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Artigo: VALLADARES, A. C. A. et al.

“Arteterapia no resgate do envelhecimento


saudável”. In: JORNADA GOIANA DE ARTETERAPIA, 2., 2008, Goiânia. Anais...
Goiânia: FEN/UFG/ABCA, 2008. p.158-168. Cap.16. (ISBN: 978-85-61789-00-8).

16 – ARTETERAPIA NO RESGATE DO ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL1

Ana Cláudia Afonso Valladares2


Agnaldo Lacerda Júnior3
Andrea Amália Campos Pimentel4
Mariana Caixeta Bonfim5
Pollyany José da Guarda6
Isabela Barros de Carvalho74

Resumo: A Arteterapia permite que as nossas potencialidades criativas se


desenvolvam e possibilita que a pessoa se descubra, se reconheça, amplie e
enriqueça seu mundo interno por meio de variados recursos expressivos
(LIMA, 2007). O trabalho objetivou descrever e analisar as sessões de
arteterapêutico aplicadas aos idosos. Esta pesquisa é um relato de experiência
de atividades grupais de Arteterapia, realizada com um total de 25 idosos de
ambos os sexos nas idades entre 60 a 86 anos de idade em um Atelier Aberto
de Arteterapia em Goiânia/GO. As análises das imagens foram baseadas no
referencial teórico da Psicologia Analítica. Compuseram o estudo 64 sessões
de Arteterapia realizadas uma vezes por semana no período de março de 2005
a fevereiro de 2008. A Arteterapia aplicada aos idosos ofereceu um contato
introspectivo com o seu ser, permitiu a expressão de emoções represadas,
proporcionou alívio e ajudou no processo de transformação rumo ao
desenvolvimento psíquico saudável dos idosos. Ademais, a Arteterapia ajudou
os usuários a encarar seus medos, a encontrar em si próprios recursos para
enfrentar as dificuldades, a buscar sua essência espiritual, a estimular o
espírito de luta e a atenção às suas próprias necessidades. Enfim, a
Arteterapia favorece o resgate do lado saudável do ser.

Palavras-chave: Arteterapia; Gerontologia; Saúde Mental; Teoria Junguiana;


Enfermagem Psiquiátrica; Processo de Cuidar em Saúde e Enfermagem.

1
Pesquisa inserida no Grupo de Pesquisas em Paradigmas Assistenciais em Terapias
Alternativas (NEPATA) da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás
(UFG).
2
Arteterapeuta, Profª Drª da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás
(FEN/UFG), Presidente da Associação Brasil Central de Arteterapia (ABCA), membro do
conselho diretor da UBAAT, integrante da rede PsicoArte. E-mail: aclaudiaval@terra.com.br
3
Graduando de Medicina da UFG e relator do trabalho
4
Graduanda de Medicina da UFG
5
Graduanda de Psicologia da UFG
6
Graduanda de Enfermagem da UFG
2

Fig.1 – Idosa pintando durante um Atelier Aberto de Arteterapia em


Goiânia/GO.

Introdução
Consiste num grande desafio refletir sobre as mudanças nos cuidados à
saúde do idoso que vem passando o Brasil, especialmente nas últimas
décadas, desencadeadas pelas transformações gerais do contexto de saúde
brasileira, bem como da transição demográfica e epidemiológica mundial.
Observa-se que no Brasil e no mundo houve uma transição demográfica e
epidemiológica: uma situação caracterizada inicialmente por altas taxas de
fecundidade e de mortalidade infantil, progrediram para uma situação
caracterizada por baixa fecundidade e diminuição da mortalidade na infância e
ocorrência de óbitos em faixas etárias mais avançadas. Este comportamento
tem produzido o chamado “envelhecimento da população” mundial.
Assim, a população brasileira vem apresentando um processo de
envelhecimento rápido e a faixa etária acima de 60 anos alcançou taxas oito
vezes superiores às de crescimento da população jovem, sendo esperado ao
Brasil para o ano de 2025 que seja o 6º país com mais idosos no mundo.
3

