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Mikhail Bakunin ESCRITOS CONTRA MARX
Tradução Plínio Augusto Coelho Revisão: José Luis Solazzi Projeto de Capa: Plínio Augusto Coelho Ilustração da Capa: Kopf mit deutscher Barttracht, 1920

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SUMARIO
Apresentação: Bakunin versus Marx: Conflito de titãs na Internacional dos Trabalhadores (A.I.T.) Carta ao Jornal La Liberte, de Bruxelas Escrito contra Marx

BAKUNIN VERSUS MARX
Conflito de titãs na Associação Internacional dos Trabalhadores (A.I.T.)
Sérgio Augusto Queiroz Norte

Experiência histórica dos trabalhadores europeus e a Internacional O capitalismo industrial necessita para sua reprodução de um crescente mercado mundial que se revelará, ideologicamente dentro do discurso burguês, nos apelos à fraternidade entre os povos. de 1789 à ONU. Ao advogar a paz entre as nações (fundamenta] para o processo de circulação de mercadorias), a burguesia também engendra a centralização política; o Estado Moderno e a inevitável disputa armada, ou não, entre os mesmos tomam-se paradigmas da evolução histórica. Somem as diferenças nacionais, étnicas e culturais; o capital, para reproduzir-se, necessita da destruição constante daquilo que lhe é diferente. Junto à crescente centralização estatal e produtiva, o capital organiza, em seu proveito, os escravos modernos. A classe operária desde o seu nascer teve de encarar o internacionalismo do capital Já em 1833, um "Manifesto das classes produtivas da Grâ-Bretanha" dirigido "aos governos e povos da Europa e da América do Norte e do Sul" adotava uma postura internacionalista. No mesmo ano, a questão de uma aliança entre os trabalhadores da Inglaterra, França e Alemanha era discutida na imprensa operária britânica. Não só esta questão era discutida, mas também o foi a supressão do Estado burguês e a sua gestão por uma federação dos produtores (Thompson, pp. 912-913). Na cruz dos combates entre capital e trabalho, uma consciência coletiva e autonomista era gerada pela prática operária. Ao fundar-se a Associação Internacional dos Trabalhadores em Londres, setembro de 1864, não tínhamos um ato conspiratório de alguns revolucionários ou a criação de mais uma seita entre os trabalhadores, mas sim uma decorrência necessária e datada historicamente da experiência concreta e imaginária dos trabalhadores europeus. Essa vocação internacionalista dos trabalhadores estava entrelaçada com o desenvolvimento de grandes Estados nacionais necessários ao capital. Desde as revoluções de 1848, em que a necessidade de unificação nacional encontrava-se com as reivindicações operárias, houve a percepção de que a luta nacionalista era apenas um estágio no desenvolvimento da autonomia operária. A Internacional era composta, desde a sua fundação, por organizações operárias que defendiam concepções, tendências e táticas diversas, baseadas em estatutos gerais que nada tinham de rígido. Estas diferenças foram discutidas nos Congressos Internacionais de Lausanne (1867), Bruxelas (1868) e Basiléia (1869), nestes congressos foram debatidos temas de relevância para a classe operária tais como: luta pela redução da jornada de trabalho, a exploração da mão-de-obra feminina e infantil, a luta contra o desemprego, o papel dos sindicatos e organizações operárias nas lutas contra o capital, a cooperação internacional do proletariado, o direito à educação da classe operária, o papel da mulher no capitalismo, a coletivização da terra e da indústria. Além disso, a Internacional apoiou movimentos grevistas na Suíça, Bélgica, França e outros países. Toda essa atuação militante despertou a ira dos governos constituídos e a consequente repressão feroz aos internacionalistas. Após o Congresso de Basileia (1869), duas tendências eram preponderantes: a ação política para a conquista do poder estatal e o coletivismo antiestatista. A primeira era representada pelo Conselho Geral de Londres (sob a hegemonia de Marx e Engels) e pelos -blanquistas" franceses — corrente inspirada em Auguste Blanqui; defendia a tomada do poder estatal por um

coeso grupo de revolucionários e a implantação da ditadura revolucionária. O coletivismo antiestatal era representado pelas Federações do Jura (Suíça), da Espanha, da Bélgica e da Itália. Em 1871. realiza-se, em Londres, uma Conferência da A.I.T. na qual se impõe como obrigatório o princípio da ação política e a formação de partidos operários para a conquista do poder político; essa resolução é vista como uma ameaça ao princípio de autonomia das seções, um dos princípios básicos da Internacional. A discórdia instaura-se no seio da A.I.T., não apenas como um coaflitode personalidades divergentes, mas, antes, como reflexo do próprio movimento e da experiência do proletariado europeu. II. O debate entre os autonomistas e comunistas autoritários Bakunin considerava que o verdadeiro objetivo da Conferência de Londres foi tentar impor à A.I.T. a necessidade da conquista do poder político, ou com suas palavras, "transplantar para o programa e organização da A.I.T. a ideia da autoridade e do poder político" (Bakounine, Oeuvres Completes, v. 3, p. 3). Bakunin é profético em suas críticas a Marx; muitos marxistas encontrarão fortes argumentos, em sua obra, para o esforço crítico ao processo de burocratização da revolução soviética. Em março de 1872, em L'Allemagne et lê communisme d'Etat, afirma: "A A.I.T., tal qual os comunistas autoritários alemães a entendem, tenderá evidentemente à criação de uma classe dominante e, por consequência, uma nova burguesia constituída pelos operários manufatureiros urbanos impostos como classe dominante, detentora do novo poder político e atuando como autoridade coletiva, porém fictícia, não real do Estado, sobre os milhões que cultivam a terra. Digo poder fictício e não real, pois, é evidente que num Estado centralizado, organizado e dirigido politicamente, não serão as massas trabalhadoras urbanas e sim seus dirigentes que poderão governar; essa nova burguesia ou classe dominante é, consequentemente, exploradora dos trabalhadores urbanos; teremos, então, uma burguesia menos numerosa, porém, mais privilegiada, composta de diretores, representantes e funcionários do dito Estado popular" (Bakounine, Oeuvres Completes, v. 3, p. 118). Em 1869, a Aliança Internacional da Democracia Socialista (organização revolucionária fundada por Bakunin e amigos no ano anterior) é aceita como seção da Internacional com aprovação do próprio Marx, e que depois será um dos pilares das falsas acusações contra os antiautoritários. Marx, Engels e seus discípulos acusarão a Aliança bakuniniana de ser uma organização secreta que tentava solapar a Internacional. Em verdade, a "Aliança secreta" de Bakunin não diferia muito da "Aliança marxista", como hoje nos mostra a intensa atividade epistolar de Marx e Engels com seus discípulos mais próximos. Bakunin acreditava que a sociedade secreta de Marx, a Liga dos Comunistas, ainda existia de uma forma ou de outra. É, principalmente, o desenvolvimento da Internacional na Espanha que leva Marx a considerar a Aliança e Bakunin como inimigos. Aquilo que os historiadores e o público em geral souberam sobre a A.I.T. na Espanha foi muito restrito e falseado por Paul Lafargue (genro de Marx); nesta versão falseada baseia-se grande parte da historiografia sobre a A.I.T. e a Espanha. Já em 1851, temos informações sobre organizações e jornais operários na Espanha (El Trabajador); em 1865, acontece em Barcelona um congresso de quarenta sindicatos operários que se reúnem numa federação e produzem o jornal El Obrero. Os operários espanhóis, em suas lutas conjuntas com os republicanos, (federalistas ou não), já percebiam o caráter nefasto das intervenções militares e clericais na política. Quando da propaganda internacionalista na Espanha, os operários já estavam preparados, maduros para as ideias de coletivismo, de anarquia, de ateísmo e de revolução social propagandeadas pelos libertários da A.I.T. (Nettlau, pp. 7, 12, 15 e 16). Na correspondência de Bakunin com revolucionários de toda Europa e não somente da Espanha, temos a explicitação de suas ideias e das diferenças com Marx. Quando fala de "aliados" ou "irmãos" de outros países, indica amigos e organizações antiauto-ritárias que, sendo solidárias, não eram tuteladas por ele. Marx quis ver nessa correspondência a prova de uma atividade secreta no seio da A.I.T, porém, podemos ver um testemunho de relações voluntárias entre militantes revolucionários. Em dezembro de 1872, o militante internacionalista espanhol Garcia Virias responde às intrigas do Conselho Geral com o panfleto Cuestión de Ia Alianza no qual reafirma a autonomia do movimento espanhol: "vocês falam da atividade da Aliança na Suíça, na

Oeuvres Completes. tanto para Marx. MEHRING. Importante conhecermos a posição de dois teóricos e militantes marxistas a respeito do conflito entre Bakunin e Marx: Eduard Bernstein dirá que do ponto de vista puramente humanitário o papel desempenhado por Bakunin é muito mais honrado que o de seu adversário (Bakounine. NETTLAU. e que foi na Espanha onde seu programa e regras foram estabelecidos. Paris. a partir de 1864.História de su vida. Vocês sabem muito bem que a Aliança foi fundada na Espanha sem nenhuma vinculação com o exterior. pelo poder estatal centralizado e tem o seu centro na conquista do aparelho estatal. Oeuvres Completes. Michel . E. mostrem-nos as provas e cessem suas ridículas invenções. opunha-se às ideias de Marx com conhecimento das suas concepções políticas e económicas.. Provavelmente Bakunin era um dos poucos que.T. o caminho da revolução passa pela autonomia da classe operária. Champs Libre. passa pelo partido político.. XXII). é aí que a ação revolucionária pode preparar o caminho do socialismo. p. La Piqueta. Zero. na perspectiva bakuniniana. A postura de Bakunin opõe-se à "cientificidade" do pensamento marxista e insiste na despersonalização causada pelo poder e pela autoridade que só será rompida pela prática revolucionária que subverta as relações hierárquicas e aponte para relações horizontais em que a diferença entre dirigente e dirigido tenderia a desaparecer. A Aliança. v.. Franz . a revolução seria o resultado desta luta. v.La Primera Internacional . pouco conhecido então. Já que as relações económicas formam a base da sociedade. a respeito de Bakunin. podemos dizer em voz alta.. LI). Madrid. Bakunin sempre reconhecerá o papel revolucionário de Marx e enfatizará que as divergências entre eles eram teórico-políticas e não pessoais. XXI. era talvez o único dos opositores a ter lido o Manifesto Comunista. 1973. 54). como para Bakunin. 2. pelo federalismo. Vocês sabem perfeitamente que estão mentindo e que a Aliança jamais recebeu ordens de qualquer pessoa. tecerá comentários mais severos a respeito da atuação de Marx e dirá. 1977. deixemos que o leitor perceba as diferenças destes dois projetos revolucionários a partir dos textos de Bakunin que ora apresentamos. por sua vez. A federação de associações operárias preparam e antecipam a administração social futura. v. Ao responder às calúnias e acusações do Conselho Geral (inspiradas por Marx). maio de 1989 Bibliografia Citada THOMPSON.Itália. Atas e discussões dos Congressos da Internacional. p. Grijalbo. pois nunca existiu.Miguel Bakunin: La Internacional y Ia Alianza en Espana 1868-1873.2v.I. 3. Bakunin percebia a necessidade de agrupar os militantes mais íntegros e enérgicos em núcleos que seriam o elo entre a prática e a teoria revolucionárias. Barcelona. Uma ligação orgânica entre a Aliança espanhola e Bakunin não pode ser documentada. Madrid. teoria e práticas socialistas visavam à destruição de qualquer poder ou autoridade que pudesse destruir autonomias e liberdades operárias. . Penguin. v.. e ainda não traduzido para as línguas latinas. BAKOUNINE. para os marxistas. É certo que a Aliança influenciou o desenvolvimento da A.3. O socialismo surge como um projeto político da luta de classes e.MichelBakou-nine et lês conflits dans l'International ..Carlos Marx . 3 . P. Lon-don..The Making ofEnglish Working Class. na Inglaterra e em outros países. 1963. Os antiautoritários rejeitam o exclusivismo operário na revolução social e trabalham com o conceito de uma unidade entre os oprimidos contra a dominação burguesa. bem como documentos publicados pela mesma encontram-se em: FREY-MOND. Oeuvres Completes.. pp. não é nada mais que uma sentinela avançada da Internacional" (Bakounine. Para os libertários. 1971. e tem o seu centro na esfera da produção. 1975.1872. Assis (SP). (Introduction et annotations de Arthur Lehning). na Espanha. "a história lhe reservará um posto de honra entre os precursores e campeões do proletariado internacional" (Mehring. estatutos e projetos de sociedades secretas elaboradas por Bakunin. Todavia. na Internacional. Os programas. mas não do modo que os detratores querem fazer parecer. Jacques .. refletem mais a evolução de suas ideias do que a existência de uma organização. Todavia. já Franz Mehring. . Max .

não pode existir para a Internacional dogma infalível nem. A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES DE TODAS AS PROFISSÕES E DE . servirá de degrau a todos os pretendentes ao governo das massas. O Sr. consequentemente. Depois de ter publicado a sentença de excomunhão que o Congresso marxista de Haia acaba de pronunciar contra mim. DE BRUXELAS À Redação de La Liberte 5 de outubro de 1872. uma ditadura universal! O sonho dos Gregório VII. dos Carlos V e dos Napoleão. no campo da democracia socialista! Pode-se imaginar algo de mais burlesco. com perplexidade: como um homem tão inteligente quanto o Sr. Marx não tem absolutamente esta desculpa e não lhe farei a injúria de pensar que ele crê ter inventado cientificamente algo que se aproxime da verdade absoluta. será capaz de tornar o pensamento. teoria política ou económica oficial. Se a Internacional fosse menos vivaz. O triunfo do Sr. Marx pôde concebê-la? Os papas. sobre a federalização espontânea e livre das secões e das federações operárias. ao menos. decretaram audaciosamente a escravidão do povo da Internacional. a única base: é. mas sempre com as mesmas pretensões.CARTA AO JORNAL LA LIBERTE. reproduzindo-se sob novas formas. Zurique Senhores Redatores. encarnação muito servil e fiel das teorias e da prática marxistas. gosto de constatar. um governo. a vontade dirigente e unificadora do movimento revolucionário e da organização económica do proletariado de todos os países é de uma tal heresia contra o senso comum e contra a experiência histórica que nos perguntamos. os decretos desse nefasto Congresso de Haia. como eles pensam. mas também de mais revoltante? Sustentar que um grupo de indivíduos. Teriam tornado simultaneamente ridícula e odiosa esta magnífica associação. Mas a partir do momento que o absoluto não existe. Só existe uma única lei realmente obrigatória para todos os membros. da qual esta lei constitui a verdadeira. senão com muito respeito por esses princípios da Moral. como convém a homens apaixonados detem o poder. mesmo os mais inteligentes e os mais bem intencionados. se ela estivesse fundamentada. o Sr. achareis justo publicar minha resposta. tinham por desculpa a verdade absoluta que eles diziam ter em mãos pela graça do Espírito Santo e na qual eram obrigados a crer. teriam sido suficientes para matá-la. independentemente de toda tutela governamental. e nossos congressos nunca devem assumir o papel de concílios ecuménicos proclamando princípios obrigatórios para todos os associados e fiéis. da Verdade e da Justiça que tão amiúde encontramos em seus discursos e tão raramente em seus atos. em todas as suas consequências e aplicações. em toda a sua extensão. indivíduos. Certos de uma maioria que haviam longamente preparado e organizado com muita habilidade e cuidado. a alma. Marx e dos seus foi completo. Marx havia tomado parte de modo tão inteligente quanto enérgico. somente sobre a organização de centros dirigentes. de cuja fundação. doravante. dos Bonifácio VIII. sempre em nome dessa soberania do povo que. não é mesmo? Ei-la. os marxistas retiraram a máscara e. seções e federações da Internacional. Um Estado. e não sobre a solidariedade real dos interesses e das aspirações efetivas do proletariado de todos os países do mundo civilizado.

em um futuro muito próximo. evidentemente. necessariamente revolucionária. sua exploração em proveito de uma minoria governamental qualquer. imediatamente. nem sob a batuta de um governo qualquer. em consequência. a luta política do proletariado contra a burguesia. mais viva e mais ameaçadora do que nunca. a tendência germânica venceu. Estas duas tendências chocaram-se no Congresso de Haia. um fraquíssimo prelúdio da oposição formidável que vai eclodir em todos os países verdadeiramente penetrados pelo princípio e pela paixão da revolução social. e toda dominação supõe a subjugação das massas e. que possa safar-se assim tão facilmente. uma causa permanente de guerra. nas massas. em graus diferentes. a Bélgica. por ser uma ruptura desta solidariedade. Quem pode duvidar disso? Os marxistas e nós somos unânimes nesse ponto. torna-se inevitável e. Eles são governamentais. os povos eslavos. belgas e holandeses (sem falar da Itália. Marx. quando ela se encontra concentrada nas mãos de alguns indivíduos governantes. deve tê-lo rapidamente desiludido. Os marxistas professam ideias totalmente contrárias. — a menos que se sonhe com o Estado universal. E toda esta tempestade terá . Pensamos que a política.TODOS OS PAÍSES EM LUTA ECONÓMICA CONTRA OS EXPLORADORES DO TRABALHO. e este não é o momento para desenvolvê-la. graças à organização completamente artificial de seu último Congresso. desta forma. a mestres eleitos. para dizer a verdade. nós. com efeito. e que. Estado quer dizer dominação. Eles são adoradores do poder do Estado. do outro. Os marxistas não admitem absolutamente outra emancipação senão a que eles esperam de seu Estado pretensamente popular (Volksstaat). e necessariamente também os profetas da disciplina política e social. esmagou toda discussão sob seu voto. É desta organização cada vez mais ampla da solidariedade militante do proletariado contra a exploração burguesa que deve sair e surge. Tal é a nossa crença. portanto. há. a maioria tendo votado como um regimento bem adestrado. — o Estado. o protesto solidário dos delegados jurassianos. apresenta-se de imediato a questão que nos separa tão profundamente dos marxistas. sem dúvida. nem mesmo como transição revolucionária. Significa dizer que a terrível questão foi resolvida? Não foi sequer propriamente discutida. A contradição existe. só há. e não em sua unificação por decretos. que sequer consentiu enviar seus delegados para esse Congresso muito ostensivamente falsificado). Entretanto. Este protesto em si mesmo é. Eles são tão pouco inimigos do patriotismo que sua própria Internacional traz muito frequentemente as cores do pangermanismo. Não compreendemos que se possa falar da solidariedade internacional quando se quer conservar os Estados. a Holanda e. espanhóis. De um lado. as Assembleias Constituintes. e o próprio Sr. Marx. por sua própria natureza. sempre em nome do sufrágio universal e da soberania das massas. Tais são as duas principais tendências políticas que hoje separam a Internacional em dois campos. o Jura suíço. a Itália. porque estamos convictos de que a revolução só é sincera. não acredita. às quais reservam a felicidade e a honra de obedecer a chefes. e. os campeões da ordem estabelecida de cima para baixo. a Alemanha. E mesmo que tenha podido conceber por um momento tão louca esperança. a Espanha. mas entre os marxistas e nós há um abismo. honesta e real. apesar de toda a embriaguez do triunfo. como os grandes imperadores e os papas. uma grande parte da França. reação. do proletariado deve ter por objetivo imediato e único a destruição dos Estados. é. Também não concebemos que se possa falar da liberdade do proletariado ou da libertação real das massas no Estado e pelo Estado. pela ação espontânea das massas operárias de todas as línguas e de todas as nações. isto é. anarquistas. É na organização real desta solidariedade. as Convenções Nacionais. os governos provisórios ou as ditaduras pretensamente revolucionárias. Existe entre a política bismarckiana e a política marxista uma diferença sem dúvida muito sensível. com a escravidão universal. mas muito mais enérgico e significativo no fundo. graças à grande habilidade do Sr. este protesto tão moderado na forma. Não admitimos. que reside unicamente a unidade real e viva da Internacional.

Marx é um revolucionário muito sério. entre o proletariado de todos esses países e o da Alemanha será diminuída? Que os operários da Alemanha façam uma greve. enquanto as questões políticas fatalmente nos separam. paralisar e falsear todos os movimentos populares? Qual é o homem. nem os holandeses. portanto. e cujo imenso conjunto. em consequência. além do mais. nem os povos eslavos. a solução e a conciliação no terreno político sendo impossíveis. gerado em seu próprio cérebro? Penso que o Sr. É certo que nem os italianos. a lógica dos eventos poderão conduzi-las cedo ou tarde a uma solução comum. Mas. qual é o grupo de indivíduos. ouse sonhar com a subjugação do proletariado de todos esses países em um único pensamento. e que um novo concílio ecuménico dos marxistas os excomungue e os declare expulsos do seio da Internacional. unido mas não uniformizado por uma grande aspiração comum e por alguns princípios fundamentais que doravante estarão na consciência das massas. esses inimigos históricos do pangermanismo. dará todo o seu sangue a seus irmãos da Alemanha. constituirá a futura revolução social? . jamais se submeterão às tendências políticas que hoje a ambição de seus chefes impõe ao proletariado da Alemanha. a solidariedade económica que existe necessária. ainda que nem sempre muito sincero. é preciso tolerar-se mutuamente e deixar a cada país o direito incontestável de seguir as tendências políticas que mais lhe aprouverem ou que melhor lhe parecerem adaptadas à sua situação particular. Mas o que fazer hoje? Hoje. nem os franceses. Com efeito. coletiva ou individual. um princípio obrigatório da Internacional. espectador indiferente desta luta? Não. Somente a prática da revolução social. que os déspotas. fortemente convictos da certeza de nosso princípio. supondo até mesmo que. tenham podido sonhar com o cetro do mundo. e pergunto-me como faz para não enxergar que o estabelecimento de uma ditadura universal. onde se encontra a verdadeira unidade da Internacional: ela está nas aspirações comuns e no movimento espontâneo das massas populares de todos os países. nem os jurassianos. em cada província. coroados ou não. Isso é de tal forma evidente que é preciso estar bem cego pela paixão do poder para nada compreender disso. o proletariado de todos esses países excomungados pelos marxistas permanecerá de braços cruzados. natural e fatalmente. ou que se revoltem contra a tirania política de um governo que é o protetor natural de capitalistas e outros exploradores do trabalho popular. em consequência dessa desobediência. nem os belgas. esperamos que nesse momento os próprios alemães — os trabalhadores da Alemanha. é preciso buscar a unidade desta grande associação unicamente no terreno da solidariedade económica. em todos os países. ditadura que faria. por maior que seja seu génio. a rigor. que deseja realmente a insurreição das massas. nem os espanhóis. nenhuma conciliação é hoje possível. em cada profissão. entre as duas tendências acima indicadas. não seus chefes — acabarão por se juntar a nós para demolir essas prisões denominadas Estados e para condenar a política. imposta por um Congresso Geral a essas massas. não em um governo qualquer. Esta solidariedade nos une. como se dirige uma máquina. Bis. tendências e ações tão diversos em cada país. de novas grandes experiências históricas. nem em uma teoria política uniforme.sido provocada pela preocupação tão infeliz dos marxistas em fazer da questão política uma base. que ousaria gabar-se de poder sozinho abarcar e compreender a infinita multidão de interesses. Concebo. sem lhes perguntar previamente qual será o sistema político no qual eles acreditarão dever buscar sua libertação. o novo Conselho Geral golpeie com a proibição todos esses países. todas as questões políticas do programa obrigatório da Internacional. mas o que dizer de um amigo do proletariado. ao se colocar como diretor e árbitro supremo de todos os movimentos revolucionários que podem eclodir em diferentes países. o trabalho de um engenheiro-chefe da revolução mundial. regulando e dirigindo o movimento insurrecional das massas. em cada localidade. de um revolucionário que declara desejar seriamente a emancipação das massas e que. que eles se revoltem contra a tirania económica de seus patrões. que outra coisa não é senão a arte de dominar e de tosquiar as massas. de certa forma. — que o estabelecimento de semelhante ditadura bastaria por si só para matar a revolução. ele lhes dará todo seu pobre dinheiro e. nem mesmo o proletariado da Inglaterra e da América. Rejeitando.

com tanta impaciência quanto confiança. impõe ao proletariado de todo o mundo civilizado um governo investido de poderes ditatoriais. formalmente aderente à Internacional. em toda a Internacional. proibir nações inteiras em nome de um princípio pretensamente oficial. Marx! Queda. em seguida. um grande mérito do ponto de vista da internacionalidade. Marx não devia imiscuir-se nas questões propriamente inglesas. segundo o qual o Sr. os burgueses. sendo mais atrasados do ponto de vista da grande produção capitalista. no pretenso interesse dessa revolução. Aproveitando. mas pelo menos se pode concluir daí que o Sr. pelo menos parcialmente. coisa estranha. do T. deseja criar outro! Pela honra e pela própria salvação da Internacional. o que fazia com que todos pensassem que ele gozava. as injúrias que o Sr. portanto. Marx e esses membros ingleses um tipo de acordo tácito. do qual nunca se pôde livrar. chegaremos à conclusão de que o proletariado da Grã-Bretanha recusa-se decididamente a curvar-se ao jugo do ditador socialista da Alemanha. de uma autoridade considerável na Inglaterra. ou só devia intrometer-se quando isso lhes aprouvesse. Marx só tem em vista principalmente os fatos ingleses. . Mas. mistificado os membros ingleses do Conselho Geral. teriam razão. para substituir dignamente os absurdos existentes. graças a sua propaganda enérgica e inteligente. Dir-se-ia um inglês falando só para ingleses. sua ignorância sobre assuntos do continente e. Marx havia. em parte. o milhão de trabalhadores que formam hoje a formidável associação das Trade Unions1 passariam de armas e bagagens para o nosso campo. transformado pelo voto de uma maioria fictícia em verdade absoluta? O que pensar de um congresso que. se fizermos abstração de certo jargão hegeliano. não deve tendo aplicado durante tantos anos sua extraordinária inteligência ao estudo dos fatos económicos da Inglaterra. e isso não podia deixar de aumentar seu prestígio sobre o continente. Todos os seus escritos comprovam isso. Uma Federação inglesa. eles lhe entregavam toda a direção da Internacional no continente. verificaremos que. Em inglês no original. adquiriu um conhecimento muito detalhado e aprofundado das relações económicas do trabalho e do capital nesse país.E o que pensar de um congresso internacional que. e. durante muito tempo. em geral. relega na América esse governo ditatorial. Marx. Marx devia exercer uma influência tão legítima quanto salutar sobre os operários da Inglaterra. 1 Sindicatos. Marx. Marx. em parte. que outro não é senão o próprio pensamento do Sr. sob o pretexto capcioso de que todos os outros países. e que. o Sr. uma intimidade muito séria e uma grande confiança mútua pareciam haver existido durante muitos anos entre ele e um bom número de operários ingleses extraordinariamente ativos. lançou imprudentemente à face dos trabalhadores ingleses. tê-los recomendado como modelos a serem imitados pelo proletariado de todos os outros países e. durante muitos anos ele havia conseguido fazer com que aceitassem tudo o que tivesse desejado. Parece ter existido entre o Sr. deve-se supor que eles tivessem lido a maior confiança na lealdade e na justiça do Sr. Isso não constitui. N. mas para o Sr. quando ridicularizam nossos congressos e quando declaram que a Associação Internacional dos Trabalhadores só combate as velhas tiranias para estabelecer uma nova. depois de tê-lo composto de homens provavelmente muito honestos. e principalmente quanto às palavras amargas. com efeito. mas obscuros. e se julgarmos segundo o que revela o Vorwarts. Marx. o primeiro ato dessa Federação foi romper abertamente toda relação de solidariedade com o Sr. sua loucura ainda mais ostensiva. para tornar. por sinal. que lhes interessava muito pouco. sem dúvida. Para a honra desses cidadãos. o momento em que. também o são necessariamente do ponto de vista da revolução social. ver-se forçado repentinamente a amaldiçoá-los e a declará-los vendidos a todas as reações! Que desventura e que queda. acaba de se formar. sem dúvida. com o direito inquisitorial e pontifical de suspender federações regionais. O Sr. não para os operários ingleses. suficientemente ignorantes e absolutamente desconhecidos dele próprio? Nossos inimigos. e. Ter cortejado um povo durante mais de vinte anos para chegar a semelhante resultado! Ter cantado em todos os tons os louvores aos trabalhadores ingleses. no Congresso de Haia. perfeitamente merecida. Esperava-se. portanto. em troca. também. Esta esperança está a ponto de se realizar. de sua indiferença tão lamentável por esses assuntos.

