O Decreto-Lei no 3.

298, de 20 de dezembro de 1999, dispondo sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, compreende um conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------www.dominiopublico.com.br QUESTÕES SOCIAIS QUE ENVOLVEM O DEFICIENTE AUDITIVO E O MERCADO DE TRABALHO Alexandra Paes MOREIRA* Telma Flores Genaro MOTTI** Madalena Aparecida Silva FRANCELIN*** Mariza Brunini TRUITE**** • RESUMO: O objetivo desta pesquisa foi aprofundar os conhecimentos sobre a realidade do deficiente auditivo frente ao mercado de trabalho. Para tanto foi analisada a classificação socioeconômica, o grau de escolaridade, o acesso ao mercado de trabalho pelo deficiente auditivo de 16 a 21 anos e o conhecimento do mesmo sobre a legislação. A pesquisa foi exploratória e descritiva, sendo entrevistadas 68 pessoas atendidas da área de Saúde Auditiva do HRAC/USP/Bauru. De acordo com os resultados, a maioria dos casos (46; 67,65%), era de escolaridade até o Ensino Médio Incompleto, pertencia à classe socioeconômica Baixa Inferior (36; 52,94%) e apresentava perda auditiva neurossensocial de grau profundo bilateral (24; 35,29%). Estavam fora do mercado de trabalho 46 (67,65%) entrevistados e uma parcela significativa destes (27; 58,70%) referiu desconhecer seus direitos e a legislação. Concluiu-se que é necessária maior divulgação das políticas públicas e da implantação de programas específicos educacionais e profissionais, para que os deficientes auditivos desenvolvam suas habilidades e tenham melhores chances de colocação no mercado de trabalho, favorecendo sua inclusão e o exercício da cidadania. • PALAVRAS-CHAVE: Deficiência Auditiva; Mercado de Trabalho; Legislação.

São Paulo, Faculdade de Fonoaudiologia PUC/SP. Informações e assinaturas: (0XX11) 3670-8168, ou (0XX11) 3670-8170. E s p aço Ines ( Instituto Nacional de Educação da Surdez ) Rua das Laranjeiras 232, 3º. andar Rio de Janeiro/RJ – CEP: 22240-001 Te l . / fax : (0XX21) 285-7284 / 285-7393 / 285-5107 E-mail: ddhct1@ines.org.br Integração

Distribuição gratuita. MEC – Sec retar ia de Educação Especial Esplanada dos Mini s tér ios – Bloco L – sala 600 Bras í l ia/DF – CEP: 70047-901 Te l . : (0XX61) 410-9115 / 410-9116 Fax : (0XX61) 321-9398 E-mai l : seesp@seesp.med.gov.br INTERNET www.feneis.com.br www.entreamigos.com.br (Rede de Informações sobre Deficiência) www.mj.gov.br/webcorde.htm www.mec.gov.br www.saci.org.b --------------------------R EDONDO, M a r i a C r i s t i n a d a Fo n s e c a . O d e f i c i e n t e auditivo e o mercado de trabalho. Tese de mestrado. São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1990. “C a r a c t e r í s t i c a s d o t r a b a l h a d o r p o r t a d o r d e deficiência auditiva e as exigências do mercado de t r a b a l h o : p o te nc i a l i d a d e s e l i m i t a ç õ e s”. Re v i s t a Integração, ano 5, no. 13. Brasília, MEC, 1994

De r d i c (Di v i s ã o d e E d u c a ç ã o e Rea b i l i t a ç ã o dos D i s t ú r b i o s d a C o m u n i c a ç ã o – P U C /S P ) , em S ã o P a u l o , q u e p o s s u i uma b i b l i o t e c a t é c ni ca espec ial i zada em Comuni cação humana e seus distúrbios. Tel.: (0XX11) 549-9488 / 549-9113 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------R I B A S , Jo ã o B a t i s t a C i n t r a . “A p e s s o a p o r t a d o r a d e deficiência no mercado de trabalho em São Paulo”. Anais do Primeiro Seminário Nacional, 17 a 20 de novembro de 1997. São Paulo, Promove, 1992 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------Classificação BIAP (Bureau International d’Audiophonologic) Graus de surdez: - Leve – entre 20 e 40 dB - Média – entre 40 e 70 dB - Severa – entre 70 e 90 dB - Profunda – mais de 90 dB • 1º Grau: 90 dB

• 2º Grau: entre 90 e 100 dB • 3º Grau: mais de 100 dB --------------------------------------------------------------------------------------------------------------

http://conselho.sur10.net
O mercado de trabalho para pessoas com deficiência no Brasil encolheu 12% nos últimos três anos. Nesse período, 42,8 mil vagas foram fechadas nas empresas do país. Esses números constam das estatí sticas do cadastro da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego. A revelação da redução dos postos de trabalho para pessoas com deficiência é ainda mais alarmante quando se compara o número de vagas criadas em geral no país neste período: 6,5 milhões de vagas com carteira assinada. Ou seja, além de não ter criado novas vagas proporcionalmente a esse número, as empresas ainda fecharam os postos que tinham em 2007 para pessoas com deficiência. "Apesar das leis obrigarem a contratação de pessoas com deficiência por empresas com mais de 100 funcionários, a fiscalização e a cobrança pelo cumprimento das leis deixam muito a desejar", afirma Márcio Aguiar, vice-presidente da Associação dos Deficientes Visuais do Estado do Rio de Janeiro (Adverj). Márcio Aguiar lembra que a lei que criou as cotas para as pessoas com deficiência no mercado de trabalho completa, em 2011, 20 anos e, mesmo assim, ainda é descumprida. "Infelizmente os TACs (Termos de Ajuste de Conduta) acabam, de certa forma, punindo quem está do lado mais fraco das relações de trabalho, ou seja, as pessoas com deficiência, já que a desculpa das empresas é que não existem profissionais capacitados para assumir as vagas oferecidas" , lamenta. A Superintendente do IBDD, Teresa Costa d'Amaral, concorda com as críticas aos não cumprimento da lei. "Toda lei é feita para ser cumprida. Vinte anos já foram suficientes para que as empresas passassem a empregar pessoas com deficiência como uma rotina", afirma Teresa d'Amaral. Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência --------------------------------------------------------------------------------------------------

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Site de empregos para deficientes

Site de onde foi extraído o artigo abaixo: http://www.profala.com/arteducesp9.htm

Surdez, Educação e Trabalho: Discursos Constituindo o Surdo Trabalhador
Autora: Madalena Klein 1.Introdução Esse trabalho resulta de uma pesquisa, em andamento, e que pretende se voltar aos discursos sobre a surdez e os surdos, bem como sobre a educação e o trabalho, e que vem constituindo sujeitos surdos trabalhadores. A aproximação a esses discursos não se dá no sentido de procurar encontrar o "realmente dito" ou mesmo aquilo que possa estar encoberto (Foucault, 1980) e que, através da pesquisa, viesse à toa, desvelando, assim, seu sentido verdadeiro. Nem tampouco é intenção revelar a cientificidade ou não desses discursos. Interessa-me, sim, "ver historicamente como se produzem efeitos de verdade no interior dos discursos que não são em si nem verdadeiros nem falsos"(Foucault, 1990: 7). Vou trilhar, ou pelo menos tentar faze-lo, por caminhos insinuados na perspectiva que, de forma instigante, Foucault investigou, e que vem servindo de referência a tantos outros pesquisadores ligados à educação, estimulando outras formas de problematizar os múltiplos temas nessa área. Poderia citar aqui alguns dos pesquisadores que, se valendo de, se assim se pode chamar, um jeito foucaultiano de investigar, têm trazido à educação novas questões que dizem respeito aos sujeitos muitas vezes esquecidos nas discussões generalizadas desse campo. Assim, ajudam-me a caminhar nessa perspectiva, Popkewitz (1995), Walkerdine (1995), Fischer (1995, 1996), Larrosa, (1995), Costa (1996), Costa e Silveira (no prelo), Veiga-Neto (1996), Palamidessi (1996), entre outros, que, em suas investigações, trazem à discussão as discursividades e a constituição dos sujeitos da educação. Entendo, segundo a perspectiva referenciada, que os discursos sobre a surdez e os surdos não se apresentam se forma homogênea. Eles estão inscritos entre diversas formações discursivas, constituídas à partir de diferentes práticas ligadas aos campos da medicina, da pedagogia, da lingüística, entre outros. Esses saberes, articulam-se através de jogos de poder que devem ser entendidos em sua historicidade, levando em conta as suas marcas institucionais, como também a posição e a situação dos sujeitos que falam nesses discursos (Fischer, 1995). Como disse Foucault, em Arqueologia do Saber, as práticas discursivas se referem a "... um conjunto de regras anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço, que definiram em uma época dada, e para uma área social, econômica, geográfica ou lingüística dada, as condições de exercício da função enunciativa" (1980: 136). Será interessante e produtivo, procurar evidenciar as relações entre os diferentes discursos que se inscrevem enquanto formação discursiva sobre a surdez, os surdos, a educação e o trabalho, na tentativa de estabelecer as compatibilidades e incompatibilidades, e assim, evidenciar as regularidades que se inscrevem entre eles.

os discursos não se organizam como tratados. 1996). que instituem padrões institucionais. 1995). aforismos. em detrimento de um projeto pedagógico. se apresenta também enquanto proposta clínica de atendimento as alunas e aos alunos surdos. fazem referência a esta perspectiva clínica terapêutica que tem predominado nas escolas. são discursos que vem interferindo de forma decisiva nas práticas institucionais ligadas a educação dos surdos e sua formação para o trabalho. Segundo Skliar As idéias dominantes nos últimos cem anos são um claro testemunho de um sentido comum segundo o qual os surdos correspondem. enquanto palco pedagógico. é a dispersão: a regularidade é a dispersão. 1996: 52).terapêutica dentro dos projetos educacionais desde o final do século passado. A surdez inserida numa lógica da deficiência: as práticas de reabilitação. Esses. à partir de um espaço epistemológico particular. Machado (1982). Referem-se. (1997b. versão amplificada e exagerada da pedagogia corretiva de princípios do século XX e vigentes até o momento. Como bem explicita Popkewitz: A importância da idéia de campo discursivo (o que Foucault chama de "região") está no fato de que ela nos permite focalizar a forma como os discursos historicamente construídos em locais fisicamente diferentes juntam-se para formar uma plataforma a partir do qual a individualidade é definida. Refiro-me aos discursos sobre a integração dos sujeitos surdos na sociedade. máximas. Pensando em diferentes discursos envolvidos nos campos discursivos. assim. A individualidade parece transcender eventos e ancoragens geográficas sociais particulares. à educação e ao trabalho. aos discursos que determinam regras. 2. constituídos a partir de diferentes formações discursivas. sim. Como disse o filósofo francês. 1997b. que classificam.(Fischer. é a idéia de campos discursivos. A hegemonia de discursos ligando à surdez a questão médica. a análise do discurso vai em busca de regularidades que estão dentro de uma "nuvem de enunciados". A escola. Assim. ou seja. O ponto de unidade do discurso. Para Foucault. "os discursos devem ser tratados como práticas descontínuas. Skliar (1997 a. que se cruzam por vezes.terapêutico. ensaios (Veiga-Neto. Interessante. pretendo apresentar alguns daqueles que considero estarem em jogo na construção desse campo que se refere à surdez. entre tantos outros. bem como aos discursos sobre a deficiência. Autores como Sanchez (1990). não dizem respeito ao espaço físico onde eles se produzem.). onde sujeitos surdos trabalhadores são formados. encaixam-se e adaptam-se com naturalidade a um modelo clínico . e por onde as subjetividades vão sendo formadas. ( Popkewitz. mas também se ignoram ou se excluem" (Foucault. procurando contextualizar historicamente a educação de surdos. enquanto condição a ser superada. não interessa se o discurso tem uma lógica interna. nessa perspectiva. argumenta que. 1995: 203) Campos discursivos não dizem respeito a um contexto onde os discursos se efetivam. mas sim em fragmentos. fez predominar uma abordagem clínico .: . persistindo até os dias de hoje. se assim se pode falar. onde são formadas subjetividades e onde há desdobramento de poder. para Foucault.

