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IESP - Instituto de Educac¸ao˜ Superior da Para´ıba Programa de Pos-Graduac ´ ¸ao˜ Curso de Especializac¸ao˜

IESP -Instituto de Educac¸ao˜

Superior da Para´ıba

Programa de Pos-Graduac

´

¸ao˜

Curso de Especializac¸ao˜

em Engenharia de Seguranc¸a do

Trabalho

Prote¸c˜ao e Controle de Riscos em M´aquinas Equipamentos e Instala¸c˜oes I - Mecˆanica

Jonas Alves de Paiva

31/08/2012

Sum´ario

  • 1 Conhecendo a M´aquina

 

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  • 1.1 Conceitua¸c˜ao

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  • 1.2 Elementos Componentes das M´aquinas .

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  • 1.3 Tipos de m´aquinas

 

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  • 2 Como fazer Prote¸c˜ao de M´aquinas

 

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  • 2.1 Identifica¸c˜ao dos Riscos

 

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  • 2.2 Medidas Preventivas e Corretivas

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  • 2.2.1 Instala¸c˜oes e Areas ´ de Trabalho .

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  • 2.2.2 Elementos de Transmiss˜ao de For¸ca

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  • 2.2.3 Ponto de Opera¸c˜ao .

 

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  • 2.3 Dispositivos de Prote¸c˜ao de M´aquinas

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  • 2.3.1 Dispositivos de acionamento, partida e parada de m´aquinas

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  • 2.3.2 Prote¸c˜ao por barreiras

 

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  • 2.3.3 Prote¸c˜ao por guarda interligada .

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  • 2.3.4 Dispositivo de duplo comando .

 

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  • 2.4 Metodologia para o Desenvolvimento de Dispositivos de Prote¸c˜ao .

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  • 2.4.1 Relato de Acidentes

 

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  • 2.4.2 Localiza¸c˜ao das Fontes de Riscos

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  • 2.4.3 An´alise da Opera¸c˜ao

 

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  • 2.4.4 Desenvolvimento do Dispositivo de Prote¸c˜ao

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  • 2.5 Planejamento da Manuten¸c˜ao Industrial

 

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  • 2.5.1 Manuten¸c˜ao Planejada .

 

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  • 2.5.2 Manuten¸c˜ao Corretiva

 

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  • 3 Linhas de Defesa da Sa´ude do trabalhador

 

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  • 3.1 Primeira Linha de Defesa

 

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  • 3.2 Segunda Linha de Defesa - EPC

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  • 3.3 Terceira Linha de Defesa - EPI

 

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  • 4 Caldeiras

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  • 4.1 Os Tipos de Caldeiras

 

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2

  • 4.2 O Risco de Explos˜oes .

 

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  • 4.3 O Superaquecimento Como Causa de Explos˜oes .

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  • 4.4 Choques T´ermicos

 

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  • 4.5 Defeitos de Mandrilagem

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  • 4.6 Corros˜ao .

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  • 4.7 Explos˜oes Causadas por Eleva¸c˜ao da Press˜ao

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  • 4.8 Explos˜oes no Lado dos Gases

 

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  • 5 Vasos de Press˜ao

 

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  • 5.1 Tipos de Vasos de Press˜ao .

 

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  • 5.2 Ruptura Completa

 

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  • 5.3 Ensaios N˜ao-Destrutivos

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  • 6 Anexos

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  • 6.1 Question´ario de An´alise de riscos em m´aquinas

 

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  • 6.2 Exemplo de Relat´orio de Inspec˜ao de Caldeiras

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  • 6.3 M´etodos de Seguran¸ca com Prote¸c˜ao ou Barreira

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  • 6.4 M´etodos de Seguran¸ca com dispositivos

 

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  • 6.5 M´etodos de Alimenta¸c˜ao e Extra¸c˜ao

 

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  • 7 Bibliografia

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Apresenta¸c˜ao

As m´aquinas consistem, sem d´uvida, numa das grandes inven¸c˜oes do homem, pois foram

e continuam sendo fundamentais para o progresso tecnol´ogico da humanidade. Foi com o uso

das m´aquinas que conseguimos tornar o trabalho humano mais produtivo e menos penoso,

fabricar e oferecer por pre¸cos mais baixos os produtos necess´arios ao nosso conforto, proporcionar

transporte veloz para todos os cantos do planeta e realizar mudan¸cas no ambiente em que estamos

inseridos atrav´es da constru¸c˜ao de estradas, barragens, edif´ıcios, etc. Estas foram a¸c˜oes decisivas

para o acontecimento da Revolu¸c˜ao industrial libertando o homem inicialmente do trabalho f´ısico

e agora em boa parte do trabalho mental.

Todavia, as m´aquinas, nem sempre, tˆem concep¸c˜ao segura e ergonˆomica, o que repercute

de forma danosa na sa´ude f´ısica das pessoas que as operam. A hist´oria do desenvolvimento

industrial est´a cheia de verdadeiros m´artires que perderam partes de seus corpos e at´e mesmo

suas vidas, tragadas por m´aquinas imperfeitas e projetadas em dimens˜oes que extrapolavam as

medidas antropom´etricas de seus usu´arios. A hist´oria se mostra mais perversa quando lembramos

que no inicio da revolu¸c˜ao Industrial muita dessas m´aquinas eram operadas por crian¸cas.

Embora as m´aquinas atuais tenham concep¸c˜ao mais inteligente, tanto do ponto de vista

de realiza¸c˜ao do trabalho como na interface com o ser humano, ainda apresentam erros de

concep¸c˜ao que prejudicam a sa´ude dos seus usu´arios. Outra situa¸c˜ao verificada ´e que m´aquinas

obsoletas continuam em uso, tanto em f´abricas antigas como nas micro e pequenas empresas,

o que significa uma expressiva popula¸c˜ao de trabalhadores que continuam expostos a riscos de

acidentes por contato com as partes perigosas existentes devido aos erros de concep¸c˜ao dessas

m´aquinas em rela¸c˜ao ao aspecto seguran¸ca.

Alerta-se para o fato de que, novas m´aquinas que aparentemente parecem inofensivas, podem

ao longo do tempo se apresentar como uma fonte de risco, atrav´es das estat´ısticas de problemas

de sa´ude que surgem relacionados ao seu uso. Como exemplo pode-se citar o computador que

atualmente gera diversos problemas posturais de agress˜ao `a vis˜ao e at´e psicol´ogicos.

As situa¸c˜oes relatadas acima, significam trabalho para o Engenheiro de Seguran¸ca, que ter´a

mais uma vez que se antecipar ao perigo e desarmar as armadilhas que possam incapacitar

e/ou at´e matar os trabalhadores com graves conseq¨uˆencias para toda a empresa, sociedade e

conseq¨uentemente para a humanidade.

Outro ponto importante que deve ser ressaltado ´e que as m´aquinas tamb´em precisam de

prote¸c˜ao. As m´aquinas est˜ao cada vez mais sens´ıveis e mais caras, portanto, desenvolver pro-

cedimentos de funcionamento e uso, assim como prote¸c˜oes para estes ativos empresariais ´e

fundamental para a produtividade da empresa.

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CONHECENDO A M AQUINA ´

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  • 1 Conhecendo a M´aquina

1.1

Conceitua¸c˜ao

  • a) O que ´e M´aquina?

M´aquina ´e um aparelho que transforma energia. Portanto, pode-se verificar que qualquer

aparelho que receba uma fonte de energia e a transforme ao longo de sua opera¸c˜ao pode ser

considerado uma m´aquina. Ex. Existem m´aquinas que transformam a energia t´ermica em

energia mecˆanica, como ´e o caso das caldeiras que s˜ao utilizadas para gerar o vapor que ir´a

acionar mecanismos que realizar˜ao trabalho. Outras transformam energia el´etrica em energia

mecˆanica, como os motores el´etricos onde a energia el´etrica ´e usada para fazer girar um eixo.

  • b) O que ´e Mecanismo?

S˜ao elementos componentes de uma m´aquina cujo objetivo ´e transformar movimentos. Um

exemplo cl´assico ´e o mecanismo biela-manivela, cujo objetivo ´e transformar o movimento rotativo

cont´ınuo em movimento retil´ıneo alternado e vice-versa, como no caso do virabrequim dentro

do motor de combust˜ao interna mostrado na figura abaixo, ou mesmo o mecanismo de tra¸c˜ao

usado nas locomotivas antigas chamadas carinhosamente de ”Maria Fuma¸ca”.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 5 1 Conhecendo a M´aquina 1.1 Conceitua¸c˜ao a) O que

Figura 1: Sistema biela-manivela

  • c) O que ´e Ferramenta?

Segundo o AURELIO ferramenta ´e um utens´ılio de ferro de um trabalhador ou, qualquer

utens´ılio empregado nas artes e of´ıcios. Na verdade a ferramenta tem por finalidade ampliar

a capacidade de trabalho de determinada parte do corpo humano. N´os podemos apertar um

parafuso com os dedos, todavia se quisermos aumentar a intensidade dessa a¸c˜ao teremos que

recorrer a uma ferramenta especifica.

Verifica-se que a ferramenta pode modificar o tipo de trabalho que ´e executado pela m´aquina.

Ao se trocar a ferramenta o tipo de servi¸co executado ou o produto que ser´a produzido ser´a

alterado.

  • d) O que ´e Equipamento?

Equipamento ´e o conjunto de tudo aquilo que serve para equipar, prover, abastecer, algo em

determinada atividade, por exemplo: equipamento de ca¸ca, equipamento de mergulho, equipa-

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CONHECENDO A M AQUINA ´

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mento de combate a incˆendio. Aqui trataremos de equipamento como algo que agregado a uma

determinada m´aquina ir´a aperfei¸coar o trabalho efetuado.

Pode-se ver que a classifica¸c˜ao depende do ponto de vista, como exemplo cita-se o caso do

motor el´etrico que, por transformar energia ´e classificado como m´aquina, mas quando olha-

mos para uma m´aquina maior, que use motores el´etricos para efetuar o trabalho, estes ser˜ao

considerados equipamentos.

