizando tampão Britton-Robinson (B-R) 0,5 mol L-1 (pH 12), frequência 80 Hz , amplitude 70 mV e incremento
5 mV . A curva analítica foi linear para concentrações de progesterona entre 4,0 x 10-7 e 7,9 x 10-6 mol L-1 com limites
de detecção e quantificação iguais a 1,8 x 10-7 e 6,1 x 10-7 mol L-1, respectivamente. A recuperação da progesterona na
solução capilar variou de 96,8% a 115% e o resultado da determinação concordou com o valor rotulado na amostra.
Palavras-chave: progesterona, filme de bismuto, onda quadrada.

Introdução

Nos últimos tempos os interferentes endócrinos vêm sendo alvo de diferentes tipos de pesquisas. Eles são
pertencentes a uma nova classe de contaminantes ambientais, pois foi constatado que eles interferem no sistema
endócrino das diversas formas de vida animal. São também conhecidos como desreguladores endócrinos e são capazes
de assumir a função de um hormônio natural ou impedir a funcionalidade do mesmo, por isso o interesse no estudo
dessa classe compostos.
A progesterona é um hormônio vital para a saúde humana e animal, além de ser responsável pelas características
sexuais, também tem papel importantíssimo no desenvolvimento e manutenção da gravidez[1]. O hormônio é muito
utilizado na indústria farmacêutica para tratamento de alopecia androgênica feminina, displasias mamárias e prevenção
de aborto. Apesar disso, na literatura pertinente, poucos trabalhos relatam a determinação eletroanalítica deste e de
outros hormônios sexuais.
As metodologias eletroanalíticas são bastante empregadas para determinação e quantificação de diferentes analitos
por apresentarem baixo custo, rapidez e, muitas vezes, não necessitando de abertura da amostra, além de permitirem a
obtenção de baixos limites de detecção. Poucos trabalhos sobre o estudo eletroquímico e a determinação eletroanalítica
da progesterona foram publicados, destacando-se somente os trabalhos de Arévalo (2008)[1] e Hutton (1984)[2] e seus
colaboradores.
O eletrodo de filme de bismuto (EFBi) surgiu há uma década como uma alternativa aos eletrodos de mercúrio,
primeiramente para a determinação de metais e, posteriormente, para compostos orgânicos[3]. O EFBi tem sido cada
vez mais empregado devido às propriedades semelhantes ao mercúrio para a determinação de diferentes analitos, mas
com a vantagem de ser considerado um “amigo do meio ambiente” por apresentar uma toxicidade extremamente baixa,
além de alta estabilidade mecânica.
Esse trabalho tem como objetivo principal a determinação de progesterona em uma solução capilar utilizada para
tratamento de calvície feminina empregando um eletrodo de filme de bismuto assistido pela voltametria de onda
quadrada.

Procedimento Experimental

Voltamogramas cíclicos, de onda quadrada e a preparação do filme de bismuto foram realizados num potenciostato/
galvanostato EG&G PARCTM, modelo 263 A, com o auxilio do software M270 acoplado a um computador pessoal.
Foi utilizada uma célula convencional de 25 mL para três eletrodos; sendo o eletrodo de trabalho um filme de bismuto
depositado em substrato de carbono vítreo (A= 0.07cm2) e um fio de platina e Ag/AgCl saturado com KCl como
eletrodos auxiliar e de referência, respectivamente.
Todos os reagentes utilizados para esse trabalho são de alto grau de pureza; as soluções aquosas foram preparadas
com água purificada usando um sistema milli-Q da Millipore (Bedford, MA, USA). Solução-estoque contendo padrão de
progesterona 2,0 x 10-2 mol L-1 foi preparada utilizando etanol como solvente e soluções de trabalho menos concentradas
foram preparadas diariamente por diluição. Para os estudos de adição e recuperação, soluções do hormônio foram
adicionadas a uma formulação farmacêutica (solução capilar) gentilmente cedida por uma farmácia de manipulação.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1680


De maneira geral, o filme de bismuto foi obtido ex-situ pela imposição de um potencial controlado por um tempo
determinado ao eletrodo de carbono vítreo imerso em uma solução de Bi(NO3)3 2,0 x 10-2 mol L-1 em HCl 1,0 mol
L-1. Posteriormente, o EFBi obtido foi usado em outra célula contendo o eletrólito de suporte adequado e soluções de
progesterona para a obtenção das curvas voltamétricas.

Resultados e Discussão

Experimentos preliminares para otimizar a preparação do EFBi, a pré-concentração da progesterona sobre o EFBi
e a escolha do eletrólito suporte e pH ideais de trabalho foram realizados usando a voltametria cíclica (v = 200 mV s-1)
em solução tampão B-R (pH 12) na presença de progesterona 4,0 x 10-5 mol L-1. Um pico de redução irreversível para
o hormônio foi observado em -1,63 V. O melhor compromisso entre altura do pico de redução e perfil voltamétrico foi
obtido quando o EFBi foi preparado em -0,3 V com tempo de deposição de 12 s. Na sequência, potencial e tempo de
pré-concentração (adsorção) da progesterona foram avaliados, tendo-se obtido os melhores resultados para Eads = -1,0
V e tads = 60 s. Foram também testados como eletrólitos suporte, as soluções de hidróxido de sódio, hidróxido de lítio,
solução de Ringer e tampão B-R (pH 12), todas na concentração de 0,1 mol L-1. Uma solução 0,1 mol L-1 de NaOH foi
utilizada para o ajuste de pH do tampão B-R, escolhido como eletrólito suporte por fornecer os melhores resultados.
Estudos a fim de se observar o efeito do pH sobre o pico de redução da progesterona em soluções tampão B-R de pH
6 a 12 foram realizados. Verificou-se o deslocamento do potencial para valores mais negativos com o aumento do pH
entre 6 e 10 e um valor constante para o potencial para pH entre 10 e 12. A intersecção das duas retas demarcou o pKa
experimental da progesterona sendo próximo a 10,9.
A figura 1 mostra a otimização dos parâmetros experimentais para a aplicação da voltametria de onda quadrada.
Neste caso usou-se o EFBi imerso em tampão B-R 0,1 mol L-1 (pH 12) como eletrólito suporte contendo progesterona
6,0 x 10-6 mol L-1. Na voltametria de onda quadrada também se observou um pico de redução em -1,63 V. Foram
escolhidos os valores 80 Hz, 70 mV e 5 mV para a frequência (f), amplitude de pulso (a) e incremento de potencial
(∆ES), respectivamente para sequência do desenvolvimento do método eletroanalítico.

Figura 1: Dependência da corrente catódica com (A) frequência (a = 25 mV e ∆Es = 2mV), (B) amplitude de pulso (f =
80 Hz e ∆Es = 5mV) e (C) incremento de potencial ( f = 80 Hz e a = 25mV) para um EFBi imerso em tampão B-R (pH
12) contendo progesterona 6,0 x 10-6 mol L-1. Dados obtidos por voltametria de onda quadrada.

A figura 2A mostra os voltamogramas de onda quadrada referentes à curva analítica (inserida). Observa-se que a
faixa linear variou entre as concentrações 4,0 x 10-7 a 7,9 x 10-6 mol L-1 e a curva apresentou uma inclinação de 0,57 mA
L mol-1 cm-2 com coeficiente de correlação linear de 0,9983, limite de detecção igual 1,80 x 10-7 mol L-1 e quantificação
6,11 x 10-7 mol L-1. Foram realizadas para uma dada concentração contida na curva analítica as medidas para constatar
a precisão fornecida pelo EFBi. O desvio padrão relativo (RSD) para as medidas de densidade de corrente interdia
foi 2,69% e 2,30% para medidas intradia (ambas n = 5). Já a figura 2B corresponde aos dados para a determinação da
amostra (realizada em triplicada no mesmo dia e em dias diferentes) e aos ensaios de adição e recuperação. O RSD
para as determinações interdia e intradia foram 2,18% e 9,5%, respectivamente, indicando a boa repetibilidade do
método. A curva de adição de padrão apresentou uma inclinação de 0,50 mA L mol-1 cm-2, muito próxima à inclinação
da curva analítica, comprovando a seletividade do método e indicando que os componentes da amostra não interferem
na determinação da progesterona. Os ensaios de recuperação apresentaram valores entre 96,8% a 115,0% para a
progesterona na solução capilar analisada, evidenciando assim a exatidão do método proposto.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1681


B
-4 4
A
-5 a

− Dj / mA cm-2
-6 3
k 5
Dj / mA cm-2

-7
4
-8 2

− Dj / mA cm-2
3
-9
2
-10 1
1 4,5
-11
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
-12 [progesterona] / m mol L-1
0
-1,8 -1,7 -1,6 -1,5 -1,4 -1,3 -1,2 -1,1 -1,0 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3
E / V vs Ag/AgCl [progesterona] / 10-6 mol L-1

Figura 2: A) Voltamogramas de onda quadrada para a progesterona: (a) branco (b) 4,0 x 10-7 mol L-1 (c) 7,0 x 10-7 mol
L-1 (d) 1,0 x 10-6 mol L-1 (e) 2,0 x 10-6 mol L-1 (f) 3,0 x 10-6 mol L-1 (g) 4,0 x 10-6 mol L-1 (h) 5,0 x 10-6 mol L-1 (i) 5,9 x10-6
mol L-1 (j) 6,9 x 10-6 mol L-1 (k) 7,9 10-6 mol L-1 (Inserção: curva analítica), B) Determinação eletroanalítica e estudos
de recuperação para a progesterona em uma solução capilar. EFBi em solução de tampão BR (pH 12).

Conclusão:

O EFBi preparado pelo método ex situ mostrou aplicabilidade para a determinação de progesterona em solução
capilar usada para tratamento de calvície feminina. A redução da progesterona sobre o BiFE gerou um pico em -1,63
V que respondeu de forma linear para concentrações entre 4,0 x 10-7 e 7,9 x 10-6 mol L-1. A voltametria de onda
quadrada foi a técnica escolhida para o desenvolvimento do método. Com os parâmetros experimentais ajustados foi
possível a determinação da progesterona no medicamento com o EFBi sem necessidade de preparação da amostra. Os
experimentos realizados demonstraram uma ótima precisão e exatidão do método proposto.

AgradeCimentos: CNPq,CAPES, PPGQ/UFSC.

Referências

[1] ARÉVALO, F.J.; MOLINA, P.G.; ZÓN, M.A. and FERNÁNDEZ, H.; “Novel studies about the electrochemical
reduction of progesterone (P4) in acetonitrile at glassy carbon electrodes”, J. Electroanal. Chem. 619-620: 46-52,
2008
[2] WANG, J.; FARIAS, P.A.M. and MAHMOUD, J.S.; “Adsorptive stripping voltammetry of sex hormones at the
static mercury drop electrode”, Anal. Chim. Acta 171:195-204,1985
[3] HUTTON, E.A.; OGOREVC, B.; HOCEVAR, S.B.; WELDON, F.; SMYTH. M.R. and WANG, J.; “An introduction
to bismuth film electrode for use in cathodic electrochemical detection”, Electrochem. Commun. 3: 707–711, 2001.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1682


ME20

VALIDAÇÃO DE UM NOVO MÉTODO ANALÍTICO PARA A


QUANTIFICAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS LIVRES EM BIODIESEL

Elizabeth Figueiredo1,2, Eliane D’Elia1, Eduardo Cavalcanti2

1
Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro - RJ - Brasil; 2 Instituto Nacional de Tecnologia
INT, Rio de Janeiro - RJ - Brasil, elizabeth.figueiredo@int.gov.br

RESUMO: Uma das fontes renováveis de energia mais promissoras da atualidade é o biodiesel. Ele pode ser adicionado
ao diesel em qualquer proporção e esta mistura utilizada diretamente nos motores diesel. Para garantir a sua qualidade,
as normas ASTM D675, DIN EN 14214 e a resolução ANP nº. 4 de 22/02/2010 definiram parâmetros físico-químicos e
químicos, dentre eles, o índice de acidez. As normas adotadas baseiam-se na titulação potenciométrica que apresenta
grande consumo de amostra, longo tempo de análise e não é seletiva. Este trabalho propõe a validação de um novo
método de quantificação de acidez em biodiesel a partir da redução da quinona (VK3) na presença de ácidos graxos
livre,s utilizando-se o eletrodo de carbono vítreo como eletrodo de trabalho. O pré-pico originado pela presença de
ácidos é proporcional à sua concentração. Este método mostrou ser seletivo, rápido e apresenta boa recuperação.
Palavras-chave: Biodiesel, Ácidos graxos, voltametria, eletrodo de carbono vítreo, mediador eletroquímico.

Introdução

A busca por novas fontes renováveis de energia a fim de substituir os combustíveis fósseis tem se tornado uma
preocupação mundial. O biodiesel destaca-se como uma das opções mais promissora existente devido principalmente à
semelhança em suas propriedades com o diesel. Quando misturado ao diesel, pode ser utilizado diretamente em motores
diesel sem qualquer adaptação do motor, além de melhorar a sua lubricidade [1]. Além disso, o biodiesel apresenta
baixo impacto ambiental, reduzida toxidade e alta biodegradabilidade [2]. O biodiesel é uma mistura de éteres mono-
alquílicos, metílicos ou etílicos, de ácidos graxos [3]. As principais normas internacionais que padronizam o biodiesel
são a ASTM D 6751 e DIN EN 14214, ambas têm como um dos parâmetros principais o índice de acidez expresso
como a quantidade em mg de KOH necessária para neutralizar 1 g de óleo [4,5]. O seu valor limite adotado é de 0,5
mg de KOH/g de óleo. No Brasil, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) através da resolução nº. 04 de 22/02/2010
também estabeleceu o mesmo valor para este índice [6]. Os ácidos graxos livres, principalmente os poliinsaturados,
demonstram maior tendência à auto-oxidação, gerando produtos de oxidação que diminuem a estabilidade oxidativa
do biodiesel e formam polímeros, geradores de goma, que contribuem para o desgaste do motor, além do aumento
da corrosividade que diminui a vida útil dos motores [1,7-10]. O ensaio adotado tanto na ANP quanto nas normas
internacionais baseia-se na titulação potenciométrica [11,12]. Os ácidos presentes são neutralizados pelo KOH e o
valor obtido nesta titulação corresponde ao teor de acidez da amostra. Este método não é seletivo, pois além de
neutralizar os ácidos graxos livres, qualquer substância que possa reagir com o KOH será contabilizada ao valor final
do teor de acidez. Há grande consumo de amostra, apresenta laborioso processo de preparo dos reagentes e execução
do ensaio. Mediante estes fatos, faz-se necessário a adoção de um método que seja prático, seletivo, que consuma o
mínimo de amostra e reduza o tempo de análise.
Este trabalho desenvolveu uma metodologia de análise de ácidos graxos por uma técnica voltamétrica, utilizando-
se carbono vítreo como eletrodo de trabalho em solução etanólica contendo a quinona 2-metil-1,4-naftoquinona como
mediador eletroquímico. Em solventes apróticos, o voltamograma das quinonas se apresenta com dois picos catódicos
separados por aproximadamente 0,7 V. Esses dois picos aparecem devido à redução da quinona, Q ao radical Q- .
que, em seguida, se reduz à espécie Q2-. Na presença de ácidos carboxílicos, por exemplo, o mecanismo desta reação
muda, dando origem a um novo pico que aparece antes do pico da primeira redução, chamado de pré-pico cuja altura
é proporcional à concentração ácida [13]. Este método foi validado, determinando-se o seu LQ e LD, sua linearidade,
recuperação, efeito de matriz e seletividade. Realizou-se também a determinação do índice de acidez em amostras
reais de biodiesel tanto pelo método proposto quanto pelo método potenciométrico, no intuito de realizar uma análise
comparativa dos dois métodos.

Procedimento Experimental

Utilizou-se o potenciostato da AUTOLAB modelo µautolab type III e célula eletroquímica constituída por um
eletrodo de carbono vítreo de 3 mm de diâmetro como eletrodo de trabalho, eletrodo de Ag/AgCl como eletrodo de
referência e um fio de platina como contra-eletrodo.
Na célula contendo 10 mL de solução 3 mmol L-1 de VK3 e 38 mmol L-1 de LiClO4 em etanol, purgou-se N2 por dois
minutos a fim de se eliminar todo o oxigênio dissolvido. Logo após, aplicou-se uma varredura de potencial de +0,4
a -0,65 V com taxa de varredura igual a 0,5 V/s. A cada nova leitura, fez-se o polimento da superfície do eletrodo de

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1683


trabalho com uma lixa d’água de granulação 2000. A cada adição de amostra, repetiu-se a purga com N2. As análises
foram feitas em triplicata.

Resultados e Discussão

Avaliação da Linearidade
Tanto as normas internacionais quanto a ANP estabelecem como limite máximo aceitável de acidez total em
amostras de biodiesel o valor de 0,5 mg de KOH/g de óleo. A partir deste valor, definiu-se a melhor faixa de trabalho
que atendesse a teores reais de acidez em amostras de biodiesel. Possíveis valores aberrantes foram verificados
aplicando-se o teste de Grubbs [14]. A respectiva curva de calibração foi submetida ao teste de Cochran para avaliar
o desvio bilateral das variâncias a um nível de significância de 5%, o qual classificou o método como homocedástico
(Ccalc< Ctab). A curva de calibração foi construída e a reta foi ajustada ao modelo Y = a + bx pelo método dos mínimo
quadrados. O coeficiente de correlação linear indicou uma dispersão dos pontos em torno da reta maior que 99%, o que
foi considerado muito bom.

Limite de Detecção (LD) e Quantificação (LQ)


Os limites de detecção e quantificação foram estimados mediante a leitura de 9 repetições do branco no potencial
referente ao menor ponto da curva de calibração (na faixa de -0,2495 a -0,2550 V). Tendo como critério LD = 3s+Ybmed
e LQ = 10s+Ybmed [15], e considerando-se o volume de alíquota de 5 mL e massa específica do biodiesel de 0,88 g/cm3,
encontrou-se os valores de 0,007 e 0,020 mg de KOH/g de óleo, respectivamente.
Os valores de LD e LQ experimentais encontrados foram 0,015 e 0,045 mg de KOH/g de óleo, respectivamente,
adotando-se LQ=3LD. Os valores de LD e LQ obtidos estatística e experimentalmente atendem à especificação
internacional e brasileira.

Avaliação da Recuperação
A partir de três concentrações diferentes de amostras sintéticas com padrões de ácidos graxos usualmente
encontrados nos óleos vegetais e gorduras, estimou-se a recuperação do método proposto. O método voltamétrico
apresentou uma ótima recuperação na faixa de 90 a 104%, ou seja, um erro máximo de 10%

Avaliação do Efeito de Matriz


Para avaliar o efeito de matriz, construiu-se duas curvas de calibração, sendo uma obtida na presença de biodiesel e
a outra isenta desta matriz, sob as mesmas condições experimentais. As equações das curvas geradas foram comparadas
e encontram-se na tabela 1. A partir do valor calculado de F, conclui-se que não há efeito de matriz para este método.
As curvas voltamétricas encontram-se na figura 1.

Tabela 1: Dados obtidos para o estudo do efeito de matriz


Situação Equações (n=5) R Se2 F0,05;4,4= 9,6 t0,1;6 = 1,94

Na ausência de matriz A = -0,3285n + 3E-08 0,9998 9,63E-15


Fcal = 0,51 tcal = -0,16
Na presença de matriz A = -0,3312n + 9E-08 0,9997 1,89E-14

R = Coeficiente de Correlação linear da reta Se2 = Variância da reta F = valor de Snedecor t = valor de t-Student

branco
-1,0x10-5 1000uL de biodiesel
1000uL de biodiesel e 250uL de ác. palmítico 0,01M
1000uL de biodiesel e 500uL de ác. palmítico 0,01M
-8,0x10-6 1000uL de biodiesel e 750uL de ác. palmítico 0,01M
1000uL de biodiesel e 1000uL de ác. palmítico 0,01M
1000uL de biodiesel e 1500uL de ác. palmítico 0,01M
-6,0x10-6
I (A/cm2)

-4,0x10-6

-2,0x10-6

0,0

2,0x10-6

-0,5 -0,4 -0,3 -0,2 -0,1 0,0


E (V)

Figura 1: Voltamogramas de sucessivas adições de ácido palmítico 0,01mol.L-1 sobre a matriz biodiesel.
Avaliação da Seletividade

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1684


Para este estudo foram utilizados potenciais contaminantes presentes no biodiesel como aditivos antioxidantes à
base de fenóis e até mesmo ácidos minerais restantes do processo de fabricação. Observou-se que, somente em grandes
concentrações, o HCl pode ser um interferente, sendo esta hipótese inviável de acontecer. Os fenóis não apresentam
eletroatividade na faixa de potencial de trabalho, portanto não são interferentes para este método.

Determinação do Índice de Acidez em Amostras reais de Biodiesel


A partir de amostras de biodiesel com o índice de acidez determinado pelo método normatizado, determinou-se este
índice pelo método proposto. Os valores encontrados estão na tabela 2.

Tabela 2: Índice de acidez em mgKOH/g de amostra pelo método potenciométrico e o método proposto

Amostra Método potenciométrico Método proposto


Biodiesel A 0,32 0,16
Biodiesel B 0,30 0,19
Biodiesel C 0,34 0,20
Biodiesel D 0,40 0,20

Há diferença significativa nos resultados encontrados entre os dois métodos chegando até 50%. Acredita-se que esta
discrepância entre os resultados seja devido à presença de compostos que possam reagir com a base e, portanto, serem
contabilizados ao valor final do índice de acidez da amostra pelo método potenciométrico. Uma das possíveis reações
paralelas na titulação do biodiesel é a reação de saponificação que ocorre entre os mono, di e tri glicerídeos presentes
no biodiesel pela incompleta transesterificação na sua produção, formando sais de ácidos graxos (sabões), que com o
consumo de base, contribui para o aumento do índice de acidez da amostra.
Mediante os resultados apresentados, conclui-se que o método proposto é seletivo, possui ótima recuperação,
linearidade, não há efeito de matriz e atende as especificações internacionais e brasileira vigentes.

AgradeCimentos: INT, capes, cenpes.

Referências

[1] A. Demirbas, “ Progress and recent trends in biodiesel fuel”, Energ.Conv. and Man., 50, 14-34,2009.
[2] J. K. Satyarthi, D.Srinivas, P. Ratnasamy, “Estimation of free fatty acid content in oils fats and biodiesel by 1H
NMR spectroscopy”, Energ. & Fuels, 23, 2273-2277,2009.
[3] G. Knothe, J.V.Gerpen, J.Kral, L.P. Ramos, Manual de Biodiesel, Edgar Blucher, São Paulo, 2006.
[4]ASTM D6751 - 11a Standard Specification for Biodiesel Fuel Blend Stock (B100) for Middle Distillate Fuels.
[5]DIN EN 14214:2010 Automotive fuels - Fatty acid methyl esters (FAME) for diesel engines - Requirements and
test methods;
[6] RESOLUÇÃO ANP Nº 4, DE 2.2.2010 - DOU 3.2.2010 – RETIFICADA DOU 22.2.2010
[7] S. Saraf, B. Thomas, “Influence of feedstock and process chemistry on biodiesel quality” Trans IChem E, 85, 360-
364, 2007.
[8] M. R. Monteiro, A. R. P. Ambosim, L. M. Lião, A. G. Ferreira, “Critical review on analytical methods for biodiesel
characterization”,Talanta, 77, 593-605,2008.
[9] J.Y. Park, D.K. Kim, J. P. Lee, S. C. Park, Y. J. Kim, J. S. Lee, “Blending effects of biodiesels on oxidation stability
and low temperature flow properties”, Bio. Tech., 99, 1196-1203,2008.
[10] G. Knothe, “Some aspects of biodiesel oxidative stability”, Fuel Proc. Tech., 88, 669-677,2007.
[11]ASTM D664 - 09a Standard Test Method for Acid Number of Petroleum Products by Potentiometric Titration
[12] ABNT NBR 14448:2009 Produtos de petróleo — Determinação do número de acidez pelo método de titulação
potenciométrica.
[13] K. Tamakura, T. Fuse,K. Arai, F. Kusu, “A review of a new voltammetric method for determining acids”, Jour. of
Electr.Chem., 468, 53-63, 1999.
[14] , J. C. Miller, J. N. Miller, Estatística para química analítica, 2nd ed., Addison-Wesley Wilmington: Delaware,
1993.
[15] INMETRO,Orientações sobre validação de métodos de ensaios químicos, DOQCGCRE-
008, Rev. Fev./2010.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1685


ME21

OXIDAÇÃO ELETROQUÍMICA DA RICINA SOBRE ELETRODO DE


CARBONO VÍTREO

Williame F. Ribeiro1, Ilanna C. Lopes1, Daniel J. E. da Costa1, Everaldo P. de Medeiros2, Valberes


B. do Nascimento3 e Mário C. U. de Araújo1

1
Universidade Federal da Paraíba - UFPB, João Pessoa - PB - Brasil; 2 Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA Algodão, Campina Grande - PB - Brasil, 3Universidade
Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Recife - PE - Brasil. wl.jampa@gmail.com

RESUMO: A Ricina (RCA) é uma proteína tóxica inibidora dos ribossomos, de classe II, extraída do endosperma
da semente da mamona, constituída por duas cadeias peptídicas ligadas covalentemente por uma ponte dissulfeto,
formada pela combinação dos resíduos de 17 aminoácidos essenciais. Neste trabalho, dois picos de oxidação
eletroquímica quase-reversíveis da RCA foram verificados sobre eletrodo de carbono vítreo por voltametria de onda
quadrada e voltametria cíclica. O estudo do pH por voltametria de pulso diferencial revelou ampla dependência (2,0
≤ pH ≤ 10,0) com os potenciais de pico de modo que o mecanismo de reação envolve a transferência de 2H+/2e- e
1H+/1e-, para os P1 e P2, respectivamente. Ambos os picos apresentaram intensidade de corrente máxima em pH 7,0.
Um comportamento eletroquímico similar para amostras de RCA de cultivares diferentes aponta a possibilidade de
desenvolvimento de um método eletroanalítico voltamétrico para esta proteína.
Palavras-chave: ricina, eletrodo de carbono vítreo, oxidação eletroquímica, voltametria.

Introdução

A mamona (Ricinus communis) é uma das 7.000 espécies da família das Euforbiáceas. Na sua cadeia produtiva,
obtém-se o óleo (produção de biodiesel) extraído de suas sementes e a torta da mamona que é utilizada, em geral, como
adubo orgânico (alto teor de nitrogênio) e, ainda com uso restrito, após detoxicação, como ração animal (elevado teor
de proteína). No entanto, o seu uso como ração animal tem sido comprometido por apresentar em sua composição
compostos tóxicos e alergênicos, a saber: ricina, ricinina e os alérgenos. Processos físicos e químicos têm sido utilizados
para a detoxificação e desalergenização da torta da mamona. [1-2]
A Ricina - RCA, Figura 1, (ponto isoelétrico 7,1 e massa molecular ≈ 60 kDa) é uma proteína tóxica, heterodimérica
(glicoproteína), inibidora dos ribossomos (classe II), constituída por duas cadeias peptídicas ligadas covalentemente
por uma ponte dissulfeto. A complexidade da molécula se dá pela combinação de 17 resíduos de aminoácidos essenciais
(RAE). A cadeia “A” (citotóxica, 32 kDa, 267 RAE), catalisa a depurinação de uma invariante Adenina do rRNA 28S,
bloqueando a síntese de proteínas, promovendo a morte celular quando ligada a cadeia “B” (lectina, 32 kDa, 262 RAE)
pela ponte dissulfeto. Sua toxicidade tem sido observada em animais, insetos e humanos, seja por inalação, ingestão ou
injeção, tendo, por conseguinte, sido utilizada na produção de armas químicas. Paradoxalmente, de forma promissora
ela está sendo testada no tratamento do câncer e da AIDS.[1-4]

Figura 1. Estrutura 3D da ricina. Cadeia A (colorida), cadeia B (verde) e ponte dissulfeto (azul).[3]

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1686


Os principais métodos analíticos para a detecção e determinação de RCA empregam separações cromatográficas,
biossensores e ensaios imunoquímicos.[2] Estes métodos apresentam alguns inconvenientes: são laboriosos, caros,
requerem mão-de-obra especializada, envolvem diversas etapas e provas bioquímicas, além de equipamentos
sofisticados.
Neste trabalho a oxidação eletroquímica da RCA foi estudada sobre um eletrodo de carbono vítreo (ECV), em uma
ampla faixa de pH, usando voltametria cíclica (VC), voltametria de pulso diferencial (VPD) e voltametria de onda
quadrada (VOQ) visando o desenvolvimento de um método voltamétrico para controle de qualidade da RCA extraída
de diversos cultivares.

Procedimento Experimental

As medições voltamétricas foram realizadas em um potenciostato Eco Chemie, μAutolab® Type II, acoplado a
um módulo polarográfico Metrohm, 663 VA Stand®, equipado com um ECV (d = 2 mm) como eletrodo de trabalho,
um eletrodo de referência Ag/AgCl e um fio de platina como contra eletrodo. Antes de cada medição eletroquímica,
o ECV sofreu uma limpeza mecânica e eletroquímica. Sendo assim, a superfície do ECV foi polida com spray de
diamante (1 mm) e depois rinsada abundantemente com água deionizada (Milli-Q 18 MΩ cm-1). Em seguida, o ECV
foi condicionado em ácido sulfúrico 0,1 mol L-1 através do registro de 10 voltamogramas cíclicos em uma janela de
potencial de -1,2 V a 1,4 V a 1,0 Vs-1, utilizando voltametria cíclica.
Soluções tampão (força iônica ≈ 0,1 mol L-1) foram utilizadas como eletrólito suporte. Solução estoque de RCA foi
preparada na concentração de 1,0 mmol L-1 e guardada na geladeira sem evidências de processo de hidrólise. Todas as
soluções foram preparadas com água e com reagentes de alta pureza.
As condições experimentais utilizadas foram: amplitude de pulso 50 mV, tempo de modulação 7 ms e velocidade
de varredura de 5 mV s-1 (VPD); frequência de 50 Hz, incremento de 2 mV e amplitude de pulso 50 mV (VOQ) e
velocidade de varredura 100 mV s-1, incremento de potencial 2 mV e janela de potencial de 0 a 1,4 V (VC).
As amostras de RCA (≈ 90%) foram extraídas de três cultivares distintas de mamona (BRS Paraguaçu, BRS
Nordestina e BRS Energia) as quais cedidas pela EMBRAPA Algodão-PB. O procedimento de extração da RCA 60
envolveu as seguintes etapas: a) Maceração do endosperma da semente; b) Remoção de gordura misturando massa
e hexano na proporção 1:3 (m/v) sob agitação automática por 12 h; c) Mistura da massa e água na proporção 1:4
(m/v) e agitação por 30 min; d) Centrifugação por 15 min a 14000 rpm; e) Obtenção do extrato bruto magro de RCA
(sobrenadante solúvel em água); f) Liofilização do extrato magro.

Resultados e Discussão

Para os estudos eletroquímicos apresentados abaixo, foi empregada a RCA extraída da cultivar BRS Paraguaçu,
sendo registrados também voltamogramas comparativos em VOQ para as demais espécies. Em adição, qualquer que
seja a análise, esta deve ser vista como o resultado médio da participação de alguns dos 17 aminoácidos das cadeias
A e B.
A eletroatividade da RCA 60 extraída da BRS Paraguaçu em ECV foi estudada por VC e VOQ (Figura 2) em
tampão fosfato (pH 7,0) e apresentou dois picos de oxidação (Ep,1 = + 0,367 V e Ep,2 = + 0,751 V). Ambos os picos ao
apresentarem as componentes de corrente direta e reversa indicaram que a reação eletródica deve corresponder a um
processo quase-reversível.

P2
It
P1
Id

Ir

2.5 mA

0.2 0.4 0.6 0.8 1.0


Ep / V vs. Ag/AgCl
Figura 2. VOQ de RCA Paraguaçu 200 mmol L-1 em tampão pH 7,0: It - corrente total, Id – corrente direta e Ir - corrente
reversa.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1687


Devido à complexidade da molécula de RCA 60, os centros eletroativos advêm dos aminoácidos que a constituem.
Estudos recentes sobre a oxidação eletroquímica do aminoácido cisteína, em tampão fosfato (pH 7,0), sobre ECV
por VPD demonstraram a presença de duas ondas de oxidação (Ep,1 ≈ + 0,4 V e Ep,2 ≈ + 0,8 V). Os autores atribuem
que o P1 pode está relacionado com a oxidação do grupo sulfidrila (-SH) em um radical que sofre ataque nucleofílico
pela molécula de água formando o radical sulfínico, este oxidado a ácido cistéico e também a cistina, que após reagir
com outro radical forma uma ponte dissulfeto entre duas moléculas de cisteína. Já o P2 corresponde à oxidação do
ácido sulfínico em ácido cistéico. No mesmo estudo, comprova-se que o aminoácido metionina também oxida sobre
ECV em tampão (pH 7,0) no mesmo potencial de pico da Cisteína. Pela proximidade dos potenciais de pico com os
observados nesse estudo, um julgamento prévio pode ser atribuído sobre o mecanismo da RCA e provavelmente os
centros eletroativos da RCA podem ser os supostos picos proveniente de ambos os aminoácidos.[5] Outro estudo aponta
para a oxidação eletroquímica do aminoácido Tirosina (Ep = + 0,807 V) sobre ECV em tampão (pH 7,0), [6] consistente
com o P2 da RCA. No entanto, para uma associação definitiva se faz necessário uma investigação sobre a eletroquímica
dos aminoácidos constituintes da RCA no intuito de inferir com maior segurança sobre o mecanismo da reação.
A influência do pH sobre a oxidação eletroquímica da RCA foi estudada por VPD numa faixa de pH de 2,0 a 12,0
(Figuras 3 A e B). Para valores de 2,0 ≤ pH ≤ 10,0, os potenciais Ep,1 e Ep,2, apresentam uma dependência linear com
o pH e deslocam-se para potenciais mais negativos com o aumento do pH. A relação linear (Ep vs. pH) revelou uma
inclinação de -52 mV/pH para o P1 e -61 mV/pH para o P2, apontando um mecanismo de reação quase-reversível
envolvendo o mesmo número de prótons e elétrons para de ambos os processos. Levando-se em consideração que a
largura do pico a meia altura é 57,3 mV e 104,6 mV, o processo de oxidação envolve a transferência de 2H+/2e- (P1)
e 1H+/1e- (P2). Para pH > 10,0, Ep,1 e Ep,2 independem do pH indicando que nesta faixa de pH o mecanismo de reação
envolveria a transferência de 2e- (P1) e 1e- (P2) e seus produtos de oxidação poderiam sofrer desprotonação química
em meio alcalino. Assim, um valor de pKa @ 10,0 foi determinado para ambos os picos de oxidação da RCA. Para os
estudos eletroanalíticos futuros, será usado o tampão fosfato pH 7,0 como eletrólito suporte, por atender a uma boa
condição de compromisso entre sensibilidade e resposta analítica.
(A) (B) (C)
Equation
Adj. R-Square

P2 1.0 E
c
E

P1 b
25 nA
Ep / V vs. Ag/AgCl

0.8 Equation
Adj. R-Square

I a
P1 0.6
I

P2
Equation
0.4 Adj. R-Square

B
B
12 0.9 0.2 100 nA
10 l P1
8 0.6 gC Equation

6 A Adj. R-Square

4 0.3 Ag/
pH 2 s. 0.0 G

0.0 V v 2 4 6 8 10 12
G
0.4 0.6 0.8 1.0
/
Ep pH Ep / V vs. Ag/AgCl

Figura 3. (A) VPD com linha de base corrigida de RCA 60 extraída da BRS Paraguaçu 100 mmol L-1 em diferentes
eletrólitos (HCl/KCl; HAc/NaAc; NaH2PO4/Na2HPO4; NaOH/KCl e bórax/NaOH) em função do pH. (B) Relação do
Ep vs. pH. (C) VOQ com linha de base corrigida em tampão fosfato (pH 7,0): a) RCA 60 Paraguaçu (100 mmol L-1); b)
RCA Nordestina (100 mmol L-1) e c) RCA Energia (200 mmol L-1).

Comportamento eletroquímico similar foi observado ao registrar VOQ (Figura 3C) em tampão fosfato (pH 7,0),
nas mesmas condições experimentais, para amostras de RCA extraídas de diferentes cultivares de mamona (Nordestina
e Energia), o que aponta a possibilidade para a implementação de um método voltamétrico para controle de qualidade
da RCA em amostras oriundas de diferentes cultivares.

ConclusÕES

Esse estudo revelou que a RCA sofre dois processos de oxidação eletroquímica sobre ECV, com características
de processo quase-reversível certificado por VOQ em tampão fosfato (pH 7,0). Um possível mecanismo para os P1
e P2 envolve a transferência de 2H+/2e- e 1H+/1e-, respectivamente, para 2,0 ≤ pH ≤ 10,0. Desprotonação química
é evidenciada para ambos os picos em valores de pH > 10,0. Apesar da complexidade da molécula, tais resultados
presumem o desenvolvimento de um método voltamétrico para controle de qualidade da RCA em amostras de diferentes
cultivares, uma vez que estas apresentam comportamento eletroquímico similar.

AgradeCimentos: CAPES, CNPq e EMBRAPA Algodão-PB.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1688


Referências

[1] LORD, J.M., ROBERTS, L.M. and ROBERTUS, J.D., “Ricin: structure, mode of action, and some current
applications”, The FASEB Journal, 8:201-208, 1994.
[2] HOFFMAN, L.V., “Ricina: Um impasse para Utilização da Torta da Mamona e suas aplicações”, campina Grande:
Embrapa Algodão, 2007. (Embrapa Algodão. Documentos, 174).
[3] BRADBERRY, S., “Ricin and Abrin”, Medicine, 35(10):576-577, 2007.
[4] CHAKRAVARTULA, S.V.S, and GUTTARLA, N., “Amino acids of ricin and its polypeptides”, Natural Product
Research, 22(3):258-263, 2008.
[5] ENACHE, T.A. and OLIVEIRA-BRETT, A.M., “Boron doped diamond and glassy carbon electrodes comparative
study of the oxidation behaviour of cysteine and methionine”, Bioelectrochemistry, 81:46-52, 2011.
[6] CHENG, H., CHEN, C. and ZHANG, C., “Electrochemical Behavior and Sensitive Determination of L-Tyrosine
with a Gold Nanoparticles Modified Glassy Carbon Electrode”, Analytical Sciences, 25:1221-1225, 2009.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1689


ME22

CONTROLE DE QUALIDADE DE ASSOCIAÇÕES DE ÁCIDO ACETIL


SALICÍLICO E CAFEÍNA EM FORMULAÇÕES FARMACÊUTICAS POR
TÉCNICAS ELETROQUÍMICAS

Eric O. Faria1 (IC), Antônio C. V. Lopes1 (PG), Dênio E. P. Souto2 (PG), Fernando F. R. Leite1
(PG), Flávio S. Damos2 (PQ), Rita C. S. Luz2 (PQ), Wallans T. P. dos Santos1 (PQ).

1
Departamento de Farmácia; 2Departamento de Química - UFVJM, Diamantina - MG - Brasil.
wallanst@yahoo.com.br

RESUMO: O presente trabalho apresenta uma metodologia simples, rápida e de baixo custo para determinação
simultânea de o ácido acetilsalicílico e a cafeína em formulações farmacêuticas por meio da voltametria de pulso
diferencial, utilizando como eletrodo de trabalho o diamante dopado com boro. As melhores condições em função
da seletividade e sensibilidade para análise desses fármacos foi encontrado em meio de ácido sulfúrico 0,10 mol
L-1 sem a necessidade prévia da hidrolise alcalina do ácido acetilsalicílico. Os estudos da interferência entre os
fármacos em diferentes proporções de concentração não foram significativos e uma boa repetibilidade foi obtida
com desvios padrões relativos inferiores a 2,0% para cada um dos analitos. As curvas de calibração apresentaram
ótimos coeficientes de correlação linear para ambos os fármacos (R= 0,999) e os estudos de adição-recuperação nas
amostras indicaram nessas condições resultados próximos de 100%.
Palavras-chave: ácido acetilsalicílico; cafeína, voltametria de pulso diferencial

Introdução

Os fármacos são substâncias responsáveis desde o alívio de dores e sintomas, até a cura de doenças crônicas,
porém, quando usados em doses excessivas ou abaixo da dosagem, podem ser nocivos à saúde, podendo provocar até
a morte do paciente. Dessa forma, o desenvolvimento de métodos analíticos adequados para o controle de qualidade
do fármaco é de extrema importância para o sucesso do tratamento, minimização dos efeitos colaterais e fiscalização
pelos órgãos competentes. As associações de fármacos são comumente encontradas no mercado, sendo utilizada,
principalmente, quando se pretende potencializar o efeito por interação farmacodinâmica desses compostos [1], como,
por exemplo, o ácido acetilsalicílico (AAS) e a cafeína (CF). O AAS é um antiinflamatório não esteroide que tem
propriedades antipiréticas e analgésicas [2]. A CF é um alcaloide do grupo das xantinas, atuando como estimulante do
sistema nervoso central e do músculo cardíaco, provocando a diminuição do sono [3].
Segundo a Farmacopeia Americana [4], quando dois ou mais princípios ativos estão presentes numa determinada
formulação, a quantificação deve ser feita por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) com detecção no
ultravioleta (UV). Em contra partida, este método é dispendioso e apresenta baixa frequência analítica, além de gerar
grandes quantidades de resíduos em relação aos outros métodos. Dessa forma, a investigação de métodos de análises
mais rápidos e de menor custo, com seletividade e sensibilidade comparável à dos métodos oficiais é assunto de
grande interesse nessa área de pesquisa. Entre os outros métodos citados na literatura, os eletroanalíticos oferecem
características interessantes para serem explorados no controle de qualidade de fármacos devido à alta seletividade,
associada à elevada sensibilidade, baixo custo, simplicidade, e a alta frequência analítica. Recentemente, dois trabalhos
descreveram a determinação simultânea de AAS e CF utilizando sensores eletroquímicos. No primeiro, Bankim e
Ashwini apresentaram um sensor a base de nanotubos de carbono modificado com surfactante Triton X 100 para
quantificação desses compostos [5]. No outro, Goyal e colaboradores utilizaram como eletrodo de trabalho o grafite
pirolítico em meio de pH 7,2 para detecção desses compostos em amostras de urina [6]. No entanto, ambos os trabalhos
realizaram a hidrólise do AAS em meio alcalino antes da detecção eletroquímica, obtendo uma baixa resolução entre os
picos de oxidação do AAS (hidrolisado) e CF quando comparado com a detecção direta de AAS proposta por Sartori
e calaboradores em meio ácido [7]. Além disso, a etapa de hidrólise do AAS aumenta o tempo de preparação das
amostras. Considerando-se as potencialidades da detecção eletroquímica na análise de fármacos, o presente trabalho
apresenta a possibilidade de utilização da voltametria de pulso diferencial para determinação simultânea de AAS e CF
em formulações farmacêuticas sem a hidrólise prévia do AAS em meio alcalino.

Procedimento Experimental

As medidas eletroquímicas foram realizadas utilizando-se um potenciostato Autolab PGSTAT 128N (Eco Chemie)
e uma célula eletroquímica (volume de 10 mL) de três eletrodos, tendo platina e Ag/AgCl como eletrodo auxiliar e
referência respectivamente. Como eletrodos de trabalho foram utilizados o carbono vítreo e ouro (ambos de 3,14 mm2)
e diamante dopado com boro (DDB) em 8.000 ppm (3,0 mm2). O eletrodo de DDB foi previamente limpo em etanol
e eletroquimicamente tratado conforme descrito na literatura [7]. Os estudos do comportamento eletroquímico do

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1690


AAS (Sigma) e da CF (Sigma) foram realizados por voltametria cíclica com velocidade de varredura de 50 mV/s nas
respectivas faixas de potenciais fornecidas pelos eletrodos de trabalho em diferentes meios eletrolíticos de suporte.
O comportamento eletroquímico do AAS foi investigado após hidrólise alcalina em meio de NaOH 0,10 mol L-1 em
diferentes eletrólitos, bem como sem a necessidade da prévia hidrólise alcalina do AAS. A técnica de voltametria de
pulso diferencial (VPD) foi avaliada juntamente com os parâmetros analíticos para quantificação de CF e AAS em
formulações farmacêuticas.

Resultados e Discussão

As melhores condições de seletividade e sensibilidade da detecção em função do eletrólito foram obtidas em meio
de ácido sulfúrico 0,10 mol L-1 e sobre o eletrodo de trabalho de DDB, sem a necessidade da prévia hidrólise alcalina
do AAS. Os voltamogramas nessas condições são apresentados na Figura 1.

Figura 1: Voltamogramas cíclicos obtidos para uma solução de H2SO4 0,1 mol L-1 sobre DDB (a) e com a presença de
AAS 1,0 mmol L-1 (b) e CF 1,0 mmol L-1 (c). Velocidade de Varredura: 50mVs-1.

Os voltamogramas cíclicos dos fármacos (Fig.1) apresentaram picos de oxidação em aproximadamente 1,50 V e
2,00 V para a CF e o AAS, respectivamente. O resultado obtido nessas condições proporcionou uma boa resolução
entre o primeiro potencial de oxidação da CF e do AAS. Dessa forma, estudos para determinação simultânea destes
analitos foram conduzidos através da técnica de voltametria de pulso diferencial (VPD). A otimização dos parâmetros
da técnica de VPD foi realizada em função da escolha da amplitude de potencial e velocidade de varredura, buscando
a melhor sensibilidade e seletividade para análise desses compostos eletroativos. Sendo que as melhores condições
alcançadas foram em 90 mV para amplitude de potencial e 30 mV para velocidade de varredura. Posteriormente,
foram realizados os estudos de linearidade para análises dessas drogas em formulações farmacêuticas. As curvas de
calibração para ambos os fármacos pela VPD estão apresentadas na Figura 2.

Figura 2: Voltamogramas de Pulso Diferencial em meio de H2SO4 0,1 mol L-1 sob DDB contendo, CF e AAS nas
respectivas concentrações (mmol L-1): (a) 0,00 (b) 0,05 (c) 0,07 (d) 0,10 (e) 0,30 (f) 0,50 (g) 0,70 e (h) 1,00. Amplitude:
90 mV; Velocidade de Varredura: 30 mV. As Curvas de calibração são apresentadas ao lado da Figura.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1691


As curvas de calibração (Figura 2) proporcionaram excelentes coeficientes de correlação linear para ambos os
fármacos (R=0,999). Anteriormente a análise das amostras, foram realizados estudos de repetibilidade e interferência
entre os analitos no método proposto. Os estudos de repetibilidade baseados na Resolução 899 da ANVISA apresentaram
desvios padrões relativos menores do que 2% para ambos os fármaco [8]. A interferência de cada analito na análise
simultânea dos seus pares foi realizada variando a concentração de um dos analitos e mantendo o outro constante.
Primeiramente, variou-se a concentração de CF entre 1,02 x 10-5 mol L-1 a 1,76 x 10-3 mol L-1 e manteve-se constante
a do AAS em 6,58 x 10-5 mol L-1, em seguida, variou-se a concentração de AAS entre 1,11 x 10-5 mol L-1 a 1,50 x 10-3
mol L-1 e manteve-se constante a do CF em 5,00 x 10-5 mol L-1. Os resultados estão apresentados na Figura 3 e 4.

Figura 3: Voltamogramas de Pulso Diferencial sobre Figura 4: Voltamogramas de Pulso Diferencial sobre
DDB. AAS com concentração constante em 6,58 x 10-5 DDB. CF com concentração constante em 5,00 x 10-5
mol L-1 e variação de CF (mol L-1): (1) eletrólito, (2) mol L-1 e variação de AAS (mol L-1): (1) eletrólito (2)
1,02 x 10-5 até (13) 1,76 x 10-3. 1,11 x 10-5 até (14) 1,5 x 10-3.

A Figura 3 demonstra que a CF não interfere significativamente no sinal eletroquímico do AAS visto que os sinais
do mesmo diante da variação de CF até 22,4 vezes superior a concentração do AAS apresenta uma variação menor
que 10,0 %. Do mesmo modo a variação do AAS não interferiu na análise de CF (Figura 4), pois diante de variações
de AAS até 30 vezes a razão AAS/CF os sinais apresentaram uma variação menor que 1,53 %. Cabe destacar que, as
associações desses fármacos no mercado apresentam uma proporção de aproximadamente de 17 (dezessete) vezes
mais de AAS em relação à CF, ou seja, nessas formulações a CF não seria um interferente para análise de AAS e
vice-versa. Avaliados todos esses parâmetros, os estudos de adição- recuperação nas amostras foram realizados e os
resultados obtidos ficaram próximos de 100%.

ConclusÕES

A VPD em meio de H2SO4 0,1 mol L-1 sobre eletrodo de DDB sem a necessidade de hidrólise prévia de AAS pode
ser utilizada no controle de qualidade de associações de CF e AAS em formulações farmacêuticas. O método proposto
apresenta vantagens como: simplicidade de aplicação, rapidez e baixo custo em relação aos cromatográficos, podendo
permitir uma análise sem a necessidade de etapas tediosas de preparação da amostra e menor geração de resíduos.
Estudos de comparação com método cromatográfico estão sendo realizados para posterior validação o presente método.

AgradeCimentos: FAPEMIG - UFVJM.

Referências

[1] YANG X.X., et al.; “Drug-herb interactions: Eliminating toxicity with hard drug design” Current Pharmaceutical
Design, 12(35): 4649-4664, 2006.
[2] GOODMAN L.S., As Bases Farmacológicas da Terapêutica, McGraw Hill: Rio de Janeiro, pp 174-178, 1996.
[3] MONTEIRO M.C., TRUGO L.C. “Determinação de Compostos Bioativos em Amostras Comerciais de Café
Torrado” Química Nova, 28(4):637-641, 2005.
[4] United States Pharmacopoeia, in: U.S.P. 25 rev. (Ed.), The United States Pharmacopoeia, Convention: Rockville,
(2002).
[5] BANKIM, J. S.; ASHWINI, K. S.; “Simultaneous voltammetric determination of acetaminophen, aspirin and
caffeine using an in situ surfactant-modified multiwalled carbon nanotube paste electrode”, Electrochimica Acta 55:
8638-8648, 2010.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1692


[6] GOYAL, R. N.; et.al.; “Electrochemical sensor for the simultaneous determination of caffeine and aspirin in human
urine samples” journal of Electroanalytical Chemistry 655(2):97-102, 2011.
[7] SARTORI, E. R.; et al.; “Square-Wave Voltammetric Determination of Acetylsalicylic Acid in Pharmaceutical
Formulations using a Boron-Doped Diamond Electrode without the Need of Previous Alkaline Hydrolysis Step” J.
Braz. Chem. Soc. 20(2):360-366, 2009.
[8] Resolução 899 da ANVISA, http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2003/re/899_03re.htm ac. em 30/05/2011.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1693


ME23

DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIA VOLTAMÉTRICA


PARA DETERMINAÇÃO SIMULTÂNEA DE ÁCIDO KÓJICO E
HIDROQUINONA EM ELETRODO DE PASTA DE CARBONO (EPC)

Bianca do Amaral1, Sandra Stets2, Noemi Nagata2 e Christiana Andrade Pessôa1

1
Departamento de Química - UEPG, Ponta Grossa - PR - Brasil; 2 Departamento de
Química - UFPR, Curitiba - PR - Brasil. biaa.tiago@gmail.com

RESUMO: A voltametria de onda quadrada (VOQ) foi utilizada para o estudo do comportamento eletroquímico da
Hidroquinona (HQ) e Ácido Kójico (AK) empregando-se eletrodo de pasta de carbono (EPC). As análises foram
efetuadas em NaCl 0,7 mol L-1 (pH = 2,0), com freqüência de aplicação de pulsos de potencial de 20Hz, incremento de
varredura de 4 mV e amplitude de pulsos de 40 mV previamente otimizados através de um planejamento fatorial 23 para
ambos os fármacos. A curva de calibração construída para a determinação simultânea dos agentes despigmentantes
apresentou faixas lineares entre 9,90 a 91,0 mmol L-1 e 0,10 a 0,66 mmol L-1 para HQ e AK respectivamente. Os limites
de detecção foram de 3,59mmol L-1 para HQ e 44,4 mmol L-1 para AK.
Palavras-chave: Hidroquinona, Ácido Kójico, voltametria de onda quadrada

Introdução

A hidroquinona (HQ), 1,4-dihidroxibenzeno, e o ácido kójico (AK), 5-hidróxi-2-(hidroximetil)-4-pirona, são


importantes agentes despigmentantes utilizados em associações dermocosméticas, tendo sua origem predominantemente
na manipulação magistral em farmácias de manipulação [1]. Como esses estabelecimentos produzem quantidades
pequenas dessas formulações, o controle de qualidade do produto final é praticamente inexistente. Muitas das propostas
de análise para o controle de qualidade destes produtos farmacêuticos estão baseadas em técnicas instrumentais
modernas, muitas vezes onerosas, como eletroforese capilar [2] e cromatografia em fase líquida de alta eficiência
(HPLC) [3] sendo que esta última exige ainda um minucioso tratamento da amostra. Dessa forma, a necessidade
de desenvolver metodologias analíticas que viabilizem a determinação simultânea destes fármacos é evidente. As
técnicas eletroanalíticas, tais como a voltametria de onda quadrada, em função de constituírem uma alternativa barata,
rápida e de alta sensibilidade surgem como excelente opção para a determinação de fármacos em diferentes matrizes
[4], pois dispensam as etapas de pré-tratamento. Dentro deste contexto, os eletrodos preparados à base de pasta de
carbono (EPC) oferecem versatilidade, baixa corrente de fundo, baixo ruído, baixo custo e facilidade de renovação da
superfície.
No presente trabalho propõe-se o desenvolvimento de uma metodologia eletroanalítica para a determinação
simultânea de HQ e AK em EPC utilizando a técnica de voltametria de onda quadrada (SWV).