. recebíamos todos os dois. como meu falecido compatriota Alexandre Herzen e eu. por exemplo. Marx. Marx. que todas as intrigas fomentadas secretamente. Utin (um pequeno judeu russo que por todos os tipos de vilanias se esforça para obter uma posição nesta pobre Internacional de Genebra) contou a quem quisesse escutá-lo. além do mais. Marx na Europa. que exerce um poder tão mágico sobre o proletariado de todos os países. enfim. ou melhor. foi-lhe permitido servir-se para realizar seus projetos ambiciosos. órgão do Partido da social-democracia na Alemanha. Quanto aos meios de execução. Estou de tal forma habituado a saber que. não tiveram sequer a mínima ideia de todas as abominações das quais os tornaram responsáveis sem seu conhecimento. inicialmente em Paris. foram combinadas e dirigidas por um círculo íntimo do Sr. Excepcionalmente. todas as acusações. que me seja permitido contar uma outra anedota. Procurou assegurar à Espanha uma posição dominante na Europa. Foi o estabelecimento da ditadura revolucionária do Sr. Não é necessário dizer. minha expulsão. os judeus alemães e outros. Novo Alberoni2. durante muito tempo. servir-se-iam delas contra mim no próximo Congresso. mas principalmente desde 1871. Marx lhe havia escrito uma carta confidencial. com aparências de provas. Já na primavera de 1870 eu sabia. em seguida em Leipzig e Nova Iorque. até o último momento. não possui à sua disposição nem exércitos. Marx entrou em campanha. Foi um dilúvio de calúnias estúpidas e imundas. em nome do Conselho Geral. Todavia. foi exilado.Sabe-se hoje a que ponto o Sr. que o Sr. Foi a partir daí que começaram a forjar a famosa calúnia. tudo preparado antecipadamente. ignoravam absolutamente tudo. Concebe-se que partido deviam tirar de uma situação tão favorável homens como Marx e seus amigos. nem finanças. qual foi o objetivo da grande intriga. sistemática e regularmente. Até o Congresso de Basileia (setembro de 1869). ele soube mascarar seus projetos. composto quase exclusivamente de alemães. sou difamado em quase todo número do Volksstaat. tendo fracassado. Marx havia abusado dessa confiança. para subjugar o mundo. Abriu-se fogo sucessivamente contra meus amigos e eu. devo observar que falou deles com uma superficialidade e um desdém pouco sinceros em seu último discurso de Amsterdã. em Genebra. políticos muito hábeis para se deterem diante de algum escrúpulo. por intermédio da Internacional. o grande nome da Internacional. fazia tudo. subsídios 2 Ministro de Felipe V. de modo que. um tipo de maçonaria socialista e literária na qual seus compatriotas. e que ocupavam de certa forma as funções de comité executivo: esse comité sabia de tudo. Sabe-se que todos os assuntos da Internacional. Marx sentiu-se suficientemente audacioso para conceber e realizar tal pensamento. e da qual. ocupam lugar considerável e manifestam zelo digno de uma melhor causa. hierarquicamente organizados e agindo em segredo sob suas ordens diretas. que. na qual lhe recomendava reunir contra mim todos os fatos. parece ter-se dado como missão provar que sou nada menos do que um agente pago pelo governo russo. Ele obteve. N. faziam-no por eles. que normalmente não me dou sequer ao trabalho de ler as idiotices que ele debita contra mim. fundamentada em minhas relações passadas com o infeliz Netchaiev. um numeroso corpo de agentes. os artilheiros marxistas lançaram-nos lama. mas. ao contrário. Todavia. decidia tudo. a odiar como adversários irreconciliáveis de seu princípio e de sua ditadura. creio. de Arthur Lehníng. nem fuzis. que formavam a grande maioria do Conselho Geral. — que o Sr. isto é. possui. a seu serviço. enfim. Foi desde 1869. o Sr. Os outros membros. tendo as resoluções desse Congresso excitado sua cólera e seus temores. como ele o disse. acrescentando que se essas aparências fossem plausíveis. mas principalmente contra mim. nem canhões Krupp. tão odiosas quanto possível. em nossa grande associação. — o Sr. daí em diante. O respeitável jornal de Leipzig. Para dar a medida da boa fé dos agentes e dos jornais marxistas. Ao invés de obuses. relações de que ainda me é proibido falar. Publicou com este objetivo os fatos mais inauditos. Mostrou-se complacente para com eles até o ponto de poupar-lhes o trabalho de assinar seus nomes nas circulares do Conselho Geral. e das quais os marxistas da comissão de investigação acabam de se servir para decretar no Congresso marxista de Haia. todas as histórias. possui um extraordinário génio para a intriga e uma resolução que não pára diante de nenhuma vilania. que creio ser útil mencionar aqui. ordenou a todos os seus partidários um ataque geral e furioso contra aqueles que começou. É verdade. ainda mais porque me parece muito própria para ressaltar a lealdade e a veracidade do Sr. meus amigos me mostraram uma dessas.

Marx e Engels. foi-lhe entregue por meu amigo Adolphe Reichel. Sob esta dupla pressão. que nunca os ataquei pessoalmente. um jornal de Colónia. que certamente não cometerão o erro de renegá-la. Sinto um verdadeiro desgosto ao me ver forçado a contar todas essas histórias. que não se sabia o que ele era nem o que desejava. depois de um ano de residência forçada na fortaleza de Kõnigstein. na Alemanha. em seguida para Olmiitz. Marx e Engels. para São Petersburgo. constituem a meus olhos um fenómeno tão estranho que até hoje ainda não consegui compreender. O que fazem contra mim não é somente odioso.. pedindo-lhes. que era. Marx e Engels uma carta enérgica. Esta carta. na qual se escrevia que a Sra. E esses senhores . principalmente. que se havia refugiado na Rússia depois da publicação desta correspondência. desde esse momento. George Sand havia se expressado de maneira muito inquietante em relação a Bakunin. já sentiam uma amizade bem afetuosa por mim e estavam animados desse mesmo espírito de lealdade e justiça que os distingue hoje. Marx e Engels. que se dirigia para Colónia por seus próprios assuntos. consequentemente. esses senhores sabem melhor do que ninguém que só deixei a Alemanha em 1850. sem dúvida como agente provocador. O Volksstaat acrescenta que Bakunin nunca havia respondido a acusação tão direta. A Sra. explicações pelo abuso que ousaram fazer de seu nome para caluniar seu amigo Bakunin. um personagem muito equívoco etc. e. que exigisse. que sequer falei deles e que sistematicamente me abstive de responder as suas agressões imundas. o Neue Rheinischer Zeitung. — uma carta muito desagradável para o seu amor-próprio. Sua ferocidade contra mim. expressando-me a mais leal amizade. o polonês Kolcielski. Publicaram a carta que a Sra. a fim de mostrar ao público que tipo de pessoas estou condenado a combater. no movimento insurrecional de Dresden. mais impressionável. em meu nome. endereçou aos Srs. em seu jornal. transportaram-me acorrentado para Praga. etc. na qual lhe pedia explicações pelas palavras que lhe atribuíam sobre a minha pessoa. conta-se a seguinte anedota: em 1848. Eis agora os fatos. para tomar parte. De meu lado. em 1851. — não precisei mais exigir deles nenhuma outra reparação. — o Volksstaat pode encontrar em um dos números de julho ou de agosto do Neue Rheinische Zeitung de l 848. redatores do Neue Rheinische Zeitung. quando. Bakunin encontrando-se em Breslau. pelo qual tinha tanto admiração quanto estima. Os Srs. desde minha fuga da Sibéria. sempre acorrentado. que era naquele momento muito mais revolucionária do que parece sêlo hoje. Marx e Engels haviam realmente publicado esta correspondência de Paris contra mim. redigido pelos Srs.. George Sand. esses senhores mostraram-se muito indulgentes. Faço isso hoje pela primeira e última vez. Sand lhes havia endereçado. em sua ausência. só reaparecendo em 1849. hoje diretor de música em Berna. apressei-me em escrever uma carta à Sra. esta persistência odiosa com a qual. depois de semelhante declaração. muito amáveis. é estúpido. mal terminei de ler esta correspondência parisiense do jornal dos Srs. onde os democratas alemães haviam cometido a estupidez de recebê-lo com plena confiança. . fui transportado. solicitei a um amigo. e pela qual eu havia professado uma admiração muito sincera e viva. execravel. uma que o Volksstaat esqueceu ou negligenciou dizer: em 1848. que. No número 71 do Volksstaat. com indignação. Quanto a meu fictício desaparecimento na Rússia.de 4 de setembro de 1872. Compreende-se que. e que depois da morte de Herzen tive a vantagem de ver dobrar a minha pensão. uma retratação pública ou uma reparação em duelo. esforçam-se por me caluniar e difamar em todas as suas correspondências íntimas e em todos os seus jornais. uma correspondência insensata dirigida contra a honra de seu "amigo Bakunin" pelo qual eles também tinham o coração repleto de afeto e estima. — e acrescentaram a ela algumas linhas nas quais expressavam seu descontentamento por terem inserido. Ao mesmo tempo. em 1861. ao contrário. publicou uma correspondência de Paris. Compreende-se que contra fatos tão triunfantes nada tive de responder. eu era mais jovem. e. de onde. em sua verdade. dos Srs. havia se eclipsado e. tanto quanto na lembrança dos Srs. muito menos resistente e indiferente do que hoje. sem perceber que ele fazia propaganda pan-eslavista. Sand respondeu-me por uma simpática carta. dizendo que era preciso tomar cuidado com ele. o que prova somente que. Não creio ser necessário contar aqui os fatos que atraíram sobre mim esta manifestação de benevolência.consideráveis de um comité pan-eslavista estabelecido em Moscou sob a direção imediata do governo de São Petersburgo. mas eis algo que creio dever acrescentar. em resumo.

desde que adivinharam as suas aspirações à ditadura e tiveram conhecimento dos meios muito hábeis dos quais fez uso para conquistá-la. Liebknecht e Bebei. A circular termina por uma demonstração muito sábia e completamente vitoriosa sobre a necessidade que havia — e que não mais existe. que eles terão tão poderosamente contribuído em fazer com que o mundo o conheça. pois. legítima. durante o último processo dos Srs. mas cujo sentido havia me chocado muito vivamente para que eu pudesse esquecer seu sentido e . a verdadeira capital do comércio mundial. Se eu fosse. aberta tanto quanto. A catástrofe da França parece ter despertado no coração do Sr. hoje. Engels. apresenta como um servidor muito útil da revolução social — despertaram nele uma grande inveja. em todas as partes do mundo. do Volksstaat. portanto. entre outras coisas. Marx recomenda. fizeram mais por minha glória do que eu mesmo pude fazê-lo. e do qual ignoro ainda hoje os detalhes. mas de suas teorias autoritárias e de sua ridícula e odiosa pretensão à ditadura do mundo. Marx. o alter ego e o amigo mais íntimo do Sr. a seguinte frase. como social-democrata consolou-se com o Sr. ao lado da tristeza muito real que sentiam ao ver uma república sucumbir sob os golpes de um déspota. lembro-me de ter lido em um dos números de setembro de 1870. um ambicioso. houve uma satisfação geral diante da França caída tão baixo e da Alemanha elevada tão alto. sentiu-se naturalmente orgulhoso. endereçada às Federações regionais! Só tive conhecimento dessa circular há seis ou sete meses. denominada Aliança. o Sr. Marx e seus partidários. cidade que parecia ser ao Sr. contra nos. fizeram o que nunca esteve em minhas intenções nem em meu gosto fazer: projetaram-me. lança-me a acusação de ter fundado na Internacional. foi cruelmente mortificado ao ver outro que não ele fazer tanto barulho e subir tão alto. Bebei e Liebknecht que haviam pagado e que ainda pagam com sua liberdade seus protestos enérgicos contra a barbárie prussiana. um vaidoso. em nome dos direitos da França. Marx me acusava de dirigir uma terrível intriga. a seus íntimos. Por pouco que se tenham dado a algum trabalho para descobrir a essência de seu pensamento por meio das contradições de uma linguagem equívoca. que começou a guerra decisiva. mas na imensa maioria dos próprios democratas socialistas. mesmo entre os Srs. e este nome. Por exemplo. Mesmo entre aqueles que lutaram mais corajosamente contra essa corrente patriótica que havia invadido toda a Alemanha. pode-se observar as marcas indubitáveis desse triunfo nacional.não compreenderam que. redigida em francês e em alemão. eles dirão comigo que com poucas exceções. podia sêlo. ou melhor. segundo parece. o trabalho subterrâneo na Internacional. muito longe de todas as seções da Internacional. Bisinarck — a quem. com a evidente intenção de assentar minha diladura sobre ele. época da famosa Conferência de Londres. Em março de 1870. Engels pelo pensamento de que no final das contas esse triunfo da monarquia prussiana devia se transformar cedo ou tarde no triunfo do grande Estado republicano e popular do qual ele é o patrono. por não ter o número sob meus olhos. atacando-me com essa ferocidade incrível. das quais me ocupo muito pouco. Como alemão. de ter sido o adversário impiedoso e irreconciliável. e com objetivo evidente de destruí-la. o Sr. longe de incriminá-los por todos esses ataques. volta-se contra mim e. mas como indivíduo. exclusivamente contra mim. Marx grandes esperanças. em uma carta semi-oficial que tenho sob os olhos o Sr. um presunçoso. da qual. segundo parece — em manter o Conselho Geral em Londres. Marx. da parte de homens tão governamentais : prudentes como o Sr. no qual ela figurou e foi publicamente lida como peça de acusação contra eles. — vede como alguém se engana algumas vezes ao julgar os homens por si mesmo. Apelo para a memória de todos aqueles que tiveram a oportunidade de ouvir e ver os alemães durante os anos de 1870 e 1871. mas meu nome permanecerá. entre muitas outras palavras injuriosas. não posso agora reproduzir o texto preciso. eu deveria agradecer infinitamente. ao se esforçarem em me denegrir. assim como os triunfos do Sr. não somente entre os radicais. uma sociedade secreta perniciosa. cairão naturalmente sob o peso de seu próprio absurdo. uma intriga tendo por objetivo transferir o Conselho Geral de l . Parece que cessou de sê-lo desde que os operários ingleses se revoltaram contra o Sr. Marx. em seguida. Nesse memorando dirigido. o centro natural. Mas o que me parece o cúmulo do ridículo foi que. aberta. não de suas pessoas. sempre em nome do Conselho Geral e com a assinatura de todos os seus membros. o Sr. pois todas as histórias revoltantes que eles espalham com esse ódio apaixonado contra mim. permanecerá ligado à glória real. Mas foi a partir de setembro de 1871. ale o Congresso de Haia. Marx lançou contra mim uma circular difamadora.ondres para a Suíça. enquanto eu permanecia bem tranquilamente em Locarno.

apressou-se em declarar que se tratava de um documento envelhecido. simulam o desprezo. nem na natureza dos alemães. Poder. Marx e Engels. Bismarck fez pelo mundo político e burguês. a nós. mas que nem por isso serão menos súditos. pois. que desejamos francamente a completa emancipação popular: é o proletariado. no seio do proletariado da Europa: substituir a iniciativa francesa pela iniciativa e pela dominação alemãs. o povo faz as leis. seu sentimento real por eles é o ódio. eles são educados. toda a ambição dos marxistas. Em relação aos eslavos. os marxistas esforçaram-se em disseminar este documento em todos os países. Existe nesse programa uma outra expressão que nos é profundamente antipática. é verdade. eles são muito bárbaros para se tornar alguma coisa por eles mesmos. Esse pensamento marxista está explicitamente desenvolvido no famoso Manifesto dos comunistas alemães. Engels. A isso responderei que todo mundo sabe de que maneira. Marx. único. conservando e preconizando o poder político. Marx e Engels sejam partidários de um programa que. não foi sincero. Compreende-se que homens tão indispensáveis quanto os Srs. travestidos republicanamente de cidadãos. toda a esperança. mas politicamente governados. o Sr. procuram ser educados. Por sinal. ele se encontra literalmente reproduzido. hoje. a dos operários das fábricas e das cidades. segundo ele e seus discípulos. mas a leis que eles próprios tiverem feito. o Sr. mas hoje caídos em decadência". que se encontra igualmente no manifesto redigido pelo Sr. não existe pensamento alemão mais avançado que o seu. em consequência da derrota da França. mais livres. apavorado pela impressão detestável produzida pela leitura de algumas passagens deste Manifesto. os eslavos ainda não são. encontra-se todo o pensamento. Parece que no Congresso de Haia. Resulta de tudo isso nos alemães um triplo sentido. mas a leis que se faz em seu nome. redigido e publicado em 1848 pelos Srs. e que obedecer a essas leis nunca tem para ele outro sentido senão submeter-se ao arbítrio de uma minoria tutelar e governante qualquer. Eles acreditam seriamente que o triunfo militar e político obtido ultimamente pelos alemães sobre a França marca o começo de uma grande época na história. Objetar-me-ão que eles não obedecerão a homens. Tal foi o objeto principal. — que. no programa do Partido social-democrata dos operários alemães. anarquistas revolucionários. pois a educação não está nem nos hábitos. enfim. Engels) — de seu imperador panger-mânico. em 1864. o ódio que o opressor sente por aquele que oprime e do qual leme as terríveis revoltas. Nessas palavras. e o que significa sua obediência a essas leis. com todos os seus aspectos principais. Se ele disse isso. O que o Sr. sem dúvida pela própria salvação do mundo inteiro. e acreditam ser e poder alguma coisa sob o jugo unitário — e revolucionário (acrescentaria sem dúvida o Sr. tornaram-se excessivamente presunçosos. "outrora inteligentes e poderosos. ou melhor. às vésperas deste Congresso. à exclusão dos milhões que constituem o proletariado dos campos e que. mesmo nesses países. a iniciativa do movimento socialista passou da França para a Alemanha. misturado de indulgência. A França e todos os povos latinos foram. sob todos os aspectos. e por sinal. é. Marx pretende hoje fazê-lo pelo mundo socialista. são vaidosos deles mesmos. acreditou ter chegado o momento de fazê-lo triunfar teórica e praticamente na Internacional. ou. ser livremente escravo. o primeiro papel no mundo. em Londres. O ponto principal. não como massa. nos países mais democráticos. em setembro de 1871.seu tom geral: "Agora — dizia-se. Visto que haverá necessariamente súditos. o povo obedece não a leis que ele próprio faz realmente. da Conferência que ele reuniu. serão forçados a obedecer. grandes deveres nos incumbem". é a CONQUISTA DO PODER POLÍTICO PELA CLASSE OPERÁRIA. em nome do Conselho Geral provisório. e que foi eliminado do programa da Internacional pelo Congresso de Genebra. e que. É a teoria da emancipação do proletariado e da organização do trabalho pelo Estado. e como. tornar-se-ão propriamente os súditos em seu grande listado pretensamente popular. a partir da qual a Alemanha é chamada a representar. pois sem obediência não há poder possível. sem a ajuda da Alemanha. Classe. nas previsões dos Senhores social-democratas da Alemanha. Sabeis o que isso significa? Nem mais nem menos que uma nova aristocracia. somente a Alemanha. como tais. o que não os torna absolutamente mais amáveis. abre a porta a todas as ambições. Estado são três . Quem quer que não decida tomar ficções por realidades deverá reconhecer que. uma teoria abandonada por eles mesmos. Em relação aos povos latinos. o que quer dizer a mesma coisa. Em relação a eles mesmos. o mundo dos trabalhadores apresentado como classe. mas neste desprezo há muito temor. eles sentem um tipo de respeito misericordioso.

todos os Estados. que trabalhadores de boa fé possam se apaixonar por tal programa. e. ou então de alguns raros operários que procuram montar sobre os ombros de outros para se tornarem burgueses dominadores e exploradores. do proletariado das cidades. o estado de sua civilização e toda sua situação atual. confiá-lo a um grupo de homens eleitos por eles mesmos para representá-los e governá-los. o verdadeiro programa da emancipação operária. e abarcarão com tanta paixão como o fazem hoje os operários dos grandes países meridionais. não está claro que a natureza popular desse poder nunca será outra coisa senão uma ficção? Será. impossível que algumas centenas ou mesmo algumas dezenas de milhares. cidadãos de um novo Estado despertarão escravos. e que querem emancipar-se não em detrimento. para eles mesmos serem livres com todos e não para se tornarem. devidamente aburguesada. Que os trabalhadores alemães. eis o que é muito mais difícil compreender. em suas obras consagradas à análise filosófica do passado. absorvê-la e partilhar com ela a dominação e a exploração do proletariado dos campos. ou forçada a se fazer tal. Tal é o verdadeiro sentido das candidaturas operárias nos parlamentos dos Estados existentes. o proletariado das cidades é chamado hoje a destronar a classe burguesa. respeitável. exceto se este se revoltar e demolir iodas as classes. Assim. dos operários das cidades e em detrimento dos trabalhadores dos campos. a coragem de se congraçar com o estabelecimento de um novo despotismo em proveito. para conquistar o poder político. partilhando com ela a dominação e a exploração dos trabalhadores. todos os poderes. tanto das cidades quanto dos campos. assim como os operários holandeses e belgas. e a minoria inteligente. a rejeitarão com desdém e cólera. em proveito exclusivo do qual se quer controlar o poder político. Enquanto esperamos. à exclusão e em detrimento da massa do proletariado não apenas dos campos. mas também das cidades. por assim dizer. tenho a firme confiança de que em poucos anos os próprios operários da Alemanha. Reconhecemos inclusive que é bem possível que por toda a sua história. Mesmo restrito ao ponto de vista do proletariado das cidades. todas as dominações. Pode-se conceber como e por que políticos hábeis se ligam com uma grande paixão a um programa que abre à sua ambição um horizonte tão amplo. esse último pária da história. eles não rejeitam de maneira absoluta nosso programa. portanto. por sua vez. mas que operários sérios. para o que denominamos socialismo burguês. tiranos.lermos inseparáveis. joguetes e vítimas de novos ambiciosos. desde que nos deixem a mesma liberdade. isto é. e para a conclusão de um novo pacto político entre a burguesia radical. reconhecendo as consequências fatais de uma teoria que só pode favorecer a ambição de seus chefes burgueses. em unia palavra. Mas que permitam aos trabalha- . o que os fará recair sem falta em todas as mentiras e em todas as servidões do regime representativo ou burguês. a Espanha. reconhecemos perfeitamente seu direito de marchar na via que melhor lhes pareça. por sua vez. Censuram-nos somente por querermos apressar. mais tarde. que trazem em seus corações como uma chama viva o sentimento de solidariedade com seus companheiros de escravidão e de miséria no mundo inteiro. visto que isso lhes apraz. americanos e ingleses se esforcem. e desconhecer a lei positiva das evoluções sucessivas. Eles deverão necessariamente exercê-lo por procuração. e todos juntos se resumem definitivamente por essas palavras: subjugação política e exploração económica das massas. Assim. melhor dizendo. hoje. cada um deles supondo necessariamente os dois outros. fatalmente. Tendo tido a coragem bem alemã de proclamar. que a derrota sangrenta dos camponeses revoltados da Alemanha e o triunfo dos Estados despóticos no século XVI haviam constituído um grande progresso revolucionário. a Itália. e o da conquista do poder político pela classe operária. Depois de um curto momento de liberdade ou de orgia revolucionária. É sempre o mesmo temperamento alemão e a mesma lógica que os condduz diretamente. quer dizer. eles sejam forçados a marchar nesta via. superar a lenta marcha da história. Os marxistas pensam que. sua natureza particular. o da destruição dos Estados. têm. evidentemente. assim como no século passado a classe burguesa havia destronado a classe nobiliária para tomar seu lugar e para absorvê-la lentamente em seu corpo. a França. possam efetivamente exercer esse poder. mas pela emancipação de todos. alguns milhares de homens somente.