  • 1.2 Elementos Componentes das M´aquinas

O Engenheiro de Seguran¸ca (ES) observa a m´aquina em fun¸c˜ao dos perigos que ela pode

apresentar tanto para os seus operadores como para terceiros que apoiam o trabalho do operador,

ou mesmo, para aqueles que possam estar transitando pr´oximo `a m´aquina no momento de um

infort´unio qualquer.

Portanto, para a an´alise de uma m´aquina em rela¸c˜ao `a Engenharia de Seguran¸ca, torna-se

necess´ario separ´a-la de acordo com suas partes componentes em:

Estrutura;

fonte de energia;

elementos de transmiss˜ao de for¸ca;

ponto de opera¸c˜ao e

comandos e controles.

Teremos oportunidade de verificar, no decorrer do nosso curso, que cada um desses com-

ponentes apresentam perigos espec´ıficos, que exigem solu¸c˜oes tamb´em especificas apresentando

inclusive graus de dificuldades variadas para a solu¸c˜ao de cada um deles e qualquer altera¸c˜ao em

alguma parte de uma m´aquina ir´a gerar altera¸c˜ao no projeto geral, para tanto, alguns pontos

devem ser observados quando houver a necessidade de altera¸c˜ao na estrutura das m´aquinas. Na

figura abaixo apresentamos um exemplo de m´aquina.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 6 mento de combate a incˆendio. Aqui trataremos de equipamento

Figura 2: A m´aquina e seus componentes

a)Estrutura

E ´ a parte da m´aquina que se destina a suportar cargas, ´e a arma¸c˜ao, o esqueleto, o chassi.

E ´ nela onde est˜ao fixados todos os demais componentes.

Para o ES interessa saber se essa

estrutura ser´a capaz de suportar a fixa¸c˜ao de outro componente como o dispositivo de prote¸c˜ao,

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CONHECENDO A M AQUINA ´

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sem que a mesma fique amea¸cada de alguma forma de rompimento.

Ao se observar uma m´aquina, aquela parte que n˜ao desempenho outra fun¸c˜ao al´em de su-

portar partes da m´aquina ´e considerada a estrutura.

Na Figura abaixo vemos um exemplo de uma estrutura projetada para suportar tanto a

carga dos componentes da m´aquina como tamb´em aquela que ser´a transportada.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 7 sem que a mesma fique amea¸cada de alguma forma

Figura 3: Estrutura da ponte rolante

  • b) A Fonte de Energia

A fonte de energia representa o tipo de energia necess´aria para que a m´aquina efetue seu

trabalho. Todavia essa fonte de energia pode ser, pneum´atica, hidr´aulica ou mesmo explosiva,

como ´e o caso das m´aquinas port´ateis em forma de pistola usadas para fixar pinos em estruturas

de concreto e a¸co e ainda os motores de combust˜ao interna. Normalmente em m´aquina industriais

a fonte ´e um motor el´etrico.

Em algumas situa¸c˜oes uma m´aquina ter´a mais de uma fonte de energia, o conhecimento

destas fontes ´e fundamental, pois tˆem alto risco atrelado j´a que elas ´e que alimentam a m´aquina.

E ´ comum nestes casos ouvirmos falar de fonte de energia principal.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 7 sem que a mesma fique amea¸cada de alguma forma

Figura 4: Tomadas el´etricas

  • c) Elementos de Transmiss˜ao de For¸ca

S˜ao os componentes que transmitem a for¸ca oriunda da fonte de energia at´e o ponto de

opera¸c˜ao da m´aquina. As polias, correias, engrenagens, eixos e correntes s˜ao elementos de

transmiss˜ao de for¸ca. Em uma bicicleta, a coroa, a corrente e a catraca s˜ao exemplos de elementos

de transmiss˜ao de for¸ca. Mostramos na figura abaixo, um exemplo desses elementos.

  • d) Ponto de Opera¸c˜ao

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CONHECENDO A M AQUINA ´

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1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 8 Figura 5: Elementos de transmiss˜ao de for¸ca E ´

Figura 5: Elementos de transmiss˜ao de for¸ca

E ´ o local onde a m´aquina de fato realiza o trabalho, ou seja ´e onde o material ´e transformado

em produto. As caracter´ısticas do ponto de opera¸c˜ao variam em fun¸c˜ao do tipo de trabalho

realizado pela m´aquina. No caso de uma prensa, por exemplo, ´e onde ocorre o corte, a perfura¸c˜ao

ou a conforma¸c˜ao de uma chapa met´alica ou parte dela. No caso de uma m´aquina de costura ´e

onde a agulha penetra no tecido. Num liquidificador ´e onde ocorre a tritura¸c˜ao do alimento e

assim por diante.

E ´ um ponto onde h´a uma forte concentra¸c˜ao de energia e normalmente um ponto de muito

perigo de acidente.

Dependendo da natureza do trabalho realizado pela m´aquina e do tipo de mat´eria-prima

que est´a sendo trabalhada, o ponto de opera¸c˜ao pode gerar riscos para as demais ´areas al´em de

onde est´a localizada a m´aquina. O lan¸camento de cavacos, material particulado em suspens˜ao,

ru´ıdos, fluidos e radia¸c˜ao s˜ao alguns dos agentes oriundos do ponto de opera¸c˜ao da m´aquina que

podem ter um raio de a¸c˜ao consider´avel.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 8 Figura 5: Elementos de transmiss˜ao de for¸ca E ´

Figura 6: Exemplo de ponto de opera¸c˜ao

e) Comando

Esse componente ´e um dos elementos da interface do Sistema Homem-M´aquina, pois, ´e

atrav´es dele que o homem ”conversa”com a m´aquina quando d´a o comando, ou a ordem, para

a mesma funcionar.

O comando pode funcionar atrav´es de bot˜ao, pedal, alavanca ou volante. O autom´ovel ´e um

tipo de m´aquina que tem todos esses comandos, como por exemplo, quando queremos acender

os far´ois usamos o bot˜ao, quando queremos fazˆe-lo andar ou parar usamos os pedais, quando

precisamos trocar de marcha usamos uma alavanca e, para mudar de dire¸c˜ao usamos o volante.

As m´aquinas operatrizes necessitam de um n´umero consider´avel de comandos dependendo da

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CONHECENDO A M AQUINA ´

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tecnologia utilizada para serem operadas. Na Figura abaixo apresenta-se um tipo de comando

denominado botoeira.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 9 tecnologia utilizada para serem operadas. Na Figura abaixo apresenta-se

Figura 7: Comando por bot˜ao

f) Controles

Os controles tamb´em s˜ao elementos componentes da interface do Sistema Homem-M´aquina e,

´e atrav´es deles que a m´aquina responde ao homem, dando informa¸c˜ao sobre o seu funcionamento.

Existem controles bastante simples, como ´e o caso da luz testemunha que temos nos nossos carros

para indicar que o freio de m˜ao est´a ligado. Temos tamb´em os controles redundantes, onde um

bom exemplo ´e o indicador de mudan¸ca de dire¸c˜ao dos autom´oveis que al´em de piscar uma

lˆampada emite tamb´em um som intermitente e sincronizado.

Os controles podem ser sonoros, visuais, t´ateis, olfativos, etc. Esta op¸c˜ao depende do tipo de

informa¸c˜ao que precisam ser passadas ao operador da m´aquina. Outros exemplos de controles

s˜ao os manˆometros e os termˆometros. Na Figura abaixo apresenta-se um exemplo de controles

existentes no painel de um autom´ovel.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 9 tecnologia utilizada para serem operadas. Na Figura abaixo apresenta-se

Figura 8: Controles fornecem informa¸c˜oes variadas

  • 1.3 Tipos de m´aquinas

O campo de trabalho do Engenheiro de Seguran¸ca (ES) ´e complexo devido `a diversidade de

situa¸c˜oes que o mesmo se defronta no seu dia a dia. Tratando-se de m´aquinas, por exemplo,

temos uma diversidade t˜ao grande que, numa primeira an´alise, parece imposs´ıvel um ES ser

capaz de resolver todos os problemas que possam surgir. Pois, existem m´aquinas utilizadas na

agricultura, na minera¸c˜ao, na atividade portu´aria e a´erea, na ind´ustria e no setor de presta¸c˜ao

de servi¸co com peculiaridades bastante espec´ıficas, tanto do ponto de vista da opera¸c˜ao como

de possibilidade de ocorrˆencia de acidentes.

Pode-se iniciar uma primeira classifica¸c˜ao desssas m´aquinas pelo tipo de trabalho que reali-

zam, sendo divididas em:

M´aquinas de guindar;

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CONHECENDO A M AQUINA ´

10

de transportar;

operatrizes ou m´aquinas-ferramentas;

bombas e motores;

m´aquina de conforma¸c˜ao;

m´aquina de solda;

fornos e vasos de press˜ao;

  • a) M´aquina de Guindar

Estas m´aquinas tˆem por miss˜ao a movimenta¸c˜ao de cargas por pequenas distˆancias, em geral

combinadas entre deslocamento horizontal e eleva¸c˜ao. Algumas possuem cabos de a¸co como

elemento para i¸car a carga e outras usam bra¸cos mecˆanicos hidr´aulicos. As que usam bra¸cos

mecˆanicos hidr´aulicos possuem sistema de seguran¸ca para press˜ao hidr´aulica caso a bomba venha

a falhar. E, as que usam cabos de a¸co necessitam maior aten¸c˜ao do Engenheiro de Seguran¸ca,

j´a que a quebra do cabo traz grandes perdas que podem ser materiais, humanas ou combinadas.

O cabo de a¸co ´e um elemento mecˆanico constitu´ıdo por fios de a¸co enrolados (ver NRB 6327)

em helic´oide formando um fio mais espesso denominado ”perna”, que tamb´em em forma de

helic´oide, ´e enrolado sob um fio central chamado ”alma”que juntos em helic´oide formam o cabo.

Esta helic´oide deixa o cabo mais compacto com uma pr´e-tens˜ao que segura os fios para que

eles n˜ao desprendam do conjunto. Este elemento ´e usado em guindastes, gruas, talhas, pontes

rolantes, elevadores, p´orticos e semip´orticos.