Procedimento Experimental

As análises voltamétricas foram realizadas em um potenciostato PalmSens acoplado a um microcomputador dotado


com software PSTrace 1.2, utilizando-se uma célula eletroquímica convencional com três eletrodos: um eletrodo de
trabalho (EPC), um eletrodo de referência (Ag/AgClsat) e um contra-eletrodo de platina. Inicialmente realizou-se a
otimização da resposta voltamétrica do AK e HQ frente a diversos eletrólitos suporte (tampão acetato 0,5 mol L-1,
tampão Britton-Robinson 0,04 mol L-1, tampão fosfato e fosfato salino ambos 0,1 mol L-1, Na2SO4 0,1 mol L-1, NaCl 0,5
mol L-1, Na2HPO4 0,1 mol L-1 e NH4Cl 0,1 mol L-1) mantendo a concentração dos fármacos constante (concentração de
AK e HQ iguais a 4,0 mmol L-1). A partir da seleção do eletrólito avaliou-se a concentração do mesmo na faixa de 0,1 a
0,7 mol L-1 e realizou-se o estudo do efeito do pH sobre as medidas voltamétricas em presença dos analitos mantendo-
se a concentração de AK e HQ constante (4,0 mmol L-1) na faixa de pH 2-10.
Para avaliar os efeitos dos parâmetros instrumentais da voltametria de onda quadrada (freqüência de aplicação
de pulsos de potencial (f), amplitude dos pulsos (a) e incremento de varredura (DEs)), utilizou-se um planejamento
fatorial completo 23 e metodologia de superfície de resposta utilizando o Software Statistica 6.1. Neste estudo manteve-
se a concentração dos fármacos constante (concentração de AK e HQ iguais a 0,1 mmol L-1) e as variáveis e níveis
estudados foram: f 10 Hz (-1) e 20 Hz (+1); a 20 mV (-1) e 40 mV (+1) e DEs 2 mV (-1) e 4 mV (+1).
Medidas voltamétricas em diferentes velocidades de varredura foram obtidas na faixa de 10 a 100 mV s-1 para ambos
os fármacos sendo a concentração de HQ e AK iguais a 1,32 mmol L-1. Posteriormente, para verificar a potencialidade
da metodologia eletroanalítica na determinação de AK e HQ, foram construídas curvas analíticas para os fármacos em
questão, nas condições otimizadas.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1694


Resultados e Discussão

O comportamento voltamétrico do AK e HQ sobre EPC foi avaliado frente a diversos eletrólitos suporte sendo que
a melhor sensibilidade e reprodutibilidade nas medidas foi encontrada em NaCl 0,5 mol L-1. Além disso, avaliou-se o
efeito da concentração do eletrólito na resposta voltamétrica dos analitos e os resultados indicaram que com o aumento
da concentração houve um aumento significativo na corrente de pico resultante principalmente para o AK. Sendo
assim, uma solução de NaCl 0,7 mol L-1 foi selecionado para os demais estudos.
Posteriormente, a partir da avaliação do efeito do pH do eletrólito de suporte observou-se que a corrente de pico
resultante atingiu um valor máximo em pH 2,0 e então apresentou um decréscimo com o aumento do pH para ambos
os fármacos como mostrado na Figura 1.

400
A 210 B
350
180
300
Ip (mA)

150

Ip (mA)
250
120
200
90
150
60
100

2 4 6 8 10 2 4 6 8 10
pH pH

Figura 1: Influência da variação do pH na corrente de pico resultante da (A) HQ e do (B) AK

Os estudos de velocidade de varredura por voltametria cíclica em pH 2 apresentaram uma dependência linear entre
a corrente de pico e a raiz quadrada da velocidade de varredura (n1/2), indicando que a oxidação da HQ foi controlada
por difusão. No entanto, para o AK, o processo é controlado por adsorção pois nao há uma relação linear entre a
corrente de pico e n1/2.
Para avaliar os efeitos dos parâmetros instrumentais da VOQ utilizou-se um planejamento 23 fatorial completo,
sendo que para o AK não foi possível a elaboração de um modelo matemático que represente a Ip em função das
variáveis estudadas, já que não foram observados efeitos significativos. Nesse caso, apenas otimizou-se os parâmetros
que correspondem ao maior valor de corrente de pico obtida que foram: f de 20 Hz, a de 40 mV e DEs de 4 mV. Por
outro lado, para a HQ, observou-se que apenas efeitos principais são significativos com 95% de confiança, gerando
indícios da possibilidade de construção de um modelo linear. A porcentagem de variância explicada (94,5%) é bem
próxima da máxima porcentagem de variância explicável (99,7%). Além disso, é possível afirmar que o modelo
desenvolvido apresenta regressão significativa no nível de 95% de confiança (MQR/MQr >>> F3,15 = 3,29) e pequena
falta de ajuste (MQfaj/MQep ≈ F11,4 = 5,93) como mostra a Tabela 1. Esses dados são confirmados pela distribuição
aleatória dos resíduos.

Tabela 1: ANOVA para ajuste do modelo linear para HQ.

Fonte SQ n MQ Teste F
Regressão 135,5 3 45,18
86,02
Resíduos 7,88 15 0,525
Falta ajuste 7,48 11 0,681
6,91
Erro puro 0,394 4 0,0985
Total 143,4 18

Em função do modelo linear ser significativo, foram construídas as superfícies de resposta (Figura 2) que evidenciam
a dependência da sensibilidade da VOQ com a freqüência, amplitude e incremento na determinação de HQ.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1695


(A) (B) (C)

Figura 2: Superfícies de resposta para HQ: (A) Ip (mA) = 9,47 + 1,28 f + 2,27 a; (B) Ip (mA) = 9,47 + 1,28 f + 1,30
DEs; (C) Ip (mA) = 9,47 + 2,27 a + 1,30 DEs.

A fim de verificar a potencialidade da metodologia voltamétrica na determinação de AK e HQ construiu-se


uma curva analítica em pH 2 para o AK e HQ simultaneamente. As curvas analíticas foram obtidas para a faixa de
concentração de 9,90 a 91,0 mmol L-1 para a HQ e 0,10 a 0,66 mmol L-1 para o AK. A partir da solução estoque HQ e AK
foram adicionadas alíquotas consecutivamente na célula eletroquímica, e as respostas voltamétricas foram registradas
(Figura 3). Para ambos os analitos observou-se um aumento proporcional das correntes de pico com o aumento da
concentração de AK e HQ.

80 14
12

70 10
8
Ip (m A)

60 4
2
0 A
0 1 2 3 4 5 6 7 8
50 [HQ] (10-5 mol L-1)
I (mA)

60
40 50
40
Ip (m A)

30
30 20
10
B
20 0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
[AK]
[AK] (10-4 mol L-1)

10
[HQ]
0
0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4
E /V vs. Ag/AgCl

Figura 3: Voltamogramas de onda quadrada para HQ e AK em NaCl 0,7 mol L-1(pH 2) sobre EPC e concentrações na
faixa de concentração de 9,90 a 91,0 mmol L-1 para a HQ e 0,10 a 0,66 mmol L-1 para o AK. Inserção: curva analítica
resultante para (A) HQ (Ip = 163184,89 [HQ] – 0,4521, R = 0,9993) e (B) AK (Ip = 78408,98 [AK] + 0,3645, R =
0,9944) obtidas a partir de três curvas analíticas.

A determinação dos limites de detecção e quantificação foram possíveis utilizando-se as relações: LD = 3S/b e LQ
= 10S/b onde Sb é o desvio padrão da média de medidas dos brancos (utilizou-se 10 brancos) e s é a inclinação da curva
analítica. Desta forma, para o eletrólito puro os valores de LD calculados foram 3,59 mmol L-1 e 44,4 mmol L-1, e LQ
de 11,9 mmol L-1e 147,9 mmol L-1 para HQ e AK, respectivamente.

ConclusÕES

Estudos voltamétricos do AK e HQ utilizando-se EPC foram realizados através da VOQ, sendo observado um
comportamento difusional para HQ e adsortivo para AK. Ambos os fármacos apresentaram melhores respostas na mesma
faixa de pH 2 (NaCl 0,7 mol L-1) e uma ampla faixa de separação entre os picos (aproximadamente 510 mV). Através
do planejamento foi possível otimizar os parâmetros instrumentais da VOQ que para ambos agentes despigmentantes
foram f de 20 Hz, a de 40 mV e DEs de 4, Além disso, foi possível construir superfícies de resposta significativas com
95% de confiança para HQ. As curvas analíticas obtidas apresentaram excelente linearidade, obtendo-se uma maior

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1696


sensibilidade na determinação de HQ. Os resultados obtidos indicam a possibilidade de determinação simultânea dos
despigmentantes em amostras de preparações farmacêuticas.

AgradeCimentos: Os autores agradecem ao Grupo de Desenvolvimento de Eletrodos Modificados (GDEM), a


UEPG e ao PIBIC/CNPQ.

Referências

[1] CALAÇA G.N., STETS S., NAGATA N., “Determinação simultânea de Ácido Kójico e Hidroquinona por
espectrofotometria visível e calibração multivariada”, Quím. Nova. 34 (4): 630-635, 2011.
[2] LIN Y., YANG Y., WU S., “Experimental design and capillary electrophoresis for simultaneous analysis of arbutin,
kojic acid and hydroquinone in cosmetics”, J. Pharm. Biomed. Anal. 44 (1): 279–282, 2007.
[3] HUANG S., LIN C., HUANG M., WEN K., “Simultaneous determination of Magnesium Ascorbyl Phosphate,
Ascorbyl Glucoside, Kojic Acid, Arbutin and Hydroquinone in skin whitening cosmetics by HPLC”, J. Food and
Drug Analysis. 12 (1): 13-18, 2004.
[4] LIU J., ZHOU D., LIU X., WU K., WAN C. “Determination of kojic acid based on the interface enhancement
effects of carbon nanotube/alizarin red S modified electrode”, Colloids Surf., B. 70 (1): 20–24, 2009.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1697


ME24

A NEW METHOD FOR DETERMINATION OF THE ACID NUMBER OF


FUEL ETHANOL USING COULOMETRIC TITRATION

Fabiano Barbieri Gonzaga, Mary Ane Gonçalves, Sidney Pereira Sobral, Carla de Matos Ribeiro

Laboratório de Eletroquímica - Divisão de Metrologia Química - Instituto Nacional de


Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO, Duque de Caxias - RJ - Brasil
fbgonzaga@inmetro.gov.br

ABSTRACT: A new method is proposed to determine the acid number (AN) of fuel ethanol using coulometric titration
with potentiometric detection. The method employs a potentiostat/galvanostat and an electrochemical cell containing
a three-electrode system (Pt working electrode, Ag auxiliary electrode and Ag/AgCl reference electrode) and a glass
pH electrode. It involves applying a constant current through the sample (formation of hydroxyl ions), which contains
LiCl as supporting electrolyte, and acquiring the potential of the pH electrode. A preliminary evaluation of the method
showed that carbon dioxide and metallic cations contribute significantly to the AN, whereas the addition of LiCl
increases the AN at low concentrations (unwanted reduction reactions) and decreases the AN at high concentrations
(removal of some carbon dioxide). The method was compared to a volumetric/potentiometric titration-based method
to determine the AN of different ethanol samples, producing similar average results and lower standard deviations
between replicates.
Keywords: fuel ethanol, acid number, acidity, coulometric titration.

INTRODUCTION

The acid number (AN), also referred to simply as acidity, is an important quality parameter of fuel ethanol. It is
related to the corrosive potential of ethanol, which can reduce the lifetimes of the fuel tank and of the automobile
engine. This parameter, commonly expressed as weight of acetic acid (in mg) per volume of sample (in L), represents
the total content of titratable acids, whose presence in ethanol derives from both the fermentation and distillation
processes and from possible contaminants [1].
Thus, several international standards and regulations have established official methods (based on volumetric
titration) to determine the AN of ethanol and limit values for AN results so that ethanol can be commercialized as fuel
[2-3]. However, only a few papers have been published that deal specifically with determining the AN of fuel ethanol.
One was based on volumetric titration [4] and other used flow injection analysis [5], both employing conductometric
detection.
The coulometric titration technique is a good alternative to the volumetric one as it is more accurate and does not
require standard solutions [6]. Therefore, several papers have reported the use of coulometric titration to determine the
acidity of different kinds of samples [7,8]. In addition, a recent review about the coulometric generation of acids and
bases for acid-base titrations in non-aqueous solvents was published [9].
Therefore, this work proposes a new method to determine the AN of fuel ethanol using constant current coulometric
titration with potentiometric detection. The effects of some experimental parameters and possible interferents on the
AN were studied and the new method was evaluated in the analysis of several fuel ethanol samples in comparison with
a volumetric/potentiometric-based method.

Experimental

Instrumentation: The coulometric titration system (CTS) basically consists of an Ecochemie Autolab PGSTAT30
potentiostat/galvanostat connected to an electrochemical cell containing four electrodes: a platinum working electrode
(WE), a silver auxiliary electrode (AE), a silver/silver chloride reference electrode (RE, with a 3 mol L-1 LiCl aqueous
filling solution), and a glass pH electrode (combined with the reference electrode). A schematic representation of the
CTS is shown in the Figure 1.
The volumetric titration system (VTS) is a Metrohm 785 DMP Titrino based one, with an automatic burette of 20
mL, a magnetic stirrer, and the same combined pH electrode used in the CTS.
Samples: Six ethanol samples were analyzed using the two titration systems: a pure ethanol sample (Merck, purity
higher than 99.9% w/w, 0.79 kg L-1 density, called PE), three anhydrous fuel ethanol samples (0.4% w/w water, 0.79
kg L-1 density, called AFE), and two hydrated fuel ethanol samples (7.2% w/w water, 0.81 kg L-1 density, called HFE).
Experimental Procedures: For each analysis using the CTS (after preliminary studies) an aliquot of approximately
10 g of sample was added to the lower compartment of the electrochemical cell, together with 0.2 g of LiCl as
supporting electrolyte, and stirred for 2 minutes (dissolution of LiCl and stabilization of the pH electrode). Next, the

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1698


resulting solution was titrated, under continuous stirring, by applying an anodic current of 2 mA between the working
and auxiliary electrodes (formation of OH- at the working electrode and AgCl over the auxiliary electrode).
For each analysis using the VTS, an aliquot of approximately 10 g of sample was added to the titration vessel and
stirred for 2 minutes (stabilization of the pH electrode). Next, the aliquot was titrated, under continuous stirring, using
a 0.01 mol L-1 NaOH standard solution.
Finally, the data of the last equivalence point (charge for CTS and volume for VTS) were used to calculate the AN,
expressed as mg of acetic acid per L of sample.

Figure 1: Schematic representation of the coulometric titration system: (a) potentiostat/galvanostat, (b) lower
compartment of the electrochemical cell, (c) upper compartment of the electrochemical cell, (d) platinum working
electrode, (e) silver auxiliary electrode, (f) glass pH electrode (combined with the silver/silver chloride reference
electrode).

RESULTS AND DISCUSSION

Preliminary Evaluation of CTS: For a preliminary evaluation of the CTS, studies of the variation of the LiCl
concentration, insertion of argon (pre-deaeration) and addition of Cu2+ were carried out. Figure 2a shows two titration
curves obtained for a given fuel ethanol sample. For one, the aliquot was pre-deaerated for 30 minutes by bubbling argon
to it and analyzed under argon atmosphere. While the titration curve of the fuel ethanol obtained without deaeration
presented two equivalence points, the titration curve obtained after pre-deaeration showed just the first equivalence
point. This behavior was also observed in a similar study using the VTS.
Figure 2b shows the variation of the charge of the equivalence point in relation to the variation of the LiCl
concentration for a given fuel ethanol sample. For a variation of the LiCl concentration from 0.1 to 1.5% w/w, the
charge of the equivalence point increased significantly as the LiCl concentration decreased (occurrence of other
reduction reactions due to the high negative values of potential applied to the working electrode). However, for a
variation of 1.5 to 3.0%, the charge of the equivalence point remained approximately constant.
Figure 2c shows two titration curves obtained for a given ethanol sample, where, for one of them, the sample was
doped to contain about 1.0 mg kg-1 of Cu2+. The titration curve obtained for the doped sample was displaced to higher
charges, probably due to the reduction of Cu2+ at the working electrode, giving an average increase of about 10.3% in
the charge of the equivalence point in relation to the non-doped sample. Comparable results were achieved in a similar
study carried out using the VTS, but with an average increase of about 12.3% in the volume of the equivalence point
for the doped sample, which must be related to some precipitation of Cu(OH)2.

0.3
0.24 a 0.222 b c
0.18 0.216 0.2
0.12 0.210
potential / V
potential / V

0.1
charge / C

0.06 0.204

0.00 0.198 0.0


-0.06 0.192

-0.12 0.186 -0.1

-0.18 0.180
-0.2
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30
charge / C [LiCl] / % w/w charge / C

Figure 2: (a) Coulometric titration curves obtained for one fuel ethanol sample without (straight line) and with
(dashed line) pre-deaeration; (b) Variation of the charge of the equivalence point in relation to the variation of the LiCl
concentration; (c) Coulometric titration curves obtained for one fuel ethanol sample without (straight line) and with
(dashed line) doping with Cu2+.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1699


Determination of the acid number: The average results of the AN determination obtained in the two titration
systems are shown in the Table 1. For all samples, the results obtained using the CTS were similar to, but slightly
lower than, those obtained using the VTS. This slight difference in the results was found to be related to the addition
of LiCl in the coulometric titrations, increasing the polarity of the samples and then removing some carbon dioxide.
In addition, and as expected, the CTS produced, on average, RSD values about 4.5 times lower than those obtained
using the VTS. Compared to the results reported in a recent paper dealing with the AN determination of ethanol using
volumetric titration [4], the results presented here for the CTS were about two times more accurate, even with a sample
size about four times smaller. The sample size employed here is also about four times smaller than those reported in
international standards [2-3] for the AN determination.

Table 1: Results of the AN determination for all the ethanol samples analyzed.
Coulometric Volumetric
Sample
AN / mg L-1 RSD / % AN / mg L-1 RSD / %
PE 4.918 0.47 5.975 5.26
AFE1 9.341 0.56 10.310 1.62
AFE2 25.947 0.18 27.845 1.12
AFE3 45.881 0.41 46.773 0.52
HFE1 30.985 0.39 31.173 0.59
HFE2 37.276 0.28 37.343 0.94

CONCLUSIONS

A new method was developed and evaluated to determine the AN of fuel ethanol based on constant current
coulometric titration with potentiometric detection and employing a simple instrumental setup.
It was demonstrated that carbon dioxide plays an important role and affects the AN of this fuel, contributing to
its increase and also causing it to be strongly affected by the addition of any other substances that can interact with
ethanol, thus removing some carbon dioxide.
The supporting electrolyte also proved to be an important issue in the coulometric titration of fuel ethanol. Although
its addition is necessary in order to avoid reduction reactions not related to the formation of hydroxyl ions (increase of
the AN), it also causes the removal of some carbon dioxide, slightly decreasing the AN.
Possible contamination of the fuel ethanol samples by transition metal cations, such as copper, also affect their
coulometric titrations, increasing the AN results (reduction of some metallic cations). However, it was demonstrated
that this interference is greater when using volumetric-based methods (precipitation reactions).
To determine the AN of several fuel ethanol samples, and in comparison with a volumetric-based method, the new
method produced similar average results and lower standard deviations between replicates. Compared to a recent work
reported in literature and to international standards, all based on volumetric titration, the new method is more accurate
and employs a much lower sample size.

acknowledgements: INMETRO.

REFERENCES

[1] Trabanelli G., Mantovani G., Zucchi F., “Corrosion control in the sugar industry”, Sugar Technol. Rev. 14(1):1-27,
1988.
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EN 15491, 2007.
[3] “Standard test method for acidity in volatile solvents and chemical intermediates used in paint, varnish, lacquer, and
related products”, ASTM D1613, 2006.
[4] Avelar H.D., Barbeira P.J.S., “Conductometric determination of total acidity and chloride content in automotive
fuel ethanol”, Fuel 86(1-2):299-302, 2007.
[5] Fatibello-Filho O., Borges M.T.M.R., “Flow-injection conductometric determination of acidity in industrial
hydrated ethyl alcohol”, Anal. Chim. Acta 366(1-3):81-85, 1998.
[6] Felber H., Rezzonico S., Mariassy M., “Titrimetry at a metrological level”, Metrologia 40(5):249-254, 2003.
[7] Palladino G., Ferri D., Manfredi C., Vasca E., “Potentiometric determination of the total acidity of humic acids by
constant-current coulometry”, Anal. Chim. Acta 582(1):164-173, 2007.
[8] Langmaier J., Podhajecky P., Trojanek A., “Coulometric determination of acidity number of oil products”, Chem.
Listy 87(7):520-523, 1993.
[9] Mihajlovic R.P., Jaksic L.N., Dzudovic R.M., “Coulometric generation of acids and bases for acid-base titrations
in non-aqueous solvents”, Anal. Chim. Acta 557(1-2):37-44, 2006.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1700


ME25

DETERMIÇÃO RÁPIDA E DIRETA DE HIDROQUINONA EM


MEDICAMENTOS USANDO BIA COM DETECÇÃO AMPEROMÉTRICA

Rafael Rodrigues Cunha1, Thiago Faria Tormin1, Rodrigo Alejandro Abarza Munoz1, Eduardo
Mathias Richter1

1
Instituto de Química – Universidade Federal de Uberlândia - UFU, Uberlândia – MG – Brasil.
rafa2008el@gmail.com

RESUMO: O presente trabalho descreve a determinação seletiva de hidroquinona (HQ) em formulações cosméticas
com a presença de bissulfito de sódio (BS) e ácido ascórbico (AA). O procedimento empregado foi análise por injeção
em batelada (BIA, do inglês “Batch Injection Analyis”) com detecção amperométrica usando diamante dopado com
boro (DDB) como eletrodo de trabalho. Como eletrólito suporte usou-se uma solução de H2SO4 0,1 mol L-1 (único
reagente necessário na análise). O método proposto apresenta estabilidade analítica adequada com um desvio padrão
relativo igual a 2,0% (n = 20). A faixa linear de trabalho foi estabelecida entre 10 a 50 µmol L-1 com coeficiente de
correlação de 0,999. Os limites de detecção e quantificação encontrados foram calculados em 0,016 e 0,055 µmol L-1,
respectivamente. A frequência analítica foi calculada em 70 injeções por hora.
Palavras-chave: Hidroquinona, amperometria, BIA, DDB.

Introdução

O composto 1,4-benzenodiol, comumente conhecido como hidroquinona (HQ), é o agente despigmentante de pele
mais usado topicamente para o tratamento de hipermelanoses como o cloasma, dermatite de berloque, hiperpigmentação
pós-inflamatória, entre outras manchas dermatológicas. Tem ação de inibir a produção de melanina, composto que dá
a coloração cutânea. Geralmente é encontrada associada a outros princípios ativos como, por exemplo, ácido retinóico,
ácido glicólico, bissulfito de sódio (BS) e ácido ascórbico (AA), na forma de géis, loções ou pomadas cremosas, tanto
em cosméticos industriais quanto em manipulados [1].
A concentração usual de hidroquinona varia de 2 a 10% e pode ocasionar irritação na pele, como eritema ou até
mesmo erupções. Por ser um composto fenólico de fácil oxidação, geralmente antioxidantes são usados para evitar o
escurecimento da formulação. Em meios básicos, sua oxidação é instantânea e resulta num composto amarelo escuro.
Dentre os antioxidantes mais utilizados em meio aquoso, destacam-se o BS, ditionito de sódio ou combinações destes
com BHT e AA em formulações oleosas. Deve-se ter atenção também aos agentes sequestrantes como o EDTA nas
formulações contendo hidroquinona como princípio ativo. Seu uso é recomendado para a quelação de íons metálicos
que possivelmente possam estar presentes na formulação, e assim acelerar o processo de oxidação do cosmético [1].
Como a hidroquinona é utilizada largamente em produtos cosméticos, o desenvolvimento de métodos de análise para
controle de qualidade que apresentem características como simplicidade, rapidez, eficiência, seletividade, baixo custo e
baixo consumo de reagentes estão se tornando essenciais. Métodos de análise empregando detectores amperométricos
acoplados a sistemas de Análise por Injeção em Batelada (BIA, do inglês “Batch Injection Analysis”) apresentam estas
características [2]. Nos últimos anos, o eletrodo de diamante dopado com boro (DDB) tem sido usado em diferentes
aplicações, como na desinfecção eletroquímica de águas (oxidação de microorganismos ou matéria orgânica), e no
desenvolvimento de novos métodos de análise. O sucesso deste material se deve a diversas características, como:
superfície inerte, baixa corrente de fundo e larga faixa de trabalho com estabilidade por longos períodos de análise
(devido à ausência ou a presença em menor extensão de fenômenos de adsorção) [3].
Neste trabalho apresentamos os estudos iniciais para o desenvolvimento de um método simples, rápido e de baixo
custo para determinação de hidroquinona em medicamentos contendo simultaneamente BS e AA usando BIA com
detecção amperométrica e diamante dopado com boro (BDD) como eletrodo de trabalho.

Procedimento Experimental

Soluções preparadas a partir de ácido sulfúrico (Vetec), ácido acético (Vetec), ácido fosfórico (Synth) e hidróxido
de sódio (Dinâmica) foram utilizados como eletrólito suporte (0,1 mol L-1) para os estudos hidrodinâmicos iniciais.
O padrão de hidroquinona ficou armazenado em refrigerador à cerca de 5ºC. As soluções estoque de hidroquinona
foram preparadas diariamente em água deionizada (resistividade menor que 18 M´Ω-cm-1) e diluídas em eletrólito
previamente ao uso. A amostra do creme cutâneo foi adquirida numa drogaria local e fortificada para análise, simulando
uma amostra manipulada. Nas medidas eletroquímicas foi utilizado um potenciostato/galvanostato µ-Autolab Type III
(Eco Chemie) interfaceado a um microcomputador e controlado pelo Software GPES versão 4.9.7. A célula BIA usada
nestes estudos foi construída com configuração semelhante àquela usada em trabalhos anteriores [2, 4]. Um filme fino
(aproximadamente 1,2 µm) de diamante dopado com boro (dopagem em torno de 8000 ppm), platina e Ag/AgCl (KCl

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1701


sat.) foram usados como eletrodos de trabalho, auxiliar e referência, respectivamente. Antes do uso, o eletrodo DDB
(0.50 cm2) foi tratado catodicamente em meio de H2SO4 0,5 mol L-1 aplicando uma corrente de -10 mA durante 1000s
[3]. Uma pipeta eletrônica (Eppendorf® - multipette stream ) foi utilizada para realizar as injeções na célula BIA.

Resultados e Discussão

O comportamento eletroquímico da hidroquinona e seus potenciais interferentes foi investigado usando diferentes
eletrólitos, em meio ácido sulfúrico 0,1 mol L-1, tampão acetato (pH 4,7; 0,1 mol L-1) e fosfato (pH 7,2; 0,1 mol
L-1) usando voltametria cíclica (voltamogramas não apresentados). O eletrólito escolhido foi o ácido sulfúrico, pois
os analitos apresentaram melhor sensibilidade e estabilidade neste meio. Tampão acetato também demonstrou boa
sensibilidade, porém menor estabilidade do que em meio de ácido sulfúrico. A Fig. 1 apresenta os voltamogramas
hidrodinâmicos para HQ e outros dois compostos presentes no medicamento estudado (AA e BS) em meio de ácido
sulfúrico 0,1 mol L-1. Os resultados foram obtidos por BIA com detecção amperométrica de múltiplos pulsos. Como
pode ser observada, a HQ é oxidada a partir de +0,8 V e chega a um valor máximo de corrente próximo a +1,0V. Um
dos interferentes, o AA é oxidado a partir de +1,0V com o valor máximo de corrente em +1,3V. O outro possível
interferente, o sulfito de sódio, somente é oxidado a partir de +1,5V. Essas diferenças de potenciais viabilizam a análise
de HQ na presença dos interferentes citados com a aplicação de um potencial constante de +0,9V. Estes estudos foram
realizados com soluções contendo concentrações na mesma ordem de grandeza presentes nas formulações cosméticas.

Figura 1: Voltamogramas hidrodinâmicos obtidos


plotando os valores de corrente de pico em função
dos pulsos de potenciais aplicados usando BIA com
dectecção por amperometria de múltiplos pulsos. (■)
20µmol L-1 de HQ; (•) 1µmol L-1 de AA; (▲) 10µmol
L-1 de sulfito; Tempo de cada pulso de potencial: 70 ms
. Eletrólito suporte: H2SO4 0,1 mol L-1; Vazão: 160 µL
s-1; Volume injetado: 100µL.

A estabilidade de resposta do sistema BIA (Fig. 2) foi avaliada com a injeção sucessivas (n = 20) de soluções
contendo 30 µmol L-1 de HQ utilizando eletrodo de DDB como trabalho. O potencial aplicado (+0,9Vestá localizado na
região de máxima intensidade de corrente de oxidação da HQ, onde os potenciais interferentes não são oxidados neste
meio e na relação de concentração existente na amostra.

Figura 2: Resultado obtido em 20 injeções sucessivas


de soluções contendo 30 µmol L-1 de HQ usando
o sistema BIA e DDB como eletrodo de trabalho.
Potencial aplicado: +0,9V. Vazão: 160 µL s-1; Volume
injetado: 100µL; Volume total da célula: 150 mL.

Uma boa repetibilidade (DPR = 2,0%, n=20) foi observada utilizando o sistema BIA e DDB como eletrodo de
trabalho.
Os parâmetros do sistema BIA foram otimizados em relação a estabilidade e intensidade de corrente monitorada.
Os melhores resultados foram obtidos com uma vazão de 160 µL s-1 e um volume injetado de 100 µL empregando
amperometria a potencial constante ( +0,9V).
A Fig. 3 apresenta o amperograma obtido para injeções em triplicata de soluções padrão com concentrações
crescentes e em seguida decrescentes de HQ. Posteriormente, duas amostras adequadamente diluídas também foram
injetadas. A curva analítica apresenta um bom coeficiente de linearidade tanto com concentrações na ordem crescente

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1702


(R = 0,999) quanto com as concentrações na ordem decrescente (R = 0,999), sendo que os limites de detecção e
quantificação foram de 0,016 e 0,055 µmol L-1, respectivamente.

Figura 3: (A) Amperograma obtido com aplicaçõa de um potencial constante de +0,9V e injeção (n=3) de soluções
contendo concentrações crescentes e decrescentes de HQ (a-f: 10 - 50 µmol L-1) e duas amostras (1 e 2). (B): Curvas
analíticas obtidas para soluções contendo concentrações crescentes (■) e decrescentes (●) de HQ. Eletrólito: 0,1 mol
L-1 H2SO4; Vazão: 160 µL s-1;Volume injetado: 100 µL. Volume total da célula BIA: 150 mL.

A metodologia proposta para determinação de HQ foi usada na análise de duas amostras de uma formulação
cosmética. Uma massa de 0,0275g de uma pomada contendo 40 mg de HQ/g foi solubilizada em um balão 10 mL.
Posteriormente, 300 µL desta solução foram diluídos em 9,7 mL de eletrólito de suporte (amostra 1). A amostra 2
foi preparada da mesma forma, mas com adição de 15 µmol L-1 de sulfito e 3 µmol L-1 de AA previamente à análise.
As concentrações adicionadas (sulfito e AA) são da mesma ordem de grandeza quando estão presentes em amostras
comerciais. Os resultados são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Resultados obtidos na determinação de HQ em amostras usando BIA com detecção amperométrica.

Valor / bula BIA Recuperação


Amostra
(mg HQ /g) (mg HQ /g) (%)
1 40,0 46,8 117
2 40,0 47,8 119

ConclusÕES

Os resultados preliminares apresentados demonstram que o método proposto possui grande potencial para ser
empregado na análise de hidroquinona. O método pode ser usado na determinação de hidroquinona na presença
de BS e AA usando BIA com detecção amperométrica e diamante dopado com boro como eletrodo de trabalho. A
metodologia apresentada é rápida (~70 injeções por hora), de fácil execução, seletiva e com reduzido consumo de
reagentes e amostras.

AgradeCimentos: FAPemig, CAPES e CNPq.

Referências

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compatibilidade da hidroquinona”, Cosmet Toilet ; 20, 50-53, 2008.
[2] QUINTINO M. S.M., ANGNES L., “Batch Injection Analysis: an almost unexplored powerful tool”, Electroanalysis,
16, 513-523, 2004.
[3] SALAZAR-BANDA G. R., ANDRADE L. S., NASCENTE P. A. P., PIZANI P. S., ROCHA-FILHO R. C., AVACA
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treatments”, Electrochem. Acta, 51, 4612-4619, 2006.
[4] GRANGER M.C. et al, “Standard electrochemical behavior of high-quality, boron-doped polycrystalline diamond
thin-film electrodes”, Anal. Chem. 72, 3793-3804, 2000.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1703


ME26

DETERMINACION DE LAMIVUDINA, DROGA ANTIRRETROVIRAL,


EN UN ELECTRÓLITO SOPORTE ALCALINO, USANDO LA
VOLTAMETRÍA ADSORTIVA DE REDISOLUCION.

Percio Augusto Mardini Farías1*, Arnaldo Aguiar Castro2, Ana Isa Pérez Cordovés2

1*
Departamento de Química, PUC-Rio, Rua Marquêz de Sâo Vicente, 225, CEP 22453-900, Rio
de Janeiro –RJ- Brasil, 2Facultad de Química, Universidad de la Habana – Cuba.
pfarias@puc-rio.br

RESUMEN: Se describe un método de redisolución para la determinación de Lamivudina a un nivel de concentración


submicromolar. El método está basado en el control de la acumulación adsortiva sobre el electrodo de película
de mercurio, seguido de una medida del barrido cíclico lineal de las sustancia en la superficie del electrodo. Las
condiciones del experimento son: Electrolito soporte NaOH 10-3 mol/L, Potencial de acumulación -0,4V, y una
velocidad de barrido de 100 mV/s. La respuesta de la Lamivudina es lineal en un intervalo de concentración de 0,01
a 0,14 ppm. Para un tiempo de acumulación de 4 minutos se encontró un límite de detección de 0,13 ppb (5,7.10-10
mol/L). Por este método se determina Lamivudina en presencia de Didanosina, Aciclovir, Nevirapina, Efavirenz y
Zidovudina y en presencia de ATP y DNA.
Palabra llave: Lamivudina, Voltametría, Antirretrovirales, film de Hg, DNA

INTRODUCCIÓN
La Lamivudina es un inhibidor nucleosídico de la transcriptasa reversa (nRTI) análogo a la citidina. Puede inhibir
ambos tipos de transcriptasa reversa (1,2) del HIV. Ella necesita llevarse a la forma de trifosfato para hacerla activa.
El 3TC-trifosfato también inhibe la polimerasa del DNA celular. Se ha usado también en el tratamiento de la Hepatitis
crónica B, mediante dosis menores que las usadas en el HIV. Conjuntamente con la zidovudina se encuentra presente
en el fármaco CombivirMT. Se han desarrollado métodos de determinación de Lamivudina espectrofotométricos (3),
cromatográficos (4,5) y electroquímicos (6), pero como resultados de los avances en la voltametría stripping adsortiva
se han desarrollado nuevos métodos para la determinación para Adenina, Timina, Guanina, ATP, DNA, empleando un
electrolito alcalino de baja fuerza iónica como electrólito soporte(7,8). Utilizando este electrólito este trabajo obtuvo
un nuevo procedimiento de voltametría stripping para la determinación de trazas de Lamivudina basado en la adsorción
sobre el electrodo de película de mercurio. Las ventajas, condiciones experimentales y sus posibles limitaciones se
explican en este texto.

PROCEDIMIENTO EXPERIMENTAL

Todos los voltamogramas cíclicos fueron obtenidos con el Polarographic Analyser EG&G PAR modelo 384B
Princenton Applied Research, Princenton, NJ, USA, con un registrador digital DMP-serie 40 de la firma Houston
Ametek. Se utilizó un electrodo de carbón vítreo BAS. Inc., West Lafayette, Indiana, USA) para el film de Hg. Un
electrodo de referencia Ag/AgCl, y electrodo auxiliar de platino. Un agitador magnético con su barra de agitación
(Nalgene, Rochester, NY, USA).
El film de mercurio se prepara como se ha descrito en la referencia 8.
Todos los reactivos usados son de calidad puro para análisis, las drogas utilizadas fueron suministradas por
FarManguinhos- Fio Cruz (Fundación Oswaldo Cruz, RJ). La solución madre de 1000 ppm de Lamivudina se preparó
disolviendo 50 mg de ella en 5 ml de NaOH 1 mol/L y 5 ml de etanol y enrasando con agua hasta 50 ml. Las restantes
drogas se prepararon de forma similar a la solución de Lamivudina, excepto el aciclovir y la didanosina que no se
utilizó alcohol etílico. La soluciones de los metales utilizados se prepararon a partir de soluciones espectrofotométricas
de la firma Sigma-Aldrich Brasil Ltda. Diluida de acuerdo a los requerimientos de la adición estándar. La solución
madre de DNA se prepara de acuerdo a lo reportado en la referencia 8.
Para el análisis propiamente dicho se colocó una celda conteniendo 10 ml de electrólito soporte (2,0. 10-2 mol/L,
contiendo 1% v/v de alcohol etílico) y se eliminó el O2 con 8 minutos de burbujeo de nitrógeno (y 60 segundos después
de cada adición). Primero se estableció un potencial condicional de -0,9V durante 60 s. Una vez establecido esto se
acumula a -0,4V durante un tiempo (generalmente 240s) mientras se agita suavemente.
Se detiene entonces la agitación s deja en reposo por 30s y se registra el ciclo, generalmente a una velocidad de
100mv/s y el potencial final es-1,10V. y se repite la determinación con el mismo film de Hg. Después de obtener el
voltamograma del blanco se introducen alícuotas de la solución estándar de Lamivudina todo el proceso es automático

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1704


y dirigido por el analizador polarográfico 384B. Durante todo el proceso se pasa N2 sobre la superficie de la solución
en la celda. Todos los datos se obtuvieron a temperatura ambiente.

RESULTADOS Y DISCUSIÓN

Inicialmente se realizó un voltamograma del ciclo lineal adsortivo de redisolución de 0,1 ppm de Lamivudina, cuyas
condiciones de determinación son: Electrólito soporte solución de NaOH 2.10-3 mol/L (con 1% v/v de alcohol); tiempo
condicional 60s a -0,9V; tiempo de acumulación 90s a -0,20V con agitación; tiempo de equilibrio 30s; velocidad de
barrido 100 mV/s; film de Hg (5 min. a -0,9V).
Se estudiaron las condiciones óptimas y varios electrólitos soportes como el Britton-Robinson, encontrándose que
el mejor electrolito soporte es la solución de NaOH 10-3 mol/L, así mismo se observa que a valores de pH inferiores a
5 no se observa señal; mientras que a pH entre 5,5 y 12 la Ip se incrementa hasta pH 12. También se estudia diferentes
formas de registro, Pulso Diferencial, Lineal y cíclica, siendo la cíclica la que muestra el mayor valor de la señal.
Al hacer el estudio de la influencia de la velocidad de barrido vs. Ep, vs. Ip y vs b½. (Ancho del medio pico)
como se aprecia en la figura 1, el Ep prácticamente no varía a partir de 100 mV/s, mientras que la señal aumenta
proporcionalmente con el aumento de la velocidad de barrido, lo que demuestra que el proceso es adsortivo. El de b½
se mantiene constante a partir de una velocidad de barrido de 100 mV/s.

Figura 1: Efecto de la velocidad de barrido sobre Ep, Ip y b½ sobre el pico de Lamivudina (0,1ppm). Electrólito soporte
solución de NaOH 2.10-3 mol/L (con 1% v/v de alcohol); tiempo condicional 60s a -0,9V; tiempo de acumulación 90s
con agitación; tiempo de equilibrio 30s; film de Hg (5 minutos -0,9V).

También se analiza el potencial óptimo de acumulación (Eac) obteniéndose aquel con el cual se obtiene la mayor
señal que es a -0,4V, también se optimiza el tiempo de acumulación. En la tabla 1 se muestran estos parámetros.

Tabla 1: Condiciones optimizadas para la determinación de Lamivudina por voltametría cíclica stripping adsortiva
lineal en el electrodo de film de mercurio.

Parámetro Condición óptima Parámetro Condición optima


Film de Hg 5 min. a 0,9V Velocidad de barrido 100 mV/s
Conc. de Lamivudina 0,01-0,14 ppm Potencial condicional -0,9V
Electrólito 2.10 mol/L NaOH
-3
Tiempo condicional 60 s
Modo de barrido cíclico Potencial de acumulación -0,4V
Potencial inicial -0,4V Tiempo de acumulación 90 s
Potencial final -1,2V Tiempo de equilibrio 30 s

En este trabajo se estudia la influencia de 7 metales y su posible interferencia, 4 de ellos se encuentran en los fluidos
biológicos y son necesario para la vida (Cu, Co, Fe y Zn), 2 son reconocidos tóxicos para la salud (Cd, Pb) y al Ni se le

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1705


atribuyen propiedades de afectación genética. También se realizó la determinación de Lamivudina en presencia de las
drogas antirretrovirales efavirenz, nevirapina, didanosina, zidovudina, y aciclovir, algunas de las cuales se administran
conjuntamente con la Lamivudina. Los resultados se muestran en la figura 2.

Figura 2: Ilustración de la determinación de Lamivudina. Voltametría cíclica stripping, adsortiva lineal en presencia
de otras drogas retrovirales. Muestra sintética de efavirenz, nevirapina, didanosina, lamivudina, zidovudina y aciclovir
(2ppm de cada una); Tiempo de acumulación 120s. A) Adición de 80µL de la muestra sintética, B-D adición por pasos
de 0,05 ppm de estándar de Lamivudina. El resto de las condiciones como en la figura 1.

De forma similar se procedió con el DNA sólo que se empleó Cu2+ durante la determinación obteniéndose 2 máximos
de corriente uno a -0,4V de Lamivudina y otro a -0,7V correspondiente al DNA, que sólo aparece en presencia de Cu2+

CONCLUSIONES

Este trabajo describe una metodología para la determinación de Lamivudina, en concentraciones trazas, usando
un electrólito diluido y simple, que permite la determinación de esta droga por voltametría adsortiva stripping y la
posibilidad de hacerlo en presencia de otras utilizadas con los mismos fines, y también en presencia de DNA. El método
ofrece resultados comparables a los obtenidos por los métodos cromatográficos, generalmente usados con estos fines.

AGRADECIMIENTOS

Los autores agradecen al CAPES-Brasil y MES-Cuba por su apoyo en este trabajo y también a la Dra. Katia
Cristina Leandro de la Fundación Oswaldo Cruz por el suministro de las muestras de drogas.

REFERENCIAS

[1] E. De Clercq, Antiviral drugs: current state of the art, Journal of Clinical Virology, 22 (2001) 73-89.
[2] C.M. Perry and D. Faulds, Lamivudine. A Review of its Antiviral Activity, Pharmacokinetic Properties and
Therapeutic Efficacy in the Management of HIV Infection, Drugs 53 (1997) 657-680.
[3] S. Shalini, V.P. Shanooja, S.A. Jameel, Basima, K.K. Harilal, H. Rajak and V. Ravichandran, Application of UV-
Spectrophotometric Methods for Estimation of Lamivudine in Tablets, Digest Journal of Nanomaterials and
Biostructures 4 (2009) 357-360.
[4] P. Mohanraj and K. Gauthaman, UV and RP-HPLC Method for the Estimation of Lamivudine in Bulk and
Pharmaceutical Dosage Forms, Asian Journal of Chemistry 21 (2009) 1295-1301.
[5] M. Malm, S. Romsing, C. Obua and Y. Bergqvist, Determination of Lamivudine, Zidovudine, and Nevirapine in
Capillary Blood Sampled on Filter Paper by LC, Journal of Chromatographic Science 47 (2009) 855-862.
[6] B. Dogan, B. Uslu, S. Suzen and S.A. Ozkan, Electrochemical evaluation of nucleoside analogue lamivudine in
pharmaceutical dosage forms and human serum, Electroanalysis 17 (2005) 1886-1894.
[7] R. Jain, N. Jadon and K. Radhapyari, Cathodic adsorptive stripping voltammetric studies on lamivudine: An
antiretroviral drug, Journal of Colloid and Interface Science 313 (2007) 254-260.
[8] P.A.M. Farias, A.A. Castro, A.D.R. Wagener and A.A. Junqueira, DNA determination in the presence of copper in
diluted alkaline electrolyte by adsorptive stripping voltammetry at the mercury film electrode, Electroanalysis 19
(2007) 1207-1212.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1706


ME27

DETERMINAÇÃO SIMULTÂNEA DE ETANOL E METANOL EM


ÁLCOOL COMBUSTÍVEL USANDO VOLTAMETRIA CÍCLICA E
ELETRODO DE OURO EM MEIO ALCALINO

Polyana F. Pereira (PG)*, Raquel M. F. Sousa (PG), Rodrigo A. A. Munoz (PQ), Eduardo M.
Richter (PQ)

Instituto de Química, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia/MG.


polyanafernandespereira@yahoo.com.br

RESUMO: Este trabalho apresenta um método simples para determinar simultaneamente etanol (EtOH) e metanol
(MetOH) em álcool combustível. A técnica usada foi voltametria cíclica empregando ouro como eletrodo de trabalho
em meio de NaOH 0,5mol L-1. Em +0,19V, somente o EtOH é eletroativo (sinal usado na quantificação seletiva de
EtOH) e no potencial de +1,20V, ambos os compostos (EtOH e MetOH) são oxidados. A quantificação do metanol
é realizada mediante subtração das correntes detectadas nos dois potenciais (iMetOH=i1,2 V – i0,19 V). Como a corrente
detectada na oxidação do EtOH em +1,20V é superior à detectada em +0,19V, um fator de correção necessita ser
usado. O método proposto apresenta faixa linear de resposta entre 0,070 e 0,346% para EtOH (v/v) e 0,030 e 0,149%
para MetOH (v/v) com a obtenção de bons coeficientes de correlação (0,999 e 0,993, respectivamente).
Palavras-chave: Voltametria cíclica, etanol, metanol, eletrodo de ouro.

INTRODUÇÃO

Entre todos os combustíveis alternativos, o que mais se destaca do ponto de vista econômico e ambiental é o etanol
(EtOH). Além de ser uma fonte renovável e de baixas emissões de poluentes em comparação aos combustíveis fósseis,
o EtOH pode ser misturado à gasolina [1]. Por regulamentação do Governo Federal, toda a gasolina comercializada no
país vem misturada com 25% de EtOH.
Um levantamento feito pela ANP mostrou que a adulteração de EtOH combustível cresceu 85% nos três primeiros
meses de 2002, e que o índice de inconformidade desse combustível com as especificações legais já é quase duas
vezes e meia maior que o da gasolina. No caso do EtOH, a adulteração mais comum é a adição de água e/ou metanol
(MetOH).
O EtOH e o MetOH são dois álcoois com características físico-químicas bastante similares, sendo uma das
principais causas, juntamente com o baixo preço do MetOH, da adulteração do EtOH com MetOH no Brasil. Além do
fato dessa prática se constituir em uma fraude fiscal, o MetOH é altamente tóxico, podendo causar lesão temporária ou
permanente na córnea e nos rins podendo levar até a morte [2].
O método normalmente usado na determinação EtOH e MetOH é a cromatografia gasosa com detector de ionização
em chama [3], onde é possível determinar simultaneamente EtOH e MetOH, além de outros compostos voláteis. Um
método alternativo a CG foi proposto recentemente. Neste trabalho, a técnica de espectrometria no infravermelho
próximo por transformada de Fourier (FT-NIR) com calibração multivariada foi usada na determinação da adulteração
de etanol combustível com metanol [2].
O presente trabalho apresenta uma novo método para a determinação simultânea de MetOH e EtOH em álcool
combustível utilizando voltametria cíclica em meio alcalino e ouro como eletrodo de trabalho.

Procedimento Experimental

Um potenciostato µ-Autolab Type III (Eco Chemie) interfaceado a um microcomputador foi utilizado nos estudos
voltamétricos. Ouro (2,0 mm de diâmetro), platina e Ag/AgCl (KCl sat.) foram usados como eletrodos de trabalho,
auxiliar e referência, respectivamente. Uma solução de hidróxido de sódio 0,5 mol L-1 foi usada como eletrólito em
todos os estudos. As soluções de etanol e metanol foram preparadas em meio do eletrólito previamente ao uso. Amostras
de álcool combustível foram adquiridas em postos de combustíveis locais.

Resultados e Discussão

A Figura 1A mostra o voltamograma cíclico (Einicial e final =+0,60V; Einversão 1 = -0,25V; Einversão 2 = +1,20V) obtido com
um eletrodo de ouro em meio de NaOH 0,5 mol L-1 antes (―) e após a adição de 0,5% de EtOH (―) ou de 0,5% de
MetOH (―). A Figura 1B apresenta o mesmo estudo, mas com inversão na direção inicial da varredura de potencial
(Einicial e final = +0,60V; Einversão 1 = +1,20V; E inversão 2 = -0,25V).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1707


Figura 1: Voltamogramas cíclicos obtidos usando eletrodo de ouro em meio de NaOH 0,5 mol L-1 sem (―) e com a
adição de EtOH (―) ou MetOH (―). Velocidade de varredura: 50 mV s-1; Incremento de potencial: 5 mV.

Nos voltamogramas cíclicos obtidos na presença de NaOH 0,5 mol L-1, um pico anódico é observado em potenciais
mais positivos do que +0,75V, o que corresponde à formação de óxido de ouro. Na varredura inversa, um pico catódico
é observado em +0,01V, o que correspondente à redução do óxido de ouro formado em potenciais mais positivos que
+0,75 V [4]. Na presença de EtOH, um pico de oxidação é observado em +0,19V [5] e em potenciais superiores a
+1,00V. Por outro lado, o MetOH somente é oxidado em potenciais superiores a +1,00V, sendo eletroinativo em +0,19V.
Este comportamento eletroquímico é observado independentemente do sentido inicial de varredura. Outra diferença no
comportamento eletroquímico pode ser observada somente se o sentido inicial de varredura for em direção a potenciais
mais positivos (acima de +1,0 V→ formação do óxido de ouro). Na presença de EtOH ou MetOH, o pico de redução
do óxido de ouro em +0,01V varia consideravelmente, o que se deve a interação do EtOH e MetOH com o óxido de
ouro formado. Em resumo, podemos concluir que em +0,19V, apenas o EtOH é eletroativo e em potenciais próximos a
+0,01V (variação no pico de redução) e maiores do que +1,00V, ambos os compostos são eletroativos. Além disto, em
+1,20V, a corrente de oxidação do MetOH é consideravelmente maior do que da oxidação do EtOH.
A partir dos resultados apresentados, estudos para verificar a possibilidade de determinação simultânea de EtOH e
MetOH foram realizados. A estratégia usada neste trabalho foi a detecção seletiva de EtOH em +0,19V e detecção de
ambos os álcoois em +1,20V. A subtração da corrente detectada nos dois potenciais pode ser considerada com sendo
proveniente da oxidação de MetOH (iMetOH = i+1,20 V – i+0,19V).
A Figura 2A apresenta os voltamogramas cíclicos obtidos antes e após a adição sucessiva de alíquotas de 10μL
de EtOH (99,5%) à célula eletroquímica contendo 10mL de NaOH 0,5mol L-1 e 0,01% de MetOH. Estudos prévios
demonstraram que a presença de metanol em baixa concentração no eletrólito suporte gerava uma melhor linearidade
entre concentração e corrente de oxidação de EtOH ou MetOH em +1,20V. A Figura 2B apresenta as curvas analíticas
obtidas na oxidação do EtOH em +0,19 e +1,20V numa faixa de concentração entre 0,099% e 0,495%. Os coeficientes
de correlação foram calculados em 0,999 e 0,998 em +0,19V e +1,20V, respectivamente. Além da verificação da
linearidade para EtOH em +0,19 V e +1,2 V, este estudo também foi útil para verificar a razão existente entre as
correntes de oxidação do EtOH detectadas nos potenciais de +1,20 e +0,19V (fator = i+1,20V / i+0,19V). Nesta faixa de
concentração, o fator foi calculado em 2,37 ± 0,03 (n = 5).

Figura 2: (A) Voltamogramas cíclicos obtidos para soluções contendo concentrações crescentes de EtOH (0 a 0,495%)
em meio de NaOH 0,5mol L-1 contendo 0,01% de MetOH; (B) Curvas analíticas obtidas para EtOH em +0,19 e +1,20V;
Velocidade de varredura: 50 mV s-1; Incremento: 5 mV; Eletrodo de trabalho: ouro.

Considerando os resultados obtidos na Fig. 2, estudos para determinação simultânea MetOH e EtOH foram
realizados. A Figura 3A apresenta os voltamogramas cíclicos obtidos antes e após a adição sucessiva de alíquotas de
10μL de uma solução contendo simultaneamente EtOH e MetOH (70% e 30%, respectivamente) à célula eletroquímica

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1708


contendo 10mL de NaOH 0,5 mol L-1 e 0,01% de MetOH. A Figura 3B apresenta a curva analítica obtida para EtOH
(0,070% a 0,346%; y = 0,00144 + 0,10222x; R = 0,999) e a Figura 3C, a curva analítica para MetOH (0,030% a
0,149%; y = 0,03003 + 1,1094x; R = 0,993). As correntes usadas na curva analítica do EtOH foram obtidas em E =
+0,19V (detecção seletiva) e as correntes usadas na curva analítica do MetOH forma obtidas da seguinte forma: iMetOH
= i+1,20V – (i+0,19V × fator). O fator usado nesta equação foi calculado nos estudos apresentados na Fig. 2.