Essa transição demográfica e epidemiológica tem implicações para o setor


da saúde, com mudanças na incidência e prevalência de doenças, bem como
nas principais causas de morte, particularmente um declínio de óbitos por
doenças infecto-contagiosas e um aumento por doenças crônico-
degenerativas. Essas questões têm despertado interesse das autoridades e da
população em geral, pois requer, mais do que recursos a conscientização dos
profissionais no atendimento diferencial a essa população, indo de encontro
com a necessidade específica da mesma.
Infelizmente o Sistema Único de Saúde no Brasil ainda não se encontra
capacitado na área de reabilitação, atendimento de longo e pequena
permanência, e nem mesmo na atenção geral a pacientes geriátricos.
Mas, de fato, algumas mudanças estão vindo a partir das novas políticas
de atenção à saúde do Idoso que visam redimensionaram o atendimento
assistencial a esta população, criando programas que assegurem os direitos
humanos e civis aos idosos, e promovam a transformação de intervenções e
instituições em geral.
No Brasil, em 1994 foi sancionada a Lei nº 8.842 que dispõe sobre a
Política Nacional do Idoso criando também o Conselho Nacional dos Idosos e
em 2003 foi sancionada a Lei nº 10.741 que dispõe sobre o Estatuto do Idoso.
Esta política contempla estratégias em todos os setores, incluindo a
readequação da rede de saúde e assistência social para o atendimento integral
ao idoso, modernização das leis e regulamentos, desenvolvimento do turismo e
lazer, inclusão de matérias sobre o idoso na educação de 1º, 2º e 3º grau, e
todas as responsabilidades que os ministérios devem ter para melhorar a
qualidade de vida do idoso (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003).
Outras portarias do Ministério da Saúde (249 e 255/2002) vieram
posteriormente ajudar no processo de mudança, gerando remuneração de
novos procedimentos e atendimento, como implantar os Centros de
Referências para internação e reabilitação do idoso e atendimento específico
para portadores de demência de Alzheimer (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003).
Nos últimos anos no Brasil novos serviços a nível ambulatorial,
institucional ou domiciliar estão sendo criados objetivando adequar-se à
orientação da política de saúde do idoso. As outras mudanças que também
foram importantes são a concepção do trabalho multiprofissional, respeito pelas
4

diferenças próprias da faixa etária, projetos terapêuticos individualizados, a


reabilitação psicossocial, dentre outros e que faz exigir uma requalificação dos
papéis profissionais na prestação do cuidado na saúde do idoso.
O idoso é caracterizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS),
como o indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos, encontra-se mais
propenso a apresentar alterações nos seu estado de saúde frente a um
agressor externo ou interno, tornando-o alvo maior de doenças. O idoso requer
um maior tempo de atendimento, seja pelas disfunções sensoriais e/ou
cognitivas ou porque naturalmente possui lentificação na capacidade de
planejamento e realização de suas idéias e pensamentos (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2003).
Neste contexto aparece a reabilitação dos idosos que é um processo que
dá oportunidade aos mesmos de alcançarem um ótimo nível de funcionamento
independente na comunidade, com ênfase na manutenção ou recuperação das
capacidades funcionais comprometidas. O idoso deve ser visto como um
sujeito que vive num determinado território, que estabelece relações sociais,
tem uma família, tem sua própria subjetividade e que é diferente dos demais
em alguns aspectos de vida.
A reabilitação do idoso permite estruturar saberes e práticas com uma
variedade de possibilidades reabilitadoras, almejando a valorização positiva do
indivíduo, trabalhando assim com seu lado sadio e melhorando sua qualidade
de vida.
As políticas de atenção ao idoso devem trabalhar a inserção do sujeito
nas variáveis ligadas aos contextos micro-familiar e macrossociais do paciente
que é a comunidade, a cidade e o contexto do serviço.
Assim, uma das questões mais relevantes em relação à saúde do idoso
não é somente mudanças no tratamento que o paciente recebe, mas,
sobretudo, no tipo de serviço que o atende, sendo que a tarefa mais importante
desse serviço é a de ajudar o indivíduo de forma permanente a gerar “sentido”,
significando a construção afetiva, relacional, material, habitacional e produtiva,
aflorando um cenário de vida, um sonho de liberdade e a inclusão social do
idoso.
Enfim, o programa de atendimento integral à saúde do idoso é ser dirigido
a um determinado paciente com intervenções individuais (administração de
5

