Venha a nós o vosso Reino! “A ORACÃO DO PROFESSOR” Introdução.

Como conjugar algo tão íntimo e pessoal com o trabalho profissional? Podemos falar de oração no desenvolvimento do trabalho diário? A oração mais conhecida por todos nós é a de petição. Pedimos muito e se alguém pede, é porque não encontra em si a força necessária para cumprir tudo sozinho, necessita de uma força extra. Então podemos entrar no segundo ponto desta introdução: o que significa ser professor? É um educador. Um formador das crianças, jovens e adolescentes. E não é uma missão transcendental? Posso sozinho? “De acordo com os progressos da psicologia, pedagogia e didática, há de dar-se assistência às crianças e aos jovens para desenvolverem harmoniosamente seus dotes físicos, morais e intelectuais, para adquirirem gradativamente um senso mais perfeito de responsabilidade, que há de ser retamente desenvolvida na própria existência num contínuo esforço e em verdadeira liberdade, no superarem obstáculos com generosidade e constância (...) Assim, perfeitamente equipados com os instrumentos necessários e oportunos, estejam habilitados a entrosar-se ativamente nos diversos grupos da comunidade humana, abrindo-se para a troca de idéias com outros e empenhando-se com gosto no esforço de elevar o bem comum”1. Uma missão que supera os próprios limites pessoais. É uma missão transcendental. Com o seu atuar consciente, a criança vai se constituindo em uma pessoa boa ou ruim. Em definitiva, estou colaborando na formação de uma pessoa humana e ainda mais de um cristão. Aqui a oração ocupa um grande sentido. Pedir ajuda, para que por meio da graça de Deus, eu possa ser um fiel instrumento para colaborar na formação desta alma que eu tenho encomendada ao meu trabalho profissional.

I.

Vocação à santidade. “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4, 3). É um compromisso que diz respeito não apenas a alguns, mas “os cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”2.

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CONCILIO VATICANO II, A educação cristã, Declaração Gravissimum Educationis. JOÃO PAULO II, Novo millennio Ineunte, Ed. Paulinas, São Paulo 2001.

“Significa exprimir a convicção de que, se o batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus por meio da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial”3. A santidade consta de fazer sempre e em todo momento a vontade de Deus. A oração é este diálogo íntimo com Deus, desde o fundo do próprio coração aonde a alma se alimenta. As orações que brotam daí são as mais bonitas, pois é aí aonde se misturam os sentimentos, as emoções, as tristezas, as alegrias, as misérias humanas, mas também o lugar aonde toca a graça de Deus. Amigos íntimos de Cristo. É perceptível a carência da oração, até de maneira externa: mal humor, rostos fechados, respostas cortantes, pouco equipe de trabalho, críticas... “As nossas comunidades, amados irmãos e irmãs, devem tornar-se autenticas escolas de oração, onde o encontro com Cristo não se exprima apenas em pedidos de ajuda, mas também em ação de graças, louvor, adoração, contemplação, escuta, afetos de alma, até se chegar a um coração verdadeiramente apaixonado (...) ao abrir o coração ao amor de Deus, aquela abre-o também ao amor dos irmãos”4. Converter o meu lugar de trabalho num lugar de oração. Pensar que a oração é só coisa para almas consagradas e contentar-se com uma oração superficial, incapaz de preencher sua vida, você se transformará em um “cristão em perigo”. II. Importância da escola católica. “Porque deram vida aos filhos, contraem os pais o dever gravíssimo de educar a prole. Por isso, hão de considerar-se como seus primeiros e principais educadores (...) A tarefa de ministrar a educação, embora seja primordialmente da competência da família, necessita dos auxílios de toda a sociedade”5. Responsável da formação dos alunos em primeiro lugar são os pais, depois vem toda a nossa colaboração. Não querer passar a eles toda a responsabilidade e esquecer da minha parte.

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Idem. Idem, pag. 51. 5 CONCILIO VATICANO II, A educação cristã, Declaração Gravissimum Educationis, n.3.

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O objetivo da Igreja, através das suas escolas, “não menos que as demais escolas, visa ela os fins culturais e a formação humana dos jovens. É porém característica sua criar uma atmosfera de comunidade escolar animada pelo espírito evangélico da liberdade e da caridade, auxiliar aos adolescentes a que no desdobramento da personalidade também cresçam segundo a nova criatura que se tornaram pelo batismo. Visa ainda orientar toda a cultura humana para a mensagem da salvação, a ponto de iluminar-se pela fé o conhecimento que os alunos gradativamente adquirem do mundo, da vida e do homem”6. O seu testemunho. “Lembrem-se porém os professores serem eles os primeiríssimos promotores do que a escola católica pode levar a concretizar de seus propósitos e iniciativas (...) Ligados por laços de caridade entre si e com os alunos imbuídos de espírito apostólico, tanto pela vida quanto pela doutrina, dêem testemunho do único Mestre que é Cristo (...) O Santo Sínodo declara que o ministério destes professores é autêntico apostolado”7. III. A oração do professor. 1. Santificado seja o vosso nome. Que nesta turma o seu nome seja santificado, tanto pelas palavras quanto pelas ações. Que todos estes alunos cresçam na santidade em sua vocação cristã. 2. Venha a nós o vosso Reino. Que triunfe o seu Espírito no coração de cada um. 3. Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. Este é o único caminho para chegar ao céu, à salvação eterna. Que conheçam sua vontade através dos seus estudos, das suas tarefas. 4. O Pão nosso de cada dia... Daí o sustento e todas as coisas matérias que necessitam. Que o seus pais estejam bem empregados. 5. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos tem ofendido... Perdoai as minhas ofensas, as minhas faltas de paciência... Ajudai-me a ser um fiel instrumento seu no meio destas crianças, destes jovens. 6. Não nos deixeis cair em tentação... Mundo totalmente hostil, difícil. Mal comportamentos: drogas, sexo, bebidas, más companhias... 7. Livrai-nos do mal.
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CONCILIO VATICANO II, A educação cristã, Declaração Gravissimum Educationis, n.8. Idem.

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