No projeto de sistemas que usam cabos de a¸co, deve-se considerar o fator de seguran¸ca para

rompimento do cabo. Este fator depende das especifica¸c˜oes e uso.

Em algumas aplica¸c˜oes o coeficiente de seguran¸ca ´e a ordem de 500%, 850% chegando at´e

1300% como no caso do elevador dos passageiros.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 10 • de transportar; • operatrizes ou m´aquinas-ferramentas; • bombas

Figura 9: M´aquina de Guindar

  • b) M´aquinas de Transportar

O transporte de materiais faz parte de todos os processos, podendo ser realizado das formas

mais variadas, dependendo do que vai ser transportado, no que diz respeito `a sua periculosidade,

estabelecida em fun¸c˜ao das caracter´ısticas qu´ımicas, biol´ogicas, peso, forma e da distˆancia a ser

transportada.

Os materiais podem ser transportados manualmente, em carrinhos, esteiras transportado-

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CONHECENDO A M AQUINA ´

11

ras, transportadores a´ereos, empilhadeiras, pontes rolantes, p´orticos, vagonetes, empilhadeiras,

caminh˜oes, navios e avi˜oes. Pode parecer estranho falar em avi˜oes, todavia, ´e absolutamente

plaus´ıvel se considerarmos a pr´atica das empresas multinacionais que fabricam os chamados

produtos mundiais onde os componentes s˜ao fabricados em diferentes partes do mundo para

serem montados num determinado pa´ıs. Todavia vamos tratar alguns exemplos de m´aquinas de

transporte encontradas nos processos industriais, restritas a um estabelecimento ou um processo.

As correias transportadoras s˜ao um tipo de m´aquina de transporte muito comum sendo

utilizadas em processos onde grande quantidade de materiais precisa ser deslocada em curtas

distˆancias porem de modo continuo. Como exemplo podemos citar o transporte de min´erio das

jazidas at´e o processamento, como ´e o caso das f´abricas de cimento.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 11 ras, transportadores a´ereos, empilhadeiras, pontes rolantes, p´orticos, vagonetes, empilhadeiras,

Figura 10: Correia transportadora

Os elevadores s˜ao usados para o transporte vertical tanto de cargas como de pessoas, sendo

bastante usado no setor de constru¸c˜ao civil, tendo o seu uso bem regulamentado pela NR 18.

As empilhadeiras s˜ao m´aquinas desenvolvidas para transportar carga no plano horizontal e

elev´a-la para a realiza¸c˜ao do armazenamento vertical. Dependendo do tipo de trabalho realizado

pelas empilhadeiras elas podem ser simples, pantogr´aficas de dois ou mais est´agios ou especiais

como as que empilham tambores, containeres, etc.

Podem ser manuais ou motorizados movidos a bateria ou a motor de combust˜ao interna.

A escolha da fonte de energia ´e fun¸c˜ao do ambiente onde a mesma ir´a operar. Por exemplo,

se a empilhadeira vai operar em ambiente confinado deve ser movida a bateria para evitar

contamina¸c˜ao do ar.

O operador deve ser bem treinado para evitar atropelamentos, batidas e viradas da empi-

lhadeira e o ambiente onde a mesma vai ser utilizada deve estar bem sinalizado e com as ´areas

de circula¸c˜ao bem definidas. Na figura abaixo est˜ao mostrados alguns tipos de empilhadeiras.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 11 ras, transportadores a´ereos, empilhadeiras, pontes rolantes, p´orticos, vagonetes, empilhadeiras,

Figura 11: Empilhadeiras

c) M´aquinas Operatrizes ou m´aquinas-ferramenta

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CONHECENDO A M AQUINA ´

12

As m´aquinas operatrizes ou m´aquinas-ferramenta normalmente s˜ao usadas tanto

na produ¸c˜ao como na manuten¸c˜ao podendo ser estacionarias ou port´ateis e ainda el´etricas,

pneum´aticas ou hidr´aulicas. Fazem parte deste grupo de m´aquinas as furadeiras, tornos mecˆanicos,

fresadoras, esmeris, plainas limadoras, serras mecˆanicas e outras.

Algumas destas m´aquinas tˆem fun¸c˜ao j´a definida, podendo fazer apenas uma gama de pro-

dutos especificados, enquanto as m´aquinas-ferramentas s˜ao bastante usadas nas oficinas, pois a

gama de servi¸cos e produtos a serem realizados s˜ao infinitos.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 12 As m´aquinas operatrizes ou m´aquinas-ferramenta normalmente s˜ao usadas tanto

Figura 12: Exemplo de uma m´aquina operatriz

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 12 As m´aquinas operatrizes ou m´aquinas-ferramenta normalmente s˜ao usadas tanto

Figura 13: Exemplo de uma m´aquina-ferramenta

d) Bombas e motores

As bombas e motores s˜ao largamente utilizadas nos processos industriais e acoplados em

outras m´aquinas, tendo a fun¸c˜ao de fornecer energia mecˆanica a materiais que dever ser trans-

formados ou tranportados.

As bombas trabalham criando uma regi˜ao de press˜ao negativa fazendo com que o material a

ser trasportado se desloque para a cˆamara de bombeamento recebendo posteriormente energia

na forma de velocidade e press˜ao para que seja promovido o deslocamento. O tipo de bomba a

ser utilizado depende do tipo de material a ser transportado, da distˆancia a ser percorrida e dos

acess´orios utilizados no circuito.

O grande risco relacionado com o uso de bombas est´a no sistema de veda¸c˜ao utilizado. A

ind´ustria qu´ımica por exemplo, que tem seu processo de produ¸c˜ao de caracter´ıstica cont´ınua

todo automatizado, normalmente sem contato humano, processa substˆancias t´oxicas e portanto

os sistemas de bombeamento n˜ao podem deixar escapar fluidos para o ambiente.

O motor el´etrico ´e utilizado para transformar energia el´etrica em mecˆanica, fornecendo `as

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CONHECENDO A M AQUINA ´

13

demais m´aquinas a for¸ca mecˆancia necess´aria para o trabalho.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 13 demais m´aquinas a for¸ca mecˆancia necess´aria para o trabalho.

Figura 14: Exemplo de uma conjunto moto-bomba

Um exemplo de uso de motor e bomba que pode ser facilmente verificado em nosso meio s˜ao

os compressores de ar. Nessa caso o fluido captado pela bomba ´e o ar atmosf´erico, deixando-

o sob press˜ao para que esta press˜ao possa realizar trabalho posteriormente. O problema dos

compressores ´e que estes devem seguir a norma que trata de vasos de press˜ao, o que normalmente

n˜ao se verifica.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 13 demais m´aquinas a for¸ca mecˆancia necess´aria para o trabalho.

Figura 15: Exemplo de um compressor

  • e) M´aquina de Conforma¸c˜ao

As m´aquinas de conforma¸c˜ao s˜ao utilizadas para dar forma a certos materiais tais como

os metais. S˜ao exemplos de m´aquina de conforma¸c˜ao as prensas e as calandras.

S˜ao m´aquina de alto risco de opera¸c˜ao, pois normalmente o oper´ario trabalha interfaceando

com a m´aquina para ajustar o material a ser calandrado.

1 CONHECENDO A M AQUINA ´ 13 demais m´aquinas a for¸ca mecˆancia necess´aria para o trabalho.
  • f) M´aquinas de Solda

Figura 16: Calandra

S˜ao m´aquinas que fazem a jun¸c˜ao de materiais met´alicos atrav´es da fus˜ao das pe¸cas. S˜ao

exemplos de m´aquinas de solda: TIG, MIG, MAG, resistˆencia e acetileno.

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

14

Uma opera¸c˜ao de soldagem requer grande quantidade de energia para fundir o material a

ser soldado. O processo de soldagem libera radia¸c˜ao n˜ao-ionizante (ultravioleta), calor, fumos

met´alicos, gases, respingos de metal fundido e part´ıculas volantes decorrentes da quebra da

crosta que se forma sobre o ponto onde foi realizada a solda.

Estas m´aquinas podem ser port´ateis ou fixas requerendo grande habilidade em seu manuseio

e uso.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 14 Uma opera¸c˜ao de soldagem requer

Figura 17: M´aquina de solda

  • g) Caldeiras e Vasos de Press˜ao

Caldeiras a vapor s˜ao equipamentos destinados a produzir e acumular vapor sob press˜ao

superior `a atmosf´erica, utilizando qualquer fonte de energia, excetuando-se os refervedores e

equipamentos similares utilizados em unidades de processo.

Os Vasos de press˜ao s˜ao equipamentos que contˆem fluidos sob press˜ao interna ou externa.

Os tanques para deposito de g´as ou mesmo de ar comprimido s˜ao exemplos de vasos de press˜ao.

  • h) Fornos

Os Fornos s˜ao equipamentos que utilizam a energia el´etrica ou dos combust´ıveis para aquecer

um determinado espa¸co onde ser˜ao introduzidos elementos que passar˜ao por um processo de

mudan¸ca de estado. S˜ao constru´ıdos por chapas de a¸co revestidas por um material refrat´ario

que impede a perda de calor para o ambiente. S˜ao exemplos: os altos fornos de siderurgia, forno

de fundi¸c˜ao do alum´ınio, de fabrica¸c˜ao de p˜ao e de cozimento de tijolos.

  • 2 Como fazer Prote¸c˜ao de M´aquinas

Uma boa parte dos acidentes do trabalho ocorre com operadores de m´aquinas no desempenho

de suas fun¸c˜oes e normalmente como a quantidade de energia empregada ´e significativa, estes

acidentes s˜ao bastante agressivos. Ent˜ao, Vˆe-se a importˆancia de colocar as m´aquinas como um

dos principais alvos no programa de preven¸c˜ao de acidentes do trabalho. Apesar da evolu¸c˜ao

ocorrida no desenvolvimento das m´aquinas industriais, muitas delas ainda apresentam erros de

concep¸c˜ao que as tornam perigosas, justificando assim a necessidade do ES aprender as t´ecnicas

de corre¸c˜ao desses erros de modo a atingir padr˜oes de seguran¸ca satisfat´orios.