onde a escola distingue-se por ensinar as crianças a fala e a disciplina. a que a autora chama de fase do isolamento. o que Sanchez (1990).248) Ainda hoje podemos perceber. são várias as referências aos objetivos e realizações dessas associações. então. consideradas necessárias para a inserção no mercado de trabalho Encontramos aí um entendimento da surdez enquanto algo a ser reabilitado. e até equivocado falar em reabilitação. e que entende o surdo enquanto sujeito deficiente. 3. inclusive se refere a primeira associação de seu país como sendo formada a partir do encontro de artesãos. se pretende corrigir. (. 1992: 21). em diferentes escolas para surdos.. Isso pode ser associado a uma concepção clínica. a se adaptar ao uso de um aparelho auditivo.. tinham um papel fundamental no . como se fosse necessário reparar algo que já falhou. sendo esse o discurso hegemônico nas escolas do final do século. onde. e era característico do período que o objetivo da associação surda fosse semelhante ao objetivo das associações de trabalhadores. pretendiam encontrar emprego para trabalhadores especializados que estivessem desempregados. e ainda presente. Interessante pensar que. o surgimento de associações de surdos no período entre 1866-1893. segundo Padden e Humphries (1988). 1995: 73). acabam por determinar a forma de interpretar todos os outros aspectos de suas vidas. já referida anteriormente. a socióloga Jonna Widell (1992) apresenta uma fase da história dos surdos. Associações e clubes de surdos promovendo ações ligadas ao mundo do trabalho: a presença dos discursos da deficiência e da integração A maioria da comunidade surda consistia de trabalhadores especializados. As associações. se as escolas de surdos atendem a crianças e jovens que ainda não foram inseridos no mercado de trabalho. são exemplos de reabilitação que se estendem para além do espaço da escola e chega também aos locais de trabalho. a partir da falta de audição. Exemplo disso são os Programa de Informação e Orientação Profissional de escolas de surdos. e que. A citação acima refere-se ao relato que a socióloga dinamarquesa faz sobre as fases históricas da cultura surda. No texto. onde a realização desse tipo de programa dentro da escola é justificado como"parte integrante do processo de reabilitação. Grande parte desses constituíam-se de mão-de-obra mal escolarizada. O sentido de reabilitação é bastante encontrado em diferentes projetos direcionados às questões do Trabalho nas escolas de surdos. muito mais que educar.) Além disso. recreação e assistência. chama de pedagogia ortopédica. possibilitando a sua (do surdo) plena integração à sociedade" (Strobel e Dias. mesmo em décadas mais recentes. A autora. mais especificamente. nos discursos que circulam pelas escolas de surdos. onde surdas e surdos devem se adequar as exigências do mercado que busca a eficiência e a lucratividade. também a preocupação com o trabalho era privilegiada. motivados por iniciativas semelhantes ocorridas em outros países. valendo-se de Foucault. (Widell. é estranho. Os registros encontrados fazem referência a situação dos surdos da época. Através de um relato histórico da vida dos surdos da Dinamarca. ocorrendo exploração por parte das indústrias. sendo que entre ações de lazer. Práticas voltadas a fazer falar.

e as ações daí efetivadas partem de uma idéia de reabilitação e de normalização. As associações de surdos. Essa Instrução Normativa refere-se ao trabalho para pessoas portadoras de deficiência que oferece atividades com fins terapêuticos. A tensão entre esses diferentes termos é uma constante nos pronunciamentos encontrados em documentos. principalmente após o Ano Internacional dos Deficientes promovido pela ONU. há uma compreensão equivocada no uso desse termo. uma vez que vamos encontrar um discurso. o termo passa a ter uma conotação útil e desejada. a questão do trabalho foi inserida num discurso de conquista de cidadania. Porém. Padden (1993) em entrevista para uma revista. onde o autor comenta sobre as incertezas entre os líderes surdos sobre as estratégias no uso de termos que os identificam com incapacitados. 37º. Mesmo fazendo referência a uma negativa ao enunciado da deficiência. Esse é um ponto que considero interessante e importante para a discussão sobre a educação dos surdos e o trabalho. que institui o programa de treinamento profissional junto as empresas. etc. canais de TV. Encontramos nessas leis uma concepção de sujeito a partir de sua deficiência. A autora segue seu relato. como também nas negociações no sentido de conquistas legais de garantia de educação e trabalho. art. ao lazer. A preocupação com o trabalho esteve sempre associada com a possibilidade de independência. discurso esse inserido numa lógica neo-liberal que. eram discutidos" (Widell. Nas últimas décadas. Era na associação que as soluções para problemas como afrontas. à profissionalização. Também encontramos elementos para essa discussão em Wrigley (1996). e isso ocorre de forma intensiva em diferentes países. tanto das escolas quanto das associações no sentido de demonstrar as competências. de autonomia das pessoas surdas. evidenciando uma tentativa de mudança de concepção. inciso VIII) e a Instrução Normativa N. esse termo tem uma finalidade política nos Estados Unidos. No Brasil são conquistas desses movimentos a lei de reserva de mercado (Constituição Federal. reportagens. e que ocorre sob a tutela de entidades que tenham o objetivo de assistir o deficiente. Assim. fala sobre as reações das pessoas surdas ao termo descapacitado ou deficiente. dizendo que nas primeiras décadas desse século "é graças a socialização terciaria na associação dos surdos-mudos que a comunidade surda aprendeu a ascender socialmente no emprego. de reabilitação. no ano de 1981. significando dinheiro de fundos para apoiar as pessoas surdas. É muito comum o uso do termo deficiente com a letra d riscada. quando o caso é referir-se a Língua de Sinais e a cultura das pessoas surdas.treinamento desses surdos. Segundo ela. juntamente com o movimento de pessoas portadoras de deficiência (cegos. ao emprego. sindicatos. operários. esses discursos falam desde uma visão binária. onde um . reinscrevem-se na lógica da deficiência. a eficiência das pessoas surdas. a educação. material de divulgação veiculado pelas associações de surdos em nosso país. deficientes físicos.º 5 de 30/08/91 do Ministério do Trabalho e da Previdência. para que tenham acesso a telefone. utilizados por esses grupos. As ações reivindicatórias por leis que garantam o acesso ao trabalho são prioridades das associações. 1992: 36). mentais) iniciaram campanhas intensas no sentido de propagar os direitos dos cidadãos com deficiência: direitos a atendimentos qualificados.

percebemos falas e práticas relacionadas a uma deficiência a ser superada. entre outros. Dentro dessa argumentação. Com os convênios firmados pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos . ressalta que "paradoxalmente. É através deste que o indivíduo comprova sua capacidade igualitária de produção. nas relações de trabalho. contrapondo-se aos discursos dos surdos. ainda. um grupo. que não existe de um lado os discursos dos ouvintes. toma para si o encargo de "lutar por" condições de reconhecimento da competência dos surdos. A eficácia desses discursos dominantes está na normalização. Entre desenhos de surdos desempenhando funções de digitadores e de operadores de máquina de xerox. oralidade/gestualidade. apresentam-se enquanto discursividade predominante.elemento tem sua comprovação a partir da existência/convivência com outro termo opositor que definiria a norma. propõe o abandono das grandes narrativas e dos contrastes binários na Educação de Surdos: A questão das oposições binárias na educação dos surdos normalidade/anormalidade. surdo/ouvinte. . enfim.FENEIS. 1992: 4). Realizam ações conjuntas junto aos governos e aos empresários. Davis.aparece entretanto hoje como um dos fatores de risco mais nocivos na análise da realidade educacional relativa aos surdos e cujo enraizamento ideológico parece tão inevitável como insuperável. Poderíamos incluir.). no que Skliar (1997b: 259 ) denomina de "ouvintismo" dos surdos a partir das práticas pedagógicas. poderosos. Em uma reportagem sob o título Surdos X Mercado de Trabalho está dito que "esse trabalho realizado pela Feneis faz com que muitas empresas passem a ver o surdo como uma pessoa capaz de trabalhar. o surdo vem conquistando um espaço maior e demonstrando seu potencial em várias áreas. dizendo o que ele é. há uma chamada com esses termos: "Procura-se empresários que exijam dedicação e eficiência". apud Silva (1997: 9) embora reconhecendo essa distinção como estratégia política. acaba-se por restituir. Num cartaz distribuído pela FENEIS (s. produzir. etc. ser útil à sociedade". ou mesmo reinscrever. Davis. As práticas das escolas e dos movimentos surdos. Tanto nas escolas quanto nos movimentos surdos. aumentando assim o interesse das grandes empresas. Quero argumentar aqui. paraplégicos. sendo que um dos momentos privilegiados para isso é o ambiente de trabalho. (Braga. afinal. a oposição eficiente/deficiente que. essa operação acaba por restituir aos discursos dominantes sobre a surdez parte de sua eficácia retórica". Uma instituição. ao admitir que. no controle.t. o discurso hegemônico da deficiência. maioria (ouvinte)/minoria (surda). procurando . muitas vezes se aproximam a uma tutela. LUCRE INVESTINDO CERTO NO SEU PESSOAL.n. Muitas associações de surdos somam esforços com entidades representativas de pessoas portadoras de deficiência tais como cegos. apud Silva (1997). Ao procurar riscar a letra d. existe um núcleo físico que pode ser separado de sua definição social e cultura. como também Wrigley (1996) fazem referência a uma distinção comum na língua inglesa aos termos surdo (fato físico da surdez) e Surdo (surdos enquanto grupo cultural e comunidade lingüística). Skliar (1997b: 263). lemos o seguinte texto: O trabalho é o principal meio de integração do homem na sociedade. no sentido de encaminhamentos ao trabalho.

como patologias medicalizáveis a serem corrigidas. Dentro do registro das deficiências eficientes encontramos uma carta aberta aos empresários de Campo Grande . ficando em segundo plano. Para a realização deste projeto é firmado um Convênio entre Secretaria de estado de Educação e o empresário. artigos. (Walkerdine. acaba reafirmando. 4. Porque ele possui a motivação. ou . cuja diretora é uma professora surda. pois.1). refere-se a abordagem científica em relação ao raciocínio das crianças.MS. Percebemos nesse documento um discurso que.o trabalhador. a supervisão e o fornecimento dos meios necessários à aprendizagem e a realização do trabalho"(MATO GROSSO. explicitando o pensamento de Foucault acerca da regulação dos sujeitos. com a deficiência. Walkerdine (1995). A predominância nesses discursos dizem de um homem . Todos os desvios destas normas aparecem. fica evidenciada a ausência de uma personagem: a mulher surda. A mulher surda trabalhadora: uma presença "ausente" Na pesquisa aos documentos. ou reinscrevendo esses sujeitos numa lógica da deficiência. nas atividades compatíveis às suas habilidades e interesses. Isto é parte central da moderna estratégia de governo na qual um cidadão governável. procurando convencer os empresários das competências da pessoas portadoras de deficiência. cartazes que falam do surdo trabalhador. torna-se necessária a intervenção. obediente e cumpridor das leis deve ser produzido por técnicas que não são necessariamente técnicas de supressão direta. É normal que você empresário sinta algumas dúvidas em dar emprego a uma pessoa portadora de deficiência. por parte das suas associações. Talvez nunca tenha pensado nisso. onde compete à Secretaria de Estado de Educação/CEADA. Os empresários não precisam se preocupar com o desvio. mas que transformam as características desejáveis em normais e naturais. 1995: 210). A Secretaria de Educação desenvolve um projeto de integração do portador de deficiência no Mercado de trabalho. Mas isso pode ser uma vantagem. 198?: 1) O programa incorpora-se às "tecnologias" no sentido da regulação e da produção de uma "verdade" sobre um surdo adequado às exigências do mercado de trabalho. requisito desejável para a integração no mundo do trabalho. no sentido de transformar essa deficiência em competência. Acreditar nas capacidades profissionais de uma pessoa portadora de deficiência é dar-lhe a oportunidade de as poder comprovar. uma vez que o programa faz o "acompanhamento.198?: . onde ela fala sobre as estratégias de governo no sentido de transformação dos desvios em características desejáveis. dedicação e força de vontade necessárias para aprender uma profissão. supervisão e fornecimento dos meios necessários à aprendizagem e realização do trabalho. divulgada pela Secretaria de Educação daquele estado em conjunto com um centro de atendimento aos surdos. o qual visa o treinamento dentro da Empresa. Para que haja uma integração.garantias de seus direitos. o encaminhamento. se não uma tutela.(MATO GROSSO.

sem que haja qualquer referência sobre suas condições de mulheres surdas trabalhadoras. O documento Reflexões sobre a condição da mulher portadora de deficiência distribuído pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro trata. Exemplo disso são alguns dos trabalhos apresentados por ocasião do XII Congresso Mundial da Federação Mundial dos Surdos. branco. Vem ocorrendo mudanças lentas nesse sentido. A segregação social e política a que as mulheres foram historicamente conduzidas tivera como conseqüência a sua ampla invisibilidade como sujeito . Japão. que se possibilitem narrar-se. ao analisar a educação de surdos. ficando o suicídio como saída para o desespero. ou seja. Tornar visível aquela que fora ocultada foi o grande objetivo das estudiosas feministas desses primeiros tempos. do quanto as famílias as protegem. uma padaria industrial. não acreditam em suas possibilidades. uma cartonagem e uma sala de digitação. não havendo lugar a outras diferenças. refere-se a existência de um currículo angustiante. dos 34 profissionais pesquisados. Skliar (1997 a). Ao ser referida a categoria surdo. Apenas nesse último quadro está retratada a figura feminina. Ele dizia do quanto que a vida das moças surdas é difícil. O estigma de ser mulher deficiente está presente tanto nas respostas de mulheres às pesquisas.17) Trazer à visibilidade essas mulheres ainda é uma condição tímida nos discursos que falam sobre surdez e trabalho. Certa vez ouvi o depoimento de um surdo que participou de uma peça de teatro onde uma jovem surda teria cometido o suicídio. A capa de uma das publicações da FENEIS traz o desenho de quatro situações de trabalho onde surdos estão envolvidos: uma gráfica. que falavam das condições de surdos negros. 1997. onde quem está presente é um homem ouvinte. surdas lésbicas. Os depoimentos ali apresentados falam de uma dupla discriminação "pelo próprio fato da pessoa em questão ser mulher e por ser portadora de deficiência" (p. Essa pesquisa fala sobre o treinamento de arquitetos profissionais ao nível universitário na cidade de Tsukuba. que aparecem apenas enquanto número estatístico. em uma de suas seções. como também da necessidade de esforçarem-se no sentido de serem "supermulheres". Um exemplo está numa pesquisa apresentada no Congresso anteriormente referido. onde.27). 7 são mulheres. para tentar superar. (Louro. encontramos várias mulheres surdas destacando-se na luta pelo reconhecimento da Língua de Sinais. Elas estão aí. faltando ainda que se deixem falar. surdas mulheres africanas. inclusive.mesmo esquecidas es especificidades dessa mulher surda que ascende ao mundo do trabalho.30). interferindo nos discursos . sobre o trabalho. as chamadas mulheres normais"(p. profissional. em Viena. da valorização das pessoas surdas. Na história dos movimentos surdos. interferindo nas vidas das pessoas surdas. e outras para os homens. São mulheres que vêm possibilitando uma visibilidade enquanto sujeitos. p. entre outros. quanto na fala de homens surdos que muitas vezes consideram a situação da mulher surda quase que beirando a tragédia. no ano de 1995. surdos gays. tem-se a impressão de que essa expressão é suficiente. representam uma minoria.inclusive como sujeito da Ciência. passando uma idéia de que algumas atividades são para as mulheres.