psicofármacos, sustentação psicológica individual adestramento de atividade


laborativa, educação à aptidão na vida cotidiana) e intervenções coletivas
(suporte à família, sensibilidade da comunidade onde o paciente reside,
envolvimento dos indivíduos com o local de trabalho).
Estabelecer um programa ao idoso é estabelecer uma possibilidade de
acolhimento, cuidado e sociabilidade ao mesmo; é propor formas mais
humanizadas e integradoras; e ainda oferecer espaços para a aprendizagem; a
construção de vínculos; da valorização da fala, da escuta, do respeito, da
dignidade, da responsabilidade, do acompanhamento, da inclusão da família e
da reinserção social.
Concluindo, a saúde integral ao idoso é um caminho que pertence ao
nosso tempo e está sendo construído cabendo a cada um de nós dar sua
parcela de contribuição.
A fase da velhice ou do idoso é uma época em que, muitas vezes,
profundas mudanças ocorrem nos vários aspectos do ser humano, aparecem
alterações nos planos emocionais ou psicológicos, na rede social, nos aspetos
físicos entre outros.
No plano físico, o corpo se modifica, aparecem as doenças degenerativas,
bem como problemas de apetite e sono, perturbações da memória, perda de
processamento visual e auditivo, comprometimentos cognitivos.
Na área social, vem a aposentadoria, o isolamento social, a diminuição da
renda financeira.
Em relação aos aspectos emocionais, o sentido de vida se perde e uma
infinidade de moléstias da alma e do corpo.
Dentro da visão da Psicologia Analítica, o idoso estaria na fase da
Dinâmica Cósmica, no qual ocorre um confronto com o Self..

“A Dinâmica Cósmica é regida diretamente pelo arquétipo


central e seus símbolos são expressões da totalidade e da
vivência unitária do processo existencial. O homem, neste
dinamismo, traz à consciência a re-significação da finitude da
existência humana, da transitoriedade e da transformação
permanente. Nesta fase, a pessoa almeja um significado para
sua existência, isto é, busca enxergar o sentido da vida e da
morte e também prepara-se para regressar ao todo de onde
veio. A morte é vista como perda e transformação, porém, neste
período, mantém-se a consciência do Ego” (VALLADARES,
2007, p.65-66). “A vivência existencial plena do arquétipo da
6

morte expressa o sacrifício do corpo físico, em troca do


enraizamento da consciência no corpo cósmico através dos
símbolos do infinito e da eternidade” (Byington apud
VALLADARES, 2007, p.66).

Fase de vida em se que defronta com as pessoas que estão se


aproximando da morte e de angústias desta aproximação (AGLIUSSI &
MAROTTE, 1995).
A Arteterapia aplicada aos idosos permite que as potencialidades criativas
se desenvolvam, possibilita que a pessoa se descubra, se reconheça, amplie e
enriqueça seu mundo interno por meio de variados recursos expressivos
(LIMA, 2007) e segue de encontro com a orientação da política de saúde do
idoso.
Pela Arteterapia, a criação artística serve como ponte de acesso ao
mundo interno do paciente. Um trabalho que visa à prevenção ou tratamento
de distúrbios mentais.
As áreas de aplicação da Arteterapia com idosos podem ser na educação,
na educação especial, na área social, na área hospitalar, na estimulação
essencial, na reabilitação motora, entre outras (VALLADARES, 2004). Os
grupos de atendimento podem ser individuais, grupais, familiares, ou outros
(VALLADARES, 2001).
O presente trabalho objetivou analisar as sessões de Arteterapia
aplicadas aos idosos.

Metodologia
Tipologia: Esta pesquisa é um relato de experiência de atividades de
Arteterapia de cunho qualitativo.
O presente trabalho tem o intuito de analisar os efeitos da utilização da
Arteterapia com idosos, sabendo-se que a Arteterapia facilita o processo
expressivo, de modo que promove a expansão e a liberação da psique do
indivíduo.
Norteia-se o estudo para a possibilidade da Arteterapia desencadear o
processo criativo, por meio de estímulo do imaginário, facilitando a expressão
simbólica e a ordenação de experiências internas desses pacientes.
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Participantes: a clientela-alvo foi rotativa composta por um total de 25


idosos com poucos comprometimentos decorrentes do processo de
envelhecimento, de ambos os sexos, com idades entre 60 a 86 anos, em
atendimento grupal semanal, sessões com duração de 2h, num período total de
três anos.
Eles concordaram em participar do estudo assinando o termo de
consentimento livre e esclarecido. Em relação à escolaridade, cursaram o
ensino médio e superior, com pouca oscilação quanto ao nível socioeconômico,
no caso médio-alto.