Figura 3: (A) Voltamogramas cíclicos obtidos para soluções contendo concentrações crescentes de EtOH (0,070
a 0,346%) e MetOH (0,030 a 0,149%) em meio de NaOH 0,5mol L-1 + 0,01% de MetOH; (B) Curva analítica do
EtOH. (C) Curva analítica do MetOH; Velocidade de varredura: 50 mV s-1; Incremento: 5 mV; Eletrodo de trabalho:
ouro.

Os resultados obtidos na Fig. 3 foram usados na análise de 3 amostras de álcool combustível adquiridas em postos
de combustíveis locais. Os resultados são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1: Resultados obtidos na determinação de EtOH e MetOH em amostras de álcool combustível por cromatografia
gasosa (CG) e voltametria cíclica (VC).
Concentração [EtOH] / % [MetOH] / %
Amostras
adicionada CG VC CG VC
1 0 97,0 ± 2,0 100 ± 2,4 < LD 2,00 ± 1,6
1 5% MetOH + 8% H2O 63,0 ± 2,4 86,0 ± 2,4 3,00 ± 2,3 6,00 ± 1,4
2 0 97,0 ± 2,0 100 ± 2,5 < LD 1,20 ± 1,8
2 8% MetOH 86,0 ± 2,5 92,0 ± 2,2 8,00 ± 2,1 8,00 ± 2,1
3 0 97,0 ± 2,3 94,0 ± 2,0 < LD 0,50 ± 0,6
3 14% MetOH 81,0 ± 2,3 89,0 ± 3,9 14,0 ± 2,4 14,0 ± 2,0

Baseado nos resultados apresentados é possível concluir que o método proposto permite a análise simultânea de
EtOH e MetOH. O método proposto é simples, de baixo custo e necessita de apenas um reagente na análise (NaOH
0,5mol L-1). Os resultados obtidos com o método proposto são semelhantes aos obtidos por CG e os limites de detecção
foram calculados em 0,028% e 0,0026% para EtOH e MetOH, respectivamente.

AGRADECIMENTOS: FAPEMIG, CAPES e CNPq.

REFERÊNCIAS

[1]Etanol, combustível do futuro. Endereço eletrônico: http://www.administradores.com.br/ acessado em 02/05/2011


[2] CARNEIRO, H. S. P.; MEDEIROS, A. R. B.; OLIVEIRA, F. C. C.; AGUIAR, G. H. M.; RUBIM, J. C.; SUAREZ,
P. A. Z.; “Determination of ethanol fuel adulteration with methanol using FT-NIR and FTIR”, Energy Fuels 2008,
22, 2767.
[3] FELTRACO, L. L.; ANTUNES, M. V.; LINDEN, R.; “Determinação de etanol e voláteis relacionados em sangue
e fluido oral por microextração em fase sólida em headspace associada à cromatografia gasosa com detector de
ionização em chama”, Quim. Nova 2009, 32, 9.
[4] LIMA, R. B.; VARELA, H.; “Catalytic Oxidation of Ethanol on Gold Electrode in Alkaline Media”, Gold Bulletin
2008, 41, 1.
[5] NAGARAJU, D. H.; LAKSHMINARAYANAN, V.; “Electrochemically Grown Mesoporous Gold Film as High
Surface Area Material for Electro-Oxidation of Alcohol in Alkaline Medium”, J. Phys. Chem. C 2009, 113, 14922–
14926.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1709


ME28

DETECCIÓN DE METALES SOBRE BISMUTO EN SISTEMAS DE FLUJO


CON LAZO CERRADO

Danny Valera1, Hermes Carrero2

1,2
Departamento de Química, Universidad Simón Bolívar, Caracas 1080A, Venezuela.
danny.valera17@gmail.com

RESUMEN: En este trabajo se describe un sistema automatizado de análisis por inyección en flujo desarrollado
en nuestro laboratorio utilizando un electrodo de película de bismuto nanoparticulada como sensor en línea, esta
película fue generada por electrodeposición directa sobre la superficie del electrodo. La propuesta se aplicó para la
determinación de Cd (II) y Pb (II) por voltametría de redisolución anódica y de Cr (VI) y As (III) por voltametría de
redisolución adsortiva. El análisis de Cd (II) y Pb (II) in situ, proporcionó límites de detección (LDD) de 70,0 y 3,0
ng×L-1, en modalidad ex situ los LDD fueron 50,0 y 30,0 ng×L, respectivamente. En AdSV, el LDD para el As (III) fue
de 0,72 mg.L-1, mientras que para el Cr (VI) fue de 0,12 ng.L-1. Las mediciones se realizaron con 2,27 mL de solución.
Los protocolos propuestos tienen notables ventajas en cuanto al consumo de reactivos y muestras.
Palabras claves: Electrodo de película de bismuto, voltametrías de redisolución anódica, voltametrías de redisolución
absortiva, análisis por inyección en flujo, metales pesados.

INTRODUCCIÓN

La voltametría de redisolución es una técnica electroanalítica particularmente utilizada para el análisis de trazas de
metales. Ésta se desarrolla en dos pasos, inicialmente se promueve la preconcentración del analito en la superficie del
electrodo de trabajo seguido de la voltametría de redisolución para la detección. El paso de acumulación en el electrodo
de trabajo es llevado a cabo por electrodeposición o por adsorción física del analito. Este último proceso requiere
que el analito esté complejado con un ligando que posea propiedades adsortivas. El primer proceso se conoce como
voltametría de redisolución anódica (ASV, Anodic Stripping Voltammetry) mientras que el segundo se conoce como
voltametría de redisolución adsortiva (AdSV, Adsorptive Stripping Voltammetry). La voltametría de redisolución ha
sido adaptada a un sistema por inyección en flujo, con la intención de explotar las ventajas conferidas por el análisis
en línea, como lo son: un alto nivel de automatización, incremento de la exactitud y precisión, reducción del riesgo de
contaminación de muestras y efectividad costo – operación [1].
En los análisis por redisolución, los electrodos de mercurio han sido exhaustivamente empleados en forma de
electrodo de gota colgante de mercurio (HMDE, Hanging Mercury Drop Electrode) o como electrodo de película de
mercurio (MFE, Mercury Film Electrode), el cual consiste en una fina película de mercurio metálico que se encuentra
en el sustrato conductor. En cuanto al análisis en flujo, los MFE han sido particularmente utilizados, ya que son
mecánicamente fuertes y adaptables a las diferentes celdas. La principal desventaja de los electrodos de mercurio
radica en la toxicidad de los vapores y compuestos. Recientemente, un nuevo tipo de electrodo, los electrodos de
película de bismuto (BiFE, Bismuth Film Electrode), han sido introducidos como una nueva alternativa a los electrodos
de mercurio. Los resultados revelan que el desempeño es comparable a los de mercurio, tanto en ASV como en AdSV
[2-3]. Los BiFE son de baja toxicidad, resistentes y sensibles, lo cual unido al análisis en línea, puede incrementar
considerablemente el alcance de la voltametría de redisolución como técnica para el análisis de trazas [1].
En este trabajo se estudió las secuencias y condiciones experimentales para la detección de Pb (II), Cd(II), Cr (VI)
y As(III). El interés de realizar las mediciones de estos metales, en el caso particular del cromo y arsénico, se debe a su
elevada toxicidad. Muchos compuestos de cromo y arsénico son considerados cancerígenos y están calificados como
los más riesgosos [4-5].

MATERIALES Y MÉTODOS

Reactivos y Soluciones: Todos los reactivos utilizados fueron de grado analítico y todas las soluciones fueron
preparadas con agua desmineralizada 16 MWcm-1, Millipore-water.
Equipos: Los experimentos electroquímicos se realizaron en un galvanostato/potenciostato marca Princeton
Applied Research (PAR) modelo 273A controlado por computadora mediante el software Model 270/250 Research
Electrochemistry Software 4.23 de PAR. Se usó un sistema por inyección en flujo desarrollado en nuestro laboratorio,
compuesto de una bomba peristáltica, Gilson Minuplus 3, tubos de flujo Isoversinic® de 2 mm de diámetro interno,
tubos de teflón® de 0.3 mm de diámetro interno y conectores universales Omnifit. La celda electroquímica, también
diseñada en el laboratorio, fue acoplada al sistema de inyección en flujo para realizar las mediciones voltamétricas,
dicha celda, construida con material de vidrio, está compuesta básicamente de tres electrodos, un disco de carbón vítreo
de 7 mm de diámetro (Electrodo de Trabajo), un electrodo Ag / AgCl (Electrodo de Referencia) y un alambre de Pt
sellado en el cuerpo de vidrio de la celda (Electrodo Auxiliar).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1710


Procedimiento Experimental: Antes de realizar cada experiencia, todo el material de vidrio fue lavado con solución
jabonosa y luego sumergido en solución al 10% de ácido nítrico. Los electrodos de carbón vítreo antes de realizar cada
experimento, se pulieron primero con lija y luego con alúmina sobre tela, finalmente llevado al ultrasonido. En seguida
de pulir los electrodos estos fueron sometidos a una activación electroquímica.
La película convencional de bismuto se preparó dentro del sistema de flujo, éste primero se cargó con una solución
de bismuto (III) acomplejado con bromuro. El electrolito soporte fue un buffer de ácido acético. La solución formada
se purgaba con N2 antes de ser cargada al sistema de flujo. La aplicación de un potencial mediante la culombimetría a
potencial controlado sobre la solución permitió la generación de una delgada película de bismuto. Durante la electrólisis
la solución se encontraba recirculando en el sistema a lazo cerrado.
Para la medición de Pb y Cd, se cargó el bucle de inyección con un patrón de estos analitos con la asistencia de la
válvula de inyección, que luego se hizo pasar al sistema de flujo. Para llevar a cabo la preconcentración de los analitos
se aplico un potencial de -1.2 V durante 120 s, bajo condiciones de flujo a una velocidad de 20 RPM. Finalmente,
un tiempo de equilibrio de 10 s. Con respecto a la medición de arsénico y cromo se realizó cargando el sistema con
una solución 5 mM de DTPA y 250 mM de KNO3, en buffer de ácido acético 0.1 M a pH 6. El analito se cargó en el
bucle de inyección, luego de introducirlo al sistema de flujo éste se complejó con el ligando y fue preconcentrado por
adsorción sobre el BiFE. El proceso se facilitó aplicando un potencial de -0,8 V durante 120 s, durante el procedimiento
la solución se encontraba recirculando en el sistema a lazo cerrado a una velocidad de 20 RPM. Para realizar la
redisolución se utilizó la técnica de Voltametría de Pulso Diferencial, aplicando barridos entre de potencial entre -0.8
V y -1.6 V.

RESULTADOS Y DISCUSIÓN

La metodología analítica que plantea en este trabajo se basa en la generación de películas de bismuto nanoestructurada
(superficie particulada) para el análisis de trazas metálicas por ASV y AdSV en sistemas de flujo. La película se preparó
dentro del sistema de flujo, éste se cargó con una solución de bismuto (III) acomplejado con bromuro. La aplicación de
un potencial mediante la culombimetría a potencial controlado sobre la solución permitió la generación la película de
bismuto. Durante la electrólisis la solución se encontraba recirculando en el sistema a lazo cerrado.
La técnica utilizada para la detección de metales fue la voltametría de redisolución anódica (para la medición de
plomo(II) y cadmio(II)) y adsortiva (para la medición de cromo(VI) y arsénico(III)). Con este fin se desarrolló en
nuestro laboratorio un sistema de análisis por inyección en flujo acoplado a un detector electroquímico (película de
bismuto nanopartículada). El montaje es un sistema de flujo tipo I, donde el detector electroquímico se encuentra dentro
de un lazo cerrado. Este arreglo es conveniente a los efectos del trabajo de redisolución, pues permite la recirculación
de la muestra durante la fase de preconcentración obteniendo así una mayor cantidad del analito depositado sobre
el electrodo de trabajo. La válvula de inyección permite colocar un volumen medido de 29,1 mL del estándar que es
arrastrado por el flujo transportador, a través del sistema donde se homogeniza. Luego de optimizadas las condiciones
de formación de los complejos metálicos, formación de la película y condiciones de operación del sistema de flujo, a
continuación se muestran algunos de los resultados obtenidos.

Tabla 1. Parámetros de regresión lineal de la curva de calibración para la determinación de cadmio y plomo sobre BiFE
convencional in situ por ASV

Cd(II) Pb(II)
Valor Error Valor Error
Pendiente 0,049 ±0,001 0,072 ±0,001
Intercepto -0,6 ±0,1 -0,5 ±0,1
R2 0,9961 0,9988

Tabla 2. Parámetros de regresión lineal de la curva de calibración para la determinación de cadmio y plomo sobre BiFE
convencional ex situ por ASV

Cd(II) Pb(II)
Valor Error Valor Error
Pendiente 0,061 ±0,003 0,095 ±0,003
Intercepto -1,3 ±0,4 -2,5 ±0,4
R2
0,9908 0,9923

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1711


Tabla 3. Parámetros de regresión lineal de la curva de calibración para la determinación de cromo sobre BiFE
nanoestructurado por AdSV

Valor Error
Pendiente 0,27 ±0,013
Intercepto -1,33 ±2,61
R2 0,9903

Tabla 4. Parámetros de regresión lineal de la curva de calibración para la determinación de arsénico sobre BiFE
convencional por AdSV

Valor Error
Pendiente 4,51 ±0,24
Intercepto -3,23 ±3,63
R2 0,9875

El análisis de Cd (II) y Pb (II) sobre una película nanoparticulada de bismuto, siguiendo la modalidad in situ,
proporcionó límites de detección (LDD) de 70,0 y 3,0 ng×L-1, mientras que cuando se aplicó la modalidad ex situ,
los LDD fueron 50,0 y 30,0 ng×L, respectivamente. En AdSV, el límite de detección para el As (III), sobre película
nanoparticulada de bismuto fue de 0,72 mg.L-1 mientras que para ela el Cr (VI) fue de 0,12 ng.L-1.
Los resultados indican que los BiFE se adapta bien a sistemas en flujo, en virtud de su baja toxicidad, puede
servir como una alternativa viable para sustituir los electrodos de mercurio. Los protocolos propuestos tienen notables
ventajas en cuanto al consumo de reactivos y muestras. Las mediciones se realizaron con 2,27 mL de solución, en un
tiempo medianamente corto.

REFERENCIAS

[1] A. ECONOMOU; A. Voulgaropoulos. Talanta 71 (2007) 758.


[2] A. ECONOMOU, TrAC 24 (2005) 334.
[3] J. WANG, Electroanalysis 17 (2005) 1341.
[4] J. JIAJAE; Y. NAGAOSA. Anal. Chim. Acta 593 (2007) 1.
[5] A. LEVINA; R. CODD; C. DILLON; P. Lay. Progress in Inorganic Chemistry 51 (2002)

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1712


ME29

SENSORES ELETROQUÍMICOS DE GLICOSE EMPREGANDO


ELETRODOS MODIFICADOS DE COBRE

Amanda Maciel (IC), Franciele Wolfart (PG), Marcio Vidotti (PQ)

Departamento de Química – Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR - Brasil


amandamaciel87@gmail.com

RESUMO: Neste trabalho são apresentados os resultados iniciais referentes à utilização de eletrodos de cobre visando
o desenvolvimento de sensores eletroquímicos para a detecção de compostos orgânicos, empregando um material
barato e de grande disponibilidade. As modificações superfIciais do eletrodo de cobre foram realizadas a partir de
experimentos eletroquímicos simples e diretos, a fim da formação de novas morfologias com diferentes comportamentos
frente a detecção do analito, que neste caso foi utilizada a glicose, porém, devido ao bom comportamento eletrocatalítico,
a metodologia aqui descrita na modificação de eletrodos pode ser empregada para a detecção de outros carboidratos
ou outras moléculas orgânicas.
Palavras-chave: eletrodo de cobre, sensores eletroquímicos, eletrocatálise, glicose.

INTRODUÇÃO

Atualmente é de grande importância o desenvolvimento de métodos rápidos e confiáveis para determinação de


analitos orgânicos. Dentre as diversas áreas da ciência e tecnologia beneficiadas, podemos citar as indústrias alimentícia
e biotecnológica, a de diagnósticos clínicos, ambiental, entre outros. Dentre os diversos analitos investigados, um de
grande interesse é a determinação de glicose, devido à sua grande importância no controle de glicemia. Comercialmente
são muito difundidos os biossensores de glicose, onde a sua detecção é efetuada eletroquimicamente, pela reação
catalítica entre o transdutor e o peróxido de hidrogênio gerado pela reação enzimática com a Glucose oxidase (GOx).1
Nesta metodologia, a glicose participa da reação enzimática juntamente com o O2, formando os produtos, entre eles o
H2O2 que difunde até a superfície do material catalítico (BP/AP) onde é reduzido a água. A intensidade desta corrente
catódica é desta forma, proporcional a quantidade de glicose do meio.
Embora esta seja uma abordagem que permita uma grande especificidade devido ao componente biológico, este
sistema ainda apresenta algumas limitações. Por exemplo, a processabilidade e purificação de enzimas é um processo
dispendioso e pouco reprodutível, além disso, as enzimas possuem um ambiente limitado de utilização, onde fatores
como pH, força iônica, temperatura, etc, influenciam drasticamente na performance do dispositivo analítico.2 Uma
metodologia bastante empregada a fim de se contornar esses problemas está na remoção do componente biológico,
onde o analito seria diretamente oxidado / reduzido na superfície do eletrodo. Embora mais direta e barata, esta técnica
apresenta algumas desvantagens, como a falta de seletividade na detecção e os altos valores de sobretensão requeridos
para determinadas reações. Com o intuito de minimizar esses aspectos negativos, é bastante usual a incorporação de
materiais eletrocatalíticos na superfície do eletrodo, onde algumas reações são mais favorecidas além da alteração do
potencial eletroquímico para que a reação ocorra, evitando assim, boa parte do sinal de interferentes.3
Com este trabalho, objetivamos a modificação superficial de eletrodos de cobre eletroquimicamente a partir de
técnicas simples para a formação do óxido de cobre (CuO), visando a formação de um eletrodo modificado para a
detecção catalítica de glicose e construção de um sensor amperométrico.

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Inicialmente submeteu-se o eletrodo de cobre a conoamperometrias em uma solução eletrolítica de KCl 0,1 mol L-1
onde o mesmo era submetido a dois diferentes processos cronoamperométricos, aplicando inicialmente o potencial de
0,7 V por diferentes tempos a fim de se remover a camada superficial do eletrodo na forma dos íons Cu2+. O segundo
processo era relacionado com a redução destes íons aplicando-se um potencial de -1,0 V, com isso, pretendemos alterar
a morfologia superficial do eletrodo, onde no processo de redução estes se depositariam aleatoriamente, criando assim
uma maior rugosidade superficial, aumentando assim a sensibilidade de detecção frente a glicose. Uma vez efetuada
essa primeira modificação, a segunda etapa consistia na alteração do Cu para sua forma catalítica, o CuO, para tanto,
o eletrodo foi submetido a voltametrias cíclicas em solução KOH 0,1 mol L-1, por 10 ciclos, a uma velocidade de
varredura de 50 mV s-1. Um esquema destes processos está mostrado na Figura 1, assim como o mecanismo proposto
para a detecção de glicose pelos eletrodos modificados.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1713


Figura 1. Representação esquemática da modificação de eletrodos de cobre: (a) aplicação de um potencial de +0,7 v
para a formação de íons Cu2+, (b) redução a -1,0 V visando a formação de uma superfície de maior rugosidade e (c)
ciclos voltamétricos em KOH 0,1 mol L-1 para a conversão a CuO.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Na Figura 2(A) estão mostradas as voltametrias cíclicas efetuadas sobre o eletrodo de cobre (já modificado pelas
cronoamperometrias) em solução KOH 0,1 mol L-1. É possível verificar um primeiro ciclo com um alto valor de corrente
anódica referente à oxidação do cobre metálico a Cu2+ que é imediatamente precipitado na forma de óxido hidratado
na superfície do eletrodo, devido ao alto valor de pH do meio. Também é possível verificar um processo catódico em
aproximadamente 0,62 V referente ao par redox CuIIIO / CuIIO. Na presença de glicose, Figura 2(B), a corrente anódica
sofre um grande incremento a partir de aproximadamente 0,4 V, que corresponde ao início da oxidação do CuIIO para
a forma CuIIIO, atingindo um pico de corrente a aproximadamente 0,55 V, como esperado, não é verificado o pico de
redução a 0,62 V, comprovando o mecanismo eletrocatalítico mostrado na Figura 1.

Figura 2. (A) Voltmetrias cíclicas realizadas para o eletrodo de cobre, em solução KOH 0,1 mol L-1, velocidade de
varredura de 50 mV s-1. (B) Resposta eletrocatalítica do eletrodo de CuO frente a glicose em diferentes concentrações,
eletrólito KOH 0,1 mol L-1, v = 20 mV s-1. (C) Curva de calibração efetuada para o eletrodo de CuO em solução
KOH 0,1 mol L-1, por 60s e 150s, aplicando um potencial de 0,55 V, no detalhe são mostradas as respectivas
cronoamperometrias, eletrólito: KOH 0,1 mol L-1.

Uma vez determinado o melhor valor de potencial para a detecção de glicose, foram efetuadas cronoamperometrias
aplicando-se o potencial de 0,55 V na presença de diferentes concentrações de glicose, como observado no detalhe
da Figura 2 (C). A partir das correntes apresentadas foi possível construir a respectiva curva de calibração analítica,
encontrando uma sensibilidade de 880 A mM-1 cm-2, que é um valor bastante significativo se comparamos com outros
valores encontrados em literatura, entre sensores empregando outros materiais eletrocatalíticos e biossensores, como
mostrado abaixo, na Tabela 1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1714


Técnica empregada na Sensibilidade /
Modificação do eletrodo Referência
detecção A mM-1 cm-2
Eletrodo de Cu modificado por Cronoamperometria a 0,55 V, Este
880
CuO em eletrólito KOH 0,1 M trabalho
Nanopartículas de Ni(OH)2 Cronoamperometria a 0.55 V vs
misturadas com pó de grafite Ag/AgCl. Eletrólito: NaOH 0.5 200 4
e líquido iônico mol L-1.
Cronoamperometria a 0.2 V vs
Nanotubos de carbono de
Ag/AgCl. Eletrólito NaOH 0.1 4 5
multiparedes
mol L-1
Cronoamperometria a 0.35 V vs
Filmes porosos de ouro 12 6
ECS. Eletrólito PBS 0.1 mol L-1
GOx imobilizada em filmes de FIA a 0.3 V vs ECS. Eletrólito
8.3 7
TiO2 sobre carbono vítreo PBS 0.01 mol L-1

CONCLUSÕES

Foi possível a construção de um sensor eletroquímico para a detecção de glicose a partir da modificação superficial
de eletrodos massivos de cobre por técnicas eletroquímicas de simples execução. O eletrodo modificado mostrou uma
alta sensibilidade frente a detecção de glicose, superior a outros materiais encontrados em literatura.

AGRADECIMENTOS: Os autores agradecem ao CNPq, CAPES e UFPR.

REFERÊNCIAS

[1] (a) Yu, J.; Liu, S. ; Ju, H. Biosens. Bioelectron. 2003, 19, 401. (b) Cosnier, S.; Senillou, A.; Grätzel, M.; Comte, P.;
Vlachopoulos, N.; Renault, N.J.; Martelet, C. J. Electroanal Chem. 1990, 469, 176.
[2] (a) Wilson, R.; Turner, A.P.F. Biosens. Bioelectron. 1992, 7, 165. (b) S. Park, S.; Boo, H.; Chung, T.D. Anal. Chim.
Acta 2006, 556, 46.
[3] (a) Zhuang, Z.J., Su, X.D., Yuan, H.Y., Sun, Q., Xiao, D., Choi, M.M.F. Analyst 2008, 133, 126. (b) Li, Y., Song,
Y.Y., Yang, C., Xia, X.H. Electrochem. Commun. 2007, 9, 981. (c) Sotomayor, MD; Kubota, LT. Quim. Nova, 2002,
25, 123. (d) Sotomayor, MDT; Tanaka, AA; Kubota, LT. Anal. Chim. Acta 2002, 455, 215.
[4] Safavi, A.; Malekia, N.; Farjami E. Biosens. Bioelectron. 2009, 24, 1655.
[5] Ye, J.S.; Wen, Y.; Zhang, W.D.; Gan, L.M.; Xu, G.Q.; Sheu, F.S. Electrochem. Commun. 2004, 6, 66.
[6] Li, Y.; Song, Y.Y.; Yang, C.; Xia, X.H. Electrochem. Commun. 2007, 9, 981.
[7] Yu, J.; Liu, S. ; Ju, H. Biosens. Bioelectron. 2003, 19, 401.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1715


ME30

APLICAÇÃO DO ELETRODO COMPÓSITO GRAFITE-POLIURETANA


NA DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DO FÁRMACO
OXITETRACICLINA EM AMOSTRA BIOLÓGICA

Carolina Maria Fioramonti Calixto1 e Éder Tadeu Gomes Cavalheiro2

1,2
Instituto de Química de São Carlos – IQSC, USP, São Carlos, SP - Brasil.
cmcalixto@hotmail.com

RESUMO: O eletrodo compósito grafite-poliuretana (GPU) 60% (grafite, m/m) foi utilizado na determinação
voltamétrica do fármaco oxitetraciclina (OTC) em urina bovina. A oxitetraciclina é um antibiótico muito utilizado
na medicina veterinária, no tratamento de várias doenças. A amostra de urina bovina foi fornecida pela EMBRAPA
Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) e intencionalmente contaminada com OTC, resultando em uma concentração de
0,55 mg mL-1 de OTC. Após pré-tratamento da urina, a quantidade de OTC presente na amostra foi determinada pelo
método de adição única de padrão, usando voltametria de pulso diferencial, com o eletrodo compósito GPU 60%
(grafite, m/m). Foram observadas recuperações entre 96 e 100%.
Palavras-chave: eletrodo compósito, grafite, poliuretana, oxitetraciclina, urina bovina.

Introdução

As tetraciclinas (TCs) apresentam ampla faixa de atividade antimicrobiana contra as bactérias gram-positivas e
gram-negativas e também apresentam atividade bacteriostática. A oxitetraciclina tem sido muito utilizada na medicina
veterinária e na aquicultura para a prevenção e tratamento de doenças [1,2].
Estes antibióticos também são empregados no uso não terapêutico, desde então são amplamente utilizados na
prática veterinária, como aditivos alimentares de vários animais, em doses subterapêuticas, para promover o aumento
da atividade contra bactérias, devido ao baixo custo [3,4]. Por isso, existe o risco que resíduos de TCs ou dos seus
metabólitos estejam presentes em alimentos de origem animal, provocando impactos na saúde humana, pois as TCs são
adsorvidas fortemente em matrizes ambientais, nas quais mantêm suas atividades químicas e biológicas [5,6].
O eletrodo compósito grafite-poliuretana 60% (grafite, m/m) tem sido utilizado em análises farmacêuticas e em
amostras ambientais [7,8], apresentando maior sensibilidade e robustez em relação aos outros compósitos, associada à
hidrofobicidade da resina que evita o intumescimento do compósito, quando utilizado em meio aquoso.
Este trabalho tem por objetivo avaliar o uso do eletrodo compósito à base de grafite e resina poliuretana (PU)
60% (grafite, m/m), como um eletrodo alternativo, na determinação voltamétrica do fármaco oxitetraciclina em urina
bovina.

Procedimento Experimental

Preparação do eletrodo compósito: Os eletrodos compósitos GPU foram preparados misturando-se 60% de
grafite e 40% de resina poliuretana (Poliquil), em massa [9]. Essa mistura foi homogeneizada durante 10 min em um
almofariz, em seguida, foi adicionada a uma prensa manual, com uma pressão estimada de 17 x 103 kg cm-2, para a
fabricação de tarugos com diâmetro de 3 mm. Para a cura da resina, aguardou-se 24 h à temperatura ambiente. Após
esse tempo, os tarugos foram cortados em peças de 1 cm de comprimento e conectados a um fio de cobre com auxílio
de um adesivo epóxi a base de prata (EPO-TEK 410E, Epoxy Technology), para contato elétrico. Após 48 h, este
conjunto compósito/fio de cobre foi inserido em um tubo de vidro de 9,0 cm de comprimento e 6 mm de diâmetro.
Com auxílio de uma pipeta de Pasteur, preencheu-se parte do tubo com resina epóxi (SILAEX, SQ 2004), para fixar
o compósito. O tratamento mecânico consistiu de abrasão em lixa d’água 500, para eliminar excesso de resina epóxi
na superfície e expor o compósito. Em seguida, foi feito um polimento com suspensão de alumina 1,0 μm (Arotec),
que foi efetuado em uma politriz motorizada modelo APL-02 (Arotec). Os eletrodos foram imersos em isopropanol e
submetidos ao ultrassom por 5 min, antes das medidas. O mesmo procedimento foi feito em água, para a retirada de
possíveis partículas de alumina da superfície do eletrodo.
Pré-tratamento da amostra de urina bovina: Uma amostra de urina foi fornecida pela EMBRAPA Pecuária Sudeste
(São Carlos/SP) em um frasco de 1,0 L, o qual foi pré-lavado com metanol grau HPLC e água purificada em sistema
Barnstead antes da coleta. Toda a urina foi acidificada, primeiramente, com ácido clorídrico(P.A.) concentrado até
pH 2,0. Em seguida, foi preparada uma solução estoque de urina 1,0 x 10-3 mol L-1 de OTC, resultando em uma
concentração de 0,55 mg mL-1 de OTC, na urina bovina. Esta amostra foi submetida à centrigugação durante 25
minutos, a 3900 rpm. A fase líquida foi removida. A seguir, 200 µL desta solução foi adicionada à célula eletroquímica,
para a determinação de OTC, pelo método de adição de padrão. Este procedimento foi realizado em triplicata.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1716


Medidas voltamétricas: O equipamento utilizado foi um potenciostato/galvanostato µAUTOLAB Type
III acoplado a um microcomputador controlado pelo software GPES (v. 4.9) (Ecochemie). As medidas
voltamétricas foram feitas em uma célula de vidro com capacidade total de 25,0 mL, contendo os eletrodos:
compósito GPU 60% (grafite, m/m), como eletrodo de trabalho, calomelano saturado (ECS), como referência
e o eletrodo auxiliar de platina (f = 1,0 cm2). A concentração de OTC na amostra de urina foi determinada pelo
método de adição única de padrão, usando voltametria de pulso diferencial (DPV), e os seguintes parâmetros
a = 50 mV e n = 10 mV s-1, no intervalo de potenciais de 600 e 1200 mV, em tampão fosfato pH 2,5.

Resultados e Discussão

Inicialmente, a amostra de urina contendo OTC foi submetida à centrifugação, durante 25 min, a 3900 rpm. Após
a remoção do líquido superior, a quantidade de oxitetraciclina presente na amostra foi determinada pelo método da
adição única de padrão, usando DPV, com o eletrodo compósito GPU 60% (grafite, m/m). O procedimento foi realizado
em triplicata. O resultado típico da adição única de padrão está representado na Figura 1.

4,0
amostra
1a adição de padrão
3,0
I / mA

2,0

1,0

0,0
0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2
E / V (vs. ECS)

Figura 1: Voltamogramas em DPV obtidos para o eletrodo compósito GPU 60% (grafite, m/m) em tampão fosfato
pH 2,5, a = 50 mV e ν = 10 mV s-1, na determinação de OTC em urina bovina.

O pico em torno de 800 mV (vs. ECS) foi atribuído a uma substância desconhecida presente na urina bovina, a qual
não interferiu na determinação de OTC.
A Tabela 1 reúne os resultados das três determinações e compara os resultados com a quantidade de OTC inicialmente
presente na urina bovina.

Tabela 1: Resultados da determinação de OTC em urina bovina usando o eletrodo compósito GPU 60% (grafite,
m/m), considerando um valor original de 0,55 mg mL-1 na amostra

OTC / mg mL-1
Amostras Determinada por Recuperação / %
Adicionada
DPV
1 0,55 0,55 100
2 0,55 0,53 96
3 0,55 0,53 96
Média ± SD 0,54 ± 0,01 97 ± 2

Durante as adições de padrão foram observadas recuperações entre 96 e 100%, mostrando que o procedimento é
viável e aparentemente não está sujeito a interferente pelos componentes da fase líquida da urina.

ConclusÕES

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1717


Pelos resultados obtidos, conclui-se que o eletrodo compósito a base de grafite e poliuretana 60% (grafite, m/m)
pode representar uma alternativa para a análise direta de fármacos em fluidos biológicos. Neste caso utilizou-se urina
bovina, pois o fármaco é amplamente usado na prática veterinária.

AgradeCimentos: FAPESP pela bolsa de CMFC (processo 08/02590-1) e financiamento (processo 10/11080-7)
e ao Dr. Marco Aurélio Carneiro Meira Bergamaschi, EMBRAPA Pecuária Sudeste (São Carlos/SP), pelas amostras
de urina.

Referências

[1] Masawat P. and Slater J.M., “The determination of tetracycline residues in food using a disposable screen-printed
gold electrode (SPGE)”, Sensors and Actuators B 124:127-132, 2007.
[2] Veja D., Agüí L., González-Cortés A., Yáñez-Sedeño P. and Pingarrón J. M., “Voltammetry and amperometric
detection of tetracyclines at multi-wall carbon nanotube modified electrodes”, Anal. Bioanal. Chem. 389:951-958,
2007.
[3] Kowalski P., “Capillary electrophoretic method for the simultaneous determination of tetracycline residues in fish
samples”, J. Pharm. and Biomed. Anal. 47:487–493, 2008.
[4] “European Union Council Regulation No. 508/99”, Off. J. Eur. Commun. L60:16–52, 1999.
[5] United States Food and Drug Administration (FDA), Internet site address: http://www.fda.gov/ohrms/
dockets/98fr/102798a.pdf accessado em 27/08/10.
[6] Miranda J.M., Rodriguéz J.A. and Vidal C.A.G., “Simultaneous determination of tetracyclines in poultry muscle by
capillary zone electrophoresis”, J. Chromatogr. A 1216:3366–3371, 2009.
[7] Cervini P., Ramos L.A. and Cavalheiro E.T.G., “Determination of atenolol at a graphite–polyurethane composite
electrode” Talanta 72:206-209, 2007.
[8] Cesarino I., Cavalheiro E.T.G. and Brett C.M.A., “Simultaneous Determination of Cadmium, Lead, Copper
and Mercury Ions Using Organofunctionalized SBA-15 Nanostructured Silica Modified Graphite-Polyurethane
Composite Electrode” Electroanalysis 22:61-68, 2010.
[9] Mendes, R.K.; Claro-Neto, S.; Cavalheiro, E.T.G., “Evaluation of a new rigid carbon–castor oil polyurethane
composite as an electrode material” Talanta 57:909-917, 2002.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1718


ME31

DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DE NOREPINEFRINA


UTILIZANDO CONJUNTO DE ULTRAMICROELETRODO DE PLATINA

Diego L. C. Golinelli1, Dyovani Coelho1, Fernando C. Moraes1, Ivana Cesarino1,


Sergio A. S. Machado1, Valber A. Pedrosa2.

1
Instituto de Química de São Carlos, USP, São Carlos - SP – Brasil. 2 Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho, Instituto de Biociências, Departamento de Química e
Bioquímica - Botucatu – SP. fcmoraes@hotmail.com

RESUMO: Um conjunto de ultramicroeletrodos microfabricado foi utilizado para a determinação eletroquímica de


norepinefrina. Utilizou-se como técnica de análise a voltametria de pulso diferencial com os parâmetros otimizados
em solução tampão PBS 0,2 mol L-1 pH 6,0 com amplitude de pulso de 75,0 mV, incremento de potencial de 2,0 mV
e potencial de pré-tratamento de -1,0 V por 30 segundos. A resposta linear foi de 0,12 a 0,47 mmol L-1 com um limite
de detecção e quantificação de 40,5 e 134,9 nmol L-1, respectivamente, para epinefrina. Desta forma o conjunto de
ultramicroeletrodos mostra-se como uma alternativa no desenvolvimento de sensores para a detecção de norepinefrina.
Palavras-chave: Norepinefrina, conjunto de ultramicroeletrodos e voltametria de pulso diferencial.

Introdução

Sensores eletroquímicos microfabricados (com configuração de um arranjo de ultramicroeletrodos - UMEs) estão


ganhando popularidade devido às suas dimensões reduzidas, alta sensibilidade e relativa facilidade com que podem
ser integrados em dispositivos lab-on-a-chip [1]. UMEs são definidos como eletrodos que apresentam ao menos uma
de suas dimensões na ordem de micrômetros e perfil voltamétrico sigmoidal [2]. O principal interesse analítico nesses
sistemas se deve obtenção de elevadas correntes limites de difusão, resultantes do transporte de massa por difusão
hemisférica semi-infinita do analito até a superfície do eletrodo. Para aplicações eletroanalíticas é interessante empregar
um arranjo de UMEs para a obtenção de valores de correntes mais expressivos, uma vez que medidas realizadas com
um único UME apresentam correntes na ordem de nA a pA e um arranjo de UMEs na ordem dos µA [2].
O interesse em estudar formas de determinação de norepinefrina (NE) está relacionado com sua atividade
bioquímica e correlação com doenças graves. A análise dos níveis de NE em fluídos corporais serve como diagnóstico
para diversos tipos de doenças como tumores (feocromocitomoa e neuroblastomas), doenças cardíacas e circulatórias,
além de diabetes melitus. A NE pertence a classe das catecolaminas e possui papel fundamental no funcionamento do
sistema nervoso e hormonal em seres humanos [3].
Assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar a aplicação de um conjunto de UMEs de platina na detecção de
norepinefrina.

Procedimento Experimental

As medidas eletroquímicas foram realizadas utilizando um potenciostato/galvanostato AUTOLAB PGSTAT-30


gerenciado pelo software GPES. O conjunto de UMEs utilizado como eletrodo de trabalho apresentava uma
configuração com 2 canais contendo 128 UMEs em forma de discos de Pt com 8,0 µm de diâmetro espaçados de 10
µm entre si. Utilizou-se um eletrodo de Ag/AgCl/KCl 3,0 mol L-1 como eletrodo de referência e uma placa de Pt com
0,5 cm2 como contra-eletrodo.
A caracterização do conjunto de UME foi realizada em KCl 0,1 mol L-1 contendo 5,0 mmol L-1 do par redox
[Fe(CN)6]4-/3.
A resposta eletroquímica da NE foi investigada em solução tampão PBS 0,2 mol L-1. Os parâmetros inerentes à
técnica de voltametria de pulso diferencial (utilizada para construção da curva analítica), assim como o pH e a presença
de interferente foram avaliados.

Resultados e Discussão

Durante a caracterização eletroquímica utilizando o par redox [Fe(CN)6]4-/3-, o conjunto de UMEs exibiu um perfil
voltamétrico sigmoidal característico para esses sistemas. A Figura 1 mostra que, nas mesmas condições, um UME
individual de 25 µm de diâmetro apresenta o mesmo perfil voltamétrico, porém com correntes limites menores. A
densidade de corrente obtida para o conjunto de UMEs é maior que em UMEs individuais e eletrodos convencionais,
tornando evidente sua vantagem em aplicações analíticas.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1719


8
Eletrodo convencional
6 UME de Pt
Conjunto de UME de Pt
4
2

I / ma cm-2
0
-2
-4
-6
-8
-0,1 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
E / V vs. Ag/AgCl

Figura 1: Voltamogramas cíclicos para (▬) conjunto de UMEs de Pt, (▬) UME de Pt individual e (▬) eletrodo
convencional de Pt (área geométrica 0,0314 cm2) em KCl 0,1 mol L-1 contendo 6,0 mmol L-1 do par redox [Fe(CN)6]4-/3-
com velocidade de varredura de 100 mV s-1.

De acordo com um estudo realizado variando o pH de uma solução contendo 0,1 mmol L-1 de NE, em tampão
PBS 0,2 mol L-1, a oxi-redução da norepinefrina na superfície do conjunto de UMEs de Pt envolve a transferência do
mesmo número de elétrons e prótons, uma vez que a inclinação da curva de potencial de pico é 63 mV, com o máximo
de corrente de pico observado no pH 6,0. Portanto o mecanismo de oxi-redução da norepinefrina está de acordo
com o relatado por outros trabalhos na literatura, compreendendo a oxidação do grupo catecol formando a quinona
correspondente [4].
A influência de ácido úrico (AU) como interferente nas medidas eletroquímicas foi avaliada por voltametria de
pulso diferencial. Como mostrado na Figura 2, Mesmo com a concentração de AU 2 vezes superior a concentração de
NE é possível distinguir com precisão os sinais analíticos de ambos os analitos e mesmo após aumentar a concentração
de NE não se observa influência significativa na resposta analítica da NE.

0,8

0,6
I / mA

0,4

0,2

0,0

0,0 0,2 0,4 0,6 0,8


E / V (vs Ag/AgCl)

Figura 2: voltamogramas de pulso diferencial para o conjunto de UMEs em solução tampão PBS 0,2 mol L-1 pH 6,0
contendo (▬) 1,0 x10-5 mol L-1 de AU e mantendo-se fixa a concentração de AU em 1,0 x10-5 mol L-1 com adições de
NE até a concentração final de (▬) 5,0 x10-6, (▬) 1,0 x10-5, (▬) 2,0 x10-5 e (▬) 4,0 x10-5 mol L-1. Amplitude de pulso
de 50 mV e incremento de potencial de 2 mV.

Na seqüência, realizou-se a otimização dos parâmetros da voltametria de pulso diferencial em solução tampão PBS
0,2 mol L-1 pH 6,0 contendo 0,1 mmol L-1 de NE. As maiores intensidades de correntes foram obtidas com amplitude
de pulso de 75 mV e incremento de potencial de 2 mV. Observou-se ainda a adsorção do produto de oxidação da NE na
superfície do eletrodo, sendo necessário um pré-tratamento, consistindo em aplicação de -1,0 V por 30 segundos antes
de cada medida eletroquímica. Após a otimização dos parâmetros construiu-se a curva analítica mostrada na Figura 3
para a oxidação da NE.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1720


0,4
0.40
0,3

0.35
0,2

I / mA
0.30 0,1

0.25 0,0

I / mA
1 2 3 4 5
0.20
[NE] x10-7 / mol L-1
0.15

0.10

0.05

0.00
0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 0.40

E / V (vs Ag/AgCl)

Figura 3: Voltamogramas de pulso diferencial para o conjunto de UME em uma solução de tampão fosfato 0,2 mol
L-1 (pH 6,0) nas condições otimizadas apresentadas na Tabela 1. As concentrações de NE em mmol L-1 são: 0,12; 0,15;
0,17; 0,19; 0,22 e 0,24; 0,29; 0,34; 0,38; 0,43 e 0,48. Detalhe: curva analítica.

A equação que descreve a curva analítica na região linear de 0,12 a 0,47 mmol L-1 com um coeficiente de correlação
linear de 0,9997 é:
I (µA) = -6,98 x10-8+ 0,83 (µA /mol L-1) [NA] (mol L-1)
Os limites de detecção e quantificação foram de 40,5 e 134,9 nmol L-1, determinados usando a relação 3Sd/α e
10Sd/α, respectivamente, onde α é o coeficiente angular da curva analítica e Sd é o desvio padrão dos valores de
corrente para 10 voltamogramas na ausência do analito, porém no mesmo potencial de pico observado com a presença
de NE (Sd = 1,12 x10-8 para os valores obtidos para o conjunto de UMEs de Pt) [5].

ConclusÕES

A maior densidade de corrente exibida pelo conjunto de UMEs no estudo do par redox [Fe(CN)6]4-/3- comprova a
vantagem do uso desses sistemas em aplicações analíticas. Quanto a determinação de NE, observou-se que o conjunto
de UMEs permite sua detecção mesmo na presença de AU, seu principal interferente. O baixo limite de detecção (6,85
µg L-1) possibilita a determinação de NE até mesmo em amostras de fluidos corporais.

AgradeCimentos: FaPESP (2010/11049-2 e 2010/11567-3) CNPQ (109360/2010-3)

Referências

[1] L. Nyholm, “Electrochemical techniques for lab-on-a-chip applications”. Analyst, 130:599-605, 2005.
[2] Štulík, K.; Amatore, C.; Holub, K.; Mareček, V.; Kutner, W. “Microelectrodes. Definitions, characterization
and applications”. IUPAC. 72(8): 1483-1492, 2000.
[3] Lisdat, F., Wollenberger, U., Makower, A., Hörtnagl, H., Pfeiffer, D., Scheller, F.W. Catecholamine detection
using enzymatic amplification, Biosens. Bioelectron. 12(12): 1199-1211, 1997.
[4] Chen, S-M., Peng, K-T. “The electrochemical properties of dopamine, epinephrine, norepinephrine, and their
electrocatalytic reactions on cobalt(II) hexacyanoferrate films”. J. Electroanal. Chem. 547(2):179-189, 2003.
[5] Committee, A. M. “Recommendations for the definition, estimation and use of the detection limit”. Analyst,
112(2): 199-204, 1987.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1721


ME32

DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE SULFETO USANDO


ELETRODO DE AMÁLGAMA SÓLIDO DE PRATA

Milena N. da Costa1 (IC), Marco A. Modenes Junior1 (PG), Djenaine de Souza2 (PQ), Leonardo
L. Paim1 (PG), Nelson R. Stradiotto1 (PQ).

1
Instituto de Química – UNESP, Araraquara – SP – Brasil; 2 Departamento de Química Analítica
e Físico-Química – UFC, Fortaleza – CE – Brazil. majr.modenes@hotmail.com

RESUMO: O estudo do processo de redução do íon sulfeto usando eletrodo de amálgama de prata foi realizado por
voltametria de onda quadrada e voltametria de pulso diferencial. De acordo com os voltamogramas de VOQ e VPD
observou-se um pico de corrente catódica em -750 mV e - 694 mV, respectivamente, referente ao processo de redução
atribuído ao par HS-/S2- em meio solução de tampão amônio/amônia pH 9,0. Para a VOQ o AgSAE apresentou uma
sensibilidade amperométrica de 2,64 x 105 mA L mol-1 e limite de detecção para o sulfeto de 1,33 x 10-5 mol L-1. Para
a VPD o AgSAE apresentou uma sensibilidade amperométrica de 5,46 x 104 mA L mol-1 e limite de detecção para o
sulfeto de 5,88 x 10-5 mol L-1.
Palavras-chave: Eletrodo de Amálgama de Prata, Sulfeto, Voltametria de Onda Quadrada, Voltametria de Pulso
Diferencial.

Introdução

O sulfeto é importante em diversas áreas como a química, biológica, industrial e ambiental. Este ânion é muito
reativo e instável, e pode reagir com outros compostos e se decompor ou sofrer oxidação pelo ar, gerando diversos
impactos ambientais. O estudo para a determinação de espécies de enxofre tem sido intensificado na ultima década.
Muitos trabalhos têm sido publicados usando diversas técnicas de detecção, tais como, espectrofotometria, polarografia,
fluorescência e quimiluminescência [1].
Como alternativa na determinação de compostos sulfurados às técnicas utilizadas pode-se destacar a eletroquímica
e a utilização de eletrodos sólidos como o eletrodo de amálgama sólido de cobre e de prata com mercúrio que podem
ser utilizados na determinação analítica de espécies orgânicas, tais como tiocompostos, peptídeos e proteínas [2].
Eletrodos de amálgama solido são facilmente preparados pela mistura de pó metálico fino (Ag e Cu) com mercúrio
líquido, sendo que após o processo de amalgamação, os eletrodos apresentam propriedades similares ao eletrodo de
gota de mercúrio pendente [3].
A aplicabilidade desses materiais é demonstrada tanto para determinação de compostos orgânicos como inorgânicos,
sendo utilizadas diferentes composições de amálgamas [3, 4] sempre definidas como – Me(SAE)- onde Me representa
o metal principal constituinte do eletrodo de amálgama sólido (SAE), citando-se como exemplo o AgSAE (Eletrodo de
Amálgama de Prata), de preparação rápida, simples e bem conhecida em práticas dentárias.
Tendo em vista a grande importância da determinação de compostos sulfurados em diversas matrizes, como no
GNV, aliado à necessidade de desenvolver métodos de determinação rápidos, sensíveis e de baixo custo, o presente
trabalho tem por objetivo estudar o processo de redução do íon sulfeto usando o AgSAE.

Procedimento Experimental

O sulfeto de sódio, o KCl e todos os demais reagentes utilizados nos experimentos foram de grau de pureza
analítico adquiridos da Sigma-Aldrich. Todas as soluções foram preparadas com água pura (MILLI-Q). Para as medidas
eletroquímicas do eletrodo AgSAE foi utilizado um potenciostato/galvanostato AUTOLAB PGSTAT 30, empregando
uma célula convencional com três eletrodos, onde se usou um eletrodo de referência de Ag/AgCl, um eletrodo auxiliar
de platina, e um eletrodo de amálgama de prata sólido (AgSAE) como eletrodo de trabalho.
O eletrodo AgSAE foi produzido a partir de uma mistura de prata e mercúrio líquido 30/70 (Ag/Hg; m/m). Para a
construção do eletrodo de AgSAE quantidades adequadas de mercúrio líquido e pó fino de prata (tamanho de partícula:
5-9 mm, pureza de 99,9%, Sigma-Aldrich) foram vigorosamente misturadas. Após a mistura, a pasta de amalgama é
inserida dentro de um tubo de vidro com 2 mm de diâmetro interno e pressionado para uma maior compactação. Após
10 minutos, a pasta se solidifica e um contato elétrico é feito por um fio de cobre fixado por cola de prata. Após a
construção o AgSAE foi polido com lixa d’água com diferentes granulometrias. Antes de cada dia de experimento ou
após uma pausa maior de 1h o AgSAE foi ativado através da aplicação de um potencial de -2,2 V por 300 s em uma
solução de 0,2 mol L-1 de KCl com agitação e realizando 100 varreduras sucessivas no intervalo de potencial de 0 V a
-2,2 V com 500 mVs-1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1722


Resultados e Discussão

O estudo do comportamento do sulfeto na presença do AgSAE foi realizado pelas técnicas de voltametria de
onda quadrada (VOQ) e pulso diferencial (VPD) em solução tampão amônio pH 9,0, onde o pH básico desde tampão
amônio/amônia confere a detecção do sulfeto em sua espécie oxidada, como sendo detectado na forma de HS-, as
medidas foram realizadas no intervalo de potencial de -0,25 V e -1,20 V. Para a realização das medidas foi realizada a
otimização do parâmetros eletroquímicos frente a concentração de sulfeto de 8,0 x 10-5 mol L-1, onde para a VOQ foram
definidos uma freqüência (f) de 60 Hz com amplitude (Esw) de 50 mV e incremento de potencial (DEs) de 4 mV, para a
VPD os parâmetros otimizados foram DEs de 50 mV com velocidade de varredura (v) de 10 mV s-1. Observou-se um
pico de corrente catódica em -750 mV para VOQ e de - 694 mV para VPD, referente à redução da espécie HS- para S2-.
A Figura 1-A mostra os voltamogramas de onda quadrada do AgSAE na presença de sulfeto no intervalo de
concentração de 2,0 x 10-5 a 2,8 x 10-4 mol L-1 em solução de tampão amônio/amônia (pH 9,0). A Figura 2 mostrou
um aumento linear da corrente de pico de redução com o aumento da concentração de sulfeto, observou-se que a
linearidade da curva analítica obedece à Equação 1. A equação apresentou um coeficiente de correlação linear de
0,9901, com n = 6, sensibilidade amperométrica de 2,64 x 105 mA L mol-1, expressa pelo coeficiente angular da curva
analítica. O limite de detecção para o sulfeto por VOQ foi de 1,33 x 10-5 mol L-1.

Ipc (mA) = -1.18 + 2,64 x 105 x [S2-] (1)

A Figura 1-B mostra os voltamogramas de pulso diferencial do AgSAE na presença de sulfeto no intervalo de
concentração de 4,0 x 10-5 a 2,8 x 10-4 mol L-1 em solução de tampão amônio/amônia (pH 9,0). A Figura 2 mostrou
um aumento linear da corrente de pico de redução com o aumento da concentração de sulfeto, observou-se que a
linearidade da curva analítica obedece à Equação 2. A equação apresentou um coeficiente de correlação linear de
0,9890, com n = 6, sensibilidade amperométrica de 5,46 x 104 mA L mol-1. O limite de detecção para o sulfeto por VPD
foi de 5,88 x 10-5 mol L-1.

Ipc (mA) = 1,07 + 5,46 x 104 x [S2-] (2)

Figura 1: Voltamogramas de onda quadrada (A) e pulso diferencial (B) do sulfeto em meio de tampão amônio/amônia
pH 9.

Figura 2: Curvas analíticas para determinação de sulfeto pelo AgSAE utilizando VOQ e VPD em meio de tampão
amônio/amônia pH 9.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1723


ConclusÕES

O AgSAE é um eletrodo de fácil preparo e renovação superficial, de acordo com os experimentos apresenta a
propriedade de reduzir os íons sulfetos em torno de 700 mV, conforme foi observado pelas técnicas de VOQ e VPD,
com limites de detecção de 1,33 x 10-5 mol L-1 e 5,88 x 10-5 mol L-1, respectivamente. O AgSAE apresenta características
para aplicações catalíticas na determinação de sulfeto em baixos potenciais e soluções básicas o que o torna potencial
precursor para o desenvolvimento de sensores para amostras desse íon, provenientes de diversas fontes como o GNV.

AgradeCimentos: FAPESP, CAPES e CNPq.

