Você está na página 1de 9

- VALLADARES, A. C. A. Arteterapia cores da saúde.

Anais da I Jornada Goiana de


Arteterapia. Goiânia: UFG/ ABCA, p.11-17, 2001.

I JORNADA GOIANA DE ARTETERAPIA

ARTETERAPIA: CORES DA SAÚDE1

Ana Cláudia Afonso Valladares

Preliminarmente, o presente estudo conceitua e caracteriza o processo


arteterapêutico, para em seguida o relacionar com as cores sob o enfoque da saúde mental,
eis que a arteterapia em cores na saúde busca interligar as sessões de arteterapia com os
exercícios que abordem os aspectos positivos e benéficos das cores.
Conforme a Associação Brasil Central de Arteterapia (2001), arteterapia é uma
profissão de auxílio ao ser humano, com a integração entre a criação de imagens, o
processo criativo da arte e a relação do paciente com a obra criada.
A arte evoca uma linguagem primária e pré-verbal versátil, sendo ao mesmo
tempo flexível. Isso possibilita a expressão de emoções, conflitos, desejos, fantasias,
lembranças, pensamentos e atitudes de maneira livre, isenta da censura verbal. Ademais, a
arteterapia relaciona os produtos das expressões artísticas com os seus conteúdos
simbólicos específicos, sem lógica e atemporais, em uma linguagem consciente. Por
conseguinte, essa terapia possibilita a comunicação do mundo inconsciente com a realidade
externa e consciente do paciente.
No mesmo sentido, esclarece Philippini (2000) que “o símbolo tem a função
integradora e reveladora do eixo de si mesmo, entre o que é desconhecido – inconsciente
individual e coletivo e a consciência. O símbolo aglutina e corporifica a energia psíquica,
permitindo ao indivíduo entrar em contato com níveis mais profundos e desconhecidos do
seu próprio ser e crescer com estas descobertas. O símbolo constelado com a ajuda dos
materiais expressivos dinamiza e facilita a estruturação e transformação dos estados
emocionais que lhe deram origem”.
Na verdade, existem várias abordagens terapêuticas no processo da arteterapia.
As mais utilizadas no Brasil são: a Psicologia Analítica, a Gestalt Terapia, a Psicanálise e a
Artroposofia. Entretanto, independentemente do referencial teórico que se está trabalhando,
todas estimulam a fantasia e as imagens espontâneas, evocam sentimentos, lembranças e
pensamentos do mundo inconsciente. Auxiliam, com isso, o indivíduo a elaborar, em nível
consciente, o significado de seu produto simbólico e a lidar com ele.
Arteterapia trata ainda de originalidade, individualidade, de materiais gráficos,
cores, texturas e riscos. As cores são elementos de destaque nesse meio e à medida que o
paciente se comunica e expressa suas cores, ele expressa também sua subjetividade.
1
Pesquisa financiada e vinculada ao Núcleo de Estudos e Pesquisa em Saúde Integral/NEPSI/FEN/UFG.
Endereço para contato: Faculdade de Enfermagem da UFG - Rua 227 s/nº Setor Leste
iversitário. Goiânia – GO – 74.605-080
Fone: (62) 202-3537 Fax: (62) 202-1033. E-mail: anafonso@cultura.com.br
Nas sessões de arteterapia, as pessoas são elementos produtivos, possuidoras de
um conhecimento e de experiências de vida singulares. Veja os objetivos gerais da
arteterapia, em que as cores têm sua parcela de contribuição:
- Favorecer a criatividade e espontaneidade, pelo desenvolvimento dos processos mentais
de elaboração, de flexibilidade, de originalidade e de fluência;
- Explorar, descobrir e entender suas idéias e sentimentos, através da liberdade de
expressão e de ser ouvida;
- Desenvolver a comunicação, linguagem essencialmente não-verbal;
- Facilitar o autoconhecimento e a expansão da estrutura psíquica do indivíduo, através
da conscientização de símbolos ocultos, desconhecidos ou reprimidos da psique
humana;
- Reconciliar problemas emocionais, na medida em que toma consciência de seus
conflitos de base nas produções de arte, resolver seus problemas e reduzir a ansiedade;
- Resgatar a baixa auto-estima, por meio do resgate de potenciais latentes, da
compreensão de sentimentos e conteúdos inconscientes;
- Valorizar as suas experiências atuais e passadas de vida, pelo compartilhar de suas
histórias;
- Trabalhar a socialização, compartilhando as experiências com o grupo e incorporando
novas formas de percepção de pessoas que passam pela mesma fase de vida.
No processo arteterapêutico utilizando-se cores, qualquer pessoa pode se
beneficiar entre crianças, adolescentes, adultos e idosos, sadios ou enfermos. A arteterapia
acolhe o ser humano com toda a sua “luminosidade”, trabalhando as etapas de vida como
um processo natural e respeitando as potencialidades e limitações de cada fase humana.
Assim, não existem limites ou contra-indicações. Pessoas tanto sadias, doentes,
com necessidades especiais, presidiários ou outros podem se expressar criativamente,
mesmo não tendo conhecimento artístico prévio.
A etapa do trabalho arteterapêutico, com a utilização de cores é singular e
específica para cada grupo ou indivíduo atendido. A cor é um meio de expressão e
comunicação, sendo, portanto, um elemento importante dentro do processo arteterapêutico.
Afinal, dentro dos elementos básicos da comunicação visual, é ela quem possui maior
afinidade com as emoções. Está impregnada de informações e possui uma infinidade de
utilidades, tendo, uma das mais penetrantes experiências visuais.
Preambularmente, faz-se um contrato com o paciente, no qual são esclarecidos
os objetivos das sessões, metas de atendimento e modalidades a serem trabalhadas.
Iniciam-se as sessões com atividades de aquecimento libertadoras de tensões
com o intuito de criar um clima permissivo e alegre, através de atividades de relaxamento,
técnicas de respiração adequadas, meditação, movimentos corporais espontâneos e
conscientes, improvisação sonora, imaginação ativa ou de jogos e brincadeiras.