Local: realizou-se em uma Instituição Particular de Goiânia - GO.

Materiais e técnicas utilizadas: Os recursos expressivos utilizados nas


sessões foram conduzidos de forma livre e dirigidos aos pacientes. Foram
utilizados, materiais e técnicas artísticas diversificados, como: o relaxamento, a
expressão corporal, a colagem/recorte, a fantasia criativa, o desenho, a pintura,
a dramatização, a colagem, a modelagem e a escrita criativa.
A partir do início do processo terapêutico, propôs-se aos clientes
utilizarem as técnicas artísticas como forma de expressão diante de sua
problemática e de aspectos da sua vivência pessoal e existencial. Essa
proposta era realizada de maneira simples e livre.
Todos os comportamentos dos participantes, durante as sessões, eram
observados e transcritos por meio de relatório. Com isso, os dados
compreendem as etapas de início e fim das sessões com as devidas
expressões artísticas e verbais formadoras do produto final.
Durante as sessões os idosos não precisam produzir obras de arte com
valor estético, técnico ou acadêmico especiais. As etapas de Atendimento
seguiram-se inicialmente de um contrato de trabalho, entrevista e avaliação do
paciente, o atendimento propriamente dito e a preparação para a alta.
As sessões de Arteterapia eram compostas de um aquecimento inicial
com técnicas de relaxamento, jogos, atividades corporais, depois das
modalidades expressivas compostas pela experimentação de materiais
diversos, pela atividade principal e a verbalização do processo trabalhado com
ênfase nos trabalhos individuais e coletivos, e posteriormente no fechamento
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das sessões nos quais os idosos expunham seus sentimentos, sensações e


emoções do processo como um todo.
Todos os atendimentos em Arteterapia seguiram-se com objetivos,
estratégias e recursos específicos.

Coleta de dados: ocorrida durante o período de março de 2005 a


fevereiro de 2008, em 64 sessões, uma vez por semana.
As sessões foram realizadas em salas amplas da instituição, tendo
duração de duas horas cada atendimento. Houve um acompanhamento
coletivo com média de seis idosos por sessão, coordenadas por uma
arteterapeuta.
Será apresentada, neste trabalho, a síntese geral e ilustrativa do processo
baseado nas verbalizações e comportamento dos idosos realizados durante as
etapas de atendimento em Arteterapia. Os instrumentos utilizados para a coleta
de dados foram:
a) roteiro para observação sistematizada direta e participante das
sessões;
b) registro das imagens produzidas, na tentativa de ser o mais fiel
possível ao conteúdo manifestado;
c) cadastro de identificação dos casos em estudo.

Apresentação e Análise dos Resultados


A análise dos dados ocorreu com base nas descrições dos relatos dos
idosos no decorrer de cada processo (aquecimento, modalidades expressivas e
fechamento), descritas a seguir:

O aquecimento durante as sessões proporcionou trabalhar a inter-


relação, a integração do grupo, a socialização do indivíduo no grupo e permitiu
exercer a função catártica. Comentário:
“O trabalho da Arteterapia buscava o equilíbrio entre as raízes e as asas
de mim e de nós” (Sara7).

7
Todos os nomes dos idosos citados aqui são fictícios
9

Para os idosos as modalidades expressivas, segundo os relatos dos


idosos, favoreceram a inter-relação com conteúdos do inconsciente, a
valorização do potencial criativo e imaginativo e o reconciliar de problemas
emocionais. Bem como permitiram desenvolver a comunicação e a expressão,
valorizaram a subjetividade e permitiram reconhecer a diversidade e o resgate
da baixa auto-estima.
Os encontros com a Arteterapia proporcionaram conhecimento,
manipulação, exploração e experimentação pelas técnicas artísticas e
permitiram resgatar potenciais desconhecidos ou inativados na arte.
Comentários:
“A Arteterapia é a linguagem da alma e do coração” (Ana).
“A arte é o espelho daquilo que acontece dentro de nós” (Maria).
“Expõe com facilidade os nossos sentimentos” (João).
“Permite expressão de emoções represadas e proporciona alívio” (José).
“Experimentando, estruturando os materiais nos estruturamos a nós
mesmos” (Antônia).
“Criando e re-criando transformamos a nós mesmos” (Diva).
“Me tornei uma artista, conheci e manipulei materiais e técnicas antes nem
conhecidos ou possibilitados” (Carmem)

Em relação ao fechamento final das sessões possibilitou facilitar do


autoconhecimento e o conhecimento do outro, as trocas e possibilidades
diversificadas. Comentário:
“Auxiliou-me nas transformações internas e me manteve fortalecida”
(Bina).
“Os caminhos da Arteterapia são os caminhos que levam integração”.
(Joana).