Porto Alegre: CMDCA. porém tentando ver de outros lugares. pretende estar inscrita nessa perspectiva.. assim. passando a perguntar sobre as práticas discursivas e não discursivas que constituem esse sujeito e desafiando. Junto com os discursos. . moldam o mundo de tal forma que não há sentido fora desse registro. "as convenções nas quais essas práticas ocorrem" (Popkewitz. BRASIL. ocorrem "exclusões de uma forma de conhecimento. p. abordagem essa que vem sendo discutida e criticada pela comunidade surda. reinam. Eles não estão em julgamento. Outros discursos se atravessam. ensaiando outras possibilidades de se pensar sobre esses sujeitos surdos inseridos no campo do trabalho. Dispõe sobre o Estatuto da criança e do adolescente e dá outras providências. Pensar a surdez sob o foco da epistemologia requer um descentramento do sujeito surdo. simplesmente. 1995: 207). a possibilidade de "mexer" com as essencialidades. mudam. contestadas. as hegemonias são instáveis.20) que a surdez é um problema epistemológico.terapêutica. como Wrigley (1996. atravessando os espaços escolares como também os dos movimentos surdos. Adriana. da falta. Se há algum mérito nele. nas suas relações de saber/poder envolvidos nos discursos que falam dos sujeitos surdos. Numa perspectiva pós-estruturalista "todo saber é colocado sob suspeita. apud Silva (1994) e Veiga-Neto (1995) os discursos. p. Surdos x Mercado de Trabalho. fev. Eis as possibilidades. 1992.se ordena. Compreendo. 1997). espero que seja. 1996: 211). ao falar do surdo trabalhador. compensada. de uma modalidade de comunicação e de uma identidade social e humana". procurando não enquadrar os movimentos surdos dentro de uma escala de valor entre o certo e o errado. Constituição Federal. estrutura e transforma historicamente.069 de 13 de julho de 1990. que no momento apresento. Ao falar principalmente à partir de um registro privilegiado (modelo médico. Neles. Os discursos que falam desse sujeito surdo enquanto trabalhador encontram-se emergidos num discurso da deficiência. Segundo Popkewitz.. provisórias. Também não se trata de buscar o discurso verdadeiro sobre a surdez e os surdos. (Palamidessi. Considerações finais O tema Educação e Trabalho vem acompanhando as práticas educacionais para os surdos. Eficiência e competência são discursividades que. a ser reabilitada. as representações sociais emergem. Lei Federal n. num campo discursivo que ". Referências Bibliográficas BRAGA. 5. para logo desaparecer". todo saber é visto como relação social" (Silva. Esse trabalho. entendendo epistemologia em seu sentido político. 1996. Os discursos resultantes desse olhar investigativo será apenas mais um entre tantos discursos. _____. 8.4. por exemplo). reafirmam discursos hegemônicos de uma abordagem clínico .hegemônicos que tratam das questões do trabalho e da surdez como um espaço masculino. Desafio de Hoje. ordenados de uma certa maneira.

1997.. Ciência e Saber: a trajetória da arqueologia de Michel Foucault. São Paulo: Edições Loyola. AZEVEDO. 3. Marisa. Uma perspectiva pósestruturalista. COSTA. 258p. Michel Foucault e Educação: há algo de novo sob o sol? In: .que problema é esse no Brasil? Belo Horizonte. MACHADO.. A análise do discurso: para além das palavras e coisas. Texto digitado. Rio de Janeiro: 1992.7-18. Surdez?. 164p. PADDEN. 1995. PADDEN. FOUCAULT. 1995. Carol. Carol. Atas do Congresso. DIAS. 12. ed. V. 1995.21. POPKEWITZ.73-77. SILVA. Jorge.. p. 1995. Práticas discursivas. 1988. 1997. _____. STROBEL. 1996. 9. 37-60. Caracas: Editorial Ceprosord.2.) Identidade social e a construção do conhecimento. Mariano I. Porto Alegre: UFRGS. 164p. La producción del "maestro constructivista" en el discurso curricular.). 1996. Petrópolis: Vozes. Tecnologias do eu. Microfísica do poder. Mendoza: EDIUNC. Mariza. Guacira L. FENEIS-Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. 1982. Instrução Normativa n. Ed./dez. Tomaz Tadeu da. jul. p. 1996. 1995. Porto Alegre: Secretaria Municipal de Educação. 1997a. Surdez: abordagem geral. la arqueologia. 1995. Rio de Janeiro: Forense. [ 198?] . La educación de los sordos. Arqueologia do saber. no prelo) DÍAZ. n. In: SILVA. p. 1990. Belo Horizonte: FENEIS. da República Federativa do Brasil. Rio de Janeiro: Graal.173-210. _____. p. A reestruturação curricular e as políticas educacionais para as diferenças: o caso dos surdos. Rosa. T.) O sujeito da educação: estudos foucaultianos.2. Tomaz Tadeu da. COSTA. A ordem do discurso.1993. In: COSTA. VEIGA-NETO. Educação e Realidade. Brasília. p. CEDIM-Conselho Estadual dos Direitos da Mulher-RJ Reflexões sobre a condição da mulher portadora de deficiência. Esther. Porto Alegre: Medicação. Silvania M.35-86. S. 2. dos. p. v.ed. In: SILVA. Una reconstrucción histórica.. SKLIAR. Carlos. Mar. Ministério do Trabalho. La increible y triste historia de la sordera. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. _____ . Educação e Realidade. Karin L. 191-214. Thomas S. (org. In: SILVA. Marisa. José C. LOURO. Carlos. Tomaz Tadeu da (org. ed. Novos olhares na pesquisa em educação. FISCHER. Voices from a Culture. cognitiva y pedagógica. Diário Oficial de 22 de outubro de 1991. História do Currículo. 1995 ______. 258p. Michel Foucault: los modos de subjetivación. _____.5-8. Caminhos investigativos: novos olhares na pesquisa em educação. Alfredo. In: _____. Cambridge: Harvard University Press. Deaf in America. Afeto e domesticidade na constituição das identidades femininas para a docência. p. Luiz H. Campo Grande: SEC/CEADA. LARROSA. (texto digitado. v. 86p. (org. HUMPHRIES. regulação social e poder. In: _____.20.. Carta aberta aos empresários. Rosa M. Porto Alegre: Medicação. jul. Desenvolvimento integral do surdo "enquanto pessoa". n. MATO GROSSO. PALAMIDESSI. SILVEIRA. Buenos Aires: Almagesto: 1993. "Sharing a Culture". Dispõe sobre a fiscalização do trabalho das pessoas portadoras de deficiência._____. SÁNCHEZ. Petrópolis: Vozes. Rio de Janeiro: Graal. 1996. da. p. 2. Roberto. 1990. Edmilson S. sexualidade e educação. 2. 1980. Curitiba: APTA. ed. Secretaria de Educação.16-22. WFD News. 18-37. Viena..5 de 30 de agosto de 1991. p. SANTOS. 1997b. Petrópolis: Vozes. Michel. CONGRESS of the World Federation of the Deaf. A política e a epistemologia da normalização do corpo. B. Gênero. A paixão de 'trabalhar com' Foucault. Caminhos investigativos: novos olhares na pesquisa em educação./dez.

pdf A inclusão de pessoas portadoras de deficiências nas organizações como oportunidade para o desenvolvimento local RESUMO Com a criação da Lei que estabelece cotas para a inclusão do profissional portador de deficiências nas organizações. O raciocínio em tempos pós-modernos.C: Gallaudet University Press. Porto Alegre. Mas o fato. . p. Palavras-chave : Lei.br/seget/artigos08/456_INCLUSAOeDESENVOVLIMENTO. WRIGLEY. v. para que além de atender uma legislação específica. p./dez. n. onde de um lado a lei determina que o empregador é obrigado a manter uma cota de profissionais portadores de deficiência em relação ao número de empregados da empresa. PPG-Educação (UFRGS). 207-226. está o indivíduo portador de deficiência que sem ter culpa de sua condição. . bem como fazer uma análise do problema através da metodologia de pesquisa de campo que realizamos em algumas empresas. Inclusão. Revista do GELES. Jonna. WIDELL. 260p. As fases históricas da cultura surda. Alfredo (org.VEIGA-NETO. órgãos governamentais e dos próprios profissionais portadores de deficiências.20.) Crítica pós-estruturalista e educação. D. bem como sugerir parcerias entre as organizações. Valerie. Deficiência. _____. o assunto inclusão de portadores de deficiência. por outro.. criou-se um impasse: De um lado a lei obrigando a contratação do portador de deficiência e do outro as organizações enfrentando uma série de problemas de caráter estrutural. A ordem das disciplinas. Tese de doutorado. 1992. a fim de conhecermos um pouco mais sobre a questão da inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho. 1995. p. The politics of the deafness.9-56. WALKERDINE. o que possivelmente resultará num processo de desenvolvimento. fazendo-se assim necessário uma parceria para solucionar esse conflito. O objetivo deste trabalho é apresentar as principais barreiras que impedem o acesso do portador de deficiência nas organizações. Washington. ================================================= http://www. com mais de 100 empregados. 1996. jul. Empresa. O assunto inclusão de portadores de deficiência nas organizações tem sido alvo de discussões e debates entre empresas. Nº 6. o empregador alega que não contrata profissionais portadores de deficiência por não os encontrá-los no mercado de trabalho.2. pois no meio dessa discussão. Porto Alegre: Sulina. é que pouco tem sido feito para a solução dessa situação. educacional e social que dificultam essa inclusão. 2049. continua na maioria das vezes pagando sozinho uma conta que deveria ser dividida entre o estado a empresa e a sociedade. 1996. 1 INTRODUÇÃO Após a criação da lei 8213/91 que em seu artigo 93 estabelece cotas compulsórias a serem respeitadas pelos empregadores na admissão e demissão para inclusão de Profissionais Portadores de Deficiências (PPD’s) em empresa que tenham em seu quadro funcional 100 ou mais empregados. Owen.aedb. 1995. Educação e Realidade.

.1%da população são portadores de deficiência múltipla. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde( Cartilha do Ministério do Trabalho do Rio Grande do Sul ) estima-se que no Brasil temos o seguinte quadro mínimo e crescente em relação a portadores de deficiências: . entre outros. que pode ser: temporária. Contudo. o Médico do trabalho deve apenas pressupor que o candidato está apto para uma determinada atividade. sabemos que o mercado de trabalho está competitivo. a NR 07 que veio revolucionar a saúde ocupacional em nosso país a partir de dezembro de 1994. indefinida.É a redução ou falta de capacidade para realização de determinada tarefa em decorrência da deficiência.4. permanente. possa ser também motivo para o desenvolvimento local. define a realização.2%da população são portadores de deficiência física. Incapacidade . procurando proteger o trabalhador em relação aos riscos existentes nos ambientes de trabalho e para orientação do empregador. baseado no perfil profissiográfico. e exige cada vez mais dos profissionais o desenvolvimento de suas habilidades e competências. . que é a capacidade de uma pessoa para realizar de forma eficiente uma ocupação. Intermitente. Não deve o Médico do Trabalho selecionar o mais apto. pode ser visto sob vários aspectos. . O mesmo anexo classifica a incapacidade como incapacidade total ou absoluta. Específica (para determinada função) Múltipla. de exames admissionais e de retorno ao trabalho. .Qualquer perda de função ou anormalidade em estrutura do corpo humano. A Norma define a aptidão laboral. De acordo com a cartilha de Portadores de Deficiência do Rio Grande do Sul. em seu item 7.2%da população são portadores de deficiência auditiva. Além disso. O Anexo do Decreto nº 3048 de 12/05/99. para Deficiência e Incapacidade da seguinte forma: Deficiência . Se para os “ditos normais” . Incapacidade Parcial.5%da população são portadores de deficiência mental. que é a completa incapacidade de realizar qualquer trabalho. 2 O CONCEITO DE PORTADORES DE DEFICIÊNCIA O termo “Portador de Deficiência”. que é a diminuição parcial da aptidão laboral. adotou as definições da Organização Mundial da Saúde. e não ficar a procura de algo que signifique a inaptidão do candidato. Ao realizar um exame. mas verificar se o candidato cumpre condições mínimas para o cargo em questão. que aprovou o Regulamento da Previdência Social.possa além de ser um motivo para o desenvolvimento social.1%da população são portadores de deficiência visual. cabe primeiramente definir os conceitos de deficiência e Incapacidade.