Ele não leva em consideração nenhum outro elemento da história. felizmente. acontece algumas vezes que povos civilizados o possuam apenas em fraco grau. e a energia. é preciso destruir o Estado". uma vez dadas. seja porque a própria natureza de sua civilização os tenha depravado. da emancipação económica. falta-lhes uma. Em um escrito precedente3. senão uma consequência lógica de todo o seu sistema. do qual só publiquei a primeira parte e me proponho a publicar o restante em breve. a força vital de cada um se compara à sua intensidade. climatológicas e económicas. Tal foi em todo o seu passado. tal é ainda hoje a Alemanha nobiliária e burguesa. e dotada de uma força de expansão considerável. racional. Ele diz: "A miséria produz a escravidão política. tenham sido menos dotados do que outros. principalmente neste momento. permanecerá solidário enquanto não tiver compreendido que esse Estado pangermânico. por sua vez. tentei provar que a nação alemã se encontra precisamente neste caso. exercem. eles próprios. ainda que solicite comumente uma e outra. o instinto de revolta. parcimoniosa.dores dos outros países marcharem com a mesma energia para a destruição de todos os poderes políticos. absolutamente necessária. e o escravo é sempre ele. reproduz e conserva a miséria. Mas ao lado de tantas vantagens incontestáveis. das instituições políticas. mas não permite inverter esta frase e dizer: "A escravidão política. possuem um outro grande defeito. O proletariado alemão. está aí. adotam com facilidade. do qual ele está dotado ou que conservou. a nação mais perigosa para a liberdade do mundo. que lhe prometem em futuro mais ou menos próximo. coisa estranha. mesmo fora e independentemente das condições económicas de cada país. de liberdade. para mudar o primeiro. Todo o segredo das evoluções históricas. ao lado das necessidades económicas que o impulsionam. enfim. pode tornar-se solidário ao espírito de conquista que hoje se manifesta nas regiões superiores desta nação? De fato. se algum dia pudesse se realizar. é o espírito de açambarcamento. ele que proíbe seus adversários de incriminarem a escravidão política. Com isso. e até mesmo sobre o desenvolvimento de suas forças económicas. vão buscar seus meios de existência em todos os lugares. Marx desconhece igualmente por completo um elemento muito importante no desenvolvimento histórico da humanidade: é o temperamento e o caráter particulares de cada raça e de cada povo. seja. O Sr. senão sempre. animal. Marx não quer evidentemente esta solidariedade. como já observei. de absorção sistemática e lenta. eu disse. diz ele. e. e de dominação. No homem. o Estado". estudiosa. O Estado político de lodo país. A conquista é. mas que. que não é. jurídicas e religiosas sobre a situação econômica. tem uma teoria toda especial. por sinal. Ela possui muitas outras qualidades sólidas que fazem dela uma nação totalmente respeitável: élaboriosa. o Estado. Um povo conquistador é necessariamente um povo escravo. Esse instinto é um fato completamente primordial. segundo o Sr. por isso mesmo. Marx. E. basta transformar esta última. Mas sendo solidário a ele em sua imaginação. como uma causa real da miséria. o Estado. desde o começo de sua história. tanto quanto históricas. republicano e pretensamente popular. há um cuja ação é completamente decisiva na história particular de cada povo: é a intensidade do instinto de revolta. Entre esses elementos e aspectos. assim. simultaneamente grande argumentadora e apaixonada pela disciplina hierárquica. Para apoiar essa recusa. completamente oposta a seu interesse e à sua liberdade. tal como a reação. o que faz deles. temperamento e caráter que são naturalmente. 3 O Império Cnuto-germânico. produtos de um grande número de causas etnográficas. outra coisa não seria. para destruir a miséria. portanto. tais são as condições essenciais da solidariedade internacional. pouco ligados a seu próprio país. uma influência considerável sobre seus destinos. porque. Mas o Sr. não de cultura intelectual e moral. como uma condição de sua existência. E como é um caso de temperamento. os hábitos e costumes dos países estrangeiros onde residem. A liberdade para todos e o respeito mútuo dessa liberdade. todavia evidente. ele se torna o agente mais poderoso de todas as emancipações humanas. ordena a seus amigos e a seus discípulos do Partido da social-democracia na Alemanha para considerar a conquista do poder e das liberdades políticas como a condição prévia. indubitavelmente não. senão uma nova forma de duríssima escravidão para ele mesmo. e. pois se recusa a reconhecer esta liberdade. Eles são o povo mais resignado e mais obediente do mundo. é sempre o produto e a expressão fiel de sua situação económica. por assim dizer naturais. vítima secular de uma e de outra. encontramo-lo em diferentes graus em cada ser vivo. . o amor pela liberdade. ponderada. sábia. os alemães.

provavelmente do sul. só realizável a prazos muito longos. à exclusão de todos os outros. a nova civilização. Ao mesmo tempo. uma. coletividades tanto quanto indivíduos. dos proprietários atuais. a iniciativa da revolução social. políticas e jurídicas pelas quais todo mundo se encontra hoje oprimido. como eles dizem. O raciocínio do Sr. Marx chega a resultados absolutamente opostos. Para eles. sobre a ruína de todos os bancos existentes. não se resignem a sofrer o jugo de uma nação essencialmente burguesa e de um Estado ainda mais despótico. latina e eslava. da classe operária. e na apropriação de todas as terras e de todo o capital pelo Estado. civilizadas e não civilizadas. A revolução social. pelo menos. Ela consistirá na expropriação. tendo por substituto real a escravidão. a plena autonomia de seus movimentos e de seu desenvolvimento. um plano de organização tão simples. Compreende-se que. será a escravidão. um privilégio de governo. estabelecerá um banco único. pudéssemos repousar sobre o próximo e principalmente sobre governantes. diretores e tutores. seja pela força. desejada e esperada pelos trabalhadores latinos e eslavos. ainda que eleitos e controlados. dormiria. A segunda palavra dessa emancipação. não apenas de alguns países. Tomando em consideração unicamente a questão económica. metafísicas. os mais capazes de fazer uma revolução social são aqueles nos quais a produção capitalista moderna alcançou o mais elevado grau de seu desenvolvimento. cedendo ao contágio universal. e não terá. originando-se não em uma lei política qualquer. para os hábeis e os doutos. seja sucessiva. de início. em virtude da qual nenhum homem é livre se todos os homens que o cercam e que . mas de todas as nações. para conquistar e consolidar a justiça e a igualdade. em consequência. seja violenta.Até o momento. nenhum de seus oradores. devolverá a todos. tanto quanto política. comandando exércitos de trabalhadores rurais. na aparência pelo menos. São eles que. da emancipação parcimoniosamente medida. mas na própria natureza coletiva do homem. tal como é representada. comanditado de todo o trabalho e de todo o comércio nacional. organizados e disciplinados para essa cultura. é infinitamente mais ampla do que a que lhes promete o programa alemão ou marxista. para conduzi-lo a uma via onde só poderá encontrar a animadversão do mundo e sua própria escravidão. são os países civilizados. mas a grande liberdade humana que. pelo povo! Na realidade. que deve se iniciar por esse ato de emancipação universal. ele diz que os países mais avançados e. organizada de cima para baixo por um governo qualquer e imposta seja pela astúcia. muito poderoso e muito fortemente concentrado. atraídos pela imensidão das especulações internacionais dos bancos nacionais. em absoluto. e que imaginam loucamente que uma e outra possam existir sem liberdade. que. Todos se esforçam. de todos os inspetores. mais ou menos ignorando-a e desdenhando-a por instinto. deverá ser necessariamente muito extenso. como se. e nenhum de seus chefes. mas a solidariedade que é. a menos que todos os povos das raças "inferiores". a outra. desencadeará suas paixões populares e derrubará de uma só vez a dominação de seus tiranos e de seus pretensos emancipadores. porque se chamará Estado popular. possa seduzir a imaginação de operários mais ávidos de justiça e de igualdade que de liberdade. francamente popular. às massas populares. para poder desempenhar sua grande missão económica. não essa liberdade política. fatigada da civilização burguesa. ao contrário. e que por isso mesmo se torna mentira. no qual a massa uniformizada dos trabalhadores e das trabalhadoras despertaria. burguesa. não essa solidariedade de todos. e então. ficção. não parece tê-lo compreendido. trabalharia e viveria ao tambor. O Estado administrará e dirigirá a cultura da terra por intermédio de seus engenheiros remunerados. para os judeus. e enquanto obedecer à sua direção. No interior. de uma vez por todas. um vasto campo de fraude lucrativa. libertos. não se trata. destruindo todas as correntes dogmáticas. é solidariedade. não a solidariedade marxista. nenhum de seus publicistas se deu ainda ao trabalho de explicar-lhe isso. que é a negação da liberdade de cada um. ao contrário. mas da emancipação completa e real de todo o proletariado. Marx e seus adeptos. a guerra sem trégua. os únicos chamados a iniciar e a dirigir essa revolução. certamente. no exterior. Esta revolução lhe virá de outra região. seria para o proletariado um regime de caserna. E a primeira palavra dessa emancipação só pode ser liberdade. a confirmação e a realização de toda liberdade. tão preconizada e recomendada como objeto de conquista prévia pelo Sr. prosseguirá essa terrível ilusão do Estado popular.

Fizeram ainda mais: ao contrário da mais simples lógica e de seus verdadeiros sentimentos. reconizadores de coisas práticas e possíveis. e eles nunca trocarão a magnificiência desse objetivo pelas pobrezas completamente burguesas do socialismo marxista. Eles desejam toda a liberdade. Prático no sentido de que sua realização será muito menos difícil do que a da ideia marxista. a grande maioria dos franceses que foram representá-la em Londres era blanquista. toda a igualdade. entretanto. mesmo a título provisório e transitório. com todo o seu génio. o qual. mas humano e prático4 que sozinho corresponde às aspirações modernas dos povos latinos e eslavos. Marx que. por sinal. nem divino nem metafísico. e a propriedade coletiva. proclamaram que seu programa e seu objetivo eram os deles. teve a audácia de convocar uma Conferência da Internacional. Tinham de fazê-lo. encontrou neles. o trabalho coletivo. serão reconhecidos como homens práticos no dia seguinte. um forte apoio. e por objetivo final a constituição da humanidade. a prática da vida coletiva. já faz muito tempo que o fizeram. Por essa insurreição. tornado obrigatório para cada um não pela força das leis. A insurreição comunalista de Paris inaugurou a revolução social. Em seguida. toda a solidariedade. isso não os desviou em nada de seu objetivo.exercem a mínima influência. só pode ser o produto espontâneo da vida social. e que aqueles denominados utopistas. Os marxistas tacharão suas aspirações de loucura. racionais. que. diminuindo. transformará estes últimos em servidores inconscientes e involuntários da revolução social. Foi um travestimento verdadeiramente bufão. Inicialmente. Não será a primeira vez que homens hábeis. as esperanças que despertou em todos os lugares. com raras exceções. para apresentar-lhe seu pobre programa. Esta audácia se explica. são as ideias que agitou. segundo a qual. sob pena de se verem ultrapassados e abandonados por todos. Eis aí um grande erro. a ruína de todos os Estados. esta aliança enfraquece necessariamente o partido mais avançado. apesar de sua rigidez republicana. a França retornou de uma só vez à sua posição. mas forçado. onde o despertar popular data desta insurreição. e. ainda apresenta esse grave inconveniente de ser absolutamente impraticável. dos quais todas as ideias haviam sido derrubadas por esta insurreição. O exemplo de Mazzini que. isto é. longe de encontrar adversários nesses representantes autoritários da Comuna de Paris. não hesito em dizer que todos os galanteios marxistas com o radicalismo. sobre sua vida. de tanto que a paixão que essa revolução havia provocado em todo mundo tinha sido poderosa. passou toda sua vida em transações com a monarquia. o resultado da livre federação dos interesses. viram-se obrigados a tirar o chapéu diante dela. serão reconhecidos como utopistas. a poderosa comoção que produziu no seio das massas populares de todos os países. e creio ter exposto claramente as causas que levaram os blanquistas a buscarem a aliança com o Sr. consequentemente. O que constitui a importância desta revolução não é propriamente as bem fracas tentativas que ela teve possibilidade e tempo de fazer. e que. quer seja reformista. todas as experiências da história nos demonstram que uma aliança concluída entre dois partidos diferentes volta-se sempre em proveito do partido mais retrógrado. Quanto a mim. ao lado da pobreza de seu objetivo. não o são igualmente. em Londres. que proclamam que a escravidão do último dos homens é a escravidão de todos. Também é preciso admirar a coragem tanto quanto a habilidade do Sr. dois meses mais tarde. por dois fatos. quer 4 . em resumo. redigidos por Robespierre. acabou sempre sendo ludibriado. e não se contentarão. hoje. este exemplo não deve ser por nós esquecido. tanto económica quanto moral. quando um partido retrógrado mente. sua confiança em si mesmo. ele se encontra sempre e mais do que nunca em sua verdade. O absurdo do sistema marxista consiste precisamente nessa esperança. reduzindo excessivamente o programa socialista para fazê-lo ser aceito pelos burgueses radicais. a luz viva que lançou sobre a verdadeira natureza e sobre o objetivo da revolução. Paris. A solidariedade que pedimos. destruindo sua força moral. Esta verdade se encontra magnificamente expressa nos Direitos do Homem. deformando seu programa. cujo aspecto principal é a revolta da Comuna e das associações operárias contra o Estado. Eis o ideal. e a ciência. a Paris popular havia sido dizimada. em consequência. e toda a França revolucionária. estava momentaneamente reduzida ao silêncio. e a capital da revolução mundial. com menos que isso. direta ou indireta. só desejam a humanidade. Marx. naquele momento. longe de dever ser o resultado de uma organização artificial ou autoritária qualquer. em Londres. por luz norteadora a experiência. Ela tem por bases essenciais a igualdade. mas pela força das coisas. recuperou sua gloriosa iniciativa à frente e sob o canhão dos alemães bismarckianizados. mas principalmente na Itália. O efeito foi tão formidável em todos os lugares que os próprios marxistas. das aspirações e das tendências comuns.

de volta à Espanha. delegado da Federação espanhola. todos os tipos de infâmias e horrores. e pelo poder ditatorial do qual o investiram. e só tive conhecimento deste fato por esta resposta do Sr. A honra da primeira revolta pertence à Federação do Jura5. para a maior glória do Sr. perante a opinião pública. que só me foi comunicada no mês de abril ou maio. Mas a partir do momento em que havia uma verdade oficial na Internacional. comunicou. e mais alguns ludibriados. investiram-no de um poder secreto completo. Reconheceram a urgência da correspondência secreta entre o Conselho Geral e todos os conselhos regionais. desacreditar. enfatuado por seu triunfo. em resumo. Para assegurar sua tranquila fruição. uma nova consolidação do poder estabelecido dos burgueses. dos burgueses.Sabemos. Foi a segunda proposição do Sr. e o programa marxista. encontrou-se imposto como princípio obrigatório para toda a Internacional. enfim. ela foi votada. mas julgo pelo fato que se segue. sem ter sido investido de alguma delegação oficial. transformado desta maneira cm governo oficial. o Sr. e me fez a honra de conceder-me o primeiro lugar entre essas pessoas. Utin. . era preciso um governo para conservá-la. Marx. como esta Conferência foi sabotada. a Internacional se encontrava acorrentada ao pensamento e à vontade do ditador alemão. fez vir de Genebra seu pequeno comparsa e compatriota. os adversários de sua ditadura. consequentemente. ela foi composta pelos íntimos do Sr. Ignoro ainda agora o que ele disse. além do mais. afim de intrigar em seu favor e levar-lhes à desorganização. selecionados por ele mesmo cuidadosamente. Daí em diante. E observai que tudo isso se passou completamente sem que eu soubesse. concederam-lhe. transformado em verdade oficial. em plena Conferência. o direito de enviar agentes secretos a todos os países. não podem ter outros resultados senão a desmoralização e a desorganização do poder nascente do proletariado. Creio que o Sr. Lorenzo Asprillo. e. à Internacional estupefata o golpe de Estado que acabara de sofrer. escreveu-lhes esta frase: "Se Utin disse a verdade. parece ter ido a Londres somente para espalhar contra mim. a qualquer preço. Sr. Marx. Marx. A Conferência votou tudo o que ele acreditou ser bom propor-lhe. por sinal. Utin é um infame caluniador". Para isso. Era-lhe preciso. muito fácil para ser sólido. 5 Aqui se interrompe o manuscrito. conduzira-se irrefletidamente a ponto de não desconfiar da terrível tempestade que seu golpe de Estado devia provocar nas regiões independentes da Internacional. Bakunin deve ser um infame. Marx pensou dever tomar mais uma medida. como a primeira. Deram-lhe o direito de censura sobre todos os jornais e sobre todas as seções da Internacional. que. tendo sido interrogado por alguns de meus amigos. O cidadão Anselmo Lorenzo Asprillo. seja revolucionário. Marx. Uma circular do Conselho Geral. se mentiu.

até 1870. para6 uma exploração e necessariamente também para uma compressão solidárias através de todas as fronteiras de todos os países. subscrevo de todo coração. os únicos legítimos e os únicos obrigatórios para todos os membros. Como se deveria esperar da parte do autor do famoso programa dos comunistas alemães. Marx foi o único autor. deveria ter compreendido. e a fez uma verdadeira potência. A exploração burguesa sendo solidária. e que. reuniu sob a bandeira desta Associação. (N. e os Srs. e apesar de todas as diferenças políticas atualmente existentes entre muitos Estados. militares. durante oito anos seguidos. ele até mesmo fez perfurar seu ouvido pangerinânico acrescentando que atualmente o principal objeti-vo político da Associação Internacional dos Trabalhadores devia ser o de combater o Império de todas as Rússias. inicialmente. — eis um título de glória que ninguém lhe contestará. publicada em 1864. (Nota de Arthur Lehning).mas a que. levar à reboque do movimento espontâneo dos trabalhadores da Bélgica. — e que. deveria ser determinado de outra maneira. e se tivesse dito que era 6 7 As duas primeiras páginas do manuscrito estão perdidas. seu cúmplice. Marx e companhia. seu confidente. isto é. proclamação da qual o Sr. a França imperial. não foi por culpa do Sr. não poderia reduzir-se. do T). mas por impotência e porque ninguém o teria escutado. fundada principalmente sobre a liberdade das seções e federações. a luta contra ela também deve sê-lo. havia sido privada de todos os favores de um governo centralizador. não por falta de pretensões ambiciosas. séria e útil para a causa dos trabalhadores. . e a organização dessa solidariedade militante entre os trabalhadores do mundo inteiro. 2° que só pôde fazê-lo porque. Se o Sr. duas coisas que saltam aos olhos. Este objetivo tão simples e tão bem expresso por nossos estatutos gerais primitivos. para ser apresentado de maneira verdadeiramente justa. da França. Engels. precisamente no período de maior desenvolvimento da Associação. melhor do que ninguém. . objetivo sem dúvida muito legítimo e nobre. . da Suíça. no espaço de tempo de apenas oito anos. da natureza e das causas desse poder. Marx tivesse declarado guerra a todos os Estados. sem desnaturar completamente o caráter e o objeto da Associação Internacional dos Trabalhadores. despóticos. todo mundo sabe que. Pequena e inexpressiva região da França governada por reis nos séculos XV c XVI. Marx. Quanto à questão política. e que somente a cegueira inerente à ambição vaidosa pôde fazê-lo desconhecer: Que a Internacional só pôde desenvolver-se e ampliar-se de maneira tão maravilhosa porque eliminou de seu programa oficial e obrigatório iodas as questões políticas e filosóficas. seções e federações da Internacional. ou pelo menos aos Estados monárquicos. segundo parece. publicado em 1848 por ele e por seu amigo. constituiu quase sozinho o Conselho Geral. capaz de dirigir. um tipo de rei de Yvetot7 raciocinando sempre após os acontecimentos. ou mesmo à republicana atual. o Conselho Geral tendo sido.ESCRITO CONTRA MARX Fragmento formando uma continuação de O Império Cnuto-germânico . . que foi um dos principais iniciadores da Internacional. da Espanha e da Itália. se ela foi eliminada do programa da Internacional. como a Prússia. Mas todo poder tenta os ambiciosos. e se deixando. Marx. a Áustria. — ao qual. O Sr. persuadido como estou de que este povo não deixará de ser um miserável escravo enquanto este Império existir. de impedir e paralisar seu desenvolvimento. o chefe dos comunistas autoritários da Alemanha não se absteve de declarar que a conquista do poder político era o primeiro dever dos trabalhadores. que nunca se deram conta. simultaneamente tão jovem e tão prodigioso da Internacional. Sr. portanto. como amigo do povo russo. tal é o objetivo único da Internacional. bem mais de um milhão de aderentes. em segundo lugar. pelo Conselho Geral provisório de Londres. ele não deixou de colocar esta questão em primeiro plano na proclamação inaugural. imaginaram que poderiam fazer dele um degrau ou um instrumento para a realização de suas pretensões políticas. Nessa proclamação ou circular dirigida aos trabalhadores de todos os países. uma potência com a qual os mais poderosos monarcas da terra se vêem hoje forçados a contar.

por esta razão. mas como um ardente patriota da grande pátria bismarckiana. havia traduzido e comentado esse parágrafo dos considerandos nestes termos: "A Aliança rejeita toda ação política que não tiver como objetivo imediato e direto o triunfo dos trabalhadores contra o capital". por mais radical que ela se diga e por mais socialista que ela se caracterize. a emancipação económica dos trabalhadores é o grande objetivo ao qual deve estar subordinado todo movimento política'. Liebknecht e Bebei. recomendando . refutou todas essas veleidades políticas e patrióticas daquele que se coloca hoje como ditador de nossa grande associação.em consequência disso. que entre o proletariado e a burguesia. "Que a sujeição do trabalhador ao capital é a fonte de toda servidão: política. entre eles o Estado modelo. para todos. em primeiro plano. doravante. depois disso. para me servir da memorável expressão de Sieyès. e. o Partido social-democrata dos operários alemães. anunciava em seu programa que a conquista do poder político era a condição prévia da emancipação económica do proletariado. Há razão para que nos surpreendamos.preciso colocar. "Que. de todos os Estados. enfim. com o fato delas se terem reencontrado na Internacional como adversários irreconciliáveis. Eis a frase decisiva de todo o programa da Internacional. seção da Internacional em Genebra. A Aliança. o mesmo abismo. e cada passo que ele der para a frente ampliará bem mais o abismo que os separa. etc. Ao reconhecer a verdade que ela expressa e ao se deixar penetrar por ela cada dia mais. Dai-vos ao trabalho de reler os magníficos considerandos que encabeçam os nossos estatutos gerais e não encontrareis neles nenhuma dessas palavras com que ele fez menção da questão política: "Considerando: "Que a emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores. os mesmos direitos e os mesmos deveres. levando o programa da Internacional a sério. na Internacional? A Aliança. que doravante constituem a base da Internacional. em seguida. Entre essas duas tendências. c que. pode-se vê-lo. Ela cortou o cabo. ao rejeitar. muito glutão. Sabe-se que o primeiro Congresso da Internacional. como todo mundo pode constatá-lo hoje. Mas ao fazer abstração do despotismo alemão. Marx. ela assumia como objetivo a abolição do Estado. e que continuem a se combater. em 1866. muito brutal. Marx manifestou-se inicialmente como um péssimo e muito pouco verídico historiador. declarando até mesmo que este era a única causa do despotismo que nunca deixou de reinar na Alemanha. todas as vergonhas e todos o. quebrou os elos que mantinham o proletariado acorrentado à política burguesa. o Sr. sob todas as formas e em todas as ocasiões possíveis. por consequência. o Império de todas as Rússias. seu objetivo final é o estabelecimento do grande Estado pangermânico e pretensamente popular. havia rejeitado com desdém toda transação com a política burguesa. desde que há uma Alemanha. ocorrido em Genebra. não como um revolucionário socialista internacional. o objetivo imediato deste partido devia ser a organização de uma ampla agitação legal pela conquista do sufrágio universal e de todos os outros direitos políticos. Todavia. ainda hoje.s crimes políticos desse país da ciência e da obediência proverbiais sob as inspirações da diplomacia russa. moral e material. pelos srs. que os esforços dos trabalhadores para conquistar sua emancipação não devem tender para constituir novos privilégios. e a organização da "associação universal de todas as associações locais para a liberdade". existe a mesma diferença. pelo menos não se poderia acusá-lo de pangermanismo. um despotismo muito insolente. fundado no mesmo ano (1869). e excessivamente ameaçador para a liberdade dos povos vizinhos. à exclusão de todos os outros. sob os auspícios do sr. mas para estabelecer. o proletariado virou as costas resolutamente à burguesia. e ao se esforçar para dirigir a indignação dos trabalhadores de todos os países contra o despotismo russo. Nada restou delas no programa nem nos estatutos votados por esse Congresso.

ou por sua vaidade. A quem quer que disso pudesse duvidar. a exploração legal do proletariado. haviam tentado trazer para discussão a questão política. não como objetos de discussão e de estudo.ao proletariado como única via de emancipação real. Zurique e Basileia. a organização internacional das forças esparsas do proletariado em uma força revolucionária dirigida contra todas as forças constituídas da burguesia. não pela rapidez incrível de sua extensão e de seu desenvolvimento. por cima da cabeça do proletariado. aos trabalhadores que têm a felicidade de escutálos. Mas felizmente só conseguiram esta declaração platónica. como consequência necessária. donde resulta que a partir do momento que o proletariado deseja se . a política exclusivamente negativa da demolição das instituições políticas. E evidente que todo esse movimento político pregado pelos socialistas da Alemanha. E é por isso que combatemos as teorias marxistas com ardor. não tem outro objetivo senão assegurar. sem se dar muito bem conta da verdadeira natureza da força desta Associação. Os social-democratas da Alemanha recomendam. amarraram o proletariado à reboque da burguesia. e hoje continuamos a lamentar profundamente. e. o que será ainda pior. isto é. convictos de que se elas pudessem triunfar em toda a Internacional. como o fizeram na maioria desses países que acabo de citar. nem verdade oficial em nome da qual poder-se-ia exercer essa censura. do governo em geral. Mas nenhum de nós sonhou algum dia proibir o Sr. Eles são reais. esse movimento não poderá deixar de condenar de novo. ao contrário. que pôde surpreender o mundo. ele fundou a força de nossa Associação. e passando. eles preencheram de uma só vez o abismo que ela havia aberto entre o proletariado e a burguesia. visto que deve preceder a revolução económica. onde prevalece o programa marxista. Teríamos faltado a seu princípio fundamental. como a única política verdadeiramente salutar para ele. Ao eliminar de HCU programa todos os princípios políticos e filosóficos. ocorrido em 1867. e é precisamente porque não o fez. por operários transformados por sua ambição. Lamentamos muito. — uma declaração que cada um de nós pode subscrever. havia se colocado como Igreja ou como Estado. só poderá ser dirigido por burgueses. adotarem. Eis o que o Congresso de Genebra. de que a questão política era inseparável da questão económica. por isso mesmo. o movimento pela emancipação económica ao movimento. a imensa perturbação e desmoralização que essas ideias pangermânicas lançaram no desenvolvimento tão belo. onde a Internacional desceu ao ponto de ser apenas um tipo de urna eleitoral em proveito dos burgueses radicais. até aqui. como objetivo imediato de sua associação. amigos desastrosos. ou. A Internacional não admite censura. a agitação legal para a conquista prévia dos direitos políticos. Fizeram ainda melhor do que isso. do Estado. visto que é evidente que a política. em todos os lugares. isto é. não adversários. e. mas enquanto princípios obrigatórios. a instituição e as relações mútuas dos Estados. tanto política quanto filosófica. e são lógicos nesse sentido em que são um efeito natural do triunfo da propaganda marxista. da força e do direito de dominar as massas e explorá-las. Marx. em Genebra. este último. não deixariam de matar. pelo menos o espírito da Internacional. que é o da liberdade mais absoluta da propaganda. havia compreendido. E verdade que no segundo Congresso da Internacional. subordinam. melhor inspirado do que o Sr. em Lausanne. exclusivamente político. e como todos os seus predecessores. onde os órgãos da social-democracia cantam hinos de júbilo ao ver um Congresso de professores de economia política burguesa recomendar o proletariado da Alemanha à elevada e paternal proteção dos Estados. Marx ou seus fanáticos discípulos de propagá-las no seio de nossa grande Associação. às classes governantes. na realidade. da não as admite porque nunca. bastaria que mostrássemos o que hoje se passa na Alemanha. e nas regiões da Suíça. do poder político. de início. tão maravilhoso e naturalmente triunfante da Internacional. em burgueses. Esses fatos incontestáveis parecem-me mais eloquentes do que todas as palavras. por essa inversão ostensiva de todo o programa da Internacional. a ser apenas instrumento cego e infalivelmente sacrificado na luta entre os diferentes partidos burgueses pela conquista do poder político. sem dúvida.