Apresenta-se a seguir a metodologia a ser seguida para o desenvolvimento de dispositivos de

prote¸c˜ao para m´aquinas.

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

15

  • 2.1 Identifica¸c˜ao dos Riscos

A primeira etapa, que consiste na identifica¸c˜ao dos riscos existentes nas m´aquinas, deve

ser feito atrav´es de uma Inspe¸c˜ao Parcial, constituindo assim no ponto de partida para o

ES quando este tiver que desenvolver medidas preventivas em m´aquinas industriais, qualquer

que seja o tipo da mesma.

E ´ nessa etapa que o ES ir´a observar os elementos listados acima,

quais sejam: estrutura, fonte de energia, elementos de transmiss˜ao de for¸ca, ponto de opera¸c˜ao,

comando e controles, para ver se existe risco para o trabalhador em algum desses elementos

componentes da m´aquina.

A observa¸c˜ao da estrutura ´e feita visando localizar poss´ıveis fraturas mecˆanicas, falta de

parafusos ou rebites, empenos, corros˜ao ou qualquer tipo de falha mecˆanica que possa com-

prometer os elementos da estrutura. A fratura mecˆanica ´e um tipo de defeito perigoso em

m´aquinas como guindaste, grua e vaso de press˜ao pois, pode resultar em grandes cat´astrofes

dependendo do porte de cada uma dessas m´aquinas citadas. A corros˜ao ´e perigosa, particu-

larmente, nas m´aquinas de guindar onde uma sobrecarga pode levar ao colapso da estrutura

resultando tamb´em em acidentes de conseq¨uˆencias imprevis´ıveis.

J´a na fonte de energia a inspe¸c˜ao deve ser feita com o objetivo de verificar se as instala¸c˜oes

est˜ao corretas e se as emendas dos condutores est˜ao devidamente isoladas. As vezes o condutor

esta exposto, de modo que pode ser atingido por um material cortante como uma chapa ou

um perfil met´alico e assim provocar um choque el´etrico, o que sempre resulta em acidentes de

elevada gravidade.

E ´ importante observar se existe aterramento e se o mesmo est´a corretamente

instalado.

Os elementos de transmiss˜ao de for¸ca s˜ao pontos perigosos no que diz respeito a risco

de acidente pois, geralmente, est˜ao expostos, principalmente nas m´aquinas antigas, embora

encontremos tamb´em m´aquinas modernas que apresentam o mesmo tipo de erro de concep¸c˜ao.

Os tipos de perigo gerados pelos elementos de transmiss˜ao de for¸ca s˜ao os chamados cantos

entrantes, conforme este mostrado na abaixo, que pode causar acidente por esmagamento de

partes do corpo, principalmente dos dedos e das m˜aos.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 15 2.1 Identifica¸c˜ao dos Riscos A

Figura 18: Exemplos de cantos entrantes

O ponto

de

opera¸c˜ao ´e,

sem duvida,

o local mais critico

no que

diz

respeito a risco

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

16

de acidente. Pois, ´e nesse ponto onde ocorre a grande descarga de energia para a realiza¸c˜ao

do trabalho da m´aquina, ou seja, ´e onde ocorre o corte, o dobramento, o puncionamento, a

rebitagem, a descarga el´etrica para a realiza¸c˜ao da solda, a libera¸c˜ao de poeira, etc.

Desenvolver dispositivos de prote¸c˜ao no ponto de opera¸c˜ao representa o maior desafio para

o ES pois o dispositivo ter´a que proteger eficazmente o trabalhador sem, contudo, afetar a

produtividade do trabalhador nem tampouco criar dificuldades para o pessoal da manuten¸c˜ao .

As a¸c˜oes das m´aquinas nos pontos de opera¸c˜ao s˜ao diversos, podendo ser a¸c˜ao de corte, punci-

onamento, esmagamento, aquecimento, cisalhamento, etc. O dispositivo deve estar diretamente

atrelado ao tipo de a¸c˜ao desempenhada pela m´aquina.

Na figura abaixo mostramos v´arios exemplos de pontos de observa¸c˜ao.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 16 de acidente. Pois, ´e nesse

Figura 19: Exemplos de pontos de opera¸c˜ao

O comando precisa ser observado, considerando que o maior perigo ´e do de acionamento aci-

dental, tanto pelo operador, como tamb´em por terceiros, que `as vezes se aproximam da m´aquina

por necessidade do trabalho ou mesmo para conversar, podendo, nessas circunstˆancias, acionar

inadvertidamente o comando, no momento em que o operador est´a alimentando a m´aquina e,

portanto, com as m˜aos no ponto de opera¸c˜ao. Acidentes desse tipo ocorrem, principalmente,

em m´aquinas acionadas por alavancas e pedais e continuar˜ao a ocorrer a menos que medidas

preventivas sejam tomadas, como a substitui¸c˜ao do tipo de comando.

Os controles podem ser causa de acidentes quando possibilitam a ocorrˆencia de erros de

leitura e interpreta¸c˜ao dos dados que s˜ao fornecidos pela m´aquina. Os controles podem ser

anal´ogicos ou digitais e, para ambos os casos a localiza¸c˜ao desse componente ´e um dado impor-

tante a ser observado pelo ES. V´arios aspectos devem ser considerados na inspe¸c˜ao tais como a

localiza¸c˜ao do dial pois, dependendo de sua posi¸c˜ao, pode ocorrer o erro de paralaxe que consiste

numa leitura onde o observador pode errar para mais ou para menos dependendo do dial estar

mais alto ou mais baixo que o n´ıvel de seus olhos. Para a leitura ser correta o dispositivo de

controle dever´a estar na altura dos olhos do observador. Esse erro ocorre quando o dial ´e do

tipo anal´ogico. Outro aspecto a ser observado ´e o n´ıvel de iluminˆancia no local onde a leitura

´e realizada pois, sendo insuficiente pode comprometer a confiabilidade da leitura tanto para o

dial anal´ogico como para o digital.

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

17

  • 2.2 Medidas Preventivas e Corretivas

A primeira medida preventiva a observar ´e o que esta contida na R 12 - M AQUINAS ´ E

EQUIPAMENTOS.

Vamos agora conhecer alguns itens da NR 12, bem como o conte´udo de outras normas inclu-

sive da BS 5304:1975/BSI, a norma inglesa de prote¸c˜ao de m´aquinas da qual vamos usar v´arios

exemplos de dispositivos de prote¸c˜ao, desde que a NR 12 n˜ao contempla este aspecto. A norma

brasileira trata de aspectos relacionados com o arranjo f´ısico (layout) e outros detalhes do ambi-

ente no qual a m´aquina esta instalada, como: os controles, os assentos e mesas. E, com aspectos

relacionados com a fabrica¸c˜ao, importa¸c˜ao, venda e loca¸c˜ao de m´aquinas e equipamentos.

As informa¸c˜oes que a NR 12 disponibiliza sobre esse assunto s˜ao insuficientes para o ES

realizar algum projeto, todavia ´e importante conhecˆe-las desde que ´e o suporte t´ecnico legalmente

aceito em nosso pa´ıs. Por´em, vale lembrar que a norma estabelece o m´ınimo necess´ario para

tornar o trabalho com as m´aquinas seguro, nada impedindo que possamos ir bem mais al´em de

modo a garantir o melhor padr˜ao de seguran¸ca poss´ıvel. Vejamos pois alguns desses detalhes.

  • 2.2.1 Instala¸c˜oes e Areas ´ de Trabalho

A norma de organiza¸c˜ao e limpeza deve ser observada tamb´em para o caso de manufaturas

e principalmente para locais onde existem m´aquinas e equipamentos de opera¸c˜ao. Vale observar

que os pisos dos locais onde existem m´aquinas devem estar vistoriados e limpos, tendo o cuidado

para mantˆe-lo sempre livre de ´oleos e graxas que possam torn´a-lo escorregadio. Da mesma

forma deve estar sempre livre de cavacos met´alicos e outros tipos de res´ıduos cortantes.

As ´areas destinadas `a instala¸c˜ao das m´aquinas devem ser estabelecidas considerando

tanto aquela necess´aria a sua proje¸c˜ao ortogonal com tamb´em as outras necess´arias para os

estoques intermedi´arios de carga, descarga, opera¸c˜ao e manuten¸c˜ao das mesmas.

E ´

importante saber quantas pessoas v˜ao operar as m´aquinas bem como as posturas ne-

cess´arias para a realiza¸c˜ao da tarefa. Essas informa¸c˜oes s˜ao necess´arias para o estabelecimento

das distˆacias m´ınimas entra as m´aquinas, lembrando que a NR 12 estabelece uma distancia

m´ınima de 0,60m a 0,80m. Todavia o melhor crit´erio a ser usado ´e o que foi mostrado acima.

Para o dimensionamento das ´areas de circula¸c˜ao ´e necess´ario saber o tipo de transporte a

ser utilizado, bem como a forma como o material vai ser transportado. Isso porque trans-

portar tubos de ensaio contendo substˆancias perigosas como agentes biol´ogicos de alto risco vai

exigir um tratamento totalmente diferente daquele necess´ario para transportar chapas met´alicas.

Portanto fica claro que essas decis˜oes dever˜ao ser tomadas em fun¸c˜ao das caracter´ısticas do pro-

cesso e dos materiais.

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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  • 2.2.2 Elementos de Transmiss˜ao de For¸ca

Uma condi¸c˜ao importante a ser observada ´e a necessidade dos elementos de transmiss˜ao

de for¸ca, tais como volantes, correias, engrenagens, cremalheiras, etc., estarem devidamente

enclausuradas dentro da estrutura da m´aquina ou cobertas por dispositivos de prote¸c˜ao para

evitar o contato com os chamados cantos entrantes, que na verdade representa o maior perigo

relacionado aos elementos de transmiss˜ao de for¸ca.

Os materiais usados nos dispositivos de prote¸c˜ao devem ser suficientemente fortes para

garantir que responder˜ao com prote¸c˜ao efetiva no momento em que forem solicitados.