.... cultural. a ONU aprovou o programa de Ação Mundial para as Pessoas com deficiência. as organizações cada vez mais voltadas para a questão de habilidades e competências. Diante disso.. muitas empresas ainda não se reestruturaram para receber indivíduos portadores de deficiências. existe um fator legal... ainda representa uma grande muralha que impede o acesso de um profissional portador . segundo Pastore. os serviços sociais e de saúde.. que de acordo com a mesma... não pararam para analisar a questão desses profissionais.....1 BARREIRAS ESTRUTURAIS Com o “boom” tecnológico. 3% De 501 a 1000 empregados:... E ainda observa-se que a construção de uma simples rampa. auditiva.. no sentido das empresas contratarem profissionais portadores de deficiências....... Apesar da legislação específica para portadores de deficiências............conseguir um posto de trabalho está difícil......... buscam profissionais prontos no mercado. elaborada pelo MIT-RS ( Ministério do trabalho do Rio Grande do Sul ).. as oportunidades de educação e de trabalho.. Existe uma série de fatores que impedem o cumprimento dessa lei.... 5% Em seu § 1º a lei também estabelece que o desligamento de um empregado reabilitado ou portador de deficiência. e com isso. cujo artigo 12º diz o seguinte: A igualdade de oportunidade é o processo mediante o qual o sistema geral da sociedade – meio físico...... a habitação. identificar algumas dificuldades em relação à inclusão do profissional portador de deficiência no mercado de trabalho. Apesar de terem que cumprir uma legislação específica...... (2000 – pág 35) o artigo 8º da Declaração dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência estabeleceu que : “As pessoas portadoras de deficiência têm o direito de ter as suas necessidades especiais levadas em consideração em todos os estágios de planejamento econômico e social”.. visual. 2% De 201 a 500 empregados:.. Porém. mental ou orgânica..... Ainda Pastore (2000 – pág 35) diz que em 1982 .... e muitas vezes. a vida cultural e social.... a realidade ainda é diferente..... pode-se observar através do resultado de uma pesquisa de campo. Essas dificuldades estão relacionadas as seguintes barreiras: 2.. as empresas precisam arrumar justificativas por não estarem cumprindo as cotas estabelecidas.... inclusive as instalações esportivas e de lazer – torna-se acessível a todos. Atualmente......... podemos imaginar que a situação é ainda mais preocupante quando falamos em mercado de trabalho para pessoas portadoras de deficiências múltiplas.... como física.. 4% Mais de 1001 empregados:... que é a Lei nº 8213 de 24/07/91 e que em seu artigo 93 obriga as empresas com mais de 100 empregados a preencher de 2 a 5% de seus cargos com PPD ou beneficiário reabilitado na seguinte proporção: De 100 a 200 empregados:. só pode acontecer após a contratação de substituto de condição semelhante. podemos observar algumas ações do governo em relação a questão do Profissional portador de deficiência. citamos a cartilha de Portadores de Deficiência... ou desenvolvem aqueles que têm “maior facilidade” de assimilação e adaptação ao processo dinâmico da mudança. o transporte..

e não tem a mínima condição de desenvolver atividades que realmente preparem indivíduos portadores de deficiência. 2. Para tanto. esse fato é de grande relevância no contexto da gestão pela excelência. Isso sem contar. discriminação ou segregação. Observa-se pouca vontade política para criação de instituições ou até mesmo reestruturação de instituições que já existem.2 BARREIRAS EDUCACIONAIS As instituições de ensino público. 3 METODOLOGIA PARA LEVANTAMENTO DAS INFORMAÇÕES Apesar de ser um assunto bastante discutido. estão caóticas. utilizamos algumas referências bibliográficas e elaboramos uma pesquisa de campo para identificação de alguns dados referentes a questão da inclusão do profissional portador de deficiência nas organizações. . é preciso o interesse das organizações e uma cobrança maior por parte dos governantes. e que os façam sentir úteis e não mais vistos como “deficientes”. Neste contexto. a coesão social e o compromisso social com a equidade. acesso a refeitórios. Para Pastore (2000. a liberdade. e isso as vezes acaba aumentando ainda mais o problema. mas por se tratar de um assunto relativamente novo. e através de uma parceria com as organizações. elevadores internos.pág 87) com a elevação do nível educacional e o advento das novas tecnologias de telecomunicação e informática. que faz com que o indivíduo se sinta ainda mais incapaz e entregue a sua própria sorte.3 BARREIRAS SOCIAIS Por serem considerados “deficientes” os indivíduos são vistos pela sociedade e na maioria das vezes por seus próprios familiares como responsabilidade do governo. pois soma pontos nos casos de certificações e prêmios de excelência e corrobora com a organização no sentido de elevar a sua imagem perante seus clientes e a sociedade onde a mesma esta inserida. ainda existe pouca bibliografia a este respeito. a dignidade. mas para isso acontecer. banheiros específicos. pois como podemos perceber pouco tem sido feito neste aspecto. para o mercado de trabalho. etc. aumentam as possibilidades de adaptação do portador de deficiência e sua inclusão nas organizações. como uma forma de proteção contra preconceitos. Para Francisco Paulo de Melo Neto (2004 – pág 36) a empresa socialmente responsável tornase cidadã porque dissemina novos valores que restauram a solidariedade social. desenvolver projetos específicos que agreguem realmente valor para os indivíduos. é necessário também que a empresa seja socialmente responsável. A empresa socialmente responsável desenvolve em seu arcabouço de competências organizacionais o compromisso de ir além do que exige a legislação. e até preferem que eles continuem sendo mantidos assim. Muitos buscam uma aposentadoria por invalidez. Concordamos com Pastore. além do que. mas que ainda estão longe de atender a demanda de perfil dos profissionais exigidos pelas organizações. que tem por obrigação de mantê-los.de deficiência no quadro funcional de uma empresa. a democracia e a melhoria da qualidade de vida de todos que vivem na sociedade. O que se observa são alguns projetos sociais paliativos e artesanais que buscam desenvolver algumas habilidades. 2.

A empresa recorre a algum tipo de instituição para auxiliar na identificação desses profissionais? Se Sim. Quais ? sim( ) não ( ) 4. contendo 10 questões relacionadas da conforme Quadro 1. A empresa utiliza um processo de seleção específico para PPD? sim( ) não ( ) 5.A pesquisa levantou dados sobre questões relacionadas diretamente com a inclusão do portador de deficiência física no ambiente organizacional. Existe algum tipo de preparação para as pessoas da área onde o PPD será incluído ? Se sim. A empresa tem convenio com alguma instituição de ensino ou capacitação para preparação desses profissionais antes da contratação?Se sim. pesquisados através de questionário aberto. Os PPD`s são contratados diretamente para o quadro funcional da empresa? sim( ) não ( ) 8. A área de recrutamento e seleção da empresa tem facilidade para identificar e contratar Profissionais Portadores de deficiência? sim( ) não ( ) 3. Você concorda com a legislação que estabelece cotas para PPD ? sim( ) não ( ) . que tipo de preparação? sim( ) não ( ) 6. Quadro 1 – perguntas do questionário QUESTÕES sim não 1. quais ? sim( ) não ( ) 7. A empresa já esta preparada estruturalmente para receber um PPD? sim( ) não ( ) 2. Na área de RH da empresa algum profissional Portador de Deficiência? sim( ) não ( ) 9.

A empresa recorre a algum tipo de instituição para auxiliar na identificação desses profissionais? 45% sim 55% não 4. A empresa utiliza um processo de seleção específico para PPD? 55% sim 45% não 5. Os PPD`s são contratados diretamente para o quadro funcional da empresa? 36% sim 64% não 8. quais os principais motivos ? sim( ) não ( ) O questionário foi aplicado em 11 empresas de diversos ramos de atividades na região Sul Fluminense. Existe algum tipo de preparação para as pessoas da área onde o PPD será incluído ? 36% sim 64% não 6. A empresa tem convenio com alguma instituição de ensino ou capacitação para preparação desses profissionais antes da contratação? 25% sim 75% não 7. Na área de RH da empresa existe algum profissional Portador de Deficiência? 9% sim 91% não 9. 4 RESULTADOS DA PESQUISA E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Abaixo. A empresa já esta preparada estruturalmente para receber um PPD? 9% sim 91% não 2. e que possuem em seu quadro funcional mais de 100 empregados. 1. apresentamos os resultados da pesquisa e algumas considerações sobre esses resultados.10. A área de recrutamento e seleção da empresa tem facilidade para identificar e contratar Profissionais Portadores de deficiência? 27% sim 73% não 3. O público alvo foram os profissionais de Recursos Humanos que são os responsáveis pelo recrutamento e seleção de pessoal. Você concorda com a legislação que estabelece cotas para PPD ? . Atualmente a empresa cumpre o % de cotas estabelecido pela Lei em relação ao numero de funcionários ? Se não.

25% das empresas possuem convênio com instituições de ensino como SESI. APAD.Altos custos com os profissionais especializados em desenvolver os Profissionais Portadores de Deficiências . treinamentos sobre relações humanas.Grau de risco de acidentes no ambiente de trabalho . Além disso. 36% das empresas preparam as áreas para a inclusão do profissional através de palestras. 100% dos profissionais de Recursos humanos das empresas concordam com a lei que estabelece cotas para profissionais portadores de deficiência. Atualmente a empresa cumpre o % de cotas estabelecido pela Lei em relação ao numero de funcionários ? Se não. 73% das áreas de Recursos Humanos das empresas têm dificuldade para identificar e contratar um profissional portador de deficiência. sensibilização dos gestores e colegas de trabalhos. prefeituras e consultorias. 55% das áreas de Recursos Humanos das empresas utilizam um processo de seleção específico para profissionais portadores de deficiência.Encontrar Profissional portador de Deficiência com capacitação no mercado . 45% das empresas recorrem a algum tipo de instituição como a APAE. em caso de profissionais surdos mudos. Escolas especializadas em educação para surdos mudos. pode-se identificar que: 91% das empresas da amostra não estão preparadas estruturalmente para receber um profissional portador de deficiência. os profissionais responsáveis pelo processo de recrutamento e seleção das empresas pesquisadas apontaram como principais dificuldades no processo de inclusão de portadores de deficiências.Preparação do nível de Gestão para lidar com as diferenças .0% sim 100% não 10. quais os principais motivos ? 27% sim 73% não Através da pesquisa. Em 9% das empresas pesquisadas existe profissionais portadores de deficiência. para auxiliarem na identificação dos profissionais. há a inserção de um intérprete de libras.Adequação da estrutura física da organização . SENAI para capacitação dos profissionais. 64% das empresas contratam os profissionais como terceiros para depois os incluírem em seus quadros. os seguintes fatores: . 27% das empresa cumprem o percentual de cotas estabelecidos pela lei.

mas também como de seres humanos dotados de capacidade e inteligência. 2 ed. que além de muitos não estarem cumprindo uma legislação específica deixam de cumprir também o papel de responsabilidade social que deveria estar inserido no contexto das organizações atuais. _____. Outro fator. através de convênios ou parcerias com as organizações privadas ou públicas. falta também postura política por parte dos governantes e porque não dizer uma maior cobrança também por parte da própria sociedade. Esta conscientização precisa ser desenvolvida principalmente pelos empresários. A. BOLONHI JUNIOR.. pois em um curto período de tempo. Trabalho e inclusão social de portadores de deficiência. pois seria além de um investimento social. seria a capacitação de pessoas portadoras de deficiência. 2000. Portadores de necessidades especiais: As principais . De acordo com o resultado da pesquisa. Mas para que isso possa ocorrer. Trabalhando com a diferença: responsabilidade social e inclusão de portadores de deficiência. para que o portador de deficiência possa realmente ter reconhecido os seus diretos não só como de cidadão. uma vez que o mercado demanda por esta oferta. 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CLEMENTE. 2004. e o aproveitamento do profissional em seu quadro funcional. 5 CONCLUSÃO Diante desses fatos. Introdução à Teoria Geral da Administração.Desenvolvimento específico para esses profissionais . podemos constatar que as organizações estão tendo sérias dificuldades nesse sentido. Idalberto. Por outro lado. além de propiciar a prática para o desenvolvimento dos portadores de deficiências através de estágios. C. um investimento financeiro. onde o governo investiria na capacitação do corpo docente. Existe um campo amplo de investimento que poderá traduzir-se em desenvolvimento tanto local quanto social. Porque não dizer uma parceira entre governo e empresas. C. E.Desenvolvimento dos colegas de trabalho para recebê-los . ed. que denota oportunidade. a maioria das organizações obrigatoriamente terá que cumprir a legislação. 1. São Paulo: Espaço da Cidadania. CELESTINI.Falta de suporte por parte do governo Podemos observar que existe uma série de oportunidades para desenvolvimento neste aspecto. estrutura das escolas organizações buscariam adaptar-se tecnologicamente e estruturalmente. CHIAVENATO. Roberto. Rio de Janeiro: Campus. concluímos que muita coisa ainda precisa ser feita. 2003. Osasco: Gráfica e Editora Peres. é necessária a conscientização de que um portador de deficiência pode ser tão ou mais produtivo do que os demais.

2ª edição. aqui entendidos como movimentos sociais articulados a partir de aspirações. Qualitymark. 2002. Oportunidade de trabalho para Portadores de Deficiência. 2004. São Paulo: Editora LTr. Gerenciando pessoas: como transformar os gerentes em gestores de pessoas. Direito das pessoas com deficiência: Garantia de igualdade na diversidade. Rio de Janeiro. Jose. César. tendências e perspectivas. 227 p. São Paulo. EDUCAÇÃO E TRABALHO: A CONSTITUIÇÃO DO SURDO TRABALHADOR Madalena Klein (UFRGS) O presente artigo procura entender a constituição de sujeitos surdos trabalhadores a partir da investigação dos discursos sobre a surdez. 2004. São Paulo: Atlas.mte. reivindicações. FÁVERO.gov.pdf MOVIMENTOS SURDOS E OS DISCURSOS SOBRE SURDEZ. Editora Arx. . Joel Souza.br/drt/regiaosul/rs/cartilhas/conteudo/186. Site: http://www. lutas das pessoas surdas no sentido do reconhecimento de sua língua. Stephen Paul.cultura-sorda.prerrogativas dos portadores de necessidades especiais e a legislação brasileira. 2004. (coordenador).asp ========================================================================= Extraído do site http://www. PASTORE. processos. Eugênio Augusto Gonzaga. São Paulo: Atlas. a educação e o trabalho presentes nos movimentos surdos. ROBBINS. São Paulo: Prentice Hall. de sua cultura. Fundamentos do comportamento organizacional. Editora WVA. Gestão da Responsabilidade Social Corporativa: O caso Brasileiro. Thomaz Jr. 2000. 4 ed. NETO. Francisco Paulo de Melo. WOOD. 2002. Mudança organizacional. FROES.eu/resources/Klein_movimentosurdo. São Paulo: Prentice Hall. Gestão de pessoas: modelo. 2004 DUTRA. _______. 2000. Rio de Janeiro.