— saindo de seu torpor imposto e tão salutar para a Internacional. de se esperar. Amand Gõgg8. Assim organizados. . havia combinado com o Sr. antiautoritária e anticentralista em toda a sua história. abstiveram-se sabiamente. o que eles quiseram e o que querem é a política positiva. e em toda a Europa. As chances lhe pareciam favoráveis. e o comunismo autoritário do Sr. para combatê-la e derrubá-la. se apresentavam em grande número em um Congresso da Internacional. organizou seu Congresso de Haia. Basileia. o plebiscitário tudesco. e até mesmo na seção alemã de Genebra. Marx em pessoa. a ditadura do Conselho Geral. em consequência de um mau hábito do qual eles parecem ter-se desfeito. prestidigitador político muito hábil. O Partido social-democrata havia tido tempo de se organizar na Alemanha sob a direção dos Srs. composta 8 A Liga burguesa da Paz e da Liberdade. cujos redatores estão interessados na mentira — em todas as Federações livres. ele é forçado a levar em consideração a política. Sua cólera foi imensa. comandantes do corpo suíço. Marx. os Srs. Assim. Marx. no Congresso de Bruxelas. Amand Gõgg. como era. Philippe Becker. uma derrota que ele nunca nos perdoará. francesa. por cartas íntimas. podia-se governar as massas pela mentira. Búrkli.emancipar. por sinal. e. há um único grito de indignação e desprezo contra essa cínica comédia que ousaram empetecar com o nome de Congresso da Internacional. foi enterrada e. Três anos de derrota! Era muito para a ambição impaciente do Sr. a transformação da Internacional em um imenso e monstruoso Estado. Marx. americana. do qual ele se tornou o chefe. Além disso. que ignoravam por completo a questão. votou tudo o que ele quis: e a questão política. — menos na Alemanha. Foi uma torrente de injúrias ignóbeis e calúnias odiosas derramadas contra todos aqueles que haviam ousado combatê-lo. Era a primeira vez que delegados da Alemanha. representada por esse campeão brilhante da democracia burguesa. O plano de batalha. eliminada do programa do Congresso. completamente. e divulgadas pelos jornais na Alemanha e. Marx haviam se dado as mãos e se abraçado fraternalmente no terreno político. defendida com muito ardor e insolência contra nós pelo Sr. que. espanhola. e que estava sem dúvida orgulhoso em provar ao mundo que na falta de fuzis e canhões. o Sr. não lhes oferecia nenhuma chance de sucesso. Liebknecht. Por sinal. e os Srs. comunalista. italiana. e com uma ênfase heróica pelo Sr. tendo sido contestada. isto é. com efeito. o Sr. Marx. conhecem-se hoje todas as suas consequências. Philippe Becker e Rittinghausen. chefe do corpo alemão. pela calúnia. hoje. em outros países. belga. mais uma vez. mas que votaram com os marxistas. Búrkli e Greulich. Quos ego desse pobre Conselho. Foi uma derrota memorável para o Sr. Graças à maioria fictícia. por circulares confidenciais e por todos os tipos de agentes granjeados de uma ou de outra maneira à causa do Sr. preparada com muita antecedência pelo Sr. inglesa. holandesa. a Bélgica. a política do Estado. A questão da legislação direta pelo povo. Passaram-se apenas dois meses desde este Congresso. Veio em seguida a Conferência de Londres (setembro de 1871). ordenou a seu exército um ataque direto. apresentada pelo Sr. abstiveram-se sabiamente dela. na realidade. em Zurique. Liebknecht e Bebei: havia ampliado suas ramificações na Suíça alemã. — o inventor da votação direta das leis e das constituições pelo povo. Liebknecht. Mas não tendo encontrado terreno favorável em Lausanne. cujos operários são sistematicamente cegados por seus chefes e por seus jornais. que foi. — agruparamse a seu lado como auxiliares voluntários. e alguns ingleses do mesmo Conselho. tiveram ao seu lado alguns alemães do Conselho Geral. Não é assim que a compreendem nossos adversários. aprovado pelo Sr. um ano mais tarde. e. Marx. a conquista do poder pelo proletariado como parte integrante do programa obrigatório da Internacional. A mesma sabedoria os havia inspirado. Foi desde setembro de 1869 que o Conselho Geral. os marxistas lançaram-se à grande batalha e a perderam. — ou melhor. pela intriga. sem esquecer nossa excelente Federação do Jura. Sabe-se como ela se manifestou inicialmente. empreendeu uma política militante. Marx. enfeudados à política do Sr. A legitimidade desta Conferência. com muitas reticências diplomáticas pelo Sr. Marx. general-em-chefe do exército. executado no Congresso de Basileia (1869). a do Sr. Marx. que jamais gosta de se pronunciar de maneira clara antes de saber de que lado estará a vitória. em consequência.

esses milhões de não-civilizados. não porque o povo seja realmente religioso. por infelicidade. a fim de melhor assentar. e crerá nisso enquanto uma boa revolução social não lhe tiver aberto os meios de realizar todas as suas aspirações aqui embaixo. demonstrando-lhe de maneira totalmente dramática. como fazem os marxistas. esta camada de operários semiburgue-ses. a ambição política. e blanquistas franceses ridiculamente manipulados pelo Sr. Nele imolaram sem vergonha e sem piedade a honra da Internacional. ela. Não creio ser necessário demonstrar que. E o Sr. filosofia séria. Por flor do proletariado. Engels e o Sr. Marx e Engels a designam ordinariamente por essa palavra. Marx pretendem submeter ao regime paternal de um governo muito forte9 sem dúvida.como negação dos absurdos teológicos e metafísicos). os gueux. pois toda determinação em teoria corresponde fatalmente a uma exclusão. todos os germes do socialismo do futuro. lumpemproletariado. no interesse da grande massa do proletariado. deserdados. a adoração de si mesmo. isto é. esta associação teria podido reunir em seu seio pelo menos algumas centenas de milhares de aderentes? Todo mundo sabe que não. eu disse. Certo é que se a Internacional tivesse colocado o ateísmo como um princípio obrigatório em seu programa. bom senso e honestidade. "ateísmo". 10 9 . que se alguma coisa pode matá-la é justamente a introdução da política em seu programa. se não se põe ordem nisso. essa grande massa. não positivo. o "proletariado esfarrapado". sendo mais ou menos virgem de toda civilização burguesa. ela teria excluído de seu seio a flor do proletariado. sem dúvida. o ateísmo. a uma eliminação na prática. traz em seu seio. a mais civilizada e a mais abastada do mundo operário. mas porque crê sê-lo. Engels se serviu em carta muito instrutiva que endereçou a nosso amigo Cafiero. só pôde adquirir uma extensão imensa porque eliminou de seu programa obrigatório todas as questões políticas e filosóficas. Não foi somente um crime. que. que se considera o pai da Internacional. com seu bem-estar relativo e semiburguês. Não pode mais existir nela. em suas paixões. puseram em jogo sua própria existência. o poder ditatorial do Sr. indeterminado e vago. abarcar e organizar a imensa maioria do proletariado de todos os países da Europa e da América. tudo nele foi travestido. deixou-se penetrar muito profundamente por todos os preconceitos políticos e sociais e pelas estreitas aspirações e pretensões dos burgueses. em todas as necessidades e misérias de sua posição coletiva. o que só ela é hoje bastante poderosa para inaugurar e lazer triunfar a Revolução social. para sua própria salvação.quase exclusivamente de membros do Conselho Geral. foi uma demência. principalmente. A Associação Internacional dos Trabalhadores. Marx. que não tome como ponto de partida. alemães disciplinados ao modo prussiano. pode consegui-lo. principalmente. Marx. a mais individualista em todo o proletariado. Mas se pode acreditar que se tivesse inscrito esta simples palavra. Marx. visto que. ela deve ser capaz de atrair para o seu seio. miseráveis e analfabetos que o Sr. e. e que é verdadeiramente capaz de formar uma delas. quero dizer. Por flor do proletariado. mas negativo (historicamente tornado necessário. A coisa é de tal forma clara que ficamos verdadeiramente surpresos de ainda ter de prová-la. viva. essa grande canalha popular10. o Sr. sobre a bandeira da Internacional. hoje. no próprio interesse das massas. — e por esta palavra não quero dizer. refiro-me precisamente a essa carne de governo eterno. por exemplo. São os próprios termos dos quais o Sr. Mas qual é o programa político ou filosófico que poderia se gabar de reunir sob sua bandeira milhões de adeptos? Só um programa excessivamente geral. falsificado. Marx pelo menos prestou um grande serviço à Internacional. ao mesmo tempo desprezível e pitoresca. é evidente. como todos os governos não foram estabelecidos. O Srs. deixou fazer tudo isso! Eis para onde conduzem a vaidade pessoal. e que foi incontestavelmente um de seus principais fundadores. Pode-se dizer que esta camada é a menos socialista. dos quais ele foi a grande fonte e o único autor. para que a Internacional seja e permaneça uma potência. em suas aspirações. em seus instintos. da qual querem precisamente se servir para constituir sua quarta classe governamental. Por todos esses fatos e atos deploráveis. a camada superior. brutalizado e violado: justiça.

se pudessem esperar recebê-la das mãos do despotismo. realmente. Não é surpreendente que o Sr. essa canalha. com um golpe despótico. é o da igualdade económica. levada por um instinto tão invencível quanto justo. sem demência. da . a vontade. a todas as veleidades governamentais da pequena minoria operária. tentou impor o pensamento. porque o proletariado em geral e em todos os países está hoje animado de profunda desconfiança contra o que é político e contra todos os políticos do mundo. que seja capaz de agitar as massas. o pacto da Internacional. dissolver-se. a política de seu chefe a toda a Internacional. ou mesmo somente como a palavra séria. seria o fim de toda a força de nossa grande Associação. os republicanos mais vermelhos. já disciplinada e ordenada como deve ser para se tornar servidora de um novo despotismo. pois é aí que está. e que. que elas se deixem levar na Internacional por uma outra isca. Hoje elas começam. E evidente que. Essa nova experiência. Pois bem. quis executá-lo. ao proletariado de todos os países! Disso resultou uma grande discórdia na Internacional. pois enquanto a igualdade económica não tiver substituído o regime atual. em todos os lugares. De início. a organização e o governo da nova sociedade pelos doutos socialistas. como é. repito mais uma vez. se ela virasse as costas à Internacional. não mudarão esse fato tornado hoje patente em todos os países. impor um programa político uniforme. como palavra oficial. E as massas têm mil vezes razão. seu socialismo científico. a experiência histórica serviu para alguma coisa até mesmo para as massas. pois. como esperar que o proletariado de todos os países. O que as massas desejam em todos os lugares é sua emancipação económica imediata. tudo o que constitui o valor e a dignidade da existência humana. da Holanda. não falsificada. depois de uma experiência de alguns anos. encontrando-se em condições tão diferentes de temperamento. o douto socialismo do Sr. de cultura e de desenvolvimento económico. mesmo na Alemanha. o Sr. segundo parece. A paixão instintiva das massas pela igualdade econô-mica é tão grande que. talvez mais triste do que todas as experiências passadas. ciência. a compreender que nenhum despotismo teve e pode ter a vontade ou o poder de lhes a dar. — não existe mais nenhum princípio político. É preciso ser verdadeiramente insensato para imaginar que os trabalhadores da Inglaterra. Marx sempre permanecerá em estado de sonho marxista. em quase todos os países. nossa grande e bela Associação só teria uma única coisa a fazer. Não há porque criar a ilusão. Se ainda existe um ideal que as massas hoje são capazes de adorar com paixão. será poupada à sociedade. recusaria aderir à Internacional se tivessem inscrito em sua bandeira. todo o resto. O mesmo acontece com todos os princípios políticos. oprimido. o caso hoje. O programa da Internacional é felizmente muito explícito sob esse aspecto: A emancipação dos trabalhadores só pode ser obra dos próprios trabalhadores. a grande unidade da Internacional foi questionada. indubitavelmente e sem muita reflexão. Com semelhantes disposições realmente existentes nas massas. dizia. todos o tendo igualmente enganado. Eles fracassarão. permanecerá para elas em estado de horrível mentira. quer dizer. Felizmente. por meio do Congresso de Haia.Pois bem. pretende ainda hoje. entregar-se-iam. vida ou morte. ao despotismo. enquanto massa. como esperar que se possa atraí-las com um programa político qualquer? E suponhamos. toda a questão de liberdade. da Bélgica. E seria profundamente lamentável. a todas as Federações da Internacional. amor. Marx não se divertiu apenas em imaginá-lo. ele quis. o pior de todos os governos despóticos! Graças a essa grande canalha popular que se oporá por ela mesma. explorado. humanidade. que. seu próprio programa. unicamente graças ao partido marxista. como amiúde o fizeram. tão clara. todavia tão precisa. — e de nada adianta os Srs. Rasgando. provavelmente. para elas. qualquer que seja a sua cor. liberdade. Marx tenha acreditado poder introduzir nesta declaração. tanto quanto os monarquistas mais absolutistas. Marx e Engels se debaterem. se possa atrelar ao jugo de um programa político uniforme? Não se poderia imaginá-lo. ateísmo. isto é. da Internacional. e isso. com efeito. não há sequer um único desses princípios. se as resoluções do Congresso de Haia devessem ser consideradas como a última palavra. ação inteligente e solidariedade fraternal. ele próprio redigiu.

em seguida. Marx.França. para a Internacional. da Espanha. colocou-se nossa Associação em um terrível dilema. selecionado pelo próprio Sr. o Congresso de Haia. Eis o que fez. Foi. Como sair disso? Simplesmente retornando a nossos estatutos gerais primitivos. da América. a batalha e a capitulação de Sedan. tão atravancada de cérebro quanto seja. emanada não de uma cabeça isolada. a grande política da Internacional. uma vez que se tinha admitido que a questão política devia ser determinada no programa da Internacional. não de uma só vez. do Jura. sem esquecer os Mocial-democratas ou marxistas. Só desse modo se pôde criar essa unidade política tão desejada e preconizada. protegido por sua sombra. cada seção seguirá a direção política desejada? — Sem dúvida. será necessário absolutamente que seu programa político seja uno. mas marxista. democratas republicanos. é assim que ela criará. e. que a questão política deve fazer parte integrante do programa da Internacional. decretará a escravidão de todos. declaro que por mais asqueroso que esse jogo possa parecer a espíritos delicados e escrupulosos. que. deixando seu desenvolvimento para a liberdade das federações e das seções. que procuraríamos em vão nas ideias filosóficas e políticas do dia. de início. será preciso impô-lo. todavia. incapaz de abraçar as mil necessidades do proletariado. cada federação. o mesmo para todos. Para melhor ocultar seu jogo e para dourar um pouco a pílula. é somente assim que ela constituirá sua unidade real. sem falar dos trabalhadores eslavos. blanquistas. deixando ao Sr. Resumindo: ao introduzir a questão política no programa obrigatório da Internacional. Mas. por um decreto do Conselho Geral ou marxista. o exercício real. dos interesses. desejarão se submeter à disciplina marxista. as preocupações e as responsabilidades do poder. a Internacional sendo hoje o instrumento necessário para a emancipação do proletariado. mas ao mesmo tempo criou-se a escravidão. não podendo esperar vê-la sair livremente do entendimento espontâneo das federações e das seções dos diferentes países. mas emanada da ação absolutamente livre. impondo o programa político dos comunistas autoritários ou social-democratas da Alemanha e a ditadura de seu chefe ao proletariado de todos os outros países da América e da Europa. encontra-se inteiramente dada pela solidariedade dos sofrimentos. sem dúvida. sempre obedecendo à sua oculta di-reção. como os políticos de todos os tipos da Internacional. da Itália. Mas. esse memorável Congresso expediu para a América um simulacro de Conselho Geral. Marx. que fazem abstração da questão propriamente política. ambiciosa. assumirá todas as aparências. do qual eis os dois termos: Ou a unidade com a escravidão. como é evidentemente impossível que os trabalhadores de tantos países diferentes se unam livre e espontaneamente sob um mesmo programa político. necessariamente. Para não aparentar que este programa lhes é imposto despoticamente. pois de outra forma haveria tantas Internacionais quanto programas diferentes. das necessidades e das aspirações reais do . jacobinos revolucionários. espontânea e simultânea dos trabalhadores de todos os países. escolhido. então. demonstrando de maneira inteiramente nova o quanto há de verdade no sistema representativo e no sufrágio universal. em nome da livre vontade de todos. Marx tem razão. será preciso confessar que o Sr. não bismarckiano. a invasão triunfante do pangermanismo. e que. ele era absolutamente necessário. Entretanto. e esta Internacional não podendo conservar sua unidade senão sob a condição de reconhecer um único programa político. política. económica. Pois bem. muito sábia e. na realidade. se acreditarmos. foi preciso impô-la. será necessário conchavar um Congresso marxista. — Mas então a Internacional se transformará em uma torre de Babel? — Ao contrário. Ou a liberdade com a divisão e a dissolução. A base dessa grande unidade. Visto que a unidade da ação política é reconhecida como necessária. A Internacional só pode constituir uma potência se for una.

ao qual. de todos os continentes. nem local. . nem da equidade dos burgueses. eu queira diminuir seu mérito. de todas as províncias. hoje. eram necessárias e ainda o são. e que a emancipação dos trabalhadores só pode ser exclusivamente obra dos próprios trabalhadores. a plena emancipação do mundo operário. abstração feita de suas crenças. do programa que ele havia apresentado. O grande autor. Significa dizer que os trabalhadores só poderão realizar essa emancipação e conquistar seus direitos humanos pela intensa luta. inconsciente como o são ordinariamente os autores de grandes obras. Ser um trabalhador sério. Marx e seus numerosos colaboradores de "fundadores" da Internacional. representado por algumas centenas de operários anónimos: franceses. mas porque estou realmente convencido de que a Internacional não foi. alguns privilegiados só consentiram fazer pequenos sacrifícios quando. superados e ameaçados em sua própria existência pela força ascendente do proletariado. sua obra. completamente. uma poderosa c real organização de solidariedade internacional de todos os trabalhadores explorados do mundo inteiro contra n exploração sistemática e legal de todos os capitalistas e de todos os proprietários do mundo. as portas da Internacional a todos os milhões de oprimidos e explorados da sociedade atual. o único. constitui a própria vida. de acordo com seus estatutos primitivos. e ainda menos de sua política. mas que ela só se pode realizar sob a condição de abarcar em uma ação solidária os trabalhadores de todas as profissões industriais. É a solidariedade das reivindicações económicas. foi o proletariado. em conseqüência. isso porque é contra a sua natureza. se se é nascido em uma classe privilegiada qualquer. Tê-la compreendido. ao proletariado. viram-se forçados a fazer sacrifícios bem mais importantes. tal é. belgas. o proletariado de todas as comunas. não que. ressentir de fato os sofrimentos aos quais o proletariado se encontra subjugado em nossos dias. ingleses. nunca farão voluntariamente. mas sim a do próprio proletariado. os parteiros. Para conceber o desejo. Que. isto é. de todos os países. desejar de modo franco. Esta solidariedade não deve ser criada. de tal forma que nunca houve exemplo na história de uma classe dominante que tenha feito tais sacrifícios por sua plena vontade. para ter o direito de entrar na Internacional. inspirado por um sentimento mesquinho qualquer. exploradoras e governantes. Eles abriram. ou pelo menos.proletariado do mundo inteiro. dos representantes burgueses da ciência. suíços e alemães. o Sr. e tudo o que resta a fazer é torná-la conhecida deste mundo e ajudá-lo a organizá-la conscientemente. ela existe na realidade. Foi seu vivo e profundo instinto de trabalhadores experimentados pela opressão e pelos sofrimentos inerentes à sua posição que os fez encontrar o verdadeiro princípio e o verdadeiro objetivo da Internacional: a solidariedade das necessidades como base já existente. de maneira sábia. entre os quais. gosto sempre de lembrar. não os autores. nenhuma concessão. agrada-me muito fazer justiça. conseqüentemente. ex-ceto por certas veleidades totalmente políticas e alemãs que o Congresso de Genebra eliminou. nem mesmo. até mesmo a dos radicais burgueses ou dos burgueses pretensamente socialistas. nem o fato excepcional de uma profissão isolada qualquer. de certa forma. 2a. na minha opinião. exclusivamente. em absoluto. eles estabeleceram de uma só vez Ioda a força da Internacional. e de formar. a experiência cotidiana do mundo operário. como está dito no cabeçalho de nossos considerandos. por mais urgente que ela pareça e por mais fraca que seja. mas ao mesmo tempo o enorme mérito dos primeiros fundadores de nossa Associação. esta base e este objetivo. pela guerra organizada dos trabalhadores do mundo inteiro contra os capitalistas e os proprietários exploradores do mundo inteiro. Sempre evitei chamar o Sr. Nem reticências e sem segundas intenções ambiciosas. comerciais e agrícolas. Dando-lhe. por generosidade ou por justiça. Compreender que esta emancipação não pode ser um fato individual. enfim. Marx representou um papel tão utilmente preponderante. Eles foram. as seguintes condições: 1ª. de seu grau de cultura e de sua nacionalidade. ao contrário. 3a Compreender que as classes proprietárias. e a organização internacional da luta rconômica do trabalho contra o capital como o verdadeiro objeto desta Associação. o proletariado nada deve esperar nem da inteligência. e precisamente contra sua natureza especial.

em pouco tempo. Para falsificá-los. apaixonadamente. seja a uma coisa. aristocráticos e burgueses. por assim dizer. para melhor vencer. ou de um novo Estado. sério. por suas dores cotidianas. ao qual. Ela organizou. Marx. embrutecido pelos preconceitos burgueses. 6ª. em consequência. Eis os verdadeiros princípios da Internacional. de todas as dominações. Mas não existe nenhum proletário verdadeiro. trabalhador manual. Compreender que. e que. produziu grandes resultados. mais do que podem dar. não se possa fazer compreender tudo isso em uma conversa de algumas horas. única que cada um se impõe ao entrar nesta salutar e formidável Associação. seja a um homem. Ao chamado para a luta económica. Marx. por intermédio da organização de sua solidariedade militante através das diferenças de todas as profissões e das fronteiras políticas e nacionais de todos os países. Compreender que. Explicando-lhes esses princípios. pela via francamente popular da federação livre. voluntariamente. os desnaturamos. e o Sr. ela só pode ser constituída direta e imediatamente por eles mesmos. é o representante histórico da primitiva. mas sim o estabelecimento da liberdade. de todas as explorações. visto que o objetivo único da Internacional é a conquista de todos os direitos humanos para os trabalhadores. consequências e exigências desta solidariedade. Esta é uma razão para acreditar que se possa servir-se dela como um instrumento para a luta política? O Sr. visto que esta organização só tem como objetivo a emancipação dos trabalhadores por eles mesmos. 7ª. de uma nova classe ou dominação. os desmoralizamos. a organização da força do proletariado de todos os países pela Internacional.4ª. então. ou. Eis o que atrairá invencivelmente a massa do proletariado para a Internacional. o homem do trabalho. de todos os Estados. o proletariado para a luta económica. permanecer fiel à simplicidade de seu programa e de sua instituição primitivas. em pleno conhecimento de causa e em seu próprio interesse assim como no de seus irmãos de todos os países. a lei suprema e. de um novo monopólio. por tê-lo acreditado. seu triunfo é o triunfo final da humanidade. Marx havia imaginado que as massas lá permaneceriam. 5ª. e que este é o verdadeiro. massas de trabalhadores de diferentes países acudiram para se reunir sob a bandeira da Internacional. se a Internacional. e deduzindo deles todas as aplicações práticas. ao modo de todos os governos mais ou menos centralizadores. dar-se-á uma forma. nesta guerra internacional. É a história da galinha dos ovos de ouro. tão pouco culto que seja ou tão aturdido que esteja por essa massa de preconceitos tanto religiosos quanto políticos — que sistematicamente fazem cair sobre sua pobre cabeça. de todas as classes. os trabalhadores de todos os países devem organizar internacionalmente sua força solidária. mais desenvolvidas a cada dia por suas experiências. em resumo. e ao mesmo tempo tão simples que é preciso ser um burguês bem interessado na conservação do monopólio. sobre as ruínas de todos os privilégios. com um pouco de paciência e boa vontade. A Internacional. ao mesmo tempo que a última escravidão sobre a terra. um nome ao que ele sente. isto é. os matamos. Deve-se compreender. Ele já traz tudo isso em seu instinto e em todas as suas aspirações. e organizará a cada dia de maneira ainda mais formidável. por sua própria ação espontânea. desenvolvendo-se e organizando-se cada vez mais. quase assassinou a Internacional por sua criminosa tentativa de Haia. tão humanos. o único objetivo da Associação Internacional dos Trabalhadores. Compreender que. é submeter-se e submeter doravante todos os seus atos. para não compreendê-los e para não reconhecer sua perfeita exatidão. de baixo para cima. fora de todas as manobras políticas dos Estados. sua emancipação é a emancipação de todo mundo. foi preciso ser um socialdemocrata da escola do Sr. melhor . que. da igualdade e da fraternidade de todos os seres humanos. Não se pode cometer erro maior do que pedir. e não de cima para baixo. seja a uma instituição. em todas as condições. Exigindo deles mais. visto que o proletário. os impedimos. desde sua mais tenra infância —. Eles são tão amplos. enfim. e a guerra que ela provoca contra todas as classes exploradoras e dominantes não podem ter como objetivo a constituição de um novo privilégio.

seja pela vaidade. pelo sufrágio universal. Com exceção do Partido da social-democracia da Alemanha. ou. no programa oficial e obrigatório da Internacional. Eis onde errou. órgão editado em Leipzig não sob a redação. os fatos e as coisas. quando. A interdição da Internacional na França está suprimida! É verdade! — Não acreditais? Mas é assim mesmo. saindo das generalidades vagas. obrigatoriamente. sem diferença de grau de cultura. todavia. sancionadas sem dúvida. mas. enquanto aguarda. a um governo muito forte. o jornal oficial e principal do Partido dos operários social-democratas da Alemanha. e consideremos apenas os princípios desta questão. e que nunca poderá prosperar senão na liberdade e pela liberdade? Seria porque os exércitos alemães quase conquistaram a França? Mas ainda assim não seria uma razão. A Internacional. os espanhóis e os italianos protestam contra todas as resoluções desse Congresso nefasto e vergonhoso. para ter podido conceber a esperança de que se poderia reter as massas operárias dos diferentes países da Europa e da América sob a bandeira da Internacional nessas condições mencionadas! Mas o sucesso mais triunfante não deu razão ao Sr. ao mesmo tempo. e que. diante de nós. Marx sabe quão pouco as resoluções votadas por esse infeliz Congresso de Haia expressam o pensamento e as aspirações reais das Federações de todos os países. mas submissas. 11 Os alemães possuem uma maneira de apreciar os homens. o confidente do legislador. e dirigido por uma cabeça extraordinariamente abarrotada de cérebro. neste exato momento. determina bem precisamente as instituições que propõe para o lugar daquelas que deseja derrubar ou reformar. se ele tivesse podido obter esssa ilusão por um instante. Engels. o alter ego do Sr. como todas as instituições despóticas na sociedade moderna. ou melhor. Tal é. E. É uma construção completa de instituições económicas e políticas fortemente centralizadas e muito autoritárias. a seguinte nota: "Uma notícia. com pouquíssimas exceções. os suíços do Jura. Ou é porque os operários da Alemanha parecem aceitá-lo? Mas o programa anarquista é aceito. completamente arbitrário. países e idiomas. Marx. por sinal. os americanos. muito autoritário sobretudo. as Federações de todos os países. As massas. para me servir das próprias expressões do Sr. que elas acudiriam em quantidades ainda mais formidáveis. sofrimento e escravidão sob o jugo do capital e da propriedade exploradora.. Mas por que é precisamente esse programa que pretendem introduzir oficialmente. que havia sido expulsa pela porta das associações (die durch das Vereinsthor hinaus-gehetzt war). criada somente pela liberdade." . retornou novamente triunfante à capital da França por uma livraria. Mas deixemos de lado a questão moral. Mas eis que lhes vêm falar de um programa político muito sábio. por todas as Federações latinas. O Capital. traduzido para o francês. novo Moisés. crenças religiosas. Temos. ainda. os eslavos nunca aceitarão outro programa. em Paris. um governo ditatorial. Marx. seria. contra essa sórdida intriga. provisório sem dúvida.dizendo. o programa do Sr. está à venda na Livraria Lachâtre. no n 81 a (de 9 de outubro de 1872) do Volksstaat. e o Congresso de Haia não votou tudo o que ele lhe havia pedido? Ninguém melhor que o Sr. Marx o teria inventado? Não é uma razão. uma razão para se desconfiar muito de um programa que vem hoje da Alemanha11. ele tivesse inscrito as sentenças de seu decálogo político em nossa bandeira. compreenderam-na quando ela lhes demonstrou a necessidade de unir seus esforços em uma grande luta solidária e comum. em nome de sua própria salvação. nos estatutos da Internacional? Por que não o dos blanquistas? Por que não o nosso? Seria porque o Sr. seja pela ambição. os holandeses. o que se passa hoje é bem feito para dissipá-la completamente. os franceses. mas sob a inspiração imediata e direta do próprio Sr. os ingleses.. Marx. vêm-lhes impor. os belgas. nesta mesma Internacional que devia organizar sua emancipação por seus próprios esforços. por exemplo. Encontro. seja por ambas. Marx. completamente singular. Um programa político só tem valor quando. ao contrário. quando ela lhes havia falado de sua miséria. de Karl Marx. Por que então o programa autoritário dos alemães deveria dominar na Internacional. haviam compreendido a linguagem da Internacional. com efeito. A composição e a falsificação desse Congresso lhe custaram muito trabalho para que ele possa ter a mínima ilusão sobre seu verdadeiro significado e valor. A que grau de demência era preciso ter sido levado. a primeira edição magnificamente editada desta obra com a fotografia e o autógrafo do autor .