Os dispositivos devem estar firmemente fixados `a estrutura da m´aquina ou mesmo ao piso.

Todavia, deve ser facilmente remov´ıvel sempre que se fizer necess´ario. O termo facilmente

remov´ıvel tem uma restri¸c˜ao. Pois, n˜ao significa que deva ser facilmente remov´ıvel por qualquer

pessoa, mas, facilmente remov´ıvel por pessoas autorizadas. Ou seja, por algu´em do Servi¸co de

Seguran¸ca ou outro, devidamente credenciado para tal.

  • 2.2.3 Ponto de Opera¸c˜ao

O ponto de opera¸c˜ao sempre representa maior perigo para o trabalhador, da mesma forma

que apresenta tamb´em o maior grau de dificuldade para o desenvolvimento dos dispositivos

de prote¸c˜ao pois, temos que apresentar sempre uma solu¸c˜ao de seguran¸ca que n˜ao comprometa a

produtividade da m´aquina, caso contr´ario `a medida proposta ser´a rejeitada, tanto pela gerencia

de produ¸c˜ao como pelo trabalhador, quando este ganha por produtividade. O ideal ´e que a

solu¸c˜ao de seguran¸ca apresentada al´em de garantir uma seguran¸ca efetiva para o operador

permita tamb´em ganhos de produtividade.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 18 2.2.2 Elementos de Transmiss˜ao de

Figura 20: Prote¸c˜ao do graxeiro

O desenvolvimento do dispositivo de prote¸c˜ao para o ponto de opera¸c˜ao deve iniciar pelo

conhecimento do tipo de movimento utilizado e da opera¸c˜ao.

Os movimentos pass´ıveis de serem utilizados s˜ao: o retil´ıneo, o retil´ıneo alternado e

o rotativo. Em geral, para qualquer opera¸c˜ao que venha a ser realizada ser´a sempre atrav´es de

um desses movimentos. Mostramos na figura abaixo como s˜ao esses movimentos.

O movimento retil´ıneo est´a presente nas correias transportadoras, na m´aquina lixadeira

e na serra de fita, usada na ind´ustria de m´oveis. No caso da lixadeira. O risco relacionado ao

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 19 Movimento retil´ıneo Movimento retil´ıneo alternado

Movimento retil´ıneo

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 19 Movimento retil´ıneo Movimento retil´ıneo alternado

Movimento retil´ıneo alternado

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 19 Movimento retil´ıneo Movimento retil´ıneo alternado

Movimento rotativo

movimento ´e o de parte do corpo, como o cabelo, ficar preso e o trabalhador ser arrastado pelo

movimento at´e um canto entrante. Da´ı porque ´e recomendado para que as pessoas usem cabelos

curtos ou presos. Pelo mesmo motivo ´e que deve ser evitado, em determinados casos, roupas

folgadas e mangas compridas. Na Figura abaixo mostramos o exemplo de uma lixadeira.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 19 Movimento retil´ıneo Movimento retil´ıneo alternado

Figura 21: Movimento retil´ıneo no ponto de opera¸c˜ao

O movimento retil´ıneo alternado ´e encontrado em m´aquinas como a plaina limadora,

prensas excˆentricas, m´aquinas de costura, peneiras vibrat´orias e uma s´erie de outras largamente

usadas na ind´ustria. No caso da plaina limadora existe a possibilidade do torpedo n˜ao estar

bem fixado e ser lan¸cado fora da base o que poder´a causar um acidente grave, caso algu´em seja

atingido.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 19 Movimento retil´ıneo Movimento retil´ıneo alternado

Figura 22: Acidente causado pelo torpedo

O movimento rotativo, seguramente o mais usado, est´a presente nos elementos de transmiss˜ao

de for¸ca (gerando os cantos entrantes), nos mecanismos internos e no ponto de opera¸c˜ao das

m´aquinas.

E ´ tamb´em o mais perigoso, pois em geral, est´a associado a elevadas velocidades,

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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trazendo perigo pela possibilidade de contato com as ferramentas que podem ser abrasivas ou

de corte. Os an´eis das m´aquinas, acoplamentos, ressaltos, embreagens, barras rotativas e eixos,

tanto horizontais como verticais s˜ao exemplos de perigos relacionados ao movimento rotativo,

como tamb´em a possibilidade de arremesso de part´ıculas volantes resultantes da desagrega¸c˜ao

do material que est´a sendo trabalhado.

Segundo Leonidio (1974), mesmo um eixo polido girando a baixa velocidade pode prender a

roupa ou o cabelo e provocar acidente grave. Os dispositivos de prote¸c˜ao para os movimentos

rotativos variam em fun¸c˜ao do tipo de m´aquina, de ferramenta e conseq¨uentemente do tipo de

risco.

No trabalho com as furadeiras, por exemplo, o tipo de risco maior ´e o de prender parte da

roupa. Como gravata e mangas longas na ferramenta. O uso de j´oias como an´eis e correntes

no pesco¸co tamb´em consiste num tipo de risco relacionado ao trabalho com a furadeira, bem

como o uso de luvas, principalmente as de raspa que em geral s˜ao grandes e elevam a perda

da sensibilidade nas pontas dos dedos. Em todas as situa¸c˜oes, o perigo maior ´e o de haver o

apresamento na ferramenta e ter como conseq¨uˆencia acidentes de graves conseq¨uˆencias.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 20 trazendo perigo pela possibilidade de

Figura 23: Movimento rotativo no ponto de opera¸c˜ao

Existe tamb´em o risco de arremesso de cavaco e da quebra da ferramenta que, dependendo

da velocidade de funcionamento, pode atirar part´ıculas a grandes velocidades e em dire¸c˜oes

aleat´orias.

  • 2.3 Dispositivos de Prote¸c˜ao de M´aquinas

    • 2.3.1 Dispositivos de acionamento, partida e parada de m´aquinas

As alavancas e os pedais s˜ao particularmente perigosos pois s˜ao os tipos de controles que

podem ser acionados involuntariamente, tanto pelo operador como por terceiros. O ideal

´e que o tipo de controle usado seja padronizado em todas as m´aquinas, sempre que poss´ıvel,

pois facilitar´a a adapta¸c˜ao do operador quando o mesmo for mudado de uma m´aquina para

outra. E, o tipo de controle mais seguro ´e o bot˜ao, que deve ser diferenciado entre o de

partida e o de parada. O bot˜ao de partida deve ser na cor verde e em baixo relevo para evitar

acionamento acidental. Por outro lado o bot˜ao de parada deve ser maior que o de partida, em

alto relevo na cor vermelha. Algumas m´aquinas tˆem trˆes bot˜oes, sendo um de partida, um de

parada normal e um de parada de emergˆencia. Nesse caso o bot˜ao vermelho passa a ser o

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de emergˆencia enquanto o de parada normal ser´a na cor preta.

Os bot˜oes devem ainda ser colocados em locais que permitam o seu acionamento na posi¸c˜ao

normal de trabalho. Da mesma forma n˜ao deve ser colocado em zona perigosa da m´aquina, de

modo que, em caso de emergˆencia possa ser facilmente desligado pelo pr´oprio operador ou por

terceiros. Todavia esse bot˜ao n˜ao deve poder ser acionado ou desligado involuntariamente pelo

operador.

No caso da m´aquina possuir pedal como comando e n˜ao for poss´ıvel substituir por um

sistema de bot˜oes, deve-se colocar dispositivos de prote¸c˜ao para o pedal, para evitar o aci-

onamento involunt´ario. Essa prote¸c˜ao consiste em guardas do tipo cobertura, conforme est´a

mostrado na figura abaixo.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 21 de emergˆencia enquanto o de

Figura 24: Prote¸c˜ao para evitar acionamento involunt´ario do pedal

  • 2.3.2 Prote¸c˜ao por barreiras

A prote¸c˜ao por barreira consiste na coloca¸c˜ao de artefato f´ısico que impe¸ca que o operador

ou qualquer outra pessoa tenha acesso a um determinado ponto da m´aquina.

Todavia, a situa¸c˜ao mais dif´ıcil de eliminar o perigo ´e quando se trata de desenvolver o

dispositivo de prote¸c˜ao para o ponto de opera¸c˜ao das prensas. Neste caso, o tipo de dispositivo

a ser usado ´e a guarda de cobertura distanciadora, cujo objetivo ´e impedir que parte do corpo

do operador, como os dedos ou mesmo a m˜ao, possam alcan¸car o ponto de opera¸c˜ao . Veja o

exemplo mostrado na figura abaixo.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 21 de emergˆencia enquanto o de

Figura 25: Guardas de cobertura distanciadora

Existe um esquema para estabelecer o tamanho da abertura do dispositivo em fun¸c˜ao da

distˆancia que o operador ficar´a do ponto de opera¸c˜ao. Mostramos o esquema na figura abaixo.

Esse tipo de dispositivo funciona bem quando a opera¸c˜ao ´e de puncionar (furar) ou cortar.

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2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 22 Figura 26: Tamanho da abertura

Figura 26: Tamanho da abertura em guardas fixas

Todavia deixa de satisfazer se a opera¸c˜ao for de conforma¸c˜ao onde o produto ter´a um volume

bem maior do que a chapa utilizada como insumo. Pois enquanto uma chapa de alum´ınio tem

alguns mil´ımetros de altura a pe¸ca depois de conformada, como uma bacia, por exemplo, ter´a

uma altura v´arias vezes maior que a da chapa, de modo que a abertura da guarda n˜ao ser´a

suficiente para retirar a pe¸ca prensada.

Em anexo apresentamos no quadro 01 alguns m´etodos de seguran¸ca com prote¸c˜ao ou barreira,

suas respectivas a¸c˜oes e vantagens e limita¸c˜oes dos tipos de m´etodos utilizados.

Da´ı a necessidade de se usar outro tipo de dispositivo de prote¸c˜ao no ponto de opera¸c˜ao das

presas quando a opera¸c˜ao ´e de conforma¸c˜ao. O tipo de dispositivo a ser usado, nesse caso, a

guarda interligada.