Referências

[1] ENSAFI A.A., SOLEYMANI H.A. and MIRMOMTAZ E., “Determination of sulfur contents of SO32-, S2O32- and
S2- - based on the electrocatalytic interation with homogeneous mediator tris(2,2’-bipyridyl)Ru(II)”, Microchem. J.
89: 108-115, 2008.
[2] TUAN H.P., JANSSEN H., CRAMERS C.A., SMIT A.L.C. and VAN LOO E.M., “Determination of sulfur
components in natural gas: A review“, J. High Resolut. Chrom. 17(6):373-389, 1994.
[3] DANTAS A.N.S., SOUZA D., LIMA J.E.S., LIMA-NETO P. and CORREIA A.N., “Voltammetric determination of
ketoconazole using a polished silver solid amalgam electrode”, Electrochim. Acta 55:9083–9089, 2010.
[4] MIKKELSEN Ø. and SCHRØDER K.H., “Amalgam Electrodes for Electroanalysis”, Electroanal. 15(8):679-687,
2003.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1724


ME33

DETERMINAÇÃO Cu2+ E Pb2+ EM ÁGUAS NATURAIS E DE


ABASTECIMENTO UTILIZANDO UM ELETRODO DE PASTA DE
CARBONO MODIFICADO COM SiO2-2-AMINOTIAZOL

Daiane H. Silva, Regina M. Takeuchi, André L. Santos

Faculdade de Ciências Integradas do Pontal - FACIP-UFU, Ituiutaba - MG - Brasil.


alsantos@pontal.ufu.br

RESUMO: Neste trabalho, um eletrodo de pasta de carbono preparado com parafina sólida como aglutinante
e quimicamente modificado com sílica organofuncionalizada com grupos 2-aminotiazol foi empregado para
quantificar simultaneamente Pb2+ e Cu2+ em amostras de água por voltametria de redissolução anódica.
Uma das vantagens do presente método é que este emprega tempos de pré-concentração relativamente curtos
(180 s), permitindo a quantificação simultânea, confiável e rápida destes metais em amostras de água. Foram obtidos
limites de detecção de 7,3 e 90 nmol L-1 para Pb2+ e Cu2+, respectivamente. Estes valores estão abaixo dos teores
regulamentados para estes metais em água para consumo humano segundo a legislação brasileira, indicando que o
método proposto é aplicável para o monitoramento de Pb2+ e Cu2+ em amostras de água. Recuperações próximas a
100 % foram obtidas em quatro amostras de água enriquecidas com Pb2+ e Cu2+, demonstrando que o método proposto
é aplicável a amostras reais.
Palavras-chave: Voltametria de redissolução anódica, Eletrodos de pasta de carbono, Sílica organofuncionalizada,
Análise de água, Metais pesados.

Introdução

Recentemente, tem sido observada uma crescente preocupação em relação à contaminação ambiental por
metais pesados, pois estes apresentam elevada toxicidade e não são degradáveis, sendo, portanto, bioacumulados
no ambiente. Cobre e chumbo são dois poluentes metálicos muito importantes, pois são tóxicos, abundantes
e amplamente empregados pela sociedade. Estes metais são introduzidos no ambiente principalmente via
contaminação de águas naturais por atividades antropogênicas. Assim, a quantificação destes metais em águas
naturais é importante para a preservação dos recursos hídricos para as gerações futuras. No Brasil, a legislação
vigente estabelece os teores máximos de chumbo e cobre em água potável, em 0,01 mg L-1 (48 nmol L-1) e
2 mg L-1 (31 μmol L-1), respectivamente [1].
As técnicas voltamétricas com redissolução anódica são especialmente atrativas para a quantificação de íons
metálicos em amostras de interesse ambiental, pois são muito sensíveis, apresentam capacidade multielementar e de
especiação e dispensam procedimentos extremos de pré-tratamento de amostra. Dentre os eletrodos empregados para
o desenvolvimento de métodos voltamétricos para a quantificação de íons metálicos, os eletrodos de pasta de carbono
(EPC) têm se destacado, pois apresentam facilidade de preparação e de renovação de superfície, baixo custo, amplo
intervalo útil de potencial e baixas correntes residuais. No entanto, a característica mais atrativa dos EPC é a facilidade
com a qual pode-se modificá-lo quimicamente. Ao contrário dos outros tipos de eletrodo, a modificação química de
um EPC não requer interações específicas entre o modificador químico e a superfície eletródica. Um EPC pode ser
quimicamente modificado simplesmente adicionando-se o modificador químico à mistura pó de carbono/aglutinante.
Os EPC quimicamente modificados com sílicas e sílicas organofuncionalizadas têm contribuído significativamente
para o campo da eletroanálise de íons metálicos, sendo este assunto revisado por Walcarius [2].
Apesar das propriedades atrativas dos EPC, EPC convencionais, preparados com óleo mineral como aglutinante,
exibem baixa resistência mecânica e instabilidade em soluções não aquosas. A parafina sólida é um aglutinante
alternativo promissor, pois permite que eletrodos mais estáveis sejam preparados facilmente e com baixo custo. EPCs
preparados com parafina sólida como aglutinante foram introduzidos por Petit et al. [3], e estes eletrodos têm se
mostrado estáveis em condições hidrodinâmicas [3] e em meio de etanol combustível [4].
Assim, o objetivo deste trabalho é quantificar simultaneamente chumbo e cobre em amostras de águas naturais e
de abastecimento empregando um EPC modificado com sílica organofuncionalizada com grupos 2-aminotiazol (EPC-
SiAt) e preparado com parafina sólida como aglutinante.

Procedimento Experimental

As soluções estoque de cobre e chumbo foram preparadas a partir das respectivas soluções padrão
1000 mg L-1 (Fluka). Os experimentos eletroquímicos foram realizados em tampão acetato 0,1 mol L-1. Quatro
amostras de água (torneira, mineral, chuva e rio) foram enriquecidas com cobre e chumbo e foram submetidas a
estudos de adição e recuperação. Os EPC-SiAt foram preparados de acordo com o procedimento descrito na literatura

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1725


[4]. Todas as medidas eletroquímicas foram realizadas empregando-se um potenciostato/galvanostato mAUTOLAB
Tipo III interfaceado a um microcomputador. Um eletrodo de Ag/AgCl/KClsat (Ag/AgClsat) foi utilizado como eletrodo
de referência e como eletrodo auxiliar empregou-se um fio de Pt enrolado em espiral. A composição em massa dos
EPC-SiAt utilizados como eletrodo de trabalho foi de: 40 % parafina sólida, 40 % pó de carbono e 20 % de SiAt.
Esta composição foi adotada, pois alguns trabalhos demonstraram que a mesma apresenta melhor desempenho para a
quantificação de íons metálicos em etanol combustível [4].

Resultados e Discussão

O compósito obtido com parafina sólida como aglutinante é mais rígido e mais compacto do que o obtido com
o óleo mineral. Estas propriedades fornecem eletrodos mais robustos e com menores correntes residuais, o que é
confirmado pelos voltamogramas cíclicos apresentados na Figura 1.

Figura 1 - Voltamogramas cíclicos registrados em tampão acetato 0,1 mol L-1 a 100 mV s-1. A) EPC-SiAt(20%)
preparado com parafina, B) EPC-SiAt(20%) preparado com óleo mineral.

A Figura 1 demonstra que a parafina sólida produz EPC com menores correntes residuais do que aqueles preparados
com óleo mineral. Menores correntes residuais fornecem menores limites de detecção (LD), os quais são necessários
para a quantificação de metais em nível traço. A Figura 1 mostra também a presença de alguns processos redox,
os quais podem ser atribuídos à SiAt, pois EPC não modificados não apresentaram qualquer transição redox neste
intervalo de potencial. Verifica-se que estes processos redox são mais pronunciados no EPC-SiAt preparado com óleo
mineral, sugerindo que este eletrodo seja menos apropriado para aplicações analíticas devido a elevada probabilidade
de sobreposição destes picos com os picos voltamétricos do analito.
No procedimento analítico proposto neste trabalho, a etapa de pré-concentração é realizada em condições de
potencial controlado, assim, dois fatores são operantes para pré-concentrar os íons metálicos: a deposição eletroquímica
e a complexação via átomos de S e N dos grupos 2-aminotiazol. Este efeito combinado conduz a picos de redissolução
anódica mais intensos do que os observados com um EPC não modificado, conforme mostra a Figura 2.

12 Pb2+ A
Cu2+
10
8
I / mA

6 B
4
2
-0,6 -0,3 0,0 0,3 0,6
E / V vs. Ag/AgClsat

Figura 2 - Voltamogramas de pulso diferencial registrados em tampão acetato contendo 1,0 mmol L-1 de Pb2+ e 5,0 mmol
L-1 de Cu2+. Eacúmulo: -0,8 V; tacúmulo: 120 s; velocidade de varredura: 10 mV s-1. A) EPC-SiAt. B) EPC não modificado.
Ambos preparados com parafina sólida como aglutinante.

A Figura 2 mostra que a deposição eletroquímica é o fator mais importante para a pré-concentração de Pb2+ na
superfície do eletrodo, pois ambos os eletrodos mostraram praticamente a mesma resposta voltamétrica para este
metal. Entretanto, para o acúmulo de cobre na superfície eletródica, verifica-se que a complexação é o fator mais
importante, pois a resposta obtida com o EPC-SiAt foi consideravelmente maior do que resposta obtida com o EPC
não modificado. Assim, o EPC-SiAt permite que ambos os íons metálicos sejam quantificados simultaneamente e com
sensibilidades equivalentes, o que não é conseguido com o EPC não modificado. A Figura 2 mostra ainda um pico
pouco intenso e largo em -0,27 V, o qual pode ser atribuído a alguma espécie intermetálica, pois este pico está ausente
quando as medidas voltamétricas são realizadas em presença de apenas um dos íons metálicos. Verifica-se ainda que o
EPC-SiAt apresenta um pico em +0,3 V, o qual não interfere na determinação voltamétrica do Cu2+ e do Pb2+. Este pico
é atribuído a SiAt, pois está ausente no voltamograma registrado com o EPC não modificado.
Após a otimização dos parâmetros do método analítico proposto, foi verificada uma relação linear entre a corrente
de pico (ip) e a concentração de chumbo no intervalo de 0,015 a 2,5 mmol L-1, de acordo com a equação: ip(mA) = 0,02
+ 11,5 CPb2+ (mmol L-1), com coeficiente de correlação linear (R) igual a 0,994. Para o cobre, obteve-se uma resposta
linear no intervalo de 0,15 a 25 mmol L-1, segundo a equação ip(mA) = 0,002 + 1,98 CCu2+ (mmol L-1), R = 0,9972. Os
LD obtidos para Pb2+ e Cu2+ foram, respectivamente, 7,3 e 24 nmol L-1. Para avaliar o desempenho do método em
amostras reais, quatro amostras de água foram enriquecidas com Cu2+ e Pb2+, sendo submetidas a estudos de adição e
recuperação pelo método de adição de padrão. Nestes estudos, a etapa de pré-concentração foi realizada diretamente na
amostra analisada contendo tampão acetato 0,1 mol L-1 por 180 s e Eacúmulo = -0,8 V. Os resultados obtidos nos estudos
de adição e recuperação são apresentados na Tabela 1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1726


Tabela 1 - Resultados dos estudos de adição e recuperação realizados em amostras de água.

Pb2+
Amostra de Pb2+ recuperado Recuperação Cu2+ adicionado Cu2+ encontrado Recuperação
adicionado /
água / nmol L−1a (%) / nmol L-1 / nmol L-1a (%)
nmol L-1
Mineral 50 52 ± 4 105 ± 7 500 499 ± 16 100 ± 3
Torneira 50 47 ± 6 94 ± 11 500 500 ± 17 100 ± 3
Chuva 50 47 ± 5 96 ± 10 500 507 ± 31 101 ± 7
Rio 50 51 ± 4 102 ± 7 500 512 ± 23 102 ± 4
Rio 100 100 ± 4 100 ± 4 500 493 ± 24 99 ± 5
Rio 500 491 ± 12 98 ± 4 500 504 ± 11 101 ± 3
a
Resultados expressos como média + intervalo de confiança, com P = 0,05, N = 3, tcrítico = 4,3.

Os resultados apresentados na Tabela 1 demonstram que, com grau de confiança de 95 %, não existem diferenças
estatísticas, entre os teores adicionados dos íons metálicos e os recuperados, pois os valores adicionados estão sempre
contidos nos intervalos de confiança obtidos. Consequentemente, recuperações próximas a 100 % foram obtidas para
todas as amostras analisadas. A Tabela 1 mostra ainda que resultados muito satisfatórios são obtidos mesmo para
amostras contendo diferentes razões entre as concentrações de Cu2+ e Pb2+.

ConclusÕES

Neste trabalho foi demonstrado que os eletrodos preparados com parafina sólida são mais robustos e apresentam
menores correntes residuais do que aqueles preparados com óleo mineral, indicando que a parafina sólida é mais
atrativa para o preparo de EPC para aplicações analíticas. A realização da etapa de pré-concentração diretamente
na amostra analisada e em condições de potencial controlado forneceu elevada sensibilidade mesmo empregando-se
baixos tempos de pré-concentração (180 s), o que permitiu a determinação simultânea de Cu2+ e Pb2+ em amostras de
água de maneira simples, confiável e bastante rápida.

AgradeCimentos: FAPEMIG (proc.: 00291/09), PIBIc/UFU/CNPq, propp-ufu, facip-ufu. Ao Prof. Dr. Nelson
R. Stradiotto (IQ-UNESP-Araraquara) e ao Prof. Dr. Pedro M. Padilha (IB-UNESP-Botucatu).

Referências

[1] MINISTÉRIO da Saúde, Portaria nº 518 de 2004, disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/


Port2004/GM/GM-518.htm>. Acessado em: 02/04/2011.
[2] Walcarius A., “Analytical Applications of Silica-Modified Electrodes – A Comprehensive Review”, Electroanalysis
10(18):1217-1235, 1998.
[3] Petit C., Gonzalez-Cortes A. and Kauffmann J.M., “Preparation and characterization of a new enzyme electrode
based on solid paraffin and activated graphite particles”, Talanta 42(11):1783-1789, 1995.
[4] Takeuchi R.M., Santos A.L., Padilha P.M. and Stradiotto N.R., “A solid paraffin-based carbon paste electrode
modified with 2-aminothiazole organofunctionalized silica for differential pulse adsorptive stripping analysis of
nickel in ethanol fuel”, Anal. Chim. Acta 584(2):295-301, 2007.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1727


ME34

ELECTROCHEMICAL H2S SENSING FOR HIGH TEMPERATURE/


PRESSURE WELLBORE APPLICATIONS

Emma Rogers, Nathan Lawrence, Mauricio Guerrante, Maria Luiza B.Tristao, Ana Paula Martins
de Souza

Schlumberger Cambridge Research, High Cross, Madingley Road, Cambridge, CB3 0EL, UK;
Petrobras, CENPES, Av. Horacio Macedo, 950- Cidafe Universitaria, 21941-915, Rio de Janeiro,
Brazil

ABSTRACT: Petrobras operates an H2S scavenging program in some production wells using a variety of H2S
scavengers which, when injected into wells through gas lift mandrels, mix with the produced fluids and reacts with
H2S. A knowledge of H2S concentration profiles along the wellbore will help Petrobras assess the efficacy of the H2S
scavenging program and optimize it accordingly. This joint research project between Schlumberger and Petrobras
aims to develop a laboratory prototype of an electrochemical H2S sensor for deployment on a production logging tool
(tested at high pressure, high temperature (HPHT) with H2S, and in a flowloop under realistic flow conditions.
In this presentation we will discuss the initial phase of the project which have focused upon the development of a
robust high temperature chemistry/electrochemistry for H2S detection that satisfies the measurement requirements
of Petrobras in their application. It will be shown that a ferrocene based mediated detection process provides a
suitable methodology for the determination of sulfide. The effects of pressure, temperature and pH upon the detection
methodology will be presented with rationale and mitigation for the behaviors observed given.

Petrobras operates an H2S scavenging program in some production wells using a variety of H2S scavengers which,
when injected into wells through gas lift mandrels, mix with the produced fluids and reacts with H2S. A knowledge of
H2S concentration profiles along the wellbore will help Petrobras assess the efficacy of the H2S scavenging program and
optimize it accordingly. This joint research project between Schlumberger and Petrobras aims to develop a laboratory
prototype of an electrochemical H2S sensor for deployment on a production logging tool (tested at high pressure, high
temperature (HPHT) with H2S, and in a flowloop under realistic flow conditions.
The viability of using ferrocene sulfonates as electro-catalysts for the detection of sulfide is explored. Previous
work has considered the ferrocyanide system, where the electrochemical oxidation of ferrocyanide to ferricyanide
catalysis the oxidation of sulfide via an EC’ process. However, the ferrocyanide is not stable at elevated temperatures
and there exists a need to find a robust yet sensitive replacement. In answer to this, various ferrocene monosulfonate
compounds have been initially explored as electrochemical mediators for the detection of sulfide. In this process, the
ferrocene compound is first electrochemically oxidized to the corresponding ferricenium ion which chemically reacts
homogenously with sulfide to produce ferrocene. This regenerated ferrocence is then re-oxidized at the electrode
surface providing an enhancement of the electrochemical signal that is proportional to sulfide additions thus providing
the analytical signal.
In this paper study the response of a ferrocene sulfonate under a variety of temperature, pressure and pH conditions
in the presence and absence of sulfide. We shall discuss the effect of each of these parameters have on the electrocatalytic
reaction of ferrocene sulfonate with sulfide. We shall first show the results of tests that were conducted at ambient
pressure and elevated temperature (up to 80 oC). This will be followed by a brief discussion of the high temperature
high pressure electrochemical testing factilities at SCR and the results obtained using this mediated system in these
facilities.
The results to date suggest that pressure does not have a major impact upon the response of the system whilst as
expected temperature is more important in determining the response with the sensitivity increasing appreciably with
temperature.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1728


ME35

ESTUDO ELETROQUÍMICO DO MECANISMO DE REDUÇÃO DO


HALOPERIDOL SOBRE DIFERENTES SUPERFÍCIES ELETRÓDICAS

Francisco Wirley Paulino Ribeiro1, Janete Elisa de Sá Soares2, Helena Becker1,


Djenaine De Souza3, Pedro de Lima-Neto1, Adriana Nunes Correia1

1
Departamento de Química Analítica e Físico-Química - UFC, Fortaleza - CE - Brasil,
2
Departamento de Farmácia - UFC, Fortaleza - CE - Brasil, 3 IQ - UFU, Campus de Patos de
Minas, Patos de Minas - MG - Brasil. djenaine@iqufu.ufu.br

RESUMO: O presente trabalho apresenta estudo do comportamento eletroquímico do haloperidol (HP) (fármaco
empregado no tratamento dos distúrbios psicológicos) utilizand-se HMDE, p-AgSAE e f-AgSAE. Os resultados
mostraram que o mecanismo de redução do HP difere quando se comparam essas superfícies eletródicas, mas todos
os processos redox ocorrem no grupo carbonila. Experimentos de VOQ indicaram que HP sobre HMDE possui dois
processos de redução: o primeiro devido à formação de ânion-radical com a constante de transferência de carga k
= 590 s-1 e o segundo processo com comportamento irreversível levando à formação de composto hidroxilado. No
entanto, HP sobre p-AgSAE apresentou mecanismo distinto: em baixas freqüências houve uma etapa de transferência
de carga envolvendo dois elétrons e em altas freqüências foram observadas duas etapas de transferência de carga,
onde a primeira apresentou k = 826 s-1. HP sobre f-AgSAE exibiu processo de redução envolvendo dois elétrons com
k = 1,0x10-8 A s-1.
Palavras-chave: Fármacos, Haloperidol, Voltametria de onda quadrada, Eletrodo sólido de amálgama de prata.

Introdução

Nos últimos anos, as técnicas eletroanalíticas vêm sendo bastante empregadas para detecção e quantificação
de espécies de interesse biológico, tais como fármacos. Além disso, essas técnicas têm possibilitado a obtenção de
informações sobre a transferência de carga e sobre o mecanismo de transferência de elétrons. Essas informações são
relevantes, pois fornecem informações acerca da formação de espécies intermediárias, auxiliando na elucidação do
mecanismo de ação do fármaco e na predição dos possíveis metabólitos. Tais informações são possíveis, pois as reações
dos fármacos nos seres humanos são semelhantes aos processos redox que ocorrem na interface eletrodo/solução [1].
Nesse contexto, as técnicas eletroanalíticas podem ser usadas para fornecer informações mecanísticas e, assim, avaliar
possíveis mecanismos de reações, bem como a formação de metabólitos, em diferentes tipos de fármacos. Dentre os
fármacos que podem ser avaliados dessa forma, destaca-se o haloperidol (HP) (4-(4-(4-clorofenil)-4-hidroxipiperidin-
1-il)-1-(fluorofenil)butan-1-ona), que é um fármaco largamente empregado no tratamento de esquizofrenia e estados
psicóticos similares. De acordo com a estrutura química, o HP, apresentado na Figura 1, é um bom receptor de elétrons;
entretanto, estudos envolvendo mecanismo redox e velocidade de transferência eletrônica dessa molécula têm sido
pouco reportados.

Figura 1: Estrutura química do haloperidol, com a indicação do grupo substituinte R1.

Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi realizar estudo eletroquímico do mecanismo de redução do HP sobre
superfície do eletrodo de gota pendente de mercúrio (HMDE) e dos eletrodos sólidos de amálgamas de prata (p-AgSAE)
e eletrodo sólido de amálgama de prata modificado com filme de mercúrio (f-AgSAE) empregando voltametria cíclica
(VC) e voltametria de onda quadrada (VOQ).

Procedimento Experimental

Os experimentos foram realizados utilizando célula eletroquímica confeccionada em vidro e tampa em Teflonâ. Como
eletrodos de trabalho foram utilizados o HMDE, modelo 663 VA Stand (Metrohm), o p-AgSAE e o f-AgSAE. Eletrodo
de Ag/AgCl/Cl- saturado e eletrodo de carbono vítreo foram utilizados como referência e auxiliar, respectivamente.
O eletrodo p-AgSAE foi construído de acordo com De Souza et al. [2] e o f-AgSAE foi construído pela imersão do
eletrodo p-AgSAE em mercúrio por 24 horas. Após esse tempo, o excesso de mercúrio foi removido por polimento
em lixa ultrafina, e em seguida o eletrodo passou por tratamento eletroquímico em KCl 0,2 mol L-1, para estabilização

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1729


do filme formado, conforme descrito na literatura. A solução estoque de HP (USP) 1,00x10-3 mol L-1 foi preparada em
etanol. O eletrólito de suporte utilizado foi tampão Britton-Robinson (BR) e os valores de pH foram ajustados com
NaOH 0,2 mol L-1 e usando pHmetro modelo B474 (Micronal). Todos os reagentes utilizados foram de grau analítico. A
água utilizada em todas as etapas foi purificada em sistema Milli-Q (Milipore). Os experimentos de voltametria cíclica
(VC) e de onda quadrada (VOQ) foram realizados em potenciostato modelo PGSTAT 30 (Autolab). Todos os ensaios
eletroquímicos foram realizados à temperatura ambiente e em atmosfera inerte de N2 suprapuro (White Martins).

Resultados e Discussão

O comportamento eletroquímico do HP sobre as três superfícies eletródicas foi avaliado no intervalo de pH 2,0 a
12,0 em tampão BR. Para HP sobre HMDE foi observado o máximo de corrente de pico (Ip) em pH 10,0. Experimentos
de VC entre 0 e -1,8 V (intervalo 1) a 20 mV s-1 mostraram que o processo C1 ocorre em torno de -1,0 V e que o processo
C2 ocorreu em torno de -1,5 V. Na varredura reversa não foi observado nenhum processo redox, caracterizando a
irreversibilidade do sistema. No entanto, quando a varredura foi realizada entre 0 e -1,2 V (intervalo 2), observou-se
que a varredura direta exibiu o processo de redução já descrito, mas na varredura reversa se observou a presença de um
processo redox (O1), sugerindo que o processo C2 é devido à redução da espécie formada em C1.
O processo C1, de baixa intensidade de corrente, praticamente não sofreu influência do pH do meio até pH 8,0;
entretanto, acima deste valor, ocorreu deslocamento de potenciais de pico (Ep) para valores mais negativos. Para o
processo C2 foi observado que os valores de Ep e de Ip foram influenciados pela variação do pH, indicando a participação
de prótons na reação. Nesse caso, Ep foi deslocado para valores mais negativos com aumento do pH e a relação entre
Ep e pH apresentou duas regiões lineares, sendo observada mudança de inclinação em pH 8,8, valor esse próximo ao
valor de pKa reportado na literatura, que é de 8,3.
Estudos de variação da velocidade de varredura (v) entre 20 e 500 mV s-1 foram realizados nos intervalos 1 e 2,
citados acima. Os resultados obtidos no intervalo 1 mostraram que C1 e C2 foram deslocados para potenciais mais
negativos com o aumento de v, comportamento característico de transferência irreversível de elétrons. A relação linear
entre Ep e log v apresentou inclinação de 49 mV e a relação ¶Ep/¶log(v) = 29,5/an, considerando o coeficiente de
transferência de carga (a) igual a 0,5, permitiu avaliar o número de elétrons (n) como sendo igual a 1. Os resultados
obtidos no intervalo 2 mostraram que a razão (IpO /IpC ) apresentou valores menores que a unidade, com este valor
1 1
sendo reduzido com o aumento de v, indicando a ocorrência de reação reversível de transferência de carga seguida por
reação química reversível. Segundo El-Desoki et al. [3], o processo C1 é caracterizado como um pré-pico de adsorção.
Todavia, com os resultados obtidos, foi possível comprovar que o processo C1 é relativo a uma reação de transferência
de carga.
Experimentos de VOQ com variação de frequência dos pulsos de potencial (f), amplitude de pulsos (a) e incremento
de varredura (DEs) foram realizados. Os resultados obtidos com f = 100 s-1, a = 50 mV e ∆Es = 2 mV mostraram que a
componente resultante para o processo C1/O1 apresentou dois picos separados. Esses dois picos se devem à diferença
de potencial entre C1 e O1, exibida nas componentes direta e reversa, respectivamente. Segundo Mirĉeski e Lovrić [4],
esse fenômeno pode ocorrer em processos reversíveis com rápida transferência de carga. A partir da variação de f foi
possível calcular a constante de transferência de carga (k). O valor de k foi calculado pela expressão k = kmax.fmax, onde
fmax é obtido da relação entre Ip/f1/2 e 1/f e kmax = 1,18±0,05. O valor de k obtido foi de 590 s-1[5].
Estudos de VOQ para HP sobre p-AgSAE com f = 100 s-1, a = 50 mV e ∆Es = 2 mV resultaram no aparecimento
de um único processo catódico e no deslocamento de Ep para valores mais negativos com aumento do pH. A relação
entre Ep e pH foi linear com inclinação de 34,1 mV pH-1, indicando a participação de um próton para cada dois elétrons
na reação eletroquímica. Além disso, o estudo da variação de f revelou mudança no mecanismo de redução do HP
sobre p-AgSAE em meio de tampão BR pH 10, onde foram observados os maiores valores de Ip. Para f no intervalo
de 10 a 100 s-1 foi observado um único processo catódico irreversível, que apresentou relação linear entre Ip e f. Para
processos irreversíveis, a constante de tranferência de carga (kirr) pode ser calculada pela equação Ip = kirr.f; assim,
a inclinação desta curva, que corresponde ao valor de kirr, foi de 2,14x10-8 A s-1. Esses resultados sugerem que, em
baixos valores de f, o mecanismo ocorre seguindo uma transferência de carga lenta. No entanto, para valores de f acima
de 100 s-1 foi observada a presença de mais um processo eletroquímico acoplado ao processo redox. Análises das
componentes de corrente obtidas em altas frequências mostraram que o processo tem características de processo redox
quase-reversível. O valor de k foi calculado de forma semelhante para HP sobre HMDE. O fmáx foi observado em 700 s-1
e, pela substituição desse valor na equação k = kmax.fmax e considerando kmax = 1,18±0,05, foi calculado k = 826 s-1; esse
valor foi maior que aquele obtido para HP sobre HMDE, logo a transferência de carga é mais rápida sobre p-AgSAE.
Resultados para HP sobre f-AgSAE apresentaram em toda faixa de pH estudada um processo catódico. A relação
entre Ep e pH apresentou inclinação de 35,7 mV pH-1, sugerindo a participação de um próton para dois elétrons
envolvidos na reação de redução. O valor máximo de Ip foi obtido em tampão BR pH 9,0 e a variação de f foi estudada
na faixa de 10 a 800 s-1. Nesse intervalo de frequência, observou-se um processo de redução com característica de
processo redox totalmente irreversível. O aumento de f promoveu deslocamento de Ep para valores mais negativos,
ratificando a irreversibilidade do processo. A constante de transferência de carga para esse processo irreversível também
foi calculada. A relação entre Ip e f apresentou linearidade até f = 250 s-1, com a inclinação da reta obtida sugerindo kirr

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1730


= 1,0x10-8 A s-1, evidenciando um processo com lenta transferência de carga. Utilizando-se os resultados voltamétricos
descritos, foi possível estabelecer proposição mecanística para a redução de HP sobre HMDE, p-AgSAE e f-AgSAE,
de acordo com o que pode ser visualizado na Figura 2.

Figura 2: Proposição mecanística para a redução do HP. Esquema 1: Mecanismo sobre HMDE. Esquema 2: Mecanismo
sobre f-AgSAE e p-AgSAE, ambos com lenta transferência de carga. Esquema 3: Mecanismo sobre p-AgSAE com
rápida transferência de carga.

O mecanismo redox proposto tem características de processo eletroquímico-químico (EC), no qual o grupo carbonila
do HP é inicialmente reduzido formando um ânion-radical. Esse ânion-radical formado é posteriormente protonado
(etapa química) e em seguida é reduzido ao composto hidroxilado [5]. Para os eletrodos p-AgSAE e f-AgSAE, a
redução eletroquímica ocorreu por meio de mecanismo químico-eletroquímico (CE), onde inicialmente ocorreu uma
protonação (etapa química) e posteriormente ocorreu(ram) a(s) reação(ões) de transferência de carga, levando também
à formação do composto hidroxilado.

ConclusÕES

Resultados obtidos por voltametria cíclica e de onda quadrada possibilitaram uma proposição mecanística para
a reação de redução do HP sobre HMDE, p-AgSAE e f-AgSAE. O mecanismo eletroquímico-químico foi proposto
para redução do HP sobre HMDE. Para HP sobre p-AgSAE e f-AgSAE, o mecanismo envolve etapa química e
eletroquímica. Todavia, nas três superfícies eletródicas, as reações eletroquímicas converteram o grupo carbonila da
molécula do HP em um grupo hidroxila.

AgradeCimentos: UFC, CAPES-PROCAD (processo nº 2424/2008), FINEP, FUNCAP (processo DCR-0039-


1.06/09), CNPq, PROPP-UFU e FAPEMIG.

Referências

[1] Serrano S.H.P., Barros R.C.M., Julião M.S.S., Paula F.R., in: J.A. Squella, S. Bollo (Eds.), Electroanalytical Aspects
of Biological Significance Compounds, Transworld Research Network, Kerala, 2006, p. 51.
[2] De Souza D., Mascaro L. H., Fatibello-Filho O., “The effect of composition of solid silver amalgam electrodes on
their electrochemical response”, J Solid State Electrochem., DOI 10.1007/s10008-010-1225-3.
[3] El-Desoky H.S., Ghoneim M.M., “Assay of the anti-psychotic drug haloperidol in bulk form, pharmaceutical
formulation and biological fluids using square-wave adsorptive stripping voltammetry at a mercury electrode”, J.
Pharm. Biom. Anal. 38(3):543–550, 2005.
[4] Mirĉeski V., Lovrić M., “Split Square-Wave Voltammograms of Surface Redox Reactions” Electroanalysis 9(16):
1283-1287, 1997.
[5] Ribeiro F. W. P., Soares J. E. S., Becker H., De Souza D., Lima-Neto P., Correia A. N., “Electrochemical mechanism
and Kinetics of Haloperidol and its assay in commercial formulations”, Electrochem. Acta 56 (5): 2036-2044, 2011.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1731


ME36

ESTUDO ELETROQUÍMICO DA OFLOXACINA E SUA


DETERMINAÇÃO EM FORMULAÇÕES FARMACÊUTICAS

Francisco Wirley P. Ribeiro1, Sâmeque do N. Oliveira1, Helena Becker1, Janete E. S. Soares2,


Djenaine De Souza3, Pedro de Lima-Neto1, Adriana N. Correia1

Departamento de Química Analítica e Físico-Química - UFC, Fortaleza - CE - Brasil;


1

2
Departamento de Farmácia - UFC, Fortaleza - CE – Brasil; 3IQ - UFU, Campus de Patos de
Minas, Patos de Minas - MG - Brasil. djenaine@iqufu.ufu.br

RESUMO: O estudo do comportamento eletroquímico e proposta de procedimento de detecção eletroanalítica


para ofloxacina (OFX) em formulações comerciais foram desenvolvidos, utilizando-se a voltametria cíclica (VC) e
voltametria de onda quadrada (VOQ) combinada com eletrodo de gota pendente de mercúrio (HMDE). Os resultados
voltamétricos indicaram que o mecanismo da reação eletroquímica da OFX envolve a transferência de dois elétrons
e um próton em uma redução totalmente irreversível decorrente da conversão do grupo cetona em um grupo álcool.
As condições experimentais e voltamétricas foram otimizadas e parâmetros analíticos foram avaliados e comparados
com a metodologia padrão recomendada pela Farmacopéia Britânica. Os resultados apresentaram eficiência
na determinação de OFX em formulação farmacêutica comercial (solução oftálmica), obtendo-se percentual de
recuperação de 105,6%. Além disso, teste F bicaudal e teste t-pareado demonstraram, estatisticamente, a precisão e a
exatidão da metodologia desenvolvida em comparação à recomendada.
Palavras-chave: Ofloxacina, fármacos, voltametria de onda quadrada, HMDE

Introdução

Ofloxacina (OFX) (9-fluor-2,3-diidro-3-metil-10-(4-metil-1-piperazinil)-7-oxo-7H-pirido-[1,2,3-de]-1,4-


benzoxazina-6-ácido carboxílico) é um fármaco da classe das fluoroquinolonas, que possui ampla atividade
antimicrobiana, tanto em bactérias Gram-positivas quanto Gram-negativas. A sua atuação se encontra no tratamento
de infecções do trato respiratório e do trato urinário [1]. A OFX, assim como outros fármacos comercializados, requer
controle de qualidade rigoroso, sobretudo pela baixa dosagem terapêutica empregada, o que implica na necessidade
de metodologias analíticas sensíveis e eficientes que possibilitem o seu monitoramento. Dessa forma, as técnicas
eletroanalíticas têm-se revelado como excelentes alternativas para determinação de fármacos, uma vez que são simples,
de baixo custo relativo, tempo relativamente curto de análise, sem necessidade de etapas preliminares de extração.
Assim, empregando as técnicas de voltametria cíclica (VC) e a de voltametria de onda quadrada (VOQ), o propósito
deste trabalho foi realizar um estudo eletroquímico da OFX, visando contribuir para o entendimento do seu mecanismo
de redução sobre HMDE e utilizando a VOQ desenvolver uma metodologia eletroanalítica para a determinação de
OFX em formulações comerciais.

Procedimento Experimental

As medidas eletroquímicas foram realizadas utilizando um potenciostato/galvanostato modelo AUTOLAB


PGSTAT 30, empregando GPES versão 4.9 (Metrohm-Eco Chemie) como programa de aquisição de dados. Utilizou-
se uma célula eletroquímica convencional, contendo o eletrodo de referência de Ag/AgCl/Cl- saturado, o eletrodo
auxiliar cilíndrico de carbono vítreo e o eletrodo de gota pendente de mercúrio - HMDE (663 VA Stand da Metrohm,
área superficial de 0,52 mm2) como eletrodo de trabalho. Solução estoque de OFX 1,0x10-3 mol L-1 (United States
Pharmacopeia) em meio de etanol foi preparada diariamente e utilizada em todas as análises. Antes das medidas,
as soluções foram desaeradas por meio do borbulhamento com gás nitrogênio (99,99% de pureza – White Martins).
As técnicas de voltametria cíclica e voltametria de onda quadrada foram empregadas a fim de se obter informações
quanto ao comportamento eletroquímico da OFX. O processo de otimização experimental da VOQ consistiu no
estudo sistemático dos parâmetros experimentais freqüência (f), amplitude (a) e incremento de potencial (DEs), bem
como estudos envolvendo tempo (ta) e potencial de acumulação (Ea). Para a aplicação da metodologia desenvolvida,
solução de concentração 1,0x10-4 mol L-1 da formulação comercial foi preparada a partir da solução oftálmica Oflox®
da Allergan-Brasil. Para efeito comparativo de resultados, medidas de espectroscopia no UV-Vis foram realizadas
empregando-se a metodologia padrão para a determinação de OFX recomendada pela Farmacopéia Britânica. Para
tanto, foi empregada cubeta de quartzo com caminho óptico de 1 cm e espectrofotômetro Varian modelo Cary 1E,
monitorando os comprimentos de onda entre 190 e 900 nm.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1732


Resultados e Discussão

Nas respostas voltamétricas obtidas utilizando VOQ foi observado um pico de redução bem definido com valores
de intensidade de corrente (Ip) e de potencial de pico (Ep) dependentes do pH do meio. Esta dependência mostrou
deslocamento de Ep para valores mais negativos, com o aumento do pH, indicando etapa prévia de protonação. Esta
dependência de Ep com pH pode ser representada por: Ep (V) = -1,073 + 0,036pH, a qual quando relacionada com a
equação de Nernst mostra a relação de um próton para cada 2 elétrons envolvidos na transferência eletrônica. Com
relação a Ip, maior intensidade foi obtida em pH 4,0, sendo este o pH otimizado para o desenvolvimento da metodologia
eletroanalítica.
Experimentos de voltametria cíclica foram realizados a fim de compreender o comportamento eletroquímico da
OFX. Com varredura de potencial de -0,3 a -1,4 V, observou-se a presença de pico bem definido em -1,25 V no sentido
catódico e nenhum pico durante a varredura reversa, sugerindo processo redox totalmente irreversível.
Sucessivos experimentos de voltametria cíclica foram realizados utilizando velocidades de varredura (v) entre 10 e
600 mV s-1. O aumento da velocidade de varredura promoveu aumento nos valores de corrente de pico, e uma relação
linear com inclinação de 0,60 foi observada entre log Ip vs log v, relação característica para processos redox envolvendo
adsorção-difusão de reagentes e/ou produtos [2].
Além disso, o aumento da velocidade de varredura promoveu mudança rápida nos valores de Ep para sentidos
mais negativos, confirmando a irreversibilidade da transferência eletrônica e a presença de processo de adsorção de
reagentes e/ou produtos na superfície do eletrodo. Adicionalmente, na varredura inversa, nenhum pico foi observado,
em todas as velocidades de varredura avaliadas, confirmando a irreversibilidade do processo.
A dependência linear entre Ep e log v apresentou inclinação de 32 mV, que quando relacionado à ¶Ep/¶logv = -30/
αn, onde n é o número de elétrons envolvidos na etapa determinante e α = 0,5 (valor mais comumente empregado),
pode-se observar que ocorre a transferência de dois elétrons durante a etapa determinante do processo, como previsto
no modelo teórico desenvolvido para processos redox totalmente irreversíveis [3].
Na otimização dos valores de f, observou-se que os potenciais de pico foram deslocados para sentidos mais
negativos, variando linearmente com o valor de log f de acordo com ΔEp/Δlog(f) = -2,3RT/αnF. A inclinação da reta
obtida para essa relação foi de 0,054. Assim, considerando α = 0,5 e substituindo-se os valores correspondentes para R,
F, T e da inclinação, o valor calculado de n foi igual a dois elétrons, valor igual ao calculado empregando-se voltametria
cíclica.
Assim, o mais provável mecanismo para a redução da OFX sobre HMDE envolve um processo redox irreversível,
com adsorção de reagentes e/ou produtos à superfície eletródica. Dessa forma, um próton e dois elétrons estão
relacionados à redução de um grupo cetona a um grupo álcool da molécula, em concordância com o trabalho publicado
por Zhou e Pan [4].
No desenvolvimento da metodologia eletroanalítica, os parâmetros otimizados da VOQ para a construção das
curvas analíticas foram: f =100 s-1, a = 30 mV, DEs = 4 mV, Ea = -1,0 V e ta = 15s. Curvas analíticas foram construídas
entre 1,25x10-8 e 1,23x10-7mol L-1 utilizando-se o método da adição de padrão. Os voltamogramas obtidos para cada
adição de OFX e a dependência linear entre Ip e concentração de OFX, estão apresentados na Figura 1.

0,0
-0,2 1,2
1,0
-0,4 0,8
I / mA

-Ip / mA

0,6
-0,6 0,4
0,2
-0,8 0,0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4
-1,0 [OFX] / 10-7 mol L-1

-1,2
-1,5 -1,4 -1,3 -1,2 -1,1 -1,0 -0,9
E/V

Figure 1. Voltamogramas de onda quadrada para OFX sobre HMDE em tampão BR 0,04 mol L-1, pH 4,0, com f = 100
s-1, a = 30 mV, ΔEs = 4 mV, Ea = -1,0 V e ta = 15s. Inserção: dependência linear entre Ip e concentração de OFX.

A Tabela 1 apresenta os parâmetros analíticos avaliados tais como: faixa de linearidade (FL), coeficiente de correlação
(r), desvio-padrão da média aritmética do intercepto para 5 curvas analíticas (Sa), limite de detecção (LD), limite de
quantificação (LQ) e o desvio padrão relativo (RSD) para os experimentos de repetibilidade e reprodutibilidade. Curvas
analíticas também foram construídas empregando-se a espectroscopia de UV-Vis usando condições experimentais
previamente reportadas [5]. Os valores referentes ao limite de detecção e de quantificação da metodologia proposta

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1733


mostraram-se dez vezes menores que aqueles da metodologia empregando a técnica de espectroscopia no UV-Vis,
permitindo assim a determinação de OFX em concentrações menores do que as da metodologia recomendada.

Tabela 1: Figuras de mérito para a determinação de OFX usando VOQ e espectroscopia no UV-Vis.

Parâmetro VOQ UV-Vis


FL (mol L-1) 1,25x10-8 a 1,23x10-7 5,0x10-7 a 5,0 x 10-6
Equação da reta -Ip = 9,78x10-9 + 8,53[OFX] Abs = 0,00454 + 33216,80[OFX]
r 0,9973 0,9998
Sa 1,71x10-8 (A) 8,17x10-4 (ua)
LD (mol L-1) 6,01x10-9 (2,17 µg L-1) 7,38 x 10-8 (26,67 µg L-1)
LQ (mol L )-1
2,00x10 (7,23 µg L )
-8 -1
2,46x10-7 (88,90 µg L-1)
RSD (repetibilidade) 4,48% (n = 12) 0,26 % (n = 12)
RSD (reprodutibilidade) 4,37% (n = 7) 0,28 % (n = 7)

A metodologia usando VOQ foi aplicada para quantificar OFX em solução oftálmica. A Tabela 2 mostra os
parâmetros analíticos calculados e a comparação com dados similares obtidos empregando-se UV-Vis.

Tabela 2: Eficiência de recuperação para OFX utilizando VOQ e espectroscopia no UV-Vis.


VOQ UV-Vis
Parâmetro
Eletrólito Solução oftálmica Eletrólito Solução oftálmica
Dosagem nominal - 3mg / mL - 3mg / mL
[OFX]rec / mol L-1 3.93x10-8 3.94x10-8 1.10x10-6 1.03x10-6
Recuperação (%) 105.4 105.6 100.59 102.75
RSD (%) 4.72 2.61 2.38 1.92
Bias (%) 5.41 5.59 0.60 2.79

Os dados analíticos apresentados na Tabela 2 mostram que as respostas voltamétricas são praticamente insensíveis
à variação na composição das amostras permitindo a quantificação de OFX sem a interferência do efeito de matriz, e
também o procedimento proposto usando VOQ apresentou robustez e especificidade na determinação de OFX. Testes
estatísticos, tais como teste F bicaudal e teste t-pareado de Student, considerando um nível de confiança de 95%,
apresentaram valores acima dos críticos tabelados, implicando assim que estatisticamente a metodologia desenvolvida
demonstrou precisão e exatidão superiores em comparação ao da espectroscopia UV-Vis.

ConclusÕES

Os resultados voltamétricos foram eficientes para avaliar o mecanismo de redução eletroquímica da OFX indicando
a presença de adsorção de reagentes e/ou produtos na superfície do eletrodo, como também o caráter irreversível da
transferência eletrônica que envolve dois elétrons e um próton. A metodologia desenvolvida para a determinação
eletroanalítica de OFX em formulação comercial apresentou limites de detecção e de quantificação bem menores que
da metodologia recomendada, possibilitando a determinação em níveis mais baixos de concentração. Diante desses
resultados, a metodologia desenvolvida mostra-se com grande potencial para análise de rotina de OFX em formulação
comercial.

AgradeCimentos: UFC, CNPq, Finep, FUNCAP, PROCAD-CAPES (proc. 2424/2008), Governo do Estado
do Ceará, PROPP-UFU, FAPEMIG.

Referências

[1] Zivanovic Lj., Zigic G., Zecevic M., “Investigation of chromatographic conditions for the separation of ofloxacin
and its degradation products”, J. Chromatogr., A.1119:224-230, 2006.
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States, Wiley-VCH, pp. 97-103, 1993.
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1995.
[5] British Pharmacopoeia, H.M. stationary Press. London, pp 1163, 2007.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1734


ME37

DETECÇÃO DE ACILGLICERÓIS UTILIZANDO VOLTAMETRIA DE


REDISSOLUÇÃO ADSORTIVA COM CORRENTE ALTERNADA

Daniela Ballottin1, Nelson Ramos Stradiotto2

1,2
Instituto de Química – UNESP, Araraquara - SP - Brasil.
dani_pott@hotmail.com

RESUMO: Os acilgliceróis são contaminantes presentes no biodiesel e são responsáveis por aumentarem a viscosidade
do biocombustível provocando depósitos nos cilindros e nas válvulas de injeção, diminuindo a vida útil do motor.
Desta maneira, foi avaliado neste trabalho o comportamento voltamétrico adsortivo do mono, di e trilinoleato de
glicerina através da técnica de Redissolução Adsortiva com Voltametria AC com fase sensitiva. As curvas analíticas
para o mono e trilinoleato de glicerina apresentaram linearidade de 4,0 x 10-8 a 1,6 x 10-6 mol L-1, com LD da ordem
de 10-8 mol L-1. A curva analítica do dilinoleato de glicerina mostrou-se linear de 4,0 x 10-9 a 4,0 x 10-7 mol L-1, com
LD da ordem de 10-9 mol L-1. Os LQ foram da ordem de 10-8 mol L-1 para o mono e o dilinoleato de glicerina e 10-7 mol
L-1 para o trilinoleato de glicerina.
Palavras-chave: acilgliceróis, eletrodo de filme de mercúrio, redissolução adsortiva, voltametria de corrente alternada.

Introdução

A alta demanda de energia no mundo atual, bem como o grande número de problemas ambientais existentes,
resultam em uma crescente necessidade por novas fontes de energia, estimulando assim o interesse por fontes
alternativas para os combustíveis de origem fóssil. Surge então o biodiesel, combustível biodegradável derivado de
fontes renováveis. No entanto, este biocombustível apresenta alguns contaminantes que podem causar sérios danos
ao motor e ao ambiente dependente de seus teores. Dentre estes, estão os acilgliceróis, remanescentes da matéria
prima para a produção do biodiesel. A alta concentração destes compostos aumenta a viscosidade do biocombustível,
provocando depósitos nos cilindros e nas válvulas diminuindo assim a vida útil do motor. Portanto, neste trabalho
foi avaliado o comportamento voltamétrico adsortivo do mono, di e trilinoleato de glicerina através da técnica de
Voltametria de Redissolução Adsortiva com Corrente Alternada (AdSVAC).

Procedimento Experimental

O equipamento utilizado foi um potenciostato/galvanostato modelo PGSTAT 30, conectado a uma célula
eletroquímica contendo três eletrodos: carbono vítreo (0,2 cm de diâmetro com filme de mercúrio) como eletrodo
de trabalho, platina como eletrodo auxiliar e ESC (calomelano saturado) como eletrodo de referência. As medidas
realizadas utilizaram a técnica de Voltametria de Redissolução Adsortiva com Corrente Alternada, a qual consiste
na aplicação de um potencial contendo uma pequena componente senoidal de frequência e amplitude de potencial
constantes superposto à varredura linear do potencial DC convencional. Adicionalmente, um ângulo é aplicado fora
de fase com o potencial, permitindo a discriminação entre a corrente capacitiva e a corrente faradaica.1,2,3,4 Após a
formação do filme de mercúrio, iniciou-se a etapa de deposição, em que cada espécie foi pré-concentrada na superfície
do eletrodo sem a ocorrência de transferência de elétrons, devido a aplicação de um potencial de deposição (Edeposição
= -1,2 V) durante um determinado tempo (tdeposição = 15 s) e sob agitação. Esta etapa foi seguida por um tempo
de repouso (t = 10 s), para que a concentração da espécie depositada homogeinize-se, entrando em equilíbrio na
superfície do eletrodo. Posteriormente, realizou-se a etapa de redissolução onde fez-se a varredura de potencial (de
-1,2 a -1,5 V) em que o voltamograma foi registrado, obtendo-se o sinal analítico de acordo com a técnica voltamétrica
AC. Os experimentos para os acilgliceróis foram realizados com uma frequência de 60 Hz. Para discriminar a corrente
capacitiva da faradaica, as medidas foram feitas com ângulo φ = 90° fora de fase. Uma amplitude de potencial igual a
2 mV e uma velocidade de varredura de 7 mV s-1 foram utilizadas.

Resultados e Discussão

O estudo do comportamento adsortivo do mono, di e trilinoleato de glicerina em eletrodo de filme de mercúrio


utilizando a técnica de Voltametria de Redissolução Adsortiva com Corrente Alternada mostra o aparecimento de um
pico na região de potencial de -1,30 a -1,36 V (Figura 1). Os valores correspondentes aos potenciais e correntes de pico
para cada um dos acilglicerois estudados são mostrados na Tabela 1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1735


Figura 1. Curvas voltamétricas do (---) branco Na2SO4 0,5 mol L-1 e (---) a) mono, b) di e c) trilinoleato de glicerina 1
x 10-7 mol L-1 . tac = 15 s, Eac = -1,2 V e ∆E = 2 mV.

A partir da Figura 1, observa-se que o monolinoleato de glicerina apresenta um pico adsortivo em -1,31 V com
corrente de pico de 0,23 nA. Já o dilinoleato de glicerina apresenta seu pico adsortivo em -1,30V com corrente de pico
igual a 0,36 nA e o trilinoleato de glicerina apresenta pico adsortivo em -1,36 V com corrente de pico de 0,25 nA. O
comportamento voltamétrico observado para o monolinoleato de glicerina e para o trilinoleato de glicerina mostra que
estas substâncias adsorvem no filme de mercúrio de maneira semelhante, uma vez que as correntes de pico adsortiva
foram muito próximas. Já o dilinoleato de glicerina apresentou uma corrente de pico adsortiva maior, sugerindo que
esta espécie adsorva mais fortemente que os demais glicerídeos. Por outro lado, os valores dos potenciais de pico são
praticamente constantes, sendo estas diferenças atribuídas a afinidades existentes entre as espécies adsorvidas e o
eletrólito suporte.

Tabela 2. Parâmetros das curvas analíticas obtidas para os acilgliceróis estudados

Sensibilidade voltamétrica / Intervalo linear de


LD / mol L-1 LQ / mol L-1
nA (mol L-1)-1 concentração / mol L-1
Mono 0,031 4,0 x 10-8 a 1,6 x 10-6 1,6 x 10-8 5,4 x 10-8
Di 0,17 4,0 x 10-9 a 4,0 x 10-7 3,3 x 10-9 1,6 x 10-8
Tri 0,017 4,0 x 10-8 a 1,6 x 10-6 3,6 x 10-8 1,2 x 10-7

A Tabela 2 mostra os parâmetros obtidos a partir da curva de calibração para cada glicerídeo. As
equações da reta foram: I = 4,3 x 10-10 + 0,031 Cmono (R = 0,995), I = -2,9 x 10-10 + 0,17 Cdi (R = 0,978) e
I = 2,3 x 10-10 + 0,017 Ctri (R = 0,980) com sensibilidades voltamétricas iguais a 0,031, 0,17 e 0,017
nA (mol L-1)-1 para o mono, di e trilinoleato de glicerina, respectivamente.
A análise dos resultados permite a observação de relações lineares com coeficientes de correlação próximos da
unidade, linearidade em intervalos relativamente extensos de concentração e limites de detecção e quantificação
pequenos.
Estudos teóricos quânticos realizados mostram que outro fator que deve ser levado em conta é a maneira que estas
espécies adsorvem na superfície do eletrodo de mercúrio. Em concordância com os valores de corrente de pico, bem
como das sensibilidades voltamétricas obtidas, o estudo quântico para estes glicerídeos também aponta o dilinoleato
de glicerina como a espécie que mais adsorve, por possuir duas cadeias e uma alta densidade eletrônica no centro da
molécula. Por fatores estéricos, o trilinoleato de glicerina é a espécie que menos adsorve.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1736


ConclusÕES

A utilização da técnica de Voltametria de Redissolução Adsortiva com Corrente Alternada (AdSVAC) mostrou-se
eficaz na detecção e determinação do mono, di e trilinoleato de glicerina, apresentando-se como uma técnica promissora
na detecção de acilgliceróis em biodiesel.

AgradeCimentos: CAPES, CNPq e FAPESP.