— para salvar sua integridade e para assegurar sua prosperidade. infelizmente. como tal. mas eu nunca poderia imaginar que eles os tivessem depravado a ponto de um jornal . nos momentos. Ao contrário. Sem dúvida. para o proletariado. e. a existência de uma teoria oficial é Não é inacreditável? É totalmente alemão! Pergunto-vos se. Desta maneira. o Sr. em uma livraria de Paris. a menos que se dissolva a Internacional. seja pela intriga. pesa tanto quanto a Internacional! Para ousar dizer semelhantes coisas aos operários da Alemanha. ocupar-se-ia exclusivamente do pagamento dos salários. e sem se privar até mesmo da força intelectual e moral necessária à conquista de seus direitos económicos. e se dissolverá de maneira ostensiva. justiça. questão de vida ou de morte para ele. formaria fundos de resistência. Mas. mais do que todas as classes privilegiadas hoje. ou então. recusando-se absolutamente. oficial e como condição obrigatória no programa da Internacional. seja pela violência. em algum outro país. a primeira questão que se lhe apresenta é a de seu pão cotidiano. só há um único meio: manterá eliminação primitiva da questão política do programa oficial e obrigatório da Associação Internacional dos Trabalhadores. as questões filosóficas e políticas devem ser excluídas do programa da Internacional. o programa político de um único país. liberdade. para todas as Federações das quais a Associação se compõe hoje. do outro. porque. mas unicamente pela luta económica. igualdade. seria. ousariam imprimir semelhante coisa em um jornal que se diz democrático. diminuirá. Mas não decorre daí que todas as questões políticas e filosóficas não possam e não devam ser livremente discutidas na Internacional. o que é muito mais provável. de consumo e de produção. toda teoria imposta se tornaria. e acabará por se fundir por completo nas mãos daquele que. com efeito. das quais cada uma seguiria seu próprio programa político. a Internacional não se ocuparia mais do que da questão económica? Ela faria estatística comparada. socialista. dos Estados. por loucura. estudaria as leis da produção e da distribuição das riquezas. no estado miserável ao qual se vê reduzido agora. uma numerosíssima organização de operários. imaginar controlar essa força. o proletariado infalivelmente as introduziria. como resolver essa aparente contradição: de um lado. seja por ambas. e é a mais grosseira injúria que se lançou à face da Internacional! Assim. tanto exterior quanto interior. por isso mesmo. que fazem desse jornal sua leitura cotidiana. Assim. organizaria greves locais. impondo-lhes. E a tal ponto que todas as vezes que se quiser empregá-la como uma força política positiva na luta positivamente política dos diferentes partidos do Estado. tem sede de dignidade. tanto quanto dos eventos que acompanham ou que seguem a luta política. dividindo-a em várias partes. Karl Marx. ou a causa de uma divisão e de uma dissolução não menos desastrosa. que representa. quem quer que fosse. a morte. se as questões políticas e filosóficas não tivessem sido introduzidas na Internacional. devem constituir a base de toda a sua ação atual. Como é que o aparecimento do livro. e formaria sociedades cooperativas de crédito mútuo. como acabamos de vê-lo. a defesa e a organização desses interesses. ao mesmo tempo. organizada não pela luta política. então. nacional e internacionalmente os corpos de profissão. e. e quer conquistar tudo isso ao mesmo tempo que a plena fruição do produto integral de seu próprio trabalho. e. ela se desmoralizará imediatamente. elas devem e são necessariamente discutidas? Esse problema se resolve naturalmente pela liberdade. da fotografia e do autógrafo do Sr. nas localidades e nos países onde semelhantes criações seriam possíveis? Mas tal abstração é absolutamente impossível. órgão da Internacional. um único homem. do pão da família. é sórdido. Karl Marx ou outro.E é o programa político aplaudido por semelhante democracia socialista que o Congresso de Haia pretendeu impor às Federações livres de todos os países! É evidente que a menos que se deseje tiranizar as Federações de muitos países. e que pretende representar. equivale ao retorno triunfante da Internacional à França? É bufão. uma causa de escravidão. não é preciso desprezá-los muito e acreditar que eles sejam submissos a todas as disciplinas e a todas as humilhações? A idolatria das pessoas e o culto da autoridade entraram profundamente nos costumes dos alemães. ele é um ser humano em toda a plenitude desta palavra. nacionais e internacionais. a servir de instrumento político nas mãos de quem quer que seja. Nenhuma teoria filosófica ou política deve entrar como fundamento essencial. se reduzirá. constituiria local. Mas lhe é impossível parar aí sem renunciar à humanidade. humanidade e ciência. entretanto. Essa preocupação exclusiva com os interesses apenas económicos. Sem dúvida. seria proibido ocupar-se de questões políticas e filosóficas na Internacional? Fazendo abstra-ção de todo o desenvolvimento que ocorre no mundo do pensamento.

esta reivindicação económica que constitui a própria essência e o objetivo manifesto da Internacional. deve surgir todo o mundo novo social. Assim. de um lado. tornando absolutamente inútil a discussão viva. Tal é a missão e. pela organização e pela federação das caixas de resistência e pela solidariedade internacional das greves. inconscientemente. sob um duplo aspecto. o mundo do proletariado solidário de todos os países. Ao contrário. Os trabalhadores. inicialmente. cientificamente descoberta pelo trabalho isolado desta grande cabeça — e por que não providencialmente também? — excepcionalmente guarnecida de cérebro. senão exclusivo. sem dúvida. e sempre por três vias diferentes. completamente esgotadas e condenadas a morrer. pela popular. tenham como ponto de partida principal. é ter desejado transformar essa atitude negativa em uma cooperação positiva à política dos burgueses. quase ao mesmo tempo. sem que apareça em absoluto. o demolidor e o sepultador de todas as civilizações históricas. . o herdeiro legítimo. eu disse. pelo simples fato de sua adesão à Internacional. Desta base. é bem simples e. é preciso que todos os pensamentos. o da reivindicação solidária da plenitude de seus direitos económicos contra a exploração opressiva da burguesia de todos os países. é possível. em segundo lugar. Quem quer que tenha acompanhado o desenvolvimento da Internacional durante alguns anos pôde perceber como isso se efetua de modo lento. muito modesto: é a organização da solidariedade internacional pela luta econômica do trabalho contra o capital. as fronteiras políticas e toda a política internacional dos Estados. devemos procurá-la. constitui um novo mundo. Ele destrói. mas. todas as tendências filosóficas e políticas da Internacional. de todas as escravidões e de todas as desigualdades. eis uma posição política inteiramente determinada.que mataria. nascendo no próprio seio do proletariado. lido pelo menos por uma ou duas dezenas de milhares de operários. como tais. conseqüentemente. e ninguém na Alemanha ficou chocado com isso. — inconsciente. escava o abismo entre a burguesia e ele mesmo. na aparência. e. Seu programa oficial. uma verdade anunciada e imposta a todo mundo de cima do Sinai marxista. muito ingenuamente. para não dizer a traição e o crime dos social-demo-cratas que arrastam o proletariado da Alemanha para as vias do programa marxista. e principalmente o proletariado que tem sede e necessidade dela mais do que todos os outros. o verdadeiro programa da Internacional. e o grande erro. Muitos não desejarão crer nessa busca espontânea da verdade política e filosófica pelo próprio proletariado. na qual o proletariado se encontra situado. privilegiadas e. por consequência. não oficial — que todos os deuses dos paraísos pagãos e cristãos nos protejam! — mas implícito. e coloca-se fora da ação e do jogo político de todos os partidos do Estado. por um lado. ao mesmo tempo. eu o repetirei mil vezes. Quem a procura? Todo mundo. em uma postura muito decisiva e negativamente política. A Internacional. É verdade que é uma posição política absolutamente negativa. só entram na Internacional e nela se organizam. é. Observai que por esse único fato. colocando portanto o proletariado fora da política dos Estados e do mundo burguês. como acabo de dizê-lo. o desenvolvimento de pensamento próprio no mundo operário. A partir do momento em que houvesse uma verdade oficial. mas indissoluvelmente unidas: em primeiro lugar. mas. inerente à sua própria organização. exclusivamente material. com um objetivo eminentemente prático. volta-se necessariamente contra ela. no princípio. fundada sobre as simpatias. O Volksstaat o fez. fundada sobre a ruína de todas as autoridades divinas e humanas. de início. por outro lado. se ninguém tem e pode ter a pretensão de outorgar a verdade. quase sucessivamente. intelectual e moral. no início. Para que seja realmente assim. ousasse impunemente imprimir semelhantes coisas. isto é. Vou agora tentar mostrar como esta pesquisa se efetua no próprio seio da Internacional. Isso é possível? Sim. o criador forçado de uma nova civilização. se preferis. a cooperação voluntária e o fanatismo patriótico das massas subjugadas. ao colocar-se fora de toda política burguesa. por que razão discuti-la? Só resta aprender de cor todos os mandamentos do novo Decálogo. Esse mundo é do futuro. — o proletariado já se coloca.

e. para estabelecer esse Estado. Mas. as paixões políticas e patrióticas. Como sublevá-lo? Apelar para seus instintos socialistas? É impossível. eletrizam as massas. por assim dizer. forçada desses dois primeiros movimentos. que eles sentiram que se se opusessem por mais tempo a esse movimento irresistível e formidável. Mazzini nunca quis ouvir falar de greves. mas. fortalecem sua energia moral. aliás.organização e pela federação internacional dos corpos de profissão. sempre se tenham declarado antagonistas encarniçados do sistema de greves. Mazzini. assim como o socialismo burguês. de maneira bem tímida. tivera razão em condenar as greves. que hoje conduzem o espírito de conciliação a ponto de se unirem até mesmo com os pretensos radicais do Parlamento italiano? O estabelecimento de um grande Estado unitário. do novo governo republicano. E a greve é o começo da guerra social do proletariado contra a burguesia. razoavelmente desmoralizados. Consideremos agora essas três vias em sua ação especial. logo se encontrariam sozinhos. eles o reconduzirão naturalmente às suas oficinas ou aos seus campos. sob a égide não mais paternal. um abismo. elas contribuem imensamente para provocar e constituir entre os trabalhadores de todas as profissões. ao mesmo tempo. do seu ponto de vista. que é incompatível com qualquer governo. a consciência e o próprio fato da solidariedade: dupla ação. As caixas de resistência têm por objeto único criar os fundos necessários para tornar possíveis a organização e a manutenção tão onerosa das greves. desorientados e desorganizados após sua morte. é preciso. uma negativa. e de todos os países. O que ele desejava? O que ainda querem os mazzinianos. é porque a propaganda da Revolução social invadiu de tal forma as massas italianas. mas fraternal. e comecemos pela organização das caixas de resistência e das greves. É uma coisa digna de observação que o radicalismo. inseparável. acompanhamento inevitável e consequência. por sinal. seria o meio mais seguro para amotinar contra si e contra a república com a qual sonha toda a classe dos capitalistas e dos proprietários e é precisamente com eles que se quer viver e que se quer constituir o novo governo. e seu braço estará disposto a prestar aos políticos radicais desta classe o precioso serviço que pedem. entre ela e ele. é preciso derrubar inicialmente o que existe. democrático e republicano. que tende a constituir diretamente o novo mundo do proletariado. o de derrubar o governo da monarquia. despertando em seu seio paixões socialistas que são . pelo desenvolvimento espontâneo e direto das ideias filosóficas e sociológicas na Internacional. diferente. como acabo de dizê-lo. Agora. para que ele retome seu trabalho tão útil. anárquicas. de todas as localidades. hoje. e tenham feito e ainda façam. em seguida. praticamente em todos os lugares. Assim. lembrando ao proletariado que existe. o se seus discípulos. é preciso evitar a questão social. graças às quais seu coração poderá bater a uníssono com o coração dos burgueses. Não se constitui um governo regular com massas bárbaras. o braço poderoso do povo é indispensável. e para isso. a outra totalmente positiva. enfim. As greves são uma via preciosa sob esse duplo aspecto: de início. mostrando-lhes cada vez mais o abismo que doravante os separa irrevogavelmente desta classe. sua defesa. e despertam em seu seio o sentimento do antagonismo profundo que existe entre seus interesses e os da burguesia. tornam hoje. Mas vimos que as greves têm por primeiro efeito destruir essa harmonia tocante e tão proveitosa à burguesia. ignorantes. ainda que não menos autoritária. chamá-lo à praça pública. sobretudo quando essas massas foram sublevadas em nome de suas reivindicações económicas pela paixão da justiça. opondo-o de maneira quase absoluta ao mundo burguês. é óbvio. nos trabalhadores. e por sua real liberdade. e as reivindicações sociais se manifestaram com tal força nas diferentes greves que (iclodiram ultimamente em muitos pontos da Itália. com todos os radicais e os socialistas burgueses da Europa. da igualdade. ao contrário. e esforçar-se para despertar. Tão logo o povo tenha prestado esse grande serviço aos políticos da escola mazziniana. ainda nos limites da legalidade. esforços inimagináveis para delas desviar o proletariado.

Mazzini teve mil vezes razão: é preciso condenar as greves. Tem o coração cheio. o que hoje se passa em Genebra. Adorava seu Deus. Há. a seu chefe supremo. Chegou até mesmo a falar-lhes da igualdade económica e do direito de cada trabalhador ao produto integral de seu trabalho. e. apaixonado. Mas essa única palavra não contém. o Sr. não de amor. que era um crente profundo. republicano. toda a Revolução social? Mazzini. de se tornar tão furioso e infinitamente mais perigoso que Mazzini. em Basileia c em toda a Alemanha. se fosse forçado a escolher. deveria abrir-lhe os olhos. quando se tocava em seu Deus. para poder dar-lhe instrução e bem-estar. mas. decididamente rejeitado por todos os revolucionários socialistas sérios e sinceros da Itália. por meio de seu próprio sufrágio. havia-lhes feito aproximadamente todas as promessas económicas e sociais que hoje lhes faz o Sr. em Zurique. uma enorme diferença. acabasse concluindo aliança ofensiva e defensiva com o partido e com os discípulos de seu antagonista irreconciliável. um governo muito forte. esse antagonismo. no qual disse que em certos países. hoje. de fato. Enfim. mil vezes mais lógico do que os marxistas. o que francamente não acredito. e ela é inteiramente favorável a Mazzini. Marx pretende impor-lhe o seu. tudo o que pensava. Mazzini queria impor à humanidade o jugo de Deus. fora da burguesia. entretanto. estabelecem como obje-tivo imediato e primeiro de agitação legal de seu partido a conquista do poder político.absolutamente incompatíveis com as paixões políticas e patrióticas. mais despreendido de si mesmo. sincero. impossível toda participação das massas na ação política do Estado? Essa ação. mais modesto. era o homem mais simples. bem sinceramente. pacíficas. quando se ousa apenas questionar a onisciência da Divindade que ele adora. Marx não pode ignorar tudo isso. Marx. mas crê muito em si mesmo. furioso. Acreditei dever dar esta explicação para que os discípulos e amigos de Mazzini não me possam acusar de injuriar a memória de seu mestre. Seu coração transbordava de amor pela humanidade e de benevolência por todos. nisso. o Sr. para oferecê-lo. Entre Mazzini e Marx. . entre a burguesia e o proletariado. existe. é verdade — antagonismo das massas contra as classes. em absoluto. amigavelmente. e que para a própria salvação do povo. O Sr. e. voluntárias e sábias. Retomo o meu assunto. comparando-o ao Sr. não é praticável. Mas se tornava impiedoso. o que não o impede. o que só pode significar o seguinte: ela pode se resolver por uma série de transações sucessivas. preferiria ainda o Deus mazziniano. a questão social poderia ser resolvida tranquilamente. entre o programa político dos marxistas e o dos mazzinianos mais pontos de semelhança do que talvez se possa imaginar. Mazzini. mas de fel. eles também. talvez na própria Holanda. Em relação a sua própria pessoa. sem luta. fazendo sem dúvida uma concessão necessária à brutalidade inerente às massas. É-me impossível acreditar nisso depois de ter lido o discurso que pronunciou ultimamente em Amsterdã. O Sr. Mas deseja o Sr. Marx. apesar de todo seu idealismo. Portanto. Não quero nem um nem outro. e credita tudo a si mesmo. Mazzini. muito poderoso e fortemente centralizado. sem dúvida. com efeito. consequentemente. pelas razões que acabo de expor. como Mazzini. Marx. que o fazia desprezar os bens materiais para si mesmo. por sinal. tão profundo quanto sincero. legalmente. chefes atuais do Partido da social-democracia da Alemanha. não desejava — em absoluto. que torna. o próprio Sr. que. Marx. deve-se-lhe impor. se os tivesse fechados sobre este ponto. ou seja. Mazzini e Marx concordam ainda quanto a esse ponto capital. o ditador da Internacional. segundo o qual as grandes reformas sociais que devem emancipar o proletariado só podem ser realizadas por um grande Estado democrático. Marx não crê em Deus. ao qual creditava tudo o que sentia. tudo o que fazia. Marx. Mazzini nunca disse outra coisa. surpreso se o Sr. querem se servir da força muscular do povo alemão para conquistar esse poder. e não ficarei. Ele se mostrou. tão ardentemente cobiçado. e de muito pouca benevolência natural pelos homens. Marx. ela só é possível quando se desenvolve em concordância com uma parte qualquer desta classe e se deixa dirigir por burgueses. todavia.

tendo eclodido antes da guerra. e que fará cultivar — no-lo explicou no Congresso de Basileia um delegado inglês. Defendo que por pouco que o partido marxista. sob o aspecto da liberdade. a nós mesmos. banqueiro único e único proprietário da terra que ele administrará como soberano em nome de todo o povo. longe de permanecerem indiferentes às agitações políticas. a Inglaterra. Marx. a via da reivindicação económica. incompatíveis. mas não apenas da opinião das classes políticas ou privilegiadas. muito mais do que na realidade. que. Há outros fatos ainda que se produzem nesse mesmo país e de maneira tão séria que se é bem forçado a aceitá-los ou. em breve. — aquele a quem o próprio Sr. cedo ou tarde. sob a direção imediata de seus engenheiros. ainda que. esta contradição aparente de um povo tão zeloso de seus direitos e que espera sua emancipação da autoridade do Estado. ainda que ela seja totalmente contrária às minhas ideias gerais. um dos ministros mais populares que já houve na Inglaterra. ao contrário. onde uma grande greve dos operários da construção civil. interessam-se muito. não me surpreenderei. em nome da Internacional. os mais miseráveis. mas patente. ele se verá forçado a condenar. por exemplo. fizeram-na cessar de repente. Vimos um exemplo impressionante dessa incompatibilidade em 1870. o da democracia pretensamente socialista. Não apenas hoje. se ouvirmos falar. Tudo isso constitui uma fato exclusivo. são iguais aos direitos de todo mundo. A indignação unânime do povo inglês o teria derrubado de uma só vez. Vimos igualmente. continue a caminhar na via das reivindicações políticas. diante de seus concidadãos burgueses. — nós o vimos garantir publicamente. Marx. Eles usufruem dela sem ser de forma alguma devedores dos governos desses países. agradeceu gentilmente por ter servido à Internacional de Genebra. de tal forma que estas duas vias são. o Sr. pelo menos. eles se encontrem em completa oposição com o desenvolvimento lógico das ideias. em detrimento desses infelizes operários. membro do antigo Conselho Geral de Londres — pelos operários agrícolas. depois do atentado de Orsini. portanto. um fato ao qual me é impossível negar a importância. há seis ou oito meses. mas mesmo quando estavam . internacionalistas-cidadãos da "fábrica". Se ela não se realizar será por culpa dos mazzinianos. já fornia o núcleo de uma força política francamente popular. ao mesmo tempo. Tal é. composta em sua maioria por trabalhadores manuais. Objetar-me-ão que no país onde a organização das greves alcançou um grau de poder desconhecido em outros países. também em Genebra.Digo. fundada há apenas seis anos e que. por elas. vêem-se obrigados a contar e a parlamentar com ela. A liberdade é mais do que um direito político nestes países. a Lord Palmerston. de uma reconciliação. a tendência manifesta do proletariado inglês ao estabelecimento de um Estado comunista. fora e acima de todas as forças políticas e dos direitos explicitamente expressos e consagrados pela Constituição inglesa. mas a verdadeira força da opinião popular. e mostrar-me-ão a Liga pela conquista do sufrágio universal. toma-los em consideração muito séria. os operários. a rainha. de uma aliança entre a agitação mazziniana e a intriga marxista na Itália. não por causa do Sr. Só existem dois grandes países no mundo onde o povo usufrui realmente da liberdade e do poder políticos. Sabemos o que custou. por sinal. por ostentação. de um entendimento. em Genebra. Tratemos de explicar. em carta a ele endereçada. o que se denomina a força da opinião. usufruem dessa liberdade tão plenamente quanto os cidadãos mais ricos e mais influentes. em aparência. um advogado filiado ao partido radical e à Internacional. na realidade. O fato que acabo de recordar prova também que essa liberdade do povo inglês constitui uma verdadeira força. e sem que estes tenham a mínima possibilidade de restringir seus direitos. Amberny. e de tal forma respeitável que os ministros de Sua Majestade. quase pela força. por todas as razões que acabo de expor. que não haveria nenhuma greve durante aquele ano. ter tentado submeter a liberdade dos estrangeiros ao arbítrio ministerial. depois de terem apoiado e inclusive encorajado essa greve durante algum tempo. São a Inglaterra e os Estados Unidos da América. É a natureza social de todo mundo. tão logo os chefes do partido radical burguês de Genebra os terem chamado à ordem. a via das greves. força que existe como um fato social e que age como força sempre latente e sempre prestes a despertar e a se fazer sentir. que. de tal forma geral que os próprios estrangeiros mais deserdados. que os direitos eleitorais estão consideravelmente ampliados. de forma alguma.