  • 2.3.3 Prote¸c˜ao por guarda interligada

Um tipo de dispositivo que pode ser usado tanto nas prensas manuais como nas prensas

el´etricas, inclusive nas excˆentricas, independente da velocidade e tonelagem de opera¸c˜ao. S˜ao

dispositivos automatizados e mais inteligentes que trabalham interligados aos mecanismos da

prensa e cujo funcionamento exige o apoio de um sistema pneum´atico ou hidr´aulico.

E ´

um

dispositivo mais avan¸cado cujo desenvolvimento exige conhecimentos de cinem´atica e dinˆamica

dos mecanismos bem como de sistemas pneum´aticos ou hidr´aulicos.

O funcionamento da guarda interligada obedece aos seguintes princ´ıpios de funciona-

mento:

  • 1. A m´aquina s´o funcionar´a se a guarda interligada estiver completamente fechada;

  • 2. Se durante o funcionamento a guarda for aberta, a m´aquina para e volta `a posi¸c˜ao de repouso;

  • 3. A guarda s´o abre quando a m´aquina estiver completamente parada.

Um exemplo de um sistema interligado ´e o elevador, que s´o entra em funcionamento quando

a porta est´a completamente fechada e, s´o abre as portas quando o carro est´a completamente

parado.

Mostramos a seguir exemplos de aplica¸c˜ao de guardas interligadas, onde em alguns casos

´e poss´ıvel oper´a-las manualmente, dependendo das caracter´ısticas da m´aquina. ToNo entanto,

quando se trata das prensas excˆentricas de alta velocidade de opera¸c˜ao faz-se necess´ario fazer a

interliga¸c˜ao atrav´es de sistemas hidr´aulicos ou pneum´aticos. Este ultimo ´ traz o inconveniente

de gerar novo agente ambiental caracterizado pelo ru´ıdo decorrente da descarga do sistema

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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pneum´atico.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 23 pneum´atico. Figura 27: Exemplo de

Figura 27: Exemplo de guarda interligada manual

Existem alguns tipos de m´aquinas nas quais n˜ao ´e poss´ıvel usar guarda fixa nem interligada

no ponto de opera¸c˜ao. Exemplos dessas m´aquinas s˜ao prensas usadas no setor de passa¸c˜ao da

industria de confec¸c˜oes, as prensas usadas na fabrica¸c˜ao de moldes para a fundi¸c˜ao de pe¸cas

met´alicas e as guilhotinas usadas no corte de papel na ind´ustria gr´afica.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 23 pneum´atico. Figura 27: Exemplo de

Figura 28: Exemplo de guarda interligada autom´atica

Nesse caso, a solu¸c˜ao indicada ´e usar um tipo de dispositivo capaz de garantir que no

momento da opera¸c˜ao o trabalhador estar´a, obrigatoriamente, com as m˜aos fora do ponto de

opera¸c˜ao. Esse tipo de dispositivo ´e denominado duplo comando,onde, para fazer a m´aquina

funcionar o operador ter´a que pressionar dois comandos (bot˜oes) simultaneamente.

  • 2.3.4 Dispositivo de duplo comando

Esse tipo de dispositivo tamb´em obedece a princ´ıpios de funcionamento que s˜ao:

  • 1. A m´aquina s´o funciona se os dois comandos forem acionados simultaneamente;

  • 2. Se depois que a m´aquina iniciar o funcionamento um dos comandos for desativado ela para e retorna ao repouso;

  • 3. Se pressionar um comando e depois o outro a m´aquina n˜ao funciona.

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Alguns cuidados devem ser observados para garantir o funcionamento com sucesso desse tipo

de dispositivo tais como:

  • 1. Os bot˜oes devem ser em baixo relevo;

  • 2. Devem estar ergonomicamente localizados tanto em rela¸c˜ao a altura como a distancia entre eles, de modo a serem acionados sem esfor¸co postural.

O duplo comando protege eficazmente o operador, todavia deixa exposto terceiros que po-

der˜ao alcan¸car o ponto de opera¸c˜ao enquanto o operador estiver pressionando os bot˜oes. Para

melhorar a efic´acia do dispositivo s˜ao colocadas c´elulas fotoel´etricas que protegem todo o espa¸co

de acesso ao ponto de opera¸c˜ao da m´aquina, de modo que, se o mesmo for invadido, haver´a

a interrup¸c˜ao do circuito de energia, a ferramenta de corte ir´a parar e em seguida retornar a

posi¸c˜ao de repouso.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 24 Alguns cuidados devem ser observados

Figura 29: Duplo comando em prensa

Todos esses exemplos foram relacionados `as m´aquinas que operam atrav´es do movimento

retil´ıneo alternado.

Mostramos abaixo exemplos de guardas de prote¸c˜ao que podem ser usadas no ponto de

opera¸c˜ao das furadeiras. Nos exemplos mostrados abaixo fica evidenciado o diferente material

que pode ser usado na confec¸c˜ao das guardas tais como pl´astico transparente, chapas met´alicas

perfuradas e outros, dependendo das especificidades do caso.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 24 Alguns cuidados devem ser observados

Figura 30: Guarda de prote¸c˜ao de pl´astico

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Outra m´aquina que trabalha com o movimento rotativo ´e a serra circular, usada tanto na

constru¸c˜ao civil como no beneficiamento e fabrica¸c˜ao de derivados de madeira. Uma carac-

ter´ıstica desse tipo de m´aquina ´e que a mesma opera a elevada velocidade, o que torna mais pe-

rigoso o trabalho. Na opera¸c˜ao com essa m´aquina existem os risco de contato com a ferramenta,

que ´e a serra propriamente dita, e tamb´em de ser atingida por cavacos que s˜ao arremessados em

decorrˆencia da desagrega¸c˜ao da madeira.

Portanto, o dispositivo de seguran¸ca deve ser eficaz, tanto para garantir que o operador n˜ao

entrar´a em contato com a ferramenta de corte como tamb´em n˜ao ser´a atingido pelos cavacos de

madeira. Da´ı porque dever´a ser uma guarda de cobertura m´ovel desde que ir´a trabalhar com

pe¸cas de madeira de espessura e largura vari´aveis.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 25 Outra m´aquina que trabalha com

Figura 31: Guarda de prote¸c˜ao met´alica

Outro perigo que deve ser considerado ´e referente `a poeira gerada que, em alguns casos s˜ao

t´oxicas havendo a necessidade de evitar que a mesma possa atingir a zona de respira¸c˜ao do

trabalhador.

Na figura abaixo mostra-se exemplos de guarda de prote¸c˜ao para a serra circular. O esmeril

tamb´em ´e uma m´aquina que funciona atrav´es do movimento rotativo no ponto de opera¸c˜ao, ´e

largamente utilizada em praticamente todos os setores industriais, independente do porte da

empresa. Ela ´e encontrada tanto na fabrica¸c˜ao de avi˜oes como numa pequena serralharia de

fundo de quintal e, onde estiver apresenta sempre as mesmas possibilidades de acidentes que

s˜ao: contato com o rebolo abrasivo, arrasto dos dedos para dentro da caixa de conten¸c˜ao da

ferramenta e a explos˜ao do rebolo.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 25 Outra m´aquina que trabalha com
2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 25 Outra m´aquina que trabalha com

Figura 32: Exemplos de guardas de prote¸c˜ao para serra circular

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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Esse tipo de m´aquina normalmente j´a ´e vendida com dispositivo de prote¸c˜ao por´em nem

sempre s˜ao eficazes pois, alguns apresentam a parte lateral desprotegida, o que representa risco,

no caso de explos˜ao da pedra, tanto para o operador como para terceiros que possam estar nas

proximidades. Chamamos de explos˜ao da pedra porque o fenˆomeno se comporta como tal pois,

quando a pedra quebra arremessa part´ıcula `a alta velocidade em variadas dire¸c˜oes devido `a a¸c˜ao

da for¸ca centrifuga.

Esse tipo de fenˆomeno ocorre quando a pedra ou rebolo apresenta fraturas mecˆanicas que n˜ao

s˜ao percebidas no momento da instala¸c˜ao ou do uso. E, no momento que a mesma ´e submetida

a um esfor¸co maior, decorrente da press˜ao da pe¸ca que est´a sendo esmerilhada contra as suas

paredes, ela quebra e arremessa os estilha¸cos em todas as dire¸c˜oes. A guarda de prote¸c˜ao deve

ser projetada prevendo esse tipo de evento todavia outras medidas devem ser tomadas para

evitar a explos˜ao . Pois as fraturas mecˆanicas que possibilitam esse tipo de ocorrˆencia podem

acontecer devido ao transporte e armazenamento inadequado dos rebolos.

Por isso vamos mostrar al´em dos tipos de guarda para os esmeris a maneira correta de

armazenar os rebolos, conforme est´a mostrada na figura abaixo.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 26 Esse tipo de m´aquina normalmente

Figura 33: Armazenagem correta dos rebolos abrasivos

Um dos aspectos a serem observado para a seguran¸ca na opera¸c˜ao com o esmeril ´e o ˆangulo

de abertura que a guarda de prote¸c˜ao deve ter, sendo ideal que a mesma possa ser vari´avel,

em fun¸c˜ao do tamanho da pe¸ca a ser esmerilhada e ainda em rela¸c˜ao ao tamanho da pedra que

diminui com o uso. Na figura abaixo mostra-se um exemplo dessa abertura e na figura posterior

mostramos uma m´aquina bem protegida, tendo inclusive um sistema de exaust˜ao para coleta

das part´ıculas liberadas tanto da pedra como do material esmerilhado.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 26 Esse tipo de m´aquina normalmente

Figura 34: Abertura vari´avel de acesso ao rebolo

Os robˆos s˜ao os componentes mais recentes no cen´ario das m´aquinas industriais, tendo a

sua apari¸c˜ao ocorrida na ultima d´ecada do s´eculo vinte. S˜ao m´aquinas robustas compostas por

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 27 Figura 35: M´aquina bem protegida

Figura 35: M´aquina bem protegida

componentes mecˆanicos, el´etricos e eletrˆonicos de alta precis˜ao. Esta sujeito a picos de corrente,

falha no programa e na estrutura mecˆanica como cabos, eixos e barras. Podem sofrer por fadiga

e calor. Os principais robˆos em uso na ind´ustria s˜ao os bra¸cos mecˆanicos com v´arios graus de

liberdade, tais como jun¸c˜oes de deslocamento ou giro e as m´aquinas com comando de controle

num´erico.