Durante as sessões, são trabalhadas as cores através de modalidades artísticas.
Cada modalidade tem propriedades terapêuticas inerentes e específicas, cabendo ao
arteterapeuta construir um repertório de informações adequadas a cada uma, com o intuito
de adequar essas modalidades e materiais às analogias e quadros clínicos atendidos.
Quanto mais materiais e técnicas possíveis, mais possibilidades são abertas à
expressão e à criatividade através das cores. Seguem-se as modalidades expressivas mais
utilizadas nesse processo:
a) Desenho: O desenho objetiva a forma, a precisão, o desenvolvimento da
atenção, da concentração, da coordenação viso-motora e espacial. Também concretiza
alguns pensamentos e exercita a memória. O desenho está relacionado ao movimento e ao
reconhecimento do objeto. Tem a função ordenadora.
Materiais utilizados: giz de cera, nanquim colorido, lápis de cor, giz colorido, pincel
atômico, pastel seco e oleoso, canetas hidrográficas, diluentes e papéis diversos brancos e
coloridos (kraft, chamex, sulfite, verge, canson, cartolina etc);
b) Pintura: A fluidez da tinta com a sua função libertadora induz o movimento
de soltura, de expansão, trabalhando o relaxamento dos mecanismos defensivos de controle.
A pintura lida com sentimento, emoção, sensação, provoca a sensibilidade, evoca o gesto e
a intuição. Essa técnica é limitada pelos suportes/superfícies, pelas tonalidades e pelas
cores.
Materiais utilizados: cola colorida, aquarela, guache, têmpera, tinta acrílica e a óleo, PVA,
pigmento líquido e cola; suportes de diversos tipo: papel, tecido e madeira; pincéis chato e
redondo, esponja, rolos de pintura de diversos tamanhos, paleta, pote para água, água e
trapos.
d) Colagem/Recorte: A colagem favorece a organização de estruturas pela
junção e pela articulação de formas prontas. Diferentemente, a organização espacial é
simbólica, reparadora e de baixo custo.
Materiais utilizados: revista e figura pré-selecionadas, jornal, linhas coloridas, madeira,
caixa, sucata, papéis com cores e texturas diversos (cartolina, camurça, seda, carmem,
celofane, kraft etc), materiais orgânicos (folhas, flores, casca de árvore, sementes, grãos,
conchas, areia), retalhos de tecido, purpurina, tesoura, cola, fita adesiva, fios, durex, grude,
estilete, prego.
e) Gravura: A gravura é um processo gráfico que possibilita a reprodução em
série de imagens. Envolvem a criação do trabalho, a gravação na matriz e a sua reprodução
em cópias pela impressão. Tem a função multiplicadora. Trabalha formas, manchas e
texturas diversas. As técnicas mais utilizadas são: xilogravura, monotipia, calcogravura,
cologravura, linoleogravura etc.
Materiais utilizados: madeira, linóleo, pedra, materiais diversos para colagem (tampinhas,
tecidos, materiais orgânicos, pregos etc), cola, placa de metal, ácido, papel de espessura
mais grossa, tecido, prensa, rolo de borracha, tintas coloridas para serigrafia em papel e em
tecido.
f) Tecelagem: Trabalha a tecelagem com a coordenação viso-motora. Enfoca
tamanhos, espessuras, intensidades, movimentos e ritmos diferentes para exercitar a
criatividade e as mudanças de padrões estereotipados. Exercita também a disciplina, a
obediência e o rigor.
Materiais utilizados: lã, corda e cordões de várias cores e espessuras, fios e fitas diversas,
barbante, bastidor de madeira, prego, tecidos coloridos, linha e agulha.
g) Modelagem: A modelagem é uma atividade especialmente sensorial, vez
que trabalha o toque da mão e a organização tridimensional. As peças podem ser coloridas
após sua secagem.
Materiais utilizados: argila, papiê-machiê, gesso, plastilina, massa artesanal, durepox,
suporte (madeira, pedra etc), faca, rolo de massa, guias de madeira, fios, estecas, trapo e
plástico resistente e lixa.
h) Escultura: Tem a escultura à função estruturadora. Impõe a obediência,
libera a agressividade e exercita o desapego. Também pode ser colorida após o seu término.
Materiais utilizados: madeira, pedra, formão, lixas diversas, verniz.
i) Construção: Construir significa edificar, estruturar, organizar, elaborar. É
uma atividade de organização tridimensional; conseqüentemente, requer níveis melhor
elaborados do que as atividades bidimensionais.
Materiais utilizados: madeira, pedras, isopor, sucata, tecido, semente, papel, papelão, caixas
coloridas de tamanhos diversos, embalagem industrial, arames de grossuras e maleabilidade
diversas, palito de churrasco, material para enchimento (algodão e estopa), fios coloridos,
fita e renda, linha e agulha, conta, botões e miçangas diversas, prego, cola, grampeador, fita
adesiva.
j) Teatro: A dramatização permite a experimentação de novos papéis.
Trabalham na criação de histórias, personagens e figuras. O boneco permite a pessoa dizer
algo que ela não diria por si só. O teatro arteterapêutico é bastante abrangente, devido às
várias comunicações simbólicas existem em suas produções. Por seus textos e imagens
serem numerosos e variados, facilita o confronto do paciente com as informações em geral
e do arteterapeuta com o entendimento das mensagens. As variedades de teatros são:
marionetes de vara, ator, fantoche, sombra, boneco, máscara, de dedo, origamis.
Materiais utilizados: boneco, fantoche, marionete, maquilagem, óculos, tecido (por
exemplo: tules, seda etc), plumas, bijuteria, luva, capa, chapéu, palito de churrasco, jornal,
roupas para encenação, linhas, agulha, tesoura, fita crepe, materiais coloridos de pintura e
desenho etc.
l) Tabuleiro de areia: Técnica que permite criar cenas tridimensionais em
cenários ou em desenhos abstratos numa caixa de tamanho específico, com uso de areia,
água e um grande número de miniaturas realistas.
Materiais utilizados: tabuleiro, areia, contas, miniaturas diversas, caixa com tampa, sucata,