Pode alguém se gabar de poder dar. policial. aspirações. Para eles. um americano ou um inglês? Haveria talvez uma outra pergunta a fazer: é mesmo desejável ver despertar a consciência política nas nações que foram privadas dessa consciência até este momento. Agora surge uma pergunta: pode-se esperar formar. em seguida. mas penso que é preciso procurar a principal razão desse fato no temperamento histórico e nos hábitos sociais do povo inglês. O que pode. em consequência. nem em seus hábitos. O que ainda lhe falta. pesavam muito sobre a direção política e as resoluções do Parlamento inglês. essa consciência. e por esta mesma razão eles deflagraram tantas revoluções que raramente duraram alguns meses. acreditavam ter conquistado o direito de respirar a plenos pulmões. com seu próprio consentimento. O que digo do povo inglês diz respeito naturalmente ainda mais ao povo dos Estados Unidos da América. nenhuma propaganda jamais deu a um povo a essência de suas aspirações e de suas ideias. e que todos os povos do cotinente europeu não a possuem em absoluto. fazer a propaganda? Trazendo uma expressão geral mais justa. assim como outros. ou seja. não trazem. Esses dias foram de liberdade e de festa. mas foram apenas momentos. sem sequer excetuar o povo da França. desenvolvimento histórico. sobretudo do ponto de vista de uma transformação em consciência e em vontade refletida das próprias massas. de há muito tempo. a política é um fato. é uma doutrina. Não pretendo contestar-lhes esta sabedoria. tendências. as manifestações populares imensas que os ingleses sabem tão bem organizar. precisamente em uma época como a nossa. O povo francês também teve seus momentos políticos. Pode-se dizer que não existem hoje no mundo outros povos verdadeiramente políticos além destes dois. então. pode algumas vezes facilitar e precipitar seu desenvolvimento. nunca significaram outra coisa senão a plena compressão da liberdade popular sob o jugo de uma burocracia ao mesmo tempo religiosa. embriagadas com sua vitória. esta consciência em um povo que não a encontra nem em seu temperamento. razoável. Ela pode dar-lhes a . nos próprios povos que a possuem. em seus costumes. socialista revolucionária? Mas consideremos inicialmente a primeira pergunta. bem como em todos os outros países do continente europeu. durante os quais as massas. nem sua força política. Uma vez resolvida. tende evidentemente a transformar-se em consciência anti-política. chega-se à conclusão de que somente o povo americano e o povo inglês têm consciência política. nem em sua própria história? A isso equivale perguntar: pode-se fazer de um alemão. é a conformidade completa de suas instituições e de suas leis ao fato há muito tempo consumado. é um ideal. instintivamente em seu seio? Parece-me que a uma pergunta assim feita. as agitações das massas. na França. Se se consideram essas enormes diferenças de temperamento. para os alemães. o povo inglês não precisa conquistar nem sua liberdade. e que tenha a mínima ideia da maneira como a consciência popular se desenvolve. Em resumo. e depois de ter produzido todos os seus frutos. naturalmente. E. todo homem consciencioso. só pode dar uma resposta negativa. pela propaganda. com efeito. e servindo-se de seu próprio sufrágio. na qual. para todos os outros. o nome nada importava. acostumou-se a fazer respeitar sua liberdade e a exercer a pressão política de sua opinião e de suas aspirações sobre os atos dos representantes legais de seu país. a segunda se resolverá por si mesma. fiscal. monárquicos ou republicanos. militar e civil. eleja as possui na realidade. uma forma feliz e nova aos próprios instintos do proletariado. Quis-se dar crédito desse fato à perspicácia prudente c à elevada sabedoria política da aristocracia e da rica burguesia. que. em absoluto. por intermédio da propaganda mais habilmente organizada e mais energicamente exercida. de um francês. onde a liberdade e a ação política diretamente exercida pelas massas alcançaram o mais elevado grau de desenvolvimento até aqui conhecido na história. paixões. recolocavam-se de novo sob essas máquinas pneumáticas denominadas governos. tendo alcançado seu ponto culminante. tendo essa essência sempre sido o produto do desenvolvimento espontâneo e das condições reais de sua vida. às massas populares de uma nação. pois ninguém ignora que uns. pensamentos que não sejam o produto de sua própria história e que.exclusivamente concentrados nas mãos de uma minoria demasiado privilegiada. e que não deixará de conquistar em breve. costumes e hábitos sociais. e com maior frequência alguns dias apenas. uma realidade bem conhecida e desde muito tempo exercida.

pelo menos no começo de sua história. desde sua própria origem. subjugação. a luta pela dominação e pela exploração das massas. que foram eternamente escravizadas. destruição do Estado. objetar-me-ão que o Estado não foi a causa dessa miséria. nem despertar em seu seio paixões que. a santa revolta. pela fruição exclusiva dos privilégios garantidos pelo Estado. ele se firmou triunfante em todos os países do continente da Europa. esta mãe de toda liberdade. Mas nas massas. Duas coisas. a tradição da revolta. em última instância. mais estúpido e mais covarde do que obedecer e resignar-se. não há faculdade ou hábito mais degradante. mais ou menos voluntária das classes privilegiadas. O que se chamou revolução até agora. aviltadas. bem como no mundo humano. em imensos rebanhos artificialmente divididos e cercados. os efeitos de uma causa mais geral. Mas as massas? Infelizmente. falecido. pela ação deletéria da civilização do Estado. por exemplo. pois sabemos muito bem que nas classes mais ou menos privilegiadas esta consciência outra coisa não é senão a do direito conquistado.consciência do que elas têm. de uma fase que. Sei muito bem que os sociólogos da escola do Sr. eles significam conquista. Digo expressamente nas massas populares. é preciso reconhecê-lo. o que é que pode constituir a consciência política? Só pode ser seguramente uma única coisa. alguma veleidade de revolta. exploradores. a energia vital e a dignidade comparativa de todo animal se compara à intensidade do instinto de revolta que ele traz em si. mas nunca lhes poderá dar o que elas não possuem. Agora se pode afirmar. que não tenha ressentido. Do ponto de vista das massas. da servidão interessada e. contra o jugo de seus conquistadores. apesar da magnificência dos programas em nome dos quais havia se realizado. vivo. a arte costumeira de organizar e fazer triunfar a revolta. para a maior comodidade de seus exploradores de todo tipo. Vemos. foram. de acordo com sua própria história. são-lhes estranhas. em consequência. que nunca houve um povo sobre a terra. ou como Lassalle. um e outra. significam revolta contra o Estado. Do ponto de vista das classes privilegiadas. Marx. Agora. para decidir esta questão. para não dizer castrar. com absoluta certeza. entre si. e. à exceção da Holanda e da Suíça. e transformaram-se. derrota deplorável. contra o jugo do Estado. dessa degradação e dessa servidão das massas. tão diferentes. o jugo do Estado prevaleceu contra todas as revoltas populares. com efeito. têm dois sentidos absolutamente diferentes. portanto. conseqúentemente. que a situação miserável das massas. depois das lutas sangrentas da Idade Média. Mas é preciso reconhecer que. No mundo selvagem. que são diametralmente opostas. e através de todo o desenvolvimento da história. do que já querem instintivamente. como se vê. — nada mais foi. ao contrário. se o foi. elas se deixaram desmoralizar profundamente. essas condições históricas essenciais de toda prática real da liberdade. em geral. Chegou-se ao ponto de Lassalle não hesitar em proclamar bem alto que a derrota da formidável revolta dos camponeses da Alemanha no século XVI. elas contraíram o hábito fatal de obediência e resignação ovinas. do que sentem. consciência política. do ponto de vista da história. pelo menos na origem de sua subjugação. por mais aviltado ou maltratado que haja sido pela natureza. e organização tal como a do Estado com vistas à exploração das massas subjugadas e conquistadas. governadas e exploradas. até mesmo o verme se revolta contra o pé que o esmaga. que estas duas palavras. segundo os dois pontos de vista igualmente opostos. e da qual data a escravidão . opostos. e que. Pois bem. subjugar. se por meio da propaganda se pode dar consciência política a um povo que nunca a teve até esse momento. os quais nos apraz observar. senão a luta dessas classes. declaro que nunca houve povo tão degradado sobre a terra que não se tenha revoltado. — inclusive a grande Revolução francesa. assegurado e regulamentado de explorar o trabalho das massas e governá-las com vistas a esta exploração. Esmagadas. Criou uma nova civilização: a da subjugação forçada das massas. tais como o Sr. Engels. ao contrário. um imenso passo rumo ao que eles denominam revolução social. e pode-se dizer que. examinemos o que constitui realmente nas massas populares esta consciência. assim como o poder despótico do Estado. os produtos de uma fase inevitável no desenvolvimento económico da sociedade. constitui um verdadeiro progresso. A revolta é um instinto da vida. dominadores.

e. essa longa série de atos bárbaros e crimes que os primeiros . Marx. Bismarck. chego à conclusão de que a conquista e a destruição da liberdade. sobretudo. constituíram um verdadeiro triunfo para esta revolução. é preciso procurar. e conseqúentemente inevitável. é-me decididamente impossível compreender as vantagens que disso resultaram para nosso desenvolvimento político e social. Assim. de tomar retrospectiva e muito resolutamente partido pela Grécia contra Roma nessa luta. resultados naturais de causas naturais. absolutamente inevitável. são os representantes naturais da reação. levado por essa mesma lógica. foi um fato lógico. mas não nos inclinamos indiferentemente diante deles. enquanto o Estado militar e burocrático moderno — produto e acompanhamento obrigatório da revolução social. em relação à barbárie militar e cívica dos Romanos. por sua natureza. nessa continuação imediata da vida natural denominada história. por exemplo. à exclusão de todas as outras considerações. a causa única de todos os fatos intelectuais e morais que se produzem na história. esse ideal. tão elevadamente humana da Grécia. é mau. apesar de reconhecermos que. Esse objetivo. a mais sociável de todas as raças animais sobre a terra. Recomendo muito o estudo e o desenvolvimento deste pensamento inteiramente marxista aos franceses. e que. em consequência. porque ele é inerente à raça humana. Todavia. e o triunfo do Estado despótico e centralizado que foi sua consequência necessária. considero como um fato perfeitamente natural. Materialistas e deterministas. nós também reconhecemos o encadeamento fatal dos fatos económicos e políticos na história. Para tornar meu pensamento mais claro. a necessidade de morrer de raiva quando se foi mordido por um cão raivoso. que eram cretinos pela graça de Deus. Reconhecemos a necessidade. um e outro. prestaram imensos serviços à revolução. reconhecemos muitas necessidades que estamos muito pouco dispostos a abençoar. pois um e outro criaram a grande centralização política de seus respectivos países. Agora. tenham aniquilado com santo furor. visto que os camponeses. Marx. todos os tesouros da arte. assim como. tudo o que lhes é contrário. Estou mesmo muito disposto a pensar que fora dessa progressão fatal dos fatos económicos. a partir do momento que eles se realizaram. quanto nos da história. — e não podemos ter outro — é bom. Por sinal. um é tão inevitável quanto o outro. em absoluto. nos instintos. encontramos muitas necessidades que achamos muito mais dignas de maldição do que de bênção. ao contrário. que os cristãos. a um de nossos amigos. sem a mínima ironia. no interesse de nossa moralidade. na Internacional. o caráter inevitável de todos os eventos que se passam. no que se denomina propriamente natureza.secular dos alemães. o Sr. como o próprio Sr. no decorrer deste ano. aliados ou partidários do Sr. hoje mais bem concebidos do que nunca. eles se mostram em oposição flagrante com o objetivo supremo da história. Concebe-se que. com o ideal profundamente humano que se encontra. lógico. sabemos muito bem que o que denominamos bom e o que denominamos mau são sempre. de modo comparativo. também. pela organização absolutamente espontânea e livre da solidariedade económica e social. Mas isso não me impede. muito seriamente. sob formas mais ou menos manifestas. podem se resumir nestas palavras: É o triunfo da humanidade. e penso que a humanidade nada ganhou com o triunfo dos Romanos. como se sabe. — estou fortemente inclinado a pensar que esse ato de santa barbárie. abstemo-nos de louvá-los e admirá-los quando. tudo o que na história se mostra conforme a esse objetivo. Engels. quero ilustrá-lo por alguns exemplos. Mas como. natural. Quando estudo as condições ' políticas e sociais respectivas nas quais os Romanos e os Gregos se encontravam no declínio da era antiga. tenha podido dizer. ou melhor. que o Sr. até mesmo os fatos históricos mais detestáveis trazem esse caráter de inevitabilidade que encontramos tanto nos fenómenos da natureza. da filosofia e da ciência antigas. tão completa quanto possível entre todos o seres viventes sobre a terra. Marx. em carta endereçada. nas aspirações populares e sob os símbolos religiosos de todas as épocas. tanto quanto o rei Victor-Emanuel. intelectual e moral de cada um. e que acreditamos dever estigmatizar com toda a energia da qual somos capazes. segundo o Sr. na qual. dizem os marxistas. tanto individual quanto social. do ponto de vista humano. todas as bibliotecas dos pagãos. é a conquista e a realização da liberdade plena e do pleno desenvolvimento material.

consideram os triunfos do Estado como os da democracia socialista. a infeliz e belíssima Itália. a destruição do Estado. acho tudo isso ainda muito natural. foi uma das principais causas do aviltamento intelectual e moral e. dirigidos por Catarina de Médicis de nossos dias. dizendo-se revolucionários. contra a democracia. os museus e os templos da antiguidade. enfim triunfou sobre o protestantismo.cristãos. abominável. Thiers? Ele tem mil vezes razão em dizer que o protestantismo de então. e amaldiçoo simultaneamente o Papa e o Imperador. a salvação do Estado pela Igreja. Veuillot não é mais franco. é com esses absurdos tão abjetos quanto revoltantes que se perverte o espírito e o senso moral das massas. apoiado pelo Estado. Elas se chamam Igreja e Estado. a partir da segunda metade do século XVI. e. cometeram contra o espírito humano. também do aviltamento político e social. o que quer dizer a mesma coisa. os senhores e os servidores do Estado. que ainda obstruem os cérebros a ponto de nos fazer duvidar algumas vezes da possibilidade de um futuro mais humano. consideram essa vitória do catolicismo — vitória sangrenta e desumana — como um verdadeiro triunfo para a Revolução? O catolicismo. Em seguida. Pois bem. abraçar-se. Rivais eternos e aliados inseparáveis. conseqüentemente. diziam eles. políticos ou historiadores da escola fatalista. a humanidade. mas sempre progressiva. 1871. Ainda que reconhecendo a inevitabilidade do fato consumado. (N. e que a noite de São Bartolomeu. Após uma luta que durou um século. juntos. Seguindo sempre a mesma ordem de protesto contra fatos que se realizaram na história. vejo-os reconciliar-se. não hesito em dizer que o triunfo do catolicismo na França. representantes. foram fatos tão desastrosos para a própria França quanto foi. e o massacre dos Comunardistas13 por esses excelentes católicos de Versalhes. por sinal. Falemos da França. totalmente idênticos. "nada mais foi senão 12 13 Jibóias. O quanto o Sr. mas como protesto enérgico e armado. as duas boa-constrictor 12 que até agora devoraram tudo o que a história produziu de humano e belo. a liberdade. enquanto o protestantismo representava a revolta da aristocracia contra o Estado. lógico. divinamente inspirados. a autoridade. sufocar e esmagar.) . condená-la a três séculos de morte. seus inimigos seculares. o Sr. da antiga economia feudal ou agrária na produção das riquezas. Aconteceu-me de ouvir franceses muito inteligentes e estimados explicarem essa derrota do protestantismo na França pela natureza essencialmente revolucionária do povo francês. a lei divina. aos sofismas marxistas. mais lógico c mais verdadeiro. a derrota e o massacre do povo de Paris. (N. que. não estaríamos hoje condenados a combater esse monte de absurdos horríveis. se os primeiros cristãos não tivessem destruído as bibliotecas. era então o Estado. enquanto o catolicismo. inevitável. representava a revolta. nos séculos XVI e XVII. conseqúentemente. É com tais sofismas. detenho-me diante do esplendor das repúblicas italianas e diante do despertar magnífico do génio humano na época da Renascença. do T. na França. vejo aproximar-se os dois génios do mal. a condenação da sociedade humana a uma escravização sem limite e sem fim. ou. heróis e servidores devotados de sua emancipacão. e dos quais. seus tiranos. em consequência. tanto quanto a revogação do Edito de Nantes. qúentemente. do T. por exemplo. habituando-as a considerar seus sanguinários exploradores. e da Igreja pelo Estado. o Papado e o Império. não existem ainda hoje. que. todavia. o catolicismo. que preenchem essa longa sequência de séculos nefastos que se denomina Idade Média. ao constatar a profunda semelhança que existe entre a noite de São Bartolomeu. e devorar. a democracia. Estejai bem certos de que. começou a transformação lenta. há pouco tempo. vergonhosos. defendem eles. não como teologia calvinista.) Adeptos da Comuna de Paris. "O protestantismo". também reconheço o caráter inevitável. foi uma grande infelicidade para toda a humanidade. Pois bem. como órgãos. era a ordem pública. eles também. tão antigos quanto a história. em exploração do trabalho popular pelo capital — foi uma condição essencial desta revolução.

que a antiga república e a antiga liberdade polonesas eram instituições nobiliárias fundadas na subjugação e na exploração de toda a população rural. aqui. oprimidos por seus compatriotas. denomina esta partilha um grande crime. pela ideia patriótica e ardente — exclusivamente política. que tudo fizeram desde o início. torna-se necessariamente. como era de se esperar. não para dá-los aos camponeses. que a insurreição de 1863. o Miliutin. ainda que por vias um pouco diferentes. Perde o sentimento da liberdade. Proudhon. foi um crime: o crime de um sofisma que. e. para a civilização. na própria essência de seu ser. uma vez que um povo perdeu tudo isso. em absoluto. é também político muito hábil e ardente patriota. voluntária ou forçada. seus amigos. Assim como o Sr. assim comotodas as insurreições precedentes. os esbirros do czar como cmancipadores socialistas dos camponeses da Polónia. Marx não é apenas um douto socialista. talvez. como todo mundo. eu gostaria de saber de que maneira ele. suporta a tirania. e a segunda. de quem tanto gosto. Tcherkasky e muitos outros. devia ser fatalmente uma tentativa abortada. de modo algum. precisávamos de uma revolução por inteiro. como eu. ou melhor. hoje como ontem. com uma resignação tão perfeita. Todavia. seu instinto de revolucionário deveria tê-lo advertido contra uma monstruosidade que lhe valeu os agradecimentos calorosos de nossos patriotas pan-eslavistas de Moscou. inspirada. no momento mesmo em que. o hábito de ser livre. mas interiormente. o próprio instinto da revolta. Foi porque o protestantismo se desfez na França que o povo francês perdeu. apesar do afetuoso respeito que tenho pela memória de Proudhon. Marx se deixou levar. pôde motivar semelhante condenação de um grande fato histórico consumado. socialistas ou não. por falta de conhecimento. O Sr. Passando para outra ordem de fatos. uma vez. Bismarck. Marx. concordar com o Sr. Mas. mais consequente do que ele. e foi por causa disso que ela suportou. um povo escravo. Era cruel. todas as revoluções que fez até agora sequer puderam lhe dar ou assegurar a liberdade política. procediam ao confisco dos bens dos poloneses insurretos. A realização desse objetivo encontrou três obstáculos: 1º a rivalidade fatal dos dois maiores Estados O crime de Proudhon não foi ter vitoriosamente demonstrado duas verdades: a primeira. pela centésima vez. escreveu uma infeliz brochura. os costumes da liberdade. tão cristã. ele se esforçou em representar as tropas. revoltada pela centésima vez contra seus atrozes tiranos russos e alemães. com o passar do tempo. os funcionários. o hábito salutar de se revoltar e. pelo menos uma vez. e como tais podiam. perde necessariamente. foi mais lógico. À exceção de seus grandes dias revolucionários. ele tentou opor-lhe o Império dos czares como o representante da democracia socialista triunfante. chego à partilha da Polónia. ignorava tão profundamente a Polónia quanto a Rússia. Era mais do que um erro. abatida pelos golpes desses tiranos14. o povo francês permanece. O crime de Proudhon consistiu no seguinte: por oposição aos patriotas poloneses. tomando-se em consideração seu ponto de vista simultaneamente fatalista e otimista. isso no próprio momento cm que seus camaradas. que ele não possui hoje o que denominamos consciência política. enfim. E que um povo que. e como muitos outros de seus compatriotas. não temeu insultar uma nação mártir. considerar uma coisa. os horrores da noite de São Bartolomeu e a tirania não menos abominável dos executores da revogação do Edito de Nantes". do mundo. 14 . depois de ter demonstrado com muita razão que a Polónia nobiliária devia perecer porque trazia os germes da dissolução em seu seio.uma meia-revolução. dizer essas verdades a uma nação infeliz. a fazer humanismo em detrimento da consequência de suas próprias ideias? A explicação disso não é nada difícil de dar. para a glória do povo alemão e para a felicidade. na qual. Esses patriotas estimáveis parecem não querer. não pôde parar diante da Reforma. não só por suas condições exteriores. sob qualquer pretexto. não adquiriu. O Império russo emancipando o que quer que seja. no momento mesmo em que ela sucumbia sob o ferro de seus assassinos. eram verdades. jazia. até mesmo. Sinto-me feliz. eis um absurdo revoltante que certamente não honra o julgamento nem o instinto revolucionário de Proudhon. levado pelas necessidades da polémica. e porque é privado dessa consciência. um povo escravo. para fazer detestar ainda mais o regime imperial na Polónia. de poder. mas para partilhá-los entre os funcionários e os generais russos. não hesito em dizê-lo. pois ele também. mas de forma alguma socialista — de restabelecer o grande Estado polonês em suas antigas fronteiras. foi por isso que a nação francesa não quis. e a vontade. que são seus dias de festa. Ela preferiu permanecer católica até o momento em que pudesse proclamar o ateísmo. é porque essa tradição e esses costumes lhe faltam. Desejando a qualquer custo absolver a história. deviam ser ditas. pôde permitir-se. deseja o estabelecimento de um grande Estado germânico. Mas por que razão o Sr. mas.

pois não se sentem ainda nem bastante preparados nem bastante fortes em Berlim para dela herdar. pois. à paixão e à reivindicação eslavas despertarem em seu seio. na política. conseqúentemente. inicialmente. para tomar plenamente posse de tudo o que ela possui. que se coloca como protetor dos povos eslavos contra a civilização alemã. por completo com a França. começam a virar-lhe as costas para adorar o astro brilhante que se levanta em Berlim. ele precisará do czar. é preciso acabar. se possível. encontra-se apenas enfraquecida. ora sobre os eslavos. e que. e de ter permitido. Bismarck evita insultar e provocar o czar. o que quer dizer a mesma coisa agora. e dirige seus armamentos ainda hoje de modo quase exclusivo contra a França. seja por uma luta mortal de Estado a Estado. Bismarck dará à Rússia o mínimo possível. e como. É em vão que busca nela mesma novos equilíbrios. Bismarck sabe tanto quanto o Sr. e entrega-se a todos os trabalhos imagináveis para desarmar suas invejas e seus temores. como já disse. todo mundo o vê. é uma coisa cuja inevitabilidade é compreendida e a realização decidida. Mas. do Sr. ainda. em detrimento da Turquia ou da Áustria. representado pela Prússia ou por toda a Alemanha prussianizada. a luta com a Rússia. Bismarck quer acabar. Ela buscará fatalmente sua revanche. seja tomando a iniciativa de uma terrível revolução social que fará desmoronar simultaneamente os dois Estados da França e da Alemanha. Se ela agora sucumbisse. Ainda não está arruinada. para a Alemanha. longe de insultá-lo. poderia sucumbir. A Áustria. desde o segundo quartel deste século. uma grande extensão de território. 2º a potência invejosa da França. a amizade nada significa. à língua. o governo e a administração germânicos. quer ela ecloda um pouco mais tarde ou um pouco mais cedo. seria preciso abandonar uma boa parte ao Império da Rússia. que cometeu esse grande erro. aos olhos dos patriotas lúcidos da Alemanha. que. deixando-o esperar. Mas antes que ela soe. a guerra mortal entre o imperador da Alemanha e o czar. Apesar do que se possa dizer — sempre considerando todas essas questões do ponto de vista dos Estados. alternadamente. sob esse aspecto. todo mundo o sente. não daquele da Revolução social. ao mesmo tempo. Marx. Contudo. que terá como primeira consequência varrer todas as velhas questões. Marx. Marx. inicialmente. tão hábil quanto poderosa. evita indispor o czar contra ele. 3º a força ameaçadora do Império de todas as Rússias. a Áustria sucumbiu definitivamente sob os golpes dos exércitos vitoriosos da Prússia. como recompensa por sua neutralidade e naturalmente ainda mais por sua cooperação ativa. de não ter sabido germanizar completamente os povos eslavos submissos a seu jugo. Ela não se reerguerá nunca mais. Bismarck. a Prússia e a Áustria. ou. e o pan-eslavismo personificado no czar. com a França. Marx. o Sr. sua existência separada tornou-se momentaneamente uma necessidade. mas ainda não foi abatida. entretanto. nem o Sr. o incensa e se diz seu amigo. a deixá-lo fazer algumas aquisições importantes. não pode deixar de soar. O Sr. assim como no do Sr. Os dois primeiros obstáculos foram em parte afastados pela política. a França não esqueceu a injúria sangrenta que recebeu da Alemanha. Marx que a hora da grande luta entre o pan-germanismo. segundo todas as probabilidades. ao pensamento. incomparavelmente mais capazes e mais . o czar se volte contra ele quando atacar a França. e é por esta razão que ainda precisa da aliança do czar. Contrariamente ao Sr. Bismarck podiam contar. diz a si mesmo que se toda a Alemanha concentrada sob sua mão tivesse de lutar contra a Rússia e a França ao mesmo tempo. por um duelo entre a República e o Império. o Sr. tentando apoiar-se. ora e novamente sobre seus caros alemães. e o Sr. Teme que o compreendam muito cedo no gabinete de São Petersburgo. político ainda mais hábil do que o próprio Sr. e. em seu pensamento. Todavia. A França foi vencida. nem o Sr. Marx. para dar lugar a novas e completamente diferentes —. Assim. Ele evitará aumentar de maneira substancial o poder de um império contra o qual se prepara para entrar em combate mais tarde. aquisições ainda mais importantes. Trata de ganhar sua confiança e assegurar a conivência. e com isso. Durante algum tempo. É evidente que o Sr. do que o Sr. cruelmente ferida. tendo-o compreendido. sentindo-a perecer. Será forçado. ora sobre os magiares. mas como a Alemanha fará indubitavelmente.germânicos. e cuja direção não será provavelmente confiada às mãos de nenhum ditador. mais sábio. Bismarck sabe disso muito bem. A Áustria não somente deixou de ser um impedimento para a Prússia.