As sessões de Arteterapia facilitam a expressão da subjetividade dos


participantes e auxiliam, sobremaneira, tanto na auto-expressão, como na
elaboração de conteúdos internos e alívio de tensões. Permitiram, ainda, que o
criador pudesse expressar seus sentimentos, adquirir consciência dos mesmos
e, em seguida, melhorassem a ativação e a estruturação do processo de seu
desenvolvimento interno.
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O processo arteterapêutico, por promover o contato com o universo


simbólico e a integração dos conteúdos psíquicos inconscientes, ajudou no
desenvolvimento evolutivo dos idosos, o que significa dizer que possivelmente
a ajudou no seu processo de individuação (visão junguiana).
Os objetivos gerais das sessões de Arteterapia se voltaram para a
melhoria da qualidade de vida dos idosos, trabalhando a socialização, melhoria
da memória, aumento da auto estima entre outros.
Os resultados desta pesquisa corroboram com os encontrados por Fabietti
(2004) ao citar que a Arteterapia com idosos são encontros que promovem a
mudança e a aceitação em eliminar o que não tem mais sentido na vida ou o
que incomoda à pessoa, como também são encontros com a criatividade e
libertador de si-mesmo.

Considerações Finais
Concluindo, trabalhar a Arteterapia com idosos permite a troca com o
outro que possui características semelhantes às suas e ainda, favorece o
compartilhar de dificuldades e anseios relacionados ao próprio momento de
vida.
A Arteterapia ajudou os pacientes idosos a: encarar seus medos, a
encontrar em si próprios recursos para enfrentar as dificuldades, a buscar sua
essência espiritual, a estimular o espírito de luta, o sentimento de
autovalorização e a atenção às suas próprias necessidades.
É importante frisar, também, que a melhora do paciente depende da sua
vontade de querer mudar, porque os profissionais arteterapeutas não
transformam ninguém; eles agem como guias, facilitadores ou companheiros
no processo de mudança; sugerem experimentos que possam ajudar a revelar
conteúdos interiores da pessoa e a descobrir novos caminhos e direções em
busca da transformação e de seu desenvolvimento pessoal.
O contexto da Arteterapia permitiu com que o idoso pudesse ser
produtivo, construtivo e criativo, valorizando suas expressões de vida, enfim, a
Arteterapia favorece o resgate do lado saudável do ser e a qualidade de vida
indo de encontro com as novas orientações da política de saúde do idoso no
Brasil.
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Referências
AGLIUSSI, M. C.; MAROTTE, O. Conversas em Arteterapia. Rev. Arteterapia:
Imagens da Transformação. Rio de Janeiro: Clínica Pomar, v.2, n.2, p.12-16,
1995

FABIETTI, D. M. C. F. Arteterapia e envelhecimento. São Paulo: Casa do


Psicólogo, 2004.

LIMA, M. Um novo paradigma para tratamento do público asilar na terceira


idade. In: PHILIPPINI, A. (Org.). Arteterapia: métodos, projetos e processos.
Rio de Janeiro: WAK, 2007. p.83-90.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Estatuto do idoso. Brasília: Ministério da Saúde,


2003.

VALLADARES, A. C. A. A Arteterapia com criança hospitalizada: uma


análise interpretativa de suas produções. 2007. 222 f. Tese (Doutorado) -
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – Área de Enfermagem Psiquiátrica,
Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2007.

VALLADARES, A. C. A. A Arteterapia e a reabilitação psicossocial das pessoas


em sofrimento psíquico. In: VALLADARES, A. C. A. (Org.) Arteterapia no
novo paradigma de atenção em saúde mental. São Paulo: Vetor, 2004.
p.107-127.

VALLADARES, A. C. A. Arteterapia: cores da saúde. In: JORNADA GOIANA


DE ARTETERAPIA, 1., 2001b, Goiânia. Anais... Goiânia: FEN/UFG/ABCA,
2001. p. 11-17.