recursos orgânicos (por exemplo: água, folhas, flores, pedras, sementes, galhos etc).
m) Escrita criativa: Escrever criativamente significa escrever sobre
determinado trabalho artístico sem a utilização de pontuação ou uso de borracha, tendo a
possibilidade de erros gramaticais e de ortografia. O paciente escreve livremente o que vê e
o que sente em relação ao trabalho colorido. Permite que os conteúdos do inconsciente
facilmente aflorem para a consciência.
Materiais utilizados: papel, caneta, lápis, suporte para apoiar o papel e os trabalhos
artísticos executados anteriormente ou sonhos.
No final das sessões, faz-se um fechamento com a avaliação da mesma pelo
compartilhar dos símbolos ocultos, trabalhando as funções do pensamento, das emoções e
da percepção individual e do grupo.
O processo arteterapêutico através das cores pode ser realizado de forma
individual, grupal ou familiar, em consultórios, hospitais e instituições em geral.
Em muitos grupos é importante que os trabalhos sejam feitos coletivamente
para se desenvolver também a socialização, a troca de experiências com os outros. Há
certamente, um melhor compartilhar de experiências vivenciadas, bem como sonhos e
conquistas realizados.
Constata-se, ainda, que algumas pessoas são melhor trabalhadas
individualmente, devido ao próprio quadro emergente, tal como depressão mais intensa, ou
quando se quer um enfoque mais profundo de seu conteúdo interno.
Pode-se utilizar de exercícios com cores livres, semi-dirigidos ou dirigidos, em
um espaço terapêutico reservado, aconchegante, seguro e estimulante. Trabalha-se com o
auxílio de contos-de-fada, de fábulas, de poemas, de imagens, obras de arte de grandes
artistas de filmes, de canções, de mitos, de criações literárias, de contos de ensinamentos,
dos quatro elementos vitais (ar, terra, fogo e água), de recursos sonoros com seus ritmos
diversos, de recursos cênicos e de movimento para facilitar a expressão da subjetividade.
Segundo França (1998), quando trabalhada em arteterapia a noção do todo,
gera-se abertura; quando trabalhados os detalhes, enfoca-se o aprofundamento ou o
seccionamento do conteúdo; quando trabalhados os contornos delineados, enfatiza-se o
domínio e o controle; e quando trabalhadas as cores, priorizam-se o humor, a alegria e a
energização.
As cores podem ser geradoras e indicar saúde dos clientes. Elas compõem o
elemento visual mais expressivo e emocional (Dondis, 1997). Quando o paciente usa em
demasia ou não usa algumas cores primárias com freqüência, pode indicar algo estranho,
alvo de ser investigado e trabalhado durante o processo.
As cores, quanto à classificação, podem ser primárias, secundárias, terciárias
etc. As cores primárias (azul, amarelo e vermelho) são fundamentais para se obter as
demais. As secundárias (verde, laranja e violeta) advêm da mistura de duas cores primárias.
Já as terciárias são a mistura das primárias e secundárias (açafrão, abóbora, púrpura, anil,
turquesa e verde-citrino) e assim por diante.
As cores contrastes são as que se opõem diretamente. Têm a característica de se
atenuarem (quando colocadas de lado) ou de se cancelarem mutuamente (quando
misturadas). São elas: preto e branco; azul e laranja; amarelo e violeta e vermelho e verde.
Por outro lado, as cores análogas são as que estão próximas no disco de cores, como a
laranja......
As cores quentes (amarelo, laranja e vermelho), de modo geral, são ativas e
dinâmicas, acelerando o metabolismo ao corresponderem a processos de assimilação,
atividade e intensidade, e expansão. Enquanto que as cores frias (azul, anil, violeta) com a
característica balsâmica, acalmam, lentificam, correspondendo a processos de passividade e
contração.
A saturação de uma cor se refere à pureza ou à vivacidade da mesma. Uma cor
é de alta saturação, quando seu colorido é forte. Ao baixar o índice de saturação de uma
cor, mistura-se a mesma com a sua cor contraste, como branco ou preto. Quanto mais
intensa ou saturada for a cor, mais carregada de expressão e emoção estará.
As cores possuem inúmeros significados associativos e simbólicos. Apesar de
existirem mais de cem cores, dà-se ênfase às cores primárias por serem as cores básicas
para o aparecimento das demais cores e através das quais se torna possível o
estabelecimento de inúmeras relações.
A seguir foram descritos, mais detalhadamente, os significados das cores
primárias baseadas em Chevalier & Gheerbrant (1996), Lexikon (1990), Cirlot (1984),
Fincher (1991) e Julià (1996).
* Cor Azul:
Relacionada ao céu límpido, à água, às sombras serenas, ao ar, ao cristal e ao
diamante.
Sugere calma, tranqüilidade, paz eterna e relaxamento. Refresca, faz sonhar e
ter esperança.
De acordo com Jung, o azul significa altitude e profundidade. Aplicado a um
objeto, a cor azul, suaviza as formas, abrindo-as e desfazendo-as. É a mais profunda,
imaterial e fria das cores. É também o caminho do infinito, onde o real se transforma em
imaginário.
Está associada com a função do pensamento.
Está ligado aos sentimentos religiosos, devoção e inocência. Símbolo da pureza,
cor do divino, da verdade e da fidelidade.
Lado positivo: seus tons claros se utilizam para elevar o tônus anímico, relaxar
o espírito e com isso o corpo, tornando-o leve e ágil. Relaciona céu com dia e ao mar
sereno.
Seu uso melhora a comunicação e a relação, facilita o entendimento, relaxa o
ambiente aumentando as possibilidades de contato e predisposição à ação.
Lado negativo: seus tons escuros potencializam ações físicas, relacionam com o
inconsciente, como o sono e a morte, ao pesado e ao triste. Relaciona céu com noite e mar
tempestuoso. Seu abuso gera intranqüilidade, tanto no plano físico como no psíquico.
Seu peso: leve.
Sua temperatura: fria.
Sua atividade: transmitir.