Referências

[1] BAUER, H. H., “Alternating current polarography and tensammetry”, Journal of Electroanalytical Chemistry, 1:
363-378, 1959.
[2] BOND, A. M., Modern polarographic in analytical chemistry. New York: Marcel Dekker, 1980.
[3] BREYER, B.; HACOBIAN, S., “Tensammetry: a method of investigation surface phenomena by a.c. current
measurements”, Australian Journal of Scientific Research, 5(5): 500-520, 1952.
[4] LUKASZEWSKI, Z.; SKYMANSKI, A., “The adsorptive stripping indirect tensammetric technique”,
Electroanalysis, 14(2): 106-111, 2002.
[5] BARD, A. J., FAULKNER, L. R., Electrochemical methods: fundamentals and applications. 2nd ed. New York:
Marcel Dekker, 2001.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1737


ME38

APLICAÇÃO DA RESSONÂNCIA DE PLÁSMON DE SUPERFÍCIE


E MICROBALANÇA DE CRISTAL DE QUARTZO ACOPLADAS À
ELETROQUÍMICA NO ESTUDO DO PEDOT

Dênio E. P. Souto1, Jussara V. Silva1, Ananda X. Oliveira1, Wallas T. P. dos Santos1, Rita C. S.
Luz1,3, Lauro T. Kubota2,3 e Flávio S. Damos1,3

1
Departamento de Química, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -
UFVJM, Diamantina - MG - Brasil; 2 Instituto de Química - Unicamp, Campinas - SP - Brasil; 3
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioanalítica - UNICAMP, Campinas -SP - Brasil.
denioemanuel@yahoo.com.br

RESUMO: Neste trabalho as técnicas de voltametria cíclica e ESPR (do inglês Electrochemical Surface Plasmon
Resonance) aplicadas para eletropolimerização do 3,4-etilenodioxitiofeno (EDOT) em solução aquosa em comparação
à microbalança eletroquímica de cristal de quartzo(EQCM). Foram obtidos voltamogramas durante a polimerização
eletroquímica do EDOT em ácido perclórico (HCLO4 0,1M). As medidas de ESPR mostraram o angulo de ressonância
(DqSPR) desloca-se para valores mais altos à medida que os ciclos voltamétricos são executados, assim como as
medidas EQCM evidenciaram que o aumento na massa sobre o cristal foi coincidente com a região de potencial
correpondente às medidas de ESPR. Também foi observado que a dopagem do polímero com o cátion Lítio é sentida
simultaneamente pela microbalança e pelo SPR de forma que a inserção de íons Li+ implica num aumento no ângulo
SPR como resultado do intumescimento dos filmes de PEDOT.
Palavras-chave: EDOT, Ressonância de Plasmon de Superfície, Microbalança Eletroquímica de Cristal de Quartzo.

Introdução

Os polímeros condutores tem atraído muita atenção nos últimos anos por causa do seu potencial de aplicação em
diferentes tecnologias, por exemplo, em displays eletroquímicos, sensores, capacitores redox e baterias secundárias.
Dentre os polímeros condutores orgânicos, o poli(3,4-etilenodioxitiofeno) (PEDOT) e seus derivados, tem atraído
grande interesse por mostrarem grande estabilidade eletroquímica, pequenos bandgap eletrônicas (salto de banda) e
diferença significativa nos espectros de absorção em seus estados oxidados e reduzidos. Assim, várias investigações
sobre a eletropolimerização in situ e as propriedades eletrocrômicas de EDOT em soluções orgânicas tem sido
realizadas[1].
Adicionalmente, a presença de grupos funcionais no anel tiofeno previne a formação de licações tipo a-β durante a
polimerização. Tal característica evita que problemas associados com ligação cruzadas e regioisomerismo no material
confeccionado bem como aumenta a estabilidade do material previnindo processos de degradação do polímero atraves
de ataque às posições 3- e 4- do anel. Como resultado destas características, o PEDOT tem se destacado sobre outros
polimeros condutores e conseguentemente, sua quimica redox tem sido extudada extensivamente.
Por outro lado, como conseguencia das propriedades de sua estrutura de banda eletrônica, o PEDOT é um dos
poucos polímeros condutores que pode ser dopado tipo n e tipo p [2] em potencias elétricos acessiveis do ponto de vista
prático. O processo de dopagem tipo p do PEDOT pode ser explorado buscando o desenvolvimento de dispositivos
eletrocrômicos, músculos artificiais e atuadores mecânicos. Em contra-partida, a dopagem tipo n do PEDOT, quando
aplicada em combinação à dopagem tipo p habilita o PEDOT como excelente candidato no desenvolvimento de
supercapacitores e bateriais recarregaveis.
Como resultado do elevado interesse nestes materiais, diversas técnicas têm sido empregadas na investigação
das propriedades ópticas e elétricas destes polímeros condutores incluindo medidas de condutividade elétrica,
espectroscopia no UV-Vis, espectroscopia no infravermelho, microbalança de cristal de quartzo, entre outras. Nos
últimos anos, a técnica de ressonância de plamon de superfície tem surgido como uma promissora ferramenta na
investigação de filmes finos e sua combinação a técnicas eletroquímicas recentemente tem sido uma incógnita já
que ainda há uma pequena parcela de trabalhos investigativos usando SPR acoplado a técnicas eletroquímicas como
voltametria cíclica [3].
Para que se tenha ideia, não ha registros de aplicação de SPR simultaneamente à impedância eletroquímica bem
como em conjunção à maioria das técnicas eletroquímicas (com exceção à voltametria cíclica). O crescente interesse
na técnica de SPR acoplada à eletroquímica é devido sua elevada sensibilidade (habilidade de monitoramento de
variações milionésimas no índice de refração de um sistema) e possibilidade de aplicação in situ e em tempo real
na caracterização de filmes finos em escala nanométrica. Como resultado desta elevada sensibilidade da técnica a
processos superficiais e interfaciais, a ressonância de plásmon de superfície tem, também, sido aplicada à investigação
de processos eletroquímicos considerando que a aplicação de um potencial elétrico a um eletrodo metálico (como

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1738


ouro, prata, platina, entre outros) promove alterações nas propriedades dielétricas nas vizinhanças da interface metal-
dielétrico.
Resumidamente, a modulação do potencial do eletrodo (DV) pode deslocar o ângulo de ressonância de plásmon de
superfície (DqSPR) devido às alterações nas componentes real (De3r) e imaginária (De3i) da constante dielétrica, espessura
dos filmes investigados (Dd3) bem como alterações na densidade de carga superficial do eletrodo (Ds), conforme pode
ser observado na expressão a seguir:

DqSPR » c1De3r+ c2De3i +c3Dd3 +c4Ds

Desta forma, os dois primeiros termos da expressão anterior descreve mudanças nos estados eletrônicos de
moléculas durante a mudança no potencial elétrico. O terceiro termo descreve as mudanças na espessura dos filmes
adsorvidos e o quarto está associado com os efeitos da densidade eletrônica sobre os plásmons de superfície.
Neste sentido, no presente trabalho as técnicas de voltametria cíclica e ESPR (do inglês Electrochemical Surface
Plasmon Resonance) foram aplicadas para eletropolimerização do EDOT em solução aquosa em comparação à
microbalança eletroquímica de cristal de quartzo.

Procedimento Experimental

As medidas voltamétricas foram realizadas utilizando um eletrodo impresso (screen-printed) dropsens DRP –
C223AT ouro 1.6mm, superfície lisa com eletrodo auxiliar de ouro e eletrodo de referência de prata. Após a formação
do filme de PEDOT, foi verificado o processo de dopagem/desdopagem através de medidas voltamétricas em solução
de Cloreto de lítio 0,1M. Todos os reagentes químicos utilizados foram de grau analítico.Os experimentos de ESPR E
EQCM bem como as medidas voltamétricas foram realizadas em um Potenciostato/Galvanostato AUTOLAB PGSTAT
128N. As medidas ópticas do ângulo de SPR foram obtidas através de um AUTOLAB SPRINGLE, no qual a parte
óptica do sistema é composta de um prisma e de um disco de vidro recoberto com um fino filme de ouro. Como fonte
de radiação foi empregado um laser de He-Ne (com emissão em 670 nm) e a intensidade da luz refletida foi medida
através de um detector de fotodiodo.

Resultados e Discussão

A Figura 1 mostra os voltamogramas obtidos durante a polimerização eletroquímica do EDOT a partir de uma
solução contendo EDOT 10Mm em ácido perclórico HCLO4 0,1M a uma velocidade de varredura de 50mVs-1.

600 5
2.0 5

400
1.5
200
m / mgcm2

3
Dq (m°)

0 1.0
1
-200
0.5
-400 1

-600 0.0

-0.2 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 1.2


-0.2 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0
E/V E / (V vs. Ag/AgCl)

Figura 1. (a) Variação da corrente elétrica, (b) ângulo de ressonancia de plámon de superfície e (c) massa
obtidos durante a eletropolimerização do EDOT a uma concentração 0,1mmol L-1 em HCLO4 0,1molL-1.

Como pode ser observado, ocorre um aumento na corrente elétrica na varredura anódica a partir de potencial
elétrico em torno de 850mV referente à oxidação do monômero, bem como formação do filme nos subsequentes ciclos.
O ângulo de ressonância de plásmon de superfície (DqSPR) desloca-se para valores mais altos à medida que os ciclos
voltamétricos são executados. Neste caso, o deslocamento do ângulo SPR em direção a valores mais positivos pode ser
atribuído a mudanças na espessura do filme bem como alterações na constante dielétrica dos mesmos.
Considerando que os polímeros condutores apresentam constante dielétrica complexa tanto a parte real como a
imaginária da constante dielétrica pode contribuir para o deslocamento do ângulo de ressonância.
Tendo em vista o crescimento dos filmes poliméricos e com o propósito de obter informações adicionais sobre os
processos de polimerização do EDOT, foram conduzidas medidas empregando uma microbalança de cristal de quartzo
(QCM) sob condições similares às usadas para a obtenção das informações usando a ressonância de plásmon de
superfície (Figura 1(c)). Conforme pode ser observado, o aumento na massa sobre o cristal foi coincidente com a região
de potencial onde foi verificado um aumento significativo da carga elétrica correspondendo à oxidação do monômero,

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1739


e subseqüentemente, sua polimerização. Para aplicação da modelagem microgravimétrica ao sistema foi verificado se
o mesmo seguia a equação de Sauerbray mediante a verificação de um comportamento típico para um sistema rígido.
Assumindo que “m” representa a massa de polímero depositado e q a carga usada na deposição, a correlação
gráfica obtida deve ser linear com intersecção com o ponto de encontro dos eixos referente a massa e carga conforme
previsto pela equação de Sauerbray. Conforme foi observado, o sistema apresentou comportamento linear, indicando
que as alterações na freqüência do cristal podem ser correlacionadas ao crescimento do polímero e não às propriedades
viscoelásticas do filme depositado. Neste sentido, a relação observada entre a massa e deslocamento do ângulo SPR foi
linear indicando que o filme de PEDOT cresce de forma contínua com a ciclagem do potencial.
Uma vez polimerizados, os filmes de PEDOT foram investigados comparativamente em termos de seus processos
de compensação de carga bem como os efeitos destes processos nas propriedades ópticas destes filmes por SPR e QCM
(Figura 2(a-c)).

Figura 2. Variação da corrente (a), frequência de ressonância do cristal de quartzo (b) e ângulo SPR (c) obtidos para
o filme de PEDOT em LiCl 0,1 mol L-1.

Conforme pode ser observado, a dopagem do polímero com o cátion Lítio é sentida simultaneamente pela
microbalança e pelo SPR de forma que a inserção de íons Li+ implica num aumento no ângulo SPR como resultado do
intumescimento dos filmes de PEDOT.

ConclusÕES

O presente trabalho deixa evidente a habilidade da técnica de SPR no monitoramento do crescimento de filmes
finos de PEDOT bem como o monitoramento das variações no polímero associadas com seu intumescimento devido à
elevada sensibilidade da técnica de SPR.

Referências

[1] °V. Nol, H. Randriamahazaka, C. Chevrot, Cyclic voltammetric studies of the relaxation processes during the
oxidation of poly(3,4 ethylenedioxythiophene) in propylene carbonate solution, Journal of Electroanalytical
Chemistry 542 (2003) 33 - 38
[2] M.S. Kim, S.-M. Jin, H.Y. Choi. Fabrication and Characterization of GaN/Polymer Composite p–n Junction with
PEDOT Nanoparticle Interface Layer, Acta Physica Polonica A, Vol. 119 (2011)
[3] R. Schweissa, J. F. Lubben, D. Johannsmann, W. Knoll, Eletropolimerization of ethylene dioxythiophene (EDOT) in
micellar aqueous solutions studied by electrochemical quartz crystal microbalance and surface plasmon resonance,
Electrochimica Acta 50 (2005) 2849–2856

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1740


ME39

ELECTROCHEMICAL PH SENSING IN UNBUFFERED MEDIA

Nathan Lawrence, Kay McGuiness, Andrew Meredith

Schlumberger Cambridge Research, High Cross, Madingley Road,


Cambridge, CB3 0EL, UK.

ABSTRACT: The determination of pH in low ionic strength solutions and solutions in which no natural pH buffer
presides is extremely important to the water industry, both in monitoring ground water wells and in treatment works.
A recently proposed method has been based on an electrochemical measurement involving two redox active species,
one which is active to pH and the second which is inactive to pH. The difference between the two redox waves will then
correspond to the pH of the solution.
In this presentation we will highlight recent results based using this methodology in a host of media including unbuffered
samples. The effects of buffer concentration upon the detection methodology will be presented with rationale and
mitigation for the behaviors observed given.

Nearly all water samples will have their pH tested at some point in their life cycle as many chemical processes
are based on pH. The most abundant systems for pH-sensing are based upon either amperometric or potentiometric
devices.1 Potentiometric approaches mainly utilize the glass electrode due to its facile handling and high selectivity
towards pH sensing.2,3 Ion selective membranes,4,5 ion-selective field effect transistors,3,6 two terminal microsensors7
as well as optical,8 metal oxide9-13 and conductometric14 pH sensing devices have also been developed. However, these
types of devices can often suffer from instability and/or drift and therefore require constant recalibration.15 In contrast,
amperometric sensors are commonly based upon the pH-switchable permselectivity of membrane or films on the
electrode surface.16-20 The majority of these systems however, are not suitable for extreme conditions such as measuring
pH in oil water mixtures at elevated temperatures.
A recently proposed method has been based on an electrochemical measurement involving two redox active species,
one which is active to pH and the second which is inactive to pH. The difference between the two redox waves will
then correspond to the pH of the solution. In such cases the redox active/ pH active species would be anthraquinone or
phenanthraquinone which maybe chemically attached to carbon surface, whilst the redox active/ pH inactive species
will be ferrocene. This utility of using this approach will be shown in a variety of real world media.
Further to this work we shall look at a polymeric based sensor utilizing similar electrochemical properties.
In these results a novel pH sensor utilising a new redox active copolymer will be demonstrated. The response of
vinylanthracene, vinylferrocene and poly(vinylferrocene) has been analyzed and compared with the response of the
p(VA-co-VF) copolymer. The results show the presence of both poly(vinylferrocene) and poly(vinylanthracene) within
the copolymer. The voltammetric response of p(VA-co-VF) has been analyzed over the pH range 4-9 and over a wide
temperature scale. A highly stable response has been recorded at elevated temperature with the results obtained at each
temperature being found to be in good agreement with the calculated Nernstian response.
Finally the utility of using the approaches outlined above for the determination of pH in non-buffered media will be
examined. The determination of pH in such solutions is extremely important to the water industry, both in monitoring
ground water wells and in treatment works. Issues with the current system will be highlighted, rationale will be given
and mitigation for these behaviours will be shown.

References

[1] Turner, A. P. F.; Karube, I.; Wilson, G. S. Biosensors. Fundamentals and Applications; Oxford University Press:
Oxford, 1987.
[2] Baucke, F. G. K. J. Non-Cryst Solids 1985, 73, 215.
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XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1741


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XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1742


ME40

SINERGIA DE TÉCNICAS ELETROQUÍMICAS NO ESTUDO DE


PROCESSOS DE ELETRODO: ANÁLISE IN SITU DE PRODUTOS POR
ELETROFORESE CAPILAR COM DETECÇÃO CONDUTOMÉTRICA

Fernando Silva Lopes, Thiago Nogueira, Claudimir Lucio do Lago e Ivano G. R. Gutz

Instituto de Química – Universidade de São Paulo, São Paulo - SP – Brasil. fslopes@iq.usp.br

RESUMO: Análise por eletroforese capilar (CE) com amostragem de nanolitros de solução a 50 micrometros da
interface eletrodo/solução, viabilizada numa célula especial que opera em fluxo, foi aplicada à avaliação da
atividade (eletro)catalítica dos metais Au, Pt e Pd na oxidação seletiva de glicerol. O sistema, totalmente baseado
em fenômenos eletroquímicos, foi programado para explorar automaticamente diferentes condições experimentais
e se mostrou efetivo na detecção de produtos de oxidação como glicerato, glicolato, formiato e tartronato ao se
avaliar a atividade eletrocatalítica de filmes dos metais nobres eletrodepositados sobre carbono vítreo. Somente o
Pd apresentou atividade catalítica detectável, sendo que maior concentração de oxigênio incrementou a formação de
produtos. Potencialidades do sistema como obtenção rápida de informações sobre as espécies formadas com mínimo
dispêndio de reagentes e soluções, facilidade de programação de mudança de parâmetros experimentais, entre outras,
permitem prever aplicações que transcendem a busca de seletividade e eficiência em processos (eletro)catalíticos.
Palavras-chave: Oxidação eletrocatalítica, oxidação catalítica, glicerol, eletroforese capilar, voltametria.

Introdução

O glicerol tem despertado muito interesse nos últimos anos principalmente devido ao aumento significativo da
sua oferta como um subproduto da fabricação do biodiesel. O desenvolvimento de estratégias para a conversão deste
composto em outras espécies de maior valor agregado é um campo de pesquisa ativo denominado gliceroquímica [1].
A oxidação do glicerol é uma estratégia de conversão amplamente utilizada e que pode levar a um grande número de
espécies, algumas destas úteis como intermediários ou produtos para a indústria. A oxidação eletroquímica de álcoois
é uma alternativa frente aos processos químicos. A voltametria é usada universalmente para avaliação de processos
eletroquímicos, auxiliada por técnicas como amperometria, coulometria, etc. Todas elas apresentam limitações
na identificação de intermediários de reação e produtos formados no eletrodo, ensejando a utilização de técnicas
complementares para este propósito bem como para acompanhar os seus perfis de concentração ao longo do tempo.
Técnicas cromatográficas e espectrométricas (p.ex.: massas, absorção no UV, Vis e IV, Raman) são as mais usadas.
A eletroforese capilar (CE) com detecção espectrofotométrica ou eletroquímica vem competindo com as técnicas
cromatográficas de separação em vários campos de aplicação, mas raramente, como etapa subsequente a processos
eletroquímicos [2, 3]. Neste contexto, nosso grupo foi o primeiro a explorar a pré-concentração eletroquímica para
incrementar a sensibilidade da CE [4]. Par tanto, uma extremidade do capilar da CE foi introduzida numa célula
eletroquímica em fluxo de micro volume e posicionada a poucos micrômetros do eletrodo. Em seguida, este sistema
foi inteiramente automatizado, possibilitando a variação programada de parâmetros em longas sequências sem atenção
do operador [5]. Uma vez demonstrada com sucesso a pré-concentração de metais seguida de análise por CE com
detecção por condutometria sem contato por acoplamento capacitivo (C4D) [5], propõe-se, neste trabalho, a extensão
da aplicação deste sistema à analise de espécies químicas formadas em processos de eletrodo mediante investigação de
produtos de oxidação do glicerol sobre metais.

Procedimento Experimental

Para a nova aplicação visada neste trabalho, o sistema automático descrito [5] recebeu alterações de software.
A célula eletroquímica em fluxo compreende dois blocos justapostos com um espaçador entre eles. O bloco inferior
contém dois eletrodos de carbono vítreo (GC): o eletrodo auxiliar e o de trabalho, sobre o qual é eletrodepositado
o metal (catalisador) em estudo. Embutido no bloco superior há um fio de Ag (pseudo referência), rente à entrada
do capilar de separação, bem como dois orifícios para inserção de tubos de entrada e saída de fluidos. A aplicação
de alta tensão aos extremos do capilar de separação dá-se entre um eletrodo tubular de aço inox na saída da célula
eletroquímica (anodo) e um fio de platina inserido juntamente com a extremidade oposta do capilar num recipiente
com 2 mL de eletrólito. Nas figuras, os potenciais aplicados pelo potenciostato frente ao eletrodo de pseudo referência
foram corrigidos para os medidos com um microeletrodo de referência (Ag/AgCl, KClsat) posicionado no lugar do
capilar de eletroforese. Para aumentar a área superficial do eletrodo de trabalho (WE), antes da deposição do metal
utilizou-se uma lixa para abrasar de forma unidirecional a superfície do carbono vítreo. O posicionamento reprodutível
do ponto de amostragem a 50 µm do eletrodo deu-se pela técnica inventada anteriormente [4] de tocar a superfície do
eletrodo com a extremidade do capilar lapida em ângulo. Duas das três bombas solenoide serviram para alternar entre

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1743


propulsão do reagente (glicerol) e eletrólito de corrida da CE. A terceira bomba, disponível, p.ex., para mudança de
meio na regeneração do eletrodo, não foi necessária.
Na análise de produtos de oxidação eletrocatalítica utilizou-se a seguinte sequência de operações: (i) fluxo de
eletrólito de corrida pelo capilar (BGE, 60 s, WE em 0 V); (ii) bombeamento de reagente (glicerol) até o WE (300 µL,
18 s, WE em 0 V); (iii) eletro-oxidação com fluxo parado (120 s, WE entre 0,61 – 1,27 V); (iv) admissão de amostra
por aspiração para o interior do capilar (5,0 kPa por 10 s, WE desligado); (vi) troca de eletrólito da célula por BGE
(300 µL, 18 s); (vii) aplicação de alta tensão (AT) e registro do sinal do detector (3 a 6 min). Repetição, a partir de (i),
como replicata ou com alteração de parâmetros. Etapa de regeneração/condicionamento eletroquímico e/ou químico
do eletrodo (catalisador), se necessária, pode ser programada antes da etapa (i). Em estudos de oxidação catalítica, o
metal foi mantido em condição de circuito aberto durante toda a sequência.

Resultados e Discussão

A figura 1 apresenta um experimento realizado para a eletro-oxidação de glicerol em solução aquosa (3 mmol
L-1 NaHCO3). Os sinais observados foram obtidos sob fluxo eletro-osmótico (EOF) invertido (utilização de CTAB)
e são atribuídos ao tartronato (1), formiato (2), glicolato (3) e glicerato (4). Experimentos similares com menos de
10 min proporcionam informações úteis na avaliação comparativa de eletrocatalisadores e condições experimentais
quanto à seletividade e eficiência de conversão do glicerol. Na condição avaliada, para os metais nobres em estudo,
foi observada uma tendência de formação de glicerato e tartronato em superfície de Pd, enquanto formiato e glicolato
prevalecem em Pt e formiato é o produto majoritário em superfície de Au.

-0,4
2
SP 3
-0,5 1 5
Sinal (AU)

4 Pt
-0,6 Au
Pd
-0,7

2,0 2,5 3,0


Tempo (min)

Figura 1 – Separação dos produtos da oxidação de uma solução 0,1 mol L-1 de glicerol em bicarbonato de sódio
(3 mmol L-1) após 120 s a 1,25 V em eletrodos de Pt, Au e Pd. BGE: MES/HIS 30+30 mmol L-1 com CTAB 200
µmol L-1. Condições de separação: potential = 30 kV; capilar de sílica de 75 µm (d.i.) com 80 cm de comprimento
e 65 efetivo. Picos: 1 = tartronato; 2 = formiato; 3 = glicolato; 4 = glicerato; e 5 = inserto (veja as discussões). SP
= pico de sistema do brometo proveniente do CTAB.

Na figura 2A, o efeito do potencial aplicado ao WE (Au) é avaliado. Neste experimento, a separação é realizada
sem a utilização de CTAB (inversor de EOF) e com o extremo do capilar próximo do detector ligado ao pólo negativo
da AT. Assim, ânions que migram lentamente são arrastados pelo EOF e alcançam o detector enquanto que os de
maior mobilidade escapam do capilar ou permanecem em seu interior. Acelera-se, pois, a detecção de ânions de baixa
mobilidade (que saem na ordem inversa da figura 1), em detrimento dos de maior mobilidade (na figura 2, oxalato e
tartronato não foram detectados). O pico atribuído ao carbonato na figura 2 tanto pode ser decorrente exclusivamente
do CO2 absorvido do ar pelas soluções, como pode ter sido incrementado no processo de oxidação catalítica do glicerol.
Experimentos com exclusão de CO2 das soluções (tarefa difícil) auxiliariam na distinção da origem do carbonato.
A identificação das espécies produzidas na oxidação do glicerol foi realizada pela comparação do tempo de
migração com padrões, quando disponíveis e/ou através de valores de mobilidade disponíveis em programas de
simulação (Peakmaster 5.0). O pico indicado como 5 nos eletroferogramas das figuras 1 e 2A é originado por um ânion
que apresenta relação raio iônico hidratado/carga maior que a apresentada pelo glicerato. O hidroxipiruvato, também
reportado [1] como produto da oxidação do glicerol, poderia explicar este sinal. Porém, devido a indisponibilidade dos
valores de mobilidade e do padrão desta espécie, um número maior de experimentos são necessários para a identificação
conclusiva da presença deste ânion.
Experimentos idênticos ao apresentado na figura 2A foram realizados para eletrodos de Pt e Pd. Os resultados obtidos
em Pt foram pouco diferentes dos observados em Au. Para superfície de Pd, entretanto, produtos de oxidação foram
observados em potencial de 0 V ou mesmo com o eletrodo desconectado. Experimentos comparativos de oxidação
química (eletrodo desligado) do glicerol 0,1 mol L-1 em LiOH 5 mmol L-1 foram conduzidos durante 10 s também em
superfícies de Au e Pt e não revelaram aparecimento de produtos detectáveis. Resultados de experimentos em duas
concentrações distintas de O2 dissolvido para Pd, apresentados na figura 2B, confirmam aumento na concentração de
glicerato e glicolato formados (e a detecção de formiato) ao se aumentar a concentração de O2 disponível (de qualquer
modo, baixa, frente ao glicerol).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1744


A B Branco (sem catalisador)
1,6
1,5 5 43 2 CO32-
1,27V Pt
1,4
1,25V
1,0 1,13V 1,2 Au
Sinal (AU)

Sinal (V)
1,03V 1,0 2 CO3-2
[O2] Alta
0,5
0,82V 0,8
0,76V 3
0,0 0,6 [O2] Baixa
0,61 V 4
0,4
1 2 3 2 3 4 5
Tempo (min) Tempo (min)

Figura 2. A – Efeito do potencial no WE na oxidação de uma solução 0,1 mol L-1 de glicerol em 5 mmol L-1 de
LiOH. Eletro-oxidação de 120 s em superfície de Au. BGE: LiOH 10 mmol L-1; AT = 30 kV; capilar de 20 µm
(d.i.) e 50 cm de comprimento (comprimento efetivo de 20 cm). B – Separação por CE de produtos da oxidação
catalítica por O2 em Pt, Pd e Au de 0,1 mol L-1 de glicerol em LiOH 5 mmol L-1. Sobre Pd, duas concentrações de
O2 foram testadas: [O2] Baixa = oxigênio dissolvido em solução e em equilíbrio com o ar atmosférico; [O2] Alta
= borbulhamento de O2 na solução. Exceto para o potencial de separação (20 kV) e para o tempo de oxidação (10
s) as condições são as mesmas da figura 2A. O eletroferograma branco foi obtido com o catalisador coberto com
um filme de PVC.
ConclusÕES

A CE diretamente acoplada a uma célula para fluxo foi aplicada com sucesso à avaliação de catalisadores na
oxidação (catalítica ou eletrocatalítica) de glicerol, mediante observação de produtos (iônicos ou ionizáveis) estáveis
por alguns minutos. Totalmente baseado em processos eletroquímicos este sistema foi capaz de realizar o processamento
eletroquímico da amostra, separar produtos formados e realizar a detecção condutométrica sem contato destes íons. O
processo de eletrólise ou catálise com observação in situ por CE pôde ser realizado em tempo relativamente curto (em
menos de 10 min) com variação programada de parâmetros experimentais com o sistema automático desenvolvido,
facilitando o estudo de condições e materiais para uma oxidação seletiva e eficiente. Estudos de longa duração para
avaliação da estabilidade ou envenenamento do catalisador e de meios de reativação, também são possíveis.

AgradeCimentos: FAPESP, CAPES e CNPq.

Referências

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Glycerin of Biodiesel Production”, Quim. Nova 32 (3): 639-648, 2009.
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[3] Matysik F. M. “Electrochemically assisted injection - a new approach for hyphenation of electrochemistry with
capillary-based separation systems”, Electrochem. Commun. 5 (12): 1021-1024, 2003.
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cleanup, stripping, capillary electrophoresis with stacking and contactless conductivity detection of trace heavy
metals”, Electrochem. Commun. 12 (10): 1387-1390, 2010.
[5] Lopes F. S., Coelho L. H. G. and Gutz I. G. R. “Automated two-dimensional separation flow system with
electrochemical preconcentration, stripping, capillary electrophoresis and contactless conductivity detection for
trace metal ion analysis”, Electrophoresis 32 (8): 939-946, 2011.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1745


ME41

DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA DO PESTICIDA THIODICARB


UTILIZANDO ELETRODO DE AMÁLGAMA

Bruno Gabriel Lucca1 e Valdir Souza Ferreira1

1
Departamento de Química – UFMS, Campo Grande - MS - Brasil.
bruno87_lucca@yahoo.com.br

RESUMO: Este trabalho reporta a construção de um eletrodo de amálgama utilizando partículas de prata para a
determinação eletroanalítica do pesticida thiodicarb. Para tal, desenvolveu-se uma metodologia utilizando voltametria
de onda quadrada, a qual foi aplicada para a quantificação do analito em uma matriz de água potável. Para os estudos
utilizou-se tampão Britton-Robinson 0,0200 mol L-1, sendo que foi observado um pico de redução em Ep=-0,598 V.
Os valores de LD e LQ foram respectivamente 1,93 × 10-6 e 6,43 × 10-6 mol L-1 e os valores de recuperação obtidos
mostraram-se satisfatórios, viabilizando o uso da metodologia para determinação do pesticida Deste modo, o eletrodo
se apresenta como uma alternativa interessante ao eletrodo gotejante de mercúrio, devido a sua detectabilidade,
robustez e baixa toxicidade.
Palavras-chave: Voltametria de onda quadrada, Determinação eletroanalítica, Eletrodos de amálgama, Thiodicarb

Introdução

Pesticidas constituem um grupo no qual se enquadram milhares de substâncias orgânicas de diferentes estruturas,
cujo uso é indispensável na agricultura contemporânea. O uso de substâncias desse tipo nos anos recentes, em níveis
mundiais, tem dobrado a cada década [1]. Ainda, a falta de controle na utilização e a falta de conhecimento aprofundado
de sua ação têm levado ao agravamento dos problemas associados ao meio ambiente.
Esses compostos agem bloqueando um processo metabólico vital dos organismos aos quais são tóxicos, porém são
também nocivos aos seres humanos, podendo causar diversos malefícios [2].
O thiodicarb é um pesticida inseticida do grupo dos carbamatos, que causam um bloqueio reversível da atividade
da enzima acetilcolinesterase. Esse produto tem vida curta no ambiente já que são solúveis em água e reagem com
a mesma decompondo-se em compostos simples e não-tóxicos [3]. As metodologias encontradas na literatura para a
determinação do thiodicarb utilizam-se frequentemente de técnicas cromatográficas, geralmente HPLC com detectores
de fluorescência ou espectrometria de massas [4,5].
A técnica mais utilizada para a análise de pesticidas tem sido a cromatografia, mas tal método é trabalhoso e
de custo elevado. Porém, substâncias eletroativas podem ser analisadas por meio de técnicas eletroquímicas. Essas
técnicas podem propiciar análises dispensando processos complexos de separação e tratamento da amostra. Um outro
aspecto positivo é o custo baixo dos equipamentos e acessórios necessários para a realização de tais análises. As
técnicas eletroanalíticas são menos seletivas que as cromatográficas, porém bem mais rápidas [6].
A voltametria de onda quadrada (VOQ) é uma das técnicas voltamétricas de pulso mais rápidas e sensíveis. Os
LD podem ser comparados aos das técnicas cromatográficas e espectroscópicas. Além disso, a análise dos parâmetros
característicos desta técnica também possibilita a avaliação cinética e mecanística do processo eletródico em estudo
[7]. Uma importante desvantagem no desenvolvimento de metodologias utilizando técnicas eletroanalíticas é
frequentemente atribuída à necessidade de se usar um eletrodo de mercúrio de gota pendente (HDME). No entanto, o
seu uso está sendo limitado em procedimentos analíticos nos últimos anos devido aos efeitos nocivos de tal substância.
Contudo, algumas moléculas de pesticidas são mais facilmente reduzidas na superfície de mercúrio, requerendo assim
a sua manipulação para se realizar determinações eletroanalíticas, com a consequência do risco de contaminação pelo
mesmo [8].
Eletrodos de amálgama sólido (EAS) representam uma alternativa interessante aos eletrodos de mercúrio. Devido ao
fato de possuírem propriedades similares, como amplo intervalo de potencial catódico e detectabilidade relativamente
alta, os EAS acrescentam muitos benefícios em relação aos eletrodos de mercúrio. Entre as vantagens estão a não-
toxicidade e a robustez mecânica, o que permite a aplicação dos EAS em sistemas de FIA ou HPLC como eletrodos de
trabalho em detectores eletroquímicos[9].

Procedimento Experimental

Durante as medidas voltamétricas foram utilizadas as seguintes soluções e equipamentos:


Eletrólito suporte: Tampão Britton-Robinson, composto pela mistura de volumes iguais das soluções de
ácido bórico, ácido acético e ácido fosfórico, na concentração de 0,0200 mol L-1.
Soluções padrão do pesticida: As soluções de thiodicarb foram preparadas a partir de padrões analíticos, dissolvendo
o mesmo em água ultra purificada. O preparo das soluções do pesticida foi feito antes da realização das medidas

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1746


voltamétricas, efetuando-se cada estudo com uma nova solução, evitando-se assim o processo de decomposição do
pesticida, o que poderia causar interferências nos resultados.
Preparo do eletrodo de amálgama: O eletrodo de amálgama sólido foi construído conforme o seguinte procedimento:
em um tubo de vidro de 4 mm de diâmetro interno e 8 cm de comprimento empacotou-se material particulado de prata
e inseriu-se um fio de platina, que serviu como contato elétrico.
O tubo foi então deixado em repouso por cerca de 3 dias em um pequeno eppendorf contendo algumas gotas de
mercúrio para que pudesse ocorrer a formação do amálgama. Após esse período, o tubo contendo o amálgama formado
foi retirado e deixado em repouso por mais 3 dias, para se completar o processo de amalgamação. O disco sólido
obtido foi então polido utilizando-se uma lixa fina, obtendo-se assim o eletrodo sólido de amálgama utilizado durante
os estudos. Para a construção do eletrodo utilizou-se pó de prata (Sigma-Aldrich 99%), e o mesmo foi denominado
eletrodo de amálgama de prata (EAP). O eletrodo construído apresentou área geométrica de 12,57 mm2.
Equipamentos, métodos e eletrodos utilizados: As medidas voltamétricas foram realizadas em um equipamento
potenciostato/galvanostato Autolab/PGSTAT 12 interfaciado a um computador. O pH das soluções foi ajustado em um
pHmetro Inolab Terminal Level 3.
A célula eletroquímica consistiu na utilização do EAP como eletrodo de trabalho, um Ag/AgCl preenchido com
KCl 3,00 mol L-1 como eletrodo de referência e como eletrodo auxiliar empregou-se um fio de platina.

Resultados e Discussão

Testes iniciais foram realizados com a técnica de VOQ utilizando o eletrólito suporte tampão BR 0,0200 mol L-1
em pH 2,0 e o EAP, no intervalo de potencial de Ei = -0,2 V e Ef = -1,2 V. Desta forma, obteve-se um pico de redução
em Ep = -0,598 V, sendo que não foram observados picos de oxidação caracterizando a irreversibilidade do processo.
Sendo assim, foi realizado um estudo visando otimizar o pH. A Figura 1(A) apresenta o gráfico de Ip versus pH, no
qual observa-se o máximo de corrente de pico no pH 6,0, valor utilizado durante o desenvolvimento da metodologia.
Os parâmetros instrumentais referentes à técnica de VOQ foram então otimizados. A Tabela 1 apresenta os parâmetros
avaliados e os respectivos valores otimizados.

Tabela 1: Parâmetros avaliados e otimizados utilizando VOQ e o EAP para o pesticida thiodicarb.

Parâmetro Avaliado Intervalo de Estudo Valor Otimizado


pH 2,0 - 8,0 6,0
Frequência 8 - 100 Hz 30 Hz
Incremento de Potencial 5 - 31 mV 11 mV
Amplitude 15 - 380 mV 50 mV
Potencial de Pré-Tratamento -0,6 a -2,4 V -1,4 V
Tempo de Pré-Tratamento 10 - 130s 60s

Após a otimização dos parâmetros construiu-se uma curva analítica para avaliação do intervalo de linearidade,
sendo que para sua obtenção tanto o eletrólito quanto a solução padrão do pesticida foram preparados utilizando como
solvente água potável, matriz na qual foram realizados os posteriores estudos de recuperação. A Figura 1(B) apresenta
os voltamogramas referentes à curva analítica obtida empregando-se os parâmetros otimizados para a metodologia
desenvolvida utilizando VOQ.

15
14 0
13
A
-5
12 a-k
11
- Ip / mA

-10
I / mA

10
9 -15
8
7
-20 B
2 3 4 5 6 7 8 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2
pH E / V vs Ag/AgCl

Figura 1: Gráfico de Ip versus pH (A) e voltamogramas (B) obtidos a partir da metodologia utilizando VOQ e o EAP.
a) tampão BR 0,0200 mol L-1. Concentrações de thiodicarb em µmol L-1: b) 1,95; c) 3,85; d) 5,71; e) 7,52; f) 9,29; g)
11,02; h) 12,71; i) 14,36; j) 15,37; k) 17,55. Condições experimentais apresentadas na Tabela 1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1747


O pequeno deslocamento no potencial de pico observado nos voltamogramas da Figura 1(B) indica a ocorrência de
uma forte adsorção na superfície eletródica [10]. O intervalo de concentração avaliado foi de 1,95 × 10-6 mol L-1 a 1,76
× 10-5 mol L-1 e a curva analítica apresentou a equação Ip / µA = 0,109(±0,0246) - 0,112(±0,00357)[thiodicarb] / mol L-1
e um coeficiente de correlação igual a -0,999. Os LD e LQ foram respectivamente 1,93 × 10-6 e 6,43 × 10-6 mol L-1. A
metodologia foi aplicada para a determinação de thiodicarb em água potável. As recuperações foram realizadas através
da técnica de padrão externo, e as concentrações adicionadas e os valores recuperados são apresentados na Tabela 2:

Tabela 2: Valores das determinações de thiodicarb na matriz de água potável empregando a metodologia desenvolvida
utilizando VOQ e o EAP.

[Adicionada] / mol L-1 [Encontrada] / mol L-1 % Recuperação SD1 RSD2


4,91 × 10-6 106,67 2,32 2,18
4,60 × 10-6
8,45 × 10-6 94,29 0,488 0,517
8,94 × 10-6
1,31 × 10-6 100,51 1,60 1,59
1,30 × 10-5
1Desvio Padrão da Média das Recuperações Obtidas (n=3)
2Desvio Padrão Relativo

A otimização dos parâmetros referentes à VOQ permitiu o desenvolvimento de uma metodologia eletroanalítica
para determinação do thiodicarb em uma matriz de água potável. Os valores de recuperação obtidos mostraram-se
satisfatórios e os valores do SD e do RSD permaneceram dentro da faixa de erro aceitável, viabilizando a aplicação do
método proposto para quantificação do thiodicarb na matriz de água potável.

AgradeCimentos: UFMS, CAPES e CNPq.

Referências

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[6] Rupp E. B., Zuman P., “Polarographic determination of some pesticides: application to a study of their adsorption
on lignin”, J. Agric. Food Chem. 40:2016-2021, 1992.
[7] DE SOUZA D., MACHADO S. A. S., AVACA L. A., “Voltametria de onda quadrada. primeira
parte: aspectos teóricos”, Quim. Nova 26(1):81-89, 2003.
[8] HIGUERA M. J., GALVIN R. M., MELLADO J. M. R., MONTOYA M. R.; “EC(EE) Processes in the reduction
of some 2-methylthio-4,6-di(alkylamino)-1,3,5-triazines on mercury electrodes”, Electrochem. Commun. 4:30-35,
2002.
[9] JIRANEK I., PECKOVA K., KRALOVA Z., MOREIRA J. C., BAREK J., “The use of silver solid amalgam
electrode for voltammetric and amperometric determination of nitroquinolines”, Electrochim. Acta 54:1939-1947,
2009.
[10] MELO L. C. et al., “A simple and sensitive detection of diquat herbicide using a dental amalgam electrode A
comparison using the chromatographic technique”, Talanta 79:1216-1222, 2009.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1748


ME42

DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA DE SULFADIAZINA E


SULFAMETOXAZOL EM FÁRMACOS COM UM
ELETRODO DE DIAMANTE DOPADO COM BORO [1]

Cristine D. Souza, Otoniel C. Braga, Iolanda C. Vieira e Almir Spinelli

GEPEEA - Grupo de Estudos de Processos Eletroquímicos e Eletroanalíticos


Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis - SC - Brasil. otonielqmc@hotmail.com

RESUMO: Sulfadiazina e sulfametoxazol foram individualmente quantificadas em formulações farmacêuticas por


voltametria de onda quadrada utilizando o eletrodo de diamante dopado com boro (EDDB). Uma varredura de
potencial em meio ácido/etOH favorecendo a oxidação, apresentou um único pico no potencial em torno de +1,1
V para ambas sulfonamidas que foi utilizado como sinal analítico. A curva de calibração foi obtida no intervalo de
concentração entre 8,01 x 10-6 e 1,19 x 10-4 mol L-1 para a sulfadiazina (r = 0,9995) e 6,10 x 10-6 a 6,01 x 10-5 mol
L-1 para a sulfametoxazol (r = 0,9995), com limites de detecção de 2,19 x 10-6 e 1,15 x 10 -6 mol L-1 respectivamente.
Um erro relativo de -4,31% para a sulfadiazina e -0,79% para a sulfametoxazol quando comparada a metodologia
desenvolvida com o método oficial (HPLC), demonstra a exatidão do método possibilitando seu uso em análises de
rotina para a determinação das sulfas em fármacos e outros produtos.
Palavras-chave: Eletroanalítica, sulfonamidas, eletrodo de diamante dopado com boro

Introdução

Quando Gelmo sintetizou, em 1908, uma série de novos corantes azoicos, dentre os quais uma molécula
denominada sulfanilamida, iniciava um dos mais fascinantes estudos da química medicinal. A descoberta
de sua atividade biológica um quarto de século mais tarde, rendeu a Domagk o prêmio Nobel em 1938 por
demonstrar que um agente quimioterápico era capaz de influenciar o desenvolvimento de uma infecção
bacteriana. A droga era o prontosil, um corante inativo in vitro, que in vivo é metabolizado no produto ativo
sulfanilamida. Woods e Fildes levantaram a hipótese de que sua atividade quimioterápica é atribuída à
reação competitiva com o ácido p-aminobenzoico na síntese do ácido fólico influenciando diretamente no
fator de crescimento para a maioria das bactérias.

Figura 1. Estrutura química das sulfonamidas.

As sulfonamidas ou sulfas possuem como estrutura química a fórmula geral apresentada na Figura 1.
A sulfadiazina (4-amino-N-2-pirimidinilbenzenossulfonamida) possui ampla aplicação como agente
antibacteriano sistêmico e é utilizada no tratamento de tracoma e toxoplasmose ocular, além de ser
a opção para pacientes alérgicos a penicilina. A sulfametoxazol (4-amino-N-(5-metil-3-isoxazolil)
benzenossulfonamida) é uma das sulfas mais eficazes no tratamento de infecções urinárias, por ter lenta
absorção e excreção, mesmo apresentando maior tendência a produzir níveis sanguíneos excessivos e
causar cristalúria. Uma boa associação sinérgica é a sulfametoxazol com trimetoprima. Esta combinação
potencializa o efeito bacteriostático da sulfa, pois possui efeito inibidor em mais de uma etapa na sequência
de reações enzimáticas obrigatórias nas bactérias.
Sulfonamidas têm sido determinadas nas mais diversas amostras por métodos cromatográficos, eletroforese
capilar e métodos microbiológicos. As sulfonamidas, de acordo com sua estrutura química, podem ser
oxidadas (grupo amino primário –NH2) ou reduzidas (grupo sulfamil –SO2NHR). O potencial no qual o
grupo sulfonamida é reduzido depende da natureza do grupo R, por outro lado, devido à posição do grupo
amino, o grupo R tem pouca influência sobre os potenciais de oxidação. Essa importante informação pode
ser explorada na identificação, separação e determinação por métodos eletroanalíticos desses compostos
com grupos R diferentes [1]. Com base nestas informações, este trabalho tem como objetivo desenvolver
uma metodologia eletroanalítica para a determinação de sulfadiazina e sulfametoxazol em formulações
farmacêuticas com o eletrodo de diamante dopado com boro (EDDB), através da voltametria cíclica e
voltametria de onda quadrada e comparar os resultados encontrados com os obtidos por cromatografia
líquida de alta eficiência (CLAE).

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1749


Procedimento Experimental

Todos os reagentes utilizados neste estudo são de grau analítico. As soluções foram preparadas com
água purificada pelo sistema Milli-Q. Tampão Britton-Robinson (BR), tampão fosfato e soluções de ácido
sulfúrico 0,1 e 0,5 mol L-1 foram testados como eletrólito suporte. Solução de etanol + H2SO4 0,5 mol L-1
50/50 (v/v) foi usado para a determinação da sulfadiazina e etanol + tampão fosfato pH 6,0 50/50 (v/v)
para as análises da sulfametoxazol. As soluções estoque do padrão de sulfadiazina 1,0 x 10-3 mol L-1 e
sulfametoxazol 1,0 x 10-2 mol L-1 foram preparadas previamente ao uso e soluções menos concentradas
foram preparadas por diluição.
Os voltamogramas cíclicos e de onda quadrada foram obtidos em uma cela eletroquímica contendo três
eletrodos. O EDDB (A = 0,23 cm2) com cerca de 8000 ppm de boro como eletrodo de trabalho, um eletrodo
de platina como contra eletrodo e o eletrodo de calomelano saturado (ECS) como eletrodo de referência.
As medidas eletroquímicas foram feitas em um potenciostato/galvanostato EG&G PAR 263A, em conjunto
com o software M270 acoplado a um computador. Diariamente, antes das medidas eletroquímicas, o EDDB
era condicionado por 30 min em H2SO4 0,5 mol L-1 a -2,0 V/ECS e, antes de registrar cada voltamograma,
por 30 s.
As medidas empregando CLAE foram realizadas utilizando um cromatógrafo Shimadzu modelo 10AD com
detector UV-vis modelo SPD-M10A e coluna Supelco LC-18. Uma solução acetonitrila + tampão fosfato
20/80 (v/v) foi usada como fase móvel com velocidade de fluxo de 1,0 mL min-1, sendo a absorbância das
sulfonamidas medida no comprimento de onda de 254 nm.

Resultados e Discussão

Um parâmetro importante sobre a resposta eletroanalítica é a escolha do eletrólito suporte, pois este
influencia diretamente na intensidade da corrente de pico. Desta forma, testaram-se diferentes eletrólitos
suportes: tampão BR 0,04 mol L-1, tampão fosfato 0,05 mol L-1, H2SO4 0,5 e 0,1 mol L-1. De acordo com
os voltamogramas obtidos para a sulfadiazina e sulfametoxazol, o eletrólito que apresentou uma melhor
definição de pico e intensidade de corrente foi H2SO4 0,5 mol L-1.

Figura 2. Voltamogramas cíclicos para (A-a) sulfadiazina 1,0×10−3 mol L−1, (B-a) sulfametoxazol 1,0×10−3
mol L−1 e (B-b) trimetoprima 3,4×10−3 mol L−1 em (A-b; B-c) solução de etanol + H2SO4 0,5 mol L−1 50/50
(v/v) sobre EDDB, v = 75 mV s−1.

O voltamograma cíclico da sulfadiazina 1,0 x 10-3 mol L-1 sobre o EDDB em etanol + H2SO4 0,5 mol L-1 50/50
(v/v) (Figura 2A), com uma variação de potencial de -0,2 até +1,4 V/ECS retornando em seguida ao potencial
de partida -0,2 V/ECS, apresentou um pico bem definido no sentido positivo de variação de potencial em
+1,1 V/ECS e no sentido negativo de variação uma pequena flutuação em torno do potencial +0,4 V/ECS.
Entretanto, estes dois picos não podem ser considerados como um par reversível, pois à separação entre
ambos é 0,56 V e a corrente de pico anódica é 30 vezes maior que a corrente de pico catódica, sugerindo
que a oxidação da sulfadiazina sobre a superfície do EDDB é irreversível. O comportamento eletroquímico
da sulfametoxazol também foi estudado com o EDDB nas mesmas condições descritas acima, alterando-
se apenas a faixa de variação de potencial de -0,2 V a +1,6 V/ECS (figura 2B). É possível observar que
a sulfametoxazol apresentou apenas um pico de oxidação irreversível em +1,2 V/ECS e a trimetoprima
apresentou um pico de oxidação em aproximadamente +1,2 V/ECS. Como em fármacos os dois compostos
se encontram associados uma separação de ambos os picos se faz necessário.
Com o objetivo de separar os picos de oxidação da trimetoprima e sulfametoxazol foram feitos estudos em
diferentes pHs. Uma separação foi observada em etanol/tampão fosfato 0,05 mol L-1 50/50 (v/v) sendo este,
portanto, o eletrólito escolhido para os estudos de voltametria de onda quadrada para a determinação de
sulfametoxazol na presença de trimetoprima em formulações farmacêuticas.
Otimizados os parâmetros da voltametria de onda quadrada para a sulfadiazina em etanol + H2SO4 0,5 mol
L-1 50/50 (v/v) e sulfametoxazol em etanol + tampão fosfato 0,05 mol L-1 50/50 (v/v), foi construída uma curva
analítica com faixa linear entre 8,01 x 10-6 e 1,19 x 10-4 mol L-1 para a sulfadiazina (r = 0,9995) (Figura 3A)
e 6,10 x 10-6 a 6,01 x 10-5 mol L-1 para a sulfametoxazol (r = 0,9995) (Figura 3B), com limites de detecção

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1750


de 2,19 x 10-6 e 1,15 x 10-6 mol L-1, respectivamente. A repetibilidade para sete medidas da corrente de pico
para soluções de sulfadiaziana 9,0 x 10-5 mol L-1 e sulfametoxazol 2,5 x 10-4 mol L-1 apresentaram desvios
padrão relativos de 0,56% e 0,58%, respectivamente. A reprodutibilidade da corrente de pico foi testada
durante cinco dias usando diferentes soluções de sulfadiaziana 9,0 x 10-5 mol L-1 e sulfametoxazol 2,5 x 10-4
mol L-1 obtendo-se desvios padrão relativos de 0,78% para a sulfadiazina e 0,71% para a sulfametoxazol.
Este conjunto de dados demonstrou que o método proposto apresenta excelente precisão, repetibilidade
e sensibilidade.

Figura 2. Voltamogramas de onda quadrada para (A) sulfadiazina em etanol + H2SO4 0,5 mol L-1 (a) 8,01 x
10-6 mol L-1, (b) 1,59 x 10 -5 mol L-1, (c) 2,38 x 10 -5 mol L-1, (d) 3,15 x 10 -5 mol L-1, (e) 3,92 x 10 -5 mol L-1, (f)
4,67 x 10 -5 mol L-1, (g) 6,19 x 10 -5 mol L-1, (h) 9,11 x 10 -5 mol L-1 e (i) 1,19 x 10 -4 mol L-1, f = 40 Hz, a = 30
mV e ∆Es = 2 mV; (B) sulfametoxazol em etanol + tampão fosfato 0,5 mol L-1 (a) 6,10 x 10-6 mol L-1, (b) 8,16 x
10-6 mol L-1, (c) 1,22 x 10-5 mol L-1, (d) 1,62 x 10-5 mol L-1, (e) 2,02 x 10-5 mol L-1, (f) 3,03 x 10-5 mol L-1, (g) 4,03
x 10-5 mol L-1, (h) 5,02 x 10-5 mol L-1 e (i) 6,01 x 10-5 mol L-1, f = 20 Hz, a = 10 mV e ∆Es = 2 mV. Inserções:
curva analítica para (A) sulfadiazina e (B) sulfametoxazol.

Duas formulações farmacêuticas, uma contendo sulfadiazina e outra contendo sulfametoxazol na presença
de trimetoprima, foram analisadas independentemente por voltametria de onda quadrada usando o EDDB
e pelo método padrão CLAE. O desvio padrão relativo de sete determinações apresentou valores menores
que 3% para a sulfadiazina e menores que 7% para a sulfametoxazol, para ambos os métodos. A fim de
testar a validade dos dados obtidos o teste t de Student foi aplicado. Ao nível de confiança de 95%, o valor
de t calculado foi menor que 2,31; o valor teórico para a média de cinco determinações, indicando que não
há diferenças significativas entre os dados obtidos usando os dois métodos e o valor rotulado, tomado
como verdadeiro. Experimentos de recuperação foram feitos adicionando soluções padrão de sulfadiazina
e sulfametoxazol em amostras dos produtos farmacêuticos contendo a mesma sulfa. Recuperação na faixa
de 95% a 104% para a sulfadiazina e de 98% a 103% para a sulfametoxazol indicam a exatidão do método
e que não ocorre interferência de matriz na determinação das sulfas.

CONCLUSÕES

A linearidade da curva analítica, a repetibilidade dos dados e os resultados de recuperação obtidos para a
determinação da sulfadiazina e da sulfametoxazol usando o EDDB indicam que o mesmo pode ser aplicado
com sucesso para ambos analitos em processos de controle de qualidade e determinação destes produtos
farmacêuticos.

AgradeCimentos: CAPES, CNPq, PPGQ/UFSC.