Para mim é a data de nascimento da nação surda. há uma tradição de festejar o surgimento ou a origem da comunidade surda a partir do encontro do Abade L’Epèe. É o ano em que pela primeira vez os surdosmudos se outorgam uma espécie de governo. do bemestar social (Perlin.)a partir do qual o surdo está obrigado a olharse e narrarse como se fosse ouvinte” . através da qual eles encontram oportunidades de compartilhar suas experiências e seus sonhos. Fragmentos da História dos Movimentos Surdos Entre a maioria dos surdos europeus e norteamericanos. como também. um espaço de luta pelo reconhecimento da Língua de Sinais e das identidades surdas. e também um espaço de reafirmação da luta pelo direito ao uso dessa língua. sociais e culturais. pertencendo a famílias de situação sócio— econômica estável. da educação. sendo que o primeiro teria sido organizado para comemorar o aniversário do Abade: Quero convidálo a registrar o ano de 1834 como uma das grandes datas da história dos surdos. da saúde. grupos determinados. contam as instâncias que afirmam a busca do direito do indivíduo surdo ser diferente nas questões sociais. Mottez (1992) sugere o nascimento do movimento surdo vinculado diretamente ao encontro de pessoas surdas em banquetes.A comunidade surda vê nos movimentos surdos uma possibilidade de caminhada política de resistência às práticas ouvintistas até então hegemônicas nos diferentes espaços educacionais. Wrigley (1996) faz referência à utilização da história do Abade como sendo a origem da comunidade surda. políticas e econômicas que envolvem o mundo do trabalho. uma oportunidade de surdos de diferentes regiões compartilharem momentos de reunião. Nas palavras de uma pesquisadora surda. Assim. se faz uma analogia ao colonialismo— colonialista. Notas de rodapé: 1 . Com esse termo. 2 . em sua maioria moradores dos centros urbanos. na França. 1995a:10) (2) Um dos principais fatores de reunião das pessoas surdas é a Língua de Sinais. em 1951.. como as associações. onde “jovens e adultos surdos estabelecem o intercâmbio cultural e lingüístico e fazem o uso oficial da Língua de Sinais” (FENEIS. A sua criação. significou uma importante conquista de espaço político para as discussões e articulações das lutas das comunidades surdas (Souza.. Esse autor procura entender esse processamento da história em mito como um aparato tradicional de mobilização popular. Eles representam. sendo que sua articulação ao nível mundial está sob a coordenação da Federação Mundial de Surdos (Word Federation of the Deaf—WFD). 1998: 71).Ao falar em movimentos surdos. os festejos do aniversário de L’Epèe foram. Com o primeiro banquete comemorando seu nascimento (1834) começa o culto ao Abade L’Epée. neste artigo.Segundo Skliar (1998:5). Deste encontro resultou seu interesse pela Língua de Sinais e a fundação da primeira escola pública para surdos. as cooperativas. por volta de 1760. . esse termo se refere “as representaçãoes dos ouvintes sobre a surdez e sobre os surdos (. 1992: 7). Isto nunca havia acontecido (Mottez. por muito tempo. segundo suas realidades locais e nacionais. Esses movimentos se dão a partir dos espaços articulados pelos surdos. com duas jovens surdas nas ruas de Paris. principalmente. os clubes. por exemplo. que tiveram acesso à escolarização. com sede na Finlândia. 1998). encontramos explicitada sua visão do movimento surdo: Para o movimento surdo. não estou me referindo ao conjunto generalizado de surdos. Mas as questões discutidas pelos movimentos surdos se ampliam e diversificam. Algumas lutas são compartilhadas pelos grupos de surdos em diferentes regiões do mundo.

fundado a partir da chegada do professor surdo Hernest Huet.. tanto de acesso à sua língua. os registros encontrados por Widell demonstram uma situação dos surdos da época bastante difícil: grande parte desses constituíamse de mãodeobra mal escolarizada. Lane (1997) também se refere a esse conto. sendo que. defendendo que o surgimento da primeira escola pública em Paris. à saúde. motivados por iniciativas que vinham. as associações de surdos dos diferentes continentes congregamse na sua Federação Mundial de Surdos (WFD). Mas não foram apenas os banquetes os motivadores do surgimento do movimento surdo. na cidade de Paris em 1760. entre ações de lazer. recreação e assistência. na sua reprodução entre os surdos sob forma de anedotas. ao lazer. quando explicita que “os surdosmudos que nunca estiveram na escola não deveriam jamais colocar seus pés.Padden e Humphries (1988: 2629) tecem comentários sobre o “Conto de L’Epèe” de forma muito nteressante. também a preocupação com o trabalho estava privilegiada. como também nas negociações no sentido de conquistas legais de garantia de educação e trabalho. . 1992: 21). como também ao trabalho. . como é o caso do Instituto Nacional deSurdos de nosso país. como bem caracteriza Mottez (1992: 10). Segundo a autora. compartilhando uma língua e ricas experiências de vida. no período entre 18661893. operários. na cidadedo Rio de Janeiro. facilitando a exploração por parte dos donos das indústrias. 1994). etc. então.A primeira escola pública para surdos foi fundada pelo Abade L’Epèe. A maioria da comunidade surda consistia de trabalhadores especializados. participavam dessas reuniões apenas uma minoria de surdo pertencentes de uma elite. para uma vida em comunidade. de igual modo. o Instituto Nacional de Jovens Surdos de Paris – INJS (Institut. esse conto veio a simbolizar. dizendo que nas primeiras décadas desse século é graças a socialização terciaria na associação dos surdosmudos que a comunidade surda aprendeu a ascender socialmente no emprego. Esta escolafoi referência na educação de surdos nos séculos XVIII e XIX. mais especificamente. tinham um papel fundamental no treinamento desses surdos. Naquele tempo estes formavam três quartos da população surda” . à educação. tornando-se em 1791. a primeira associação de seu país foi formada a partir do encontro de artesãos. e era característico do período que o objetivo da associação surda fosse semelhante ao objetivo das associações de trabalhadores. ocorrendo em outros países. principalmente por refletirem a reunião de um determinado segmento dessa comunidade. a transição de uma situação de isolamento na qual viviam as pessoas surdas. Para os pesquisadores surdos. Apesar de fazer referência aos trabalhadores especializados. No texto da socióloga. encontramos várias referências aos objetivos e realizações dessas associações. sindicatos. Ou seja. performances. A autora segue seu relato. Nesse caminho de garantia dos direitos dos surdos. de geração em geração. Nota de rodapé: 3 . As associações. de onde se formaram vários professores surdos que fundara novas escolas de surdos em diferentes países. fundada por L’Epèe. mudou de forma decisiva a vida das pessoas surdas da época. Widell (1992) escreve sobre as fases históricas da cultura surda. eram discutidos (idem: 36). (.. em 1857. Era na associação que as soluções para problemas como afrontas. o surgimento de associações de surdos na Dinamarca. pretendiam encontrar emprego para trabalhadores especializados que estivessem desempregados (Widell.) Além disso.

em 1984. como secretarias de governos estaduais e municipais. Influência decisiva teve a WFD nas recomendações da UNESCO. Por ocasião da II Conferência Estadual de Assistência Social do Rio Grande do Sul. uma vez que. utilizam o termo pessoas com necessidades educativas especiais a partir da recomendação dada pela Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade. houve calorosa discussão em relação ao termo a ser utilizado nas diretrizes da Assistência Social do estado. bem como o Ministério da Educação. em 1981. à profissionalização. ao emprego. RS. pela própria comunidade surda (FENEIS. ver Wrigley (1996: . No Brasil são conquistas desses movimentos a lei de reserva de mercado (Constituição Federal. ao lazer. promovido pela UNESCO e divulgada através do Documento de Salamanca em 1994. Utilizo. juntamente com o movimento de pessoas portadoras de deficiências (cegos. surdos. garantindo o acesso de crianças surdas a ela o mais precocemente possível(4) Antes mesmo dessa resolução. do termo as especificidades dos cegos. a partir da chegada ao Brasil do ancês Hernest Huet. necessidades educativas especiais todas crianças e adolescentes necessitariam. As ações reivindicatórias por leis que garantam o acesso ao trabalho são prioridades dessas associações. art.º 5 de 30/08/91 do Ministério do Trabalho e da Previdência. tendo uma relação direta com a possibilidade de independência e de autonomia das pessoas portadoras de deficiência . interferir nas políticas e nas recomendações dadas aos governos dos seus países. a ele e aos que ele representava naquele evento. educação e trabalho: a constituição do surdo trabalhador. de reabilitação. 1996. deficientes físicos e mentais) iniciaram campanhas intensas no sentido de propagar os direitos dos cidadãos com deficiência: direitos a atendimentos qualificados. Notas de rodapé: 4 Para maiores detalhes. o Ano Internacional dos Deficientes. então. à educação. Essa Instrução Normativa referese ao trabalho para pessoas portadoras de deficiência dentro de uma perspectiva de atividades com fins terapêuticos. . a ONU promoveu. 37º. O representante de uma das Associação de Cegos reivindicou o termo PPD. no reconhecimento formal da Língua de Sinais como língua natural das pessoas surdas. ganhou espaço significativo nas ações resultantes desse ano. Setores ligados à Educação. paraplégicos.Movimentos surdos e os discursos sobre surdez. deficientes físicos. os líderes surdos procuram. realizada entre os dias 16 e 18 de outubro de 1995 em Porto Alegre. que ocorre sob a tutela de entidades que tenham o objetivo de assistir o deficiente. As associações de surdos. nessa proposta. como também pelos surdos.Articulandose com os organismos ligados às Nações Unidas. 5 O termo pessoas portadoras de deficiência PPD é utilizado atualmente pela grande maioria de associações de cegos. e isso ocorre de forma intensiva em diferentes países. que institui o programa de treinamento profissional junto às empresas. assim. a partir daí. segundo ele. inciso VIII) e a Instrução Normativa N. deficientes mentais. no qual discursos sobre a conquista da cidadania por parte desse segmento da população deveriam motivar procedimentos concretos dos governos. Relatórios de 1993. a forma como esse sujeito se nomeou. escapando. A preocupação com o trabalho. Os movimentos surdos no Brasil: uma trajetória de luta A história dos movimentos surdos começa a ser contada. 1997).xiixiv).

Segundo os relatórios pesquisados. O grupo ganha força e legitimidade ao reivindicar. que passou a ser denominada Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. quando estiveram presentes representantes de associações de surdos de vários estados brasileiros. Décadas mais tarde. como também para procurar vencer as dificuldades de integração. junto à FENEIDA. na busca dos discursos sobre a surdez. pretendo. à cultura. Desnuda. desenvolvendo um trabalho importante nessa área. Nos anos 70. ao lazer. ao trabalho. profissionais ouvintes ligados à surdez fundam a Federação Nacional de Educação e Integração do Deficiente Auditivo FENEIDA. Essa mudança foi muito significativa. A Assembléia Geral de 16 de maio de 1987 marca a data de fundação da FENEIS. Os surdos. a respeito de si próprios: ao alterarem a denominação “deficientes auditivos”. o de serem “deficientes”. evidenciavam a importância da Língua de Sinais. sublinha o papel da linguagem de sinais na educação regular. A pesquisa se desenvolveu a partir de produções impressas e filmagens de vídeos produzidas por essas organizações representantes dos movimentos surdos. um grupo de surdos do Rio de Janeiro funda a Associação Brasileira de Surdos—Mudos. uma mudança de perspectiva. para lutar pelo direito de serem educados na sua língua natural. dando legitimidade ao grupo que assumia a entidade. os surdos não sabiam da existência dessa organização. em suas cidades. Os relatos sobre os anos posteriores são marcados por entusiasmo e determinação no sentido de lutar pelo reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais. entre outros. em FENEIS. como a oficialização da Língua de Sinais e a garantia da presença de Intérpretes em situações diversas. Suas atividades. Simboliza uma vitória contra os ouvintes que consideravam a eles. ou de representação discursiva. um grupo de surdos organiza uma Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos. possuem formas mais localizadas de organização como as associações e os clubes. incapazes de opinar e decidir sobre seus próprios assuntos e entre eles. a educação e o trabalho. procurei me aproximar desses materiais. mas também não tem uma continuidade. sendo que o primeiro passo foi a reestruturação do Estatuto da entidade. eles procuram se encontrar para compartilhar da língua e de experiências as mais variadas. A FENEIS é uma organização ao nível nacional. voltamse ao lazer e ao esporte. Souza (1998: 91) nos ajuda a entender esse novo olhar: A apropriação dessa Federação pelos surdos é repleta de significados. o grupo de surdos é vencedor nas eleições para diretoria da entidade. impressa na sigla FENEIDA. pelos direitos das crianças. espaço para seu trabalho. Em 1983. em 1971. sendo que ela foi se expandindo entre a comunidade surda. mas a busca de uma nova perspectiva de trabalho e de olhar sobre os surdos. Durante a investigação. o que foi negado naquele momento. o que ocorreu apenas anos mais tarde. Entre as décadas 20/30 de nosso século. segundo os relatos encontrados. na grande maioria. havendo em algumas associações.surdo e exdiretor do Instituto de Surdos de Paris. Ao formar uma chapa. Nesses espaços. As ações de Huet. apresentar o . mobilizações mais políticas. Essa primeira associação foi desativada devido a várias dificuldades. pois não se referiu apenas a uma troca de nomes. surdos. um grupo de surdos de São Paulo retoma a Associação Brasileira. ainda. Antes de focalizar esses discursos. adolescentes e adultos surdos à educação. ainda que de forma breve. A FENEIS e as diferentes associações de surdos são o foco do presente artigo. agora motivados pelo Monsenhor Vivente de Paula Penido Burnier. deixam claro que recusavam o atributo estereotipado que normalmente os ouvintes ainda lhes conferem. para “Surdos”. isto é.

