Há 13 anos com a personagem Allice Bombom, Alexandre Loyola anima as festas em Brasília

Por: Gustavo Lúcio
Foto: Internet

De Alexandre a Allice Bombom uma drag queen

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rag quens são homens que se vestem como mulheres e passam a representar uma personagem. Alexandre Loyola, 38 anos, encarna Allice Bombom, uma das drags mais famosas de Brasília. Com uma história de vida peculiar, o carioca de trinta e oito explica como deu vida à Allice e passou a vender bombons. Atualmente ele faz jazz, balé, teatro, participa de um programa da rádio Clube FM, corre 10 km por dia, têm aulas de inglês e ainda arruma tempo para vender os bombons em vários bares e shoppings que fizeram sua fama. Como é a vida do Alexandre? Alexandre: Quase sempre a mesma rotina: acordo cedo, caminho e corro 10 km diariamente, tenho aulas de jazz e balé, faço aulas de inglês e teatro. Atualmente participo do programa Perdidos na Noite, na rádio Clube FM. Minha vida é um grande corre-corre. Como sou autônomo, um dia parado é um dia perdido, por isso trabalho de domingo a domingo. Faço e vendo meus bombons todos os dias nos bares e shoppings da cidade.

Você nasceu no Rio de Janeiro, quando e porque veio para Brasília? Alexandre: Vim para Brasília no ano de 1989. Porque minha Irmã casada teve um problema pósparto, e ela precisava de ajuda... Companhia... E eu era o único disponível para ajudá-la. Como surgiu a venda bombons? Alexandre: Aconteceu por engano. Um dia, agendei mil bombons para uma festa. Daí eu preparei os bombons. Quando estavam todos prontos, confirmei a data e descobri que a festa seria no fim de semana seguinte. Daí fiquei doido! Fazer o que com aqueles mil bombons?! Tive a idéia de pôr alguns em saquinhos plásticos, me montei (fez a maquiagem e se vestiu de Alice) e me joguei no barulho (bar GLS que fica no Parque da Cidade). Acertei! Deu certo e continuo até hoje vendendo bombons no bar Barulho, no bar Beirute, em shoppings e até para festas. A maior parte da minha renda vem dos bombons que eu mesmo faço, chego a vender mais de dois mil bombons por semana. Com meus bombons

e meu personagem consigo ganhar cachês por apresentações, e assim consigo viver numa boa. O que veio primeiro Allice ou os bombons? Alexandre: eu já trabalho com bombom caseiro a mais 15 anos e eu já era a Alice Simpson, mas o público me chamava de bombom, daí resolvi trocar o sobrenome para Alice Bombom e logo depois adicionei mais um “L” e ficou Allice Bombom.

Alexandre: eles me adoram e quem não gosta de mim é porque não me conhece, e nunca teve a oportunidade de conversar comigo, pois sou bem tranqüila e totalmente da paz. Quem cuida do figurino? É você? Alexandre: Não, mais ou menos eu tenho as idéias. Tenho uma costureira, a dona Dadá, que me dá a maior força, e tenho um sapateiro, Ribamar, da Sapataria Estrela, em Taguatinga. Minhas perucas e maquiagens vêm de São Paulo.

Você é conhecido em Brasília, Goiânia, São Paulo e outros estados como a Drag Queen Allice Bombom, como foi que esta personagem nasceu? Como foi a aceitação da sua família (seu cunhado), das Foto: Internet Alexandre: Fui pessoas mais convidado para próximas? ir a uma festa no Taguatinga Alexandre: Esporte Clube e Tive um sério me disseram que problema com algumas drags meu cunhado. Ele estariam por lá. confundiu o meu Uns amigos me trabalho, a minha deram a idéia: personagem “Por que você com a minha não se monta vida pessoal. Ele também?” Achei alegou na justiça a idéia legal. Fiz que o convívio uma produção e com uma drag fui! Foi o máximo! queen não faria Depois desse bem a sua filha! dia não parei Mas hoje já estar mais. Há quase 13 anos, saio tudo resolvido. todos os finais Tenho duas irmãs de semana. Eu em Brasília(uma ia à todas as casada e outra festas da cidade solteira) e tenho de graça. Em mais três irmãos muitas delas que moram no eu até pagava para entrar. Não me importava, pois estava Rio. A minha irmã solteira já sabia do babado e me promovendo.Nunca achei que seria tão me aceita. Sou feliz por isso. Minha mãe conhece reconhecida. Quando me pagaram meu primeiro minha vida gay, conhece a Allice Bombom por cachê, achei tudo de bom, daí surgiu Alice fotos, ela gosta e respeita, ela sabe que eu não Simpson, que não durou muito. me prostituo. Todos me curtem e acho muito bom tudo isso, pois procuro passar para eles o lado Inspirou-se em alguma outra Drag? profissional de meu personagem. Alexandre: Sim, gostava e gosto muito da Dimmy E nas ruas? Keeer. (Dicesar Ferreira, drag queen de São Paulo). E seus fãs? Alexandre: sou muito corajoso em vender

bombons em bares, pois vejo todo tipo de gente. E dou o respeito para que eu também possa recebê-lo. Mas ainda tem muita gente cabecinha que não aceitam. Qual é a melhor parte de ser drag? Alexandre: Extravasar as energias eu acho. Gosto de ser drag, não conseguiria ser mulher 24 horas por dia. Ser drag é muito divertido. É difícil separar a Alice de Alexandre? Alexandre: Um pouco. A Allice é muito louca, faz o que quer e quando quer. Mas eu consigo controlar, a Allice só vem quando eu quero. Você também trabalha para rádios, já passou pela Jovem Pan e hoje você está na Clube FM. Como foi seu caminho para chegar nestas rádios? Alexandre: sempre recebi convites, pois os locutores me conheciam e achavam interessante me ter como personagem do programa deles. E eu gostava porque eles não criavam personagem para mim, pois eu já era um e sempre Allice bombom. Com todo respeito. Por qual motivo você não estar mais no estúdio da rádio? Alexandre: A galera da produção me achava super produzida para ficar escondida apenas para o pessoal da internet e me mandaram para as portas de festas aqui em Brasília. Qual a sua experiência no teatro? Alexandre: teatro é minha vida , e quando demoro me apresentar fico sem ar. É uma lição de vida maravilhosa, e descobri que sou talentosa e tenho meu brilho. Como vai o coração? Alexandre: Minha vida amorosa não existe. Ainda me acho muito exigente para ter alguém fixo, mas se algum dia alguém tocar meu coração, não terei como fugir. O meu tipo de homem é o básico: moreno alto, bonito e sensual, bem sucedido financeiramente... Só isso!!! Quais são os seus planos para o futuro? Alexandre: Quero muito viajar para Nova York.

Ser bem sucedido financeiramente para poder viver bem e comprar uma boa casa para minha mãe. Existem muitos outros sonhos, que se realizarão do fruto de meu trabalho.
Foto: Internet

Matéria produziada no primeiro semestre de 2008 para a disciplina de TREPC (Técnicas de Reportagem Entrevista e Pesquisa em Comunicação), professora responsável: Rafiza Varão

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