Referências

[1] Souza, C.D., Braga, O.C., Vieira, I.C., Spinelli, A., “Electroanalytical determination of sulfadiazine and
sulfamethoxazole in pharmaceuticals using a boron-doped diamond electrode”, Sensors & Actuators B 135:
66-73, 2008.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1751


ME43

APLICAÇÃO DE UM ELETRODO DE FILME DE BISMUTO


PARA DETERMINAÇÃO ELETROANALÍTICA CATÓDICA
DE SULFADIAZINA[1]

Iolana Campestrini, Otoniel C. Braga, Iolanda C. Vieira e Almir Spinelli

GEPEEA - Grupo de Estudos de Processos Eletroquímicos e Eletroanalíticos; Universidade


Federal de Santa Catarina, Florianópolis - SC - Brasil. iolanac@hotmail.com

RESUMO: Este trabalho propõe uma nova aplicação para o eletrodo de filme de bismuto (EFBi)na determinação de
compostos orgânicos. Assim, um EFBi foi preparado através da eletrodeposição ex situ eempregado na determinação
de sulfadiazina (SDZ) por redução eletroquímica utilizando a voltametria de pulso diferencial. Os parâmetros de
eletrodeposição ex situ otimizados foram: Ed= -0,8 V por 100 s e Bi(III) 3,0 mmol L-1 em solução de HCl 1,0 mol L-1.A
redução da SDZ foi realizada em tampão Britton-Robinson 0,05 mol L-1,pH 4,5, gerando um pico em -0,74 V, que
respondeu de forma linear em duas faixas de concentração: de 3,2 a 20,0 mmol L-1 e de 20,0 a 96,8 mmol L-1, as quais
forneceram limites de detecção de 2,1 mmol L-1 e 12,2 mmol L-1, respectivamente. A exatidão dos resultados fornecidos
pelo EFBi foi comparada àquela fornecida pelo método padrão de titulação amperométrica. O erro relativo entre
ambos os métodos foi menor que 2%.
Palavras-chave: EFBi, sulfadizina, redução, voltametria de pulso diferencial

Introdução

O eletrodo de filme de bismuto (EFBi) foi apresentado na última década como uma possível alternativa aos eletrodos
de mercúrio na determinação de metais em níveis traços. A determinação de compostos orgânicos por meio da redução
eletroquímica sobre a superfície deste novo eletrodo também tem sido estudada. Hutton e seus colaboradores(2001)[2]
foram os pioneiros neste estudo e mostraram que, semelhantemente aos eletrodos de mercúrio, o EFBi apresenta uma
ampla janela eletroquímica em potenciais negativos. Ainda, os autores verificaram um comportamento eletroquímico
similar para a redução do 2-nitrofenol sobre o eletrodo de filme de mercúrio e sobre o EFBi. Estes resultados promissores
incentivaram o uso do EFBi, que vem sendo aplicado com sucesso na determinação de alguns compostos orgânicos.
Entretanto, no que diz respeito à quantificação de drogas terapêuticas, especialmente às sulfonamidas, poucos estudos
foram realizados.
A sulfadiazina (SDZ) é umas das sulfas mais utilizadas no tratamento de uma série de infecções. Em conjunto com
a sulfametoxazol, é intensamente utilizada na área veterinária, evitando doenças infecciosas e, assim, promovendo o
crescimento saudável dos animais. O método utilizado para o controle de qualidade dos medicamentos varia conforme a
legislação de cada país. Para a determinação da SDZ, a farmacopeia britânica utiliza a titulação amperométrica indireta
da sulfacom o par redox NO2-/NO3-em meio ácido; já a farmacopeia americana utiliza a técnica de cromatografia
líquida de alta eficiência.
Os métodos eletroanalíticos apresentam baixo custo e fornecem bons limites de detecção. A determinação por
redução eletroquímica da SDZ em produtos farmacêuticos foi realizada sobre o eletrodo de carbono vítreo[3] e
apresentou um limite de detecção (LD) de 5,4 mmol L-1. Sobre o eletrodo de mercúrio, um LD de 4,9 mmol L-1foi
obtido[4].
Este trabalho tem como objetivo principal a aplicação de um EFBi, preparado através do método ex situ, para a
determinação da SDZ em fármacos, utilizando a redução eletroquimica sobre o eletrodo. Vale ressaltar que além do
método ser viável para análises de rotina em laboratório, o bismuto, tanto na forma de sais como na forma metálica,
apresenta toxicidade negligenciável, sendo considerado um elemento amigo do meio ambiente.

Procedimento Experimental

Todos os reagentes utilizados para o preparo das soluções foram de grau analítico, utilizando água destilada e
desionizada por um sistema Micro Química MQAMA301.
Um potenciostato/galvanostato EG&G PAR Modelo 263A foi empregado para as medidas voltamétricasem
conjunto com um sistema eletroquímico constituído por três eletrodos: eletrodo de carbono vítreo (ECV) ou EFBi
como eletrodo de trabalho, eletrodo de referência de Ag/AgCl saturado com KCle eletrodo auxiliar de fio de platina,
todos controlados pelo software M270.
Para a preparação do EFBi, o substrato de carbono vítreo (A = 0,031 cm2) foi imerso em uma solução de Bi(III) 3,0
mmol L-1 em HCl 1,0 mol L-1. A eletrodeposição do Bi metálico foi realizada através da aplicação de um potencial de
-0,8 V durante 100 s. Em seguida, o EFBi obtido foi transferido para uma célula eletroquímica com capacidade para
15 mLcontendo uma solução de eletrólito suporte tampão Britton-Robinson 0,05 mol L-1 (pH 4,5) e submetido a uma

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1752


etapa de condicionamento: aplicação de -2,0 V por 100 s. Após esta etapa, o EFBi apresentou resultados reprodutíveis
nos experimentos relacionados ao estudo eletroquímico e à determinação eletroanalítica da SDZ.

Resultados e Discussão

Soluções tampõesforam testadas como eletrólito suporte a fim de avaliar o meio mais adequadopara a determinação
catódica da SDZ sobre o EFBi. Foram registrados voltamogramas de pulso diferencial, obtidos pela aplicação de
potencial entre -0,5 e -1,0 V sobre o EFBi imerso em diferentes tampões, na ausência e na presença de SDZ. Na
ausência da droga, os voltamogramas não apresentaram nenhum pico de redução. Na presença de SDZ os resultados
indicaram que a SDZ é mais facilmente reduzida em tampão Britton-Robinson com pH 4,5, uma vez que a redução
ocorreu em potencial menos negativo e gerou maior densidade de corrente de pico catódica, em relação aos valores
obtidos nos outros meios analisados (Tabela 1).

Tabela 1: Influência do eletrólito suporte sobre os parâmetros de redução da SDZ.

Eletrólito suporte Densidade de corrente Potencial


0,05 mol L-1 de pico(mA cm-2) de pico(V)
Tampão fosfatopH 7,0 Não houve redução
Tampão B-R pH 7,0 -1,31 -0,74
Tampão B-R pH 4,5 -2,87 -0,74
Tampão acetato pH 4,5 -1,39 -0,81

AFigura 1Amostra que a redução da SDZ é dependente do pH do meio. Observa-se um aumento significativo na
densidade de corrente de pico a partir de pH 2,5, atingindo um valor máximo em pH 4,5. Acima deste valor de pH, a
redução da SDZ foi desfavorecida e entre pH 1,0 e 2,5 a SDZ não apresentou atividade eletroquímia. A B mostra que
a variação de pH promoveu um deslocamento do potencial de redução da SDZ para valores mais negativos na medida
em que o pH aumentou de 3,0 até 7,5, sugerindo o envolvimento de íons H+ no processo de redução. A intersecção
entre as duas retas obtidas, no pH 7,5, corresponde ao pKa do grupo sulfonamida (-SO2NH-), valor estesemelhante ao
encontrado na literatura (6,2) sobre eletrodo de mercúrio.

A) B)
Figura 1. Influência do pH sobre (A) a densidade de corrente catódica e (B) o potencial de redução da SDZ 0,3 mmol
L-1 em tampão B-R 0,05 mol L-1.

A Figura 2A mostra os voltamogramas de pulso diferencial referentes à curva analítica obtida para as concentrações
de SDZ entre 0 e 100 mmol L-1. Na figura inserida à Figura 2 observam-se duas faixas lineares: uma região linear entre
as concentrações 3,2 a 20,0 mmol L-1, com inclinação de 0,0508 µA L mol-1 cm-2 e coeficiente de correlação linear de
0,9949 e outra entre as concentrações 20,0 e 96,8mmol L-1, com inclinação de 0,0134 µA L mol-1 cm-2 e coeficiente
de correlação linear de 0,9951. A maior inclinação da primeira região linear indica que o EFBi responde com maior
sensibilidade nestas concentrações.
O método proposto foi aplicado na determinação de SDZ nas amostras comerciais Suladrin® e Sulfazina®utilizando
o método de adição de padrão. A figura 2B ilustra os dados obtidos para a amostra de Suladrin®. A análise realizada em
triplicata para cada amostra apresentou valor de desvio padrão menor que 2%, indicando a precisão do método. Estudos
de recuperação apresentaram valores de 94,4–109,3% para Suladrin® e de 93,6 a 108,5% para Sulfazina®. Estes dados
confirmaram os testes realizados para possíveis interferentes presentes na matriz,os quais indicaram que os excipientes

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1753


dos medicamentos não interferem na determinação da SDZ. Ademais, ambas as amostras foram analisadas usando o
método oficial titulação amperométrica. Os cálculos comparativos estão apresentados na Tabela 2.


A) B)

Figura 2:Voltamogramas de pulso diferencial para a sulfadiazina em tampão B-R 0,05 mol L-1 (pH 4,5) sobre o
EFBiem condições otimizadas. (A) (a) branco, (b) 3.20 µmol L−1, (c) 4.15 µmol L−1, (d) 6.07 µmol L−1, (e) 7.98 µmol
L−1, (f) 10.21 µmol L−1, (g) 20.03 µmol L−1, (h) 50.35 µmol L−1, (i) 78.05 µmol L−1 e (j) 97.00 µmol L−1. Inserção: curva
analítica. (B) Determinação de SDZ em amostra de Suladrin®. (a) branco, (b) amostra, (c) 4.28 µmol L−1, (d) 8.53
µmol L−1, (e) 12.74 µmol L−1 e (f) 16.96 µmol L−1.

Tabela 2. Determinação de SDZ em produtos farmacêuticos comerciais.

Suladrin® Sulfazina®
Método Oficial Proposto Oficial Proposto
Valor rotulado(mg) 500,00 500,00 500,00 500,00
Valor encontrado(mg)a 506,33 507,70 494,18 506,30
RSD(%) 0,86 1,92 0,51 1,24
Er1(%)b 1,42 1,74 -0,74 1,26
Er2(%)c - 0,32 - 2,01
tcalculadod 2,01 0,40 2,98 1,49
Fcalculadoe 7,0 7,0 0,44 0,44
a
n=3; bEr1 = erro relativo entre os métodos oficial e proposto e valores rotulados;cEr2 = erro relativo entre o método
proposto e o oficial; dtteórico = 4.30eFteórico = 19.

ConclusÕES

O EFBi mostrou excelente desempenhona determinação desulfadiazina em produtos farmacêuticos, demonstrada


pelas figuras de mérito obtidas, pelos dados de recuperação e pela comparação dos resultados com o método oficial
fornecido pela farmacopeia britânica. Os baixos limites de detecção indicam que o método desenvolvido poder ser
aplicado em análises traços e, além disso, o método apresentou excelente exatidão.

AgradeCimentos: CAPES, CNPq, PPGQ/UFSC.

Referências

[1] CAMPESTRINI, I.; BRAGA, O.C.; VIEIRA, I.C.; SPINELLI, A.; Application of bismuth-film electrode for
cathodicelectroanalytical determination of sulfadiazine, Electrochim.Acta 55: 5970-4975, 2010.
[2] HUTTON, E.A.; OGOREVC, B.; HOCEVAR, S.B.; WELDON, F.; SMYTH. M.R. and WANG, J.; “An introduction
to bismuth film electrode for use in cathodic electrochemical detection”,Electrochem. Commun. 3: 707–711,2001.
[3] BRAGA, O.C.; CAMPESTRINI, I.; VIEIRA, I.C.; SPINELLI, A.; Sulfadiazine determination in pharmaceuticals
by electrochemical reduction on a glassy carbon electrode, J. Braz. Chem. Soc.21: 813-820, 2010.
[4] GALEANO DIAZ, T.; GUILBERTEAU CABANILLAS, A,; ACEDO VALENZUELA, M.I.; SALINAS, F.;
Polarographic behavior of sulfadiazine, sulfamerazine, sulfamethazine and their mixtures. Use of partial least
squares in the resolution of the non-additive signals of these compounds, Analyst121: 547-552, 1996.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1754


ME44

DETERMINAÇÃO DE ALBENDAZOL EM PRODUTOS


FARMACÊUTICOS UTILIZANDO UM ELETRODO DE DIAMANTE
DOPADO COM BORO E VOLTAMETRIA DE PULSO DIFERENCIAL

Marina Baccarin (IC), Bruna C. Lourenção (PG), Roberta A. Medeiros (PG), Romeu C. Rocha-
Filho (PQ), Orlando Fatibello-Filho (PQ).

Departamento de Química – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos – SP.


marinabacc@gmail.com

RESUMO: Neste trabalho, utilizou-se a voltametria de pulso diferencial (DPV) para a determinação do anti-
helmíntico albendazol (ABZ) em produtos farmacêuticos usando uma solução de ácido sulfúrico 0,05 mol L–1 como
eletrólito suporte. Como eletrodo de trabalho empregou-se um eletrodo de diamante dopado com boro (BDD) pré-
tratado catodicamente. O ABZ apresentou corrente de pico anódica em potencial de 0,94 V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol
L–1), sendo que a curva analítica obtida foi linear no intervalo de 7,97 ´ 10-8 a 8,36 ´ 10-6 mol L–1, com um limite de
detecção de 1,35 ´ 10–8 mol L–1. Os desvios-padrão relativos intra-dia, obtidos para diferentes concentrações de ABZ
(2,92 ´ 10–7 e 4,76 ´ 10–6 mol L–1), foram de 4,98 % e 2,49%, respectivamente. Finalmente, este analito foi determinado
em formulações farmacêuticas pelo método da adição de padrão.
Palavras-chave: albendazol, anti-helmíntico, eletrodo de diamante dopado com boro, voltametria de pulso diferencial.

Introdução

O albendazol (ABZ) (5-metilpropiletil-2-carbonato de benzimidazol) é um composto químico pertencente à classe


dos benzimidazóis, sendo estes pertencentes ao grupo dos anti-helmínticos. Assim como os demais fármacos, o ABZ
tem função de vermicida, ovicida e larvicida [1]. Consequentemente, ele tem sido bastante aplicado em controle e
tratamento das helmintíases intestinais devido ao seu espectro de atividade, à facilidade do esquema posológico e à sua
baixa toxicidade e boa tolerância.
Apesar do ABZ apresentar baixa toxicidade, em altas concentrações ele pode tornar-se nocivo à saúde humana,
devendo, portanto, ser evitado, principalmente em crianças e gestantes. Alguns estudos têm mostrado que o ABZ,
quando ingerido por lactantes, pode afetar, por meio da amamentação, a saúde do bebê [2]. Assim, sua ingestão
é regulamentada no Brasil via ANVISA, que admite uma ingestão diária admissível (IDA) por unidade de massa
corpórea do indivíduo igual a 50 µg/kg [3].
O eletrodo de diamante dopado com boro possui um abrangente número de importantes propriedades eletroquímicas
distinguíveis das de outros eletrodos comumente usados, tais como carbono vítreo, grafite pirolítico e pasta de carbono.
Neste eletrodo, a reação de desprendimento de hidrogênio começa em –1,5 V e a reação de desprendimento de oxigênio
em 2,5 V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L–1) e a adsorção de moléculas polares é baixa; além disso, ele apresenta baixa e
estável corrente de fundo, dentre outras características[4,5].
Os procedimentos eletroquímicos relatados na literatura para a determinação de ABZ empregam como eletrodo de
trabalho um eletrodo de mercúrio [1] ou um eletrodo de carbono vítreo [6], com determinação direta ou indireta do
fármaco. Devido à toxicidade do mercúrio, há uma tendência mundial de substituir esse eletrodo por outros eletrodos,
apesar de que, se o pesquisador/analista trabalhar dentro das normas recomendáveis, não há nenhum inconveniente
em se trabalhar com o eletrodo de mercúrio. No caso do eletrodo de carbono vítreo, alguns problemas, como baixa
reprodutibilidade (devido à adsorção dos produtos) e baixo limite de detecção, têm sido descritos.
Desta maneira, tendo conseguido combinar as propriedades únicas do eletrodo de BDD com a sensibilidade
da voltametria diferencial de pulso (DPV), relata-se neste trabalho um método simples, rápido e sensível para a
determinação de ABZ em formulações farmacêuticas.

Procedimento Experimental

A célula eletroquímica utilizada foi uma célula convencional de compartimento único com orifícios para encaixe dos
três eletrodos utilizados. Como eletrodo de trabalho foi utilizado um eletrodo de BDD (CSM, Suíça – 8000 ppm) com
área de 0,56 cm2, como eletrodo auxiliar uma placa de platina e como eletrodo de referência foi utilizado o de Ag/AgCl
(KCl 3,0 mol L–1), contra o qual estão referidos todos os potenciais neste trabalho. As medidas voltamétricas foram
realizadas usando um potenciostato/ galvanostato Autolab PGSTAT12 (Eco Chemie) acoplado a um microcomputador
gerenciado pelo software GPES 4.9.
Uma solução estoque padrão de ABZ 1,0 x 10–2 mol L–1 foi preparada em HCl 1,0 mol L–1 e diluições apropriadas
foram feitas a partir dessa solução em H2SO4 0,05 mol L–1. Depois de preparadas, todas as soluções foram protegidas

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1755


da luz e armazenadas em geladeira a fim de evitar possível degradação do padrão. Para o estudo do efeito do eletrólito
suporte, foram estudadas diversas soluções, entre ácidos e tampões.
Para os estudos dos diferentes pré-tratamentos do eletrodo de BDD aplicou-se uma corrente de 0,5 A cm–2 por 60 s
(pré-tratamento anódico) e –0,5 A cm–2 por 360 s (pré-tratamento catódico). Assim, uma vez escolhido o eletrodo pré-
tratado catodicamente para os estudos posteriores, todos os dias era feito um tratamento anódico (apenas 30 s) com o
objetivo de limpar a superfície do eletrodo e, após este tratamento, um tratamento catódico (por 180 s) para obter uma
superfície eletródica preferencialmente com terminações de hidrogênio.
Em seguida, otimizou-se os parâmetros experimentais para o uso das técnicas de voltametria de onda quadrada
(SWV) e DPV. Assim, foram obtidas as curvas analíticas empregando essas duas técnicas com os parâmetros otimizados
encontrados em estudo anterior. Alíquotas de uma solução estoque de ABZ foram adicionadas à célula eletroquímica
contendo 10 mL de eletrólito suporte (H2SO4 0,05 mol L–1). O limite de detecção foi calculado como sendo igual a três
vezes o desvio do branco (n = 10) dividido pelo coeficiente angular da curva analítica.
Realizou-se estudos de repetibilidade intra-dia para diferentes concentrações de ABZ (2,92 ´ 10–7 e 4,76 ´ 10–6 mol
L–1) por meio de 10 medidas sucessivas.
Amostras na forma de comprimido, contendo ABZ, foram adquiridas no comércio local. Os comprimidos de cada
formulação farmacêutica foram cuidadosamente macerados e pesados e o método de adição de padrão foi utilizado
para a determinação das amostras farmacêuticas.

Resultados e Discussão

Inicialmente, investigou-se o efeito dos pré-tratamentos anódico e catódico do eletrodo de BDD sobre a resposta
analítica obtida para uma solução de ABZ 1,0 x 10–4 mol L–1 em H2SO4 0,5 mol L–1. A Figura 1 apresenta os
voltamogramas obtidos neste estudo. Como pode ser observado, o tratamento catódico foi aquele que proporcionou
um menor potencial de pico de oxidação (pico anódico), uma maior intensidade de corrente e uma maior resolução;
portanto, esse tratamento foi selecionado para os estudos posteriores.

anódico
16 catódico

12
I/mA

0
0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3
E/V vs Ag/AgCl

Figura 1: Voltamogramas de onda quadrada obtidos para o ABZ 1,0 x 10–4 mol L–1 em H2SO4 0,05 mol L–1 empregando-
se o eletrodo de BDD e pré-tratamentos anódico e catódico (indicados na figura).

Uma solução de ácido sulfúrico 0,05 mol L–1 foi selecionada como eletrólito suporte para os estudos posteriores
por proporcionar uma melhor definição do pico de oxidação do analito e maior intensidade de corrente. Em seguida,
utilizando-se voltametria cíclica, observou-se que o ABZ em ácido sulfúrico 0,05 mol L-1 apresentou três picos de
oxidação em uma janela de potencial entre 0,5 V e 2,0 V. Selecionou-se o primeiro pico (0,94 V) para a quantificação
do ABZ, por apresentar um menor potencial de oxidação, reduzindo assim a possibilidade de interferentes eletroativos.
Após os estudos iniciais, foram otimizados os melhores parâmetros e condições para a determinação do ABZ.
Utilizou-se as técnicas SWV e DPV e determinou-se as respectivas curvas analíticas (Figura 2). As linearidades
das curvas analíticas obtidas empregando-se as duas técnicas foram similares, mas quando empregou-se DPV o
voltamograma de oxidação do ABZ foi menos alargado (mais estreito), o limite de detecção foi menor e a sensibilidade
do método foi maior; assim, a DPV foi selecionada para os estudos posteriores.
Utilizando-se a DPV os registros dos valores de corrente de pico anódico geraram uma relação linear com a
concentração de ABZ no intervalo de 7,97 x 10–8 a 8,36 x 10–6 mol L-1 representada pela equação (Ipc /mA) = 0,433 x
10–8 + 0,960 [Albendazol]/mmol L–1, com um coeficiente de correlação de 0,9993 e um limite de detecção de 1,35 x 10–8
mol L–1. A repetibilidade intra-dia apresentou desvios-padrão relativos para as diferentes concentrações de ABZ (2,92
´ 10–7 e 4,76 ´ 10–6 mol L–1) de 4,98 % e 2,49 %, respectivamente.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1756


32 8 8
(A)
27
(B) 6

24 6 4

I/ mA
18
I/ mA 2
9

16 4 0

I/mA
0
I/mA

13
0 20 40 60 80 100

0 10 20 30 40 [ABZ]/10-7mol/L
[ABZ]/10-7mol/L 13
8 2
1
1 0
0

0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1


0,6 0,8 1,0 1,2
E / V vs Ag/AgCl
E / V vs Ag/AgCl

Figura 2: (A) Voltamograma de pulso diferencial (DPV) para o ABZ em diferentes concentrações (1 – branco e 2 a
13 – concentrações de 7,97 x 10–8 mol L–1 a 8,36 x 10–6 mol L–1) em ácido sulfúrico 0,05 mol L–1 (t = 7 ms , a = 5 mV e
v = 20 mV s–1); a figura inserida corresponde à curva analítica para ABZ. (B) Voltamograma de onda quadrada (SWV)
para ABZ em diferentes concentrações (1 – branco e 2 a 13 – concentrações de 2,00 x 10–7 mol L–1 a 3,61 x 10–5 mol
L–1) em ácido sulfúrico 0,05 mol L–1 (ƒ = 130 Hz, a = 50 mV e ΔEs = 4 mV); as figuras inserida corresponde à curva
analítica para ABZ.

Em seqüência aos estudos, o método de adição de padrão foi utilizado para analisar amostras farmacêuticas
comerciais contendo o ABZ e os resultados obtidos estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1: Teores de ABZ obtidos empregando-se o método voltamétrico proposto (DPV)

Teor (mg/comprimido)
Amostra Rotulado Métodoa proposto Errob(%)
A 400 398 ± 8 –0,5
B 400 422± 47 5,5
C 400 424 ± 50 6,0
a
n = 3.
b
Erro relativo (%) = 100 × (valor voltamétrico− valor rotulado) / valor rotulado.

ConclusÕES

A utilização do eletrodo de BDD pré-tratado catodicamente combinado com a técnica de DPV pode ser usada
para a determinação de ABZ em produtos farmacêuticos. O método mostrou-se simples, sensível e de baixo custo
instrumental, além de apresentar limite de detecção inferior ao reportado na literatura utilizando eletrodo de carbono
vítreo [6] e ainda ter a vantagem de não apresentar problemas de adsorção.

AGRADECIMENTOS: Os autores agradecem à FAPESP, CAPES, CNPq e Sesu/MEC pelas bolsas e suporte
financeiro.

Referências

[1] ABU ZUHRI, A. Z.; HUSSEIN, A. I.; MUSMAR, M.; YAISH, S. “Adsorptive stripping voltammetric determination of albendazole at a hanging
mercury drop electrode”. Analytical Letters, 32: 2965-2975, 1999.
[2] ABDEL-TAWAB, A. M.; BRADLEY, M.; GHAZALY, E, A.; HORTON, J.; EL-SETOUHY M. “Albendazole and its metabolites in the breast
milk of lactating women following a single oral dose of a albendazole”. British Journal of Clinical Pharmacology, 68: 737-742, 2009.
[3] http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/Normas/normas_web/Resoluciones/PT/Res_054_000_RTM%20
Res%C3%ADduos%20Medic%20Veterin%C3%A1rios_Ata%203_00.PDF
[4] HUPERT M.; MUCK A.; WANG J.; STOTTER J.; CVAKOVA Z.; HAYMOND S.; SHOW Y.; SWAIN G. M. “Conductive diamond thin-films
in electrochemistry”. Diamond and Related Materials, 12: 1940-1949, 2003.
[5] MENDES DE BARROS, R. C.; RIBEIRO, M. C.; AN-SUMODJO, P. T.; JULIÃO, M. S. S.; SERRANO, S. H. P. “Filmes de diamante CVD
dopado com boro. Parte I. Histórico, produção e caracterização”. Química Nova, 28: 317-325, 2005.
[6] DE OLIVEIRA, M. F.; STRADIOTTO, N. R. “Voltammetric assay of albendazole in pharmaceutical dosage forms”. Analytical Letters, 34:
377-387, 2001.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1757


ME45

DETERMINAÇÃO ELETROQUÍMICA DE FENÓIS APÓS PROCESSO


DE DEGRADAÇÃO DE BENZENO USANDO SENSOR À BASE DE
NANOTUBOS DE CARBONO-FTALOCIANINA DE COBALTO

Deodato P. Santos, Ivana Cesarino, Fernando C. Moraes, Sergio A.S. Machado

Instituto de Química de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos – SP – Brasil.
deodato@iqsc.usp.br

RESUMO: Eletrodos de carbono vítreo (GC) modificados com filme de nanotubos de carbono de parede múltipla
(MWCNT) e ftalocianina de cobalto (CoPc) foram desenvolvidos para análise de compostos fenólicos provenientes
da degradação eletroquímica do benzeno. Utilizando a técnica de voltametria de onda quadrada (SWV), o eletrodo
de GC/MWCNT/CoPc foi utilizado para determinação eletroquímica dos seguintes fenóis: hidroquinona, resorcinol,
p-benzoquinona, catecol e fenol. As figuras de mérito demonstram que o sensor proposto apresentou limites de detecção
na seguinte ordem crescente: catecol, resorcinol, p-benzoquinona, fenol e hidroquinona. O sensor mostrou-se viável
para determinar esses compostos fenólicos após processo de degradação do benzeno.
Palavras-chave: Ftalocianina de cobalto, Nanotubos de Carbono, Benzeno, Fenóis.

Introdução

Episódios de contaminação envolvendo hidrocarbonetos de petróleo são relatados com bastante frequência,
principalmente em função dos acidentes envolvendo transporte e estocagem de combustíveis. Nos Estados Unidos, por
exemplo, estima-se que 35% dos tanques de armazenamento subterrâneo de gasolina e diesel apresentam problemas
de vazamento, o que irremediavelmente resulta na contaminação de solos e águas subterrâneas [1]. No Brasil, o
problema da contaminação de águas subterrâneas é recente e se torna importante, pois os dados estatísticos apontam
para uma demanda crescente deste tipo de água para abastecimento. Portanto, não é de estranhar o grande número de
obras disponíveis, relacionadas com a remediação de águas subterrâneas [2-5]. Porém, na maioria dos processos de
remediação de águas subterrâneas, contaminadas com benzeno, descritas na literatura, o benzeno não é degradado
totalmente. Em alguns casos, pode ocorrer a formação de subprodutos muito mais tóxicos, como por exemplo, fenóis.
Segundo Oliveira et al. [6] cinco diferentes subprodutos foram formados após eletrólise do benzeno em +2,4 V vs.
Ag/AgCl, utilizando um eletrodo de diamante dopado com boro (BDD) e estes subprodutos foram identificados como
os seguintes compostos fenólicos: hidroquinona, resorcinol, p-benzoquinona, catecol e fenol. A formação de fenol
também foi observada em outros trabalhos descritos na literatura, utilizando outros substratos [7-9]. Os compostos
fenólicos são considerados, entre os resíduos orgânicos, os de maior potencial poluidor, devido suas características
ácida, tóxica e bactericida. A contaminação de água destinada ao consumo por compostos fenólicos, à concentração
de 1,0 µg/L, além de acarretar problemas de gosto e odor, pode causar sérios danos à saúde humana e levar à morte
[10]. Portanto, não só a remediação de águas subterrâneas contendo benzeno é importante como também o estudo dos
subprodutos formados na sua degradação.
Os nanotubos de carbono (CNTs) atendem as principais características de um material, para o desenvolvimento
de sensores eletroquímicos, que podem ser descritas como: alta velocidade na transferência de elétrons, alta área
superficial e a presença de grupos funcionais que fazem com que os sensores baseados em CNTs sejam atrativos
para serem modificados com diversos tipos de espécies. Os complexos metálicos do tipo azo-macrocíclico, como as
ftalocianinas de Co(II), Cu(II) e Mn(II) e outras ftalocianinas de metais de transição (MPc) são reconhecida por sua
excelente atividade eletrocatalítica em muitas reações, onde estas são altamente dependentes do átomo metálico central
[11]. Foi observado que o sistema MPc-CNTs possuem efeito sinérgico, que somam o alto poder mediador e catalítico
das ftalocianinas sem perder nenhuma das propriedades eletrônicas dos nanotubos de carbono.
Considerando o que foi descrito acima, o objetivo deste trabalho é a análise dos fenóis formados a partir da
degradação do benzeno utilizando eletrodos de carbono vítreo (GC) modificado com nanotubos de carbono de parede
múltipla (MWCNT) e ftalocianina de cobalto (CoPc). Para isso, as figuras de mérito foram construídas utilizando a
técnica de SWV e o eletrodo GC/CoPc-MWCNT para os seguintes compostos fenólicos: hidroquinona, resorcinol,
p-benzoquinona, catecol e fenol.

Procedimento Experimental

Instrumentação e métodos.
Experimentos de voltametria cíclica (CV) e voltametria de onda quadrada (SWV) foram realizados utilizando
um sistema eletroquímico Autolab PGSTAT 30 (Eco Chemie, Utrecht, Holanda), equipado com o software GPES
(Eco Chemie, Utrecht, Holanda). A célula eletroquímica foi montada em um formato convencional composta por

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1758


três eletrodos: eletrodos GC modificados com MWCNT/CoPc como eletrodo de trabalho, eletrodo de Ag/AgCl/KCl
(3,0 mol L-1) como referência e uma placa de Pt como eletrodo auxiliar. Todos os experimentos foram realizados à
temperatura controlada (25 ± 1 oC). As medidas de SWV foram realizadas com frequência de 10 Hz, amplitude de
pulso de 100 mV, incremento de potencial de 2 mV, ao longo de um intervalo relevante potencial, em solução tampão
acetato 0,2 mol L-1 pH 5,3.
Produtos químicos e soluções.
Todas as soluções foram preparadas com água purificada em sistema Milli-Q Millipore (resistividade ≥ 18 M 
cm). Benzeno e CoPc foram adquiridos da Sigma-Aldrich.
Os nanotubos de carbono de paredes múltiplas foram funcionalizados a partir de uma mistura constituída de 100 mg
de MWCNT (90% pureza, Sigma-Aldrich, Germany) com 500 mL de solução 1:3 HNO3/H2SO4. A mistura foi agitada
por 12 horas, filtrada através de um filtro de membrana 0,45 m Millipore Nylon. Os MWCNT resultantes foram
continuamente lavados com água ultrapura e secos em estufa a vácuo por 12 horas a 70 °C.
Preparação dos eletrodos GC modificados.
Suspensões em meio etanólico contendo MWCNT/CoPc na proporção 1:1 e 0,5% de Nafion® foram preparadas
e submetidas a 30 minutos de banho ultrassônico. Após esta etapa de homogeneização, 10 L desta suspensão foi
gotejada na superfície do eletrodo GC, previamente polido com suspensão de alumina 0,05 M e sonicado 5 minutos
em álcool e 5 minutos em água.

Resultados e Discussão

A caracterização eletroquímica do eletrodo GC/MWCNT/CoPc foi realizada por voltametria cíclica


em solução H2SO4 0,5 mol L-1 na ausência e presença de 5,0 mmol L-1 de benzeno, como pode
ser visto na Figura 1. No intervalo de 0,0 a +2,0 V nenhum processo redox, para o eletrodo GC/
MWCNT/CoPc, foi observado na ausência de benzeno (linha azul). Entretanto quando o benzeno
é adicionado na solução foi observado um processo de oxidação do benzeno em +1,85 V e um
processo de redução em +0,15 V correspondente aos subprodutos do benzeno gerados através da
reação com radicais hidroxila (*OH) produzido a partir da eletrólise da água sobre o eletrodo GC/
MWCNT/CoPc. A partir do segundo ciclo (linha preta) é possível observar o surgimento de um
processo em +0,60 V, atribuído aos subprodutos do benzeno que foram previamente reduzidos
e também se observa a diminuição do pico do benzeno em +1,85 V. Após subsequentes ciclos
(linha preta) as correntes de pico anódica do benzeno foram diminuindo e as correntes de pico dos
compostos fenólicos formados a partir da degradação eletroquímica do benzeno foram aumentando.

1.2 0.02

0.00
0.9
I / mA

-0.02

0.6
I / mA

-0.04

-0.06
0.3 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8
E / mV vs. Ag/AgCl

0.0

0.0 0.5 1.0 1.5 2.0


E / mV vs. Ag/AgCl

Figura 1: Voltamogramas cíclicos realizados em solução H2SO4 0,5 mol L-1 na ausência (▬) e
presença (▬) de 5,0 mmol L-1 de benzeno e após quatro voltamogramas cíclicos (▬) utilizando o
eletrodo GC/MWCNT/CoPc.

Os processos de oxidação e redução observados a partir do segundo ciclo em solução H2SO4 0,5 mol
L-1 contendo benzeno, de acordo com Oliveira et al. [6] são atribuídos a hidroquinona, resorcinol,
p-benzoquinona, catecol e fenol. Esses cinco fenóis foram analisados, separadamente, por SWV
utilizando o eletrodo GC/MWCNT/CoPc para avaliar o desempenho do eletrodo proposto para

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1759


cada um dos fenóis. Para isso, os parâmetros da técnica foram otimizados e os melhores resultados
obtidos para os cinco fenóis foram com as seguintes condições: frequência de 10 Hz, amplitude de
pulso de 100 mV, incremento de potencial de 2 mV, potencial e tempo de pré-tratamento -1,0 V por
20 s, em solução tampão acetato 0,2 mol L-1 pH 5,3. Curvas de calibração para cada um dos cinco
fenóis também foram realizadas e as figuras de mérito são apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1. Figuras de mérito para os cinco fenóis usando o eletrodo gc/copc-MWcnt.


Hidroquinona Resorcinol p-Benzoquinona Catecol Fenol
Região Linear (µmol L )
-1
2,08-13,8 0,99-8,3 1,99-13,5 0,99-8,3 1,13-6,47
Slope (µA/µmol L-1) 36.101 17.154 110.209 71.384 8.149
Intercepto (µA) 0,07 0,01 0,23 0,02 0,03
Coeficiente de Correlação 0,999 0,997 0,999 0,998 0,992
Limite de Detecção (µmol L-1) 4,54 1,63 1,78 0,14 4,19

Observa-se que existem algumas diferenças nas regiões lineares e limites de detecção para cada
composto fenólico estudado e que o eletrodo GC/MWCNT/CoPc apresentou menores limites de
detecção para o catecol, resorcinol e p-benzoquinona podendo analisar predominantemente esses
compostos fenólicos a partir da eletro-oxidação do benzeno.

ConclusÕES
A caracterização eletroquímica mostrou que compostos fenólicos são formados após degradação
eletroquímica do benzeno e o eletrodo GC/CoPc-MWCNT desenvolvido mostrou-se promissor
para determinação desses fenóis.

AgradeCimentos: fapesp (Processos no 2010/11567-3 e 2010/11049-2) e CNPq.

Referências

[1] Lee K.Y., “Phase partitioning modeling of ethanol, isopropanol, and methanol with BTEX compounds in water”
Environ. Pollut. 154: 320–329, 2008.
[2] Al-Maamari R.S., Hirayama A., Sueyoshi M.N., Abdalla O.A.E., Al-Bemani A.S., Islam M.R., “The Application
of Air-sparging, Soil Vapor Extraction and Pump and Treat for Remediation of a Diesel-contaminated Fractured
Formation” Energy Sources, Part A 31:911–922, 2009.
[3] Yeh C-H., Lin C-W., Wu C-H., “A permeable reactive barrier for the bioremediation of BTEX-contaminated
groundwater: Microbial community distribution and removal efficiencies” J. Hazardous Mater. 178: 74–80, 2010.
[4] Jechalke S., Vogt C., Reiche N., Franchini A.G., Borsdorf H., Neu T.R., Richnowa H. H., “Aerated treatment pond
technology with biofilm promoting mats for the bioremediation of benzene, MTBE and ammonium contaminated
groundwater” Water Research 44: 1785–1796, 2010.
[5] Lin C-W., Chen L-H., I Y-P., Lai C-Y., “Microbial communities and biodegradation in lab-scale BTEX-contaminated
groundwater remediation using an oxygen-releasing reactive barrier” Bioprocess Biosyst Eng 33:383–391, 2010.
[6] Oliveira R.T.S., Salazar-Banda G.R., Santos M.C., Calegaro M.L.D., Miwa W., Machado S.A.S., Avaca L.A.,
“Electrochemical oxidation of benzene on boron-doped diamond electrodes” Chemosphere 66: 2152–2158, 2007.
[7] Farmer J.C., Wang F.T., Hawley-Fedder R.A., Lewis P.R., Summers L.J., Foiles L., “Electrochemical treatment of
mixed and hazardous wastes-oxidation of ethylene-glycol and benzene by silver (II)” J. Electrochem. Soc. 139:
654–662, 1992.
[8] Yamanaka I., Akimoto T., Otsuka K., “Gas-phase oxidation of benzene to phenol and hydroquinone by using an
H2-O2 fuel-cell system” Electrochim. Acta 39: 2545–2549, 1994.
[9] Nasr B., Abdellatif G., Canizares P., Saez C., Lobato J., Rodrigo M.A., “Electrochemical oxidation of hydroquinone,
resorcinol, and catechol on boron-doped diamond anodes” Environ. Sci. Techol. 39: 7234–7239, 2005.
[10] Rao J.R., “Biosorption of phenol from an aqueous solution by Aspergillus niger biomass” Bioresour Tech-nol. 85:
165–171, 2002.
[11] Zagal J., Sem R.K., Yeager E., “Oxygen reduction by co(II) tetrasulfonatephthalocyanine irreversibily adsorbed
on a stress-annealed pyrolytic-graphite electrode surface” J. Electroanal. Chem. 83: 207–213, 1977.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1760


ME46

DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE HIDRAZINA ATRAVÉS DE


SÍLICA MODIFICADA COM PENTACIANOFERRATO DE COBALTO

Bicalho, U.O.1, Sá, A.C.1, Cumba, L.R.1, Do Carmo, D.R.1 e Silvestrini, D.R.1

1
Departamento de Física e Química da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira - UNESP, Ilha
Solteira - SP – Brasil. docarmo@dfq.feis.unesp.br

RESUMO: O Pentacianoferrato de cobalto foi preparado na superfície da sílica (SiCoNP). O Voltamograma do eletrodo
de pasta de grafite modificada com SiCoNP apresentou dois pares redox distintos com os seguintes potenciais médios
(Em); (Em)1 = 0,29 V e (Em)2 = 0,56 V vs Ag/AgCl, KCl(sat) (1,00 mol L-1 Na2SO4; v = 20 mV s-1). O eletrodo modificado
contendo SiCoNP apresentou sensibilidade a concentrações de hidrazina. A curva analítica construída exibiu duas
regiões lineares distintas, apresentando uma resposta eletrocatalítica para a hidrazina, na faixa de concentração
de 0,50x10-5 à 3,90x10-3 mol L-1 de Hidrazina. Para a primeira região o método apresentou um limite de detecção de
2,38x10-4 mol L-1 e a sensibilidade amperométrica foi de 1,37x10-6 A/mol L-1. Já para a segunda região apresentou um
limite de detecção de 1,51x10-3 mol L-1 e a sensibilidade amperométrica de 2,53x10-5 A/mol L-1.
Palavras-chave: Sílica, Pentacianoferrato de Cobalto,voltametria, Hidrazina.

Introdução

A sílica gel (SiO2) está entre os adsorventes inorgânicos mais empregados como suporte, é um polímero inorgânico,
de grande área superficial, não-cristalino, resistente, poroso e formado de partículas irregulares.
O Pentacianoferrato [Fe(CN)5NO]2-(NP), foi escolhido neste trabalho devido não somente às propriedades
físico-químicas do grupo nitrosil coordenado o qual reage com vários compostos orgânicos e inorgânicos formando
precipitados coloridos, mas também a sua importante função biológica como fonte viva de oxido nítrico [1]. O NP
pode ser empregado também na formação de complexos binucleares de metais de transição Fe(II) [2], Cu(II) [3]. Estes
compostos podem formar filmes homogêneos não somente sobre a superfície de eletrodos metálicos, mas também em
eletrodos quimicamente modificados, e serem aplicados na detecção de espécies de interesse biológico, como ácido
ascórbico, n-acetilcísteína, hidrazina entre outras [2]. Atualmente, os eletrodos quimicamente modificados têm recebido
grande atenção devido a suas potencialidades em aplicações eletroanalíticas. O objetivo deste trabalho foi preparar o
pentacianoferrato de cobalto na superfície da 3-aminopropil sílica gel, e determinar a Hidrazina, empregando para isto
um eletrodo de pasta de grafite, ao invés de filmes de pentacianoferrato de metais de transição, já que a preparação
de filmes sobre eletrodos sólidos não é uma tarefa fácil devido à pequena estabilidade eletroquímica do mesmo e os
resultados obtidos são irreprodutíveis [2].

Procedimento Experimental

A síntese do material foi feita como segue: Adicionou-se 2,00 g de 3-aminopropil sílica (Si), em 25,00 mL de uma
solução 1,00 mol L-1 de íons de cobalto. Agitou-se a mistura por 40 minutos e a fase sólida foi separa por um filtro de
placa sinterizada e lavada com bastante água bidestilada, em seguida adicionou-se o SiCo em uma solução de 25,00
mL de pentacianoferrato de sódio (NP) 1,00 mol L-1. Agitou-se por 1 hora, e repetiu o procedimento supramencionado.
O material preparado foi descrito como SiCoNP. Todos os reagentes utilizados foram de pureza analítica (p.a Merk,
Sigma-Aldrich), sendo a água deionizada obtida em um sistema MILLI-Q. Para as medidas de voltametria cíclica
empregou-se um potenciostato MQPG-01 da Microquímica. O sistema eletroquímico empregado foi constituído de
três eletrodos: o eletrodo auxiliar de platina, o eletrodo de referência Ag/AgCl, KCl(sat) e o eletrodo de trabalho de pasta
de grafite modificado com SiCoNP, preparado misturando SiCoNP com de grafite em pó (40% m/m) (Aldrich) e 50,00
μL de óleo mineral. As soluções de Hidrazina foram preparadas previamente ao uso. Na maioria dos experimentos
empregou-se como eletrólito de suporte uma solução de Na2SO4 1,00 M (pH 7,00) sendo que para os estudos sobre a
influência do pH ( 2,00 à 8,00) empregou-se soluções de Na2SO4. A corrente catalítica foi estimada pela diferença entre
a corrente medida na presença de Hidrazina e aquela estabelecida na sua ausência.

Resultados e Discussão

Após um rigoroso estudo sobre a influência dos diferentes eletrólitos de suporte, concentração dos mesmos pH, e
velocidade de varredura na performance voltamétrica, encontrou-se que as melhores condições para o sistema SiCoNP
(40% m/m) foi: 1,00 mol L-1 Na2SO4; v = 20 mV s-1, pH =7,00. O Voltamograma cíclico do eletrodo de pasta de grafite
modificada com SiCoNP ilustrado pela Figura 1 (b) apresentou dois pares redox distintos com os seguintes potenciais
médios (Em); (Em)1 = 0,29 V e (Em)2 = 0,56 V vs Ag/AgCl, KCl(sat) (1,00 mol L-1 Na2SO4; v = 20 mV s-1). O primeiro (I)
foi atribuído ao processo redox do par Co(II)/Co(III) e o segundo (II) ao processo redox Fe(II)(CN)5NO / Fe(III)(CN)5NO [4].

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1761


Conforme ilustra a Figura 1, o eletrodo de pasta de grafite não apresentou qualquer eletroatividade na escala de
potencial entre -0,10 e 0,90 V tanto na ausência como na presença de hidrazina (curvas a, c respectivamente). Após a
adição de diferentes concentrações de hidrazina (d), observou-se um aumento na intensidade da corrente anódica para
os dois pares redox e este aumento foi proporcional ao aumento da concentração de hidrazina , possibilitando construir
uma curva analítica, ilustrado pela Figura 2.
Obteve-se duas regiões lineares distintas. A primeira vai de 0,50×10-3 mol L-1 a 3,90×10-3 mol L-1 e a segunda vai de
4,80×10-3 mol L-1 a 7,50×10-3 mol L-1. O desvio observado para as duas faixas de concentração foi atribuído a liberação
de N2 na superfície do eletrodo, produto da oxidação da N2H5+ [5], sendo que este em elevada concentração interfere no
processo difusional na interface eletródica.
A resposta linear da primeira região apresentou uma equação correspondente I(μA) = 1,79 + 1.372 [Hidrazina]
com um coeficiente de correlação de r = 0.99. O método apresenta um limite de detecção de 2,38×10-4 mol L-1 e a
sensibilidade amperométrica foi de 1,37×10-6 A / mol L-1.
Já para a segunda região apresentou uma equação correspondente de I(μA) = 7,03 + 253,30 [Hidrazina] com um
coeficiente de correlação de r = 0,94. O sistema apresenta um limite de detecção de 1,51×10-3 mol L-1 e a sensibilidade
amperométrica de 2,53×10-5 A / mol L-1 para hidrazina. A Tabela 1 lista os principais resultados.

Tabela 1: Parâmetros da curva de calibração para a determinação de Hidrazina.


Pico Faixa linear C. C. (r) L. D. mol L-1 S. A. A / mol L-1 E. C.
1 5,00×10-4 – 3,90 × 10-3 0.99 2,38×10-4 1,37×10-6 ± 0,04 I(μA) = 1,79 + 1.372 [Hidrazina]
2 4,80×10-3 – 7,50 × 10-3 0.94 1,51×10-3 2,53×10-5 ±0,05 I(μA) = 7,03 + 253,30 [Hidrazina]
C.C. = Coeficiente de Correlação; L.D. = Limite de Detecção; S. A. = Sensibilidade Amperométrica;
E.C. = Equação de curva analítica; D.P. = Desvio Padrão; n=3.

15.0

10.0 d

5.0 b
c
I / mA

0.0 a

-5.0

-10.0

0.0 0.2 0.4 0.6 0.8


E / V vs Ag/AgCl

Figura 1. Voltamogramas cíclicos de: a) eletrodo de pasta de grafite; b) eletrodo de pasta de grafite modificada com
SiCoNP c) eletrodo de pasta de grafite com 9,00×10-3 mol L -1 hidrazina; d) pasta de grafite modificada com SiCoNP em
9,00×10-3 mol L-1 hidrazina (1,00 mol L-1 Na2SO4 ; v = 20 mV s-1).

9.0

8.0

7.0

6.0
Ipa / mA

5.0

4.0

3.0

2.0

0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 7.0 8.0


HIDRAZINA / mmol L-1
Figura 2. Curva analítica para determinação de hidrazina empregando o elétrodo de pasta de grafite modificado com
SiCoNP (40% m/m) (Na2SO4 1,00 mol L-1, pH 7,00; v = 20 mV s-1).

ConclusÕES

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1762


O Voltamograma do eletrodo de pasta de grafite modificada com SiCoNP apresentou dois pares redox distintos com
os seguintes potenciais médios (Em); (Em)1 = 0,29 V e (Em)2 = 0,56 V vs Ag/AgCl, KCl(sat) (1,00 mol L-1 Na2SO4; v = 20
mVs-1).O sistema SiCoNP exibiu uma sensibilidade para hidrazina em duas faixas de concentrações. A primeira faixa
apresentou um limite de detecção de 2,38×10-4 mol L-1 e sensibilidade amperométrica de 1,37×10-6 A / mol L-1. Já para
a segunda faixa apresentou um limite de detecção de 1,51×10-3 mol L-1 e sensibilidade amperiométrica de 2,53×10-5 A
/ mol L-1 para hidrazina. Desta forma SiCoNP poderá ser utilizada em estudos futuros, nas determinações de hidrazina
em amostras reais tais como águas de caldeiras além da possibilidade de seu uso no monitoramento ambiental.

Referências

[1] Carapuça, H.M.; Filipe, O.M.S.; Simão, J.E.J.; Fogg, A.G. Electrochemical studies of nitroprusside in the presence
of copper(II): formation of Cu(I) reduced nitroprusside species. Journal of Electroanalytical Chemistry, Lausanne,
480, 84 – 93, 2000.
[2] Carmo, D. R. Do; Silva, R. M. Da; Stradiotto, N. R.; Electrochemical behaviour of copper nitroprusside generated
in situ onto the graphite paste electrode surface, and its application in determination of n-acetylcysteine. Portugaliae
Electrochimica Acta, 23, (4), 457-470, 2005.
[3] Sá, A. C.; Carmo, D. R. Do . Voltammetric Behavior of a modified silica with copper nitroprusside. In: Voltammetric
Behavior of a modified silica with copper nitroprusside, 2008, Foz do Iguaçu. Book of Abstracts: Electrochemistry
for a Healthy Planet, 2008.
[4] Pournaghi-Azar, M. H.; Sabzi, R.; Electrochemical characteristics of a cobalt pentacyanonitrosylferrate film
on a modified glassy carbon electrode and its catalytic effect on the electrooxidation of hydrazine. Journal of
Electroanalytical Chemistry, Amsterdam, 543, 115-125, 2003.
[5] Razmi-Nerbin, H.; Pournaghi-Azar, M. H., Nickel pentacyanonitrosylferrate film modified aluminum electrode for
elestrocatalytic oxidation of hidrazine. Journal Solid State Electrochem, 6, 126–133, 2002.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1763


ME47

DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE IVERMECTINA EM


FÁRMACOS VETERINÁRIOS UTILIZANDO UM ELETRODO DE
DIAMANTE DOPADO COM BORO

Bruna Claudia Lourenção (PG), Roberta Antigo Medeiros (PG), Romeu C. Rocha-Filho (PQ) e
Orlando Fatibello-Filho (PQ)

Departamento de Química – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos – SP, Brasil.
brunadq@ufscar.br

RESUMO: Neste trabalho estudou–se o comportamento voltamétrico da oxidação do anti-helmíntico ivermectina


(IVM), utilizando voltametria de onda quadrada, um anodo de diamante dopado com boro pré-tratado catodicamente
e solução de ácido sulfúrico 0,5 mol L–1 (30% etanol v/v) como eletrólito suporte. O voltamograma de onda quadrada
obtido para a IVM apresentou um pico de oxidação em 1,35 V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L–1). Obteve–se uma curva
analítica linear no intervalo de concentração de 1,99 a 132 µmol L–1, com um limite de detecção de 1,32 µmol L–1. Os
desvios-padrão relativos intra-dias obtidos para diferentes concentrações de IVM (4,95, 23,8 e 71,2 µmol L–1) foram
de 2,09 %, 2,34 % e 3,03 %, respectivamente. O método proposto foi aplicado com sucesso na determinação deste
analito em formulações farmacêuticas.
Palavras–Chaves: ivermectina, anti-helmíntico, eletrodo de diamante dopado com boro, voltametria de onda quadrada.