Essas m´aquinas devem ser totalmente isoladas com prote¸c˜ao lateral e superior. A porta de

entrada desta clausura deve constar de chave geral el´etrica em sua tranca. Em geral, operam em

ambiente que dispensa ilumina¸c˜ao e quando ficam fora de controle mostram-se extremamente

perigosas pois o golpe desferido pelo bra¸co mecˆanico pode ser fatal para o ser humano.

  • 2.4 Metodologia para o Desenvolvimento de Dispositivos de Prote¸c˜ao

O ES pode se defrontar com duas situa¸c˜oes que o levam a necessidade de desenvolver dis-

positivos de prote¸c˜ao para as m´aquinas e equipamentos. Uma delas ´e quando da ocorrˆencia de

acidentes ou mesmo de quase acidentes. E a outra ´e decorrente de uma a¸c˜ao proativa que o leva

a antecipar-se no sentido de eliminar riscos decorrentes de partes perigosas expostas ou defeitos

na m´aquina que possam causar acidentes.

Esta metodologia ´e composta de quatro etapas que s˜ao: relato de acidentes, localiza¸c˜ao das

fontes de riscos, an´alise da opera¸c˜ao e desenvolvimento do projeto. Vamos a seguir conhecer

cada uma delas.

  • 2.4.1 Relato de Acidentes

Conhecer a hist´oria acidentaria da m´aquina, equipamento ou ferramenta. O ES deve procurar

conhecer os acidentes ou quase acidentes j´a ocorridos, com a m´aquina ou equipamento que est´a

sendo observado, atrav´es de entrevistas com os trabalhadores acidentados ou quase acidentados,

dos CATS, do chefe de setor, do t´ecnico de seguran¸ca ou de qualquer outra pessoa que possa

inform´a-lo.

Verificar atrav´es de manuais, cat´alogos, desenhos ou relatos se a m´aquina ou equipamento

continua no seu projeto original ou se sofreu algum tipo de modifica¸c˜ao. No caso de j´a existir

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algum dispositivo de seguran¸ca em uso, analisar a sua efic´acia.

Avaliar atrav´es de uma an´alise custo-beneficio se a implanta¸c˜ao do dispositivo de seguran¸ca ´e

de fato a melhor solu¸c˜ao. Algumas vezes a m´aquina j´a est´a obsoleta, de modo que a aquisi¸c˜ao de

uma nova m´aquina de tecnologia mais avan¸cada e concep¸c˜ao segura mostra-se mais vantajoso.

  • 2.4.2 Localiza¸c˜ao das Fontes de Riscos

Ficando constatado que vale a pena desenvolver o dispositivo de prote¸c˜ao deve-se partir para

a pr´oxima etapa que ´e a de localiza¸c˜ao de todas as fontes de riscos existentes na m´aquina. O

conhecimento das fontes de riscos ´e fundamental para a decis˜ao sobre o tipo de dispositivo a

desenvolvido.

Nesta etapa o ES deve ent˜ao come¸car pela estrutura da m´aquina, para observar se existem

fraturas mecˆanicas na mesma que possam ser ampliadas com a instala¸c˜ao do dispositivo de

prote¸c˜ao bem como outras tais como cantos vivos ou bordas cortantes.

Verificar se a fixa¸c˜ao da m´aquina ao piso e o seu nivelamento est˜ao satisfat´orios pois, caso

contrario, poder´a haver uma intensifica¸c˜ao da vibra¸c˜ao e do ru´ıdo decorrente da instala¸c˜ao do

dispositivo de seguran¸ca, que ´e um novo ´org˜ao implantado a m´aquina, gerando assim novos

riscos.

Observar se as condi¸c˜oes de funcionamento do sistema el´etrico est˜ao satisfat´orias: no plug,

no isolamento dos cabos de alimenta¸c˜ao e no aterramento. Ver se o comando de opera¸c˜ao da

m´aquina se d´a atrav´es de bot˜ao ou de pedal e, se existe o risco de acionamento acidental.

Analisar se existem cantos entrantes expostos nos elementos de transmiss˜ao de for¸ca. Iden-

tificar se movimentos realizados no ponto de opera¸c˜ao s˜ao rotativos, retil´ıneos ou retil´ıneos

alternados e analisar quais os riscos aos quais o operador ou operadores est´a exposto.

  • 2.4.3 An´alise da Opera¸c˜ao

A an´alise deve ser estendida ao posto de trabalho e a tarefa. A interven¸c˜ao do ES n˜ao deve

ser restrita a m´aquina mas, ao posto de trabalho como um todo , inclusive a tarefa e o meio

ambiente. Para isso, faz-se necess´aria uma an´alise do conte´udo da tarefa de modo a conhecer

todos os fatores que influem no trabalho e que, de alguma forma, podem contribuir para o

desgaste do trabalhador. Para tanto se deve observar-se:

o ritmo de trabalho ´e extenuante;

o manuseio de materiais implica em exposi¸c˜ao a agentes nocivos;

as cargas movimentadas manualmente est˜ao de acordo com as normas t´ecnicas;

o n´ıvel de iluminamento atende `as necessidades da tarefa;

o assento e a postura do operador est˜ao corretas.

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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  • 2.4.4 Desenvolvimento do Dispositivo de Prote¸c˜ao

O processo criativo deve gerar alternativas que ser˜ao avaliadas para a escolha da solu¸c˜ao. Um

modelo deve ser constru´ıdo e em seguida o prot´otipo. Conhecer como ´e realizada a manuten¸c˜ao

da m´aquina, bem como a sua freq¨uˆencia, de modo que o dispositivo a ser implantado n˜ao possa

dificult´a-la. Desenhar a m´aquina ou a parte dela que ir´a receber o dispositivo.

Decidir qual o tipo de dispositivo que melhor atender´a a situa¸c˜ao em tela. Devem ser formu-

ladas alternativas atrav´es de um processo criativo como tempestade cerebral (brainstorming),

quando o processo deve ser isento de julgamento. Em seguida deve ser feita a avalia¸c˜ao das al-

ternativas devendo a escolha acontecer em fun¸c˜ao dos riscos a serem eliminados ou controlados.

Desenvolver o projeto considerando todas as normas pertinentes. Sempre que for poss´ıvel

´

aplicar a Arvore de An´alise de Falhas (FTA) de modo a introduzir as modifica¸c˜oes que melhorem

a confiabilidade t´ecnica do dispositivo.

Escolher o material a ser utilizado para confeccionar o dispositivo em fun¸c˜ao do risco a ser

controlado. As vezes precisamos proteger um torneiro contra os respingos do ´oleo refrigerante

utilizado na usinagem da pe¸ca. Pode ser usado acr´ılico transparente.

2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 29 2.4.4 Desenvolvimento do Dispositivo de

Figura 36: Prote¸c˜ao de acr´ılico

Por´em este mesmo material n˜ao proteger´a eficazmente se o agente for part´ıcula met´alica

volante. Uma regra ´e escolher um material que seja resistente o suficiente para n˜ao romper

quando for solicitado, bem como, n˜ao trazer novos riscos ao operador.

Construir o modelo (mock up) em material de baixo custo como madeira ou papel˜ao, test´a-lo

na m´aquina e verificar se ´e necess´ario fazer alguma modifica¸c˜ao no projeto original. Em seguida

introduzir as modifica¸c˜oes que forem necess´arias para a melhoria do dispositivo.

`

As vezes o projeto ´e unico

´

ou seja apenas uma pe¸ca ser´a constru´ıda de modo que o prot´otipo

provavelmente ser´a a pe¸ca definitiva. Outras vezes, o dispositivo ser´a constru´ıdo em grande

quantidade. Nesse caso deve-se construir o prot´otipo, que diferencia do modelo (mock up) por

ser constru´ıdo j´a no material definitivo e test´a-lo novamente na m´aquina antes de iniciar a

produ¸c˜ao em escala.

A pr´oxima etapa ´e a instala¸c˜ao do dispositivo e a realiza¸c˜ao dos testes de avalia¸c˜ao, antes de

liberar a m´aquina para o uso normal. Os testes devem ser exaustivos e a libera¸c˜ao da m´aquina s´o

deve ocorrer ap´os a comprova¸c˜ao do perfeito funcionamento do dispositivo, com a assinatura do

respons´avel pelo projeto. No caso de n˜ao libera¸c˜ao da produ¸c˜ao, o dispositivo deve ser testado

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ou mesmo desenvolvido nos intervalos de produ¸c˜ao.

O operador da m´aquina deve ser treinado para que ele saiba como o dispositivo funciona

sendo inclusive preparado para as passiveis mudan¸cas que possam ocorrer no conte´udo da tarefa.

Ele deve tamb´em ser informado das normas de seguran¸ca que venham a ser estabelecidas para

o correto uso e manuten¸c˜ao da m´aquina ap´os a instala¸c˜ao do dispositivo.

´

E importante que o pessoal da manuten¸c˜ao seja consultado e inclusive participe do desen-

volvimento do dispositivo de modo quea execu¸c˜ao da manuten¸c˜ao seja facilitada. Pois, se o

pessoal n˜ao participa do projeto e o dispositivo mostra-se complicado tanto para a sua retirada

como para a reposi¸c˜ao no momento da manuten¸c˜ao da m´aquina a tendˆencia ser´a o abandono do

dispositivo ap´os algum tempo de uso.

Finalmente recomendamos um programa de acompanhamento (monitoramento) para anali-

sar, detalhadamente, qualquer falha de funcionamento, usando essa informa¸c˜ao para a melhoria

e redesenho do produto.