. no decorrer de sua história vão somando esforços nesse sentido.. Incentivar a criação e o desenvolvimento de novas instituições. escolheuse três importantes conclusões que passam a ser os objetivos principais da FECOSA (6) 1.. Melhorar a situação laboral das pessoas surdas. onde. Encontramos essa preocupação explicitada nos objetivos de entidades representativas dos surdos do Brasil e também de outros países. visando o diagnóstico.. escolas técnicas. (grifo meu) 2... Vimos. A estimulação precoce...... a educação. a FENEIS tem como finalidade: Promover e assessorar a educação e a cultura dos indivíduos surdos; Incentivar o uso dos meios de comunicação social apropriados à pessoa surda. em 1982.. Exemplo semelhante encontramos na Tailândia.. como exemplificados a seguir: (. Outras associações. a Associação Nacional dos Surdos na Tailândia ANST (Wrigley-1996).. 1995: .. O trabalho como tema presente nos movimentos surdos A relação entre trabalho e os movimentos surdos se dá de diferentes formas e em diferentes níveis. a profissionalização (grifo meu) e a integração da pessoa portadora de surdez; . um Seminário de Treinamento para Surdos artesãos evolui. abr... formando mais tarde.tema trabalho dentro dos movimentos surdos de forma mais geral.3). especialmente em LIBRAS Língua Brasileira de Sinais; . o início da associação de surdos ocorreu a partir da motivação de surdos trabalhadores que se reuniam em função de seus interesses laborais.. o que passo a fazer a seguir.. que... nos moldes das modernas técnicas de atendimento.) Para terminar. com Widell (1992). A mesma atitude é adotada no Brasil: Fundada em 16 de maio de 1987 com sede no Rio de Janeiro. Seguir com o desenvolvimento do ensino e investigação da Língua de Sinais Catalana (INFOSORD.. anteriormente... Melhorar a situação e qualidade no campo da educação das pessoas surdas. . na Dinamarca.. a prevenção.. Realizar convênios com entidades públicas e/ou privadas.. mesmo não tendo a motivação inicial ligada às questões do trabalho. 3.

ingresso e permanência no mercado de trabalho..FECOSA: Federação de Surdos da Cataluña Espanha. através de seu escritório regional do Rio Grande do Sul... (FENEIS.. entre outras coisas. 2. 1997: 78). que é objetivo da entidade divulgar e informar pais. Que tais cursos respeitem as capacidades das pessoas surdas e que sejam de qualidade e real qualificação. simpósios.. também. sobre. promoveu nos anos de 1998 e 2000 as I e II Conferências Estaduais dos Direitos Humanos dos Surdos (7). A FENEIS. autoridades e o público em geral. Departamentos dentro das entidades são estruturados com o objetivo de coordenar as ações na área dotrabalho. . Relatório anual. várias temáticas foram discutidas.. Tanto na organização quanto na realização de cursos de capacitação profissional. sendo que uma delas foi o Trabalho... como pressuposto a uma capacitação profissional. (FENEIS.... Exemplo disso encontramos na FENEIS. adolescentes e adultos surdos educação em todos os níveis. com seus direitos e deveres” ……. Eventos como seminários. Nota de rodapé: 6 . educadores. 1993: 7). O Relatório Anual de 1993 na FENEIS explicita. Garantir a participação das entidades representativas e organizadas dos surdos na utilização dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador FAT.. encontros já foram organizados pelas federações e associações de surdos com o objetivo de discutir a problemática da profissionalização. em que um setor determinado é responsável pela efetivação de convênios que possibilitam às pessoas surdas ingresso em diferentes postos de trabalho. Nesses eventos.artísticas e artesanais e outras instituições no sentido de promover a profissionalização da pessoa surda dentro dos padrões (modernos e atuantes) de eficiência (grifo meu); ... “a capacidade profissional da pessoa surda e sua completa integração na sociedade como membro participante ativo. Interessante registrar as propostas resultantes de uma tarde de discussão entre os participantes do grupo na I Conferência: Propostas do GT: Trabalho: FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: 1. Assegurar às crianças. Possibilitar o ensino noturno para que os surdos possam ingressar no mercado de trabalho. OPORTUNIDADES DE TRABALHO 1. Lutar pela extinção das listas de profissão para surdos que acabam atribuindolhes incapacidade para certos cargos e limitandolhes oportunidades de emprego.

NO LOCAL DE TRABALHO 1.2. Promover junto à sociedade em geral e aos empresários em particular. A aproximação desses . como em tantas outras produções escritas ou filmadas. Incentivar. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Estimular e apoiar diferentes formas de organização de grupos de surdos trabalhadores. nos locais de trabalho. 3. por exemplo.: surdo contratado como Programador. Foram discutidos vários temas ligados aos Direitos Humanos. reunindo lideranças do movimento surdo do Estado do Rio Grande do Sul. 2. campanhas de esclarecimento sobre a situação dos surdos trabalhadores. CONCURSOS PÚBLICOS 1. Os campos discursivos Pretendo apresentar. de forma breve. a formação de cooperativas. Que seja respeitada a qualificação do surdo trabalhador nas funções a ele designada (p. profissionais da área. familiares de surdos. alguns dos discursos presentes nos materiais produzidos e veiculados pela comunidade surda e que vem constituindo sujeitos que se experienciam surdos trabalhadores. reunindo representantes de diferentes segmentos da sociedade civil organizada deste estado. realizadas também em Porto Alegre. micro-empresas e associações de artesãos (FENESIS. com regularidade. 1998) Neste documento. o trabalho e a surdez dentro os movimentos surdos. no sentido de expandir suas oportunidades de emprego. Assegurar o direito da presença do Intérprete da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) no decorrer dos Concursos Públicos. podemos encontrar discursos sobre a educação. sendo que as conclusões dessas Conferências foram encaminhadas para as I e II Conferências Estaduais dos Diretos Humanos. Que os Editais dos Concursos Públicos sejam claros na especificação e comprovação por parte do candidato surdo. 2. e ali permaneça indefinidamente. ex. a organização de Cursos de Sinais. procurando respeitar proporcionalidade entre as deficiências. e não que seja desviado para a função de digitador. Nota de rodapé: 7. Garantir o cumprimento da Lei de Reserva de Mercado (10%) em todas as instâncias. que realmente exerça essa função.Essas duas Conferências ocorreram na cidade de Porto Alegre. Que aos surdos trabalhadores seja garantida a ascensão funcional e o acesso aos cursos internos de qualificação e requalificação profissional com a presença de Intérprete da LIBRAS.

a educação e o trabalho. constituídas a partir de diferentes práticas ligadas aos campos da medicina. sem entrar numa questão de procurar a verdade ou o erro dos enunciados. é importante permanecermos no plano das coisas ditas. entre os quais a educação e o trabalho. portanto. conjugandose com outros temas. em que no caso dos surdos é considerada. Entendo que os discursos sobre a surdez e os surdos não se apresentam se forma homogênea. da lingüística. Nota de rodapé: (8) Entendo aqui que a expressão “falam de si” vai para além do ato físico da fala articulação oral. estão dizendo de dentro de campos discursivos onde diferentes saberes então em jogo: não há como procurar aí uma coerência. Ao se analisar as enunciações presentes nestes documentos. Encontramos diferentes enunciações nos documentos analisados. Os discursos sobre a surdez se produzem num campo de lutas entre diferentes saberes que procuram se legitimar nas diferentes práticas institucionais. não importa como. algumas se excluem. articulamse através de jogos de poder que devem ser entendidos em sua historicidade. como também a língua escrita nacional. uma verdade. é apresentada como estando articulada ao silêncio. Os sujeitos desses discursos vão se constituindo aí. não teria condições de educação. onde ela é apresentada como o principal problema na vida das pessoas surdas. O tema comunicação. da pedagogia. quando falam de si (8). diferentes momentos dos vídeos e de alguns panfletos analisados mostram um empenho para que os surdos superem essa situação. surdo sem comunicação. Essa expressão trata do “dizer de si”. sendo considerado um problema para as pessoas surdas em seu convívio . e não de outro. da escola e chega também ao local de trabalho. ou ainda que a chave da educação está na comunicação. Esses saberes. no interior de discursos sobre a surdez. A comunicação. Repetidamente encontramos enunciações que dizem que o importante é comunicar. entre outros. dentro de um jogo discursivo que não está solto: está ligado a um momento histórico onde diferentes formações discursivas estavam em jogo. sobretudo.materiais se deu procurando evidenciar como que vão se produzindo efeitos de verdade sobre um sujeito surdo trabalhador. sem haver a possibilidade de enquadralos como sendo realmente de um jeito. a modalidade viso gestual. Os surdos. O silêncio interfere ou até mesmo impede a comunicação. Mas mesmo com dificuldades. A necessidade da comunicação perpassa os espaços familiares. Eles estão inscritos entre diversas formações discursivas. aparece freqüentemente. onde em alguns momentos elas se repetem. através da Língua de Sinais. por exemplo. em muitos dos materiais pesquisados.

sendo uma constante. O silêncio. é reafirmada como algo bom e que deve ser aproveitado. Padden e Humphries (1988) dedicaram um capítulo de seu livro Deaf in America: Voices from a Culture para discutirem a metáfora do silêncio ligada à surdez. que passaram a se narrar dentro desses discursos. Segundo a autora. isso tem influenciado estudantes da comunidade surda. Essas descrições levam a uma interpretação das pessoas surdas como fundamentalmente deficientes e patológicas. como também nomes de periódicos e de organizações de surdos nos quais o silêncio é usado como referência. Padden (1993) critica à predominância de materiais descritivos sobre as pessoas surdas centrados em torno da condição de não ouvir ou ouvir parcialmente. O próprio título de um dos vídeo. trazendo o silêncio como uma marca das pessoas surdas. O silêncio é considerado uma condição da pessoa surda a partir da experiência acústica dos ouvintes. Interessante assinalar que esse termo se apresenta enquanto positividade. Esse é um tema que vem chamando a atenção da comunidade surda. . o entendimento de que as pessoas surdas vivem em um mundo sem som. principalmente nos vídeos. faz essa relação. a uma falta: a falta do som. apesar de estar relacionado. alguns dos vídeos e panfletos. (9) Essa relação entre surdez e silêncio foi encontrada nos materiais pesquisados. traz um conhecimento errado em relação às pessoas surdas e sua cultura. a se descreverem a partir do enfraquecimento auditivo e a classificar as demais pessoas surdas em função dos graus de enfraquecimento. O silêncio é utilizado com freqüência como uma marca da comunidade surda. as enunciações feitas pelos movimentos surdos parecem. Essas enunciações estão presentes nos movimentos surdos. usandose de qualquer meio.social. segundo superado. Segundo eles. contraditórias: a falta/deficiência que querem superar ou até mesmo negar. e até mesmo a uma falha para conhecer o mundo. é associado com eficiência e competência silêncio correspondendo ao não falar e à possibilidade de uma maior concentração e produtividade. Ao se referir ao silêncio. Padden e Humphries (1988) seguem sua análise sobre essa metáfora trazendo exemplos de vários títulos de livros sobre a vida de pessoas surdas. A autora ainda argumenta que os outros fatos de suas vidas social e cultural são entendidos como conseqüência dessas classificações. sendo que eles têm influenciado significativamente a vida dos surdos. freqüente entre as pessoas que ouvem. Encontramos também a predominância de discursos ligados ao campo da medicina. onde o silêncio é comparado a uma barreira que leva à discriminação e à impossibilidade de comunicação. na maioria das enunciações. O silêncio que comunica e produz. pode ser A relação entre surdez e silêncio foi constante durante a realização da pesquisa. por exemplo. Mas esse problema. quando relacionado ao mercado de trabalho. uma vez que ligam o silêncio a uma incapacidade de comunicação humana. por vezes.