Introdução

Anti-helmínticos são drogas que agem localmente para expelir os vermes do trato gastrintestinal ou frequentemente
para erradicar helmintos adultos ou formas de desenvolvimento que invadem órgãos e tecidos. Estas drogas são
amplamente utilizadas, tanto no tratamento de seres humanos quanto em medicina veterinária [1].
A ivermectina (IVM) é uma dessas drogas utilizada em vários países para o tratamento e controle de parasitas em
cavalos, coelhos, bovinos, ovelhas e cachorros, entre outros. Há também relatos de sua utilização em seres humanos.
A ivermectina é uma mistura de pelo menos 80% da avermectina B1A e de no máximo 20% da avermectina A1B [2].
A IVM não deve ser usada por gestantes, pois estudos em cobaias mostraram potencial teratogênico e neurotóxico;
também deve ser evitado seu uso por crianças menores de cinco anos e por mulheres que estejam amamentando [3].
Assim, a administração desta droga deve ser realizada de forma bastante segura e controlada. Para evitar problemas
de resíduos e de saúde, no Brasil, via a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), são estabelecidos limites
máximos de resíduos (LMR) e valores máximos de ingestão diária aceitáveis para os anti-helmínticos. A ingestão
diária aceitável (IDA) é a quantidade (em massa) de uma substância que pode ser ingerida diariamente por um ser
humano, por unidade de sua massa corpórea, durante toda a vida, sem oferecer risco apreciável para a sua saúde. Para
a IVM, o valor limite estabelecido pela ANVISA para a IDA é de 1,0 µg kg–1 [4].
Os eletrodos de diamante dopado com boro (DDB) possuem um número importante de propriedades eletroquímicas
distinguíveis das de outros eletrodos comumente utilizados, tais como o carbono vítreo, o grafite pirolítico e a pasta de
carbono. Algumas dessas propriedades são [5]: a) estabilidade à corrosão em meios muito agressivos; b) baixa e estável
corrente de fundo; c) estabilidade de resposta a longo prazo; d) fraca adsorção de moléculas polares e; e) larga janela
de potencial em meio aquoso e não-aquoso. Nesse eletrodo, comumente a reação de desprendimento de hidrogênio
começa em –1,5 V e a de desprendimento de oxigênio em 2,3 V vs. Ag/AgCl (KCl 3 mol L–1).
Para a determinação de IVM, a grande maioria dos procedimentos descritos na literatura envolve o uso de técnicas
cromatográficas, que requerem uma instrumentação relativamente cara e, em muitos casos, demandam um longo tempo
de análise, além do emprego de solventes orgânicos de alta toxicidade. Ademais, consultando-se a literatura, não foi
encontrado nenhum método eletroanalítico para a determinação deste analito.
Desta maneira, é de extrema importância o desenvolvimento de procedimentos analíticos que sejam simples,
rápidos e precisos para a identificação, quantificação ou monitoramento de IVM em urina, alimentos de origem animal
(leite, ovos) e produtos farmacêuticos.

Procedimento Experimental

Utilizou-se uma célula eletroquímica convencional de compartimento único, com orifícios adequados para encaixe
dos eletrodos. Como eletrodo de trabalho foi utilizado um eletrodo de DDB (área de 0,36 cm2) com uma dopagem
de 8000 ppm. Este eletrodo foi fornecido pelo Centre Suisse de Electronique et de Microtechnique SA (CSEM),
em Neuchatêl, Suíça. O eletrodo de referência utilizado foi o de Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L–1), contra o qual todos os
potenciais neste trabalho estão referidos; como eletrodo auxiliar foi utilizada uma placa de platina.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1764


Uma solução padrão etanólica de IVM 1,00 × 10–2 mol L–1 foi preparada; esta solução, protegida da luz, foi estocada
em geladeira. Assim, diluições apropriadas em eletrólito suporte foram feitas a partir dessa solução. Para o estudo do
efeito do eletrólito suporte foram preparadas soluções aquo-etanólicas (30 % v/v de etanol) de tampão de Britton-
Robson (BR) de pH 2,1, ácido acético 0,5 mol L–1, ácido sulfúrico 0,1 mol L–1 e ácido clorídrico 0,1 mol L–1. O uso do
meio hidroetanólico foi necessário para se garantir completa dissolução da IVM.
Após a otimização dos parâmetros experimentais para o desenvolvimento do procedimento proposto empregando-
se a voltametria de onda quadrada (SWV), a curva analítica foi obtida por adições de volumes crescentes de uma
solução padrão de IVM 1,00 × 10–4 mol L–1 em uma célula eletroquímica contendo 10,0 mL de H2SO4 0,5 mol L–1 (30
% etanol v/v). Os voltamogramas de onda quadrada foram obtidos após cada adição da solução padrão de IVM. O
limite de detecção foi calculado como igual a três vezes o desvio do branco (n = 10) dividido pelo coeficiente angular
da curva analítica. O método de adição de padrão foi utilizado para a determinação da IVM em amostras farmacêuticas.

Resultados e Discussão

Com o objetivo de se obter uma melhora na resposta eletroquímica do eletrodo para a determinação da IVM,
optou-se por realizar um estudo do efeito de pré-tratamentos anódico e catódico do eletrodo de DDB sobre a resposta
voltamétrica obtida para a IVM. Como pode ser observado na Figura 1, o pré-tratamento catódico proporcionou um
aumento da magnitude da corrente de pico e uma diminuição do potencial de oxidação da IVM. Desta maneira, todo
dia de trabalho era iniciado fazendo-se, em solução de H2SO4 0,5 mol L–1, um pré-tratamento anódico (500 mA cm–2
por 30 s), apenas com o intuito de limpar o eletrodo, seguido de um pré-tratamento catódico (–500 mA cm–2 por 180 s)
para maximizar a probabilidade da superfície do eletrodo de DDB ter terminações de hidrogênio.

12
Anódico
10 catódico

6
I/mA

0
1,2 1,3 1,4 1,5 1,6
E / V vs Ag/AgCl

Figura 1: Voltamogramas de onda quadrada de IVM 1,80 × 10–4 mol L–1 sobre o anodo de DDB, após pré–tratamentos
anódico e catódico – vide texto. Condições da SWV: ƒ= 30 s–1, a = 50 mV e ΔEs= 4 mV.

Experimentos iniciais para a IVM foram realizados nos diferentes eletrólitos suporte. A melhor resposta, quanto
à definição de pico e intensidade de corrente de pico, foi obtida em ácido sulfúrico 0,1 mol L–1. No entanto, neste
eletrólito suporte detectou-se adsorção sobre a superfície do eletrodo de DDB, provavelmente do produto da reação de
oxidação da IVM. Após muitas investigações experimentais, foi desenvolvido um procedimento eletroquímico para a
limpeza do eletrodo, no qual eram realizadas cinco varreduras lineares em uma janela de potencial entre 1,5 e 2,0 V,
em uma velocidade de varredura de 400 mV s–1, empregando–se ácido sulfúrico 0,5 mol L–1 (30% etanol v/v). Sendo
assim, essa solução foi escolhida como eletrólito suporte para os estudos posteriores.
Após os estudos iniciais, investigou-se a utilização das técnicas SWV e voltameria de pulso diferencial (DPV) para
a determinação da IVM. Para uso destas técnicas, diversos parâmetros instrumentais devem ser avaliados; assim, os
efeitos desses parâmetros sobre o potencial de pico e a corrente de pico para a determinação de IVM foram estudados
e otimizados, construindo-se em seguida as curvas analíticas (Figura 2).
Comparando-se os resultados obtidos para a determinação de IVM utilizando-se SWV e DPV, pôde-se notar uma
melhor definição de pico, uma linha de base mais estável e um maior sinal analítico empregando-se a SWV. Assim,
optou-se por utilizar esta técnica para o desenvolvimento do procedimento analítico para a determinação de IVM e
posterior aplicação em amostras comerciais.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1765


7 2,0
(C) 6
(D)

(A)
7
6 6
(B) 1,6
5 4

I/mA
5 4
1,2

I/mA
3 2

4 2
0,8 7
1 0
0 20 40 60 80 100 120 140
12

I/mA
0
3
I/mA

-1

0,4
0 20 40 60 80 100 120 140 [IVM] / mmol L
-1
[IVM] / mmol L

2 0,0 1
1 1 -0,4
0 -0,8
-1
1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7
E/V vs Ag/AgCl E/V vs Ag/AgCl

Figura 2: (A) Voltamogramas de onda quadrada para diferentes concentrações de IVM (1 a 12: (1) branco e
concentrações de 1,99 a 132 µmol L–1) em ácido sulfúrico 0,5 mol L–1 (30 % etanol v/v), (ƒ = 50 s–1, a = 50 mV, ΔEs
= 4 mV). (B) Curva analítica da IVM empregando-se SWV com o eletrodo de DDB. (C) Voltamogramas de pulso
diferencial para diferentes concentrações de IVM (1 a 7: 1,95 a 15,3 µmol L–1) em ácido sulfúrico 0,5 mol L–1 (30 %
de etanol v/v) (t = 3 mV s–1; a = 150 mV; ƒ = 30 mV s–1). (D) Curva analítica da IVM empregando–se DPV com o
eletrodo de DDB.

A equação da reta obtida empregando-se SWV foi: (Ipa/mA) = –6,5 × 10–8 + 0,051 ([IVM]/µmol L–1), com um
coeficiente de correlação igual a 0,9991 e limite de detecção de 1,32 µmol L–1.
A repetibilidade intra–dia foi determinada por medidas sucessivas no mesmo dia (n = 10) para soluções de IVM
em diferentes concentrações, utilizando a SWV nas mesmas condições da curva analítica. Os desvios-padrão relativos
obtidos para as diferentes concentrações de IVM (4,95, 23,8 e 71,2 µmol L–1) foram de 2,09 %, 2,34 % e 3,03 %,
respectivamente.
Comparando-se o perfil voltamétrico da IVM utilizando-se os eletrodos de carbono vítreo (GC) e DDB, foram
obtidas magnitudes de corrente próximas; porém, no caso do GC não houve uma boa definição de pico. Ademais, como
citado anteriormente, há adsorção deste analito na superfície do eletrodo ocasionando uma queda no sinal analítico a
cada medida realizada; porém, no caso do DDB o filme adsorvido foi eliminado por varreduras lineares, mas no caso
do GC, utilizando este mesmo procedimento, o filme não foi eliminado.
Em sequência aos estudos, amostras farmacêuticas comerciais contendo IVM foram analisadas utilizando o método
de adição de padrão, com resultados satisfatórios.

ConclusÕES

O eletrodo de DDB apresentou uma melhora na resposta voltamétrica para IVM após passar por um pré–tratamento
eletroquímico catódico. A utilização de varreduras lineares entre as medidas, no próprio eletrólito suporte [ácido sulfúrico
0,5 mol L–1 (30 % etanol v/v)], foi eficaz para eliminar a adsorção na superfície do eletrodo de DDB durante as medidas
voltamétricas. O método de SWV desenvolvido para a determinação de IVM em produtos farmacêuticos se mostrou
simples e eficiente. Finalmente, cabe enfatizar que não foram encontrados na literatura procedimentos eletroanalíticos
para a determinação deste analito, o que reforça ainda mais a importância do procedimento desenvolvido aqui relatado.

AgradeCimentos: FAPESP, CAPES e CNPq.

Referências

[1] DE RUYCK, H.; VAN RENTERGHEM, R.; DE RIDDER, H. DE BRABANDER, D. Determination of anthelmintic
residues in milk by high performance liquid chromatography. Food Control, v. 11, n. 3, p. 165–173, 2000.
[2] KOLBERG, D.I.S.; PRESTA, M.A.; WICKERT, C.; ADAIME, M.B. ZANELLA, R. Rapid and accurate
simultaneous determination of abamectin and ivermectin in bovine milk by high performance liquid chromatography
with fluorescence detection. Journal of the Brazilian Chemical Society, v. 20, n. 7, p. 1220–1226, 2009.
[3] HERNANDO, M.D.; SUAREZ–BARCENA, J.M.; BUENO, M.J.M.; GARCIA–REYES, J.F. FERNANDEZ-
ALBA, A.R. Fast separation liquid chromatography-tandem mass spectrometry for the confirmation and quantitative
analysis of avermectin residues in food. Journal of Chromatography A, v. 1155, n. 1, p. 62–73, 2007.
[4] http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/Normas/normas_web/Resoluciones/PT/Res_054_000_
RTM%20Res%C3%ADduos%20Medic%20Veterin%C3%A1rios_Ata%203_00.PDF
[5] PLESKOV, Y.V. Electrochemistry of diamond: A review. Russian Journal of Electrochemistry, v. 38, n. 12, p. 1275–1291,
2002.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1766


ME48

EMPREGO DE PERFIS VOLTAMÉTRICOS NA ANÁLISE DE


DIFERENTES BEBIDAS ALCOÓLICAS DE JABUTICABA

Aline de Oliveira Roberth, Daniela Cristina Vinhal, Diego Ives de Vilasboas e Santos, Luísa
Zaiden Carvalho Martins de Sá, Renata Crispim Batista, Roberto Vicente de Araújo, Eduardo
Ramirez Asquieri, Eric de Souza Gil

Faculdade de Farmácia – UFG, Goiânia – GO – Brasil. alineroberth@gmail.com

RESUMO: Os polifenóis são os antioxidantes naturais mais abundantes na dieta e mais indicados entre os prescritores.
As antocianinas são compostos polifenólicos da classe dos flavonóides amplamente distribuídos na natureza e,
em vinhos, contribuem para seus atributos sensoriais, sendo responsáveis pelas diferenças entre vinhos tinto, rose
ou branco. Fermentados produzidos a partir de jabuticaba têm se mostrado uma promissora alternativa, já que
encerram elevados percentuais de antocianinas. As amostras dos diferentes tipos de fermentados de jabuticaba foram
submetidas às medidas eletroquímicas através de voltametria cíclica, utilizando-se solução tampão fosfato 0,1 molL-1
pH 7 como eletrólito suporte, velocidade e faixa de varredura 100 mVs-1, -0,25 a 1,25 V respectivamente. A análise
das diferentes amostras de fermentados de jabuticaba e vinho de uva, imobilizados em eletrodos de pasta de carbono,
permitiu a obtenção de perfis voltamétricos com considerável diferença entre os diferentes tipos de vinhos, dos quais
corresponderam com os percentuais esperados de antocianinas.
Palavras-chave: Identificação eletroanalítica, fitoantioxidantes, antocianinas, Myrciaria cauliflora L.

Introdução

Os polifenóis são os antioxidantes naturais mais abundantes na dieta e mais indicados entre os nutracêuticos.
Vários estudos associam o consumo de vinho aos benefícios para a saúde humana, fato este atribuído à presença de
fitoantioxidantes polifenólicos, i.e. resveratrol e antocianinas. As antocianinas são compostos polifenólicos da classe
dos flavonóides amplamente distribuídos na natureza, sendo responsáveis pela maioria das cores azul, violeta e todas
as tonalidades de vermelho, presentes em flores e frutos. Em vinhos, as antocianinas contribuem para os atributos
sensoriais, incluindo a coloração, corpo e adstringência, sendo responsáveis pelas diferenças entre vinhos tintos,
rose ou brancos [1]. Logo, para enologia, estes compostos fenólicos são de grande importância uma vez que estão
relacionados direta ou indiretamente a qualidade dos vinhos [2].
Por sua vez, a crescente preocupação com a saúde humana motiva várias novas pesquisas sobre fitocompostos
com atividade antioxidante e cada vez mais são descobertos novos alimentos ou produtos que apresentam capacidade
de combater os radicais livres, ou seja, de inibir e/ou diminuir os processos oxidativos celulares. Neste contexto, a
produção de vinhos a partir diferentes tipos de frutos ricos em fito antioxidantes, tem sido alvo de vários campos de
pesquisa. Fermentados produzidos a partir de jabuticaba, têm se mostrado uma promissora alternativa, já que encerram
elevados percentuais de antocianinas [3]. Em contrapartida, os métodos eletroanalíticos são de grande utilidade à
análise de fitoantioxidantes [4], podendo ainda ser ferramentas promissoras no controle de qualidade destes produtos
[5].
Desta forma, o presente trabalho tem por objetivo avaliar o uso da análise de perfis voltamétricos para fins de
identificação tentativa e qualificação de diferentes bebidas alcoólicas de jabuticaba. Neste contexto, serão analisadas
também amostras de vinhos tradicionais de uva, avaliando-se eventuais diferenças entre parâmetros eletroquímicos
como Ep e Ip para fins de identificação. Pretende-se ainda avaliar o uso destes parâmetros para estimar o potencial
antioxidante esperado para estas bebidas, correlacionando-se estes parâmetros a dados constantes na literatura.

Procedimento Experimental

Materiais: Amostras dos diferentes tipos de fermentados e aguardentes de jabuticaba e vinho de uva preparados no
Laboratório de Química e Bioquímica de Alimentos da Faculdade de Farmácia da UFG, Grafite em pó (Merck S/A),
Óleo Mineral (Nujol®).
Equipamento: Todas as medidas eletroquímicas foram realizadas num Potenciostato/Galvanostato µAUTOLAB®
da Eco Chemie (Holanda) acoplado ao software PGSTAT 20 versão 4.3 para aquisição de dados; conectado a uma
célula eletroquímica com sistema de três eletrodos (trabalho, referência e auxiliar). Os eletrodos de trabalho (EMVs)
foram eletrodos de pasta de carbono modificados com as próprias amostras de bebidas (60 mg grafite, 250 µL de bebida
alcoólica submetido a posterior secagem por 24 h a temperatura ambiente e 20 mg de óleo mineral); eletrodo auxiliar
de espiral de platina e eletrodo de referência de calomelano. Para pesagem dos componentes da pasta utilizou-se uma
balança analítica Radwag XA110.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1767


Medidas eletroquímicas: As medidas eletroquímicas foram feitas através de voltametria cíclica, utilizando-se
solução tampão fosfato 0,1 mol.L-1, pH 7,0 como eletrólito suporte, velocidade varredura de 100 mV/s e faixa de
varredura de -0,25 a 1,25 V.

Resultados e Discussão

Os perfis oxidativos das substâncias presentes nos fermentados e vinhos avaliados foram representados na forma
de voltamogramas, onde os processos oxidativos são identificados na presença de picos anódicos verificados nas
figuras 1 e 2. Além do branco, utilizado para reduzir os efeitos da matriz, foram feitas análises de eletrodos de pasta
de carbono (PC) modificados com quantidades equivalentes de: fermentado branco (EMVB), rose (EMVR), tinto
(EMVT), aguardente (EMA) e licor (EML) de jabuticaba, cujos resultados encontram-se na figura 1.

30 PC
EMA
EMVB
EMVR
20 EMVT
EML
I / mA

10

-10
-0.5 0.0 0.5 1.0 1.5
E / V vs SCE
Figura 1: Voltamogramas cíclicos obtidos para eletrodos de pasta de carbono modificados com diferentes amostras de
bebidas alcoólicas de jabuticaba. PC (──); EMA (- - -); EMVB ( . . . . ); EMVR (. - . - . ); EMVT ( .. - .. - ..); EML (—).
Tampão Fosfato 0,1 M, pH 7,0. Faixa de varredura -0,25 a 1,25 V. Velocidade de varredura 100 mV/s.
A análise das diferentes amostras de fermentados de jabuticaba imobilizados em eletrodos de pasta de carbono
permitiu a obtenção de voltamogramas reprodutíveis que podem a princípio serem utilizados como meio de identificação
destes diferentes produtos obtidos da fermentação de frutos de jabuticaba. Ressalta-se que os perfis correspondem ao
esperado, observando-se maiores níveis de corrente em fermentados tintos, os quais podem ser atribuídos a maior
percentual de antocianinas e polifenóis. Por sua vez, o aguardente obtido a partir da jabuticaba cujo processo de
fabricação resultaria em taxas residuais menores de polifenóis apresentou ausência de picos anódicos.
Com o intuito de confirmar estudos prévios [3,6] a respeito do maior teor de compostos fenólicos e antocianinas
nos vinhos de jabuticaba em relação aos tradicionais vinhos de uva, consumidos em maior escala, foi proposto
voltamogramas comparativos entre os fermentados branco, tinto e aguardente, da jabuticaba e vinho de uva para
melhor elucidar essas evidências, sendo representadas pela figura 2.

30 0.6

20 A 10 B 0.4 C
I / mA

I / mA
I / mA

10 5
0.2

0 0
0.0
-10
0.0 0.5 1.0 0.0 0.5 1.0 0.0 0.5 1.0
E / V vs ESC E / V vs ESC E / V vs ESC

Figura 2: Voltamogramas cíclicos obtidos para EQMs preparados com fermentado tinto (A), vinho branco (B) e
aguardente (C), respectivamente, de uva (─) e jabuticaba (- -). Tampão Fosfato 0,1 M, pH 7,0. Faixa de varredura -0,25
a 1,25 V. Velocidade de varredura 100 mV/s.

ConclusÕES

Os perfis voltamétricos apresentaram-se bastante distintos para os diferentes tipos de bebida; vinho, aguardente ou
licor. Tal distinção, embora um pouco mais sutil, foi igualmente observada entre diferentes amostras de fermentados
(branco, rose ou tinto), de jabuticaba ou vinho de uva. Outrossim, os níveis de corrente foram proporcionais a
intensidade de cor do vinho ou fermentado, sendo menores para fermentados brancos e maiores para fermentados

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1768


tintos. Deste modo, pode-se inferir que a análise dos perfis voltamétricos pode sim ser uma ferramenta alternativa
na identificação e qualificação de vinhos e fermentados. Ressalta-se ainda que os níveis observados de corrente bem
como outros parâmetros eletroquímicos são condizentes com poder antioxidante esperado para cada tipo de amostra.
Os resultados obtidos evidenciam ainda que fementados de jabuticaba apresentam maior capacidade antioxidante em
relação ao vinho de uva, e que ambos os aguardentes apresentaram valores desprezíveis de corrente, fato que indica
baixos níveis de polifenóis. Já no caso de licores de jabuticaba, os níveis de corrente foram intermediários, podendo
variar de acordo com método de fabricação. O perfil voltamétrico observado para EML, por sua vez, foi bastante
diferenciado, provavelmente associado a elevados percentuais de açúcar, cuja lixiviação da pasta causa deformação do
voltamograma.

AgradeCimentos: CNPq e capes.

Referências

[1] ABE, L.T., MOTA, R.V., LAJOLO, F.M. E GENOVESE, M.I., ‘’Compostos Fenólicos e Capacidade Antioxidante
de Cultivares de Uvas Vitis labrusca L. e Vitis vinifera L.,’’ Ciênc. Tecnol. Aliment., v. 27, n. 2, n. 394-400, 2007.
[2] CABRITA, M.J., RICARDO-DA-SILVA, J. E LAUREANO, O., ‘’Os compostos polifenólicos das uvas e dos
vinho’’ In: Seminário Internacional de Vitivinicultura, 1., Lisboa, 2003.
[3] BARROS, J.Â.C., CAMPOS, R.M.M. E MOREIRA, A.V.B., ‘’Antioxidant activity in wines made from jabuticaba
and grape’’, Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. = J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 35, n. 1, p. 73-83,
abr. 2010
[4] REIS, N.S., SERRANO, S.H.P., MENEGHATTI, R. E GIL, E.S., ‘’Métodos Eletroquímicos usados para Avaliação
Antioxidante de Produtos Naturais’’, Lat. Am. J. Pharm. 28 (6): 949-53 (2009).
[5] BARA, M.T.F., SERRANO, S.H.P., ASQUIERI, E.R., LÚCIO, T.C. E GIL, E.S., ‘’Medida del Potencial Anódico
en Estado Sólido: Una Herramienta para la Determinación del Potencial Antioxidante de Fitoterápicos’’, Lat. Am.
J. Pharm. 27 (1): 89-92 (2008).
[6] POEJO, P.L.P., Avaliação da actividade antioxidante em diferentes tipos de bebidas: vinho e cerveja, Lisboa,
Portugal, 2009. 106 p. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa,
Lisboa, 2009

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1769


ME49

IMOBILIZAÇÃO DA ENZIMA POLIFENOL OXIDASE EM


NANOPARTÍCULAS DE OURO/NANOTUBOS DE CARBONO PARA A
DETERMINAÇÃO INDIRETA DE SULFITO EM VINHOS

Elen Romão Sartori, Fernando Campanhã Vicentini e Orlando Fatibello-Filho

Departamento de Química, Universidade Federal de São Carlos, CP: 676, CEP 13560-970, São
Carlos – SP – Brasil. ejrsartori@yahoo.com.br

RESUMO: A modificação de um eletrodo de carbono vítreo com nanotubos de carbono de paredes múltiplas e
nanopartículas de ouro em um filme de hidrocloreto de polialilamina para o desenvolvimento de um biossensor é
proposta. Essa modificação permitiu a imobilização da enzima polifenol oxidase obtida do extrato bruto de batata
doce (Ipomoea batatas (L.) Lam.). O princípio do biossensor é baseado no efeito da inibição da atividade da enzima,
na redução de o-quinona a catecol e/ou da reação da o-quinona com sulfito. Usando voltametria de pulso diferencial,
a curva analítica para o sulfito foi linear no intervalo de concentração de 0,5 a 22 mmol L-1, com um limite de detecção
de 0,4 mmol L-1. O biossensor foi aplicado na determinação de sulfito em amostras de vinhos brancos e tintos e, os
resultados obtidos, estão em boa concordância com os resultados encontrados empregando-se o método iodométrico,
a um nível de confiança de 95%.
Palavras-chave: sulfito, nanopartículas de ouro, nanotubos de carbono, biossensor e hidrocloreto de polialilamina

Introdução

Nanotubos de carbono (CNTs) e nanopartículas (NPs) têm apresentado uma crescente aplicação na eletroanálise,
principalmente no desenvolvimento de sensores e biossensores, devido dentre outras características, a melhora na
resposta analítica em termos de redução significativa do potencial de trabalho, o que diminui a interferência de espécies
eletroativas, aumento da magnitude da resposta voltamétrica e a facilidade de transferência de elétrons entre o eletrodo
e o analito [1,2]. Alguns exemplos de modificação de eletrodos com nanopartículas de ouro (AuNPs) e CNTs podem
ser encontrados na literatura, no qual as AuNPs podem ser crescidas na superfície dos CNTs funcionalizados por
redução química de íons AuCl4-, por eletrodeposição ou ainda por adsorção [3,4].
A insolubilidade dos CNTs em etanol, metanol, isopropanol e água, por exemplo, é uma limitação de seu emprego
na construção de sensores e biossensores. A oxidação química com ácidos fortes é um tratamento comum que se
emprega para a ativação dos CNTs, no qual elimina impurezas metálicas, permite sua funcionalização com grupos
contendo oxigênio (eg. hidroxila, carboxílico entre outros) e promove a ocorrência de defeitos em suas extremidades
e nas paredes, que consequentemente aumentam a sua solubilidade, bem como as propriedades eletrocatalíticas. Um
polieletrólito que vem sendo utilizado na construção de sensores e biossensores é o hidrocloreto de polialilamina
(PAH) [5], que por apresentar vários grupos amino ionizáveis em sua estrutura favorece a formação de uma suspensão
estável de AuNPs-CNTs em meio aquoso.
Agentes sulfitantes, como sulfito de sódio, dióxido de enxofre, bissulfito de sódio e potássio, metabissulfito de
sódio e potássio, entre outros, são usados nas indústrias como aditivos em alimentos e bebidas para inibir a deterioração
dos alimentos, preservando a sua textura, o odor, as vitaminas e a cor, tornando-os atrativos para o consumidor. Após a
adição destes aditivos no alimento ou bebida, os agentes sulfitantes tornam-se quimicamente equivalentes (SO2, HSO3-,
SO32- e S2O5) em um dado valor de pH. O dióxido de enxofre (SO2) é amplamente utilizado em vinhos para garantir a
sua qualidade, sendo o nível máximo permitido de 350 mgSO2 L-1. Apesar da eficácia dos sulfitos, quando consumido
em doses excessivas, vários efeitos adversos à saúde humana estão relacionados, entre eles, náusea, irritação gástrica,
asma e reações alérgicas [6], sendo dessa forma, importante o controle rigoroso da sua concentração nos alimentos e
bebidas.
Em vista disso, neste trabalho, a modificação de um eletrodo de carbono vítreo (GCE) com MWCNTs e AuNPs em
filme de PAH para o desenvolvimento de um biossensor é apresentado. A enzima polifenol oxidase (PFO) obtida do
extrato bruto da batata doce (Ipomoea batatas (L.) Lam.) foi imobilizada nas AuNPs usando cistamina e glutaraldeído.
O biossensor foi utilizado na determinação indireta de sulfito em amostras de vinho, pelo efeito de inibição da atividade
da enzima PFO, na reação de redução de o-quinona a catecol e/ou reação da o-quinona com sulfito.

Procedimento Experimental

Todos os reagentes empregados foram de pureza analítica. Todas as soluções foram preparadas utilizando-se água
deionizada. Os experimentos eletroquímicos foram conduzidos em uma célula simples de vidro contendo três eletrodos:
referência (Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L-1)), contra-eletrodo (placa de platina) e o de trabalho (GCE modificado). As
medidas de pH foram feitas com um pH-metro Orion Expandable Ion Analyser, modelo EA-940, com eletrodo de vidro

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1770


combinado (Ag/AgCl (KCl 3.0 mol L-1)). As medidas voltamétricas foram realizadas em um potenciostato/galvanostato
Autolab Ecochemie, modelo PGSTAT-12, gerenciado pelo programa GPES 4.9. As imagens por microscopia eletrônica
de varredura de alta resolução (MEV-FEG) foram obtidas empregando-se um equipamento Supra 35-VP, com energia
de feixe de elétrons de 25 keV.
Os MWCNTs foram tratados primeiramente com HCl 0,2 mol L-1, para a eliminação de impurezas metálicas
(principalmente Fe3+) e, posteriormente, funcionalizados com uma mistura de HNO3:H2SO4 3:1 (v/v). A solução das
AuNPs foi obtida pela redução do HAuCl4 em ácido cítrico. A polifenol oxidase (PFO) foi obtida a partir de extrato
bruto da batata doce (Ipomoea batatas (L.) Lam.) após etapa de extração previamente descrita [7].
Uma massa de 1,0 mg de MWCNTs e 1,0 mg de PAH foram adicionados a 500 mL da solução de AuNPs, sendo
sonicados durante 10 min para obter uma suspensão preta e estável de AuNPs-MWCNTs-PAH. Um volume de 20 mL
desta suspensão foram transferidos para a superfície de um eletrodo de carbono vítreo (GCE) previamente limpo. Após
secar, o AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE foi ciclado 50 vezes em solução de KCl 0,1 mol L-1 a 100 mV s-1. Em seguida, foi
lavado com água e ao secar foi adicionado 20 mL de cistamina 10 mmol L-1. Feito isso, esperou-se secar, lavou-se com
água e adicionou-se 20 mL de glutaraldeído 2,5 % v/v, que ao secar lavou-se com solução tampão fosfato 0,1 mol L-1.
Esperou-se secar e, então, adicionou-se 20 mL do extrato bruto contendo a enzima PFO. O biossensor foi armazenado
em tampão fosfato (pH = 7,0) em geladeira a 4 oC.
As soluções estoque de catecol e de sulfito foram preparadas diariamente em tampão fosfato. Apropriadas diluições
foram feitas a partir dessas soluções. A solução tampão fosfato 0,1 mol L-1 (pH = 7,0) foi empregada como eletrólito
suporte.
Para a construção da curva analítica, alíquotas da solução padrão de sulfito 10 mmol L-1 foram adicionadas na célula
eletroquímica contendo catecol 50 µmol L-1 em tampão fosfato (pH = 7,0). Os voltamogramas de onda quadrada foram
obtidos após a adição de catecol e a cada sucessiva adição de sulfito.
As amostras de vinhos brancos e tintos foram adquiridas em supermercados locais. Alíquotas de cada uma das
amostras foram adicionadas diretamente na célula eletroquímica contendo catecol 50 µmol L-1 em tampão fosfato.
A concentração de sulfito em cada amostra foi determinada pelo método de adição múltipla de padrão. Os resultados
obtidos na análise dessas amostras pelo procedimento proposto foram comparados com aqueles obtidos empregando-
se a titulação iodométrica [8].

Resultados e Discussão

A suspensão contendo AuNPs-MWCNTs em PAH mostrou-se estável e homogênea, própria da interação


eletrostática entre os grupos carboxílicos da superfície dos nanotubos de carbono funcionalizados e o polieletrólito
PAH protonado (policátion neste pH; pKa = 8,7) [5]. As AuNPs foram ancoradas na superfície dos nanotubos pela
interação eletrostática entre o PAH e as nanopartículas [4]. A Figura 1A mostra a imagem obtida por MEV-FEG para
o AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE. Observa-se um filme denso de nanotubos de carbono de paredes múltiplas recobrindo
a superfície do carbono vítreo, onde as AuNPs estão distribuídas homogeneamente nos MWCNTs, o que não ocorre
quando se tem o filme de AuNPs-PAH. As nanopartículas permitem a imobilização da enzima PFO, obtida do extrato
bruto da batata-doce, com emprego de cistamina e glutaraldeído.
Empregando-se a equação de Randles-Sevcik, a área eletroativa foi determinada para o GCE, PAH/GCE, AuNPs-
PAH/GCE e AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE, sendo igual a 0,162 cm2, 0,185 cm2, 0,201 cm2 e 0,705 cm2, respectivamente.
Esses resultados mostram que a utilização dos MWCNTs e, principalmente, das AuNPs no filme polimérico resultou
em uma maior área eletroativa.

(b)
210 (B) (b) 300 (C) (c) (d)
(e)
140 200 (f)

70 (a) 100
I / mA

I / mA

(a)
0 0
-70 -100
-140 -200
-0.4 -0.2 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 -0.4 -0.2 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8
E / V vs. Ag/AgCl E / V vs. Ag/AgCl

Figura 1. (A) Imagem MEV-FEG obtida para o AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE; (B) Catecol 1,0 mmol L-1 em tampão
fosfato (pH 7,0) usando (a) AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE e (b) PFO-AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE; (C): (a) tampão
fosfato (pH 7,0), (b) catecol 1,3 mmol L-1 e adições sucessivas de sulfito: (c) 0,2 mmol L-1, (d) 0,4 mmol L-1, (e) 0,6
mmol L-1 e (f) 0,8 mmol L-1.

A resposta voltamétrica do catecol 1,0 mmol L-1 no AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE mostra um pico de oxidação em
0,238 V e um pico de redução da o-quinona em 0,083 V, com um potencial de separação de pico (DEp) de 0,155 V,
Figura 1B (a). Quando a enzima PFO é imobilizada nas nanopartículas do filme AuNPs-MWCNTs-PAH observa-se

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1771


um aumento na magnitude do sinal analítico para o catecol, quando comparada com a resposta voltamétrica obtida
sem a enzima (Figura 1B (b)). O biossensor assim desenvolvido foi aplicado na determinação indireta de sulfito em
amostras de vinho. O sulfito pode atuar na inibição da atividade da enzima PFO, na reação de redução de o-quinona
a catecol e/ou reação da o-quinona com sulfito, diminuindo assim o sinal analítico como mostrado na Figura 1C. Não
foi observado processo oxidativo do sulfito usando o biossensor, nas mesmas condições empregadas para o catecol.
O perfil voltamétrico do catecol 1,0 mmol L-1 no PFO-AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE foi investigado em tampão
fosfato 0,1 mol L-1 em pH de 5,0 a 8,0, obtendo-se melhor resposta em termos de maior intensidade de corrente de pico
catódico em pH 7,0, sendo então selecionado para os demais estudos.
Os parâmetros da voltametria de pulso diferencial (DPV), como velocidade de varredura (v), amplitude de pulso
(a) e tempo de duração do pulso (t) foram avaliados, sendo selecionados: v = 1 mV s-1, a = 50 mV e t = 75 ms. Os
registros dos valores da diminuição da corrente de pico catódico do catecol 50 µmol L-1 geraram uma relação linear
com a concentração de sulfito no intervalo de 0,5 a 22 µmol L-1 representada pela equação (Ipa/µA) = 6.34 ´ 10-8 +
0,122 [sulfito] mol L-1, com um coeficiente de correlação de 0,9962 (n = 3) e um limite de detecção de 0,4 µmol L-1. O
desvio padrão relativo (RSD) foi menor do que 1,5 % para soluções de sulfito 8.0 μmol L-1 (n=10). Foi observada uma
diminuição de 11 % na magnitude da corrente catódica, para uma solução de catecol 50 μmol L-1 em 30 dias, indicando
boa estabilidade do biossensor.
Na Tabela 1 são apresentados os resultados obtidos para a determinação de sulfito em amostras de vinhos brancos
e tintos obtidos empregando-se DPV em comparação ao método iodométrico de referência [8]. Não foi observada
interferência significativa de alguns concomitantes presentes nas amostras de vinho, como sorbato de sódio, etanol e
sacarose. Também foram realizados os testes de adição e recuperação de sulfito, com as recuperações variando entre
91,8 % e 108 %, evidenciando assim, que não houve interferência significativa da matriz das amostras no procedimento
proposto.

Tabela 1. Determinação de sulfito em amostras de vinho (n = 3)

Sulfito (mg/L)
Amostras Erro relativoa (%)
Método iodométrico Método Voltamétrico
A 168 ± 5 166 ± 5 -1,2
B 124 ± 6 129 ± 3 4,0
C 188 ± 7 184 ± 4 -2,1
a
100 × (voltamétrico – iodométrico)] / iodométrico; A e B: amostras de vinho branco; C: amostra de vinho tinto.

ConclusÕES

Os resultados obtidos indicam que o PFO-AuNPs-MWCNTs-PAH/GCE é adequado para a determinação indireta de


sulfito em amostras de vinho, tanto branco quanto tinto, uma vez que a cor das amostras não interferiu no procedimento
voltamétrico proposto.

AgradeCimentos: FAPESP (Proc. 2009/14454-8), CAPES e CNPq.

Referências

[1] Wildgoose G.G., Banks C.E., Leventis H.C., Compton R.G., “Chemically modified carbon nanotubes for use in
electroanalysis”, Microchim. Acta 152:187-214, 2006.
[2] Welch C.M., Compton R.G., “The use of nanoparticles in electroanalysis: a review”, Anal. Bional. Chem. 384:601-
619, 2006.
[3] Choi H.C., Shim M., Bangsaruntip S., Dai H., “Spontaneous reduction of metal ions on the sidewalls of carbon
nanotubes”, J. Am. Chem. Soc. 124:9058-9059, 2003.
[4] Jiang K., Eitan A., Scandler L.S., Ajayan P.M., Siegel R.W., Grobert N., Mayne M., Reyes-Reyes M., Torrones
H., Torrones M., “Selective Attachment of Gold Nanoparticles to Nitrogen-Doped Carbon Nanotubes”, Nano Lett.
3:275-277, 2003.
[5] Fang M., Kim C.H., Saupe G.B., Kim H.M., Waraksa C.C., Miwa T., Fujishima A., Mallouk A., “Layer-by-layer
growth and condensation reactions of niobate and titanoniobate thin films”, Chem. Mater., 11: 1526-1532, 1999.
[6] Machado R.M.D., Toledo M.C.F., Vicente E., “Sulphites in foods”, Braz. J. Food Technol., 9:265-275, 2006.
[7] Fatibello-Filho O., Vieira, I.C., “Flow injection spectrophotometric determination of sulfite using a crude extract
of sweet potato root (Ipomoea batatas (L.) Lam.) as a source of polyphenol oxidase”, Anal. Chim. Acta, 354:51-57,
1994.
[8] AOAC, Official methods of analysis of AOAC international, 16th ed. AOAC International, USA, 1995.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1772


ME50

DESENVOLVIMENTO DE UM SENSOR UTILIZANDO NANOTUBOS


DE CARBONO/DHP PARA A DETERMINAÇÃO VOLTAMÉTRICA DE
PARAQUAT EM ÁGUAS NATURAIS

Luiz Carlos Soares de Figueiredo Filho1, Lívia Luiza Costa Garcia1, Geiser Gabriel de Oliveira1,
Orlando Fatibello Filho1

1
Universidade Federal de São Carlos, Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia, Departamento
de Química, São Carlos, SP, Brasil figueiredo.lcs@gmail.com

RESUMO: No presente trabalho é apresentado o desenvolvimento de um sensor composto por carbono vítreo (GCE)
modificado com filme de dihexadecil hidrogeniofosfato (DHP) e nanotubos de carbono funcionalizados para a
determinação de paraquat em águas naturais. Investigaram-se a melhor proporção de nanotubos de carbono/DHP/
água deionizada, a influência da solução eletrolítica e também os parâmetros da técnica de voltametria de pulso
diferencial como incremento de potencial, velocidade de varredura e tempo de pulso. A melhor resposta foi obtida
para um filme com composição de 1 mg de nanotubos de carbono, 1 mg de DHP e 1 mL de água deionizada. A curva
analítica foi linear no intervalo de concentração de paraquat de 1,96 x 10-7 a 1,72 x 10-6 mol L-1, com limite de detecção
de 2,62 x 10-8 mol L-1.
Palavras-chave: Nanotubos de carbono, paraquat, voltametria de pulso diferencial e dihexadecil hidrogeniofosfato.

Introdução

O uso de herbicidas tornou-se muito importante pelo fato da necessidade do controle das ervas daninhas, as quais
geram um grande prejuízo para o agronegócio. O controle biológico das pragas é geralmente de aplicação limitada e
o controle mecânico é difícil, mesmo utilizando máquinas ou trabalho manual. Dentre os pesticidas mais utilizados
destaca-se o paraquat (1,1-dimetil-4,4-bipiridina-dicloreto), sendo introduzido no início dos anos 60 [1]. No entanto,
devido a aplicação indiscriminada e elevada toxicidade por vias respiratórias e gastrointestinal [2] há necessidade do
seu monitoramento em águas e alimentos.
Os nanotubos de carbono (CNTs) foram descritos pela primeira vez por Iijima [3] em 1991. As propriedades
químicas e/ou mecânicas dos CNTs podem ser alteradas pelo tratamento ácido dos mesmos [4,5]. Os CNTs são ativados
quando tratados com ácidos oxidantes fortes como HClO4, HNO3 e/ou H2SO4 gerando os grupos funcionais –COOH;
-OH; –C=O entre outros na sua superfície, aumentando consideravelmente a suas propriedades eletrocatalíticas [6].
Assim, quando eletrodos são modificados ou preparados com CNTs ativados há geralmente uma melhora significativa
de seu desempenho analítico [4].
Neste trabalho foi preparado, caracterizado e aplicado um eletrodo de carbono vítreo modificado com um filme
dihexadecil hidrogeniofosfato (DHP) contendo imobilizados os CNTs [8,9] ativados para a determinação de paraquat
em águas naturais.

Procedimento Experimental

Para o tratamento ácido de 50 mg de CNTs foram utilizados 500 mL de uma mistura de ácido nítrico e sulfúrico
concentrado na proporção 3:1 v/v respectivamente e agitação por 12 h. Posteriormente, os CNTs foram lavados com
água deionizada até pH entre 6-7. Uma centrífuga foi utilizada para a separação dos CNTs da água e com o auxílio de
uma bomba peristáltica o sobrenadante foi removido. Por fim, secaram-se os nanotubos funcionalizados por 6 h em
uma estufa a 120 ºC.
Foram preparadas dispersões com diferentes proporções entre nanotubos de carbono funcionalizados e DHP e
água deionizada (1:1:1; 1:2:1, e 1:3:1 (m/m/m), respectivamente) sendo estas soluções homogeneizadas em banho
ultrassônico por 1 hora. Após a homogeneização, com auxílio de uma micropipeta foram transferidos 6 µL da suspensão
de CNTs no polímero para a superfície de um eletrodo de carbono vítreo (3 mm de diâmetro) e deixou-se cerca 40-50
minutos para a secagem do filme.
As medidas voltamétricas foram executadas utilizando um potenciostato Palm Sens (Palm Instruments BV)
gerenciado pelo programa computacional PalmSens PC. A determinação do pH das soluções foi feita empregando-
se um pHmetro digital ORION EA 940. Na célula eletroquímica foram utilizados três eletrodos: um de referência de
Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L-1), um fio de platina como auxiliar e o eletrodo quimicamente modificado como eletrodo de
trabalho.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1773


Resultados e Discussão

Os eletrodos de carbono vítreo (CGE), carbono vítreo modificado com DHP (CGE/DHP) e carbono vítreo modificado
com nanotubos de carbono/DHP (CGE/CNTs/DHP) foram utilizados para a análise do comportamento eletroquímico
do paraquat. Para isso, foi utilizada uma solução de paraquat com uma concentração de 1,5 x 10-4 mol L-1.
Na Figura 1 são apresentados os voltamogramas obtidos utilizando os três eletrodos supramencionados. O eletrodo
de carbono vítreo (GC) apresentou 2 picos de redução para a solução de paraquat 1,5 x 10-4 mol L-1; um em potencial
igual a -0,6 V e o outro em potencial igual a -1,0 V. No entanto, como pode ser observado nesta figura, as magnitudes
de correntes foram baixas. Empregando-se o eletrodo CGE/DHP não foram observados picos de redução do paraquat.
Por outro lado, empregando-se o eletrodo proposto (CGE/CNTs/DHP) observam-se dois picos de redução para o
paraquat, um em potencial de -0,41 V (PQ1) e outro em potencial de -0,65 V (PQ2), ficando assim evidenciado o efeito
eletrocatalítico dos nanotubos de carbono imobilizados no filme do eletrodo. O aumento da magnitude de corrente e a
diminuição dos potenciais de pico de redução do analito foram destacados.

0,02 GCE
GCE/DHP
0,01 GCE/DHP/CNTs

0,00

-0,01
i / mA

-0,02

-0,03 PQ1
PQ2
-0,04

-0,05
-1,6 -1,4 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2

E / V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L-1)

Figura 1. Voltamogramas obtidos para uma solução de paraquat 1,5 x 10-4 mol L-1, utilizando como eletrólito suporte
solução de NaNO3 0,1 mol L-1, velocidade de varredura de 50 mV e eletrodos de trabalho — GCE, — GCE/DHP, —
GCE/DHP/CNTs.

Estudou-se a melhor proporção de CNTs/DHP/H2O sendo que a proporção 1:1:1 (m/m/m), apresentou um maior
incremento de corrente. No estudo do eletrólito suporte, foram investigadas as seguintes soluções: H2SO4, HCl,
NaNO3, KCl, NaCl, tampões acetato em pH 4,0; 4,5 e 5,0 nas concentrações de 0,1 mol L-1. O eletrodo de trabalho
apresentou melhor perfil voltamétrico com picos bem definidos para a solução de NaNO3 , sendo então selecionado nos
experimentos posteriores.
Na Tabela 1 são apresentados os parâmetros estudados e selecionados para a técnica de pulso diferencial.

Tabela1. Parâmetros da técnica DPV estudados e selecionados na determinação de paraquat

Parâmetro avaliado Faixa estudada Selecionada


Potencial de pulso Ep / mV 10 a 90 80
Velocidade de varredura ν / mV s -1 2,5 a 30 2,5
Tempo de pulso t / ms 5 a 25 25

A Figura 2 mostra a curva analítica e os voltamogramas obtidos para a determinação de paraquat. A equação da
reta é representada por Ipa (µA) = 2,04 + 4,75 x 106 [paraquat] (mol L-1), r = 0,997 para o intervalo de concentração de
paraquat de 1,96 x 10-7 a 1,72 x 10-6 mol L-1, com limite de detecção de 2,62 x 10-8 mol L-1.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1774


0

1 10

i / mA

-D i / mA
-5 6

2
0,0 0,3 0,6 0,9 1,2 1,5 1,8

Concentração de Paraquat (m mol L-1)


-10 6

-0,4 -0,5 -0,6 -0,7 -0,8 -0,9 -1,0 -1,1 -1,2 -1,3

E / V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L-1)

Figura 2. Voltamogramas obtidos em diferentes concentrações de PQ utilizando eletrodo de carbono vítreo modificado
com nanotubos de carbono/DHP utilizando a técnica de pulso diferencial, eletrólito suporte NaNO3 0,1 mol L-1, Ep =
80 mV, ν = 2,5 mV s-1, t = 25 ms.

A Tabela 2 apresenta a determinação de paraquat em amostras de águas de represa (água da represa da UFSCar
fortificada com o analito) empregando-se o método voltamétrico e o método cromatográfico. O método de adição de
padrão foi utilizado para a determinação do analito por voltametria. Para o método comparativo [10] foi utilizado um
cromatógrafo modelo LC-10At Shimadzu com detector de UV-Vis modelo SPD-M10AVP e coluna Shim-Pack CLC-
ODS (6.0 mm x 150 mm x 5 μm). A fase móvel utilizada foi NaCl 0,14 mol L-1, pH 2,2 ajustado com HCl 1,0 mol L-1
e acetonitrila 80:20 (v/v) com vazão de 0,5 mL min-1, para um comprimento de onda de 310 nm apresentou um tempo
de retenção de 2,0 minutos.

Tabela 2. Determinação de paraquat em amostras de águas fortificadas da represa da UFSCar

Paraquat / 10 -6 mol L-1


Amostras Método comparativo Método proposto Erro relativo % *
A 1,02 ± 0,05 0,98 ± 0,04 -4,2
B 0,98 ± 0.03 0,90 ± 0,03 -8, 4
C 1,02 ± 0,04 1,05 ± 0,02 3,1
n=3
*Erro relativo % = 100 x (método proposto – método comparativo)/método comparativo

ConclusÕES

A dispersão composta por CNTs/DHP/H2O na proporção 1:1:1 (m/m/m) respectivamente, apresentou melhor
perfil voltamétrico assim como maior incremento de corrente. Neste trabalho, obteve-se a curva analítica com boa
linearidade, um baixo limite de detecção e boa sensibilidade. O método foi aplicado com sucesso na determinação de
paraquat em águas de represa, podendo assim ser indicado como técnica alternativa para a determinação deste analito.

AgradeCimentos: Os autores agradecem à FAPESP (processos 2010/20754-1), CNPq e CAPES pelo suporte
financeiro.

Referências
[1] C.D. Klaassen, Toxicology-the basic science of poisons, International Ed., New Tork, 1989.
[2] C. Giulivi, C.C. Lavagno, F. Lucesoli, M.J.N. Bermudez, A. Boveris, Free Radic. Biol. Med., 18 (1995) 203.
[3] S. Iijima, Nature, 354 (1991) 56.
[4] R. Pauliukaite; M. E. Ghica; O. Fatibello-Filho; C. M. A. Brett, Anal. Chem. 81 (2009) 536.
[5] G.G. Wildgoose, C.E. Banks, H.C. Leventis, R.G. Compton, Microchim. Acta, 152 (2006) 187.
[6] Y.H. Yun, Z. Dong, V. Shanov, W.R. Heineman, H.B. Halsall, A. Bhattacharya, L. Conforti, R.K. Narayan, W.S.
Ball, e M.J. Schulz, Nanotoday, 2, 6 (2007) 30.
[7] J.J. Fei, K.B. Wu, L.H. Yi, J.N. Li, Bull. Korean Chem. Soc. 26 (2005) 1403.
[8] K.B. Wu, S.S. Hu, J.J. Fei, W. Bai, Anal. Chim. Acta 489 (2003) 215.
[9] K. Wu, Y. Sun, S. Hu, Sens. Actuators B, 96 (2003) 658.
[10] T.M. Chichila, S.M. Walters, J. Ass. Off. Anal. Chem. 74 (1991) 961.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1775


ME51

DETERMINAÇÃO VOLTAMETRICA DE Zn, Cd, Pb E Cu EM


EFLUENTES PETROQUÍMICOS

Daniela Domingos1,2, Maria de Lourdes Ferreira Neta1,2, Ana Rosa Caribé Massa Góes1, Marcio
das Virgens Rebouças1 e Leonardo Sena Teixeira2

1
Braskem S.A, Camaçari – BA – Brasil, 2 Instituto de Química - UFBA, Salvador - BA – Brasil.
daniela.domingos@braskem.com.br

RESUMO: As técnicas voltamétricas são promissoras no monitoramento analítico de efluentes industriais, pois
apresentam excelente sensibilidade e extensa faixa linear de concentração para espécies inorgânicas e orgânicas,
grande variedade de solventes e eletrólitos, tempo de análise curto, determinações simultâneas de alguns analitos,
baixo custo e alto potencial de automatização. Este trabalho apresenta o desenvolvimento de métodos voltamétricos
para a determinação de zinco, cádmio, chumbo e cobre em efluentes da indústria petroquímica. Os parâmetros
voltamétricos foram otimizados e os resultados obtidos demonstram que a metodologia desenvolvida apresenta
linearidade, sensibilidade, exatidão, precisão, limite de detecção e quantificação adequados a determinação destes
metais em efluentes petroquímicos. Desta forma, pode-se concluir que os métodos voltamétricos desenvolvidos para
determinação de zinco, chumbo, cádmio e cobre podem ser aplicados na industria petroquímica como forma de
monitoramento analítico ambiental.
Palavras-chave: voltametria, metais, efluentes, petroquímica.