  • 2.5 Planejamento da Manuten¸c˜ao Industrial

O prop´osito de um planejamento de manuten¸c˜ao deve estar focado na busca de um aumento

da produtividade empresarial, desejada pela aplica¸c˜ao de um planejamento pro´ıcioo e princ´ıpios

de gest˜ao de manuten¸c˜a de agendamentos de interven¸c˜oes.

Pode-se classificar algumas estrat´egias de manuten¸c˜ao tais como:

  • 1. a emergencial que opera at´e a falha, reparando o item que falhou;

  • 2. a corretiva opera at´e a falha, refor¸cando ou corrigindo o item que falhou;

  • 3. a preditiva executa interven¸c˜oes baseadas em diagn´osticos;

  • 4. a preventiva, executa interven¸c˜oes incondicionais constantes de um programa pr´e-agendado.

A estrat´egia de manuten¸c˜ao adotada combinada a um n´ıvel do servi¸co adequado, conduz

a empresa a uma melhora significativa nos resultados dos n´ıveis de produ¸c˜ao, atrav´es de uma

redu¸c˜ao do n´umero de horas paradas das m´aquinas e equipamentos e redu¸c˜ao dos riscos de

acidentes. Conhecer os tipos de manuten¸c˜ao e suas rela¸c˜oes ´e fundamental para come¸car-se a

estruturar os objetivos do problema.

Pode-se classificar a manuten¸c˜ao em duas ´areas bem distintas, manuten¸c˜ao planejada e

manuten¸c˜ao corretiva.

  • 2.5.1 Manuten¸c˜ao Planejada

Manuten¸c˜ao Planejada ´e o tipo de manuten¸c˜ao executada pelas empresas, que contempla

todas aquelas atividades de manuten¸c˜ao que se utilizem de metodologia programada de a¸c˜ao e

de an´alise do reparo de m´aquinas equipamentos.

Dentre as principais metodologias de manuten¸c˜ao planejada pode-se citar:

  • 1. Manuten¸c˜ao preventiva que efetua a parada programada de m´aquinas e equipamentos,

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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visando corrigir e prevenir poss´ıveis anomalias observadas ou j´a programadas para serem

reparadas;

2. Manuten¸c˜ao preditiva que faz uma an´alise pontual de alguns componentes das m´aquinas,

procurando detectar poss´ıveis anomalias de funcionamento, para que se possa decidir um

melhor momento para a execu¸c˜ao da manuten¸c˜ao.

Este segundo tipo de manuten¸c˜ao ´e utilizado em equipamentos cujo custo de interven¸c˜ao

de manuten¸c˜ao ´e muito alto, portanto gasta-se com equipamentos qua fa¸cam a verifica¸c˜ao das

condi¸c˜oes de pe¸cas e m´aquinas, atrav´es da detec¸c˜ao e da sinaliza¸c˜ao de anomalias, ressaltando

a necessidade de se executar os servi¸cos necess´arios para solu¸c˜ao dos problemas levantados, mas

de forma planejada, escolhendo-se de forma planejada qual o momento certo de agir.

  • 2.5.2 Manuten¸c˜ao Corretiva

O outro importante tipo de manuten¸c˜ao ´e a manuten¸c˜ao corretiva, que representa todas as

atividades de manuten¸c˜ao que ocorrem em decorrˆencia da quebra inesperada de equipamen-

tos.

´

E um tipo indesejado de interven¸c˜ao de manuten¸c˜ao, j´a que ocorre de forma inesperada

e sempre tem atrelada ao seu acontecimento um desperd´ıcio significativo de tempo devido `a

imprevisibilidade do acontecimento da falha.

A combina¸c˜ao do uso dos tipos de manuten¸c˜ao para as ´areas ou equipamentos empresa-

riais, vai depender do valor cont´abil, da vida util ´ f´ısica, da dificuldade de manuten¸c˜ao e dos

impactos da parada do equipamento no processo de produ¸c˜ao. Mas ´e sabido que, ao se efetuar

manuten¸c˜oes planejadas de forma adequada, o n´umero de horas de manuten¸c˜ao corretiva cai

significativamente. N˜ao conv´em, por´em, querer apenas se trabalhar com manuten¸c˜ao planejada,

tentando zerar o gasto com manuten¸c˜ao corretiva, pois o custo de execu¸c˜ao da manuten¸c˜ao

planejada que gere uma confiabilidade de 100% torna-se invi´avel.

´

E importante que a empresa

tenha ciˆencia dos seus atuais custos, at´e para ter informa¸c˜oes confi´aveis para se combinar os

valores na estrutura¸c˜ao e propostas de contrato de manuten¸c˜ao.

Para se entender melhor a rela¸c˜ao entre os tipos de manuten¸c˜ao, parte-se para explicar o

gr´afico abaixo, que demonstra um relativo comportamento dos custos com manuten¸c˜ao, em

fun¸c˜ao da pol´ıtica que ser´a adotada pela empresa.

O relacionamento entre custo e gasto com manuten¸c˜ao preventiva.

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COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´

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2 COMO FAZER PROTEC¸ AO ˜ DE M AQUINAS ´ 32 Fonte: Higgins (2001). Manuten¸c˜ao preventiva

Fonte: Higgins (2001).

Manuten¸c˜ao preventiva

Nesse caso, ´e bom adotar a terminologia manuten¸c˜ao preventiva para descrever todas as

atividades de manuten¸c˜ao planejada e as demais atividades como manuten¸c˜ao corretiva.

O gr´afico relaciona o n´ıvel de manuten¸c˜ao preventiva com o seu custo de obten¸c˜ao. Vˆe-se que

o n´ıvel de 100% de manuten¸c˜ao preventiva ´e praticamente imposs´ıvel e totalmente invi´avel finan-

ceiramente, j´a que para se conseguir tal feito, a totalidade de horas com manuten¸c˜ao corretiva

deveriam chegar a zero, o que representaria uma confiabilidade de 100%.

Observa-se por´em, ao se aumentar os custos com manuten¸c˜ao preventiva, os custos com

manuten¸c˜ao corretiva diminuem, assim como tamb´em, os gastos com perdas nas vendas oca-

sionadas pela redu¸c˜ao de unidades produzidas em fun¸c˜ao do gasto de horas com manuten¸c˜oes

corretivas. O gestor de manuten¸c˜ao deve estar atento `a curva de custo total de manuten¸c˜ao, que

apresenta um ponto de ´otimo, tendo certos limites de justifica¸c˜ao de a¸c˜ao e permanˆencia, onde

os valores gastos com manuten¸c˜ao preventiva devem flutuar para garantir os melhores resultados

empresarias.

Se o custo de reparar um equipamento ap´os sua falha for o mesmo de se efetuar uma inspe¸c˜ao

de manuten¸c˜ao, ent˜ao a justificativa de se utilizar manuten¸c˜ao preventiva ´e pequena, mas na

maioria dos casos, a falha sem preven¸c˜ao traz gastos consider´aveis `a vida util ´ do equipamento,

tais como, gasto com horas de reparo adicionais por causa do n˜ao planejamento do pessoal de

manuten¸c˜ao para a devida atividade, e gastos com compras emergenciais de pe¸cas de reposi¸c˜ao

para se restabelecer o funcionamento da m´aquina.

A empresa procura, portanto trabalhar em um n´ıvel ´otimo de custos, onde se reduzam as

horas de manuten¸c˜ao corretiva, reduzindo-se tamb´em o custo com as perdas por inatividade

das m´aquinas de produ¸c˜ao, mas sem eliminar por completo o n´umero de horas de manuten¸c˜ao

corretiva.

A pol´ıtica de uso da manuten¸c˜ao planejada e corretiva s˜ao classificadas conforme seus efeitos

sobre a condi¸c˜ao de funcionamento das m´aquinas.

Pham(2003), classifica as atividades de manuten¸c˜ao basicamente em:

IESP - Engenharia de Seguran¸ca do Trabalho

PCRM - Mecˆanica

3

LINHAS DE DEFESA DA SA UDE ´ DO TRABALHADOR

33

  • 1. Manuten¸c˜ao perfeita - Quando ´e restaurada ao equipamento sua condi¸c˜ao de novo;

  • 2. Manuten¸c˜ao M´ınima - Quando ´e restaurada ao equipamento sua condi¸c˜ao anterior ao problema verificado;

  • 3. Manuten¸c˜ao Imperfeita - Quando o equipamento ´e restaurado a uma condi¸c˜ao de funcio- namento m´ınima (melhor que velho);

  • 4. Manuten¸c˜ao Ruim - Quando a manuten¸c˜ao retorna o equipamento a uma condi¸c˜ao pior a anterior ao problema verificado.

O n´ıvel de servi¸co de manuten¸c˜ao, representado por atividades executadas com pessoal qua-

lificado, pe¸cas de reposi¸c˜ao de boa qualidade e uso de ferramental adequado, reduzem considera-

velmente as horas e os custos com manuten¸c˜ao corretiva. Dentro do contexto do n´ıvel de servi¸co

oferecido, a empresa n˜ao pode aceitar outro posicionamento pelo gerente de manuten¸c˜ao, a n˜ao

ser a execu¸c˜ao de uma manuten¸c˜ao perfeita.

  • 3 Linhas de Defesa da Sa´ude do trabalhador

NO ambiente industrial existem diferentes categorias de agentes ambientais e fatores que

causam acidentes e o desgaste da for¸ca de trabalho. Esses agentes podem ser: psicol´ogicos,

f´ısicos, qu´ımicos, biol´ogicos, ergonˆomicos, mecˆanicos e culturais.

O Engenheiro de Seguran¸ca dever´a agir proativamente no sentido de eliminar ou minimizar

e controlar os riscos gerados por esses fatores ambientais. Mas o que vem a ser eliminar ou

controlar o risco? Eliminar significa substituir os agentes geradores dos riscos por outros in´ocuos.

Enquanto que controlar o risco corresponde ao uso de medidas coletivas que visam o controle

do agente j´a que n˜ao foi poss´ıvel elimin´a-lo. E, finalmente, existe a prote¸c˜ao individual, em

suas diversas formas de aplica¸c˜ao, que n˜ao elimina nem controla o agente mas, apenas protege

o individuo, na maioria das vezes de forma insatisfat´oria.