o Sr. portanto. Marx.seguinte: o Sr. É o culto do Estado. o Sr. Bismarck. Bismarck e o Sr. Eis o que separa o Sr. mas excluindo um número ainda maior. assim como hoje é o admirador. Marx se considera o continuador do Sr. comparada à da Rússia. inveja. Em consequência. quando a hora da realização de seus sonhos tiver soado para ele — se ela soar algum dia —. os pontos essenciais sobre os quais ela se separa da política bismar-ckiana. não teria permitido ao confidente de todos os seus pensamentos. além do mais. impornos sua ditadura. sua própria posição e sua ambição dão uma certa garantia disso. ele é forçosamente revolucionário. ou como o papado havia sonhado. Fora mesmo de tantas garantias irrecusáveis que o Sr. tornar-se-á ainda maior. muitas populações e países diferentes. Não preciso prová-lo para o caso do Sr. Mas também não acredito precisar de grandes esforços para provar que o mesmo é válido para o Sr. Sua política é a do presente. nenhum papel para o Sr. durante toda a sua vida. Uma vez apresentadas as relações atuais destes três grandes Estados — a França. o Sr. e ainda hoje pretende. o continuador. Marx. a potência da Alemanha. Um é aristocrata e monarquista. tanto em relação à França quanto à Rússia. Vejamos agora o que os une. Bismarck: é a forma e as condições do governo. deverá. Sr. tal deve ser a política do Sr. sem dúvida. mais tarde. aristocrata e monarquista. que. suas provas (ístão à vista. se é muito grande. deu à causa da democracia socialista. da cabeça aos pés. como o fizeram Napoleão e Carlos V. Mas seu programa socialista e político é a sua mais fiel expressão. e poder-se-ia dizer único. é o . socialista autoritário. com mais razão ainda no Império prussianogermânico fundado pelo Sr. com um imperador bicho-papão. republicano. com a Igreja universal. e com todos os barões e todos os burocratas da Alemanha como guardas. adora de tal maneira o poder que quis. compreendendo. Bismarck. que se considera seu sucessor e seu continuador. na Alemanha. toda proporção respeitada. e. mais tarde. Bismarck. Engels. Parece-me que isso é suficiente para caracterizar suas disposições pessoais. Marx. Assim. Portanto. por mais liberal que seja. Marx deverá varrer tudo isso. inicialmente. Marx é democrata. ou mesmo uma República conservadora ao modo do Sr. O objetivo supremo de todos os seus esforços. Agora. nada mais que um homem de Estado. A mais simples lógica. permanecendo assim o único inimigo. A diferença é. apesar de toda a ambição internacional que hoje o devora. é o estabelecimento do grande Estado popular (Volksstaat). Ele é. Marx a servirá. Se não se considerasse como tal. contentar-se em governar um único Estado. Marx.bem dirigidos do que o governo e a administração russos. t. o Sr. muito séria. Bismarck se diz. é a do futuro. o outro é democrata. e dos dois lados é igualmente sincera. guerra sem trégua e sem fim. Thiers. o Sr. que quis instituir um até mesmo na Associação Internacional dos Trabalhadores. em fim de contas. Ele ama a tal ponto o governo. Marx. quem diz Estado diz um Estado. Bismarck é um grande estadista precisamente porque sabe disso. um homem de Estado. e quem diz um Estado afirma por esta razão a existência de vários Estados. limitado. Bismarck. Sob esse aspecto. não pode haver nenhum lugar. E quando digo que o Sr. Bismarck. e quem diz vários Estados diz inevitavelmente concorrência. assim como toda a história. da política do Sr. É preciso ser cego para não ver que tal é. Em uma monarquia. E o Sr. examinemos o caráter particular da política do Sr. Bismarck é um Juníer15 pomerano. escrever que o Sr. não há entendimento nem reconciliação possível entre o Sr. 15 . Constatemos. diz necessariamente Estado particular. apesar de tudo. a menos que sonhe com o Estado universal. republicano. a Alemanha e a Rússia —. o provam. Eis em que sentido ele será. Mas quem diz Estado. e que a Rússia. Ele a serve agora à sua maneira. será muito mais fácil para a Alemanha vencê-la e esmagá-la. Antes de chegar ao poder. cabo e devoto como chefe. ela é seguida com a consequência rigorosa de uma dedução matemática. O ponto principal. Marx. de outra. Marx. não vários Estados simultaneamente. democrata socialista e republicano socialista. a do Sr. muito grande. saberão extrair de suas conquistas mais vantagens do que os russos. Marx do Sr. como no-lo anunciam os estatutos fundamentais de seu partido. Marx. estou longe de caluniar o Sr. Bismarck serve a causa da Revolução social.

uma liberdade muito grande do pensamento e das opiniões que é. O Estado é o governo. da censura e da polícia. a menos que seja dotada da onisciência. não podendo impor-se como tal aos súditos dos outros Estados. e como o quer hoje o Sr. o Estado não pode estar seguro de sua existência enquanto não tiver. prever as necessidades. agentes devotados que vigiam e dirigem. Enfim. Por sinal. sob pretextos plausíveis. no seio do qual todos os interesses positivos. Daí resulta a necessidade de uma censura do Estado. se se coloca como objetivo supremo. isto nos é provado o suficiente pelas tentativas que fez para introduzir. a humanidade. O fruto proibido possui tanta atração para os homens. em consequência. a negação do Estado. Mas qualquer que seja a vigilância desta censura. ou. chocar-se. com muita razão. tudo o que é favorável ao desenvolvimento de seu poder é bom. o Estado. porque sempre haverá sacrificados. deve ser necessariamente poderoso externamente. por mais perfeita que seja. O Estado. e. sob máscara. esta minoria. devendo deixar-se inspirar e dirigir por uma moral particular. o pensamento do Sr. Sempre haverá descontentes. que nem essa educação. mas se o é no exterior. Marx está de tal forma convencido desta necessidade que achou por bem encher com seus agentes secretos todas as regiões da Internacional. e. Que tal seja. só se inspirem nos princípios dessa moral patriótica ou particular. principalmente a Itália. na realidade. do descontentamento das populações. por sua própria natureza. nessa abstração que denominam interesse comum. de seus interesses e de suas aspirações. a censura na Internacional. a organização da educação e da instrução populares. O princípio da moral política ou de Estado é muito simples. Todo Estado. pelo menos para seus próprios cidadãos. Vimos que o próprio Sr. conforme pensa o Sr. para seus próprios súditos. das populações vêm encontrar-se. do seu ponto de vista eminentemente político. conforme as condições particulares de sua existência. garantem o bastante a tranquilidade do Estado. com igual justiça. inevitavelmente. o Sr. de uma imensa quantidade de homens muito diversos do ponto de vista do grau de sua cultura. por sinal. da natureza dos países ou das localidades que eles habitam. o bem . de sua posição. do ponto de vista da conservação do Estado. sem que isso seja visível. tanto individuais quanto locais. Esta moral se chama patriotismo.É da natureza do Estado romper a solidariedade humana e negar. como já o vimos. é mau. ainda que fosse mil vezes eleita pelo sufrágio universal e controlada em seus atos por instituições populares. absorver-se. o Estado nunca poderá estar seguro de que pensamentos proibidos e perigosos deslizem. em sua integridade e em toda a sua força. É um ser arbitrário. Marx. da onipresença e da onipotência que os teólogos atribuem a seu Deus. sob forma de contrabando. satisfazer. pelo nascimento da moral do Estado e de uma razão do Estado. a negação da moral humana e universal. na consciência das populações que ele governa. Marx. matariam a Internacional. e permaneçam surdos aos ensinamentos da moral pura ou universalmente humana. em seus pensamentos e principalmente em seus atos. a corrente da opinião e das paixões populares. é impossível que possa conhecer. conseqúentemente. a França e a Espanha. por uma moral que é uma restrição. Sendo o Estado o objetivo supremo. de suas ocupações. por uma minoria qualquer. nem mesmo essa censura. vivos. O Estado só pode conservar-se como tal. Marx. de cima para baixo. de certa forma. para sua conservação. conquanto o Estado tomasse exclusivamente em suas mãos toda a educação e toda a instrução populares. como o quis Mazzini. com a razão universal. é um grande sacrificador de homens vivos. quando não estão embrutecidos o suficiente. este eterno inimigo do Estado. para defendê-lo dos inimigos do interior. para falar mais francamente. tudo o que lhe é contrário. nem essa instrução. portanto. É-lhe preciso ainda uma política. Marx e seus amigos do Partido socialdemocrata alemão pudessem conseguir introduzir o princípio do Estado em nosso programa. uma força armada. uma ruptura com a moral humana enquanto universal. secretamente. Se. assim como a Igreja. Dali resulta. entredestruir-se. desperta de modo tão fácil em seus corações. incompatível com essa unanimidade de adesão exigida pela segurança do Estado. seja a coisa mais humana do inundo. A Internacional. é a negação do patriotismo. absoluto. os interesses mais legítimos. ele o será com certeza no interior. deverá zelar para que todos os seus súditos. mais gritantes de todo mundo. e o diabo da revolta.

encontramos em seu Estado tudo o que constitui a própria natureza despótica e brutal de todos os Estados. No exterior. esta força. observai-o bem. revoltam-se. No Estado popular do Sr. então. Marx. mantido com tanta habilidade quanto força pelo Sr. Marx. classe dominante ou governante. em suas mãos. mas que ainda as administrará economicamente. a aplicação do capital à produção pelo único banqueiro. Ele não se contenta em trabalhar unicamente pela emancipação do proletariado da Alemanha. sempre existiram. Como patriota alemão. nacional. ainda que eu duvide muito que. e. por uma força viva qualquer. e o mundo se dividirá em uma minoria dominando em nome da ciência. Haverá uma nova classe. diz o Sr. Mas para que essa abstração onívora se possa impor a milhões de homens. este ser. pois os Estados fracos e pequenos sempre correm o risco de se verem engolidos. Não haverá. não haverá absolutamente classe privilegiada. concentrando. resignar-se e obedecer. que não se contentará em governar e administrar as massas politicamente. mas também do ponto de vista económico. Isso porque o governo deve ser forte. e. Deseja a grandeza e o poderio da Alemanha como Estado. a salvação pública. deseja a grandeza e o poderio. para contê-la. Pelo menos no-lo prometem. e que no final das contas o Estado popular. não somente do ponto de vista jurídico e político. esperar. o mais despótico. no Estado. mas um governo. o estabelecimento e o desenvolvimento das fábricas. Engels. a cultura da terra. dizem-nos. Ninguém poderá. mais nenhuma classe. um governo excessivamente complicado. e onde todas as vontades reais se anulam nessa outra abstração que traz o nome de vontade do povo. Resulta daí que esta pretensa vontade do povo outra coisa não é senão o sacrifício e a negação de todas as vontades reais das populações. o mais aristocrático. Marx. a conquista. Pois bem. por outro lado. enfim. uma nova hierarquia de doutos reais e fictícios. a organização e a direção do comércio. identificam-se completamente pela natureza de seu objetivo tanto interior quanto exterior. a dominação da . tão recomendado pelo Sr. da maneira como procedem e na via que querem seguir. a mesma demonstração da força militar. Tudo isso exigirá uma ciência imensa e muitas cabeças transbordantes de cérebro nesse governo. qualquer que seja a forma de seu governo. o Sr. Assim como o Sr. pela emancipação do proletariado de todos os outros países: o que faz com que esteja em contradição consigo próprio. ele é um patriota alemão. Marx. Mas. contra as massas que. Marx. o governo iluminador e emancipador do Sr.público. Todos serão iguais. e no interior. ao mesmo tempo. a produção e ajusta repartição das riquezas. como patriota perspicaz e ardente. Consequentemente. um dos principais iniciadores da Internacional. quer dizer. deve querer o poderio e a grandeza da Alemanha como Estado. Marx precisará de uma força armada não menos séria. fatigadas de crer. é preciso que seja representada e apoiada por um ser real. além do mais. Vede muito bem que através de todas as frases e todas as promessas democráticas e socialistas do programa do Sr. para manter na ordem esses milhões de analfabetos cuja sublevação brutal poderia tudo destruir e tudo derrubar. último argumento de todos os poderes políticos ameaçados. e uma imensa maioria ignorante. Na Igreja. Bismarck. e. Marx é um socialista célebre. possam algum dia cumprir sua promessa. Será o reino da inteligência científica. portanto. mesmo um governo dirigido por cabeças transbordantes de cérebro. da mesma forma que esse pretenso bem público nada mais ó senão o sacrifício de seus interesses. cuidado com a massa dos ignorantes! Tal regime não deixará de provocar seríssimos descontentamentos nessa massa. e o Estado aristocrático-monárquico. sente-se honrado e considera como seu dever trabalhar. o Estado. sempre. achar-se-á natural que ele deseje que a Alemanha organize-se como Estado. denomina-se clero. incriminá-lo por amar seu país e seu povo. quer dizer. Deixemos agora as considerações gerais sobre o Estado e entremos mais a fundo na política real. é o mesmo emprego dessa força armada. Bismarck. E. visto que ele está tão profundamente convencido de que o Estado é a condição sine qua non da prosperidade de um e da emancipação do outro. o Sr. e necessariamente um Estado muito grande e muito forte. como o fazem hoje todos os governos. do Sr. por sinal. o mais arrogante e o mais desprezível de todos os regimes.

oficiais e soldados da França. inclusive todas as Federações dos outros países. em seguida começaram a desprender uma a uma suas províncias. sempre perseguiu um único objetivo: o da criação de uma grande potência alemã. sob a baioneta dos soldados franceses acantonados na capital da Prússia. pelo grande filósofo e patriota alemão Fichte. sua língua eslavos. fazer servir a Internacional. recorreu para reerguer. Esta identificação da causa da humanidade com a da grande pátria germânica não é. da Universidade de lena. não é somente permitido. província outrora completamente. por causa de sua profissão de fé revolucionária e ateia. e ainda hoje em sua maior parte. muito popular. é a condição suprema da emancipação de todo mundo. seguramente. pouco se preocupavam com o que podia dizer um professor alemão16. completamente conquistada e só respirando pela graça de seu vencedor. num momento em que a Prússia. por assim dizer. Pois bem. para a edificação do grande Estado pangermânico. durante três séculos seguidos. — foi a este homem que o governo da Prússia. para refazer a energia moral da juventude prussiana e alemã. pouco tempo antes. pela mão de seu poderoso sucessor. om concordância com a Rússia e a Áustria. Marx tentou fazer. Primeiramente tornaram-se independentes dele. depois da batalha de lena. Entre as causas exclusivamente prussianas. e ignorantes como convêm a bravos generais. Frederico. Ela foi explicitamente expressa pela primeira vez. quanto pelas resoluções votadas por seus amigos alemães e franceses no Congresso de Haia. e sua realização impossível. a política perseverante e tortuosa dessa casa de Brandeburgo que. não foi. foi a este homem que Stein e Hardenberg. e que o triunfo nacional e político da Alemanha é o triunfo da humanidade. em primeira linha. Como resolver esta contradição? Só há um único meio: proclamar. mas como socialista da Internacional. e que. Thiers. mas ordenado pela mais santa das causas. uma ideia nova. dando prova de profunda ignorância. em absoluto. proclamaram-se reis. o golpe de misericórdia nesta infeliz Polónia. sob o governo muito iluminado do duque de Saxe-Weimar. e que tudo o que é contrário ao advento dessa grande potência onívora é inimigo da humanidade. Se ele não obteve melhor resultado. tanto pelas deliberações da Conferência por ele organizada em setembro de 1871. é preciso colocar. deram. depois de ter persuadido a si mesmo. como um meio muito poderoso. sobretudo. os dois novos ministros do rei Frederico Guilherme III da Prússia. de pai para filho. enfim. Essa força data realmente da partilha deste reino-república e da conquista da Silésia. em uma série de leituras que fez em Berlim. o Grande. embriagados por todas as suas vitórias. Coisa surpreendente e digna de permanecer na memória das nações! A verdadeira grandeza da Prússia. bem mais felizmente inspirado do que o governo do Sr. tanto prussianas quanto alemãs. por falta de grandes esforços nem de muita habilidade de sua parte. deve desejar a emancipação de todos os povos do mundo. finalmente. os duques da Prússia acabaram por despojar seu antigo soberano. seu novo poderio datam da catástrofe de lena. É verdade que muitas causas anteriores. alguém possa contestar que toda a força política da Prússia foi fundada exclusivamente em detrimento e sobre a completa ruína da Polónia. E 16 Essas leituras foram publicadas sob este título — "Discurso à nação alemã". . E foi isso precisamente o que o Sr. vira-se mergulhada numa depressão infinitamente mais sufocante do que aquela em que se encontrava a França em 1870 e 1871. fundada em parte sobre a destruição e em parte sobre o subjugamento das populações eslavas que eram as habitantes primitivas de todo o reino da Prússia atual. inclusive. Inicialmente vassalos da coroa da Polónia. o amigo de Goethe. apesar de todos os esforços que fizeram para germanizá-los. Reden an die deutsche Nation. outrora sua soberana. muito cómodo. é evidente. Fichte havia sido expulso. polonesa.Alemanha. mas provavelmente porque a ideia fundamental que o inspira é falsa. e do qual uma parte ainda conservou suas características. Uma vez estabelecida esta convicção. seus costumes e. de que a grandeza e o poderio da Alemanha. como Estado. se não estou enganado. a haviam preparado. e. A menos que. em Londres.

que pesa e sempre pesará como uma fatalidade sobre o poderio prussiano. que eles gozam. paixão e ação. tanto quanto em 1848. escrita pelo grande historiador alemão Schlosser. a sanção nacional lhe faltava. de mais estúpido. de onde resulta que o primeiro dever da revolução é impedir. a tal ponto que a Reforma — uma revolução religiosa que havia sacudido o torpor de tantas outras nações e que havia despertado em seu seio o princípio de completa liberdade. com a diferença de que a Itália havia sido sufocada pela aliança do imperador com o papa. os modos e as maneiras elegantes dos franceses. na burocracia. o peso pedantesco de um espírito privado de movimento e de vida. o triunfo dessa estranha "revolução". Em sua maioria eslava nos campos. alguns anos de impulso magnífico: Lutero. pareceram desejar conduzi-la para uma via desconhecida e rica de pensamento. mas em toda a Alemanha. de mais vil. a qualquer custo. qualquer movimento de camponeses. o melhor seria ler a História do século XVIII. à maneira dos alemães. Ulrich von Hut-tcn. inteiramente alemã. que só é considerada como tal quando é bem civilizada. mecânica. teve. massacrados e torturados às dezenas de milhares. isto é. o espírito. absorta devotamente em seus sonhos. 17 . ela deu a impressão de despertar. estas duas virtudes de um súdito e condições supremas do Estado. Está à venda por James Guillaume. e repetem com ele todos os marxistas. com efeito. hoje. mesmo na França. representada pelas classes que acabo de enumerar. na mais completa e mais tranquila escravidão. de que maneira. bem científica. e muitos outros mais. durante todo o longo período da Idade Média. em Neuchâtel (1871). a revolta —. O Império Cnuto-germânico e a Revolução Social. e enforcaram ou massacraram os senhores e os padres. ela só será alemã nas cidades. na Suíça. Ela permaneceu mergulhada nessa calma durante mais de três séculos. com uma graça um pouco pesada. Lá se tornou a religião do despotismo. toda artificial. havia pelo menos estimulado e acompanhado o movimento emancipador dos povos em todos os outros países. Constatei. reprimir.bom lembrarmos essa origem. quase no final do século XV. Era a reação. até o momento em que Frederico II transformou esta última numa espécie de corte francesa. visto que a obediência e a resignação. sobre essa "reação" camponesa. No começo do século XVI. a secura. na Holanda. encontram-se tão profundamente enraizadas em seus corações. enquanto não foi vencido. enquanto a Alemanha havia sucumbido voluntariamente sob o peso de sua própria revolução. quer dizer. Franz von Sickingen. Thomas Múnzer. na Alemanha. visto que o poderio alemão será prussiano. A alma. primeira parte. unidos a uma covardia de coração sem limites. e mais tarde na América. abandonados e traídos pelos burgueses das cidades. mostrei como a nação alemã. ou somente política. na Suécia. não pode emanar da barbárie dos campos. que. os burgueses radicais da Alemanha o reprimiram em 1830. porque a revolução. Para que se possa fazer uma ideia exata do que era a nacionalidade alemã. bem burguesa. o único efeito de reforçar o sentimento e a prática da disciplina? Na primeira parte deste escrito17. depois do que a Alemanha voltou à tranquilidade. enfim. Mas esta nova potência. em seguida. criada definitivamente por Frederico II. imitando. vibrando de esperança e de fé. por assim dizer. e é por causa disso. impressor. ainda não era. na via da liberdade. em seus professores e em seu clero protestante. na nobreza. sem dúvida. dizem eles. com efeito. "Era a reação". Eletrizadas por suas prédicas ardentes. não somente na Prússia. na classe burguesa. de tão grande liberdade. diz Lassalle. ergueram-se ao grito de Guerra aos castelos e paz às cabanas! Saquearam e destruíram os castelos. foram vencidos pelos nobres. massas de camponeses. Não se deve concluir disso que os alemães são um povo realmente predestinado à criação de um poderosíssimo e grande Estado. senão uma potência inteiramente exterior. Coisa estranha e igualmente digna de não ser esquecida pelos povos! O protestantismo. Dóceis em relação a este preceito. O camponês só pode fazer reação. e alemão também. Eram a pobreza. Não se pode imaginar nada de mais abjeto. Os camponeses. na Inglaterra. havia produzido. como a Itália. foi completo. na corte. Em 1525. por Mikhail Bakunin. se não tivesse criado. havia passado sua adolescência e sua juventude. rompendo suas antigas correntes. apenas na Alemanha havia produzido um ofeito totalmente contrário.

da revolução económica que. após a Inglaterra.Foi precisamente aí que começou a se desenvolver. haviam atribuído erroneamente a não sei qual força moral. mas o produto da mediocridade tanto material quanto intelectual. de forma que a Alemanha permaneceu bem longe. mesmo sob o aspecto económico. Deuses muito grosseiros. tão pobre de espírito quanto de riquezas materiais. sob o aspecto do comércio marítimo. A Alemanha havia se tornado. e permaneceu durante três séculos mortais. mas muito industrializada Bélgica. Compreende-se que tal regime tenha formado súditos muito apropriados às necessidades do despotismo. não só atrás dos países protestantes. esse movimento. Os camponeses. pretensamente progressista e revolucionária do Estado militar. não pedindo outra coisa senão vender suas mulheres e suas filhas ao primeiro sultão que aparecesse. mas até mesmo atrás da França católica. — uma virtude negativa. a França. devia fundar a nova força do capital e da revolução religiosa . ou melhor. e a pequeníssima. por assim dizer. a quarta. ela permaneceu mais ou menos estagnada. pela miséria e pelos ensinamentos de seus pastores protestantes. dizimados e ombrutecidos triplamente pela derrota. tais como a Inglaterra e a Holanda. tanto do pensamento quanto da vida. basta observar com que rapidez esta honestidade alemã tão vangloriada evapora-se hoje sob o sopro depravador e poderoso da grande especulação banqueira. o efeito da dupla revolução que marcou a transição da Idade Média à era moderna. conhecida pelo nome proverbial de honestidade alemã. sem protesto. quando esta virtude não era mais que o produto natural dessa dupla pobreza da bolsa e do espírito. a força crescente. negativa. eis em que consistiu essa virtude. os Deuses de seus Estados. da submissão. congelou-se. predicadores da escravidão cristã. ela só mantém. Os príncipes soberanos substituíram o papa e declararam-se chefes de suas Igrejas nacionais. levar toda a sua existência fora das grandes paixões. pelo menos. Mesmo hoje. o da indústria e do comércio. não se agitaram mais. desejosa de fortuna. durante três séculos. favores e senhores. portanto. Tal foi. A burguesia e os corpos de profissão retomaram calmamente suas ocupações e seus hábitos laboriosos cotidianos. na Alemanha. sim. estupidamente enfatuados de sua vontade soberana e excessivamente depravados. Resultou disso um tipo de virtude relativa. desoladora sob todos os aspectos. pois mesmo o movimento económico. portanto. Depois da Reforma. e. que embriagava a baixo custo esses bons burgueses protestantes com a comunhão do Espírito Santo ou com a comunhão direta com Deus pelo Cristo. o paraíso dos déspotas. Era hábito dos pobres viverem com pouco e só conhecer bem poucas necessidades. da resignação e da mediocridade mais desoladora. Contentar-se com pouco. Tornaram-se. das grandes fruições e das grandes tentações. burocrático e tranquilamente despótico. de certa forma. ignorantes como convém a príncipes. e pagando todos os impostos que se quis. sem murmúrio. ou mesmo a quinta posição. mesmo na Alemanha. Para se convencer disso. os Estados Unidos. neste estranho país. esmagados. conservando como toda distração e consolo apenas a leitura da Bíblia. das grandes transações comerciais e da grande indústria. uma força moral. Assim. Pode-se inclusive dizer que foi apenas a partir do primeiro quartel de nosso século que ela começou a participar do grande movimento da indústria e do comércio mundial. os frutos de seu trabalho. definitivamente. em todo o seu estranho esplendor. inerente — acreditavase — ao caráter da nação. até aquele momento. entre os séculos XIII e XV. sobre as ruínas da propriedade feudal. curvos e trémulos. vergada para todos os serviços. se o é — e só buscar compensações e consolos na contemplação religiosa e na leitura da Bíblia. assim. até mesmo atrás da Holanda. evidentemente. diminuiu conside-ravelmente em comparação à energia e à atividade que ole havia desenvolvido desde o nascimento da Liga Hanseática. Essa honestidade não era. senão para levar ao castelo. sem resistência. para a grande satisfação de um clero cujo servilismo abjeto ultrapassou tudo o que se tinha visto de semelhante. a terra da tranquilidade. acima deles uma nobreza banalmente bajuladora.