* Cor Amarela:
Cor do ouro e da riqueza de espírito. Assim como o ouro é o símbolo da
eternidade e da transfiguração. Intenso, violento, agudo até a estridência, ou amplo e
cegante como um fluxo de metal em fusão. O amarelo é a mais expansiva e ardente das
cores.
Relacionada à luz solar e ao calor, tem uma vibração intensa e luminosa.
Símbolo do poder e da intuição (ilumina instantaneamente as origens e
tendências dos acontecimentos).
É fonte de vida e do potencial da totalidade: o arquétipo do Self.
Destinado a centrar a atenção, aumentando a capacidade de resposta dos
mecanismos mentais e intelectuais.
É o veículo da juventude e do vigor, ou ainda seu oposto, cor da maturidade que
caracteriza a sabedoria e o bom conselho (Islamismo).
Está ligada ao princípio masculino.
Lado positivo: está ligado ao amarelo-ouro, como bom, luminoso e outros já
citados acima.
Lado negativo: ligado ao amarelo-enxofre, ao mau e ao diabólico. Cor da inveja
(Idade Média e Egito). Sua utilização excessiva mostra estados de ansiedade e angústia.
Pode indicar crueldade, dissimulação e o cinismo (teatro Chinês) e, ainda, traição e
decepção.
Seu peso: intermediário.
Sua temperatura: meio quente.
Sua atividade: ordenar.