Nota de rodapé: (9) Alguns dos exemplos de livros que Padden e Humphries (1988: 91) nos trazem: They Grow in Silence/Eles Crescem em Silêncio. Entre as organizações surdas. fazendo predominar uma abordagem clínico—terapêutica. Dancing Without Music/Dançando sem Música. na maioria das vezes. onde alteridade e diferença são negados. ao elaborar um artigo. Chicago Silent Dramatic Club. posteriormente adaptada para o cinema. por exemplo. segundo esse autor. Ao produzir material de divulgação. apresentando a atriz surda americana Marlee Matten no papel principal. legitima práticas que vêm. Entre um significativo número de surdos do Brasil é bem conhecido o título da peça teatral Os Filhos do Silêncio (título original: Children of a lesser God) . num último ato. A força dos discursos médicos muitas vezes é reafirmada através da divulgação de dados estatísticos ligando a surdez a uma questão de saúde pública. e necessitam de ações normalizadoras e reabilitadoras. o corpo a uma máquina deficiente e. para além do espaço pedagógico. Quem é convidado a apresentar os dados das pesquisas científicas. a surdez diz respeito a um corpo vigiado. A escola. O modelo clínico/médico da surdez. como também criando uma realidade para as pessoas surdas dentro de uma concepção de patologia: elas são pessoas defeituosas. dentro de um projeto de superação da mesma. ao participar de uma reportagem em que são descritos quem e como . A citação de dados de pesquisa científica e de pareceres de órgãos internacionais dão legitimidade a o que está sendo dito. A palavra do especialista passa a ser usada pelo próprio sujeito para se designar. segundo Wrigley (1996).. o sujeito a deficiente”. Growing Old in Silence/Envelhecendo em Silêncio. atravessada por essa perspectiva. entre outros. A hegemonia de discursos ligando a surdez à questão médica pode ser registrada desde a segunda metade do século passado e persiste até os dias atuais. Essa peça foi. que consagrou a atriz surda Emanuelle Laborit ao receber o prêmio Moliére de Teatro na França. ao longo de sua história foi consolidando uma proposta clínica de atendimento aos alunos surdos. Silent Oriole Club. Nos materiais pesquisados encontramos referência a uma possibilidade de superação desse corpo deficiente através da prática profissional: a superação da deficiência e de atitudes a ela vinculadas é apontada como possível e desejável através do desenvolvimento de programas de Informação e Orientação Profissional. Assim. Outro exemplo de filme que fez alusão a essa metáfora foi Lágrimas no Silêncio no qual era retratada a vida de uma jovem mulher surda e seu difícil relacionamento com sua mãe ouvinte. é o profissional da área da saúde. Souza (1998:163) também contribui com essa discussão afirmando que “Todos esses procedimentos corretivos acabam por reduzir o sujeito a corpo biológico. encontramse os seguintes exemplos: Silent News/Notícias Silenciosas (periódico nacional norte americano). como também associações como Pacific Silent Club. ao longo da história reforçando. The Other Side of Silence/O Outro Lado do Silêncio.

E.são os surdos. aos problemas de comunicação e ao silêncio. Ao mesmo tempo. harmonia. Os campos discursivos são constituídos a partir de relações de saber/poder. uma mensagem de positividade. também. procurando trazer a questão do respeito as diferenças. Procurei. ao final. resoluções de congressos e conferências. estar atenta aos discursos que ali emergiam. discursos que por muito tempo atravessaram os projetos de educação de surdos e que ainda hoje encontram seu espaço entre muitos segmentos da sociedade. Mas encontramos. Esses discursos foram tratados como possibilidades de práticas de falar de si. Há paz. referência ao espírito de benevolência e idealismo. Tecendo algumas considerações Procurei investigar os discursos que ocupavam os espaços dos movimentos surdos. há enunciações que remetem a uma relação onde qualquer coisa vale. Através de vídeos. Nos vídeos analisados. ou seja. 1997: 28). 1995/1996) acabam por naturalizar determinadas atividades profissionais aos surdos. por exemplo. em muitos destes materiais. de panfletos. pois não se distraem com o barulho e a conversa. de possibilidade de atingir objetivos de entendimento. durante as diversas leituras do material selecionado para a pesquisa. Além das enunciações ligando a surdez às questões de saúde/reabilitação. A perspectiva foucaultiana nos traz uma concepção de poder enquanto prática social constituída historicamente. inseridas num campo discursivo onde freqüentemente aparecem listas de “funções que os surdos podem desempenhar” (FGTAS/SINE. procurando estabelecer suas compatibilidades e incompatibilidades dentro de diferentes campos discursivos. Ao tratar da questão do relacionamento do surdo na sociedade. alegando que os surdos são por natureza atenciosos. é nesse espaço que se articulam saberes e poderes. convidam todos ao trabalho. de trechos de reportagens. pronta para acolher cada momento do discurso em sua irrupção de acontecimentos (Foucault. como podemos ver através do material pesquisado. Essas cenas. São chamadas que evocam o respeito às diferenças. são apresentadas várias cenas de surdos em situação de trabalho. Em todos os vídeos analisados há. contribuindo na formação de subjetividades trabalhadoras. Como diz Foucault (1993): ´´O poder está em toda parte; . o discurso médico da deficiência apresentase de forma significativa no movimento surdo. os surdos narravamse como sujeitos trabalhadores. desde que haja boa vontade e criatividade. de direitos conquistados. serigrafia e informática. não havendo dúvidas do êxito nos resultados. os movimentos surdos estão narrando a si mesmos. entendimento. encontramos outras regularidades discursivas nos materiais pesquisados. entre outros. Resultado disso são os constantes projetos de formação profissional de escolas e associações nas áreas de marcenaria. há uma tentativa de superar uma visão de benevolência em relação aos surdos. São imagens que evidenciam um certo tipo de trabalhador.

mas se dá dentro da própria rede de poder. muitas vezes fragmentários. tanto nos movimentos de lutas pelo reconhecimento da Língua de Sinais. O poder é exercido em tempos e espaços determinados.. mas sim. O poder. assim como de saberes gerais que não deixam de lado as lutas e os conflitos sociais mas que. Um exemplo significativo de resistência nos movimentos surdos vem se dando no campo da educação. com suas hierarquias e privilégios. Resistência é o poder de não se submeter ao poder do outro. não é uma certa potência de que alguns sejam dotados: éo nome dado a uma situação estratégica complexa numa sociedade determinada´´ (Foucault. novos sujeitos. vão se constituindo saberes que colocam em questão os saberes oficiais. pelo contrário. aproveitando ao máximo suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e contínuo de suas capacidades (Machado. mas que vêm a contrapor os saberes oficiais. produzindo individualidades. fragmentados e descentrados.. permitem recuperar a memória histórica dos enfrentamentos e das resistências. Uma das condições de poder é justamente a existência de uma estratégia de lutas e de contestação(Foucault. 1997). envolvendo o final do século . Daí vem a proposta de Foucault de uma micro-física do poder (idem: xii). violência. são alguns dos exemplos de saberes. (. não tendo propriamente um lugar: há pontos móveis e transitórios que se distribuem por toda a estrutura social (Machado. O poder é produtivo ele atinge a realidade concreta dos indivíduos. nas relações e nos corpos dos indivíduos. não há poder. os movimentos em direção à ruptura com o que até então se denomina educação especial.. favorecendo assim a oposição à tirania dos discursos globalizantes. Para Foucault (1993: 91). segundo essa perspectiva. 1993: 89). Segundo Varela (1995: 93): ´´Tratase de saberes descentrados. procurando redefinir novos espaços. instituídos e considerados até então como verdadeiros. Sem liberdade.) o poder não é uma instituição e nem uma estrutura. “(.. 1995). polimorfos. mas sim. como na criação das associações de surdos.. se exerce não de forma macro. O que interessa ao poder é ´´gerir a vida dos homens.)” .. 1990: xvi). Machado ainda alerta para que a análise sobre o poder não seja geral e englobante. Junto às resistências. Não é algo que vem de fora. grande parte delas surgindo num dos períodos de maior ênfase à oralidade e à negação da diferença (Skliar. às vezes. As discussões emergentes sobre a participação de surdos nas decisões educacionais das escolas. hegemônicos. As resistências aos discursos totalizantes das comunidades surdas vêm se apresentando de diferentes formas.não porque englobe tudo e sim porque provém de todos os lugares. 1990). controlálos em suas ações para que seja possível e viável utilizálos ao máximo.) onde há poder há resistência(.

colocando determinadas características e atributos como sendo próprios da surdez. Ministério do Trabalho. Constituição: República Federativa do Brasil. todavia. A investigação aqui apresentada não pretendeu enquadrar os movimentos surdos e as pessoas surdas dentro de uma escala de valor entre o certo e o errado a partir de um julgamento dos discursos presentes nos materiais ali produzidos. São esses alguns exemplos de movimentos entendidos como de resistências. Também não tratou de buscar o discurso verdadeiro sobre a surdez e os surdos. Produções artísticas de surdos em áreas como o teatro e a poesia visual trazem diferentes linguagens e formas de relacionamento com as artes. sendo produzidas diferentes “posições de sujeitos”. e que se constituem de diferentes modos. 1997: 8). porém onde vamos reconhecendo nossas diferenças como sendo naturais. tanto nos espaços das escolas.passado até aproximadamente as décadas de 60 e 70 de nosso século. provocando manifestações decisivas entre grupos e indivíduos (Foucault. As diferenças. distintos de quaisquer outras manifestações entre outros grupos. são construídas socialmente através de táticas que nos levam a reconhecer as identidades disponíveis e aceitáveis. Os discursos sobre a surdez e o trabalho vêm atravessando os vários espaços da vida das pessoas surdas. 1988. O sujeito essencial vem sofrendo um descentramento. Encontramos ainda muito de acomodação e dependência às narrativas ligadas a uma história tradicional dos surdos que vem legitimar uma concepção que se queria negar.5 de 30 de agosto de 1991. Wrigley (1996) nos ajuda a desestabilizar essa identidade surda essencial quando argumenta que a identidade é uma conquista numa troca de economias discursivas. as resistências aos discursos hegemônicos sobre quem é o sujeito surdo se colocam como condições de possibilidades de outras identidades se confrontarem. O que considero oportuno é colocar em suspensão as verdades que vêm definindo uma forma de se ver e entendersse sujeito surdo e que continuam engendrando as práticas ligadas à educação de surdos. Dentro dessa perspectiva. Nesse espaço. onde sua identidade é deslocada ou mesmo fragmentada (Hall. a identidade perde seu atributo natural e passa a ser entendida como uma construção histórica. Brasília: Senado Federal. Diário . Instrução normativa n. _____. 1988. Centro Gráfico. Referências Bibliográficas BRASIL. Constituição. distribuídas no tempo e espaço. 1993). Dispõe sobre a fiscalização do trabalho das pessoas portadoras de deficiência. como também nos dos movimentos surdos.

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1. .11. COOPERATIVA Padre Vicente de Paula Penido Burnier. Belo Hoprizonte: COPAVI.que problema é esse no Brasil? Belo Horizonte: FENEIS.p.1. 1994. . . _____ : 1994. Folder.1. 10 fascículos. Finlândia: 20 a 28 de julho de 1987. 1992f .1992a.13. n. abr. 1995c. Relatório de participação no X Congresso Mundial de surdos Espoo. out.. v. 1998.d. Rio de Janeiro: FENEIS. n. 1992b. 1994.3. 1993. Surdez abordagem geral. n. n. Belo Horizonte: COPAVI. 1992c.. ..7. v. Belo Horizonte: . Texto digitado.10.. Texto digitado. Belo Horizonte: COPAVI.. ago.Rio de Janeiro: FENEIS. v. v. . n. Belo Horizonte: FENEIS. 1995b. Belo Horizonte: COPAVI.2. 1997. .1. mai. . Belo Horizonte: COPAVI. . .. set. Curitiba: APTA. Rio de Janeiro: FENEIS.1994nov. s. mar/abr. . jul.6. v. .. 1998.Um exemplo de garra e coragem. Belo Horizonte: COPAVI.. out. COPAVI: Belo Horizonte: COPAVI.. Desenvolvimento FENEIS. Boletim COPAVI. Belo Horizonte: COPAVI. v. .12.. 1992e .15. ____ . Relatório Anual: 1993.Surdez?. LIBRAS: Língua Brasileira de Sinais.. Rio de Janeiro. 1995d. mar. 1995a. integral do surdo “ enquanto pessoa” . Belo Horizonte: COPAVI. 1987.. Jornal da FENEIS. n. 1992d. FENEIS—Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos.