Introdução

Num passado recente, para muitos, poluição era o preço que o ambiente tinha que pagar pela ineficiência da
indústria, do transporte motorizado, do lixo gerado pelo consumo humano e algumas práticas agrícolas. Para a
indústria química a solução para a poluição era a diluição, o que não é mais aceito pela sociedade (BERSIER et al.,
1994). Com a crescente conscientização ambiental e expansão industrial observada nas últimas décadas, os impactos
da geração, do tratamento e do descarte de efluentes no meio ambiente tem chamado a atenção das empresas e da
sociedade moderna (MONTICELI & MARTINS, 1993). Seja pela consciência ambiental ou pela obrigatoriedade
imposta pelos órgãos ambientais, os conceitos foram repensados e surgiu a necessidade da implantação de sistemas
que possibilitem racionalização e reutilização dos recursos naturais (FAVARON, 2004), tornando os processos mais
limpos e sustentáveis.
O monitoramento dos efluentes líquidos gerados nas indústrias é regulamentado por legislação específica definida
pelo órgão competente da região em que a empresa está localizada. Os efluentes de uma indústria petroquímica
têm, em geral, uma matriz complexa muito característica dos processos petroquímicos daquela empresa. Portanto,
antes do envio do efluente para empresa de tratamento, faz-se necessária a caracterização do mesmo empregando-se
procedimentos analíticos confiáveis capazes de determinar baixos teores de contaminantes. Entretanto, é importante
destacar que muitos dos métodos disponíveis para a análise de efluentes industriais apresentam uma série de restrições
como, por exemplo, a dificuldade na padronização dos procedimentos analíticos pela alta complexidade e variabilidade
da matriz e geração de efluentes tóxicos e/ou em grande quantidade.
Os metais estão presentes nas matérias-primas utilizadas nos mais diversos segmentos industriais ou tem
participação vital nesses processos produtivos na forma de insumos, reagentes, catalisadores, etc. No entanto, o
impacto ambiental decorrente da contaminação de efluentes industriais por metais deve ser evitado. Dada a relevância
do assunto, investigações devem ser direcionadas para identificar, entender e resolver questões relativas ao impacto
na saúde humana e no meio ambiente. Nesse sentido, devem ser estudadas as possíveis fontes desses contaminantes,
assim como devem ser desenvolvidos métodos analíticos mais eficientes para determinação dos mesmos em efluentes
industriais e nas áreas e/ou pessoas possivelmente impactados.
Os efluentes contendo metais como chumbo, cobre, zinco e cádmio são potencialmente tóxicos. A ação dos íons
zinco, por exemplo, sobre o sistema respiratório dos peixes provoca a secreção de mucosas produzidas pelas suas
brânquias ocasionando a morte por asfixia. O chumbo age sobre o sistema neurológico humano causando doenças
(NARIAGU, 1996). Devido as suas toxicidades, mesmo em baixas concentrações, Pb e Cd são elementos-chave no
contexto da contaminação ambiental. Por outro lado, elementos como Cu e Zn também são importantes porque podem
exercer papel vital ou tóxico para os organismos, a depender da concentração em que sejam encontrados no meio
(BUFFLE, 2005). O monitoramento de metais no meio ambiente é de grande importância para a evolução ecológica
assim como para o entendimento da disseminação dos poluentes.
As técnicas voltamétricas são promissoras no monitoramento analítico de efluentes industriais, pois apresentam
excelente sensibilidade e extensa faixa linear de concentração para espécies inorgânicas e orgânicas, grande variedade
de solventes e eletrólitos, tempo de análise curto, determinações simultâneas de alguns analitos, baixo custo e alto

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1776


potencial de automatização. Além disso, o desenvolvimento tecnológico ocorrido nos últimos anos possibilitou que as
técnicas voltamétricas se tornassem capazes de fornecer resultados tão sensíveis quanto aqueles obtidos nas técnicas
consagradas industrialmente (cromatográficas e espectrométricas). Outra vantagem da voltametria é a minimização
ou até mesmo a eliminação de etapas de pré-tratamento da amostra, reduzindo os custos da análise e os riscos de
contaminação da amostra.
A voltametria de redissolução é uma das técnicas mais sensíveis para determinação de metais, alcançando
limites de detecção da ordem de 10-9 a 10-10 mol.L-1. Portanto, as formas de aplicação da voltametria na indústria,
especialmente na petroquímica, devem ser estudadas para que esta técnica possa ser mais bem empregada nos métodos
de monitoramento ambiental.
Levando em consideração os limites de detecção alcançados e a possibilidade de realização de especiação, a
voltametria configura-se como uma técnica promissora para determinação de metais em efluentes industriais Diante
disto, este trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de método analítico para a determinação de Pb, Cd, Cu e Zn
em efluentes de industria petroquímica.

Procedimento Experimental

Equipamento
As determinações foram realizadas no analisador voltamétrico 797 VA Processor (Metrohm), empregando uma célula
convencional de três eletrodos: o eletrodo de mercúrio de gota pendente (HMDE) como eletrodo de trabalho e os
eletrodos de Ag/AgCl (KCl 3 mol L-1) como referência e de platina (Pt) como auxiliar.

Reagentes e Soluções
As soluções foram preparadas com água ultrapura de sistema Milli Q (Millipore) e todos os reagentes utilizados foram
de grau analítico. Soluções padrão contendo 1000 mg L­­-1 dos metais Zn(II), Cd(II), Pb(II) e Cu(II) foram obtidas da
Titrisol da Merck. Peróxido de hidrogênio (H­2O2) 30% (v/v), ácido acético glacial (CH3COOH) e cloreto de potássio
(KCl) foram obtidos da Merck.
A solução de trabalho contendo os metais Zn (II) 50 mg L-1, Cd (II) 50 mg L-1, Pb (II) 50 mg L-1 e Cu (II) 50 mg L-1 foi
obtida pela dilui­ção apropriada da solução padrão 1000 mg L-1 com 1 mL de acido nítrico e aferido para 1 L com água
ultrapura. O eletrólito utilizado foi 1,5 mol L-1 KCl e 0,5 mol L-1 CH3COONa.

Amostras
As amostras de efluentes foram coletadas no sistema denominado orgânico (SO) e inorgânico (SN) de uma indústria
petroquímica localizada na cidade de Camaçari, na Bahia, em frascos limpos e armazenados em freezer a 4° C antes
da análise. O aparelho de amostragem foi limpo com ácido nítrico e as amostras foram acidificadas durante à coleta.

Procedimento
Todas as amostras foram digeridas em digestor UV (Metrohm). Foram utilizados aproximadamente 12 mL do efluente,
100 µL de ácido nítrico PA, 50 µL de peróxido de hidrogênio irradiados por 30 min a uma temperatura entre 70 °C e
90 °C. Para a determinação de zinco utilizou-se diluição. Após a digestão, coletou-se 10 mL da amostra à temperatura
ambiente e realizou-se a determinação dos metais através do modo de medição de pulso diferencial. Para a análise,
utilizou-se 1 mL de eletrólito e as determinações foram realizadas com adição de padrão em triplicata.

Resultados e Discussão

Parâmetros Voltamétricos
Os parâmetros voltamétricos avaliados no desenvolvimento do método de determinação de zinco, chumbo, cádmio
e cobre foram: agitação (rpm), tempo de purga (s), amplitude de pulso (V), potencial de depósito (V), tempo de
depósito (s), tempo de equilíbrio (s), razão de varredura (V/s) e potencial de pico (V ). Os valores selecionados para
cada um dos parâmetros são apresentados na Tabela 1.
A concentração de zinco obtida para as amostras reais do efluente industrial foi maior que a concentração de
chumbo, cádmio e cobre determinados na mesma amostra. Desta forma, foi necessário dividir este trabalho em duas
etapas: uma etapa de desenvolvimento do método de determinação de zinco e outra etapa para o desenvolvimento do
método de determinação de chumbo, cádmio e cobre.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1777


Tabela 1. Parâmetros voltamétricos selecionados para a determinação dos metais zinco, chumbo, cádmio e cobre.

Parâmetros Voltamétricos Zn Pb Cd Cu
Agitação (rpm) 2000 2000 2000 2000
Tempo de Purga (s) 300 300 300 300
Amplitude de Pulso (V) 0.05 0.05 0.05 0.05
Potencial de Deposito (V) -1,15 -0,7999 -0,7999 -0,7999
Tempo de Deposito (s) 90 30 30 30
Tempo de Equilíbrio (s) 10 10 10 10
Razão de Varredura (V/s) 0.06 0.06 0.06 0.06
Potencial de Pico (V ) -0.98 -0.42 -0.60 -0.01
Linearidade e Sensibilidade
A partir de padrões preparados com diferentes concentrações foram obtidas curvas analíticas a fim de avaliar a
linearidade do método e verificar a sensibilidade, obtida pelo coeficiente angular da equação da curva analítica, como
mostrado na Figura 1.

Curva Analítica_Zinco em Efluente Líquido

250 y = 299,48x + 2,1557


R2 = 0,9991
200
r = 0,9995
Corrente nA

150

100

50

0
0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70
Concentração mg/L

Figura 1: Curvas analíticas obtidas na determinação dos metais zinco, chumbo, cádmio e cobre..
A partir do coeficiente de correlação observado, pode-se concluir que os métodos são lineares na faixa de concentração
estudada, a qual corresponde à faixa de concentração típica esperada para as amostras reais.
A Figura 2 apresenta um voltamograma obtido na determinação dos metais estudados em padrão aquoso utilizando o
método desenvolvido. Observa-se que os picos para todos os metais possuem boa resolução.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1778


Figura 2: Voltamograma da determinação dos metais Zinco, Cádmio, Chumbo e Cobre.

Limites de Detecção e Quantificação


Para determinação dos limites de detecção e quantificação, contaminou-se um volume de água ultrapura (Milli-Q)
com aproximadamente 0,01 mg L-1 de zinco, 0,01 mg L-1 de cádmio, 0,02 mg L-1 de chumbo e 0,03 mg L-1 de cobre e,
após processo de digestão, analisou-se 10 replicatas obtendo o desvio padrão associado ao branco, o qual foi utilizado
para cálculo dos limites de detecção e quantificação (Tabela 2).
Tabela 2. Limites de detecção e quantificação dos metais determinados neste trabalho.
Metais LOD (mg L-1) LOQ (mg L-1)
Zn 0,01 0,02
Cu 0,02 0,04
Pb 0,02 0,05
Cd 0,02 0,05

Exatidão
Uma amostra de efluente líquido foi diluída 10 vezes e foram adicionados diferentes teores de zinco na ordem de
grandeza da concentração tipicamente encontrada nas amostras. O efluente e a solução resultante foram analisados em,
no mínimo, 7 replicatas e o fator de recuperação correspondente foi calculado (Tabela 3).
Tabela 3. Fatores de recuperação calculados no teste de exatidão para o método de determinação de metais em efluentes
petroquímicos.
Concentração dos metais
Matriz Fator de recuperação (%)
adicionados (mg L-1)
Efluente Líquido 1 102,00
Efluente Líquido 3 101,52
Efluente Líquido 5 101,37

Uma vez que o fator de recuperação médio obtido para cada elemento apresenta-se dentro da tolerância máxima
permitida (100% ± 15%), pode-se considerar o método exato.

Analisou-se uma amostra de efluente para verificar a concentração dos metais Cd, Cu e Pb e como não observou-se
sinal analítico correspondente a concentração dos metais foi preparado um padrão com concentração teórica de 4,2 mg
L-1 de Cd, Cu e Pb. O referido padrão foi analisado dez vezes e os resultados obtidos foram submetidos ao Teste- t de
exatidão. Conforme dados apresentados na Tabela 4, o método de determinação de chumbo, cádmio e cobre é exato.
Tabela 4. Resultados do Teste-t realizado na determinação dos metais chumbo, cádmio e cobre.
Pb Cd Cu
Média 4,1434 4,1956 4,1898
Desvio Padrão 0,0998 0,1829 0,1102
t observado -1,793 -0,076 -0,293
t crítico 2,262 2,262 2,262
Erro de Exatidão 1,35% 0,10% 0,24%

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1779


Precisão
Para avaliar a precisão do método de determinação de Zn, Cd, Pb e Cu, a mesma amostra de efluente líquido foi
distribuída para 5 analistas e analisadas em 5 replicatas. A introdução da amostra na célula voltamétrica foi realizada
por meio de um injetor automático, portanto a reprodutibilidade calculada corresponde à máxima precisão observada.
Os resultados do teste de precisão para os metais determinados pelos métodos desenvolvidos são apresentados na
Tabela 5.
Uma vez que o RSD (desvio padrão relativo) observado foi inferior ao RSD máximo aceitável definido conforme
critério de Horwitz, pode-se considerar os métodos precisos para a determinação de zinco, chumbo, cádmio e cobre.

Tabela 5. Resultados do teste de precisão para os metais determinados pelos métodos desenvolvidos.

Unidade de medida – mg/L Zn Pb Cd Cu


Média 10,563 0,0584 0,0524 0,0593
REPE absoluta 1,18 0,0037 0,0039 0,0035
REPRO absoluta 1,526 0,0038 0,0038 0,0038
RSD (%) 5,2 2,37 2,64 2,34
RSD máximo aceitável (%) 5,9 11,9 11,9 11,9
Incerteza expandida (U) 1,2 0,0028 0,0028 0,0068

ConclusÕES

As técnicas voltamétricas são promissoras no monitoramento analítico de efluentes industriais, pois apresentam
excelente sensibilidade e extensa faixa linear de concentração para espécies inorgânicas e orgânicas, grande variedade
de solventes e eletrólitos, tempo de análise curto, determinações simultâneas de alguns analitos, baixo custo e alto
potencial de automatização. Este trabalho apresenta o desenvolvimento de métodos voltamétricos para a determinação de
zinco, cádmio, chumbo e cobre em efluentes da indústria petroquímica. Os parâmetros voltamétricos foram otimizados
e os resultados obtidos demonstram que a metodologia desenvolvida apresenta linearidade, sensibilidade, exatidão,
precisão, limite de detecção e quantificação adequados a determinação destes metais em efluentes petroquímicos.
Desta forma, pode-se concluir que os métodos voltamétricos desenvolvidos para determinação de zinco, chumbo,
cádmio e cobre podem ser aplicados na indústria petroquímica como forma de monitoramento analítico ambiental.

AgradeCimentos

À Braskem pelos recursos disponibilizados.

Referências

[1] BERSIER P. M., CARLSSON L., BERSIER J. Topics in Current Chemistry, Springer, pp. 113-127, 1994.

[2] MONTICELI J. J., MARTINS J. P. S. A Luta pela Água nas Bacias dos Rios Piracicaba e Capivari, Capivari: São

Paulo, EME, 1993.

[3] FAVARON R. Desenvolvimento de Métodos Voltamétricos para Determinação de Zinco, Cobre, Chumbo, Níquel,

Estanho e Cromo em Águas Tratadas de Efluentes de Galvanoplastias. Campinas: São Paulo, Tese de Doutorado em

Química Analítica, UNICAMP, 2004.

[4] NARIAGU I. O. History occurence and uses of vanadium. New York: New York, pp.14., 1996.

[5] BUFFLE J., TERCIER-WAEBER M. L. Voltammetric environmental trace metal analysis and speciation: from

laboratory to in situ measurements. Trends in Analytical Chemistry, pp. 172-191, 2005.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1780


ME52

ESTUDOS EM INTERFACE DO TIPO ÁGUA/ÓLEO PARA A DETECÇÃO


DE GLICEROL EM BIODIESEL

Etienne S. Oliveira1, Sonia Tomie Tanimoto 1 e Hugo B. Suffredini1*,

1
Centro de Ciências Naturais e Humanas - Universidade Federal do ABC, Santo André - SP –
Brasil. hugo.suffredini@ufabc.edu.br

RESUMO: O Biodiesel é obtido pela transesterificação de diferentes tipos de óleos, formando como importante
subproduto o glicerol. Neste contexto, a proposta deste trabalho é referente à preparação de eletrodos de platina e
platina-chumbo via método sol-gel, com o objetivo de detectar glicerol residual em biodiesel. A caracterização física
dos eletrodos foi realizada pelas técnicas de difração de raio-x e métodos eletroquímicos. Realizaram-se estudos da
presença de glicerol livre em biodiesel, utilizando os eletrodos desenvolvidos, que foram acondicionados na interface
biodiesel/eletrólito de suporte. Neste trabalho, foi possível realizar a detecção do glicerol em biodiesel. Estudos futuros
de otimização deverão ser realizados para que o sistema possa ser utilizado em aplicações reais.
Palavras-chave: Voltametria, eletroquímica de interface, sol-gel, biodiesel, glicerol.

Introdução

A presença de glicerol livre causa redução da viscosidade, do poder calorífico (provocam uma combustão
incompleta) e do número de cetano do biodiesel, podendo causar uma série de problemas em motores do tipo ciclo-
diesel. O teor máximo de glicerol livre que pode ser encontrado em biodiesel, segundo a especificação da Agência
Nacional de Petróleo, é de 0,02% em massa [1]. Assim, este trabalho tem por principal proposta a detecção de glicerol
em biodiesel em medidas realizadas diretamente em uma interface do tipo água/óleo, sendo desnecessárias etapas
complicadas de pré-tratamento das amostras. Os eletrodos a serem utilizados foram sintetizados por meio do método
Sol-Gel. Neste processo, o termo “sol” define uma dispersão de partículas coloidais estáveis em um fluido, enquanto o
termo “gel” refere-se ao sistema formado pela junção das partículas coloidais (gel coloidal) ou de cadeias poliméricas
(gel polimérico). As partículas do gel, assim obtidas, são queimadas em mufla em temperatura controlada para a
transformação dos agregados em óxidos metálicos, como Pt-PbOx e PtOx, materiais estes utilizados nesse trabalho[2].
A platina é um metal nobre que possui alta capacidade de adsorção de espécies orgânicas e inorgânicas. No entanto,
catalisadores baseados apenas em platina são extremamente susceptíveis ao envenenamento catalítico, enquanto que
aqueles que apresentam óxidos de Pb inibem a adsorção de intermediários indesejáveis de reação, como, por exemplo,
os inúmeros produtos gerados pela oxidação de glicerol, devido aos grupos hidroxilas que dificultam a formação
selecionada dos subprodutos [3,4] .
Devido às dificuldades geradas pela contaminação de glicerol, tais como a formação de material particulado,
emissão de acroleína (composto tóxico para o ambiente); dentre outros, além do grande destaque no panorama
mundial como combustível alternativo aos derivados do petróleo, este trabalho tem o objetivo inicial de estabelecer um
protocolo simples para a detecção de glicerol, por via eletroquímica. Assim, o biodiesel foi previamente contaminado
com glicerol e utilizado como fase óleo para a análise eletroquímica, realizada na interface biodiesel/eletrólito de
suporte. Os estudos foram possíveis pelo fato dos dois líquidos apresentarem baixa solubilidade intrínseca e densidades
diferentes para manter o sistema estável. Além disso, o solvente principal é polar, característica esta encontrada em
eletrólitos de suporte convencionais [5,6].
Enfim, este trabalho visa o preparo de eletrocatalisadores heterogêneos baseados no método sol-gel, sua
caracterização estrutural e eletroquímica e posterior aplicação na oxidação de glicerol em biodiesel, tendo o objetivo
de detectar esta molécula por meio de técnicas eletroquímicas.

Procedimento Experimental

Soluções: Glicerol, pureza 99+% (Acros®); óleo de soja obtido em comércio local; Hidróxido de Sódio concentrado;
Ácido Sulfúrico 0,5 mol L-1; Acetilacetato de Platina; Acetilacetato de Chumbo; Ácido Etanóico; Álcool Etílico; Álcool
Metílico, todos com padrão Merck®;
Estudos Eletroquímicos e Estruturais: Potenciostato/Galvanostato AUTOLAB modelo PGSTAT 100 em células
eletroquímicas de três eletrodos (Contra-eletrodo de platina, Eletrodo de Referência Ag/AgCl, Eletrodo de trabalho de
Platina e Platina/Chumbo); Difratômetro de Raios-X D8 Brucker.
Método Sol-Gel: Solubilizou-se 2,5.10-3 L de acetilacetato de platina 2,5.10-3 L de acetilacetato de chumbo (II) em
uma solução preparada na proporção de 3:2 de ácido etanóico e álcool etílico. A solução foi aplicada em um eletrodo
de óxido de titânio, de diâmetro de aproximadamente 2mm, previamente lixado, sendo, a cada aplicação, secada com
auxilio de um soprador térmico. Posteriormente, o eletrodo foi colocado na mufla sob temperatura controlada de 300°C
por uma hora. Para o eletrodo de platina o processo acima foi repetido para 5,0.10-3 L de acetilacetato de platina.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1781


Preparo de Biodiesel: O biodisel metílico foi preparado com 0,5 L de óleo de soja, adicionado a 2 x 10-2 L de
hidróxido de sódio concentrado (catalisador) diluído em 2 x 10-1 L de álcool metílico. O sistema foi mantido fechado
à aproximadamente 60°C, durante um tempo de reação de seis horas, sendo transferido em seguida para o funil de
decantação. O biodiesel foi submetido à lavagem por cinco vezes, com o objetivo de eliminar resíduos de glicerol.
Preparo das Soluções de Glicerol em Biodiesel: Para detecção de glicerol livre em solução, foram preparadas
amostras nas concentrações de 0,02% e 2%, utilizando como solvente o ácido sulfúrico 0,5 mol L-1. A amostra de
biodiesel metílico foi contaminada artificialmente com glicerol, nas mesmas concentrações de 0,02% e 2%.

Resultados e Discussão

Os difratogramas apresentados na Figura 1 mostram que os eletrocatalisadores de platina e platina-chumbo foram


sintetizados de maneira satisfatória, tendo em vista que as características desejadas correspondem à caracterização
física realizada nestes materiais, apresentando os picos característicos da platina policristalina e os diversos picos
referentes à mistura de óxidos de chumbo (PbOx).

Figura 1: Diafratogramas de eletrodo de platina (à esquerda) e platina-chumbo (à direita).

Após a realização dos estudos de caracterização física,iniciaram-se os estudos eletroquímicos. Os resultados


obtidos por voltametria de onda quadrada demonstram que existe um pico de oxidação de glicerol, próximo de 0,57 V
vs. Ag/AgCl para ambos os eletrodos, tanto de PtOx/Ti quanto para o Pt-PbOx/Ti, visível em concentrações acima de
2% (Figura 2). O eletrodo baseado em platina apresentou valores de corrente cerca de três vezes superior ao eletrodo
baseado em Pb. Contudo, não foi possível detectar o glicerol na concentração estipulada pelas normas da ANP, de
0,02%. Sendo assim, estudos futuros de otimização deverão ser realizados para que o sistema apresente utilidade
prática.

Figura 2: Voltametrias de onda quadrada interfaciais para eletrodos de PtOx/Ti (à esquerda) e Pt-PbOx/Ti (à direita),
variando-se a frequência de 10 à 100 Hz, em interface do tipo biodiesel/eletrólito de suporte, sendo o biodiesel
contaminado com 2% de glicerol.

ConclusÕES

Os eletrodos de platina e platina-chumbo foram preparados com êxito, uma vez que o perfil eletroquímico e corresponde
aos dados encontrados na literatura. Segundo as normas da ANP, o máximo de glicerol livre que pode ser encontrado
em biodiesel é de 0,02% (relação em massa). No entanto, a análise voltamétrica utilizando eletrodos preparados pelo
método sol-gel não atingiram esse limite, restringindo-se a concentrações de no máximo 10-5 mol L-1. Estudos futuros
de otimização deverão ser realizados com o objetivo de utilizar este tipo de sistema em aplicações reais.

AgradeCimentos: FAPESP, CAPES , LEMN.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1782


Referências

[1] Barreto, A. J. B. Caracterização e Controle de Qualidade do Biodiesel no Apoio Tecnólogico ao Setor Produtivo.
Disponível em: http://prh.mecanica.ufrj.br/index_arquivos/palestras/20101015.pdf. Acesso em 15/03/11.
[2] Rocha, S. M. R. Síntese e Caracterização de Precursores para Catalisadores Termicamente Estáveis à Base de
Lantanídeos pelo Método Sol – Gel. 101 F. Dissertação (Doutorado em Ciências na Área de Tecnología Nuclear-
Materiais). Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, Universidade de São Paulo,São Paulo, 2005.
[3] Munaretto, M. ; Fockink, D. H. ; Pacheco, V. P. . Eletrodos monocristalinos de platina para eletrocatálise de
oxidação de metano. Orbital - The Electronic Journal of Chemistry, 2010.
[4] Etto, T. L. ; Mandelli, D. . Oxidação catalítica de glicerol com H2O2 catalisada por Mn-TMTACN: comparação
com sistemas a base de montmorilonita e obtenção de produtos para indústria petroquímica e de química-fina. In:
XIV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas, 2009. Anais do XIV Encontro de Iniciação Científica da
PUC-Campinas, 2009.
[5] Lozeiro, H. C.; Silva, F. C.; Mouzinho, A. M. C.; Nascimento, A. A., Souza, A. G.; Conceição, M. M..Determinação
do Teor de Glicerina Livre em Biodiesel por Espectrofotometria do UV-Visível. I Congresso da Rede Brasileira de
Tecnologia de Biodiesel: artigos técnico-científicos, Brasília, Brasil, 2006.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1783


ME53

DETERMINAÇÃO DE METILTESTOSTERONA EM AMOSTRAS


AMBIENTAIS UTILIZANDO VOLTAMETRIA DE ONDA QUADRADA

Luciane Miranda1, Andressa Galli2, Sueli P. Quinaia1,

1
Departamento de Química - Unicentro, Guarapuava - PR – Brasil; 2Departamento de Química -
UEPG, Ponta Grossa - PR – Brasil luciane_miranda@yahoo.com.br

RESUMO: Foi desenvolvida uma metodologia eletroanalítica para a determinação do hormônio metiltestosterona
(MT) em amostras ambientais, utilizando-se a técnica de voltametria de onda quadrada (SWV) sobre um eletrodo
de gota pendente de mercúrio (HMDE). As medidas voltamétricas mostraram que o pico de redução de MT ocorreu
no potencial de -1,4 ± 0,05 V em relação ao eletrodo de Ag/AgCl. Para a otimização da metodologia avaliou-se
parâmetros como eletrólito suporte, concentração hidrogeniônica, freqüência de aplicação de pulsos de potencial (f ),
amplitude dos pulsos (a) e incremento de varredura (DEs). Estabelecidas as melhores condições construi-se uma curva
de trabalho pelo método de adição padrão e as correntes de pico foram diretamente proporcionais à concentração do
hormônio, por meio de duas inclinações, obtendo-se limites de detecção (LD) de 3,07 mg L-1 para baixas concentrações
e 23,06 mg L-1 altas concentrações. Adicionalmente, foram realizados estudos de interferência, repetibilidade e
reprodutibilidade do método analítico. A metodologia foi aplicada na quantificação de MT em amostras de água de
rio e de tanque de peixes.
Palavras-chave: metiltestosterona, águas naturais, voltametria de onda quadrada, eletrodo de gota pendente de
mercúrio.

Introdução

O crescente aumento da população mundial, aliado ao contínuo progresso da tecnologia, estimula o aparecimento
de centenas de novos materiais a todo instante, assim como o acúmulo dos respectivos resíduos industriais em solos,
águas e no ar. Dentro deste cenário, os hormônios se enquadram, dentre outras funções, como moléculas especialmente
utilizadas para aumentar o rendimento e controle das diferentes atividades, tais como a piscicultura em todo mundo
[1,2].
Os hormônios são moléculas produzidas pelo sistema endócrino (glândulas e hormônios), com funções biológicas
específicas de comunicação e regulação entre as células, desenvolvimento, reprodução e a manutenção do equilíbrio
do metabolismo como um todo [1].
O hormônio metiltestosterona pertence ao grupo de hormônios esteróis e está em um grupo de medicamentos
chamados andrógenos. Os andrógenos são hormônios masculinos que são necessários para estimular o início da
puberdade em meninos, bem como para tratar certos tipos de câncer de mama em mulheres.
Adicionalmente, o metiltestosterona é utilizado, muitas vezes, sem critérios e sem controle, em criadouros de peixes
para promover a reversão sexual das espécies (como por exemplo, Tilápia do Nilo). A técnica de reversão sexual permite
que o criador consiga ter, nos seus tanques, exemplares de apenas um sexo, preferencialmente o sexo que apresenta
melhor taxa de crescimento. As tilápias, por exemplo, apresentam alta fertilidade e se reproduzem em cativeiro várias
vezes por ano, antes mesmo de atingirem o tamanho comercial. Os machos desta espécie apresentam maior ganho de
peso em relação às fêmeas e, desta forma, a aplicação da técnica de reversão sexual torna-se necessária para o aumento
da produção de machos e, conseqüentemente, aumento da rentabilidade. Assim, dentre as técnicas utilizadas para
reversão sexual em tilápias, a mais difundida é a utilização de hormônios, principalmente o metiltestosterona. Desta
forma, o uso indiscriminado de hormônios leva à contaminação de rios, lagos e mananciais, promovendo uma grande
formação de resíduos metabólitos no meio ambiente.
As metodologias padrão para a análise de hormônios e de seus resíduos em matrizes naturais envolvem a
quantificação dos analitos por diferentes técnicas cromatográficas. Entretanto, estas técnicas requerem um pesado
tratamento da amostra, tornando-as bastante especializadas e de alto custo [3].
As técnicas eletroanalíticas surgem como uma alternativa na determinação e quantificação de diversas espécies,
uma vez que apresentam vantagens como menor custo e a possibilidade da análise direta da amostra, sem uma etapa
preliminar de separação ou de pré-tratamento [4]. Dentre as técnicas eletroanalíticas, destaca-se a voltametria de onda
quadrada (SWV), caracterizando-se como uma das técnicas mais sensíveis que, além de fornecer alta sensibilidade
analítica, ainda possibilita uma avaliação do comportamento redox do sistema utilizando-se critérios de diagnósticos
específicos [5].
Este trabalho teve como objetivo desenvolver uma metodologia eletroanalítica visando à determinação do
hormônio metiltestoterona (MT) em águas naturais, utilizando-se o eletrodo de gota pendente de mercúrio e a técnica
de voltametria de onda quadrada. A metodologia foi aplicada em amostras de águas de rio e de tanques de criação de
peixes, pelo método da adição de padrão.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1784


Procedimento Experimental

As medidas voltamétricas foram executadas em um polarográfo Methrom 757 VA Computrace, acoplado por uma
interface a um micromputador, operando com o software VA Computrace, para obtenção, armazenamento e tratamento
dos dados obtidos. Como eletrodo de trabalho utilizou-se eletrodo de mercúrio de gota pendente (HMDE), eletrodo de
referência de Ag/AgCl em KCl 3,0 mol L-1 e um eletrodo auxiliar de platina. Foram realizados estudos para a otimização
da metodologia analítica, tais como: parâmetros da técnica de SWV (freqüência de aplicação de pulsos de potencial (f),
amplitude dos pulsos (a) e incremento de varredura (DEs)), tempo de pré-concentração do analito, eletrólito suporte e
variação da concentração hidrogeniônica do meio. Utilizando-se as condições otimizadas foi construída uma curva de
trabalho para o hormônio metiltestosterona em eletrólito puro de laboratório determinando-se os limites de detecção
(LD) e de quantificação (LQ). Após o desenvolvimento da metodologia de trabalho, foram realizados estudos de
interferência, de repetibilidade e de reprodutibilidade da metodologia. Os parâmetros foram otimizados utilizando-se
150 µL de solução estoque de MT (USP) 1,0x10-2 mol L-1 e 15 mL de eletrólito suporte (hidróxio de sódio 5,0x10-3 mol
L-1 com pH = 9 ajustado com fosfato de sódio 0,1 mol L-1). Todas as medidas foram realizadas em triplicata.

Resultados e Discussão

As medidas voltamétricas mostraram que o pico de redução de MT ocorreu no potencial de -1,4 ± 0,05 V vs
Ag/AgCl. Foram realizados experimentos com diferentes eletrólitos suporte e nos valores de pH de 5, 9 e 12. Os
voltamogramas da Figura 1 (a, b, c e d) mostram que a melhor resposta ocorreu com o eletrólito NaOH 5,0x10-3 mol
L-1 (pH=9), ajustado com solução de fosfato de sódio 0,1 mol L-1..

Figura 1: Voltamogramas de onda quadrada para o MT sobre HMDE, em diferentes soluções, (a) NaOH
5,0x10-3 mol L-1 (pH 5, 9 e 12), (b) NaH2PO4 0,1 mol L-1 (pH 5 e 9) , (c) Na2SO4 0,1 mol L-1 (pH 5 e 9) e (d) Tampão
Britton-Robinson (B-R) com a = 50 mV, f = 100 s-1 e DEs= 6 mV.

Os melhores resultados obtidos, em relação aos parâmetros da SWV, foram f de 100 Hz, DEs 6 mV e a de 50 mV,
com uma corrente de -39,653 nA, em tempo de pré-concentração de 120 s. Estabelecidas as melhores condições para
a determinação do pico de redução do MT foi construída a curva analítica em eletrólito preparado com água purificada
do laboratório, pelo método de adição padrão (Figura 2). A curva de trabalho apresentou duas regiões lineares com
intervalo de concentração de 1,0x10-8 até 2,31x10-8 mol L-1 para o segmento referente à baixas concentrações e de
4,18x10-7 até 1,87x10-6 mol L-1 referente ao segmento para altas concentrações de MT. Observou-se um aumento
proporcional das correntes de pico com o aumento da concentração de MT.

Figura 2: Voltamogramas de onda quadrada para a MT sobre HMDE em diferentes concentrações e a curva linear
mostrando os valores da inclinação (B) e coeficientes de correlação (R) para as duas inclinações (baixas concentrações
e altas concentrações), em meio de NaOH 5,0x10-3 mol L-1, com a = 50 mV, f = 140 s-1 e DEs= 2 mV.
Os valores encontrados para o LD e LQ são mostrados na Tabela 2.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1785


Tabela 2. Valores de LD e LQ para o segmento I (menores concentrações de MT) e para o segmento II (maiores
concentrações de MT).

O estudo de interferentes foi realizado com a adição de alíquotas de ácido húmico (AH) a partir de uma solução
estoque de 2,72x10-4 mol L-1, considerando-se a massa molecular do AH como 5500 g mol-1. Estudos com diferentes
teores de AH foram avaliados, variando-se de 8,858x10-10 a 6,95x10-6 mol L-1. Verificou-se que para baixas concentrações
de AH não ocorreu interferência (Figura 3). No entanto, com a adição de soluções mais concentradas de AH, a corrente
de pico diminui em até 63,97 %, em relação à corrente de pico inicial de 1,96x10-7 mol L-1 de MT.

Figura 4: Estudo de interferência do AH sobre MT (1,96x10-7 mol L-1 ), voltamogramas mostrando as adições: (a) AH
8,88x10-10 a 2,65x10-9 mol L-1, solução diluída e (b) AH 8,88x10-7 a 3,52x10-6 mol L-1, (c) AH 1,77x10-6 a 6,95x10-6 mol
L-1, solução concentrada. Em meio de NaOH 5,0x10-3 mol L-1, com a = 50 mV, f = 140 s-1 e DEs= 2 mV

Outros parâmetros avaliados foram a repetibilidade e a reprodutibilidade do método. Para a reprodutibilidade foram
feitas 5 medidas consecutivas de MT (1,96x10-7 mol L-1) na cela contendo 15 ml de eletrólito. Com o resultado das 5
medidas calculou-se o CV, sendo este de 2,85 %. A reprodutibilidade foi obtida a partir de análises realizadas em 5 dias
consecutivos, o CV calculado para a reprodutibilidade foi 14,91 %.
A validação do método foi realizada através de estudos de adição de analito sobre a amostra com a obtenção de
101,47 % de recuperação em eletrólito puro. Em amostras de água de rio aplicou-se a metodologia na quantificação
de MT, foi encontrado 2,73x10-7 mol L-1. Para amostras de tanque de peixe foi quantificado 1,60x10-7 mol L-1 e a
recuperação foi de 108,94 %.

ConclusÕES
Com os experimentos realizados para a otimização do método analítico foi possível quantificar o MT em amostras
de interesse de forma rápida e de menor custo em relação às técnicas tradicionais. O método mostrou-se eficiente
através da adição de padrão sobre amostras reais. Com isso foi possível realizar as quantificações da metiltestosterona
e avaliar os ambientes aquáticos para detecção de fontes de poluição antrópicas.

AgradeCimentos: Programa de pós-graduação em química – unicentro.


CAPES.
Referências
[1] REIS, R. W. F., ARAÚJO, J. C., VIEIRA, E. M. “Hormônios sexuais estrógenos: contaminantes bioativos”. Quimica
Nova, v. 29, N° 4, p. 817-822, 2006.
[2] LOPES, L.G., MARCHI, M. R.R., SOUZA, J. B.G., MOURA, J. A., LORENZON, C. S., CRUZ, C., AMARAL,
L. A. “Estrogênios em Águas Naturais e Tratadas da Região de Jaboticabal – São Paulo”. Química Nova, Vol. XY,
No. 00, 1-5, 2010.
[3] SANTOS, K. BRAGA, O. C., VIEIRA C., SPINELLI A., “Electroanalytical Determination of Estriol Hormone
Using a Boron-doped Diamond Electrode”. Talanta, Brasil, 80 (2010) 1999–2006.
[4] HERNANDEZ-OLMOS, M. A. AGUI, L. YANÉZ-SEDENO, P. PINGARRÓN, J. M. “Analytical Voltammetry in
Low-Permitivity Organic Solvents Using Disk and Cylindrical Microelectrodes. Determination of Thiram in Ethyl
Acetate”. Electrochimica Acta, v. 46, p.289, 2000.
[5] GALLI A., DE SOUZA D., GARBELLINI G.S., COUTINHO C.F.B., MAZO L.H., AVACA L.A. and MACHADO
S.A.S., “Utilização de técnicas eletroanalíticas na determinação de pesticidas em alimentos”, Química Nova 29(1):
105-112, 2006.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1786


ME54

DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIA ELETROANALÍTICA


PARA A DETERMINAÇÃO DO PESTICIDA GLIFOSATO UTILIZANDO
VOLTAMETRIA DE ONDA QUADRADA

Simone Carla dos Santos1*, Andressa Galli2, Karin Cristiane Justi1

1
Departamento de Química - UNICENTRO, Guarapuava - PR – Brasil; 2Departamento de
Química - UEPG, Ponta Grossa - PR – Brasil; simonecarlas@yahoo.com.br

RESUMO: A voltametria de onda quadrada (SWV) foi utilizada para o estudo do comportamento eletroquímico
do pesticida glifosato, utilizando-se eletrodo de gota pendente de mercúrio (HMDE). A eletroatividade do
glifosato sobre o eletrodo de mercúrio foi obtida através da complexação com Cu (II), sendo, então, otimizados
os parâmetros voltamétricos e experimentais envolvidos na redução eletroquímica, tais como: concentração
de Cu, parâmetros da SWV, eletrólitos suporte em diferentes valores de pH, além da realização de um
planejamento fatorial 24. As correntes de pico foram diretamente proporcionais à concentração do complexo
Cu (II)-glifosato formado, de maneira que uma curva de trabalho foi construída e o limite de detecção obtido foi de
62,99 mg L-1. Foram realizados testes de recuperação do glifosato em água ultrapura em água natural obtida na região
de Guarapuava/PR, obtendo-se valores de 99,6% e 100,2%, respectivamente.
Palavras-chave: eletrodo de mercúrio, voltametria de onda quadrada, Cu (II), glifosato.

Introdução

O glifosato é um herbicida sitêmico, pós-emergente e não seletivo, pertencente ao grupo químico dos organofosforados
e à classe dos herbicidas. É utilizado para o controle de plantas de folhas largas, em culturas de ameixa, café, citrus,
maçã, pêra, soja, milho, dentre outras. A utilização do glifosato na agricultura pode levar a efeitos nocivos sobre
a saúde humana como o aumento da incidência de certos tipos de câncer e alterações do feto por via placentária.
Estudos in vitro [1], demonstraram que o glifosato reduz a produção de progesterona em células de mamíferos e afeta
a mortalidade de células placentárias [2]. A análise de pesticidas é tradicionalmente realizada por meio de técnicas
cromatográficas, devido à capacidade destas técnicas em efetuar separações, identificar e quantificar as espécies em
uma amostra utilizando diferentes detectores e também, devido aos limites de detecção apropriados. Entretanto, as
técnicas eletroanalíticas apresentam algumas vantagens em comparação às técnicas cromatográficas na determinação
de pesticidas, como menor custo e, processo mais rápido, sendo que a principal vantagem é a possibilidade da análise
direta da amostra, sem uma etapa preliminar de separação ou de pré-tratamento [3,4]. Uma técnica que têm sido
utilizada com sucesso na análise de pesticidas é a voltametria de onda quadrada (SWV), caracterizando-se como
uma das técnicas mais sensíveis que, além de fornecer alta sensibilidade analítica, ainda possibilita uma avaliação do
comportamento redox do sistema utilizando-se critérios de diagnósticos específicos.
O glifosato não apresenta resposta eletroquímica sobre o eletrodo de mercúrio, ou seja, é polarograficamente inativo,
uma vez que não apresenta grupos químicos que possam ser reduzidos. O glifosato apresenta três grupos funcionais
(amino, carboxilato e fosfonato) que podem coordenar fortemente com íons metálicos, especialmente com os de
transição [5], em pH próximo de neutro, onde ambos os grupos carboxilato e fosfonato estarão desprotonados. Sendo
assim, ele pode ser detectado na forma de complexo metálico com vários metais, tal como, a redução eletroquímica do
metal presente no complexo de Cu (II).
Desta forma, o objetivo deste trabalho foi utilizar a SWV aliada ao eletrodo de gota suspensa de mercúrio (HMDE)
para avaliação do comportamento eletroquímico do glifosato e desenvolver uma metodologia eletroanalítica para
determinação de seus resíduos em águas naturais.

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

As medidas voltamétricas foram executadas em um analisador polarográfico 757 VA Computrace operando com
um eletrodo de mercúrio de gota pendente (HMDE) como eletrodo de trabalho, um eletrodo de referência Ag/AgCl
em KCl 3,0 mol L-1 e um eletrodo auxiliar de platina. A manipulação dos dados, o armazenamento e a saída para
visualização dos resultados foram controlados pelo “software” VA Computrace, instalado a um microcomputador que
se conecta ao VA Computrace através de uma interface. Foi utilizada solução estoque de glifosato 1000 mg L-1, solução
de nitrito de sódio 0,1 mol L-1, solução de nitrato de sódio 0,1 mol L-1, solução tampão fosfato 0,1 mol L-1. O pH das
soluções foi ajustado com soluções de ácido nítrico 0,1mol L-1 e hidróxido de sódio 0,1 mol L-1. Em cada análise
foram utilizados 15 mL de eletrólito suporte, 50 μL de solução de cobre e 3 adições de glifosato, cada uma contendo
25 μL. Foi realizada otimização da metodologia através da avaliação de parâmetros como, concentração de Cu (II)
para complexação do glifosato, eletrólito suporte, variação da concentração hidrogeniônica e tempo de deposição. Os

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1787


parâmetros da SWV valiados foram: freqüência de aplicação dos pulsos de potencial (f), incremento de varredura (DEs)
e amplitude dos pulsos (a). Utilizando-se as condições otimizadas foi construída uma curva de trabalho para o glifosato
em eletrólito puro de laboratório determinando-se os limites de detecção (LD) e de quantificação (LQ). Em seguida
foram realizados ensaios para avaliar a repetibilidade e reprodutibilidade do método, e, por fim, foram realizados testes
de recuperação em água ultra-pura e em água do lago da UNICENTRO, campus CEDETEG; cada teste foi feito em
triplicata em uma concentração de 3,31 mg L-1.

Resultados e Discussão

Como o glifosato não é eletroativo no eletrodo de mercúrio, neste estudo o glifosato foi complexado com cobre (II)
em diversas concentrações para que fosse possível obter uma resposta eletroquímica, conforme Figura 1.
-3000 -350
100 mg L-1 a) 10 mg L-1 b)
-2500 NaNO2 -300 NaNO2
Cu Cu
[Gf]:[Cu]=0,5 -250 [Gf]:[Cu]=0,5
-2000 [Gf]:[Cu]=1,0 [Gf]:[Cu]=1,0
[Gf]:[Cu]=1,5 [Gf]:[Cu]=1,5
-200
Ip/ nA

Ip/ nA
-1500
-150
-1000
-100
-500 -50
0 0
0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4
E / V vs Ag/AgCl E / V vs Ag/AgCl

-140 5 mg L-1 c) -120 2,5 mg L-1 d)


NaNO2 NaNO2
-120 Cu -100 Cu
[Gf]:[Cu]=0,5 [Gf]:[Cu]=0,5
-100 [Gf]:[Cu]=1,0 [Gf]:[Cu]=1,0
[Gf]:[Cu]=1,5 -80 [Gf]:[Cu]=1,5
-80
Ip/ nA

Ip/ nA
-60
-60
-40 -40
-20 -20
0 0
0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4
E / V vs Ag/AgCl E / V vs Ag/AgCl

Figura1. Voltamogramas de SWV em relação à variação da concentração de Cu (II) sobre HMDE em meio de NaNO2,
0,1 mol L-1 com a = 50 mV, f = 100 s-1 e DEs= 6 mV, onde: (a)100 mg L-1 ; (b) 10 mg L-1; (c) 5mg L-1; (d) 2,5 mg L-1 de
glifosato, respectivamente.

Pode ser observado que o Cu na concentração de 5 mg L-1 forneceu melhor resposta analítica, apresentando maior
corrente de pico para o complexo Cu(II)-glifosato (E = -0,15 V) em relação a diminuição da corrente do Cu(II) (E =
0,01 V). Foram realizados experimentos com os eletrólitos: tampão fosfato 0,1 mol L-1, NaNO3 0,1 mol L-1, NaNO2
0.1 mol L-1 em diferentes valores de pH e observou-se que não acorreu a complexação do glifosato com o Cu (II) na
presença do tampão fosfato e do eletrólito NaNO3, pois não foi observado pico na faixa de potencial do complexo; a
complexação ocorreu apenas na presença do NaNO2 como podemos ver na Figura 2. Adicionalmente, o tampão fosfato
tende a complexar com o cobre.
-180 -160
pH 4,5 a) -180 pH5,5 b) pH 6,5 c)
-160 -140
NaNO2 -160 NaNO2 NaNO2
-140 Cu
-140
Cu
-120 Cu
[Gf]:[Cu]=0,5 [Gf]:[Cu]=0,5 [Gf]:[Cu]=0,5
-120 [Gf]:[Cu]=1,0
-120 [Gf]:[Cu]=1,0 [Gf]:[Cu]=1,0
[Gf]:[Cu]=1,5 [Gf]:[Cu]=1,5 -100 [Gf]:[Cu]=1,5
-100 -100 -80
Ip/ nA
Ip/ nA

Ip/ nA

-80 -80
-60 -60
-60
-40 -40 -40
-20 -20 -20
0 0 0
0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4
E / V vs Ag/AgCl E / V vs Ag/AgCl E / V vs Ag/AgCl

-140
-120 pH 7,5 d) -100 pH 8,5 e) pH 9,5 f)
NaNO2 NaNO2 -120 NaNO2
-100 Cu
-80
Cu Cu
[Gf]:[Cu]=0,5
[Gf]:[Cu]=0,5
[Gf]:[Cu]=0,5
[Gf]:[Cu]=0,5
-100 [Gf]:[Cu]=0,5
-80 [Gf]:[Cu]=0,5 [Gf]:[Cu]=0,5
[Gf]:[Cu]=1,0
-60 -80 [Gf]:[Cu]=1,5
Ip/ nA

-60
Ip/ nA

Ip/ nA

-60
-40
-40 -40
-20 -20 -20
0 0 0
0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4
E / V vs Ag/AgCl E / V vs Ag/AgCl E / V vs Ag/AgCl

Figura 2. Voltamogramas de SWV em diferentes valores de pH sobre HMDE em meio de NaNO2 0,1 mol L-1, com a =
50 mV, f = 100 s-1 e DEs= 6 mV, onde valores de pH: (a) 4,5; (b) 5,5; (c) 6,5; (d) 7,5; (e) 8,5; (f) 9,5.

O melhor resultado de corrente de pico do complexo Cu (II)-glifosato foi com o eletrólito NaNO2 0.1 mol L-1 em
pH 6,5.
A tabela 1 apresenta os fatores escolhidos para o planejamento fatorial e seus níveis.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1788


Tabela 1. Fatores e níveis escolhidos do plano fatorial para a otimização dos parêmtros de SWV para o pesticida
glifosato.

Fatores (+)Superior (0)Central (-)Inferior


1. tdeposição (s) 120 90 60
2. Freqüência (Hz) 100 75 50
3. Incremento de varredura (mV) 6 4 2
4. Amplitude (mV) 50 32,5 15

Os melhores resultados foram obtidos para um tempo de deposição de 120 s, freqüência de 100 Hz, incremento de
varredura 6 mV e amplitude de 50 mV, com uma corrente de -39,653 nA. Estabelecidas as melhores condições para a
determinação do pico de redução do complexo Cu (II)-glifosato foi construída a curva analítica em eletrólito preparado
com água purificada do laboratório, pelo método de adição padrão (Figura 3) com intervalo de concentração de 1,33
mg L-1 à 5,28 mg L-1. Observou-se um aumento proporcional das correntes de pico do complexo Cu (II)-glifosato com
o aumento da concentração de pesticida.
-180 Curva I -160
NaNO2
-160 50uLCu
-140
-140 20uLGf
30uLGf
-120
-120 40uLGf
-100
50uLGf
-100 -80
Ip/ nA

60uLGf

Ip / nA
80uLGf
-80 110uLGf
-60
-60
-40 -40
B = -0,00546
-20 -20 R = -0,99666

0 0
0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5
E / V vs Ag/AgCl [Glifosato] x 10-5molL-1

Figura 3. Voltamograma do complexo Cu(II)-glifosato e sua respectiva curva linearizada apresentando os valores de
sua inclinação (B) e coeficientes de correlação (R), em diferentes concentrações.

O limite de detecção (LD = 3SB/b) obtido foi de 62,99 ±0,39 μg L-1 e o limite de quantificação (LD = 10SB/b) foi de
209,993 ±1,34 μg L-1. A repetibilidade e a reprodutibilidade foram realizadas em uma concentração 5,28 mg L-1 onde o
coeficiente de variação foi de 1,52% e 2,37%, respectivamente. As recuperações obtidas foram de 99,6 ± 0,045 % para
água ultra-pura e de 100,2 ± 0,025 % para água do lago.

ConclusÕES

Como o glifosato não é eletroativo ao eletrodo de gota pendente de mercúrio, o herbicida foi determinado através
da complexação com Cu(II), ou seja, através da análise eletroquímica direta, sem a necessidade de derivatização. A
metodologia desenvolvida apresentou boa recuperação do glifosato nas amostras de água analisadas, com percentuais
superiores a 99%, verificando que, praticamente, não houve efeito de matriz.

AgradeCimentos: Programa de pós-graduação – unicentro, fundação araucária.

Referências

[1] WALSH L.P., MCCORMICK C., MARTIN C. and STOCCO D.M., “Roundup inhibits steroidogenesis by disrupting
steroidogenic acute regulatory (StAR) protein expression”, Environmental Health Perspectives 108(8): 769-
776, 2000.
[2] RICHARD S., MOSLEMI S., SIPAHUTAR H., BENACHUR N. and SERALINI G.E., “Differential effects of
glyphosate and roundup on human placental cells and aromatase”, Environmental Health Perspectives 113(6):
716-720, 2005.
[3] GALLI A., DE SOUZA D., GARBELLINI G.S., COUTINHO C.F.B., MAZO L.H., AVACA L.A. and MACHADO
S.A.S., “Utilização de técnicas eletroanalíticas na determinação de pesticidas em alimentos”, Química Nova 29(1):
105-112, 2006.
[4] TEÓFILO R.F.; REIS E.L.; REIS,C.; SILVA G.A. and KUBOTA L. T., “Experimental design employed to square
wave voltammetry response optimization for the glyphosate determination”, Journal of Brazilian Chemical Society
15(6): 865-871, 2004.
[5] COUTINHO C.F.B. and MAZO L.H. “Estudo voltamétrico e espectrofotométrico do complexo Cu(II)-glifosato”,
Pesticidas 17: 123-129, 2007.

XVIII Simpósio Brasileiro de Eletroquímica e Eletroanalítica 1789


ME55

USO DE ELETRODOS TRIMETÁLICOS NA REAÇÃO DE OXIDAÇÃO DE


ETANOL E A QUANTIFICAÇÃO INDIRETA DE DIÓXIDO DE CARBONO
ATRAVÉS DE CLAE

Cláudia Virginia Gomes Guerra Miranda 11, Fernanda de Almeida Nunes 21 e Isaide Araujo
Rodrigues 31

1
Universidade Federal do Maranhão - UFMA, São Luís- Ma- Brasil claudinha05@hotmail.com

RESUMO: Este trabalho apresenta o estudo da eletro-oxidação de etanol sobre os eletrocatalisadores Pt86,2Rh9,6Sn4,2,
Pt81,8Rh15,6Sn2,6 e Pt86,6Rh10,1Sn3,3, preparados por eletrodeposição. Esse estudo foi realizado em soluções aquosas ácidas
na ausência e presença de etanol, utilizando as técnicas eletroquímicas, e ainda, CLAE na quantificação indireta de
CO2. Para determinar a área superficial ativa dos eletrodos, utilizou-se o método de normalização de eletrodos porosos
usando CO como molécula modelo. Os eletrodepósitos foram examinados usando MEV e EDX. Foi possível constatar
que o eletrodo Pt86,2Rh9,6Sn4,2 demonstrou melhor desempenho eletroquímico frente à reação de eletro-oxidação de
etanol e CO.
Palavras-chave: monóxido de carbono, etanol, eletrodepósitos, CLAE, quantificação de CO2.

Introdução

Nos últimos anos houve no Brasil, um crescente interesse na aplicação de célula a combustível de etanol direto
(DEFC), devido à grande produção de etanol proveniente da cana-de-açúcar. Entre inúmeros alcoóis que se pode
utilizar como combustível alternativo, o etanol tem uma energia teórica alta (8kWh Kg-1 contra 6,1 kWh Kg-1 para
metanol e 33 kWh Kg-1 para o hidrogênio puro sem armazenamento) sendo ainda um combustível proveniente de
fontes renováveis, menos tóxico que o metanol, o que o torna um combustível bastante atrativo para o emprego
nessas células, geralmente é o mais utilizado entre os alcoóis saturados em virtude da sua estrutura simples e por ser
complemente solúvel em água[1]. Entretanto, um dos grandes obstáculos dos pesquisadores é desenvolver catalisadores
eficientes para clivar a ligação C–C e ainda a necessidade da remoção de fragmentos intermediários reativos, como
CO adsorvido durante o processo de oxidação. Estudos da reação de eletro-oxidação de etanol sobre eletrodos de Pt,
Rh e PtRh utilizando as técnica de Espectrometria de Massas Eletroquímica Diferencial (DEMS) e Espectroscopia de
Infravermelho com Transformada de Fourier in situ.(FTIRS) [2] mostraram que os produtos detectados foram CO2,
acetaldeído e ácido acético. Dentre os eletrocatalisadores estudados o de Ródio foi o menos ativo. Apesar de PtRh não
ser um eletrocatalisador com boa atividade, a presença de Rh parece ser importante para a quebra da ligação C-C no
etanol. Assim, o aumento da seletividade para a formação de CO2 em virtude da produção do acetaldeído mostrou que
os eletrocatalisadores PtRh são candidatos promissores para a eletro-oxidação do etanol quando um terceiro elemento
for adicionado para aumentar a atividade catalítica deste sistema. Dessa forma, muitos pesquisadores [3,4] mostraram