* Cor Vermelha:
Substituto do sangue palpitante, do fogo e da purificação. Seu poder de
combustão e de regeneração, representado pelo fogo, leva à capacidade de poder. O fogo
sugere calor, bem como o poder para destruir, purificar e transformar. Pode significar fogo:
da emoção, da espiritualidade, ou da transformação.
É uma cor forte e vistosa, que gera energia e calor .
Universalmente, é considerada como o símbolo fundamental do princípio da
vida, com sua força, poder e brilho. Simboliza a energia psíquica da vida e do amor. É a cor
dos sentidos vivos e ardentes. Aumenta a força, a vitalidade e estimula os instintos.
Relacionada à paixão, ao vigor, à coragem e à sensualidade. Emoções ardentes
e impulsivas.
Na antigüidade, o vermelho protegia contra os perigos.
Prenuncia a partida e a nova vida.
Ligado o vermelho ao princípio masculino e à função do sentimento no trabalho
artístico de seus pacientes (Jung).
O vermelho-claro está ligado ao lado positivo da cor: brilhante, centrífugo,
diurno, macho, tônico, incitando a ação, lançado como um sol. Seu brilho sobre todas as
coisas tem uma força intensa e irredutível. Incita a ação, a imagem de ardor, de beleza, de
força impulsiva e generosa, de juventude, de saúde, de riqueza.
Vermelho-escuro simboliza o noturno, a fêmea, o secreto, o centrípeto,
representa não a expressão, mas o mistério da vida.
Os significados negativos da cor vermelha estão associados com a ferida, a
agonia, o sofrimento, a raiva, a sublimação, a doença, a guerra e a morte. Símbolo do
reconhecimento do pecado, do sacrifício e da expiação. É antiga a história da cor vermelha,
que faz parte de rituais de sepultamento, sacrifício e cura pelo menos durante trinta mil
anos.
Seu abuso gera clima pesado tanto físico como psíquico.
Seu peso: denso.
Sua temperatura: quente.
Sua atividade: regenerar.
Todos as cores possuem aspectos positivos e negativos. Quando escurecidas,
geralmente estão mais próximas do lado negativo e as mais claras do lado positivo. A
associação de cores através de misturas, favorece o surgimento de novos significados.
As situações causadoras do estresse e da depressão, vivenciadas pelo processo
evolutivo do ser humano também necessitam ser trabalhadas através de cores.
Estas cores quando bem trabalhadas, relacionam as características sadias da
personalidade da pessoa e facilitam a criatividade. Assim, aliviam as emoções negativas e,
ao mesmo tempo, minimizam os comportamentos problemáticos, a fim de restabelecer o
equilíbrio emocional e influir positivamente sobre a sensação de viver.
A cor é percebida não apenas pela visão, mas por todos os sentidos. Não produz
segmentos isolados e individuais de informação simbólica, mas sim unidades interativas
integrais.
As cores possuem tons, saturação, contraste e analogias distintas, que são
influenciadas pela quantidade de uso, brilho e tamanho do suporte. Ao combinar de uma
cor com outras, a resultante recebe influências que podem modificar o seu poder e
simbolismo, sendo redefinida seu significado.
O mais importante para analisar os significados simbólicos das cores é perceber
quais são as predominantes, ou ausentes com mais intensidade do que o habitual, e
identificar seu significado simbólico, que não se apresenta de forma definida e exata, mas
como um referencial informativo, que será desvelado junto ao autor que as produziu.
Afinal, as cores apresentam inúmeras significadas e até mesmo contraditórios.
O processo de análise formal das cores leva à compreensão clara da
organização da imagem e da estruturação do trabalho arteterapêutico do paciente e à melhor
condução das sessões subsequentes.
Tendo em vista que a percepção da cor é a mais emocional dos elementos da
linguagem visual, apresenta enorme proveito na prática arteterapêutica no expressar e no
intensificar da informação visual. Desta forma, verifica-se que a possibilidade do paciente
expressar sua subjetividade e seus sentimentos é favorecida pelo trabalho com a cor.
Em arteterapia, a partir do domínio técnico das cores (obtido através das
modalidades expressivas) e de exercícios específicos, o principal objetivo é que o paciente
possa estar aberto ao processo criativo, ao produzir suas imagens favorecendo a emergência
de conteúdos inconsciente para a consciência.
Pode-se concluir que, os exercícios com cores podem atuar junto das sessões de
arteterapia auxiliando o desenvolvimento humano harmonioso, pela promoção, prevenção e
expansão da saúde.

Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASIL CENTRAL DE ARTETERAPIA. Estatuto Social. Goiânia,
Associação Brasil Central de Arteterapia, 2001.
CIRLOT, J E Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro, Moraes, 1984.
CHEVALIER, J; GHEERBRANT, A. Dicionário dos símbolos. 14 ed. Rio de Janeiro, José
Olympio, 1998.
DONDIS, D A Sintaxe da linguagem visual. São Paulo, Martins Fontes, 1997.
FINCHER, S F O autoconhecimento através das mandalas. São Paulo, Pensamento, 1991.
FRANÇA, U A arte na terapia. In: Ver. Imagens da transformação (Arteterapia). N.5, v. 5,
set.-1998.Rio de janeiro, Pomar.
JULIÀ, R El color. Fuente de salud y de vida. Zumaia (Espanha), Media Print, 1996.
LEXIKON, H Dicionário de símbolos. São Paulo, Cultrix, 1990.
PAIM, S; GHEERBRANT, G. Teoria e técnica da arteterapia. A compreensão do sujeito.
Porto Alegre, 1996.
PLILIPPINI, A. Cartografias da coragem. Rotas em arteterapia. Rio de Janeiro, Pomar,
2000.

Ana Cláudia Afonso Valladares - Arteterapeuta, Artista Plástica e Enfermeira Pediátrica;


Docente das Faculdades de Enfermagem e de Artes Visuais da UFG; Professora do Curso
de Especialização em Arteterapia da UFG; Coordenadora do Curso de Arteterapia na Saúde
da UFG; Membro fundadora e Presidente da Associação Brasil Central de Arteterapia.