— na França. as palavras "pátria". as mais industriosas e as mais ricas do país. e devia. enfim. Depois dela vinha o direito. grandes. nem mesmo a vontade de pôr um freio ao arbítrio despótico dos soberanos médios e pequenos em seus Estados respectivos. nada. e a Inglaterra. apesar do estabelecimento de uma monarquia orientalmente absoluta. eram completamente ignoradas. prostração intelectual e moral. até se puxarem os cabelos. e que. ao Senhor celeste. interrupção completa de pensamento. durante dois séculos seguidos. Até mesmo na França. desde Rabelais. ridículos. Leibniz. seus Milton. pequenos e pequeníssimos. Só havia o Estado. tanto quanto as duas outras. pedantes. ao dogma cristão. um e outra pregando o poder absoluto do soberano e o dever. na realidade. a ciência do serviço do Estado. havia uma terceira. Ela abarcava a administração. quanto ao despotismo real. e abater o despotismo alemão trazido pela casa de Hanover. caluniando-se. ou mais exatamente. até Voltaire e Diderot. tudo isso não impediu a Holanda de fundar sua liberdade e sua prosperidade material. que se encontrava à frente de toda a Alemanha. um único verdadeiramente grande. encontrais uma corrente não interrompida e sempre crescente de livrepensamento. Alguns escritores alemães. disseminando-se pouco a pouco. isto é. invejosos. injuriando-se. Mas foram os outros países realmente poupados? A Holanda não foi da mesma forma devastada por Felipe II. ajoelhados diante de todas as autoridades. um dos mais extraordinários espíritos do século XVII. de todo movimento intelectual e da vida moral. cria uma opinião pública oposta tanto ao catolicismo. Schiller entre outros. na Alemanha. É preciso observar que nessa época. base e condição prévia do culto prático que havia feito da Alemanha o que era: a pátria dos déspotas e dos escravos voluntários. em Paris. Para o súdito. Mas na Alemanha. a teoria de sua aplicação à vida prática: era a ciência política. ou melhor. a ciência desdenhava servir-se dela. que inspira nobres espíritos. uma infinidade de Estados. desde o começo das guerras de religião até a proclamação do Edito de Nantes? Pois bem. proclama a Revolução e conduz à guilhotina o senhor terrestre. absurdos. "nação". Os professores. Havia. da qual Lutero se serviu tão magnificamente. salões literários e filosóficos. dos lacaios. vendidos de antemão e devotados de corpo e alma ao serviço de todos os poderes que adulavam em versos latinos e em prosa. funda. por piedade para tanta miséria. os fiéis servidores do Estado. que resume em sua pessoa todo o Estado. dos cânticos e dos tratados religiosos. só escreveu em francês ou latim. — tais foram os nobres instrutores e educadores da juventude alemã durante esses dois séculos. A própria língua alemã. Era o culto teórico do Estado. a Inglaterra pelos Stuarts. denunciando-se mutuamente. a ciência do Estado. apesar do triunfo do catolicismo. Na Alemanha. da obediência passiva dos súditos. se queira considerar como sinais de desenvolvimento intelectual e moral os gemidos doentios e sentimentais do pietismo. e a França pela Liga católica e pela monarquia absoluta. as finanças e a diplomacia. com toda a ostentação insolente de seu Rei-Sol. até o aparecimento dos primeiros escritos de Lessing. às vezes. a menos que. de derrubar o despotismo dos Stuarts. formar os burocratas. E que ciências! Que estranhos professores! A teologia ortodoxa luterana dominava tudo. Montaigne e Descartes. como chefe do Império. absolutamente nada. ao mesmo tempo arrogantes. Ao lado das duas ciências principais. mas que não possuía nem a força. de certa forma. apesar do aniquilamento e do banimento definitivos das populações protestantes. em todas as classes da sociedade. médios. havia caído em desuso: dominava a língua da Bíblia. por mil canais subterrâneos e invisíveis. através da grande literatura dos séculos XVII e XVIII. e com mais razão para o . a teologia e o direito. que ensinava. e empurrando essa guerra incivil de pedantes. covardes e ignóbeis como lacaios. e não havia propriamente literatura. mas de maneira ainda mais especial. acaba por abarcar a nação por inteiro. da qual ela foi ao mesmo tempo o teatro e a vítima. inicialmente se desenvolvendo às escondidas. era o da Áustria. Academias de Ciências e de Letras. procuraram explicar este fato tão doloroso para seu patriotismo. como na comédia de Molière. esse efeito pode ser resumido nestas palavras: empobrecimento e torpor material. não menos absoluto. atribuindo-o exclusivamente aos imensos desastres causados à Alemanha pela guerra dos Trinta Anos. perturbadores.que havia despertado a vida política em todos os outros países. de ter seus Shakespeare. ou então as extravagâncias teosóficas de um Jacob Bõhme. Desde a morte de Lutero.

nessa época pelo menos. Pode-se imaginar qual deve ter sido o espírito desses honestos filisteus da burocracia alemã. legitimada pelo serviço do Estado. Quanto menor a corte. direito supremo do Estado. foi a Itália que criou. depois de ter formado e ilustrado os grandes canalhas históricos conhecidos sob os nomes de Médicis e de Bórgia. substituí-la por outra. por outro lado. No interior. a Alemanha não existia: só conhecia o Estado grande. a avidez e a vaidade dos cortesãos e das cortesãs são capazes. a menos que fosse bastante rico e poderoso para evitar uma e outra. sua extensão também. impiedosamente. mais essa cabala incessante. Mas é a Itália que reclama a honra muito equívoca de ter dado origem à diplomacia. que se tornou um certo género de ciência. Maquiavel. e em luta perpétua umas contra as outras. Esta cabala interior servia de alguma forma de escola onde se formavam os estadistas. de certa forma. pelo desespero. — o Estado só pode se manter por uma violência tão contínua e sistemática do direito humano. se possível. onde cada pequena corte formava um foco permanente de cabalas ou intrigas. o país clássico da submissão. são colocados como o objetivo supremo. atroz. se em seu interesse privado. Sabe-se o que é a diplomacia: é a arte e a ciência da canalhice. deviam fazê-la prosperar na Alemanha. incapaz de resistir à dupla tirania dos imperadores e dos papas. sua integridade. o que significa dizer que ele só pode existir pelo crime. imolava-lhe conscienciosamente. que. da paciência e da resignação. manifestava-se cínica. todo súdito. à revolta. que foi. A burocracia. ou melhor. os diplomatas que se tornam culpados. os canalhas titulados da diplomacia. e que. da Espanha. pelas invasões periódicas da Alemanha. para ele. mas sempre imposta às massas por uma minoria dominante ou um governo qualquer. monárquico ou republicano. Quantos crimes flagrantes. em boné de algodão e cachimbo pendente da boca. As mesmas razões que a fizeram nascer na Itália. tanto quanto da honestidade. tudo. com o passar do tempo. Dísse-se. é evidente que todos os crimes cometidos no interesse do Estado tornam-se virtudes. deve sacrificar todo o resto. ameaçada. longe de se esconderem. eis os grandes negócios que absorviam a inteligência da juventude nobiliária da Alemanha. conseqúentemente. sua grandeza. os estadistas. Casar o príncipe. franca ou mascarada. da França. ridícula. tanto no interior quanto no exterior. na pessoa do príncipe. demonstrou-o muito bem: o Estado.funcionário. médio ou pequeno que servia e que se resumia. a perfídia. desenvolveu e cultivou em seu seio esta arte infernal da diplomacia. que constituía. e tornou-se simultaneamente uma ciência. que. . cada funcionário alemão era capaz de sacrificar seus próprios filhos ao que ele chamava razão. da moral humana. perigo que por sinal não era demasiado grande na Alemanha. seu poderio. e não é outra coisa senão uma violência sistemática ou contínua. Toda a ciência do burocrata consistia no seguinte: manter a ordem pública e a obediência dos súditos. tão bem descrita por Maquiavel. uma arte e um culto. justiça. que uma multidão de nobres vassalos disputava entre si com encarniçamento feroz. e ar rançar deles tanto dinheiro quanto possível para o tesouro do soberano. ele seria citado pela justiça e condenado aos trabalhos forçados. dar-lhe uma amante. o fundador da ciência política. empregando nessa luta toda a canalhice de que a baixeza. e. depois de Deus. expulsar um favorito para elevar um novo. os diplomatas. vangloriam-se por isso. era o grande negócio do favor do príncipe. todo Estado. eles lançavam-se sobre o teatro público da diplomacia exterior. com muita razão. acabou por desmoralizar e por desorganizar tão completamente esta nobre nação que ela tornou-se. ao qual todo homem nascido em seu seio. enquanto ciência histórica e positiva. Uma vez formados. tanto quanto em todos os outros países. Assim. Mas uma vez que o Estado. é a mesma coisa. outro objeto de culto senão essa terrível abstração do Estado personificado no príncipe. abjeta. a arte privilegiada do pessoal nobiliário na Alemanha. e pela traição permanente dos papas. Dividida em uma multidão de pequenas repúblicas. Ao lado desses honestos "filisteus" da burocracia. não reconhecendo. Novo Brutus. sua atmosfera. senão hoje. todas independentes umas das outras. havia os espertalhões. nasceu e desenvolveu-se principalmente na Alemanha. um indivíduo quisesse se permitir a décima parte dos atos que os diplomatas mais renomados da Europa realizam sob os nossos olhos. na Idade Média. sem arruiná-los por completo e sem levá-los. — ele só existe pela violência. qualquer que fosse ele. pode-se dizê-lo.

na época da qual falo. igualando e frequentemente ultrapassando os modelos franceses em todas as coisas. pensam e fazem a mesma coisa. fez assassinar quarenta mil defensores da Comuna de Paris. — o Deus das batalhas e dos reis. o bem desta pobre humanidade. inclusive o homem do futuro. por que o proclamam todos o homem indispensável e o salvador da França? Porque. Neste terreno. caracteriza o poder dos príncipes alemães. Já não me lembro quem disse que a hipocrisia era uma homenagem que o vício prestava à virtude: a diplomacia moderna tende a justificar este provérbio. Foi na Alemanha que nasceu a mania. estremecia à espera dos grandes eventos que deviam transformá-la por completo. Bismarck e Thiers. tanto mais honrada e festejada quanto mais hábil e feliz era. Marx for chamado a governar um Estado. Não devemos nos surpreender com isso. Foi a arte militar. sem sequer se dar ao trabalho de concluir com ele um tratado de aliança efetiva contra a América insurreta. em conformidade com a lei. já inundada pela luz do livre pensamento. eram verdadeiros cavaleiros de aventura. gastava. que davam o tom àqueles de todos os outros países. para a salvação do Estado. sem saber sequer quem mata e por que mata. Os diplomatas franceses. Ao lado da burocracia e da diplomacia. alugando seus serviços ao soberano que melhor pagasse. ele se apresenta em nossos dias como um verdadeiro progresso. a paciência angélica de seus súditos. dir-se-ia que eles têm um único objetivo.por exemplo. a tal ponto que mata e se faz matar. sequestrava-os e os arregimentava pela violência. essa palavra era mais ou menos desconhecida. todos eles se dão as mãos. avaro. Gambetta. porque às vésperas mesmo da Revolução francesa. Os príncipes da Alemanha que desejavam cortejá-lo. a paixão de brincar de soldado. levados pelo vertigem de um liberalismo universal. a mesma dureza para com o soldado. entregavam-lhe seus mais belos súditos. Era o ideal do soldado-máquina. Bismarck acaba de cometer diretamente contra a França e indiretamente contra a Alemanha! Pois bem. tais como Catarina II. nobres na maioria das vezes. enquanto toda a Europa. o Sr. Por sinal. por que não somente os monarquistas e os conservadores da Europa e da França. Frederico II. o espírito do militar alemão nessa época. ele sonhava só com uniformes. como o disse posteriormente o grande Frederico. . contra a qual esses soldados foram empregados. e levando a todos os países que eles honravam com seu serviço lucrativo a mesma fidelidade de cão em relação a seus chefes e a seus príncipes de ocasião. e. o Deus dos grandes batalhões. e até mesmo o Sr. nessa época não se precisava sequer de pretexto. quando não podia comprá-los. houve ainda uma arte que prosperou muito na Alemanha. muito dinheiro para comprar belos soldados. Podemos imaginar o que deviam ser os diplomatas da Alemanha. vendiam tranquilamente uma vintena de milhares de soldados alemães ao rei da Inglaterra. como vítimas exigidas por esse grande ídolo do Estado. Thiers. na base de algumas moedas por dia. Deus era então o grande abrigo. Este fato. mas se fazendo pagar simplesmente com dinheiro vivo. Sabemos que sob o reinado do pai do grande Frederico ela se havia tornado uma verdadeira loucura. Gambetta. mas também os republicanos. A canalhice dos cortesãos e dos diplomatas mostrava-se em todo o seu cinismo. acreditando dever incensar este novo espírito que havia invadido todo o mundo. alemão ou mesmo estrangeiro. Desprezavam tanto o público burguês e a canalha popular que sequer se davam ao trabalho de enganá-los. ou. enquanto os próprios déspotas. Quanto aos oficiais alemães. em particular. dois soberanos alemães. Entretanto. Vê-se que sob todas as formas de governo. eram espertalhões refinados. tanto na Alemanha quanto nos outros lugares. e. e tantos outros mais. do homem embrutecido pela disciplina militar. e continua a fuzilar ainda alguns deles. o duque de Brunswick e o conde de Haynau. Muravief e Haynau. menos no espírito. esta negação doravante histórica do Estado. de soldados e de súditos alemães. Mas. por si só. se algum dia o Sr. todo mundo o festeja hoje como o maior estadista da Europa. E o Sr. Foi uma venda de homens. Ao ler as proclamações que os estadistas atuais não deixam de lançar quando empreendem alguma coisa bem sinistra. e o mesmo desprezo pelo burguês r pelo povo. a partir do momento que a salvação do Estado o exige. nas monarquias assim como nas repúblicas. todos os estadistas sentem. contudo. a extrema esquerda. Marx. A verdadeira pátria desta nobre paixão é a Prússia.

é verdade. — disposto. foi condenado a encontrar-se sempre invadido. um culto: o culto do Estado. que cada um diga sinceramente se eu não tive mil vezes razão de defender. até a segunda metade do século XVIII. a Alemanha fez disso um sistema. sua segunda natureza? E se esse povo. durante mais de três séculos seguidos. contra a divisão da Alemanha cm um grande número de Estados. nem mesmo desejou a liberdade. foi somente um fato. não foi por falta de disposições. e que. contrariamente ao Sr. a prosternação. separada. era a reação de um povo que. enfim. se. que foi a Alemanha. viu-se reduzido a representar. E agora. a nobreza do sabre. por mais bem dotado que seja. — não contra o Estado em geral. sem que 11 escravidão penetre até nas últimas ramificações de suas veias. Resultou disso tudo. que se combine todos os elementos sociais que acabo de examinar um a um. a onipotência mecânica de uma burocracia hierarquicamente petrificada. acima de tudo isso. ao mesmo tempo que isso devia ferir bastante sua vaidade nacional. voluntária. o respeito da classe como na China. muito robusto. o bel-prazer do príncipe semi-Deus e necessariamente meio-louco. em duas partes desiguais pela inveja secular da Áustria e da Baviera. Pensa o Sr. isto é. pronta a cometer todos os crimes para agradar-lhe. a burguesia e o povo dando ao mundo inteiro o exemplo de uma paciência. senão ainda de direito. meditativo. oprimido e mais ou menos dizimado por todos os Estados vizinhos. de uma resignação e de uma subordinação sem limites. mas unicamente por falta de força. tornese seu hábito. — os eslavos sabem algo disso. a completa absorção da sociedade pelo Estado. tal como saíra da Reforma e da guerra dos Trinta Anos. Não era a reação de um povo que amava e desejava a liberdade contra o despotismo interior do Estado que o impedia de usufruí-la. do século XVI até os nossos dias. Isso reduzia. a tornar-se excelente instrumento de conquista por sua própria escravidão. de um povo que não pedia nada melhor do que invadir todos os lugares. se deixou este papel à França de Richelieu e de Luís XIV. com a depravação cínica de uma nobreza simultaneamente estúpida. no início. e se terá uma ideia perfeitamente exata da Alemanha. e os italianos também. teve como teatro a Alemanha. era incomodada por uma multidão de pequenos príncipes protestantes sempre prontos a coligar-se e. Estranha situação essa de um povo muito numeroso. apesar dessas grandes vantagens. no início da Reforma. que faziam dele um povo modelo — e que. a religião do poder absoluto do soberano e da obediência ilimitada do súdito. pode permanecer impunemente em semelhante situação durante um longo período histórico. que não foi absolutamente a Rússia. o reinado absoluto da papelada jurídica e oficial sobre a vida. isso porque a maioria das guerras que ensanguentaram a Europa. — trabalhando muito. durante tantos séculos seguidos. conquistador e invasor tanto por tradição quanto por gosto. por sinal. é verdade. nunca conheceu. uma religião. mas nunca se revoltando. nos outros países da Europa. e por esta paixão pela obediência. de fato. o que. a fonte e a escola permanente do despotismo de Estado na Europa. A Reforma havia desferido um golpe mortal no Império germânico. por esta disciplina interior. uma base muito sólida para a propaganda. naturalmente. ela o havia dissolvido de fato. até mesmo pela pequena Suécia. — o que deve ter-se tornado durante esses três séculos de imobilismo e de falta de pensamento absolutos? Um excelente instrumento para todas as ações do despotismo. além disso. se necessário. muito lenta e imperceptivelmen-te. A Alemanha estava infinitamente dividida. como se pode dizer com toda justiça do povo alemão. arrogante e servil. jihaixo. Marx. tanto dentro quanto fora. e. desde a Reforma até os nossos dias. ao invés disso. até mesmo a apoiar-se na França católica contra ela. A Alemanha católica. contemplativo. mesmo antes desses três séculos. uma doutrina. um sentimento natural e necessário de reação contra a causa de toda essa vergonha e de todas essas infelicidades.Basta que se reúna. do simples ponto de vista da tranquilidade e dos interesses materiais. toda a Alemanha a uma completa impotência. a glória e a usurpação do despotismo no mundo inteiro. exceto em um curtíssimo momento em sua vida. deve ter contrariado muito os alemães. no meio do movimento progressista dos povos vizinhos. e esta é sua honra. O que. o aniquilamento de todo subalterno em relação a seu chefe. o papel de povo vítima. sentindo o gosto e a força natural da . ele permaneceu um povo estagnado. Marx que um povo. Se a Alemanha deixou de ser conquistadora a partir da Reforma e até o final do século XVIII.

sie aber keineswegs abzuschaffen geneigt ist". mit Gewalt darnieder halten. não é preciso sequer acorrentá-los. escrevia estas terríveis palavras: "Os outros povos podem ser escravos. isso prova que o povo alemão. digo. tenda e resulte por si mesmo. pode-se-lhes colocar correntes e controlá-los pela violência. completamente tomada de respeito. uma vez que a unidade. repleta de uma veneração tão instintiva quanto refletida por todas as autoridades. e que devia se tornar ainda mais pelo acréscimo de meios que receberia mais tarde de toda a Alemanha. e esse órgão não podia ser outro senão um Es tado alemão já bastante poderoso por si mesmo. e era uma obra. (Gesammelte Schriften und Reden von Dr. Verlag von Otto Meissner. ao qual acaba de dar sua plena adesão. para fundar o grande Estado unitário. Todavia. só têm. era preciso um órgão. não está absolutamente disposto a expulsá-los"18. as palavras que pronunciou diante dos eleitores. de pequenos príncipes. eles só tinham. que o grande patriota Ludwig Bõrne. e cuja linguagem ainda era. man braucht sie nicht an die Kette zu legen. Hamburg. ao mesmo tempo histórica e cientificamente. aspirava a uma forma política capaz de satisfazer esse desejo instintivo e colocar em ação essa força. havia tomado a iniciativa. a essa excelente natureza humana. há apenas quarenta anos. O Dr. e vimos que a revolta sempre foi estranha. submissão e resignação. aber die Deutschen sindBEDIENTEN. 2ter Theil. cin Zeugniss. todos os países que os alemães adquiriram o hábito de considerar. E ainda hoje o sonho de todos os pangermanistas. havia penetrado inclusive na Alemanha. ainda que em termos muito mais parlamentares e polidos. é evidente. pois. igualmente um dos maiores e mais dignos patriotas da Alemanha. como sempre. podendo produzir a prosperidade material e a liberdade. elas deviam de início derrubar esse grande número de pequenos Estados. a menos que o movimento popular. na criação do grande Estado. por exemplo. pode-se deixálos correr sem perigo. a revolta. até este momento pelo menos. semelhante movimento. abraçando patrioticamente toda a Alemanha. Para derrubá-los por seu próprio movimento. em Berlim. mas os alemães são lacaios. assim como hoje o desejam os social-democratas da Alemanha. nesse país. (Andere Võlker mõgen SKLAVENsein. "Uberall in Deutschland — mit alleiniger Ausnahme Badens — hat die Revolution aus freien StUcken vor den wankenden Thronen HALT gemacht. que se esforçam evidentemente para conduzi-lo a essa via. então.social-democracia. e ainda hoje um dos chefes mais renomados e mais venerados do Partido da . Mas era absolutamente impossível que as populações alemãs caminhassem de maneira espontânea nessa via. ainda que desejando colocar um limite ao poder soberano de seus príncipes. tinha. man mag sie an die Kette legen. Johann JACOBY. Para isso. É evidente que. pelos espíritos mais patrióticos da Alemanha. man kann sie frei im Hause herum-laufen lassen)". que essa unificação e centralização nacional da Alemanha só podia ser realizada pelo Estado. e até mesmo mais. o movimento revolucionário com que a França. 18 . S. para a realização desse sonho. mas não a força política de uma nação. muito ousada: "Em toda a Alemanha — com exceção de Baden — a revolução estancou livremente diante dos tronos titube-antes. Isso porque. cada vez mais desejada. Essa virtude política está de tal forma enraizada no coração da imensa maioria dos alemães. inteiramente de acordo com o caráter nacional. um único meio. só havia uma única forma: a do grande Estado unitário. repetiu várias vezes a mesma coisa. uma ação da qual os povos alemães eram e ainda hoje se mostram. parte integrante da grande pátria alemã. e de uma piedade sem limites por seus príncipes. 23. como último objetivo a força. entre os quais a Alemanha se encontrava dividida. absolutamente incapazes. em 5 de junho de 1848. Johann Jacoby. 1872). inspirado mais por essa paixão pela grandeza política do que pelo amor à liberdade. e não por um movimento espontâneo das próprias populações alemãs. Eis.conquista. desde a segunda metade do século XVIII. ainda hoje. para não dizer profundamente antipática. dass das deutsch Volk der Gewaltmacht seiner Fursten Mass und Schranken zu setzen.

Ele o denomina uma necessidade deste povo. Em outro discurso pronunciado muito mais tarde (em 30 de janeiro de 1868. por sua bênção. mas sequer desejará a sua queda. desenvolvida nele por toda a sua história. a burguesia radical. dez anos mais tarde. Ehrerbietung dem Kõnige! Wenn irgend eine Zeit. por seu grande compatriota e predecessor. não traímos o princípio da igualdade dos direitos. a piedade pelo príncipe. ele próprio diz: "Falamos de movimentos populares."19 As primeiras palavras que acabo de citar foram pronunciadas pelo ilustre chefe do partido democrático da Alemanha. livre. como acabamos de vê-lo. 326. diante de uma assembleia de eleitores. impostos sem dúvida tanto pelas circunstâncias quanto pelos hábitos de um temperamento mais calmo e de um espírito mais contemplativo e menos irascível. (Ibid. esse dom da disciplina voluntária e da obediência refletida. não apenas ele será incapaz de derrubar. 19 . ou mesmo na Inglaterra. em 1858. fez crescer na consciência. pronunciado em Kõnigsberg. seus tiranos. não porque eram bons príncipes. Ao prestar à realeza essa homenagem que lhe é devida. a menos que ocorram eventos extraordinários e provavelmente exteriores. estabelecer condições e limites a seu poder absoluto. e. wir geniigen nur einer durchaus gerechten. permanecer súdito de seus príncipes. na Alemanha. principalmente nos três últimos séculos. fundada tanto sobre a necessidade de nosso povo quanto sobre o desenvolvimento de nossa pátria. ao mesmo tempo. testemunha ativa de tudo o que se passava em torno dele. rico de novas e bem cruéis experiências. tendo sido absolutamente senhor de seu destino durante esses poucos meses de ebulição nacional. hoje. resoluções e reivindicações populares. sem dúvida. enfim. e confessa que é uma necessidade do desenvolvimento da pátria alemã. quis. ao contrário. enquanto todos os tronos realmente titubeavam. o ano de 1848 nos ensinou até que profundezas o elemento monárquico lançou raízes no coração do povo. S. — após dez anos da mais terrível reação que grassou na Alemanha. e teria bastado uma simples manifestação de vontade da parte do povo alemão para fazê-los cair. que é apenas uma fração mínima do povo (sem dúvida. — o venerável patriota constata. Johann Jacoby confirmou completamente a terrível sentença pronunciada contra o povo alemão. em Berlim). eis as palavras que pronunciou em uma assembleia de eleitores. e. tais como uma revolução social que ecloda na França ou em qualquer outro país do sul da Europa. — todos sabem o quanto foram e permaneceram ridículos e horríveis —. na natureza do povo alemão. com todos os tipos de reticências e precauções. O protestantismo consagrou. S.E. Em resumo. Jacoby acrescenta que o povo alemão queria. Wir werden nicht untreu dem Princip der Gleichberechtigung. mas devemos. não quis ser. O Dr. todas essas disposições nacionais que fazem do povo alemão o povo mais livremente subjugado e o mais ameaçador. entretanto. que permanece de fato fora do povo) que toma parte em nossas lutas pela liberdade. o da escravidão voluntária. wenn wir dem Kônigthum die ihm gebtihrende Ehrfurcht zollen". Este povo nunca amou muito a liberdade."20 Em seu segundo discurso. e mais convicto do que nunca. isto é. Jacoby. no meio da revolução. o Dr. in dem Bedilrfnisse unseres Volkes wie in der Entwickelung dês Vaterlandes Begriindeten Forderung. republicano de espírito e de coração. so hat das Jahr 1848 gelehrt. o Dr. em absoluto. mas ao mesmo tempo observador consciencioso. Ludwig Búrne. As razões que o impedirão serão sempre o culto da autoridade. mais explicitamente do que nunca. em novembro de 1858. mas porque havia adquirido o hábito profundamente nacional de seu jugo. não sem dor. por ele mesmo. constatou. do despertar da consciência política do povo. 20 Ibid. wie tief das monarchische Element in dem Herzen dês Volkes Wurzel geschlagen. a profundeza das raízes que o sentimento monárquico. que o povo alemão. apenas damos satisfação a uma exigência perfeitamente justa. não se deve levar muito a sério essas palavras. confessar a nós mesmos. em Kõnigsberg: "Respeito ao rei! Como nenhuma outra época. Se o Dr. dez anos depois da revolução de 1848. mas só na Alemanha. e que teria sido capaz de cansar a paciência e a fé de qualquer outro povo que não fosse o da Alemanha. para a liberdade do mundo. isto é. 106). a fé no Estado e o respeito inveterado por todos os funcionários e ré presentantes do Estado. das manifestações.

em parte alemãs. tão necessária para a realização de seu poderio político. por suas lutas precedentes. senão uniforme nem completa-mente. compreende-se que a unidade da Alemanha. os iniciadores incontestáveis dessa partilha que hoje amaldiçoam com mais energia do que sinceridade os Kocial-democratas da Alemanha. inicialmente mar-graves. logo em seguida protetores e. para sua própria infelicidade. em parte (íslavas. mas da absorção violenta de todos os pequenos Estados da Alemanha em um Estado comparativamente mais poderoso. todo mundo sabe. não podia ser o resultado de um movimento liberal espontâneo da própria nação. de Arthur Lehning). reis da Prússia. co-partilhadores da Polónia. ao qual. e em especial polonesas. Era uma aglomeração de populações heterogéneas. Este novo Estado. pelo menos em grande parte germânico. de forma alguma ou muito pouco comprometido pela história. (N. A história do Estado brandeburgo-prussiano. nem a Baviera.Uma vez dados todos esses elementos. outra não foi senão a de seus príncipes. não houve propriamente nação prussiana. . foi a Prússia. até 1807. em 1701. Até a grande catástrofe de lena. tornados. tanto quanto por suas invejas mútuas. por sinal. não eram daí em diante capazes de prestar esse grande serviço à Alemanha. sem dúvida. e que só eram ligadas entre si. elas haviam permanecido muito fiéis. como por exemplo as do Brandeburgo com as da Prússia. mas apenas aquele da conquista. não da conquista estrangeira. pela pessoa do soberano. como tais. eleitores de Brandeburgo e vassalos da Polónia para a Prússia. e mortalmente atingidas pelo príncipe do ultramontanismo católico. serviço que exige a ação de um Estado completamente novo. Não cabe aqui demonstrar porque nem a Áustria.21 21 O manuscrito se interrompe aqui. esgotadas e paralisadas.