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Campo Grande: SEC/CEADA. s. Escola Especial Municipal Hellen Keller. 1 Fita. sonorizada. 1 Fita. 41 min. tradução simultânea em LIBRAS. O SILÊNCIO que comunica e que produz. conclui. Rio de Janeiro.Social. VHS.d. Coordenadora de Apoio e Assistência a Pessoa Portadora de Deficiência.Você não ouve: Folder. Divisão de Produção TV Minas. VHS.d. s. s. Carta aberta aos empresários. 9 min. sonorizado. s. sonorizado. Para se ter uma ideia. 1 Fita. DATAPREV/Diretoria de Administração e Finanças/Departamento de Recursos Humanos/Divisão de Projetos Sociais/Projeto para Pessoas Portadoras de Deficiência/Divisão de Documentação e Comunicação. “Esse é o principal gargalo do setor: a baixa qualidade das vagas oferecidas para as pessoas com deficiência. apenas 9% dos cargos disponibilizados pelas companhias costumam ser gerenciais. que ouve colabore com quem =============================================================== Extraído do http://cronicasdasurdez. col.d. operacionais. 7 min. Núcleo de Produções Audiovisuais. FITA DE VÍDEO. É quase impossível encontrar uma oportunidade degerente ou coordenador. Universidade de Caxias do Sul. Secretaria de Educação. por exemplo”. FITA DE VÍDEO. segundo a avaliação. 84% dos funcionários com deficiência costumam ser contratados para trabalharem em cargos administrativos nas empresas brasileiras. nem todos costumam ser favorecidos com boas oportunidades. SOCIEDADEdosSurdosdoRioGrandedoSul. Jaques Haber. Contudo. MATO GROSSO. São vagas de base. Porto Alegre: s.MÃOS vigilantes.d. tradução simultânea em LIBRAS. col. Belo Horizonte. O MUNDO dos surdos e os absurdos do mundo. legendado.VHS. col. diz o sócio-diretor da i. FITA DE VÍDEO. se empenhando muito pouco para oferecer verdadeiros planos de carreira aos seus contratados”. “Tal fato demonstra que as companhias estão apenas preocupadas com as cotas impostas pelo governo.com/ Empresa especializada em vagas para pessoas com deficiência “De acordo com a pesquisa “Pessoas com Deficiência: expectativas e percepções sobre o mercado de trabalho”. Caxias do Sul.d.” Fonte: Infomoney ========================================================================= .

devido a sua vulnerabilidade emocional e a falta de aceitação social que ainda vivemos. meninas. se há uma atitude respeitosa para nossa pessoa e figura humana. pois o emprego é uma matéria de Direitos Humanos. porque o silêncio da vítima favorece o agressor. de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s). senão há brincadeiras um tanto irônicas a nossa deficiência e pessoa. Esse artigo foi publicado na Revista Reação na edição de abril/maio. em que predominam condutas negativas. tratando de qualidade de vida conquistada com o seu esforço. entre tantas situações de constrangimentos. falta de uma rampa.org/spip. etc. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. trabalhos que não condiz com nossa condição física e intelectual. sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas. a pressão psicológica. tanto por razões clínicas quanto por suicídio. forçando-nos a pedir demissão e sentirmos inadequados e incompetentes para qualquer atividade laborativa. tudo contribui para que essa mulher fique calada e coopere com a submissão e fortalecimento da tirania imposta de forma cruel e covarde. Provar uma situação dessas ainda não é fácil. afinal? É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras. o computador que torna-se inadequado para o uso. Antes de qualquer coisa não devemos temer em denunciar aos órgãos competentes. a falta de auto-estima.http://www. Comissão de Direitos Humanos. de não ser aceito/incluído. um banheiro inacessível corretamente.html Caro leitor. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. O medo de não conseguir uma nova chance. em ir a uma Delegacia ou Ministério Público do Trabalho. ainda mais no que diz para a mulher com deficiência. a questão do assédio moral ou bullyingem nosso trabalho. imaginem o estrago em nosso segmento. problema esse que nos traz muitos transtornos e ocasionalmente sem provas. falta ou excesso de atividades. trazendo-lhe a impunidade e muitas vezes a vitima adquire danos físicos e psicológicos tão surpreendentes que podem até mesmo resultar na loucura ou morte.com. venho agora discutir com vocês. Muitas ocasiões nos é imposta situações que acreditamos ser normais ao nosso meio de trabalho.php?article1 Se isso acontece “normalmente” com pessoas sem deficiência. Como uma mulher com deficiência que sou e com muito orgulho. O que é assédio moral ou bullying. principalmente a mulher . relações desumanas e aéticas de longa duração. chefe ou colegas que conversam com todos menos com a gente.deficienteciente. antes de qualquer coisa precisa de muita coragem e iniciativa nossa e de outros colegas que conhecem a situação do constrangido. forçando-o a desistir do emprego. Centro de Referência a Saúde do Trabalhador para solucionar o problema e nos proteger. Sindicato. tais como falta de acessibilidade no local.br/2011/09/assedio-moral-ou-bullying-no-trabalhovoce-e-vitima.assediomoral. http://www. Devemos prestar atenção na forma como somos tratadas pelos nossos empregadores e colegas de trabalhos. O interessante e reflexivo artigo abaixo. mas é possível sim. é da amiga Márcia Gori*.

mas acreditem superei tudo e estou seguindo o meu caminho profissional com tanto sucesso. • Ou você trabalha ou você vai a médico. nos fazendo acreditar que a competência tem “pessoas predestinadas” a merecê-las. é possível vencer qualquer obstáculo. mesmo porque ela namora. Eu também quero essa doença!” • Não existe lugar aqui pra quem não quer trabalhar! • Se você ficar pedindo saída eu vou ter de transferir você de empresa… de posto de trabalho… de horário… • • • • Seu trabalho é ótimo. paga seus impostos. então fica a dica. A mulher/vitima deve buscar apoio da família. pra trabalhar comigo. se prostitui. amigos e colegas para resgatar a auto-estima e a sua cidadania plena. porque você… Esquece tudo! . mata. maravilhoso… mas a empresa neste momento não precisa de você! Como você pode ter um currículo tão extenso e não consegue fazer essa coisa tão simples? Você me enganou com seu currículo… Não sabe fazer metade do que colocou no papel. Vou ter de arranjar alguém que tenha uma memória boa. constitui família. que atualmente muitos do que foram os algozes precisam da minha competência. Aqui você só atrapalha! • Se você não quer trabalhar… por que não dá o lugar pra outro? • Teu filho vai colocar comida em sua casa? Não pode sair! Escolha: ou trabalho ou toma conta do filho! • Lugar de doente é no hospital… Aqui é pra trabalhar. já passei por esse tipo de constrangimento dentro do serviço público e sei o quanto isso traz estrago dentro do nosso emocional. enfim. casa.com deficiência que tem TODOS os seus direitos como qualquer cidadão comum. depende SOMENTE DE VOCÊ!!! Coloco aqui algumas frases típicas para que vocês tenham clareza do abuso: • Você é mesmo difícil… Não consegue aprender as coisas mais simples! Até uma criança faz isso… e só você não consegue! • É melhor você desistir! É muito difícil e isso é pra quem tem garra!!! Não é para gente como você! • Não quer trabalhar… fique em casa! Lugar de doente é em casa! Quer ficar folgando… descansando… de férias pra dormir até mais tarde… • A empresa não é lugar para doente. É pegar ou largar… não preciso de funcionário indeciso como você! • Pessoas como você… Está cheio aí fora! • Você é mole… frouxo… Se você não tem capacidade para trabalhar… Então porque não fica em casa? Vá pra casa lavar roupa! • Não posso ficar com você! A empresa precisa de quem dá produção! E você só atrapalha! • Reconheço que foi acidente… mas você tem de continuar trabalhando! Você não pode ir a médico! O que interessa é a produção! • É melhor você pedir demissão… Você está doente… está indo muito a médicos! • Para que você foi a médico? Que frescura é essa? Tá com frescura? Se quiser ir pra casa de dia… tem de trabalhar à noite! • Se não pode pegar peso… dizem piadinhas “Ah… tá muito bom para você! Trabalhar até às duas e ir para casa. conto aqui um segredo a todas vocês. é ser humano. rouba.

palestrante sobre Sexualidade.com/ Federação Nacional de Educação dos Surdos http://www. ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011.pdf Contém cartilha da Federação Brasileira de Bancos sobre ´´Gestão de Pessoas com Deficiência no Ambiente de Trabalho`` http://www. http://www.com. • Ela faz confusão com tudo… É muito encrenqueira! É histérica! É mal casada! Não dormiu bem… é falta de ferro! • Vamos ver quem brigou com o marido! Até o nosso próximo encontro!!! * Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP.asp Este site tem um link sobre empregabilidade.pdf Contém texto : Inclusão social da pessoa com deficiência: medidas que fazem a diferença -1ª edição Rio de Janeiro – 2008 IBDD http://pessoascomdeficiencia. http://ios. Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência.org.feneis.febraban.br Blog: http://mrciagori.php/sobre-o-ios/ Site do Instituto da Oportunidade Social que busca. Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP.blogspot. E-mail: marcia_gori@yahoo.br/Arquivo/Cartilha/Cartilha_Gestao.org. Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência – CEAPcD/SP 2007/2009.ibdd.br/blog/index.org. que tenham menor acesso às oportunidades do mercado de trabalho.br/site/2011/12/06/passados-20-anos-empresasprecisam-entender-melhor-lei-de-cotas-para-deficientes/ . modelo fotográfico da Agência Kica de CastroFotografias.br/arquivos/inclusaosocial. empresária Assessoria de Direitos Humanos – ADH Orientação e Capacitação LTDA. membro do CAD – Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP.com.com.br/page/index.• A empresa não precisa de incompetente igual a você. apóia e monitora a empregabilidade de jovens e pessoas com deficiência. Miss Tattoo 2010.

assistiva.br/noticia/004452-tecnologias-assistivas-o-acesso-ao-mercadode-trabalho Tecnologias assistivas . empresas precisam entender melhor a lei de cotas para deficientes´´ …´´Formações como cursos de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a publicação de livros em braille são exemplos de ações que precisariam ser mais frequentes para preparar a sociedade e o universo corporativo às pessoas com deficiência.pdf Estudo sobre a inserção dos surdos no mercado de trabalho. e as histórias de vida de pessoas surdas incluídas no meio produtivo..br/pos/stricto/mest-adm/pdf/dissertacoes/dissertacao-alvanei-dossantos-viana. http://www.unigranrio.O acesso ao mercado de trabalho ================================================================== .Extraído do artigo ´´Passados 20 anos. abrangendo as políticas públicas. http://www. as práticas organizacionais adotadas por instituições de direito público e privado.. “Uma empresa que resolve fazer um curso de Libras para os funcionários irá tornar a adaptação da pessoa surda muito mais fácil´´.org.

O que significa Pangastrite Enantematosa Moderada? Fiz uma endoscopia digestiva porque fui ao médico por causa de uma azia constante e enjoo constante que eu tenho eo resultado da endoscopia foi: Pangastrite Enantematosa Moderada. e só agora um médico me pediu a endoscopia e eu acabei de fazer já fiz.já fazem 20 anos. o que significa? Resposta: Significa que você tem uma bactéria no estômago que pode ser a causadora da sua gastrite e dos sintomas que está sentindo. enantematosa significa avermelhada e inchada e moderada é média (nem fraca. e ainda não peguei o resultado da biópsia para ver Hpylori ativo." Tenho os sintomas da Pangastrite Enantematosa Moderada. Gostaria de saber o que significa isso e que remédios devo tomar? Resposta: "São termos utilizados para descrever as alterações encontradas na endoscopia: pan significa todo. Hérnia de Hiato A hérnia de hiato ocorre quando há um alargamento da porção diafragmática por onde passa o esôfago. =========================================== Classificação endoscópica de Los Angeles . nem forte). e o diagnóstico foi exatamente esse no resultado. Com as novas medidas terapêuticas clínicas hoje em dia a cirurgia do refluxo tem sua incidência diminuída. juntando tudo temos: uma inflamação acometendo toda a mucosa do estômago de aspecto avermelhado com inchaço e de intensidade média. mas no papel já diz que ele deu 'POSITIVO'. mas na refratariedade desta o tratamento cirúrgico laparoscópico é o melhor método de correção da hérnia hiatal. gastritesignifica uma inflamação na mucosa (camada interna) doestômago. permitindo que o estômago se projete para o tórax ocasionando o refluxo gastro-esofágico.

C Erosões contínuas (ou convergentes) entre os ápices de pelo menos duas pregas. D Erosões ocupando pelo menos 75% da circunferência do órgão. Uma ou mais erosões maiores do que 5 mm em sua maior extensão.Grau Achado A B Uma ou mais erosões menores do que 5 mm. Manifestações atípicas da DRGE Manifestação Esofágica Tipo Dor torácica sem evidência de enfermidade coronariana (dor torácica não cardíaca). laringite posterior crônica. bronquiectasia e pneumonias de repetição Otorrinolaringológica Rouquidão. hemoptise. sinusite . envolvendo menos do que 75% do órgão. Globus Histericus (faringeus) Pulmonar Asma. não contínuas entre os ápices de duas pregas esofágicas. pigarro (clareamento da garganta). tosse crônica. bronquite.

2. molho inglês. kiwi) . 5. 6. massa de tomate. alimentos gordurosos.Se for obeso. ou mesmo exercícios abdominais. álcool.Eliminar fatores que aumentam a pressão intra-abdominal: cintas e roupas apertadas. perder peso. molhos industrializados. Medidas gerais: 1. café e chocolate. picles . 4. morango.Temperos (vinagre. a obesidade causa refluxo. Alimentos a serem evitados: .Frutas ácidas (laranja. molho tártaro). pêssego.Eliminar ou reduzir significativamente cigarros. caldos concentrados.otalgia Oral Desgaste do esmalte dentário. Outros medicamentos aumentam a força de contração do músculo EIE. halitose e Aftas Alimentação Não há restrições ao consumo de água. abacaxi. 3.crônica. mostarda. mas existem várias medidas que você pode adotar para melhorar o desconforto. cereja.Evitar comer ou beber 2 horas antes de ir dormir.Elevar a cabeceira da cama em mais ou menos 15 cm para ajudar a evitar o refluxo gastresofágico durante o sono. damasco.Alimentos gordurosos e frituras em geral .Comer menos e distribuir alimentação ao longo do dia.Drogas: as drogas atualmente disponíveis tem a finalidade de reduzir a produção da secreção ácida do estômago. Outros tratamentos: . ketchup. Estes medicamentos são parte importante no tratamento da esofagite. limão. pimenta.

geléia. amendoim. espinheira santa .Feijão e outras leguminosas .Café. avelã.Chá de camomila.Pepino.Verduras e legumes bem cozidos . chá preto. patês. salsicha . pimentão. poché. pistache) . cozidas. moídas. presunto. compotas) . carne de porco. repolho. cocada. erva-doce.Frutas oleaginosas (nozes. brócolis. couve. grelhadas . quentes . coco.Leite. tomate. bacon.Doces concentrados (goiabada. marmelada.Bebidas alcoólicas e gasosas Alimentos permitidos: . pé-de-moleque. couve-flor. castanha de caju e do Pará.Carnes magras desfiadas.Ovos cozidos. ensopadas. picadas. alimentos enlatados e em conserva . melissa. doce de leite. ricota . erva-cidreira. assadas. nabo. rabanete . amêndoa. mortadela. queijo fresco.Frutas secas e cristalizadas ..Lingüiça. carnes gordas. mate e chocolate .Sopas magras .

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